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OS IMPACTOS DAS REDES SOCIAIS NA SAÚDE MENTAL DOS
ADOLESCENTES
THE IMPACTS OF SOCIAL NETWORKS ON ADOLESCENTS MENTAL HEALTH
Ana Luiza Nunes Martins¹
Eliane Almeida Silva ²
Vitor de Assis Monteiro³
Vitória Gabriela Aguiar Gomes4
Karen Mendes Graner5
RESUMO
O uso de redes sociais, em especial, entre os adolescentes, é uma crescente gerando
questionamentos entre pesquisadores da área em relação aos seus impactos que podem afetar
à saúde mental. Nesse sentido, o presente estudo visa investigar a relação entre o uso de redes
sociais e a saúde mental dos adolescentes. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura,
seguindo etapas que incluem: definição do problema, seleção da amostra, caracterização dos
estudos, análise dos resultados, e apresentação e discussão dos achados. A coleta de dados foi
realizada por meio de buscas na base de dados Pubmed, resultando em 85 estudos.
Posteriormente, aplicaram-se filtros idioma (inglês, espanhol e português) e período (2014 a
2024), chegando-se a 61. Após a leitura dos títulos e resumos, 39 estudos foram excluídos,
totalizando 22 para análise na íntegra. Destes, 6 foram desconsiderados por não atenderem à
pergunta da pesquisa, e 16 estudos foram selecionados para a amostra final. Os resultados dos
estudos identificados apresentaram aspectos relevantes, destacando-se correlação significativa
entre o uso problemático das redes sociais e problemas emocionais e sociais entre os
adolescentes, como baixa autoestima, ansiedade, depressão e dificuldades na regulação
emocional. Além disso, o uso excessivo das redes sociais parece aumentar a vulnerabilidade
ao cyberbullying e agravar sintomas de transtornos psicológicos. Nesse contexto, a família e a
escola têm um papel protetor crucial, reforçando a importância de intervenções educativas e
preventivas para promover um equilíbrio saudável entre o uso do mundo digital e as
interações sociais.
Palavras-chave: adolescentes; impacto; rede social; mídia; internet; saúde mental.
¹ Acadêmica do 10º Período do curso de Psicologia da Universidade Vale do Rio Doce.
Email: ana.nunes@univale.br
² Acadêmica do 10º Período do curso de Psicologia da Universidade Vale do Rio Doce.
Email: eliane.silva@univale.br
³ Acadêmico do 10º Período do curso de Psicologia da Universidade Vale do Rio Doce.
Email: vitor.monteiro@univale.br
4 Acadêmica do 10º Período do curso de Psicologia da Universidade Vale do Rio Doce.
Email: vitoria.aguiar@univale.br
5 Docente do curso de Psicologia da Univale.
Email: karen.graner@univale.br
mailto:ana.nunes@univale.br
mailto:eliane.silva@univale.br
mailto:vitor.monteiro@univale.br
mailto:vitoria.aguiar@univale.br
mailto:karen.graner@univale.br
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INTRODUÇÃO
Os adolescentes são um grupo particularmente vulnerável, pois estão em uma fase de
desenvolvimento crítico de formação de sua identidade e autoestima. O conceito de
adolescência vem passando por mudanças por se tratar de uma construção cultural que evolui
ao longo do tempo (PAPALIA; FELDMAN, 2013). Desde o século XX, é considerada como
uma fase do desenvolvimento humano e pode ser compreendida como um período no qual
ocorrem as transformações físicas, emocionais e sociais (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
Nessa fase, os adolescentes confrontam-se com uma série de desafios, sendo destacadas por
flutuações de humor, a vulnerabilidade social e a necessidade de suporte familiar
(STEINBERG, 2014).
No Brasil, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a
adolescência é uma fase de desenvolvimento que abrange o período dos 12 aos 18 anos
(BRASIL, 1990). No entanto, o Ministério da Saúde, em conformidade com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), considera-a como um período da vida dos 10 aos 19 anos e a
juventude é estendida dos 15 aos 24 anos de idade (BRASIL, 2007).
A transição do mundo real para o mundo virtual tem se tornado cada vez mais presente
entre os jovens na atualidade. Com a crescente presença e influência das redes sociais, em
especial, entre os adolescentes, tem sido notável uma série de questionamentos e
preocupações em relação aos impactos nocivos à saúde mental (ALENCAR et al., 2018). De
acordo com Gonçalves e Nuernberg (2012), observa-se maior isolamento social através da
substituição das interações presenciais pelas relações mediadas por tecnologia, em especial
após o período pandêmico. Redes sociais são plataformas digitais que visam facilitar a
conexão e interação entre indivíduos ou grupos, permitindo a partilha de informações, ideias,
interesses e conteúdo. No entanto, o uso excessivo dessas plataformas tem se tornado cada
vez mais comum (DE CUNHA et al., 2022).
No mundo contemporâneo, a presença onipresente das redes sociais é inegável. À
medida que a influência das redes sociais continua a crescer, observa-se uma série de
preocupações relacionadas à saúde mental dos adolescentes. O constante uso de redes sociais
pode expô-los a uma série de desafios emocionais, incluindo cyberbullying, pressões para se
encaixar nos padrões de beleza e estilos de vida idealizados, bem como a sensação de
desconexão da realidade (DE CUNHA et al., 2022). Além disso, os jovens estão cada vez
mais expostos a uma série de informações midiáticas e interações sociais que podem
desencadear ou acentuar emoções diversas, como ansiedade, tristeza e estresse (ALENCAR et
al., 2018).
3
Como aponta Weinstein (2023), o uso excessivo das redes sociais está ligado a
comportamentos potencialmente prejudiciais, como a falta de controle sobre as atividades
cotidianas, autoestima reduzida, angústia, isolamento e desânimo. Tem sido também
consistentemente observado nesses indivíduos sinais e sintomas, como desânimo, angústia,
tensão, bem como diagnósticos de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e Transtorno de
Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Outros aspectos emocionais incluem reflexões
repetitivas, hostilidade e dificuldades na regulação emocional. Tanto a dependência da
Internet quanto o uso problemático das redes sociais são caracterizados pela falta de domínio
cognitivo e emocional, o que tende a interferir nas relações familiares e nas interações com
amigos, e a resultar em autoestima reduzida (NISKIER et al., 2023).
Em seu estudo, Bienzobás (2021) ressalta que as redes oferecerem respostas virtuais,
com retorno do engajamento, impactam a “vida offline”. Os adolescentes, com menor
autocontrole, tornam-se cada vez mais dependentes dessas respostas, aumentando seu
envolvimento. Quando não recebem o retorno esperado ou são inibidos de alguma forma
desse contato, experimentam sensações de abstinência, ansiedade e sofrimento psíquico.
A busca de uma vida “perfeita” por adolescentes com base nas redes sociais tem sido
uma realidade. Tal comportamento pode ser bastante prejudicial à saúde mental e às relações
interpessoais desses jovens. Segundo Lorenzon et al. (2013), por estarem em processo de
desenvolvimento da identidade e da autoconfiança, os adolescentes estão naturalmente mais
suscetíveis a agravos na saúde mental. Desta forma, a partir de uma revisão integrativa da
literatura, busca-se compreender: quais os impactos do uso das redes sociais na saúde mental
dos adolescentes? Nesse contexto, o presente estudo visa investigar a relação entre o uso de
redes sociais e a saúde mental dos adolescentes.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada seguindo as seguintes
etapas: estabelecimento do problema; seleção da amostra; caracterização dos estudos; análise
dos resultados e apresentação e discussão dos achados (SOUZA; SILVA; CARVALHO,
2010). A coleta dos dados foi orientada através da busca de artigos na base de dados Pubmed,
utilizando-se o seguinte conjunto de palavras-chave: (adolescents) OR ("young people") AND
(impact) AND ("social network") OR (media) OR (internet)AND ("excessive use") AND
("mental health"). Esta busca ocorreu de março de 2024 a junho de 2024, sendo incluídos
artigos disponíveis na íntegra, nos idiomas português, espanhol e inglês, publicados nos
últimos dez anos (2014 a 2024), conforme figura abaixo.
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Figura 1. Fluxograma da coleta de dados realizada na revisão integrativa da literatura.
=
Fonte: Elaborada pelos autores.
Obteve-se, ao todo, 85 estudos na íntegra. Em seguida, utilizou-se filtros para língua (inglesa,
espanhola e portuguesa) e para o período que compreende 2014 a 2024, obtendo-se 61
estudos. Após esta etapa, os títulos e resumos foram lidos, tendo sido excluídos 39.
Permaneceram para leitura na íntegra 22 artigos, sendo que 6 foram excluídos por não
abordarem a pergunta da pesquisa.
Total de artigos encontrados na
base de dados Pubmed
(N = 85)
Total de artigos encontrados após os
filtros: estar disponível na integra; ter
sido publicado nos últimos 10 anos; e
estar na língua portuguesa, espanhola ou
inglesa (N= 61)
Total de artigos excluídos
(N=24)
Total de artigos excluídos
após a leitura dos títulos e
resumos
(N=39)
Total de artigos após leitura na íntegra
(N=22)
Total de artigos
excluídos por não
abordar a pergunta de
pesquisa
(N=6)
Amostra Final
(N= 16)
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QUADRO 1. Identificação dos estudos (n=) selecionados na revisão integrativa sobre os impactos das redes sociais na saúde mental dos adolescentes.
TÍTULO ANO PAÍS TIPO DE
ESTUDO
AMOSTRA INSTRUMENTOS RESULTADOS PRINCIPAIS
The relationship between addictive use
of social media and video games and
symptoms of psychiatric disorders: A
large-scale cross-sectional study.
A relação entre o uso viciante de mídias
sociais e videogames e sintomas de
transtornos psiquiátricos: um estudo
transversal em larga escala.
2016 Noruega Transversal n=23.533
adolescentes
● A Escala de Dependência
de Redes Sociais de Bergen
(BSNAS)
● Escala de Dependência do
Facebook de Bergen
(BFAS)
● A Game Addiction Scale
(GAS)
● A Escala de Autorrelato de
TDAH em Adultos (ASRS-
Versão 1.1)
● Obsession-Compulsive
Inventory-Revised (OCI-R)
● a Escala Hospitalar de
Ansiedade e Depressão
(HADS)
● O Transtorno de Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH), o Transtorno
Obsessivo Compulsivo (TOC), a
ansiedade e a depressão se
apresentaram associadas
significativamente com o uso viciante
de mídias sociais e videogames.
● Associação significativa entre gênero e
tipo de uso viciante de tecnologia
(homens com videogames, mulheres
com mídias sociais).
● Estado civil solteiro correlacionado
positivamente com ambos os tipos de
uso viciante de tecnologia.
The impact of digital technology use on
adolescent well-being.
O impacto do uso da tecnologia digital
no bem-estar dos adolescentes.
2020 -
Revisão da
literatura -
● Revisão da literatura livre. ● O uso da tecnologia digital apresentou
efeitos mais fortes nos marcadores de
bem-estar hedônico de curto prazo (por
exemplo, afeto negativo) do que
medidas de bem-estar eudaimônico de
longo prazo (por exemplo, satisfação
com a vida).
6
Relationship between internet addiction
and mental health in adolescents.
Relação entre dependência de internet e
saúde mental em adolescentes.
2020 Reino
Unido
Estudo
transversal
n= 362
adolescentes
● Internet Addiction Test
● General Health Questionnair
e de 28 itens (GHQ-28).
● O uso excessivo de internet está
correlacionado com a piora na saúde
mental dos adolescentes.
● A Inteligência Artificial (IA) tem
impactos negativos nos relacionamentos
sociais, no desempenho acadêmico e na
saúde pública.
● IA é um fator de risco para depressão
grave e insônia.
● Adicção a internet se associa à elevada
ansiedade social e depressão.
Psychological Morbidities Associated
With Excessive Usage of Smartphones
Among Adolescents and Young Adults:
A Review.
Morbidades psicológicas associadas ao
uso excessivo de smartphones entre
adolescentes e jovens: uma revisão.
2022 -
Revisão da
literatura
n=38
estudos
- ● Identificou-se impulsividade
disfuncional relacionada ao uso de
Smarthphones;
● Estudos apontam que o uso de
smartphones tende a impactar
negativamente os adolescentes,
predispondo-os a problemas, como:
ansiedade, depressão, falso prestígio,
problemas de autocontrole, estresse
fisiológico, problemas de visão,
divagação mental, TDAH e TOC.
Mental Health, Smartphone Use Type,
and Screen Time Among Adolescents in
South Korea.
Saúde mental, tipo de uso de
smartphone e tempo de tela entre
adolescentes na Coreia do Sul.
2021 Coreia do
Sul
Estudo
transversal
n=54.243
● Questionário
sociodemográfico: idade,
sexo, área de residência,
status socioeconômico e
desempenho acadêmico.
● Questionário auto-
aplicável para avaliar a
finalidade do uso de
smartphones nos últimos
● Foi observado que a percepção do
estresse, a satisfação com o sono, os
sintomas depressivos e os indicadores
relacionados ao suicídio pioraram em
ambos os grupos (SI: Usar
Messenger/Chat (Line, My People,
KakaoTalk, etc.); utilizar
cafés/comunidades; usando e-mail;
SRS (blogs, Instagram, Twitter,
7
30 dias, com opções como
estudo, busca de
informações, uso de
mensageiros/chat, jogos,
leitura/baixar desenhos
animados ou novelas, entre
outros.
Facebook, etc.) e SNI: demais
respondentes), que usaram
smartphones por mais de quatro horas
por dia.
● O tempo de tela dos smartphones foi
diferente dependendo da finalidade
para a qual foram usados, e o risco
associado ao uso descontrolado foi
maior do que entre aqueles cujo
tempo foi definido.
● O tempo de tela de uso do smartphone
no fim de semana por
aproximadamente quatro horas
aumentou o risco para percepção de
estresse, insatisfação com o sono e
depressão.
● Em relação ao tempo de tela do
smartphone de aproximadamente duas
horas, mas menor que quatro horas
nos finais de semana, o risco de
insatisfação com o sono aumentou em
ambos os grupos.
8
Problematic Social Networking Site
use-effects on mental health and the
brain.
Efeitos problemáticos do uso de sites
de redes sociais na saúde mental e no
cérebro.
2023 -
Revisão da
literatura livre -
- ● Identificou-se impacto do uso
problemático de Sites de Redes Sociais
(SRS) no aumento da taxa de depressão,
ansiedade, estresse, TOC, TDAH e na
propensão ao uso excessivo de álcool;
● Maior vulnerabilidade à agressão,
cyberbullying e medo de perder
associados ao uso problemático de SRS.
Social media use in female adolescents:
Associations with anxiety, loneliness,
and sleep disturbances.
Uso de mídias sociais em adolescentes
do sexo feminino: associações com
ansiedade, solidão e distúrbios do sono.
2022 Inglaterra Estudo
transversal
n=41
● Escala Social Media
Disorder (SMD);
● Questionário sobre o uso
de mídia social;
● Inventário de Ansiedade de
Beck
● Escala Short Loneliness;
● Índice de Qualidade do
Sono de Pittsburgh (PSQI).
● Adolescentes com Transtorno das Redes
Sociais (SMD) experimentaram níveis
mais elevados de solidão. E houve
comprometimento na qualidade do sono.
● Interagir em plataformas como
Instagram, Twitter e Snapchat não
apresentou uma associação significativa
com a qualidade do sono.
The Impact on Family Functioning of
Social Media Use by Depressed
Adolescents: A Qualitative Analysis of
the Family Options Study.
O impacto do uso das mídias sociais por
adolescentes deprimidos no
funcionamento familiar: uma análise
qualitativa do estudo de opções
familiares.
2015 Austrália Análise
qualitativa
n=39
● Behavior exchange system
training (BEST-MOOD);
● Parentingadolescents
support training (PAST);
● Software Livescribe.
● Observou-se sensação de perda de
controle parental sobre o ambiente
familiar em relação ao uso de telas.
● Mudança na rotina familiar já que os
adolescentes passavam muito tempo
online, mudando planos e eventos
familiares e, em seu extremo, criando
uma atmosfera caótica para a vida
familiar.
9
Social Media Disorder, Mental Health,
and Validation of the Chinese Version of
27-Item Social Media Disorder Scale in
Chinese College Students.
Transtorno de mídia social, saúde mental
e validação da versão chinesa do
transtorno de mídia social de 27 itens
Escala em estudantes universitários
chineses.
2022 China Estudo de
Validação
Psicométrica
n=1.539
● Transtorno de Mídia Social
(SMD-27)
● Questionário problemático
de avaliação de uso de
mídias sociais móveis para
adolescentes (PMSMU)
● Questionário de saúde do
paciente-9 (PHQ-9)
● Escala de Ansiedade de
interação (IAS)
● Escala de Gravidade da
Fadiga (FSS)
● O estudo destacou que a versão chinesa
da Escala de 27 itens do Transtorno de
Mídia Social é válida e confiável para
avaliar o vício em mídias sociais entre
estudantes universitários chineses. Ele
também revelou uma alta incidência
desse transtorno, com até 20,9% dos
estudantes afetados, associado a um
impacto negativo no desempenho
acadêmico e riscos de problemas de
saúde mental. Isso ressalta a urgente
necessidade de desenvolver ferramentas
precisas para medição e intervenção.
Cognitive deficits in problematic internet
use: meta-analysis of 40 studies.
Déficits cognitivos no uso problemático
da Internet: metanálise de 40 estudos.
2019 - Revisão
sistemática da
literatura
n=40 estudos
-
● A maioria dos estudos nesta meta-
análise rastreou transtornos mentais
convencionais (como transtornos
afetivos: 78% e uso indevido de
substâncias: 80% usando instrumentos
validados).
● A meta-análise atual fornece evidências
sólidas de que a Uso Problemático de
Internet (definida de forma ampla e
operacional) está associada a déficits
cognitivas no controle inibitório motor,
memória de trabalho, inibição da atenção
de Stroop e tomada de decisão.
10
Internet addiction and mental health
status of adolescents in Croatia and
Germany.
Vício em internet e estado de saúde
mental de adolescentes na Croácia e na
Alemanha.
2017 Croácia
Estudo
Transversal
n=667
● Questionário Qualidade de
vida modificado (SF-36)
● Teste de Vício em Internet
(IAT)
● Forte correlação entre saúde mental,
qualidade de vida e dependência de
internet (p≤0,05).
● 39% dos adolescentes com problemas de
saúde eram moderadamente ou
gravemente viciados em internet.
● A prevalência de vício de uso de internet
foi de 20% entre os adolescentes com
saúde auto avaliada como “média”.
● 13% dos adolescentes com “boa” saúde
eram moderadamente ou altamente
viciados.
● Quanto melhor a auto avaliação de
saúde, menor o vício na internet, e vice-
versa.
Validation of the Social Media Disorder
Scale using network analysis in a large
representative sample of Czech
adolescents.
Validação da Escala de Transtornos de
Mídia Social usando análise de rede em
uma grande amostra representativa de
adolescentes tchecos.
2022 República
Tcheca
Estudo
Transversal
n=13.377
● Lista de Verificação Breve
de Sintomas do Health
Behavior in School-aged
Children (HBSC)
● Questionário Social Media
Disorder Scale (SMDS)
● Pontuações mais altas nas meninas,
especialmente nas faixas etárias de 13 e
15 anos, em comparação com os
meninos.
● Correlações positivas do questionário
SMDS com realizar outras atividades
online (tirar “self”, uso de computador,
frequência de uso de jogos e
comunicação online) e tempo de tela, e
correlações negativas entre SMDS com
bem-estar e saúde mental.
Adolescent Screen Use: Problematic
Internet Use and the Impact of Gender.
Uso de telas por adolescentes: uso
2024 Brasil Estudo
Transversal
n=180
● Teste de dependência de
Internet
● Índice de Atividades de
Tela (IAT)
● Escalas validadas como a
● Foram identificadas diferenças
significativas entre sexo, hábitos de tela
e atividades extracurriculares (p≤0,05).
● As meninas apresentaram classificação
geral em relação ao uso de tela maior em
11
problemático da Internet e o impacto do
gênero.
Smart-phone Addiction
Scale (SAS); Internet
Gaming Disorder-Short
Form (IGDS-SF) e Bergen
Social Media Addiction
Scale (BSMAS).
comparação aos meninos. Além disso,
adolescentes do sexo masculino
passaram mais tempo praticando
esportes regularmente, enquanto as
meninas eram mais propensas a relatar
estarem em um relacionamento.
Predictors of excessive use of social
media and excessive online gaming in
Czech teenager
Preditores de uso excessivo de mídias
sociais e jogos on-line excessivos em
Adolescentes Tchecos.
2017 República
Tcheca
Estudo
Transversal
n= 4.887 ● Questionário desenvolvido
que investiga consumo de
tabaco, álcool, outras
substâncias e atitude dos
estudantes em relação a esses
comportamentos.
● Questionário
sociodemográficos e tempo
gasto na Internet nos últimos
sete dias, especialmente
relacionado a jogos e
apostas.
● Os resultados destacam diferenças de
gênero: as meninas são mais propensas
ao uso excessivo de redes sociais,
enquanto os meninos são mais
prevalentes nos jogos online.
● Foi encontrada uma associação entre o
uso excessivo de redes sociais e o
consumo excessivo de álcool, além de
uma relação inversa entre o uso
excessivo de jogos online e o consumo
diário de tabaco.
12
Fonte: Elaborada pelos autores.
How have excessive electronics devices
and Internet uses been concerned?
Implications for global research agenda
from a bibliometric analysis.
O quão preocupante é o uso excessivo de
dispositivos eletrônicos? Implicações
para a pesquisa global por meio de
análise bibliométrica.
2020 - Análise
bibliométrica
n=2876
- ● O vício em internet esteve associado a
comorbidades psiquiátricas, incluindo
TDAH, transtorno depressivo, fobia
social e hostilidade.
● Foi identificado apoio social,
aconselhamento e Terapia Cognitivo-
Comportamental tendem a ajudar os
jovens a superar o vício de dispositivos
eletrônicos e da Internet, bem como
amenizar sentimentos de solidão. Além
disso, um bom relacionamento familiar e
o apoio escolar também parecem
fundamentais para prevenir o vício.
Are Mental Health Effects of Internet
Use Attributable to the Web-Based
Content or Perceived Consequences of
Usage? A Longitudinal Study of
European Adolescents.
Os efeitos do uso da Internet na saúde
mental são atribuíveis ao conteúdo
baseado na Web ou às consequências
percebidas do uso? Um estudo
longitudinal de adolescentes europeus.
2016 Estônia,
Hungria,
Itália,
Lituânia,
Espanha,
Suécia e
Reino
Unido
Estudo
longitudinal
online e
presencial
n= 2.286
● Escala de Suicídio de Paykel.
● Questionário desenvolvido
para avaliar comportamentos
de uso da Internet e variáveis
de saúde mental, o tempo
gasto com a Internet, o
tempo gasto em diferentes
atividades na Internet e as
consequências percebidas do
envolvimento nessas
atividades.
● O estudo identificou fatores de risco e
proteção relacionados à Internet para
problemas de saúde mental entre os
adolescentes europeus.
● O tempo gasto na Internet e em
conteúdos foram preditivos da saúde
mental dos adolescentes, principalmente
devido às consequências negativas,
como a perda de sono e a abstinência.
● O estudo ressaltou a importância de
diferenciar entre formas generalizadas e
específicas de uso problemático da
Internet, destacando que o uso da
Internet não é intrinsecamenteprejudicial, mas depende da atividade e
de como afeta o indivíduo.
13
RESULTADOS
O presente estudo tem como objetivo investigar a relação entre o uso de redes sociais e
a saúde mental dos adolescentes. Após os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados
16 artigos, entre o período de 2014 a 2024. A distribuição ao longo desses anos é apresentada
a seguir: um artigo publicado em 2015, dois em 2016, três em 2017, um em 2019, três em
2020, um em 2021, três em 2022, um em 2023 e um em 2024. Foi observada uma maior
concentração nos anos de 2017, 2020 e 2022, e nos demais anos foi encontrada uma
quantidade reduzida, destacando-se o ano de 2019 e 2021 com um artigo cada.
Gráfico 1 - Distribuição temporal das publicações selecionadas.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Com base no quadro 1, é possível observar que a maioria dos estudos selecionados são
provenientes de países europeus, totalizando sete estudos (SCHOU et al. 2016; VEISANI, et
al., 2020; AZHARI et al., 2022; KARACIC and ORESKOVIC, 2017; SABLATUROVA et
al., 2022; SPIKOVA et al., 2017; HOKBY, SEBASTIAN et al., 2016). Além disso, foram
identificados dois estudos provenientes do continente asiático (WOO et al., 2021; LEI HUI et
al., 2022), um da Oceania (LEWIS et al., 2015) e um da América do Sul (Brasil; NISKIER et
al., 2024). Vale destacar que cinco estudos não indicaram o país de origem.
14
Em relação ao delineamento dos estudos, os artigos revisados foram classificados em
diferentes tipos de estudos, conforme ilustrado no quadro 1. Entre eles, oito eram estudos
transversais (SCHOU ANDREASSEN et al. 2016; VEISANI et al., 2020; WOO et al., 2021;
AZHARI et al., 2022; KARACIC and ORESKOVIC, 2017; ŠABRATUROVÁ et al., 2022;
NISKIER et al., 2024; SPIKOVA et al., 2017), duas revisões de literatura tradicionais
(DIENLIN and JOHANNES, 2020; RATHOD et al., 2022), uma revisão de literatura livre
(WEINSTEIN, 2023), uma revisão sistemática da literatura (IOANNIDIS et al., 2019), um
estudo do tipo qualitativo (LEWIS et al., 2015), um estudo de validação psicométrica (LEI et
al., 2022), uma análise bibliométrica (TRAN et al., 2020) e um estudo longitudinal (HOKBY
et al., 2016). Essa diversidade metodológica oferece uma visão abrangente sobre o tema
pesquisado.
Identificou-se, também, grande variedade de instrumentos utilizados pelos
pesquisadores, destacando-se: a Escala Social Media Disorder (SMD; n=3), a Escala de
Dependência de Redes Sociais de Bergen (BSMAS; n=2), e o Teste de Dependência de
Internet (IAT; n=2). Especificamente, para avaliar sintomas ansiosos e depressivos, utilizou-
se com maior frequência o Inventário de Ansiedade de Beck (n=1; AZHARI et al., 2022), a
Escala de Ansiedade de Interação (IAS; n= 1, LEI et al., 2022), a Escala Hospitalar de
Ansiedade e Depressão (HADS; n=1; SCHOU, ANDREASSEN et al., 2016), e a Escala de
Suicídio de Paykel (n-=1; HOKBY et al., 2016).
A análise dos artigos revisados permitiu observar alguns impactos das redes sociais na
saúde mental dos adolescentes. De acordo com os estudos, o uso de redes sociais foi
associado a um aumento na taxa de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH) em quatro artigos (SCHOU ANDREASSEN et al. 2016; RATHOD et al. 2022;
WEINSTEIN, 2023; TRAN et al. 2020), e em três artigos houve uma associação significativa
com o aumento de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) (SCHOU ANDREASSEN et al.
2016; WEINSTEIN 2023; RATHOD et al. 2022). Além disso, quatro estudos relataram
associação entre o uso de redes sociais e o aumento da ansiedade, (SCHOU ANDREASSEN
et al., 2016; VEISANI et al., 2020; RATHOD et al., 2022; WEINSTEIN 2023), enquanto seis
obtiveram que o uso de redes sociais esteve associado a um aumento nos casos de depressão
(SCHOU ANDREASSEN et al., 2016; VEISANI et al., 2020; RATHOD et al., 2022; WOO et
al., 2021; WEINSTEIN., 2023; TRAN et al., 2020). Em relação ao prejuízo geral na saúde
mental, cinco artigos destacaram que o uso excessivo de redes sociais pode agravar condições
pré-existentes ou contribuir para o desenvolvimento de novos transtornos mentais (VEISANI
et al., 2020; LEI et al., 2022; KARACIC and, 2017; ŠABLATÚROVÁ et al., 2022; HÖKBY
15
et al., 2016). Da mesma forma, estudo realizado por Lewis et al. (2015) obteve que solidão e
falta de apoio social estiveram associadas ao uso problemático da internet. Em contraste, boa
avaliação do relacionamento familiar e ter suporte escolar demonstraram potencial para
mitigar os efeitos negativos da mídia.
Em relação às diferenças de gênero e o uso de redes sociais, quatro artigos apontaram
que meninas tendem a usar redes sociais com mais frequência para diversos fins, como por
exemplo, estabelecimento ou manutenção de relacionamentos (SCHOU ANDREASSEN et
al., 2016; SPILKOVÁ et al. 2017; NISKIER et al., 2024; ŠABLATUROVÁ et al., 2022), e
nesses estudos dois artigos sugeriram que homens parecem mais propensos a utilizar jogos
online (SCHOU ANDREASSEN et al., 2016; NISKIER et al., 2024). Os resultados
apresentados indicam uma diversidade de impactos das redes sociais na saúde dos
adolescentes, variando de acordo com o tipo de uso e o perfil dos usuários.
DISCUSSÃO
A adolescência é um período fundamental na formação da identidade, no qual os
indivíduos enfrentam uma série de transformações físicas e emocionais típicas dessa fase,
incluindo a busca pela identidade e autoconhecimento, a deslocalização temporal e a
adaptação emocional à perda do corpo infantil acarretando frequentes dúvidas e incertezas
(FROIS et al., 2011). Esse panorama parece refletir a maneira como os adolescentes
enfrentam os desafios do processo de maturação corporal e hormonal decorrente da
puberdade, além de como lidam com as novas demandas que essas transformações evocam e
sua tentativa de encontrar o seu lugar na sociedade (SILVA; SILVA, 2017).
De acordo com Gonçalves e Nuernberg (2012), o aumento do uso das redes sociais
vem possibilitando aos adolescentes a troca de informações e interação com pessoas de
diferentes lugares simultaneamente. Essa interação virtual, muitas vezes impulsionada pelo
entretenimento, tem levado a uma notável transição do mundo real para o mundo virtual. À
medida que as conversas e conexões online se tornam mais atrativas, a interação social que
ocorria no mundo físico tem sido transferida para o espaço digital (MARINHO et al.,2018).
Conforme demonstrado por De Cunha e colaboradores (2022), com o avanço das
Tecnologias da Informação e Comunicação – TICs, principalmente durante e após o período
crítico de pandemia da COVID-19, o uso de Redes Sociais tem crescido exponencialmente,
principalmente entre os adolescentes. No entanto, à medida que o uso das redes sociais cresce,
torna-se cada vez mais crucial avaliar os possíveis impactos associados a essa superutilização.
Destaca-se que Relatório do Comitê Gestor da Internet no Brasil (BIMC, 2023), publicado em
16
2024, cerca de 25 milhões de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos tiveram acesso à
internet, e que 38% dos adolescentes da classe socioeconômica D e E (Critério Brasil)
acessam regularmente a internet exclusivamente por meio de celular, o que demonstra
crescente uso das mídias por esta população tende a influenciar na percepção de estresse,
insatisfação com o sono e sintomas depressivos (WOO et al., 2021).
Assim como identificado no presente estudo, o qual analisou 16 artigos, alguns
transtornos mentais têm sido associados ao uso excessivo de telas, como o Transtorno
Obsessivo Compulsivo (TOC) e o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH), os quais aparecem frequentemente juntos.
Em relação ao TOC, a superutilização de redes sociais pode estar associada à
pensamentos obsessivos e comportamentos repetitivos. As plataformas digitais oferecem um
ambiente onde a busca por informações, a necessidade de verificar constantementenotificações ou perfis, e até mesmo a comparação social podem alimentar comportamentos
compulsivos. A busca incessante por respostas, validação ou controle pode aumentar os
rituais repetitivos típicos do quadro. Assim também, pode ser observado em indivíduos que
apresentam sinais e sintomas de TDAH, uma vez que o uso contínuo de dispositivos digitais
promove estímulos constantes e imediatos, podendo reforçar comportamentos impulsivos e
dificuldade de concentração (SCHOU ANDREASSEN et al., 2016; TRAN, 2020).
Um fato inerente ao uso de redes sociais é a percepção de necessidade de imediatismo,
por exemplo, podendo amplificar a busca por recompensas rápidas, dificultando controle dos
impulsos entre os jovens. Como resultado, esses indivíduos tendem a apresentar maior
propensão ao comportamento de vício à internet, devido à sua dificuldade em regular o tempo
gasto online. Assim, há uma relação bidirecional entre o uso exagerado das mídias e os
sintomas do TDAH (impulsividade, agitação, desatenção) e do TOC, onde um reforça o outro,
potencializando os impactos negativos na saúde mental dos jovens (GRILLO et al., 2023).
Esse uso intensivo de redes sociais, em contrapartida, tende a criar um ciclo vicioso: quanto
mais os jovens recorrem a essas plataformas para atender à sua necessidade de estimulação,
mais difícil se torna para eles se adaptarem a situações que exigem paciência e atenção
prolongada (BERNARDO et al., 2023).
Embora seja uma ferramenta que pode disponibilizar muitos benefícios, o uso de redes
sociais acaba também expondo as crianças e adolescentes a situações emocionalmente
vulneráveis, como por exemplo o cyberbullying ou bullying virtual (ANDRADE, 2021). De
acordo com Weinstein (2023), estudo identificado na presente revisão, o cyberbullying é
definido como o uso de tecnologias de comunicação e informação envolvendo
17
comportamentos deliberados, repetidos e hostis contra um indivíduo ou grupo com intenção
de causar dano, impactando significativamente na saúde mental dos jovens (SANTOS, 2015).
Diferente do bullying tradicional, o cyberbullying tem um alcance maior na execução de suas
ações, vai além dos limites do espaço físico. Segundo Santos (2015), os agressores geralmente
são indivíduos que expressam seus sentimentos de angústia pela internet de forma hostil.
Dessa forma, o ambiente virtual tende a acarretar a sensação de liberdade a esses jovens,
permitindo uma inibição menor de comportamentos desadaptativos e emoções negativas.
Diante desse contexto, ressalta-se a urgência de abordagens preventivas e intervenções
conscientes para reduzir os impactos adversos do uso excessivo de redes sociais entre
adolescentes. O reconhecimento da elevada prevalência de condições de saúde mental
sublinha a importância de estratégias psicoeducativas que promovam uma relação saudável e
equilibrada com as plataformas digitais. Ações que envolvam pais, educadores e profissionais
de saúde são essenciais para criar um ambiente de apoio, orientação e diálogo, visando a
promoção da saúde mental dos adolescentes.
CONCLUSÃO
O presente estudo identificou que o uso problemático das redes sociais está fortemente
associado a uma série de problemas emocionais e sociais entre os adolescentes. Entre os
principais efeitos negativos, destacam-se a baixa autoestima, ansiedade social, estresse,
depressão, TOC e TDAH. Além disso, o uso abusivo dessas plataformas pode aumentar a
vulnerabilidade dos adolescentes à agressão e ao cyberbullying. Adolescentes que passam
mais tempo online tendem a desenvolver dificuldades na regulação emocional, o que agrava
sintomas de transtornos psicológicos. Esse comportamento disfuncional, denominado "uso
problemático de redes sociais", afeta negativamente o bem-estar psicológico e os
relacionamentos sociais dos jovens, exacerbando a desconexão entre suas vidas online e
offline.
Diante disso, a importância de um suporte adequado por parte da família e da escola é
inegável, pois esses fatores podem mitigar os efeitos prejudiciais do uso excessivo das redes
sociais. Ações educativas e preventivas são essenciais para promover um equilíbrio saudável
entre o mundo digital e as interações reais, promovendo o desenvolvimento integral dos
jovens e a sua saúde mental. Por fim, o presente trabalho ressalta a necessidade de
intervenções conscientes que envolvam pais, educadores e profissionais de saúde, visando
orientar os adolescentes sobre os riscos associados ao uso excessivo das redes sociais e
promover práticas saudáveis que favoreçam o bem-estar emocional e psicológico.
18
THE IMPACTS OF SOCIAL NETWORKS ON ADOLESCENTS MENTAL HEALTH
ABSTRACT
The use of social media, especially among adolescents, is increasing, generating questions
among researchers regarding its impacts, which may affect mental health. In this sense, the
present study aims to investigate the relationship between social media use and adolescent
mental health. This is an integrative literature review, following steps that include: problem
definition, sample selection, study characterization, result analysis, and presentation and
discussion of findings. Data collection was conducted through searches in the PubMed
database, resulting in 85 studies. Language (English, Spanish, and Portuguese) and period
(2014 to 2024) filters were then applied, narrowing the sample to 61 studies. After reading the
titles and abstracts, 39 studies were excluded, resulting in 22 for full analysis. Of these, 6
were disregarded for not addressing the research question, and 16 studies were selected for the
final sample. The results of the identified studies highlighted relevant aspects, notably a
significant correlation between problematic social media use and emotional and social issues
among adolescents, such as low self-esteem, anxiety, depression, and difficulties in emotional
regulation. Moreover, excessive social media use seems to increase vulnerability to
cyberbullying and exacerbate symptoms of psychological disorders. In this context, family
and school play a crucial protective role, reinforcing the importance of educational and
preventive interventions to promote a healthy balance between digital engagement and social
interactions.
Keywords: adolescents; impact; social network; media; internet; mental health.
19
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