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Valores e moral fazem parte do universo humano. São construções humanas e, por isso, dizemos 
que são culturais. Diferentemente daquilo que é natural, eles não existem sem a constituição da so-
ciedade. Entretanto, há uma tendência social em naturalizá-los, em tratá-los como se o mundo tivesse 
sido assim desde sempre.
Uma simples análise histórica nos 
mostrará que o que é considerado certo 
ou errado, justo e injusto, se alterou ao 
longo do tempo e variou em diferentes 
sociedades.
Na Grécia antiga, por exemplo, ter 
pessoas escravizadas era considerado 
justo e um direito do cidadão grego. Du-
rante o processo de colonização da Amé-
rica, foi considerado correto escravizar 
negros africanos e povos originários da 
América.
Outro exemplo é o voto feminino. 
No Brasil, ele foi garantido por lei ape-
nas em 1932 e, mesmo assim, somente 
para mulheres com renda. Na Suíça, as 
mulheres foram autorizadas a votar apenas em 1971. Ainda hoje, muitos países diferenciam legalmente 
os direitos dos cidadãos de acordo com o gênero, como ocorre de forma mais aguda na Arábia Saudita 
e no Irã.
Um estudo do Banco Mundial avaliou a desigualdade financeira e legal em 187 países, entre 2008 
e 2018, e concluiu que em apenas seis deles – Bélgica, Dinamarca, França, Letônia, Luxemburgo e 
Suécia – há igualdade nesses aspectos entre os sexos.
Esses casos são exemplos que evidenciam desigualdade de tratamento de grupos sociais, segundo 
valores vigentes atualmente no mundo ocidental, que já foram ou ainda são tradições em alguns luga-
res e que passaram por mecanismos de naturalização para serem amplamente aceitos.
TEMA
2 Tradi•‹o, constru•‹o cultural
Em 2018, os cargos dos ministros 
da Etiópia foram distribuídos 
igualitariamente entre homens e 
mulheres, seguindo o exemplo dado por 
Ruanda, outro país africano, colocando-os 
na vanguarda mundial na promoção da 
igualdade de gênero na política.
A maioria das clássicas histórias infantis veicula uma moral – o que é 
certo e errado, quem é herói ou vilão, quais modelos de comportamentos 
são adequados ou inadequados – e, além de entreter as crianças, as educa 
culturalmente e contribui para naturalizar tradições e, no caso, valores.
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1 1 Reunidos em grupos de quatro ou cinco estudantes, levantem tradições praticadas na comunidade 
à qual vocês pertencem (escola, bairro, município ou ainda a sociedade brasileira) que avaliam que 
sejam prejudiciais a algum grupo social, aos animais ou ao meio ambiente.
2 2 Escolham uma dessas situações e procurem planejar uma ação para sensibilizar a comunidade e 
contribuir para questionar essa tradição e, quem sabe, construir uma nova realidade.
3 3 Apresentem o caso escolhido para a classe e expliquem por que o avaliaram como a melhor opção. 
Considerem a relevância e a possibilidade de vocês pensarem em um bom projeto, possível de 
realizar e com potencial de chamar a atenção para o problema ou reduzi-lo, dependendo de sua 
complexidade.
4 4 Escutem os comentários dos colegas sobre o problema que escolheram e colham opiniões sobre o 
que eles acham que poderia ser feito.
5 5 Reunidos novamente em seus grupos, façam um plano de ação para encaminhar a proposta de 
vocês. Lembrem-se de:
a) definir o objetivo da ação (o que é pretendido?);
b) justificar a importância do problema (por que abordar o problema?);
c) organizar o cronograma de ações (o que será feito, como, quando, onde e por quem?);
d) levantar recursos necessários (informações, recursos materiais, autorizações, parceiros, etc.);
e) revisar e executar o plano;
f) avaliar o processo e o resultado.
Trocando ideias
A atividade exige diferentes habilidades dos estudantes: trabalho em grupo, leitura 
do entorno e diagnóstico de problema, avaliação do problema, encaminhamento de 
soluçõe s, estimativa de recursos, custos e tempo necessários para a intervenção, 
planejamento, avaliação e muitas outras, que variam de acordo com o problema 
selecionado. Ajude-os a selecionar algo que esteja ao alcance da ação deles.
Cotas
No Brasil, e em outros países, foram criadas algumas legislações específicas para a promoção 
do acesso e para a integração das chamadas minorias no setor público e privado. Esse mecanismo 
tem sido chamado de cotas (sociais, raciais, de gênero, etc.).
Nas universidades públicas, há cotas ou sistema de pontuação diferenciado nos exames de 
admissão para estudantes de escola pública, para famílias com renda mensal inferior a um salário 
mínimo e para pretos e pardos (denominação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
tica – IBGE – para se referir aos afrodescendentes). Partidos políticos devem ter no mínimo 30% 
de mulheres entre seus candidatos nas eleições para vereadores, deputados estaduais e federais. 
As empresas privadas devem ter entre 2% e 5% no total de seus funcionários, dependendo do seu 
tamanho, de portadores de deficiência. Na esfera pública, a legislação prescreve cotas raciais para 
negros, pardos, indígenas e pessoas com deficiência física e/ou intelectual nos concursos públicos.
Educa•‹o e trabalho
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Perman•ncias e mudan•as
De modo geral, na modernidade, é entendido que os adultos, os mais velhos, são responsáveis por 
cuidar e educar os mais novos, as crianças e os jovens. Isso compreende cuidar da criança e do jovem 
diante dos perigos do mundo. Explicar como as coisas funcionam, observar, orientar e evitar que eles 
se submetam a condições que possam provocar prejuízos que atrapalhem ou impeçam seu desenvol-
vimento.
Espera-se também que os adultos apresentem o mundo à criança e ao jovem e sejam responsáveis 
por inseri-los na cultura e na civilização. E isso deve ser feito de modo crítico, ou seja, de forma que 
as novas gerações sejam capazes de avaliar o que da cultura merece ser preservado, mantido, e o que 
merece atualização, transformação.
Portanto, uma vez protegidos e educados, espera-se que os jovens sejam capazes de reconhecer e 
valorizar o legado cultural que herdaram e também de se engajar na realização de projetos de vida que, 
além de seus desejos e necessidades pessoais, considerem a coletividade, os desafios não solucionados 
pelas gerações anteriores ou mesmo criados por elas, lembrando que os problemas variam em natureza, 
complexidade e escala.
Em linhas gerais, e em escala global, pode-se destacar como temas aos quais todo jovem deve estar 
sensível o combate à pobreza e à miséria, a universalização dos direitos humanos, a manutenção da 
paz entre os povos, o desenvolvimento sustentável (criação e distribuição da riqueza, garantindo ou 
até melhorando a qualidade ambiental para as atuais e futuras gerações), entre outros.
Certamente, em cada realidade nacional e local outros desafios estão postos para o presente, mi-
rando a construção de um futuro melhor. Ou seja, espera-se também que o jovem transforme o mundo 
por meio de sua ação na escola, faculdade, instituição religiosa, comunidade, trabalho e nas distintas 
esferas sociais das quais participa.
Uma das manifestações da juventude brasileira 
que mais marcaram a história do país foram 
os chamados caras pintadas, jovens de várias 
cidades que se uniram em prol do processo 
de impeachment do então presidente da 
República Fernando Collor de Melo. Na 
imagem, estudantes caras pintadas durante 
manifestação em São Paulo, SP, em 1992.
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Como o mundo é bastante dinâmico, cada nova geração encontra um contexto político, econômico, 
ambiental, científico e social diferente da anterior, sendo apresentada a um mundo novo, diferente 
daquele herdado pela geração responsável por educá-la. As mudanças ocorrem diante de um conjunto 
variado de forças simultâneas, algumas em movimentos contrários a outras e algumas em movimentos 
convergentes.
Claro que essas dinâmicas estão submetidas a distintas escalas geográficas. Há aquelas que atuam 
em escala global, como o problema das mudanças climáticas decorrentes do aumento do efeito estufa 
ou a interconexão mundial por meio do avanço nos sistemas de transporte e comunicação, com grande 
destaque para a popularização do acesso à internet. Há as de dimensão regional, como o movimento 
por maior liberdade e transformações sociais e políticas nos países árabes, iniciado em 2010 e que se 
disseminou sobretudo pelo norte da África e pelo Oriente Médio. Existem ainda as restritas à esfera 
nacional, como a permanência de governos ditatoriais, os códigos de leis, referendos e plebiscitos, en-
tre muitas outras questões que impactam a vida das pessoas que vivem em um único país. Por fim, há 
as dinâmicas que se desenvolvem nos contextos locais, em cada cidade ou até mesmo em cada bairro, 
dependendo do fenômeno e do aspecto considerados.
Assim, cada localidade, país ou região reage de forma diferente ao contexto histórico mundial e às 
suas forças conservadoras ou transformadoras. Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado para a socie-
dade e os diferentes grupos e comunidades que a formam. Imagine se você tivesse nascido e vivido 
em outro estado ou município do Brasil ou mesmo em outro país. Suas experiências de mundo e suas 
possibilidades presentes e futuras não seriam exatamente as mesmas que você tem hoje diante de si.
TEMA
3 Gerações no tempo e no espaço
O alistamento militar pode variar de um país para outro. No 
Brasil (imagem 2), ele é obrigatório para todas as pessoas do 
sexo masculino com 18 anos completos, ainda que nem todos 
prestem o serviço militar. Em Israel (imagem 1), ele é obrigatório 
para ambos os sexos. No Panamá (imagem 3), as forças militares 
foram extintas em 1994 e não há obrigatoriedade de alistamento 
nem de prestação de serviço militar.
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As marcas geracionais
Pesquisadores de variados campos, 
como demógrafos, sociólogos, psicólo-
gos, historiadores, entre outros, passa-
ram a diferenciar as pessoas por meio do 
contexto histórico nos quais nasceram e 
foram criadas. Eles diferenciam as gera-
ções pelos anos de nascimento e por te-
rem crescido sob um mesmo “espírito de 
época”, isto é, os mesmos acontecimen-
tos sociais significativos em momentos 
importantes de suas constituições emo-
cionais e cognitivas, tendo adquirido 
valores e comportamentos semelhantes.
Nessa classificação, desconsidera-
-se sexo, religião, cor e renda, entre 
outros elementos de distinção social. 
Justamente por isso é uma classifica-
ção muito ampla e suscetível a muitas 
críticas. Outra ressalva relevante é que 
grande parte das descrições de cada 
geração considera um universo restrito 
de análise: em geral, a população dos 
países desenvolvidos ocidentais. Com a 
globalização e a forte influência cultural que esses países exercem no resto do mundo, parte de seu 
comportamento social é replicado em outros contextos, sobretudo nas últimas duas ou três gerações.
Fica a dica
Atypical. Robia Rashid. Estados Unidos, 2017 até o presente.
A série Atypical tem como enredo central os desafios de um jovem, Sam, diagnosticado dentro 
do espectro do autismo nos anos finais do que corresponde ao Ensino Médio no Brasil e sua entrada 
na universidade. Destaque para o episódio 7 da terceira temporada, no qual Sam vivencia alguns 
dilemas morais, tema de um de seus cursos na faculdade.
Black mirror. Estados Unidos, 2011-2019.
Composta de episódios independentes que, em comum, apresentam um cenário futuro marcado 
por uma distopia decorrente do avanço da tecnologia, a série mostra realidades que submetem 
os seres humanos a novas questões morais e éticas. O episódio Bandersnatch foi concebido para 
interação com o telespectador. Ao longo dele, o telespectador vai escolhendo as próximas ações dos 
personagens, o que leva a dez finais diferentes, envolvendo-o em uma situação semelhante àquela 
apresentada no episódio.
Show de funk em Francisco Morato, SP, em 2013.
Alex Silva/Agência Estado
N‹o escreva em seu livro
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