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A IMPORTÂNCIA E AS POSSIBILIDADES DA ARBITRAGEM 
 
 
 O instituto da arbitragem é conhecido no Brasil há muito tempo, 
desde o Decreto 737, de 25.11.1850, o qual versava sobre a solução de litígios 
entre os comerciantes, no entanto jamais foi empregado efetivamente como 
deveria. 
 
 Leis posteriores modificaram a tônica da arbitragem desestimulando 
o seu uso para a solução de conflitos. 
 
 Com o advento da Lei 9.306 de 23.10.96, houve o resgate do 
instituto da arbitragem no Brasil, o qual vem se consolidando, cada vez mais, 
como meio alternativo eficaz e válido na solução de conflitos extrajudiciais que 
envolvam direitos patrimoniais disponíveis. 
 
 A regulamentação da lei de arbitragem veio em momento 
extremamente oportuno, pois, como é de conhecimento público e notório, o Poder 
Judiciário, há muito, não consegue suportar o volume gigantesco de processos, 
tornando a justiça morosa e seu acesso cada vez mais dificultoso e limitado. 
Apesar de constantes modificações em nossos códigos, aumento do número de 
magistrados e outras tentativas para facilitar o acesso à justiça, não tem 
conseguido, o Estado, dar a devida prestação jurisdicional. 
 
Por certo, vários são os fatores que contribuem para que processo 
judicial seja hermético, a tal ponto que torne o acesso a tutela jurisdicional 
limitado. Não obstante tenham ocorridos significativas alterações em determinados 
procedimentos, impera, ainda, em nosso modelo de processo civil, o formalismo 
extremado, o qual inviabiliza a solução célere dos conflitos levados ao Poder 
Judiciário. 
 
Óbvio que devem ser mantidos os limites mínimos para que seja 
garantido o due process law (o devido processo legal) com seus conseqüentes 
desdobramentos, como a ampla defesa e o contraditório. Todavia, este apego ao 
rigorismo procedimental é por muitas vezes usado, como expediente de alguns 
causídicos, para “emperrar”, ainda mais, o processo. 
 
 Destarte, não há outra alternativa para o descongestionamento do 
Judiciário, senão de colocar em uso os métodos extrajudiciais de resolução de 
conflitos, sejam de autocomposição, como a conciliação e a mediação, sejam 
heterocompositivos, como a arbitragem. Tais métodos alternativos de resolução 
de conflitos tem por escopo decidir soluções jurídicas de forma mais rápida e 
eficaz. 
 
 Nesta seara, surge a arbitragem, revelando-se como método 
extrajudicial de solução de conflitos que pode, como já vem fazendo, contribuir 
significativamente para desobstruir o Poder Judiciário abarrotado de processos. 
 2
Trata-se, portanto, de alternativa rápida e descomplicada das lides, v.g. , 
processos que, eventualmente, podem levar anos para serem solucionados na 
justiça comum, podem, na arbitragem, serem resolvidos em apenas algumas 
semanas, ou em prazo máximo de seis meses da instituição da arbitragem, 
conforme determinado na Lei de Arbitragem (artigo 23). 
 
 Ainda, a arbitragem apresenta uma série de vantagens às partes, as 
quais faltam ao Poder Judiciário. Há que se ressaltar algumas: 
 
a) Rapidez, devido a simplicidade de seus procedimentos e sua natureza 
informal; 
b) Sigilo, o conteúdo da arbitragem fica adstrito somente às partes e ao(s) 
árbitro(s) que ficam obrigados ao sigilo profissional, ou seja, a arbitragem é 
processada em segredo, sem qualquer publicidade; 
c) Especialização, os árbitros, podem ser técnicos ou especialistas na matéria a 
ser julgada; 
d) Possibilidade de decisão por equidade, os árbitros poderão, desde que 
autorizados pelas partes, julgar dentro do critério que entendam justo, mesmo 
que tal critério, eventualmente, contrarie o texto legal; 
e) Confiabilidade, a arbitragem se baseia na confiança das partes, haja vista que 
são as partes que escolhem os árbitros para solucionar o conflito. Com isto 
torna-se mais fácil a conciliação, ou mediação pois o clima de confiança 
depositado nos árbitros propicia a colaboração e boa vontade das partes para 
a consumação da conciliação. 
 
Depreende-se dos aspectos antes levantados e das vantagens acima 
elencadas, que a arbitragem mostra-se importante método de resolução de 
conflitos extrajudiciais, o qual, certamente, não poderá ser utilizado somente 
quando a justiça estatal estiver sobrecarregada e, sim, como escolha correta para 
resolução de litígios de forma célere e justa. 
 
 Para se socorrer da arbitragem, há que estar expressa, no momento 
da celebração do contrato, a cláusula compromissória (art. 4º da LA), ou, 
posteriormente, após a ocorrência de litígio, mediante celebração de compromisso 
arbitral (art. 9º). 
 
 Outrossim, a sentença arbitral será definitiva, sem possibilidade de 
recurso ao Judiciário, conforme dispõe o artigo 31 da LA: 
 
“a sentença arbitral produz, entre as partes e seu sucessores, 
os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgão s do Poder 
Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo.” 
 
 Assim, tendo em vista que a Lei comparou as sentenças arbitrais às 
judiciais, a sentença arbitral que não for voluntariamente cumprida pela parte 
vencida, poderá ser executada, pela outra parte, através do competente processo 
de execução, perante o juiz competente. 
 3
 
 Vê-se, portanto, que a arbitragem não tem intenção alguma de 
afastar o poder judiciário, muito menos lhe retirar prerrogativas que lhe são 
inerentes, somente privilegia a vontade das partes que poderão recorrer a 
arbitragem para solucionar os seus litígios. 
 
 Em razão do que foi abordado, surgem em todo o Brasil um grande 
número de entidades dedicadas a arbitragem. Tais entidades estão 
desempenhando papel fundamental na consolidação deste método, que como 
exposto, não vem afastar o Poder Judiciário, mas, sim, somar-se a este, para se 
alcançar uma Justiça que responda eficazmente aos apelos da sociedade. 
 
No Paraná, em especial em Curitiba, através da Câmara de 
Mediação e Arbitragem da Associação Comercial do Paraná – ARBITAC, a 
procura por arbitragens tem crescido a cada dia, vez que o trabalho de excelência 
desenvolvido por esta entidade, tem repercutido nacionalmente, a ponto de 
algumas empresas de outros Estados, como Rio/São Paulo, indicarem a 
ARBITAC, nas cláusulas compromissórias, como instituição idônea para 
administrar e supervisionar o desenvolvimento do processo arbitral. Ressalte-se, 
ainda, que até mesmo entidades congêneres têm procurado a referida instituição 
para utilizar-se de sua experiência e conhecimento, com o fito de instalar suas 
Câmaras de Conciliação e Arbitragem em conformidade com o modelo eficaz e 
bem planejado da ARBITAC. 
 
 Desta forma, em razão das breves considerações antes aduzidas, 
há que se reconhecer a importância da arbitragem no contexto atual, como 
excelente método de solução de conflitos. Todavia, para tanto, é necessário uma 
predisposição da sociedade como um todo, em especial dos operadores do direito, 
os quais deverão deixar de lado o formalismo, adotando o pragmatismo para 
vivenciar a nova realidade necessária ao dias atuais. 
 
 
 
 
Margareth Barbosa de Amorim de Macedo. 
Artigo publicado no Jornal O Estado do Paraná – Caderno Direito e Justiça (dez -
2001) 
Artigo publicado no Jornal Folha de Londrina 07-jan-2002

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