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MODELO DE MEMORIAL ACADÊMICO DESCRITIVO 
O Memorial Descritivo é uma autobiografia que descreve, analisa e critica 
acontecimentos sobre a trajetória acadêmico-profissional, intelectual e 
artístico do candidato, avaliando cada etapa de sua experiência. O texto 
deve ser redigido na primeira pessoa do singular, o que possibilita ao 
candidato enfatizar o mérito de suas realizações. 
 
Sugestão de Estrutura do Memorial 
1- CAPA 
a) Nome do candidato 
b) Título (MEMORIAL DESCRITIVO) 
c) Local 
d) Ano 
 
2 - IDENTIFICAÇÃO 
Nome completo. 
Filiação. 
Data e local de nascimento, nacionalidade. 
Profissão. 
Endereço completo com código de endereçamento postal, telefones, e -mail. 
 
3- FORMAÇÃO ACADÊMICA 
Na descrição, mencionar: 
* Graduação (se tiver mestrado, o mesmo vale para o curso de mestrado): 
a) Curso: 
b) Instituição: 
c) Ano de Conclusão: 
* Deve-se inserir comentários sobre como decorreram os cursos de formação, relatando 
também os reflexos destes na carreira docente. 
 
4- FORMAÇÃO COMPLEMENTAR 
Cursos de especialização e de aperfeiçoamento. 
 
5- IDIOMAS (indicar o grau de domínio). 
 
6 - INTRODUÇÃO 
Antes de entrar nas seções a seguir discriminadas, o candidato deve fazer uma 
introdução contando sua trajetória pessoal e acadêmica, incluindo sua formação, a sua 
escolha profissional, as linhas de atuação escolhidas, atividades de ensino e extensão 
universitária, suas realizações, seus objetivos, seus planos para o desenvolvimento de 
sua carreira de pesquisador, e como isso se situa no seu planejamento de vida. 
6.1- DESENVOLVIMENTO 
Iniciar o relato das memórias de sua vida pessoal e acadêmica. 
6.2- CONCLUSÕES 
Fazer um breve texto com as considerações sobre o que foi relatado. 
OBS: embora não exista um número limite formal de páginas, é aconselhado que o 
candidato saiba ser sintético e objetivo sem, no entanto, ser raso ou insuficiente em suas 
informações. 
 
 
TRABALHO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO VALENDO NOTA PARCIAL 
PARA O 2º BIMESTRE 
 
1- CAPA 
2- DEDICATÓRIA 
3- INTRODUÇÃO: MEMORIAL DESCRITIVO ACADÊMICO 
1.1 – FAMÍLIA E INFÂNCIA 
1.2 – INGRESSO NA ESCOLA – SÉRIES INICIAIS 
1.3 – SÉRIES FINAIS 
1.4 – ENSINO MÉDIO 
1.5 – FACULDADE 
1.6 – SONHOS E ASPIRAÇÕES PARA O FUTURO 
4- ANEXO COM FOTOS (NÃO É OBRIGATÓRIO) 
 
 Meu nome é Criziane da Silva Madruga, tenho 24 anos e vou contar 
um pouco de minha trajetória escolar e profissional em relação à 
educação. Posso dizer que minha infância foi ótima, morava na campanha 
e era super sapeca, pois tinha toda a natureza e o tempo livre para brincar, 
aprontar e chorar também. Meus pais sempre me deixaram livre para 
aproveitar minha infância: eu brincava com meus amigos, jogava bola, 
subia nas árvores, comia frutas, tomava banho de chuva e brigava muito 
também, pois isso é muito normal na vida das crianças. Quase sempre 
brigava com o menino Giovane. Mas o que mais eu adorava era andar a 
cavalo e cuidar dos meus 20 cordeirinhos, que eram uma felicidade só, 
pois até hoje sou uma eterna apaixonada pelos animais. Minha educação 
indireta com a escrita e com a leitura foi muito boa, pois sempre estiveram 
em torno de jornais, revistos, programas de TV, mesmo que meus pais 
tivessem poucos estudos sempre fizeram com que eu tivesse 
oportunidades de vivenciar a escrita. Quando minha mãe tinha uma venda 
onde morávamos, eu estava sempre metida atrás do balcão para vender 
também, mas como eu era tão baixinha, minhas mãos só davam para 
alcançar no pote das balas. Muitas vezes, as pessoas chegavam e 
colocavam a cabeça para dentro do balcão, para poder falar comigo. 
Quando eu ia passar minhas férias na chácara do meu avô, muitas foram 
às vezes que fiquei embaixo de uma figueira olhando uma revista de 
romance em quadrinhos, e como eu não tinha domínio com a leitura, eu 
mesma dava sentido para a história que estava vendo. Eu e minha irmã 
fazíamos boias de garrafa pet e fugíamos para tomar banho no arroio 
escondidas de meu avô. Adorava acordar de manhã bem cedinho e sentir 
aquele cheirinho de fumaça do fogão à lenha que meu avô sempre 
acendia, pois a hora que nós levantávamos e íamos direto assar milho 
verde. Sinto muita saudade e fico bastante emocionada em lembrar-me de 
coisas maravilhosas que fiz em minha infância. Uma brincadeira que me 
lembro bastante era a de entrar nos açudes e pegar sanguessuga, depois à 
gente gritava e tinha que queimar aquela bicha para sair de nós. Pode até 
parecer que são coisas estranhas, mas, para mim, tinha muito significado, 
mais ainda 4 porque eu era muito arteira, não tinha ninguém que 
conseguisse fazer a Xuxinha, que era meu apelido, ficar quieta ou dentro 
de casa: isso era impossível, eu estava sempre procurando algo para 
aprontar. 
 Comecei a estudar numa escola municipal situada na campanha, era 
uma escola rural. Ingressei com sete anos na 1ª série e fiz ate a 5ª série na 
mesma escola. As aulas eram todos os dias, porque a professora morava 
na escola. Quando eu chegava, todos tinham que fazer fila de menor a 
maior, e se dividia em duas: meninas de um lado e meninos do outro. No 
segundo momento era a reza. Todos os dias tinha a hora da oração e só 
depois deste momento que começavam as atividades. Era uma sala 
multisseriada, na qual penso até hoje que este era um dos motivos por não 
serem tão bem reforçados os conteúdos, pois a professora não tinha tanto 
tempo para dedicar-se a uma série específica, pois é muito difícil um 
professor conseguir trabalhar com muitas séries e vários níveis numa sala 
só. Na escola sempre era uma quantidade de 15 a 18 alunos, e a merenda 
era maravilhosa, feita por uma mulher que morava na granja, a qual todos 
os alunos chamavam de “tia Aldema”. Na hora do recreio era sempre 
livre: a gente corria no mato, brincava de jogar bola, mas muitas vezes por 
ordem de minha mãe eu não tinha recreio, porque eu tinha dificuldade na 
tabuada. Minha mãe então falava para a professora me deixar dentro da 
sala. Confesso que parecia que minha vida tinha andado uns dez anos sem 
aproveitar nada, só olhando meus colegas se divertirem, e eu lá só olhando 
por uma janela com a tabuada na minha frente. Depois a hora de ir embora 
era bem tranquilo, porque quase todos moravam ali bem perto, e quem não 
morava ia de bicicleta ou a cavalo. 
 Quando passei para a 6ª série, fui estudar numa escola municipal na 
cidade, porque onde eu morava era até a 5ª série. Achei realmente que o 
ensino que tive na escola rural foi bem fraco, mas mais significativo para 
mim. Tive um impacto muito forte ao chegar numa escola que tinha mais 
de trinta alunos numa única série, e a cada som da campainha trocava de 
matéria e, consequentemente de professor também. Os conteúdos não 
tinham nada a ver com o que eu via na outra escola. Sabe quando você 
parece que está num lugar que você não deveria estar? Pois é, era assim 
que eu me sentia nos primeiros quatro meses na escola em que eu estava. 
Outra coisa que senti muita falta foi dos diálogos que eu tinha com a 
professora na zona rural, 5 assuntos que eram bem interessantes. Lembro-
me que alguns dias ela sentava embaixo de uma árvore e nos contava 
histórias, fazia perguntas sobre o que nós gostaríamos que ela nos 
ensinasse. Hoje, sei que muitas das conversas eram prazerosas, porque ela 
num momento simples tirava muitas dúvidas nossas e, quando fui para a 
cidade, nenhum professor se preocupava comigo, e mais, nem estavam 
com seus alunos, só se lembravam do meu nome, muitas vezes, por causa 
da chamada, e isso também me faz questionar se quando era na campanha 
ela sabia nos conhecer, nos interrogar sem nos dar medo. Já quando fui 
para cidade cada vez mais eu tinha dúvidas, anseios que muitas vezes, 
motivo pela qual, nem sabia por que eu estava assim. Agora sei o diálogo 
era restrito. Mas uma coisinha boa, que me lembro desse momento, eram 
as bolinhas com recadinhos queos meninos da aula mandavam para as 
meninas. Como eu era nova na escola, todos os garotos me mandavam 
recadinhos: que fase bem gostosa de minha vida! Para minha sorte, o 
menino que eu adorava brigar quando criança, também estava estudando 
nessa escola. Ele morava no mesmo lugar que eu, vínhamos todos os dias 
junto para a cidade. A partir desse momento, comecei a olhar de modo 
diferente o Giovane, pois todos os dias ele tentava me agradar, mas não 
era daquele momento, já era bem de antes, mas eu não tinha percebido. 
Não sei se pelo motivo que já o conhecia desde meus quatro anos, e ele 
tinha seis, ou pelo motivo de ter ele como um amigo de infância. Só sei 
que, quando vi, estava apaixonada por ele e quando o via com outras 
meninas na escola, ficava furiosa que até não falava com ele. Pois bem, 
começamos a namorar escondido dos meus pais e de todos que moravam 
lá fora, mas tudo que é escondido sempre aparece: minha tia descobriu e 
contou para minha mãe. Minha mãe falou que até aceitava, mas ele tinha 
que falar com meu pai. Então ele falou, e começamos a namorar, mas 
tinha hora e dia para nos vermos. Como a gente ia e voltava da escola, era 
difícil de não se ver. Quando eu estava na 7ª série e já estava bem 
acostumada, começou outro problema que me marcou muito, pois todos 
da campanha dependíamos de um carro da prefeitura para nos levar, mas 
quando chovia não passava ninguém, porque as pontes enchiam e não 
dava para atravessar. Eu levantava as cinco da manhã para sair de lá às 
seis e meia, chegava à cidade às sete e 6 meia, porém teve um tempo que a 
Kombi estragou e não havia verba para mandar arrumar os carros, e o 
prefeito parou de mandar nos pegar. Fiquei três meses sem ir à escola: ia 
dois dias faltava quatro, e assim foi... Quando eu chegava lá, não tinha 
vontade de ir, porque todos estavam super afiados, e eu lá com uma pilha 
de coisas para estudar. A partir desse problemão, meus pais compraram 
uma casa na cidade, porque eu não tinha onde ficar para poder estudar. 
Meus pais não tinham família na qual eu poderia me hospedar. Para mim, 
confesso foi horrível, porque ficar longe de meu namorado e além do 
mais, sair do lugar onde eu tinha raízes foi bem difícil. Viver longe do que 
eu mais gostava e, quando eu chegava da escola, via minha mãe chorando 
por estar com saudade de lá, cortava-me o coração, mas sabia que era para 
o bem de minhas irmãs e meu também. Quando nos mudamos, eu já não 
tinha mais chance, porque eu estava reprovada em todas as disciplinas e, 
para piorar, direto no maldito “provão,” motivo pelo qual tenho alergia 
desse nome até hoje: bom, repeti o ano. Depois disso, comecei a trabalhar, 
para ajudar minha mãe e também para conseguir experiências. 
 Com isso, optei por fazer meu ensino médio na EJA, em uma escola 
estadual. Minha oportunidade era estudar só à noite, então optei pela EJA 
por ser em menos tempo e, à noite, porque em um ano e meio eu já estava 
com o ensino médio feito. Foi assim mesmo... Apavorei-me não naquele 
momento como aluna, mas agora quando comecei a faculdade, pois 
analisando agora a EJA, em alguns aspectos, ela é muito fraca, não nesse 
momento atual, mas quando cursei, sendo muito resumida, ou melhor, 
pouquíssimos conteúdos e muita decoreba. Para se ter uma ideia, tinha 
professor arquiteto que dava aula de disciplinas que não eram dessa área, 
mas terminei sem me dar conta do que tinha passado, pois agora que tenho 
uma visão de educadora, apavoro-me cada vez mais com o que os alunos 
vivenciam sem ter a mínima ideia de seu processo de aprendizagem. 
Depois de terminar o ensino médio, fiquei um bom tempo sem estudar, 
então resolvi fazer minha inscrição para o vestibular na Unipampa. Não 
estava muito preparada para assumir uma faculdade e ainda mais de 
Pedagogia, que não era o que eu pensava em fazer, mas para a alegria de 
minha mãe e de meu namorado Giovane. Passei, não acreditava que eu ia 
passar, mas nada é valido enquanto não se tenta. 7 Passei e comecei com 
muito entusiasmo, mesmo que, às vezes, as pessoas me perguntavam: 
“Mas por que Pedagogia? Que coisa sem graça...” Ao passar os dias, 
percebi que cursar uma faculdade não é fácil, mas faz a gente formar, 
pensar e criar novos conceitos sobre a educação de todos e, mais ainda, a 
nossa própria educação. A faculdade nos abre espaços que, muitas vezes, 
em toda a caminhada da escola, não foram propostos para nós, e isso 
atualmente acho muito importante, porque quantas foram as vezes que 
tinha algo a falar ou até a protestar, e não tinha uma chance sequer para 
isso acontecer. Era professor ali na frente autoritário, muitas vezes, e nós 
alunos ali um atrás do outro só copiando coisas que não tinham sabor e 
nem importância naquele momento, Pois, o que faltava era dialogicidade 
com os seres que ali ocupavam aquele espaço. Quando comecei a 
faculdade, tinha entusiasmo, agora tenho alegria, prazer, curiosidade no 
que estou fazendo, o que me deixa aborrecida é o fato de eu não aproveitar 
100% do curso por motivo de tempo, mas tento aproveitar todos os 
momentos que me oportunizam a conhecer e a aprender. Socializar é uma 
das coisas que aprendi no curso, porque antes eu era muito tímida ainda 
sou, mas não como antes. Nunca tinha atuado como professora e sim só 
como aprendente (aluno), mas na faculdade tive a oportunidade de 
estagiar com a educação infantil, que na verdade amei, apaixonei-me pela 
educação infantil, pois senti muita insegurança na minha prática. Não sei 
se foi por ser inexperiente, ou a primeira vez assusta mesmo. Acho 
também que, muitas vezes, o medo tomou conta de mim, e confesso: tive 
vontade de sair correndo da sala de aula, mas comecei a me acostumar e 
me adaptar em ser professora. Com o jeitinho meigo da turma, fui fazendo 
meu trabalho, mas poderia ter feito bem melhor, mas quando a demanda 
de coisas para você realizar é maior do que pode fazer, começa a cansar 
psicológica e fisicamente o ser. Mas voltando, foi poucos dias de medos e 
ansiedades, pois fiz uma interação muito boa com meus alunos e com os 
pais deles também. Para mim, foi muito bom, pois o papel de professora 
era bem diferente do que você estar ali trabalhando com crianças que 
muitas vezes não comeram, não tomaram banho, não dormiram, mas a 
meu ver meu trabalho foi bem satisfatório: não pela nota que recebi, mas 
sim na prática que exerci com meus alunos da 8 educação infantil, no pré-
jardim de uma escola municipal. Sei que no começo se pode haver 
estranhamento deles com professores novos, pois nessa faixa de etária eles 
sentem você com um carinho tão especial, uma “tia” muito aconchegante 
e, acima de tudo, te admiram e te respeitam. Pretendo sim continuar, fazer 
mestrado ou especialização, mas um tema que me chama atenção a 
educação inclusiva, pois é uma coisa que me instiga e me deixa com 
interrogações a respeito desse assunto. Com a Pedagogia, aprendi que o 
segredo está no olhar, que o professor junto de seus alunos tem que 
aprender a aprender e que valorizar o aluno não é dar boas notas, mas 
reconhecer sua bagagem, sua história, fazer com que a aprendizagem seja 
significativa e não somente aplicar conteúdos que na realidade não têm 
uma ligação com o cotidiano do aluno. Agora vou começar outra fase na 
faculdade: é o estágio em séries iniciais, mas quem sabe não me apaixono 
também? Para mim, a interação entre os sujeitos é um ponto 
importantíssimo para realizar ótimos trabalhos em sala de aula, pois só 
assim o aluno consegue mostrar-se e ver o conhecimento de seu colega. 
Em toda minha vida tive oportunidades de conhecer e dizer o que gosto e 
o que não gosto, sou extremamente grata a Deus, por ter tido momentos 
maravilhosos e ter tido pessoas especiais em minha vida. Muitas já não 
estão mais nela, mas muitas ainda estão fazendo parte ainda e com isso 
sou muito feliz, amo minha família, meus momentos de hojee de alguns 
que me deixam saudade. São lembranças que carregarei comigo sempre. 
Quando vou passar minhas férias lá onde eu morava, fico sempre feliz, 
pois por onde eu passo ou ando, me lembro de todas as coisas, momentos 
que muitas vezes, naquela época, não tinha tanto significado como têm 
agora para mim. Sei que meu chão é lá e, quando estou triste, cansada, 
estressada com meu trabalho, faculdade, ou melhor, com a vida daqui, vou 
para a campanha e me sinto tão leve, tão feliz, pois lá tem algo a mais, tem 
algo que me tranquiliza e mais: meu marido trabalha lá agora. Aquele 
amigo com quem eu adorava brigar, agora é meu amor, mais do que isso, 
é meu companheiro fiel nos momentos felizes e tristes de minha vida. 
Penso que consegui mostrar um pouco minha trajetória escolar, e sei que 
se sou o que sou é pelo simples fato de existir, de conseguir interagir com 
9 o meio em que estou inserida, mostrar meus conhecimentos para 
diversos indivíduos e em diversos momentos.

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