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AULA 3 - BIOMECÂNICA OCUPACIONAL E ERGONOMIA • Conceituar ergonomia e biomecânica ocupacional; • Entender a importância de adaptar o trabalho ao trabalhador; • Compreender as estratégias para redução das doenças e lesões ocupacionais. CONTEXTUALIZANDO A APRENDIZAGEM Bem vindo (a) novamente, caro (a) aluno(a)! Como vimos anteriormente na aula 02, o ambiente de trabalho, a estrutura física e a forma de relação da organização interferem diferentemente na qualidade de vida do trabalhador. Nessa aula, veremos outros dois componentes fundamentais da saúde ocupacional, que abrangem o ambiente de trabalho, e que estão intimamente ligados à prevenção de doenças ocupacionais: ergonomia e biomecânica ocupacional, e como atuam. Você já se perguntou de que forma a ergonomia melhora a qualidade de vida do trabalhador? Ou como a biomecânica se relaciona com o meio ocupacional, e ainda, como identificar e propor soluções para um ambiente que adoece? É o que iremos compreender nesta aula. Mapa mental panorâmico Para contextualizar e ajudá-lo(a) a obter uma visão panorâmica dos conteúdos que você estudará na Aula 3, bem como entender a inter- relação entre eles, é importante que se atente para o Mapa Mental, apresentado a seguir: BIOMECÂNICA OCUPACIONAL E ERGONOMIA 1 CONCEITOS DE ERGONOMIA E BIOMECÂNICA 1.1 CONCEITO DE ERGONOMIA 1.2 CONCEITO DE BIOMECÂNICA E BIOMECÂNICA OCUPACIONAL 2 PROCESSO DE SAÚDE-DOENÇA NO TRABALHO 2.1 ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO E PROJETO DE TRABALHO 3 GINÁSTICA LABORAL BIOMECÂNICA OCUPACIONAL E ERGONOMIA 1 CONCEITOS DE ERGONOMIA E BIOMECÂNICA 1.1 CONCEITO DE ERGONOMIA Caro aluno (a), você sabe que o corpo humano é composto por diferentes partes, pele, músculos, sistemas, órgãos, ossos. Cada parte é composta por inúmeras células que formam funções específicas, mas que funcionam de modo integrado. O corpo humano é basicamente dividido entre cabeça, tronco e membros superiores e inferiores (KROEMER, 2007). Você sabe como o corpo humano se move? O corpo humano se move devido ao seu sistema muscular espalhado por todo seu corpo e representa cerca de 40% do nosso peso corporal. O músculo é composto por milhares de fibras, que formam tendões se interligando a outros sistemas. A característica mais marcante dos músculos é a sua capacidade de contração; numa contração completa o músculo pode aumentar seu tamanho proporcionalmente ao seu trabalho. (KROEMER, 2007). Para a realização de qualquer atividade, incluindo as atividades laborais, o indivíduo exerce um trabalho muscular complexo, que é estático e dinâmico, o qual tem relação com um processo biológico decisivo, que é a ingestão adequada de nutrientes através da comida e bebida, que serão convertidas em energia química, mecânica e calor. É um processo complexo, por isso a necessidade de compreensão das diversas áreas que envolvem os princípios da ergonomia (CORRÊA; BOLETTI, 2015). As tarefas exercidas durante o período de trabalho, o tempo em que são exercidas e a posição em que se permanece durante essas atividades, podem gerar consequências para a saúde ocupacional. Posturas inadequadas, atividades e esforços repetitivos desencadeiam desconforto, fadiga, lesões, sendo necessária uma análise e adequação constante do trabalho ao ser humano (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Tal análise é uma prática preventiva, que é função da ergonomia, especialidade que engloba e integra ciências biológicas, sociais e psicológicas com a engenharia. Numa definição bastante simplista, a ergonomia se refere à análise da adequação do trabalho ao ser humano, para que sua interação, seja com produtos, máquinas ou processos, seja positiva e saudável (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A palavra Ergonomia vem do grego, ergos, que significa trabalho, e nomos, que implica normas, compondo a palavra que define a ciência que estuda as condições de trabalho. O surgimento de forma oficial da Ergonomia é pontuado a partir do século XX, porém sabe-se que a preocupação com as condições de trabalho e a busca por adaptações vêm desde a pré-história. A tentativa de adaptar armas de caça já poderiam ser consideradas formas de aplicações de ferramentas ergonômicas (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Os objetivos da ergonomia se embasam no conforto e satisfação dos colaboradores e na busca pela segurança durante a prática laboral, a partir do uso de equipamentos e produtos. Tem relação com o contexto biopsicossocial , mas principalmente com a qualidade da interação entre o trabalhador, as máquinas e seu ambiente de trabalho (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Biopsicossocial: significa a interação e a interferência de aspectos biológicos, psicológicos e sociais em um ambiente ou indivíduo. Considera a interação multifatorial na construção do meio, contrapondo-se a um modelo que considera apenas o modelo biológico como determinante. A ergonomia relaciona o homem e seu meio de trabalho, incluindo equipamentos, técnicas e máquinas, usando dos conhecimentos de várias áreas, como anatomia e a fisiologia, na resolução de problemas resultantes dessa relação. É uma disciplina científica que visa a melhorar os elementos do sistema de trabalho como um todo, ampliando o bem-estar dos colaboradores e o desempenho total da organização. Busca sempre uma evolução positiva e prática da configuração do trabalho (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Os princípios da ergonomia também têm sido discutidos há muito, porém surgiu como disciplina científica na década de 1940, quando a complexidade e tecnologia das máquinas e equipamentos começaram a crescer. O que se percebeu, a partir daí, é que o potencial desses equipamentos não era aproveitado, pois as pessoas não eram capazes de utilizá-los de forma vantajosa. Assim, começou uma investigação sobre a relação ambiente-máquina-pessoas, e a ergonomia foi ganhando força no que tange ao trabalho e a outros projetos de produtos (CORRÊA; BOLETTI; 2015). Cada atividade corporal exige um nível diferente de esforço, os movimentos necessários para realização da atividade e a forma como os músculos são utilizados devem ser programadas para que exerçam sua força máxima, mas com o menor esforço possível. A força máxima do músculo no desempenho de uma função varia de acordo com a idade, sexo, constituição física, condicionamento físico e motivação para a realização da tarefa (KROEMER; 2007). As orientações ergonômicas para a reformulação dos ambientes de trabalho são embasadas em medidas antropométricas e biológicas, mas também em padrões comportamentais dos trabalhadores e nas exigências do trabalho, de acordo com as experiências. Grande parte dessas orientações são normatizadas, tendo a força de uma lei, visando à qualidade de vida do trabalhador. A norma regulamentadora 17 trata da Ergonomia e objetiva promover o conforto, diminuir riscos de lesões dos trabalhadores e aumentar sua produtividade. Visa a garantir parâmetros de boas condições de trabalho, adotando fatores físicos e psicológicos, promovendo saúde e qualidade de vida. A NR17 é também chamada de Análise Ergonômica do Trabalho – AET. Essa análise vai avaliar características e condições de trabalho, os riscos ergonômicos, renovar procedimentos e prevenir problemas de saúde dos colaboradores (MINISTÉRIO DO TRABALHO, online). A NR17 é obrigatória para todas as empresas e regulamenta, principalmente, os parâmetros a seguir: levantamento e transporte de cargas; mobiliários dos locais de trabalho; as condições ambientais de trabalho e a organização do trabalho (MINISTÉRIO DO TRABALHO, online). Algumas das orientações são acerca de: altura de trabalho para atividades de pé, mesas com altura regulável para trabalho em pé, postos para trabalho sentado, distância entre assento e a mesa, postura do pescoço e da cabeça, entre outras normatizações (KROEMER, 2007). No Brasil, pesquisas na área ergonômica são recentes, datando as publicações de 1970 em diante. Em 1983, foi fundada a Associação Brasileira de Ergonomia (a ABERGO). Você pode acessar o site e saber muitomais sobre o tema, clicando aqui! A ergonomia auxilia no planejamento, projeto e avaliação de tarefas de trabalho, nos postos e ambientes de trabalho, e nos produtos, objetivando criar compatibilidade das necessidades com as limitações das pessoas que as executam. Sua performance vai variar de acordo com área de atuação, se é saúde, transporte, projeto de produto, segurança, mas sempre com o mesmo objetivo de garantir adequação dos meios à necessidade de quem os usa (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Além disso, a ergonomia atua investigando limitações e habilidades físicas e psicológicas do ser humano, avalia a utilização e sua adequação aos equipamentos, investiga riscos do ambiente ocupacional e promove melhorias, otimizando a utilização de equipamentos e máquinas de acordo com a fisiologia humana, entre outros (CORRÊA; BOLETTI, 2015). De forma geral, caro (a) aluno (a), a ergonomia e suas aplicações se dividem em três partes principais: A ergonomia física que tem relação com as capacidades anatômicas humanas, de acordo com sua fisiologia e biomecânica, e como influenciam na atividade física ocupacional. Prioriza estudos posturais no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, lesões musculares relacionadas ao trabalho, e projetos de postos de trabalho, segurança e saúde (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A ergonomia ocupacional visa a promover a otimização de sistemas técnicos e sociais das empresas e suas estruturas. As políticas de processos, comunicação, trabalho em equipe, organização temporal do trabalho, cultura organizacional, gestão de qualidade, são alguns dos processos melhorados através da ergonomia ocupacional. A ergonomia cognitiva trata-se dos processos mentais relacionados ao trabalho. Percepção, memória, raciocínio e resposta e como esses processos são afetados pelo trabalho, a carga mental gerada, tomada de decisão, desempenho individual, interação com as máquinas, estresse e treinamento (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Outra forma de nomear tipos de Ergonomia é definir conforme o método de abordagem. Assim, temos quatro tipos, segundo Bernardi (2010): Ergonomia de concepção é anterior à utilização das máquinas ou acessórios pelo trabalhador e aplica-se à fase de projeto do posto de trabalho; é essencialmente preventiva e tem um custo-benefício muito interessante para organização. Ergonomia de correção promove a adaptabilidade do ambiente de trabalho, depois de identificar problemas, seja por lesões, por diminuição de produtividade ou estresse. Gera um alto custo, sem garantia de benefícios. http://www.abergo.org.br/ Ergonomia de conscientização se dá através de treinamentos, capacitações e palestras, uso de materiais educativos que promovam a mudança nas atitudes dos colaboradores. Está ligada à ação corretiva ergonômica, quando é detectado que o problema era na atitude do colaborador. Dessa forma, busca-se conscientizar e orientar pessoas de modo que estas se sintam mais preparadas e motivadas para utilizar seu espaço e ferramentas de trabalho, ao passo que também diminui o desgaste na realização das tarefas. Ergonomia de participação é parte de um projeto ergonômico junto à ergonomia de correção ou de concepção, garantindo o bom uso da ergonomia de conscientização através de um comitê interno, formado na empresa, composto por representantes de todos setores, aumentando a representatividade e a efetividade da proposta. 1.2 CONCEITO DE BIOMECÂNICA E BIOMECÂNICA OCUPACIONAL Caro(a) aluno(a), você sabe o que é Biomecânica? Biomecânica é a ciência que estuda os aspectos mecânicos gerais dos organismos vivos. ‘Bio’, de vida, ‘mecânica’, que trata do estudo da ação das forças. Essas forças são tanto as internas, produzidas pelos músculos, como as externas, que interferem sobre o corpo. Os princípios da biomecânica são utilizados em diversos campos, sempre visando a solucionar problemas ligados à saúde e ao desempenho do ser humano (HALL, 2018). Desta forma, de acordo com as medidas médias antropométricas do corpo, são feitas adaptações ergonômicas para cada posição ocupada para cada posto de trabalho. É assim que a biomecânica ocupacional atua, dedicando-se ao estudo de posturas e tarefas de trabalho, sendo importante na redução do esforço físico e na diminuição da fadiga em excesso. Medidas médias antropométricas: são obtidas através do peso corporal, altura e circunferência abdominal. Tem como objetivos acompanhar a evolução de doenças tais como: insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal crônica, cirrose hepática, diagnóstico do estado nutricional (desnutrição, excesso de peso e obesidade), e avaliação dos riscos para algumas doenças (diabetes mellitus, doenças do coração e hipertensão) em crianças, adultos, gestantes e idosos. (BRASIL, 2013). Aluno (a), você sabe o que é fadiga? A fadiga é caracterizada pelo esgotamento físico e mental grave e crônico, diferente do cansaço ou da falta de motivação, já que não é advinda de exercício físico ou por alguma enfermidade diagnosticada. Trata-se de um estado global causado pelo desequilíbrio interno, que causa mal-estar e alterações psicossomáticas resultantes de esforços físicos e/ou mentais relacionados ao ambiente, às condições ambientais, individuais e de trabalho. As principais queixas de fadiga no âmbito ocupacional são cansaço excessivo depois de tarefas de esforço mental, fraqueza ou exaustão depois de esforços físicos mínimos, sintomas depressivos, dores musculares, tonturas, cefaleias, irritabilidade (OLIVEIRA et al., 2010). A biomecânica ocupacional é uma das áreas da biomecânica e liga-se ao estudo das tarefas e posturas do indivíduo no seu trabalho. Tem uma ligação íntima com a ergonomia e visa a soluções para aqueles problemas de adaptação ao ambiente de trabalho (VANICOLA; MASSETO; MENDES, 2004). Atua avaliando as propriedades biomecânicas, posturais, a mobilidade, a locomoção e a força muscular, possibilitando conhecer limites e capacidades do corpo humano para seu trabalho, diminuindo o risco de lesões. Os instrumentos e cálculos utilizados pela biomecânica ocupacional são usados junto às avaliações de estudos da fisiologia e psicologia, compondo uma interdisciplinaridade que promove a adequação e a qualidade de vida no ambiente de trabalho (VANICOLA; MASSETO; MENDES, 2004). A partir do constante objetivo de crescimento mercadológico e aumento de produção, cresce ainda mais a preocupação em manter e promover a saúde do trabalhador e, é claro, evitar os gastos referentes a tratamentos e afastamentos. Por isso a Ergonomia e a Biomecânica ocupacional tendem a se expandir ainda mais, de forma a promover meios preventivos que garantam a saúde e a qualidade de vida no trabalho (VANICOLA; MASSETO; MENDES, 2004). 2 PROCESSO DE SAÚDE-DOENÇA NO TRABALHO As doenças adquiridas a partir do trabalho, acidentes ou lesões, são as principais causas de afastamento do trabalho. Segundo os dados da Previdência Social, entre 2014 e 2018, foram registrados, no Brasil, mais de 1,8 milhão de afastamentos causados por acidentes de trabalho e mais de 6 mil mortes. Por ano, em média de 700 mil casos de doenças de trabalho são registradas no país, caracterizando, assim, uma questão de saúde pública, que é, muitas vezes, naturalizada pelas grandes empresas (FUNDACENTRO, 2019). Como vimos na primeira aula, saúde e doença são componentes importantes no ambiente de trabalho e merecem atenção, havendo sempre a necessidade de adaptação. Serão apresentadas algumas das doenças mais comuns no ambiente de trabalho e como a ergonomia pode amenizar seus impactos (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Aquelas atividades em que as pessoas tendem a permanecer muito tempo na mesma posição ou realizando o mesmo tipo de tarefa ou movimento exige bastante atenção. As lesões por esforços repetitivos (LER) são provocadas exatamente pela repetição de movimentos ou posturas inadequadas. A ergonomia auxilia muito na adequação desses ambientes e nas atitudes das pessoas envolvidas(CORRÊA; BOLETTI, 2015). Figura 1: Posturas Fonte: Disponível em créditos Digitadores, bancários, operadores de montagem e de telemarketing, costureiras e cortadores de cana, são alguns dos trabalhadores mais atingidos pela LER – lesões por esforços repetitivos –, que também é chamada de DORT, que são distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Os principais sintomas da LER são dores nos membros superiores, sensação de formigamento nos dedos e dificuldade de movê-los, sensação de peso nos braços, dores e desconforto nos membros superiores e pescoço, em casos de inflamação, mudanças na temperatura e na sensibilidade dos braços. Provocam afastamento temporário ou permanente do trabalho, e são resultantes de um trabalho excessivo sem o tempo adequado de recuperação do sistema musculoesquelético (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A LER ou DORT não se trata de uma doença específica, e sim de um grupo de doenças que afetam de forma comum o sistema musculoesquelético. Algumas dessas doenças são tendinite, síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, bursite, epicondilite, mialgias, afetando nervos, músculos e tendões. São causadas por vários fatores agressores que são mais conhecidos pelos movimentos repetitivos, mas que se estendem aos que exigem força, posturas inadequadas, estresse, trabalho muito estático, e até o frio ou condições climáticas podem gerar tais sintomas (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Para prevenir as LER, a ergonomia ocupacional recomenda evitar movimento rotacional do tronco, estender a coluna para trás, permanecer muito tempo na mesma posição, flexões para frente e para trás, e o manejo inadequado de cargas. A má postura pode provocar aumento do desconforto e até danos graves na coluna vertebral (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Aluno(a), conforme vimos em outras aulas, o estresse é um fator determinante na saúde ocupacional. O estresse pode aumentar a tensão muscular e pode piorar de forma significativa problemas de coluna. Algumas posturas comuns nos postos de trabalho: Posição sentada tem vantagens sobre a posição ereta, já que oferece mais apoio de piso, encosto, assento, braços de cadeira, causando menos cansaço. Porém, sem alinhamento adequado de tronco, cabeça, e costas, pode gerar dores, além de uma carga maior na região lombar. Recomenda-se alongamentos, variações posturais e de atividades. Posição deitada é incomum, mas em funções como mecânicos de manutenção de veículos grandes, essa é a postura mais frequente no trabalho. Nesse caso, não há concentração de peso ou tensão corporal, porém, sem o apoio adequado para a cabeça pode ser bastante exaustivo. Trabalho em pé oferece maior mobilidade corporal, maior deslocamento, promovendo dinâmica de tronco, braços e pernas, porém é mais exaustivo, pois exige esforço constante da musculatura. Deve ser intercalada com a posição sentada, com alinhamento adequado da coluna, para não haver sobrecarga, de forma a evitar dores lombares, nos braços e ombros. Postura das mãos e braços tarefas que exigem permanente posição dos braços e mãos de maneira inadequada geram dores e inflamações nos punhos, ombros e cotovelos. Também a posição com braços levantados sem devido apoio gera dores, e pode ser evitada com ações que não ultrapasse o nível do ombro. Algumas sugestões ergonômicas são sempre diversificar tarefas e posições, intercalando atividades e posturas, e utilizar o selim de apoio para o corpo quando necessário ficar de pé. Aluno(a), doenças ocupacionais respiratórias também são comuns, devido à inalação de componentes químicos presentes nos ambientes, que levam ao adoecimento. Algumas das doenças respiratórias são: antracose lesão pulmonar adquira por vários agentes presentes nas áreas de carvoarias. bissinose é o estreitamento das vias respiratórias adquirido pela inalação da poeira das fibras de algodão e linho. siderose é uma doença pulmonar adquirida a partir da inalação de pó ou vapor que contém partículas de óxido de ferro. Muito frequente em soldadores (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Além dessas citadas, outros tipos de contaminações respiratórias são conhecidas, porém não causam sintomas e nem disfunções. Outra consequência do adoecimento ocupacional é a perda auditiva induzida por ruído (PAIR). O ruído, de forma prolongada e intensa, gera surdez temporária ou permanente, causando dificuldade de audição e desconforto durante a atividade. Para evitar exposição inadequada a ruídos, o Ministério do Trabalho elaborou um programa de conservação auditiva (PCA), que visa a melhorar instalações e rotinas nas empresas, diminuindo riscos para os trabalhadores (CORRÊA; BOLETTI, 2015). O programa regulamenta uma orientação descrita no quadro abaixo: Quadro 1: Níveis de ruídos recomendados Fonte: Disponível em créditos Além dessas, existe também as doenças de pele que são frequentes no ambiente de trabalho, as dermatoses ocupacionais, ocasionadas por qualquer alteração de pele advindas de agentes químicos, físicos ou biológicos contidos no ambiente de trabalho (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Veja também, aluno (a), que doenças psicossociais são também muito comuns no ambiente de trabalho, e como já vimos anteriormente, estão muito relacionadas ao estresse, pressão para conclusão de tarefas, carga de trabalho excessiva, relacionamentos interpessoais, entre outros. É fundamental que a empresa promova um ambiente que facilite a comunicação e o conforto de seus colaboradores, assim como o próprio colaborador deve inserir hábitos saudáveis em seu dia a dia que preservem sua saúde e ajudem na solução de problemas (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A síndrome de Burnout é um transtorno psíquico caracterizado por uma tensão e estresse emocional que se tornam crônicos, advindos de condições inadequadas de trabalho, de ordem física e emocional. Trata-se de um esgotamento emocional e físico constante, que geram sintomas como irritabilidade, ansiedade, depressão, tendência ao isolamento, agressividade, cansaço persistente, dores de cabeça, entre outros sintomas. A prática de atividade física e relaxamento auxiliam na diminuição e prevenção do quadro. Diante de todos os quadros de adoecimento no trabalho, a ergonomia estuda formas de prevenir acidentes e preservar a segurança e qualidade de vida do trabalhador, e junto à legislação, aplica esses conhecimentos de maneira que as empresas estejam sempre atentas em melhorar seus processos, para que sejam sempre cada vez mais seguros. A lei brasileira conta com as Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho, que especificam orientações com base na Ergonomia. (CORRÊA; BOLETTI, 2015). 2.1 ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO E PROJETO DE TRABALHO A análise ergonômica do trabalho (AET) é uma das intervenções ergonômicas que visa à observação e entendimento dos fatores que limitam, de alguma forma, o trabalho e como impactam no ser humano nesse contexto. Essa análise busca prevenir ou solucionar problemas já existentes, sempre com foco no ser humano e em sua saúde ocupacional (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A análise é feita de acordo com a demanda da empresa, busca encontrar a fonte do problema, e é a partir dela que serão elaboradas as ações e soluções ergonômicas. Dentre os objetivos da AET, podemos citar: analisar e entender o contexto do trabalho, analisar restrições ergonômicas, elaborar diagnóstico que determine os fatores mais urgentes, analisar postos de trabalho e os condores no ambiente em que são exercidos, propor soluções e adequações ergonômicas conforme necessidade do ambiente (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A AET avalia quais condições e comportamentos precisam ser adequados na situação de trabalho, promovendo conforto, produtividade, saúde e segurança. Pode ser feita a partir da chefia, dos planos superiores, podendo haver um descompasso entre as informações por parte dos colaboradores que vivenciam diariamente a realidade a ser transformada. Mas a forma mais recomendada é englobar a todos, dialogando principalmentecom quem participa mais ativamente dos processos e problemas cotidianos, sofrendo os efeitos insatisfatórios. Neste último, os dados coletados são mais fidedignos (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A análise é dividida em três partes: • análise da demanda: onde são definidos os problemas a serem resolvidos. • análise da tarefa: avalia as condições de trabalho em que o trabalhador exerce as atividades. • análise da atividade: examina o comportamento humano no contexto ocupacional (CORRÊA; BOLETTI, 2015). A AET avalia condições de trabalho que exigem posturas rígidas, esforços físicos ou repetitivos. Porém, avalia também outros fatores que interferem no trabalho e indicam inadequação de algum processo. Dessa forma, analisa também número e gravidade de acidentes, absentismos , rotatividade, entre outros fatores (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Diante das muitas consequências advindas de atividades monótonas e repetitivas, propor diferentes formas de organizar e reestruturar o trabalho é fundamental, e é parte da AET. Essa reestruturação do projeto de trabalho tem por objetivo dar maior liberdade de ação ao trabalhador, minimizando o tédio e tornando o trabalho mais gratificante, dando um sentido ao trabalho que motive o colaborador a desenvolver suas habilidades em maior potencial. A partir de uma nova organização de trabalho, a rotatividade e o absentismo diminuem, e o estresse também é reduzido, tudo contribuindo para a melhora na produtividade (HALL, 2018). O aumento da variedade de trabalho é um fator determinante nesse projeto, de maneira que cada trabalhador é treinado e capacitado para desempenhar diferentes postos de trabalho, por meio de rotação de colaboradores. É mais eficaz quando acompanhada de uma certa autonomia, que permita a individualidade de cada trabalhador durante a execução de determinada tarefa, e não um processo totalmente padronizado (HALL, 2018). Um ponto crucial é o convívio social entre os colaboradores. A oportunidade de conversar com companheiros de trabalho é uma forma eficaz de minimizar o tédio, diminuindo o isolamento social e a monotonia. Fazer pausas mais curtas e mais frequentes, promover movimentação nessas pausas, são formas de aumentar a sociabilidade e contribuir para a qualidade de vida no trabalho (HALL, 2018). Outro ponto do projeto, aluno(a), pode ser o alargamento e enriquecimento do trabalho, de forma que a atividade tenha uma continuidade lógica, que promova desenvolvimento, envolvimento e realização pessoal dos colaboradores. A fragmentação do trabalho reduz a motivação e a criatividade. Ao invés de uma atividade ser desenvolvida por várias pessoas, deve-se promover capacitação e autonomia para que uma seja capaz de executá-la e garantir a qualidade da tarefa (HALL, 2018). 3 GINÁSTICA LABORAL Pode-se entender a ginástica laboral como aquela atividade física que é realizada durante o período de trabalho, de forma que esses exercícios compensem aqueles movimentos repetitivos, ou a ausência de movimentos, e ainda as posturas inadequadas adotadas durante as horas de trabalho. Tem como objetivo o alívio não só físico, mas também social e emocional, diminuindo a ansiedade, a fadiga, a baixa autoestima, além de trazer benefícios posturais e ganhos de produtividade (CORRÊA; BOLETTI, 2015). Você sabia que uma empresa perde muito por não incluir a ginástica laboral na sua rotina? Por causa de esforços repetitivos ou má postura, o dia a dia de trabalho pode provocar problemas de saúde nos colaboradores, resultando em baixa produtividade e trabalhadores insatisfeitos. Como vimos, a Ginástica Laboral trata-se de uma das soluções ergonômicas de maior praticidade e eficiência dentro das instituições. Além da melhora física que proporciona, também auxilia na interação social entre os trabalhadores, criando uma ligação entre eles e a empresa. Assista ao vídeo e compreenda melhor a prática de algumas atividades laborais e seus efeitos positivos ao colaborador e à empresa como um todo. https://www.youtube.com/watch?v=YOJtR-BsIko Após assistir ao vídeo, leia também o artigo “A importância da ginástica laboral no ambiente de trabalho”, que resume as vantagens da prática de atividade laboral dentro das organizações, clicando aqui. Para que seja efetiva, do ponto de vista ergonômico, deve ser direcionada para o movimento específico de cada trabalhador e de cada função exercida, mas executados de forma coletiva. Essa avaliação deve ser feita por um fisioterapeuta ou educador físico. (CORRÊA; BOLETTI, 2015). https://www.youtube.com/watch?v=YOJtR-BsIko https://www.ambientec.com/importancia-da-ginastica-laboral-no-ambiente-de-trabalho/ A ginástica laboral pode ser de três tipos: Preparatória ou de aquecimento realizada antes da jornada de trabalho, visando promover disposição para as atividades do dia; Compensatória realizada durante o período de trabalho, com intuito de diminuir a monotonia de algumas funções ou de movimentos repetitivos, melhorando posturas dando mais disposição. De relaxamento que ocorre após o fim do expediente, prevenindo lesões depois do dia de trabalho, diminuindo estresse e tensões. Caro(a) aluno(a), para complementar seus estudos, sugerimos que você acesse a Norma Regulamentadora 17, clicando aqui. Além da NR17, é muito importante que você leia também: Manual de Ergonomia, capítulo 5, que está disponível na sua biblioteca virtual. Aluno (a), após essa aula, você é capaz de conceituar ergonomia e biomecânica ocupacional? Consegue entender a importância de adaptar o trabalho ao trabalhador? Compreendeu as estratégias para a redução das doenças e lesões ocupacionais? Se você conseguiu responder a essas preguntas, parabéns, pois você atingiu os objetivos específicos da Aula 3! Caso tenha tido dificuldades para responder alguma delas, aproveite para reler o conteúdo da aula, acessar o UNIARAXÁ Virtual e interagir com seus colegas e tutor (a) da disciplina. Você não está sozinho nessa caminhada! Conte conosco! Chegou o momento de complementar seu conhecimento. Vá até seu Ambiente Virtual de Aprendizagem e acesse esta aula para assistir a Video Aula RECAPITULANDO Caro aluno (a), nesta aula, você aprendeu os conceitos de ergonomia e sua adequação ao trabalho e ao ser humano, apontando seus objetivos e benefícios. A ergonomia auxilia no planejamento, projeto e avaliação de tarefas de trabalho, nos postos e ambientes de trabalho, e nos produtos, objetivando criar compatibilidade das necessidades com as limitações das pessoas que as executam. http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr17.htm Vimos também a conceituação de biomecânica ocupacional, tratando-se de uma das áreas da biomecânica que se liga ao estudo das tarefas e posturas do indivíduo no seu trabalho. Atua avaliando as propriedades biomecânicas, posturais, de mobilidade, de locomoção e de força muscular, possibilitando conhecer limites e capacidades do corpo humano para seu trabalho, diminuindo o risco de lesões. O objetivo no estudo dos dois conceitos referenciados se dá na intenção de diminuição das doenças adquiridas a partir do trabalho; acidentes ou lesões são as principais causas de afastamento do trabalho. Durante a aula, você viu também que foram apresentadas algumas das principais doenças presentes no contexto organizacional, assim como algumas formas de diminuir a incidência dessas doenças de maneira preventiva. Caro (a) aluno (a), em nossa próxima aula, veremos de que forma cada colaborador poderá, por si mesmo, contribuir para construção de sua saúde e qualidade de vida, dentro e fora da organização de trabalho. Veremos a definição de autocuidado e de bem-estar, e de que forma os hábitos e habilidades de cada um interferem nesses construtos. CRÉDITOS Figura 01 - Posturas Fonte Disponível em: <https://bit.ly/32nfT8F>Acesso em 08 de out. 2019. Quadro 01 - Níveis de ruídos recomendados Fonte Disponível em: <https://bit.ly/33Fyayr>Acesso em 08 de out. 2019. REFERÊNCIAS ABSENTEÍSMO. 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MEDIDAS MÉDIAS ANTROPOMÉTRICAS: são obtidas através do peso corporal, altura e circunferência abdominal. Tem como objetivos acompanhar a evolução de doenças tais como: insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal crônica, cirrose hepática, diagnóstico do estado nutricional (desnutrição, excesso de peso e obesidade), e avaliação dos riscos para algumas doenças (diabetes mellitus, doenças do coração e hipertensão) em crianças, adultos, gestantes e idosos. (BRASIL, 2013). SELIM DE APOIO : Trata-se de um apoio ergonômico para os pés, para as pessoas que trabalham muito tempo sentadas. ABSENTISMOS: trata-se do ato de se abster ou se ausentar de alguma atividade ou função. No mundo organizacional, trata-se das faltas e ausências, justificadas ou não, da jornada de trabalho.