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1 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e uso de telas: qual a relação? Attention deficit hyperactivity disorder and screen use: what is the relationship? Trastorno por déficit de atención con hiperactividad y uso de pantallas: ¿cuál es la relación? DOI: 10.55905/revconv.17n.6-222 Originals received: 05/10/2024 Acceptance for publication: 05/31/2024 Soraya Sarmento de Melo Especialista em Enfermagem do Trabalho Instituição: Faculdade Santa Emília de Rodat Endereço: João Pessoa - Paraíba, Brasil E-mail: sorayasarmento0@gmail.com Lisandra Karoll Torres Pinheiro Cordeiro Mestre em Gestão e Economia da Saúde Instituição: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Endereço: Recife – Pernambuco, Brasil E-mail: lisandrakaroll@gmail.com Francisca Larissa Silva de Sousa Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário Santa Maria (UNIFSM) Endereço: Cajazeiras - Paraíba, Brasil E-mail: larissinhav.a@gmail.com Gabriela Vieira Queiroga Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário Santa Maria (UNIFSM) Endereço: Cajazeiras - Paraíba, Brasil E-mail: vieiraqgabriela@gmail.com Matheus Mendes Dias Graduado em Medicina Instituição: Centro Universitário Santa Maria (UNIFSM) Endereço: Cajazeiras - Paraíba, Brasil E-mail: matheusmendesd6@gmail.com 2 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 Matheus da Silva Alves Graduando em Medicina Instituição: Centro Universitário Santa Maria (UNIFSM) Endereço: Cajazeiras - Paraíba, Brasil E-mail: matheusalvesmed19@gmail.com Carlos Vitor Miranda Vieira Graduando em Medicina Instituição: Universidade Federal do Pará (UFPA) Endereço: Altamira - Pará, Brasil E-mail: carlosvitormv@gmail.com Marina de Oliveira Gadelha Souza Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário Santa Maria (UNIFSM) Endereço: Cajazeiras - Paraíba, Brasil E-mail: marinagadelha2006@hotmail.com Anne Letícia Gadelha Braga Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário Santa Maria (UNIFSM) Endereço: Cajazeiras - Paraíba, Brasil E-mail: leticiagadelha2015@gmail.com Larissa Vitória Barros Araújo Graduanda em Medicina Instituição: Faculdade Medicina de Olinda (FMO) Endereço: Olinda - Pernambuco, Brasil E-mail: larissavitoriabarros@gmail.com Maria Thalya Camila Silva Graduanda em Medicina Instituição: Faculdade Medicina de Olinda (FMO) Endereço: Olinda - Pernambuco, Brasil E-mail: thalyacamila100@gmail.com Sérgio Ednaldo Couto Nunes Filho Graduando em Medicina Instituição: Faculdade Medicina de Olinda (FMO) Endereço: Olinda - Pernambuco, Brasil E-mail: Sergionunesfilho00@gmail.com Nicole Sarmento Queiroga Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) Endereço: João Pessoa - Paraíba, Brasil E-mail: nicolesqueiroga@hotmail.com mailto:marinagadelha2006@hotmail.com mailto:leticiagadelha2015@gmail.com mailto:larissavitoriabarros@gmail.com mailto:thalyacamila100@gmail.com mailto:Sergionunesfilho00@gmail.com 3 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 Rafaela Trindade do Ó Caminha Graduanda em Medicina Instituição: Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) Endereço: João Pessoa - Paraíba, Brasil E-mail: rafaelatrindadef@gmail.con Afonso Queiroga Gadelha Neto Graduado em Medicina Instituição: Centro Universitário Unifacisa Endereço: Campina Grande - Paraíba, Brasil E-mail: afonsoqueirogagn@gmail.com RESUMO Introdução: As telas muitas vezes são usadas para acalmar, como ferramenta educacional ou para entretenimento enquanto os cuidadores realizam suas atividades profissionais e domésticas. No entanto, há preocupações expressas por pais e mães sobre os efeitos dessa exposição precoce, levando-os a se sentirem culpados pelo excesso de tecnologia na vida de seus filhos. Objetivo: Mostrar a relação entre o uso de telas e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Método: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, entre os meses dezembro de 2023 a maio de 2024, utilizando os descritores “Attention Deficit Disorder with Hyperactivity” e “Technology Addiction”, através das bases de dados Scielo, BVS e PubMed. Foram incluídos 10 artigos na presente revisão. Resultados e discussões: Diversos estudos apontam que tanto o vício na internet (IA) quanto o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) afetam níveis de regulação emocional e o reconhecimento de habilidades emocionais. A regulação emocional, que envolve a consciência, a compreensão e a capacidade de agir objetivamente sem ser dominada pelas emoções, é prejudicada em adolescentes com dificuldades nessa área, levando- os a utilizar a internet de forma compulsiva para evitar ou suprimir emoções negativas. Conclusão: O uso excessivo de telas, especialmente em atividades como videogames e redes sociais, está associado a uma piora nos problemas emocionais e comportamentais. Estratégias de manejo devem incluir a limitação do tempo de tela e a promoção de atividades físicas, além de suporte emocional e educacional para minimizar os impactos negativos e melhorar a qualidade de vida dos jovens com TDAH. Palavras-chave: atenção, hiperatividade, relação, telas. ABSTRACT Introduction: Screens are often used to calm, as an educational tool or for entertainment while caregivers carry out their professional and domestic activities. However, there are concerns expressed by parents about the effects of this early exposure, leading them to feel guilty about too much technology in their children's lives. Objective: To show the relationship between screen use and attention deficit hyperactivity disorder. Method: An integrative review of the literature was carried out, between December 2023 and May 2024, using the descriptors “Attention Deficit Disorder with Hyperactivity” and “Technology Addiction”, through the Scielo, VHL and PubMed databases. 10 articles were included in the present review. Results and discussions: Several studies indicate that both internet addiction (IA) and attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) affect levels of emotional regulation and the recognition of emotional skills. Emotional regulation, which involves awareness, understanding and the ability to act objectively 4 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 without being dominated by emotions, is impaired in adolescents with difficulties in this area, leading them to use the internet compulsively to avoid or suppress negative emotions. Conclusion: Excessive use of screens, especially in activities such as video games and social networks, is associated with a worsening of emotional and behavioral problems. Management strategies should include limiting screen time and promoting physical activity, as well as emotional and educational support to minimize negative impacts and improve the quality of life of young people with ADHD. Keywords: attention, hyperactivity, relationship, screens. RESUMEN Introducción: Las pantallas suelen utilizarse para calmar, como herramienta educativa o de entretenimiento mientras los cuidadores realizan sus actividades profesionales y domésticas. Sin embargo, los padres expresan preocupaciones sobre los efectos de esta exposición temprana, lo que los lleva a sentirse culpables por demasiada tecnología en la vida de sus hijos. Objetivo: Mostrar la relación entre el uso de pantallas y el trastorno por déficit de atención con hiperactividad. Método: Se realizó una revisión integradora de la literatura, entre diciembre de 2023 y mayo de 2024, utilizandolos descriptores “Trastorno por Déficit de Atención con Hiperactividad” y “Adicción a la Tecnología”, a través de las bases de datos Scielo, BVS y PubMed. En la presente revisión se incluyeron 10 artículos. Resultados y discusiones: Varios estudios indican que tanto la adicción a Internet (IA) como el trastorno por déficit de atención con hiperactividad (TDAH) afectan los niveles de regulación emocional y el reconocimiento de habilidades emocionales. La regulación emocional, que implica la conciencia, la comprensión y la capacidad de actuar objetivamente sin dejarse dominar por las emociones, se ve alterada en los adolescentes con dificultades en este ámbito, llevándoles a utilizar Internet de forma compulsiva para evitar o reprimir las emociones negativas. Conclusión: El uso excesivo de pantallas, especialmente en actividades como videojuegos y redes sociales, se asocia con un empeoramiento de problemas emocionales y conductuales. Las estrategias de manejo deben incluir limitar el tiempo frente a la pantalla y promover la actividad física, así como apoyo emocional y educativo para minimizar los impactos negativos y mejorar la calidad de vida de los jóvenes con TDAH. Palabras clave: atención, hiperactividad, relación, pantallas. 1 INTRODUÇÃO A nova geração de crianças está exposta às telas desde uma idade muito precoce. Embora a televisão continue sendo a forma mais comum de mídia na infância, dispositivos móveis interativos, como tablets e smartphones, também fazem parte significativa da rotina de bebês e crianças. Para as famílias de hoje, lidar com a presença das telas é um desafio, já que esses 5 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 dispositivos estão integrados ao dia a dia tanto de adultos quanto de crianças, despertando interesse desde os primeiros anos de vida (Kim et al., 2020). As telas muitas vezes são usadas para acalmar, como ferramenta educacional ou para entretenimento enquanto os cuidadores realizam suas atividades profissionais e domésticas. No entanto, há preocupações expressas por pais e mães sobre os efeitos dessa exposição precoce, levando-os a se sentirem culpados pelo excesso de tecnologia na vida de seus filhos. Além disso, o uso indiscriminado de telas nos primeiros anos de vida sobrecarrega as crianças com estímulos que podem exceder sua capacidade de processamento mental ainda em desenvolvimento (Engelhard; Kollins, 2019). O envolvimento precoce com telas também pode prejudicar a disponibilidade dos cuidadores, com estudos demonstrando menor sensibilidade parental às necessidades das crianças, bem como menos interações e de menor qualidade entre pais e filhos quando esses dispositivos estão em uso (Puccineli, Marques, Lopes, 2023). O vício em internet, embora não esteja oficialmente catalogado na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), é reconhecido como "distúrbio de jogos na Internet" (IA) nesta mesma edição. A IA pode ter impactos adversos no desenvolvimento social, físico e psicológico de crianças e adolescentes. Estudos indicam que mais da metade dos adolescentes com IA apresentam transtornos psiquiátricos concomitantes. Especialmente em indivíduos mais jovens, a IA tende a ser associada a outros transtornos psiquiátricos, como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), depressão, ansiedade social e problemas vinculados a jogos de azar e ao uso de substâncias (Weinstein; Lejoyeux, 2020). Assim, o presente estudo objetiva mostrar a relação entre o uso de telas e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. 2 METODOLOGIA Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL), que possibilita a síntese, a identificação e a realização de uma análise ampla na literatura acerca de uma temática específica (Ercole; Melo; Alcoforado, 2014). Realizada no mês de dezembro de 2023 a maio de 2024, a partir de um levantamento bibliográfico de artigos científicos publicados nos periódicos 6 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 indexados nas bases de dados da National Library of Medicine (PUBMED), Scielo e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) (Cavalcante e Oliveira, 2020). Para realização da pesquisa os descritores foram utilizados de acordo com os Descritores em Ciência da Saúde (DeCS): “Attention Deficit Disorder with Hyperactivity” e “Technology Addiction”. O operador booleano “AND” foi usado para cruzamento entre todos os termos. Foram considerados elegíveis artigos completos disponíveis nas bases de dados definidas. Ao total foram encontrados 2 artigos na Scielo, 160 estudos na base do PUBMED e 198 na BVS por meio da estratégia de busca. Os critérios de inclusão foram: artigos publicados no período de 2019 a 2024, na língua portuguesa, espanhola e inglesa, estudos de coorte retrospectivos, prospectivos, transversais e comparativos, além de publicações que corroborem com o objetivo e tema central do estudo. Foram excluídas teses, monografias, relatos de caso, dissertação, cartas ao editor, textos incompletos e manuscritos que não respeitaram o objetivo do estudo. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, a análise dos resultados foi feita, inicialmente, por meio da leitura e avaliação dos títulos e resumos dos artigos selecionados nas bases de dados, em conformidade com os critérios de inclusão/exclusão já definidos anteriormente. Aqueles selecionados foram, então, submetidos à leitura completa. A partir dessa busca, foram encontrados em cada base de dados: Scielo (n=2), PubMed (n=160) e BVS (n=198), totalizando 360 manuscritos. Após isso, os artigos foram analisados (n=298), depois excluídos os manuscritos duplicados pelo título e resumo (n=62). Em seguida, foram mantidos para avaliação mais detalhada (n=75), e excluídos (n=60) após a leitura na íntegra. Ao final da avaliação, foram selecionados 10 estudos para elaboração da presente RIL. Não houve divergências entre os revisores sobre a inclusão dos manuscritos. Para sistematizar o processo de seleção dos artigos, foi utilizada a metodologia Preferred Reporting Items for Systematic and Meta-Analyses (PRISMA) (Moher et al., 2009). A seguir estão representadas as etapas que caracterizam o processo de seleção dos artigos na forma de um fluxograma (Figura 1). 7 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 Figura 1: Fluxograma PRISMA de seleção dos artigos que constituíram a amostra. Fonte: Autoria própria. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Em síntese, no Quadro 1, observa-se a descrição dos principais trabalhos usados para realizar esta revisão, classificando-os por meio do autor, título e objetivo da pesquisa. Posteriormente, encontra-se a discussão dos resultados sobre a problemática proposta. Quadro 1: Publicações incluídas na pesquisa segundo o autor, título e objetivo principal. Autor Título Objetivo Boer, M. et al., (2020). Attention Deficit Hyperactivity Disorder-Symptoms, Social Media Use Intensity, and Social Media Use Problems in Adolescents: Investigating Directionality. Desvendar que tipo de sintomas do uso de mídias sociais está relacionado aos sintomas de TDAH e em que direção, usando um estudo longitudinal de três ondas entre adolescentes holandeses de 11 a 15 anos (n = 543). Engelhard; Kollins, (2019). Os muitos canais de tecnologia de mídia de tela no TDAH: um paradigma para quantificar riscos distintos e benefícios potenciais. Identificar dimensões distintas e quantificáveis do uso de tecnologia de mídia de tela e revisar possíveis ligações com o TDAH para facilitar uma investigação mais precisa e reprodutível. Estudos encontrados na busca eletrônica (n = 360) Estudos mantidos para avaliaçãomais detalhada (n = 75) Estudos incluídos na revisão (n = 10) Estudos excluídos através da leitura na íntegra (n = 60) Excluídas por duplicação, pelo título e resumo (n=62) Id en ti fi ca çã o A n ál is e Número de publicações analisadas (n = 298) E lu ci d aç ão I n cl u sã o 8 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 Jeong, et al., (2020). Low self-control and aggression exert serial mediation between inattention/hyperactivity problems and severity of internet gaming disorder features longitudinally among adolescents. Examinar os papéis mediadores seriais do baixo autocontrole e da agressividade na explicação das relações entre os níveis de problemas de desatenção e hiperatividade (IHPs) e a gravidade das características do transtorno de jogos na Internet (IGD) quando expostos a jogos online entre adolescentes sem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ( TDAH) estratificado por sexo usando estudo longitudinal de três ondas. Kim, et al., (2020). Aberrant structural network of comorbid attention deficit/hyperactivity disorder is associated with addiction severity in internet gaming disorder. Identificar se existe uma rede cerebral estrutural relacionada ao TDAH em pacientes com IGD com TDAH comórbido (IGD ADHD + ), comparando-os com aqueles sem TDAH comórbido (IGD ADHD- ) e elucidando como a sub-rede está associada à gravidade do vício. Masklavanou, et al., (2023). Internet gaming disorder, exercise and attention deficit hyperactivity disorder: The role of symptoms of depression, anxiety and stress. Investigar a relação entre distúrbios dos jogos de internet e exercício, bem como entre distúrbios dos jogos de internet e TDAH Puccinelli, et al., (2023). Telas na Infância: Postagens de Especialistas em Grupos de Cuidadores no Facebook. Compreender como o uso de telas na infância vem sendo abordado por especialistas em grupos de mães e pais no Facebook. Saatçioğlu, et al., (2023). Investigation of Adolescents Who Have Internet Addiction Accompanied By Attention Deficit and Hyperactivity Disorder in Terms of Emotion Regulation and Social Cognition. Avaliar a cognição social e as habilidades de regulação emocional em indivíduos com Dependência de Internet (IA) e dependência de Internet com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade comórbido (IA + TDAH). Shuai, et al., (2021). Influences of digital media use on children and adolescents with ADHD during COVID-19 pandemic. Explorar as influências do uso das mídias digitais nos sintomas centrais, estado emocional, eventos de vida, motivação para aprendizagem, função executiva (FE) e ambiente familiar de crianças e adolescentes com diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) durante a doença do novo coronavírus. Weinstein; Lejoyeux, (2020). Neurobiological mechanisms underlying internet gaming disorder . Descrever e resumir de forma abrangente os correlatos neurobiológicos do uso viciante da Internet em adolescentes e adultos jovens. Zakaria, et al., (2023). Internet addiction and its relationship with attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) symptoms, anxiety and stress among university students in Malaysia. Determinar a relação entre os sintomas psicológicos (sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), estresse, depressão, ansiedade e solidão) e vício em internet (IA) entre estudantes universitários na Malásia. Fonte: Autoria própria. Diversos estudos apontam que tanto o vício na internet (IA) quanto o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) afetam níveis de regulação emocional e o reconhecimento 9 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 de habilidades emocionais. A regulação emocional, que envolve a consciência, a compreensão e a capacidade de agir objetivamente sem ser dominada pelas emoções, é prejudicada em adolescentes com dificuldades nessa área, levando-os a utilizar a internet de forma compulsiva para evitar ou suprimir emoções negativas. Esse comportamento resulta em uma redução na comunicação presencial e na socialização, aumentando a sensação de solidão (Saatçioğlu et al., 2023). Em um estudo específico, adolescentes com vício na internet demonstraram maiores dificuldades na regulação emocional, essas dificuldades foram intensificadas pela comorbidade com o TDAH. Pacientes com TDAH obtiveram ganhos mais altos em subescalas que medem dificuldades na regulação emocional. Além disso, no campo da cognição social, os grupos com tráfico na internet, tanto isoladamente quanto combinados com TDAH, tiveram resultados mais baixos do que o grupo de controle em vários testes, diminuindo habilidades sociais mais deficientes. Esses achados sublinham a importância de compreender os efeitos combinados do vício na internet e do TDAH na regulação emocional e na cognição social, destacando a necessidade de abordagens terapêuticas que considerem essas interações. Outro estudo correlacional com 515 adultos foi programado utilizando formulários do Google. Para detectar sintomas de Transtorno de Jogo na Internet (IGD), foi utilizada a Internet Gaming Disorder Scale – Short-Form. Os hábitos de exercício de lazer dos participantes foram avaliados pelo Leisure-Time Exercise Questionnaire, enquanto os sintomas de TDAH foram medidos pela Barkley Adult ADHD Rating Scale. Além disso, a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse-21 foi empregada para avaliar os sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Os resultados sugerem que indivíduos com sintomas de IGD tendem a se exercitar menos no tempo livre. Além disso, esses indivíduos apresentam mais sintomas de TDAH, especificamente desatenção e impulsividade, bem como mais sintomas de depressão (Masklavanou et al., 2023). Entre os fatores psicológicos analisados no estudo de Boer et al (2020), os sintomas de TDAH, tanto a desatenção quanto a hiperatividade, foram os mais significativamente associados ao vínculo na internet (IA), apresentando um risco superior às vezes maior. O estudo também revelou que os sintomas de TDAH estavam parcialmente associados à gravidade dos distúrbios de jogos na internet em adultos. A natureza multimodal, rápida e de resposta quase instantânea da internet, especialmente nos jogos, pode corresponder à vulnerabilidade dos jovens com TDAH. A falta de estímulo externo nesses indivíduos foi significativamente correlacionada com 10 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 um maior envolvimento em jogos na internet, que frequentemente incorpora múltiplas estratégias de reforço, atraindo os jogadores a se envolverem cada vez mais. Essas características fornecem fortes incentivos para pessoas com TDAH, pois as rápidas mudanças de tela impõem demandas marginais à atenção e à memória de trabalho, que são desafiadoras para quem tem TDAH. Além disso, o estresse é outro fator psicológico que influencia o vício na internet. O estudo mostrou que aqueles que relataram estresse tinham quase o dobro do risco de desenvolver IA. Alguns estudos encontraram uma demonstração entre IA e estresse, depressão e ansiedade, enquanto outros identificaram que apenas a depressão e o estresse estavam significativamente correlacionados com o vício na internet. A alta estimulação dos jogos oferece uma forma de escapar das demandas da vida cotidiana, tornando-se especialmente atraente para indivíduos com TDAH e aqueles que sofrem de estresse. Dessa forma, as condições comórbidas de TDAH e o estresse, juntamente com outras morbidades psiquiátricas, como abuso de álcool, depressão e ansiedade, são fatoresimportantes a serem considerados na compreensão e tratamento do vício na internet (Zakaria et al., 2023). O estudo de Shuai et al (2023) incluiu 192 participantes de 8 a 16 anos com diagnóstico de TDAH. Os participantes foram divididos em dois grupos: TDAH com uso problemático de mídia digital (PDMU) e TDAH sem PDMU, com base em coletados em questionários de uso de telefone celular e internet. Comparamos sintomas de TDAH, função executiva (FE), ansiedade, depressão, estresse, motivação para aprendizagem e ambiente familiar entre os grupos. O grupo com PDMU apresentou piora significativa em desatenção, comportamento, problemas emocionais, ansiedade, depressão, déficits de FE, estresse de eventos de vida, menor motivação para aprendizagem e maior prejuízo na coesão familiar. Esses participantes também passam mais tempo em videogames e redes sociais e menos tempo em exercícios físicos. Crianças com TDAH e PDMU enfrentariam sintomas mais graves, emoções negativas e maiores desafios no ambiente familiar. A gestão eficaz requer supervisão do uso de mídias digitais e aumento da atividade física. Já Jeong et al (2020) analisou 1.732 dias familiares de alunos da sétima série sem TDAH. Os níveis de problemas de interferência de impulsos (IHPs) foram avaliados no início do estudo, e a gravidade do distúrbio de jogos na internet (IGD) foi medida na terceira onda. Autocontrole e agressividade foram avaliados por autorrelato. Uma análise de mediação serial avaliou o papel do baixo autocontrole e da agressividade na relação entre IHPs e IGD para cada sexo. Os IHPs 11 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 foram diretamente relacionados à gravidade do IGD em ambos os sexos. Efeitos indiretos via baixo autocontrole foram significativos em ambos os sexos, mas via agressão, apenas nas mulheres. A mediação serial via baixo autocontrole e agressão foi significativa em ambos os sexos. Foi identificado um possível mecanismo de mediação serial explicando como os IHPs afetavam o IGD, embora os efeitos sejam pequenos e devam ser interpretados com cautela. 4 CONCLUSÃO A relação entre o TDAH e o uso de dispositivos eletrônicos é complexa e multifacetada, exigindo uma análise cuidadosa e aprofundada. Os estudos recentes indicaram que crianças e adolescentes diagnosticados com TDAH frequentemente utilizam dispositivos digitais de maneira mais intensa e prolongada em comparação com seus pares neurotípicos. Esse uso exacerbado pode estar associado a um aumento dos sintomas característicos do TDAH, tais como desatenção, impulsividade e hiperatividade. A hiperestimulação proporcionada por telas e dispositivos digitais pode exacerbar a dificuldade de concentração, levando a uma maior dispersão e dificuldade em manter o foco em tarefas prolongadas. A natureza imediatista e recompensadora dos conteúdos digitais pode reforçar comportamentos impulsivos, dificultando ainda mais o controle dos impulsos. A exposição excessiva a esses dispositivos pode contribuir para um ciclo de hiperatividade, uma vez que o estímulo constante impede o relaxamento e o descanso adequados. Portanto, é fundamental que intervenções voltadas para jovens com TDAH considerem a moderação e o controle do uso de dispositivos digitais como uma parte integral do plano terapêutico. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos, particularmente em atividades como videogames e redes sociais, está fortemente associado a um agravamento dos problemas emocionais e comportamentais em indivíduos com TDAH. Este uso intensivo pode levar a uma diminuição significativa da motivação para atividades acadêmicas, além de contribuir para um aumento do estresse no ambiente familiar. As evidências sugerem uma interação bidirecional complexa: o TDAH pode predispor os indivíduos a um uso problemático de telas, enquanto o consumo excessivo de mídia digital pode exacerbar os sintomas do TDAH. Estratégias de manejo para jovens com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade devem ser abrangentes e integrativas, incluindo a restrição do tempo de exposição às telas, a 12 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 promoção de atividades físicas regulares e a oferta de suporte emocional e educacional robusto. A limitação do tempo de tela é crucial para evitar a exacerbação dos sintomas de TDAH, pois o uso excessivo de dispositivos eletrônicos pode agravar a desatenção e a impulsividade. Paralelamente, a incorporação de atividades físicas na rotina diária é essencial, uma vez que o exercício regular tem demonstrado benefícios significativos na redução dos sintomas de TDAH, contribuindo para uma melhora na capacidade de concentração e no controle comportamental. Além disso, é imperativo fornecer suporte emocional adequado, que pode envolver intervenções psicoterapêuticas e aconselhamento, para ajudar os jovens a lidar com os desafios emocionais e sociais associados ao TDAH. O suporte educacional também deve ser prioritário, através de adaptações no ambiente escolar e estratégias pedagógicas personalizadas, visando otimizar o desempenho acadêmico e o desenvolvimento cognitivo. A implementação destas estratégias de manejo de forma integrada e coordenada é fundamental para minimizar os impactos negativos do TDAH e melhorar significativamente a qualidade de vida desses jovens. Por fim, novos estudos devem investigar não apenas a intensidade e a duração do uso de telas, mas também a qualidade do conteúdo consumido e seu impacto específico nos diferentes domínios dos sintomas de TDAH. É fundamental que as pesquisas futuras explorem intervenções digitais personalizadas, que possam utilizar as mesmas plataformas tecnológicas para promover hábitos mais saudáveis e comportamentos adaptativos entre jovens com TDAH. A integração de abordagens multidisciplinares, combinando neurociência, psicologia, pedagogia e tecnologia, será fundamental para desenvolver estratégias de manejo mais eficazes. Também é essencial investigar o papel dos pais e educadores na mediação do uso de dispositivos digitais, visando desenvolver diretrizes baseadas em evidências que possam ser aplicadas tanto em ambientes domésticos quanto escolares. Dessa forma, espera-se que as novas pesquisas contribuam para a criação de políticas públicas e programas educacionais que ajudem a mitigar os riscos associados ao uso excessivo de telas, promovendo um ambiente mais equilibrado e saudável para o desenvolvimento de crianças e adolescentes com TDAH. 13 Contribuciones a Las Ciencias Sociales, São José dos Pinhais, v.17, n.6, p. 01-14, 2024 jan. 2021 REFERÊNCIAS BOER, M. et al. Attention Deficit Hyperactivity Disorder-Symptoms, Social Media Use Intensity, and Social Media Use Problems in Adolescents: Investigating Directionality. Child Development, v. 91, n. 4, p. e853–e865, 2020. CAVALCANTE, L. T. C.; OLIVEIRA, A. A. S. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. Psicologia em Revista, v. 26, n. 1, p. 83-102, 2020. ENGELHARD, M. M.; KOLLINS, S. H. Os muitos canais de tecnologia de mídia de tela no TDAH: um paradigma para quantificar riscos distintos e benefícios potenciais. Curr Psychiatry Rep, v. 21, p. 90, 2019. 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