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Saúde Mental do Idoso

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SAÚDE MENTAL DO IDOSO
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
 
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Sumário 
 
Saúde mental na atenção básica ............................................................................ 3 
Habilidades específicas do enfermeiro ................................................................. 4 
Alterações fisiológicas e as necessidades psicossociais do envelhecimento ........ 4 
Necessidade de novos modelos de atenção ao idoso. ........................................... 5 
Cuidado na Enfermagem ...................................................................................... 7 
O idoso e o processo do envelhecimento ......................................................................... 7 
Qualidade de vida ............................................................................................................ 9 
Qualidade de vida na terceira idade ............................................................................... 11 
Saúde Mental ................................................................................................................. 12 
Saúde mental na terceira idade ...................................................................................... 13 
Qualidade de vida versus saúde mental ......................................................................... 15 
ALTERAÇÕES SOCIAIS, BIOLÓGICAS E PSICOLOGICAS EM IDOSOS ............ 19 
TRANSTORNOS MENTAIS MAIS ACOMETIDOS EM IDOSOS ............................ 21 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE AS ALTERAÇÕES BIOPSICOSSOCIAIS
 ................................................................................................................................................... 22 
REFERÊNCIAS.................................................................................................. 25 
 
 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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Políticas Públicas de saúde para idosos 
 
As políticas públicas voltadas para a população idosa tiveram como marco inicial de sua 
trajetória, a Constituição Federal de 1988, que introduziu o conceito de seguridade social. Por 
sua vez, este conceito produziu modificações no enfoque das redes de proteção social, até então 
estritamente assistencialista, passaram a ter uma conotação voltada para o exercício da 
cidadania. 
Refletindo acerca dos ganhos e reconhecimento da cidadania da pessoa idosa, não 
podemos deixar de destacar que em 1990, por meio do Decreto Federal nº 98.963, o Presidente 
da República assegura a gratuidade nos transportes coletivos urbanos para a pessoa com mais 
de 65 anos de idade. 
A Política Nacional do Idoso, estabelecida em 1994 (Lei 8.842 - Anexo A), é entendida 
como um instrumento de cidadania, pois vem assegurar direitos sociais, objetivando garantir a 
autonomia, a integração e participação efetiva das pessoas a partir de 60 anos de idade em todos 
os âmbitos da vida em sociedade. 
São apontadas como exemplares as políticas públicas para idosos implantadas em alguns 
países, como a Dinamarca, a Itália e a França, nos quais, destacamos, não existe o incentivo 
para criação de lares para idosos, pois as políticas sócias senis são focadas no amparo da família. 
Já na Grécia, o apoio estatal resume-se ao pagamento da pensão da velhice (MARQUES; 
MEDEIROS, 2010). 
 
Saúde mental na atenção básica 
 
 
Inicialmente recordamos que a Atenção Básica se constitui como um dos níveis de 
assistência à saúde que se propõe a prestar cuidados primários, de origem pública, a indivíduos 
e famílias de uma comunidade (STANHOPE, 2004). 
A Estratégia Saúde da Família, antiga nomenclatura do Programa de Saúde da Família, 
é considerada a porta de entrada na atenção básica e uma das principais ferramentas de 
operacionalização do Sistema Único de Saúde (SUS). O modelo assistencial proposto pela 
constituição de 1988 necessita, para sua efetivação, de práticas assistenciais pautadas em 
valores como a solidariedade e cidadania (BRASIL, 1988). 
Objetivando contemplar as habilidades exigidas dos profissionais para trabalhar com 
 
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idosos, bem como as atividades desenvolvidas pelos sujeitos do nosso estudo, quais sejam os 
enfermeiros que atuam na Estratégia Saúde da Família, apresentamos, abaixo, uma relação das 
habilidades e atribuições dos profissionais que trabalham diretamente com idosos: 
 
Habilidades específicas do enfermeiro 
 
▪ Programar visitas domiciliares ao idoso em situação de risco ou pertencente a 
grupos de risco e por solicitação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS); 
▪ Realizar assistência domiciliar da pessoa idosa quando as condições clínicas e 
familiares da mesma não o permitirem ou assim o exigirem; 
▪ Supervisionar e desenvolver ações para capacitação dos ACS e de auxiliares de 
enfermagem visando ao desempenho de suas funções na atenção integral à pessoa idosa. 
(Silvestre; Neto, 2003). 
 
O processo de trabalho das equipes da Estratégia Saúde da Família inicia-se pelo 
mapeamento da área territorial onde esta situada a Unidade Básica de Saúde, através da 
identificação das principais lideranças da comunidade e do cadastrando das famílias em um 
formulário denominado de “Ficha A” do Sistema de Informação em Atenção Básica (SIAB). 
Nesta ficha existe um espaço para que o informante declare as doenças de que ele e seu grupo 
familiar padecem, incluindo às doenças mentais. 
As ações de saúde mental na ESF têm por objetivo primordial prevenir a incidência e/ou 
incluir o portador de transtorno mental – jovem ou idoso - na comunidade e reabilitá-lo na 
perspectiva psicossocial. 
 
Alterações fisiológicas e as necessidades psicossociais do envelhecimento 
 
Os idosos experimentam alterações fisiológicas ditas normais na visão, na audição, no 
tempo de reação; diminuição da amplitude dos movimentos e da flexibilidade, força, reflexos; 
tendência à incontinência urinária; comprometimento da memória e prevalência de doenças 
crônicas. Estas alterações nem sempre constituem processos patológicos em si, mas torna os 
idosos mais vulneráveis a algumas condições clínicas e doenças comuns (POTTER, 2009). 
Em função da problemática em estudo é importante dedicarmos atenção às necessidades 
humanas básicas, cuja formulação teórica é atribuida a Maslow (1935). Segundo este autor as 
 
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necessidadaes humanas básicas são hierarquizadas em cinco níveis de prioridades e designam 
as prioridades nos cuidados de saúde, em especial as prioridades nos cuidados de enfermagem. 
O primeiro nível diz respeito às necessidades fisiológicas. O segundo incluí as de 
segurança e seguridade e envolvem aspectos físicos e psicológicos. O terceiro nível se manifesta 
através das necessidades de amor e posse, incluindo amizade, relações sociais e amor sexual. O 
quarto aponta para as necessidades de estima e autoestima, que envolve a percepção de 
utilidade, autoconfiança e autovalorização. O último nível das necessidades básicas é uma 
refererencia aos desejos de autorrealização, de alcançar o ápice da capacidade de resolver 
problemas (POTTER, 2009). 
Neste contexto verificamos que as denominadas necessidades psicossociais abrigam 
diversas alterações que ocorrem durante o envelhecimento e que envolvem transições da vida 
e as perdas. 
Dentre as necessidades psicossociais apresentadas por alguns idosos, destaca-se o 
isolamento social, o prejuízo cognitivo ou estresse relacionado com aposentadoria que, 
frequentemente, é associado à passividade e exclusão. A capacidade de a pessoa idosa viver de 
modo independente, morando ou não com os familiares, é outra importante necessidade, na 
medida em que a moradia e o ambiente tem um impacto importante na saúde dos idosos. Idéias 
acerca da aproximação da morte, motivadas, em alguns casos, pela morte do conjuge, são 
fatores drásticos que afetam a vida dos idosos e que, frequentemente, atinge mais asmulheres. 
Outro importante grupo de necessidades diz respeito às modificações na expressão da 
sexualidade, em particular no tocante a frequência das relações sexuais. Mesmo se considerando 
a ocorrencia de uma diminuição da libido, não pode ser esquecido que as necessidades de amor, 
calor, troca e toque, não diminuem com o avançar da idade, uma vez que estas necessidades 
não se modificam com o passar dos anos. 
Algumas intervenções são importantes para a manutenção da saúde psicossocial dos 
idosos: como a comunicação terapêutica, toque, orientação para a realidade, terapia de 
validação, reminiscência e intervenções para melhorar a imagem corporal (POTTER, 2009). 
 
 
Necessidade de novos modelos de atenção ao idoso. 
 
Assim, no final da década de 1980, quando se intensifica o movimento de valorização 
do idoso em decorrência das análises demográficas acerca do envelhecimento populacional, 
 
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muitos profissionais nas áreas da saúde e das ciências humanas e sociais tomaram como ponto 
de partida a marcante obra de Simone de Beauvoir (1970), intitulada “A velhice”, e, no âmbito 
nacional, os eloquentes trabalhos de Eneida Haddad, “A ideologia da velhice” (1986), e de 
Ecléa Bosi, “Lembranças de velhos” (1987). 
Estas autoras discutem as relações entre o envelhecimento, à perda do valor social e o 
avanço do capitalismo, que findaram por transformar o idoso em um “elemento descartável”, 
na medida em que foi supervalorizada a capacidade produtiva em detrimento de outras 
dimensões do humano (VERAS; CALDAS, 2004). 
A partir de então os profissionais que focalizam o envelhecimento como: objeto de 
trabalho e de construção do saber. Batalham para resgatar o valor social do idoso. Tal resgate 
passa, inevitavelmente, por assegurar a cidadania plena. 
Em abril de 2002, na Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada 
em Madri, foi aprovado o “Plano Internacional de Ação sobre o Envelhecimento” (PIAE). Este 
documento foi referendado por todos os países membros das Nações Unidas e representa, 
portanto, um compromisso internacional em resposta ao rápido envelhecimento da população 
mundial. Destacamos que o PIAE define três áreas prioritárias de intervenção: 
1) como inserir o envelhecimento populacional na agenda do desenvolvimento; 
2) a importância singular e global da saúde; e 
3) como desenvolver políticas de meio-ambiente (tanto físico quanto social) que 
atendam às necessidades de indivíduos e sociedades que envelhecem. 
As ações acima propostas exigem a adoção de um novo modelo de atenção aos idosos, 
que tenha como imperativos éticos a participação e a solidariedade, articulados à ciência e a 
vida cotidiana. Segundo Serrano (2002), este novo paradigma compreenderia um modelo de 
desenvolvimento que leva em conta: a saúde como eixo das políticas públicas, uma atitude de 
cuidado na relação com a natureza, o compromisso com a participação social de todos, 
compreendendo a construção dos sujeitos-cidadãos, o resgate do lazer e das manifestações da 
espiritualidade; a inserção da perspectiva da promoção da saúde como prioritária e a integração 
das diferentes práticas culturais. 
Para edificar este novo referencial é necessário garantir a cidadania para todos, inclusive 
para aqueles que a tiveram e perderam. É nesta perspectiva que se pode resgatar o ser idoso 
como valor para a sociedade (VERAS; CALDAS, 2004). 
Porém, o contexto atual ainda não favorece plenamente a adoção deste modelo de 
atenção. Constata-se a baixa prioridade conferida aos idosos, mesmo que sejam reconhecidos 
 
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avanços nas políticas públicas (assistenciais, previdenciárias, de ciência e tecnologia), 
evidencia-se uma percepção inadequada das necessidades específicas dos idosos. Para atender 
as recomendações propostas se faz necessário desenvolver modelos de atenção à saúde do idoso 
que superem as práticas tradicionais, pois o atendimento que habitualmente lhes tem sido 
oferecido restringe-se, na melhor das hipóteses, ao tratamento clínico de doenças específicas. 
Veras e Camargo (1995) afirmam que, dentre as instituições públicas, a universidade é, 
no momento, a melhor equipada para responder as necessidades dos idosos, uma vez que existe 
uma gama de pesquisadores que podem por meio de investigações científicas remontarem, uma 
forma de atenção à saúde do idoso, diferente das práticas tradicionais. 
 
Cuidado na Enfermagem 
Cuidar é um fenômeno universal que influencia as maneiras pelas quais as pessoas 
pensam, sentem e comportam-se com relação umas às outras. Desde Florence Nightingale os 
enfermeiros têm estudado o cuidado a partir de uma variedade de perspectivas filosóficas e 
éticas. 
Alguns estudiosos da Enfermagem desenvolveram teorias sobre o cuidado devido à sua 
importância para a prática da enfermagem. Dentre as várias dimensões nas quais o cuidado 
pode se manifestar, ressaltamos que para a Enfermagem o cuidado é uma obrigação moral. 
Através do cuidado de outros seres humanos, a dignidade humana é protegida, aumentada e 
preservada (POTTER, 2009). 
É interessante perceber que a Enfermagem Gerontológica destaca-se num processo 
específico baseado na compreensão de parâmetros físicos, emocionais e de ordem social. Dessa 
forma, a avaliação funcional do idoso faz parte do cuidado de enfermagem, com ênfase na 
pessoa e nos sistemas de apoio com os quais possa contar. A Enfermagem inserida numa equipe 
interdisciplinar deve assistir o idoso de maneira individualizada, levando em consideração as 
suas limitações físicas, psíquicas e ambientais (CAMACHO, 2002). 
 
 
O idoso e o processo do envelhecimento 
 
Na civilização grega Hipócrates associava a velhice à idade de 56 anos. Aristóteles 
situava a velhice nos 50 anos, Santo Agostinho afirmava que a velhice aparecia aos 60 anos 
(VAZ, 2006). 
 
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A partir da década de 50, iniciou-se o processo do envelhecimento social, em 
decorrência à desvalorização econômica do saber e da experiência dos indivíduos que possuíam 
mais idade, houve a retirada destes do mercado de trabalho, apesar de se manterem aptos 
fisicamente (FARIA; OLIVEIRA; SIMÕES, 2012). 
Nos dias atuais, de acordo com o Estatuto do Idoso, idoso é considerada a pessoa que 
tenha 60 anos de idade completos. Apesar do Estatuto estabelecer a idade de 60 anos, alguns 
dos direitos exigem que o idoso tenha idade igual ou superior a 65 anos, tal como o direito à 
gratuidade no transporte coletivo, conforme previsão do artigo 230 da Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1998 (BOAS, 2007). 
A definição do idoso pode ser baseada em argumentos de caráter biológico, pois é uma 
fase de declínio de determinadas características físicas. Esta se inicia na maioria dos indivíduos 
em uma idade cronológica semelhante, o que faz a idade um critério de demarcação da velhice 
(CAMARANO, 1999). Porém a idade cronológica não pode ser o único fator que defina o 
envelhecimento, uma vez que o homem por ser um ser biopsicossocial é passível de ser 
influenciado pelo meio físico e sociocultural em que vive, o que confere o aceleramento ou 
retardamento do envelhecimento (RODRIGUES et. al. 1996). Devido a isso, a Organização das 
Nações Unidas (ONU) define os idosos nos países desenvolvidos a partir de 65 anos e nos 
países em desenvolvimento a partir dos 60 anos (ONU, 1982). 
Atualmente estão surgindo novas formas de classificar os idosos. Nos países ocidentais 
caracteriza um individuo na terceira idade como aquele que não apresenta a idade produtiva 
para o trabalho e simultaneamente não possui decréscimo da saúde (CAMARANO, 1999). 
O envelhecimento trata-se de um processo dinâmico e progressivo, caracterizado por 
manifestações ocorridas ao longo da vida nos campos biológico, psíquico e social. Este 
processo ocorre de forma diferenciadaem cada indivíduo (MINCATO; FREITAS, 2007). 
O ideal é envelhecer de forma saudável através da interação multidimensional entre tais 
aspectos: saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte 
familiar e independência econômica (RAMOS, 2003). 
O envelhecimento saudável é denominado envelhecimento bem-sucedido, segundo Neri 
e Cachioni (1999) e está associado a realização do potencial individual para alcançar o bem-
estar físico, social e psicológico. 
Bowling et al. (2007), revisou os modelos de envelhecimento bem-sucedido, 
sumariamente os modelos mencionam que o envelhecimento bem-sucedido seja o 
envelhecimento saudável, deste modo trata-se em envelhecer com bem-estar, com qualidade de 
 
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vida, com saúde física e mental e no exercício das competências cognitivas. 
Quando o envelhecimento não é bem sucedido, o idoso tem grande tendência a 
apresentar comprometimento cognitivo e patologias, sendo que estes podem gerar a 
dependência total ou parcial na execução das Atividades de Vida Diária (AVDs), o que 
determina a necessidade de um cuidado específico. Esta é a principal causa da 
institucionalização de idosos (DEL DUCA et al., 2012). 
Na população idosa institucionalizada é esperado que o envelhecimento saudável seja 
uma meta, sendo esta uma conseqüência da qualidade da assistência multidimensional prestada 
(SILVA; FIGUEREDO, 2012). 
 
 
 
 
Qualidade de vida 
 
A Qualidade de Vida (QV) possui raízes na cultura oriental e ocidental, na oriental se 
mostra presente na antiga filosofia chinesa e medicina tradicional, e pode ser representada pelas 
forças Yin e Yang, respectivamente positiva e negativa que em equilíbrio significam boa QV. 
Já na cultura ocidental primeiramente era associada à visão aristotélica, que a felicidade é a 
atividade íntegra da alma, assim como sentir-se completo e realizado, sendo esta boa QV 
(KAWAKAME; MIYADAHIRA, 2005). 
Para Campbell, Converse e Rodgers (1976) a QV era um termo extremamente difícil de 
ser conceituado, e segundo os autores, é uma expressão que todos dizem, mas ninguém sabe 
defini-la. 
O termo e o conceito de QV surgiram com o crescimento e o desenvolvimento 
econômico ocorridos após a Segunda Guerra Mundial, embora alguns estudos apontem indícios 
do termo na década de 30 (SEIDL; ZANNON, 2004). 
Estudos com este tema no Brasil surgiram nos anos 70, porém foi somente na década de 
90 que a subjetividade e multidimensionalidade agregaram-se ao conceito QV, quando este foi 
revisto por especialistas da OMS (Organização Mundial da Saúde) (ORLEY; KUYKEN, 1994). 
 
A qualidade de vida é um dos principais objetivos que se tem perseguido nos ensaios 
clínicos atuais. A ciência médica precisou definir conceitualmente, o que ela entende por 
 
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qualidade de vida. Não poderia ser determinada pelas condições ambientais ou pelo 
comportamento influenciado pelo meio social em que se vive. A qualidade de vida foi definida 
como sensação íntima de conforto, bem-estar ou felicidade no desempenho de funções físicas, 
intelectuais e psíquicas dentro da realidade da sua família, do seu trabalho e dos valores da 
comunidade à qual pertence (NOBRE, 2011 p.299). 
 
De acordo com Alleyne (2001), a QV é a percepção subjetiva do indivíduo, frente a sua 
postura na vida, considerando o contexto cultural em que vive e dos seus valores e preceitos em 
relação aos seus objetivos e expectativas. 
Cella e Cherin (1987) definiram o conceito de QV como a distância entre os objetivos e 
a realização destes. A QV pode ser conceituada como a percepção individual de seu modo de 
vida, considerando todos os contextos: cultural, econômico, afetivo e as expectativas e objetivos 
a serem alcançados (GORZONI; PIRES, 2006). 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) (1998) define QV como a: [...] percepção do 
indivíduo de sua proteção na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele 
vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. 
Para a OMS (1998) a QV é multifatorial, ou seja, depende de seis domínios que 
representam domínios determinantes na qualidade de vida. Tais como: saúde física, saúde 
psicológica, nível de independência, relações sociais, meio ambiente e padrão espiritual. 
Rabelo e Neri (2005) acreditavam que a QV esteja relacionada com a satisfação com o 
que foi possível concretizar os ideais até o momento. 
Santos et al. (2002) relatou que o conceito de QV apresenta diversas definições que 
foram se modificando ao longo do tempo, baseando-se em três princípios: capacidade funcional, 
nível socioeconômico e satisfação. 
Segundo Hornquist (1990), a QV está relacionada com a habilidade física do indivíduo, 
o seu estado psíquico, a interação social, as atividades intelectuais, a situação financeira e a 
autoproteção de saúde. 
Também, pode ser definida pelo grau de satisfação em diversos aspectos da vida, 
familiar, amorosa, social e ambiental. Trata-se da capacidade de se realizar uma síntese cultural 
de todos os elementos que certa sociedade considera como seu modelo de conforto e bem-estar 
(WANDERLEY et al., 2012). 
Para Nahas (2001), a QV de modo geral está intimamente ligada a fatores como: estado 
de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, renumeração, lazer, relações familiares, 
 
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disposição e espiritualidade, ou seja, é um somatório de aspectos que fazem parte do cotidiano 
do indivíduo. 
Existe uma variedade de instrumentos que avaliam a QV, de maneira geral pelas 
seguintes escalas: Satisfaction with Life Domain Scale (SLDS), Lehman Quality of Life 
Interview (QOLI), World Health Organization Quality of Life (WHOQOL). O conceito de 
qualidade de vida consiste em um parâmetro importante aos conceitos tradicionais de saúde 
(BODUR; DAYANIR CINGIL, 2009). 
A avaliação da QV tornou-se extremamente visível em trabalhos científicos nos últimos 
anos. Através desses estudos pode-se confirmar que a qualidade de vida é imprescindível para 
a promoção da saúde física e mental, possibilitando o bem-estar social dos indivíduos, logo este 
tema se tornou alvo de estudos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (CARNEIRO et al., 
2007). O World Health Organization Quality of Life Group (THE GROUP WHOQOL, 1998) 
grupo de estudo sobre qualidade de vida da OMS, produziu uma escala WHOQOL para avaliar 
a qualidade de vida, sendo possível por meio desta analisar vários aspectos da vida como: bem-
estar físico e material, relacionamentos, atividades sociais, realização pessoal e recreacionais. 
Através da avaliação de todos esses contextos, pode-se chegar a um escore referente a qualidade 
de vida do indivíduo. 
 
Qualidade de vida na terceira idade 
 
O processo de envelhecimento é influenciado por diversos fatores, tais como a caráter 
genético, sexo, personalidade, estilo de vida, condições socioeconômicas, ambientais, valores 
individuais e espiritualidade. Esta é uma fase associada a perdas de papéis na sociedade e a 
solidão, sendo um obstáculo para se ter uma boa qualidade de vida (PASCHOAL; JACOB 
FILHO; LITVOC, 2007). 
De acordo com o conceito do envelhecimento bem sucedido de Rowe e Kahn, o segredo 
para envelhecer de forma sadia e com elevada qualidade de vida se dá mediante a combinação 
de dois fatores: a baixa probabilidade genética para doenças e a manutenção das atividades 
produtivas e das relações interpessoais (MORAES; SOUZA, 2005). 
O século XX trouxe muitas transformações e inovações tecnológicas que facilitaram a 
vida, porém acarretaram no isolamento e abandono dos idosos, visto que com o cotidiano 
atribulado tornou-se complicado haver tempo para se dedicar aos cuidados dos idosos pelos 
familiares, e freqüentemente sendo esta uma das causas para a institucionalização (MACHADO 
 
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et al., 2006). As alterações fisiológicas e patológicas no indivíduo idoso tendem a provocar as 
limitações físicas e mentais, o que ocasionam a dependência e a institucionalização (MOTTA; 
AGUIAR, 2007). Segundo a OMS a QV de um indivíduo, principalmente idoso, esta fortemente 
associada à manutenção da autonomia e a independência (OMS, 2005). A preservação da 
independência do idoso está atrelada a manutenção das condições físicas e psíquicas, que são 
determinantes para uma boa QV. 
Para Freire (2003), as dimensões física, psicológica, social e espiritual devem ser 
consideradas. Uma boa qualidade de vida implica em um indivíduo autônomo e independente, 
com boa saúde física, com senso de significado pessoal, desempenhando papéis sociais e 
permanecendo ativo. 
Para Andrade e Vaistsman (2002) as relações sociais apresentam uma grande 
importância na qualidade de vida do indivíduo, na velhice há redução destas, o que infere em 
risco à saúde, podendo ser comparado ao fumo, à pressão arterial elevada, à obesidade e ao 
sedentarismo. Segundo Del Prette e Del Prette (2002), as relações sociais conturbadas geram 
dificuldades nas habilidades sociais e estas por sua vez, estão associadas ao aparecimento de 
transtornos psicológicos que contribuem para a redução na qualidade de vida do sujeito, tais 
como: timidez, isolamento, depressão, ansiedade e suicídio. 
Foi realizado um estudo comparativo de avaliação da QV entre idosos 
institucionalizados e não institucionalizados da região metropolitana de Vitória (ES), com a 
aplicação do instrumento WOQOL-Bref. O resultado apresentado foi que os idosos não 
institucionalizados apresentaram os maiores escores em todos os domínios do instrumento, 
assim pôde-se concluir neste estudo que os idosos não institucionalizados apresentaram melhor 
QV. A ordem de maior satisfação entre as facetas foi: relações sociais, psicológico, global, físico 
e meio ambiente (OLIVEIRA et al., 2011). 
 
Saúde Mental 
 
Segundo Caplin (1989), a saúde mental (SM) se constitui em um estado de boa 
adaptação, com sensação subjetiva de bem-estar e prazer de viver, e sensação de que o indivíduo 
está a exercer os seus talentos e aptidões. Considera-se a saúde mental como o equilíbrio 
emocional entre o meio interno e as vivências externas. Sendo expresso pela capacidade do 
indivíduo de administrar as suas próprias emoções mesmo diante de um amplo espectro de 
variações no mundo (FONSECA, 1985). 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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Segundo a OMS, a SM não é somente a ausência de algum transtorno mental, é o “bem-
estar”, desta forma o indivíduo consegue realizar todas as suas atividades de forma satisfatória, 
como trabalhar de forma produtiva e colaborar para a comunidade em que se insere (WHO, 
2004). 
A SM é manifestada pelo bem-estar subjetivo, este é alcançado por meio da percepção 
da própria eficácia, da autonomia, da competência e da auto-realização das capacidades 
intelectuais e emocionais (WHO, 2004). 
A SM consiste em saber lidar com boas e más emoções, tais como: a raiva, o ciúmes, as 
frustrações e a culpa, porém quando estas emoções se tornam perturbadores e interferem nas 
atividades diárias há a necessidade de assistência profissional. Saúde mental, além disso, é 
capacidade do indivíduo de reconhecer os seus próprios limites e buscar auxílio quando 
necessário (DIMENSTEIN, 2004). 
 
Saúde mental na terceira idade 
 
O crescimento da população idosa no mundo foi determinante para o aumento de 
pessoas com risco de adquirir doenças neurológicas e psíquicas (MAIA; DURANTE RAMOS, 
2004). De acordo com Veras e Murphy (1994), um em cada seis idosos apresenta uma história 
de transtorno mental. 
Vários estudos demonstraram existir uma relação entre a qualidade de vida deficitária e 
o aparecimento de agravos mentais. Idosos que possuem um precário suporte social apresentam 
maiores chances de desenvolverem distúrbios psíquicos, tais como a depressão e ansiedade. No 
idoso, os fatores que podem desencadear sintomas depressivos são: a falta de contatos sociais, 
história de depressão pregressa, viuvez, eventos de vida estressantes, institucionalização em 
casas asilares, baixa renda, insatisfação com o suporte social, ansiedade, falta de atividades 
sociais, nível educacional baixo, perda do estado de saúde física e uso de medicação 
antidepressiva (IRIGARAY; SCHENEIDER, 2008). 
Garrido e Menezes (2002), proferem que os idosos fazem parte do grupo da população 
mais propenso a problemas de saúde, comparando- se à população geral. Os transtornos mentais 
são muito frequentes e correspondem a de cerca 8% de todas as doenças. Em estudo realizado, 
investigou 327 idosos quanto à prevalência de distúrbios mentais, o resultado foi que cerca de 
30% dos idosos apresentaram algum distúrbio mental (MAIA; DURANTE; RAMOS, 2004). 
Existem vários tipos de transtornos mentais prevalentes nos indivíduos de idade 
 
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avançada, entre eles os mais freqüentes são: a demência, a depressão e os transtornos de 
ansiedade. 
A demência afeta cerca de 5% dos idosos com 65 anos e 20% daqueles com 80 anos ou 
acima dessa faixa etária. Já, a depressão atinge em média de 5% à 35% do idosos, considerando 
o nível de gravidade da doença (ALMEIDA, 1999). Os transtornos de ansiedade se manifestam 
com maior freqüência em idosos com mais de 80 anos, isso se deve ao desgaste relacionado ao 
envelhecimento e às circunstâncias de perdas comuns nesta fase da vida. A menor satisfação e 
o pior padrão de qualidade de vida podem levar a manifestação de quadros ansiosos e 
depressivos (XAVIER et al., 2001). 
Os fatores desencadeadores da depressão são biológicos e ambientais. Os fatores 
biológicos são as alterações que ocorrem no sistema nervoso central, advindas da velhice, que 
ocasionam a redução de neurônios e de neurotransmissores, o que infere na perda de habilidades 
cognitivas e funcionais. Os fatores ambientais consistem na interação do indivíduo com o meio 
externo. Geralmente, na velhice, aumentam os estressores psicológicos e sociais, e, estes, se 
relacionam às perdas dos papéis sociais, pessoas queridas e a solidão (GUIMARÃES; 
CALDAS, 2006). 
Projeta-se que em 2020 a depressão será a segunda causa de perda funcional de idosos, 
uma vez que esta perda poderá gerar dependência e possível institucionalização (IRIGARAY; 
SCHNEIDER, 2008). 
De acordo com Garrido e Menezes (2002), no ano de 1997 entre todas as internações, 
as internações psiquiátrica estavam entre as dez primeiras causas no grupo de pessoas idosas e 
do sexo masculino. 
Em estudo realizado para verificar a incidência de ansiedade em idosos com mais de 80 
anos, constatou que 10,6% dos 77 idosos participantes apresentavam transtorno de ansiedade 
generalizada (XAVIER et al., 2001). 
Diversos autores afirmam a existência da correlação entre os relacionamentos sociais, a 
qualidade de vida e a capacidade funcional, sendo que estes fatores estiverem nefastos, se 
relacionam com a manifestação da depressão (CARNEIRO et al., 2007). 
Estudos estão fazendo uso do Inventário de Saúde Mental (MHI) em intervenções de 
estresse. O instrumento foi utilizado para avaliar níveis de depressão e ansiedade em estudantes 
de licenciatura em enfermagem de uma determinada faculdade, e, o resultado obtido, foi que os 
alunos do 1.º e 3.º anos do curso apresentaram níveis de ansiedade mais elevados comparando-
se aos alunos dos outros anos regulares deste curso (CLAUDINO; CORDEIRO, 2006). Outro 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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estudo com a aplicação do MHI para a avaliação da saúde mental em estudantes do primeiro ao 
sexto ano de Medicina da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior 
apresentou como resultado um alto nível de Distresse, ou seja, os entrevistados encontravam-
se com a saúde mental abalada (ROBERTOet al., 2011). 
Em vista dos argumentos expostos, pode-se dizer que a saúde mental satisfatória é 
sinônimo de prevenção a transtornos mentais em qualquer grupo etário, sobretudo em idosos 
moradores de ILPs, que normalmente apresentam menor autonomia, menor contato com os 
familiares e menor suporte social, sendo estes fatores mediadores da qualidade de vida 
insatisfatória e posteriormente podem ser a causa da manifestação de transtornos mentais. 
 
Qualidade de vida versus saúde mental 
 
Os conceitos de qualidade de vida e saúde mental são muito utilizados em pesquisas 
como sinônimos. Para o esclarecimento sobre as diferenças entre esses termos, Smith et al. 
(1999) realizaram estudos onde foi pesquisado os fatores que afetam a qualidade de vida em 
pacientes portadores de doenças crônicas. Definiram que qualidade de vida seja constituída por 
três esferas: funcionamento físico, funcionamento social e saúde mental. Foi observado que o 
escore da esfera mental afetou significativamente os escores da qualidade de vida, já o 
funcionamento físico foi a faceta que apresentou o escore menos expressivo. Esse estudo 
revelou que a saúde mental é uma dimensão constituinte da qualidade de vida e que, portanto, 
estão diretamente interligadas. 
Para Silva (2009), as condições de saúde, os fatores socioeconômicos, a fatores 
psicológicos, podem levar a deteriorização do bem-estar e de funcionalidades, podendo afetar 
a qualidade de vida. 
Em decorrência deste fato, Minayo et al. (2000) recomendaram que a qualidade de vida 
fosse vista de forma ampliada, ressaltando as condições humanas, espirituais e materiais que 
são extremamente imprescindíveis para a promoção à saúde e prevenção de enfermidades 
físicas e mentais. 
Assim, no presente estudo, busca-se encontrar relações entre a qualidade de vida e a 
saúde mental dos idosos. 
 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO TRATAMENTO DE IDOSOS COM 
TRANSTORNOS MENTAIS 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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O envelhecimento da população é uma situação mundial, que nos anos mais recentes, 
ganha uma maior importância nos países em desenvolvimento. No Brasil, o crescimento da 
população idosa é cada vez mais relevante, tanto em termos absolutos quanto proporcionais. Os 
efeitos do aumento desta população já são percebidos nas demandas sociais, nas áreas de saúde 
e na previdência (BRASIL. MS, 2013.) 
Conforme dados estatísticos, entende-se que, hoje no Brasil há aproximadamente 20 
milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos; e que, em 2025, esse número 
provavelmente chegará a aproximadamente 32 milhões, e com isso passará a ocupar o 6º lugar 
no mundo em número de idosos; e, em 2050, provavelmente, o número de pessoas idosas será 
maior ou igual ao de crianças e jovens de 0 a 15 anos, que será um fato marcante em todo o 
mundo, e o impacto dessa nova “ordem demográfica” será imenso (BRASIL. MS, 2013.) 
Na legislação com o advento do Estatuto do Idoso – Lei nº 10.741, de 1° de outubro de 
2003, é considerada uma das maiores conquistas da população idosa brasileira, pois garante que 
o envelhecimento é um direito personalíssimo do idoso e a proteção é um direito social, é de 
dever de o Estado garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde mediante a efetivação de 
políticas públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade 
(BRASIL. MS, 2013.) 
É de extrema importância saber que a idade cronológica não é um marcador preciso para 
as mudanças que vem com o envelhecimento. Existem diferenças significativas relacionadas ao 
estado de saúde, participação e níveis de independência entre pessoas que possuem a mesma 
idade (BRASIL, 2005). 
Sabe-se que o envelhecimento é um processo natural que caracteriza uma etapa da vida 
do homem, e ela vem acompanhada por mudanças físicas, psicológicas e sociais que acometem 
de forma particular, pois cada indivíduo tem sua própria maneira de envelhecer (MENDES, 
2005). 
A fase do envelhecimento agrega um conjunto de fatores que vai muito além da idade, 
pois deve-se levar também em consideração as condições biológicas, que está intimamente 
relacionada com a idade cronológica, e que tornasse mais acelerado devido a idade; as 
condições sociais variam de acordo com o momento histórico e cultural; as condições 
econômicas são marcadas pela aposentadoria; a intelectual é quando suas faculdades cognitivas 
começam a falhar, apresentando alguns problemas como o de memória, atenção, orientação e 
concentração; e a funcional é quando há uma perda da independência e da autonomia, 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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precisando de ajuda para desempenhar suas atividades básicas diárias (PASCHOAL, 1996; 
MAZO, et al., 2007). 
Na nossa sociedade, a velhice ainda não é percebida como simplesmente mais uma etapa 
da vida que pode ser vivenciada de forma saudável; pelo contrário, ela é percebida como 
sinônimo de problema, inutilidade e até mesmo de doença (BIRMAN, 1995). 
Na maior parte dessa etapa da vida, o idoso acaba sendo representado como uma pessoa 
improdutiva, debilitada e doente, de modo que sua imagem acaba sendo associada à decadência 
e à total dependência (ALMEIDA, 2003). 
Segundo estudos no ano de 1990, a maior parte da população mundial, 
aproximadamente 58%, tinha 60 anos ou mais, e a maioria parte residia em países em 
desenvolvimento. Portanto para o ano de 2020, provavelmente essa proporção deverá ser de 
67%, pois nesse período, a população idosa deverá aumentar em aproximadamente 200% nos 
países em desenvolvimento, enquanto nos países desenvolvidos é possível que esse aumento 
atinja aproximadamente 68% da população (MURRAY & LOPEZ, 1996). 
Diferente do que foi observado nos países desenvolvidos, onde o processo de 
envelhecimento da população ocorreu de forma gradual, nos países em desenvolvimento, 
inclusive no Brasil, tal processo vem ocorrendo em um curtíssimo espaço de tempo e de maneira 
bastante rápida (BRASIL, 2000; CARVALHO & GARCIA, 2003). 
Diversos fatores biopsicossociais de risco também predispõem os idosos a 
desenvolverem algum tipo de transtornos mentais. E existem diversos fatores de risco que 
incluem: Perda de papéis sociais, Perda da autonomia, Morte de amigos e parentes, Saúde em 
declínio, Isolamento social, Restrições financeiras e Redução do funcionamento cognitivo, que 
é basicamente a capacidade de compreender e pensar de uma forma lógica, com prejuízo na 
memória (BANCO DE SAÚDE, 2010). 
Entretanto, muitos transtornos mentais em idosos podem ser evitados, aliviados ou até 
mesmo, dependendo do caso, revertidos. Assim, podemos destacar a importância do 
desenrolamento de ações que impliquem na prevenção, promoção e controle da saúde da 
população idosa. E devido a isso se torna necessário que os profissionais de saúde, 
principalmente os da enfermagem, por serem os que permanecem mais tempo junto aos 
indivíduos/famílias, possuam abordagens integradoras e capazes de incluir a família nas 
estratégias de cuidado, possibilitando dividir as responsabilidades e evitando a sobrecarga 
física/emocional. Neste sentido, os enfermeiros, devem estudar e analisar esses tipos de 
abordagens numa perspectiva holística e multidimensional, de modo a identificar os focos mais 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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relevantes para a enfermagem e criar evidência científica que permita melhorar a resposta ao 
nível da prevenção, tratamento e reabilitação das pessoas mais velhas com problemas de saúde 
mental. (PASSOS, et al.,2014) 
Conforme foi citado acima, geralmente o idoso é caracterizado como uma pessoa 
improdutiva, debilitada e doente, e a sua imagem passa a ser associada à decadência e a total 
dependência. E com isso, fica vetado ao idoso a possibilidade de viver seu processo de 
envelhecimento com expectativas de conquistas e ganhos, restando apenas perdas e limitações, 
já que tais concepçõesincidem diretamente não apenas na identidade do idoso, mas também 
nas práticas sociais a ele dirigidas. 
Segundo Patel e Prince (2001), o acesso aos cuidados adequados para os idosos com 
transtornos mentais, doenças degenerativas, e às informações sobre esses transtornos precisa 
ser ampliado, tanto na comunidade quanto entre os profissionais de saúde, e aponta para a 
necessidade de diretrizes para o desenvolvimento de serviços de apoio apropriados para esse 
fim. 
Dentre os diversos profissionais de saúde que atuam em saúde mental, o enfermeiro e 
sua equipe são quem mais mantêm contato com os usuários. No entanto, o enfermeiro muitas 
vezes apresenta uma atuação com o paciente de forma autoritária de controlar, vigiar e reprimir 
o mesmo, no qual a melhor forma de agir é com atitudes terapêuticas diante do cliente em 
sofrimento psíquico, psiquiátrica e Reabilitação psicossocial (SOARES; RUZZON; 
BORTOLETTO, 2014). 
Considerando os aspectos abordados, nota-se uma maior atenção em administrar os 
medicamentos e manter o paciente sobre o efeito das medicações, tais ações fazem com que o 
idoso se isole cada vez mais da família e da sociedade, e com isso dificulta entender o idoso 
como um todo. As famílias veem o idoso como um fardo, um trabalho incessante, muitas vezes 
as famílias se deparam com essa situação sem nenhum preparo para lidar com o idoso e suas 
condições. 
O cuidado é uma característica essencial do ser humano e pressupõe uma postura de 
convivência, interação e comunhão. As relações de cuidado devem ocorrer na perspectiva 
sujeito-sujeito e não na perspectiva sujeito-objeto. Assim, as ações de cuidado devem ser vistas 
como um “processo permanente de busca de equilíbrio dinâmico de todos os fatores que 
compõem a vida humana” (SOARES; RUZZON; BORTOLETTO, 2014). 
 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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ALTERAÇÕES SOCIAIS, BIOLÓGICAS E PSICOLOGICAS EM IDOSOS 
 
Na realidade, existem diferentes formas de se definir e conceituar a velhice. Uma delas 
é a definição preconizada pela Organização Mundial da Saúde, que é baseada na idade 
cronológica, na qual a definição de idoso inicia aos 65 anos nos países desenvolvidos e aos 60 
anos nos países em desenvolvimento. No Brasil, de acordo com o Estatuto do Idoso (2003), as 
pessoas com idade igual ou superior a 60 anos são reconhecidas como idosas. 
Em todo o mundo, o número de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo 
rapidamente, mais do que o de qualquer outra faixa etária. A população de idosos, consideradas 
pessoas com 60 anos ou mais, cresceu 7,3 milhões entre 1980 e 2000, totalizando mais de 14,5 
milhões em 2000. No Brasil, até o ano 2025, o número de idosos chegará a aproximadamente 
32 milhões e será o sexto país em número de pessoas idosas (WHO, 2005). 
A etapa da vida caracterizada como velhice, só pode ser compreendida a partir da 
relação que se estabelece entre os diferentes aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e 
sociais, e é fundamental na categorização de um indivíduo como um ser velho ou não. 
A pessoa mais velha, na maioria das vezes, é definida como idosa quando chega aos 60 
anos, independentemente de seu estado biológico, psicológico e social. Entretanto, o conceito 
de idade é multidimensional e não é uma boa medida do desenvolvimento humano, pois a idade 
e o processo de envelhecimento possuem outras dimensões e significados que vai além das 
dimensões da idade cronológica (SCHINEIDER, IRIGARAY, 2008). 
Atualmente, os especialistas no estudo do envelhecimento referem-se a três grupos de 
pessoas mais velhas: os idosos jovens, os idosos velhos e os idosos mais velhos. O termo idoso 
jovem geralmente se refere a pessoas de 65 a 74 anos, que costumam estar ativas, cheias de 
vida e vigorosas. O idoso velho, se refere a pessoas de 75 a 84 anos, e o idoso mais velho, se 
refere a pessoas de 85 anos ou mais, que são aqueles que têm maior tendência para a fraqueza 
e para a enfermidade, e podem ter dificuldade para desempenhar algumas atividades da vida 
diária (PAPALIA, OLDS & FELDMAN, 2006). 
Embora esta categorização seja bastante usual, cada vez mais as pesquisas revelam que 
o processo de envelhecimento é uma experiência heterogênea, vivida como uma experiência 
individual. Algumas pessoas, aos 60 anos, já apresentam alguma incapacidade; entretanto 
outras estão cheias de vida e energia aos 85 anos (BEE, 1997) 
A velhice apesar de não ser considerada uma doença, atualmente ela ainda é associada 
a doenças e perdas, e contribui bastante para o consumo de cuidados de saúde, com o avançar 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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da idade verifica-se um declínio funcional, uma maior frequência de multimorbilidade e, 
portanto, elevados níveis de dependência, induzindo simultaneamente a polimedicação (OMS, 
2011). 
Seguindo a mesma ideia, percebe-se que a velhice é tratada como uma etapa da vida 
caracterizada pela decadência física e a ausência de papéis sociais, e com isso o avanço da idade 
ocorre como um processo contínuo de perdas e de dependência, que acaba retratando um 
conjunto de imagens negativas associadas a velhice. Essa visão negativa da velhice já atravessa 
séculos, e mesmo atualmente, com tantos recursos para prevenir e retardar doenças, essa fase 
da vida é temida pela maioria das pessoas e vista como uma etapa detestável. 
Porém como foi citado acima, a velhice é uma experiência individual, que pode ser 
vivenciada tanto de uma forma negativa quanto de forma positiva, depende da história de vida 
da pessoa e da representação que está enraizada na sociedade em que esse indivíduo vive. 
Na época contemporânea, florescer do século XXI, ao mesmo tempo em que a sociedade 
potencializa a longevidade, ela nega aos velhos o seu valor e sua importância social. Vivemos 
em uma sociedade de consumo na qual apenas o novo pode ser valorizado, caso contrário, não 
existe produção e acumulação de capital. Nesta dura realidade, o velho passa a ser ultrapassado, 
descartado, ou já está fora de moda (PACHECO, 2005). 
Seguindo a mesma ideia, percebe-se que é nessa fase da vida que é mais elevado as 
alterações e transtorno nos idosos, pois infelizmente ainda na sociedade o idoso não é 
valorizado, é considerado um ser “improdutivo”, e torna-se um peso para seus familiares e um 
ônus para os serviços previdenciários (PAPALÉO, 1996). 
E essa visão da sociedade perante o idoso, repercute na saúde mental e física da pessoa 
idosa que acaba incorporando, essa ideia de si mesmo, e entrando nessa etapa da vida com o 
pensamento de ser uma pessoa inútil e frágil. Desencadeando algumas características ou sinais 
quando estão em algum tipo de sofrimento psíquico, que se não for observado e tratado 
precocemente, pode evoluir para quadros depressivos, psicóticos, demências, distúrbios, 
transtornos, entre outros. 
Apesar de estudos sobre idosos com doenças mentais serem limitados, indicadores 
demonstram que há uma grande prevalência de transtornos mentais e processos demenciais na 
população idosa, sendo que sua prevalência pode aumenta de acordo com a idade. Já a 
depressão por sua vez é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns na população idosa. 
A presença de doenças físicas, a diminuição da capacidade funcional, a ausência de 
companheiros e o isolamento social, são considerados fatores de risco; já a mudança dos papéis 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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sociais, o tempo livre, sentimento de inutilidade e a diminuição das responsabilidades, são 
algumas alterações que podem estar presentes no processo para o desenvolvimento de algum 
tipo de alterações ou transtornos mentais (ATHENEU, 2007). 
 
TRANSTORNOS MENTAIS MAIS ACOMETIDOS EM IDOSOS 
 
Segundo estudos mais recentes, uma em cada 10 pessoas no mundo sofrem de algum 
distúrbio mental. Esse dado representa 10% da população mundial – aproximadamente 700milhões de pessoas – que sofrem com a perda de uma parte da reserva funcional cerebral, o que 
os torna mais vulneráveis para lidar com o estresse, relacionamentos interpessoais e até mesmo 
a qualidade de suas escolhas (OMS, 2017). 
Muitos fatores influenciam na saúde mental dos idosos, mas o processo biológico do 
envelhecimento, por si só, não vem associado a qualquer doença, mas sim à diminuição das 
reservas funcionais. Alguns aspectos podem favorecer o aparecimento das doenças psíquicas, 
como, os fatores biológicos, sociais e psicológicos, e isso inclui também a frustração por parte 
dos idosos por não conseguirem mais realizar algumas atividades que faziam parte do seu dia-
a-dia. 
Assim é fundamental que seja realizado um acompanhamento profissional deste o 
aparecimento dos primeiros sintomas, com o intuito de avaliar e tratar adequadamente cada 
situação. Ressaltando a importância da atuação de uma equipe multidisciplinar e equipamentos 
da saúde mental que acolham esta demanda (DATASUS, 2006). 
A demência e a depressão estão entre as principais causas de anos vividos com alguma 
incapacidade, e com isso incidem diretamente sobre a questão da dependência e da autonomia 
(VERAS, 1994; MURRAY & LOPEZ, 1996; CERQUEIRA, 2003). 
São vários os fatores associados à prevalência da depressão na velhice, entre eles as 
limitações e perdas (físicas, econômicas, sociais e afetivas) bem como a falta de um papel social 
para o idoso. Quanto à demência, fatores hereditários e estilo de vida podem estar associados 
ao seu aparecimento. As síndromes demenciais associam-se com depressão em 30% a 40% dos 
casos (CARVALHO & FERNANDEZ, 1996; 10/66 DEMENTIA RESEARCH GROUP, 
2000A). 
Entende-se que, tanto a demência quanto a depressão são reconhecidas como um 
problema de saúde, porem geralmente são subestimadas pelos profissionais de saúde, familiares 
e até mesmo pelos próprios pacientes, talvez porque a velhice esteja associada à doença, ou 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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porque muitas vezes confundem os sintomas descritos com outras patologias, e com isso acaba 
tendo diagnósticos tardios e até mesmo erros na avalição cognitiva do idoso (LUDERS & 
STORANI, 1996; MACHADO, 2003). 
Os transtornos de ansiedade são os mais prevalentes entre os transtornos psiquiátricos 
que acometem a população geral, e a ansiedade é altamente prevalente entre a população idosa. 
Os transtornos ansiosos desencadeiam alterações que afetam a qualidade de vida dos idosos, 
particularmente restringindo suas vidas sociais e diminuindo gradualmente a independência 
deles. Os sintomas estão geralmente associados a comorbidades psiquiátricas, principalmente a 
depressão e outras comorbidades clínicas, causando um impacto importante na qualidade de 
vida desses indivíduos (REV BRAS PSIQUIATR, 2005). 
Seguindo a mesma ideia acima, percebe-se que os transtornos mentais em geral não vêm 
junto com a idade, eles são desenvolvidos ao logo do tempo devido a razões expostas e à 
algumas alterações. E com certeza a sociedade e a família acaba “colaborando” indiretamente 
para o desenvolvimento desses transtornos psíquico nos idosos, devido à falta de valor e 
relevância que o idoso tem perante ao meio social. 
E é nessa fase da vida que os idosos sofrem as maiores perdas, que seria o luto de amigos 
e familiares, na maioria das vezes é nesse período que ocorre o distanciamento dos filhos devido 
as condições que esse indivíduo se encontra, e ele também acaba sofrendo a perda de status e 
com isso o seu papel social. E devido todo esse processo nessa fase da vida, ele corre o risco de 
desenvolver outros quadros, que são desencadeados pelas mesmas causas, como por exemplo, 
as demências degenerativas que são incuráveis e pioram com o passar do tempo, os transtornos 
mentais e as dependências de bebidas alcoólicas e fármacos. 
 E é diante de alguns desses transtornos mentais na população idosa, que se inicia a 
atuação dos profissionais de saúde, e dentre eles está incluso o enfermeiro, que atua não só nos 
cuidados, mas também em uma atuação mais ampla que é a proteção, prevenção, reabilitação e 
a recuperação da saúde, e o principal foco do profissional de enfermagem é no bem-estar do ser 
humano. 
 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO FRENTE AS ALTERAÇÕES 
BIOPSICOSSOCIAIS 
 
Devido ao crescimento da população idosa no Brasil, surgiu o decreto nº 1.948 de 03 de 
julho de 1996, que regulamenta a Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, que dispõe sobre a 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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Política Nacional do Idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências. Esta 
Lei tem por finalidade e princípios, assegurar direitos sociais que garantam a promoção da 
autonomia, integração e participação efetiva do idoso na sociedade, de modo a exercer sua 
cidadania, onde a família, a sociedade e o Estado são responsáveis em garantir sua participação 
na comunidade, defender sua dignidade, bem-estar e direito à vida (BRASIL. MS, 1994). 
Considerando os aspectos abordados, com o aumento da população idosa, o que vem 
ocorrendo de forma rápida e progressiva, exige que os profissionais da saúde, em especial os 
enfermeiros, estejam capacitados para atender as especificidades desta etapa da vida, 
melhorando a assistência prestada. E é de extrema importância e necessidade para a atuação do 
enfermeiro que ele tenha conhecimento do processo de envelhecimento de modo que ele esteja 
capacitado para orientar, acompanhar e atender integralmente as necessidades do idoso. E com 
isso poder também orientar os cuidadores e a família para executar os cuidados à pessoa idosa 
com ética, sensibilidade e responsabilidade. 
Observamos claramente a necessidade de uma maior atenção a população idosa, e é de 
elevada urgência que se iniciem programas que voltem sua atenção a estes idosos, que tem 
diversas vezes suas necessidades e problemas pouco conhecidos tanto pela sociedade em geral 
quanto pelos profissionais de saúde. E na formação do profissional de enfermagem deve-se 
investir amplamente no preparo para a assistência aos idosos, já que são geralmente portadores 
de diversos distúrbios psicosócio-econômicos, constituindo-se pacientes mais complexos, que 
exigem do enfermeiro mais tempo para a prestação dos cuidados, pois os idosos costumam ser 
portadores de múltiplas enfermidades (MONTEIRO, 1989). 
Seguindo a mesma ideia acima, almejamos que a formação acadêmica de profissionais 
enfermeiros seja baseada no desenvolvimento de atividades, que possa capacitar melhor esse 
futuro enfermeiro em relação ao processo de envelhecimento, pois a realidade de hoje é que 
apenas nos informam sobre esse processo. Pois nessa fase da vida, os idosos necessitam de 
profissionais sensíveis aos limites e peculiaridades presentes em cada indivíduo, a fim de 
compreender as modificações físicas, emocionais e sociais desta faixa etária. 
Baseando-se nos aspectos abordados, percebe-se o quanto é essencial que o enfermeiro 
desenvolva suas respectivas atividades junto à pessoa idosa, por meio de um processo de cuidar, 
que consiste em olhá-lo como um todo, considerando tanto suas necessidades físicas e 
biológicas como os aspectos biopsicossociais e espirituais. Essa concepção de cuidar prevê a 
interação do viver da pessoa idosa e com isso consegui promover um viver saudável e ativo, 
por meio da utilização das capacidades e condições de saúde do idoso, visando o seu contínuo 
 
SAÚDE MENTAL DO IDOSO 
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desenvolvimento pessoal de forma a estimular sua autonomia. Mesmo com a enfermagem 
desenvolvendo esse papel tão determinante na execução e cumprimento das leis direcionadas 
aos idosos, promovendo a inclusão social, e respeitando as capacidades e limitações dos idosos, 
ainda há muito a conquistar nessa área de conhecimento sobre o processo de envelhecimento. 
Dentre os diversos profissionaisde saúde que atuam em saúde mental, o enfermeiro e 
sua equipe são quem mais mantêm contato com os usuários. No entanto, o enfermeiro muitas 
vezes apresenta uma atuação com o paciente de forma autoritária de controlar, vigiar e reprimir 
o mesmo, no qual a melhor forma de agir é com atitudes terapêuticas diante do cliente em 
sofrimento psíquico, como, por exemplo, o acolhimento e empatia (SOARES; RUZZON; 
BORTOLETTO, 2014). 
A atenção ao idoso até um passado bem próximo não era valorizada ou considerada uma 
especialidade da área da enfermagem. O panorama no Brasil, vem sofrendo transformações na 
última década, transformações essas, decorrentes da conscientização do envelhecimento 
populacional e da necessidade do aprimoramento do conhecimento específico em enfermagem 
para assistir o indivíduo nesta faixa etária (TEIXEIRA; FERNANDES, 2003). 
Seguindo a mesma ideia acima, infelizmente mesmo com as transformações que o Brasil 
vem sofrendo em relação a conscientização do envelhecimento, percebe-se que ainda há muitas 
limitações nos cuidados prestados ao paciente idoso, principalmente quando esse paciente sofre 
de algum sofrimento psíquico, há uma “descriminação” desse paciente tanto pelos familiares 
quanto pelos profissionais da saúde, pois o idoso ainda é visto pela sociedade como uma pessoa 
inútil. Acima de tudo a assistência de enfermagem ao idoso requer além de conhecimento 
científico específico, a visão global das necessidades do indivíduo, sobretudo, àquele acometido 
de distúrbio mental. 
 
 
 
 
 
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