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Manoel Farias 2018.1 * * Princípio da Conservação da Massa/Equação da Continuidade (Lavoisier, 1785) “Na natureza não se destrói, nada se cria, tudo se transforma” Lei de Darcy (1856) Estabelece a relação entre a vazão de fluido, a diferença de potencial aplicada e as propriedades do meio poroso. Equação da Difusividade Hidráulica (Richards, 1931) Estabelece a relação entre a uma variação de pressão e sua propagação no tempo e no espaço 3D do meio poroso. * *Estabelece uma relação entre o diferencial de pressão aplicado e a vazão de fluido. 𝑞𝑥 𝑞𝑥 x x + Δx 𝑞𝑥 = − 𝐾𝑥.𝐴 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 → 𝑣𝑥 = − 𝐾𝑥 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 Onde: 𝐾𝑥 – permeabilidade do meio na direção-x; A – área transversal aberta do fluxo; μ – viscosidade do fluido; vx – velocidade de escoamento. 𝜕𝑝 𝜕𝑥 - gradiente de pressão aplicado na direção-x. Obs: se os efeitos gravitacionais não forem desprezíveis, a Lei de Darcy deve ser expressa em termos de potencial. * Essa Lei estabelece uma relação linear entre o gradiente de pressão aplicado na rocha e a vazão. 𝑄 = 𝐾∗𝐴∗∆𝑃 𝜇∗𝐿 (sistema de Darcy) ou 𝑄 = 𝐾∗𝐴∗∆𝑃 887,2∗𝜇∗𝐿 = 𝐾∗𝐴 887,2∗𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 (Field Units) * 𝑄 = 0,00708∗𝑘.ℎ.Δ𝑝 𝜇∗ln( ൗ𝑟𝑒 𝑟𝑤) = 0,00708∗𝑘.ℎ 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑟 (Field Units) (Sistema de Darcy) 𝑄 = 2𝜋∗𝑘.ℎ.Δ𝑝 𝜇∗ln( ൗ 𝑟𝑒 𝑟𝑤) = 2𝜋∗𝑘.ℎ. 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑟 . * * Volume de Controle 𝐽𝑥,𝑖𝑛 𝐽𝑥,𝑜𝑢𝑡 x x + Δx Balanço de massa: 𝐽𝑥,𝑖𝑛- 𝐽𝑥,𝑜𝑢𝑡 = 𝑎𝑐𝑢𝑚𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝐽𝑥 = 𝜌. 𝑞𝑥 = 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑚á𝑠𝑠𝑖𝑐𝑜 Representa a quantidade de massa, que flui a cada unidade de tempo (unidade: kg/s). Conservação da massa entre “t” e “t+δt: [𝜌. 𝑞𝑖𝑛] − [𝜌. 𝑞𝑜𝑢𝑡] = 𝜌. ∅. 𝐴. ∆𝑥 𝑡+𝛿𝑡 − 𝜌. ∅. 𝐴. ∆𝑥 𝑡 Se 𝛿𝑡, Δx 0, a equação da continuidade assume sua forma diferencial: − 𝜕𝜌𝑞𝑥 𝜕𝑥 = A. 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑡 * * * • O reservatório é homogêneo e isotrópico; • O fluido é monofásico e pouco compressível; • A ação gravitacional é desprezível caso isso não seja verdade, pode-se usar o potencial no lugar da pressão para desenvolvimento da equação; • A Lei de Darcy é válida na prática diária da Engenharia de Reservatórios sempre acabamos aplicando a Lei de Darcy… • As propriedades do meio poroso e dos fluidos existentes são independentes da pressão (!?) Apesar das limitações, a equação da difusividade hidráulica é a base para todas as análises de testes de formação (PTA = pressure transient analysis). * *Essa equação é obtida pela substituição do termo qx na equação da continuidade pela sua expressão em termos de K, µ e gradiente de pressão. − 𝜕𝜌𝑞𝑥 𝜕𝑥 = A. 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑡 , mas 𝑞𝑥 = − 𝐾𝑥.𝐴 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 : − 𝜕 𝜕𝑥 − 𝐾𝑥.𝜌.𝐴 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 = A. 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑡 que pode ser simplificada para: 𝐾𝑥. 𝜕 𝜕𝑥 𝜌 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 = 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑡 --- Forma geral da eq. da difusividade para escoamento de líquidos e gases. * O termo 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑡 , será “trabalhado” um pouco mais; 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑡 = 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑝 . 𝜕𝑝 𝜕𝑡 -- Regra da Cadeia Mas: 𝜕(𝜌.∅) 𝜕𝑝 =∅. 𝜕𝜌 𝜕𝑝 + 𝜌. 𝜕∅ 𝜕𝑝 (Derivada do produto) No lado direito da eq.2, o primeiro termo se correlaciona com a compressibilidade do fluido e o segundo termo com a compressibilidade da rocha: 𝑐𝑟𝑜𝑐ℎ𝑎 = 1 ∅ . 𝜕∅ 𝜕𝑝 → 𝜕∅ 𝜕𝑝 =𝑐𝑟𝑜𝑐ℎ𝑎 . ∅ 𝑐𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜 = 1 𝜌 . 𝜕𝜌 𝜕𝑝 → 𝜕𝜌 𝜕𝑝 = 𝜌.𝑐𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜 * * Substituindo as relações anteriores na equação da difusividade, obtém-se: 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝑘𝑥 ∅. 𝜌. 𝑐𝑟𝑜𝑐𝑘 + 𝑐𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜 . 𝜕 𝜕𝑥 𝜌 𝜇 . 𝜕𝑝 𝜕𝑥 Essa equação requer uma relação PVT entre pressão e a compressibilidade do fluido. Se, no entanto, considerarmos um fluido ligeiramente compressível, podemos assumir que a quantidade ρ/µ é praticamente constante, levando a: 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝑘𝑥 ∅. 𝜇. 𝑐𝑡 . 𝜕2𝑝 𝜕𝑥2 − eq. da difusividade hidráulica 1D * z y x ሶ𝑚𝑥,𝑖𝑛 ሶ𝑚𝑥,𝑜𝑢𝑡 ሶ𝑚𝑧,𝑜𝑢𝑡 ሶ𝑚𝑧,𝑖𝑛 ሶ𝑚𝑦,𝑜𝑢𝑡 ∆𝑥 ∆y ∆z Fluxos mássicos ሶ𝑚𝑥= Jx ሶ𝑚𝑦 = 𝐽𝑦 ሶ𝑚𝑧 = 𝐽z * As idéias desenvolvidas para o caso 1D podem ser ampliadas para um escoamento trimensional. Nesse caso, a equação da continuidade assume a forma: 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝐾 ∅.𝜇.𝑐𝑡 . 𝜕2𝑝 𝜕𝑥2 + 𝜕2𝑝 𝜕𝑦2 + 𝜕2𝑝 𝜕𝑧2 = 𝐾 ∅.𝜇.𝑐𝑡 𝛻2𝑝 Onde 𝛻2 = 𝜕2 𝜕𝑥2 + 𝜕2 𝜕𝑦2 + 𝜕2 𝜕𝑧2 é 𝑜 𝑜𝑝𝑒𝑟𝑎𝑑𝑜𝑟 𝐿𝑎𝑝𝑙𝑎𝑐𝑖𝑎𝑛𝑜 * Sistema de Darcy *Forma Geral: 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝐾 ∅.𝜇.𝑐𝑡 𝛻2𝑝, onde 𝛻2𝑝 = 𝜕2𝑝 𝜕𝑥2 + 𝜕2𝑝 𝜕𝑦2 + 𝜕2𝑝 𝜕𝑧2 *Fluxo Radial: 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝐾 ∅.𝜇.𝑐𝑡 . 1 𝑟 . 𝜕 𝜕𝑟 . 𝑟. 𝜕𝑝 𝜕𝑟 *Fluxo linear: 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝑘𝑥 ∅.𝜇.𝑐𝑡 . 𝜕2𝑝 𝜕𝑥2 Field Units * * O termo 𝐾 ∅.𝜇.𝑐𝑡 é denominado difusividade hidráulica e indica a ”rapidez” com que a perturbação de pressão se propaga no meio poroso; *O termo K/μ é chamado de mobilidade a velocidade de propagação da perturbação de p no meio poroso é proporcional a ele; *O termo 1/Φ.ct é denominado estocagem (C); *Em meios com porosidade alta, variação de pressão é proporcionalmente baixa para grandes massas de fluidos produzidos ou injetados; * *Se a viscosidade do fluido do reservatório é alta, o sistema tem uma resposta mais lenta à perturbação de pressão; *Se a compressibilidade do sistema for alta a modificação da pressão será menor basicamente reservatórios de alta compressibilidade podem produzir ou receber grandes quantidades de fluido com pequena variação de pressão. * * * Transiente (Transient – TS) A distribuição de pressões no reservatório varia no tempo e no espaço p = f(x,y,z,t) 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝑓 𝑥, 𝑦, 𝑧, 𝑡 Esse regime ocorre, por exemplo: a) durante os testes de formação (build-up, falloff, interferência) b) Na partida ou fechamento de poços; c) Quando a vazão ou a pressão de fundo de um (ou mais) poço(s) é alterada; d) Nas paradas dos sistemas de produção (shutdowns ou programadas). * * * *A distribuição de pressões no reservatório se mantém constante no tempo, ou seja, cada ponto do reservatório mantém a pressão constante. 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 0 ∀ 𝑃(𝑥𝑦, 𝑧) e 𝑝 = 𝑝𝑒 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑟 = 𝑟𝑒 Esse regime existe se a entrada de massa no sistema (=reservatório injeção de fluidos ou influxos) ocorre na mesma taxa de saída (produção). * * Pseudopermanente (Semi SteadyState - PSS) a pressão em todos os pontos do reservatório varia à uma taxa igual e constante no tempo. Matematicamente: 𝑝 = 𝑓 𝑥, 𝑦, 𝑧, 𝑡 𝜕𝑝 𝜕𝑡 = 𝑘 ∀ 𝑃 𝑥, 𝑦, 𝑧 Esse tipo de regime ocorre quando um reservatório volumétrico é produzido com vazão mássica constante. * Antes do poço perceber os limites do reservatório regime transiente; Quando o raio de drenagem do poço atingir o limite do reservatório PSS * * * Unidades Utilizadas em Engenharia de Petróleo * Hipóteses assumidas • Poço vertical canhoneado em toda espessura do reservatório; • Formação homogênea (K e phi constantes); • Fluxo monofásico; • Poço drenando o reservatório com vazão constante Área afetada R * * Considerando um poço produzindo com vazão Q em um reservatório homogêneo e infinito (poço considerado uma “linha”), calcula-se a pressão a uma distância R do poço no tempo t por: Onde Ei é chamada de função exponencial-integral, definida por: Essa função é tabelada e disponível em diversos textos de Matemática e Engenharia O argumento x para cálculo de Ei(x) é calculado por: * * * *Poço danificado capacidade de fluxo na interface poço- reservatório prejudicada por diferentes agentes, tais como: a) presença de reboco na parede do poço (mudcake); b) canhoneio insuficiente em termos de densidade de tiros e/ou penetração e c) invasão do reservatório pelo fluido de perfuração. * A presença de um dano no poço gera uma perda de carga adicional entre o poço e a formação; * O fator de Skin (van Everdingen, 1953) -e um parâmetro adimensional que caracteriza a condição poço.Para poços danificados, tem-se S>0, enquanto poços estimulados se caracterizam por S < 0. * rs - raio da zona danificada. Operações “clássicas” de estimulação: Acidificação; Fraturamento hidráulico; Injeção de solventes para remoção deposições orgânicas; Injeção de soluções de remoção de incrustações. Lei de Darcy para poço com dano 𝑄 = 2𝜋∗𝑘.ℎ.Δ𝑝 𝜇∗ ln ൗ𝑟𝑒 𝑟𝑤 +𝑆 (Sist. Darcy) 𝑄 = 0,00708∗𝑘.ℎ.Δ𝑝 𝜇∗ ln ൗ𝑟𝑒 𝑟𝑤 +𝑆 (Field Units) * * Esse foi um primeiro contato que vc tem com as equações da continuidade e da difusividade. *Essas equações são a base para a simulação numérica de fluxo e a interpretação de testes de poços; *Nos cursos à frente, vc irá trabalhar com elas mais intensamente; *Quem desejar um aprofundamento “imediato” nas Matemática empregada e nas soluções, pode consultar o livro do Adalberto Rosa e textos mais especializados na área de testes (P.ex. “Modern Well Test Analysis – Roland Horne e artigos SPE). * Boas Férias !