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Metodologia da Pesquisa Horário: 19h às 22h
Ano/Semestre: 2023-2
Carga Horária: 30h 
Prof. Esp. Felipe Bussolotto
TEMA, PROBLEMA E HIPÓTESE
05
Como uma hipótese é uma suposta, provável e provisória resposta a 
um problema, cuja adequação (comprovação = sustentabilidade ou 
validez) será verificada pela pesquisa, interessa-nos o que é e como 
se formula um problema.
TEMA E PROBLEMA
O tema de uma pesquisa é o assunto que se deseja provar ou desenvolver; “é 
uma dificuldade, ainda sem solução, que é mister determinar com precisão, 
para intentar, em seguida, seu exame, avaliação crítica e solução”.
Determinar com precisão significa enunciar um problema, isto é, determinar o 
objetivo central da indagação. Assim, enquanto o tema de uma pesquisa é uma 
proposição até certo ponto abrangente, a formulação do problema é mais 
específica: indica exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver. 
ASTI VERA, Armando. Metodologia da pesquisa científica. Tradução de Maria Helena Guedes 
Crêspo e Beatriz Marques Magalhães. Porto Alegre: Globo, 1976.
Formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara, 
compreensível e operacional, qual a dificuldade com a qual nos 
defrontamos e que pretendemos resolver, limitando o seu campo e 
apresentando suas características. Desta forma, o objetivo da 
formulação do problema da pesquisa é torná-lo individualizado, 
específico, inconfundível.
RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto 
de pesquisa científica. 42. ed. Petrópolis: 
Vozes, 2014.
EXEMPLOS
Tema: “O perfil da mãe que deixa o filho recém-nascido para adoção.”
Tema: “A necessidade da informação ocupacional na escolha da profissão.”
Tema: “A família carente e sua influência na origem da marginalização social.”
Problema: “Quais condições exercem mais influência na decisão das mães em dar o filho recém-nascido 
para adoção?”
Problema: “A orientação profissional dada no curso de 2o Grau [ensino médio] influi na segurança 
(certeza) em relação à escolha do curso universitário?”
Problema: “O grau de organização interna da família carente influi na conduta (marginalização) do 
menor?”
O problema, assim, consiste em um enunciado explicitado de 
forma clara, compreensível e operacional, cujo melhor modo de 
solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio de 
processos científicos. 
O problema se constitui em uma pergunta científica quando 
explicita a relação de dois ou mais fenômenos (fatos, variáveis) 
entre si, adequando-se a uma investigação sistemática, 
controlada, empírica e crítica. 
Conclui-se disso que perguntas retóricas, especulativas e 
afirmativas (valorativas) não são perguntas científicas.
A harmonia racional depende da compreensão mútua.
Tais enunciados têm pouco ou nenhum 
significado para o cientista: não há maneira de 
testar empiricamente tais afirmativas ou 
perguntas, principalmente quando envolvem 
julgamentos valorativos.
EXEMPLO
O método de educação religiosa A é melhor que o B para aumentar a fé?
Igualdade é tão importante quanto a liberdade.
Questões que devem ser formuladas para verificar a validade científica de um 
problema:
a) Pode o problema ser enunciado em forma de pergunta?
b) Corresponde a interesses pessoais, sociais e científicos, isto é, de conteúdo e metodológicos? Esses 
interesses estão harmonizados?
c) Constitui-se o problema em questão científica, ou seja, relaciona entre si pelo menos dois 
fenômenos (fatos, variáveis)?
d) Pode ser objeto de investigação sistemática, controlada e crítica?
e) Pode ser empiricamente verificado em suas consequências?
PROBLEMA E HIPÓTESE
Uma vez formulado o problema, com a certeza 
de ser cientificamente válido, propõe-se uma 
resposta “suposta, provável e provisória”, isto 
é, uma hipótese. Ambos, problemas e 
hipóteses, são enunciados de relações entre 
variáveis (fatos, fenômenos); a diferença reside 
em que o problema constitui sentença 
interrogativa e a hipótese, sentença afirmativa.
Problema: “Quais condições exercem mais influência na decisão das mães em dar o filho 
recém-nascido para adoção?”
EXEMPLOS
Hipótese: “As condições que representam fatores formadores de atitudes exercem maior 
influência na decisão das mães em dar o filho recém-nascido para adoção do que as 
condições que representam fatores biológicos e socioeconômicos”
Problema: “A constante migração de grupos familiares carentes influencia em 
sua organização interna?”
Hipótese: “Se elevado índice de migração de grupos familiares carentes, então 
elevado grau de desorganização familiar”
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
Exemplo: Suponha que você começou a investigar a taxa de mortalidade 
infantil em um bairro de baixa renda. Pois bem, o objetivo do seu estudo 
é saber o que acontece naquele bairro para que ele tenha uma 
mortalidade tão elevada.
Hipótese 1: a mortalidade infantil tem uma relação significativa com o tipo de 
alimentação da criança.
Hipótese 2: a mortalidade infantil tem uma relação significativa com a falta de 
escolaridade dos pais.
Hipótese 3: a mortalidade infantil tem uma relação significativa com a falta de 
saneamento básico na localidade
Há várias maneiras de formular hipóteses, mas a mais 
comum é “Se x, então y”; as variáveis ou constructos 
estão ligados entre si pelas palavras se e então.
“Se privação na infância, então deficiência na realização escolar mais 
tarde”
EXEMPLOS
“Se elevado grau de desorganização interna na família (carente), então 
(maior probabilidade de) marginalização do menor”
Os exemplos dados correlacionam apenas duas variáveis. 
“Se incentivo positivo (X), então aprendizagem aumentada (Y), 
dado sexo feminino (R) e classe média (S)”, ou “Se incentivo 
positivo (X1), e sexo feminino (X2) e classe média (X3), então 
aumento na aprendizagem (Y)”.Entretanto, muitas vezes a 
correlação ocorre entre mais 
de duas variáveis. A hipótese 
poderá ser simbolizada de 
duas formas: “Se X, então Y, 
sob as condições R e S”, ou 
“Se X1 e X2 e X3, então Y”.
“Se elevado grau de desorganização interna na família (carente) (X), 
então (maior probabilidade de) marginalização do menor (Y), dada 
baixa escolaridade do menor (R) e elevado grau de mobilidade 
geográfica (migração) da família (S).”
“Se elevado grau de desorganização interna da família (carente) (X1) 
e baixa escolaridade do menor (X2) e elevado grau de mobilidade 
geográfica (migração) da família (X3), então (maior probabilidade de) 
marginalização do menor (Y).”
“A água ferve a 100º C.”
Podemos considerar que todo enunciado que toma a forma de “Se X, então 
Y” é uma hipótese, condição suficiente, mas não necessária, visto que 
muitas hipóteses, em vez de expressas na forma condicional, o são de 
maneira categórica (embora sejam equivalentes à forma condicional e nela 
traduzíveis).
“Em relação à escolha do curso universitário, é maior a certeza entre os estudantes que receberam 
orientação profissional no curso de 2o Grau [ensino médio] do que entre os que não a tiveram”
“O comportamento de pintar com os dedos é, em parte, uma função da classe social”
Se as hipóteses são enunciados conjecturais da relação entre duas ou mais variáveis (o que 
denominaremos condições nº 1), elas devem conduzir a implicações claras para o teste da relação 
colocada, isto é, as variáveis devem ser passíveis de mensuração ou potencialmente mensuráveis 
(condição nº 2); a hipótese deve especificar como estas variáveis estão relacionadas. Uma formulação 
que seja falha em relação a estas características (ou a uma delas) não é uma hipótese (no sentido 
científico da palavra).
Existem quatro hipóteses que podem ser analisadas 
no que diz respeito a essas características:
b)“O exercício de uma função mental não tem efeito 
no aprendizado futuro dessa função mental.” Essa 
hipótese estabelece relação entre as duas variáveis, 
“exercício de uma função mental” e “aprendizado 
futuro”, na forma chamada “nula”, isto é, por meio daspalavras “não tem efeito no”. Dito de outra forma, “se 
p, então (não) q”. A possibilidade de resolver o 
problema de definir as variáveis “função mental” e 
“aprendizado futuro”, de maneira que sejam 
mensuráveis, é que determinará se esse enunciado 
pode ou não se constituir em hipótese (científica).
a)“O estudo em grupo contribui 
para um alto grau de desempenho 
escolar”; aqui, são correlacionadas 
duas variáveis, “estudo em grupo” 
e “grau de desempenho”, cuja 
mensuração é prontamente 
concebida.
d)“Indivíduos que têm ocupação igual ou similar terão atitudes 
similares em relação a um objeto cognitivo, significativamente 
relacionado com seu papel ocupacional.” A hipótese, como foi 
formulada, é uma hipótese de “diferença”, requerendo dois 
grupos, com papel ocupacional diferente, para então comparar 
suas atitudes (em relação a um objeto cognitivo relacionado ao 
papel), visto que as variáveis correlacionadas são “papel 
ocupacional” e “atitudes referentes a um objeto cognitivo 
relacionado ao papel ocupacional”; ambas são mensuráveis, 
entendendo-se por “objetos cognitivos” todas as coisas, 
concretas ou abstratas, percebidas e “conhecidas” pelos 
indivíduos. Esta hipótese também pode ser transposta a uma 
forma relacional geral: “Atitudes em relação a objetos cognitivos 
significativamente relacionados com papéis ocupacionais são, em 
parte, uma função do comportamento e expectativas associadas 
aos papéis.”
c)“As crianças de classe média evitam a 
tarefa de pintar com os dedos com mais 
frequência do que as crianças de classe 
baixa.” Aqui, a correlação entre as 
variáveis é indireta, dissimulada; surge na 
forma de uma colocação em que dois 
grupos, A e B, diferem em alguma 
característica; pode também ser 
considerada como sub-hipótese de outra, 
ou seja: “O comportamento de pintar com 
os dedos é, em parte, uma função da 
classe social.” Novamente, as variáveis são 
claramente mensuráveis.
O que ocorre então com uma “boa” hipótese, que não pode 
ser diretamente testada? Por exemplo, com a hipótese 
“matéria atrai matéria na razão direta da massa e na razão 
inversa do quadrado da distância”? As variáveis que contém 
são mensuráveis, mas como comprovar a relação entre elas? 
Nesses casos, da hipótese principal deverão ser deduzidas 
outras hipóteses, que possam ser submetidas à verificação. 
Dessa forma, a hipótese principal satisfaz às duas condições 
necessárias para ser uma hipótese científica.
a) A hipótese deve ser formalmente correta e não se 
apresentar vazia semanticamente.
A ciência impõe três requisitos 
principais à formulação das 
hipóteses:
b) A hipótese deve estar fundamentada, até certo ponto, em conhecimento anterior; caso 
contrário, volta a imperar o pressuposto já indicado de que, se for completamente nova em 
matéria de conteúdo, deve ser compatível com o corpo de conhecimento científico já existente.
c) A hipótese tem de ser empiricamente constatável, por intermédio de procedimentos objetivos 
da ciência, ou seja, mediante sua comparação com os dados empíricos controlados tanto por 
técnicas quanto por teorias científicas.
Autores afirmam ainda que não se deve identificar a noção de 
hipótese com a de ficção, nem contrapô-la à de fato: a única 
semelhança é que as hipóteses, como as ficções, são criações 
mentais, ao passo que os fatos são exteriores à mente, 
ocorrendo no mundo real. 
As hipóteses factuais, apesar de serem proposições, podem 
contrapor-se a proposições de outro tipo, ou seja, proposições 
empíricas particulares, também denominadas ‘dados’, isto é, 
elementos de informação. Um dado não é uma hipótese, nem 
muito uma hipótese é um dado: qualquer hipótese se coloca 
além da evidência (dado) que procura explicar.
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