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Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Me. Anderson Katsumi Miyatake Me. Bianca Burdini Mazzei Me. Paulo Pardo DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró- Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Operacional de Ensino Kátia Coelho, Diretoria de Planejamento de Ensino Fabrício Lazilha, Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Direção de Mercado Hilton Pereira, Direção de Polos Próprios James Prestes, Direção de Desenvolvimento Dayane Almeida, Direção de Relacionamento Alessandra Baron, Gerência de Produção de Contéudo Juliano de Souza, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Coordenador de Contéudo Alexandre Gimenes da Cruz,Projeto Gráfico e Editoração Jaime de Marchi Junior e José Jhonny Coelho, Designer Educacional Camila Zaguini, Revisão Textual Ana Caroline de Abreu e Yara Martins Dias, Ilustração André Onishi e Bruno Pardinho, Fotos Shutterstock e Istockphoto. NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050- 900 Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 “Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, forman- do profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária” Missão C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; MIYATAKE, Anderson Katsumi; MAZZEI, Bianca Burdini, PARDO, Paulo Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes. Anderson Katsumi Miyatake; Bianca Burdini Mazzei; Paulo Pardo Maringá-Pr.: Unicesumar, 2022. 158 p. “Graduação em Gastronomia - EaD”. 1. Gastronomia. 2. Hospitalar. 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-2241-4 CDD - 22ª Ed. 658 Impresso por: CIP - NBR 12899 - AACR/2 3 pa la vr a do re it or Reitor Wilson de Matos Silva 02511306 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17299 Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a UNICESUMAR tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, demo- cratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comuni- cação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conec- tividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets acelera- ram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipa- mentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em infor- mações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. bo as -v in da s Pró-Reitor de EaD Willian V. K. de Matos Silva 5 bo as -v in da s Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou pro- fissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando opor- tunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transfor- mação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pe- dagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desen- volvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de ma- neira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, as- sista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendiza- gem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Diretoria de Graduação e Pós Kátia Solange Coelho Diretoria de Design Educacional Débora do Nascimento Leite Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Ap re se nt aç ão d o Li vr o Professor Mestre Anderson Katsumi Miyatake Professora Mestre Bianca Burdini Mazzei Professor Mestre Paulo Pardo Olá, caro(a) acadêmico(a), é com enorme prazer que apresentamos a você o livro da dis- ciplina Empreendedorismo. Elaboramos com bastante cuidado para que você conheça uma parte do mundo do Empreendedorismo e tenha curiosidade para complementar os seus estudos. Sou o professor Anderson Katsumi Miyatake, graduado e mestre em Administração, na área de concentração de Empreendedorismo, Inovação e Mercado pela Universidade Estadual de Maringá – UEM, especialista em educação a distância, professor e pesquisador na área de Empreendedorismo, em que tenho muita paixão e interesse. Sou a professora Bianca Burdini Mazzei, graduada e mestre em Administração na área de concentração em Gestão de Negócios pela Universidade Estadual de Londrina – UEL, confesso que sou apaixonada pelo tema e muito interessada em contribuir para a sua formação empreendedora. Sou o professor Paulo Pardo, professor e pesquisador, mestre em Administração na área de Gestão e Sustentabilidade pela Universidade Estadual de Londrina – UEL, temas que estão totalmente alinhados ao Empreendedorismo, afinal, ao pensar em organizações, devemos pensar em como elas terão condições de se autossustentar nos aspectos econômicos, sociais e ambientais. Juntos, poderemos construir o conhecimento necessário para a sua formação empreendedora. O objetivo, ao escrever este livro, não foi apresentar um modelo pronto de em- preendedorismo e a receita de como obter sucesso. Isso ocorre porque não há certeza absoluta do sucesso, o mercado não funciona dessa maneira. Por isso, trataremos osdiversos assuntos que fazem parte do mundo do empreendedorismo voltado para a 7G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Gastronomia, promovendo reflexões, possibilidades e alguns caminhos que podem ser utilizados para aumentar as chances de sucesso na área. O principal componente é e continuará sendo o indivíduo que quer empreender, ou seja, o empenho e a dedicação na busca do conhecimento é o que fará a diferença em sua vida. Dessa forma, incentivamos você a fazer anotações das dúvidas e procurar a equipe de apoio da nossa instituição, realizar as atividades de autoestudo, participar dos fóruns e, também, do chat da aula ao vivo, ler este livro, assistir as aulas conceituais, explorar as indicações de leitura e pesquisar em diversas fontes a respeito do tema. Nosso livro é composto de três unidades em que procuramos apresentar alguns dos principais aspectos do Empreendedorismo na área da Gastronomia. Na unidade I, apresentaremos alguns pontos-chave para compreender essa área das Ciências Sociais Aplicadas. Vamos abordar algumas definições utilizadas nesse campo, para que você compreenda a abrangência, e isso será complementado ao apresentarmos os inúmeros campos de estudo e tipos de empreendedorismo existentes na área. Por fim, destacaremos o papel social e econômico do empreendedorismo, ou seja, os benefícios de indivíduos empreendedores em uma sociedade não só do ponto de vista da geração de renda, mas, também, em aspectos sociais. Na unidade II, são apresentados dois importantes aspectos que envolvem o Empreendedorismo: o empreendedor e a oportunidade. Elaboramos essa divisão para que você compreenda que nem tudo depende somente do empreendedor, mas de uma análise mais completa da oportunidade. Na primeira parte, apresentaremos caracterís- ticas e perfis dos empreendedores, não no intuito de criar um modelo ideal, porém são alguns atributos importantes para quem pretende empreender. Esse é um dos mitos ou falácias que existe a respeito do empreendedorismo e que abordaremos nessa unidade. Na segunda parte, o foco é explicar a oportunidade, pois o empreendedorismo ocorre por meio de ideias transformadas em algo concreto. No decorrer da unidade, apresen- taremos as fontes que inspiram novas ideias, o processo que o empreendedor percorre desde o momento que tem a ideia até quando obtém sucesso. Na unidade III, trataremos do Plano de Negócios (PN), que é uma importante ferra- menta de apoio ao empreendedor para analisar de forma mais consistente as próximas Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes ações ou para ajudar na elaboração dos primeiros passos do negócio. Abordaremos a definição, a importância, os principais interessados, as informações que não devem ser esquecidas e erros capitais na elaboração. Optamos por mostrar os tópicos genéricos que podem fazer parte de um Plano de Negócio, como o Sumário Executivo, que é uma parte essencial desse documento. Você também conhecerá a Análise Estratégica e a Análise de Mercado, pontos essenciais para embasar a elaboração das estratégias de cada área do negócio. Posteriormente, trataremos da elaboração do Plano de Marketing, Plano Operacional, Plano de Recursos Humanos e Plano Financeiro. Ao final do livro, esperamos que esteja preparado(a) para lidar com o instigante mundo do empreendedorismo, pois passaremos por aspectos essenciais. Buscamos oferecer uma visão abrangente para ajudar na sua formação. Esperamos, assim, que possa aproveitar bem as informações contidas no livro e que possa colocar em prática esses ensinamentos, fazendo as devidas adaptações conforme a situação. Com isso, esperamos despertar o espírito empreendedor e contribuir para que os negócios criados ou gerenciados por você possam obter sucesso. Bom estudo! SUMÁRIO UNIDADE 1 Introdução ao Empreendedorismo 15 Definindo Empreendedorismo e Empreendedor 21 Tipos de Empreendedorismo 35 O Papel Social e Econômico do Empreendedorismo UNIDADE 2 O Empreendedor e a Oportunidade 59 Características e Perfil do Empreendedor 67 Mitos sobre Empreendedores e Empreendedorismo 75 Oportunidade e Necessidade Empreendedora UNIDADE 3 Introdução ao Plano de Negócios 93 Compreendendo Plano de Negócios 103 Iniciando a Elaboração do Plano de Negócios 115 Partes do Plano de Negócio dica do chef habilidades Legendas de Ícones recapitulando saiba mais fatos e dados minicaso reflita Dica do Chef: dicas rápidas para complementar um conceito, detalhar procedimentos e proporcionar sugestões. Habilidades: elo entre as disciplinas do curso. Mão na massa: indicação de atividade prática. Fatos e Dados: complementação do conteúdo com informações relevantes ou acontecimentos. Minicaso: aplicação prática do conteúdo. Reflita: informações relevantes que proporcionam a reflexão de determinado conteúdo. . Recapitulando: síntese de determinado conteúdo, abordando principais conceitos. Saiba mais: Informações adicionais ao conteúdo. mão na massa Introdução ao Empreendedorismo ANDERSON KATSUMI MIYATAKE BIANCA BURDINI MAZZEI A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Definindo empreendedorismo e empreendedor. • Tipos de empreendedorismo. • O papel social e econômico do empreendedorismo. • Conceituar e contextualizar o empreendedorismo • Compreender os tipos de empreendedorismo • Estabelecer a importância socioeconômica do empreendedorismo Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem Introdução Seja muito bem-vindo(a) à primeira unidade do livro de Empreendedorismo. Nossa intenção é apresentar e conduzir você ao fascinante mundo do Empreendedorismo na Gastronomia. No decorrer da unidade, apresentaremos alguns conceitos que permitirão compreender a abran- gência, os mitos e as falácias que são ditas pelo senso comum e que nem sempre correspondem ao que é estudado pelos pesquisadores e praticado pelos empreendedores. Você entenderá que existem diversos tipos de empreendedorismo, ou seja, os empreende- dores podem iniciar a jornada nos negócios de diferentes formas e isso influencia a maneira como se percebe os negócios. Como no Brasil o número de empreendedores alcança o patamar de milhões, sendo que milhares obtêm sucesso nos negócios, é possível verificar a dificuldade em estabelecer um perfil ideal de empreendedor. Acreditamos que, com isso, poderemos des- mistificar a existência de um único perfil. Outro ponto bastante relevante da unidade é o papel social e econômico do empreende- dorismo. Isso acontece porque, como você verá ao longo deste material, ideias transformadas em produtos concretos e que tenham viabilidade transformam uma região, promovendo o movimento da economia, envolvendo as pessoas, os recursos e a sociedade. Levando em con- sideração que mais de 90% dos negócios são micro e pequenos, sendo que muitos atuam de forma local, é possível compreender a associação com o social e o econômico e a relevância dos empreendedores para uma região. Esperamos que você goste dos assuntos abordados nesta unidade e aproveite a disciplina da melhor forma. Vamos aos estudos! Boa leitura! 13 Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 15G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Definindo Empreendedorismo e Empreendedor Seja muito bem-vindo(a) à primeira unidade. Esperamos que goste do nosso material que foi preparado com carinho, pensando em você. O empreendedorismo é uma área de estudos bastante abran- gente. De modo geral, é considerado erroneamente como abertura de empresas e algo que envolve muito dinheiro em negócios ino- vadores, ou, como alguns consideram, como sinônimo de plano de negócio. No decorrer do livro, abordaremos mais a respeito de mitos sobre o tema. Para você ter uma ideia, há diversas possibili- dades e perspectivas de compreender o assunto. Entre os campos de estudo, podemos estudar jovens, mulheres, mortalidade, em- preendedorismo social, cultura,além de outros existentes e novos temas emergentes, porque empreendedorismo estuda fenômenos sociais, o que faz surgir novas possibilidades de estudo, como, em- preendedorismo para pessoas com deficiência e, especificamente, para o seu curso, que é a Gastronomia. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Compreendida a abrangência da área, agora vamos apresentar a você alguns dos concei- tos utilizados para que conheça o que já foi e é abordado sobre o assunto. Primeiro, é essen- cial entender a origem da palavra. Conforme Dornelas (2005, p. 29), “a palavra empreende- dor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo”. Ou seja, o termo está ligado diretamente a alguém que realiza coisas diferentes, interme- diando o produto/serviço com os clientes, por isso, corre riscos nesse processo. Nós afirmamos que o empreendedor é aquele que possui uma ideia e a coloca em prática, seja sozinho ou com um conjunto de pessoas. Essa definição pode ser complementada conforme Lacombe e Heilborn (2008, p. 128): “pessoa que percebe oportunidades de oferecer no mercado novos produtos, serviços e processos e tem cora- gem para assumir riscos e habilidades”. O empreendedorismo vem crescendo nos últimos anos e tem sido criado um ecossis- tema para apoio e fortalecimento de iniciati- vas empreendedoras. Um estudo feito pelo Sebrae (2013) realizou um mapeamento para conhecer centros de empreendedo- rismo no país e os dados mostraram que existem 33 centros espalhados pelo Brasil, a maioria presente no Sudeste, sendo que a nossa instituição está na lista. Os grupos têm, em média, 3,6 anos, enquanto nos Estados Unidos a média é de 14 anos com 108 cen- tros. Com isso, podemos perceber que o país ainda tem muito campo para criar e incen- tivar centros de empreendedorismo para produzir um ecossistema empreendedor. Fonte: Hashimoto (2013, online). O empreendedor é aquele que assume responsa- bilidade e tem iniciativa para buscar algo diferen- te, seja uma invenção ou aperfeiçoamento de um produto. Vale ressaltar que o empreendedor pode ter a ideia e transformar um negócio sozinho ou também com a ajuda de mais pessoas. Ainda nesta unidade, abordaremos com mais detalhes o empre- endedor, apresentando os seus tipos, e também, na próxima unidade, explanaremos a respeito do perfil e das características do empreendedor. 17G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Os conceitos mais utilizados nos dias atuais focalizam a abordagem para as oportunidades, como veremos adiante. Dessa forma, o foco mudou e as características foram deixadas para segundo plano. Não estamos querendo dizer que são irrelevantes os estudos, mas que somente as características do empreendedor não devem ser consideradas como elementos importantes. Para exemplificar essa explicação, apresenta- mos um conceito clássico dessa abordagem apre- sentada por Baron e Shane (2010, p. 6), com base em um artigo de Shane e Venkataraman (2000): Empreendedorismo, como uma área de negócios, busca entender como surgem as oportunidades para criar algo novo (produtos ou serviços, mercados, pro- cessos de produção ou matérias-primas, formas de organizar as tecnologias); como são descobertas ou criadas por indivíduos específicos que, a seguir, usam meios diversos para explorar ou desenvolver coisas novas. Alguns pontos interessantes que podemos ana- lisar desse conceito é que ele não menciona ca- racterísticas do empreendedor. Depois, trata a área como negócio e isso se justifica porque o empreendedor tem que propor iniciativas que tenham viabilidade comercial, principalmente em um sistema de mercado em que o retorno financeiro é importante. Na área social, somen- te o lucro não é levado em consideração, mas fundações e associações também funcionam como negócios. Segundo esse conceito apresentado pelos autores, envolvem-se diferentes formas de empreender, como produtos, serviços, mercados, processos de produção ou matérias-primas e formas de organi- zar a tecnologia. Isso representa as possibilidades que os empreendedores podem ter quando empre- endem, seja nos negócios próprios ou de terceiros. Outro ponto relevante é apresentar que os indivíduos descobrem ou criam oportuni- dades de negócio e isso é importante porque nem todos compreendem o ambiente da mesma forma. Para exemplificar, em um cenário de crise econômica, determinada pessoa considera como improvável empreender e outra pessoa abre um negócio e obtém sucesso ao explorar uma possi- bilidade que ninguém considerou no momento. O último ponto é que, a partir da descoberta de uma ideia que possa ser transformada em coisas concretas de sucesso, os empreendedores utilizam meios diversos, como os recursos, a rede de contatos, o conhecimento que possuem e que vão buscar para explorar novas atividades que não fizeram até o momento. Como o empreendedorismo estuda fenôme- nos sociais que constantemente se modificam, uma abordagem única não seria suficiente para considerar todos os elementos. Vamos partir do pressuposto de que o empreendedorismo só é possível por meio de oportunidades, como consideram Shane e Venkataraman (2000). Isso porque é mediante uma oportunidade que o empreendedor coloca em prática uma novidade. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Uma ideia precisa de viabilidade comercial para ser transformada em oportunidade. Nos negócios, um ou mais indivíduos com uma ideia agem para combinar recursos e gerar uma oportunidade lucrativa. Fonte: os autores. Para sintetizar essa perspectiva, uma citação de Read et al. (2011, p. 17-18) é bastante pertinen- te para compreendermos uma oportunidade. Ideia = alguma coisa + você. Oportunidade = ideia + ação. Ação = função (interação) do dinheiro, produto e parceiros. Viabilidade = oportunidade + comprometimento. Dessa forma, uma oportunidade depende de uma ideia e ação dos indivíduos. Para que ocorra essa ação, são necessários recursos e comprome- timento dessas pessoas para tornar algo viável. Para Dornelas (2005), o momento atual pode ser chamado de “a era do empreendedo- rismo”, pois são os empreendedores que estão renovando conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e gerando riqueza para a sociedade. Por isso, torna-se relevante compre- ender as características do empreendedorismo para que você seja um empreendedor e possa contribuir com iniciativas empreendedoras. Apesar de a citação ser antiga, o contexto é atual, porque foram desenvolvidas novas pos- sibilidades de negócios, formas de apoio aos negócios e ampliação das formas de apoiar as organizações, como veremos mais para frente. Com isso, se você está com a ideia de abrir um negócio, tem muito mais possibilidade de dar certo, mas também pode ser que não seja bem sucedido, porque dependerá da forma como planejar, organizar e aplicar os recursos. Esperamos que você tenha compreendido o que significa empreendedorismo, que é uma área com muita prática, porém é necessário com- preender um pouco de teoria para saber explicar e praticar ações empreendedoras. A seguir, explicaremos os tipos de empreen- dedores para que você aprofunde mais os seus conhecimentos nesse processo tão dinâmico que é o empreendedorismo. 19G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Leia as histórias e verifique se os casos são exemplos de empreendedorismo. Primeiro caso Marcio sempre foi uma pessoa muito criativa que gostava de novidades. Fez uma graduação em Gastronomia e, logo quando iniciou o curso superior, conseguiu um estágio em um restaurante. Assim, adquiriu experiência e começou a se destacar. Depois de formado, ele optou por ter o próprio restaurante no centro da cidade. Segundo caso Cassiana sempre pensava em ideias diferentes e como poderia contribuir com os chefs das empresasque trabalhou. Era considerada uma pessoa acima da média, porém não tinha costume de compartilhar suas receitas com os chefs porque acreditava que ninguém iria ouvi-la. Por isso, escrevia-as e deixava guardadas em um caderno. O primeiro caso pode ser considerado como empreendedorismo, porque Marcio transformou uma ideia que tinha em algo concreto. O segundo exemplo não é empreendedorismo, porque Cassiana teve uma ideia, mas não seguiu adiante com planos concretos. Fonte: os autores. O Brasil é considerado um dos países com maior taxa de atividade empreendedora conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Nas pesquisas desenvolvidas por essa entidade, é possível notar uma mudança na característica do empreendedorismo brasileiro. Até início dos anos 2000, a maioria dos em- preendedores abria o negócio sem planejar por uma necessidade, como o desemprego. Com isso, o índice de mortalidade de empresas também era alto. A partir da segunda metade da mesma década, o panorama mudou e a maioria das empresas, hoje, é criada por oportunidade, ou seja, os indivíduos identificaram uma ideia e se prepararam para colocá-la em prática. Fonte: adaptado de GEM Brasil (IBPQ). Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 21G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Tipos de Empreendedorismo Como mencionamos anteriormente, os empreendedores podem se inserir no mundo do empreendedorismo de diferentes manei- ras. Dessa forma, podemos classificar algumas tipologias que nos ajudam a compreender a heterogeneidade. Conforme Dornelas (2007), os empreendedores podem ser classificados quanto aos seguintes tipos: Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes EMPREENDEDOR NATO (MITOLÓGICO) Em sua maioria, são imigrantes ou filhos destes, são visionários, 100% comprometi- dos com seu sonho, otimistas, normalmente começaram do nada e cedo adquiriram ha- bilidade de negociação e venda. 1 EMPREENDEDOR SERIAL (CRIAR NOVOS NEGÓCIOS) É uma pessoa apaixonada por empreender, assim, não consegue estar à frente de seu negócio até que se torne uma grande corpo- ração, por isso, está sempre interessado em novos negócios. Sua maior habilidade é identi- ficar oportunidades e não descansar enquanto não conseguir viabilizar sua implementação. 3 EMPREENDEDOR QUE APRENDE (INESPERADO) É uma pessoa que, quando menos espera- va, descobriu uma oportunidade, então, ele mudou a vida e resolveu abrir o próprio negó- cio. Normalmente, demora a tomar a decisão de empreender e a se acostumar com ela. 2 EMPREENDEDOR SOCIAL Tem como missão de vida a construção de um mundo melhor para as pessoas. É um em- preendedor como os outros, com a diferença de não buscar construir um patrimônio pró- prio, mas prefere compartilhar seus recursos e contribuir para o desenvolvimento humano. 5 EMPREENDEDOR POR NECESSIDADE Cria seu próprio negócio, porque não tem outra alternativa, está fora do mercado de trabalho e não resta outra opção a não ser trabalhar por conta própria. Praticamente não tem acesso à formação, ou recursos e a uma maneira estruturada de empreender, por isso, normalmente, trabalha na informa- lidade e de maneira pouco planejada, o que favorece o não sucesso do empreendimento. 6 EMPREENDEDOR CORPORATIVO São, geralmente, grandes executivos, assu- mem riscos e possuem grande habilidade de comunicação e negociação, já que quase sempre não possuem 100% de autonomia para a ação. Também chamados de intra- empreendedores, são indivíduos, em uma organização, que consideram algo podendo ser feito de modo diferente e melhor. Cabe às organizações criarem uma estrutura e um clima organizacional que explorem essas potencialidades. Todos os colaboradores podem fazer a diferença, entretanto é ne- cessário, por parte da organização, propor- cionar condições para que isso ocorra. Uma organização com indivíduos intraempreen- dedores estimula a cooperação, proporcio- na liberdade e autonomia para estimular a criatividade. 4 EMPREENDEDOR POR HERDEIRO (SUCESSÃO FAMILIAR) Herdam o negócio da família e, normalmente, aprendem cedo a ter responsabilidades e como o negócio funciona. Atualmente, a família tem se preocupado com a preparação do sucessor familiar e com a profissionalização da gestão. 7 EMPREENDEDOR “NORMAL” (PLANEJADO) Esse é o empreendedor que faz a lição de casa, buscando minimizar os riscos do negócio por meio do planejamento de suas ações. Como o planejamento tem sido um pré-requisito para os empreendedores com história de su- cesso, acredita-se ser normal a sua utilização, embora não seja o caso da maioria. 8 Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes É importante deixar claro que não há um melhor ou mais completo tipo, mas diferentes maneiras de empreender, cada um com suas particulari- dades e contextos próprios. Degen (2009) também considera que as franquias representam outra forma de empre- ender, pois ocorre a abertura de negócio, com auxílio e conhecimento de um franqueador que já possui uma marca conhecida no mercado. O sistema de franquia tem sido uma im- portante alternativa ao empreendedorismo. Conforme Ferreira et al. (2010), franchising é uma palavra de origem francesa que significa: fran – concessão de um privilégio ou de uma autorização. Atualmente, franchising refere-se à filiação a uma empresa líder mediante um contrato de prestação de serviços. Ainda ca- racteriza-se como um modo de organização em que uma empresa com um produto/serviço bem estabelecido no mercado (franqueador) licencia sua marca, sua tecnologia e sua forma de fazer negócios a outras empresas ou indivíduos (fran- queados), em troca de um direito de entrada e do recebimento de royalties. Outra explicação bastante consistente é a de Stanworth (2004 apud GIGLIOTTI, 2012, p. 5) e que optamos por fazer a citação na íntegra: Franchising é um negócio que essencialmente consiste de uma organização (o franqueador) com um pacote de negócio testado em mercado, centrado num produto ou serviço, entrando em um relacionamento contratual com franqueados, tipicamente pequenas firmas autofinanciadas e autogeridas, operando sob a marca registrada do franqueador para produzir e/ou comercializar bens e serviços de acordo com um formato especificado pelo franqueador. A legislação brasileira, que se pauta na lei 8995, de 1994, no artigo segundo, define tal tema da seguinte forma: Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição ex- clusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implan- tação e administração de negócios ou sistema operacional, desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante re- muneração direta; sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício (BRASIL, 1994). Pelo fato de o empreendedor se filiar a uma empresa com produtos e serviços já existentes, há uma parceria que deve ser bem solidificada, porque duas partes estão diretamente envolvi- das, o detentor do negócio e aquele que deseja a autorização para representar a empresa que, em troca, paga remuneração, sem que, necessa- riamente, exista vínculo empregatício. 25G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R De acordo com Ferreira et al. (2010), uma fran- quia, em geral, pode ser: • De produtos e marcas – o franqueador concede ao franqueado o direito/a obri- gação de comprar os seus produtos e utilizar a sua marca. • De negócios – o franqueador propor- ciona ao franqueado a “fórmula” para fazer o negócio, além de formação, trei- namento de colaboradores, publicidade e outras formas de assistência técnica e de marketing. Como consiste em um contrato de prestação de serviços, o sistema de franquias estabelece obri- gações tanto por parte do franqueado como do franqueador, conforme descrito no Quadro 01. Nosúltimos anos, as franquias têm sido boas oportunidades de negócios, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising. Em 2003, o faturamento era de 29 bilhões de reais e em 2014 atingiu praticamente 129 bilhões. O número de redes era 678 em 2003 e próximo a 3000 unidades em 2014, gerando mais de 1 milhão de em- pregos diretos. Há 23 franquias com selo de excelência na área de alimentação, res- taurantes e cafés com investimento entre R$ 30.000,00 a R$ 800.000,00. Fonte: Associação Brasileira de Franchising (2015, online). Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Como se nota no Quadro 01, as franquias exigem responsabilidades de ambas as partes. Não é fácil franquear e nem ser franqueado, é um conjunto de responsabilidades que cada agente tem. Por parte do franqueador, é fundamental que tenha um produto ou serviço bem consolidado que possa ser replicado para outras regiões além de que possua estrutura para dar apoio aos franqueados com treina- mentos e manuais para que a franquia mante- nha a proposta. O franqueado, por outro lado, tem que cumprir todos os acordos acertados com o franqueador, investir o dinheiro e geren- ciar o negócio para recuperar o investimento e tornar a franquia lucrativa. Parece algo sim- ples, mas somente aquele que já passou pela experiência sabe como é. Por isso, enfatizamos a necessidade de parceria e transparência no relacionamento. Obrigações do Franqueador Obrigações do Franqueado • Testar o potencial de sucesso do negócio durante um período, de modo a mostrar que pode ser rentável imagem da marca. • Apresentar um negócio baseado em um know-how distintivo como uma vantagem competitiva diante da concorrência. • Transmitir o know-how aos franqueados por meio de manuais e programas de formação. • Administrar o negócio no dia a dia, selecionar a equipe de colaboradores, tomar decisões, desenvolver ações de comunicação e publicidade. • Realizar o investimento necessário. • Fazer o pagamentos acordados. • Cumprir as regras da rede sobre a formação de operação e garantir a uniformidade do serviço. Quadro 01: Obrigações do franqueado e do franqueador Fonte: adaptado de Santos (2002 apud FERREIRA et al., 2010). 27G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Uma franquia precisa ser bem estruturada para que possa crescer com consistência. Para enfatizar esse aspecto e na onda dos programas do tipo reality show, há um pro- grama chamado Virada de Mestre, que mostra como os processos dos franqueadores podem ser frágeis e precisam ser melhorados para que possam conseguir e manter bons resultados. Dentre os aspectos analisados por empresas específicas, está a gestão financeira, a estrutura do Marketing, a comunicação com os franqueados, o treinamento dos colaboradores, a escolha do público, a maximização do ponto comercial e a análise de informações geográficas. O comprometimento do franqueador ao tratar o negócio com seriedade é fundamental para lidar com as adversidades que surgem no gerenciamento do negócio. Ter uma pos- tura séria e gerência profissionalizada permite que a interação com os franqueados seja satisfatória, evitando uma séria de problemas. No ano de 2014, uma franqueadora que atua no segmento alimentício foi contemplada e, apesar dos bons resultados que obteve no decorrer do programa, o franqueador notou que muitos processos deixavam a desejar e que poderia comprometer o negócio. Assista ao programa que foi realizado em 2013 e 2014. Virada de Mestre 2013 Disponível em: <http://www.portaldofranchising.com.br/videos-do-franchising/area/ virada-de-mestre/>. Acesso em: 16 out. 2015. Virada de Mestre 2014 Disponível em: <http://www.viradademestre.com.br/videos>. Acesso em: 01 nov. 2015. Fonte: os autores. http://www.portaldofranchising.com.br/videos-do-franchising/area/virada-de-mestre/ http://www.portaldofranchising.com.br/videos-do-franchising/area/virada-de-mestre/ http://www.viradademestre.com.br/videos Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Esse formato de negociação também prevê al- gumas vantagens e desvantagens tanto para o franqueado como para o franqueador. Primeiro, Vantagens Desvantagens Rapidez de expansão. Perda parcial do controle sobre os atos dos franqueados. Redução de custo: centralização das compras e de distribuição. Potencial de criação de concorrente. Maior participação no mercado, dado o crescimento da rede. Insuficiência nos serviços de abastecimento e consultoria, dada uma expansão acelerada. Maior cobertura geográfica, com o atendimento a clientes e mercados antes não exploradas. Seleção inadequada dos franqueados. Possibilidade de encontrar franqueados estimulados para maximizar as vendas reduzir os custos, para aumentar o lucro. Potencial menor de lucro, em comparação com o crescimento interno por meio de filiais. Gerar rendimento dos royalties e das taxas de franquia sem investir em novas instalações. Potenciais atritos com os franqueados, em particular quando violam termos do contrato. Acesso a ideias e sugestões. Quadro 02: Principais vantagens e desvantagens para o franqueador Fonte: adaptado de Santos (2002 apud FERREIRA et al., 2010). vamos abordar o lado do franqueador, conforme o Quadro 02. Nos últimos anos, tem sido comum os empreen- dedores franquearem os negócios para obtenção de lucro. Entretanto ressaltamos a relevância de ter um negócio pronto que já esteja dando certo no mercado para, a partir desse momento, pensar na possibilidade de franquear. Existe a necessida- de de dar a devida assessoria para que o franque- ado não acabe com a reputação do negócio e, para prestar o auxílio, o próprio franqueador precisa estar convicto do negócio, das dificuldades e do que pode ser feito para solucionar os problemas. 29G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Muito se fala sobre franquias como ótimas oportunidades de negócios, porém poucas notícias abordam o fechamento. Gigliotti (2012) afirma que o índice de mortalidade de empresas tradicio- nais no segundo ano é por volta de 42%, enquanto nas franquias esse número é de 17%, sendo que uma das justificativas é a falta de conhecimento e a franquia tem essas barreiras quanto aos consumidores, concorrentes, fornecedores e de gestão já conhecidas, podendo ajudar você a lidar com as dificuldades. Por isso, há a importância de buscar no franqueador um parceiro para que possa criar uma relação sustentável e lucrativa para ambos. Fonte: os autores. Vantagens Desvantagens Maior probabilidade de sucesso: adota um produto/serviço conhecido e testado no mercado e com uma rede e marca bem-sucedidas. Controle sobre as operações: auditorias frequentes e controle das vendas e do cumprimento de procedimentos e normas. Apoio Contínuo do franqueador: experiência de gestão, treino e consultoria. autonomia e criatividade limitadas: implementar modelo existente. Potencial de maiores lucros: se beneficia de economias de escala e de marca conhecida. Restrições no encerramento da atividade e na cessão/venda da propriedade. Proteção da concorrência de outros franqueados da mesma rede: direitos territoriais exclusivos. Custo do franchising pode ser mais elevado do que em um negócio independente. Permite aprender com as experiências de outros franqueados. Fraco desempenho de outros franqueados pode ter efeitos na reputação de toda a rede. Quadro 03: Principais vantagens e desvantagens para o franqueado Fonte: adaptado de Santos (2002 apud FERREIRA et al., 2010). Agora, vamos abordar as vantagens e desvantagens para o franqueado, conforme o Quadro 03. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Os candidatos ou aqueles que são franqueados possuem responsabilidades e precisam estar cientes. Ao assistir depoimentos de franquea- dores de sucesso, eles sempre comentam que o sucesso do negócio está na mão do franqueado em mais de 70%. Isso porque precisaassegurar que todos os processos pré, durante e pós-fun- cionamento da franquia funcionem diretamen- te, envolvendo processos logísticos, de recursos humanos, marketing e financeiros. Segundo Ferreira et al. (2010), o perfil do franqueado envolve os seguintes aspectos: • Aceitar que há um risco: a franquia não evita o risco, ainda que esse possa ser menor do que em um negócio independente. • Capacidade de iniciativa: a franquia não é uma fórmula que funciona sozinha, uma vez que as decisões do dia a dia de- terminam o sucesso ou o fracasso do franqueado. • Incentivar os colaboradores: cabe ao empreendedor estimular, liderar e criar ambiente de trabalho agradável. • Trabalhar com menos autonomia: ca- racterística mais marcante que diferen- cia o empreendedor independente do franqueado. Para ajudá-lo(a) a refletir sobre os principais pontos a serem avaliados por quem deseja ser um franqueado, apresentamos a seguinte tabela. 31G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Estrutura física É essencial saber o espaço físico necessário para as instalações bem como todas as especificidades para o funcionamento. Recursos financeiros Importante avaliar o investimento necessário para adquirir a autorização para abrir uma unidade franqueada. Recursos humanos O número de funcionários necessário para funcionar bem como as qualificações necessárias para exercer o cargo. Planejamento Mesmo sendo uma franquia, o cuidado com o planejamento é necessário. Para abrir uma unidade, precisa-se pensar bem e também após a abertura do negócio. Autoanálise pessoal Antes de pensar em ter um negócio para trabalhar menos ou pelo fato de a franquia ser mais fácil que uma empresa, tome cuidado. Você precisa avaliar se tem o perfil para empreender, se realmente está disposto a correr riscos e, no caso da franquia, se está preparado para seguir padrões impostos pelo franqueador, inibindo sua liberdade para criar ou implementar processos e atividades. Avaliação de mercado O momento das franquias é muito bom. Entretanto é interessante avaliar o tipo de segmento que se deseja abrir e conhecer a região para saber se existe potencial para o local. Retorno do investimento É claro que todo mundo deseja o retorno do investimento no menor tempo possível, até porque os valores investidos são altos. Entretanto é preciso saber a média de tempo e os esforços necessários para tal feito. Conhecimentos gerais e gerenciais Não importa o tipo de negócio, o conhecimento gerencial é fundamental. Conhecer um pouco de Marketing, Finanças, Produção e Recursos Humanos é essencial para gerenciar a unidade franqueada. Manuais de procedimentos Toda franquia tem procedimentos que devem ser seguidos, seja na operação, na parte financeira, no layout ou na forma de atender. Por isso, o franqueado deve analisar essas informações, porque, se é uma franquia, deve possuir manual de procedimento. Contatos da rede Conversar com franqueados da rede é importante para saber como realmente funciona o negócio e as exigências necessárias. Suporte e assessoria Cada rede de franquia oferece serviços diferenciados, como planejamento estratégico, treinamento de recursos humanos, assessoria em marketing, entre outros. Cabe ao candidato avaliar o que a franquia disponibiliza. Dedicação ao negócio A dedicação faz diferença em uma franquia. Se for somado a isso o conhecimento gerencial e habilidades interpessoais, as chances de sucesso aumentam. Processo seletivo O candidato a franqueado precisa conhecer os procedimentos necessários para ser selecionado. É importante coletar informações prévias e se adequar as etapas de instruções. Circular de Oferta de Franquia (COF) Toda franquia deve ter e disponibilizar antecipadamente ao interessado para que possa avaliar todas as informações, exigências e procedimentos para saber se está preparado e compatibilizado com as expectativas do franqueador. Filiação a ABF É comum as franquias serem filiadas com a Associação Brasileira de Franchising - ABF que costuma premiar as melhores franquias com um selo de excelência. Se não for associado, procure conhecer os motivos e as justificativas. Tabela 01: Pontos de reflexão para o franqueado Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes As franquias têm sido utilizadas como importan- te forma de ampliação do negócio, uma vez que propiciam uma grande rede de atuação, sem im- plicar na concentração de esforços e de recursos para o empreendedor franqueador. E, para o em- preendedor franqueado, tem possibilitado maior segurança e conhecimento acerca do negócio As franquias são modelos atrativos para os jovens, porque se tratam de organizações com marca conhecida, apoio do empreen- dedor, troca de experiências com outros franqueados e franqueador. O mercado de franquias teve um salto de 398% no fatu- ramento de 2003 a 2013. A pouca experi- ência profissional pode ser compensada por um formato de negócio pronto para os jovens, porém os jovens não podem ser considerados como acomodados, mas como indivíduos que querem ter o negócio próprio e inovar. Convido você a ler a reportagem na íntegra sobre os jovens empreendedores acessan- do o link disponível em: <http://maringa. odiario.com/empregos/2015/04/franquias- -ganham-a-atencao-de-jovens-empreende- dores/1298563/>. Acesso em: 16 out. 2015. Fonte: adaptado de Bertola (2015, online). que se propõe a iniciar. Todavia é fundamental ter consciência das responsabilidades, das vantagens e das desvantagens desse tipo de negócio. Como você pode notar, não há um tipo de empreendedor. Diversas são as possibilidades de uma pessoa identificar uma ideia e transfor- mar em oportunidade de negócio. Demos uma atenção às franquias porque têm chamado a atenção, mas não precisa seguir esse formato como carreira, é possível apostar em outras possibilidades, visto que ambas possuem van- tagens e desvantagens. O mais importante é ser empreendedor conforme o seu estilo e ao seu ritmo, tomando as decisões conforme se sentir preparado para lidar com as consequências e superar as dificuldades que surgirão em diversas áreas, como a parte financeira, o marketing, a gestão de pessoas e o processo operacional. É fundamental estar preparado, porque, para me- lhorar o desempenho dos negócios, você precisa ter conhecimento. http://maringa.odiario.com/empregos/2015/04/franquias-ganham-a-atencao-de-jovens-empreendedores/1298563/ http://maringa.odiario.com/empregos/2015/04/franquias-ganham-a-atencao-de-jovens-empreendedores/1298563/ http://maringa.odiario.com/empregos/2015/04/franquias-ganham-a-atencao-de-jovens-empreendedores/1298563/ http://maringa.odiario.com/empregos/2015/04/franquias-ganham-a-atencao-de-jovens-empreendedores/1298563/ 33G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 35G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R O Papel Social e Econômico do Empreendedorismo O empreendedorismo tem aparecido como um importante fator promotor do desenvolvimento local. No entanto é importante destacar a diferença entre os conceitos de crescimento econômico e desenvolvimento. O crescimento econômico se refere apenas a dados econômicos e quantitativos de uma determinada localidade. Assim, podem ser considerados como referências de crescimento econômico o aumento do PIB, a redução da inflação, a melhoria do poder aquisitivo da população, entre outros. Por outro lado, o conceito de desenvolvimento é mais amplo, pois envolve, além do crescimento econômico, os aspectos sociais e ambientais. Dessa forma, só é possível falar em desenvolvimento quando há ganhos quantitativos e qualitativos, como a qualidade de vida de uma população, a geração de trabalho e renda e os cuidados com o meio ambiente. Por isso, são muitos os benefícios gerados pelo empreendedorismo por meio da criação de novos negócios,como os apontados por Stoner e Freeman (1999): • Contribui para o crescimento econômico. • Promove ganhos com a produtividade, utilizando melhor os recursos produtivos. • Realiza investimentos em pesquisas e desenvolvimento, gerando novas tecnologias, produtos e serviços. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Também é importante destacar que os estu- dos sobre a evolução do empreendedorismo mostram grandes possibilidades de se trans- formarem na mola propulsora da integração do desenvolvimento regional e mundial como possível solução para os problemas econômi- cos, políticos e sociais (BARBOSA; BARBOSA, 2009). Para isso, a gestão dos negócios precisa se pautar sob uma conduta ética que se preocupa com seu entorno, formando redes e parcerias em prol das sociedades em que atuam as orga- nizações criadas, preocupando-se com todos os grupos que se relacionam e têm interesse no negócio em andamento (stakeholders). Para Mello Neto e Froes (2002), existe uma corrente que apresenta o empreendedorismo como estratégia de desenvolvimento local, pois tem as seguintes características: • O objetivo de difundir as políticas de desenvolvimento local por meio do empreendedorismo. • O foco no maior desenvolvimento econômico e social em nível local, cujo lócus são as agências e fóruns de desenvolvimento local. Além disso, conforme discute Dornelas (2005), é preciso estimular o empreendedorismo por oportunidade, de maneira a planejar adequa- damente a estrutura do negócio, reduzindo a possibilidade de riscos e aumentando a possi- bilidade de sucesso de cada empreendimento. Assim, é possível gerar trabalho e renda e atuar por meio de uma conduta sustentavelmente comprometida. Vale destacar que a maior parte dos negó- cios é formada por micro e pequenos que geram grande parte dos empregos. Por isso, a relevân- cia de iniciativas e práticas empreendedoras para o desenvolvimento das regiões, porque impac- tam social e economicamente. É importante o papel deles, uma vez que geram trabalho e renda para os colaboradores e é o meio de subsistência dos empreendedores. Quando saímos de casa, em todos os locais ao redor, vemos pequenos negócios. É necessário estar atento a esses em- preendimentos que, mesmo com dificuldades e ainda falta de preparo adequado, superam inúmeros obstáculos e são responsáveis pelo desenvolvimento do país. Julien (2010) considera que deve existir o olhar mais voltado ao local, pois é importante incentivar o desenvolvimento da região e o atendimento de demandas locais. Se a região não oferece condições propícias, os empreen- dedores locais terão dificuldade em manter o negócio aberto e outras possíveis organizações migrarão para outro local, comprometendo o futuro da região. Se a região for mais dinâmica e ter mais opções, pode abrigar essas entidades. O empreendedorismo se torna importante para qualquer local, porque não tem impacto apenas sobre a empresa, mas também sobre o mercado, o meio e a sociedade. 37G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Luís Carlos mora em uma cidade grande, sempre estava na correria e não conseguia se alimentar adequadamente. Ele percebeu que é a realidade de muitas pessoas e resolveu trocar o emprego por um negócio. O modelo de negócio é interessante porque o cliente fechava um pacote em que teria café da manhã, almoço, café da tarde e jantar preparados por uma equipe de profissionais especializados. O cliente fazia cadastro e consulta para estabelecer a refeição mais adequada. Durante a semana, a pessoa poderia optar por entrega no próprio local, retirar na empresa ou também comer nas instalações da empresa. A prefeitura estava preocupada com os altos índices de pessoas obesas e com problemas de saúde e começou a incentivar a criação desses tipos de negócios para melhorar a qualidade de vida da alimentação. Logo, a quantidade de pessoas doentes diminuiu e a procura por serviços de saúde também, permitindo que a fila de espera por consulta praticamente não existisse e, assim, o prefeito pôde direcionar recursos para a área da educação. Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Conforme descrito anteriormente, vivemos na era do empreendedorismo. Hoje, existem possibilidades que estão mais acessíveis a nós. De acordo com Degen (2009), o empreendedo- rismo pode ser considerado como uma carreira, ao empreendermos no setor de agronegócio, construção, consultoria, franquias, hospitali- dade, manufatura, serviços, serviços profissio- nais, terceirização, varejo, comércio eletrônico, vendas, adquirindo negócio. Podemos acres- centar que isso se dá tanto naquele indivíduo que empreende como também naquele que intraempreende. A situação para o empreendedorismo no Brasil, hoje, é mais favorável porque existem organizações como o SEBRAE, a Endeavor, além de iniciativas públicas e privadas que incentivam e promovem iniciativas empreendedoras. A situação ainda está longe de ser ideal, mas o acesso ao crédito, hoje, é mais fácil e existem diferentes modalidades e valores à disposição. Existem entidades como incubadoras, aceleradoras, empresas juniores, além de con- sultores e mentores que auxiliam os empreen- dedores no desenvolvimento do negócio. Para buscar financiamento, além das tradicionais linhas de crédito, encontramos financiamen- to coletivo e anjos. Vamos explicar de forma sucinta cada um dos tipos de entidades para que você conheça e saiba qual recorrer quando tiver o seu negócio. O SEBRAE é uma entidade que atende micro e pequenos empreendedores. Ao longo dos anos, vem ganhando relevância no cená- rio nacional porque estão atendendo com mais efetividade os pequenos negócios em diversas regiões. Procure uma unidade ou escritório de apoio na sua cidade. Também não deixe de consultar os materiais gra- tuitos que estão disponíveis em: <www. sebrae.com.br>. Acesso em: 26 out. 2015. Outra importante organização é a Endeavor que visa promover o empreendedorismo por meio de cursos, materiais e relatos. No site, é possível encontrar amplo repertório que o ajudará a se preparar para empre- ender. Acesse: <www.endeavor.org.br>. Acesso em: 26 out. 2015. Fonte: os autores. As incubadoras são organizações criadas para o desenvolvimento dos negócios. Com uma equipe especializada, essas entidades propor- cionam a ajuda necessária para o produto e o empreendedor amadurecer no início das ativi- dades. Dolabela (2006) considera que pode ser chamada de fábrica de empresa porque propor- ciona suporte às pessoas para transformar pro- jetos em produtos concretos. Dornelas (2005) http://www.sebrae.com.br http://www.sebrae.com.br http://www.endeavor.org.br 39G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R afirma que essas organizações são mantidas por entidades governamentais, universidades, grupos comunitários, entre outros, proporcio- nando suporte e orientação prática. Nos dias atuais, as incubadoras atuam em vários setores, desde a área tecnológica, agroindústria, confec- ção, cultural, social, cooperativa, rural, entre outras. Fornecendo instalações físicas e serviços a preços subsidiados, em sua maioria, permite durante cerca de dois anos que o empreende- dor formate o negócio e esteja precavido para enfrentar um período muito crítico que são os primeiros anos no mercado. A proposta da aceleradora é, em pouco tempo, proporcionar todo o conhecimento do mercado necessário para que as empresas comecem a ter o retorno do investimento, ala- vancando a proposta do negócio, por isso, a metodologia é diferenciada. Não é necessário enviar Plano de Negócio para participar, mas ter um modelo de negócio claro. As acelera- doras são formadas por empreendedores ou especialistas de negócios que investem nos empreendimentos e, em troca, tornam-se acionistas da empresa. Comoessas pessoas possuem experiência com negócios e o capi- tal é privado, possuem mais liberdade para elaborar formas próprias de diálogo com os empreendedores. As parcerias de negócios são fundamentais e cada aceleradora tem propos- tas específicas para a maturação de o negócio ocorrer de forma rápida. De acordo com Spina (2013), se a empresa pre- cisa de mais tempo para crescer e não necessita de investimentos, a incubadora poder ser uma opção mais viável. Caso contrário, uma acele- radora é mais recomendada. Ainda destaca que pode haver uma combinação das duas, ou seja, começar pela incubadora e, depois, partir para aceleradora ou vice-versa, todavia é necessário fazer uma análise para investigar se o perfil da incubadora e da aceleradora está alinhado com a estratégia do negócio. É comum as pessoas confundirem a atuação dos dois tipos de organizações. Por isso, utilizamos a abordagem de Matos (2013) para explicar as diferenças. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Podemos perceber que as incubadoras têm um perfil mais voltado à maturação do negócio, fornecendo todo tipo de infraestrutura em troca de taxas acessíveis, enquanto as aceleradoras são voltadas a investir dinheiro para ajudar negó- cios com alto potencial de retorno em troca de participação na empresa. As empresas juniores são, de acordo com a Federação das Empresas Juniores do Estado do Paraná – FEJEPAR (2015, online), como uma as- sociação civil, sem fins econômicos, constituída e gerida exclusivamente por alunos de graduação de estabelecimentos de ensino superior, que prestam serviços e desenvolvem projetos para empresas, entidades e sociedade em geral, nas suas áreas de atuação, sob a orientação de pro- fessores e profissionais especializados. Incubadora Aceleradora Modelo de negócio Sem fins lucrativos, mantida por outras instituições Com fins lucrativos, mantida por investidores privados que esperam ganhar dinheiro com o retorno da venda das ações das empresas apoiadas Oferta de serviços Focada em infraestrutura e espaço físico Focada na gestão do negocio, mentoria e networking Tempo de apoio 1 a 3 anos 4 a 6 meses Investimento Não investe capital no negócio Investe capital inicial no negócio, de R$ 20 mil a R$ 100, em geral Contrapartidas Pagamento de taxas, geralmente subsidiadas, pela empresa incubada Cessão de um percentual de participação acionária da empresa para a aceleração Processo seletivo Normalmente, com pouca competição Muito concorrido Quadro 04: Diferenças entre incubadora e aceleradora Fonte: Matos (2013). Outra forma de ajudar as organizações é o financiamento coletivo, uma forma que tem expandido no Brasil, em que o objetivo é con- tribuir para que terceiros possam realizar os projetos. O termo em inglês utilizado é crow- dfunding e, por meio da internet, as pessoas arrecadam recursos para negócios, atividades filantrópicas, viagens, entre outros. É uma maneira acessível de pessoas, como artistas, ativistas, empreendedores, dentre outras, ar- recadarem fundos para realizarem os objetivos que tenham. Um aspecto interessante é que qualquer pessoa pode contribuir para os proje- tos que consideram mais interessantes e ainda recebe recompensas pela ajuda, as quais podem ser prêmios, brindes, inclusão do nome, como patrocinador, dentre outros. 41G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Os anjos são, geralmente, empreendedores que apostam em novas ideias, fornecendo recursos em troca de participação no negócio. Além do fato do apoio financeiro, que varia de R$ 50 mil a R$ 1 milhão, segundo Moreira (2015), o investidor anjo visa orientar o empreendedor, contribuindo na formatação do modelo de negócio. Por isso, é muito Você pode, a qualquer momento, optar pelo financiamento coletivo. Se preten- de abrir um negócio, realizar um projeto social para levar comida para pessoas com necessidades, criar campanhas de cons- cientização de boas práticas ou mesmo a importância da alimentação saudável, escrever um livro de receitas, saiba que é possível, utilizando esses sites. Com uma boa ideia e divulgação, conseguirá os re- cursos necessários para realizar os sonhos. Acesse o site para ver um exemplo de pro- jeto na área: <http://www.kickante.com.br/ gastronomia>. Acesso em: 26 out. 2015. Conheça uma plataforma, cujo objetivo é estimular a criação de restaurantes, por meio do link disponível em: <http://www. gastronomiaycia.com/2014/10/31/pla- taforma-de-crowdfunding-para-montar- -restaurantes/>. Acesso em: 26 out. 2015. Fonte: os autores. importante procurar aqueles que tenham a mesma proposta que a sua e queiram orientá-lo(a), para que o negócio obtenha resultado positivo, ou seja, não busque apenas um investidor, mas um parceiro. De acordo com Botelho (2015, online), os investidores anjo são formados por pessoas físicas que investem recursos em ideias de negócios com possibilidades de crescimento e, em troca, tornam-se sócios mino- ritários, geralmente 10 a 20%. Os anjos investem quando os negócios estão em processo de forma- ção. Por isso, escolhem empreendedores que não estejam muito distantes, para que possam fazer o acompanhamento mais de perto. Esses tipos de organizações são relevantes para aumentar as chances de sucesso dos negócios e, como afirmamos anteriormente, quanto mais os negócios prosperam, melhor para a região. Para que você esteja mais preparado, vamos apresentar as principais causas de mortalidade nos negócios. Os fatores de mortalidade podem ser altera- dos conforme a região em que você está. Existem diversos pesquisadores e entidades que fazem o mapeamento local, por isso a dificuldade em generalizar em um país tão grande e diversifi- cado como é o Brasil. Outro aspecto que pode indicar mudanças nos índices de mortalidade é o setor de negócio (comércio, indústria e servi- ço), sendo que, em uma região, pode nem haver indústrias, por exemplo, então não há como ter mortalidade. O que fizemos foi levantar as causas de forma geral para que você conheça o que tem feito os negócios fecharem. http://www.kickante.com.br/gastronomia http://www.kickante.com.br/gastronomia http://www.gastronomiaycia.com/2014/10/31/plataforma-de-crowdfunding-para-montar-restaurantes/ http://www.gastronomiaycia.com/2014/10/31/plataforma-de-crowdfunding-para-montar-restaurantes/ http://www.gastronomiaycia.com/2014/10/31/plataforma-de-crowdfunding-para-montar-restaurantes/ http://www.gastronomiaycia.com/2014/10/31/plataforma-de-crowdfunding-para-montar-restaurantes/ Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes A taxa de mortalidade vem diminuindo nos últimos 10 anos e, em julho de 2013, a so- brevivência chegou a 76%. Há dez anos, esse índice era de 50%. A atual taxa mostra uma melhor capacidade das micro e pequenas empresas para superar dificuldades nos primeiros dois anos do negócio. Nesse período inicial, a empresa ainda não é conhecida no mercado, não possui carteira de clientes e, muitas vezes, os empreendedores ainda têm pouca experiência em gestão. É o período mais crítico porque a empresa está se lançando no mercado e, muitas vezes, o empreendedor não tem experiência na gestão de um negó- cio, mas qualquer taxa de sobrevivência acima de 70% já pode ser considerada positiva. Fonte: Fenacon (2015). De forma geral, conforme aponta o Sebrae (2014), as principais causas de mortalidade são: a falta de planejamento prévio, gestão empresarial ineficiente e comportamento empreendedor inadequado. No que se refere ao planejamento prévio, 46% não sabiam o número de clientes e os hábitos de consumo, 39% não sabiam o capital de giro inicial e 38% não sabiam o número de concorrentes que teriam. Em relação à gestão empresarial, os negócios que fecham prematuramente se preocupavam em menor grau, se comparados às empresas que se mantêm abertas, sendo os aspectosmais preocupantes: a falta de investimento em propaganda e divulgação, acompanhar as estratégias dos concorrentes, investir continuamente em capacitação e rever e atualizar o plano de negócio (quando existente). No aspecto comportamento empreendedor, concluiu-se que os negócios que fecham tinham como características o fato de o empreendedor pouco se antecipar aos fatos, não buscar intensamente informações e evitar enfrentar riscos. Fonte: adaptado de Sebrae (2014). 43G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R O cuidado para expor os motivos de mor- talidade tem uma justificativa. De acordo com o site Empresômetro, temos, no Brasil, mais de 200 atividades econômicas que compõem 18 milhões de empresas. Como nosso país tem uma extensão territorial grande e muita diversidade, nem sempre conseguimos generalizar as informações e apontar um fator como preponderante. Os aspectos que influenciam as estatísticas são a metodologia utilizada, a amostra, o local, a atividade econômica e o perfil da empresa. Fonte: os autores. Para conhecer dados atualizados da sua região, procure instituições ou programas locais de in- centivo ao empreendedorismo que podem passar dados mais concretos e atualizados. A Associação Comercial do município, o Sebrae, instituições de ensino superior, programas locais de incentivo ao empreendedorismo possuem informações mais detalhadas das características da sua região. A seguir, vamos apresentar as causas mais encon- tradas nos estudos de mortalidade. • Condições do mercado desfavoráveis – um dos pontos que deve ser analisado pelo empreendedor é o mercado. Não adianta tentar empreender em locais des- favoráveis ou mesmo quando o produto está em declínio. Um exemplo simples é tentar abrir um negócio envolvendo máquina de escrever. Insistir não é algo recomendado, no ambiente de negócios, é difícil dizer impossível, mas há muitas outras possibilidades em empreender, como em aplicativos de celular. Outra forma de exemplificar é tentar imple- mentar um restaurante de alto padrão em pequenas cidades do interior. Não subestimando essas cidades que repre- sentam a grande maioria dos municípios brasileiros, mas, se o poder aquisitivo da população for baixo e houver pouco número de pessoas que seriam poten- ciais interessados na cidade e mesmo na região, fica difícil obter retorno. • Falta de conhecimento do mercado – para abrir e manter um negócio nos dias de hoje, é importante conhecer o mercado. Isso porque as mudanças acontecem de forma cada vez mais rápida e, se você não estiver preparado para agir, quando se deparar com o problema no nível operacional, ou seja, no caixa decrescente, pode ser muito tarde. Ainda mais se não houver um bom gerenciamento do fluxo de caixa, a situação se agravará ainda mais, aumentando as chances de o negócio fechar. Se para quem conhece o mercado Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes e tem recursos já está difícil, para os mi- croempreendedores que representam mais de 95% dos negócios no Brasil, que têm poucos recursos para investir e não podem se dar ao luxo de errar, a situação é bem pior. A falta de clientes no estabe- lecimento pode ser justamente pela falta de conhecimento do comportamento dos consumidores, seja na questão de hábitos, vitrines que atraem e práticas feitas pelos concorrentes e fornecedores. • Carência de legislações – apesar de al- gumas medidas nos últimos tempos, com a criação de secretarias municipais e estaduais, o MEI, o Supersimples, entre outros, a legislação brasileira possui inú- meras especificidades, o que dificulta a atuação das empresas. A carga tributária também é outro ponto que dificulta os empreendedores e que deve ser repen- sada pelo Poder Público. Os impostos são importantíssimos para serviços essenciais disponibilizados para a po- pulação e para manter a atual forma de governo que temos, mas o que poderia ser repensado é a forma de cobrança e a unificação de processos. A legislação também não regula ou não tem orienta- ções para inúmeras áreas, o que dificulta os empreendedores. Outro aspecto é que há muitas exigências em alguns setores, o que representa uma dificuldade a ser contornada. Essa complexidade leva a outro fator: o desconhecimento dos im- postos que são cobrados e o que pode ser feito dentro da legalidade para diminuir os valores recolhidos. • Incapacidade de pagamento – este é outro ponto bastante relevante e que deve ser bastante destacado, visto que é um problema financeiro. A incapacidade de pagamento é apenas um efeito da falta de controle do empreendedor, causado seja pela desorganização ou pela carência de conhecimento gerencial. O problema da incapacidade de pagamento ocorre quando existem mais despesas e gastos em comparação às receitas. Caso a situação seja sazonal, pode ocorrer por situações e momentos inesperados, mas, quando a situação perdura e leva ao fechamento do negócio, o problema é mais sério. A falta de receita ou o aumento dos valores que sai do negócio devem ser sinais de alerta quando começarem a ocorrer. A situação é diagnosticada no início, quando há o controle das finanças, e pode ser mudada. Outro ponto que deve ser analisado para evitar a incapacidade de pagamento é considerar que existem maus pagadores, ou seja, aqueles que atrasam os valores ou não pagam, seja por má-fé ou falta de condição financeira. O controle financeiro permitirá minimizar esse problema. 45G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • Habilidades sociais – este é um ponto bas- tante sério, já que está relacionado ao tra- tamento com as pessoas. Cada vez mais as tecnologias estão disponíveis para todos e o que faz a diferença é o atendimento. O empreendedor tem todo o mérito de ter uma boa ideia e transformar em algo concreto, porém, se não souber tratar bem os colaboradores que fazem o negócio funcionar todo dia, executando tarefas administrativas e fazendo contato com os consumidores, haverá muitas queixas de ambos os públicos. É essencial também saber lidar com os consumidores, o que não é uma tarefa fácil, que exige paciência, firmeza e poder de negociação. Mesmo que não tenha realizado o planejamento, é ao público que deve atender, porque abriu um negócio e não tem sentido tratar mal. Outros agentes importantes são os forne- cedores, a mídia, o sindicato, os sócios e o Poder Público. Como os negócios são for- mados e gerenciados por pessoas, é funda- mental saber conviver com as diferenças humanas e com os diferentes interesses que cada agente tem no negócio. • Falta de qualificação e experiência dos gestores – aqueles que vão gerenciar o ne- gócio precisam estar capacitados. É muito difícil gerenciar um negócio se você não tem nenhuma informação e conhecimen- to na área. A experiência no negócio pode diminuir a falta de qualificação, mas, se não tiver nenhum dos dois, a situação será bem complicada. A acumulação de expe- riência pode se dar de diferentes formas: quando você trabalha como colaborador em uma empresa do ramo, a família pos- suir negócio, ser sócio em um negócio. • Subestimar a necessidade de plane- jamento – o planejamento serve para todos os tipos de negócios com todos os tamanhos. Isso porque a atividade de planejar consiste em pensar nos elemen- tos e a forma de interação, entre ambos, visando minimizar riscos. A ferramen- ta Plano de Negócio é importante para qualquer negócio, evitando erros, como ponto inadequado. • Não buscar orientação para os negócios – no início, é algo bastante importante para ajudar a superar principalmente os dois primeiros anos de negócio, os quais são considerados os mais críticos. Alguns dos principais pontos ressaltados nas pesquisas de mortalidadesão a falta de plane- jamento e controle financeiro. O primeiro exige conhecimentos na área de gestão e o segundo, de organização e disciplina. Ambos podem ser resolvidos com capacitação, seja a nível de ex- tensão, técnico ou superior, por isso, novamente ressaltamos a relevância de se preparar para abrir e gerenciar um negócio. 47G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Ainda existem muitos negócios que começam sem preparação. Não podemos apenas culpar o empre- endedor, mas a falta de instrução e a necessidade de sobreviver são pontos importantes que devem ser levados em consideração. Por isso, a impor- tância de entidades que possam fornecer apoio para os negócios, haja vista que, para um país, é importante que os negócios prosperem sempre. O empreendedor tem relevância para uma sociedade. Por isso, precisa que exista um ecos- sistema favorável para empreender, porém não é só depender desse ambiente, ele também pode se adaptar por meio da capacitação para minimizar a chance de insucesso e fechamento prematuro do negócio. Conforme os dados do GEM (2014), encon- tramos que os jovens empreendedores, principalmente mulheres, estão empreen- dendo principalmente na faixa entre 25 e 34 anos. Em negócios que estão consolida- dos, encontramos mais homens na faixa a partir de 35 anos. Ainda conforme o GEM, encontramos nos negócios estabelecidos a maior parte das pessoas sem nenhuma educação ou sem concluir o ensino médio. Nos empreendedores iniciais, há um empate técnico entre pessoas que não concluíram o ensino médio com aqueles que não ter- minaram o ensino superior e que têm, pelo menos, uma graduação. Isso demonstra que as pessoas estão se preparando mais. Por isso, incentivamos você a não parar de es- tudar, ok? Não é por causa do diploma, mas pelo conhecimento que vai adquirir. Confira dados que são atualizados anual- mente acessando os estudos do GEM Brasil no link disponível em: <http://www.ibqp.org. br/gem>. Acesso em: 19 out. 2015. Fonte: adaptado de Gem (2014). Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes co ns id er aç õe s fi na is Parabéns! Você finalizou a primeira unidade! Vamos recapitular os assuntos tratados? Primeiro, apresentamos empreendedorismo para você compreender que é uma abordagem recente, mas que sempre existiu. Não queremos apenas teorizar empreendedorismo, contudo é importante para que você desvende equívocos e esteja mais preparado para empreender. Empreender é transformar uma ideia em oportunidade e isso ocorre de dife- rentes formas. Se você já é um(a) empreendedor(a) ou conhece alguém que é, saberá que existem muitas decisões a serem tomadas, obstáculos e interferên- cias que exigem pensamento rápido e capacidade de improvisação. Isso é uma realidade, porque, se não souber lidar com as diferentes variáveis que surgem por conta dos colaboradores, consumidores, fornecedores, poder público, imprensa e sociedade, haverá dificuldade para fazer o negócio sobreviver. Outro ponto foi apresentar as diferentes formas de empreender, pois uma pessoa pode herdar negócio, abrir com ou sem planejamento ou até intraempreender. Dessa forma, notamos que não existe uma regra única a ser aplicada e é isso que torna a área tão rica de informações e relacionada com a sociedade. Demos foco para as franquias porque estas têm sido uma opção lucrativa com boas taxas de crescimento. Para finalizar, concluímos a discussão com uma reflexão da importân- cia social e econômica do empreendedorismo e do papel ético, o qual se preocupa com o entorno dos empreendedores na condução dos negócios. Apresentamos formas de assessorar os negócios para saber que a citação do professor Dornelas, enfatizando a era do empreendedorismo, não é em vão. Também apresentamos as principais causas de mortalidade visando alertá- -lo(a) para não cometer os erros que observamos. Esperamos que esses conhecimentos tenham despertado a curiosidade por essa área e que tenhamos colaborado para o seu desenvolvimento pro- fissional, possibilitando para que não seja mais um número nas estatísticas de mortalidade, mas um caso de sucesso e boas práticas. Até a próxima unidade! 49G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu do1. As franquias têm se apresentado como uma ótima opção de negócios, sendo que o indicador, como o PIB das franquias, está, nos últimos anos, crescendo pelo menos 3 vezes o valor do PIB brasileiro. Com base no que foi abordado na uni- dade a respeito das franquias, leia as afirmações e assinale a alternativa correta: I. A franquia é a única forma garantida de ter lucro nos negócios no Brasil. II. A principal vantagem do franqueador é o fato de ter total controle das operações que acontecem nas unidades. III. Uma das principais obrigações do franqueador é transmitir todas as normas e procedimentos aos franqueados. IV. Existem riscos que envolvem o franqueador e o franqueado, por isso, a relação deve ser de parceria e transparência. a. ( ) Somente I e II estão corretas. b. ( ) Somente I, II e IV estão corretas. c. ( ) Somente I, III e IV estão corretas. d. ( ) Somente II e III estão corretas. e. ( ) Somente III e IV estão corretas. 2. O empreendedorismo não se resume somente a abrir negócios ou criar grandes inovações. Existe um tipo chamado empreendedor corporativo ou intraempreen- dedor, que se refere ao indivíduo que não é o proprietário do negócio, mas aquele que contribui para o crescimento do negócio com ideias e atitudes. Considerando o assunto abordado, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. O tipo intraempreendedor é o melhor dos tipos de empreendedorismo existente, conforme o que foi apresentado no material. PORQUE II. O crescimento dos negócios depende unicamente dos empreendedores que desenvolveram o negócio. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes at iv id ad es d e es tu do Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a. ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b. ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifi- cativa da I. c. ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. ( ) As asserções I e II são proposições falsas. 3. Como abordamos, o conceito de empreendedorismo está em formação, entre- tanto alguns elementos são considerados como essenciais. A partir do enten- dimento da aula e da leitura do livro, leia as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta: I. Oportunidade. II. Pessoas. III. Novos produtos. IV. Negócios. a. ( ) Somente I e II estão corretas. b. ( ) Somente I, II e IV estão corretas. c. ( ) Somente I, III e IV estão corretas. d. ( ) Somente II e III estão corretas. e. ( ) Todas as afirmações estão corretas. 51G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R le it ur a co m pl em en ta r Vale a pena empreender? Empreender não é uma tarefa fácil. Quem já está nesse caminho sabe que não é uma jornada fácil. Não há hora para começar nem terminar a jornada e isso é uma opção que pode ser perigosa. Por um lado, você pode se acomodar, porque não precisa cumprir carga horária e há pessoas querendo empreender para não ter que cumprir horário fixo. Por outro lado, a pessoa pode utilizar essa liberdade a favor para gerenciar o negócio e, ao mesmo tempo, ter mais liberdade para pensar em novidades e se dedicar à família, por exemplo. A opção é sua para escolher aquilo que for mais adequado a você. Não existe um único caminho sempre certo. Existem pessoas com mais predisposi- ção a se adaptar à realidade de empreender e obter vantagens. Se tem filhos pequenos que têm problemas de saúde e necessitam de acompanhamento constante, você pode pensar em empreender.Terá mais liberdade de horário, mas é fundamental não confundir liberdade de horário com menos responsabilidade. Você pode ter optado por estudar em nossa instituição para se capacitar sem precisar frequentar uma sala de aula todo dia por diversos motivos, porém isso não é sinônimo de facilidade e isso você perceberá ao longo do curso. Pode planejar o horário que for mais adequado, mas terá que estudar, e muito, se pretende terminar um curso a distância. Voltamos à pergunta inicial: vale a pena empreender? É um risco que você tem que pensar se quer correr. Muitas dúvidas e poucas certezas você terá ao longo da jornada e não haverá facilidades. Ou seja, é uma pergunta estritamente pessoal. Para nós, pode valer, mas, para você, não. Não é por conta disso que é medroso ou inferior a outra pessoa. Cada um tem uma personalidade e precisamos de empreendedores e colaboradores para o progresso da sociedade. Esperamos, com esse breve texto, despertar reflexões e curiosidades que lhe ajudem a amadurecer. Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes O empreendedor – empreender como opção de carreira Ronald Jean Degen Editora: Prentice Hall Sinopse: o livro é dividido em quatro partes: empreender, planejar seu negócio, desenvolver seu negócio e empreendedorismo. Nos 20 capítulos, o autor aborda de forma didática informações fundamentais para quem quer conhecer o empreendedorismo, analisar de uma forma ampla para explicar o empreendedorismo como opção de carreira, as oportunidades de negócio, o reconhecimento, avaliação e dinâmica dos negócios, a elaboração do plano de negócios, bem como maneiras de organizar e administrar o negócio, além de capí- tulos direcionados à explicação do empreendedorismo como campo de pesquisa e principais mitos sobre o empreendedorismo. Recomendamos que leia o material, elaborado pelo respeitado pesquisador Louis Filion, que trata do empreendedorismo de uma forma bastante interessante. O Empreendedorismo Como Tema de Estudos Superiores O Empreendedorismo Como Tema de Estudos Superiores – Palestra proferida no Seminário “A Universidade Formando Empreendedores”, Escola de Altos Estudos Comerciais (H.E.C.), de Montreal, em que trata das possibilidades de estudo no campo do empreendedorismo. Artigo disponível em: <https://96bed530-a-62cb3a1a-s-sites.googlegroups.com/site/ingohermannsite/ disciplinas/empreendedorismo/LouisJFilion.pdf?attachauth=ANoY7co3Kn4YEktc9UTm_h2ns0chnEqAI- jsREPBymmYiBhc_Pk2mzpWpgXw9RD5JmZad1O5cAvgPtNEPs8w5OrrPdgHU_gE4EuxC3qqJYNPNqXZiP- 0sp3estNDer1heXChwjK4EkUUqod520BPfDMSHGW6TrNx4Wu-Ua0-abvpKqr2_c0buxporOFAFxr3E39X- FhhI74OZv34ofDG8ega-jPIX-JI-Cwn9FWqZ9XgpJvUhW8pYjiL5ZoHkndgUmwVXQnr4WumyD2&attredi- rects=0>. Acesso em: 14 abr. 2015. Assista ao vídeo, produzido pelo Sebrae, que aborda casos reais. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=anRNUVhkyE0>. Acesso em: 19 out. 2015. Acesse o material indicado e entenda sobre o Global Entrepreneurship Monitor (GEM). O Empreendedorismo no Brasil – Relatório Global Entrepreneurship Monitor – GEM – Anualmente, http://www.youtube.com/watch?v=anRNUVhkyE0 53G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R esta organização divulga informações da taxa e características de países como Angola, Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Colômbia, Grécia, Etiópia, Índia, Japão, Rússia, Turquia, entre outros. Para mais informações, acesse o site disponível em: <http://www.gemconsortium.org>. Acesso em: 14 abr. 2015. O IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), em parceria com diversas organiza- ções, realiza o estudo no Brasil. Vale a pena acessar e conhecer os dados mais recentes sobre o nível de atividade empreendedora, as características dos negócios e informações de cada região brasileira. Visite o site, disponível em: <http://www.ibqp.org.br/gem>. Acesso em: 14 abr. 2015. O que é o intraempreendedorismo? Para entender, você pode assistir a uma palestra proferida pelo respeitado professor Marcos Hashimoto, acessando o link disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Kx3JrklyrNI>. Acesso em: 19 out. 2015. Cultura empreendedora e o intraempreendedorismo é uma explanação do professor Ramon Nunes sobre o assunto. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=nTxGEvXN9oE>. Acesso em: 19 out. 2015. Quer saber dados atualizados a respeito das franquias? Tipos, unidades, empregos, critérios para investir? Acesse o portal da Associação Brasileira de Franchising, disponível em: <www. abf.com.br>. Acesso em: 19 out. 2015. 7 pecados capitais das franquias. Disponível em: <http://www.youtube.com/playlist?list=PLDBA4283083EFD421>. Acesso em: 19 out. 2015. Para conhecer o trabalho desenvolvido pelas incubadoras de empresas, acesse o site da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), disponível em: <http://anprotec.org.br>. Acesso em: 19 out. 2015. Compreenda melhor a diferença entre incubadora e aceleradora lendo a reportagem feita com Cássio Spina. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/noticias/como-decidir-entre-aceleradoras-e- -incubadoras>. Acesso em: 19 out. 2015. O vídeo produzido pela Aceleratech destaca o papel e metodologia das aceleradoras. Disponível em: <http://aceleratech.com.br/o-que-e-uma-aceleradora-de-startups/>. Acesso em: 19 out. 2015. Assista a entrevista com o presidente da Brasil Junior que está dividida em duas partes. Parte 1 − disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=ExDc6oBBcb8>. Acesso em: 19 out. 2015. Parte 2 − disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=vC-PcSHKqU0>. Acesso em: 19 out. 2015. http://www.youtube.com/playlist?list=PLDBA4283083EFD421 http://anprotec.org.br http://exame.abril.com.br/pme/noticias/como-decidir-entre-aceleradoras-e-incubadoras http://exame.abril.com.br/pme/noticias/como-decidir-entre-aceleradoras-e-incubadoras http://aceleratech.com.br/o-que-e-uma-aceleradora-de-startups/ http://www.youtube.com/watch?v=ExDc6oBBcb8 http://www.youtube.com/watch?v=vC-PcSHKqU0 Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Sites que realizam financiamento colaborativo Disponível em: <http://www.consumocolaborativo.cc/sites-de-crowdfunding-financiamento-colabo- rativo-no-brasil/>. Acesso em: 19 out. 2015. O que é um investidor anjo <http://www.anjosdobrasil.net/o-que-eacute-um-investidor-anjo.html>. Acesso em: 19 out. 2015. Quem pode ajudar sua empresa a crescer Disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/noticias/quem-pode-ajudar-sua-empresa-a-crescer>. Acesso em: 19 out. 2015. Conheça a história de Robinson Chiba do China in Box Disponível em: <http://endeavor.org.br/empreendedorismo-de-pai-para-filho/>. Acesso em: 19 out. 2015. Como começar uma franquia Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=rM7SVtPQVtI>. Acesso em: 19 out. 2015. Conheça a história de Alexandre Tadeu da Costa da Cacau Show Disponível em: <http://endeavor.org.br/empreendedorismo-em-todos-os-sentidos/>. Acesso em: 19 out. 2015. http://www.consumocolaborativo.cc/sites-de-crowdfunding-financiamento-colaborativo-no-brasil/ http://www.consumocolaborativo.cc/sites-de-crowdfunding-financiamento-colaborativo-no-brasil/ http://exame.abril.com.br/pme/noticias/quem-pode-ajudar-sua-empresa-a-crescer http://endeavor.org.br/empreendedorismo-de-pai-para-filho/ http://www.youtube.com/watch?v=rM7SVtPQVtI http://endeavor.org.br/empreendedorismo-em-todos-os-sentidos/ O Empreendedor e a Oportunidade ANDERSON KATSUMI MIYATAKE BIANCA BURDINI MAZZEI A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Características e perfil do empreendedor. • Mitos sobre empreendedores e empreendedorismo. • Oportunidade e necessidade empreendedora. • Identificar as principais características que compõem perfis empreendedores • Conhecer os mitos sobre o empreendedorismo • Compreender oportunidade e a necessidade empreendedora • Identificar fontes de oportunidades empreendedoras • Conhecer o processoempreendedor Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem IntroduçãoIntrodução Olá, vamos continuar os estudos? Nesta unidade, vamos destacar dois aspectos muito impor- tantes no empreendedorismo: o empreendedor e a oportunidade. Apresentaremos esses pontos para que você consiga compreender os motivos de o empreendedorismo ser um fenômeno social tão dinâmico e que não existe uma receita mágica para ser um empreendedor de sucesso. Você pode nos questionar os motivos de esses pontos serem tão relevantes. Argumentamos da seguinte forma: o estudo sobre o empreendedor é importante, porque é possível compreen- der o que leva os empreendedores a terem sucesso. Identificaremos uma série de características listadas pelos pesquisadores que compõem uma espécie de perfil ideal. O que devemos ter em mente é que essas são listas e nos ajudam a identificar o que leva um empreendedor a ter êxito, mas não são receitas prontas. Ao estudarmos com mais profundidade, poderemos compreender que os empreendedores não são seres anormais. Existem alguns mitos, além desse, que abordaremos para que você compreenda os pontos adequados quando falamos em empreendedorismo. E, a partir daí, você também terá o papel importante de contribuir para diminuir esses mitos. Veremos que, mais do que um perfil ideal, o empreendedorismo pode ser aprendido, por isso, a formação do empreendedor torna-se essencial para que possa obter sucesso. O segundo ponto relevante é a oportunidade. É importante compreender o que é uma e o que pode favorecer para o surgimento, ou seja, o processo necessário para que se concretize em algo positivo. Existem diversos aspectos que servem como fontes de oportunidades para os empreendedores e procuraremos compreendê-los com mais detalhes. Outro aspecto é a trajetória do empreendedor, que trataremos no processo empreendedor. Esperamos que possa apreciar a segunda unidade e agregar mais conhecimentos para o seu crescimento. Vamos começar! 57 Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 59G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Características e Perfil do Empreendedor Pode ser denominado como empreendedor aquele que tem a ca- pacidade de gerar uma boa ideia, aproveitando uma oportunidade de mercado, conseguindo os recursos necessários para a sua im- plementação. Para tanto, é importante ao empreendedor possuir uma boa rede de contatos/relacionamento (networking), de maneira a formar boas parcerias e/ou redes, a fim de viabilizar sua ideia. Por isso, um comportamento ético é algo muito importante ao empreendedor. Agir preocupando-se com os demais envolvidos no processo e com a sociedade ao seu entorno promove credibilidade ao empreendedor, que precisa das demais pessoas e grupos para implementar seu negócio e mantê-lo no mercado. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Segundo Dolabela (1999, p. 44), “o empreende- dor é alguém capaz de desenvolver uma visão, mas não só. Deve persuadir terceiros, sócios, colaboradores, investidores, convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situ- ação confortável no futuro”. Para o autor, um dos principais atributos do empreendedor é a capacidade de identificar oportunidades, agar- rando-as por meio da busca de recursos para Conforme o site Empresômetro (2015), existem, no país, praticamente 15 milhões de micro e pequenas empresas ativas. Cada uma das empresas tem a frente um ou mais criadores que possuem caracte- rísticas diferenciadas. Outro aspecto que pode influenciar no perfil é o tipo de ne- gócio. No Brasil, a prestação de serviço representa 47% dos negócios, enquanto o comércio, perto de 40%, as indústrias, 7%, o agronegócio, 4,5%, e o setor financeiro, 1,3%. Entre os 6 tipos de atividades eco- nômicas, duas estão na área gastronômica. A primeira abrange lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares e a outra catego- ria engloba restaurantes e similares. Cada um dos negócios tem uma história própria e foi fundado por um ou mais indivíduos. Fonte: os autores. transformá-las em negócios de sucesso. Por isso, é preciso muita energia, perseverança e uma dose de paixão para vencer os obstáculos e continuar em frente. Sabemos que os empreendedores pos- suem características de comportamento e ha- bilidades comuns, por isso, é comum que os autores classifiquem algumas características como pertinentes aos empreendedores. No entanto é importante destacar que não existe um modelo pronto, de maneira que todo empreendedor tenha que, obrigatoriamente, ter todas as características classificadas como empreendedoras. Para Stoner e Freeman (1999, p. 119), algu- mas pesquisas têm mostrado que “fatores psi- cológicos e sociológicos, além de competências específicas, são características dos empreende- dores”. De acordo com os autores, uma pesquisa realizada por Begley e Boyd identificou cinco dimensões psicológicas dos empreendedores: • Necessidade de realização: os empre- endedores possuem um estímulo social para se superar, que algumas vezes é re- forçado por fatores culturais. • Localização do controle: é a ideia de estar no controle da própria vida. • Tolerância ao risco: os empreendedores que correm riscos moderados aparecem no topo das listas de sucesso, mais do que os que não correm risco ou correm riscos extravagantes. 61G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • Tolerância à ambiguidade: em função da busca por inovação, os empreendedores acabam vivendo determinadas situações pela primeira vez e, por isso, enfrentam mais ambiguidades. • Comportamento do tipo A: refere-se à tendência de fazer mais coisas em menos tempo e, se necessário, enfrentar as ob- jeções alheias. Ainda para os autores, é percebida nos empreen- dedores uma competência especial, que se trata de ter o desejo de iniciar um negócio aliado à habilidade ou experiência para competir com eficácia quando o negócio for iniciado. Entre uma série de características atri- buídas ao empreendedor, vamos apresentar a você dois tipos de trabalhos. O primeiro é Dornelas (2005), que lista 16 características ao empreendedor: • Visionários: possuem visão de futuro sobre seu negócio e sua vida, e habilidade para implementar sonhos. • Sabem tomar decisões: não se sentem inseguros, tomam decisões mais acerta- das e implementam rapidamente suas ações. • Indivíduos que fazem a diferença: con- seguem transformar uma ideia abstrata em negócio concreto e ainda sabem agre- gar valor aos serviços e produtos que colocam no mercado. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • Exploram ao máximo as oportunidades: curiosos e atentos às informações e ao mercado, identificando janelas estratégi- cas de equilíbrio entre uma necessidade e uma oferta de bens e serviços. Sabem que as chances melhoram quando se detém conhecimento. • Determinados e dinâmicos: implemen- tam suas ações com total comprometimen- to, superando os obstáculos encontrados. Costumam ser dinâmicos e mantêm um pouco de inconformidade com a vida. • Dedicados: comprometidos com o negó- cio e encontram energia para continuar mesmo quando encontram problemas. • Otimistas e apaixonados pelo que fazem: a paixão é o combustível que os mantêm animados, determinados e os melhores vendedores dos seus produtos e serviços, pois os conhecem melhor do que ninguém. • Independentes e constroem o próprio destino: gostam de estar à frente das mudanças e de serem donos do próprio destino, por isso gostam de criar algo novo e de traçar os próprios caminhos. • Ficam ricos: esse não é o objetivo essen- cial, pois o dinheiro é consequência do sucesso que fazem. • Líderes e formadores de equipes: normal- mente, possuem um bom senso de lide- rança e conseguem formar e conduzir bem equipes, pois sabem valorizar, estimular e recompensar seus colaboradores. Sabem que o sucesso dependeda formação de uma boa equipe, por isso, conseguem recrutar as melhores cabeças para assessorá-las. • Bem relacionados (networking): sabem construir uma rede de contatos no am- biente externo da organização, junto a clientes, fornecedores, entidades de classe e outros possíveis parceiros. • Organizados: sabem alocar racionalmen- te seus recursos, buscando o melhor de- sempenho do negócio. • Planejam, planejam e planejam: os empreendedores de sucesso costumam planejar suas ações sempre, desde os pri- meiros rascunhos do plano de negócios. • Conhecimento: reconhecem que domí- nio sobre o ramo do negócio depende do conhecimento que eles detêm sobre ele, por isso, buscam informações por meio de experiências vividas, em publicações especializadas, em cursos. • Assumem riscos calculados: o empreen- dedor sabe avaliar os riscos do seu ne- gócio, assumindo-os e gerenciando-os, avaliando suas reais chances de sucesso. • Criam valor para a sociedade: utilizam o capital intelectual para criar valor à sociedade por meio de geração de empre- gos, da contribuição para o crescimento econômico local e para a qualidade de vida da população. 63G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Como é possível perceber, existem diferentes pontos tratados que se referem à comportamen- to, à forma de encarar o ambiente, ao estilo de pensamento e de gerenciamento e os benefícios que geram para a sociedade. O segundo trabalho que também trata das características empreendedoras é de Ferreira et al. (2010). Os autores retratam dez aspectos ao empreendedor: • Necessidade de ser independente e rea- lizar: necessidade de ser o próprio patrão e atingir os objetivos planejados. • Correm riscos moderados: aceitam bem correr riscos (financeiros, emocionais ou sociais), não demasiadamente altos e nem desnecessários. • Autoconfiança: acreditam em si próprios e na capacidade para atingir os objetivos que se propõem. • Assumem responsabilidades: aceitam assumir os riscos do sucesso e do insu- cesso dos seus negócios, não atribuindo culpa aos outros e aprendendo com os erros. • Capacidade de trabalho e energia: apre- sentam grande energia, vigor e persis- tência para o trabalho. • Competências em relações humanas: normalmente, os empreendedores são indivíduos sociáveis e capazes de de- senvolver relacionamentos mesmo com desconhecidos. • Criatividade e inovação: em geral, os empreendedores são criativos e inova- dores. Desenvolvem novas abordagens, produtos e processos. • Dedicação ao negócio: possuem paixão pelo negócio e trabalham arduamente. • Persistência apesar do fracasso: mesmo no insucesso, os empreendedores de- monstram um bom nível de otimismo. • Inteligência na execução: habilidade de tornar a ideia em negócio concreto. Como é possível notar nos dois trabalhos, existe uma série de características dadas ao empreen- dedor, entretanto é importante ressaltar que, para um empreendedor ter sucesso, não precisa ter todas essas características. Se verificarmos as pessoas que são bem-sucedidas, elas possuem perfis e maneiras completamente diferentes; esses empreendedores possuem alguns aspectos em comum. Dornelas (2005) diz que algumas características estão implícitas a qualquer defi- nição de empreendedor: • Ter iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz. • Transformar o ambiente, utilizando recursos disponíveis de forma criativa. • Aceitar correr riscos calculados. Observando a definição de Hisrich e Peters (2004, p. 26), que empreendedor é um “indi- víduo que se arrisca e dá início a algo novo”, Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes pode-se perceber a clara ligação do conceito com duas características essenciais: • A postura de correr riscos, realizando planejamentos a partir de uma visão de futuro, a fim de que as oportunida- des possam ser aproveitadas e os riscos possam ser calculados. • Iniciativa e criatividade para desenvol- ver um novo negócio. Apesar de algumas diferenças nas características empreendedoras apontadas pelos autores, de ma- neira geral, verificamos semelhança de conceitos, o que demonstra, mais uma vez, que o empre- endedor é um indivíduo com um perfil próprio e específico. Nem todos os empreendedores são organizados, pacientes e com boa oratória, mas isso não quer dizer que são menos empreendedores. De acordo com Malheiros, Ferla e Cunha (2005, p. 17): o empreendedorismo é definido como um comportamento e não como um traço de personalidade. Segundo esse ponto de vista, as pessoas podem aprender a agir como empreendedores, usando para isso ferramentas baseadas no interesse em buscar mudanças, reagir a elas e explo- rá-las como oportunidade de negócios. Outro aspecto importante a ser retratado, ao falarmos sobre o empreendedor, são as moti- vações pessoais. Segundo Ferreira et al. (2010), a decisão de empreender, normalmente, surge de duas inspirações: • Mudança no estilo de vida atual – por situação de desemprego, aposentadoria, formação recente, descontentamento com relação ao empregador atual. • Opção de carreira – preparam-se efeti- vamente para serem empreendedores. Eduardo sempre pensou em abrir uma em- presa, porém não tinha capital para isso. Um dia, quando menos esperava, ficou desempregado e sem muitas alternati- vas na área em que trabalhava. Resolveu apostar junto com um amigo, em uma festa regional, vendendo pamonha. Apesar de boas vendas, teve muita dificuldade com a produção, por não ter experiência, nem os equipamentos necessários. Como foi procurado por clientes que queriam com- prar novamente, resolveu apostar nesse produto. Começou sem estrutura e pla- nejamento, jovem, casado, com perfil im- paciente, mas sua consolidação se deu com estudo e planejamento. Construiu um negócio de sucesso que não para de crescer, tendo como base o milho. Esse crescimento se deu porque percebeu que só conseguiria se manter no mercado, se fizesse planejamento. Fonte: os autores, baseado em fatos reais. 65G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R É importante que seja considerada a história do empreendedor. Para Ferreira et al. (2010), alguns aspectos da história do empreendedor parecem fazer grande diferença na decisão de empreender. São eles: • Ambiente familiar na infância: alguns estudos mostram que há propensão em ser um empreendedor se o pai ou outro familiar também o for. Isso porque, além da fonte de inspiração, costuma haver maior incentivo de valores, como inde- pendência, conquista e realização. • A educação: a formação é importante para ajudar o empreendedor a gerenciar os problemas que enfrentará e para ad- quirir conhecimentos específicos de sua área de atuação. • Os valores pessoais: indivíduos bem- -sucedidos costumam ter valores, como liderança, criatividade, sucesso, trabalho, ética, objetivos e outros. • A experiência profissional prévia: o histórico profissional tem demonstrado forte impacto positivo (quando há expe- riência profissional prévia sobre a área de atuação do negócio) e negativo (quando da ausência de conhecimentos prévios) sobre as carreiras empreendedoras. Como você percebeu até agora, são inúmeras características atribuídas aos empreendedo- res que obtêm sucesso. Não é necessário ter todos esses atributos para ter sucesso. Cada um possui traços peculiares, criados em dife- rentes contextos familiares, mercado, negócios e realidades. Perceba que em pessoas que têm sucesso nos negócios, o ingrediente “dedicação” é comum. Se pretende empreender, tenha sempre na cabeça que precisará aprender sempre e perseverar para obter sucesso. Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 67G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Mitos Sobre Empreendedores e Empreendedorismo Até pouco tempo, a definição do empreendedorera carregada de muitos mitos, trazendo alguns estigmas inadequados e até proble- mas para a implementação de carreiras empreendedoras de sucesso. Isso porque se pensava que o empreendedor deveria possuir todas as características empreendedoras que apresentamos anteriormen- te e também porque o estímulo a iniciativas empreendedoras não era feito de forma adequada. Para Dornelas (2005, p. 35), são três os principais mitos sobre os empreendedores: Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 1. “Empreendedores são natos, nascem para o sucesso”: embora alguns em- preendedores nasçam com certo nível de inteligência, para obter sucesso, é necessário estar preparado. Eles acumulam habilidades, experiências e contatos com o tempo e a capacidade de ter visão e perseguir oportunidades pode ser desenvolvida e aprimorada. 2. “Empreendedores são jogadores que assumem riscos muito altos”: os em- preendedores de sucesso só assumem riscos calculados, evitam riscos des- necessários, compartilham os riscos e desmembram em partes menores. O planejamento é um importante instrumento. 3. “Os empreendedores são ‘lobos soli- tários’ e não conseguem trabalhar em equipe”: normalmente, os empreende- dores são ótimos líderes, criam equipes competentes e desenvolvem um excelen- te relacionamento interpessoal. Ferreira et al. (2010), além desses mitos sobre os empreendedores já descritos, apontam mais 12 aspectos: 1. Qualquer um pode iniciar um negócio: na realidade, é preciso ter conhecimento sobre o negócio, para que o empreende- dor tenha chance de sucesso, apenas boa vontade não é suficiente. 2. Há a necessidade de protagonismo: o empreendedor de sucesso sabe valorizar sua equipe, reconhecendo o trabalho de cada um. 3. Trabalham muito: o empreendedor normalmente dedica muita energia à realização do seu negócio, mas isso não significa que ele não tenha tempo para a família, o lazer e a busca por formação. 4. Iniciam negócios de risco: só iniciam negócios com riscos calculados, conhe- cem a viabilidade do negócio para fazer o investimento. 5. O empreendimento é apenas para os ricos: os empreendedores costumam ter boas ideias e viabilizar a sua implementa- ção, para isso, acabam por buscar várias formas de financiamento. 6. Idade é uma barreira: não há idade para ser empreendedor. Os estudos apontam que a maioria dos empreendedores cor- responde aos jovens entre 18 e 35 anos. 7. São motivados pelo dinheiro: outras mo- tivações, como realização pessoal, indepen- dência e liberdade também fazem parte do interesse do empreendedor. A realização de um sonho pode ser a maior delas. 8. Procuram o poder e o controle sobre os outros: o empreendedor de sucesso tem se mostrado um bom líder, que envolve sua equipe e não tem energias para gastar com disputa de poder e controle sobre os outros. 69G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R 9. Se tiverem talento, o sucesso chega em um ou dois anos: não há medida de tempo para o sucesso. E, ainda, não é apenas a falta de talento que faz um negócio não ter sucesso, obstáculos de mercado também podem provocar o insucesso de um negócio. 10. Qualquer pessoa com uma boa ideia pode enriquecer: apenas uma boa ideia não é suficiente para o sucesso do ne- gócio, pois também é preciso que exista uma oportunidade de mercado. 11. Tendo dinheiro é fácil falhar: o capital não é suficiente para suportar falhas contínuas em um negócio, por isso, o planejamento, mais uma vez, aparece como ferramenta para evitar a falha. 12. Os empreendedores sofrem de estres- se: o empreendedor precisa ter cautela e energia para fazer seu negócio dar certo, por isso, também precisa se re- equilibrar com atividades de lazer e descanso. O estresse só atrapalha o negócio. A partir das discussões apontadas pelos autores, é possível perceber que o empreendedor preci- sa se preparar para implementar seu negócio, por isso, a importância do planejamento no processo de implementação do negócio e na formação e profissionalização do empreendedor. Os mitos criam tipos ideais de empreendedores que devem ser somente de uma forma, pos- suindo dinheiro e sendo natos, mas esses casos são raros. A maior parte dos empreendedores começa com pouco ou quase nada e, aos poucos, vai construindo sucesso. O número de jovens empreendendo é cada vez mais comum, conforme estatísticas do GEM. Na área de Gastronomia, há casos de sucesso, como Helena Rizzo (Maní) e Regina Tchelly (Favela Orgânica). Fonte: os autores. Empreender não é fácil e exige que a pessoa esteja disposta a viver fora da zona de con- forto, com incertezas, desafios, em que erros e acertos façam parte da rotina. É importan- te deixar claro que o erro faz parte da vida humana e todos vão errar em algum momento. O aspecto que se destaca no empreendedor é superar as adversidades e aprender com os erros. O medo do erro é normal e todos têm, uns menos, outros mais. Saber lidar com a perda que é o diferencial. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Para ser empreendedor, é importante ter conhecimento e isso se busca por meio do estudo. Em vários momentos, terá que impro- visar e encarar momentos que não estavam pla- nejados, sendo necessário ter um bom “jogo de cintura” e capacidade de resolver situações. Mas quanto mais esse improviso tiver uma base con- sistente de conhecimentos, menor será o risco. Empreender não depende de um tipo de característica e uma forma de ser. Depende de uma ou mais pessoas comprometidas a trans- formarem uma ideia em algo concreto. É funda- mental também não ficar preso aos preconceitos e estigmas da sociedade. Ter iniciativa e não desistir do sonho é importante, entretanto sempre escolha a opção pelo caminho do bem. O empreendedor tem um sonho de melhorar a vida da sociedade por meio do negócio e não somente enriquecer. Se você pensar somente nisso, já está começando errado. Vamos apresentar para você alguns mitos e o que acontece na realidade. Conforme Timmons (1994 apud DOLABELA, 2006, p. 74-76), existem diversos mitos que devem ser esclarecidos. MITO 1 Empreendedores não são feitos, nascem. Realidade — A capacidade criativa de identificar e aproveitar uma oportunidade vem depois de dez anos de experiência, tempo que conduz a um reconhecimento de padrões. O empreendedor se faz por meio de acumulação de habilidades, know-how, experiência e contatos em um perí- odo de alguns anos. É possível alguém aprender a ser empreendedor. MITO 2 Qualquer um pode, em qualquer tempo, co- meçar um negócio. Realidade — Os empreendedores que reconhe- cem a diferença entre ideia e oportunidade e pensam grande o suficiente têm maiores chan- ces de sucesso. A parte mais fácil é começar. Difícil é sobreviver. Talvez somente uma, entre dez a vinte novas empresas que sobrevivem por cinco anos ou mais, consiga obter ganhos de capital. MITO 3 Empreendedores são jogadores. Realidade — Empreendedores de sucesso as- sumem riscos calculados, minimizam riscos, tentam influenciar a sorte. MITO 4 Empreendedores querem o espetáculo só para si. Realidade — O empreendedor individual produz uma receita que lhe permite somente “ganhar a vida”. É difícil desenvolver e manter sozinho um negócio de alto potencial. Os empreendedores de sucesso constroem uma equipe, porque 100% de nada é nada e eles trabalham para aumentar o bolo, em vez de tirar a maior parte dele. 71G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R MITO 5 Empreendedores são seus próprios chefes e completamente independentes. Realidade — Estão longe de ser independentes e servem a muitos senhores (sócios, investidores, clientes, fornecedores, empregados, credores, família). MITO 6 Empreendedores trabalham mais tempo e mais duro do que gerentes em grandes empresas. Realidade — As pesquisas,às vezes, dizem que sim, às vezes, que não. MITO 7 Empreendedores experimentam grande es- tresse e pagam alto preço. Realidade — É verdade, embora não mais que em outras profissões, contudo eles acham seu trabalho mais gratificante. São mais ricos e não querem se aposentar (a proporção é de 3 para 1, em relação aos empregados). MITO 8 Começar um negócio é arriscado e frequente- mente acaba em falência. Realidade — Os empreendedores talentosos e experientes (que sabem identificar e agarrar oportunidades e atrair recursos financeiros e outros) frequentemente alcançam o sucesso. Além disso, a empresa pode entrar em falência e o empreendedor, não. A falência é, muitas vezes, o fogo que tempera o aço da experiência de aprendizado do empreendedor. MITO 9 O dinheiro é o mais importante ingrediente para se começar um negócio. Realidade — Com um bom Plano de Negócios e capacidade de buscar recursos, fica mais fácil conseguir dinheiro. Se existir talento, o dinheiro virá. Nem sempre o empreendedor que tem dinheiro terá sucesso. O dinheiro é um dos in- gredientes menos importantes. O dinheiro é para o empreendedor o que o pincel e a tinta são para o pintor: ferramentas inertes que, nas mãos certas, podem criar maravilhas. Mesmo depois de ter feito alguns milhões de dólares, o verdadeiro empreendedor irá trabalhar inces- santemente em uma nova visão para construir outra empresa. MITO 10 Empreendedores devem ser jovens com muita energia. Realidade — Idade não é barreira. A idade média dos empreendedores de sucesso é de 35 anos, mas há numerosos exemplos de empreendedo- res de 60 anos de idade. O que é importante: know-bow, experiência e relações. MITO 11 Empreendedores são motivados pela busca do todo-poderoso dólar. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Realidade — Empreendedores de sucesso buscam construir empresas nas quais possam realizar ganhos de capital a longo prazo. Não procuram satisfação imediata de grandes salários e “enfeites”. Buscam realização pessoal, controle do próprio destino e realização dos seus sonhos. O dinheiro é visto como uma ferramenta. MITO 12 Empreendedores buscam poder e controle sobre terceiros. Realidade — O poder é, antes, um subproduto do que uma força motivadora. O empreendedor busca responsabilidade, realização e resultados. MITO 13 Se o empreendedor é talentoso, o sucesso vai acontecer em 1 ou 2 anos. Realidade — Raramente um negócio tem so- lidez em menos de 3 ou 4 anos. Máxima entre os capitalistas de risco: “o limão amadurece em 2,5 anos, mas as pérolas levam 7 ou 8”. MITO 14 Qualquer empreendedor com uma boa ideia pode levantar capital. Realidade — Nos Estados Unidos, somente de um a três, em cada 100, conseguem capital. MITO 15 Se um empreendedor tem capital inicial sufi- ciente, não pode perder a chance. Realidade — O oposto é frequentemente ver- dade, isto é, muito dinheiro no princípio pode criar euforia e a “síndrome da criança mimada”. O autor ainda menciona outro mito: MITO 16 Empreendedorismo é coisa de rico? Essa ideia é outro mito, geralmente registrado em países pobres. Realidade — Pessoas e comunidades pobres podem e devem empreender, pois tem sido de- monstrado que o empreendedorismo pode gerar renda de forma sustentável. Temos exemplos em vários países do mundo, e também no Brasil, de atividades apoiadas por empréstimos de microcré- dito que permitem aos indivíduos sair do nível de miséria em que viviam. Por essa razão, devemos, necessariamente, no Brasil, trabalhar em duas frentes: estimular tanto o empreendedorismo de base tecnológica, que gera alto valor agregado, quanto o empreendedorismo em comunidades carentes, que, se não produz aumentos substan- ciais no PIB, é capaz de gerar dignidade. Agora que você já sabe de tudo isso, com- partilhe com os seus amigos. Não deixe que os mitos atrapalhem pessoas com excelentes ideias, dispostas a transformá-las em grandes negócios. Empreender é possível para qualquer um, em qual- quer momento da vida, independente de classe social, sexo, religião ou idade. O mais importante é ter uma ideia, muito engajamento para concreti- zar um projeto e reconhecer o valor das pessoas. 73G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 75G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Oportunidade e Necessidade Empreendedora Uma oportunidade ou uma necessidade são formas de realização do empreendedorismo, ou seja, o empreendedorismo ocorre quando há uma oportunidade ou uma necessidade. Torna-se possível em função das possibilidades para fazer algo diferente, por isso, é importante estudar e compreender o que há em volta do contexto em que vivemos. Na gastronomia, as oportunidades e necessidades para o empreendedorismo estão voltadas a restaurantes, consul- torias, cardápios e serviços terceirizados. A oportunidade surge da interação de diferentes fatores, con- forme podemos ver na Figura 01. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Por meio da figura, é possível compreender que uma oportunidade pode ocorrer quando há mudança social, regulamentar, econômica e tecnológica. Com isso, o aumento da renda da população pode constituir um ambiente propício para criar novos produtos, serviços, matérias-primas, métodos de produção e formas de organização, ou seja, uma única fonte de oportunidade, como uma mudança econômica, pode gerar as cinco formas de oportunidade. Para isso, é necessário que a janela da opor- tunidade esteja aberta para implementar uma mudança (BARON; SHANE, 2010). As novas empresas costumam ser baseadas em uma ideia de negócio, que normalmente surge em função de uma oportunidade de mercado. Assim, podemos dizer que as novas empresas são frutos de pessoas com iniciativas empreen- dedoras que se dispõem a correr o risco de imple- mentar uma ideia, baseada na percepção de uma oportunidade (FERREIRA et al., 2010). Uma oportunidade caracteriza-se por um conjunto de circunstâncias favoráveis que cria o desejo de um novo produto ou serviço. Conforme Ferreira et al. (2010), uma boa oportunidade deve conter quatro qualidades essenciais: Figura 01: Aspectos que influenciam a oportunidade Fonte: adaptada de Baron e Shane (2010, p. 13). OPORTUNIDADE MUDANÇA SOCIAL por exemplo: rápido aumento no número de mulheres que trabalham fora. por exemplo: lei que incentiva a produção de determinado produto. por exemplo: aumento da renda disponível. por exemplo: criação de nova tecnologia para produzir, armazenar e vender. MUDANÇA REGULAMENTAR MUDANÇA ECONÔMICA MUDANÇA TECNOLÓGICA 77G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Nos últimos anos, o número de restau- rantes e bares tem aumentado e está entre os 6 mais numerosos tipos de negócios no Brasil. Analisando essa in- formação, Fernanda percebeu que seria uma ótima oportunidade abrir um res- taurante self-service de baixo custo no centro da cidade, porque notou uma mudança social com mais pessoas no mercado de trabalho, principalmente mulheres, com isso, as pessoas têm que fazer a refeição fora de casa. A renda familiar com mais pessoas da família trabalhando permite que abra também nos finais de semana porque as pessoas podem sair para comer e também para consumir de forma geral. Com um sis- tema informatizado, ela sabe o número de pessoas que frequenta, quem são e quanto consomem, permitindo que ela ofereça descontos e vantagens para os clientes mais assíduos. Aproveitando o acesso a crédito com juro baixo que o governo vem oferecendo para donos expandirem os negócios, Fernanda tem feito o restaurante expandir e se tornar bem popular na cidade. Toda essa situação foi possível porque a janela de oportunidade estava favorável, ou seja, o momento permite que ela ex- plore essa possibilidade.Fonte: caso fictício criado pelos autores. 1. Ser atrativa. 2. Durável. 3. Estar disponível no momento e local certos. 4. Possibilidade de ser transformada em um produto ou serviço que agregue valor ao cliente. Por outro lado, segundo os autores, uma ideia está associada à criatividade e pode ser definida como um pensamento ou noção, que pode ter, ou não, as qualidades de uma oportunidade. As ideias nem sempre podem ser implementa- das, por isso as boas ideias não são sinônimo de sucesso. O que garante sua possibilidade de implementação é uma oportunidade, também chamada de uma janela estratégica de mercado, cujo desejo do consumidor pode ser traduzido em um produto ou serviço. Os empreendedores precisam estar atentos ao ambiente externo da organização, a fim de identificar as oportunidades presentes. Esse ambiente se refere a acompanhar notícias nos meios de comunicação, observar novas tecnologias que estejam sendo aplicadas ou serão tendências nas empresas do setor, observar a atuação dos concorrentes visando identificar segmentos de mercado e, a partir disso, conhecer os hábitos e os gostos dos consumidores. Você deve estar atento às novidades que ocorrem na gastronomia, presentes em sites e blogs especia- lizados, para saber como está se comportando o mercado, em especial na região em que atua. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes O empreendedor precisa estimular a criação de novas ideias, cujo processo, na maioria das vezes, acontece coletivamente e de forma criati- va. Para Ferreira et al. (2010), criatividade é ter a capacidade de olhar para as mesmas coisas de maneira diferente, por outro ângulo. O fomento de novas ideias acontece por meio do estímulo à criatividade da sua equipe de trabalho. Muitos empreendedores já promo- vem ou incentivam a participação em cursos de outros idiomas, de pintura e artes, de gincanas e atividades recreativas, a fim de estimular o hemisfério cerebral direito, que é responsável pela criatividade. Com as atividades rotineiras estabilizadas, tendemos a usar apenas o he- misfério esquerdo do cérebro e acabamos por boicotar nossa criatividade. Read et al. (2011) apresentam uma série de fontes que inspiram novas ideias, como: • Satisfação e insatisfação pessoal – quando uma pessoa está insatisfeita, ela buscará por algo que possa satisfazer essa necessidade. • Conhecimento de mercado – as pessoas que conhecem o mercado sabem as parti- cularidades e tendências. Por isso, é sempre recomendado investir em cursos de forma- ção e entender como funciona o mercado gastronômico, pois minimiza os riscos. • Hobby – se o indivíduo gosta de cozi- nhar, se aprimorar nas técnicas da área e passar a empreender naquilo que gosta. • Ideias confiáveis – consultores e pes- quisadores especializados no assunto podem fornecer ideias confiáveis pelo nível de conhecimento que possuem. • Brainstorming – a técnica de estimular ideias é bastante interessante para gerá- -las. Reuniões com a equipe para discu- tir novas receitas, formas de melhoria, adaptação de pratos, aprimoramento de técnicas trazem benefícios a todos. • Novidades e notícias – jornais, revistas e sites podem ser fontes incentivadoras para os empreendedores. • Começo pequeno que cresce – negócio estabelecido que vai crescendo ao longo dos anos. • Exposições de equipamentos – eventos que contenham inovações tecnológicas são sempre boas oportunidades para os empreendedores pensarem em ideias de negócios. • Patentes – a observação de patentes con- tribui para o surgimento de novas ideias pela exposição a diferentes invenções. No caso da gastronomia, a observação e degustação de pratos pode influenciar na ideia de fazer adaptações de receitas. • Agências de governo – podem incentivar ideias empreendedoras, quando possibi- litam e incentivam a inovação. • Transferência tecnológica – uma tecno- logia transferida permite, a quem recebe 79G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R a tecnologia, criar novas oportunidades de negócio. • Feiras – participar de feiras ou eventos gastronômicos é uma ótima possibili- dade de conhecer e pensar em novas oportunidades. • Ideias de clientes – ouvir os clientes é sempre importante, porque eles podem sugerir ideias ao aperfeiçoamento dos produtos ou mesmo criar outros. Não existem regras que essas sejam apenas as únicas formas. Com as novas tecnologias sur- gindo e nosso ambiente mudando, novas manei- ras de encontrar oportunidades podem surgir. Assim como destacamos nas características empreendedoras, para as fontes de oportunida- des, precisamos levar em consideração aspectos considerados por Hisrich e Peters (2004), como: experiência educacional, situações familiares e vivências profissionais. Após o processo de geração de ideias, é pre- ciso avaliá-las, identificando aquelas que pos- suem melhor viabilidade de implementação e, em seguida, desenvolver um plano de execução dela. Também é importante se preocupar com uma forma de proteção das ideias já elaboradas por meio de registros e patentes. Como compre- endemos a oportunidade empreendedora, pode- mos estudar, agora, o processo empreendedor, ou seja, desde a ideia, até que ela se torne reali- dade e proporcione benefícios ao empreendedor. O modelo de Baron e Shane (2010) é bas- tante interessante porque demonstra o processo conforme etapas e as variáveis de diferentes grupos que podem influenciar tanto positiva quanto negativamente, assim como demonstra a Figura 02. Figura 02: Processo empreendedor de Baron e Shane (2010) Fonte: adaptada de Baron e Shane (2010, p. 16). TEMPO Todas as fases são in�uenciadas por esses três níveis de variáveis Ideia e reconheci- mento de oportuni- dades Decisão inicial de prosseguir Reunir recursos (humanos, informações, �nanceiros) Variáveis em nível grupal (por exemplo: ideias, informações de outras pessoas, e�cácia nas interações com capitalistas de risco, clientes, potenciais funcionários) Variáveis em nível social (por exemplo: políticas governamentais, condições econômicas, tecnologia) Variáveis em nível individual (por exemplo: técnicas, motivações, características dos empreendedores Lançamento da nova empresa Construção de negócio de sucesso Colheita das recompensas (saída dos fundadores) Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes A partir desse modelo dos autores, podemos notar que existem seis etapas no processo. Cada uma delas recebe a influência de variáveis in- dividuais, grupais e sociais. Nesses modelos, é relevante ressaltar que o empreendedorismo não é um processo linear, como ocorre em uma linha de produção. Pelo contrário, existem diversos fatores que influenciam esse processo que o torna dinâmico. A ideia pode ser transformada em oportunidade em questão de semanas, meses e até anos, pois condições desfavoráveis levam o empreendedor a não conseguir levá-la adiante conforme deseja. O fato de ter uma ideia, deci- dir prosseguir com a ideia e reunir os recursos para abrir o negócio não quer dizer que isso vai dar certo. Pode ser necessário alterar a ideia, pois o contexto foi alterado e não é mais pos- sível transformar uma ideia em oportunidade. Pesquisas apontam que a cada 10 negó- cios, 07 são por oportunidade e 03, por necessidade. Atualmente, percebe-se que as franquias na área de alimentação estão dando grandes saltos, desde as redes de fast-food, até confeitarias e rotisseries. Fonte: os autores. Essa situação pode acontecer nas outras etapas, influenciada pelas variáveis de nível individual, grupal e social. Esse modelo pode ser aplicado aos diferentes tipos de empreendedores. Para quem empreendeu por necessidade, o processo é mais intuitivo e sem muito planejamento, podendo influenciar no cumprimento das etapas. Para quem empreendeu por oportunidade,as fases foram passadas com mais precaução e análise das informações do ambiente para minimizar riscos. No empreendedorismo, é importante compreender que somente ideias não solucio- nam problemas ou otimizam situações, as mu- danças só ocorrem quando você decide colocar em prática. Não adianta reclamar se você teve uma boa ideia e, depois de alguns meses, vê essa ideia aplicada com um empreendedor ganhando dinheiro com isso. Não é pelo simples fato de ter ideias brilhantes que a consequência será o sucesso. A forma como será executado e a adaptação conforme o ambiente em que está inserido é fundamental. Caso decida implementar a ideia, é necessário ter conhecimentos diversos ou ter pessoas na equipe gerencial que tenham essas informações, ou ter contato com profissionais que saibam resolver o seu problema. Esses co- nhecimentos se referem aos procedimentos e documentos necessários para abrir uma empre- sa, o gerenciamento do estoque, o controle da parte financeira, incluindo impostos e capital de giro, a estrutura em Marketing necessária. 81G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R É necessário esperar que a janela da oportunidade esteja favorável, ou seja, que existam condi- ções propícias para apostar na ideia e transformar a ideia em uma oportunidade de negócio de sucesso. Um bom exemplo da influência do ambiente no processo empreendedor é a história da empresa Restaurante Web. Imagine abrir um site para vender comida pela internet no início dos anos 2000, quando poucos tinham acesso à internet banda larga. O processo empreendedor ini- ciou, mas foi interrompido no momento de reunir recursos e, posteriormente, voltou com a ideia e conseguiu transformar em oportunidade. Hoje, o site unifica o serviço delivery de mais de 1000 restaurantes. Com esse exemplo, é possível entender que, mesmo com uma excelente ideia, nem sempre é possível ter sucesso, é necessário esperar o momento em que a janela da oportunidade permita um contexto favorável. Fonte: Moreira (2011a) (2011b) e Sá (2012). Como vimos, para os empreendedores, não é fácil criar e gerenciar negócios. Cada um passa por situações diferentes e age de acordo com as características pessoais e conforme o ambiente no qual estão inseridos, por isso encontramos tanta diversidade no empreendedorismo. A oportunidade não cai do céu, ela “só” aparece para quem está alerta e atento ao contexto em que vive. Esse é um dos motivos que faz uma pessoa ter uma ideia de negócio que se transforma em oportunidade e outro indivíduo que mora na mesma rua não perceber poten- cialidade na mesma ideia. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes co ns id er aç õe s fi na is Para concluir, vamos relembrar os principais aspectos discutidos na unidade II. Começamos discutindo o empreendedor, bem como suas características fundamentais para compor tal perfil. Descobrimos que não há um modelo pronto e acabado de empreendedor e que as características discutidas são apenas aspectos que podem apontar a presença do perfil no indivíduo. Os mitos que pairam sobre a figura do empreendedor foram discutidos a fim de des- mitificar o empreendedorismo e verificar a importância da busca pela profissionalização, pois não basta apenas contar com a sorte ou ter boas ideias para que o empreendimento tenha sucesso. Assim, foi possível perceber que ser empreendedor não consiste em acertar sempre, mas, principalmente, em planejar bem para que os riscos e possibilidades de fracassos possam ser calculados, bem como a capacidade de sucesso. Para isso, é preciso aprender a analisar e a perceber as oportunidades de negócios, por meio do levantamento de informações, busca de conhecimento e desenvolvimento de análises. Criar uma cultura de criatividade e trabalho em grupo também é muito importante em um meio onde a inovação é o que faz a diferença. O processo de geração de novas ideias apenas contribui para que essa inovação atenda a uma oportunidade de mercado. Considerando a importância do papel do empreendedor nas organizações e na sociedade atual, verificamos, ainda, que cabe a cada um dos interessados buscar essa formação. Uma vez que o empreendedor não nasce pronto e que existem dúvidas e questionamentos sobre a questão de ensinar a ser um, é preciso buscar aprender e de- senvolver as capacidades ligadas ao espírito empreendedor. Esperamos que, com as discussões propostas nesta unidade, tenhamos colaborado com o seu conhecimento acerca do empreendedor e da busca pela profissionalização no caminho do sucesso da implementação dos seus negócios. Continue firme na jornada de estudos! 83G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu do1. Várias são as características empreendedoras, que compõem o perfil empreendedor, e foram apresentadas pelos autores estudados nesta unidade. Com base no que foi abordado na unidade, a respeito do perfil empreendedor, leia as afirmações e assinale a alternativa correta: I. O empreendedor deve estar disposto a correr riscos, cabendo avaliar se vale a pena pros- seguir ou não. II. O perfil de todo empreendedor deve reunir todas as características mencionadas pelos autores. III. Iniciativa é uma característica importante para os empreendedores superarem as dificuldades. IV. Senso de independência é uma das características apontadas do perfil empreendedor. a. ( ) Somente I e II estão corretas. b. ( ) Somente I, II e IV estão corretas. c. ( ) Somente I, III e IV estão corretas. d. ( ) Somente II e III estão corretas. e. ( ) Somente III e IV estão corretas. 2. O processo empreendedor foi um dos temas abordados nesta unidade. A partir da compre- ensão do modelo de Baron e Shane (2010), avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I. As etapas propostas visam apresentar os diferentes momentos por quais passa o empre- endedor desde o momento em que teve a ideia de negócio. PORQUE II. É importante estar atento às variáveis que podem influenciar a vida do empreendedor, podendo interferir ou mesmo contribuir no desenvolvimento do negócio. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a. ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b. ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c. ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. ( ) As asserções I e II são proposições falsas. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes at iv id ad es d e es tu do 3. Um empreendedor pode ter uma ideia de diferentes formas, como foi relatado no material. No Brasil, temos milhões de negócio e cada um foi originado de uma forma, podendo ser categorizadas de maneira bastante ampla, porém cada uma tendo um contexto único. A partir da leitura do livro, leia as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta: I. Um indivíduo pode copiar a ideia de um negócio que esteja fazendo sucesso e abrir um negócio. II. O empreendedor pode ter sido influenciado pela existência de familiares empreendedores. III. A inspiração de empreender pode ter ocorrido depois de participar de eventos. IV. Uma necessidade própria é um motivo que pode fazer um indivíduo empreender. a. ( ) Somente I e II estão corretas. b. ( ) Somente I, II e IV estão corretas. c. ( ) Somente I, III e IV estão corretas. d. ( ) Somente II e III estão corretas. e. ( ) Todas as afirmações estão corretas. 85G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R le it ur a co m pl em en ta r Essa pode ser uma dúvida que surgiu durante a leitura da unidade e o objetivo deste texto é justificar os motivos. Se o empreendedorismo é tão dinâmico e prático, por que aprender isso? É realmente importante? A resposta é positiva. Apesar deo empreendedorismo se referir a ações práticas, é essencial compreender o processo empreendedor, que é uma parte mais teórica, porque se torna relevante compreender o comportamento do empreendedor, desde o momento em que tem a ideia até quando o negócio obteve sucesso. Conhecendo as dificuldades, os passos e as ações dos empreendedores, será possível criar teorias, treinamentos e orientações para aqueles que se interessam por essa área de negócios. As teorias são fundamentais para refletir a respeito de traços ou contextos que influenciam o empreen- dedor, permitem compreender quais as principais dificuldades que levam ao fechamento de empresas, as peculiaridades existentes do empreendedor, seja jovem, adulto, idoso, deficiente, independente do gênero, além de compreender características regionais. Isso se torna importante para a criação de cursos, políticas públicas e treinamentos na área de empreendedorismo. Os treinamentos são essenciais para que os empreendedores estejam mais prepara- dos para lidar com o mercado, que é bastante dinâmico, que compreendam a relevância do planejamento, do conhecimento gerencial, do conhecimento de mercado e de tratar bem as pessoas. Compreendendo os aspectos envolvidos em uma oportunidade, é possível se pre- venir erros e minimizar as dificuldades. Por exemplo, compreendendo que, para uma oportunidade se tornar concreta, é preciso saber que existem contextos econômicos, sociais, políticos, tecnológicos, individuais, que influenciam a todo o momento o empre- endedor. Ao conhecer o impacto de cada variável, é possível se preparar para minimizar. Vale ressaltar que, para cada empreendedor, os impactos podem ser diferenciados, por isso, ao ter uma abordagem geral, o indivíduo poderá ter uma ideia do que enfrentará ao longo do negócio, caso venha a abrir. Para alguns empreendedores, o processo empreendedor é intuitivo, principalmente para aqueles que não planejam. Eles têm a ideia, começam a pensar no que fazer e vão Por que compreender a oportunidade e o processo empreendedor em empreendedorismo? Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes le it ur a co m pl em en ta r atrás dos recursos, podendo dar certo ou não. Caso a resposta for negativa, eles mudam de ideia ou tentam adaptar a situação à ideia inicial para prosseguir. Se tudo fica apenas na mente do empreendedor, fica difícil estabelecer o momento e o tempo que dura cada etapa. Caso ele se preparar e expor o que quer e o que precisa, por meio de registros, fica mais fácil identificar cada etapa. Para finalizar, por que compreender a oportunidade e o processo empreendedor em empreendedorismo? Para os pesquisadores da área, a compreensão do processo permite estruturar formas de auxiliar o empreendedor na difícil jornada que inicia a partir da ideia. Para o empreendedor, ele ao menos conhecerá as dificuldades que pode enfrentar em cada etapa da vida profissional e poderá se preparar para minimizar os impactos. Fonte: os autores. 87G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R m at er ia l c om pl em en ta r Empreendedorismo - Transformando ideias em negócios José Carlos Assis Dornelas Editora: Elsevier Sinopse: este livro contribui para a elaboração do plano de negócios. O livro começa abordando o processo empreendedor e passa por cada uma das etapas até a abordagem do plano de negócios. Além de apre- sentar sugestão de estrutura, explica o que é necessário para criar um plano e também como buscar recursos, assessoria e questões legais de constituição da empresa. No final do livro, há um plano de negócios pronto. Cada capítulo contém resumo e estudo de casos que contribuem para o aprendizado. Teste seu Perfil Empreendedor Está preparado(a) para empreender? Se quiser saber o seu perfil de empreendedor(a), faça o teste do SEBRAE, que pode ser indicado para orientar o empreendedor. Disponível em: <http://www.perfildoempreendedor.com.br/>. Acesso em: 04 nov. 2015. A diferença entre ser Empreendedor e ser Empresário Compreenda a diferença entre empreendedor e empresário nesta reportagem elaborada por Millor Machado, disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/dicas-de-especialista/noti- cias/a-diferenca-entre-ser-empreendedor-e-ser-empresario>. Acesso em: 20 out. 2015. Dicas para ter Boas Ideias Vídeo explicando a origem das boas ideias, de autoria de Steven Johnson, do Book Trailer: De onde vêm as boas ideias. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=g6tgH2dWx5c>. Acesso em: 20 out. 2015. O que você faz com os seus sonhos? Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=MnW3sjHsHg4>. Acesso em: 20 out. 2015. Histórias de empreendedores e vídeos sobre empreendedorismo Disponível em: <http://www.youtube.com/user/empreendedorismo/videos>. Acesso em: 20 out. 2015. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes m at er ia l c om pl em en ta r Cursos EAD Sebrae Para quem busca conhecimento e aperfeiçoamento de habilidades técnicas com cursos gra- tuitos, acesse o link disponível em: <http://www.ead.sebrae.com.br>. Acesso em: 20 out. 2015. Instituto Endeavor Vídeos e reportagens sobre empreendedorismo. Disponível em: <http://www.endeavor.org.br>. Acesso em: 20 out. 2015. Pequenas Empresas & Grandes Negócios Notícias e reportagens sobre o mundo dos negócios. Disponível em: <http://revistapegn.globo.com/>. Acesso em: 20 out. 2015. Exame PME Vídeos, reportagens e notícias sobre negócios. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame-pme>. Acesso em: 20 out. 2015. SEBRAE 10 dicas para começar bem e 10 dicas para E-commerce Disponível em: <http://www.youtube.com/playlist?list=PLnPmdlI4EGt2HZeMwbCWfNdOFpTM- pHKLg>. Acesso em: 20 out. 2015. Histórias de empreendedores Endeavor Day 1. Disponível em: <http://www.youtube.com/playlist?list=PLF652A7ED85C38D5C>. Acesso em: 20 out. 2015. Introdução ao Plano de Negócios ANDERSON KATSUMI MIYATAKE PAULO PARDO A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Compreendendo o Plano de Negócios. • Iniciando a elaboração do plano de Negócios. • Partes do Plano de Negócios. • Definir conceito e importância do Plano de Negócios • Conhecer os principais interessados e informações relevantes do Plano de Negócios • Conhecer as especificidades que fazem parte do Plano de Negócios • Compreender a relevância dos setores das empresas para o desen- volvimento do negócio • Aprender passos para a abertura de negócios Plano de Estudo Objetivos de Aprendizagem Introdução 91 Introdução Nesta unidade, vamos estudar uma ferramenta importante do empreendedorismo na Gastronomia, que é o Plano de Negócios (PN), ferramenta utilizada para avaliar o potencial de uma ideia ser transformada em oportunidade. Como veremos, não há uma regra para a elaboração do Plano. É permitida a adaptação aos diversos tipos de negócios que possuem portes distintos. A relevância do Plano é para o empreendedor bem como sócios, fornecedores e banqueiros, porque esses também podem ser úteis parceiros de negócios. No entanto é preciso cuidados para evitar os chamados pecados capitais, tornando o plano inconsistente e não apoiando a decisão do empreendedor. O documento pode ser um impor- tante guia, porém, para que isso ocorra, é necessário estar preparado para elaborar o plano ou recorrer a ajuda de especialistas. Conhecer o mercado é fundamental para conseguir sucesso no negócio e obter diferenciais competitivos. Aprenderemos que, conhecendo os agentes e as características do mercado, po- deremos analisar a situação e tomar decisões mais adequadas. Vamos abordar as etapas que fazem parte do Plano de Negócios. Ressaltamos que não temos como abordar todas as particularidades. Por isso, este livro será um guia geral de elaboração. Particularidades precisam ser estudadas à parte, seja mediante o autoestudo, cursos ou con- tratando uma consultoria. Elaborar um PN não é fácil. Exige dedicação paracoletar dados e escrever análises bem como atenção ao ambiente, para verificar se não existem mudanças à vista. Afinal, esse documento aceita qualquer informação, mesmo que não for verdadeira. Se vamos dedicar bastante tempo aprendendo como se faz e a importância dele, aproveitamos para elaborar um PN bem consistente. Vamos iniciar o desenvolvimento dos planos? Tenho certeza que você conseguirá compre- ender bem a teoria e aplicá-la na vida profissional! Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 93G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Compreendendo Plano de Negócios Olá, espero que esteja preparado(a) para iniciar a última, mas não menos importante, unidade. Um conceito abrangente e que explica de forma ampla um PN é considerado por Dolabela (2006, p. 77). “Uma forma de pensar sobre o futuro do negócio: para onde ir, como ir mais rapidamente, o que fazer durante o caminho de forma a diminuir incertezas e riscos”. Outra maneira de considerar um PN é apresentada por Degen (2009, p. 208): O plano do negócio é a descrição, em um documento, da oportunidade de negócio que o candidato a empreendedor pretende desenvolver, como a descrição do conceito do ne- gócio, dos atributos de valor da oferta, dos riscos, da forma como administrar esses riscos, do potencial de lucro e cres- cimento do negócio, da estratégia competitiva, bem como o plano de marketing e vendas, o plano de operação e o plano financeiro do novo negócio, com a projeção do fluxo de caixa e o cálculo da remuneração esperada, além da avaliação dos riscos e o plano para superá-los. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes U m Plano de Negócios é uma ferra- menta que permite ao empreen- dedor pensar no futuro. Como é possível notar, do conceito de Degen (2009), existe uma série de técnicas utilizadas para que o empreendedor possa conhecer o mer- cado em que está e se preparar devidamente para minimizar riscos. Planejar é uma atividade fundamental nos dias atuais. Mesmo com o cenário de negócios mudando a todo o momento, é necessário plane- jar para conhecer o mercado e as possibilidades para o futuro. Se a situação para quem se prepara está difícil, imagina para aquele que não o faz. É como trabalhar profissionalmente com a cozinha. Quem faz o PN pensa em todas as possibilidades que podem acontecer no cami- nho, estuda o percurso e o tempo, compra os equipamentos e insumos necessários, recruta uma equipe especializada para conseguir tal feito. Mesmo assim, não é garantia que essas pessoas irão concluir o trabalho com sucesso. Assim, de forma resumida, podemos des- crever o mercado. Se você já tem estrutura, car- dápio, ingredientes e todos os colaboradores necessários, sua chance de sucesso aumenta, mas não é certeza que dará certo. Se você deixa ao acaso, poderá ter sucesso e isso ocorre com vários empreendedores que conseguem se adap- tar ao imprevisto, mas não é sempre que isso dará certo e será mais caro e trabalhoso conse- guir resolver os problemas. Para evitar que isso aconteça, vamos estudar com muita atenção não só esta unidade, mas durante o curso e a vida toda, para estarmos bem preparados para enfrentar cada desafio, afinal, ninguém quer naufragar e interromper uma jornada que poderia ser de sucesso. 95G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Talvez você já tenha se perguntado como alguns empresários de sucesso, até muito fa- mosos na mídia, à frente de megaempreendi- mentos, “chegaram lá”. É uma boa pergunta, no entanto, independente de como esse sucesso aconteceu na vida deles, acredito que essa não seja a pergunta que deve ser feita. A pergunta correta é: como eu, com o meu empreendimen- to, posso “chegar lá”? E esse “chegar lá” pode não ser necessariamente transformar seu negócio em uma grande corporação – embora isso possa ser alcançado –, mas sim como esse empreendi- mento vai trazer satisfação pessoal, realização profissional e a concretização de metas pessoais. Pensando nisso, muitos de nós, talvez, não sejamos o próximo “Silvio Santos” ou chefs reconhecidos do programa Masterchef, mas conseguiremos alcançar nossos objetivos e nos sentir muito bem com isso. Independente do tamanho do empreendimento que vamos realizar, o fato é que precisamos exercitar algo que nunca, em momento algum, pode ser des- percebido: o planejamento. Uma máxima nos meios da Qualidade Total – um assunto que também deve interessar ao empreendedor – é a famosa citação de Lewis Carroll, em Alice no país das maravilhas: “quem não sabe para onde vai, qualquer lugar serve”. Há muitas variações dela, mas todas elas apontam para a necessida- de de sabermos onde estamos, quem somos e onde queremos chegar. Isso nada mais é do que saber a real situação atual e visualizar o futuro. Somente o bom planejamento torna isso possí- vel. Uma viagem é uma analogia a isso. Imagine que você pretenda viajar com sua família para um destino turístico qualquer. Pense que esse seria seu destino: uma praia tranquila, para você desfrutar de um merecido lazer com aqueles de quem você gosta. Sem você perceber, seu planejamento já começou: a defini- ção do destino. Um próximo passo seria: como vamos chegar? De carro, de ônibus, de avião ou outro meio disponível – e, é claro, dentro de seus recursos financeiros. Esse segundo ponto é crucial: sem recursos financeiros, não há viagem. Saber quanto vai custar o combustível, a alimen- tação, a hospedagem é fundamental, afinal, se as crianças quiserem um simples sorvete e você não tiver dinheiro, o passeio ficará frustrante. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Além disso, outras coisas podem acontecer na viagem: um pneu furado, uma quebra no carro, um desvio inesperado, coisas que, muitas vezes, não estão exatamente sob o seu controle, mas que podem, sim, acontecer. A conclusão é clara: sair de casa para uma viagem de férias e voltar em segurança não é fruto do acaso e sim de planejamento cuidadoso. É claro que muitos viajantes não planejam nada e voltam para casa mesmo assim, mas você, com certeza, concor- dará que o risco que eles assumiram para si mesmos e para suas famílias foi muito mais alto. Tendo essa situação como base, vamos pensar em uma situação de negócio. Muitos dão certo, as pessoas envolvidas podem até ficar ricas com isso, mas o risco assumido foi muito alto. Além disso, o planejamento formal serve a tantos propósitos que não é mais possível ad- mitir que você, como uma pessoa de visão, abra mão dessa ferramenta. O planejamento de um empreendimento pode fundamentar-se em um Plano de Negócios que, além de funcionar como uma proposta inicial – para quem está com seu empreendimento na fase de “gestação” – pode funcionar como um direcionador estratégico de ações para negócios já em andamento. Em gastronomia, imagine aquela pessoa que quer assumir um evento e não se prepara. Possui cozinha e equipamentos, mas não faz manutenção para saber as condições, compra vários ingredientes sem saber ao certo a medida e nem o cardápio, convida alguns amigos que 97G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R gosta sem saber se possuem habilidades práticas com a cozinha e coloca todo mundo para tra- balhar. Não podemos afirmar com certeza que esse grupo de pessoas não conseguirá cumprir o percurso, mas tem muito menos possibilidades do que aquele que se prepara. Uma pergunta importante: que tipo de empreendimento deve elaborar um Plano de Negócios? A resposta é: qualquer tipo de ne- gócio, independente do porte ou ramo de ati- vidade. Na área gastronômica, independente do porte ou tipo de estabelecimento, o plano sempre deve ser planejado. Baseado em Degen (2009), podemos en- contrar ao menos 10 benefícios de elaborar um Plano de Negócios: • “Reunir ordenadamente todas as informações e ideias sobre onovo negócio” – registre suas ideias, como o cardápio a ser servido, a forma de apresentação, a inovação, a temática, a estrutura do local, o conceito que quer dar ao negócio. Deixar somente na memória não é aconselhado. Ao escrever, temos que pensar em diferentes variáveis, diminuindo o risco de esquecer algo. • “Escrever o plano do negócio – força o candidato a empreendedor a analisar, formalizar e justificar todos os aspectos críticos do novo negócio” – isso faz o indivíduo sair da chamada zona de conforto, ou seja, obrigará a pensar em várias análises e fazer cálculos para realmente saber se o negócio tem viabilidade. É preciso considerar restaurantes ou empresas da área nas proximidades, investi- mento necessário, capital de giro, habilidade para prestação de serviços e analisar as particularidades de funcionamento do negócio.. • “Vender o negócio para si mesmo” – com o Plano, o empreendedor realmente saberá se o negócio tem viabilidade e se está preparado para encarar as dificuldades e fazer os sacrifícios necessários. É necessário investir na qualidade do prato a ser servido, prepará-lo para grupos de pessoas e aceitar prontamente os feedbacks. • “Simular as consequências de diferentes estratégias competitivas, ofertas de valor, de planos financeiros etc.” – o PN permite pensar diferentes maneiras de atuação e os resultados dessas projeções. Isso é importante para analisar diferentes cenários, tanto positivos quanto negativos. As simulações podem ser feitas com clientes, forne- cedores, parceiros e consultores. Considere a qualidade dos insumos que podem faltar ou mudar, organize opções, conheça os custos do produto para garantir preparações de qualidade, de modo que sejam atrativos e sustentáveis perante a concorrência. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • “Apresentar o plano do negócio a pessoas experientes e de confiança para vali- dá-lo, ouvir sugestões, críticas etc.” – não adianta querer manter tudo em sigilo. É importante buscar apoio de pessoas que possam dar conselhos e sugestões. Com isso, aperfeiçoamos o que estamos pensando e ampliaremos a nossa visão do negócio. Busque assessoria de consultores e chefs e compartilhe ideias com outros profissionais de gastronomia. • “Motivar e focalizar a atenção do candidato a empreendedor e dos possíveis sócios e colaboradores nos riscos do negócio e como superá-los, além de focar nos aspectos críticos para o sucesso desse negócio” – o foco permite direcionar as atenções e reduzir riscos. Encontre um diferencial no cardápio, preparações, estrutura etc. Para se consolidar no mercado. Reflita na forma como entregará um valor diferenciado. Não somente com um bom produto, mas na maneira de entregar, e isso só ocorrerá se souber o que está sendo praticado no mercado. • “Testar a oportunidade de negócio, o conhecimento, a motivação e a dedica- ção do candidato a empreendedor e dos possíveis sócios e colaboradores do novo negócio” – permite saber o grau de comprometimento e conhecimento de todos na oportunidade de negócio que quer ser implementada. Desenvolva a gestão de pessoas e equipes em sua empresa. A não dedicação de um membro da brigada pode comprometer todo o trabalho da equipe, em vários aspectos. Se você considera que por ser um chef e ainda empreendedor todos irão obe- decê-lo, está enganado. Para fazer o seu negócio funcionar, precisa de uma equipe. Afinal, você não conseguirá comprar os insumos, preparar os pratos, atender aos consumidores, receber o pagamento e, ainda, gerenciar a empresa. • “Convencer possíveis sócios, investidores, financiadores, fornecedores e futuros clientes do sucesso do novo negócio e, assim, obter os recursos necessários para realizá-lo” – importante para dar credibilidade ao negócio. Convença que a sua proposta é interessante e tem viabilidade econômica. Com um plano consistente, demonstrando paixão e fazendo uma degustação dos pratos, ou seja, mostrar sua experiência e habilidade na arte gastronômica é o melhor argumento. • “Orientar a montagem e a operação do novo negócio no primeiro ano” – os primeiros passos no negócio são sempre difíceis. Por mais que tenhamos plane- jado, quando enfrentamos a rotina do empreendimento, é sempre complicado. 99G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Executar a contratação de funcionários, o plano de marketing e vendas e controlar as operações são tarefas sempre complicadas. É imprescindível que o empreendedor esteja à frente e no controle de cada detalhe, sobretudo se ele também é o chef. • “Controlar o investimento da montagem e os custos da operação por meio da projeção do fluxo de caixa do novo negócio no primeiro ano” – é muito im- portante para diminuirmos os riscos de problemas com dinheiro. Com o fluxo de caixa bem elaborado, poderemos saber o orçamento à disposição e planejar como investir. Aprimore seus estudos em áreas de finanças e conte também com a assessoria profissional. Tenha ciência da importância do capital de giro e jamais mistures finanças pessoais com as da empresa. Até agora, enfatizamos bastante a importân- cia do Plano de Negócios, mas, talvez, somen- te escrever a relevância pode não ser suficiente para compreender a força que essa ferramenta tem e a possibilidade de determinar o futuro do negócio. Por isso, optamos por utilizar a abordagem de Baron e Shane (2010), que destacam a existência de sete pecados capi- tais cometidos na elaboração e apresentação do PN. 1. O Plano é muito pretensioso – durante a elaboração, as análises e as proje- ções estão muito acima das expectativas de mercado, ou seja, a pretensão do Plano está superior à possibilidade real de aceitação no mercado. Conheça a cultura gastronômica do local porque o restaurante precisa condizer com essa realidade. 2. As projeções financeiras são imoderadas e irracionalmente otimistas – assim como as projeções de conquistar o mercado são fora da realidade, os cálculos financeiros também são elaborados de forma equivocada. Não é levado em consi- deração se o produto/serviço terá aceitação de mercado, a necessidade de capital de giro, a reação dos concorrentes, a possibilidade de períodos de sazonalidade do negócio ou possíveis problemas na empresa. Outro fator recorrente é a não inclusão de todos os equipamentos e utensílios necessários ou de baixa qualidade que, depois, terão de ser adquiridos ou repostos. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 3. Não está claro como está o produto em termos de produção – durante a es- crita do Plano, não se explicitou como o produto/serviço vai ser feito e o que é necessário para que seja concluído. A ficha técnica é item obrigatório neste item. 4. O Plano foi preparado de forma deficiente e não tem aparência profissional – a falta de preparação e cuidado do indivíduo pode levar a esse pecado. Não fazer revisão ortográfica e se preocupar com a norma culta do idioma são problemas graves. Além disso, um documento entregue amassado, molhado, falha de im- pressão demonstram descompromisso com quem o está recebendo para fazer a leitura e análise das informações. 5. Não há definição clara das qualificações da equipe administrativa – a intenção de expor a equipe administrativa é justamente dar credibilidade ao Plano, demons- trando as capacidades e habilidades de cada um. Entretanto é necessário escrever com clareza, inserindo a função que vai exercer e a formação que possui para desempenhar de forma satisfatória a função. Esse problema é comum principal- mente em pequenos negócios, com equipe reduzida. Nem sempre o profissional está apto àquela função, sobretudo com relação ao controle administrativo. 6. Não está claro por que alguém iria querer comprar o produto ou serviço – é necessário deixar claro o(s) motivo(s) das pessoas optarem pela sua empresa. O seu produto deve atender a determinadas necessidades das pessoas, é necessáriodeixar claro e não implícito. Descreva essas necessidades, a qualidade do alimen- to preparado, do serviço realizado e mesmo a postura profissional. Reflita da seguinte forma: por quais motivos uma pessoa viria a frequentar o seu negócio? Frequentar para comer é o mais óbvio, mas pode ser para comemorar uma data especial, relembrar um fato marcante, repetir uma boa experiência que teve. 7. O resumo executivo é muito longo e não vai direto ao ponto – apesar de ser uma das primeiras partes do Plano, deve ser o último a ser elaborado, pois deve ressaltar, de forma sucinta, os principais aspectos do Plano, levando em consi- deração o motivo pelo qual foi elaborado. O que precisa ficar claro é que um Plano de Negócios é um documento fundamental e precisa ser elaborado com muito empenho, pois você pode colocar qualquer informação no seu Plano sem isso corresponder realmente à realidade do mercado. 101G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R O Plano de Negócios não pode prever o futuro, mas ajuda a compreender possíveis tendências, permitindo a empresa estar mais precavida para lidar com as adversi- dades, pois analisa cenários de negócios. Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 103G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Iniciando a Elaboração do Plano de Negócios Ao pesquisar sobre Plano de Negócios, dificilmente encontrará algo pronto, de fácil utilização. Na verdade, a ideia é que você construa o Plano de Negócios a partir de um esquema básico e voltado para a área gastronômica. Vamos apresentar um modelo de forma genérica e explicar cada uma das partes. Para que você compreenda essa ferramenta, optamos por dividir em três partes: elementos pré-descrição do plano que visa introduzir, de forma geral, o negócio, a apresentação da empresa, que também constará o posicionamento de mercado e, por fim, cada uma das partes do Plano (Marketing, Recursos Humanos, Produção e Finanças). Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Apresentação geral do Plano de Negócio Quando um investidor ou qualquer outra pessoa quiser conhecer a sua proposta, precisa de informações a respeito da empresa, contato e a descrição sucinta do negócio. Vamos a cada um: • Capa – precisa ser elaborada com cuidado, pois é a primeira parte visualizada. É necessário conter informações essenciais, como nome da empresa, site, e-mail, telefone, ano de elaboração e cidade ou informações que forem mais pertinentes, de acordo com o objetivo e o indivíduo que irá analisar. • Sumário – deve ser elaborado de forma objetiva. Precisa conter os títulos e subtí- tulos de cada parte do Plano e a respectiva página. Os editores de texto possuem opções para configurar o sumário. • Sumário ou Resumo executivo – é a principal parte do Plano de Negócios, isso porque contém as principais partes do Plano, ou seja, um resumo da proposta da empresa e dos diferenciais a empresa. Se a elaboração não estiver boa, o leitor pode nem querer ler o conteúdo. Não há um modelo padrão, porque depende do objetivo e das pessoas que farão a leitura e a avaliação. Rosa (2007, p. 11) apresenta algumas recomendações a serem inseridas: • Resumo dos principais pontos do PN. • Dados dos empreendedores, experiência profissional e atribuições. • Dados do empreendimento. • Missão da empresa. • Setores de atividades. • Forma jurídica. • Enquadramento tributário. • Capital social e fontes de recursos. Apresentação do negócio Nessa segunda parte, o fundamental é abordar as caraterísticas e a estrutura do negócio, ou seja, os tipos de negócios que a área gastronômica contempla (restau- rante, buffet, prestador de serviços, consultoria, rotisserias, escolas de Gastronomia, empórios etc.). Caso seja um negócio em andamento, observe se esses pontos estão consistentes. 105G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • Análise Estratégica – o foco é pensar na organização. Caso ainda não tenha elaborada a missão, a visão e os valores, esse é o momento. É necessário saber o motivo de existência da empresa, o que pretende para os próximos anos e os valores que possui para alcançar a situação desejada. • A missão é o principal orientador da empresa. Deve ser construída em forma de afirmação, visando apresentar o motivo da existência do negócio. A existência não é pensar somente no produto, mas no benefício que trará para o público devendo ser inspiradora, desafiadora e dificilmente alterada. • A visão é a situação que o negócio deseja alcançar, também construída em afirmação, pode ser alterada, porque o cenário de mercado também muda. • Os valores representam posturas, atitudes e comportamentos necessários na relação com o público e que orientam a execução das atividades. Para um restaurante com o conceito self-service, podemos exemplificar da seguinte forma: MISSÃO Proporcionar uma opção rápida, saborosa, com varie- dade de cardápio e ambiente aconchegante para os mais distintos públicos. VISÃO Ser uma referência gastronô- mica brasileira conhecida pela entrega diferenciada de valor ao cliente. VALORES Respeito à diversidade de opiniões, culturas, costumes, sexo, etnia, religião e político, simpatia no atendimento, higienização dos alimentos, garantia de procedência do produto. Além disso, é importante pensar nos pontos fortes e fracos da organização, além de ameaças e oportunidades que podem ser vistos mediante a Análise SWOT (Strength, Weakness, Opportunity, Threat) ou também chamada de FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças). Nessa ferramenta, estudamos dois aspectos: interno e externo. Com as opor- tunidades e ameaças, pensamos fora da empresa, ou seja, os aspectos do ambiente (social, Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes econômico, geográfico, demográfico, tecnológico, regulamentar) que podem ser positivos ou negativos. Internamente, realizamos análises das forças e fraquezas, ou seja, tudo que na empresa contribui para um bom desempenho e também o que atrapalha na realização do negócio e que precisa ser melhorado. Com isso, conseguimos ter um panorama geral do negócio e isso contribui para diminuirmos as fraquezas e as ameaças e maximizar os pontos fortes e oportunidades. Um breve resumo pode ser feito da seguinte forma: • Pontos internos – pontos fortes e fracos – em relação aos concorrentes. Ex.: treinamento, capital disponível. • Pontos externos – oportunidades e ameaças – em relação ao ambiente em que está inserido. Ex.: clima, economia. Seguindo a mesma proposta de negócio anterior, a análise SWOT pode ser feita da seguinte forma: • Descrição da Empresa – é necessário inserir os sócios, a equipe administrativa (os principais diretores ou gerentes, caso tenha), a estrutura organizacional (organograma), a localização, o histórico (caso a empresa já esteja no mercado), a razão social, o CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), o regime de tributação, o endereço, as certificações de qualidade (caso existam) e, também, a situação da organização nos últimos anos (se a empresa existir). PONTOS INTERNOS Pontos fortes – opções de cardápio, inspeção rígida dos alimentos, chef reconhecido na- cionalmente. Pontos fracos – investimento menor em Marketing, carência de bom gestor, local não muito acessível a transporte público, não há estacionamento. PONTOS EXTERNOS Oportunidades – aumento do poder aquisitivo da população, busca por alimentação equilibrada, público com costume de comer fora de casa. Ameaças – crises econômicas que afetem o bolso, diversidade de restaurantes, fenômenos naturais que podem prejudicar o fornecimento de insumos para os pratos. 107G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R O plano de negócio deve ser desenvolvido com assessoria de profissionais habilita- dos, pois requer muitas informações con- tábeis e administrativas, sobretudo quanto à descrição da empresa e sua organização contábil.Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Dornelas (2005, p. 133) apresenta alguns as- pectos a serem pensados por uma organização a respeito da localização da empresa que deve ser estratégica, de acordo com o tipo de negócio, por isso fizemos destaque do local da empresa. Considerar estas informações é essencial para um planejamento efetivo. • O valor do aluguel é competitivo? • A área é adequada para a empresa? • O local fica em região de tráfego de pessoas? • Existe necessidade de estacionamento? • Há acesso a telefone e internet? E quanto à instalação hidráulica e elétrica? • O negócio pode ser instalado no local? • É de fácil acesso para fornecedores e funcionários? • O imóvel é seguro? Protegido? Tem boa aparência? Ao escolher o imóvel e a localização da empresa, é imprescindível considerar as adaptações exigidas pelos padrões de higiene e segurança que devem ser imple- mentados, bem como inserir no orçamento as reformas necessárias para atender esses padrões, além dos itens de segurança e estética. Fonte: os autores. Vamos apresentar alguns pontos importantes para você criar o seu negócio, porém reco- mendamos procurar um contabilista, que é o profissional qualificado para solucionar suas dúvidas e assessorar no processo. Aqui, apre- sentamos alguns cuidados que o empreende- dor deve ter ao iniciar o negócio ou para aquele que deseja formalizar o empreendimento que criou, conforme o Sebrae (2015g) e o Sebrae RS (2015). • Formato jurídico – as mais conhecidas são Microempreendedor Individual (MEI), Empresário Individual, Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), Sociedade Limitada, Sociedade Anônima, Cooperativa, Consórcio, Sociedade Estrangeira, Grupo de Sociedade, Sociedade em Nome Coletivo, Sociedade em Comandita Simples, Sociedade em Comandita por Ações. Em relação aos documentos, destacamos: • Contrato social que contém informa- ções, como tipo societário, qualificação, endereço de empresa, nome empresa- rial, objeto social, capital social, quota do sócio. • Registro na Junta Comercial – verifica se há empresa com o mesmo nome e, depois do registro, o empreendedor recebe o NIRE (Número de Identificação do Registro de Empresa). • CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa 109G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Jurídica. De posse do NIRE, é possível solicitar o CNPJ, que é feito pela internet no site da Receita Federal. • Alvará de funcionamento – fornecido pela prefeitura ou Secretaria Municipal da Fazenda para ter autorização para o funcionamento. • Inscrição estadual – para atividades industriais, comerciais e prestações de serviços de transporte intermunicipal e interestadual. É feita na Secretaria Estadual da Fazenda. Em alguns casos, é possível pedir a inscrição juntamente com o CNPJ. Com isso, é possível a ins- crição no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). • Cadastro na Previdência Social – é ne- cessário ir até uma agência da Previdência Social e solicitar o cadastro. • Aparato Fiscal – autorização para im- pressão das notas fiscais e autenticar livros fiscais. • Registro em Sindicatos – verifique a ca- tegoria em que seu negócio está inserido e faça o registro por meio da atividade principal da empresa. • Outros documentos – dependendo do negócio, podem ser exigidos a Licença ambiental, o registro no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) no caso de Marca/Patente, Licença Sanitária. O Governo tem trabalhado para criar meca- nismos que diminuem o prazo de abertura dos negócios que, em algumas ocasiões, ultrapassa 100 dias. Com a integração de bases de dados, é possível diminuir o prazo para uma semana, permitindo a abertura e o fechamento de negócios. Fonte: os autores. Lam (2015d, online) apresenta recomendações para abertura do negócio: • Buscar contador para orientar nas do- cumentações e nos aspectos contábeis e fiscais. • Parceria com advogado para elaborar contrato social e também receber orien- tação para se precaver de possíveis pro- blemas no negócio. • Registrar a marca. • Investir em marketing para a elaboração da logo e divulgar o negócio. • Fazer planejamento financeiro é essen- cial para obter sucesso. • Análise do Mercado – nessa fase, é necessário pensar sobre o seu mercado e o público-alvo. Por isso, precisa ser feito com cautela e buscar informações que Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes correspondam à realidade do mercado, que devem ser qualitativas − ajudam a compreender particularidades do mer- cado − e quantitativas − retratam em números e cifras. É importante buscar informações fidedignas em instituições de pesquisas, órgãos oficiais, SEBRAE, associações de classe, sociedade comer- cial, em instituições de ensino superior, consultorias ou entidades especializadas. Dornelas (2005) apresenta algumas perguntas que contribuem para fazer uma boa análise de mercado, conforme é possível notar no Quadro 05. Mercado gastronômico Segmento de mercado Consumidores • Quais fatores estão influenciando as projeções de mercado? • Por que o mercado se mostra promissor? • Qual o tamanho do mercado em reais, número de clientes e competidores? • Como o mercado está estruturado e segmentado? • Quais são as oportunidades e ameaças (riscos) desse mercado? • Qual o perfil do cliente? • O que ele está consumindo atualmente? • Por que ele está consumindo esse tipo de serviço ou alimento? • Quais fatores influenciam no consumo? • Quando, como e com que periodicidade é feita a contratação de serviços ou consumo de alimentos fora do lar? • Onde moram? (Geografia) • Como eles são? (Perfil) • Como vivem e o que fazem? (Estilo de vida) • Como agem? (Personalidade) • O que estão consumindo? • Por que estão se alimentando fora do lar ou contratando serviços gastronômicos? Quadro 05: Perguntas para orientar na análise do mercado e do público-alvo Fonte: adaptado de Dornelas (2005, p. 143-146). Rosa (2007) considera ser necessário saber se o público é composto por pessoas físicas ou jurídicas, conforme o tipo de empresa a ser criada, mas, antes disso, é necessário entender o seu cliente. Sabendo disso, é fundamental identificar os interesses e os comportamentos dos clientes. Também é necessário saber o que faz as pessoas con- sumirem, por exemplo, preço, qualidade do produto, marca, tempo de atendimento, pa- gamento e o atendimento da empresa. Por fim, é fundamental saber onde estão os clien- tes (na rua, no estado, no país, em outros países). 111G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Os concorrentes também são importantes e Rosa (2007) considera que observar esses agentes pode ser interessante para conhecer as práticas e aperfeiçoar o que existe. Também é necessário pensar nos pontos fortes e fracos entre a concorrência e o seu negócio. Os princi- pais aspectos a serem analisados são, conforme Rosa (2007): • Qualidade dos insumos e materiais empregados – apresentação, forma de preparo, cores, tamanhos, embalagem, variedade etc. • Preço cobrado. • Localização. • Condições de pagamento – prazos con- cedidos, descontos praticados etc. • Atendimento prestado. • Serviços disponibilizados – horário de funcionamento, entrega em domicílio, teleatendimento etc. • Garantias oferecidas. Outro aspecto que poderíamos complementar é observar como os concorrentes garantem a procedência do produto e a manipulação dos alimentos. Após levantar todos esses aspectos, será possível refletir sobre algumas conclusões, con- forme Rosa (2007, p. 25): • Sua empresa poderá competir com as outras que já estão há mais tempo no ramo? • O que fará com que as pessoas deixem de ir aos concorrentes para consumir ou contratar serviços de sua empresa? • Há espaço para todos, incluindovocê? • Se a resposta for sim, explique os moti- vos disso. Caso contrário, quais mudan- ças devem ser feitas para você concorrer em pé de igualdade com essas empresas? Vale ressaltar que os concorrentes não são inimigos, mas outros agentes que atuam no mesmo ramo. Você pode conhecer onde atuam as empresas para atuar na mesma atividade ou focar em outra. Com os concorrentes, é possível formar parcerias para estabelecer polos regio- nais que atuam com determinado produto, por exemplo. O empreendedor terá que analisar o am- biente, estando alerta às mudanças que ocor- rem na empresa, no setor, no mercado e na comunidade. Ele precisa fazer julgamentos tomando decisões a todo o momento. Quando ele está errado, terá perdas que devem ser minimizadas o quanto antes e aprender com a situação. A angústia é o preço pago pelo empreendedor ter o próprio negócio. Por outro lado, quando toma boas decisões, tem recompensas financeiras e satisfação pessoal e profissional. Algumas das informações a serem pensadas pelo empreendedor ao realizar uma análise de mercado são: a existência de interme- diários, as condições competitivas que podem Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes afetar o negócio, a influência do governo no mercado, os impactos das mudanças econômi- cas, políticas e sociais, pontos fortes e fracos dos concorrentes, como penetrar no mercado, os mercados ou grupos de clientes que a empresa pretende servir (OLIVA et al., 2011). Converse com seu círculo de amigos para saber quem é empreendedor. Procure saber como conduz o negócio, se elaborou um Plano de Negócios e quais as dificuldades que possui como empreendedor. Aplique o que foi apre- sentado na unidade, é uma excelente forma de praticar o que estudou, e também trocar expe- riências com quem já possui um negócio. Produtos e Serviços – esta é a principal área de atuação da gastronomia. De acordo com Dornelas (2005), os principais pontos considerados pelo autor são: • Os recursos utilizados. • Ciclo de vida do produto. • Máquinas e equipamentos necessários. • A pesquisa e desenvolvimento para novos produtos/serviços (caso houver). • A marca e/ou patente de produtos (caso houver). Fonte: adaptado de Dornelas (2005). 113G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes 115G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Partes do Plano de Negócio Nossos estudos agora estão voltados às partes do plano de ne- gócio. Temos no Plano de Marketing, Plano operacional, Plano de Recursos Humanos e Plano Financeiro as ações voltadas para promoção e funcionamento do negócio, além da gestão e orien- tação ao componente mais importante de uma organização: os colaboradores e, por fim, a viabilidade em sua execução. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes É por meio desse Plano que vamos pensar em ações para chamar a atenção do nosso produto/ serviço. Essas ações se tornam possíveis ao conhecermos bem o mercado e o nosso público- alvo. Por isso, a importância da pesquisa de mercado. Além disso, a definição da missão, da visão e dos objetivos é importante, pois esse Plano será elaborado com base nesses aspectos. Quanto mais informações completas, melhor será a possibilidade de desenvolver estratégias adequadas, sendo necessário conhecer aspectos internos da empresa como também compre- ender o ambiente externo. É uma das partes fundamentais do negócio, porque propicia entender as melhores formas de criar estratégias adequadas para o negócio, sendo que pode ser utilizado para diferentes tipos de organizações. Vamos, agora, aprender a elaborar estra- tégias de marketing. Para isso, utilizaremos os conhecidos 4Ps do Marketing, também chama- dos Mix de Marketing: Produto, Preço, Praça e Promoção. Plano de Marketing 117G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Praça Não adianta ter o melhor produto e/ou serviço, melhor preço e forma de pagamento se o seu negócio tem problema na disponibilização para o cliente. Por isso, a escolha do ponto é impor- tante, para que seja acessível ao público-alvo na própria organização e também para a entrega. Em vista desse pensamento, Dornelas (2005, p. 150) apresenta três aspectos importantes a serem pensados para a elaboração de estratégias adequadas ao negócio: • Usar canais alternativos. • Melhorar prazo de entrega. • Otimizar logística de distribuição. A escolha do local e dos parceiros é importante, porque existem diversas formas de interação entre uma organização e o cliente. Dolabela (2006) aborda as diferentes formas de distri- buir os produtos: • Indústria – Consumidor. • Indústria – Varejista – Consumidor. • Indústria – Distribuidor – Varejista – Consumidor. • Indústria – Atacadista – Distribuidor – Varejista – Consumidor. Porém, no caso de serviços, podemos conside- rar que o prestador de serviço pode oferecer diretamente ou tenha um intermediário que realiza uma etapa antes de entregar ao cliente, como acontece com os serviços prestados por um contabilista e um advogado, por exemplo. O SEBRAE (2003) dá algumas recomendações a serem pensadas: • Comércio – estar junto ao cliente, ofere- cendo comodidade e segurança. Exemplo: loja de fácil acesso e estacionamento. • Indústria – facilidade de distribuir os produ- tos e acesso para os fornecedores. Exemplo: telefone, água, luz e vias pavimentadas. • Serviços – o local nem sempre é o mais importante, mas o contato direto ou utili- zando outros meios é fundamental, desde que sejam fáceis e rápidos. Para a elaboração de estratégias adequadas, o SEBRAE (2003) apresenta uma pergunta nor- teadora: como distribuir o produto? Com base nessa pergunta, podemos pensar nos canais de distribuição mais adequados, de acordo com as características do negócio. Outras perguntas também sugeridas são: • Os produtos ou serviços são de fácil acesso para o mercado consumidor? • Que vantagem o ponto ou a distribuição tem para o consumidor? • Que desvantagem o ponto ou a distribui- ção tem para o consumidor? • Você oferece alguma facilidade para a compra? • O ponto ou a distribuição é adequado(a) ao produto ou serviço? Por quê? • Quantos concorrentes estão ou estarão próximos do negócio? Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Essas perguntas ajudam a nos posicionar diante da escolha da melhor forma de tornar acessível um produto para o consumidor. Não existe o melhor, mas aquele mais adequado, de acordo com a estratégia de negócio. Por exemplo, se você tem um produto com preço acessível, que seja um doce e quer disponibilizar para o maior número de pessoas, as lojas de conveniência, pa- darias, lanchonetes, bares e mercados são boas opções. A negociação pode ser feita com ataca- distas e varejistas, para que o produto esteja em mais locais, entretanto, se o seu produto tem um posicionamento diferenciado, pode vender apenas em loja própria. A escolha dos locais deve levar em consi- deração também o tempo de entrega e a carac- terística do produto. Se a entrega é demorada, pode ser o momento de pensar na criação de centros de distribuição ou mesmo a instala- ção de uma fábrica para produzir, no caso de produtos. O mesmo vale para a característica do produto, principalmente se for perecível, os grandes deslocamentos aumentam a possibili- dade de estragar o produto, daí a importância de investir na entrega do produto, para evitar que mercadorias sejam estragadas. Preço O preço é determinado por diferentes fatores: a pesquisa de mercado que foi feita para a escolha do público-alvo, os concorrentes, os custos fixos e variáveis, as metas estabelecidas, por exemplo, a conquista de clientes e o lançamento de pro- dutos. Por isso, as estratégias de preço devem ser pensadas com atenção. Baixar o preço pode chamar a atenção dealguns consumidores e aumentar as vendas, mas, se o produto pre- tende atender uma clientela mais diferenciada, com poder aquisitivo alto, essa estratégia pode não ser a mais adequada. O mesmo ocorre em relação à qualidade. Se o produto/serviço quer ser o mais completo e com mais atributos, o preço baixo pode trazer prejuízos, pois os custos envolvidos e a necessidade de retorno de inves- timento são maiores pelo volume de recursos abrangidos. Dornelas (2005, p. 150) nos fornece alguns atributos essenciais para a elaboração de estratégias: • Definir preços, prazos e formas de pa- gamentos para produtos ou grupos de produtos específicos, para determina- dos segmentos de mercado. • Definir políticas de atuação em merca- dos seletivos. • Definir políticas de penetração em de- terminado mercado. • Definir políticas de descontos especiais. Novamente, vamos utilizar a metodologia em forma de pergunta norteadora do SEBRAE (2003): quanto cobrar pelo produto? Com base nisso, pensamos em questões secundárias para elaborarmos estratégias adequadas: 119G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R • Está igual, mais alto ou mais baixo que os preços do resto do mercado? • Se for diferente, qual a razão? • Os preços do principal concorrente são mais altos ou mais baixos? • O cliente acha que preço mais alto sig- nifica qualidade? • O cliente está disposto a pagar o preço do produto ou do serviço? Não há receita mágica para deixar o preço no valor ideal. Isso porque aspectos como o aumento e a diminuição da demanda, o clima, as greves, os impostos, por exemplo, afetam o valor do preço. Por exemplo: produtos como frutas e verduras possuem variação de preço em função do clima e, no caso de problemas com o transporte, o valor final para os consumidores subirá. No caso hi- potético de essas frutas, que seriam exportadas, terem que ser vendidas por uma situação econô- mica desfavorável do comprador, haveria excesso de oferta, fazendo o preço baixar para que os consumidores comprem os produtos. Outro ponto levantado por Gomes (2005, p. 47) é a prática de descontos e promoções, sendo os mais comuns: • Preços promocionais: quando há dimi- nuição de preço por tempo determinado, para incentivar a compra. • Preços por segmentos diferentes: é es- colhido determinado critério, como faixa etária, por exemplo, para determinar valores diferenciados, como ocorre com crianças, estudantes e idosos. • Preços por regiões geográficas: os custos de vender na região em que está já são co- nhecidos pelo empreendedor, porém, ao vender para outra região, os valores vão variar conforme o transporte, o poder aquisitivo da população, os impostos, a demanda, entre outros fatores. • Preços por sazonalidade: existem de- terminadas épocas favoráveis a um pro- duto. O clima, por exemplo, no caso do sorvete, provoca aumento nas vendas na época de calor. O chocolate na época da Páscoa aumenta bastante, entretanto, em outras épocas, o valor e a quantidade vendida diminuem. • Preços personalizados: ocorrem quando há possibilidade de tornar o produto mais individualizado. Um exemplo são as docerias que fazem produtos perso- nalizados conforme a solicitação do con- sumidor que reflete o poder aquisitivo e o perfil de consumo. • Descontos para pagamentos anteci- pados ou à vista: torna-se interessante porque é dinheiro na mão para fortalecer o fluxo de caixa. • Descontos por volume de compra: re- comendado para diminuir a quantidade de estoque e para aumentar o consumo da população. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • Concessões para promoções de vendas: descontos ou incentivos dados para colo- car os produtos em locais que haja des- taque deles ou quando os incentivos são dados para promover, ou seja, divulgar o produto, fato que, geralmente, ocorre com varejistas. Os custos e despesas podem ser mais controlá- veis pela organização com a utilização de recur- sos tecnológicos, mas há o fator posicionamento de mercado que afetará o valor do preço final e que deve ser analisado com atenção para não dar prejuízo ao negócio. Produto É importante quando analisamos possibilidades de estratégias de marketing conhecer o ciclo de vida do produto e saber o grau de maturação que está no mercado: se o mercado está no início, em crescimento, atingiu a maturidade ou se está em declínio. Isso é importante porque, se o mercado está no início, é necessário um esforço extra para apresentar o produto e pensar nos atributos para chamar a atenção dos possíveis consumidores. Se o mercado está em crescimento, a preocupação será em conquistar clientes. Caso o mercado esteja na maturidade, o foco deve ser apresentar um diferencial em relação aos concorrentes. E, se o mercado estiver em declínio, é importante pensar se uma inovação no produto pode trazer retomada do mercado ou se é preciso repensar em uma nova linha de produtos, abandonando o segmento em que está inserido. É importante analisar os atributos do produto, como a apresentação, marca, logo, embalagem, cor, design e a qualidade dos insu- mos e materiais utilizados (DOLABELA, 2006). Conhecendo o mercado, você pode optar por diferenciações nos aspectos citados, para con- quistar determinado segmento. A partir desses produtos, podemos tomar as seguintes decisões, conforme Dornelas (2005, p. 150): • Promover mudanças na combinação/ cardápio de produtos. • Retirar, adicionar ou modificar insumos e produtos, mediante a necessidade e criatividade. • Mudar design, embalagem, qualidade, desempenho, características técnicas, tamanho, estilo, opcionais. • Consolidar, padronizar ou diversificar o cardápio ou produto produzido. Para conseguirmos a diferenciação no mercado, é necessário refletir aspectos-chave do produto. O SEBRAE (2003) sugere uma pergunta princi- pal: que produto vender? Tendo isso em mente, perguntas secundá- rias podem ser feitas, como: • Qual o fator decisivo para a compra? • Quais benefícios o cliente espera? • O que o cliente mais valoriza? 121G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R A escolha do cardápio deve ser feita, principal- mente, conforme os desejos dos consumidores e as condições estruturais do negócio. Conforme a nova perspectiva do Marketing, de Kotler e Armstrong (2003), exige-se que o pensamento deve ter uma postura nova orientada para os clientes, com os parceiros do negócio e, também, conectado com o que ocorre ao redor do mundo. Promoção A forma de divulgar o produto é essencial. A tendência é pensar que nosso produto sempre é diferenciado em relação à concorrência. Será mesmo? E, caso seja, será que o seu público sabe disso? Conforme Rosa (2005, p. 52), a Promoção tem 3 objetivos: • Informar aos clientes potenciais a exis- tência dos produtos e serviços e de suas vantagens. • Informar aos clientes potenciais onde e como obter esses serviços. • Lembrar aos clientes a existência dos produtos e serviços oferecidos. Para negócios que estejam sendo criados, é ne- cessário escolher e capacitar a equipe e os canais de promoção do local ou da marca, estabelecer políticas de relações públicas, caso seja possível, contratar agência de publicidade e definir mídias prioritárias e pensar se é importante e conveniente escolher feiras/exposições para divulgar o produto. Dornelas (2005) ainda destaca três aspectos na elaboração das estratégias: quantidade de pessoas envolvidas, a propaganda e as promoções. Procure conhecer o processo de comunicação e as barrei- ras que podem interferir, como culturais, gênero, idioma, religiosos e também a repercussão que possa causar na mídia em geral. Criatividade é uma palavra importante, mas é essencial a inteligência e o bom senso, porque uma propaganda mal elaborada na escrita, na fala ou nas imagens pode causar duplo sentido,ofendendo a determinado grupo ou enganando o consumidor e tra- zendo prejuízos para a imagem da orga- nização. Procure na internet exemplos de propagandas de duplo sentido, ofensivas e enganosas e irá encontrar várias campa- nhas feitas por organizações. Originalidade é muito importante, mas cautela na ela- boração, na produção e na veiculação é fundamental. Só comunicar não resolve o problema. É necessário que a mensagem seja clara. O cuidado deve ser uma palavra- -chave, porque o lógico e claro para você pode não ser para o seu público. O ponto- -chave é que esse conjunto de indivíduos compreenda e responda adequadamente. Fonte: os autores. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Novamente vamos recorrer ao SEBRAE (2003), que utiliza como pergunta-base: como promo- ver nosso produto ou serviço? A partir de então, questões secundárias servem para nos orientar: • Como você promove ou pretende pro- mover a empresa, produtos e serviços? • Alguma promoção chamou a atenção ultimamente? Descubra por quê. • Pense em uma forma diferente de chamar a atenção do consumidor. Atualmente, existem diferentes veículos de comunicação com o cliente, como: redes so- ciais, e-mail, banner online, banner impresso, panfleto, faixa, brindes, televisão, rádio, jornal, revista, mala direta, busdoor, carro e moto de som, eventos, outdoor, venda por meio de displays no próprio ponto de venda, lista tele- fônica online, dentre outros. Constantemente, são criados novos veículos para se comunicar com o cliente. Quando nos referimos à Promoção, deve ser focado o sentido de promover o negócio, por isso, devemos elaborar uma comunicação de marketing, sendo que todas as formas de contato com os consumidores devem conter a mesma essência que somente existe se há um planejamento e objetivos bastante claros. Como vimos, o Plano de Marketing é ela- borado a partir da pesquisa e posterior análise de mercado. As estratégias devem ser pensadas de acordo com a missão, a visão, os valores e os objetivos que foram anteriormente definidos. Também é importante que essas estratégias este- jam alinhadas conforme a capacidade financeira. 123G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Plano Operacional Depois que a análise estratégica foi elaborada, a pesquisa e a análise de mercado foram feitas e as estratégias de marketing foram estrutura- das, precisamos também direcionar atenção ao funcionamento do negócio, afinal, se esse setor não funcionar, a organização não terá receita, ou seja, é essencial planejar formas de maximizar o processo de transformação, que consiste na entrada de matéria-prima ou informações que geram os bens e serviços dos empreendimen- tos. Cada tipo de negócio tem características próprias, isto é, se será um chef de cozinha de indústrias, restaurantes comerciais ou mesmo em buffet que prestam serviços. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o efeito da tecnologia que tem mudado a forma conven- cional de compreender negócios. O processo operacional deve funcionar con- forme o que for decidido em nível estratégico e o setor de operações irá executar. Nessa parte do Plano, inúmeros aspectos são abordados: • Espaço físico – para abrigar atividades de atendimento ao público, recebimento, armazenagem, escritório, cozinha, des- pensa e outras necessidades conforme o negócio. • Layout – refere-se à disposição das má- quinas e equipamentos, de modo a apro- veitar os espaços e otimizar a capacidade produtiva e atender às normas de higie- ne e segurança previstas na legislação. Aproveitar o espaço é fundamental, visto que os custos devem ser minimizados e ter uma grande estrutura sem apro- veitá-la incute em despesas de aluguel desnecessárias. • Necessidades para funcionamento – no caso de negócios relacionados à gastronomia, os EPIs são importantes, bem como adequações nas cozinhas, no estoque e na manipulação dos alimen- tos, bem como o espaço para escritório Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes administrativo, equipe de atendimento e limpeza. • Exigências legais – para negócios que lidam com alimentos, é importante o curso de boas práticas e autorizações de segurança para operar o negócio. É importante buscar por certificações de qualidade que, nos dias atuais, não são mais diferenciais, mas quase uma exi- gência do mercado. • Descrição técnica do produto/servi- ço – é importante saber os atributos e os processos para fabricar o produto e serviço. Essa descrição é realizada com a ficha técnica para saber como é a pre- paração de cada prato, os ingredientes, o tempo de preparo e o rendimento. • Fluxograma das atividades – tem como objetivo planejar desde a entrada até a saída do produto e/ou serviço e o que pode ser feito no caso de uma atividade não ser cumprida satisfatoriamente. A importância do fluxograma é orientar a todos de todas as etapas existentes e o que deve ser feito no caso de problemas. O fluxograma também pode ser utilizado para organizar os processos de compra, armazenamento, vendas, orientação dos procedimentos para organizar e apre- sentar pratos, enfim, tem o objetivo de proporcionar a padronização dos proce- dimentos a serem adotados. • Tipo de produção – é elaborada a forma de produção, se será personalizado como no caso de confeiteiras que preparam doces para festas, produzidos em pe- quenos lotes como os lanches em bares ou em grandes quantidades, tal como ocorre em cozinhas industriais. O tipo de produção influenciará na quantidade de espaço necessária, no volume e inves- timento necessários em insumos. • Planejamento da capacidade de pro- dução – é estruturada a capacidade da produção durante o turno de funciona- mento. Cabe ressaltar que o dimensiona- mento da produção não deve ser feito de forma literal, mas adaptado conforme o estabelecimento. Ou seja, se você demora 5 minutos para fazer um produto, não é que necessariamente em uma hora você fará 12 produtos, isso é uma média de tempo gasto. Imprevistos podem aconte- cer e atrapalhar a produção. Imagine que pare a produção por conta de queda na energia elétrica, imprevisto por assunto administrativo, familiar ou de atendi- mento ao consumidor. Com isso, o tempo que programou não será cumprido e, se você tiver um grande lote de produto a ser feito, correrá o risco de não cumprir. • Formas de controle para o negócio – é exemplificado por software gerenciais, programas de qualidade, treinamento 125G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R para assegurar a diminuição do desperdí- cio, aumentar a produtividade e diminuir os gargalos na produção. A preocupação não deve ser unicamente com o prato, mas assegurando que os produtos este- jam armazenados, frescos e limpos, que os colaboradores estejam devidamente treinados para manipular os alimentos, controlar o estoque, registrar as vendas e as saídas da empresa. • Empregados necessários e possibili- dade de turnos de trabalho – é preciso dimensionar a quantidade de pessoas necessárias para executar a produção. Caso a produção em um turno não seja suficiente, deve-se programar um ou até dois turnos de trabalho, levando em con- sideração a legislação vigente. • Terceirização de processos – caso você não tenha condição de cumprir todas as atividades e atender a demanda, pode pensar em terceirizar processos, ou seja, contratar terceiros para a limpeza, a se- gurança, a contabilidade, podendo a em- presa concentrar os recursos na atividade principal que é a alimentação. • Transporte – a entrega dos produtos e serviços. Essa atividade é importante e exige planejamento e dinheiro, pois é necessário dimensionar a forma de distribuir (entrega terceirizada ou pró- pria) e também o meio de entrega (moto, carro, van, caminhão, barco, navio, trem,avião). Seria muito bom se o produto pudesse ser teletransportado da cozinha para o consumidor final, mas não é assim que ocorre. Inúmeros acidentes podem ocorrer e quem assumirá os gastos? Envolve custos além do tempo necessá- rio para entregar. No caso de frota pró- pria, é preciso fazer a manutenção dos meios utilizados. Parece uma atividade simples, entregar um produto/serviço, mas é bastante difícil, pois envolve re- cursos e tempo de entrega e locomoção. Por exemplo, há casos em que o produto é feito em um estado para ser entregue em outro. Se o alimento for perecível, congelado e precisar de armazenamento especial, a entrega pode se tornar cara e de alto risco. • Logística reversa – hoje, não devemos nos preocupar somente em entregar os produtos, mas também com o descar- te, reciclagem ou a reutilização. A pre- ocupação com o meio ambiente é uma realidade, pois cada vez consumimos mais, explorando os recursos naturais e poluindo o ambiente. A elaboração do plano operacional contribui para eliminar gargalos na produção/prestação do serviço, otimizar processos, aumentando a eficiência da organização. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Na operação das atividades, é fundamental pensar na qualidade. Mas o que é qua- lidade? É bastante genérico. Pergunte para os seus amigos o que é qualidade. Você terá diferentes respostas. Paladini (2004) considera que cada tipo de negócio possui diferentes características e os programas de qualidade levam em consideração diferentes aspectos para avaliar a percepção de qualidade. Por exemplo, no ambiente industrial, é importante gerar menos defeitos, melhorar os métodos de trabalho e gerar atividades sem desperdício. Já no comércio, serão exigidas rapidez e a prestação de serviços que tratam de aspectos intangíveis. É relevante abordar que não há estoque, depende do agente em produzir e atender bem o usuário e é importante o valor percebido pelo usuário. No serviço público, é fundamental a preparação do funcionário para exercer bem o serviço, por isso, precisa estar devidamente motivado para ter satisfação no trabalho. E na gastronomia? Qualidade pode estar associada ao sabor, à consistência, à va- riedade, à aparência, à entrega no prazo, à higiene e ao que mais? Reflita conosco! A aprendizagem também ocorre ao pensar. Fonte: adaptado de Paladini (2004). 127G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Plano de Recursos Humanos Da mesma forma que existe preocupação com a empresa e com a produção, precisamos dire- cionar esforços para aqueles que fazem o ne- gócio funcionar e prosperar: os colaboradores. Apesar de não ser muito comum encontrar nos modelos de Plano de Negócio, consideramos importante que você reflita sobre o componen- te mais importante de uma organização. Com as tecnologias disponíveis para as organizações e os processos sendo cada vez mais aperfei- çoados e eficientes, o fator humano é uma forma de obter um diferencial nos negócios por meio do atendimento ou da disponibilização de serviços. Os principais aspectos a serem elaborados são: • Recrutamento – uma organização deve direcionar esforços desde o momento do recrutamento que é a fase de abrir a vaga para o mercado. Existem duas formas de recrutamento: interno e externo. A pri- meira é feita no próprio negócio, ou seja, o gestor busca entre os colaboradores aquele que pode preencher o cargo em aberto. Em negócios que estão sendo criados, não há como fazer esse tipo de recrutamento. O externo busca a vaga no mercado, seja por empresas especializadas e indicações. É importante que o perfil dos colaborado- res seja compatível com a organização e dotado de formação ou prática na área. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • Seleção – a seleção dos funcionários é a etapa posterior ao recrutamento, ou seja, primeiro a organização divulga as vagas disponíveis e depois ela terá que selecionar aqueles mais adequados e qualificados para o cargo em questão. As empresas podem fazer essa tria- gem por meio da análise do currícu- lo, entrevistas, provas, dinâmicas de grupo, preparação de pratos, dentre outros, que a organização considerar mais relevante. • Análise e descrição de cargos – as or- ganizações na cozinha, empresas ali- mentícias ou local de atendimento são estruturados pela divisão de cargos, sendo que cada indivíduo terá atribui- ções específicas, ou seja, a especialização do trabalho. Essa atividade considera o detalhamento das atividades, das habi- lidades requeridas e da posição na hie- rarquia do negócio. • Progressão de carreira – a valorização profissional é algo que pode reter as pessoas para que permaneçam por mais tempo em uma organização. Quando o colaborador pode ser promovido ou aumentar a remuneração por meio do tempo de permanência, ocorre algo que se torna um atrativo. • Socialização – é fundamental lidar com o processo de socialização do colaborador, ou seja, se preocupar com a inserção do colaborador nas atividades que irá realizar com o re- lacionamento das pessoas que fazem parte do negócio. Para ter iniciativas intraempreendedoras, o processo deve ser iniciado desde o momento em que as pessoas começam a fazer parte da organização. • Remuneração – é um aspecto para atrair e reter colaboradores. Quanto mais a organização se predispor a pagar um valor acima do mercado, tende a chamar mais a atenção das pessoas entretanto ressaltamos que não é suficiente pensar em pagar bem. Podem ser concedidos benefícios para complementar o valor, como bonificações, recompensas, prê- mios, incentivo para estudo, auxílio creche ou participações no lucro. Para a maior parte dos negócios que são micro e pequenos, isso se torna bas- tante difícil, por isso, criar e incentivar um ambiente colaborativo é essencial e isso ocorre por meio de reconhecimen- to e valorização das atividades que as pessoas desenvolvem. • Treinamento e Desenvolvimento – o treinamento dos colaboradores é fundamental para que prestem ser- viço ou produzam mantendo padrão de qualidade, porque cada atividade 129G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R exige habilidades técnicas e sociais. Para ter um bom atendimento e ser reconhecido, é preciso promover trei- namento para os responsáveis pelo atendimento. É importante definir os cursos necessários, bem como o prazo e a frequência que serão aplicados aos colaboradores. O empreendedor precisa ser um líder e saber conduzir a sua equipe. Se você quer pessoas intraempreendedoras, precisa criar um ambien- te que estimule esse tipo de comportamento. Parece simples, mas não é fácil lidar com os negócios, por isso precisa estar devidamente preparado. Problemas de liderança podem atra- palhar o negócio e Lam (2015b, online) aponta cinco erros cometidos por um empreendedor com os membros da equipe: • Não ser claro. • Somente cobrar. • Não incentivar a capacitação. • Ignorar o feedback. • Ser muito centralizador. É importante conhecer práticas de gestão de pessoas, porque lidar com as pessoas é funda- mental. Pode ser difícil pensar em um plano mais específico, principalmente em pequenas empresas, porém é necessário estruturar a forma de remuneração e as necessidades de treinamento. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes Plano Financeiro Chegou a hora de mensurar o que estudamos até o momento, para verificar a viabilidade. Não que isso não seja feito durante a elaboração das outras partes, é fundamental que cada um seja interligado. Vamos dividir em três partes: na primeira, é abordada, de forma geral, aspectos que o empreendedor deve saber sobre o Plano Financeiro; na segunda parte, os demonstrativos utilizados para a elaboração do PN; por fim, indicadores financeiros para medir a viabilidade e o retorno financeiro.É muito importante que, desde o início do negócio, o empreendedor entenda que é fun- damental separar as finanças pessoais com os valores da empresa. A não separação é apontada como uma das causas que levam empreendedo- res a dificuldades financeiras e que podem até levar ao fechamento do negócio. É por isso que existe o chamado pró-labore, que é a retirada dos sócios, ou seja, o salário que os proprietários recebem. As Projeções de vendas são feitas com base na análise de mercado. Por isso, é muito importante dimensionar corretamente os valores, caso contrário, um dos pecados capitais do PN será cometido, que é a projeção imode- rada das receitas. As projeções financeiras são importantes, porém são valores projetados. Por isso, no decorrer do PN, temos que fundamentar as informações que colocamos, além de escrever de forma clara para evitar dúvidas. O empreen- dedor, os sócios e a equipe de gestão devem ser apresentados para demonstrar credibilidade ao negócio, fator fundamental para os investidores apostarem na ideia (DEGEN, 2009). Ao dimensionar a receita, precisamos levar em consideração a aceitação do mercado (par- tindo do ponto que o público-alvo foi adequada- mente escolhido e as estratégias de marketing foram feitas satisfatoriamente), as oscilações do mercado, as particularidades do negócio, como inadimplência, furtos, perdas no deslocamento, e a sazonalidade (esta pode ocorrer em deter- minados dias da semana, do mês, do semestre ou anualmente). Se a procura pelo produto/ serviço aumentar, é necessário se preparar para adequar ao aumento no movimento. O mesmo vale para os períodos em baixa. 131G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R É necessário tomar cuidado com as despesas que temos ao constituir negócios. Como o foco está na abertura do empreendimento, podemos negligenciar pequenos valores que, se somados, podem representar valores consideráveis. Imagine os gastos para registrar a empresa, mais valores com divulgação, criação de site, elaboração de questionários no caso de pes- quisas de mercado, contratação de consulto- ria, cópias e autenticações de documentos e criação da marca. São valores que precisam ser registrados e pensados previamente. No caso de empresa existente, os gastos podem ser com pesquisas e preparativos para colocar um novo cardápio em prática. O investimento inicial é formado pelas des- pesas pré-operacionais, o investimento fixo mais o capital de giro inicial − estoque de materiais di- retos para produção/prestação de serviço, custo fixo, reserva de capital para suporte de vendas Nas disciplinas de Gestão de compras, esto- que e custos, bem como em Planejamento de cardápios, você aprenderá os processos para adequação de estoque e aumento de movimento. Fonte: os autores. a prazo − (DOLABELA, 2006). Outro aspecto importante são os gastos com máquinas, equipa- mentos, imóveis, seguros e aluguel (caso exista), essenciais para quem vai começar o negócio. De acordo com Dolabela (2006, p. 217), os custos fixos são “valores monetários pagos pelos recursos utilizados para manter o funcio- namento do negócio”. Existem independente de a empresa abrir ou não, como no caso do aluguel e os custos com o plano de internet. Além deles, os custos variáveis, ainda conforme Dolabela (2006, p. 217), são os “valores mone- tários pagos para obter e utilizar recursos apli- cados para produzir os produtos ou serviços”. Esses custos ocorrem em função da produção, venda ou prestação de serviço, como no caso dos insumos. Precisamos ter em mente que existem alguns fatores que impactam nos custos da or- ganização, como redução do volume de venda, aumento da inadimplência dos clientes, das despesas e dos próprios custos. Por isso, é fundamental ter reserva financeira para evitar problemas no capital de giro, encurtar o ciclo operacional, ou seja, diminuir a diferença de tempo entre o recebimento e as despesas, para que ocorra o recebimento antes do pagamento das despesas. Também se pode ter como alter- nativa a tentativa de diminuir a inadimplência e evitar o endividamento. O SEBRAE (2003) dá como sugestões, quando existe falta de recursos: Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • Melhorar o sistema de cobrança da em- presa, controlando, de perto, as contas a receber. • Reduzir o prazo de pagamento das vendas. • Melhorar o desempenho dos estoques. • Programar o pagamento das compras em função dos recebimentos da empresa. • Negociar prazos de pagamento com seus fornecedores. • Vender ou negociar bens e equipamentos ociosos. Caso isso não seja suficiente, pode-se recorrer às soluções externas, como negociar com fornece- dor e solicitar financiamento (SEBRAE, 2003). Por isso, é importante gerenciar os recursos e, em caso de dificuldades, saber das alternativas que podem ser aplicadas para resolver essas situações de forma satisfatória. Quando existe sobra de recursos, é preciso ter cuidado, portanto, antes de comemorar e fazer novos investimentos ou gastos, atente-se às dicas do SEBRAE (2003) para lidar com essa parte interna do negócio: • Avaliar com muito critério a possibilida- de de aumentar os estoques. • Ampliar os prazos de pagamento para os clientes, visando ao aumento das vendas. • Expandir a empresa, investindo em equi- pamentos e outros recursos. • Aplicar o dinheiro em investimento seguro. É necessário ter em mente, também, que os ativos fixos acabam se desgastando com o tempo, então, é muito importante saber que um dos pontos abordados no Plano Financeiro é a depreciação. Conforme Dolabela (2006), depreciação é um valor que não sai do caixa da empresa, mas que precisa ser mensurado, porque a máquina, o equipamento e os re- cursos acabam tendo desgaste e precisam ser trocados. O empreendedor precisa estar atento à necessidade de manutenção ou substitui- ção desses recursos. O Quadro 06, a seguir, demonstra a reserva que deve ser feita em cada caso: 133G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Outro ponto fundamental no Plano Financeiro é o financiamento dos negócios, que pode ser por meio de capital próprio, família, anjos, pro- grama governamental, bancos, cooperativas, financeiras e até o financiamento coletivo. Não existe a melhor forma de financiamento, mas aquela mais adequada ao negócio conforme o estágio de desenvolvimento da empresa. Como dificilmente algum investidor vai doar os recur- sos a fundo perdido, então, precisamos escolher a fonte mais conveniente. Também é relevante, no Plano Financeiro, definir o regime de tributação. Vale ressaltar que é importante conhecer o ramo em que atua, pois não deve considerar apenas o faturamento, mas a atividade econômica que desenvolve. Os estabelecimentos que envolvem lanchonetes, casas de chá, sucos ou similares, serviços am- bulantes de alimentação, bares e restaurantes, Recurso Vida útil % ano Obras civis 25 a 30 anos 3,5 Instalações 10 anos 10,0 Software 4 anos 25,0 Equipamentos/utensílios 5 anos 20,0 Máquinas 10 anos 10,0 Móveis e utensílios 10 anos 10,0 Veículos 5 anos 20,0 Quadro 06: Vida útil e depreciação Fonte: adaptado de Dolabela (2006, p. 221). conforme a Receita Federal, podem aderir ao Simples Nacional. Você também pode optar por ser Micro Empreendedor Individual (MEI), que é um regime diferenciado para estimular a for- malização das atividades. O empreendedor precisa estar atento a alguns conceitos importantes para lidar com o aspecto financeiro: • Capital de Giro – é uma reserva de re- cursos para enfrentar possíveis despesas extras, compras de matérias-primas, pa- gamentos de fornecedores, redução de vendas. A importância em administrar o capital de giro é conseguir receber antes de pagar, mas, como isso não é uma situ- ação comum, é necessário ter um valor até que receba os recursospara que o negócio se mantenha aberto, sem a ne- cessidade de pedir recursos emprestados. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes • Margem de contribuição (por preço ou unitário) – é a diferença que sobra entre receitas e custos variáveis que é utilizada para cobrir os custos fixos. A fórmula é: Preço de Venda (PV) menos Custos Variáveis (CV). • Ponto de equilíbrio – volume de vendas necessário para cobrir os custos fixos. Existe uma fórmula para saber, que é: dividir o valor total dos custos fixos pela margem de contribuição. Com isso, saberá se precisa vender mais ou menos para alcançar o ponto de equilíbrio. • Formação do preço – o preço é formado pela medição dos custos mais o lucro desejado. Principais demonstrativos utilizados no Plano de Negócios Além de conhecer os aspectos que influenciam o lado financeiro e algumas fórmulas impor- tantes, é necessário dimensionar e controlar a entrada de recursos na organização. Vamos apresentar, neste material, o Fluxo de Caixa, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. O Fluxo de Caixa é importante porque é possível trabalhar com valores previstos e rea- lizados. Com isso, podemos conhecer o saldo, ou seja, se os valores que realmente foram pre- vistos se confirmaram. É importante fazer isso diariamente para ter um detalhe maior, porém, pelo menos mensalmente, também deve ser feito. Quanto mais completa estiver essa fer- ramenta de controle, melhor o empreendedor poderá saber como está a situação do negócio, podendo até fazer acompanhamento e compa- ração mensalmente. Esse controle pode ser rea- lizado por meio do Livro Caixa (ainda usual em pequenos negócios) ou por meio de assessoria contábil. A utilização de um Livro Caixa per- mite anotar com detalhe os recursos e o Fluxo de Caixa, uma análise mais completa, porque o primeiro serve para o registro e o segundo, como relatório diário. Confira um modelo de Fluxo de Caixa para entender como pode ser feito o controle dos recursos que entram e saem no negócio. 135G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Mês Total Previsto Realizado Saldo Previsto Realizado Saldo Saldo Dinheiro Cheque Duplicatas Total de entradas ICMS, IPI, ISS Fornecedores Salários Despesas Total de saídas Saldo operacional Saldo Final Figura 03: Exemplo de Fluxo de Caixa Fonte: os autores. O Balanço Patrimonial é um documento que per- mite ter informações gerenciais sobre recursos que a organização possui, tanto o dinheiro quanto o patrimônio e as obrigações. Uma explicação sobre o Balanço Patrimonial bastante pertinente é encontrada em Dornelas (2005, p. 163): O ativo corresponde a todos os bens e di- reitos de uma empresa. O passivo é uma obrigação ou a parcela de financiamento obtido de terceiros. O patrimônio líquido corresponde aos recursos dos proprie- tários aplicados na empresa. O valor do patrimônio se altera quando a empresa tem lucro ou prejuízo no período, ou ainda, quando ocorre investimento por parte dos sócios. O ativo da empresa re- presenta as aplicações de recursos que se dividem em circulantes, de longo prazo, e permanentes. O passivo, assim como o patrimônio líquido, representa as ori- gens de recursos. Portanto, o BP, ou o equilíbrio entre origens e aplicações, é representado por: Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo. Essa explicação de Dornelas (2005) pode ser estruturada de forma mais clara, assim como apresenta o Quadro 07. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes ATIVO Circulante: são contas que estão constantemente em giro, sendo que a conversão do dinheiro será, no máximo, no próprio exercício social. Formado pelo Caixa, Contas a Receber e Estoques. Realizável no longo prazo: bens e direitos que se transformarão em dinheiro no próximo exercício. Formado por Títulos a Receber. Permanente: são bens e direitos que não se destinam à venda e têm vida útil; no caso dos bens, vida longa. Formado pelos Investimentos e Imobilizado. PASSIVO Circulante: são obrigações exigíveis que serão liquidadas no próprio exercício social. Formado pelas Contas a Pagar. Exigível no longo prazo: obrigações liquidadas com prazo superior a um ano. PATRIMÔNIO LÍQUIDO São os recursos dos proprietários aplicados na empresa. Quadro 07: Exemplo de Balanço Patrimonial – BP Fonte: Dornelas (2005, p. 164). É necessário saber que o ativo sempre será igual à soma do passivo com o patrimônio líquido. Todo valor que entrar em um dos lados deve ser compensado no outro. Esse balanço, conforme nossa legislação, normalmente solicita que o balanço seja divulgado no final de cada exercício social, mas, como exigem exceções, consulte um contabilista para saber a respeito do ramo de negócio em que trabalha. O Demonstrativo do Resultado do Exercício per- mite conhecer de forma mais aprofundada se o negócio está dando lucro ou prejuízo e os valores envolvidos com impostos, custos, despesas e receitas. Isso é relevante para o empreendedor detectar inconsistências nos valores, comparan- do com anos anteriores. Caso o negócio esteja no início, será possível fazer comparações com os anos seguintes e saber se o que foi projeta- do está concretizado, conforme demonstra o Quadro 08. 137G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R Item Explicação Receita Bruta Total Geral das Vendas (-) Deduções Impostos, devoluções e abatimentos = Receita Líquida (-) Custos do Período Gastos referentes à produção e à comercialização ou aos serviços prestados = Lucro Bruto (-) Despesas Gastos necessários para que a atividade seja desenvolvida (atividades administrativas, de vendas e financeiras) = Lucro Operacional (+/-) Receita/Despesa não operacional Não proveniente das operações = Lucro antes do Imposto de Renda (-) Imposto de Renda = Lucro Líquido Quadro 08: Exemplo de Demonstrativo do Resultado do Exercício - DRE Fonte: Dornelas (2005, p. 165). Além de ser um documento contábil, é importan- te que seja bem elaborado. Para isso, é necessário registrar todos os recursos que entram e saem do negócio, porque nesse demonstrativo constam apenas os valores finais. Vale ressaltar que, ge- ralmente, o DRE deve contemplar as movimen- tações até o dia 31 de dezembro, porém existem empresas que atuam de forma diferenciada. O empreendedor, além desses demonstra- tivos, possui, também, outros indicadores que são importantes para avaliar a viabilidade do negócio. Vamos conhecer alguns deles. Índices financeiros Os índices que apresentaremos são utilizados para mensurar e dar respaldo às decisões dos empreendedores. • Liquidez – se a empresa é capaz de saldar dívidas. • Atividade – a rapidez com que os recur- sos são convertidos em vendas. • Endividamento – o grau de endivida- mento do negócio. • Lucratividade – o quanto a empresa é atrativa para o investidor. Existem também outras técnicas utilizadas para análise e retorno de investimentos, como: • Payback – tempo para recuperar o investimento. • Valor Presente Líquido (VPL) – serve para saber o quanto um valor represen- tava no passado. • Taxa Interna de Retorno (TIR) – serve para avaliar alternativas de Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes investimento. É estabelecida uma taxa de retorno desejada conforme projeções pessoais e/ou de mercado e, depois, compara-a com a taxa interna de retorno do investimento. Se a TIR for maior que a taxa projetada, o pro- jeto deve ser aceito, pois está acima do que se pensou. Caso a TIR seja menor, o projeto pode ser descartado ou rees- truturado (DOLABELA, 2006). Documentos Informações da empresa Pesquisas Contrato de aluguel Fotos de produtos Pesquisas de Mercado Contrato social Plantas da empresa Depoimentos Currículo dos sócios Material de divulgação Reportagens Fotos da loja, filial ou fábrica Artigos Dados técnicos Propagandas Orçamentos Análise da concorrênciaQuadro 09: Tipos de anexos a serem inseridos Fonte: os autores. Anexos Não existe uma regra sobre o que colocar nos anexos. A escolha depende da exigência do agente que vai ter contato com o negócio ou pelo critério do empreendedor. Podemos in- serir uma série de informações que vão desde documentos, como informações da empresa, até pesquisas e análises. O Quadro 09 foi es- truturado de forma a apresentar exemplos que podem ser colocados: Os livros sugeridos como leitura complemen- tar no final da unidade, além dos autores pes- quisados, não indicam o que é obrigatório, pois não existe regra. Se consultarmos livros e exemplos de planos na internet, encontra- remos uma diversidade de conteúdos nos anexos. Cabe ao empreendedor colocar o mais importante que possa fundamentar o plano que elaborou. Convido você a ler os materiais que estão como sugestões ao final da unidade, visto que esses complementam o conteúdo abordado. "Olá, tripulante, espero que você tenha tido grandes aprendizados com nosso material. Mas nossa experiência não termina aqui: venha navegar um pouco mais no universo do EMPREENDEDORISMO E DA GESTÃO DE EQUIPES EM RESTAURANTES. Aperte o cinto e acesse o QR Code." 139G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R co ns id er aç õe s fi na is Nesta unidade, procuramos apresentar a ferramenta Plano de Negócios, elaborando a definição de conceito, a relevância para um negócio, seja novo ou existente. O Plano de Negócio pode ser utilizado em qualquer momento do negócio, seja na abertura ou quando a empresa estiver em funcionamento para resolver problemas ou traçar os próximos passos. Ressaltamos a estrutura do PN, mas é necessário estar atento aos erros durante a elaboração, para evitar os chamados pecados capitais do Plano de Negócios. Esses sete aspectos ressaltam erros comumente cometidos por empreendedores durante a elaboração que leva o Plano a ser rejeitado pelas pessoas que avaliam esse documento. Dividimos nossa abordagem no Plano em três partes: a primeira apresen- tando um resumo para mostrar a proposta da empresa, a segunda visando apresentar o negócio e o posicionamento perante o mercado e, por fim, as partes específicas de Marketing, Recursos Humanos, Produção e Finanças. É importante dizer que não existe uma estrutura linear, ou seja, não é necessário fazer um Plano para que outro seja elaborado. As informações de um dependem de outro. Os anexos mencionados no material são arquivos que podem ser colocados para complementar o Plano de Negócios. Não existe regra sobre o que pode ou não ser colocado. Depende do agente que vai ler o negócio ou mesmo da percepção do empreendedor ao acrescentar documentos, informações da empresa ou mesmo alguma pesquisa que tenha sido elaborada. Como notamos, o Plano de Negócios é fundamental para qualquer organi- zação. A elaboração exige dedicação e esforço. Espero que tenha compreendido a importância e as atividades que são feitas em cada etapa do PN. Por fim, deixamos uma mensagem. Você só pode saber se está gerenciando o negócio se tiver métricas, caso contrário, estará fazendo na intuição e, se o seu pressentimento estiver errado, terá sérios problemas. Tenho certeza que para elaborar cada prato você escolhe os ingredientes, mede a quantidade de cada tempero, com o objetivo de conseguir fazer um delicioso prato. Caso não tenha organização, acabará trocando ou errando, em algum momento, que pode ser fatal. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes at iv id ad es d e es tu do 1. A análise de mercado é fundamental para o empreendedor, ainda mais nos dias atuais. Para uma boa análise, é importante tomar cuidado com alguns aspectos. A partir da leitura do livro, leia as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta: I. Para analisar o mercado, a atenção deve ser apenas nos concorrentes. II. Conhecer o comportamento do consumidor é importante para fazer uma análise do mercado. III. Investir tempo e recursos pode parecer desperdício, mas é importante para ter informações consistentes. IV. Com o auxílio de um buscador de pesquisa, é possível coletar todos os dados necessários para fazer uma análise de mercado ampla e completa. a. ( ) Somente I e II estão corretas. b. ( ) Somente I, II e IV estão corretas. c. ( ) Somente I, III e IV estão corretas. d. ( ) Somente II e III estão corretas. e. ( ) Todas as afirmações estão corretas. 2. O Plano de Marketing representa uma boa alternativa para os gestores elaborarem estratégias mais adequadas ao momento da organização. Com base no que foi abordado na unidade a respeito do Plano de Marketing, leia as afirmações e assinale a alternativa correta: I. A responsabilidade desse plano é ampla em vários aspectos relacionados ao Marketing. II. O Produto tem como responsabilidade lidar com o desenvolvimento e atributos, como tamanho, sabor e variedade. III. A Promoção cuida da elaboração de propagandas, unicamente. IV. O Preço tem que estar aliado à política de atuação da organização e conforme o poder aquisitivo do público-alvo. a. ( ) Somente I e II estão corretas. b. ( ) Somente I, II e IV estão corretas. c. ( ) Somente I, III e IV estão corretas. d. ( ) Somente II e III estão corretas. e. ( ) Somente III e IV estão corretas. 141G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R at iv id ad es d e es tu do3. O Plano Financeiro é importante para qualquer negócio, porque é responsável pelo ge- renciamento dos recursos financeiros. A preocupação se faz necessária porque, se houver mais saída em comparação à entrada de recursos, logo haverá problemas gravíssimos que podem fazer até o negócio fechar. A partir da compreensão, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. A entrada e saída de recursos é algo que sempre ocorre nos negócios, por isso, não é ne- cessário fazer controle a todo o momento. PORQUE II. Qualquer tipo de organização pode e deveria fazer o gerenciamento dos recursos financeiros. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a. ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b. ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. c. ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. ( ) As asserções I e II são proposições falsas. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes le it ur a co m pl em en ta r Esta é uma pergunta comum daqueles que estão começando a experiência empreendedora ou de quem não dá o devido valor ao Plano de Negócio. Primeiro, vamos enfatizar a importância do PN. Trata-se de um documento que serve como direcionador estratégico que, por meio de fatos passados, aspectos atuais e tendências futuras, traça um panorama para o médio e longo prazo, visando melhorar a situação atual. Por isso, todo negócio pode e deveria utilizar essa ferramenta, porque ninguém está disposto a permanecer em uma organização que irá fechar no futuro, além do fato de o empreendedor não querer perder o dinheiro, os recursos e acumular fracasso. Agora, vamos escrever a respeito do mercado. É notável as mudanças que todos os ramos de negócios vêm passando nos últimos anos e que foram acentuadas na última década. Modificamos nossa forma de nos comunicar com pessoas dis- tantes e próximas, que era via telefone e carta e, agora, se dá instantaneamente por videoconfe- rência, aplicativos de mensagem instantânea, e-mail. O contato pessoal ocorre apenas em casos de necessidade, porque não é preciso mais se re- lacionar presencialmente. Conversando com em- preendedores e colaboradores, ouvimos relatos de negócios que são feitos sem que um conheça pessoalmente a outra parte. Outro ponto a respeito do mercado é quea tecnologia permitiu o aperfeiçoamento dos mé- todos de produção, além da comunicação citada anteriormente. Conseguimos produzir em grande escala, trabalhar com pouco estoque, deslocar mer- cadorias enormes, percorrer grandes distâncias, métodos de controle automatizados e eficientes. Esses dois pontos alteraram nossa forma de fazer negócios e, aliado às mudanças no contexto social, econômico, político, provocaram mudanças significativas na nossa vida, nos aspectos compor- tamental, de consumo e de enxergar a vida. Com isso, existe a necessidade de conhecer os hábitos e acompanhar as mudanças que ocorrem ao longo dos anos. Se hoje pode ser totalmente possível uma oportunidade de negócio, amanhã pode não ser mais e isso não ocorreu da noite para o dia, mas aos poucos. Quem acompanha as tendências do mercado está mais preparado para enfrentar as dificuldades com menos chance de insucesso. Então, por que fazer o Plano de Negócio? Para estar atualizado com as novidades do mer- cado. Mas mesmo com o mercado mudando? Sim, o documento não é algo estático como um RG que nós tiramos uma vez. O PN é algo volátil, que vai sendo aperfeiçoado aos poucos para se manter atualizado e ser como um guia para o empreendedor que deseja sucesso. Fonte: os autores. Se o mercado muda a todo instante, por que fazer o Plano de Negócio? 143G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R m at er ia l c om pl em en ta r O segredo de Luísa Fernando Dolabela Editora: Sextante Sinopse: o autor aborda a história de vida de uma empreendedora e, ao mesmo tempo, vai apresentando informações técnicas que envolvem o plano de negócios. A empreendedora decidiu mudar a trajetória de vida e criou um negócio de sucesso. O livro conta como Luísa conciliou a vida pessoal com a elaboração do plano de negócios para abrir um novo negócio. Teste para utilizar o Plano de Negócios Convidamos você para fazer um teste e, assim, saber se realmente conhece um PN e usufrui das técnicas para trazer benefícios ao seu negócio. Acesse o link disponível em: <http://exame. abril.com.br/pme/quizzes/voce-sabe-usar-o-plano-de-negocios>. Acesso em: 22 out. 2015. Como elaborar um Plano de Negócios Material desenvolvido por Cláudio Afrânio Rosa. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/RJ/Menu%20 Institucional/Como%20elaborar%20um%20plano%20de%20negocios.pdf>. Acesso em: 04 nov. 2015. Dica para criar Plano de Negócios Cartilha desenvolvida pela PricewaterhouseCoopers Brasil, para ajudar na elaboração. Disponível em: <https://docs.google.com/file/d/0B8ZWX0GnDcaHMDA4M2NmZTktNTA0NC00YjdkLWIwO- GQtOGI1NWQ3Nzg3ZTcw/edit?hl=en>. Acesso em: 04 nov. 2015. Os links a seguir direcionarão você para o site do SEBRAE que ajuda na gestão da produção, e apresenta técnicas de produção para aumentarem o desempenho da empresa. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/A-gest%C3%A3o-de- -produ%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-essencial-para-a-sua-empresa-crescer>. Acesso em: 04 nov. 2015. http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/RJ/Menu%20Institucional/Como%20elaborar%20um%20plano%20de%20negocios.pdf http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/UFs/RJ/Menu%20Institucional/Como%20elaborar%20um%20plano%20de%20negocios.pdf http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/A-gest%C3%A3o-de-produ%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-essencial-para-a-sua-empresa-crescer http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/A-gest%C3%A3o-de-produ%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-essencial-para-a-sua-empresa-crescer Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes m at er ia l c om pl em en ta r Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/tipoconteudo/organizacao?co- dTema=7>. Acesso em: 04 nov. 2015. Reportagens do SEBRAE que possibilitam você a conhecer sobre logística, canais de distribui- ção e inovação. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Log%C3%ADstica- %C3%A9-um-dos-pontos%E2%80%93chave-no-com%C3%A9rcio-eletr%C3%B4nico>. Acesso em: 04 nov. 2015. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Escolha-os-canais-de- distribui%C3%A7%C3%A3o-para-seus-produtos>. Acesso em: 04 nov. 2015. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Como-definir-os-canais- de-distribui%C3%A7%C3%A3o-de-um-neg%C3%B3cio>. Acesso em: 04 nov. 2015. O manual Como elaborar um Planejamento de Recursos Humanos foi desenvolvido por Willer Amaral, do SEBRAE. Para fazer download, é necessário fazer cadastro. Disponível em: <http://www.sebraemg.com.br/atendimento/bibliotecadigital/documento/ cartilha-manual-ou-livro/como-elaborar-um-planejamento-de-recursos-humanos>. Acesso em: 22 out. 2015. Papo de especialistas com vídeos abordando educação empreendedora, lei geral renovada, encadeamento produtivo, MEI e empreendedorismo de forma geral Disponível em: <http://www.youtube.com/playlist?list=PLnPmdlI4EGt13gNVGeUBPBTQWr4qe- ab0H>. Acesso em: 22 out. 2015. Para os empreendedores, existe um portal em que é possível tirar todas as dúvidas sobre os regimes de negócio para os empreendedores. Disponível em: <http://www.portaldoempreendedor.gov.br/>. Acesso em: 22 out. 2015. Como o registro de negócios tem muitas particularidades, deixamos dois links para orientar os empreendedores. O primeiro é um guia prático para o registro de empresas feito pelo SEBRAE. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Guia-pr%C3%A1tico- para-o-registro-de-empresas>. Acesso em: 22 out. 2015. O segundo é a explicação do SEBRAE-RS sobre os procedimentos necessários para a abertura de uma empresa em 7 passos. Disponível em: <http://www.sebrae-rs.com.br/index.php/7-passos-para-abrir-minha-empresa>. Acesso em: 22 out. 2015. Como elaborar um Plano de Marketing O manual desenvolvido por Isabela Gomes do SEBRAE serve para auxiliar no desenvolvimento do Plano de Marketing. É necessário fazer cadastro antes de fazer o download do material. Disponível em: <http://www.sebraemg.com.br/atendimento/bibliotecadigital/documento/ http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/tipoconteudo/organizacao?codTema=7 http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/tipoconteudo/organizacao?codTema=7 http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Log%C3%ADstica-%C3%A9-um-dos-pontos%E2%80%93chave-no-com%C3%A9rcio-eletr%C3%B4nico http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Log%C3%ADstica-%C3%A9-um-dos-pontos%E2%80%93chave-no-com%C3%A9rcio-eletr%C3%B4nico http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Escolha-os-canais-de-distribui%C3%A7%C3%A3o-para-seus-produtos http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Escolha-os-canais-de-distribui%C3%A7%C3%A3o-para-seus-produtos http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Como-definir-os-canais-de-distribui%C3%A7%C3%A3o-de-um-neg%C3%B3cio http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Como-definir-os-canais-de-distribui%C3%A7%C3%A3o-de-um-neg%C3%B3cio http://www.youtube.com/playlist?list=PLnPmdlI4EGt13gNVGeUBPBTQWr4qeab0H http://www.youtube.com/playlist?list=PLnPmdlI4EGt13gNVGeUBPBTQWr4qeab0H http://www.portaldoempreendedor.gov.br/ http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Guia-pr%C3%A1tico-para-o-registro-de-empresas http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/Guia-pr%C3%A1tico-para-o-registro-de-empresas 145G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R m at er ia l c om pl em en ta rcartilha-manual-ou-livro/como-elaborar-um-plano-de-marketing>. Acesso em: 22 out. 2015. O Fluxograma é uma técnica bastante interessante que permite listar todas as tarefas e o que fazer em cada situação. É importante para nos dar a dimensão dos processos e do que fazer em cada situação. Uma sugestão para você entender a elaboração do fluxograma é encontrada no link disponível em: <http://organograma.net/fluxograma-modelos>. Acesso em: 22 out. 2015. O regime de tributação é algo essencial para osnegócios e os recursos podem ser economizados quando há o planejamento tributário. Para isso, vamos passar algumas informações para você e sugerimos que consulte um contabilista. O material que apresentamos é um artigo de José Carlos Monteiro, com o título Regime de Tributação – Conceito, o qual explica de forma sucinta os regimes de tributação existentes no país. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/regime-de- -tributacao-conceito/84825/>. Acesso em: 22 out. 2015. Para os negócios que estão no mercado, sugerimos uma calculadora que ajuda a escolher o regime de tributação. Recomendamos que leia a reportagem da UOL e, depois, acesse o link disponível nela para ter acesso à calculadora feita pelo SEBRAE e hospedada no site da Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: <http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2015/01/13/ sebrae-lanca-calculadora-que-ajuda-empresa-a-escolher-regime-de-tributacao.htm>. Acesso em: 22 out. 2015. Como é possível notar, existem diversos indicadores que podem ser utilizados. Cabe ao empre- endedor ter uma equipe qualificada para verificar os índices mais importantes para o negócio. Rodrigo Zeidan, na reportagem Como calcular o retorno que sua empresa terá no longo prazo, ajuda você a como pensar nesse aspecto importante para a viabilidade do negócio. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/pme/dicas-de-especialista/noticias/como-calcular- -o-retorno-que-sua-empresa-tera-no-longo-prazo>. Acesso em: 22 out. 2015. Ainda ficou com dúvidas a respeito de finanças? É normal. É difícil compreender tudo isso, então, é necessário estudar bastante. O link a seguir apresenta uma série de dicas e artigos do SEBRAE que vale a pena consultar. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/tipoconteudo/financas>. Acesso em: 22 out. 2015. http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/regime-de-tributacao-conceito/84825/ http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/regime-de-tributacao-conceito/84825/ http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/tipoconteudo/financas Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes É com muita satisfação que escrevemos este material para apresentar a você alguns dos principais assuntos em empreendedorismo. É um tema fascinante e esperamos ter in- centivado a vontade de ser um indivíduo empreendedor. Mesmo que você não pense em ser um empreendedor em um novo negócio, você pode ver que é perfeitamente possível demonstrar seu potencial dentro da organização da qual você faz parte. Vamos relembrar os pontos principais do material? Na unidade I, apresentamos a definição, os tipos empreendedores, além do papel social e econômico, os mecanismos e entidades que podem auxiliar os negócios. As consultorias, assessorias, incubadoras, aceleradoras e consultorias juniores são algumas das organizações que proporcionam apoio e capacitação para evitar a mortalidade de negócios. Os empreendedores enfrentam o fator risco esperando ter vantagens econômicas. Como ressaltamos, é necessário cuidado e dedicação, porque o sucesso depende da dedicação. Não é fácil abrir e manter um negócio, caso contrário, todos fariam. Na unidade II, aprendemos as características, o perfil e mitos do empreendedorismo e também a oportunidade e o processo empreendedor na Gastronomia. O empreendedor é alguém que deve ter visão de longo prazo, trabalhar em equipe, que se prepara para que suas ideias possam ser colocadas em prática. Outra parte importante foi abordar a oportunidade, porque é com isso que existe o empreendedorismo. Uma oportunidade ocorre quando alguém identificou uma ideia e a colocou em prática, porém inúmeras situações podem acontecer, as quais interferem de forma temporária ou definitiva. Verifica-se na Gastronomia que muitas pessoas começam por necessidade, um dos tipos empreendedores, justamente por complemento de renda. Na unidade III, abordamos o Plano de Negócios: uma ferramenta utilizada pelos empreendedores que é extremamente dinâmica e deve ser atualizada para acompanhar a velocidade das mudanças de cenário e ser realista quanto aos aspectos atuais e expec- tativas futuras. Um dos pontos ressaltados é que o Plano de Negócios pode ser utilizado Conclusão 147G A S T R O N O M I A • U N I C E S U M A R para captar recursos, estabelecer parcerias, incentivar e persuadir sócios e funcionários. É essencial conhecer o mercado, o público-alvo, os concorrentes e os fornecedores para direcionar esforços. Explicamos cada uma das etapas que compõem o Plano de Negócios: Recursos Humanos, Marketing, Operacional e Financeiro. Esperamos que os conhecimentos que abordamos aqui sejam úteis para você como foram para nós. Úteis no sentido de contribuir para o seu desenvolvimento pessoal, da construção coletiva do conhecimento, de apontar novos caminhos e inspirações para que você siga uma carreira de sucesso na área gastronômica. As fases de nossa vida são marcadas por acontecimentos singulares, como a obtenção de uma educação superior, o casamento ou nascimento de filhos e outras ocasiões memoráveis. Esperamos que o conhecimento sobre empreendedorismo seja, ao menos, uma fagulha na grande fogueira de ideias que fervilham em sua mente, que você se sinta, de fato, incomodado com o que aprendeu e que faça alguma coisa a respeito, empreendendo uma ideia que possa mudar a sua vida, a vida dos que você ama e, quem sabe, uma pequena parte do mundo. Empreendedorismo e Gestão de Equipes em Restaurantes re fe rê nc ia s A ATUAL taxa de mortalidade das empresas mostra avanços. FENACON. Disponível em: <http://www.fenacon.org.br/noticias-completas/1568>. Acesso em: 20 fev. 2015. ABF. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRANCHISING. Portal do Franchising. Disponível em: <http://www.portaldofranchising.com.br>. Acesso em: 20 jan. 2015. ACELERADORAS. EXAME.com, São Paulo. Disponível em: <http://exame.abril.com. br/topicos/aceleradoras>. Acesso em: 20 fev. 2015 ACELERATECH. Como funciona nosso processo de aceleração? São Paulo. 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Outro ponto é que o crescimento do negócio depende também dos indivíduos que, se forem intraempreendedores, ajudarão ainda mais no desenvolvimento da organização. Alternativa E – Justificativa – Todos os elementos estão corretos. O empreendedorismo existe porque ideias foram transformadas em oportunidades. São as pessoas que atuam nos negócios novos ou em empresas existentes. Isso acarretará em novos produtos que não necessariamente foram criados, mas incorporados ao negócio. UNIDADE II Alternativa C – Justificativa – A afirmação II está incorreta, porque foi ressaltado que não existe um perfil ideal único. Alternativa B – Justificativa – As duas asserções tratam corretamente do processo empreendedor, mas a segunda não justifica a primeira, porque abordam pontos diferentes. Alternativa E – Justificativa – Todas as afirmações apresentam pontos citados pelos autores apresentados no material. UNIDADE III Alternativa D – Justificativa – A afirmação I está errada porque não são somente os concorrentes que compõem a abrangência da análise de mercado. Na alternativa IV, a internet pode até facilitar a busca por dados, mas o contato com empreendedores e os próprios consumidores é muito relevante e essencial. Alternativa B – Justificativa – A afirmação III é invalidada pelo termo unicamente. Um dos pontos traba- lhados na Promoção é a Propaganda. Alternativa D – Justificativa – A afirmação I está errada, porque, justamente pelos recursos serem movi- mentados a todo o momento, se faz importante controlar os recursos da organização. unidade 1 Introdução ao Empreendedorismo Definindo Empreendedorismo e Empreendedor Tipos de Empreendedorismo O Papel Social e Econômico do Empreendedorismo O Empreendedor e a Oportunidade Características e Perfil do Empreendedor Mitos sobre Empreendedores e Empreendedorismo Oportunidade e Necessidade Empreendedora Introdução ao Plano de Negócios Compreendendo Plano de Negócios Iniciando a Elaboração do Plano de Negócios Partes do Plano de Negócio Botão 2: Button 3: