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Colégio Ápice Educacional Davi Soares da Costa Lima ESPORTIVIZAÇÃO E DESESPORTIVIZAÇÃO NAS PRÁTICAS CORPORAIS Águas Lindas de Goiás – GO 2023 2 Colégio Ápice Educacional Davi Soares da Costa Lima ESPORTIVIZAÇÃO E DESESPORTIVIZAÇÃO NAS PRÁTICAS CORPORAIS Trabalho para a obtenção de nota apresentado no Colégio Ápice Educacional na matéria de Educação física. Orientador: Prof Lucas Fernandes Águas Lindas de Goiás – GO 3 2023 4 Esportivização e Desesportivização Nas Práticas Corporais Davi Soares da Costa Lima Resumo Este artigo aborda a esportivização das práticas corporais na Educação Física escolar, destacando a tendência de utilizar modalidades esportivas coletivas tradicionais sem uma base teórica adequada para sua integração como conteúdo acadêmico. O conceito de esportivização refere-se à ênfase crescente nas práticas esportivas em detrimento de outras formas de atividade física, um fenômeno que teve origem no movimento esportivo na Educação Física nas décadas de 1970. Esse fenômeno se traduz em competições esportivas entre escolas, refletindo a tradição política brasileira relacionada aos esportes escolares. Palavras-chave: Esportivização. Educação. Atividade. Escolar. Esporte Abstract This article addresses the sportivization of bodily practices in school Physical Education, highlighting the tendency to use traditional collective sports modalities without an adequate theoretical basis for their integration as academic content. The concept of sportivization refers to the growing emphasis on sports practices to the detriment of other forms of physical activity, a phenomenon that originated in the sports movement in Physical Education in the 1970s. This phenomenon translates into sports competitions between schools, reflecting the Brazilian political tradition related to school sports. Keywords: Sportivization. Education. Activity. School. Sport Introdução Múltiplos estudos, em particular nos campos da Sociologia e da História do Esporte, têm contribuído para o melhor entendimento dos rearranjos nas engrenagens socioculturais e, consequentemente, da dinâmica das distintas práticas corporais que incluem jogos 5 populares ou tradicionais e esportes institucionalizados (Corbin, Courtine e Vigarello, 2006; Guttmann, 1978; Parlebas, 2001). Ao mesmo tempo, observamos um aumento na resistência - uma espécie de contracorrente - representada pela desesportivização, que valoriza métodos de atividade física mais abrangentes e saudáveis. O objetivo desta pesquisa é investigar a dinâmica entre a esportivização e a desesportivização nas práticas corporais modernas por meio de uma investigação meticulosa interdisciplinar. Este artigo se concentrará na esportivização e desesportivização nas práticas corporais, com um foco especial nas mudanças de comportamento e atitudes em relação à atividade física e ao esporte. A análise considerará uma ampla gama de práticas corporais, incluindo exercícios físicos, atividades esportivas formais e informais, bem como o cultivo da estética corporal. A delimitação do assunto permitirá uma investigação mais aprofundada desses fenômenos em seu contexto contemporâneo. A metodologia adotada para a realização deste estudo envolverá uma abordagem multifacetada, que combinará pesquisa bibliográfica extensiva e análise de conteúdo. Esportivização e Desesportivização Nas Práticas Corporais A Educação Física escolar tende a apresentar uma esportivização de seus conteúdos em algumas séries do ensino fundamental. Este caráter esportivizado, e aqui nos referimos a modalidades esportivas coletivas tradicionais sendo usadas sem uma fundamentação teórica que garanta o seu aproveitamento como conteúdos acadêmicos. (DJANE APARECIDA, 2004, p.6) A esportivização, por sua vez, é uma expressão que se utiliza também no campo da escola e Educação Física escolar para designar um processo de sobrevalência de práticas corporais esportivas frente às outras. Esse processo tem início no movimento esportivista da Educação Física nos anos 1970 e se traduz também em jogos e competições esportivas dentro e entre escolas, constatando uma tradição política brasileira acerca dos esportes escolares. (NICOLE MARCELI,2022, p.55) Tratando dessa temática, Lévi-Strauss (2007, p. 48) explica que o jogo (esportivizado) é "disjuntivo", ou seja, ele resulta de uma divisão entre jogadores, individualmente ou em equipes, que, em princípio, seriam igualitários, mas no final da partida se distinguirão entre vencedores e vencidos. A simetria do jogo (esportivizado) decorre da instituição de regras iguais para ambas as equipes e a assimetria provém dos acontecimentos, dependendo da intenção, da sorte e do talento. No jogo (ritualizado), por seu turno, ocorre o inverso, a assimetria é preconcebida, por exemplo, entre iniciados e não-iniciados e consiste em unir todos do mesmo lado ao final. (MEDEIROS.ARTHUR.FILGUEIRA.DULCE,2010,p.11) O jogo tradicional (ritualizado) apresenta-se de forma simétrica e inversa ao jogo (esportivizado), posto que ele é "conjuntivo". Institui a união ou estabelece uma relação orgânica entre os participantes que foram separados no início e, no final, se confundem com a coletividade. Constitui, com efeito, uma das possibilidades de construção da identidade do grupo, à medida que as práticas corporais nas 6 sociedades indígenas são elementos identitários, representando um simbolismo ímpar. (MEDEIROS.ARTHUR.FILGUEIRA.DULCE,2010,p.11) A história das artes marciais durante o transcorrer do século XX foi um bom exemplo do processo de esportivização – uma vez que imprimiu um controle civilizador às práticas de lutas então existentes. Já o aumento do número de lutas de valetudo no fim do mesmo século foi uma tendência oposta, um processo de desesportivização. O fator decisivo para a predominância desse processo foi a emergência de um novo mercado, que teve como principal veículo os pacotes pay- per-view de televisão. Isso permitiu que os empresários da mídia vendessem eventos não sancionados, que dependiam principalmente das exigências e idealizações dos espectadores, que estavam menos interessados nas especificidades reguladoras de determinado esporte do que na excitação produzida pelas transgressões das regras e da vida comum. (ELIAS N, DUNNING E. A busca da excitação. Lisboa: Difel; 1992.) “Se não é possível defender uma prática educativa que se contente em girar em torno do ‘senso comum’, também não é possível aceitar a prática educativa que, zerando o ‘saber da experiência feito’, parta do conhecimento sistemático do(a) educador(a)”. (FREIRE, 1993, p. 59) O desejo de uma sociedade mais autocontrolada se desdobra nos processos de educação do corpo, incluindo a prática ginástica, quer seja no âmbito militar quer seja no âmbito civil. Assim, conseguimos observar uma evolução científica da ginástica que “[...] afirma-se como parte significativa dos novos códigos de civilidade” (Soares, 1998, p. 17) Considerações Finais Para entender as complexas interações que existem entre a atividade física, a cultura, a educação e a sociedade em geral, é fundamental discutir a questão da esportivização ou desesportivização nas atividades corporais. Este artigo examinou esses fenômenos de várias perspectivas, incluindo a influência da esportivização na educação física escolar, as consequências da desesportivização nas lutas de valetudo e seus efeitos na mídia moderna. Este estudo chegou a uma conclusão importante: é necessário encontrar um bom equilíbrio entre a esportivização e a desesportivização nas atividades físicas. A esportivização não deve ser vista como algo negativo, pois as modalidadesesportivas convencionais podem ensinar importantes lições sobre cooperação e superação. No entanto, é essencial enriquecer essa abordagem com uma base teórica sólida para garantir que seja válida como conteúdo acadêmico, principalmente no contexto da educação física escolar. 7 Referências Millen Neto, A. R., Garcia, R. A., & Votre, S. J. (2016). Artes marciais mistas: luta por afirmacão e mercado da luta. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 38(4), 407-413. [Consultado:17 de setembro de 23] Disponível em: <https://doi.org/10.1016/j.rbce.2015.10.004> FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 2. ed. Rio e Janeiro: Paz e Terra, 1992. SENNA CORRÊA, Ivan Livindo de. Perspectivas e limitações do trabalho com práticas corporais de aventura na escola: um relato de experiência. Cadernosdo Aplicacao ISSN, Porto Alegre, p. 1-7, 17 jul. 2020. Helen Maria Rodrigues da Silva, Fernanda Raffi Menegaldo, Tabata Larissa Almeida, Marco Antonio Coelho Bortoleto. (2020). Prefeitura Municipal de Campinas (PMC), Campinas, São Paulo, Brasil Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, São Paulo, Brasil” REVISTA Nº26 PERIODICIDAD SEMESTRAL - ENERO / JUNIO / 2021 Asociación Científico Cultural en Actividad Física y Deporte (ACCAFIDE) LAS PALMAS DE GRAN CANARIA” [Consultado: 17 de setembro de 2023]. GUERIERO, DJANE APARECIDA. Educação Física Escolar ou Esportivização Escolar?. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Faculdade de Educação Física , Campinas, p. 1-48,2004. Medeiros de Almeida, Arthur José., & Filgueira de Almeida Suassuna, Dulce Maria. (2010), "Práticas corporais, sentidos e significado: uma análise dos jogos dos povos indígenas." Movimento, Vol. 16, núm.4, pp.53-71 [Consultado: 17 de setembro de 2023]. ISSN: 0104-754X. Disponível em: <https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=115316963004> https://doi.org/10.1016/j.rbce.2015.10.004