Prévia do material em texto
Prof. Iuri Goulart Baseia FILO ASCOMYCOTA G LO M ER O M Y C O TA B LA S TO C LA D IO M Y C O TA Cladograma modificado de Alexopoulos et al. (1996) mostrando as relações entre o reino Animalia e os Filos do Reino Fungi com a inclusão do Sub-Reino Dicarya (Hibbett et al. 2007). N EO C A LL IM A S TI G O M Y C O TA D IK A R Y A CARACTERÍSTICAS GERAIS ● Micélio filamentoso, regularmente septado ou unicelular – leveduróides; ● Septos centralmente perfurados (poro simples); ● Parede celular com quitina; ● O asco é a característica mais distintiva do filo: estrutura em forma de saco contendo esporos sexuados (ascósporos) em número de 4, 8, ou X 4; ● Reprodução gamética por copulação de gametângios; ● Ausência de flagelo; ● Reprodução assexuada por esporos denominados conídios; O micélio, embora septado (celular) é funcionalmente cenocítico porque os núcleos e outras organelas podem migrar através dos poros Caloscypha fulgens (Discomycetes) OCORRÊNCIA Algumas espécies são encontradas em seus habitats a maior parte do ano; muitas não são descobertas por serem inconspícuas e evidentes apenas a partir de seus efeitos nos hospedeiros - fitopatogênicas Taphrina deformans Rhytisma punctatum Claviceps purpurea Balansia epichloe Espécies dos gêneros Penicillium e Aspergillus crescem em grande variedade de substratos orgânicos úmidos como os alimentos em geral, incluindo frutas (laranja, mamão, tomate, maracuja, abacate), cebola, amendoim, arroz e feijão cozidos e pão envelhecido, paredes, papel, madeira, tecidos, etc. • Alguns ascomicetes desenvolvem-se em fezes (ex: Ascobolus, Sordaria - excrementos de cavalo); outros desenvolvem-se no córtex, madeira e folhas de árvores (cortícolas, lignícolas e foliícolas). Ex: Xylaria, Cookeina. Poucos são subterrâneos - hipógeos (ex: Tuber). Ascobolus sp. Cookeina sp. Xylaria sp. Tuber aestivum Adicionalmente, vários ascomicetes formam associações simbióticas com algas (Chlorophyta e Cyanophyta) formando líquens. Ascomicetes marinhos podem ser sapróbios, parasíticas ou endofíticos. Haematomma sp Também podem formar associações com plantas (endofiticos) e insetos (besouros - micângio) Floresta de Pinus Larvas de besouro em Pinus Ceratocystiopsis ranaculosus Bolansia epichloe: endofítico IMPORTÂNCIA ♦ Fermentação: Saccharomyces (Sacharon = açúcar) → produção álcool, fermento do pão, da cerveja, vinho, etc. (S. cerevisae) ♦ Medicamentos e alimentos: Penicillium → produção da penicilina, fabricação de queijos do tipo Camembert, Roquefort ou gorgonzola (Penicillium roqueforttii) Aspergillus → produção industrial do ácido cítrico ♦ Micotoxinas: Penicillium e Aspergillus (aflatoxinas) → em grãos mal estocados Saccharomyces cerevisae Penicillium roquefortii Queijo tipo roquefort Saccharomyces: fermentação alcoólica ♦ Fitopatogênicos - Fusarium e Claviceps purpurea (aflatoxinas) → gramíneas ♦ Patógenos humanos: pé-de-atleta (Sporothrix schenkii) e pneumonia em pessoas com o sistema imunológico deficiente (Pneumocystis carinii) ♦ Parasitas de insetos: Laboulbenia ♦ Associações simbióticas: → fungos + algas (líquens) → fungos + raiz (micorrízas) Laboulbenia sp parasitando joaninha Fusarium sp. Cordyceps sinensis MORFOLOGIA A morfologia nos ascomycetes pode ser: → unicelular, micelial ou dimórfico Saccharomyces cerevisae: unicelular Ascomicete filamentoso: micélio As hifas são septadas, com poros simples A habilidade do núcleo em migrar através do micélio (e conseqüentemente através dos septos) é importante no fenômeno denominado heterocariose. Os septos dos ascomicetes filamentosos podem ser bloqueados por estruturas denominadas corpos de woronin - estruturas esféricas, hexagonais ou retangulares com uma matriz protéica cristalina que geralmente encontra-se associada ao septo A função dos corpos de Woronin talvez seja a de isolar as hifas velhas e danificadas do restante do micélio. Podem produzir ainda estruturas miceliais especializadas, algumas das quais estão associadas a infecção do hospedeiro pelo patógeno. Estas estruturas incluem apressórios e haustórios. Certos ascomicetos fitopatógenos formam hifas especializadas, denominadas haustórios (hifopódios). Algumas das mais notáveis especializações dos micélios dos ascomicetos são armadilhas, alçapões e grampos adesivos que capturam nematódeos. Apressório e haustórios Ascomicete predador de nematódeos Tipos de ascomatas Distinguem-se, basicamente, três tipos de ascomatas: ● Apotécio: em forma de taça com himênio exposto ● Peritécio: em forma de urna, com um poro (ostíolo) ● Cleistotécio: fechado Os ascos também podem variar muito na forma, podendo ser esféricos alongados, cilíndricos, ovóides ou globosos, podendo ser sésseis ou estipitados. Três tipos básicos de ascos podem ser definidos: Prototunicados: apresentam uma parede fina e delicada, l iberando seus esporos por desintegração. Tipos de ascos Unitunicados: parede do asco com duas camadas (endotúnica e exotúnica), estas camadas apresentam um opérculo terminal que serve para liberar os esporos. Bitunicados: com duas camadas, a endotúnica geralmente expande-se até duas vezes seu comprimento original, separando-se da exotúnica que se rompe; os esporos são liberados através de um poro presente na endotúnica. REPRODUÇÃO Assexuada Células somáticas: fissão e brotamento Produção de esporos: - Conídios - Artrósporos Sexuada É muito variável no grupo, podendo envolver contato de gametângios, conjugação de gametângios, somatogamia ou espermatização. ♦ Os ascomicetes filamentosos exibem ciclos mais complexos, onde os gametângios (ascogônios e anterídios) são formados em indivíduos distintos + e – (micélio heterotálico). A fertilização ocorre por contato desses gametângios. ♦ Após a fert i l ização, formam-se hifas ascógenas, derivadas do ascogônio que crescem e se ramificam, mantendo os dois núcleos parentais (hifas dicarióticas). Migração dos núcleos Pareamento dos núcleos + e - Formação das hifas ascógenas Desenvolvimento das hifas ascógenas Ocorre através de ganchos, denominados “crozier”. Esse tipo de crescimento é responsável pela manutenção da organização dicariótica das novas células formadas. Note que a função básica das hifas ascógenas é propagar o resultado da fertilização. Formação do “crozier” Desenvolvimento do asco Ciclo de vida CLASSIFICAÇÃO Filo Ascomycota (Alexopoulos et al. 1996) Hemiascomycetes Plectomycetes Pyrenomycetes Discomycetes Loculoascomycetes Laboulbeniomycetes Hemiascomycetes - Talo unicelular - Hifas ascógenas ausentes - Ascomata ausente: ascos nus - Reprodução: brotamento, fissão e artrósporos - Ocorrência: exudatos de plantas, sapróbios e parasitas - Representantes: Saccharomyces e Schizosaccharomyces Schizosaccharomyces sp. Saccharomyces cerevisae Plectomycetes - Talo micelial - Hifas ascógenas presentes - Ascomata tipo cleistotécio - Ocorrência: sapróbios e parasitas - Representantes: Aspergillus, Penicillium, Erisyphe Erisyphe sp. Aspergillus sp. Pyrenomycetes - Talo micelial - Ascomata tipo peritécio - Epígeos e hipógeos - Ascos unitunicados - Ocorrência: sapróbios e parasitas - Representantes: Xylaria, Peziza, Tuber Morchella sp Tuber melanocephallum Discomycetes - Talo micelial - Hifas ascógenas presentes - Ascomata tipo apotécio - Ascos unitunicados - Hipógeos e epígeos - Sapróbios, simbiontes (líquens e micorrízas) e parasitas - Representantes: Bulgaria, Cookeina Lambertella sp Monilinia sp Loculoascomycetes - Talo micelial - Hifas ascógenas presentes - Ascomata tipoascostroma - Presença de lóculos - Ascos bitunicados - Ascosporos septados - Ocorrência: sapróbios e parasitas - Representantes: Mycosphaerella, Pleospora Taphrina deformans Laboulbeniomycetes - Ascomata tipo peritécio - Ascos prototunicados - Ascósporos septados - Ocorrência: parasitas de insetos e artrópodes - Representantes: Laboubenia, Referências Alexopoulos C. J, et al. 1996. Introductory Mycology. 4th ed., John Wiley and Sons, Inc., New York, 869pp. Hibbett, D. S., et. al. 2007. A higher-level phylogenetic classification of the Fungi. Mycological Research. 111: 509-547.