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Direito Administrativo Slide 1 O Estado brasileiro Slide 2 Conceito de Direito Administrativo. ▪ Celso Antônio Bandeira de Melo: “O Direito Administrativo é o ramo do Direito Público que disciplina a função administrativa, bem como pessoas e órgãos que a exercem”. ▪ Hely Lopes Meireles: “Conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”. ▪ Maria Sylvia Zanella de Pietro: “O ramo do Direito Público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exercer e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública”. ▪ José dos Santos Carvalho Filho: “o conjunto de normas e princípios que, visando sempre ao interesse público, regem as relações jurídicas entre as pessoas e órgãos do Estado e entre este e as coletividades a que devem servir”. Taxinomia do Direito Administrativo. ▪ Direito Público: ⎯ Regulação dos interesses da sociedade. ⎯ Tutela o interesse da coletividade. ⎯ Desigualdade nas relações jurídicas por força da supremacia do interesse público sobre o interesse privado. ⎯ O Estado goza de certas prerrogativas que situa o Estado em posição de superioridade ante o particular. Critérios para definição do objeto do direito administrativo. ▪ Critério legalista exegético, francês, empírico ou caótico: tipicamente associado ao modelo francês do contencioso administrativo, o critério legalista foi defendido pela “Escola da Exegese”: ⎯ De acordo com o critério legalista, o objeto do Direito Administrativo corresponde à somatória das leis administrativas existentes no país em dado momento histórico. Em outras palavras, o Direito Administrativo seria sinônimo de direito positivo. ▪ Critério do Poder Executivo: ⎯ Vincula o Direito Administrativo ao complexo de leis disciplinadoras da atuação do Poder Executivo. ▪ Critério das relações jurídicas: ⎯ Com base neste critério, pretende-se definir o Direito Administrativo como a disciplina das relações jurídicas entre a Administração Pública e o particular ▪ Critério do serviço público: ⎯ Considera que o Direito Administrativo tem como objeto a disciplina jurídica dos serviços públicos. ▪ Critério teleológico ou finalístico: ⎯ Afirma que o objeto do Direito Administrativo compreende as atividades que permitem ao Estado alcançar seus fins. ▪ Critério negativista ou residual: ⎯ Sendo difícil identificar um critério único capaz de definir o objeto do Direito Administrativo, é comum encontrar estudiosos sustentando que o ramo somente pode ser conceituado residualmente ou por exclusão, nesse sentido caberiam ao Direito Administrativo todos os temas de Direito Público não pertencentes ao objeto de outro ramo jurídico. ▪ Critério da hierarquia: ⎯ Entende que cabe ao Direito Administrativo o estudo dos órgãos públicos inferiores (destituídos de autonomia e dotados de atribuições meramente executórias) ao passo que o Direito Constitucional estudaria os órgãos públicos superiores (autônomos ou independentes, dotados de atribuições decisórias). Abrangência do Direito Administrativo. ▪ Abrange todas as relações internas à administração pública – entre os órgãos e entidades administrativas, uns com os outros, e entre a administração e seus agentes, estatutários e celetistas - ; todas as relações entre a administração e os administrados, regidas predominantemente pelo direito público ou pelo direito privado, bem como atividades de administração pública em sentido material exercidas por particulares sob regime de direito público, a exemplo dos contratos de concessão ou de permissão. Objeto do Direito Administrativo. ▪ O objeto do Direito Administrativo não se restringe apenas às relações jurídicas regidas pelo direito público, sob o império das prerrogativas públicas; aqui submete-se aos princípios do direito público, como o da supremacia do interesse público sobre o do particular; o da publicidade; o da legalidade, etc. Muitas vezes o Estado não reveste da condição de poder público. Nesse caso, não ostenta as prerrogativas públicas. Submete-se, portanto, ao regime do direito privado. ⎯ Exemplo: nos contratos de locação em que o Estado é parte. Fontes do Direito Administrativo. ▪ No Brasil, o Direito Administrativo não é codificado, o que significa que as leis e normas que regulam essa área não estão consolidadas em um único código, mas estão dispersas em diversos documentos legais, como a Constituição Federal, leis específicas e outros atos normativos. ⎯ Constituição Federal: A Constituição Federal é a principal fonte do Direito Administrativo no Brasil. Ela estabelece os princípios fundamentais, a organização e a estrutura do Estado, bem como os direitos e deveres dos cidadãos e das instituições públicas. ⎯ Lei 8.112/1990: Esta lei dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Ela estabelece os direitos, deveres, vantagens e responsabilidades dos servidores públicos, além de normas relacionadas à sua contratação, remuneração, progressão funcional, entre outros aspectos. ⎯ Lei 8.666/1993: Conhecida como a Lei de Licitações e Contratos, estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos realizados pela administração pública direta e indireta, em todos os níveis federativos. Define os procedimentos licitatórios, os tipos de licitação, as modalidades de contratos, entre outras disposições. ⎯ Lei 8.987/1995: Esta lei trata das concessões e permissões de serviços públicos, bem como das obras públicas e dos contratos de parcerias público-privadas (PPPs). Estabelece as diretrizes, os requisitos e os procedimentos para a realização desses tipos de contrato, visando à prestação de serviços de interesse público. ⎯ Lei 9.784/1999: A Lei do Processo Administrativo Federal regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal direta e indireta. Estabelece os princípios, os direitos dos administrados, os deveres da administração, os recursos administrativos, entre outras questões relacionadas à atividade administrativa. ⎯ Lei 11.079/2004: Conhecida como a Lei das Parcerias Público-Privadas (PPP), disciplina as parcerias entre o setor público e o setor privado para a realização de obras e serviços de interesse público. Estabelece os critérios para a celebração, fiscalização e rescisão dos contratos de PPP, visando a incentivar investimentos privados em infraestrutura. ▪ Essas leis e outros atos normativos constituem a base legal do Direito Administrativo no Brasil, regulando as relações entre o Estado e os cidadãos, bem como entre o Estado e os agentes privados que contratam com a administração pública. ▪ Fontes: ⎯ Lei. ⎯ Jurisprudência. ⎯ Doutrina. ⎯ Costumes. Regime Jurídico do Direito Público. ▪ O Regime Jurídico do Direito Público se aplica aos órgãos e entidades que compõem a administração pública, bem como à atuação dos agentes administrativos em geral. Esse regime estabelece princípios básicos que norteiam a atividade administrativa, visando garantir a legalidade, a eficiência e a supremacia do interesse público sobre o interesse particular. ⎯ Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o do Particular: Este princípio estabelece que as decisões e ações da administração pública devem ser pautadas pelo interesse coletivo, buscando sempre o bem comum e o interesse da sociedade como um todo. Isso significa que, em caso de conflito entre o interesse público e o interesse particular, deve prevalecer o interesse público. ⎯ Indisponibilidade do Interesse Público: Esse princípio determina que o interessepúblico é indisponível, ou seja, não pode ser objeto de renúncia, transação ou acordo por parte dos agentes públicos. Assim, os administradores públicos não têm a prerrogativa de abrir mão do interesse da coletividade em benefício de interesses individuais ou de grupos. ▪ Esses princípios são fundamentais para garantir que a administração pública atue de forma ética, transparente e voltada para o bem-estar da sociedade. Eles orientam a tomada de decisões, a elaboração de políticas públicas e a execução de serviços e obras de interesse coletivo, contribuindo para o fortalecimento do Estado de Direito e para o desenvolvimento sustentável do país. Supremacia do interesse público sobre o do particular. ▪ A supremacia do interesse público sobre o interesse particular é um princípio fundamental do Direito Administrativo que reflete a predominância dos interesses coletivos sobre os individuais. Isso implica na existência de prerrogativas ou poderes especiais conferidos à Administração Pública, dos quais decorre uma verticalidade nas relações entre a administração e os particulares. ▪ Prerrogativas ou Poderes Especiais da Administração Pública: ⎯ Poder de Polícia: Consiste na atribuição da Administração Pública para regular, fiscalizar e controlar determinadas atividades, visando a proteção do interesse público, como a segurança, a saúde, o meio ambiente, entre outros. Esse poder pode ser exercido por meio de normas, fiscalizações, imposição de sanções, entre outras medidas. ⎯ Cláusulas Exorbitantes dos Contratos Administrativos: São cláusulas que conferem à Administração Pública poderes especiais nos contratos que celebra com particulares, tais como a possibilidade de modificar unilateralmente o contrato, de rescindi-lo por interesse público, entre outros, visando sempre ao interesse coletivo. ⎯ Intervenção na Propriedade Privada: A Administração Pública pode intervir na propriedade privada em casos excepcionais, como por razões de utilidade pública, interesse social ou segurança nacional. Essa intervenção pode ocorrer mediante desapropriação, servidão administrativa, ocupação temporária, entre outras formas. ⎯ Presunção de Legitimidade dos Atos Administrativos: Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, ou seja, presume-se que são válidos e legais até prova em contrário. Isso significa que cabe aos particulares que contestam os atos administrativos o ônus de provar sua ilegalidade ou invalidade. ⎯ Auto executoriedade de Atos Administrativos: Alguns atos administrativos podem ser executados diretamente pela Administração Pública, sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário, para assegurar o cumprimento da lei e a eficácia das decisões administrativas, como é o caso das ordens de fiscalização, embargos, interdições, entre outros. ▪ Essas prerrogativas conferem à Administração Pública uma posição de destaque e autoridade nas relações com os particulares, permitindo-lhe agir de forma enérgica e eficaz na busca pelo interesse público, embora sempre dentro dos limites legais e constitucionais, garantindo assim o equilíbrio e a harmonia entre os interesses coletivos e individuais. Indisponibilidade do interesse público. ▪ A Administração não é proprietária da coisa pública, que pertence ao povo; logo, a Administração pública somente pode atuar quando houver lei que autorize ou determine sua atuação. ▪ Decorrências: ⎯ Necessidade de concursos públicos. ⎯ Necessidade de licitação. ⎯ Motivação dos atos administrativos. ⎯ Restrições à alienação de bens públicos Principiologia do Direito Administrativo. ▪ O texto aborda a Principiologia do Direito Administrativo, destacando a importância dos princípios como fundamentos do sistema normativo, juntamente com as normas jurídicas e regras. Abaixo está um resumo detalhado do texto: ▪ Normas Jurídicas: O texto começa explicando a estrutura do sistema jurídico, composto por normas jurídicas, que incluem tanto princípios quanto regras. ▪ Conceito de Princípios: Define princípios como mandamentos fundamentais de um sistema, que irradiam sobre diferentes normas, dando-lhes sentido e coesão. Eles são a base do sistema normativo, orientando a interpretação e compreensão das normas. ▪ De acordo com Celso Antônio Bandeira de Melo: “princípio é, pois, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo lhes o espírito e servindo de critério para exata compreensão e inteligência delas, exatamente porque define a lógica e a racionalidade do sistema normativo, conferindo-lhes a tônica que lhe dá sentido harmônico” Função dos Princípios. ▪ Função Hermenêutica: Os princípios servem como guias interpretativos, auxiliando na compreensão e aplicação das normas. ▪ Função Integrativa: Eles têm o papel de integrar o ordenamento jurídico, unificando e harmonizando as diferentes normas que compõem o sistema. Princípios Constitucionais Expressos. ▪ Legalidade: Este princípio estabelece que a Administração Pública deve atuar conforme o que determina a lei. Isso significa que todas as suas ações, decisões e políticas devem estar em conformidade com as normas legais vigentes. A legalidade é um dos pilares do Estado Democrático de Direito, garantindo que o exercício do poder estatal seja limitado e controlado pela lei. ▪ Impessoalidade: A impessoalidade exige que a Administração Pública trate todos os cidadãos de forma igual, sem discriminações ou favorecimentos pessoais. Isso significa que as decisões administrativas devem ser tomadas com base em critérios objetivos e impessoais, sem levar em consideração características pessoais dos envolvidos. ▪ Moralidade: A moralidade administrativa diz respeito à conduta ética e íntegra dos agentes públicos no exercício de suas funções. Ela vai além da legalidade, exigindo que as ações da Administração Pública estejam de acordo com os princípios éticos e morais da sociedade. Assim, além de ser legal, a conduta administrativa também deve ser honesta, transparente e voltada para o interesse público. ▪ Publicidade: A publicidade determina que os atos administrativos sejam realizados de forma transparente e acessível ao público em geral. Isso significa que as informações sobre as atividades e decisões da Administração Pública devem ser divulgadas de maneira clara, para que os cidadãos possam acompanhar e fiscalizar as ações do Estado. A publicidade é essencial para garantir a transparência, a accountability e a participação democrática na gestão pública. ▪ Eficiência: A eficiência exige que a Administração Pública utilize de forma adequada e racional os recursos disponíveis para alcançar os melhores resultados possíveis. Esse princípio visa garantir a prestação de serviços públicos de qualidade, com economia de recursos e otimização dos processos administrativos. A eficiência é fundamental para garantir a boa gestão dos recursos públicos e a satisfação das necessidades da sociedade. ▪ Esses princípios, previstos no artigo 37 da Constituição Federal, são fundamentais para o bom funcionamento da Administração Pública, garantindo que suas ações estejam alinhadas com os valores democráticos, éticos e de interesse público. Eles orientam a conduta dos agentes públicos e servem como parâmetros para avaliar a legalidade, a legitimidade e a qualidade dos atos administrativos. ▪ Devido Processo Legal (Artigo 5º, LIV, da CF): O princípio do devido processo legal garante que ninguém pode ser privado de seus direitos sem o devido processo legal. Isso significa que todos têm o direito a um processo justo, com todas as garantias e etapas necessárias para a defesa de seus interesses. O devido processo legal assegura que as decisões judiciais sejam fundamentadas e que todos sejam tratados igualmente perante a lei. ▪ Contraditório (Artigo 5º, LV, daCF): O princípio do contraditório garante às partes envolvidas em um processo o direito de se manifestarem, apresentarem argumentos e contestarem as alegações da outra parte. Isso significa que todas as partes devem ser ouvidas e ter a oportunidade de influenciar na decisão judicial. O contraditório é essencial para garantir a igualdade e a imparcialidade do processo. ▪ Ampla Defesa (Artigo 5º, LV, da CF): O princípio da ampla defesa está intimamente ligado ao contraditório e assegura que as partes tenham a oportunidade de se defender de forma plena e eficaz. Isso inclui o direito de apresentar provas, produzir argumentos e contar com a assistência de advogado. A ampla defesa é fundamental para garantir a justiça e a equidade nos processos judiciais. ▪ Princípio da Participação (Artigo 37, § 3º, da CF): O princípio da participação estabelece que a Administração Pública deve promover a participação dos cidadãos na gestão pública, especialmente por meio de consultas públicas, audiências e outros mecanismos de participação popular. Esse princípio visa garantir a transparência, a accountability e a democracia na administração pública. ▪ Celeridade Processual (Artigo 5º, LXXVIII, da CF): O princípio da celeridade processual determina que os processos judiciais devem ser conduzidos de forma rápida e eficiente, evitando-se a procrastinação e a morosidade. Isso é essencial para garantir a efetividade da justiça e para evitar prejuízos às partes envolvidas. A celeridade processual contribui para a garantia dos direitos fundamentais e para a eficácia do sistema judiciário. ▪ Esses princípios constitucionais expressos são fundamentais para garantir a justiça, a equidade, a transparência e a eficiência tanto na administração pública quanto no sistema judiciário. Eles refletem os valores fundamentais da democracia e do Estado de Direito, assegurando o respeito aos direitos individuais e coletivos dos cidadãos. Princípios Infraconstitucionais. ▪ O texto aborda os princípios infraconstitucionais estabelecidos na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal. ▪ Legalidade: Todas as atividades administrativas devem estar em conformidade com a legislação vigente. Isso significa que a Administração Pública só pode fazer aquilo que a lei permite. ▪ Finalidade: As ações da Administração Pública devem ter um objetivo legítimo e estar em consonância com o interesse público. Não devem ser realizadas com propósitos ilegítimos ou desviados de sua finalidade pública. ▪ Motivação: As decisões administrativas devem ser fundamentadas em motivos legais e justificados. A motivação consiste na exposição das razões e fundamentos que levaram à decisão tomada pela Administração. ▪ Razoabilidade: As decisões administrativas devem ser razoáveis, ou seja, proporcionais aos objetivos pretendidos e adequadas às circunstâncias do caso. Não devem ser excessivas, arbitrarias ou desproporcionais. ▪ Proporcionalidade: As medidas adotadas pela Administração Pública devem ser proporcionais à gravidade da situação ou ao direito violado. Deve haver equilíbrio entre os meios utilizados e os fins almejados. ▪ Moralidade: As ações administrativas devem ser pautadas por princípios éticos e morais. A Administração Pública deve agir de maneira honesta, transparente e íntegra. ▪ Ampla Defesa e Contraditório: Assegura-se às partes envolvidas no processo administrativo o direito de apresentar defesa e contrarrazões, garantindo a igualdade de oportunidades e o direito ao contraditório. ▪ Segurança Jurídica: Os atos administrativos devem proporcionar segurança e estabilidade às relações jurídicas, evitando surpresas ou mudanças bruscas nas normas e procedimentos. ▪ Interesse Público: As ações administrativas devem ser orientadas pelo interesse coletivo, visando sempre o bem-estar da sociedade como um todo. ▪ Eficiência: A Administração Pública deve buscar a realização de seus fins de forma rápida, econômica e eficaz, otimizando os recursos disponíveis. ▪ Esses princípios, estabelecidos na Lei nº 9.784/1999, orientam a atuação da Administração Pública no processo administrativo, assegurando a legalidade, a transparência, a eficiência e a justiça nas suas decisões e atividades. Slide 3 Noção de Estado. ▪ O texto discute a natureza e os elementos constituintes do Estado, enfatizando que este é uma entidade jurídica territorial soberana composta pelos elementos povo, território e governo soberano. O Estado é considerado uma pessoa jurídica de direito público, conforme os artigos 40 e 41 do Código Civil, e atua tanto nas relações internacionais quanto internas, sendo capaz de adquirir direitos e obrigações na ordem jurídica. ▪ São apresentadas duas formas de organização do Estado: o Estado unitário e o Estado federado. ⎯ O Estado unitário é caracterizado pela centralização política, onde um único poder político central exerce sua competência de forma exclusiva por todo o território nacional, sobre toda a população e controla todas as entidades regionais e locais. Um exemplo citado é o Uruguai. ⎯ Por outro lado, o Estado federado é marcado pela descentralização política, onde diferentes entidades políticas autônomas coexistem no mesmo território, distribuídas regionalmente. O Brasil é mencionado como um exemplo desse modelo, onde diferentes estados possuem autonomia política dentro do país. Forma de Estado brasileiro – artigo 1º da CF e Estado federal brasileiro. ▪ O texto destaca o Artigo 1º da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece os fundamentos da nação brasileira. A República Federativa do Brasil é descrita como uma união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal, constituindo-se como um Estado Democrático de Direito. Os fundamentos dessa República incluem: ⎯ Soberania: Refere-se à autonomia e independência do país em relação a outros Estados. ⎯ Cidadania: Diz respeito aos direitos e deveres dos cidadãos, garantindo a participação ativa na vida política e social do país. ⎯ Dignidade da pessoa humana: Garante o respeito à integridade e aos direitos fundamentais de cada indivíduo. ⎯ Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: Destaca a importância do trabalho como meio de desenvolvimento pessoal e social, bem como a liberdade de empreender e buscar oportunidades econômicas. ⎯ Pluralismo político: Reconhece e valoriza a diversidade de ideias e opiniões políticas na sociedade. O Parágrafo único reitera o princípio de que todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, conforme estabelecido na Constituição. ▪ Por ser um Estado federado, o Brasil é composto por diferentes níveis de administração: ⎯ Administração federal: Responsável pela gestão dos assuntos de interesse nacional e pela execução das políticas públicas em âmbito nacional. ⎯ Administração Estadual-distrital: Responsável pela gestão dos Estados e do Distrito Federal, administrando os assuntos de interesse regional e local. ⎯ Administração municipal: Responsável pela gestão dos Municípios, cuidando dos assuntos de interesse local e promovendo o desenvolvimento das comunidades. Poderes do Estado ▪ O texto aborda a organização política do Estado, destacando a presença dos "Poderes" como uma divisão estrutural interna. Essa divisão busca tanto especializar o exercício das funções estatais quanto evitar a concentração absoluta de poder nas mãos de uma única pessoa ou órgão. ▪ É mencionada a Teoria da Separação dos Poderes de Montesquieu, formulada em 1748. Segundo essa teoria, o poder do Estado é dividido em três esferas distintas: o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário. ▪ Na Constituição Federal brasileira de 1988, essa divisão de poderes é estabelecida no Artigo 2º, que reconhece o Poder Legislativo, o PoderExecutivo e o Poder Judiciário como os Poderes do Estado. ▪ Entretanto, a Constituição brasileira adota uma separação de poderes flexível, o que significa que cada um dos poderes não se limita apenas a exercer suas funções típicas. Eles também desempenham funções atípicas, ou seja, que se assemelham às funções típicas dos outros poderes. ▪ Essa abordagem flexível da separação de poderes permite uma maior interação e colaboração entre os poderes, além de possibilitar a adaptação às necessidades e peculiaridades da realidade política brasileira. ▪ Observação: A função administrativa é predominantemente exercida pelo Poder Executivo, mas como a CF de 1988 não adota a rígida separação, os demais poderes também exercem a função administrativa. Forma de governo. ▪ Monarquia: Caracteriza-se pela hereditariedade e vitaliciedade, com ausência de prestação de contas (irresponsabilidade do Monarca). ▪ República: Caracteriza-se pela eletividade e pela temporalidade dos mandatos do Chefe do poder Executivo, com o dever de prestação de contas (responsabilidade do governante). Sentido da expressão Administração Pública. ▪ Sentido amplo: Abrange os órgãos de governo que exercem função política, e também os órgãos e pessoas jurídicas que exercem função meramente administrativa. ▪ Sentido estrito: Inclui apenas os órgãos e pessoas jurídicas que exercem função meramente administrativa, de execução dos programas de governo. ▪ Sentido formal, subjetivo ou orgânico: É o conjunto de órgãos, pessoas jurídicas e agentes que o ordenamento jurídico identifica como administração pública, não importa a atividade que exerçam. O Brasil adota o critério formal de Administração pública. Dessa maneira, somente é administração pública, juridicamente, aquilo que o direito assim considerar, sem importar a atividade que exerça. Administração direta e indireta. ▪ O texto discute a estrutura da administração pública, que é composta por dois principais segmentos: a administração direta e a administração indireta. ▪ Administração Direta: Consiste nos órgãos que fazem parte da estrutura da pessoa política e exercem funções administrativas diretamente. Isso significa que esses órgãos são responsáveis por executar as políticas públicas estabelecidas pelo governo. Exemplos de órgãos da administração direta incluem ministérios, secretarias e autarquias. ▪ Administração Indireta: Este segmento compreende entidades que, embora façam parte da esfera pública, possuem uma estrutura jurídica autônoma e exercem funções administrativas de forma descentralizada. A administração indireta é composta por várias categorias de entidades, incluindo: ⎯ Autarquias: São entidades autônomas criadas por lei, com personalidade jurídica própria, e têm como objetivo a prestação de serviços públicos específicos, como universidades e institutos de pesquisa. ⎯ Fundações públicas: São entidades com personalidade jurídica de direito público ou privado, criadas com o propósito de realizar atividades de interesse público, como fundações de assistência social e culturais. ⎯ Empresas públicas: São entidades com personalidade jurídica de direito privado, criadas pelo Estado para explorar atividades econômicas de forma empresarial, como empresas de energia e transporte. ⎯ Sociedades de Economia Mista: São empresas com participação acionária tanto do poder público quanto do setor privado, criadas para explorar atividades econômicas de interesse do Estado, como bancos e companhias de saneamento. ▪ É destacado que algumas entidades da administração pública indireta não desempenham apenas funções administrativas, mas também exercem atividades econômicas. Isso significa que, além de prestar serviços públicos, essas entidades podem atuar no mercado em busca de lucro, competindo com empresas privadas. Administração Pública e Organização da Administração Pública. ▪ O texto aborda dois tópicos principais relacionados à administração pública: ▪ Administração Pública em Sentido Material, Objetivo ou Funcional: ⎯ Refere-se ao conjunto de atividades que são consideradas próprias da função administrativa do Estado. ▪ Essas atividades incluem: ⎯ Serviço público: São as atividades prestadas pelo Estado em benefício da sociedade, como educação, saúde, segurança pública, entre outros. ⎯ Polícia administrativa: Consiste nas medidas tomadas pelo Estado para regular e fiscalizar atividades privadas visando à ordem pública, saúde, segurança, etc. ⎯ Fomento: Refere-se às ações do Estado para estimular o desenvolvimento econômico e social, como concessão de incentivos fiscais, subsídios, financiamentos, entre outros. ⎯ Intervenção: São medidas extraordinárias adotadas pelo Estado para corrigir situações de desequilíbrio ou inadequação, como intervenção em municípios com problemas financeiros graves. ▪ Organização da Administração Pública envolve as entidades ou pessoas políticas que compõem a estrutura da administração pública. ▪ São integrantes da federação e possuem autonomia política, sendo eles: ⎯ União: Representa o conjunto de todos os estados federados, compreendendo as esferas nacional e federal do governo. ⎯ Estados: São as unidades federativas que compõem a federação, cada um com sua própria estrutura de governo e autonomia política. ⎯ Distrito Federal: É uma unidade federativa autônoma, que abriga a capital do país e possui características próprias de governo. ⎯ Municípios: São entidades federativas autônomas que representam as divisões político- administrativas dentro dos estados, responsáveis pela gestão dos interesses locais. ▪ Esses tópicos destacam tanto as atividades fundamentais da administração pública quanto as entidades políticas que compõem a estrutura da federação brasileira. Centralização e descentralização. ▪ O texto explora a forma como o Estado exerce sua função administrativa, destacando o papel dos órgãos, pessoas jurídicas e seus agentes. Para cumprir suas funções, o Estado adota duas abordagens principais: centralização e descentralização. ▪ Centralização: ⎯ Este modelo ocorre quando o Estado realiza suas tarefas diretamente, por meio dos órgãos e agentes que compõem a Administração direta. ⎯ Nesse caso, os serviços são prestados diretamente pelos órgãos do Estado, que são despersonalizados e fazem parte da mesma pessoa política, que pode ser a União, os Estados, o Distrito Federal ou os Municípios. ▪ Descentralização: ⎯ Na descentralização, o Estado delega algumas de suas atribuições para outras pessoas ou entidades, em vez de executá-las por meio de sua administração direta. ⎯ Esse modelo pressupõe a existência de duas entidades: o Estado e a pessoa que realiza o serviço em seu nome. ▪ Em resumo, o texto explora como o Estado organiza suas atividades administrativas, seja realizando diretamente por meio da centralização ou delegando parte delas para outras entidades através da descentralização. Administração direta, indireta e entidades paraestatais. ▪ Administração Direta: ⎯ Refere-se ao conjunto de órgãos que fazem parte das pessoas políticas do Estado, como a União, Estados, Distrito Federal e Municípios. ⎯ Esses órgãos têm a competência para exercer, de forma centralizada, atividades administrativas. ▪ Administração Indireta: ⎯ Consiste no conjunto de pessoas jurídicas, que não possuem autonomia política, vinculadas à administração direta. ⎯ Essas entidades têm competência para exercer atividades de forma descentralizada, conforme estabelecido no Decreto-lei 200, de 1967. ▪ Entidades Paraestatais: ⎯ São entidades que, mesmo não fazendo parte da administração direta ou indireta, colaboram com o Estado no desempenho de atividades de interesse público, sem visar lucro. ⎯ Exemplos incluem o SESI, SESC, SENAC, SENAIS, entre outros, assim como as Organizações Sociais (OS) e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que também colaboram com o Estado em diferentesáreas de atuação. ▪ Esses conceitos delineiam a estrutura e as relações entre diferentes entidades que compõem a administração pública, cada uma desempenhando um papel específico no cumprimento das atividades de interesse público. Princípios Constitucionais expressos. ▪ O texto aborda os princípios constitucionais expressos que regem a administração pública, conforme estabelecido no Artigo 37 da Constituição Federal do Brasil: ▪ Legalidade: Determina que a atuação da administração pública deve estar de acordo com a lei, ou seja, somente pode fazer o que a lei autoriza. ▪ Impessoalidade: Exige que a administração pública trate todos os cidadãos de forma igual, sem discriminações ou favorecimentos pessoais. ▪ Moralidade: Estabelece que a administração pública deve pautar suas ações dentro dos padrões éticos e morais, evitando condutas que violem os princípios da honestidade e da probidade. ▪ Publicidade: Determina que os atos administrativos devem ser transparentes e acessíveis ao público, permitindo que os cidadãos acompanhem as decisões e ações do governo. ▪ Eficiência: Exige que a administração pública alcance os melhores resultados possíveis com os recursos disponíveis, buscando a otimização dos serviços prestados à sociedade. ▪ Além desses princípios expressos no Artigo 37 da Constituição Federal, o texto menciona outros princípios constitucionais explícitos: ⎯ Devido processo legal: Garante que ninguém será privado de seus direitos sem o devido processo legal, ou seja, a garantia de um processo justo e equitativo. ⎯ Contraditório e Ampla defesa: Garante o direito das partes envolvidas em um processo de apresentarem seus argumentos e provas, bem como de se defenderem adequadamente. ⎯ Princípio da participação: Estabelece que a administração pública deve promover a participação dos cidadãos na tomada de decisões que afetem seus interesses. ⎯ Celeridade processual: Determina que os processos judiciais devem ser conduzidos de forma rápida e eficiente, evitando a morosidade e garantindo a prestação jurisdicional em tempo razoável. ▪ Esses princípios orientam a conduta da administração pública e são fundamentais para garantir a legalidade, a transparência e a eficácia das ações do Estado em benefício da sociedade. Classificação dos órgãos públicos. ▪ Quanto à hierarquia: ⎯ Independentes: São órgãos que ocupam o topo da hierarquia do Poder estatal e não são subordinados a outro órgão. Têm origem constitucional e representam cada um dos Poderes estruturais. Exemplos incluem o Presidente da República, governadores e o Ministério Público. ⎯ Autônomos: São subordinados aos órgãos independentes e gozam de ampla autonomia administrativa e financeira. São responsáveis por funções de coordenação e planejamento, possuindo orçamento próprio. Exemplos incluem Ministério da Economia e Secretaria da Saúde. ▪ Quanto à atuação funcional: ⎯ Singulares: Órgãos com um único titular que age pela manifestação de vontade desse único agente, que também é seu chefe e representante. Exemplo: Presidência da República. ⎯ Colegiados: Órgãos que atuam e decidem pela manifestação da vontade de seus membros, funcionando por um colegiado de agentes. Exemplo: Assembleia legislativa. ▪ Quanto à estrutura: ⎯ Simples: Também chamados de órgãos unitários, possuem uma única unidade orgânica e um só centro de competência, sem outros órgãos agregados. Exemplo: Presidência da República. ⎯ Compostos: Reúnem outros órgãos ligados à sua estrutura, resultando em maior desconcentração. Exemplo: Congresso Nacional, formado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. ▪ Quanto às funções: ⎯ Ativos: Órgãos que atuam diretamente no exercício da função administrativa, manifestando vontade e praticando os atos. Exemplo: Polícia rodoviária, secretarias de saúde. ⎯ Consultivos: Órgãos que emitem pareceres e aconselham a atuação dos demais órgãos. Exemplo: Advocacia Pública (AGU). ⎯ De controle: Órgãos que exercem atividades de controle sobre outros órgãos e agentes públicos. Exemplo: Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União. ▪ Quanto ao âmbito de atuação: ⎯ Centrais: Têm atuação em todo território nacional, estadual, distrital ou municipal. Exemplos incluem Ministérios e Secretarias de Saúde. ⎯ Locais: Têm competência para atuar apenas em determinado ponto do território da pessoa jurídica a que pertencem. Exemplo: Delegacias de bairro. Órgãos públicos: teorias da manifestação da vontade estatal. ▪ O texto "Órgãos públicos: teorias da manifestação da vontade estatal" explora diferentes teorias que buscam explicar como a vontade do Estado se manifesta por meio dos órgãos públicos. Vou resumir cada parte do texto em detalhes: ▪ ▪ Teoria do mandato (vínculo contratual): ⎯ Segundo essa teoria, o agente público é considerado um mandatário dos entes públicos. Isso implica que todos os atos praticados por esse agente resultam na responsabilidade das entidades públicas. ▪ Teoria da representação: ⎯ Nessa abordagem, o agente público atua como representante do Poder público, de forma semelhante aos curadores ou tutores de incapazes. Essa representação é estabelecida por lei. ▪ Teoria do órgão (imputação volitiva): ⎯ Esta teoria, amplamente aceita na doutrina, argumenta que os órgãos públicos são os responsáveis pela manifestação da vontade estatal. Isso significa que a vontade do Estado se manifesta através dos órgãos públicos. ▪ Considerações sobre pessoas jurídicas: ⎯ O texto menciona que as pessoas jurídicas são uma ficção do direito, ou seja, elas não têm existência física. Nesse contexto, a manifestação de vontade das pessoas jurídicas ocorre pela intenção das pessoas físicas que as representam. Isso implica que a vontade estatal se manifesta na vontade dos agentes públicos.