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Pesquisa em Educação Julia de Souza Delibero Angelo Danielle S. P. Wellichan INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR Julia de Souza Delibero Angelo ● Doutora em Educação. ● Mestra em Educação. ● Graduada em Pedagogia. Sobre o Autor Doutora em Educação: História, Política, Sociedade, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2018). Possui mestrado em Educação: História, Política, Sociedade, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2013); graduação em Pedagogia, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008), e graduação em Fonoaudiologia, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002). Tem experiência na área de Fonoaudiologia e Educação. Danielle S. P. Wellichan ● Doutoranda em Educação. ● Mestra em Ciência da Informação. ● Especialista em Ludopedagogia e Psicopedagogia Institucional. ● Graduada em Pedagogia. Sobre o Autor Doutoranda em Educação pela UNESP Marília e Mestra em Ciência da Informação pela mesma instituição (2015). Especialista em Ludopedagogia e Psicopedagogia Institucional (2018) e Educação Infantil, Especial e Transtornos Globais do Desenvolvimento (2017). Licenciada em Pedagogia, pela UNIDERP/Faculdade Anhanguera (2017), e bacharel em Biblioteconomia, pela UNESP Marília (2004). Possui experiência na Educação Infantil e Especial e em Biblioteconomia, como bibliotecária universitária e escolar. INTRODUÇÃO DO LIVRO A curiosidade é uma mola propulsora para o ser humano. Seja de forma consciente ou não, é por meio dela que o homem busca melhorar suas condições de vida, seja para a sobrevivência ou apenas para responder a questões sobre a natureza. Essa curiosidade epistemológica que o faz conhecer e descobrir o mundo pode estar, ou não, baseada em conhecimentos científicos, inseridos desde muito cedo na vida do homem. Desde criança, os processos de experimentação são vivenciados de diversas formas e, mediante os desafios encontrados, possibilidades são testadas, hipóteses são formuladas e contestadas, aceitas, negadas ou transformadas. São os questionamentos que colocam o mundo em evidência, geram impressões, descobrimentos e, por consequência, novos conhecimentos. A pesquisa surge desse contexto e, por isso, torna-se um grande desafio para a Educação em todas suas etapas, pois, para que o conhecimento seja gerado, caminhos precisam ser criados ou refeitos, ao mesmo tempo que a autonomia de pensamento e a construção de novas ideias sejam estimuladas, incentivadas e desenvolvidas. E quando falamos de pesquisa, não podemos estar restritos apenas à coleta de informações; é preciso desconfiar, buscar significados, investigar e atribuir sentido, e isso só é possível quando se discute a ciência em seu ser, pensar e fazer. Assim, vamos, ao longo das próximas unidades, discutir a Ciência e seus fundamentos teóricos e metodológicos, principalmente dos autores que embasam a pesquisa em Educação. Esperamos que você possa adentrar nesse enriquecedor universo e encontrar, na Ciência e na pesquisa, não só respostas, mas dúvidas interessantes. Bons estudos! UNIDADE I Natureza e Finalidade da Pesquisa em Educação Julia de Souza Delibero Angelo Danielle S. P. Wellichan Introdução Olá! Seja bem-vindo(a) à unidade I da disciplina de Pesquisa em Educação. Estaremos juntos compartilhando saberes e conhecimentos sobre a pesquisa em Educação e tudo que a envolve: a natureza, a família, o Estado e outros fatores que interferem na ciência e se desenvolvem a partir dela. É quase uma viagem no tempo: ao ser apresentado(a) a alguns pensadores que marcaram o contexto da pesquisa em Educação, você, possivelmente, vai se identificar com ideias e histórias. Nessa viagem, escalas serão necessárias. Por isso, acompanhe as sugestões de leitura ao longo do texto e embarque rumo ao entendimento. Fonte: ar130405 / Pixabay. Educação como Objeto de Pesquisa A Educação, em sua ampla definição, pode ser entendida como um processo de socialização, em que a assimilação e a geração de conhecimentos são cultivadas ao longo da vida de um indivíduo, com etapas estabelecidas e vivenciadas ao longo de sua história. Além disso, a Educação se materializa na formação técnica e/ou especializada, por se tratar de uma ferramenta valiosa, responsável por moldar toda sociedade. O que é Educação: definição Etimologicamente, a palavra “Educação” se origina no latim EDUCARE, derivado de EX (fora ou exterior) e DUCERE (guiar, instruir, conduzir); seu sentido, portanto, é o de “guiar para fora”, seja para o mundo exterior ou interior (EDUCAÇÃO, on-line). Dessa forma, comumente associamos a educação ao ato de ensinar e aprender, sendo a escola a instituição responsável por isso. Porém, sua extensão está além desses limites predefinidos. Freire (1981) descreveu a educação como uma teoria do conhecimento posta em prática, não sendo transferível. É, sim, algo a ser criado por meio da ação sobre a realidade vivida. Já Libâneo (2004, p. 26) define a educação como um fenômeno “plurifacetado, ocorrendo em muitos lugares, institucionalizado ou não, sob várias modalidades”. E para Rousseau (2004), a educação é guiada pela razão, que reconhece no homem sua essência e, para ser considerada “boa”, tem como princípio fundamental fomentar ainda na criança o prazer pelas ciências e métodos. Sendo a educação algo a se aprender, independentemente da cultura na qual se esteja inserido, a família é o primeiro lugar em que a criança será educada. A escola é a responsável secundária, pois é lá que ocorre a escolarização propriamente dita. Família e escola são parceiros no papel de educar as crianças. O papel de uma interfere no da outra e, por isso, não é possível separá-las ou excluí-las. Saviani (2005) descreve a educação como um fenômeno próprio dos seres humanos, tomando a teoria de Marx como referencial teórico-metodológico. Ou seja, ele categoriza o trabalho como um processo de transformação da natureza em objetos presentes na vida humana. A natureza e a Finalidade da Educação Simultaneamente, a transformação do homem por meio do trabalho conduz a humanidade ao desenvolvimento, alterando suas formas de ser e estar. Assim, a humanidade e a educação são elementos interligados. Conforme afirma Saviani (2005, p. 1213), [...] a atividade de ensino, a aula, por exemplo, é alguma coisa que supõe, ao mesmo tempo, a presença do professor e a presença do aluno. Ou seja, o ato de dar aula é inseparável da produção desse ato e de seu consumo. A aula é, pois, produzida e consumida ao mesmo tempo (produzida pelo professor e consumida pelos alunos). Essa relação é construída, constantemente, sob os pilares (Figura 1.1) citados por Delors et al. (1996), que estão presentes quase que naturalmente em nossas vidas. Figura 1.1 - Pilares da Educação Fonte: Adaptada de Delors et al. (1996). Conforme esses pilares, a educação está muito além da aquisição de informação, conhecimento e saberes. Envolve todo o entorno do indivíduo em seus contextos pessoais e sociais, em um complexo esquema de aprendizado, interação e ação. Para Delors et al. (1996, p. 89), A educação deve transmitir, de fato, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Simultaneamente, compete-lhe encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de informações, mais ou menos efêmeras, que invadem os espaços públicos e privados e as levem a orientar-se para projetos de desenvolvimento individuais e coletivos. À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele. Nessa relação de aprender e agir sob diversos contextos, aciência está interligada. É ela que indicará os caminhos a serem seguidos no exercício das descobertas e aprendizados, o que exige das práticas pedagógicas o pensar na formação contínua do educador e do educando. Figura 1.2 - A relação de troca é parte do processo do aprender Fonte: Dmitrii Shironosov / 123RF. A Educação é um instrumento poderoso, que pode ser usado para melhorar ou não as contradições de uma sociedade, Severino (2000, p. 71) nos mostra isso muito bem no trecho descrito a seguir: Porém, se, por um lado, a educação pode contribuir para disfarçar, legitimando-as ideologicamente, e abrandar as contradições e os conflitos reais que acontecem no processo social, por outro, pode também desmascarar e aguçar a consciência dessas contradições, contribuindo para sua superação no plano da realidade objetiva. Se a educação pode ser, como querem as teorias reprodutivistas, um https://pixabay.com/pt/images/search/professor%20aluno/ elemento fundamental na reprodução de determinado sistema social, ela pode ser também elemento gerador de novas formas de concepções de mundo capazes de se contraporem à concepção de mundo dominante em determinado contexto sociocultural. A seguir, vamos conhecer a Educação como campo das ciências sociais. A Educação como Campo das Ciências Sociais Por estudar a escola e suas relações, a Educação é um campo de estudo dentro das chamadas Ciências Sociais, que estuda as relações humanas e a vida social de indivíduos ou de grupos de indivíduos. A pesquisa em educação utiliza os fundamentos teóricos e metodológicos das Ciências Sociais para desenvolver seus projetos, ajudando a entender e a buscar soluções para a sociedade, contribuindo para transformações que possam diminuir ou ao menos amenizar os contrastes encontrados. No âmbito da pesquisa em Educação, existe uma infinidade de subáreas, tais como: história da educação, gestão escolar, sociologia da educação, entre outras. Em breve, vamos apresentar a você algumas delas. REFLITA A pesquisa em educação enquadra-se no campo das ciências sociais e humanas. Durante muitas décadas, os pesquisadores destas áreas do conhecimento desenvolveram seus estudos tendo por modelo o modo de investigação praticado no âmbito das ciências físicas e naturais. Consequentemente, a pesquisa em educação recebeu forte influência de tal modelo (LUDWIG, 2003, p. 4). Antigamente, era utilizado nas pesquisas em Educação o modelo de investigação das ciências físicas e naturais. Mas, hoje em dia, usamos o modelo das Ciências Sociais. Em sua opinião, o que essa mudança de modelo significou para a pesquisa em Educação? FIQUE POR DENTRO Você entende a importância da ciência para a humanidade? Veja, no documentário indicado a seguir, uma explicação sobre a ciência e a humanidade. A partir daí, tente buscar a resposta para o questionamento inicial. Consulte: <https://www.youtube.com/watch?v=s7i_1GN67jU>. Acesso em: 20 nov. 2019. ATIVIDADE 1 - A Educação: natureza, conceito e finalidade 1) Segundo Antunes (2002), um professor não deve se preocupar apenas em ensinar. Ele precisa desafiar o aluno a buscar as respostas e transferi-las para sua vida. Mas, afinal, o que é educação? a) A finalidade da educação é explicar como as coisas acontecem. b) A educação é um processo de construção para o indivíduo. c) Algo pelo qual a família deve se responsabilizar, pois só ela sabe o que é melhor para um filho. d) A educação se refere ao comportamento do indivíduo. e) A educação se limita aos aspectos morais e escolares de um indivíduo. Estado, Sociedade e Educação como Política Pública A educação na formação do indivíduo representa sua essência. Em razão de suas especificidades, interfaces são estabelecidas com o Estado e com a sociedade. Assim, vamos compreender melhor essa relação nesta seção. Educação como política pública O Estado atua como uma figura reguladora, responsável por manter a ordem. O termo data do século XIII e se refere à soberania de um país, com estrutura e organização para garantir o desenvolvimento da sociedade (SAVIANI, 1999). https://www.youtube.com/watch?v=s7i_1GN67jU Figura 1.3 - Organização do Estado Fonte: Adaptado de Qual... (2011). Conforme demonstrado na figura anterior, Platão (428/427 a.C. -348/347 a.C.) também descreveu que o Estado surgiu de uma necessidade de cooperação entre as pessoas. Já Engels (1820-1895) defende a ideia de que o Estado seria o resultado de um processo econômico, em que uma classe mais “forte” predomina sobre as mais “fracas”. Mesmo com visões diferentes, há consenso em acreditar que Estado e sociedade são complementos um ao outro. Assim, governos são instituições que compõem o Estado e devem representá-lo de acordo com as necessidades de uma gestão democrática (se esse for o sistema de governo vigente). É por meio das políticas públicas, ou seja, de ações que o governo realiza (ou deixa de realizar) com a participação do povo que a sociedade se desenvolve. Essas políticas podem ser vistas como estratégias do governo ou da sociedade civil na proposta de criação ou mudanças (SAVIANI, 1999). As políticas públicas na Educação se referem a programas ou ações criados a fim de facilitar e/ou melhorar o sistema e a qualidade educacional em cada fase escolar. Entende-se por políticas públicas educacionais aquelas que regulam e orientam os sistemas de ensino, instituindo a educação escolar. Essa educação orientada (escolar) moderna, massificada, remonta à segunda metade do século XIX. Ela se desenvolveu acompanhando o desenvolvimento do próprio capitalismo, e chegou na era da globalização resguardando um caráter mais reprodutivo, haja vista a redução de recursos investidos nesse sistema que tendencialmente acontece nos países que implantam os ajustes neoliberais (OLIVEIRA, 2012, p. 8). Para Braga (2011), uma política pública precisa estar associada a uma gestão financeira de recursos que materializam a ação desejada. Na ausência dessa gestão, consequências podem ser sentidas pelos indivíduos na sociedade, com danos, negações e conflitos de diversas naturezas. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) é a lei que regulamenta a Educação em todas as suas dimensões: políticas, sociais e organizacionais. Ela atua, muitas vezes, como uma política pública, e suas mudanças ao longo dos anos refletem as mudanças na política educacional nacional. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) são questões presentes nas políticas públicas educacionais e que dependem e sofrem com questões de investimentos, repasses e direcionamentos governamentais. Entretanto, para uma política pública ser implantada, é necessário mais do que recursos financeiros. É fundamental ter, primeiramente, um reconhecimento da demanda a ser atendida. Depois, é preciso elaborar uma proposta de política, posteriormente, acompanhar sua implantação e, após tudo isso, a avaliação tomará três caminhos: o de manutenção da política pública, o da sua substituição por outra ou a extinção dela. Na condição de ação social coletiva, a política pública objetiva a garantia dos direitos diante da sociedade. Para isso, envolve compromissos e tomadas de decisões com finalidades específicas, dispostas em projetos e programas que vão possibilitar o planejamento e conduzir para as melhores escolhas para determinadas necessidades. Assim, as políticas públicas, no âmbito da Educação, visam propor ou encontrar soluções para os desafios sociais que envolvem a educação, diminuindo as diferenças dentro e fora nas extensões da sociedade que requeiram a educação. FIQUE POR DENTRO Para entender mais sobre políticas públicas e seu ciclo, consulte o material: <https://www.politize.com.br/ciclo-politicas-publicas/>.Acesso em: 20 nov. 2019. O Intercâmbio Entre Sociedade E Educação A Educação é um reflexo das políticas públicas executadas pelo Estado, mas também é fruto de muita luta e pressão da sociedade. Como seres sociais e complexos, o ser humano é fruto do meio, influenciando e sendo influenciado pelo ambiente e pela convivência com seus pares; as emoções que ele sente e vivencia e todos esses fatores constituem o espaço da educação e da ciência, na produção do conhecimento. https://www.politize.com.br/ciclo-politicas-publicas/ Na história da civilização, a sociedade e a cultura se modificam em função do meio em que vivem, em uma incessante evolução da espécie. O meio ambiente se torna um influenciador da cultura, dos hábitos e costumes, exigindo que o ser humano se adapte e respeite os processos naturais do meio. As ações de desequilíbrio que constatamos na atualidade estremecem a relação homem-natureza, alterando a ordem da evolução. Para Severino (2000, p. 65): A educação, como processo pedagógico sistematizado de intervenção na dinâmica da vida social, é considerada, hoje, objeto priorizado de estudos científicos com vistas à definição de políticas estratégicas para o desenvolvimento integral das sociedades. Ela é entendida como mediação básica da vida social de todas as comunidades humanas. Esta reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, como muitas vezes tendem a vê-la as organizações oficiais, grandes economistas e outros especialistas que focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital humano. As relações humanas também se tornam determinantes para o indivíduo e sua formação social, pois vão se efetivando entre os pares, entre os grupos, entre as organizações, e vão surgindo por meio de necessidades e interesses, em um processo de socialização. Esse processo, segundo Savoia (1989, p. 55), “[...] consiste em uma aprendizagem social, através da qual aprendemos comportamentos sociais considerados adequados ou não e que motivam os membros da própria sociedade a nos elogiar ou a nos punir”. Os papéis sociais que vamos assumindo ao longo de nossas vidas contribuem para a formação do cidadão que somos ou que queremos ser. Esses papéis determinam nossa posição social (comportamento e ação, diferentemente de status – que se refere ao prestígio). À medida que nos socializamos, novos papéis são estabelecidos. Toda essa construção do ser humano torna-se o objeto de estudo da educação, que busca, na Pedagogia como ciência, compreender, explicar e trabalhar o ser humano em seus processos de ensino e aprendizagem. Mas por que isso é importante? Para desenvolver a sociedade e o ser humano. A Educação como Interface Entre Sociedade e o Indivíduo A Educação é uma interface entre o indivíduo e a sociedade. É, principalmente, por meio dela que os indivíduos aprendem os fundamentos da vida em sociedade, ao mesmo tempo em que a sociedade também é influenciada por esse indivíduo que passou pela escola e pelos processos formativos; dessa maneira, esse processo é uma via de mão dupla. Sendo assim, compreender a Educação e sua interface entre a sociedade e o indivíduo se faz necessário para conviver, explicar, direcionar e evoluir. [...] Espera-se, pois, da educação, como mediação dessas práticas, que se torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, investimento sistemático nas forças construtivas dessas práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na construção da cidadania, tornando-se fundamentalmente educação do homem social (SEVERINO, 2000, p. 65). Nessa dicotomia que envolve o indivíduo e a sociedade, a educação surge como um processo permanente que abriga o aprender e o ensinar de forma constante e ilimitada. Por meio dela, a construção da cidadania acontece. REFLITA Qual é o papel da educação na sociedade: formar indivíduos críticos ou especializar mão de obra para o mercado? É possível aliar esses dois objetivos? ATIVIDADE 2 - Estado, sociedade e Educação Para Saviani (2012, p. 81), “a educação é sempre um ato político, dada a subordinação real da educação à política”. Em um país democrático, qual a relação entre Estado, sociedade e Educação? a) Uma relação de submissão e obediência, na qual o Estado determina, a educação se adapta e a sociedade obedece. b) Uma relação de complementação, em que Estado, sociedade e Educação devem estar alinhados. c) O Estado é soberano e deve controlar a sociedade por meio da Educação oferecida. d) Não há relação entre as partes na democracia. e) Em uma democracia, não é preciso a presença do Estado. A Pesquisa em Educação A educação dispõe de grandes oportunidades para a ciência, em função do contexto da produção de conhecimento, de teorias e métodos de investigação, com a criação de conhecimentos advindos de experiências teóricas e práticas ao longo das realidades vivenciadas pela área. A Educação na Formação do Indivíduo: Natureza da Pesquisa em Educação “Na condição de princípio científico, a pesquisa apresenta-se como a instrumentação teórico- metodológica para construir conhecimento” (DEMO, 2000, p. 33). Dessa forma, a pesquisa pode ser a fonte geradora para novos conhecimentos, além de sistematizar a realidade, como nos mostra Freire (1997, p. 32): Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino [...] Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. De acordo com Gatti (2012), embora os desafios à pesquisa em Educação estejam frequentes nas últimas décadas, com problemas de diversas naturezas, a Educação exige a constante prática de buscar, investigar, aprender e compartilhar para poder propor práticas condizentes com as realidades e as diversidades encontradas na sociedade. Nos últimos anos, a pesquisa vem sofrendo grandes limitações graças ao contexto econômico- político em que nos encontramos. Os resultados da falta de investimentos e de interesse dos governantes por algo que contribui diretamente para o desenvolvimento de uma nação serão sentidos em um futuro não tão distante. Diante de um contexto como o citado, torna-se necessária afirmar a ciência como fonte de desenvolvimento. Estudar a pesquisa contribui para o entendimento e a compreensão de sua importância. É pela pesquisa que tudo se desenvolve, inclusive a sociedade. Perspectivas na Pesquisa em Educação No campo dos estudos em educação, Gatti (2009) descreve um conjunto de subáreas que possuem características distintivas e seus objetos de estudo, como história da educação, gestão escolar, políticas educacionais, sociologia, currículo etc. Inicialmente muito relacionada aos estudos da psicologia, antropologia e economia, a pesquisa em Educação conquistou seu espaço associando- se às áreas, porém, preservando sua essência original. Em meados do século XX, houve inúmeros debates sobre a importância da Educação como campo de pesquisa. De um lado, grupos defendiam a experimentação científica como possibilidade, enquanto outros debatiam sua inviabilidade. Estudos empíricos também eram discutidos, ora defendidos, ora rejeitados, porém, inegavelmente trouxeram contribuições importantes para a área da pesquisa (GATTI, 2012). Existe um debate estabelecido no contexto internacional entre autores europeus sobre os termos utilizados para qualificar o estudo em educação, como pedagogia, ciências da educação, ciências do ensino e didática. Alegava-se que a forma e os contextos desses termos confundem os interlocutores, os leigos e os gestores, dificultando a delimitação de domínio, as articulações,as interfaces e as variações com outros campos de conhecimento (GATTI, 2012). Fora as questões de linguagem conceitual, a expressão “pesquisa em educação” aponta para uma posição integradora e convergente, partindo dos processos educativos, por meio de estudos de relação professor-aluno, associações com diferentes variáveis, rendimento e desenvolvimento escolar, técnicas e metodologias, entre outras temáticas. Com o surgimento de abordagens alternativas, colocadas sob o rótulo geral de "metodologias qualitativas" propunham-se novas perspectivas na constituição de conhecimentos nesse campo. Passa-se a privilegiar os estudos de caso, as abordagens antropológicas, as naturalísticas, a pesquisa-ação/intervenção, as observações cursivas, os depoimentos, histórias de vida etc. Busca-se apoio em várias vertentes epistêmicas, por exemplo na fenomenologia, na dialética-histórica, ou, como na maioria dos casos, adota-se uma perspectiva naturalística. Novos conceitos passam a ser utilizados, como o de dominação, reprodução, mediação, representação social etc. Há também uma reaproximação com áreas da filosofia. Com isso, troca-se a predominância dos estudos onde quantificações predominam pela quase hegemonia desses estudos chamados "qualitativos" (GATTI, 2009, p. 3). Muito comum em pós-graduações, em função dos grupos de estudos e pesquisa, a pesquisa em Educação está distribuída em território nacional e internacional, principalmente em universidades, onde a tríade “ensino, pesquisa e extensão” está presente. A pesquisa em Educação pode acontecer desde a graduação, por meio da iniciação científica, mas também ocorre nos níveis de especializações, mestrados, doutorados e pós-doutoramentos, comprovando que não existe um modelo ideal de pesquisa, mas, sim, diversidade a ser explorada cientificamente. As modalidades incluem pesquisa-ação, pesquisa de campo, documental e bibliográfica. Para cada tipo, há especificidades necessárias ao seu desenvolvimento, conforme veremos mais adiante nas unidades. Temos muito, ainda, o que se pesquisar em Educação em termos mundiais e nacionais. Portanto, investir em ciência e pesquisa é investir em desenvolvimento de produtos, serviços e pessoas. FIQUE POR DENTRO Leia mais sobre a pesquisa em Educação no Brasil com o artigo de Macedo e Sousa, que debatem as políticas de pós-graduação e suas avaliações: MACEDO, E.; SOUSA, C. P. A pesquisa em Educação no Brasil. Revista Brasileira de Educação. v. 15 n. 43 jan./abr. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a12v15n43.pdf>. Acesso em: 6 set. 2019. FIQUE POR DENTRO O professor Pedro Demo conversa sobre a pesquisa num contexto educativo que se inicia na metodologia até sua prática. É um relato cheio de experiências. Assista e reflita. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=IRhoBE_ZrC0>. Acesso em: 21 nov. 2019. ATIVIDADE 3 - A pesquisa em Educação De acordo com Demo (2000, p. 33), “Na condição de princípio científico, a pesquisa apresenta- se como a instrumentação teórico-metodológica para construir conhecimento”. Qual a importância da pesquisa para a educação? a) Tudo já foi pesquisado e descoberto. A pesquisa é inviável, por conta do custo-benefício e do contexto atual do país. b) A pesquisa amplia as possibilidades e oportunidades diante da sociedade. c) Não há necessidade, uma vez que o professor não tem tempo para realizá-la. d) A pesquisa só é importante para o ensino superior. e) É uma exigência curricular e, como tal, precisa ser cumprida. http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a12v15n43.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a12v15n43.pdf http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n43/a12v15n43.pdf https://www.youtube.com/watch?v=IRhoBE_ZrC0 Perspectivas na Pesquisa em Educação Na Ciências Sociais, alguns autores são considerados clássicos e, portanto, suas teorias são base para o desenvolvimento de pesquisa na área de humanas. Entretanto, alguns autores das Ciências Sociais contribuíram muito para as pesquisas em Educação. Neste tópico, vamos falar sobre alguns pensadores clássicos que deram grandes contribuições para a pesquisa em Educação. São pensadores como Émile Durkheim, Antônio Gramsci, Max Weber e John Dewey, grandes nomes na sociologia – mas também da história da pesquisa e de seu desenvolvimento – que construíram uma trajetória importante para a pesquisa em Educação. Pesquisa em Educação na Perspectiva Positivista: Émile Durkheim David Émile Durkheim (1858-1917) nasceu no noroeste da França e foi sociólogo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo. Criador da disciplina da Sociologia, foi um pensador importante da Ciência Social Moderna. Filho de religiosos, com pai rabino, não seguiu o caminho da família. Desde muito jovem, interessou-se pelo método científico como forma de desenvolver seu conhecimento, buscando, ao longo de sua história, demonstrar que os fenômenos religiosos tinham suas origens em acontecimentos sociais. Aos 20 anos, foi para a Escola Normal Superior (École Normale Supérieure), dedicando-se oficialmente ao mundo intelectual, onde se formou em Filosofia e foi trabalhar na universidade, começando seus estudos sobre a Sociologia. É considerado o herdeiro da ideologia positivista formulada por Augusto Comte. Figura 1.4 - Émile Durkheim Fonte: P. S. Burton / Wikipédia. Segundo Durkheim, vivemos em uma sociedade plural, marcada pela diversidade de raça, gênero, cultura, valor, padrões e estilos. Nesse meio, somos influenciados diretamente por aqueles que estão ao nosso lado, que compartilham o ambiente, ou que admiramos. Nossas ações, segundo ele, são definidas pela forma como a sociedade quer que o mundo seja visto, e não por nossas opiniões. Durkheim é o pai da expressão “fato social”, que está relacionada à maneira de agir do indivíduo. Ações como o acordar e o dormir representam os fatos sociais que praticamos diariamente. O fato social constitui a base do método durkheimiano. Nos primeiros capítulos d´As Regras do Método Sociológico, Durkheim empenha-se em defini-lo, destacando suas principais características. Primeiramente, argumenta que o qualificativo é correntemente empregado sem maior precisão para referir-se àqueles fenômenos que, no interior da sociedade, apresentam algum tipo de interesse social (VARES, 2016, p. 106). Mesmo ações que não dependem diretamente do indivíduo continuam sendo consideradas fatos sociais. Sobre esses fatores externos, Durkheim descreve que a prática é quase inerente ao cotidiano do ser humano. Quando o indivíduo não quer se adequar à sociedade, sua maneira de agir cria reações sociais que podem ser “censuradas”, de forma que nem tudo que queira ou pense possa ser dito ou feito. É a “coação social”. Essa coação social acontece por meio de condutas, a fim de impedir, reprimir ou excluir o indivíduo de determinado grupo. Assim, a sociedade é a determinante e exige que o indivíduo se adapte às regras e normas impostas. Em 1893, surgiu o primeiro trabalho sociológico importante de Durkheim, “Da Divisão do Trabalho Social”. Em 1985, ele publicou “As Regras do Método Sociológico”, que sugere a ciência sob duas ideias: é necessário ter um objeto de estudo (fato social) e torna-se preciso aplicar um reconhecimento objetivo, com método científico. Para Durkheim, os processos educacionais são fatos sociais e, por isso, contribuem para o funcionamento da sociedade. Na sua concepção, Educação tem um sentido mais amplo do que apenas o processo de socialização. Pais e professores são agentes no processo de ensinar as crianças e os jovens. Para ele, Educação e pedagogia são dois conceitos diferentes: a Educação refere-se à ação dos pais e professores; já a pedagogia é responsável pelas formulações teóricas e as concepções sobre Educação. Dessa maneira, a Educação é uma ação que visa à coesãosocial. Ela tem como objetivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de estados físicos, intelectuais e morais exigidas tanto pelo conjunto da sociedade política quanto pelo meio específico ao qual ela está destinada em particular (DURKHEIM, 2013, p. 53). Sob a perspectiva positivista, Durkheim acreditou em uma dimensão socializadora, em que crianças e jovens estivessem passivos, como se não influenciassem e fossem influenciados pelo coletivo. O pensador entendeu a educação como algo poderoso, uma ferramenta importante para a construção da moral coletiva (VARES, 2016a; 2016b). Assim, não se pode falar em Durkheim sem considerar suas principais ideias: os fenômenos sociais precisam ser analisados e demonstrados com técnicas sociais; a sociedade está dentro e fora do homem, graças a seus valores e princípios morais; as pessoas influenciam e são influenciadas pela sociedade a qual pertencem; a sociedade se estrutura em pilares e se manifesta por expressões. Em um dos seus principais estudos, “O suicídio”, ele tenta demonstrar que as causas do suicídio são fundamentadas em causas sociais, e não individuais. Ele também estudou a teoria da religião e seus fenômenos (TEIXEIRA, 2002). De maneira geral, as ideias e afirmações de Durkheim referentes ao nosso tecido social e à Educação nos oferece questionamentos quanto à importância da formação do indivíduo e como podem determinar as condutas futuras vivenciadas em sociedade. A sociedade não somente eleva o tipo humano à dignidade de modelo para o educador reproduzir, como também o constrói, e o constrói de acordo com suas necessidades. […] O homem que a educação deve realizar em nós não é o homem tal como a natureza o criou, mas, sim, tal como a sociedade quer que ele seja (DURKHEIM, 2013, p. 107). Como nos mostra Durkheim, os fenômenos educacionais só podem ser entendidos com base na sociologia, uma vez que estão relacionadas às dimensões social e individual (da qual a psicologia dá a maior contribuição). Sendo assim, quando pesquisamos em Educação, é necessário conhecer e utilizar as teorias, os métodos e as técnicas desenvolvidos por Durkheim na sociologia, que são a base da pesquisa em Educação. 4.2 Pesquisa em Educação na perspectiva marxista: Antonio Gramsci Antonio Gramsci (1891-1937) nasceu na Itália, com uma deformidade na coluna, mas com a capacidade intelectual preservada. Seus pais passaram por muitas dificuldades financeiras, mas nem as finanças e nem a limitação física ofuscaram o aluno, que ganhou como prêmio uma bolsa de estudos em Literatura na Universidade de Turim. Nesse período, recebeu grande influência de socialistas como Benedetto Croce. Figura 1.5 - Gramsci Fonte: Masae~commonswiki / Wikipédia. Ativista político, jornalista e intelectual, foi um dos fundadores do Partido Comunista da Itália (PCI) e produziu grandes obras. Por questões políticas, foi detido e levado para a prisão, condenado e submetido a maus-tratos. Ainda produziu a obra “Cadernos do Cárcere”, com a correspondência recebida enquanto estava preso – Gramsci a, reuniu e publicou. Gramsci foi reconhecido, principalmente, por sua teoria da hegemonia cultural, a qual descreveu como o uso, por parte do Estado (na sociedade ocidental), das instituições culturais para conservar o poder. Também deu grande contribuição para a Educação ao formular o conceito de intelectual orgânico (estudioso vinculado à classe trabalhadora), uma vez que o intelectual orgânico só poderia se formar com base em uma cultura e em uma Educação que formulem e pensem a partir e como a classe proletária. Seu pensamento, situado dentro da pedagogia crítica, foi base para muitos teóricos no campo da Educação popular e, principalmente, na Educação de adultos, sendo uma das principais referências de Paulo Freire. Em função de sua condição física, as recordações dos tempos escolares não foram gentis. Uma instituição de ensino autoritária, discriminatória e afetada pela má qualificação de seus docentes fizeram Gramsci passar quase despercebido. Com o passar do tempo, a situação continuava difícil, não só pelas questões discriminatórias como também pelas financeiras, em razão das condições precárias pelas quais o proletariado italiano passava. A consciência da realidade precária pode ter contribuído para o interesse de Gramsci pelas questões educacionais, ao propor uma escola unitária capaz de trazer oportunidades para as classes mais pobres da população. A escola unitária deveria corresponder ao período representado hoje pelas escolas primárias e médias, reorganizadas não somente no que diz respeito ao método de ensino, mas também no que toca à disposição dos vários graus da carreira escolar. O nível inicial da escola elementar não deveria ultrapassar três- quatro anos e, ao lado do ensino das primeiras noções “instrumentais” da instrução (ler, escrever, fazer contas, geografia, história), deveria desenvolver, sobretudo, a parte relativa aos “direitos e deveres”, atualmente negligenciada, isto é, as primeiras noções do Estado e da sociedade, enquanto elementos primordiais de uma nova concepção do mundo que entra em luta contra as concepções determinadas pelos diversos ambientes sociais tradicionais, ou seja, contra as concepções que poderíamos chamar de folclóricas (GRAMSCI, 2000, p. 37). Na universidade, as dificuldades financeiras continuaram apesar da bolsa. As influências do idealismo e do materialismo dialético se aprofundam e sua vida política ganhou amplo espaço. Defensor de um ponto de vista dialético, buscou a transformação social por meio de uma educação estratégica e consistente, delineando o que ficou conhecido como projeto da escola unitária (GADOTTI, 2006). Foi também na universidade que Gramsci ajudou a fundar o PCI (Partido Comunista Italiano) e, pouco tempo depois, foi eleito deputado. Com a escalada crescente do fascismo da Itália, em 1926, Gramsci foi preso pela polícia de Mussolini e condenado a viver em uma ilha. Ele ficou preso por oito anos, mas, durante todo esse tempo, continuou a produzir seus textos. Morreu pouco tempo depois de ser libertado. Sua obra pode ser dividida em dois momentos: antes e depois da prisão. Em todo esse contexto, o projeto de escola unitária exigia grande atenção da escola clássica humanista (antes da reforma de Gentili na Itália, em 1920) e exigia também que se desenvolvessem a inteligência e a formação consciente; uma escola aberta de fato, para conquistar a liberdade. A hegemonia (o domínio de uma classe social sobre o conjunto pertencente também à sociedade) é conseguida, conforme Gramsci, por meio de uma luta no campo da ética e da política (CARMO, 2009). A proposta pedagógica de Gramsci estava vinculada à proposta de melhoria de toda a sociedade, mas isso só seria possível para ele com a melhoria de vida do proletariado, assim como afirmava Marx. A partir desse entendimento, Gramsci propôs uma organização da cultura proletária que seria liderada pelos intelectuais orgânicos (os intelectuais ligados à classe proletária). A influência do pensamento gramsciano sobre a pesquisa educacional no Brasil não é um fato difícil de ser percebido, bastando uma rápida busca nas referências bibliográficas das teses e dissertações dos últimos 15 anos para encontramos a evidência empírica desse fenômeno. Nos âmbitos pedagógico e político-educacional, Gramsci foi um revolucionário por buscar uma tendência democrática. O desejo por criar condições para que o cidadão se torne um governante e que as relações entre o trabalho intelectual e o industrial aconteçam não apenas nas escolas, mas em toda vida social, refletiu na cultura e na sociedade em geral (CARMO, 2009). FIQUE POR DENTRO O filme “Antônio Gramsci - Os dias do cárcere” (1977), que tem como diretor o cineasta Lino Del Fra e, no papel principal,o ator Riccardo Cucciolla (Sacco & Vanzetti), conta a história do período em que Gramsci esteve preso pela ditadura de Mussolini. Assista em: <https://www.bing.com/videos/search?q=gramsci+filme&&view=detail&mid=E722114FE76F5 B763E4AE722114FE76F5B763E4A&rvsmid=C847D122C6E06B70DC39C847D122C6E06B7 0DC39&FORM=VDRVRV>. Acesso em: 20 nov. 2019. https://www.bing.com/videos/search?q=gramsci+filme&&view=detail&mid=E722114FE76F5B763E4AE722114FE76F5B763E4A&rvsmid=C847D122C6E06B70DC39C847D122C6E06B70DC39&FORM=VDRVRV https://www.bing.com/videos/search?q=gramsci+filme&&view=detail&mid=E722114FE76F5B763E4AE722114FE76F5B763E4A&rvsmid=C847D122C6E06B70DC39C847D122C6E06B70DC39&FORM=VDRVRV https://www.bing.com/videos/search?q=gramsci+filme&&view=detail&mid=E722114FE76F5B763E4AE722114FE76F5B763E4A&rvsmid=C847D122C6E06B70DC39C847D122C6E06B70DC39&FORM=VDRVRV Pesquisa em Educação na Perspectiva Idealista: Max Weber Maximilian Karl Emil Weber (1864-1920) nasceu na Alemanha e foi jurista, economista e intelectual, considerado um dos fundadores da Sociologia. Elemento de uma família envolvida na sociologia (o irmão era sociólogo e economista, enquanto a esposa era uma ativista de grupos feministas da época), Weber trabalhou em diversas universidades como consultor de tratados e comissões do país. Ficou conhecido por seus estudos sobre o capitalismo. Figura 1.6 - Weber Fonte: Kelson / Wikipédia. Weber não era um estudioso da Educação, mas suas ideias há muito tempo são extraídas e contextualizadas para reflexões importantes na área (CARVALHO, 2005). A preocupação com a integridade intelectual como virtude acadêmica está presente quando se distingue o homem da ciência e o ético, exigindo uma nova conduta para o professor. O professor, se quiser permanecer nos limites da honestidade intelectual, deve ter a consciência de que não é possível ter o domínio das rodas da história, fazendo-as girar de acordo com seus desejos. Deve garantir e respeitar a autonomia decisória dos estudantes e, não sendo arrogante, educá-los dentro de crenças e pontos de vista que considera essenciais. (CARVALHO, 2005, on-line) O pensamento de Weber se expressa a partir das relações do indivíduo com o meio ao qual pertence e aponta a educação como um elemento essencial na formação do indivíduo. Aspectos religiosos, familiares e a política também contribuem para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade. Como pesquisador social, Weber acreditava que as ciências sociais, diferentemente das outras ciências, tinham um caráter interpretativo. Para ele, o ponto de partida da análise é o indivíduo e seu comportamento, e não a sociedade. Isso é chamado de “individualismo metodológico”. A ação social é gerada pelas motivações dos indivíduos. Weber classificou essas ações em quatro tipos: ação com relações e fins; ação racional com relação a valores; ação afetiva; e ação tradicional. Ele acreditava que somos livres para agir e constituir nossa realidade, cabendo à sociologia entender o que de fato determina nossas ações, evidenciando suas concepções sobre a individualidade dos seres. Apesar de não ser da área da Educação, Weber, como cientista social, não poderia deixar de olhar para a escola como um lugar de relações sociais que deveriam ser analisadas. Para cada tipo de dominação que ele encontrou na sociedade, Weber descreveu um tipo ideal de Educação. Observe o Quadro 1.1: Tipo de dominação Formas de Educação Dominação carismática Educação carismática Dominação racional-legal Educação especializada Dominação tradicional Educação humanística Quadro 1.1 - Tipos de dominação e formas de educação Fonte: Elaborado pelas autoras. Weber é o principal pensador sobre o nascimento e o desenvolvimento da sociedade moderna. Para ele, o principal elemento que marca a modernidade é a racionalização. Outro estudo importante de Weber foi acerca das religiões, tanto no mundo moderno como nas religiões orientais. A formulação teórica e metodológica de Weber sobre os tipos ideais de educação e sua formulação empírica dos processos de Educação (estudo sobre a Educação Chinesa e a Educação Ocidental) são pilares fundamentais para a pesquisa em Educação. Pesquisa em Educação na Perspectiva Pragmática: John Dewey Um dos principais pensadores em Educação é John Dewey (1859-1952), que foi um filósofo e educador norte-americano, com várias publicações sobre a Pedagogia. É considerado uma referência na educação moderna. Marcada pelo instrumentalismo, sua filosofia expressava o desejo de romper com o clássico (classe dominante) para torná-la um instrumento adaptável do homem ao mundo moderno (GADOTTI, 2006). Figura 1.7 - Dewey Fonte: Underwood & Underwood / Wikipédia. Com a teoria da investigação, Dewey defendia que a mudança do ambiente acarreta problemas na adaptação. Por meio de hipóteses, uma investigação deve ser iniciada a fim de descobrir os possíveis problemas. Dewey acreditava que o indivíduo não é um ser isolado e que, assim, ele participa da sociedade e contribui para ações coletivas. Dewey participou do movimento progressista na educação, defendendo que a educação envolve o “aprender fazendo”. Em termos gerais, para Dewey, a pedagogia experimental poderia desenvolver a consciência reflexiva e participativa nos educandos, de modo que todos se tornassem preparados para o desenvolvimento industrial e para a democracia capitalista. Neste sentido, semelhante a Durkheim, Dewey pressupõe que a escola poderia contribuir na resolução dos problemas gerados pelo desenvolvimento da sociedade capitalista. Todavia, enquanto Durkheim parte de uma reflexão sobre a moral social, em que o indivíduo teria que se adequar aos valores sociais, Dewey prioriza o aspecto pedagógico, pressupondo que o desenvolvimento das capacidades cognitivas individuais poderia contribuir para o progresso social. Entretanto, cabe salientar que, tal progresso não implica um rompimento com as estruturas do capital, mas preparação dos indivíduos para participar e usufruir da riqueza material e cultural da sociedade (NASCIMENTO; FAVORETO, 2018, p. 261). Seus trabalhos tiveram grandes influências na psicologia, na educação e na filosofia, sendo considerado um importante pensador do século XX. Ele defendeu que conteúdos trabalhados em sala de aula podem ser assimilados e compreendidos melhor quando são associados às tarefas cotidianas. Essa ligação entre a teoria e a prática contribuiu significativamente para a Andragogia, por exemplo, valorizando o pensamento e estimulando o aluno nas discussões e no pensar. Com a Escola Filosófica de Pragmatismo, Dewey defendia que o conhecimento exige interação e troca em um ambiente democrático. Assim, desde o início dos estudos, os alunos aprendiam a analisar conceitos na prática e na observação, sendo a base do pragmatismo. Sua pedagogia era fortemente baseada no empirismo, tanto que criou uma escola experimental ligada à faculdade onde trabalhava. Dentro de uma perspectiva pedagógica, Dewey se insere em uma Educação progressistas. Para ele, a escola deveria proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação, em vez de lidar com questões individuais. Para pôr sua teoria em prática, ele achava que as escolas deveriam reproduzir, de forma simplificada e organizada, as comunidades, que seriam apresentadas às crianças devagar. De maneira geral, Durkheim, Gramsci, Weber e Dewey apresentam uma escola atuante socialmente, porém se distinguem quanto ao processo histórico vivenciado em cada um. Para Durkheim, a escola deve proporcionar a necessária harmonia moral para solucionar a grave crise da sociedade capitalista no final do século XIX. Dewey defende uma ampla reforma pedagógica, de modo a entrelaçar o conhecimento com as experiências individuais, permitindo a maior participação de todos na sociedade,renovando e ampliando a indústria, a ciência e a democracia capitalista. Gramsci, pressupondo que a estrutura capitalista é excludente, destaca que a escola, pelo princípio educativo do trabalho, pode formar indivíduos reflexivos, críticos e capazes de atuar socialmente para romper com o sistema capitalista (NASCIMENTO; FAVORETO, 2018, p. 250). Weber não escreveu propriamente sobre a educação, mas seus conhecimentos foram apropriados a determinados contextos e isso o trouxe ao grupo. Ao longo da história, personalidades influenciaram e conduziram ações práticas desenvolvidas no contexto da pesquisa. Assim, constatamos que a pesquisa e a ciência caminham juntas. Não as conhecer ou ignorá-las é comprometer o presente e o futuro. FIQUE POR DENTRO O patrono da Educação no Brasil é Paulo Freire (1921-1997). Segundo ele, o papel da Educação é tornar o aluno capaz de ler o mundo e poder transformá-lo. Neste vídeo, Freire relata seu método, fruto da oportunidade de pôr suas ideias em prática – as mesmas ideias que apresentaram ao mundo seu método. Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo>. Acesso em: 21 nov. 2019. https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo ATIVIDADE 4 - Perspectivas na Pesquisa em Educação "A educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta" (FERRARI, 2008, on- line). Quanto mais eficiente for o processo, melhor será o desenvolvimento da comunidade em que a escola esteja inserida. Diante do trecho apresentado, qual é o maior beneficiado no processo educativo, segundo Durkheim? a) O Estado. b) A sociedade. c) O homem. d) Ninguém. e) A escola. INDICAÇÕES DE LEITURA Para saber mais sobre os grandes nomes da pedagogia, o livro “História das Ideias Pedagógicas”, de Moacir Gadotti, apresenta uma coletânea de grandes pensadores e provoca a reflexão do leitor por meio das ideias construídas por eles ao longo da história. Nome do livro: História das ideias pedagógicas Editora: Ática Autor: Moacir Gadotti ISBN: 8508044364 REFERÊNCIAS ANTUNES, C. Novas maneiras de ensinar, novas formas de aprender. Porto Alegre: Artmed, 2002. BRAGA. M. V. A. O controle social da educação básica pública: a atuação dos conselheiros do FUNDEB. Brasília, DF, 2011, 176f. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, 2011. CARMO, J. C. Notas sobre a escola unitária e trabalho no pensamento de Antonio Gramsci. Cadernos Cemarx, n. 5, p. 53-63, 2009. Disponível em: <https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/cemarx/article/viewFile/1373/948>. Acesso em: 4 set. 2019. CARVALHO, A. B. 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A história da Educação é marcada por diferentes pensadores que influenciaram a pedagogia, mas não foram apenas as teorias que influenciaram a Educação; os movimentos sociais também construíram uma história de luta, defesa e formulações pela e para a Educação em nosso país. Conhecer esse período é importante para compreendermos os caminhos que precisamos seguir para construir uma sociedade melhor. Aproveite os materiais complementares, pois eles vão enriquecer seu estudo. Leia, releia, discuta e converse. O aprendizado acontece assim! Bons estudos! Fonte: mohamed_hassan / Pixabay. A Educação do Século XX A Educação reflete o projeto de desenvolvimento de cada nação. Ela é impactada pelas políticas públicas, mas também é construída por lutas populares. O projeto de desenvolvimento de cada nação pode ou não valorizar seus indivíduos e profissionais da Educação, cultivar ênfases diferenciadas na cultura e incluir aspectos socioemocionais à formação dos cidadãos. A Educação brasileira, desde o período colonial, foi motivo de luta, fosse por espaço, ideais ou reconhecimento. Os jesuítas, por exemplo, entenderam que seria mais fácil converter os índios à sua fé por meio da alfabetização e alfabetizaram usando a Bíblia como seu principal instrumento. A chegada da família real e de sua corte marcou o período em que o Brasil deixou de ser colônia para se tornar capital. Dessa maneira, foi necessário fazer alguns investimentos (escolas, faculdades, saneamento básico, bibliotecas, hospitais etc.) no país, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Figura 2.1 - Tela “A primeira missa no Brasil”, de Victor Meirelles (1860) Fonte: Tetraktys / Wikimedia Commons. O governo Vargas trouxe grandes mudanças para a educação no contexto nacional, como: a criação do Ministério da Educação; a regulamentação das leis que padronizaram o ensino no país; a divisão da educação elementar (ensino fundamental, ginasial e supletivo); e a reformulação do ensino médio, focando na família e a iniciação ao trabalho e tirando o foco da formação da cidadania. As universidades surgiram de agrupamentos de faculdades, evitando o isolamento nos estados. A criação de cursos e centros de pesquisa, a importação de docentes franceses em função da precariedade de docentes qualificados no Brasil e a criação da Universidade de São Paulo (USP) são marcas importantes desse período. Em 1932, novas ideias deram origem ao período que ficou conhecido como Escola Nova. Nesse período, um grupo de pessoas ligadas à Educação criou o manifesto “A reconstrução educacional do Brasil” e apresentou ideias que influenciaram o ensino brasileiro, defendendo a educação pública, obrigatória, laica e sem discriminação de cor, gênero ou religião. Os currículos deveriam ser adequados às realidades, e os professores deveriam possuir formação superior. Com a Constituição promulgada em 1934, o ensino fundamental foi associado ao ginásio, sendo conhecido como primário. O tecnicismo foi retomado como tendência do ensino a partir de 1937, com a criação do ensino médio profissionalizante e com o apoio das multinacionais que se espalharam pelo país. Com o final da Era Vargas, uma nova Constituição se estabeleceu e mais mudanças chegaram. Na busca por conter o analfabetismo, exames e campanhas foram criados. Houve melhorias na década de 1950, com o método Paulo Freire, que consistia em adequar o ensino às características do meio no qual os estudantes se encontravam. Em 1964, com o golpe militar, houve medidas que desarticularam o ensino e desvalorizaram a docência a fim de “acalmar” as opiniões e os movimentos estudantis. Foi nesse período que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) surgiu; ela representou uma espécie de normalização para o sistema escolar – com ajustes, em 1996, houve uma nova publicação, que está vigente até hoje. Além disso, houve avanços importantes, como a gratuidade do sistema escolar e sua distribuição pelos municípios do país. O Estado recebeu maior responsabilidade pela escolarização, que se tornou um direito da criança. Do Império até o século XX, a educação mudou seu caminho, do tradicionalismo e intelectualismo a uma nova escola, com educação integral, ativa e prática, atividades centradas no aluno, em um pensamento liberal e democrático (PILETTI; PILETTI, 1988; ARANHA, 1996). A pesquisa em Educação no Brasil Um dos marcos inaugurais da pesquisa brasileira em Educação foi a criação do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Pedagógicas), em 1937. Esse primeiro momento da pesquisa em Educação foi da década de 1940 até a metade da década de 1950, em que a maioria dos temas era de cunho psicopedagógico e ligada à psicologia aplicada (estudos e testes de inteligência, de aptidões, de escolaridade etc.). Um segundo período foi marcado pela criação do Centro Brasileiro de Pesquisa Educacional (CBPE) e dos Centros Regionais de Pesquisa (CRPE). Nesse período, que foi da segunda metade da década de 1950 até parte da década de 1960, os principais estudos na área educacional eram sobre a organização social da escola e das relações entre educação e sociedade, invariavelmente ligados aos estudos sociológicos. Já em 1964, em plena ditadura militar, a predominância recaiu sobre os estudos ligados à Economia da Educação (Educação como investimento e formação de recursos humanos). A partir de 1971, apareceram os primeiros programas de pós-graduação, e a temáticapsicopedagógica com preocupação técnica voltou a aparecer (avaliação, currículo, metodologia do ensino, programas etc.). Foi também nesse período que os estudos mais longos sobre políticas educacionais começaram a despontar. Podemos perceber, também nesse período, um aumento muito grande na variedade temática dos trabalhos. Os cursos de pós-graduação passaram a fornecer condições para a execução das pesquisas, fato que até hoje permanece. O final da década de 1980 foi marcado pela crise do modelo de áreas de concentração e, com isso, foram criadas as linhas de pesquisa (utilizadas até hoje). Hoje, essas pesquisas focam nos problemas complexos da educação, tornam-se multidisciplinares, mas ainda usam a concepção analítica da ciência e da organização do conhecimento por áreas e disciplinas acadêmicas. O modelo da concentração por área gerou uma crise nos programas de pós-graduação de Educação, no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. O modelo exigia do aluno muitas disciplinas obrigatórias e poucas eletivas e adiava para o final do curso a elaboração das dissertações e das teses, o que gerava muitos atrasos e pedidos de prorrogação de prazos de defesas. Em 1987, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior) avaliou 27 cursos de mestrados e sete de doutorado e relatou a criação de disciplinas que discutiam os projetos de pesquisa. A partir dos anos 1990, houve uma grande expansão do ensino superior e também da pós- graduação. Parcerias com universidades estrangeiras garantiram um grande aumento de pesquisadores formados no exterior. A volta desses pesquisadores causou um grande impacto, com a diversificação tanto metodológica quanto temática nas pesquisas. Com esse aumento da diversidade das pesquisas, foram criados e consolidados os seguintes grupos de pesquisas: alfabetização e linguagem; aprendizagem escolar; formação de professores; ensino e currículos; educação infantil, fundamental e média; educação de jovens e adultos; ensino superior; gestão escolar; avaliação educacional; história da educação; políticas educacionais; e trabalho e educação – que já vinham sendo debatidos antes e também formados por pressão das avaliações externas. Atualmente, a Anped (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação), maior instituição científica de pesquisa em Educação no Brasil, dissemina e divulga os trabalhos dos pesquisadores em Educação, além de levantar debates fundamentais para a área da Educação. A associação conta com 21 grupos de trabalho dos mais diversos temas ligados à Educação e promove reuniões anuais de divulgação científica que, em cada edição, contam com, aproximadamente, 2 mil pessoas entre especialistas e alunos de pós-graduação (mestrado e doutorado). Durante o século XX, dois grandes pensadores se fizeram presentes e até hoje suas obras e práticas nos trazem vivências importantes: Piaget e Vygotsky. Conheceremos um pouco mais sobre os dois nos próximos tópicos. Piaget Jean William Fritz Piaget (1896-1980) é uma importante personalidade para a Psicologia, para a Educação e, principalmente, para a pesquisa nessas áreas. Considerado um dos principais pensadores do século XX, esse suíço, biólogo, psicólogo e epistemólogo (profissional que estudou como o conhecimento é gerado), desenvolveu estudos sobre a construção do conhecimento (Epistemologia Genética). Figura 2.2 - Piaget - Pesquisador e criador da Epistemologia Genética Fonte: Nbmachado / Wikimedia Commons. Segundo Piaget, os fatores biológicos influenciam o desenvolvimento dos indivíduos, que ocorre por etapas (período sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e de operações formais). Para chegar à sua teoria, Piaget usou como método a observação. Defensor do aprendizado como algo construído pela criança, e não como reprodução de adultos, Piaget estudou o raciocínio lógico-matemático em fase escolar, identificando, nesse contexto, que regras, valores e símbolos são inseridos gradualmente, de acordo com a maturidade psicológica de cada indivíduo. Foi por meio dessa teoria que propostas diferenciadas para a educação foram criadas, atendendo a cada fase da criança, por meio de observações específicas. Assim, compreendendo cada uma dessas fases, práticas e métodos mais pontuais poderiam ser desenvolvidos e ser mais assertivos (PIAGET, 1970). De maneira geral, em pesquisas, estudos, observações e teorias, Piaget defendeu que educar não se restringe apenas à transmissão de conteúdos, mas, sim, ao favorecimento da atividade mental do sujeito. Para ele, o pensamento – que depende de esquemas sensório-motores – surge anteriormente à linguagem, que é vista como uma das expressões existentes. Piaget usava o método clínico em suas pesquisas, uma vez que sua formação inicial era em Biologia. Segundo ele, os conhecimentos são elaborados de forma espontânea, em uma visão particular (egocêntrica) e, progressivamente, se socializam e aproximam da concepção de um adulto. Assim, a aprendizagem estaria subordinada ao desenvolvimento, minimizando o papel da interação social. As descobertas de Piaget, especialmente a teoria dos estágios de desenvolvimento, tiveram um grande impacto na pedagogia e na pesquisa em Educação. A elaboração da ideia de que a criança é a responsável por seu desenvolvimento inaugurou a corrente pedagógica do construtivismo, ainda muito presente nas escolas hoje em dia. Tanto a teoria dos estágios do desenvolvimento elaborada por Piaget quanto o método clínico usado por ele em suas pesquisas influenciaram muito as pesquisas em Educação. Até hoje, uma grande parcela dos estudos em Educação toma como ponto de partida as etapas do desenvolvimento para elaborar suas pesquisas. Vygotsky Outro nome relevante da Educação no século XX é o bielo-russo Lev Semyonovich Vygotsky (1896-1934), psicólogo que fundou a psicologia cultural-histórica, para quem o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre mediante suas interações sociais e suas condições vivenciadas. Vygotsky defendeu a teoria segundo a qual a cultura molda o pensamento; assim, a linguagem e a interação tornaram-se matérias-primas para grandes discussões do pensador. Com os significados internalizados pelo indivíduo, o homem vive um constante processo de construção social e histórica. Conforme Vygotsky, é por meio da linguagem que as relações acontecem. Além de criar a teoria de zonas de desenvolvimento (real, potencial ou proximal), Vygotsky demonstrou que todo aprendizado é mediado, mostrando, assim, a importância da interação social, da mediação e do brinquedo (OLIVEIRA, 1997; VYGOTSKY, 1984; VYGOTSKY, 1988). Figura 2.3 - Vygotsky - um dos maiores pesquisadores da Educação do século XX Fonte: The Vigotsky Project / Wikimedia Commons. Vygotsky, ao contrário de Piaget, defendeu como método de pesquisa o materialismo histórico dialético. A seu ver, a criança já nasce em um mundo social e vai construindo sua visão por meio da interação, precedendo o social para o individual. O aprendizado e o desenvolvimento são vistos como processos que se influenciam mutuamente. Para Vygotsky, o pensamento e a linguagem são processos dependentes desde o começo da vida, e as aquisições se modificam, considerando as funções mentais, dando forma ao pensamento, à imaginação, à memória e à ação. Os métodos experimentais, as bases teóricas e os estudos de observação nos trouxeram grandes oportunidades para a pesquisa em Educação, pois nos despertam a atenção para a utilização de métodos que contemplem estudos qualitativos e quantitativos. Além disso, possuem em seus discursos subsídios para investigar, identificar e direcionar a psicologia da aprendizagem, os processos de cognição, assim como os estudos de linguagem e desenvolvimento no tocante às compreensões e percepções de mundo e de relações humanas, estabelecendorelações importantes entre elas. Por ser um pesquisador bielo-russo, Vygotsky demorou a ser conhecido no Brasil, principalmente pela dificuldade de tradução da sua obra. Seu primeiro livro a ser traduzido para o português foi “A formação social da mente”, publicado no nosso país somente em 1984. Quando começou a ser mais conhecido no meio acadêmico, rapidamente suas teorias influenciaram a pedagogia e, sobretudo, a pesquisa em Educação. Segundo Solino, Bomfim e Gehlen (2019, p. 242), as pesquisas na área da Educação que têm Vygotsky como referencial teórico usam os seguintes referenciais: Os conceitos vygotskyanos mais utilizados pelos pesquisadores da área são a Interação (37%), Mediação (23%) e Zona de Desenvolvimento Proximal (8%), tendo como base o total de 343 resumos dos trabalhos analisados. Esse aspecto parece revelar que esses conceitos vygotskyanos caminham em direção a um consenso na área a respeito dos processos sociais que envolvem a aprendizagem humana. Esse resultado é semelhante ao estudo de Freitas (2004), que realizou um levantamento acerca das Reuniões Anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) no período de 1998- 2003 e constatou que os livros “Formação social da mente” (1984), “Pensamento e linguagem” (1997) e “Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem” (1988) são as obras que mais têm fundamentado os trabalhos que utilizam os pressupostos de Vygotsky. Enquanto a área da Educação se transformava política e historicamente, os focos de pesquisa também mudavam, e as ideias de Vygotsky foram sendo incorporadas para acompanhar essas alterações. Dessa maneira, as ideias de Vygotsky contribuíram para a pesquisa em Educação da mesma maneira que as pesquisas em Educação ajudaram a disseminar as teorias vygotskyanas. REFLITA Leia o trecho abaixo e reflita sobre Vygotsky: “[...] O que mais impressiona, dentre vários aspectos, na leitura da obra de Vygotsky é a sua contemporaneidade. Seus escritos, elaborados há aproximadamente sessenta anos, ainda hoje têm o efeito do impacto, da ousadia, da fidelidade à investigação acerca de pontos obscuros e polêmicos no campo científico” (REGO, 1999, p. 15). Você concorda com Rego? Por quê? Em quais aspectos Vygotsky pode ser considerado contemporâneo? As conquistas aqui citadas ainda não são para todos. Mesmo diante de ideias tão importantes, Piaget e Vygotsky ainda têm muito a nos ensinar quando o assunto é educação. Tanto o acesso quanto a permanência de alunos têm sido motivos de muitas lutas, programas, projetos e metas institucionais e governamentais ao longo dos anos, mas isso ainda está longe de ser algo resolvido. Muitas pretensões foram traçadas e, como veremos posteriormente, nesta unidade, ainda não foram cumpridas. FIQUE POR DENTRO Amplie seu conhecimento conhecendo um pouco mais sobre as obras e Piaget e de Vygotsky, bem como sobre as relações da aprendizagem entre os autores. Para isso, leia o texto disponível em: <https://periodicos.pucpr.br/index.php/dialogoeducacional/article/view/4039/3955>. Acesso em: 20 nov. 2019. FIQUE POR DENTRO Avanços aconteceram na Educação Brasileira, porém, ainda há muito a ser conquistado. Leia o artigo “A educação pública no brasil no século XX: considerações à luz da formação dos grupos escolares e do manifesto dos pioneiros da educação nova”, de Rebeca e Fábio Darius, e aprofunde- se um pouco mais no assunto. Disponível em: <https://periodicos.fclar.unesp.br › doxa › article › download>. Acesso em: 20 nov. 2019. https://periodicos.pucpr.br/index.php/dialogoeducacional/article/view/4039/3955 https://periodicos.fclar.unesp.br/doxa/article/download/11248/7385 https://periodicos.fclar.unesp.br/doxa/article/download/11248/7385 ATIVIDADE 1 - A Educação do século XX: os contextos histórico e social nos estudos de Piaget e Vygotsky 1) Leia o trecho a seguir: O século XX pode ser considerado um período importante para a história da escola pública no Brasil, devido às relevantes transformações pelas quais ela passou. É necessário considerar o contexto histórico do país para assim compreender como se deu a produção da educação para o povo. Entre alguns fatores determinantes, pode-se mencionar o início da República – final do século XIX em diante, a crescente industrialização no país, a expansão das cidades e a influência do modelo norte-americano de educação, conhecido como escolanovista (DARIUS; DARIUS, 2018, p. 33). Agora, responda: quais fatores já estavam presentes no século XX e que ainda hoje assombram a Educação Brasileira? a. Problemas políticos são os únicos responsáveis pela situação na educação. Ao corrigi-los, a educação conseguirá melhores condições para acontecer. b. Falta de qualificação e desmotivação na docência, falta de oportunidades para acesso e permanência na vida escolar, falta de investimento no sistema educacional. c. Problemas específicos da educação, como métodos e estratégias de ensino. Os professores precisam estar mais preparados para lidar com as questões que surgirem no contexto escolar. d. Falta de apoio familiar, religioso e governamental. A crise pela qual a sociedade passa envolve essas três esferas, que comprometem diversos aspectos da sociedade, principalmente a educação. e. Não há como identificar todos os fatores que comprometem nossa educação. A situação do país não permite que os responsáveis pela situação atual sejam identificados. A Educação do Século XXI Começamos o século XXI com problemas ainda não resolvidos: escolas sem estrutura, professores mal remunerados, salas lotadas, crianças fora da escola etc. Somam-se a isso os problemas advindos de questões típicas desse novo milênio, como a tecnologia dentro da sala de aula, educação a distância, entre outras questões. Todo esse novo contexto, somado a questões anteriores, demanda novas ações e posturas de todos os agentes da Educação. Vimos, anteriormente, o contexto político-histórico e social que trouxe mudanças e consequências para a educação brasileira. Na atualidade, além dos fatos citados, temos uma novidade gritante para a sala de aula: a tecnologia. Sem entrar em méritos de permitir ou proibir, é preciso aceitar o contexto de mudança e inovação que esse recurso/ferramenta proporciona ao contexto educativo e todas as transformações que ela traz para todo indivíduo que utiliza ou tenta se privar dela. Hoje, a tecnologia está presente dentro da escola, desde coisas mais simples, como o giz e a lousa (considerados tecnologias também), até em coisas mais elaboradas, como dispositivos móveis, chatbots (programas de computador que tentam simular um ser humano na conversação com as pessoas), realidade virtual, ambiente virtual, robótica etc. Apesar de todo grande avanço tecnológico na sociedade atual e dentro das escolas, ainda vivemos em um país onde o analfabetismo persiste. De acordo com o Censo de 2010 (IBGE, 2010), há 14 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em território brasileiro. Também persistem a precariedade das escolas e a desvalorização profissional. Temos, hoje, uma sociedade fragilizada e assombrada pela violência, que dispara ódio, desigualdade, injustiça, agressão de diversas naturezas, suicídios e tantos outros males. Todos esses fatores são desencadeados na sociedade e gerados também por ela, em uma onda de ação, reação e revide, deixando pouca compreensão, paciência, solidariedade, respeito e empatia em tempos tão necessários (BAUMAN, 2001; BAUMAN, 2005). As relações pessoais tiveram novas configurações com a forte instalação das redes sociais. Mais conectados e menos relacionados, vivemos, como diria Bauman (2001, p. 21), uma modernidade líquida, com uma vida líquida. Segundo o autor, “A desintegração social é tanto uma condição quanto um resultado da nova técnica de poder”. Figura 2.4- Dilema da atualidade: desintegração social Fonte: 12019 / Pixabay. No Brasil, vivemos, hoje, uma grande crise econômica e também política. Toda essa crise deu margem a reformas austeras, cortes no orçamento e diminuição do investimento em pesquisa em Educação. Todos esses reveses causam um grande impacto direto na Educação, já tão cheia de problemas não resolvidos. O profissional da Educação se torna cada vez mais cobrado, desvalorizado e desmotivado, sendo vítima, inclusive, de agressões e episódios de extrema violência, como os relatados frequentemente na mídia. Lidar com tudo isso é trabalhar a transformação social e pensar no global. A sociedade precisa da educação e vice-versa. Diante disso, outras personalidades e outros “produtos” foram apresentados à Educação, na tentativa de auxiliar seu desenvolvimento e servir como um caminho a ser seguido, rumo à educação de qualidade, o que veremos a seguir. FIQUE POR DENTRO Amplie seu conhecimento a respeito das novas relações e como elas alteram a educação e, consequentemente, o tecido social. Leia a entrevista com Zigmunt Bauman sobre a educação e, depois, conheça mais sobre sua obra. Vale a pena! Consulte em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742009000200016>. Acesso em: 20 nov. 2019. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742009000200016 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742009000200016 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742009000200016 REFLITA O que você tem a dizer sobre o que estamos estudando? “[...] de que caminhos práticos dispõe, atualmente, a escola para se adequar ao cenário emergente?” (MIRANDA, 2013, p. 19). Educação um Tesouro a Descobrir: Relatório Jacques Delors O francês Jacques Lucien Jean Delors, nascido em 1925 e vivo ainda hoje, é um economista e político que atuou como professor na Universidade Paris-Dauphine e na Escola Nacional de Administração da França. Em sua gestão, de 1992 a 1996, presidiu o famoso relatório da Comissão Internacional sobre a Educação para o Século XXI, mais conhecido como “Educação, um tesouro a descobrir”. Figura 2.5 - Jacques Delors Fonte: Cheep / Wikimedia Commons. Nesse relatório, quatro aspectos básicos foram considerados como pilares da educação. Segundo Delors (1998), a aprendizagem ao longo da vida é uma necessidade da sociedade e deve estar fundamentada nestes pilares, que representam o conhecimento e a formação continuada: ● Aprender a conhecer: é preciso prazer em compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento; reinventar o novo, o velho e o próprio pensar. ● Aprender a fazer: é preciso praticar, fazer! Para isso, algumas habilidades são necessárias como: iniciativa, intuição, comunicação, cooperação e humildade e, para isso, uma série de técnicas precisa ser trabalhada em todos os ambientes da sociedade. ● Aprender a conviver: as relações humanas possuem grande responsabilidade na sociedade, e dessa convivência uma série de outros fatores pode ser desenvolvida, como a empatia, a compreensão, a participação etc. ● Aprender a ser: a aprendizagem é algo que precisa acontecer de forma integral, ou seja, não está relacionada apenas à inteligência, mas à sensibilidade, ética, iniciativa e responsabilidades. Figura 2.6 - A formação do indivíduo acontece graças a uma série de fatores Fonte: geralt / Pixabay. Com essa base, a educação tem grandes possibilidades de sucesso, pois está além do processo de ensino-aprendizagem, incluindo habilidades sociopsicoemocionais, completando a formação ou a construção do indivíduo. Um caminho para a pesquisa em Educação é usar a teoria de Jacques Delors como base. Por ser economista e considerado neoliberal, a pesquisa em Educação que usar essa teoria como base tratará de questões da Educação ligadas à economia (financiamento, verbas, salários, orçamentos etc.) e estará situada dentro de uma perspectiva da pedagogia liberal. FIQUE POR DENTRO Muito é dito sobre a importância do papel das escolas na sociedade do século XXI. Porém, será que são possibilidades reais? Será que são possíveis de serem realizadas? Veja, na entrevista de Myriam Tricate, coordenadora do Programa de Escolas Associadas (PEA) da Unesco, qual o papel da escola no século XXI. Acesse e confira: <https://www.geekie.com.br/blog/papel-da- escola/>. Acesso em: 20 nov. 2019. Os Sete Saberes Necessários para a Educação do Futuro: Edgar Morin Edgar Morin é um dos poucos grandes sociólogos ainda vivos (em 2019, completou 98 anos). Nasceu em Paris, em 1921, e se tornou antropólogo, sociólogo e filósofo, além de ter formação em Direito, História e Geografia. Figura 2.7 - Edgar Morin Fonte: Fronteiras do Pensamento/ Wikimedia Commons. Participou da resistência durante a Segunda Guerra Mundial. É autor de grandes e numerosas obras, inclusive “Os sete saberes necessários para a educação do futuro”, com inspirações para que o professor possa desenvolver uma prática pedagógica diferenciada e assertiva. https://www.geekie.com.br/blog/papel-da-escola/ https://www.geekie.com.br/blog/papel-da-escola/ Para a educação do futuro, é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais, a fim de situar a condição humana no mundo; dos conhecimentos derivados das ciências humanas, para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas, bem como para integrar (na educação do futuro) a contribuição, inestimável das humanidades, não somente a filosofia e a história, mas também a literatura, a poesia, as artes (MORIN, 2011, p. 48). Segundo Carvalho (2017), Morin descreve uma educação que contemple o futuro centrado na condição humana, reconhecendo sua diversidade cultural e permitindo que este se estabeleça no universo. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão É impressionante que a educação que visa transmitir conhecimentos seja cega quanto ao que é o conhecimento humano, seus dispositivos, enfermidades, dificuldades, tendências ao erro e à ilusão, e não se preocupe em fazer conhecer o que é conhecer. • De fato, o conhecimento não pode ser considerado uma ferramenta ready made, que pode ser utilizada sem que sua natureza seja examinada. Da mesma forma, o conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira, que serviria de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro e de ilusão, que não cessam de parasitar a mente humana. Trata-se de armar cada mente no combate vital rumo à lucidez. • É necessário introduzir e desenvolver na educação o estudo das características cerebrais, mentais, culturais dos conhecimentos humanos, de seus processos e modalidades, das disposições tanto psíquicas quanto culturais que o conduzem ao erro ou à ilusão. Os princípios do conhecimento pertinente Existe um problema capital, sempre ignorado, que é o da necessidade de promover o conhecimento capaz de apreender problemas globais e fundamentais para neles inserir os conhecimentos parciais e locais. • A supremacia do conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas impede frequentemente de operar o vínculo entre as partes e a totalidade, e deve ser substituída por um modo de conhecimento capaz de apreender os objetos em seu contexto, sua complexidade, seu conjunto. • É necessário desenvolver a aptidão natural do espírito humano para situar todas essas informações em um contexto e em um conjunto. É preciso ensinar os métodos que permitam estabelecer as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo em um mundo complexo. Ensinar a condição humana O ser humano é a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural, social, histórico. Essa unidade complexa da natureza humana é totalmente desintegrada na educaçãopor meio das disciplinas, tendo- se impossível aprender o que significa ser humano. É preciso restaurá- la, de modo que cada um, onde quer que se encontre, tome conhecimento e consciência, ao mesmo tempo, de sua identidade complexa e de sua identidade comum a todos os outros humanos. • Desse modo, a condição humana deveria ser o objeto essencial de todo o ensino. • Este capítulo mostra como é possível, com base nas disciplinas atuais, reconhecer a unidade e a complexidade humanas, reunindo e organizando conhecimentos dispersos nas ciências da natureza, nas ciências humanas, na literatura e na filosofia, e põe em evidência o elo indissolúvel entre a unidade e a diversidade de tudo que é humano. Ensinar a identidade terrena • O destino planetário do gênero humano é outra realidade-chave até agora ignorada pela educação. O conhecimento dos desenvolvimentos da era planetária, que tendem a crescer no século XXI, e o reconhecimento da identidade terrena, que se tornará cada vez mais indispensável a cada um e a todos, devem converter-se em um dos principais objetos da educação. • Convém ensinar a história da era planetária, que se inicia com o estabelecimento da comunicação entre todos os continentes no século XVI, e mostrar como todas as partes do mundo se tornaram solidárias, sem, contudo, ocultar as opressões e a dominação que devastaram a humanidade e que ainda não desapareceram. • Será preciso indicar o complexo de crise planetária que marca o século XX, mostrando que todos os seres humanos, confrontados de agora em diante aos mesmos problemas de vida e de morte, partilham um destino comum. Enfrentar as incertezas As ciências permitiram que adquiríssemos muitas certezas, mas igualmente revelaram, ao longo do século XX, inúmeras zonas de incerteza. A educação deveria incluir o estudo das incertezas que surgiram nas ciências físicas (microfísicas, termodinâmica, cosmologia), nas ciências de evolução biológica e nas ciências históricas. • Seria preciso ensinar princípios de estratégia que permitiriam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza, e modificar seu desenvolvimento, em virtude das informações adquiridas ao longo do tempo. É preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas, em meio a arquipélagos de certeza. • A fórmula do poeta grego Eurípedes, que data de vinte e cinco séculos, nunca foi tão atual: “O esperado não se cumpre, e ao inesperado um deus abre o caminho”. O abandono das concepções deterministas da história humana que acreditavam poder predizer o nosso futuro, o estudo dos grandes acontecimentos e desastres de nosso século, todos inesperados, o caráter doravante desconhecido da aventura humana devem-nos incitar a preparar as mentes para esperar o inesperado, para enfrentá-lo. É necessário que todos os que se ocupam da educação constituam a vanguarda ante a incerteza de nossos tempos. Ensinar a compreensão A compreensão é a um só tempo meio e fim da comunicação humana. Entretanto, a educação para a compreensão está ausente do ensino. O planeta necessita, em todos os sentidos, de compreensão mútua. Considerando a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão pede a reforma das mentalidades. Essa deve ser a obra para a educação do futuro. • A compreensão mútua entre os seres humanos, quer próximos, quer estranhos, é daqui para frente vital para que as relações humanas saiam de seu estado bárbaro de incompreensão. • Daí decorre a necessidade de estudar a incompreensão a partir de suas raízes, suas modalidades e seus efeitos. Esse estudo é tanto mais necessário porque enfocaria não os sintomas, mas as causas do racismo, da xenofobia, do desprezo. Constituiria, ao mesmo tempo, uma das bases mais seguras da educação para a paz, à qual estamos ligados por essência e vocação. A ética do gênero humano A educação deve conduzir à “antropoética”, levando em conta o caráter ternário da condição humana, que é ser, ao mesmo tempo, indivíduo/sociedade/espécie. Nesse sentido, a ética indivíduo/sociedade/espécie necessita do controle mútuo da sociedade pelo indivíduo e do indivíduo pela sociedade, ou seja, a democracia; a ética indivíduo/espécie convoca, ao século XXI, a cidadania terrestre. • A ética não poderia ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie. Carregamos em nós essa tripla realidade. Desse modo, todo desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana. • Partindo disso, esboçam-se duas grandes finalidades ético-políticas do novo milênio: estabelecer uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a Humanidade como comunidade planetária. A educação deve contribuir não somente para a tomada de consciência de nossa Terra-Pátria, mas também permitir que essa consciência se traduza em vontade de realizar a cidadania terrena. Quadro 2.1 - Sete saberes de Morin Fonte: Adaptado de Morin (2011, on-line). Assim, Morin pôs o indivíduo no centro do ensino, e seus saberes apresentam diretrizes para essa educação sonhada e possível. Morin é um autor muito usado nas pesquisas em Educação, por suas profundas reflexões na área. A teoria da complexidade, o conceito de pensamento integral e a teoria dos sete saberes são pontos fundamentais para quem usa sua obra como referencial. Para a pesquisa em Educação que tem Morin como referencial teórico, a construção do raciocínio é extremamente valorizada, pois só assim será viável pensar a Educação de tempos futuros. FIQUE POR DENTRO Edgar Morin é considerado um dos primeiros pensadores do século XXI que sugeriu uma quebra de paradigma ao questionar o ensino disciplinar pautado nos conteúdos técnicos que marcaram o ensino na época. Assista a uma entrevista com ele, concedida à Nova Escola, em outubro de 2006, e compreenda melhor sobre o que estamos estudando. Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/894/edgar-morin-a-escola-mata-a-curiosidade>. Acesso em: 20 nov. 2019. https://novaescola.org.br/conteudo/894/edgar-morin-a-escola-mata-a-curiosidade ATIVIDADE 2 - A educação do século XXI Considere o trecho: Os sete saberes necessários à educação do futuro não têm nenhum programa educativo escolar ou universitário, e aliás não está concentrado no primário, nem no secundário, nem no ensino universitário, mas aborda problemas específicos para cada um desses níveis que precisam ser apresentados, porque dizem respeito aos setes buracos negros da educação completamente ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos, que, na minha opinião, devem ser colocados no centro das preocupações da formação dos jovens que, evidentemente, se tornarão cidadãos (MORIN, 2011, on- line). Diante dos sete saberes de Morin (2011) apresentados nesta unidade, identifique, nas alternativas a seguir, qual é, ou mais se aproxima, da opinião e desses sete saberes. a) “A escola da experiência é a mais educativa”. b) “É preciso aprender sobre a condição humana, a compreensão e a ética, entender a era planetária em que vivemos e saber que o conhecimento, qualquer que seja ele, está sujeito ao erro e à ilusão”. c) “Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender”. d) “A educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados”. e) “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Educação no Contexto Histórico e Social Brasileiro: AnísioTeixeira Considerado de grande importância para a educação brasileira, Anísio Spínola Teixeira foi um jurista, educador e escritor brasileiro que, no período de 1920 a 1930, difundiu suas ideias sobre a Escola Nova. Pioneiro na luta pela implantação de escolas gratuitas e públicas para todas as fases escolares, Anísio se inspirava na filosofia de John Dewey, de quem foi aluno na pós- graduação. Figura 2.8 - Anísio Teixeira (1900-1971) Fonte: Chico / Wikimedia Commons. Para Anísio, a sociedade passava naquele período por uma mudança de paradigma e, para isso, o indivíduo deveria estar preparado com base na educação. Essa educação não deveria estar associada apenas a conteúdos escolares e mercadológicos, constituindo, em contrapartida, uma educação que possibilitasse o pensamento crítico diante das situações vivenciadas. Escrito durante o governo Vargas, em 1932, “O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” reuniu 26 intelectuais e se consolidou com diferentes posições ideológicas, defendendo o desejo de uma escola única, pública e laica. Suas diretrizes contrariavam a Igreja Católica (que dispunha de grande parte das escolas na rede particular). Reler o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova nos dias de hoje implica percebê-lo como peça política do debate educacional situado no início dos anos 1930, indiciando os grupos em disputa e o movimento, operado pelo texto, de ressignificação das propostas educativas e dos objetos em confronto com o propósito explícito de orientar as políticas educativas do novo Ministério da Educação e Saúde. Implica também compreendê-lo como monumento da memória educacional brasileira, muitas vezes revisitá-lo pelos próprios pioneiros ao longo do tempo como estratégia de legitimação de intervenção no campo educacional. Esvaziado das condições de emergência, o Manifesto sobreviveu como uma carta de princípios pedagógicos, como um marco em prol de uma escola renovada, mas, principalmente, em defesa da responsabilidade do Estado pela difusão da educação pública no país (VIDAL, 2013, p. 586). O movimento da Escola Nova propôs uma política educacional ampla, sem desigualdades de qualquer natureza e integradora, presente nos ideais de muitos personagens que trouxeram novas perspectivas para a sociedade e para o sistema educacional. Assim como Anísio Teixeira, outra personalidade bem conhecida que influenciou e contribuiu para a educação que desejamos, sendo hoje o patrono da educação no Brasil, foi Paulo Freire. Anísio Teixeira é um autor muito utilizado como referencial teórico na pesquisa em Educação, principalmente na área da política educacional, já que Anísio também foi pioneiro na implantação de escolas e universidades e o principal idealizador das grandes mudanças na educação brasileira no século XX. Como teórico, ele seguiu a linha pragmática e sofreu grande influência de Dewey. FIQUE POR DENTRO Para Anísio Teixeira, a educação não poderia ser vista ou desenvolvida como um privilégio, pois trata-se de um direito que deveria ser para todos. Leia mais sobre ele no documentário indicado a seguir e amplie seus conhecimentos sobre essa importante personalidade brasileira. O “Documentário Educadores Brasileiros: Anísio Teixeira - Educação não é Privilégio” apresenta a vida e a obra de Anísio Teixeira e sua participação no Manifesto dos Pioneiros da Educação. Assista e conheça: <https://www.youtube.com/watch?v=ls-FoXhfM_Y>. Acesso em: 20 nov. 2019. https://www.youtube.com/watch?v=ls-FoXhfM_Y ATIVIDADE 3 - Educação no contexto histórico e social brasileiro: Anísio Teixeira Leia o trecho a seguir e, em seguida, faça o que se pede: O Manifesto, uma frente; a Escola Nova, uma fórmula: talvez aí resida a atualidade dessa carta-monumento. O intrincado mosaico constituído em torno do Manifesto nos faz considerar a rede de relações em que se produzem as políticas educacionais e sua imbricação nas diferentes esferas e níveis do sistema escolar e da macropolítica (VIDAL, 2013, p. 577). Qual das alternativas a seguir corresponde ao Manifesto dos Pioneiros da Educação? a) Um movimento que defendia a valorização de professores e buscava o término da repressão. b) Um movimento renovador em defesa de uma escola para todos. c) Um movimento educacional de professores que combatiam as ideias repressoras do governo vigente. d) Um movimento de gênero que buscava oportunidade para as classes mais pobres. e) Um movimento que contou com a participação de Freinet, Rogers e Piaget. Educação no Contexto Histórico e Social Brasileiro: Paulo Freire Paulo Reglus Neves Freire, mais conhecido por Paulo Freire, foi educador e filósofo brasileiro, reconhecido mundialmente, tendo influenciado o movimento conhecido como Pedagogia Crítica. Desenvolveu um método de alfabetização de adultos que é referência no mundo todo até hoje. Para provar que seu método funcionava, Paulo Freire fez um experimento, em 1963, em Angicos (RN), conhecido como “Quarenta horas de Angicos”, em que ele alfabetizou 380 trabalhadores em apenas 40 horas. Seu método leva em consideração o conhecimento do aluno – o que ele chamou de conhecimento de mundo. Para Paulo Freire, o conhecimento de mundo devia preceder o conhecimento da palavra. Dessa maneira, seu método partia sempre de uma palavra geradora, que é uma palavra que faz parte do cotidiano daquele trabalhador. Para um operário, por exemplo, a alfabetização partia da palavra “tijolo”. A experiência de Angicos fazia parte de um projeto nacional que visava acabar com o analfabetismo; porém, com o advento do regime militar, o projeto foi encerrado e Paulo Freire exilado. Figura 2.9 - Paulo Freire (1921-1997) Fonte: Slobodan Dimitrov / Wikipédia. Defensor da didática fundamentada no uso da prática dialética com a realidade, crítico da educação bancária, tecnicista e alienante, Freire destacou-se na busca por uma formação da consciência política. É notório, nos escritos freireanos, que não existe apenas uma educação, mas educações, isto é, “[...] formas diferentes de os seres humanos partirem do que são para o que querem ser” (ROMÃO, 2008a, p. 150). E referente à educação formal, identifica-se, de maneira geral, a “Educação Bancária” e a “Educação Libertadora” como as duas grandes formas predominantes: a primeira, no exercício de educar, oprime, aliena, desumaniza os seres humanos participantes do processo educacional marcado e guiado por esse tipo de educação; a segunda forma, prima pela conscientização, pela autonomia, pela humanização dos educandos, constituindo-se mediante processos interativos, porque relacionais, dialógicos (ECCO; NOGARO, 2015, p. 3527). Sua obra “Pedagogia do oprimido” se opôs aos privilégios das classes dominantes e defendia que os próprios oprimidos deveriam reagir diante dessas desigualdades. Nesse sentido, a pedagogia do dominante seguiria uma concepção mais bancária da educação, em uma relação vertical, marcada pela autoridade do “manda quem sabe”. Já na pedagogia do oprimido, a educação surge como uma prática de liberdade, surgida por necessidade do próprio povo. Assim, não basta ter consciência da opressão, é preciso transformar a realidade. A identidade cultural do aluno seria construída no diálogo e teria como base seu método. Por isso, a qualidade da educação seria o grande potencial de transformação da sociedade. O trabalho que Freire desenvolveu na Educação de Jovens e Adultos tinha ênfase no diálogo e no trabalho coletivo, a fim de valorizar os conhecimentos vivenciados pelos educandos e aproveitá- los no aprendizado. Paulo Freire é, dessa forma, uma leitura primordial a educadoras e educadores preocupados com as condições existenciais de seus educandos. A importância da análise freireana se dá em conjunto com educadores e educadoras num constante e necessário diálogo com o mundo ecom as possibilidades de sua transformação. É na prática dialética de escutar, refletir, engajar-se, que a teoria de Paulo Freire encontra sua necessária dimensão pedagógica-política, tão atual e necessária, tantos nos espaços formais quanto nos não formais que pretendam uma emancipação de indivíduos e grupos (MACIEL, 2011, p. 343). Freire nos trouxe grandes contribuições e suas obras são registros que devem ser lidos, relidos e discutidos (FREIRE, 1989; FREIRE, 1992; FREIRE, 2003). Pensar na teoria freireana e em sua importância para a Educação está além do viés político. É algo que precisa ser conhecido, respeitado e, sempre que possível, aplicado. Conforme Arroyo (apud CALDART; KOLLING, 2001, p. 56) descreveu, a “Educação para Paulo Freire é uma conduta. Um conjunto de valores pedagógicos; um compromisso; uma postura”. Paulo Freire é o pensador brasileiro com maior influência nas pesquisas sobre Educação no Brasil e no mundo. Sua obra é base para as pesquisas das áreas de formação de professores, currículo, práticas pedagógicas, Educação de Jovens e Adultos (EJA), políticas educacionais, educação popular, entre outras. As pesquisas freireanas fazem parte da pedagogia crítica e dão grandes contribuições sociais e políticas. Uma outra forma de fazer pesquisa são as cátedras, que têm o objetivo de preservar a memória, a produção e divulgação de um autor de grande importância. Cátedras Paulo Freire no Brasil Instituição Coordenação Cátedra do Oprimido Universitas Paulo Freire Instituto Paulo Freire Universidade Nove de Julho José Eustáquio Romão Cátedra Livre Paulo Freire Universidade Federal de Viçosa Arthur Meucci Cátedra Paulo Freire Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Ana Maria Saul Cátedra Paulo Freire Universidade Federal de Pernambuco Maria Eliete Santiago Cátedra Paulo Freire Universidade Católica de Santos Alexandre Saul Cátedra Paulo Freire - Educação para a Sustentabilidade Universidade Federal Rural de Pernambuco Monica Lopes Folena Araújo Cátedra Paulo Freire da Amazônia Universidade do Estado do Pará Ivanilde Apoluceno de Oliveira Cátedra Paulo Freire de Educação de Jovens e Adultos Universidade Federal da Integração Latino-Americana Juliana Franzi Quadro 2.2 - Relação das Cátedras Paulo Freire no Brasil Fonte: Adaptada de Paulo… (on-line). Geralmente, as cátedras são organizadas nas Universidades e ligadas a cursos de pós-graduação. Nelas são realizados grupos de estudos, pesquisas e cursos. Como visto no Quadro 2.2, Paulo Freire possui diversas cátedras espalhas pelo Brasil e pelo mundo. https://www.paulofreire.org/ https://www.paulofreire.org/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Nove_de_Julho https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/104090/jose-eustaquio-romao/ https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/104090/jose-eustaquio-romao/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_de_Vi%C3%A7osa https://pt.wikipedia.org/wiki/Pontif%C3%ADcia_Universidade_Cat%C3%B3lica_de_S%C3%A3o_Paulo https://pt.wikipedia.org/wiki/Pontif%C3%ADcia_Universidade_Cat%C3%B3lica_de_S%C3%A3o_Paulo https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_de_Pernambuco https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_de_Pernambuco http://cienciaparaeducacao.org/pesquisador/maria-eliete-santiago/ http://cienciaparaeducacao.org/pesquisador/maria-eliete-santiago/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Cat%C3%B3lica_de_Santos https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/170517/alexandre-saul-pinto/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_Rural_de_Pernambuco https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_Rural_de_Pernambuco http://monicafolena.com.br/ http://monicafolena.com.br/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_do_Estado_do_Par%C3%A1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_da_Integra%C3%A7%C3%A3o_Latino-Americana https://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Federal_da_Integra%C3%A7%C3%A3o_Latino-Americana http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4772413Z5 FIQUE POR DENTRO Leia a matéria de Mariana Vick, do Nexo Jornal, conheça mais sobre Paulo Freire e entenda o porquê de sua obra não poder ser reduzida ou ignorada. Consulte em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/04/16/O-que-h%C3%A1-de-Paulo-Freire-nas- escolas-p%C3%BAblicas-brasileiras>. Acesso em: 20 nov. 2019. FIQUE POR DENTRO Paulo Freire defendia que o papel da educação é tornar o aluno capaz de ler o mundo para poder transformá-lo. No vídeo indicado a seguir, educadores apresentam Freire e seu método conhecido e reconhecido mundialmente. Acesse e confira em: <https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo&t=111s>. Acesso em: 20 nov. 2019. ATIVIDADE 4 - Educação no contexto histórico e social brasileiro: Paulo Freire Leia o trecho a seguir e, em seguida, complete as lacunas com as alternativas apresentadas: “É importante entender ______ como o educador que, naqueles anos, melhor sintetizou e sistematizou o essencial das propostas educativas de então, no primeiro momento, como um sistema de educação de adultos, experimentado na sua primeira fase de alfabetização, da qual Educação como __________ é o fundamento e o relato. Logo mais, essa proposta é aprofundada teoricamente na experiência de ___________ do Chile, em condições de trabalho que lhe permitiram o diálogo enriquecedor com parceiros destacados, brasileiros exilados e chilenos comprometidos com reformas radicais em seu país, no Governo Allende. Essa oportunidade e esses contatos permitiram a Paulo Freire um mergulho na literatura marxista, cujo produto é a __________ (Paz e Terra, 1975)” (FÁVERO, 2011, p. 4). a) Anísio Teixeira; prática do diálogo; escola para todos; Manifesto dos Pioneiros. b) Paulo Freire; prática da liberdade; Alfabetização de adultos; Pedagogia do Oprimido. c) Anísio Teixeira; prática da liberdade; método Paulo Freire; Pedagogia do Oprimido. d) Paulo Freire; prática da liberdade; método Paulo Freire; Pedagogia da Liberdade. e) Paulo Freire; Prática da opressão; diálogo político; Pedagogia da Autonomia. https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/04/16/O-que-h%C3%A1-de-Paulo-Freire-nas-escolas-p%C3%BAblicas-brasileiras https://www.nexojornal.com.br/expresso/2019/04/16/O-que-h%C3%A1-de-Paulo-Freire-nas-escolas-p%C3%BAblicas-brasileiras https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo&t=111s INDICAÇÕES DE LEITURA Nome do livro: 500 anos de educação no Brasil Editora: Autêntica Autor: Eliana Marta Teixeira Lopes; Luciano Mendes Faria Filho; Cynthia Greive Veiga (Org.) ISBN: 978-8586853616 O livro “500 anos de educação no Brasil” reúne 24 artigos sobre a História da Educação no Brasil, discutindo desde as origens históricas até a atualidade. Vale a pena a leitura para conhecer mais sobre como a nossa história se desenvolveu e compreender movimentos e personalidades importantes ao longo do tempo. INDICAÇÕES DE FILME Nome do filme: Sociedade dos poetas mortos Gênero: Drama Ano: 1989 Elenco principal: Robin Willians, Robert Sean Leonard e Ethan Hawke Comentário: O filme premiado é ambientado no ano de 1959, em uma escola tradicional norte- americana para garotos. Nesse cenário, um novo professor chega para assumir as aulas e se depara com ideais conservadores da instituição e de alguns alunos, que pouco valorizam as expressões artísticas e que acabam limitando a liberdade dos estudantes. Aos poucos, a história começa a mudar, graças ao trabalho dedicado do professor, que insiste em ensinar sobre a libertação. REFERÊNCIAS ARANHA, M. L. A. 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P. Wellichan Introdução Olá! Seja bem-vindo(a) à terceira unidade do nosso material. Aqui, vamos conversar sobre o aprender e o ensinar, duas ações que se completam, se relacionam e se tornam definitivas ao longo de nossas vidas, pois estamos sempre as praticando. Aproveite os materiais complementares, pois eles vão enriquecer seu estudo. Leia, releia, discuta e converse. O aprendizado acontece assim! Bons estudos! Fonte: Antonio Guillem / 123RF. O que é, como e Por que Ensinar? A palavra “ensinar” deriva do latim insignare e significa indicar, doutrinar, instruir, transmitir conhecimento sobre algo. A palavra “aprender” deriva de apprendo e significa adquirir conhecimento, habilidade, instruir-se. Comumente, as duas palavras estão interligadas, associadas e relacionadas, em um processo de aprendizagem que envolve ensinar e aprender (PERRENOUD, 2000). FIQUE POR DENTRO Você sabia que, quando o assunto é ensinar e aprender, nem tudo depende da didática? Veja o vídeo da professora Maria Teresa Mantoan, da Faculdade de Educação da UNICAMP, e descubra o porquê. A professora fala, também, sobre a qualidade do ensino e sobre o quanto essa relação é necessária. Consulte em: <https://www.youtube.com/watch?v=ubKm6Ic7Ce8&t=40s>. Acesso em: 20 nov. 2019. Segundo Perrenoud (1993, p. 25), ensinar é “fabricar artesanalmente os saberes, tornando-os ensináveis e exercitáveis”. Já Freire (2011, p. 25) afirma que se trata de uma relação mútua de ensino e aprendizagem: “Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender”. Figura 3.1 - Tanto o ensino quanto a aprendizagem são trocas importantes e significativas Fonte: Cathy Yeulet / 123RF. https://www.youtube.com/watch?v=ubKm6Ic7Ce8&t=40s Embora a escola seja a formalização de um espaço social para a interação do indivíduo com o conhecimento e, enquanto instituição, tenha suas responsabilidades diante do desenvolvimento de habilidades e competências, o aprender e o ensinar estão por toda parte de nossas vidas. Segundo Freire (1986), ensinar não se trata de transferir conhecimento, mas oportunizar a sua produção e sua construção, desde que o contexto seja vivenciado na interação do indivíduo com o meio. Na concepção de Piaget (1978) e Vygotsky (1993), o conhecimento acontece justamente dessa interação, que é constante, do educando com o objeto do conhecimento, e, nesse cenário, o professor é o mediador,que alterna sua posição conforme o acontecido. Para Piaget (1990, p. 12), o ato de aprender É uma construção contínua, comparável à edificação de um grande prédio que, na medida em que se acrescenta algo, ficará mais sólido, ou à montagem de um mecanismo delicado, cujas fases gradativas de ajustamento conduziriam a uma flexibilidade e uma mobilidade das peças tanto maiores quanto mais estável se tornasse o equilíbrio. Sobre esse ensinar e aprender, Pimenta (1995) descreveu três saberes considerados como essenciais para a prática educativa: • pedagógicos: saberes que possibilitam ao educador desenvolver o processo de ensino em diversos contextos. • específicos: favorecem o educando, possibilitando o desenvolvimento humano e a cidadania. • experiências: situações e conhecimentos vivenciados ao longo da vida. Percebe-se que a teoria precisa da vivência para se constituir como possibilidade de ensino. O professor não é a única fonte de conhecimento e, por isso, não pode ser visto ou considerado como um transmissor de conhecimento, ou conteúdo. Ele é parte de um processo, é o mediador. Para Torres (apud TOMMASI; WARDE; HADDAD, 1998, p. 27), É interesse da educação obter uma integração de campos de conhecimento e experiência que facilitem uma compreensão mais reflexiva e crítica da realidade, ressaltando não só dimensões centradas em conteúdos culturais, mas também o domínio dos processos necessários para conseguir alcançar conhecimentos concretos e, ao mesmo tempo, a compreensão de como se elabora, produz e transforma o conhecimento, bem como as dimensões éticas inerentes a essa tarefa. Tudo isso reflete um objetivo educacional tão definitivo como é o ato de aprender. Essa prática direcionada à reflexão e à ação só existe diante de ações educativas que se desenvolvem adequando as práticas ao contexto, estabelecendo relações entre o aprender e o ensinar. REFLITA Agora é com você: em sua opinião, como acontecem e como deveriam acontecer as relações entre o ensino e a aprendizagem nas instituições próximas a você (escola, universidade, família, grupos sociais etc.)? Você percebe semelhanças ou diferenças entre elas? Quais seriam essas semelhanças e essas diferenças? FIQUE POR DENTRO Que tal refletir um pouco sobre o que é o aprender e o ensinar? Qual o papel da escola nesse contexto? Viviane Mosé fala, neste vídeo, sobre a fragmentação do conhecimento e quais os maiores desafios contemporâneos. Assista e reflita: <https://www.youtube.com/watch?v=EigUj_d5n80&t=1396s>. Acesso em: 20 nov. 2019. FIQUE POR DENTRO Em 2016, Barbosa Neto e Costa publicaram um estudo que identificou autores como Nóvoa, Tardif e Gauthier como os responsáveis pelas pesquisas na área da Educação que abordavam o professor como o centro dos interesses e estudos científicos e acadêmicos. Leia o artigo completo no link: <https://periodicos.ufpe.br/revistas/topicoseducacionais/article/viewFile/110269/22199>. Acesso em: 20 nov. 2019. https://www.youtube.com/watch?v=EigUj_d5n80&t=1396s https://periodicos.ufpe.br/revistas/topicoseducacionais/article/viewFile/110269/22199 ATIVIDADES 1 - O que é, como e por que ensinar? Considere o trecho a seguir: A precariedade da educação no Brasil é reconhecida também pelos organismos internacionais. O Relatório da Unicef de 2011 aponta como causas da enorme evasão escolar no país: (1) insuficiente número de escolas; (2) deficiente estrutura física das escolas; (3) falta de valorização dos professores (eles chegam a ganhar menos do que um empregado doméstico e, quando têm diploma superior, ganham menos da metade de qualquer profissional com igual qualificação) (sic); (4) ausência de formação adequada dos professores; (5) deficiente qualidade de ensino; (6) falta de acesso e meios transporte para os estudantes, em especial nas zonas rurais do país. (UNICEF, 2011, on- line). De acordo com o mesmo Relatório, em muitas regiões do país, são fatores agravantes para a evasão escolar a falta de acessibilidade dos alunos e professores para as escolas, falta de material escolar e até de merenda. O Relatório de 2016 (on-line) revela a tragédia de 38% de adolescentes em todo país estarem vivendo em situação de extrema pobreza. O dado representa um aumento de 29% em relação à média da população brasileira (GADELHA, 2017, p. 171). Tendo em vista o contexto de produção, assinale a alternativa a que se refere o contexto apresentado: a. a realidade do país exige atenção em todos os setores, por isso não há como investir apenas na educação. b. a realidade da educação brasileira exige atenção e ação da sociedade em todas as suas esferas. c. a realidade das famílias requer maior atenção da igreja e das instituições que são as responsáveis pela formação social da sociedade. d. a realidade do sistema social e todo o comprometimento que a presença dela traz. e. não se refere à realidade nenhuma; é apenas um exemplo. O Que, Como e Por Que Ensinar? Vimos, anteriormente, algumas perspectivas que marcaram grandes transformações na educação, bem como personalidades importantes que mesmo após anos exercem grande influência em nossas teorias e práticas. No século XIX, por exemplo, entre as linhas filosóficas predominantes, o positivismo trouxe a formalização de suas ideias por meio do conhecimento científico, que não defendia apenas uma orientação epistemológica, mas uma nova forma de realizar as transformações sociais. Assim, há algumas perspectivas quando falamos de ensino que não podem passar despercebidas em nossa sociedade. Positivista, marxista, weberiana ou pragmática, cada perspectiva teórica contribuiu com sua época e nos trouxe oportunidades quando refletimos sobre o que já foi e o que poderá ser. No cenário da Educação e, principalmente, da pesquisa em Educação, essas possibilidades nos trazem condições de mudar, adequar e realizar, pois, diante de tanta diversidade de público e de práticas, conhecer e poder mudar, repetir ou melhorar nos amplia o horizonte. Perspectiva Positivista: Ensino Diretivo A pedagogia ou ensino diretivo acredita no empirismo, portanto, o professor é a autoridade máxima dentro da sala de aula. Ela parte do pressuposto de que o aluno é uma tábula rasa e que todo o conhecimento provém do professor, em uma relação docente arbitrária e uma ação discente quase que “inerte”. É fundamentada em uma filosofia que apresenta na sua base as fases da evolução do pensamento humano (teológico, metafísico e positivo), em que se busca o domínio do saber sobre o homem e a sociedade, sendo a principal marca dessa perspectiva o empirismo, em que são os sentidos a principal fonte do conhecimento. Nesse caso, O conhecimento positivo parte da realidade como os sentidos a percebem e ajusta-se à realidade. Qualquer conhecimento, tendo uma origem diferente da experiência da realidade (crenças, valores, por exemplo) parece suspeito, assim como qualquer explicação que resulte em ideias inatas (LAVILLE; DIONNE, 2008, p. 27). Em contraponto às convicções do conhecimento do professor, os alunos são vistos como uma folha em branco, tornando-os indivíduos determinados pelo que lhes fosse ensinado. Somente o professor poderia lhe transmitir um novo conhecimento. No empirismo, o decorar, a cópia, o rigor para manter a ordem e o respeito pela autoridade são métodos muito utilizados. Figura 3.2 - Respeito e autoridade marcas de uma Pedagogia Diretiva Fonte: Wavebreak Media Ltd / 123RF. Além disso, no empirismo, a objetividade também está presente. O sujeito conhecedor (o pesquisador) não deve influenciar o objeto de estudo, eliminando, reduzindo ou controlando o máximo possível as intervenções nos procedimentos (LAVILLE; DIONNE, 2008). Com isso, a experimentação poderia mostrar sua precisão, comprovando ou refutando as hipóteses apresentadas inicialmente.A experimentação é rigorosamente controlada para afastar os elementos que poderiam perturbá-la e seus resultados, graças às ciências matemáticas são mensurados com precisão. A ciência positiva é, portanto, quantificativa. Isso permite, se se chega às mesmas medidas reproduzindo-se a experiência nas mesmas condições, concluir a validade dos resultados e generalizá-los (LAVILLE; DIONNE, 2008, p. 28). Durante o século XIX, houve um grande avanço científico, especialmente nas ciências biológicas e fisiológicas, exigindo um maior rigor teórico nas experiências das pesquisas – dessa maneira nasceu o positivismo. O grande mérito da pesquisa positivista é a descrição detalhada e a análise objetiva dos dados. Dessa maneira, essa perspectiva de pesquisa faz muito sentido no campo prático, técnico e aplicado. O positivismo reconhece como fonte única de conhecimento da verdade a experiência e os dados sensíveis, reduzindo, assim, a metodologia à sistematização dos experimentos. Perspectiva Marxista: Ensino Transformador A perspectiva marxista usa como referencial teórico a obra de Marx e Engels. Embora o tema Educação não tenha ocupado lugar oficial nessas obras, as relações socioeconômicas e políticas e seus desenvolvimentos no processo histórico marcaram presença também na Educação, como uma estratégia para a superação do capitalismo. Marx também fez a crítica ao modelo existente de Educação. Para ele, a Educação não crítica (que é a Educação tradicional) tem o objetivo de manter a estrutura social intacta, ou seja, com a classe dominante no poder, como nos mostra Ponce (2007, p. 36): No plano da educação, a classe dominante opera, assim, em três frentes distintas, e ainda que cada uma dessas frentes exija uma atenção desigual segundo as épocas, a classe dominante não as esquece nunca. No momento da história humana em que se efetua a transformação da sociedade comunista primitiva em sociedade dividida em classes, a educação tem como fins específicos a luta contra as tradições do comunismo tribal, a inculcação da ideia de que as classes dominantes só pretendem assegurar a vida das dominadas, e a vigilância atenta para extirpar qualquer movimento de protesto dos oprimidos. Para Marx, a Educação crítica deve ter como objetivo a transformação social, como nos mostra as autoras Klein, Favoreto e Figueiredo (2013, p. 132): A defesa de uma educação para a transformação, portanto, não se resume à explicitação do desejo de transformar ou somente à crítica ao modelo existente. Além da consciência sobre a base teórica que dá sustentação às nossas atividades educacionais, são necessárias as mediações para materializá-las, considerando as circunstâncias históricas, econômicas, culturais etc. que tendem a prevalecer sobre nossas intenções individuais. Como podemos perceber, a Educação está sempre a serviço de uma ideologia, seja ela de manutenção ou de transformação da sociedade. Na perspectiva marxista, a educação se alinha à proposta pedagógica política que entende o desenvolvimento individual não como o mais importante, mas como o responsável pelas transformações da sociedade. Figura 3.3 - A transformação necessária ao progresso do indivíduo Fonte: keiblack / Pixabay. A teoria de Marx e Engels abriga duas importantes premissas: a primeira, combater de forma crítica as formas de alienação, cabendo à educação ser a mediadora desse processo, esclarecendo e agindo quando necessário; dessa maneira, as ciências que privilegiem a razão e o esclarecimento se tornam essenciais para compreender e se posicionar de forma consciente. Já a segunda premissa é atribuir responsabilidades e direitos para a vida em sociedade, sendo motivada pelo desejo de uma educação emancipatória e com possibilidades e oportunidades para todos que dela participam. Ghiraldelli Junior (2003) descreveu a percepção do mundo social de Marx como uma espécie de comprometimento com as classes exploradas e oprimidas com uma revolução que pudesse melhorar sua realidade. Para o desenvolvimento desta perspectiva, é preciso levar em conta a necessidade de crítica sobre o papel da educação formal na atualidade. Esta crítica deve se articular com uma interpretação do papel que tem cumprido no momento atual do desenvolvimento do capitalismo para além da contribuição para a permanência da divisão social e da reprodução da autoridade do capital em outros espaços sociais diferentes do de produção. Mas deve levar em consideração também as mudanças no trabalho e as relações que possibilita com a ciência e o conhecimento, identificando se as formas de existência destas relações definem ou delineiam essa relação no mundo do trabalho (CATINI, 2004, p. 9). Segundo Marx, o modelo omnilateral, que “se refere a uma formação humana oposta à formação unilateral provocada pelo trabalho alienado, pela divisão social do trabalho, pela reificação, pelas relações burguesas” (SOUSA JR., on-line), em que a proposta educativa se desenvolve por meio da importância fundamental do trabalho no âmbito escolar, marcando uma perspectiva de transformação. O primeiro passo para garantir uma mudança social e evitar o retorno ao momento histórico anterior é fazer com que todo o povo esteja bem preparado intelectualmente, com uma cultura por ele formada, seja consciente dos percalços que virão e tenha sabedoria e entendimento para posicionar-se na nova maneira de conceber o mundo (BORDIN, 2010, p. 125). Durante as décadas de 1970 e 1980, as pesquisas em Educação também foram influenciadas pelo marxismo, mas de forma limitada, por estarem relacionadas ao contexto político, ou seja, à ditadura militar em que se encontrava o Brasil. No final do século XX, por um lado, a pesquisa educacional brasileira foi consolidada; por outro, com o fim da URSS e a queda do muro de Berlim, o marxismo deixou de ser a grande referência epistemológica na Educação. No lugar do marxismo, surgiram os “novos paradigmas” criados pela “pós-modernidade”. E, juntamente com a pós-modernidade, houve o crescimento da ideologia neoliberal, que fez com que o marxismo fosse substituído por outros referenciais na pesquisa em Educação. http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/tra.html http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/tra.html http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/divsoctra.html http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/divsoctra.html A crise causada por políticas neoliberais, juntamente com a concentração de riqueza cada vez maior, fez com que muitos países capitalistas entrassem em crise econômica já no início do século XXI. Dessa maneira, o uso do marxismo em pesquisas para explicar o fenômeno da(s) crise(s) econômica(s) se fez necessário novamente. Hoje, existe uma tendência de busca por textos de Marx para a explicação de fenômenos sociais, inclusive os educacionais, que sofrem mudanças estruturais pelas transformações da estrutura capitalista de produção em escala mundial. O marxismo, usado como concepção teórica nas pesquisas em Educação, utiliza o método científico materialista-histórico-dialético, que consiste em uma análise socioeconômica das relações sociais e dos conflitos sociais, tendo como base uma visão materialista do processo histórico e uma visão dialética do processo de transformação social. A dialética é composta por três etapas. São elas: 1. Tese (afirmação). 2. Antítese (afirmação contrária). 3. Síntese (resultado da síntese da tese e da antítese). Após a síntese, é elaborada uma nova tese que, posteriormente, passará pelo mesmo percurso teórico. Para a concepção materialista, a realidade carrega consigo contradições, conflitos e transformações; dessa maneira, as ideias são reflexos do mundo exterior experienciado pelo sujeito e, portanto, as ideias são representações da realidade. Paraque uma pesquisa seja considerada materialista-histórica-dialética, ela deve contemplar a concretude, a totalidade e a subjetividade dos fenômenos sociais definidos historicamente. FIQUE POR DENTRO Se você tem interesse em conhecer mais e melhor o materialismo-histórico-dialético como método de pesquisa em Educação, leia o artigo “O materialismo histórico-dialético como enfoque metodológico para a pesquisa sobre políticas educacionais”, de Denise Camargo Gomide, disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada11/artigos/2/artigo_simposio_ 2_45_dcgomide@gmail.com.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2019. http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada11/artigos/2/artigo_simposio_2_45_dcgomide@gmail.com.pdf http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada11/artigos/2/artigo_simposio_2_45_dcgomide@gmail.com.pdf Perspectiva Weberiana: Ensino para a Formação Cidadã Para a perspectiva weberiana, a característica mais evidente de uma sociedade capitalista está evidenciada em três ordens: econômica (que exprime as classes), a social (status) e a de luta pelo poder (partidos). A escola também expressa esta característica: A escola é palco de relações de poder, logo de dominação (combina a dominação tradicional com a burocrática). No centro da proposta weberiana está a identificação de três tipos de educação: a carismática; a humanista (“de cultivo”); a racional-burocrática (especializada) (LOPES, on-line). Defendendo uma formação continuada em uma sociedade que busca eficiência e técnica ao buscar uma formação cidadã, o sistema educativo de Weber estaria dividido em três aspectos importantes: carisma, treinamento e cultivo, em uma educação com sentido amplo e com uma filosofia influenciada pelo iluminismo. Nesse sentido, da complexidade da sociedade surgem os conflitos e, consequentemente, a necessidade de regulamentá-los. Historicamente, os dois polos opostos no campo das finalidades educacionais são: despertar o carisma, isto é, qualidades heroicas ou dons mágicos; e transmitir o conhecimento especializado. O primeiro tipo corresponde à estrutura carismática do domínio; o segundo corresponde à estrutura (moderna) de domínio, racional e burocrático. Os dois tipos não se opõem, sem ter conexões ou transições entre si. O herói guerreiro ou o mágico também necessita de treinamento especial, e o funcionário especializado, em geral, não é preparado exclusivamente para o conhecimento. São, porém, polos opostos dos tipos de educação e formam os contrastes mais radiais. Entre eles estão aqueles tipos que pretendem preparar o aluno para a conduta de vida, seja de caráter mundano ou religioso. De qualquer modo, a conduta de vida é conduta de estamento (WEBER, 1982, p. 482). O referencial weberiano não é muito difundido nas pesquisas em Educação no Brasil, mas, na formulação sobre políticas públicas de Educação, ele se torna referência nas pesquisas. Seus conceitos mais usados nas pesquisas em políticas de Educação são: política e poder, Estado e burocracia e ação social e grupos sociais. Perspectiva Pragmática: Ensino para a Continuidade da Existência Humana Com algumas semelhanças com a perspectiva weberiana, na perspectiva pragmática, o ensino estava voltado para a continuidade da existência humana, cujos métodos se concentram na solução de problemas, além de projetos e experimentações com currículos que permitam a interação de forma interdisciplinar. Nessa perspectiva, as aplicações reais do conhecimento são o centro da Educação, e só assim os alunos estariam preparados para exercer a cidadania de forma plena: O pragmatismo de Dewey ressalta, também, a importância do método científico, com a elaboração de hipóteses que podem ser testadas. Uma filosofia instrumental que ressalta a importância do empirismo como um instrumento para resolver os problemas à medida que estes surgem. Para Dewey, diferentes disciplinas como a física, a química, biologia deveriam partir da experiência da vida comum e avançar progressivamente para a experiência em uma forma mais organizada e completa, aproximando-se gradualmente dos conteúdos apresentados pelos professores (MEDEIROS, 2019, on-line). A experiência de vida e a experiência escolar são essenciais para a formação humana, segundo a perspectiva pragmática. Para Dewey (1979, p. 83), a educação “[...] é uma reconstrução ou reorganização da experiência, que esclarece e aumenta o sentido desta, e também, a nossa aptidão para dirigir o curso das experiências subsequentes”. Figura 3.4 - As experiências de vida e a escolar são essenciais para a formação humana Fonte: geralt / Pixabay. Conforme afirma Franco (2015, p. 604), As aprendizagens ocorrem entre os múltiplos ensinos que estão presentes, inevitavelmente, nas vidas das pessoas e que competem ou potencializam o ensino escolar. Há sempre concomitâncias de ensino. Aí está o desafio da tarefa pedagógica hoje: tornar o ensino escolar tão desejável e vigoroso quanto outros ensinos que invadem a vida dos alunos. Sem discutir os méritos sobre certo e errado, adequado ou não, estudar as perspectivas se torna necessário para compreender a realidade dos desafios existentes no contexto educativo e o que representam na educação. Nas pesquisas em Educação que utilizam a perspectiva pragmática, o autor mais estudado é, sem sombra de dúvidas, John Dewey, mas outros autores, como Charles Sanders Peirce, William James, Richard Rorty e Hilary Putnam, aparecem também. A teoria de Dewey foi incorporada ao pensamento educacional renovador, no qual a definição da finalidade da Educação deveria ser feita juntamente com um questionamento da ordem social. Sendo assim, esse debate só poderia acontecer em um ambiente totalmente democrático. Dessa maneira, a pesquisa em Educação que se utiliza do referencial pragmático deve ser guiada pela ideia de que o homem e o mundo estão em permanente mobilidade, mas de modo que o indivíduo não seja submisso às ordens social e econômica. REFLITA Agora é com você: se fosse fazer uma pesquisa em Educação, qual das perspectivas teóricas apresentadas você escolheria? Justifique. ATIVIDADES 2 - O ensino em perspectiva Leia o trecho a seguir e, em seguida, encontre a alternativa que se refere ao assunto tratado no trecho. “O ________, que é instrução, se dirige ao intelecto e o enriquece. A ________ visa aos sentimentos e os põe sob o controle da vontade. Assim, pode-se adquirir um ótimo caráter de conduta com pouca instrução, o que já permite viver feliz. Por outro lado, pode ser cultivado, sem nenhuma educação, um péssimo caráter de conduta, que será tanto pior quanto mais instrução houver – é aqui que se enquadram todos os corruptos e grandes golpistas que tiveram muito ensino e pouca educação, e que nunca serão realmente felizes” (SPOHR, 2006 apud MARQUES; OLIVEIRA, 2016, p. 190). Assinale a alternativa correta acerca de educação, ensino e docência. a. Ensino e estratégia. Estamos falando de algo sobre determinado contexto apenas, sem representação em outros países. b. Ensino e Educação. Estamos falando de dois elementos de grande importância para o desenvolvimento de uma sociedade e de um país. c. Ensino e a metodologia de ensinar. d. O ensino deve se manter alheio à sociedade, pois só traz discordâncias para a sociedade. e. Algo que se refere apenas às questões pessoais de cada um. Qual é a Educação de que a Sociedade Precisa? Tão necessária quanto o desenvolvimento humano, a Educação é uma necessidade do indivíduo. Em todas as culturas, sob diferentes formas e formatos, a educação se torna essencial na medida em que o sujeito se torna membro de uma sociedade. Mas qual a finalidade da educação? A escolarização é finalidade da escola; valores e virtudes fazem parte do educar familiar e,juntos, todos esses aspectos constituem a educação do indivíduo. Em maior ou menor dosagem, a educação promove a cidadania, a autonomia do indivíduo e uma sociedade mais justa e humana. Para o filósofo contemporâneo Prof. Mário Sérgio Cortella (2016), quando refletimos os novos tempos e as novas gerações, o educador precisa estar atento a três atitudes: A primeira delas é coragem. Entender que coragem não é ausência de medo, mas é capacidade de enfrentar o medo. E nós temos de ter coragem pra entender que hoje há um movimento novo, e nós temos de lidar com ele. Temos uma sociedade que muda com muita velocidade. Por isso, os alunos novos apresentam para nós não um encargo, mas um patrimônio. Portanto, eles são uma fonte de aprendizagem. É preciso ter coragem para lidar com essa questão. Segundo: humildade. Saber que eu não sei todas as coisas. E se eu estou na educação, eu preciso entender que só é um bom ensinante quem for um bom aprendente. Em terceiro lugar: paciência. A gente não constrói as coisas de maneira apressada, de maneira açodada. Ao contrário, há um tempo de maturação em que as coisas acontecem. Por isso, coragem, humildade e paciência. Essas atitudes nos permitem entrar na estrada. Não significa que, com elas, a gente já chega ao final. Mas é assim que a gente começa (CORTELLA, 2016, on-line). Quando nos questionamos sobre a educação que a sociedade precisa, é importante, primeiro, refletir sobre que tipo de indivíduo queremos para a sociedade e o quanto a educação pode fazer por ele. Instigar ou despertar a criticidade pode contribuir para melhores condições de convivência e desenvolvimento, porém, no longo prazo, isso representa investir em uma educação que forme e/ou transforme seus cidadãos. Pensar em Educação sem considerar o contexto social em que vivemos pode distanciá-la das demandas humanas. A Educação contribui para o desenvolvimento dos povos, das culturas, da sociedade de forma geral e, por isso, requer investimentos, para que possa ser significativa e de qualidade. Os avanços tecnológicos afetam a Educação e modificam rotinas, processos e serviços, entretanto, para essas mudanças acontecerem, é preciso qualificação dos profissionais da Educação e compra de equipamento. Figura 3.5 - A educação que queremos Fonte: Wavebreak Media Ltd / 123RF. De posse da qualificação, o indivíduo se torna integrado à sociedade, oferecendo mão de obra, conhecimentos e experiências que refletirão ações e conduzirão mudanças. Nesse sentido, Konder (1985, p. 112) afirma que “não existe sociedade sem trabalho e sem educação”. Toda sociedade vive porque consome; e para consumir, depende da produção, isto é, do trabalho. Toda sociedade vive porque cada geração nela cuida da formação da geração seguinte e lhe transmite algo dos seus conhecimentos e da sua experiência, educando-a. Não há sociedade humana sem trabalho e sem educação (KONDER, 1985, p. 112). Diante desse importante papel na sociedade, a educação deve reforçar o respeito às culturas, conforme Morin (2003, p. 105) descreveu: A educação deve reforçar o respeito pelas culturas e compreender que elas são imperfeitas em si mesmas, à margem do ser humano. Todas as culturas, como a nossa, constituem uma mistura de superstições, ficções, fixações, saberes acumulados e não criticados, erros grosseiros, verdades profundas, mas essa mescla não é discernível em primeira aproximação e é preciso estar atento para não classificar como superstições saberes milenares, como, por exemplo, os modos de preparação do milho no México, que por muito tempo os antropólogos atribuíram a crenças mágicas, até que se descobriu que permitiam que o organismo assimila a lisina, substância nutritiva que, por muito tempo, foi o seu único alimento. Assim o que parecia “irracional” respondia a uma racionalidade vital. No exercício da democracia e da cidadania, precisamos acreditar e confiar que a Educação é a chave mestra para que tudo se encontre e se desenvolva. Para isso, refletir sobre o que temos, o que esperamos e o que fazemos é o início de uma longa jornada. FIQUE POR DENTRO O vídeo indicado a seguir é uma oportunidade para a discussão e a reflexão a respeito da Educação que temos e que queremos. Acesse o link e assista com atenção: <https://www.youtube.com/watch?v=r52E7w4GZGk>. Acesso em: 20 nov. 2019. ATIVIDADES 3 - A Educação de que a sociedade precisa Leia o trecho a seguir: “O estudo das raízes históricas da educação contemporânea nos mostra a estreita relação entre a mesma e a consciência que o homem tem de si mesmo, consciência esta que se modifica de época para época, de lugar para lugar, de acordo com um modelo ideal de homem e de sociedade” (SAVIANI, 1991, p. 55). A educação está relacionada aos fatores políticos, econômicos, científicos e culturais de um povo ou de uma sociedade. Diante da afirmação de Saviani, podemos entender que: a. a educação é a responsável por toda sociedade. b. a educação é um fenômeno social, um processo social. c. a educação é algo restrito, não sendo alcançada por todos. d. a educação é a consequência de uma sociedade. e. a educação não é a responsável pela sociedade, porque não tem poderes para tal. https://www.youtube.com/watch?v=r52E7w4GZGk A Atualidade na Educação Brasileira A Educação brasileira enfrenta uma série de problemas, mas é importante reconhecer que muitos dos problemas apresentados no passado foram superados e, hoje, embora a qualidade da Educação tenha avançado muito, ainda é necessário que a discussão aconteça com toda a sociedade, para que esclarecimentos e soluções possam ajudar a melhorá-la ainda mais. Para Meksenas (2002), a educação surge de conhecimentos de crenças, técnicas e hábitos que grupos desenvolveram, a partir de experiências e sobrevivências. Assim, podemos afirmar que a educação surge da necessidade do ser humano em compartilhar suas práticas com seu próximo. Em uma visão funcionalista a educação cumpre sua “tarefa” em mostrar que os interesses individuais só se efetivam diante dos sociais, ou seja, ao socializar, o indivíduo aceita que não vive só e que precisa do meio social para interagir, compartilhar, vivenciar. Gadotti (1995) e Pinto (1986) descrevem que, para se superar as contradições e os conflitos existentes no campo da educação, é preciso muita luta e transformação social diante dos mecanismos de dominação. Embora existam legislações como a Constituição Federal (1988), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB (1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990), que colocam a Educação como direito fundamental do ser humano e que defendem o direito à Educação para a criança e para o adolescente, ainda muito precisa ser realizado e fiscalizado para que esses direitos se cumpram integralmente. Figura 3.6 - A dificuldade da educação para todos Fonte: Sebastian Duda / 123RF. Diariamente, as estatísticas nos demonstram como somos desiguais e o quanto falta para melhorar diante de outras culturas, conforme Gotti (2019, on-line) nos apresenta: Posicionado entre os 10 países mais desiguais do mundo, o Brasil possui quase 12 milhões de analfabetos e mais da metade dos adultos entre 25 e 64 anos não concluíram o Ensino Médio. São quase dois milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola e 6,8 milhões de crianças de 0 a 3 anos sem vaga em creche. [...] Auditoria concluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no final de 2017, que envolveu Municípios de 17 Estados, verificou que 45% dos gestores dos municípios pesquisados não sabem ao certo quantas crianças de 0 a 5 anos estão fora da escola, sua condição de vulnerabilidade socioeconômica, e, o que é mais grave, 47% deles não possuem critérios de priorização de crianças para o acesso à rede de educação infantil, em razão da rendafamiliar. Muitos municípios não realizam o levantamento da demanda e a busca ativa porque seus gestores não têm conhecimento de como fazê-los na prática. Além desses dados, há estudos que comprovam que: [...] apenas 45% das crianças estão alfabetizadas na idade certa e somente 7% dos adolescentes que concluem o ensino médio adquirem conhecimentos adequados em matemática e conseguem resolver problemas de porcentagem, por exemplo. Houve crescimento considerável dessa aprendizagem, de 1997 a 2015, para os anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), mas para os anos finais (6º ao 9º ano) apresenta estagnação e, no ensino médio, há franco retrocesso (GOTTI, 2019, on-line). Os problemas de alfabetização, o aprendizado na “hora certa”, a crise na formação docente, a desvalorização profissional e o cenário econômico político são alguns dos grandes responsáveis por estatísticas como essas, e classificam como grave a situação educacional em nosso país. https://www.todospelaeducacao.org.br/_uploads/_posts/58.pdf A priorização da Educação na agenda política nacional precisa acontecer, e nós, como cidadãos, temos a obrigação de exigir de nossos governantes essa ação. Gerhardt (2001) fala de uma educação libertadora que trabalha com a visão dos sujeitos potencialmente autônomos, capazes de serem solidários e promover a autorreflexão, em uma perspectiva conjunta de mudar não só o sistema educacional, mas o social e o político também. A situação educacional não vai bem, e a área da ciência e tecnologia também sofre com a crise na pesquisa e, principalmente, com a falta de investimentos, apesar de ser a grande responsável pelo desenvolvimento, técnicas e inovações que proporcionam o crescimento no país. Figura 3.7 - Investimentos na Educação são necessidades reais Fonte: belchonock / 123RF. Sem investimentos e com cortes no financiamento, tanto a área da ciência como a área da Educação pagam um preço alto pelo descaso, uma vez que instituições de ensino e pesquisa oferecem, além de estudos importantes, serviços práticos e especializados para a comunidade. Definitivamente, excluir a Educação do rol de preocupações e ações não é o caminho para um país que busca desenvolvimento. Que estejamos atentos para exigir de nossos governantes, melhores condições para que possamos desfrutar e compartilhar uma Educação de qualidade e, enfim, para todos. A pesquisa é peça fundamental para o desenvolvimento de um país, e a pesquisa em Educação destaca-se por mostrar caminhos e apontar soluções para os problemas da Educação e da sociedade como um todo. Existem muitos campos de pesquisa em Educação, dentre os quais destacamos: ● Educação infantil; ● Ensino fundamental; ● Ensino médio; ● Ensino superior; ● Políticas públicas; ● Formação de professores; ● Gestão escolar; ● Didática; ● Educação e movimentos sociais; ● Educação especial; ● Educação matemática; ● Educação ambiental; ● Educação e arte; ● Currículo; ● História da Educação; ● Alfabetização e leitura e escrita; ● Educação e comunicação. Dentro de cada campo de pesquisa existe uma infinidade de temas possíveis, e cabe a cada pesquisador delimitar seu tema de modo que ele consiga dar conta da pesquisa em tempo hábil. É importante, também, que o problema de pesquisa dialogue com a atualidade da Educação brasileira e aponte para soluções desses problemas. FIQUE POR DENTRO Os desafios apontados na Educação brasileira existem e persistem desde longa data. Ora mais acentuados, ora mais gritantes, ações são necessárias para que a Educação possa acontecer, e seu poder transformador depende, necessariamente, dessas ações. Por isso, pensar em soluções nos exige conhecimento sobre de fato quais são os desafios de nossa Educação e, diante disso, o que pode ser realizado. Assista, no vídeo a seguir, publicado em 2018 pelo Canal USP, abordagens sobre esses reais desafios na educação brasileira. Consulte em: <https://www.youtube.com/watch?v=xNba9_MOx5I>. Acesso em: 20 nov. 2019. REFLITA Você percebe quais seriam esses desafios em nossa Educação Brasileira? É possível propor soluções de melhoria? Quais? Como a educação brasileira pode superar sua realidade atual? Descreva, de forma breve, sua opinião sobre isso e, quando possível, discuta com seus colegas de profissão. Você perceberá que, mesmo com opiniões diferentes, algumas soluções são semelhantes. ATIVIDADES 4 - A atualidade na Educação brasileira “‘Nossa Educação não é de qualidade, os nossos alunos e alunas não são bem formados e por isso têm muitas dificuldades para conseguir o seu emprego, para conseguir uma vaga naquele local que gostariam de trabalhar para desenvolver as suas potencialidades’, sentencia o professor Glauco Arbix. Ele comenta uma pesquisa recentemente divulgada pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo a qual apenas 2,1% dos alunos brasileiros mais carentes conseguem aprender um nível aceitável em ciências, o que é muito pouco – em países desenvolvidos, esse índice chega a 25%” (ARBIX, 2018, on-line). Sobre a realidade brasileira podemos afirmar que: a. a educação não deve ser prioridade, pois há outros setores que demandam por investimentos. b. mudar a situação só será possível dando prioridade à Educação. c. a Educação é responsabilidade exclusiva dos poderes público, político e econômico do país. d. não há saída para a Educação brasileira. e. seria necessário fazer altos investimentos em tecnologias para que a Educação se desenvolvesse. https://www.youtube.com/watch?v=xNba9_MOx5I INDICAÇÕES DE LEITURA Nome do livro: Recantar a educação: rumo à sociedade aprendente Editora: Vozes Autor: Hugo Assmann ISBN: 978853262024-8 Comentário: O autor apresenta uma coletânea sobre os encontros entre o aprender em novos moldes e espaços da Educação. A discussão presente nos artigos do livro nos apresenta diferentes versões para a Educação e o quanto nós podemos aprender e exercer nosso aprendizado para melhorar a sociedade em que vivemos. INDICAÇÕES DE FILME Nome do filme: Escola de Rock Gênero: Comédia Ano: 2004 Elenco principal: Jack Black Comentário: Um guitarrista meio radical é expulso de sua banda e, sem dinheiro, resolve tentar a vida como professor de música em um colégio. Com o passar das aulas, ele desenvolve admiração e interesse pelos talentos dos alunos, trazendo para sua prática expressão, reflexão e despertando o gosto pela arte nas crianças. REFERÊNCIAS ARBIX, G. Priorizar a educação é fundamental para o futuro do País. Jornal da USP. Atualidades, 2018. Disponível em: <https://jornal.usp.br/atualidades/priorizar-a-educacao-e- fundamental-para-o-futuro-do-pais/>. Acesso em: 22 set. 2019. BORDIN, J. H. Educação revessa. Pelotas: Editora Universitária/UFPEL, 2010. CATINI, C. R. A crítica à educação em Marx: discussões sobre a Educação e Trabalho na teoria marxiana. 2004. Disponível em: <https://www.unicamp.br/cemarx/ANAIS%20IV%20COLOQUIO/comunica%E7%F5es/GT5/g t5m1c2.pdf>. Acesso em: 21 set. 2019. 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Educação: do senso comum à consciência filosófica. 10. ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991. SOUSA JR., J. Omnilateralidade. Dicionário da Educação formal em saúde. Disponível em: <http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/omn.html>. Acesso em: 21 set. 2019. TORRES, R. M. Melhorar a qualidade da educação básica: as estratégias do Banco Mundial. In: TOMMASI, L.; WARDE, M. J.; HADDAD, S. (org.). O Banco Mundial e as políticas educacionais. São Paulo: Cortez, 1998. VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993. WEBER, M. Ensaios de sociologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1982. http://www.sites.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/omn.html UNIDADE IV O Professor Pesquisador Julia de Souza Delibero Angelo Danielle S. P. Wellichan Introdução Olá! Nesta unidade, vamos conversar sobre o professor pesquisador, as linhas de pesquisa no campo da educação e as ferramentas úteis para a pesquisa. Precisamos dar atenção para um campo muito interessante e que exige do professor pesquisador grande responsabilidade, pois é por meio do estudo aprofundado que práticas, técnicas e inovações acontecem. Aproveite os materiais complementares, pois eles vão enriquecer seu estudo. Leia, releia, discuta e converse. O aprendizado acontece assim! Bons estudos! Fonte: Dejan Bozic / 123RF. A Pesquisa Científica A pesquisa científica pode ser definida como a ação de buscar respostas às nossas questões diante de um objeto estudado, por meio de um conjunto de processos metodológicos de investigação. Seguindo as regras baseadas na lógica formal, cabe ao professor pesquisador ter disciplina e rigor teórico-metodológico na busca pelas informações, no levantamento de hipóteses e na produção de síntese dos resultados obtidos, construindo, assim, uma estrutura coerente de argumentos para a defesa de uma tese e/ou a confirmação de uma hipótese. O pesquisador torna-se um elo entre a comunidade científica e a sociedade em geral, pois tudo que é pesquisado pode ser revertido em forma de materiais, ações, produtos ou serviços. A pesquisa científica pode ser básica (também conhecida como pura) ou aplicada. É considerada básica quando a própria pesquisa serve para aumentar o conhecimento sobre a ciência, sendo assim, ela é totalmente teórica e busca entender certo comportamento ou fenômeno. Já a pesquisa aplicada usa a ciência na prática ao tentar solucionar problemas de diversas naturezas. Independentemente do tipo de pesquisa utilizada, a ciência é a responsável pelo desenvolvimento de uma sociedade. Para Andrade (2003, p. 121), a pesquisa é um “[...] conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos”. Para Gil (1987, p. 19), trata-se de um “procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas propostos”. Já Cervo e Bervian (2002, 3, p. 50) a descrevem como uma “atividade voltada para a solução de problemas através do emprego de processos científicos”. Figura 4.1 - A pesquisa é algo infinito que, quanto mais acontece, mais pode acontecer Fonte: Luca Bertolli / 123RF. As pesquisas não precisam ter, necessariamente, um fim; elas podem, em suas conclusões, levantar questões que precisemde outras pesquisas para serem respondidas. É muito comum que uma pesquisa dê origem a outras pesquisas, e, assim, forma-se um ciclo no qual o conhecimento, a informação, a comunicação científica e os resultados atendem e favorecem a sociedade em suas necessidades. Segundo Vera (1980, p. 11), [...] a pesquisa só existe de fato quando existe um problema que se deverá definir, examinar, avaliar e analisar criticamente para, em seguida, ser tentada sua solução. O primeiro passo será, então, delimitar o objeto de investigação – o problema – dentro dos temas possíveis. As pesquisas são classificadas quanto à abordagem do problema e de seus objetivos, podendo ser quantitativa (quando se recorre a diferentes técnicas estatísticas na busca por quantificar as opiniões e as informações) ou qualitativa (quando se explora detalhes da pesquisa e considera a vivência do entrevistado ou do pesquisador diante do problema levantado) (SEVERINO, 2002; MARCONI; LAKATOS, 1996; MARCONI; LAKATOS, 2004). A pesquisa pode ser classificada, quanto aos seus objetivos, em: ● exploratória: quando possuir proximidade entre o universo relacionado e o objeto de pesquisa. Pode, também, ser realizada como pesquisa independente ou como parte de uma pesquisa descritiva ou experimental. São as pesquisas realizadas como estudos de caso, estado da arte e pesquisas bibliográficas. ● descritiva: realizada por meio do levantamento de dados por meio de técnicas padronizadas como questionários, levantamentos, roteiros ou formulários. Acontece por meio de observações, registros, análises, classificações e interpretações. ● explicativa: quando se busca explicar os fatores que motivam a realização de um objeto ou de um fenômeno, manipulando as variáveis do objeto. De forma diferenciada, as ciências humanas realizam pesquisas explicativas utilizando-se de métodos experimentais, enquanto, nas ciências sociais, o método utilizado é o observacional. Em termos metodológicos, formular o problema de pesquisa é a parte inicial, e para isso, buscar na literatura aporte teórico para sustentar seu problema é uma tarefa delicada e de extrema importância, pois vai garantir apoio às suas argumentações. Após essa definição, ações e estratégias devem ser criadas para que a pesquisa possa se desenvolver e, para isso, diversos métodos para coleta de dados podem ser utilizados (questionários, entrevistas, observações, registros etc.). O tempo definido para que a pesquisa aconteça também é necessário. O tratamento dos dados tem início com a escolha de um método de mensuração eficiente dentro de cada caso. Para a apresentação dos dados, é importante que eles sejam disponibilizados em ilustrações, tabelas, quadros, gráficos ou em formato de texto. Ao final do estudo, busca-se afirmar ou não as perguntas e hipótese levantadas inicialmente e registrar sua propriedade individual por meio da comunicação científica, respeitando as orientações da redação científica. Como requisitos para que uma pesquisa aconteça, a qualificação do pesquisador é necessária, além de possuir e saber como buscar conhecimentos a respeito do assunto escolhido. Fatores como criatividade, sensibilidade, perseverança e confiança também são necessários. A gestão do tempo, aliada a recursos humanos, materiais e financeiros e equipamentos (desde computadores até materiais impressos, como livros), é essencial. Os financiamentos são necessários e eles provêm de diversas fontes. Além de ações governamentais e iniciativas privadas, os órgãos de fomento à pesquisa são os grandes responsáveis pela movimentação ou não de estudos, não só aqui no Brasil, como em qualquer outra parte do mundo. No Brasil, o financiamento acontece por meio de diferentes sistemas e instituições ligadas aos ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, são eles: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), além de fundações estaduais, como a FAPESP (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo) e FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Há também o financiamento por meio de leis de incentivo fiscal, empresarial e institucional. Em tempos de crise econômica, muitas vezes o pesquisador brasileiro acaba tendo como única opção ser financiado por agências ou empresas internacionais, o que faz com que, muitas vezes, acabe indo embora do Brasil (esse fenômeno é chamado de “fuga de cérebros”), para que não fique sem condições de manter sua pesquisa. Porém, essa “saída” faz com que as pesquisas e inovações desenvolvidas por brasileiros não sejam usadas no Brasil, já que a patente dos produtos e serviços desenvolvidos por esses pesquisadores ficarão no país que financiou a pesquisa. Figura 4.2 - Painel de investimentos do CNPq de 2001 a 2018 Fonte: Dudziak (2018). O pesquisador, de forma geral, além dos recursos destinados aos Grupos de Pesquisa, tem a opção de receber uma bolsa de pesquisa (com valores determinados pelos órgãos de fomento). Não raramente, essa bolsa é a grande responsável por manter um pesquisador com dedicação exclusiva ao seu projeto. FIQUE POR DENTRO O site do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) define grupo de pesquisa como: (...) um conjunto de indivíduos organizados hierarquicamente em torno de uma ou, eventualmente, duas lideranças: ● cujo fundamento organizador dessa hierarquia é a experiência, o destaque e a liderança no terreno científico ou tecnológico; ● no qual existe envolvimento profissional e permanente com a atividade de pesquisa; ● cujo trabalho se organiza em torno de linhas comuns de pesquisa que se subordinam ao grupo (e não ao contrário); ● e que, em algum grau, compartilha instalações e equipamentos. O conceito de grupo admite aquele composto de apenas um pesquisador e seus estudantes (O QUE…, on-line). Se você quiser conhecer quais são os grupos de pesquisa existentes e os seus temas, é só pesquisar no site do CNPq: <http://dgp.cnpq.br/dgp/faces/consulta/consulta_parametrizada.jsf>. Acesso em: 21 nov. 2019. FIQUE POR DENTRO Leia mais sobre a ciência e a utilização do conhecimento nos países subdesenvolvidos. Embora seja um artigo de 2002, é possível verificar que, desde esse período, a pesquisa e a ciência já lutavam por seu espaço e reconhecimento na sociedade. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/spp/v16n4/13570.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2019. ATIVIDADE 1 - A pesquisa científica Leia o trecho a seguir: “O conhecimento científico é produzido pela investigação científica, através de seus métodos. Resultante do aprimoramento do senso comum, o conhecimento científico tem sua origem nos seus procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. É um conhecimento objetivo, metódico, passível de demonstração e comprovação. O método científico permite a elaboração conceitual da realidade que se deseja verdadeira e impessoal, passível de ser submetida a testes de falseabilidade” (FONSECA, 2002, p. 11). Diante da afirmação anterior, é correto afirmar que: a. o conhecimento científico é algo finito e, por isso, os investimentos precisam ser controlados. b. o estudo científico possui um caráter provisório, tendo em vista que pode ser de forma contínua testado, enriquecido e reformulado. c. não há relação entre conhecimento e pesquisa. Não podemos misturar os elementos, pois cada um tem sua especificidade e não são relacionados. d. o método científico não está relacionado com a pesquisa, mas à forma como é ensinado algo, e não deve ser visto como um método de abordagem. e. o estudo científico deveser visto como provisório, tendo em vista as necessidades do ser humano. http://dgp.cnpq.br/dgp/faces/consulta/consulta_parametrizada.jsf http://www.scielo.br/pdf/spp/v16n4/13570.pdf Ferramentas de Pesquisa Após a definição do problema de pesquisa, longas buscas em materiais impressos ou eletrônicos devem ser realizadas para encontrar pesquisas em andamento ou já finalizadas sobre o assunto, de autores que trabalham com a mesma temática e que possam servir de base teórica para seu estudo. As chamadas ferramentas de busca estão disponíveis na internet, de acesso livre ou restrito para alunos e pesquisadores de instituições de ensino. Essas ferramentas buscam a informação necessária para o pesquisador, porém, também cumprem outras funções, como divulgar, comunicar estudos e mensurar a produção de pesquisa. Nos portais institucionais, há campos de pesquisa que podem ser utilizados para resgatar os conteúdos ali armazenados. Por meio de algumas estratégias de busca, pesquisas simples ou complexas podem trazer resultados de várias partes do mundo, cabendo a cada interessado selecionar as melhores, as mais confiáveis e as que podem ser descartadas. Prezando pela qualidade da informação em uma pesquisa, é preciso se preocupar com fontes confiáveis, a fim de evitar as conhecidas fake news. Observe as dicas apresentadas na Figura 4.3: Figura 4.3 - Dicas para identificar fake news Fonte: Oliveira (2017, on-line). Essas ferramentas podem variar desde as mais simples às mais complexas, havendo uma variedade de acordo com os objetivos e propósitos de cada portal. O Google, por exemplo, é um buscador mundialmente conhecido, porém, para pesquisas científicas, o indicado é sua versão acadêmica, o Google Acadêmico, que reúne artigos, anais de eventos e trechos de livros. Entretanto, segundo Melo (2018, on-line), “Um ponto negativo, é que o site não oferece filtro de pesquisa, como, por exemplo, por área de conhecimento”. Figura 4.4 - Google Acadêmico Fonte: Google… (on-line). A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) possui um portal que é referência em periódicos, com um grande número de publicações científicas nacionais, além de livros, enciclopédias e conteúdos técnicos importantes. Figura 4.5 - Portal Capes Fonte: Brasil (2019, on-line). Outra fonte muito utilizada no meio acadêmico é a base Scientific Electronic Library Online (Scielo), que possui periódicos reunidos de países da América do Sul, Europa e África, em um compartilhamento de mais de 500 mil artigos de diversos assuntos. Figura 4.6 - Base Scielo Fonte: Scielo (on-line). Desde que a produção acadêmica de instituições de ensino começou a ser reunida em um portal, criou-se a Biblioteca Digital Brasileira de Tese e Dissertações (BDTD). Essa biblioteca foi criada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), aumentando a visibilidade da produção científica nacional. Figura 4.7 - Biblioteca Digital Brasileira de Tese e Dissertações (BDTD) Fonte: Brasil (on-line). Não se esgotam as possibilidades de portais de busca, porém, é preciso que essa escolha seja a adequada para o seu tipo de pesquisa. Em todas as opções, o primeiro passo é encontrar o campo de busca, que se localiza na primeira página do portal; por meio de suas palavras-chave (termos descritores, ou assuntos selecionados), você faz uma pesquisa exaustiva do que já foi publicado, aproveitando tais estudos para fundamentar o seu. Lembre-se de que, nesses portais, há opções de filtros de idioma, anos e localidades que podem ser utilizados para refinar sua pesquisa. FIQUE POR DENTRO Leia mais sobre as ferramentas de busca, desde as mais tradicionais, até as inovadoras, disponível em: <http://www.sibi.usp.br/noticias/ferramentas-gestao-pesquisa-gratuitas-disponiveis- pesquisadores/>. Acesso em: 21 nov. 2019. FIQUE POR DENTRO# Quer saber mais sobre mecanismos de busca e metapesquisadores mais comuns? Leia o artigo de Branski e localize o buscador que você utiliza frequentemente. BRANSKI, R.M. Localização de informações na internet: características e formas de funcionamento dos mecanismos de busca. Transinformação, v. 12, n. I, p. 11-19, jan./jun. 2000. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 37862000000100002>. Acesso em: 21 nov. 2019. http://www.sibi.usp.br/noticias/ferramentas-gestao-pesquisa-gratuitas-disponiveis-pesquisadores/ http://www.sibi.usp.br/noticias/ferramentas-gestao-pesquisa-gratuitas-disponiveis-pesquisadores/ http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-37862000000100002 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-37862000000100002 ATIVIDADE 2 - Ferramentas de pesquisa Segundo Jovana (2018), os conteúdos confiáveis são aqueles com dados relevantes, explicações, análises e qualquer outra função que consiga embasar, de forma verídica e confiável, um determinado tema ou assunto. Embora pareça simples, essa tarefa não é fácil, ainda mais pela realidade de hoje, na qual convivemos com diversas fakes news. Em uma busca na internet, como é possível identificar conteúdos verídicos para incluir em uma pesquisa? a. Não há como saber. Cada site ou página possui diferenças que são específicas. Se está na internet, já foi avaliado e, por isso, deve ser verdade. b. Quando o conteúdo cita suas fontes; quando a origem das informações é identificada; quando está bem escrito e não há exagero; quando a notícia anunciada não engana o leitor. c. É desnecessário se preocupar com esse assunto. A própria internet e os provedores são responsáveis pelo conteúdo. d. Quando o conteúdo não cita suas fontes; quando a origem das informações não é identificada; quando está bem escrito e não há exagero; quando a notícia anunciada não engana o leitor. e. Quando o conteúdo não cita suas fontes; quando a origem das informações não é identificada; quando está bem escrito e não há exagero; quando a notícia anunciada não engana o leitor. Linhas de Pesquisa em Educação As linhas de pesquisa, em sua maioria, são bem variadas e dependem dos programas de pós- graduação oferecidos nas instituições. Segundo o Portal Capes (LINHAS…, on-line), [...] uma linha de pesquisa é definida como um domínio ou núcleo temático da atividade de pesquisa do programa que encerra o desenvolvimento sistemático de trabalho com objetos ou metodologias comuns. Para cada linha de pesquisa criada, diversos projetos podem ser associados e relacionados, desde que cada linha esteja vinculada a uma área de concentração. Os programas de pós-graduação que oferecem Mestrado e Doutorado se organizam em linhas de pesquisa coordenadas por docentes cadastrados no programa e que desenvolvem suas atividades dentro de determinado tema. Figura 4.8 - Estudo sobre as linhas de pesquisa oferecidas nos programas de pós-graduação Fonte: ammentorp / 123RF. Ao se interessar por concorrer a um processo seletivo para pós-graduação nível Stricto sensu (mestrado e doutorado), é necessário que você siga algumas dicas importantes: • Verifique os programas e linhas de pesquisa que mais lhe interessam. • Pesquise qual a nota quadrianual do Programa de Pós-Graduação no site da Capes (as notas variam de 3 - regular; 4 - bom; 5 - muito bom; 6 e 7 - referências na área). • Consulte o Currículo Lattes (disponível na página do CNPQ - <www.cnpq.br>) dos docentes cadastrados para conhecer com o que trabalham; quem sabe algo ali possa te interessar e, assim, você poderá direcionar seu projeto de forma mais específica. • Definido seu tema, busque conferir se sua proposta é pertinente aos assuntos da linha selecionada. Vale lembrar que cada programa de pós-graduação possui seus editais e calendários diferenciados, portanto, a forma de ingresso vai variar,podendo incluir avaliações, entrevistas, titulações e prova de proficiência estrangeira. O importante é você se preparar! Especificamente na área da educação, temos algumas linhas já quase estabelecidas e presentes em vários programas, é o caso de: Psicologia da Educação; Processos Educativos; Desenvolvimento Humano na Educação; Políticas Públicas em Educação; História da Educação; Filosofia da Educação; Educação Especial; Educação Básica; Ensino Superior; Formação de Professores; Teorias e Práticas Pedagógicas; entre outras. REFLITA Existem dois tipos de pós-graduação: Lato Sensu: são cursos de especialização com duração mínima de 360 horas. Ao final do curso, o aluno recebe um certificado de conclusão, e não um diploma. Esse tipo de pós-graduação é procurado por alunos que buscam um aperfeiçoamento na sua carreira profissional. Stricto Sensu: compreendem programas de mestrado e doutorado. Ao final do curso, o aluno receberá um diploma com a titulação (mestre ou doutor). O mestrado tem duração mínima de dois anos e o doutorado, de quatro anos. Geralmente, esses cursos são procurados por alunos que pretendem fazer carreira acadêmica. http://www.cnpq.br/ ATIVIDADE 3 - Linhas de pesquisa em Educação Leia o trecho a seguir: “Linha de pesquisa representa temas aglutinadores de estudos científicos que se fundamentam em tradição investigativa, de onde se originam projetos cujos resultados guardam afinidades entre si” (CNPQ, on-line). Dessa forma, qual a importância da linha de pesquisa para o pesquisador? a. Nenhuma, pois é só mais uma informação a ser preenchida no processo de seleção. b. A importância está na identificação, direcionamento e na organização das temáticas trabalhadas em determinados grupos. c. A importância está na necessidade de demonstrar o que cada grupo não estuda em seus trabalhos. d. Na necessidade de cumprir as demandas dos grupos de pesquisa. e. Na necessidade de direcionar investimentos a partir da detecção do que é produzido. O Projeto de Pesquisa Agora que você já estudou sobre a pesquisa científica, suas ferramentas e as linhas de pesquisa, vamos falar sobre o projeto de pesquisa. Sim, finalmente chegou! Se você compreendeu tudo que estudamos até aqui, não há motivos para se preocupar. Um projeto de pesquisa segue este esquema: Figura 4.9 - O projeto de pesquisa Fonte: Elaborada pela autora. O projeto de pesquisa indica os aspectos relativos à investigação de um determinado tema de forma compilada e deve conter: tema, justificativa, objetivos, metodologia e cronograma. De acordo com Deslandes (apud MINAYO, 1996), dentre as finalidades de um projeto, estão desde o mapeamento e a orientação do caminho a ser realizado no decorrer da pesquisa, além de comunicar os resultados do estudo para a comunidade científica. Em sua estrutura, o projeto segue uma divisão, conforme descrito no Quadro 4.1: Referenciais teóricos Referenciais metodológicos Elementos complementares Tema, problema, hipótese, objetivo geral, objetivo específico, justificativa Metodologia: amostragem, formas de coleta, de organização e de análise dos dados Bibliografia Equipe Produtos Cronograma Orçamento Quadro 4.1 - Estrutura do projeto Fonte: Adaptado de Reis e Frota (on-line). Outra “regra” importante que todo projeto de pesquisa possui são as normas quanto à padronização do texto. Em termos gerais, os projetos da Educação seguem as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): a formatação segue um padrão: papel A4 (210 x 297), com margens esquerda e superior 3 e direita e inferior 2 cm; o tamanho de letra utilizado é 12, com citações no tamanho 10, com fonte ARIAL ou TIMES NEW ROMAN e espaçamento de 1,5 nas entrelinhas. Além disso, outro elemento necessário em um trabalho acadêmico é a citação. Identificada, basicamente, em dois tipos, elas organizam as informações ou os trechos selecionados para serem reproduzidos no formato: autor-data ou sistema numérico. No sistema numérico, conforme as ideias vão aparecendo pelo texto, o número arábico segue junto ao trecho. Depois, na listagem de referências, segue a ordem numérica para a organização. Vamos a um exemplo: Figura 4.10 - Citação no sistema numérico Fonte: UNESP (2014, on-line). Nas citações que seguem o modelo autor - data, a orientação é: Um só autor Ayerbe (2003, p. 15) afirma que “a atitude imperial de permanente conquista de novos mercados e territórios impulsiona a descoberta científica [...]” Ou Podemos considerar, também, que “a atitude imperial de permanente conquista de novos mercados e territórios impulsiona a descoberta científica [...]” (AYERBE, 2003, p. 15). 2 ou 3 autores Segundo Medeiros, Paiva e Lamenha (2012, p. 154), o Mercosul “surge da vontade dos países do Cone Sul, após o fortalecimento do regime democrático, em integrar suas economias”. Ou O Mercosul “surge da vontade dos países do Cone Sul, após o fortalecimento do regime democrático, em integrar suas economia” (MEDEIROS; PAIVA; LAMENHA, 2012, p. 154). Mais de 3 autores Em meados dos anos 1980, “quando a política brasileira empreendeu o caminho do estreitamento das relações com a Argentina, a ideia do universalismo não foi abandonada [...]” (VIGEVANI et al., 2008, p. 6). Ou Para Vigevani et al. (2008, p. 6), em meados dos anos 1980, “quando a política brasileira empreendeu o caminho do estreitamento das relações com a Argentina, a ideia do universalismo não foi abandonada [...]”. Quadro 4.2 - Modelos de citação Fonte: Adaptado de UNESP (2014, on-line). Lembre-se de que, para citações até três linhas, não há recuo e mantêm-se as aspas no início e ao final do trecho. Já as citações que ultrapassam as três linhas devem ser destacadas com recuo de 4 cm da margem esquerda, com caractere menor que o do texto, sem aspas e com espaçamento simples entre as linhas. Veja um exemplo: Figura 4.11 - Citação recuada Fonte: UNESP (2014, on-line). Ainda existem as citações indiretas, que também possuem formatação específica, conforme apresentado no Quadro 4.3: Citação indireta Segundo Ayerbe (2003), o fortalecimento das cidades europeias oferece um clima propício ao empreendimento e também à livre iniciativa, mas [...] Ou O fortalecimento das cidades europeias oferece um clima propício ao empreendimento e à livre iniciativa, segundo Ayerbe (2003), mas [...] Ou O fortalecimento das cidades europeias oferece um clima propício ao empreendimento e à livre iniciativa (AYERBE, 2003), mas [...] Citação indireta com mais de um autor Indicar todos os autores em ordem alfabética. (ABREU; SILVA, 2007; VARGAS, 2001; YIN, 2010) Citação traduzida “Acesso aprimorado engloba tanto acesso intelectual quanto físico.” (KUHLTHAU, 2004, p. xv, tradução nossa) Quadro 4.3 - Citações com mais autores Fonte: Adaptado de UNESP (2014, on-line). Há, também, casos de citação de citação, documentos com autores iguais com anos diferentes, sobrenomes iguais com mesmo ano, sem indicação de autoria, e para cada um desses casos há uma particularidade. Por isso, o importante é você consultar sempre um manual atual de trabalhos acadêmicos e verificar o caso no qual você necessita de orientação. FIQUE POR DENTRO Leia mais sobre todos os passos do projeto de pesquisa nos guias a seguir: Estrutura para projetos de pesquisa: <http://www2.fct.unesp.br/docentes/educ/alberto/TECENDO%20PROJETOS/10.%20ESTRUT URA%20DE%20PROJETOS.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2019. Orientações para citações: <https://www.sorocaba.unesp.br/Home/Biblioteca/modelo-de-citacoes2.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2019. Orientações para referências: <https://www.marilia.unesp.br/Home/Biblioteca/normalizacao-abnt-referencias-2019b.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2019.Figura 4.12 - A estrutura de um projeto detalhado Fonte: Adaptada de Estrutura... (2005). É importante entender que cada projeto deve ser elaborado tendo em vista sua finalidade e destino, portanto, por mais que existam modelos disponíveis, cada instituição segue suas próprias necessidades e regras. Embora os formatos possam mudar, as normas devem ser respeitadas, portanto, esteja atento para qual norma será exigida e quais os elementos que fazem parte dessa obrigatoriedade. http://www2.fct.unesp.br/docentes/educ/alberto/TECENDO%20PROJETOS/10.%20ESTRUTURA%20DE%20PROJETOS.pdf http://www2.fct.unesp.br/docentes/educ/alberto/TECENDO%20PROJETOS/10.%20ESTRUTURA%20DE%20PROJETOS.pdf https://www.sorocaba.unesp.br/Home/Biblioteca/modelo-de-citacoes2.pdf https://www.marilia.unesp.br/Home/Biblioteca/normalizacao-abnt-referencias-2019b.pdf Lembre-se de que o mais importante em um projeto de pesquisa é você conseguir colocar e organizar seu pensamento. Por isso, tente, ao máximo, alinhar as ideias, fazer uma boa pesquisa para seu referencial teórico e distribuir suas atividades, de forma que possam ser cumpridas e seguidas. Essa é a parte inicial da vida de um pesquisador, portanto, atenção e boa sorte! ATIVIDADE 4 - O projeto de pesquisa Leia o trecho a seguir e, depois, atente-se para o que se pede na questão: “Ao se desenvolver um projeto de pesquisa, deverá ser levada em consideração a sua inovação científica e tecnológica e a sua condução por pesquisador qualificado, contribuindo para geração de novos conhecimentos” (ESTRUTURA…, 2005, on-line). Assinale a alternativa que contém os tópicos na sequência correta de um projeto de pesquisa. a. Capa; folha de rosto; introdução; revisão de literatura; metodologia; cronograma; referências; anexos ou apêndices. b. Capa; folha de rosto; resumo; sumário; introdução; revisão de literatura; metodologia; cronograma; recursos; orçamentos; referências; anexos ou apêndices. c. Capa; introdução; revisão de literatura; metodologia; cronograma; recursos; orçamentos; referências; anexos ou apêndices. d. Capa; folha de rosto; resumo; sumário; introdução; revisão de literatura; metodologia; cronograma; recursos; referências; anexos ou apêndices. e. Folha de rosto; resumo; introdução; revisão de literatura; metodologia; cronograma; recursos; orçamentos; referências; anexos ou apêndices. INDICAÇÕES DE LEITURA Nome do livro: A construção do saber: manual de metodologia de pesquisa em ciências humanas Editora: ArtMed; UFMG Autores: Christian Laville e Jean Dionne ISBN: 9788573074895 Comentário: Trata-se de um rico manual de metodologia científica para a área de Ciências Humanas, apresentando a construção do saber, a estrutura da pesquisa, aspectos teóricos necessários para a compreensão e o desenvolvimento de estudos e da cultura científica. INDICAÇÕES DE FILME Nome do filme: O óleo de Lorenzo Gênero: Drama Ano: 1992 Elenco principal: Susan Sarandon e Nick Nolte Comentário: A premiada filmagem relata a história de um casal que busca salvar a vida de seu filho diagnosticado com uma doença incurável e rara. Diante do medo por perdê-lo, os pais buscam, em pesquisas e estudos, a chance para mudar sua história e acabam por mudar a história da medicina também. REFERÊNCIAS ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. BRASIL. Revistas da UFGD passam a integrar o Portal de Periódicos da Capes. UFGDNet, 25 abr. 2019. Disponível em: <https://www.ufgd.edu.br/noticias/revistas-da-ufgd-passam-a- integrar-o-portal-de-periodicos-da-capes>. Acesso em: 20 nov. 2019. ______. Sobre a BDTD. Disponível em: <bdtd.ibict.br/vufind/>. Acesso em: 20 nov. 2019. CAPES. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Tutorial. Linhas de pesquisa. Disponível em: <http://www.capes.gov.br/tutorial- sucupira/Programa_LinhasPesquisa.html>. Acesso em: 7 out. 2019. CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. CNPQ – CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO. Linha de pesquisa: glossário. Disponível em: <http://lattes.cnpq.br/web/dgp/glossario;jsessionid=J1AuB-baG- HMl08bISFLAI6w.undefined?p_p_id=54_INSTANCE_QoMcDQ9EVoSc&p_p_lifecycle=0&p _p_state=maximized&p_p_mode=view&_54_INSTANCE_QoMcDQ9EVoSc_struts_action=% 2Fwiki_display%2Fview&_54_INSTANCE_QoMcDQ9EVoSc_nodeName=Main&_54_INST ANCE_QoMcDQ9EVoSc_title=Linha+de+pesquisa&_54_INSTANCE_QoMcDQ9EVoSc_ver sion=1.0>. Acesso em: 7 out. 2019. DESLANDES, S. F. O projeto de pesquisa. In: MINAYO, M. C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1995. DUDZIAK, E. Levantamento mostra quem financia a pesquisa no Brasil e na USP. Jornal da USP, Ciências, 26/07/2018. 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Essa é a maior e a melhor consequência do aprendizado: o querer mais. Vimos como a ciência e a natureza se envolvem na pesquisa, assim como a família, o Estado e a sociedade. Todos possuem interface com a educação, sendo esta a grande razão pela qual nos desenvolvemos mesmo sem perceber. A Educação está por toda parte, no presente, no passado e no futuro. Estudamos os aspectos históricos para compreender nossa evolução, nossas ações e práticas. Pensamos em uma Educação para o século XXI e não estamos tão distantes da que tínhamos no século passado. Movimentos importantes marcaram nossa sociedade e personagens ilustres foram conhecidos e não mais serão esquecidos, pois cada um teve grande papel nessa jornada. Estudamos as abordagens que envolvem o aprender e o ensinar e, quando nos deparamos com elas, estamos ensinando para aprender. Uma relação tão tênue que quase não percebemos onde começa uma e termina a outra, porque, na verdade, não termina! E diante de todo esse contexto, a pesquisa exige que olhemos para ela com olhos de esperança, pois é dela que nosso desenvolvimento vem e é para ela que devemos caminhar, mesmo em meio a tantos desencontros. A pesquisa é a base da educação, porque todo professor é, também, um pesquisador. Aquele que ora ensina também aprende, portanto, somos todos personagens ativos no processo de pesquisa deste país.