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1 BACTÉRIAS MICROBITA ANFIBIÔTICA - Microbiota transitória -> potencialmente patogênicas e não se regenera - Microbiota residente –> fixa, geralmente não patogênicas e consegue se regenerar - As microbiotas residentes servem como um auxílio na linha de defesa inata do organismo, pois liberam substâncias contra microrganismos patogênicos - Microbiota antibiótica pode ter um papel fundamental na ajuda ao hospedeiro, mas pode em condições adversas pode ter um papel patogênica - Geralmente a microbiota é benéfica no sítio onde ela coloniza (como a E. Coli no intestino), se houver migração da bactéria do tratogastrointestinal para as o sistema urinário ocorre infecções urinárias. Da mesma forma as bactérias residentes na pele, que ao sofrer um corte e a bactéria ganha uma oportunidade e se prolifera e causa infecção. - O sangue é um lugar estéril, quando tem microrganismo no sangue é chamado de bacteremia - Sepse -> é uma resposta imune contra uma determinada infecção, em quadros de bacteremia. Dependendo da quantidade de microrganismo pode haver uma infecção exacerbada, podendo ocorrer uma síndrome tóxica devido a resposta imune produzida - Microbiota -> conjunto de microrganismos - Microbioma -> um conjunto de microrganismos que ocupam determinado sítio anatômico, a relação de microrganismos com o lugar onde ele está inserido - Não conseguimos isolar todos os microrganismos presentes de um determinado Microbioma (como a boca e intestino), pois nem todas é possível isolar através do meio de cultura. - A microbiota é adquirida logo após o nascimento, através do canal vaginal (parto normal) - Durante a vida ela se modifica devido a hábitos alimentares, estilo de vida - Streptococcus Agatactiae: pode fazer parte do trato genital feminino e do tratogastrointestinal. Em gestantes (no utm trimestre de gestação), precisa fazer exame para saber se a bactéria está colonizada, pois se ela estiver e o bebê nascer de parto normal ela pode causar meningite, pneumonite, bacteremia e outras até a morte. Imunidade inata e microbiota -Imunidade primária/barreiras protetoras: físicas e químicas como pele, pH, mucosa etc. Biológica como microbiota - A distribuição desses microrganismos é variável, onde haverá maior concentração em áreas com mais ´ 2 umidade e temperatura como axila, entre os dedos, couro cabeludo. Vária de acordo com clima, idade e higiene. - Estão presentes mais na pele as espécies de Streptococcus epidermidis e áureas (+ patogênica), entretanto o epidermidis produz muito biofilme Trato respiratório - Streptococcus pneumonie -> compõe a microbiota do trato respiratório superior (de crianças abaixo de 5 anos) e adultos (com menor ocorrência, mas presente) - Ela possui caráter anfibiôntica, podendo causar infecções como pneumonia, sinusite, bacteremia, meningite e outros - Países desenvolveram vacinas contra a bactéria chamada de VPN 13 e VPN10 que significa o número de sorotipos que essa vacina cobre - Entretanto, após a vacina os sorotipos que a vacina cobre diminuíram, mas os não vacinais aumentaram e multirresistentes. - A microbiota ajuda a desenvolver a imunidade da hospedeira - Na composição da membrana externa das bactérias gram-negativas há um antígeno muito similar a base que dar o antígeno A e B do tipo sanguíneo. Por isso, o sistema imune é estimulado a reconhecer o que ele não tem (A ou B) - Reatividade cruzada onde a pessoa pode contrair a doença mais de uma vez (como dengue) devido aos diferentes tipos de sorotipos - Interferência bacteriana - competição entre as bactérias, onde a microbiota protege contra patogênicas, através da liberação de bacteriocinas - Produtos metabólicos feitos pelas bactérias que metabolizam composto (como vitamina k) que ajudam na absorção do hospedeiro Modificações da microbiota - Antibióticos - pH - Sistema imune ineficaz ou imunossupressor (como com aids) - Obesidade, autismo, doença de Parkinson, comportamento, estilo de vida PROBIÓTICOS, PRÉBIÓTICO E SIMBIÓTICOS - Probióticos: bactérias ou fungos vivos já prontos que compõe o trato gastrointestinal que se toma através de leite, Yakult, iogurte para recompor a microbiota (como casos de diarreias) - Prebióticos: são substâncias não digeríveis que servem como alimento para as bactérias benéficas já presentes no trato gastrointestinal. Em outras palavras, são compostos que promovem o crescimento e a atividade das bactérias probióticas no intestino. - Simbióticos: são produtos ou suplementos que combinam probióticos e prébióticos. Eles são projetados para promover uma relação simbiótica entre os microrganismos benéficos já presentes no trato gastrointestinal e os probióticos que estão sendo introduzidos. MECANISMO DE PATOGENICIDADE 3 - Capacidade do microrganismo causar dano ao hospedeiro - Fator de virulência: substância, enzimas, proteínas que determinado microrganismo produz para ajudá-lo na patogenicidade causando dados ao hospedeiro - O que vai influenciar na virulência não depende só do microrganismo, mas também do sistema imune do hospedeiro Adesão -Para o microrganismo cause danos, primeiro que tem que se aderir a superfície - Para bactéria faça adesão ele precisa interagir com a superfície que pode ser adesão inespecífica e específica - Adesão inespecífica: microrganismo vai interagir com a superfície de forma frouxa e frágil sendo fácil de destruir (como na uretra) - Adesão específica: Depois que começam a fazer a inespecífica, elas fazem uma adesão específica, pois elas usam umas moléculas chamadas de adesinas fimbriais para fazer a ligação, se ligando através das fimbrias a receptores específicos da célula. Sendo uma ligação mais difícil de destruir - Biofilme: - Depois que a bactéria se instala e se ela possui flagelo ela deixa de expressar o gene do flagelo, pois ela não precisa dele porque já está instalada e se mantiver ativo ela gastará energia. Então, ela deixa de expressar e ativa o sistema de córien, uma comunicação célula a célula - Após o povoamento da bactéria, elas produzem substâncias como muco polissacarídeos, lipídios, carboidratos e rna cromossomal para proteger elas - No biofilme maduro é muito resistente ele não permite que o antibiótico entre e nem que o sistema imunológico reconheça/atue, devido aos componentes que revestem as bactérias são componentes que o sistema imune reconhece no corpo - Após isso, os nutrientes ficam em falta e então eles voltam a expressar os flagelos em busca de outro local Invasão - Após a bactéria se aderir ela tenta invadir - Ela depende do patógeno, podendo ou não existir - Para auxiliar na invasão, esses microrganismos produzem a substâncias invasinas, que é uma proteína bacteriana capaz de induzir a invasão em células não fagocitas - Fagocitose induzida: não gera muita alteração no citoesqueleto da célula, só há uma interação inicial com a liberação de proteínas invasinas a fim de que a célula a coloque para dentro por fagocitose - Transitose: nesse caso há uma grande muita alteração no citoesqueleto da célula, que a célula se comportará como um fagocito para englobar e colocar para dentro a bactéria (como a salmonella e shigella) -Célula M: tem a função de captar antígenos no intestino que não foram captados por fagócitos para que eles sejam levados para o GALT para que os macrófagos o fagocite. Evasão - É o escape dos mecanismos de defesa do hospedeiro; - EVASINAS: São fatores de virulência e, principalmente, estratégias usadas pelas 4 bactérias para contornar ou vencer as defesas do hospedeiro; ➢ Mecanismos de evasão à imunidade inata 1. Escape de células fagocíticas (ex.: macrófagos) ✓ Evitar contato com os fagócitos; ✓ Acesso a células menos hostis (céls. epiteliais) - A shigella, consegue escapar do macrófago e infectar a célula ao lado - Além disso, a shigella se aproveita no processo de diapedeses,onde as células enterócitos se afastam para células imune passar para combater a infecção e então a shigella entra pelo espaço deixado pelos enterócitos e infecta. - Se e a bactéria quer causar infecção, ela tem que fugir do sistema imune do hospedeiro - Ela cria envaginas, cria condições para se esconder - Evita que células fagocíticas fagocitem, evitando contato como evitando o receptor exposto, ou se escondendo dentro das células 2. Sobrevivência nos macrófagos - Escape do fagossoma (Shigella spp., Listeria spp.) - Prevenção da fusão fago-lisossoma (Salmonella spp.) - Produção de substâncias que anulam efeitos defensivos celulares: catalase e superóxido dismutase (SOD) Proteína A é ligada a Staphylococcus aureus na porção constante do anticorpo que não reconhece a proteína A Variação de fase: - Em um mesmo patógeno no decorrer da infecção expressando ou não: Ex.: Neisseria gonorrhoae (produção de pili) Variação antigênica: - Em diferentes cepas da mesma espécie (sorogrupos, sorotipos...) pode variar a sua estrutura: • Proteína M de Streptococcus pyogenes • Cápsula de Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis... • Antígeno O (LPS) de bactérias Gram negativas (Ex.: Escherichia coli) MECANISMOS DE AGRESSÃO - AGRESSINAS: estruturas ou produtos bacterianos que causam danos ao hospedeiro -Fatores de disseminação: agressinas - Enzimas extracelulares (exoenzimas) → hialuronidase, colagenase, elastase etc. TOXINAS: - Danos causados ao hospedeiro podem levar à: • Morte celular por lise ou indução de apoptose • Alterações do metabolismo • Resposta imune exacerbada do hospedeiro ➢ Endotoxinas - Componentes da célula bacteriana que são liberados normalmente quando a célula bacteriana morre (lisada). Ex.: LPS, peptideoglicano (PG) 5 ➢ Exotoxinas - São secretadas pelas bactérias; - Toxoides: não toxigênicos, mas estimulam anticorpos (vacinas diftérica e tetânica). Classificação das exotoxinas: - Tipo I – Toxinas ativas em superfície celular e geram resposta exacerbada (Ex.: Superantígenos como LPS) - Tipo II – Toxinas que causam danos a membrana - Tipo III – Toxina com ação intracelular (Ex.: Toxinas do Tipo A-B) • Tipo I (Ex.: Superantígenos) - Produção de grande quantidade de citocinas, levando à uma resposta exacerbada ➪ choque tóxico ao hospedeiro - Ligam-se diretamente a moléculas de MHC de macrófagos e receptores de linfócito T Ex.: TSST (toxina da síndrome choque tóxico), enterotoxinas estafilocócicas, exotoxinas pirogênicas de Streptococcus pyogenes... • Tipo II (causam danos a membrana) - Formam poros (citolisinas): Ex.: hemolisinas, listeriolisina - Alteram a permeabilidade: Ex.: fosfolipases (alfa-toxina de Clostridium perfringens) • Tipo III (Ex.: Toxinas do Tipo A-B) - 90% das exotoxinas bacterianas; - Apresentam dois tipos de subunidades: A e B; - A subunidade A é a porção enzimaticamente ativa, que penetra na célula-alvo e exerce os efeitos biológicos da toxina; - A letra B vem de binding, pois é essa subunidade responsável pela ligação da toxina ao seu receptor celular; Ex.: Toxina botulínica, toxina tetânica, toxina colérica, toxina diftérica.. COCOS GRAM-POSITIVOS - Os CGP de maior importância clínica pertencem aos gêneros: Staphylococcus, Streptococcus e Enterococcus - Após identificar pela coloração de gram. a bactéria coco positiva realiza- se o teste catalase, que é uma enzima com atividade de peroxidase que quebra peroxido-hidrogênio em água e oxigênio e formará bolhas - O teste de catalase significa que a bactéria produz a enzima catalase - Se der catalase positivo é staphylococcus e se der negativo é streptococcus/enterococcus - Portanto elas são anaérobicas facultativas Staphylococcus - +60 espécies Reservatórios: - Ambiente (fômites/objetos, poeiras de ventilação, equipamentos...) -Microbiota de mamíferos e aves: • pele e mucosas (Cav. Oral, TGU, TGI e TRS). Produção da enzima coagulase: 6 - Teste realizado após dar positivo no teste de catalase - Essa enzima coagula o plasma (ao redor) que pode proteger a bactéria contra o sistema imune do hospedeiro - Estafilococos coagulase positivos (ECP) -> ex. S. aureus, outros de importância veterinária; - Estafilococos coagulase negativos (ECN) -> ex. S. epidermidis, S. saprophyticus, S. haemolyticus e outros. - Os Estafilococos coagulase negativos geralmente são patógenos oportunista, ou seja, são microrganismos que geralmente não causam doenças, mas em pessoas com imunidade baixa podem causar infecções graves. • Estafilococos coagulase positivos (ECP) Staphylococcus aureus - Importante patógeno: - Causam doenças em seres humanos na comunidade e nas unidades de saúde (IRAS); - Causam doenças em animais. - Colonização nas fossas nasais/narinas anteriores e na pele (20-40%). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS - Pode causar Infecções superficiais e até infecções invasivas (ambiente estéril) -Infecções superficiais: pode causar foliculite, furúnculo, impetigo (bolhoso) e infecções de ferida cirúrgica (mais complicada) - O tratamento dessas infecções superficiais é com pomada, tratamento tópico - Em ambientes hospitalares é geralmente Pneumonia e infecções invasivas (ex. endocardite, meningite, osteomielite, outras). - Em ambiente hospitalar o Staphylococcus áureas geralmente é o mais frequentemente associado à pneumonia hospitalar - Staphylococcus áureas pode causar doenças relacionadas a produção de toxina - Intoxicação quando tem contato com a toxina fora dele, como em alimentos ingeridos (enterotoxinas) - Toxi-infeções é quando há infecção e a produção da toxina é realizada dentro do hospedeiro, como a síndrome do choque tóxico (TSST-1) e síndrome da pele escaldada (toxinas exfoliativas) FATORES DE VIRULÊNCIA - Biofilme: capacidade das bactérias viverem em comunidade e formarem agregados de células envolto por uma matriz que as protegem - Cápsula: atua na evasão bacteriana (evitar fagocitose) - Proteína A: atua na evasão, se ligando na parte constante dos anticorpos, onde o anticorpo deveria se ligar pela porção variável (inativando o anticorpo) - Enzimas extracelulares: coagulase, estafiloquinase (antagonista da 7 coagulase), hialuronidase, proteases, lipases. Nuclease - Adesinas: proteínas de superfície que atuam na adesão/fixação no hospedeiro. Ex. fator clumping, MSCRAMMs- componentes de superfície microbiana (proteínas de superfície) que reconhece moléculas de matriz adesivas (proteínas de matriz extracelular como coágulos) - Agressinas: atuam na agressão que são enzimas extracelulares que podem destruir o tecido do hospedeiro - Toxinas: enterotoxinas, TSST-1, exfoliativas, leucotoxinas, hemolisinas RESISTÊNCIA - IRAS: Resistência a vários antimicrobianos de uso clínico. - MRSA (methicillin resistant S. aureus) -> cepas multirresistentes - VISA (1997) e VRSA (2002), incluindo Brasil - A cepa multirresistente de VRSA veio por conjugação com a VRE (enterococcus resistente a vancomicina), o S. aureus (MRSA) recebeu um plasmídeo e se tornou VRSA • Estafilococos coagulase negativos (ECN) - No passado, contaminantes em espécimes clínicos. - Recentemente, importantes agentes de doenças. - Aumento dos dispositivos médicos e imunocomprometidos. - Patógenos oportunistas. - Normalmente associados a IRAS Staphylococcus epidermidis - ECN mais frequentemente isolado e é encontrado na epiderme (pele) - Microbiota anfibiôntica, causando infecções quando por exemplo há um corte na pele e causar infecções - Infecções: bacteremia associada ao uso de dispositivos médicos (cerca de 30%), Infecção de trato urinário, de ferida cirúrgica, outros. - Principal fator de virulência -> formação de biofilme. - O biofilme pode ser formado diretamente do dispositivo médico ou formado em filme condicionante Staphylococcus saprophyticus - 2º agente de ITUs (Infecção de trato urinário) comunitárias (cistite) em mulheres jovens sexualmente ativas. -1º agente é E. Coli (80%) - ITU superior, prostatite e, raramente, bacteremia, sepse e endocardite. - Fontes de infecção: reto e TGU. - Tropismo por tecido uroepitelial. Possuindo proteínas de superfície capazes de reconhecer receptores na superficial uroepitelial e facilita a fixação • Cocos gram-positivos catalase negativo Streptococcus sp. - +110 espécies - Necessita de meios ricos em nutrientes quando se isola em laboratório, pois são nutricionalmente 8 exigentes e normalmente utiliza-se o sangue (agar sangue) CLASSIFICAÇÃO - Padrão hemolítico: capacidade de lisar o não hemácias (hemólise) - Características antigênicas – p. ex.: Classificação de Lancefield. É baseada na presença de alguma molécula ligada na parede celular, chamadas de grupos/sorogrupos - Grupos A a H e K a V - Características fisiológicas, por exemplo presença ou não de enzima catalase Padrão hemolítico (meio ágar sangue de carneiro) • β-Hemolítico: faz a hemólise total, colônias que secretam enzimas hemolisinas que degradaram completamente as hemácias e o meio ficam mais transparente próximos das bactérias • α-Hemolítico: é a hemólise parcial e possui aspecto esverdeado • Não- Hemolítico: não há hemólise Estreptococos Não β-Hemolíticos - Complexo “S. bovis/S. equinus”: se o indivíduo tiver a presença desse complexo há necessidade de pesquisar a existência de câncer de colo -Estreptococos viridans (Orais) -> 4 grupos • Grupos S. mutans, S. anginosus, S. salivarius e S. mitis (S. pneumoniae) Estreptococos β-Hemolíticos - S. pyogenes -> Principal Streptococcus β-hemolítico do grupo A (EGA) • Colonização: oro/nasofaringe (< 5% de adultos) e pele. • Transmissão: aerossóis ou contato direto. -S. agalactiae -> Streptococcus β- hemolítico do grupo B (EGB) • Importância veterinária: mastite bovina. • Colonização: ≈ 25% dos adultos saudáveis (TGI e TGU) e 15% a 40% das gestantes - trato vaginal • Infecções em neonatos: pneumonia, sepse e meningite Se a gestante estiver colonizada realiza-se a Profilaxia antimicrobiana intraparto (CDC) Streptococcus pyogenes - Faringotonsilite - Escarlatina: afeta principalmente crianças e está associada a doenças na garganta por cepas que produzem toxina pirogênica - Piodermites: infecções de pele como Impetigo e erisipela - Celulite - Fascite necrosante: afeta o musculo - Bacteremia e sepse - Febre puerperal - Síndrome do choque tóxico estreptocócico - Osteomielite, pneumonia, meningite etc. Sequelas Não Supurativas: pós infecciosas - Febre reumática - Glomerulonefrite 9 - PANDAS (tiques e TOCs) Febre Reumática -Processo inflamatório que atinge coração, articulações, SNC (córeia), pele e tecidos subcutâneos - Doença autoimune -> causada por anticorpos produzidos contra a proteína M (da bactéria) (p. ex., tipos reumatogênicos M 1, 3, 5, 6, 18, 24) - Hipersensibilidade do tipo 2- anticorpos atua contra o organismo - Após 2 a 5 semanas de casos faringotonsilite estreptocócica pode desenvolver essas sequelas - Após casos repetidos de faringite; Glomerulonefrite - Doença imunológica - Lesão renal: Antígenos presentes na superfície da bactéria parecem com maior afinidade pelo tecido glomerular - Hipersensibilidade 3 = Deposição de imunocomplexos (Ag-Ac) - Tipos M nefrotoxigênicos: M12, M49... - 10 dias após faringotonsilite ou piodermites TRATAMENTO PYOGENES Tratamento empírico - Penicilina (p.ex., Amoxicilina) - Recomenda-se o uso de macrolídeos para pacientes alérgicos à penicilina: • Macrolídeos: Azitromicina • Maior resistência Enterococcus sp. -Patógenos oportunista (IRAS) - ~60 espécies - Reservatórios: Solo, vegetais, água, alimentos microbiota Infecções Endodônticas Enterococcus faecalis • Associada ao insucesso no tratamento de canal infecções secundárias • Frequente em canais infectados, principalmente em casos de retratamentoTGI e TGU E. faecalis: mais comum em enterococcias em seres humanos E. faecium: número de casos vem aumentando Pode causar: -Infecções do trato urinário - Infecções de feridas - Bacteremias - Endocardites -Infecções pélvicas, intra-abdominais, respiratórias e do SNC TRATAMENTO ENTEROCOCCUS (enteroccicias) - Característica Biológica Marcante: Resistência a Antimicrobianos Intrínseca & Adquirida Tratamento de enterococcias graves (sinérgico) - Necessita de efeito bactericida • Lactâmicos + Aminoglicosídeos • Alternativa: Vancomincina VRE (Enterococos Resistentes a Vancomicina) 10 Infecções Endodônticas - Enterococcus faecalis • Associada ao insucesso no tratamento de canal -> infecções secundárias •Frequente em canais infectados, principalmente em casos de retratamento INFECÇÕES DO SISTEMA NERVOSO - Cérebro e medula espinhal; • Meninges: – Proteção contrachoques mecânicos, infecções... – 3 membranas: dura-máter, aracnoide e pia-máter. - Líquido cefalorraquidiano: circula entre a aracnoide e a pia-máter SNC Infecções: -Abscesso cerebral - Meningite -> principal infecção - Bactérias encapsuladas que consegue sobreviver na corrente sanguínea e utiliza-se métodos de invasão para chegar ao snc Meningite: - Bactérias -> meningite piogênica ou polimorfonuclear; - Vírus -> meningite asséptica ou linfocítica; chega através de células infectadas - Fungos e parasitas; - Associada a complicação de outras infecções. Ex.: sífilis Doenças mais comuns: - Meningite - Há diferentes Agentes Etiológicos de Meningite como: vírus, bactérias, fungos e protozoários/helmintos Causadores de meningite na comunidade: Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo b, mycobacterium tuberculosis - Neonatal: Escherichia coli e Streptococcus agalactiae - Nas IRAS: - Hipersensibilidade do tipo 1 = choque anafilático, uma alergia grave - Hipersensibilidade do tipo 4 = resposta relacionada contra microbactérias e depende da interação dos linfócitos T e macrófagos (resposta tardia, demora para aparecer) Neisseria meningitidis (Meningococo) -> Gênero Neisseria - Principal agente de meningite - Diplococos Gram-negativos - São diplococos Reniformes - São imóveis e não formam esporos - Muito presente no organismo fazendo parte da microbiota de diferentes sítios - Espécies saprófitas : orofaringe, nasofaringe e vagina. Se alimentam de resto de nutrientes desses sítios - Principais espécies patogênicas: N. meningitidis e N. gonorrhoeae Estrutura de Superfície das Bactérias Gram-Negativas (Meningococo) - Membrana externa de LPS das Neisserie é diferente 11 - O LPS (de uma gram-negativa normal) possui uma porção lipídica e outra de açúcar. - A região hidrofóbica fica para dentro da membrana chamada de lipídio A e a porção que fica para fora central é chamada de core - O core é polissacarídeos, com pouca variação de açucares - Há cadeias laterais de açucares que variam de composição de açucares e tamanho e número - A variação de açúcar é chamada de antígeno O e é extremamente diversificado - As Neisseria diferem das gram- negativas típicas, pois elas não possuem o antígeno O tendo menos açucares nas moléculas - As Neisseria são chamadas de lipo- oligossacarídeos (LOS) - O LOS tem a função de ativar as respostas imunológica, funcionando como endotoxinas liberadas fora da célula que expõe a parte lipídica que é a parte tóxica da estrutura que está voltada para dentro da membrana externa da célula bacteriana - As endotoxinas no geral só atuam quando a bactéria morre, nos casos das Neisserias elas são liberadas pois a bactéria produz muito e acaba secretando levando uma inflamação Fatores de Virulência - OPA é uma OPMs- proteína de membrana externa, atua na invasão - Proteínas POR são OPMs, atua na invasão - Capsula- atua na evasão - IgA protease – importante na evasão, pois degrada anticorpo IgA - LOS- atua na etapa de agressão - Variações de fase: Pilus tipo IV, OMPs, cápsula e LOS - é importante pois a bactéria pode modular o fator de virulência, ligando e desligando aexpressão no decorrer da infecção - Variação antigênica dentro da espécie: como sorotipos de meningococos com variações de cápsula Doenças Meningocócicas (DM) - Meningococcemia e/ou meningite meningocócica - Rash hemorrágico: ocorre em quadros de Meningococcemia, que é a presença do meningococo no sangue causando uma resposta inflamatória generalizada (sepse). Ocorre lesões roxas, chamadas de petéquias Como ocorre a patogênese: 12 Colonização da nasofaringe – se liga ao epitélio através de pilus tipo IV e OPA (invasão) Invasão local – invade o epitélio pela proteína POR (invasão) Bacteremia / Meningococcemia (sepse)- cápsula importante na sobrevivência no sangue Invasão da meninge e proteínas Rmp ajuda na proteção contra sistema complemento. A bactéria pode chegar no sangue e invadir o SNC e causar meningite. Ela pode causar as duas doenças sendo meningocócica. Ela pode causar somente uma ou outra (Meningococcemia ou meningite), se só passar pelo sangue e não causar sinais/sintomia a pessoa não tem Meningococcemia ela terá bacteremia transitória e foi se multiplicas no snc Replicação bacteriana no espaço subaracnoide liberação de componentes bacterianos (PG, LOS) citocinas CARACTERIZAÇÃO SOROLÓGICA - Sorogrupos -> cápsula polissacarídica • 13 sorogrupos: A, B, C, D, 29E, H, I, K, L, W135, X, Y e Z; - A, B e C= mais comum no mundo - C = mais comum no Brasil - Tratamento: Becta-lactâmicos e Alérgicos a beta- lactâmicos: Cloranfenicol - Vacinas: na rede privada no BR (tetra-valente) protege contra o sorogrupo A, C Y e W134; Na rede pública meningocócica c - N. meningitidis sorogrupo B: cápsula pouco imunogênica. Vacina proteica envolvendo 5 ou 3 proteinas do meningococo B - Vacina contendo proteínas de superfície (NHBA, NadA e fHbp) e vesículas de membrana externa (OMV) contendo PorA (P1.4)[ BACILOS GRAM- NEGATIVOS Ordem Enterobacteriales ou Enterobactérias - Encontrados no TGI (principalmente intestino), mas pode ser encontrada no ambiente - Bastonetes Gram-negativos curtos - Não formam esporos - Móveis por flagelos peritríquios ou imóveis - Facultativos - Fermentam glicose Principais Gêneros (patogênicas): • Infecções intestinais humanas - Salmonella (ovo), Shigella (disenteria bacilar clássica), Escherichia e Yersinia (peste negra); • Infecções extraintestinais humanas: - Infecções urinárias, vias aéreas, superiores, bacteremia - Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Enterobacter aerogenes, Enterobacter cloacae, Serratia marcescens, Yersinia pestis e 13 muitos outros... Escherichia coli - Diversidade patogênica - Pode ser encontrada causando infecções intestinais, urinárias, sepse, meningites em neonatos, pneumonias em imunodeprimidos hospitalizados etc... Tipos enteropatênicos – infecções intestinais: EPEC (E. coli enteropatogênica) EIEC (E. coli enteroinvasora) - semelhante a shigella (disenteria) ETEC (E. coli enterotoxigênica) – produz toxina termoestável (não inativada ao aquecer, semelhante a toxina da cólera) e termolábil (inativada quando aquece) EHEC (E. coli entero-hemorrágica) – subtipo de E. coli produtora de shigatoxina EAEC (E. coli enteroagregativa) – forma biofilme no lúmen intestinal bloqueando as microvilosidades e a absorção DAEC (E. coli de aderência difusa) - Todos os tipos são considerados E. Coli diarreiogênicas PATOTIPOS EXTRAINTESTINAIS de E. coli (ExPEC) -UPEC (E. coli uropatogênica) -NEMEC (E. coli associada a meningite neonatal) possui cápsula semelhante a meningococo -SEPEC (E. coli associada a sepse) Infecções urinárias - UPEC (E. coli uropatogênica) - Agente mais comum de infecção urinária, 90% dos casos da comunidade, E. coli uropatogênica Mulheres mais susceptíveis: - Anatomia - Maior no de receptores na mucosa no trato genital feminino - a UPEC pode causar 3 tipos de infeções urinárias: baixa (cistite) na bexiga e uretra; . Alta (pielonefrite) rins e ureter - A bactéria pode chegar na bexiga, sendo transitória - No rim é uma infecção invasiva, pois ele é estéril - Na bexiga, se ela tiver fimbrias tipo I vão usar para fazer a adesão inicial - Se tiver as fimbrias pode subir nos ureteres e fazer a adesão no rim e causar a pielonefrite - Para causar danos elas produzem toxinas como a Hemolisina (lisas hemácias), sat/vat (dano tecidual) e CNF1 (fator necrosante citotóxico) Infecções intestinais – EPEC (E coli enteropatogênica) - Causam diarreia aguda e persistente principalmente em recém-nascidos e em crianças ≤ 2 anos - Característica ⇨ adesão íntima localizada formando microcolônias na superfície das 14 células epiteliais intestinais provocando lesão nas microvilosidades, ou seja, destroem as microvilosidades. - Elas apagam as microvilosidades dos enterócitos, pois elas mobilizam o citoesqueleto - Esse processo é chamado de lesão A/E- lesão de fixação e apagamento ✔ Reservatório: ser humano ✔ Transmissão: Contato pessoal (p. ex., berçários) Etapas: 1º ) Aderência não-íntima- fimbrias (BFP) são aglomeras na superfície da bactéria que fornece a adesão inicial (não intima) 2º) Aderência íntima da bactéria- Ocorre através da adesina Intimina que se liga ao receptor Tir 3º) Mobilização do citoesqueleto e “apagamento” das microvilosidades dos enterócitos - Lesão A/E - A bactéria chega e usar o BFP para se ligar inicialmente e na superfície do enterócito ela injeta o Tir (produzida pela bactéria) e se liga ao Tir pela Intimina, conseguindo posteriormente secretar outras proteínas qu8e vão apagar as microvilosidades formando uma lesão em forma de pedestal Infecções intestinais – EHEC (E coli enteropatogênica) - Subtipo da das E coli que produzem toxinas: STEC (E. coli produtora de Toxina Shiga - Stx) -Agente etiológico da colite hemorrágica ⇨ dor abdominal intensa, diarreia aquosa e sanguinolenta; - ✔ Complicações extraintestinais: Síndrome hemolítico-urêmica (SHU) – anemia hemolítica, trombocitopenia, podendo levar a insuficiência renal aguda. - Também promove lesão A/E (como a EPEC) com apagamento das microvilosidades - Toxinas: • Stx (tipo A-B) - Rins • EAST 1 e 2 -B se liga na superfície da célula e A entra e exerce seu efeito tóxico -As toxinas tipo A/B tem um tropismo pelas células do epitélio renal e interrompe a síntese proteica provocando a morte. O rim perde sua função e o sangue vai passar e se acumular na bexiga e eliminado na urina - Surtos epidêmicos ou casos esporádicos ❖ Transmissão: ➢ alimentos de origem animal ➢ legumes e vegetais ➢ sucos de frutas (ex.: maçã) ➢ água ➢ contaminação cruzada ➢ Interpessoal – raramente Principal sorotipo: E. coli O157:H7 O= antígeno na membrana de LPS H= flagelo K= cápsula 15 Salmonella Doenças causadas: salmonelose Reservatórios: -Homem, animais domésticos e selvagens (aves, répteis e insetos); - Ambientes (solo, superfícies de indústrias de alimentos e cozinhas), água potável e alimentos ⇨ contaminação por fezes de doentes ou portadores; - Infecções alimentares: carnes mal- passadas, frangos, ovos, leite e derivados, peixes, camarões, rãs, molhos e temperos de saladas, misturas para bolo, sobremesas recheadas com cremes e doces cremosos, gelatina, manteiga ou creme de amendoim, cacau e chocolate - Salmonella está relacionada a infecção alimentar Formas clínicas: • Gastroenterite (infecção intestinal) • Bacteremia • Febre entérica - Febre tifoide e paratifoide. Possui os únicos sorotipos de salmonella que possui cápsula (virulência). S. Typhi S. Paratyphi encontrado somente no homem -Estado de Portador* (pós-febre entérica) ⇨ moo. nas fezes por até 1 ano após os sintomas. - Isso ocorre porque a bactéria vai parar no fígado, o qual produz bile e se acumula na vesícula biliar que é liberada aos poucos no intestino Enterobacteriaceae KPC - Klebsiella pneumoniae Carbapenemase - IRAS - Gene transmitido via plasmídeos - Comum em Klebsiella sp., mas pode aparecer em E. colie outras Enterobactérias - Super bactérias (ERPES) - Resistente a TODOS Antimicrobianos, exceção: ○ Polimixina ○ Tigeciclina ○ Alguns Aminoglicosídeos - Utiliza-se carbapenemicos da classe Beta-lactâmicos para tratar - 1º surto em Nova York (2003) 47% dos indivíduos morreram; - No Brasil: 2006 (Recife), 2010 (Brasília)... BASTONETES GRAM- NEGATIVOS NÃO FERMENTADORES (BGNNF) - Não fermentam nada - Produzem energia através de respiração aeróbia/anaeróbia - Microrganismos ubiquitários: • solo, água, alimentos. - Ambiente hospitalar: • pias, torneiras, umidificadores, ventilação mecânica e mãos de profissionais de saúde. - Colonização de pele e mucosa de indivíduos hospitalizados e saudáveis Grupos mais frequentes: 16 - São patógenos oportunistas e são relacionados a IRAS -Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter spp (bacilo que parece coco) - Altamente resistentes a antimicrobianos e desinfetantes - Pacientes com doenças de base Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) • Pneumonias • Infecção Urinária • Infecção sítios cirúrgicos • Queimaduras (Pseudomonas aeruginosa) Fatores predisponentes • Procedimentos invasivos • Quimioterapia • Antibioticoterapia prolongada • Hospitalização prolongada Fontes hospitalares Medicamentos, equipamentos, germicidas, sabões, soro, sabonete, água, superfícies inanimadas, alimentos... Campylobacter - BG – curvos, em S, em espiral (“asa de gaivota”) - Microaerófilos - Móveis: flagelo monotríquio ou anfitríquio • Movimento em “serrote” ou “saca- rolha” - Reservatórios naturais: TGI de mamíferos e aves - Encontrado no ambiente Espécies patogênicas para o homem: - C. jejuni subsp. Jejuni e C. coli - São clinicamente indistinguíveis - Causam infeções intestinais e gastroenterite - Colonizadores tardios do biofilme dentário: • C. rectus, C. gracilis, C. showae • Associadas a doenças periodontais Fonte de infecção para o ser humano: - Contato direto com animais portadores; - Consumo de água e alimentos de origem animal contaminados: • Carnes cruas ou mal processadas de aves, suínos e bovinos e leite não pasteurizado. • Água de degelo – carcaças de frango Campylobacter jejuni subsp. jejuni - 2x + de incidência que Salmonella Sequelas pós-infecciosas: • Síndromes neurológicas (peodução de anticorpos autoimunes): - Síndrome de Guillain-Barré ⇨ Acs anti-C. jejuni reagem com nervos periféricos (mielina) - fraqueza muscular Helicobacter - BGN curvos - Exemplo: H pylori - Microaerófilos 17 - Vivem no muco que cobre a mucosa dom estômago e do duodeno. - pH ótimo 6,0 a 7,0 (entre a mucosa e o muco) - Móveis (flagelos polares ou bipolares) utiliza p/ atravessar a barreira do muco - Produz urease (ureia em amônia) o que faz o pH subir para sobreviver e atravessar a barreira de lúmen -Pode ser encontrada também em: saliva, biofilme dentário, endoscópio e fezes Manifestações clínicas em humanos: - Gastrite crônica*, úlcera (péptica e duodenal), adenocarcinoma gástrico, linfoma MALT; * fator de risco para câncer. DIAGNÓSTICO - Métodos invasivos e não invasivos: *Invasivos (endoscopia -> biópsia gástrica): teste rápido da urease, histologia e cultura. *Não invasivos: Teste respiratório da ureia, teste do antígeno fecal e sorologia - Ureia marcada – substâncias ingeridas, onde a urease da bactéria quebra ureia em amônia e ácido carbônico (H2CO3) O ácido carbônico é quebrado em H2O + CO2 e o CO2 vai sair na respiração celular. Após isso, o indivíduo utiliza um aparelho que detecta a presença de carbono marcado EPIDEMIOLOGIA - Estima-se que metade da população mundial esteja infectada por H. pylori - Mais comum em países em desenvolvimento - Maioria assintomática - Vias de transmissão: fecal-oral e oral- oral - Tratamento: Inibidor de bomba de próton (IBP) para aumentar o pH e uso de antimicrobiano. Além de antisséptico bucal (pois a saliva e biofilme oral são fontes de H pylori evitando chegar no estomago) BACTÉRIAS ANAERÓBICAS - Condição favoráveis de meio de cultura: utilização de fogo (vela) para consumir o oxigênio - Potentes patógenos oportunistas - Infecções de natureza polimicrobiana - Desequilíbrios na microbiota - Cavidade oral, TRS, TI e TGU PRINCIPAIS BACTÉRIAS ANAERÓBIAS - Geralmente na coloração de gram os cocos são gram-positivos e os bacilos negativos, mas existe exceções: • BGP esporulados: Clostridium (mel) e Clostridioides - Na desinfecção não mata esporos e esterilização mata todos inclusive os esporos • BGP não esporulados: Actinomyces (era considerado fungo) e Lactobacillus 18 - Actinomyces é uma bactéria filamentosa • CGP: Peptostreptococcus, Peptococcus. • CGN: Veillonella*** • BGN: Bacteroides, Fusobacterium*, Tanerella*, Porphyromonas, Prevotella, Bilophila. Espiroquetas: Treponema denticola Prevotella, Porphyromonas e Tanerella (BGN) - Bastonetes Gram negativos, não esporulados, anaeróbios obrigatórios. - Todas 3 produzem pigmentos negros, chamadas de BPPN - Importantes patógenos de infecções orais e de tecidos moles (cabeça e pescoço). ❖ Grande prevalência em doença periodontal: ▪ Porphyromonas gingivalis ▪ Prevotella intermedia. ▪ Tannerella forsythia - Além dos BPPNs, temos: ▪ Treponema denticola Gênero Bacteroides (BGN) - B. fragilis → principal patógeno anaeróbio em infecções endógenas - 1 - 2% da microbiota intestinal - Morfologia de Bastonetes ou cocobacilos Gram negativos. - Não esporulados -Anaeróbios obrigatórios. - Imóveis. Bacteroides fragilis - Complexo polissacarídeo capsular (virulência) → indução de abscessos, resistência à fagocitose e adesão (fator de escape) - Fragilisina (enterotoxina) → papel em diarreias; as cepas enterotoxigênicas dessa bactéria são chamadas ETBF (produz toxina que induz a diarreira) Síndromes clínicas: ✓ Diarreia, doença inflamatória intestinal ✓ Peritonite após lesão intestinal ✓ Bacteremia ✓ Abscessos (Ex. cerebrais ou hepáticos) ✓ Infecções ginecológicas, “pé diabético”, tecidos necrosados por traumas Gênero Clostridiumn (BGP) - Bastonetes Gram positivos grandes. - Esporulados. - Móveis. Clostridium tetani - Habitat: solo e intestino de animais - Agente etiológico do TÉTANO -> Paralisia muscular espástica - Principal Fator de Virulência: •Tetanospasmina (Neurotoxina - TeNT) -> toxina do tipo A-B. Provoca paralisia muscular • Toxina endocitada em junções neuromusculares. Que um bloqueio da 19 liberação de inibidores motores no SNC (GABA e glicina) Ação da toxina tetânica: •Tetanospasmina: bloqueia receptores fazendo com que o musculo fique contraído o tempo todo ➢Tipos de tétano: (i) Local: Espasmos musculares adjacentes à lesão, como trimos (ii) Generalizado: Espasmos musculares generalizados, como postura opistotônica (iii) Neonatal ➢ Fatores de risco: Não vacinação, idade, uso de drogas, piercings; ➢ Tratamento: - Sedação e bloqueadores musculares; - Antitoxina (Igs); - Penicilina; - Tratamento adequado das feridas ➢ Controle: -Crianças -> Vacina pentavalente (DTP + Hib + HB) e tríplice (DTP ou dTpa) → 3 doses (2, 4 e 6 m) e reforço (15 m e 4-6 a); - Adolescentes e Adultos -> dupla (dT) ou AAT → 3 doses e reforço de 10 em 10 anos. Clostridium botulinum - Acomete a musculatura -Amplamente distribuído no solo, poeira, sedimentos marinhos -Agente etiológico do BOTULISMO = Paralisia flácida -Associado a consumo de alimentos embutidos (salsicha) a) Botulismo clássico -> Intoxicação alimentar b) Botulismo de lesão (raro) usuário de drogas c) Botulismo após colonização em adultos (raro) -> alterações na microbiota d) Botulismo infantil (crianças < 1 ano) – ingestão do mel Ação da toxina botulínica: - Altera sinapses colinérgicas periféricas, evita a liberação de acetilcolina e ocorre o relaxamento muscular - Pode ocorrer a perda da mobilidade pulmonar - Ingestão de alimento com BoNT - >Absorção no Intestino Delgado - Ingestão de esporos -> Germinação e produção da BoNT no Intestino Grosso BOTULISMO- Diagnóstico: ✓ Detecção da BoNT no soro, secreções, fezes ou alimento ➢ Tratamento: ✓ Antitoxina (neutraliza toxina) ✓ Suporte ventilatório ✓ Antibióticos???? Lise ➢ Epidemiologia: 20 ✓ Mel: infantil ✓ Clássico: alimentos em conserva, enlatados -Utilizado em Botox ➢ BIOTERRORISMO – liberar as toxinas/esporos por via inalatória e causar danos a outras pessoas Clostridium perfringens - Presente em solo, água, esgoto, intestino de vertebrados - Principais manifestações clínicas: ✓ Gangrena gasosa (mionecrose) → alfa-Toxina Ex.: Traumas, cirurgias. -Toxi-infecção alimentar (carnes e produtos cárneos) Forma clássica: liberação da toxina CPE - Enterotoxina citotóxica • Diarreia aquosa. - Enterite necrosante: beta-toxina • diarreia sanguinolenta e necrose intestinal (50% de mortalidade) - Nesse caso utiliza-se antimicrobianos e transplante de microbiota fecal Clostridioides difficile - Patógeno nosocomial (IRAS) - Causa Diarreias associadas ao uso de antimicrobianos (AMP, CLINDA...) - Pode ocorrer Enterocolite pseudomembranosa (EP) ➢ Etapas da infecção: i) Alteração da microbiota pelo uso de ATBs ii) Ingestão de esporos / Colonização iii) Elaboração das toxinas tcdA (enteroxina) e tcdB (citotoxina) iv) Danos na mucosa e inflamação ➢ Terapia: Trasplante fecal (bacterioterapia) MICOBACTÉRIAS - Mico = fungo • Coloração de Ziehl-Nielsen (Bacilos álcool-ácido resistentes) – BAAR - Características gerais: • Pequenos bastonetes • Aeróbios estritos***, imóveis • Crescimento ótimo entre 30-45°C, • Tempo de geração ~ 20h • Lipídeos complexos na parede celular (Ácidos Micólicos) • 60% da parede celular é lipídica • Coloração de Ziehl-Nielsen (Bacilos álcool-ácido resistentes) – BAAR PAREDE CELULAR - Ácidos micólicos (lipídios) que impermeabilizam a parede celular - Utiliza-se o vapor para aquecer, para criar “poros” para o corante penetrar - Coloração de Ziehl-Nielsen - Essa coloração cora bacilos álcool ácidos resistentes (BAAR). - Primeiro utiliza fucsina e deixa por 5 minutos e nesse tempo aquece a lâmina e para quando emitir vapor e repete esse processo 3 vezes nesse tempo de 5 minutos. Após isso lava e depois utiliza álcool clorídrico para descorar e lava-se. Posteriormente utiliza o 2º corante azul para corar outras substâncias Micobactérias ~200 espécies Divisão em 2 grupos: 21 ✔ Complexo M. tuberculosis (CMTB): M. tuberculosis, M. bovis e M. africanum ✔ Micobactérias não causadoras da tuberculose (MNT ou MOTT) : M. avium *** M. leprae não faz parte dessa divisão - Micobactérias de Cresc. Rápido (MCR): Mycobacterium fortuitum, Mycobacteroides chelonae e Mycobacteroides abscessus Micobactérias de Crescimento Rápido (MCR) - Surtos recentes envolvendo procedimentos cirúrgicos e estéticos (invasivos): ✔ Videocirurgias; ✔Cirurgias abdominais e pélvicas ✔ Implante de próteses mamárias; ✔ Lipoaspiração; ✔ Mesoterapia; - Associação a soluções contaminadas ou instrumentos cirúrgicos - Tratamento: Clínico + Cirúrgico (claritromicina + remoção de corpos estranhos e debridamento dos tecidos infectados) Complexo Mycobacterium tuberculosis (CMTB) -Transmissão de pessoa-pessoa através de aerossóis - Inalação do Bacilo → Infecção tuberculosa e o risco de desenvolver a doença - Tuberculose pulmonar e Tuberculose extrapulmonar -Vacina: BCG Infecção assintomática ~ 5-10% desenvolvem doença ativa • Primo-infecção (PI: 1 mês a 3 anos, geralmente até 3 meses) • Após 3 anos da primo-infecção (normalmente adultos: > 15 anos de idade) - Reativação-endógena: após o tratamento ainda ficou algumas células bacterianas que em uma imunodepressão do paciente, a bactéria se reativa causando novamente da doença - Reinfecção (exógena): ocorre de contrair a bactéria no exterior logo após a curação -Tuberculose pós-primária: segunda infecção (endógena ou exógena) - O Micobactérias pode causar um buraco no pulmão e um fungo pode aproveitar esse buraco e causar infecção fúngica - A infecção por tuberculose pode causar um granuloma e o Micobactérias pode ficar em estado de latência por anos nesse granuloma Tuberculose extrapulmonar - Não necessariamente precisa desenvolver a manifestação pulmonar. Tipos: ✔ Pleural ✔ Meningoencefalite tuberculosa 22 ✔ Ganglionar periférica ✔ Osteoarticular ✔ Genitourinária ✔ Oftálmica ✔ Tuberculose miliar (disseminada) - No paciente HIV+: mais frequente ➢Diagnóstico: ● Raio X (ou tomografia) ● Baciloscopia ● Teste de Mantoux* (PPD ou Tuberculina) - utilizado em diagnóstico de latência, é realizado injetando proteína do bacilo e depois de 2/3 dias observa a resposta e se tiver um colombo </= 5mm significa infectado ● Cultura do escarro ● Teste Rápido Molecular (TRM-TB) – PCR em tempo real (Gene Xpert) Identificação e Resistência a Rifampicina (MTB-RIF) ➢ Vacinação: BCG (Bacilo de Calmette e Guérin) ● Cepa de M. bovis atenuada ● Eficácia variável ⇨ > 80% nas formas graves DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA TUBERCULOSE - Baciloscopia - Coloração de Ziehl- Neelsen - Cultura para micobactéria- utiliza-se composição ovo no meio de cultura por 2 meses - Teste rápido molecular (Genexpert) – dar resposta de tuberculose e se o bacilo é resistente a rifampicina. Só faz diagnósticos das bactérias do complexos turberculosis Cultura: -fator presente na parede celular que faz agregação – fator corda - Fator corda positivo: micobactéria do complexo turberculose - Fator corda negativo- MNT Tratamento clássico: - Fase intensiva (2 meses): RHZE (dose fixa combinada) - Fase de manutenção (4 meses): RH Mycobacterium bovis - Agente da Tuberculose Bovina - Pode afetar várias outras espécies de animais e seres humanos - Tuberculose zoonótica ⇨ atualmente, doença profissional Manifestações clínicas: - Tuberculose intestinal ou escrofulose ⇨ transmitida por alimentos - Tuberculose pulmonar ⇨ transmitida por aerossóis (principalmente em profissionais) Vias de transmissão: - Aerossóis - Leite cru ou derivados - Carne crua Mycobacterium leprae - Bacilo de Hansen ● Hanseníase: - Doença de progresso lento (Forma granulomas) - Infecção induz lesões nervosas, perda sensorial e desfiguração 23 - Acometimento da pele, vias aéreas superiores, olhos e o SNP - Transmissão: secreções nasais e contato direto com a pele - Contato familiar: 10% de chance de contrair a doença Formas da doença: a) Lepromatosa (Multibacilar): - Causa Desfiguração ⇨ Lesões generalizadas ⇨ Forma contagiosa, granulomas mal- formados ⇨ Padrão de resposta – Th2 (humoral) produção de Ags b) Tuberculoide (Paucibacilar): - Lesões eritematosas ou despigmentadas ⇨ Lesões cutâneas e nervosas localizadas; ⇨ Forma menos contagiosa, paucibacilar, múltiplos granulomas ⇨ Padrão de resposta – Th1 (celular) Hanseníase: Infecta preferencialmente áreas menos quentes do corpo Reservatórios: Seres humanos, Tatus Não cultivável em meios de cultura Fatores de risco para a infecção e doença: - Fatores genéticos do hospedeiro - Imunossupressão - Desnutrição Coloração: - Na coloração utiliza-se fucsina por 30 minutos e não utiliza aquecimento - Coloração de ziehl neisol “fria” Tratamento e controle - Combinação de Rifampicina, Clofazimina e/ou Dapsona (9 meses) 24