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PRÁTICAS PARA INCLUSÃO EM SALA DE AULA Andréa Gama Piana Graduada em Pedagogia e Educação Artística. Especialista em Comunicação Visual, Educação Especial, Transtorno do Espectro Autista e Análise do Comportamento Aplicada (ABA) na Educação de Pessoas com TEA. Mestre em Comunicação. Para você o que é inclusão? Imagem: Freepik Você acha que oferecer a todos as mesmas oportunidades é um ato de inclusão? Imagem: Freepik Inclusão Fazemos parte de um mundo de diferenças. Para algumas pessoas, no entanto, essa diferença é um pouco mais significativa, pois o mundo em que vivemos muitas vezes não lhes é acessível. Nesse contexto encontramos as pessoas com necessidades especiais, seres humanos que durante muito tempo foram renegados da sociedade, do mundo do trabalho e também da escola. Imagem: Freepik • O contexto histórico da inclusão escolar ainda é algo muito recente e a poucas décadas esse era um tema completamente desconhecido pela maioria das pessoas.. O artigo 205 da Constituição Federal de 1988 diz o seguinte: “A educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Vale destacar que um aluno com Necessidades Educativas Especiais (NEE) não é necessariamente um aluno com um transtorno ou uma deficiência, nas sim qualquer aluno que apresente uma necessidade diferenciada de ensino e aprendizagem. Segundo Reis (1999), Qualquer pessoa em um dado momento da sua vida pode necessitar de um apoio suplementar para ultrapassar determinadas barreiras que se apresentam em sua aprendizagem. Ao longo da década de 90, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e movimentos sociais em defesa dos direitos das pessoas com deficiência se mobilizaram em torno desse tema, resultando na publicação de importantes documentos. Desde a Declaração de Salamanca (1994) até a Convenção sobre os Direitos da Pessoas com Deficiência, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006 e incorporada à Constituição Federal, na forma da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), em 2015, um amplo cobertor legal se formou para amparar o combate à segregação e ao capacitismo. Disponível em: https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br. Acesso em 06/04/24. https://observatoriodeeducacao.institutounibanco.org.br/ “A educação inclusiva é um paradigma educacional que se refere a todas as pessoas. Tem a ver com o direito incondicional de todos os alunos considerados com ou sem deficiência, transtornos do espectro do autista ou altas habilidades, acessarem a escola, seus conteúdos, aprender e se desenvolver na escola comum”, diz José Eduardo Lanuti, professor do programa de pós-graduação em educação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Três Lagoas. Disponível em: https://porvir.org/. Acesso em 04/04/24. https://porvir.org/ Inclusão ou integração? • Existe uma diferença básica entre a integração e a inclusão da pessoa com deficiência. • O termo integração, ora em desuso, equivale à simples inserção, na sociedade, das pessoas que não conseguem se adaptar a ela. • A inclusão, por sua vez, reflete uma outra concepção da deficiência. Ela pressupõe o reconhecimento e a valorização da diversidade, assim como a adoção de medidas que propiciem o acesso daqueles que estão em condição de desigualdade em relação aos demais. • Na inclusão é a sociedade que deve ser modificada para incluir todas as pessoas, visando a equiparação de oportunidades. MORAGAS, Vicente Junqueira. Inclusão ou integração? Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/acessibilidade. Acesso em 04/04/24. Imagem: Freepik https://www.tjdft.jus.br/acessibilidade Imagem: https://pt.linkedin.com/ (adap.) Imagem: https://br.pinterest.com/ Equidade 1. apreciação, julgamento justo. 2. virtude de quem ou do que (atitude, comportamento, fato etc.) manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos. Disponível em: https://languages.oup.com/google-dictionary-pt/ https://pt.linkedin.com/ https://br.pinterest.com/ https://languages.oup.com/ Imagem: https://adimax.com.br/ Itens a serem pensados para uma educação verdadeiramente inclusiva Educação Inclusiva Estrutura física Recursos humanos Recursos didáticos Prática pedagógica PRAIS, Jacqueline Lidiane de Souza David Rodrigues “A educação inclusiva destina-se a todos os alunos da escola, pois precisamos de todos para que a aprendizagem seja a mais profícua possível, devendo dar atenção aqueles que são mais vulneráveis à exclusão.” “ RODRIGUES, D. Questões preliminares sobre o desenvolvimento de políticas de educação inclusiva. In: Inclusão: Revista de Educação Especial/ Secretaria de Educação Especial. V.4, nº 1, p. 33-40, Janeiro-junho, 2008.Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revinclusao5.pdf http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revinclusao5.pdf CONCEITO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA • Planejamento de ações pedagógicas, voltadas as necessidades e potenciais do aluno em seus diferentes estágios de aprendizagem e desempenho. • Atendimento diferenciado a todos os alunos no tempo certo de modo especial os alunos que apresentam dificuldades/deficiência de aprendizagem. Imagem: Freepik • Para que o aluno com NEE realmente aprenda, devemos vê-lo como único e pensar, planejar, executar e realizar tarefas pensadas neste e em suas potencialidades. • Devemos compreender que cada indivíduo é único e pensar além de suas dificuldades. • Antes de buscar formas de fazer com que nosso aluno se adapte, devemos buscar em nós mesmos formas de adaptação. Imagem: freepik A mudança começa em você • Muitas vezes quando recebemos um aluno com NEE, ficamos pensando em quais as mudanças necessárias para a sua adaptação. • Contudo, as primeiras mudanças devem ser em nós mesmos. Imagem: Freepik Dica de vídeo Parcialmente nublado https://www.youtube.com/watch?v=oqLdDgU7nEk Devemos estar atentos ao fato de que na maioria das vezes o que pode ser o elemento de transição entre o aprendizado e o não aprendizado de nosso aluno é o caminho por nós escolhido, caminho esse que na maioria das vezes exige adaptações, pois o que funciona para um, pode não funcionar para outro. Não se modifica o aluno, mas sim o contexto. Imagem: Freepik Pensando a inclusão na prática escolar Imagem: Revista Educação Adapte suas atividades e formas de apresentação Questões básicas: ➢ O conteúdo está sendo apresentado de diferentes formas? ➢ Durante a realização das atividades, são possibilitadas aos alunos diferentes formas de expressar aquilo que sabem ou que estão aprendendo do conteúdo? ➢ De que forma é possível estimular e despertar interesse e motivação para o envolvimento dos alunos? PRAIS, Jacqueline Lidiane de Souza Se o aluno teve acesso ao conteúdo e não aprendeu ou não se lembra, então vamos introduzir esse conteúdo de outra maneira (dar significado). A Educação inclusiva exige dos professores a organização de atividades que atendam as necessidades de aprendizagem de seus alunos, bem como, selecionem, elaborem e criem recursos didáticos adequados ao ensino dos conteúdos (PRAIS; ROSA, 2014). • Ofereça mais adaptações de acesso (atividades diferenciadas e adaptação de materiais). • Todos tem direito de acesso aos conteúdos curriculares. PEI • O planejamento individualizado é uma proposta a ser elaborada pela equipe escolar, podendo contar com a participação dos pais. Tem como principal objetivo sanar as dificuldades encontradas pelos alunos, assegurando-os uma educação de qualidade. • Vale salientar que planejar não significa apenas inserir conteúdos a serem trabalhados, mas também pensar estratégias que tornempossível a todos terem acesso ao conhecimento. PAI Plano de atendimento individualizado PDI Plano de desenvolvimento individualizado PEI Plano educacional individualizado Dica • BARBOSA, Vânia Benvenuti e CARVALHO, Marcos Pavani de. Cartilha Conhecimentos necessários para elaborar o Plano Educacional Individualizado – PEI. Instituto Federal De Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste De Minas Gerais: Rio Pomba, 2019. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/570204/ 2/Produto%20Educacional.pdf. Acesso 10 de março de 2023. • Cartilha produzida a partir de dados extraídos da pesquisa de mestrado “Processos de elaboração e implementação do Plano Educacional Individualizado na Educação Profissional e Técnica de Nível Médio”. Desenvolvida por Vânia Benvenutti Barbosa sob a orientação do Prof. Dr. Marcos Pavani de Carvalho, tal pesquisa está vinculada ao programa de Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (PROFEPT), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG). https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/5702 04/2/Produto%20Educacional.pdf Só consigo planejar de forma individualizada para quem eu realmente conheço É preciso avaliar as habilidades de domínio da criança, déficits e os comportamentos que estão em excesso. Sendo o objetivo principal desse processo o aumento da autonomia e independência do aprendiz. É importante identificar também quais são as habilidades acadêmicas e as pré-acadêmicas que estão desenvolvidas e aquelas que ainda estão em desenvolvimento ou não desenvolvidas. A importância da avaliação inicial para a elaboração do PEI Mas para que avaliamos? A avaliação deve estar a serviço da ação, colocando o conhecimento obtido pela observação a serviço da melhoria da situação. A função da avaliação é a transformação, avalia-se para conhecer e compreender objetivando-se a melhoria. A avaliação do professor não fecha os olhos para a existência das dificuldades individuais do aluno devido suas características e procura descobrir quais são suas necessidades educacionais intrínsecas para buscar os melhores caminhos para a intervenção junto a este. A avaliação tem como finalidade perceber o conhecimento do aluno, suas habilidades e suas dificuldades (acadêmicas e pré-acadêmicas) para que seja possível uma tomada de posição que direcione as providências para remoção de barreiras que dificultam ou impedem o aprendizado. AVALIAR Vê os resultados e pensa o que fazer com eles VERIFICAR Apenas atribui a nota de forma congelada Imagem: Freepik • David Rodrigues chama a atenção para as mudanças com relação ao professor, destacando que esse não pode mais pensar em uma formação estática, devendo estar em constante transformação, tornando-se competente para a resolução dos problemas que se defronta no seu dia a dia, estando aberto para a formação continuada e o trabalho colaborativo. • Ainda em relação ao trabalho colaborativo, o autor coloca que devido a crescente heterogeneidade dos comportamentos dos alunos especiais, seria muito complicado para um professor trabalhar sozinho, devendo este buscar a participação e a cooperação de outros colegas. Trabalho colaborativo https://wwwp.fc.unesp.br/~lizanata/tcc/ensinocolaborativo.html Desenho Universal da Aprendizagem • Para Ribeiro e Amato (2018), o Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) é uma abordagem que procura minimizar as barreiras metodológicas de aprendizagem, tornando o currículo acessível para todos os alunos, pois possibilita a utilização de diversos meios de representação do conteúdo, de execução e de engajamento na tarefa. • Vale lembrar que para um mesmo tema ou objetivo podemos explorar as mais diversas formas de apresentação de conteúdo em diferentes linguagens (música, desenho, dança, escrita, cinema, poesia, escultura, história, matemática, informática, oral, literária e outros). Essa forma de abordagem é benéfica não apenas para o aluno TEA ou com NEE, como também para os demais integrantes da turma que se beneficiam desta proposta. A Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência (BRASIL, 2009), já apontava o DUA como uma importante estratégia de inclusão e ampliação das possibilidades de aprendizagem. Imagem: Freepik • Resumindo, o DUA se trata de um modelo prático que visa ampliar as oportunidades de desenvolvimento de cada estudante por meio de planejamento pedagógico contínuo, somado ao uso de mídias digitais. Seus autores apoiaram-se em extensivas pesquisas sobre o cérebro humano para estruturar o modelo. DICA DE ARTIGO: RIBEIRO, Glaucia Roxo de Pádua Souza e AMATO, Cibelle Albuquerque de la Higuera. Análise da utilização do desenho universal para aprendizagem. Cad. Pós-Grad. Distúrb. Desenvolv. vol.18 no.2 São Paulo jul./dez. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519- 03072018000200008#:~:text=O%20Desenho%20Universal%20para%20Aprendizagem,e%20de%20engajamento%20na%20tarefa. Acesso em 20/03/23. DICA Rodrigo Hübner Mendes. Disponível em: https://diversa.org.br/artigos/o-que-e-desenho-universal-para-aprendizagem/ http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-03072018000200008#:~:text=O%20Desenho%20Universal%20para%20Aprendizagem,e%20de%20engajamento%20na%20tarefa http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-03072018000200008#:~:text=O%20Desenho%20Universal%20para%20Aprendizagem,e%20de%20engajamento%20na%20tarefa • Adaptar nossas atividades • Oferecer diferentes possibilidades de respostas • Apresentar atividades fragmentadas • Permitir a aprendizagem a partir de materiais concretos • Investir na utilização de imagens e demais possibilidades visuais E para finalizar devemos... Imagem: Freepik Aprendizagem e Desenvolvimento DESENVOLVIMENTO HUMANO FATORES CULTURAIS E SOCIAIS FATORES HEREDITÁRIOS E BIOLÓGICOS AS PESSOAS SE DESENVOLVEM EM RITMOS DIFERENTES Cada um tem o seu tempo Não podemos esquecer Slide 1: PRÁTICAS PARA INCLUSÃO EM SALA DE AULA Slide 2: Para você o que é inclusão? Slide 3: Você acha que oferecer a todos as mesmas oportunidades é um ato de inclusão? Slide 4: Inclusão Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8: Inclusão ou integração? Slide 9 Slide 10 Slide 11: Itens a serem pensados para uma educação verdadeiramente inclusiva Slide 12: David Rodrigues Slide 13: CONCEITO DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA Slide 14 Slide 15: A mudança começa em você Slide 16 Slide 17 Slide 18: Pensando a inclusão na prática escolar Slide 19: Adapte suas atividades e formas de apresentação Slide 20 Slide 21: PEI Slide 22: Dica Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27: Desenho Universal da Aprendizagem Slide 28 Slide 29: E para finalizar devemos... Slide 30: Aprendizagem e Desenvolvimento Slide 31