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EMPREENDEDORISMO AULA 2 Prof. Marcos Ruiz da Silva 2 CONVERSA INICIAL Você aprendeu anteriormente um pouco mais sobre elementos que compõem a economia do esporte e da atividade física, desde os segmentos da indústria do esporte, as atividades econômicas do esporte no Brasil, os produtos esportivos, os negócios e oportunidades e o mercado de trabalho para o profissional de Educação Física. Na abordagem desses tópicos, vimos algumas informações básicas que permitem compreender o mercado do esporte em que os profissionais de Educação Física poderão empreender. Mas o que é empreendedorismo? O que significa empreender? Que outros conhecimentos fundamentam essa ação? As respostas serão abordadas nesta aula. TEMA 1 – CONCEITOS DE EMPREEDEDORISMO Falar de empreendedorismo é considerar, essencialmente, a criação de um novo negócio. Embora o termo tenha sido utilizado para outras finalidades em séculos passados, desde a revolução industrial empreendedorismo está relacionado à criação de organizações. Esta criação se dá por iniciativa de uma ou mais pessoas, que são chamadas de empreendedoras. Dessa forma, o empreendedorismo surge a partir de uma nova ideia empreendedora, iniciada pela atenção aos problemas, que se formata em propostas de solução. A visualização de uma solução a partir da criação de um novo negócio inicia o processo do empreendedorismo. Essa visualização demanda imaginação e criatividade por parte dos empreendedores, porque significa não se conformar com a realidade como ela é, buscando modificá-la (Rocha et al., 2016; Filion, 2000). Tomemos como exemplo a proposta do “Goleiro de Aluguel”, apresentada anteriormente. O empreendedor identificou um problema (a dificuldade de encontrar jogadores para a posição de goleiro nas partidas informais de futebol) e visualizou uma solução (a criação de um serviço online para conectar goleiros e demais jogadores). Como não basta ter uma grande ideia, o passo seguinte é implementá-la. Assim, há a necessidade de identificar de que forma a solução proposta, em forma de um novo negócio, pode ser implementada. Neste aspecto, os empreendedores consideram quais são as características que a empresa precisa ter para oferecer os produtos e serviços que atuarão na solução dos problemas identificados (Rocha et al., 2016). O “Goleiro de Aluguel” utilizou como 3 estratégia o cadastramento de goleiros interessados através da internet, em uma plataforma que possibilita o contato entre os jogadores. Nessa implementação, o empreendimento precisa construir o produto em si (a plataforma online), bem como colocar em prática uma série de ferramentas de gestão e marketing (promoção, publicidade, gestão de pessoas, gestão financeira e contábil etc.), para que possa transformar a ideia em realidade. Em toda situação, criar um novo negócio significa assumir riscos: há a dedicação de tempo, de recursos financeiros e de expectativas pessoais e profissionais sobre algo que não se sabe ao certo se será bem-sucedido. Assim, a disposição para assumir riscos é uma característica comum entre os empreendedores (Rocha et al., 2016). O “Goleiro de Aluguel” poderia ser apenas uma boa ideia que não deu certo se a plataforma não tivesse um funcionamento adequado, se os goleiros não se inscrevessem ou se os jogadores não conseguissem se conectar com os goleiros em sua região, por exemplo. A partir das características apresentadas, você deve ter percebido como a personalidade dos empreendedores é relevante, ao mesmo tempo em que a criação de um novo negócio pode impactar na solução de problemas. Por essas razões, o empreendedorismo pode ser analisado em duas grandes vertentes: 1. relacionado à economia, quando se considera os aspectos relacionados a inovação, criação de negócios e um novo fluxo financeiro gerado; e 2. relacionado à psicologia, em que se busca compreender as atitudes e iniciativas dos empreendedores (Rocha et al., 2016). Ambas as vertentes são relevantes, porque não podemos separar o negócio da pessoa que o criou. Para fins de apresentação do conteúdo, nesta aula, daremos sequência à abordagem do empreendedorismo priorizando a sua compreensão enquanto negócio e inovação. Veremos com mais detalhes as características do empreendedor posteriormente. TEMA 2 – TIPOS DE ATIVIDADE EMPREENDEDORA No contexto da sociedade atual, alguns grupos entendem que o empreendedorismo surge a partir de duas motivações principais: uma delas é a necessidade e a outra é a oportunidade. O empreendedorismo motivado pela necessidade está relacionado à necessidade de sobrevivência. Incorpora os casos de empresas criadas a partir da dificuldade do seu empreendedor (criador), como desemprego, empregos insatisfatórios e/ou que precisam da 4 geração de uma nova renda, e que veem essa possibilidade através da criação do próprio negócio. Já o empreendedorismo motivado pela oportunidade se refere à identificação da lacuna de mercado. Profissionais poderiam estar inseridos no mercado como trabalhadores em outras empresas; identificam uma nova oportunidade de negócio e se transformam em empreendedores. Ou, ainda, consideram o trabalho autônomo como primeira opção quando ingressam no mercado de trabalho (Vale; Corrêa; Reis, 2014). A partir dessas duas razões, é possível classificar os empreendedores em nove perfis. Quadro 1 – Os nove perfis de empreendedores, suas características e relação com a motivação por necessidade ou oportunidade PERFIL CARACTERÍSTICA NECESSIDADE/ OPORTUNIDADE Informal Busca ganhar dinheiro para o imediato Necessidade Cooperado Sua produção é agregada à de outros trabalhadores Necessidade Individual Formalizado, mas sem perspectiva de crescimento Necessidade Franqueado Comanda um negócio criado por outra pessoa Necessidade Social Busca resolver problemas, gerar emprego e renda Necessidade Corporativo Cria novos projetos na empresa em que já trabalha Oportunidade Público Cria novos projetos na repartição pública na qual atua Oportunidade Conhecimento Utiliza experiência e domínio na área para ganhar dinheiro Oportunidade Negócio próprio Procuram satisfação pessoal e pensam em grande crescimento Oportunidade Fonte: Elaborado com base em Zuini, 2014. Há um grande debate entre pesquisadores da área se essas duas motivações (oportunidade e necessidade) são centrais para compreender o empreendedorismo. Apesar do seu uso e sua importância, estudos mais recentes têm demonstrado que os empreendedores apresentam outras motivações que vão além dessa dicotomia. Vale, Corrêa e Reis (2014) listaram quinze motivos que induziram empreendedores à criação de seus negócios, de acordo com a literatura e com o estudo que realizaram. 5 Quadro 2 – Quinze motivos que induzem empreendedores à criação dos seus negócios 1. Desejo de ter próprio negócio/tornar-se independente 2. Identificação de uma oportunidade de negócio 3. Aumento da renda 4. Facilidade ou possibilidade de usar os conhecimentos/ relacionamentos e contatos na área 5. Presença de tempo disponível 6. Continuidade/Ampliação dos negócios da família 7. Experiência/influência/relacionamentos familiares 8. Convite para participar como sócio da empresa 9. Presença de capital disponível 10. Insatisfação com emprego 11. Influência de outras pessoas 12. Ocupação a membros da família 13. Desemprego 14. Demissão com FGTS 15. Aproveitamento programa de demissão voluntária Fonte: Elaborado com base em Vale; Corrêa; Reis, 2014, p. 319-320. As diferentes motivações para empreender, de acordo com os autores, rejeitam a dicotomia necessidade-oportunidade como sendo suficiente para explicar o empreendedorismo. Mais do que isso, os autores indicam que é comum que os empreendedores apresentem ou deem importância para dois ou mais motivos paraexplicar porque criaram seu negócio. Ao ler essa lista, é possível que você tenha concordado com mais de uma opção, caso optasse por abrir um novo negócio ou tomando como referência alguém que empreendeu. Aproveite esses quinze itens e pergunte para pessoas conhecidas quais foram os motivos para abrir seu próprio negócio, relacionando com as opções indicadas. Depois, reflita se a dicotomia necessidade-oportunidade é suficiente para explicar o empreendedorismo. Conforme abordado anteriormente, o empreendedorismo é analisado tanto por elementos psicológicos e comportamentais como pelo negócio propriamente dito. Assim, no que se refere aos tipos de atividade empreendedora, vimos as motivações, que são elementos psicológicos. Agora, quando consideramos os tipos de atividade empreendedora na perspectiva do negócio, temos os ramos das atividades. De acordo com o Sebrae (2019), existem três ramos principais e atividades relacionadas, que podem definir de que forma a atividade empreendedora se dará. A área na qual se quer propor um negócio fará com que a empresa componha um ramo e uma atividade, que terá suas especificidades desde a abertura do negócio até sua operação. 6 Quadro 3 – Ramos de negócios e atividades relacionadas RAMO EXPLICAÇÃO ATIVIDADES Indústria Transformação de matéria-prima em mercadorias Calçado, vestuário, mobiliário, metalúrgica, mecânica etc. Comércio Venda das mercadorias aos consumidores (varejo) ou aos vendedores (atacado) Veículos, tecidos, roupas, acessórios etc. Prestação de serviços Venda do trabalho dos profissionais e não de uma mercadoria Transporte, turismo, saúde, educação, lazer etc. Fonte: Elaborado com base em Sebrae, 2019b. Dessa maneira, vemos que a atividade empreendedora pode ser considerada sobre dois aspectos: quanto à motivação para criação do negócio (necessidade, oportunidade e outras quinze possíveis razões) e quanto ao ramo do negócio (indústria, comércio e prestação de serviços). A atuação do profissional de Educação Física, nas organizações esportivas (conforme visto anteriormente) geralmente acontece na prestação de serviços. Já as organizações que utilizam do esporte podem estar na indústria, no comércio e também na prestação de serviços, dependendo das atividades. TEMA 3 – BASES LEGAIS Como o empreendedorismo, com frequência, significa criar uma nova empresa, precisamos compreender quais são as obrigações burocráticas a serem cumpridas para oficializar a sua abertura em nosso país. Em média, abrir uma empresa no Brasil demora 53 dias, então é importante ter isso em mente e se preparar para evitar problemas que adiem ainda mais o processo. Neste tema, conheceremos as principais etapas para abertura de uma empresa no Brasil. Embora estados e municípios apresentem diferenças quanto aos processos, as etapas para a abertura de uma empresa são as mesmas. Caso você se proponha a abrir um negócio próprio, é recomendado conhecer as especificidades da sua região. 7 Figura 1 – As oito etapas para abertura de uma empresa Fonte: Elaborado com base em Sebrae, 2019a. A etapa 1 é a consulta dos nomes idênticos ou semelhantes de empresas já existentes, que será necessário para a etapa seguinte. Também é necessário consultar a prefeitura da cidade onde a empresa será instalada, para conhecer os critérios de concessão do alvará de funcionamento. A etapa 2 acontece na junta comercial estadual ou no cartório de registro de pessoa jurídica, com a exigência de documentos, o que pode variar conforme o estado. Geralmente, é preciso apresentar o contrato social da empresa (interesses das partes, objetivo da empresa e como se dará a sociedade, quando há) e documentos pessoais dos sócios, quando houver. Com o registro, a empresa terá seu Número de Identificação do Registro de Empresa (NIRE). A etapa 3 é o registro da empresa como contribuinte na Receita Federal, por onde se obtém o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Ele é feito pela internet, informando documentos e o NIRE. É importante contar com o suporte de um contador, para verificar qual é o tipo de empresa mais adequado. Para o CNPJ, é preciso escolher as atividades da empresa (abordadas anteriormente), sendo sugerido uma atividade principal e no máximo 14 secundárias. A etapa 4 acontece de forma diferente para empresas de comércio, indústria e serviços de transporte, que realizam o registro na Secretaria Estadual da Fazenda, e para empresas de prestação de serviços, que realizam o registro na Prefeitura Municipal. Em alguns estados, o registro na Junta Comercial (etapa 2) já inclui o registro municipal. A etapa 5 é feita diretamente com o Corpo de Bombeiros, que verifica as condições da edificação e áreas com risco de incêndio. Avaliada a situação, será emitido um Alvará de Prevenção e Proteção contra Incêndio (APPCI). 1. Consulta e viabilização 2. Registro legal 3. CNPJ 4. Inscrição e registro 5. Alvará do Corpo de Bombeiros 6. Alvará de funcionamento 7. Cadastro na Previdência Social 8. Aparato fiscal 8 A etapa 6 é realizada com a Prefeitura Municipal e é obrigatória para todos os estabelecimentos. Os procedimentos são específicos conforme o município e poderá ou não envolver outras secretarias (Saúde, Meio Ambiente, Planejamento, Obras etc.), de acordo com a natureza da atividade. Por isso, é fundamental dar atenção a essas exigências já na etapa 1. A etapa 7 contempla o cadastro na Previdência Social e acontece para todas as empresas, mesmo antes da contratação de funcionários. Ela acontece na Agência da Previdência da cidade ou região e demandará, a partir de então, o pagamento dos tributos necessários. A etapa 8 acontece novamente na Prefeitura Municipal ou na Secretaria Estadual da Fazenda, conforme o setor do negócio. É o momento em que são autorizadas as impressões de notas fiscais e a autenticação de livros fiscais. Somente após cumprir todas essas oito etapas a empresa pode funcionar de acordo com a legislação. A partir do início da operação da empresa, diversos temas da legislação devem ser considerados: a legislação tributária (basicamente o recolhimento e pagamento de impostos), a legislação trabalhista (a partir da contratação de qualquer funcionário) e os direitos do consumidor. As necessidades variam conforme o município e o estado em que a empresa está instalada, e também dependem do seu tamanho e das atividades oferecidas. TEMA 4 – MODELO DE NEGÓCIOS Durante o processo de abertura de uma empresa, vimos que é importante definir as atividades que serão realizadas. Imagine que você quer abrir uma academia de musculação, ginástica, pilates ou treinamento funcional. Assim, é possível identificar que essas atividades estão relacionadas à seção “R Artes, cultura, esporte e recreação”, na divisão “93 Atividades esportivas e de recreação e lazer”, no grupo “93.1 Atividades esportivas” e classe “93.13-1 Atividades de condicionamento físico” (IBGE, 2019). Essas informações serão relevantes para a etapa 3 de abertura da empresa, e são fundamentais na compreensão do negócio. Mas além da atividade fim da empresa, é preciso considerar outros elementos relevantes: Quem serão os clientes? Qual será o diferencial? Qual será a infraestrutura necessária? Será preciso realizar parcerias? 9 É nesse momento que surge a criação de um modelo de negócios. De acordo com Bonazzi e Zilber (2014, p. 622), diferentes autores concordam que “a conceituação de modelo de negócio estrutura-se essencialmente nos fundamentos da criação e captura de valor por parte da organização”. O termo valor, nesse contexto, incorpora tanto a noção financeira (valor financeiro) quanto simbólica (valores sociais, de qualidade, de benefício percebido etc.). Assim, o modelo de negócio é construído pelas empresas para captar o que a empresa sepropõe, como ela irá construir seu produto, como ela quer ser percebida e o que é necessário para isso. De uma forma resumida, o modelo de negócios deve responder nove questões fundamentais para compreender o que a empresa se propõe a fazer. Quadro 4 – Nove questões a serem respondidas em um modelo de negócios 1. A sua proposição de valor: o que você oferece que é único no mercado? 2. Os clientes: para quem você vai vender? 3. Suas atividades: qual o produto ou serviço ofertado? 4. Suas parcerias estratégicas: que empresas ajudarão a compor melhor essa oferta? 5. Suas fontes de receita: como você cobra e quais são os drivers¹ de receita? 6. Sua estrutura de custos: quais drivers¹ são geradores de custos? 7. Os recursos: qual a infraestrutura, recursos ou serviços de base? 8. Os canais de comunicação e distribuição: como o produto chega até o cliente? 9. O relacionamento com o cliente: como a empresa se comunica com ele? ¹ Driver é o “fator gerador”, ou seja, os fatores que geram receita e custos. Fonte: Elaborado com base em Sebrae, 2019b. Com base na visualização dessas respostas, é possível considerar o que é relevante para a empresa alcançar seus objetivos e posteriormente traçar as estratégias para seu funcionamento. Isso quer dizer que o modelo de negócio permite um direcionamento e um foco nas ações posteriores, de acordo com o que é reconhecido como valor pela organização. Essas nove questões compõem o chamado Business Model Canvas, que é uma ferramenta que auxilia a empresa a construir seu modelo de negócios. Ela é aplicada pelo empreendedor em conjunto com outras pessoas que fazem parte da empresa (sócios e funcionários) ou com pessoas externas (potenciais clientes, parceiros, fornecedores, consultores etc.). Embora existam outras ferramentas, esta é amplamente utilizada e tida como a mais completa, com relativa facilidade de aplicação (Bonazzi; Zilber, 2014). Além do seu uso por empreendedores, essa ferramenta também é utilizada para a organização de eventos, inclusive para o planejamento de eventos esportivos e recreativos (Martins, 2018). 10 TEMA 5 – INOVAÇÃO E TECNOLOGIA Quando pensamos em empreendedorismo, pensamos no novo, principalmente a partir da criação de uma nova empresa. Entretanto, é possível criar uma nova empresa e oferecer o mesmo serviço – geralmente é o caso dos empreendedores informais, cooperados e franqueados, conforme vimos no Quadro 1. Esses tipos de empreendedorismo não podem ser ignorados, mas não são eles que estão em evidência ou são colocados como referência de sucesso por aqueles que buscam seguir os passos de empreendedores bem- sucedidos e transformadores. Isso porque, quando falamos de empreendedorismo, a noção de novo também pode ter o sentido de oferecer um produto ou serviço inédito, que seja único – ainda melhor se for revolucionário. É aqui que a inovação passa a ter uma parte importante, ainda que não seja fundamental, no empreendedorismo. A inovação supõe a criação de um produto, serviço, processo, método ou qualquer outro elemento de uma organização que seja novo ou melhorado de alguma forma (Bonazzi; Zilber, 2014). O processo de inovação está baseado em três fases: “invenção (geração de ideias); inovação (exploração comercial); e difusão (propagação no mercado)” (Bonazzi; Zilber, 2014, p. 620). Assim, para que uma nova ideia se torne inovação de fato, é preciso implementá-la e difundi-la, o que demanda aliar empreendedorismo com gestão na nova organização. A inovação passou a se tornar um tema muito relevante na sociedade atual por algumas razões, como as mudanças nas formas de produção econômica, a competitividade global e os novos arranjos das sociedades, que também modificaram o mercado de trabalho. Além delas, também é fundamental considerar o papel da tecnologia. As tecnologias de informação e comunicação (TICs) constituem instrumento fundamental na relação inovação-empreendedorismo, favorecendo o acesso a dados e à informação, assim como a criação de redes que contribuem para a relação interfirmas, estimulando a emergência de micro e pequenas empresas bem-sucedidas e muitas com capacidade de atuar globalmente. (Guimarães; Azambuja, 2010, p. 99) Além dessas mudanças, que implicam facilidades e desafios para as organizações, a tecnologia também é parte da rotina de uma parte dos clientes, que vêm nas tecnologias de informação e comunicação uma forma de conhecer, 11 encontrar, adquirir, comparar e avaliar produtos e serviços. Essas possibilidades têm gerado um aumento em áreas da gestão que precisam da atenção de empreendedores e gestores, como o marketing de relacionamento e 2.0 (online), ferramentas que permitem conhecer os clientes atuais e potenciais, bem como um novo canal de vendas (através da internet). Ainda, podemos considerar as possibilidades propriamente ditas de empreender utilizando-se da tecnologia, criando produtos e serviços que acontecem através dela – o “Goleiro de Aluguel” e “TacticalPad”, já apresentados, são exemplos disso. Assim, o empreendedorismo anda lado a lado com a inovação e com a tecnologia, em uma associação que precisa ser explorada a partir de cada negócio criado, dentro das especificidades da empresa e de seu público, de maneira planejada e reconhecendo as suas necessidades. Mais ainda, precisamos considerar que o processo de empreender e inovar não termina com a criação da empresa ou do produto e serviço a que ela propõe agregar valor, mas são buscas e processos constantes para aqueles que buscam se manter e se diferenciar no mercado. NA PRÁTICA O empreendedorismo pode surgir a partir de uma ideia, mas também a partir de uma demanda. Organizações esportivas podem solicitar a sua equipe a criação de novos produtos ou serviços, principalmente quando entendem a importância de inovar, ou quando essa é uma demanda dos clientes. Dessa forma, quando diretores de um clube solicitam um novo produto (ou serviço) para associados, também é preciso seguir os passos da criação de um novo negócio. Isso significa compreender quem são os clientes potenciais, se os clientes podem ou não ter interesse no novo produto/serviço, planejar o que seria necessário e o passo-a-passo para a sua implementação. Para saber mais, assista ao vídeo “Na prática” desta aula. 12 FINALIZANDO Nesta aula, são pontos importantes para serem ressaltados: 1. O empreendedorismo surge a partir de uma nova ideia empreendedora, iniciada pela atenção aos problemas, que se formata em propostas de solução através da criação de um novo negócio. 2. A atividade empreendedora pode ser considerada sobre dois aspectos: quanto à motivação para criação do negócio (necessidade, oportunidade e outras quinze possíveis razões) e quanto ao ramo do negócio (indústria, comércio e prestação de serviços). 3. A formalização de uma empresa tem oito etapas fundamentais, que acontecem conforme a especificidade da atividade e da cidade/estado em que a organização se instala. Após a abertura, a legislação tributária, trabalhista e os direitos do consumidor precisam ser considerados. 4. O modelo de negócios considera não somente a atividade fim da empresa, mas o valor que ela busca criar e capturar. Para isso, é empregada a ferramenta Business Model Canvas, que responde a nove perguntas- chave. 5. Inovação (criação de um produto, serviço, processo, método ou qualquer outro elemento de uma organização que seja novo ou melhorado) e tecnologia estão relacionadas ao empreendedorismo, em relacionamentos que precisam ser conhecidos conforme cada proposta empreendedora. 13 REFERÊNCIAS BONAZZI, F. L. Z.; ZILBER, M. A. Inovação e Modelo de Negócio: um estudo de caso sobre a integração do Funil de Inovação e o Modelo Canvas. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, São Paulo, v. 16, n. 53, p. 616-637, out./dez. 2014.FILION, L. J. Empreendedorismo e gerenciamento: processos distintos, porém complementares. Revista de Administração de Empresas, v. 7, n. 3, p. 2-7, jul./set. 2000. GUIMARÃES, S. M. K.; AZAMBUJA, L. R. Empreendedorismo high tech no Brasil: condicionantes econômicos, políticos e culturais. Sociedade e Estado, v. 25, n. 1, p. 93-121, jan./abr. 2010. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Comissão Nacional de Classificação. Sistema de busca das atividades econômicas na CNAE. Disponível em: <https://cnae.ibge.gov.br/?view=classe&tipo=cnae&versao=9&cl asse=93123>. Acesso em: 6 jun. 2019. MARTINS, D. J. Q. Planejamento de eventos esportivos e recreativos. Curitiba: InterSaberes, 2018. ROCHA, A. C. et al. Comportamento, atitudes e práticas empreendedoras: um resgate teórico dos pressupostos que abordam a temática. Revista Livre de Sustentabilidade e Empreendedorismo, v. 1, n. 1, p. 44-60, jan./abr. 2016. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Como abrir uma empresa. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSeb rae/artigos/passo-a-passo-para-o-registro-da-sua- empresa,665cef598bb74510VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em: 6 jun. 2019a. _____. Tudo sobre ramos de atividades e como escolher o seu. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/ramos-de- atividades,8ef89e665b182410VgnVCM100000b272010aRCRD>. Acesso em: 6 jun. 2019b. VALE, G. M. V.; CORRÊA, V. S.; REIS, R. F. Motivações para o empreendedorismo: necessidade versus oportunidade? Revista de 14 Administração Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, pp. 311-327, maio/jun. 2014. ZUINI, P. Os 9 tipos de empreendedores mais comuns no Brasil. Exame, 25 mar. 2014. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/pme/os-9-tipos-de- empreendedores-mais-comuns-no-brasil/>. Acesso em: 6 jun. 2019.