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VIGILÂNCIA DA SAÚDE A vigilância em saúde Primeiro, o que é vigilância? Vigilância significa vigiar e estar atento às circunstâncias para evitar riscos. Logo, a vigilância em saúde consiste em conhecer e ter atenção às diversas condições que podem oferecer riscos e prejuízos à saúde das pessoas. No Brasil, a Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ambas vinculadas ao Ministério da Saúde, são as responsáveis pela gestão da vigilância em saúde e pela implementação da Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS), de 2018. As principais vigilâncias foram previstas desde a Constituição Federal de 1988, sendo caracterizadas em sucessivas normativas posteriores, sendo as principais: Parte superior do formulário Parte inferior do formulário · Lei 8.080/1990: coloca as formas de vigilância no campo de atuação do SUS; executa as ações de vigilância sob responsabilidade municipal. · Política Nacional de Vigilância em Saúde (2018): regionalização da vigilância, com a sua inclusão nas Redes de Atenção À Saúde; intervenções individuais ou coletivas em todos os pontos de atenção. · Pacto pela Saúde (2006): inclui vigilância em saúde no Plano Diretor de Investimento (PDI); cria um bloco de financiamento direcionado para a vigilância; todos os municípios se responsabilizam pela vigilância. A PNSV correlaciona a vigilância em saúde e a regionalização, já que “regionalizar” é a orientação que a descentralização do SUS segue. Além disso, descreve o financiamento das ações de vigilância em saúde como tripartite, em que todos os níveis do governo devem custear, sendo um compartilhamento de responsabilidades. Vários fatores podem influenciar o estado de saúde de uma coletividade, como os relacionados ao meio ambiente, aos alimentos e ao padrão de evolução das doenças. Por isso, dividimos a vigilância em saúde de acordo com seu nicho específico, conheça-os a seguir. Vigilância epidemiológica É um famoso componente no cotidiano dos médicos, pois nela estão incluídas ações como vacinação, investigação de processos epidêmicos e sistemas de notificação. É exercida pelo Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE), que integra a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Segundo a Lei 8.808/1900, vigilância epidemiológica é um “conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer doença nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”. Ou seja, tem como função de coletar dados para as ações de prevenção e controle. E esses dados vem das notificações. Obs: notificação – comunicação de uma doença ou agravo à autoridade de saúde que alimenta o SINAM Seu papel não se limita apenas a identificar condições e fornecer dados, mas também analisa os resultados das intervenções e os divulga, identifica condições referentes à saúde, coleta e analisa dados e propõe e realiza intervenções, com ações como investigação de epidemia e endemias, notificação de doenças, vacinação e formulação de dados de indicadores. Notificação Quem pode notificar? Qualquer cidadão pode notificar. Mas para o prof. de saúde ela é compulsória. Se ele não notificar, ele está cometendo um crime! Quando? Não preciso da certeza!! Notifico com a suspeita Como? Pode ser semanal ou imediata (em até 24h - seja útil ou não!). De forma geral, as doenças com quadro arrastado têm notificação semanal. E as doenças com quadro agudo tem notificação imediata. Semanal: quadro clínico arrastado / biológico Imediata: aguda / VELOZ O que? Agravos nacionais / internacionais Estaduais / municipais (podem acrescentar agravos na lista, mas não podem retirar. Desconhecido (se surge uma doença que não faço ideia do que é de forma repetida tenho que notificar) / surto (algo que foge do padrão habitual)!! Notificações internacionais definidas pela OMS: · Int. antigas Cólera | Peste | Febre amarela (CPF) · Int. atuais: Varíola | Influenza | Poliomielite | SARS (VIPS) Atenção: se na sua região não tiver suspeita de nenhum caso, a regional tem que fazer notificação negativa!! Lista de notificação compulsórias Internacionais · Cólera · Peste · Febre Amarela · Varíola (seja a de humanos ou a de macacos) · Influenza · Polio | Paralisia Flácida Aguda · SARS (Coronavírus) – qualquer síndrome por coronavírus tenho que notificar Vacinas · Tuberculose · Hepatites virais · Difteria, Tétano, Coqueluche, Hemófilo “invasivo” · Rotavírus (Diarreia aguda /SHU) – só é notificado pelas unidades sentinelas · Doença Pneucócica “invasiva” – só é notificado pelas unidades sentinelas · Doença meningocócica | outras meningites · Sarampo | Rubéola | Cachumba (exceção da lista) · Varicela (grave | óbito) · Evento adverso grave vacinal Síndrome febril · Dengue | Chikungunya | Zika – os óbitos eu notifico de forma imediata!! Mas os casos em si, a notificação é semanal · Zika na gestante a notificação também é imediata! · Malária – malária extra-amazonica a notificação é imediata!! · Já a dengue na Amazonia, a notificação é semanal. · Leptospirose | Hantavirose · Febre tifoide · Febre maculosa | Riquetioses · Febre do Nilo Ocidental | Arboviroses (e. Febre do Oropouche, l) · Febre Hemorrágia e-reemergente · Febre purpúrica brasileira, arenavírus, lassa, ebola, Marbury Endêmicas · Esquistossomose · Neoplasias · Doença de Chagas (aguda / crônica) · Eventos de risco à Saúde Pública · Malformação congênita · Infantil e materno (óbito) · Calazar e tegumentar · Ac. De Trabalho (biológico / normal) Terrorismo · Botulismo: causa uma paralisia crânio caudal – pega o nervo frênico muito rápido · Antraz pneumônico · Violência – qualquer forma de violência é de notificação compulsória!!! Inclusive contra si mesma. Mas só será de notificação imediata se for de natureza sexual e suicídio. · Tularemia Bichos “loucos” · Doença de Creutzfeldt-Jacob (doença da vaca louca’ · Peçonhentos (cobra, aranha...) · Raiva / acidente com animal · Toxoplasmose (congênita / gestante) Exógenas · Agrotóxicos · Metais Pesados · Gases tóxicos Começam com “si...” · Sífilis · SIDA / HIV e HTLV · Síndrome do corrimento masculino só é notificado pelas unidades sentinelas · Síndrome neurológica pós febre só é notificado pelas unidades sentinelas · Hanseníase · Anemia falciforme · · Mnemônico para notificação imediata Violência SS Endêmicas L – malária Longe da Amazônia Óbitos por dengue, Chikungunya e Zika Zika na gestante Mnemônico para obrigatoriedade de notificação Bichos Endêmicas Si Terrorismo Exógenas Internacionais “Ranseniase” Anticorpos Sds febris Vigilância sanitária A vigilância sanitária, também prevista desde a Lei 8.808/1990, é coordenada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), organizadora do conjunto de ações e serviços que caracterizam o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). Segundo a PNVS, a vigilância sanitária é o “conjunto de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços do interesse da saúde. Abrange a prestação de serviços e o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo e descarte”. Em relação às ações, elas são realizadas em âmbito municipal, com exceção da fiscalização de aeroportos e fronteiras, responsabilidade da União, compartilhada com estados e municípios. Como exemplo de suas ações, temos o controle e fiscalização de restaurantes e mercados, equipamentos de proteção individual e equipamentos médicos, medicamentos, hemoderivados e órgãos humanos, saneantes e fábricas de cosméticos. Assim, a vigilância sanitária tem a função de orientação aos estabelecimentos e empresas que exercem atividades fiscalizadas por ela,e podem interditar e multar serviços que não estão em condições sanitárias adequadas de funcionamento. Anvisa A Agência Nacional de Vigilância Sanitária foi criada pela Lei 9.782/1999 para coordenar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, sendo ela uma autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, mas independente financeiramente. Entre suas principais competências estão: · Estabelecer normas, acompanhar e executar políticas e ações de vigilância sanitária; · Monitorar e auditar órgãos estaduais de vigilância sanitária; · Monitorar preços e publicidade de itens da saúde; · Interditar os locais de fabricação, controle, importação, armazenamento, distribuição e venda de produtos e de prestação de serviços para a saúde; · Autuar e aplicar penalidades; · Autorizar o funcionamento de empresas de fabricação, distribuição e importação de produtos relacionados à saúde; e · Consentir com a importante exportação de produtos relacionados à saúde. Vigilância ambiental No Brasil, a vigilância ambiental é responsabilidade da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, por meio do Subsistema Nacional de Vigilância em Saúde Ambiental (SINVAS). De maneira simples, a vigilância ambiental se preocupa com os fatores ambientais que podem interferir na saúde, com sua execução tipicamente municipal que atua em elementos como: · Agrotóxicos, amianto, mercúrio, benzeno e chumbo; · Qualidade de água para consumo; · Contaminantes químicos; · Desastres ambientais; · Riscos físicos (radiação); e · Poluentes atmosféricos. Além disso, está frequentemente articulada com outros órgãos governamentais com objetivos como exercer ações integradas com a Defesa Civil ou as vigilâncias sanitária e epidemiológica no controle de doenças. Assim, a vigilância em saúde ambiental possui cinco componentes estratégicos: VIGIAGUA, VIGIAR, VIGIPEQ, VIGIDESASTRES, VIGIFIS, cada uma responsável por um elemento de ameaça ambiental, como os citados na lista acima. Vigilância em saúde do trabalhador A vigilância em saúde do trabalhador (VISAT) é de responsabilidade e financiamento de todos os níveis do governo e suas ações são executadas a nível municipal e estadual. Ela atua de modo integrado às demais vigilâncias com o objetivo de proteger os trabalhadores em relação aos riscos da atividade de trabalho, sendo enfatizada como uma ferramenta para o desenvolvimento da saúde integral dos trabalhadores. Possui como objetivos: · Caracterização do território, perfil socioeconômico e ambiental da população trabalhadora; · Intervir nos determinantes de riscos a saúde dos trabalhadores, visando eliminá los ou atenuá los e controlá los; · Avaliar o impacto das medidas de controle adotadas contra os fatores determinantes dos riscos; e · Utilizar os diversos sistemas de informação para auxiliar a VISAT. PROCESSO EPIDÊMICO Como diferenciar endemia de epidemia? Não depende do número de casos! O número de casos não importa. O que diferencia uma da outra é um padrão: tenho que analisar os últimos 10 anos da doença. Por exemplo: vou analisar a Dengue – vou olhar no SINAN o número de casos de Dengue em janeiro de 2014, 2015, 2016, 2017... até 2023. Depois faço uma média dos janeiros. E depois faço fevereiro, março, abril, maio... até dezembro. Depois coloca essas médias em um gráfico, chamado de Diagrama de Controle: Cada doença de notificação compulsória tem seu próprio diagrama de controle!! O limite inferior é menos 1,96 desvio padrão. O limite superior (também chamado de limiar epidêmico) é mais 1,96 desvio padrão. Variação da incidência Se tiver dentro dos limites inferiores e superiores, ela é considerada uma endemia. Porém, se passar do limite superior, já vou falar em epidemia. E se tiver abaixo do limite inferior? Vou falar em decréscimo endêmico. A egressão é composta pela progressão e pela regressão. O componente de subida da epidemia é chamado de progressão. E quando começa a cair é chamado de regressão. Ex. Surge 01 caso de pólio autóctone na minha cidade – como chamo isso? Vou chamar de epidemia Ex. surge 01 caso de varíola no mundo, também é epidemia. Endemia: número de casos fica dentro do esperado. Epidemia: número de casos fica acima do esperado. EPIDEMIA Classificada de acordo de área geográfica acometida Surto Casos que tem relação entre si ou área geográfica muito pequena. Pandemia Vários países acometidos em mais de um continente. Obs: o fato de várias doenças estar em vários países ao mesmo tempo não é pandemia!! Para ser Pandemia, tenho que ter epidemia em vários países ao mesmo tempo. Classificada de acordo sua velocidade É classificada de acordo com o tempo que leva até chegar na incidência máxima. Progressiva / Pragada Normalmente, envolve uma transmissão pessoa-pessoa ou um vetor. É uma incidência que vai aumentando em degraus e demora. Ex: · Respiratória / sexual: gripe, COVID, IST · Mosquito: Dengue, febre amarela... Explosiva / Maciça Normalmente tem uma fonte comum de contaminação: · Ar (legionela), alimento (“maionese”) NÍVEIS DE PREVENÇÃO A história natural das doenças é dividida em períodos: · Pré patogênico: antes da doença (alicerce da doença) Aqui entra fatores ambientais, sociais e genética. · Patogênico: é o momento do surgimento da doença, sinais e sintomas, defeitos permanentes/cronicidade – e o desenlace (invalidez, cura e morte) Atenção: o surgimento da doença não é a mesma coisa que surgimento dos sinais e sintomas da doença. O período de incubação já está no período patogênico. Pré-patogênico Prevenção primária – vai prevenir o adoecimento!! Proteção específica: vacinação, acido fólico para gestantes. Promoção de saúde: saneamento básico, área de lazer (seria a prevenção primordial) Patogênico Prevenção secundária Tenho que eliminar rapidamente a doença para diminuir risco de complicações. Detecção da doença: rastreamento Tratamento precoce | limitação da invalidez Prevenção terciária (desenlace) Tenho que reduzir sequelas | permitir reintegração. Rastreamento entra aqui também. Medidas de reabilitação: fisioterapia. Outros níveis Prevenção quaternária Prevenir iatrogenia Prevenção quinquenária Prevenir danos ao paciente, atuando no profissional de saúde image2.png image130.png image140.png image150.png image160.png image170.png image180.png image190.png image200.png image210.png image220.png image230.png image35.jpeg image36.png image37.png image38.png image3.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png image45.png image46.png image47.png image48.png image4.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image55.png image56.jpeg image57.png image58.png image59.png image5.png image60.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.jpeg image28.png image29.png image30.png image31.jpeg image32.png image33.png image34.png image56.png image61.png image70.png image1.png image80.png image90.png image100.png image110.png image120.png