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Conceito de Direito Administrativo O direito é uno, todavia existem divisões pedagógicas que auxiliam no processo ensino-aprendizagem realizando dicotomias lógicas. Na separação entre o direito público e o privado, temos o Direito Administrativo como um dos ramos mais importantes para a compreensão de estruturação e funcionamento do Estado. Nos tópicos a seguir você verá sobre fontes, princípios, agentes e serviços do Direito Administrativo. Esperamos que o conteúdo possa alavancar sua carreira profissional. Bons estudos! Quando falamos em direito administrativo lembramos logo de seus agentes, sendo que os mais próximos da população são vistos com certa frequência nas ruas: os policiais. Infelizmente em nosso país há casos de abuso de autoridade por parte de alguns policiais. Há alguma legislação que criminalize tais atitudes? Em caso afirmativo, quais crimes estão descritos? A legislação que dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade é a LEI Nº 13.869, DE 5 DE SETEMBRO DE 2019. Entre os crimes descritos no dispositivo legal encontramos: Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; III - produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro. Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo. Olá! Estamos estudando a disciplina de INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO e, segundo Nunes, os princípios constitucionais são o ponto mais importante de todo o sistema normativo, já que estes são os alicerces sobre os quais se constrói o Ordenamento Jurídico. São eles que dão estrutura e coesão ao edifício jurídico. O caput do art. 37, CF/88, dispõe sobre os princípios do Direito Administrativo. São eles os princípios: 1. da legalidade; 2. da impessoalidade; 3. da moralidade; 4. da publicidade; 5. da eficiência. Além deles, veremos ainda sobre o Federalismo e a Supremacia do Interesse Público. LEGALIDADE – Nas relações privadas, prevalece o conceito de “tudo que não é proibido é permitido”, sendo que para a Administração Pública, aplica-se a regra de que “tudo que não é autorizado é proibido”. IMPESSOALIDADE - Os agentes públicos não podem prejudicar ou privilegiar qualquer cidadão, sendo que decisões que não respeitem ao igual direito serão consideradas desvios. MORALIDADE - Os padrões de conduta ética devem ser respeitados, devendo a Administração Pública combater a desonestidade. PUBLICIDADE - Com exceção das questões de segurança ou relativas à privacidade de pessoas, os atos praticados devem ser de conhecimento geral. O exemplo mais claro disso é o fato de que as decisões públicas são obrigatoriamente publicadas na Imprensa Oficial. EFICIÊNCIA - Os recursos devem ser empregados com o melhor aproveitamento e eficiência possíveis, devendo a entrega dos serviços públicos se dar no menor tempo possível e em condições adequadas. FEDERALISMO - Não existem normas de Direito Administrativo municipais, estaduais ou federais, cada um dos entes federativos tem relativa autonomia para administrar os recursos sob seu interesse. SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO - Prevalecem os interesses públicos sobre aqueles de interesse particular. A título de exemplo, temos a desapropriação de um local necessário para concretizar objetivos coletivos. Transição Especialmente em relação à Constituição Estadual de Minas Gerais, encontra-se em seu Artigo 13, além de todos os princípios descritos na Constituição da República, um princípio adicional, tratando-se do Princípio da Razoabilidade. Ele se refere à racionalidade e moderação das ações praticadas no âmbito da administração, prevendo a obediência de critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em concordância com o senso comum no que se relaciona ao equilíbrio e respeito humano, não devendo haver excessos por parte dos agentes públicos. A razoabilidade é um princípio considerado implícito na Constituição Federal Brasileira e integra também as Constituições Estaduais de São Paulo e Sergipe. É possível consultar as referências de nosso conteúdo em seu material. Verifique! De forma o melhor entendimento do tópico, será necessária a interpretação proposta pelo professor Couto Filho: O surgimento do Direito Administrativo é tarefa impossível, pois a Ciência do Direito analisa objeto cultural baseada na imputação e no subjetivismo humano. Não há relação de causalidade, existe sim a atribuição de consequências e valores aos fatos individuais e sociais relevantes. O aparecimento de um fenômeno estudado pelas ciências naturais pode ocorrer em um preciso e exato momento. Por exemplo, os terremotos acontecem em data exata, não sendo necessária grande atividade intelectual para precisar a manifestação de tal fenômeno na natureza. O Direito Administrativo é, segundo a ótica subjetiva, um conjunto de normas que regem as relações endógenas da Administração Pública e as relações exógenas que são travadas entre ela e os administrados. Já o conceito objetivo leva em conta não os atores da relação, mas, sim, como o próprio nome diz, o objeto da relação jurídica travada. Sob a ótica objetiva, o Direito Administrativo é o conjunto de normas que regulamentam e regulam a atividade da Administração Pública de atendimento ao interesse público. Ramón Mateo e Juan Sánchez definem o Direito Administrativo da seguinte forma: O Direito Administrativo seria, portanto, aquele Direito que disciplina um conjunto de atividades eficazmente direcionadas ao atendimento dos interesses públicos e para as quais o ordenamento concede poderes especiais. Para Lombard, o Direito Administrativo atual é definido como um conjunto de regras aplicáveis à Administração Pública cuja inobservância pode ser sancionada por julgadores independentes. O conceito de Lombard remete à tripartição de Poderes encetada formalmente por Montesquieu, com a ideia subliminar de limites ao Poder Absoluto. Lombard mostra claramente que divide a história do Direito Administrativo em duas fases, quais sejam, a moderna e a antiga. O seu conceito pode ser sotoposto à fase moderna, que dispersa o Poder entre mais de um órgão, e que tem como expressão de maior importância a seguinte: “Estado de Direito”. O aparecimento do Estado não se confunde, porém, com o surgimento do Estado de Direito, e o Direito Administrativo, ainda que qualificado como antigo, surgiu com o aparecimento do Estado. Limitar o conceito com a exigência de órgãos independentes para assegurar a sua observância significa limitar o seu período de existência e terminar por limitar o seu estudo à existência de um Estado Constitucional Moderno. Não havia Administração Pública na França pré-constitucional? É claro que havia, pois existia um poder estatal central que estava dividido em órgãos e que travava relações contratuais ou estatutárias com os administrados. Tanto nas relações internas quanto nas relações externas existia desproporção, como há no atual Estado de Direito: um dos atores sobrepunha-se aos demais. A Administração Pública sempre será onipotente, e o administrado, ou os seus elementos internos, será sempre hipossuficiente, pois, para atingir a finalidade pública, a Administração deve ser dotada de poderes e recursos extraordinários. No Direito Administrativo antigo, tais poderes não sofriam as limitações do atual Estado de Direito. O Estado representa a sociedade política dotada de certa organização, devendo ficar bem claras as formas de aquisição, exercício, manutenção, perda do Poder e de fixação das normas de convivência entre os seus membros. Há três posições fundamentais sobre o surgimento do Estado, são elas: A primeira considera o Estado como a própria sociedade,confundindo-se com a organização social dotada de poder para regulamentar o comportamento de todo o grupo; A segunda considera que pode existir sociedade sem a existência de um Estado ainda que durante determinado período de tempo, sendo que depois, a depender do nível de evolução da sociedade e das suas necessidades, pode surgir um Estado; A terceira somente considera criado o Estado se presentes certas características muito claras e específicas. Os adeptos desta teoria afirmam, inclusive, que podem precisar com grau de certeza a data do surgimento de um determinado Estado. As afirmações de Dallari mostram que as duas primeiras teorias sobre o surgimento do Estado são compatíveis com a classificação bipartite de Estado (antigo e moderno). A terceira mostra que pode haver um marco temporal exato para o surgimento do Estado, consubstanciado em um fato histórico preciso. A terceira teoria desconsidera o Direito como um objeto em plena evolução de acordo com os valores escolhidos pela sociedade da época, fixando marcos estáticos para o surgimento de ideias, algo impensável no campo das ciências sociais. SAIBA MAIS O Estado surge com a sociedade organizada para a satisfação do bem comum ou geral, sendo certo que não há como precisar o momento exato de organização da sociedade. É lógico que, para a sua existência, é indispensável um conjunto mínimo de regras consolidado e cognoscível aos seus membros. O conceito de Direito Administrativo enceta também como elemento próprio um regime jurídico diferenciado, pois, em regra, as relações travadas pela Administração Pública ilustram claro desequilíbrio entre as partes. As relações estatutárias, ou seja, baseadas somente nas normas gerais, implicam impossibilidade de alteração do conteúdo da relação jurídica, sendo facultada, normalmente, apenas a adesão. As relações contratuais são firmadas com cláusula geral de poderes exorbitantes para a Administração Pública, pois, em alguns casos, podem ser alteradas ou pode ser rescindido o contrato administrativo unilateralmente. A finalidade deste regime jurídico diferenciado, mitigador da relação equitativa entre as pessoas envolvidas, é a satisfação do interesse público, sendo certo que, para o Poder Constituinte Originário, tal interesse é valor tão caro que pode afastar o Princípio Constitucional da igualdade insculpido no caput do artigo 5º da CF/88. O conceito menos impreciso de Direito Administrativo é o seguinte: conjunto de normas, regras e princípios, que regem as relações endógenas da Administração Pública e as relações exógenas que são travadas entre ela e os administrados, sob um regime jurídico diferenciado, para a satisfação do interesse público. O Direito pode ser conceituado, sob a ótica sociológica moderna, como conjunto de normas, regras e princípios, formado por expectativas de comportamentos humanos que o seu criador tem convicção de que não serão atendidas. A frustração ilustra contradição aparente, pois representa um problema para o Direito e, ao mesmo tempo, nada mais é do que a sua razão de existir. A convicção do atendimento das expectativas de comportamentos humanos torna desnecessário e inútil o conjunto normativo. Se os criadores das normas regulassem condutas pautadas na inexistência de opção contrária, a norma não seria cumprida em virtude da vontade do indivíduo, mas por não haver outra conduta possível. Deve ficar claro que o não atendimento às expectativas esperado pelo criador do Direito deve sempre ser planejado como exceção, pois se fosse regra a norma gerada careceria de consensualismo e de heteronomia e a conduta contrária à norma seria desejo da sociedade. Todavia, os desejos da maioria da sociedade não são absolutos. Caso contrário nada impediria a maioria de exterminar a minoria. Não se deve confundir democracia com ditadura da maioria, pois os direitos fundamentais mostram-se limitadores claros e consistentes dos desejos da sociedade. O mais caro valor fundamental no Estado Democrático de Direito substancial é o direito de existência da minoria. Hipoteticamente, pode ser dado como exemplo, para ilustrar a ausência de opção, norma jurídica que determinasse a todos os seres humanos a adoção da respiração como prática para sua sobrevivência. Há como ser diferente? É claro que não, pois existiria como objeto da norma uma descrição causal que não se processa de outra maneira, não havendo opção. Assim, deve haver, ao menos, a potencialidade real de frustração da expectativa do criador da norma, a fim de que seja vislumbrada a sua necessidade e a sua utilidade, vide “Curso de Direito Administrativo, 2ª ed., Saraiva: 2015, Reinaldo Couto”. Observe-se, porém, que os conceitos variam de acordo com o seu autor e de acordo com as referências que são usadas na sua elaboração. Não há conceito correto ou conceito incorreto dentro do consensualismo mínimo. Fernando Correia, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, afirma que o Direito Administrativo é o sistema de normas jurídicas, distintas das do direito privado, que regulam a organização e o funcionamento da Administração Pública e, bem assim, a função ou atividade materialmente administrativa dos órgãos administrativos. É sistema de normas jurídicas, pois apresenta-se como conjunto de normas dotadas de lógica interna, inspirado por princípios comuns e que constituem algo de homogêneo e específico. É distinto do Direito Privado por tratar-se, nas palavras de Correia, de corpo de normas de Direito Público, cujos princípios, conceitos e institutos afastam-se do Direito Privado, sendo que as especificidades das normas de Direito Administrativo manifestam-se no reconhecimento à Administração Pública de prerrogativas sem equivalente nas relações jurídico-privadas e na imposição, em virtude do princípio da legalidade, de limitações de atuação mais estritas do que as que atingem os negócios particulares. O Direito Administrativo busca o equilíbrio entre as exigências da ação administrativa na persecução do interesse público e as exigências de respeito aos direitos e interesses legítimos dos administrados. As normas que formam o Direito Administrativo disciplinam a organização e o funcionamento da Administração Pública, definindo os entes e as entidades públicas que a compõem e as suas atribuições, os respectivos órgãos e competências e a estrutura dos serviços públicos, bem como o seu modo de agir específico, e regulam a função ou a atividade materialmente administrativa. Correia entende que somente com o surgimento do Estado de Direito e com o acolhimento do princípio da separação dos poderes é que se pode falar em Direito Administrativo. Outro conceito de Direito Administrativo qualifica-o como o ramo do Direito Público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins de natureza pública. Oswaldo Aranha Bandeira de Mello afirma, com precisão, em seu conceito analítico, que o Direito Administrativo juridicamente ordena a atividade do Estado, quanto à organização, ou seja, quanto aos modos e aos meios da sua ação, e quanto à forma da sua própria ação, ou seja, legislativa e executiva, por meio de atos jurídicos normativos ou concretos, na consecução do seu fim de criação de utilidade pública, em que participa, de maneira direta e imediata, bem como das pessoas de direito que façam as vezes do Estado. Tais atos jurídicos envolvem a ação na disciplina, na fiscalização, na garantia e na publicidade dos atos jurídicos dos particulares; no fomento das atividades livres dos particulares; nas limitações à liberdade, à igualdade e propriedade deles em favor do bem comum; na execução de obras públicas e na efetivação de serviços públicos de oferecimento de comodidades de coisas e prestações; e na exigência de encargos análogos aos particulares, para atender ao interesse do todo social. A busca por um conceito completo de Direito Administrativo não é recente,pois Albert Dicey afirmava que: direito administrativo foi definido pelas autoridades francesas, de modo geral, como o conjunto de regras que regulam as relações da administração ou da autoridade administrativa com os cidadãos privados. Dicey apresentava um conceito subjetivista baseado nos atores das relações tratadas pelo Direito Administrativo, deixando de considerar os elementos regime jurídico diferenciado e satisfação do interesse público. A Administração Pública deve, entretanto, buscar a satisfação do interesse público como um todo, pois a sua natureza somente resta preservada quando deixa de existir como fim em si mesmo para existir como instrumento de realização do bem comum, independentemente do conceito de Direito Administrativo escolhido. Fontes do Direito Administrativo As fontes do Direito Administrativo podem ser classificadas de diversas formas, dentro as quais citamos as seguintes: Quanto ao procedimento de sua expedição: fontes legislativas (ex: lei ordinária), fontes jurisprudenciais (ex: súmula vinculante) e fontes administrativas (ex: portaria); Quanto à sua forma de manifestação: fontes escritas (ex: leis) e não escritas (ex: costume); Quanto ao seu uso no caso concreto: fontes de aplicação obrigatória (ex: Constituição) e fontes de uso opcional (ex: doutrina); Quanto ao poder que emana dos mandamentos que contêm: Fontes de norma vinculante (ex: Constituição) e fontes de normas indicativas (ex: jurisprudência administrativa no Brasil); Quanto à sua hierarquia: Fontes primárias (ex: Constituição), secundárias (ex: resoluções) e subsidiárias (ex: doutrina). Fontes Legislativas Citamos a dissertação do Doutor e professor de Direito Público Thiago Marrara: Frente ao princípio do Estado Democrático de Direito (art. 1º, caput CF), a principal fonte do direito administrativo brasileiro são as leis em sentido amplo, ou seja, a Constituição Federal, as Constituições Estaduais, as Leis Orgânicas dos Municípios, bem como as leis ordinárias, complementares, delegadas das mais diferentes esferas da federação brasileira. Esses e outros diplomas do gênero compõem a categoria das fontes legislativas ou fontes legisladas, ou seja, os diplomas emanados do Poder Legislativo, caracterizados pela sua forma escrita, seu uso obrigatório, seu conteúdo vinculante e sua natureza primária em relação a outras fontes. Justamente por essas características, pode-se dizer que as fontes legisladas são as mais relevantes para o direito administrativo. Em um contexto democrático, são elas que dizem, em nome do povo, em que medida o Estado existe e atua. Em virtude da estrutura federativa brasileira - bipartite desde a Constituição de 1889 e tripartite após a Constituição de 1988 -, as fontes legislativas podem ser federais, estaduais e municipais. Em alguns campos do Direito, essa tripartição federativa é pouco importante pelo fato de haver competência exclusiva de uma ou outra esfera da federação para tratar certa matéria, como se vislumbra em relação à União em muitos casos (art. 22 CF). Para o direito administrativo, contudo, dada a competência de auto-organização dos entes federativos, bem como a competência material exclusiva ou comum para determinados serviços e atividades (art. 23 CF), as fontes legisladas das três diferentes esferas são de igual importância. Na prática, tais fatores multiplicam as fontes e as normas que regem esse ramo do Direito, tornando-o bastante complexo em relação àqueles regidos, por exemplo, por Códigos expedidos pela União. Acresce a isso o fato de que o direito administrativo é composto por um conjunto de normas contidas em diplomas legislativos esparsos, ou seja, não sistematizados em um Código geral, diferentemente do que ocorre no direito civil, penal, processual civil, processual penal, trabalhista etc. Assim, ao agir, à autoridade pública compete uma análise de incontáveis diplomas específicos e editados pelas mais variadas esferas federadas. Fontes Constitucionais Não existindo quase nenhum capítulo do direito administrativo que tenha escapado à atenção da Constituição, tendo englobado todos os aspectos. Tal quantidade de normas pode ser explicada através de alguns fatores, dentre estes as dificuldades, e inclusive erros técnicos, bem como, a título de evitar os períodos em que o Estado passou a atuar fora dos limites aos quais fora autorizado (como nos períodos ditatoriais), a Constituição fora redigida de forma abrangente, a tentar passar maior segurança à população. Fontes Legislativas em Sentido Estrito A legislação infraconstitucional é composta de leis complementares, ordinárias e delegada. Apesar de não possuir força de lei, a medida provisória equipara-se a esta em casos de relevância e urgência, conforme disposto: Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. O Direito Administrativo, diferente de outras matérias do Direito, não tem um código ou consolidação que junta todas as suas normas aplicáveis em apenas um lugar, por isto é tão importante saber quais são as fontes em que encontraremos as normas aplicáveis ao Direito Administrativo. Fontes Legislativas em Sentido Amplo As leis em sentido amplo caracterizam-se por ser a principal fonte do Direito Administrativo, vez que, por se tratar de um Estado Democrático de Direito, todos os poderes e deveres do Estado devem estar pré-definidos em lei. Deste modo, a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite, embora os administrados possam fazer tudo que a lei não vedar. Fontes Administrativas Podem ser conceituadas como aqueles atos expedidos por autoridade pública quando do exercício de suas funções e que contenham normas que direcionem a conduta de outros agentes à Administração Pública. Conforme o professor Marrara: Ao vincularem as autoridades públicas, essas fontes também se tornam de observância obrigatória pelo juiz no julgamento de casos concretos, desde que sejam consideradas legais e constitucionais. As fontes administrativas não são, pois, meras ordens de efeitos internos e restritos; elas vinculam tanto a Administração Pública quanto os entes e órgãos que têm a função de controlar a legalidade administrativa dentro do sistema jurídico pátrio. Trata-se, assim, de um tipo de fonte escrita, de conteúdo vinculante ou indicativo, de conteúdo secundário, mas, inegavelmente, de observação obrigatória no âmbito do ente público ou da atividade pública que rege. O aspecto secundário da fonte administrativa não significa que ela seja de uso optativo, que possa ser deixada de fora do bloco normativo a critério da conveniência e oportunidade do administrador público ou mesmo dos órgãos de controle da Administração. Princípios do direito administrativo Os princípios do direito administrativo existem para orientar e limitar a atuação da administração pública, garantindo que suas ações sejam realizadas de maneira justa, eficiente e transparente. Eles servem como diretrizes para a interpretação e aplicação das normas jurídicas, assegurando que o poder público atue em conformidade com os valores e objetivos do Estado de Direito. Esses princípios existem para assegurar que todas as ações da administração pública estejam de acordo com a lei. A administração pública só pode fazer o que a lei permite, enquanto os particulares podem fazer tudo o que a lei não proíbe. Utilizando-os podemos proteger os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos contra abusos de poder e arbitrariedades por parte da administração pública. Na transparência e controle social é possível promover a transparência nas ações administrativas, permitindo o controle e a fiscalização por parte da sociedade e dos órgãos de controle, como tribunais de contas e ministério público. Maior eficiência administrativa pode ser obtida ao assegurar que os recursos públicos sejam utilizados de maneira eficiente e eficaz, alcançando os melhores resultados possíveis com o menor custo. É primordial garantir que a administraçãopública atue de maneira imparcial e trate todos os cidadãos de forma igual, sem discriminação, sedno imparcial e igualitária. Principais princípios do direito administrativo Legalidade O princípio da legalidade é um dos pilares fundamentais do direito administrativo e do Estado de Direito. Ele estabelece que a administração pública está estritamente vinculada à lei e só pode atuar conforme o que está previsto no ordenamento jurídico. Diferente dos particulares, que podem fazer tudo que a lei não proíbe, a administração pública só pode fazer aquilo que a lei expressamente autoriza. Esse princípio está consagrado na Constituição Federal brasileira de 1988, especificamente no artigo 37, caput, que estabelece que a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá, entre outros, ao princípio da legalidade. Ao atuar de acordo com a lei, a administração pública proporciona previsibilidade e segurança jurídica aos cidadãos, garantindo que suas ações sejam previsíveis e baseadas em normas estabelecidas. O princípio da legalidade é uma ferramenta essencial para o controle e a limitação do poder público, impedindo a arbitrariedade e os abusos de poder, pois qualquer ato administrativo que não esteja de acordo com a lei é considerado ilegal e pode ser anulado pelo Poder Judiciário. Ao assegurar que a administração pública só possa agir conforme a lei, o princípio da legalidade protege os direitos dos cidadãos contra intervenções arbitrárias e ilegítimas do Estado. Todos os atos praticados pela administração pública devem ter fundamento legal. Qualquer ato que extrapole os limites legais é nulo e passível de revisão judicial. O princípio da legalidade também se aplica aos processos administrativos, exigindo que todos os procedimentos observem as normas legais pertinentes, garantindo o devido processo legal. As políticas públicas devem ser elaboradas e implementadas com base na legislação vigente. Qualquer política que contrarie a lei pode ser questionada judicialmente. SAIBA MAIS Embora o princípio da legalidade seja um fundamento essencial, existem algumas exceções e nuances que podem ser consideradas. Em certos casos, a lei confere à administração pública um espaço para a discricionariedade, ou seja, a liberdade para decidir entre diferentes opções dentro dos limites legais. No entanto, essa discricionariedade não é absoluta e deve ser exercida com base em critérios de razoabilidade e proporcionalidade. Em situações extraordinárias, como estados de emergência ou calamidade pública, pode haver uma flexibilização temporária do princípio da legalidade, permitindo ações mais rápidas e adaptativas por parte da administração pública. Contudo, tais situações são rigorosamente regulamentadas e controladas para evitar abusos. O princípio da legalidade é um elemento essencial para a legitimidade e a moralidade da administração pública. Ele assegura que todas as ações do poder público estejam fundamentadas em normas jurídicas claras, protegendo os cidadãos e garantindo um funcionamento justo e transparente da administração. Por meio deste princípio, busca-se promover uma administração pública mais democrática, eficiente e respeitadora dos direitos e garantias fundamentais. Impessoalidade O princípio da impessoalidade é um dos fundamentos centrais do direito administrativo, garantido pela Constituição Federal de 1988 no artigo 37, caput, que estabelece que a administração pública deve obedecer, entre outros, ao princípio da impessoalidade. Esse princípio é essencial para assegurar que as ações da administração pública sejam realizadas com imparcialidade, objetividade e sem favoritismos, garantindo que o interesse público prevaleça sobre interesses particulares. A impessoalidade determina que a administração pública deve atuar de maneira neutra, sem beneficiar ou prejudicar indivíduos ou grupos específicos. As decisões e ações dos agentes públicos devem ser tomadas com base em critérios objetivos e impessoais, visando sempre o bem comum. Isso significa que os servidores públicos não podem utilizar seu cargo para favorecer amigos, familiares ou qualquer outra pessoa com quem tenham relações pessoais, nem para prejudicar aqueles de quem eventualmente discordem ou com quem tenham animosidade. A aplicação do princípio da impessoalidade pode ser observada em diversas áreas da administração pública. Nos processos seletivos e concursos públicos, por exemplo, a impessoalidade exige que a escolha dos candidatos seja baseada exclusivamente em critérios técnicos e de mérito, sem qualquer influência de interesses pessoais ou políticos. Isso garante que as vagas sejam preenchidas pelos candidatos mais qualificados, promovendo a eficiência e a justiça no serviço público. Outro aspecto importante do princípio da impessoalidade é a proibição de promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, e não pode conter nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. Essa medida visa impedir que os agentes públicos utilizem a máquina administrativa para se autopromoverem, garantindo que a comunicação institucional seja voltada exclusivamente para o interesse público. O princípio da impessoalidade também é crucial na contratação de serviços e na realização de licitações. A administração pública deve assegurar que todos os participantes de um processo licitatório tenham igualdade de condições e que a escolha do contratado seja feita com base em critérios objetivos e impessoais, como menor preço ou melhor técnica. Isso impede o favorecimento de determinadas empresas ou indivíduos, promovendo a transparência e a competitividade no uso dos recursos públicos. ATENÇÃO A impessoalidade exige que os atos administrativos sejam fundamentados, ou seja, que sejam acompanhados de uma justificativa clara e objetiva que demonstre a sua conformidade com o interesse público e os princípios legais. A fundamentação dos atos administrativos é essencial para garantir a transparência e a legitimidade das ações do poder público, permitindo que os cidadãos e os órgãos de controle possam verificar a legalidade e a justiça das decisões administrativas. O princípio da impessoalidade também está intimamente ligado ao princípio da moralidade, uma vez que ambos buscam garantir que a administração pública atue de acordo com padrões éticos e legais. A impessoalidade evita o nepotismo, o clientelismo e outras práticas que comprometem a integridade e a eficiência do serviço público. Ao promover decisões e ações baseadas exclusivamente no interesse público, o princípio da impessoalidade contribui para a construção de uma administração pública mais justa, transparente e eficiente. O princípio da impessoalidade é um dos pilares do direito administrativo, essencial para garantir que a administração pública atue de maneira neutra, objetiva e voltada exclusivamente para o interesse público. Ele assegura que as ações dos agentes públicos sejam realizadas sem favoritismos ou perseguições, promovendo a justiça, a transparência e a eficiência no serviço público. A observância desse princípio é fundamental para a construção de uma administração pública democrática, ética e comprometida com os direitos e interesses da sociedade. Moralidade O princípio da moralidade é um dos fundamentos essenciais do direito administrativo, assegurado pela Constituição Federal de 1988 no artigo 37, caput, que estabelece que a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios deve obedecer, entre outros, ao princípio da moralidade. Este princípio exige que a administração pública atue não apenas conforme a lei, mas também de acordo com padrões éticos e morais, garantindo que suas ações sejam justas, íntegras e transparentes. A moralidade administrativatranscende a mera legalidade, demandando que os agentes públicos ajam com probidade, honestidade e lealdade institucional. Mesmo que uma ação esteja tecnicamente de acordo com a lei, ela pode ser considerada imoral se violar os princípios éticos e de boa-fé que devem nortear a administração pública. Isso significa que a legalidade e a moralidade são conceitos complementares: uma ação administrativa deve ser tanto legal quanto moral para ser legítima. A aplicação do princípio da moralidade abrange diversas áreas da administração pública. Primeiramente, ele se manifesta na conduta dos agentes públicos, que devem agir com integridade e imparcialidade, evitando qualquer forma de corrupção, nepotismo ou abuso de poder. SAIBA MAIS O comportamento dos servidores públicos deve ser exemplar, refletindo os valores de honestidade e respeito ao interesse público. No contexto dos processos administrativos, o princípio da moralidade exige que todas as etapas sejam conduzidas de maneira ética e transparente. As decisões devem ser fundamentadas em critérios objetivos e justos, garantindo que os direitos dos cidadãos sejam respeitados e que não haja discriminação ou favorecimento indevido. Por exemplo, em licitações e contratos administrativos, a moralidade exige que os processos sejam conduzidos de maneira imparcial e competitiva, assegurando a escolha da proposta mais vantajosa para a administração pública e evitando práticas ilícitas como fraudes e conluios. O princípio da moralidade também é essencial na gestão dos recursos públicos. A administração deve zelar pela eficiência e pela economicidade, evitando desperdícios e garantindo que os recursos sejam utilizados de maneira responsável e em benefício da coletividade. A gestão ética dos recursos públicos contribui para a confiança da sociedade nas instituições e para a promoção do bem-estar social. A moralidade administrativa implica a obrigação de transparência. Os atos e decisões da administração pública devem ser divulgados de forma clara e acessível, permitindo o controle social e a fiscalização por parte dos cidadãos e dos órgãos de controle. A transparência é um instrumento fundamental para prevenir e combater a corrupção, além de assegurar a accountability, ou seja, a responsabilidade dos agentes públicos perante a sociedade. O princípio da moralidade também está intimamente ligado ao conceito de boa governança, que envolve a adoção de práticas administrativas eficientes, transparentes e orientadas para o bem comum. A boa governança promove a confiança pública nas instituições e fortalece a democracia, garantindo que as ações do poder público sejam voltadas para o interesse coletivo e conduzidas de maneira ética e responsável. A violação do princípio da moralidade pode levar à anulação de atos administrativos, à responsabilização dos agentes públicos envolvidos e à aplicação de sanções legais. A Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992) é um exemplo de instrumento jurídico que visa proteger a moralidade administrativa, estabelecendo sanções para agentes públicos que pratiquem atos de improbidade, como enriquecimento ilícito, danos ao erário e violação dos princípios da administração pública. O princípio da moralidade é um alicerce fundamental do direito administrativo, essencial para garantir que a administração pública atue de maneira ética, justa e transparente. Ele exige que os agentes públicos ajam com integridade, probidade e respeito ao interesse público, assegurando que as ações da administração sejam tanto legais quanto morais. A observância desse princípio é crucial para a construção de uma administração pública legítima, eficiente e confiável, comprometida com os direitos e interesses da sociedade. Publicidade O princípio da publicidade é um dos pilares fundamentais do direito administrativo e está consagrado na Constituição Federal de 1988, no artigo 37, caput, que estabelece que a administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios deve obedecer, entre outros, ao princípio da publicidade. Este princípio exige que os atos, contratos, decisões e outras atividades da administração pública sejam divulgados de forma transparente, acessível e clara para garantir a visibilidade e o controle das ações do poder público pela sociedade. A publicidade dos atos administrativos tem como objetivo principal assegurar a transparência na administração pública, permitindo que os cidadãos e os órgãos de controle possam acompanhar, fiscalizar e avaliar a atuação dos agentes públicos. Isso é essencial para a promoção da democracia, pois a transparência administrativa facilita o controle social e fortalece a confiança dos cidadãos nas instituições públicas. O princípio da publicidade exige que os atos administrativos sejam divulgados em meios de comunicação oficiais, como diários oficiais, portais de transparência e outras plataformas acessíveis ao público. Isso inclui a publicação de leis, decretos, portarias, contratos, licitações, resultados de concursos públicos e qualquer outro documento que seja de interesse público. A divulgação deve ser feita de maneira que a informação seja compreensível e acessível a todos, garantindo a inclusão e a participação cidadã. A publicidade dos atos administrativos também tem o objetivo de garantir a impessoalidade e a imparcialidade na administração pública. Ao tornar públicas as decisões e ações dos agentes públicos, o princípio da publicidade impede práticas de favoritismo, nepotismo e corrupção, promovendo a igualdade de tratamento e a justiça administrativa. A transparência permite que eventuais erros, abusos ou ilegalidades sejam identificados e corrigidos, contribuindo para a eficiência e a moralidade administrativa. A aplicação do princípio da publicidade pode ser observada em diversas áreas da administração pública. Por exemplo, nos processos licitatórios, a publicidade é essencial para garantir a igualdade de condições entre os concorrentes e a seleção da proposta mais vantajosa para a administração pública. SAIBA MAIS A divulgação dos editais de licitação, dos critérios de julgamento e dos resultados das licitações assegura a transparência e a competitividade, prevenindo fraudes e conluios. Outra área importante é a gestão orçamentária e financeira. A administração pública deve divulgar informações detalhadas sobre a elaboração, execução e fiscalização do orçamento público, incluindo receitas, despesas, contratos, convênios e outras operações financeiras. A transparência na gestão fiscal é fundamental para garantir o uso eficiente e responsável dos recursos públicos, permitindo que a sociedade acompanhe e fiscalize a aplicação do dinheiro público. O princípio da publicidade também se aplica aos processos administrativos, assegurando que os procedimentos sejam transparentes e que as partes interessadas tenham acesso às informações necessárias para a defesa de seus direitos. Isso inclui a divulgação de decisões, pareceres, relatórios e outras informações relevantes, garantindo o contraditório e a ampla defesa. ATENÇÃO A publicidade é essencial para a prestação de contas. Os agentes públicos têm o dever de prestar contas de suas ações e de demonstrar a conformidade de suas atividades com as normas legais e os princípios éticos. A divulgação de relatórios de gestão, auditorias, inspeções e outras formas de controle interno e externo contribui para a accountability, ou seja, a responsabilidade dos agentes públicos perante a sociedade. A transparência administrativa também é promovida pela Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas. Esta lei estabelece procedimentos e prazos para que os órgãos públicos respondam às solicitações de informações feitas pelos cidadãos, assegurando o direito de todos ao conhecimento dos atos administrativos e ao controle social. O princípio da publicidade é um alicerce essencial do direito administrativo, fundamental para garantira transparência, a impessoalidade, a imparcialidade e a eficiência na administração pública. Ele assegura que os atos e decisões dos agentes públicos sejam divulgados de maneira clara e acessível, permitindo o controle social e fortalecendo a confiança dos cidadãos nas instituições públicas. A observância desse princípio é crucial para a promoção da democracia, da accountability e da boa governança, contribuindo para a construção de uma administração pública legítima, ética e comprometida com os direitos e interesses da sociedade. Eficiência O princípio da eficiência é um dos pilares fundamentais do direito administrativo, consagrado na Constituição Federal de 1988, especialmente após a Emenda Constitucional nº 19 de 1998, que inseriu expressamente o princípio da eficiência no artigo 37, caput. Este princípio estabelece que a administração pública deve atuar de maneira eficiente, buscando sempre a melhor utilização dos recursos públicos para alcançar resultados que atendam de forma satisfatória as necessidades e expectativas da sociedade. A eficiência na administração pública implica a realização das atividades e serviços com a máxima produtividade e qualidade, utilizando o mínimo de recursos possíveis. Isso significa que a administração deve otimizar seus processos, reduzir desperdícios e buscar continuamente a melhoria dos serviços prestados à população. A eficiência é, portanto, um conceito que vai além da mera legalidade dos atos administrativos, exigindo também a eficácia e a economicidade das ações governamentais. Um dos aspectos mais importantes do princípio da eficiência é a busca por resultados concretos e positivos na gestão pública. A administração deve estabelecer metas claras e mensuráveis, planejar suas ações de maneira estratégica e monitorar continuamente o desempenho para garantir que os objetivos sejam alcançados. Isso envolve a utilização de indicadores de desempenho e ferramentas de gestão que permitam avaliar a efetividade das políticas públicas e a satisfação dos cidadãos com os serviços prestados. O princípio da eficiência também se reflete na gestão de pessoas dentro da administração pública. Os servidores públicos devem ser selecionados com base em critérios de mérito e competência, e suas habilidades e conhecimentos devem ser continuamente desenvolvidos por meio de programas de capacitação e treinamento. A avaliação de desempenho dos servidores é uma prática essencial para identificar áreas de melhoria e promover a excelência no serviço público. A administração deve adotar políticas de incentivo e reconhecimento que valorizem a eficiência e a dedicação dos servidores, promovendo um ambiente de trabalho motivador e produtivo. A modernização dos processos administrativos é outro aspecto crucial para a promoção da eficiência na administração pública. Isso inclui a simplificação de procedimentos, a eliminação de burocracias desnecessárias e a adoção de novas tecnologias que facilitem o acesso aos serviços públicos e tornem as operações mais ágeis e transparentes. A digitalização de processos, por exemplo, permite reduzir custos, melhorar a qualidade do atendimento e aumentar a acessibilidade dos serviços para os cidadãos. A eficiência também exige uma gestão financeira responsável e transparente. A administração pública deve planejar e executar o orçamento de maneira equilibrada, priorizando os investimentos que tragam maior retorno social e evitando gastos desnecessários. A prestação de contas e a transparência na gestão financeira são fundamentais para garantir que os recursos públicos sejam utilizados de forma eficiente e em benefício da coletividade. A eficiência na administração pública implica a capacidade de responder rapidamente às demandas e necessidades da sociedade. A administração deve ser proativa e ágil na tomada de decisões, adaptando-se rapidamente às mudanças e buscando soluções inovadoras para os problemas públicos. Isso envolve a adoção de práticas de gestão flexíveis e a abertura para a participação e colaboração da sociedade na formulação e implementação de políticas públicas. A fiscalização e o controle também são essenciais para garantir a eficiência na administração pública. Órgãos de controle interno e externo, como tribunais de contas e controladorias, desempenham um papel fundamental na avaliação da eficiência das ações governamentais e na identificação de irregularidades e desvios. A atuação desses órgãos contribui para a correção de falhas e para a melhoria contínua da gestão pública. SAIBA MAIS O princípio da eficiência está intimamente ligado a outros princípios do direito administrativo, como a legalidade, a moralidade, a publicidade e a impessoalidade. Juntos, esses princípios formam um conjunto de diretrizes que orientam a administração pública a atuar de maneira ética, transparente e comprometida com o interesse público. O princípio da eficiência é um alicerce fundamental para a administração pública, exigindo que todas as ações governamentais sejam realizadas com a máxima produtividade, qualidade e responsabilidade. Ele promove a otimização dos recursos públicos, a modernização dos processos administrativos, a valorização dos servidores e a transparência na gestão, contribuindo para a construção de uma administração pública mais eficaz, ágil e voltada para a satisfação das necessidades da sociedade. A observância desse princípio é crucial para a promoção da boa governança e para o fortalecimento da confiança dos cidadãos nas instituições públicas. Administração Pública Direta e Indireta Conforme preconizado pela Dra. Fernanda Cury de Faria: A expressão “Administração Pública”, sob o aspecto formal, também denominado subjetivo ou orgânico, designa o conjunto de entes responsáveis pelas funções administrativas, compreendendo pessoas jurídicas, órgãos públicos e agentes públicos. Sob o aspecto material, também denominado objetivo ou funcional, designa as atividades desenvolvidas pelos órgãos que compõem a Administração Pública em sentido formal, visando o atendimento do interesse público. Maria Sylvia Zanella di Pietro ressalta que a Administração Pública pode ser conceituada sob o sentido amplo e o sentido estrito: “Em sentido amplo, a Administração Pública, subjetivamente considerada, compreende tanto os órgão governamentais, supremos, constitucionais (Governo), aos quais incumbe traçar os planos de ação, dirigir, comandar, como também os órgãos administrativos, subordinados, dependentes (...), aos quais incumbe executar os planos governamentais; ainda em sentido amplo, porém objetivamente considerada, a Administração Pública compreende a função política, que traça as diretrizes governamentais e a função administrativa, que as executa. Em sentido estrito, a Administração Pública compreende, sob o aspecto subjetivo, apenas os órgãos administrativos e, sob o aspecto objetivo, apenas a função administrativa(...)” O Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, que dispõe sobre a reforma administrativa federal, divide, em seu art. 4º, a Administração Pública em direta e indireta. Quando a atividade é diretamente exercida pela entidade estatal, diz-se que a mesma é centralizada. A Administração Direta corresponde à atuação direta pelo próprio Estado (União, Estados-membros, Municípios e Distrito Federal) por suas entidades estatais. A atividade administrativa é desconcentrada quando é deferida a outras entidades dotadas de personalidade jurídica, seja por outorga (lei), seja por delegação (contrato). Da descentralização resulta a criação dos órgãos públicos, com a atribuição de funções para outras entidades. Constituem a Administração Indireta pessoas jurídicas, de direito público ou privado, criadas ou instituídas a partir de lei específica pela vontade do Poder Público, com as seguintes características: a) a criação somente pode decorrer de lei; b) sua finalidade não será lucrativa; c) não se extinguem pela própria vontade, mas somente por força de lei; d) sujeitam-se sempre a controle interno pela própria entidade a que se vinculam etambém ao controle externo exercido pelo Legislativo, com apoio do Tribunal de Contas e pelo Judiciário, além da fiscalização desempenhada pelo Ministério Público; e) permanecem adstritas à finalidade para a qual foram instituídas. De acordo com os ensinamentos da Maria Sylvia Zanella di Pietro, “compõem a Administração Indireta, no direito positivo brasileiro, as autarquias, as fundações instituídas pelo Poder Público, as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os consórcios públicos”. Parte da doutrina inclui também as concessionárias e permissionárias de serviços públicos. Autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno, criadas por lei específica para a prestação de serviços públicos descentralizados, detentoras, em nome próprio, de prerrogativas e responsabilidades, ou seja, com capacidade de autoadministração. Fundações são patrimônios personalizados, com natureza de pessoas jurídicas de direito público ou privado, destinadas, por lei, essencialmente à realização de atividades sem finalidade lucrativa e de interesse público. Sociedades de economia mista e empresas públicas são ambas empresas estatais. Sociedades de Economia Mista são constituídas com capital público e privado e têm natureza de pessoa jurídica de direito privado. São estruturadas sob a forma de sociedades anônimas, com a maioria das ações sob o controle do Poder Público. Empresas públicas são constituídas por capital exclusivamente público, com natureza de pessoa jurídica de direito privado, e podem ser estruturadas sob qualquer uma das modalidades empresariais. Há quem considere, ainda, como órgão da Administração Indireta, as entidades paraestatais, componentes do terceiro setor, como por exemplo, serviços sociais autônomos, organizações sociais e organizações da sociedade civil. Agentes Públicos É toda pessoa física que, vinculada à administração pública, embora transitoriamente, presta serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da Administração Pública. Agentes Políticos Exercem atividades de governo, sendo investidos por eleição para o exercício de mandato, bem como por nomeação para o provimento de cargos públicos. Atualmente, também são considerados agentes políticos os membros da Magistratura e do Ministério Público em face do regime jurídico a que estão submetidos, tendo suas atribuições definidas na Constituição Federal, sendo imprescindíveis à manutenção da ordem jurídica. Servidores Públicos Pessoas físicas que prestam serviços ao Estado, com vínculo empregatício e remuneração paga pelos cofres públicos, não exercendo atividades políticas ou governamentais. Militares São pessoas físicas que prestam serviços às Forças Armadas, às Polícias Militares e Corpo de Bombeiros, possuindo regime jurídico próprio, com vínculo estatuário. Particulares em Colaboração com o Estado Pessoas físicas que prestam serviços ao Estado, sem vínculo empregatício, com remuneração ou gratuitamente. Serviços Públicos Serviços Públicos Próprios São aqueles intimamente ligados às atribuições do Poder Público, sendo que só podem ser prestados por órgãos públicos, vedada a delegação a particulares. Serviços Públicos Impróprios Caracterizam-se como os recursos prestados pela Administração Pública de forma remunerada por não afetarem substancialmente as necessidades da comunidade. Serviços Públicos Administrativos São aqueles que o Estado executa para melhor compor a sua organização. São serviços de organização interna. Beneficiam indiretamente a coletividade Serviços Públicos Comerciais ou Industriais Os serviços prestados pela Administração Pública, direta ou indiretamente, de ordem econômica. Serviços Públicos Sociais Visa atender as necessidades coletivas, como serviços de saúde, educação, etc. image1.jpeg image2.png image3.png