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15 MÓDULO II Transformadores REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FITZGERALD, A. Máquinas Elétricas. São Paulo: Mc-Graw-Hill do Brasil. KOSOW, I. W. Máquinas elétricas e transformadores. São Paulo: Globo, 5ª edição, 1998. OLIVEIRA, J. C. Transformadores, teoria e ensaios. São Paulo: Edgard Blucher Ltda, 1984. http://www.escoladoeletrotecnico.com.br – Curso preparatório para concursos. Aula 2, 2009. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.1 DEFINIÇÕES FUNDAMENTAIS O transformador opera segundo o princípio da indução mútua entre duas (ou mais) bobinas ou circuito indutivamente acoplados. Um transformador teórico de núcleo a ar, no qual dois circuitos são acoplados por indução magnética, é visto na figura 2.1. Observe que os circuitos não são ligados fisicamente (não há conexão condutiva entre eles). O circuito ligado à fonte de tensão alternativa, V1, é chamado primário (circuito 1). O primário recebe sua energia de uma fonte alternativa. Dependendo do grau de acoplamento magnético entre dois circuitos, Eq. 2.1, esta energia é transferida do circuito 1 ao circuito 2. Se os dois circuitos são frouxamente acoplados, como no caso do transformador a núcleo de ar, mostrado na figura 2.1, somente uma pequena quantidade de energia é transferida doo primário (circuito 1) para o secundário (circuito 2). Se as duas bobinas ou circuitos estão enrolados sobre um núcleo comum de ferro, eles estão fortemente acoplados. Neste caso, quase toda a energia recebida da fonte, pelo primário, é transferida por ação transformadora ao secundário. Figura 2.1 – transformador de núcleo de ar, indutivamente acoplado, com os símbolos definidos. Fonte: KOSOW (1982). 16 As seguintes definições aplicam-se ao transformador da figura 2.1. V1 – é a tensão de suprimento aplicada ao primário, circuito 1, em volts. r1 é a resistência do circuito primário, em ohms. L1 é a indutância do circuito primário, em henries. XL1 é a reatância indutiva do circuito primário, em ohms. Z1 é a impedância do circuito primário, em ohms. I1 é o valor médio quadrático da corrente drenada da fonte pelo primário, em ampères. E1 é a tensão induzida no enrolamento primário (ou circuito). E2 tensão induzida no enrolamento secundário (ou circuito). I2 é o valor médio quadrático da corrente entregue pelo circuito secundário à carga ligada a seus terminais r2 resistência do circuito secundário (excluída a carga), em ohms. V2 é a tensão que aparece nos terminais do enrolamento secundário, em volts. L2 é a indutância do circuito secundário, em henries. XL2 é a reatância indutiva do circuito secundário, em ohms. Z2 é a impedância do circuito secundário (excluída a carga), em ohms. é a componente de dispersão do fluxo que concatena apenas com a bobina 1. é a componente de dispersão do fluxo que concatena apenas com a bobina 2. é o fluxo mútuo, compartilhado por ambos os circuitos, concatenando as bobinas 1 e 2. M indutância mútua entre as duas bobinas (ou circuitos) produzidas pelo fluxo mútuo ( ), em henries. Note-se o significado da convenção dos pontos, usada na figura 2.1 para mostrar a polaridade instantânea positiva da tensão alternativa induzida em ambos os enrolamentos, primário e secundário, como resultado da tensão de transformação. Assim, quando V1 é instantaneamente positivo, uma tensão E1 é induzida no enrolamento primário, de uma polaridade tal eu se opõe a V1, de acordo com a lei de Lenz, como mostra a figura 2.1. Também deve-se notar na figura 2.1 que a corrente I2 está em oposição em relação a corrente I1. Isto também está de acordo com a Lei de Lenz, uma vez que I1 produz , I2 deve circular numa direção tal que se oponha a I1, e (ao mesmo tempo) que esteja conforme a polaridade instantânea E2, como se vê na figura 2.1. A polaridade instantânea de E2 e I2 estabelece a polaridade instantânea de V2 (terminal positivo) e a direção da corrente na carga. O coeficiente de acoplamento, k, entre duas bobinas, é a relação do fluxo mútuo para o fluxo total, definido como: (2.1) 17 Onde todos os termos foram definidos. Se as duas bobinas estão frouxamente acopladas, como no transformador de núcleo de ar, da figura 2.1, termos e são pequenos em comparação a . Como consequência, os termos e M são pequenos em comparação . A substituição na eq. 2.1 leva um valor pequeno do coeficiente de acoplamento k. Isto por sua vez, leva a um valor pequeno de E2 e V2 (em comparação a E1 e V1). Para qualquer carga dada, assim, um pequeno valor de V1 leva um pequeno valor da corrente de carga I2. Estabelece-se simplesmente, então, que para o acoplamento frouxo, a potência transferida ao circuito secundário, E2.I2, é relativamente pequena. Transformadores que têm acoplamento frouxo são usados principalmente em comunicação em alta frequência e em circuitos eletrônicos. Praticamente, todos os transformadores usados em aplicações relativas a máquinas e potência, entretanto, são transformadores de núcleo de ferro, fortemente acoplados. Se as bobinas ou circuitos são estreitamente acoplados, e os fluxos dispersos são relativamente pequenos em comparação a , a indutância mútua M entre as duas bobinas é grande como o são os termos E2, I2 e V2. Neste caso, a energia transformadora E2.I2.t . Tanto quando possível, o projeto dos transformadores de potência, de núcleo de ferro, tenta fazê-los atingir um coeficiente de acoplamento unitário ( k = 1 ) tal que na eq. 2.1 , como no caso de um transformador ideal. O acoplamento entre os dois circuitos é aumentado se porções de ambas as bobinas são enroladas no mesmo formato e se são colocadas sobre um núcleo magnético de baixa relutância. Tais considerações tendem a reduzir . Mas, mesmo com ótimos projetos, é impossível atingir condições de transformador ideal – um que não tenha fluxos dispersos no primário ou no secundário, e tenha acoplamento unitário. Apesar disto, a discussão subsequente começa com um transformador ideal, com a finalidade de simplificar a compreensão das relações do transformador que se seguem. Após, será abordado o transformador prático de potência. 2.2 RELAÇÕES NO TRANSFORMADOR IDEAL Considere um transformador ideal, de núcleo de ferro, conforme mostra a figura 2.2, onde os fluxos dispersos e e k = 1. Tal transformador possui apenas fluxo mútuo , comum a ambas as bobinas, primária e secundária. Quando V1 é instantaneamente positivo, como se vê na figura 2.2, a direção da corrente primária I1 produz a direção do fluxo mútuo , como se vê. 18 Figura 2.2 – Transformador de núcleo de ferro, caso ideal. Fonte: KOSOW (1982). A força eletromotriz induzida primária, E1, de acordo com a convenção dos pontos e com a lei de Lenz, produz uma polaridade positiva na parte superior da bobina primária, que se opõe instantaneamente à tensão aplicada V1. Semelhantemente, no secundário, para a direção de mostrada, a polaridade positiva de E2 deve ser tal que crie um fluxo desmagnetizante oposto (Lei de Lenz). Uma carga ligada aos terminais do secundário produz uma corrente secundária I2, que circula em resposta à polaridade de E2 e produz um fluxo desmagnetizante. Estamos agora em condições de compreender qualitativamente como um transformador desenvolve potência secundária e transfere potência do primário para o secundário, na forma seguinte: 1. Imagine um circuito aberto, impedância infinita ou carga zero no secundário, e I2 = 0. 2. Como resultado do fluxo alternativo mútuo (criado pela tensão aplicada) são produzidas forças eletromotrizes E1 e E2 tendo a polaridade instantânea mostrada como respeito a (figura 2.2). 3. Uma pequena corrente primária, Im, conhecida comocorrente de magnetização, deve circular mesmo quando o transformador está descarregado. A corrente é pequena, porque a fem induzida primária, E1, se opõe à tensão aplicada, V1, a cada instante. O valor de Im é uma função primariamente da relutância do circuito magnético, Rm, e do valor de pico do fluxo magnetizante, , para um dado número de espiras primárias. 4. Como mostra a figura 2.3(a), o valor pequeno de Im se atrasa, em relação à tensão primária, de 90° produzindo . 19 (a) (b) (c) Figura 2.3 – Relações fasoriais no transformador ideal: (a) relações primárias a vazio; (b) relações secundárias, transformador carregado; (c) relações primárias, transformador carregado. Fonte: KOSOW (1982). 5. , por sua vez, requer 90° para produzir as tensões induzidas primária e secundária, E1 e E2. Estas tensões induzidas estão em fase uma com a outra, por serem ambas produzidas por . Note que E1, na figura 2.3 (a) opõe-se a V1 (lei de Lenz). Sem carga, a figura 2.3 (a) representa todas as relações de corrente e tensão num transformador ideal. 6. Imagine uma carga em atraso (indutiva) ligada aos terminais do secundário do transformado ideal da figura 2.2. Tal carga produz uma corrente I2 atrasada em relação a E2 de um ângulo , como se vê na figura 2.3 (b). 7. Os ampère-espiras secundários, N2I2, como mostra a figura 2.2, tendem a produzir um fluxo desmagnetizante que reduz o fluxo mútuo , e as tensões indizidas E2 e E1, instantaneamente. 8. A redução de E1 produz uma componente primária da corrente de carga, I1’ que circula no primário, tal que I1’N1 = I2N2, restabelecendo em seu valor original. Note-se que, na figura 2.3(b), I1’ se atrasa em relação a V1 de , enquanto I2 se atrasa em relação a E2 de , tais que . Esta última igualdade é necessária a fim de que os ampère-espiras primários restaurados N1I1’ sejam iguais e opostos aos ampère-espiras secundários desmagnetizantes N2I2. 9. O efeito da componente primária da corrente de carga I1’ é visto na figura 2 3 (c), onde a corrente primária I1 é a soma fasorial de Im e I1’ Dois pontos devem ser notados no que diz respeito às relações do fator de potência no circuito primário da figura: a) O ângulo de fase do primário diminui de seu valor original sem carga de 90° a seu valor com carga, e 20 b) O ângulo de fase do circuito primário não é exatamente o mesmo do circuito secundário. (para uma carga em atraso ). Os passos citados revelam a maneira pela qual o circuito primário responde à carga no circuito secundário. A igualdade entre a fmm desmagnetizante do secundário N2I2 e a componente primária da fmm N1 I1’, que circula devido à carga para equilibrar sua ação desmagnetizante, como se descreveu no item 8, pode ser sumarizada e rearranjada como: (2.2a) ou (2.2b) Sendo: é a relação das espiras primárias para as secundárias ou a relação de transformação; é a componente de carga da corrente primária; é a corrente secundária ou de carga; e são os números de espiras do primário e secundário, respectivamente. O significado da relação de transformação, , na eq. 2.2b, é que ela é fixa (não constante) para qualquer transformador dado (já construído) dependendo de sua aplicação. Consequentemente, a componente de carga da corrente primária pode ser calculada para qualquer valor da corrente secundária de carga. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 1. O lado de alta tensão de um transformador tem 500 espiras, enquanto o de baixa tensão tem 100 espiras. Quando ligado como abaixador, a corrente de carga é de 12 A. Calcule: a) A relação de transformação . b) A componente de carga da corrente primária. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 2. Calcule a relação de transformação do transformador do exercício 1, quando usado como transformador elevador. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Os exercícios 1 e 2 mostram que a relação de transformação, , é fixa para uma dada aplicação, mas não constante. Quando usado como transformador abaixador, = 5, mas, quando usado como transformador elevador, ,2. Desde que os termos elevador e abaixador referem-se às tensões, bem como aos lados de alta tensão e baixa tensão, a 21 relação de transformação pode ser estabelecida em função das tensões, usando a quantificação de Neumann da Lei de Faraday. (2.3) e (2.4) Uma vez que a relação de variação do fluxo mútuo que concatena primário e secundário é a mesma, , dividindo a eq. 2.3 pela eq. 2.4 teremos em função das tensões ou (2.5) A equação 2.5 estabelece que as relações das tensões primárias para as secundárias são proporcionais às relações dos números de espiras primárias para secundárias. Também se verifica que a relação de transformação, , é a maior que a unidade para um transformador abaixador, mas é menor que a unidade para um transformador elevador. Considerando as equações 2.2b e 2.5, tem-se: (2.6) Que pode ser transposta para conduzir à relação fundamental de potência entre o primário e o secundário. (2.7) E, se a componente de carga da corrente primária, , é muito maior que a corrente de magnetização, Im, pode-se escrever: ( é ) (2.8) Para um transformador ideal, sem perdas, não tendo fluxos dispersos primários nem secundários (reatâncias de dispersão nulas), podemos dizer que: ( ) (2.9) A eq. 2.9 verifica a definição fundamental de um transformador como dispositivo que transfere energia de um circuito para outro. Para um transformador ideal, os volt-ampères drenados da fonte alternativa, V1I1 são iguais aos volt-ampères transferidos ao secundário e entregues à carga V2I2, onde todos os termos foram definidos na seção 2.1. A eq. 2.9 também estabelece um meio de especificar um transformador volt-ampères (VA) ou quilovolt- ampères (kVA), onde V1 e I1 são os valores nominais da tensão e da corrente primária, respectivamente, e V2 e I2 os valores nominais secundários da tensão e da corrente, respectivamente. 22 Exercício 3. Um transformador de 4,6 kVA, 2300/115 V, 60 Hz foi projetado para ter uma fem induzida de 2,5 volts/espira. Imaginando-o um transformador ideal, calcule: a) O número de espiras do enrolamento de alta. b) O número de espiras do enrolamento de baixa. c) A corrente nominal para o enrolamento de alta. d) A corrente nominal para o enrolamento de baixa. e) A relação de transformação funcionando como elevador. f) A relação de transformador funcionando como abaixador. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Como visto no exercício 3, a relação volts/espiras é a mesma para ambos os enrolamentos, de alta e baixa tensões. Pode-se mostrar que este valor é diretamente proporcional ao valor de pico do fluxo mútuo, , e à frequência, conforme expressa a relação volts/ espira. , ( ) (2.10) Sendo que: Bm é a máxima densidade de fluxo permissível A é a área do núcleo do transformador O significado da eq. 2.10 não pode ser desconsiderado, por que estabelece o máximo fluxo permissível ou a máxima densidade de fluxo permissível a uma dada frequência e a uma dada tensão. Assim, os transformadores projetados para operação a uma dada frequência não podem ser operados em outras frequência sem as correspondentes alteraçõesna tensão aplicada. Nestas condições, para o caso de um transformador com dois enrolamentos, considerando um mesmo k e mesmo , a alteração na tensão aplicada no transformador por conta da modificação da frequência de operação pode ser calculada com a seguinte relação: de ser feita do modo seguinte: Sendo: a tensão de projeto; a tensão de operação; a frequência de projeto; a frequência de operação. 23 Nota: Dedução da equação 2.10 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 4. Um transformador de 600/20 V, 400 Hz, 3000/100 espiras deve ser utilizado a partir de uma rede de 60 Hz. Mantendo a mesma densidade de fluxo permissível, calcule: a) A máxima tensão que se pode aplicar nos enrolamentos de alta e baixa tensão. b) A relação Volt/espira a 400 Hz e a 60 Hz na AT. c) A capacidade em kVA no transformador a 60 Hz. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 5. Um transformador de 1 kVA, 220/110 V, 400 Hz deve ser usado em 60 Hz. Calcule: a) A tensão que pode ser aplicada no lado de alta tensão e a máxima saída do lado de baixa tensão. b) Os kVA nominais do transformador sob as condições de frequência reduzida. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.3 IMPEDÂNCIA REFLETIDA, TRANSFORMAÇÃO DE IMPEDÂNCIA E TRANSFORMADORES REAIS O transformador a núcleo de ferro da figura 2.2, é mostrado novamente na figura 2.4(a), com uma carga ZL ligada aos terminais do secundário. Note-se que, se a carga for removida, o transformador fica a vazio, I2 = 0; e a impedância, ZL, é infinita (desde que ZL = V2/ I2). Para qualquer valor da impedância de carga, ZL, a impedância secundária, vista olhando-se os terminar secundário a partir da carga, como mostra a figura 2.4(b), é (2.11) 24 Similarmente, a impedância equivalente de entrada, olhando-se os terminais primários a partir da fonte, como mostra a figura 2.4(b), é (2.12) Desde que qualquer alteração na impedância de carga e na corrente do secundário reflete-se como uma alteração na corrente primária, é, algumas vezes, conveniente simplificar o transformador representando-o por um único circuito equivalente. Isto implica refletir a impedância secundária ao primário, como Mas , como se viu na eq. 2.5, e , como mostra a eq. (2.6); então (a) (b) (c) Figura 2.4 – Impedância refletida ao secundário e ao primário: (a) Transformador real com carga; (b) Impedância equivalente de saída e de entrada; (c) Impedância equivalente refletida. Fonte: KOSOW (1982). Mas V2/ I2, é a impedância secundária Z2, como mostra a eq. 2.11. Então, (2.13) A figura 2.4(c) mostra a impedância olhando-se para dentro dos terminais a partir da fonte quando a impedância secundária foi refletida de volta ao primário. Admita-se agora 25 que o secundário está a circuito aberto, com forme a figura 2.4(c), e que a impedância do enrolamento secundário é desprezível comparada à impedância da carga ZL, que é igual a Z2. A eq. 2.13 estabelece que a relação da impedância de entrada para a de saída é (igual a) o quadrado da relação de transformação. Desde que , esta relação implica em que os transformadores podem servir como dispositivos para o acoplamento de impedâncias, de modo a prover a máxima transferência de potência de um circuito a outro. Um exemplo comum é o caso de um transformador de saída, usado para acoplar a impedância da carga do alto falante à impedância de saída de um amplificador de áudio. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 6. O lado de alta tensão de um transformador abaixador tem 800 espiras e o lado de baixa tensão tem 100 espiras. Uma tensão de 240 V é aplicada do lado de alta e uma impedância de carga de 3 Ω é ligada do lado de baixa tensão Calcule: a) A corrente e a tensão secundárias. b) A corrente primária. c) A impedância de entrada do primário a partir da relação entre a tensão e a corrente primárias. d) A impedância de entrada do primário por meio da eq. (2.13). ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 7. Um servo- amplificador CA tem uma impedância de sa da de 25 Ω e o servo- motor CA, que ele deve acionar, tem uma impedância de 2,5 Ω Calcule: a) A relação de transformação do transformador que faça o acoplamento da impedância do servo- amplificador à do servo-motor. b) O número de espiras do primário se o secundário tem 10 espiras. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.4 O TRANSFORMADOR REAL Um transformador real, de núcleo de ferro, carregado é representado na figura 2.5(a). Embora “hermeticamente” acoplado pelo núcleo de ferro, uma pequena porção do fluxo disperso é produzida nos enrolamentos primário e secundário, e , respectivamente, além do fluxo mútuo, , como mostra a figura 2.5(a). O fluxo disperso primário produz uma reatância indutiva primária XL1. O fluxo disperso secundário produz uma reatância indutiva secundária, XL2. Além disto, os enrolamentos primário e secundário são constituídos de condutores de cobre, que têm certa resistência. A resistência interna do enrolamento primário é r1 e a do secundário é r2. As resistências e reatâncias dos enrolamentos do primário e secundário, respectivamente, produzem quedas de tensão no interior do transformador, como resultado das correntes primária e secundária. Embora estas quedas de tensão sejam internas, é conveniente representá-las externamente como parâmetros puros em série com um transformador ideal, como mostra a figura 2.5(b). 26 (a) Fluxos dispersos em um transformador real carregado. (b)Resistências e reatâncias primárias e secundárias, ocasionando quedas de tensão. Figura 2.5 – Transformador real. O transformador ideal, mostrado na figura 2.5(b), é imaginado sem quedas internas nas resistências e reatâncias de seus enrolamentos. A dispersão foi incluída na queda de tensão primária I1Z1, e na queda de tensão secundária I2Z2. Uma vez que estas são quedas de tensão indutivas, pela teoria da corrente alternada podemos dizer que a impedância interna primária do transformador é , sendo que todos os termos foram definidos na seção 2.1 (2.14) E a impedância secundária interna do transformador é ,sendo que todos os termos foram definidos na seção 2.1 (2.15) É possível agora ver a relação entre as tensões terminais e induzidas do primário e secundário, respectivamente. De acordo com a equação 2.10, as fem induzidas primária e secundária podem ser avaliadas a partir da relação fundamental: (2.16) (2.17) Onde todos os termos foram definidos anteriormente. Mas, desde que é relativamente difícil avaliar , a máxima densidade de fluxo permissível no transformador a partir de medições de tensão e corrente, as relações que 27 seguem, e que também provem da figura 2.5(b), permitem que sejam computadas as fem induzidas primária e secundária: ( ) (2.18) ( ) (2.19) Note-se, pela figura 2.5(b) e eq. 2.18, que a tensão aplicada ao primário, V1, é maior que a fem induzida no enrolamento primário, E1. E também pela figura 2.5(b) e eq. 2.19, que as fem induzida no enrolamento secundário, E2, é maior que a tensão nos terminaissecundário, V2. Assim, pode-se escrever: e (2.20) Para um transformador real, carregado. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 8. Um transformador abaixador de 500 kVA, 60 Hz, 2300/230 V, tem os seguintes parâmetros: r , Ω, XL ,3 Ω, r2 , Ω, XL , 3 Ω Quando o transformador é usado como abaixador e está com carga nominal, calcule: a) As correntes primária e secundária. b) As impedâncias internas primária e secundárias. c) As quedas internas de tensão primária e secundária. d) As fem induzidas primária e secundária, imaginando-se que as tensões nos termnais e induzidas estão em fase. e) A relação entre as fem induzidas primária e secundária, e entre as respectivas tensões terminais. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 9. A partir das tensões terminais e correntes primárias e secundárias do exercício 8, calcule: a) A impedância de carga ZL. b) A impedância primária de entrada, Zp. c) Compare ZL com Z2 e Zp com Z1. d) Estabeleça as diferenças entre as impedâncias do item c. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.5 CIRCUITOS EQUIVALENTES PARA UM TRANSFORMADOR REAL DE POTÊNCIA É possível usar transformações de impedância para desenvolver o circuito equivalente de um transformador real. Um tal circuito equivalente é útil na solução de problemas correlatos com o rendimento e regulação em tensão de um transformador. 28 I1 I’2 r1 α 2r2x1 α 2x2 α2.ZLRm Xm Im V1 (a) Circuito equivalente de um transformador de potência. I1 I’2 α2r2 α2x2 α2.ZLRm Xm Im V1 αV2 (b) Circuito equivalente aproximado com resistências e reatâncias refletidas ao primário. α V2 I1 Re1 xe1 α2.ZLV1 (c) Circuito equivalente simplificado imaginando nula a corrente de magnetização (Im<<I1). Figura 2.6 – Circuitos equivalentes para o transformador de potência. A figura 2.6(a) mostra um circuito com a impedância de carga e a reatância internas secundárias refletidas de volta ao primário. Nota-se que a corrente primária, I1, é a soma da componente primária de magnetização, Im, e da componente correspondente à corrente de carga, I’2. Rm representa o parâmetro equivalente às perdas de potência no ferro e no núcleo do transformador (perdas por histerese e correntes parasitas) e devidas à corrente de magnetização, Im. Xm está em paralelo com Rm e representa a componente reativa do transformador. A figura 2.6(a) é a representação de um transformador que satisfaz as condições dele a vazio e carregado Se o secundário do transformador mostrado está a circuito aberto, I’2 = 0 e apenas Im circula (I1 = Im) produzindo uma pequena queda interna de tensão na impedância primária Z1 e a queda de tensão primária I1.Z1 são relativamente pequenas, é possível obter-se um circuito equivalente aproximado deslocando o ramo paralelo L-R diretamente junto à fonte de suprimento V1. Fazendo isto, é possível agrupar as resistências 29 e reatâncias internas dos circuitos primário e secundário, respectivamente, como mostra a figura 2.6(b), de modo a produzir os seguintes parâmetros equivalentes: á â á â á Se o transformador é algo carregado, e a componente primária da corrente de carga, I’1, excede Im, esta pode ser considerada como desprezível, como mostra o circuito equivalente da figura 2.6(c). Para um transformador carregado, a corrente primária, dependendo da natureza da carga, é ( ) ( ) ( ) ( ) Sendo: +jXL representa a reatância de uma carga indutiva e, -jXL representa a reatância de uma carga capacitiva. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 10. Para o transformador dado no exercício 8, calcule: a) A resistência interna equivalente referida ao primário. b) A reatância interna equivalente referida ao primário. c) A impedância interna equivalente referida ao primário. d) A impedância secundária equivalente a uma carga de , Ω (resistiva), referida ao primário. e) A corrente primária de carga se a fonte é de 2300 V. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A aproximação da figura 2.6(c) despreza a componente de magnetização, Im, da corrente primária, I1. Com efeito, isto significa que o ângulo de fase da carga secundária é refletido diretamente para primário sem alteração. Se a componente de magnetização da corrente primária é desprezada, obtém-se um diagrama fasorial equivalente simples para o transformador carregado sob quaisquer condições de carga em atraso, em adianto ou fator de potência (FP) unitário, como mostra a figura 2.7. 30 (a) Carga com FP em avanço. A corrente de carga secundária refletida, , adianta- se em relação à tensão secundária refletida da carga, , de um ângulo de fase em avanço . A diferença fasorial entre e , é a queda de tensão na impedância equivalente . A queda na resistência equivalente está em fase com . A queda na reatância equivalente, , adianta-se 90° em relação a . Devido a estas quedas de tensão equivalentes, a tensão ainda se adianta em relação a de um ângulo . O ângulo de adianto é, necessariamente menor que , devido ao fato de o transformador ser, internamente, indutivo. (b)Carga com FP em atraso. A corrente de carga secundária refletida, , atrasa-se em relação à tensão secundária refletida da carga, , de um ângulo de fase em avanço . A diferença fasorial entre e , é a queda de tensão na impedância equivalente . Neste caso, o ângulo em atraso é maior que o ângulo de fase emm atraso , devido de o transformador ser altamente indutivo e isto tornar o circuito mais indutivo ainda. (c) Carga com FP unitário. A corrente de carga secundária refletida, , está em fase com a tensão secundária refletida da carga, , a um FP unitário, sendo resistiva a carga no secundário do transformador. A diferença fasorial entre e , é a queda de tensão na impedância equivalente . A corrente primária atrasa-se em relação a de um pequeno ângulo . Com FP unitário no secundário, o primário vê um pequeno atraso entre a corrente primária e a tensão primária, devido a indutância interna total equivalente do transformador. Figura 2.7 – Transformador de potência com condições variáveis de carga secundária. 2.6 REGULAÇÃO DE TENSÃO DE UM TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA A regulação de tensão de um transformador (trafo) é definida como sendo a variação de tensão nos terminais do secundário quando se passa da condição sem carga para carga total. É expressa usualmente como uma percentagem da tensão em plena carga. Em aplicações de sistemas de potência, a regulação é uma figura de mérito de um transformador: um valor baixo indica que as variações de carga do secundário do transformador não afetam de forma significativa o valor da tensão fornecida à carga. É calculada supondo que a tensão do primário permanece constante quando a carga é removida do secundário do transformador. Portanto, regulação percentual de tensão é: (2.21) Sendo: = fem induzida no secundário do trafo. 31 = tensão terminal no trafo com carga nominal. ( ) (2.22) - carga capacitiva + carga indutiva Lembrando que:Figura 2.8 – Regulação da tensão secundária de transformadores – todas as tensões e correntes referidas ao secundário – tensão secundária usada como fator de referência. Fonte: KOSOW (1982). ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 11. Foram feitas medidas num transformador de 500kVA, 2300/230V e encontraram-se os seguintes valores para reatância e resistência equivalente referidos ao secundário (230V). , , 2 Calcule: a) A fem induzida, E2 quando o transformador estiver entregando a corrente nominal secundária a uma carga de FP unitário. 32 b) Para uma carga com cos = 0,8 em atraso. c) Para uma carga com cos =0,6 em avanço. d) A regulação de tensão para os itens a, b e c. e) Comente as diferenças na regulação de tensão com referência à figura 2.9. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.7 PARÂMETROS DE TESTES O transformador embora não seja propriamente um dispositivo de conversão eletromecânica de energia, é um dispositivo importante na análise global de um sistema de energia. Sendo um componente que transfere energia de um circuito elétrico à outro, o transformador toma parte nos sistemas elétricos e eletromecânicos, seja simplesmente para isolar eletricamente os circuitos entre si, seja para ajustar a tensão de saída de um estágio do sistema à tensão de entrada do seguinte, seja para ajustar a impedância do estágio seguinte à impedância do anterior (casamento de impedância), ou para todas essas finalidades ao mesmo tempo. O transformador opera segundo o princípio da indução mútua entre duas (ou mais) bobinas ou circuitos indutivamente acoplados. Importante salientar que os circuitos não são ligados fisicamente, ou seja, não há conexão condutiva entre eles. O circuito ligado à fonte de tensão é chamado primário e o circuito no qual a carga é conectada, é denominado secundário. 2.8 ENSAIO EM VAZIO O ensaio à vazio de transformadores tem como finalidade a determinação de: Perdas no núcleo (Ph + PF) Corrente à vazio (Io) Relação de transformação (α) Impedância do ramo magnetizante (Zm) 2.8.1 PERDAS NO NÚCLEO O fluxo principal estabelecido no circuito magnético é acompanhado dos efeitos conhecidos por histerese e correntes parasitas de Foucault. Observação: O fluxo magnético na condição de carga ou à vazio é praticamente o mesmo. As perdas por histerese são dadas por: , (2.23) 33 Lembrando que: é coeficiente de Steimmetz (depende do material) frequência em Hz B é a indução no núcleo Estando o núcleo sujeito a um fluxo alternado, nele serão induzidas forças eletromotrizes com o consequente aparecimento das correntes de Foucault. O produto da resistência do circuito correspondente pelo quadrado da corrente significa um consumo de potência. As perdas por correntes parasitas de Foucault, PF, são dadas por: 2,2 (2.24) Sendo: frequência em Hz. B é a indução máxima em Wb/m2. d = espessura da chapa em mm. Somando as duas perdas analisadas, obtemos as perdas totais no núcleo (Po): (2.25) 2.8.2 CORRENTE A VAZIO É a corrente absorvida pelo primário para suprir as perdas e para produzir o fluxo magnético. Sua ordem de grandeza é em torno de 5% da corrente nominal de enrolamento. 2.8.3 RELAÇÃO DE TRANSFORMAÇÃO É a proporção que existe entre tensão do primário e do secundário. 2.8.4 IMPEDÂNCIA DO RAMO MAGNETIZANTE (Zm) O ramo magnetizante é formado por uma resistência Rm (relacionada com as perdas no núcleo) e por uma reatância Xm (relacionada com a produção do fluxo principal). Para o cálculo de Rm e Xm considera-se um dos circuitos a seguir: 34 Figura 2.9 - Ramo magnetizante série. Figura 2.10 - Ramo magnetizante paralelo. Ramo Magnetizante Série Ramo Magnetizante Paralelo Observação: O módulo da impedância do ramo magnetizante é muito maior que o módulo da impedância dos enrolamentos primário ou secundário. 35 2.8.5 EXEMPLO DA EXECUAÇÃO DO ENSAIO I. Material Necessário: transformador φ; varivolt φ; 1 voltímetro; 1 amperímetro; 1 wattímetro; cabos para conexões. II. Preparação: Registrar os dados de placa: Tensões de AT e BT, Correntes de AT e BT, relação de transformação, potência, frequência, etc. III. Montagem: Ligar o transformador a uma fonte de tensão, alimentando-o pelo lado de baixa e deixando o lado de alta tensão em aberto, conforme a figura a seguir: Figura 2.11 – Ensaio a vazio. Para tensão e frequência nominais anote os valores medidos no amperímetro, wattímetro e voltímetro. Questionário para os alunos referente ao ensaio a vazio: 1. Qual enrolamento (AT ou BT) é normalmente utilizado para a execução do ensaio à vazio? Justifique. 2. Porque as perdas no cobre podem ser desprezadas no ensaio a vazio? 36 3. Analisar o problema das perdas se um transformador com frequência nominal de 50 Hz trabalha com 60 Hz. 4. Caso o ensaio fosse realizado com um transformador trifásico que alterações seriam necessárias? 5. Porque a laminação do núcleo dos transformadores reduz as perdas por correntes parasitas (Foucault)? 6. Pesquise informações sobre a corrente transitória de magnetização (INRUSH). 7. Desenhe o circuito equivalente do transformador quando este opera a vazio e justifique o desprezo da impedância primária para o cálculo da impedância do ramo magnetizante. 2.9 ENSAIO EM CURTO-CIRCUITO Seja o circuito equivalente de um transformador monofásico (referido primário). Figura 2.12 – Circuito equivalente do transformador monofásico. Caso apliquemos um curto-circuito no secundário serão nulos: A tensão terminal secundária (V2 = 0) A impedância de carga (Zcarga = 0) Além disso, considerando que Vcc é baixo (da ordem de 10% de Vn), a indução no núcleo reduz-se na mesma proporção, conseqüentemente as perdas por histerese (Ph B1,6) e as perdas por corrente de Foucaut (PF α B2) podem ser desprezadas. O circuito equivalente para o ensaio em curto então fica: 37 Figura 2.13 – Circuito equivalente para o ensaio. Sendo: Vcc = Tensão aplicada ao primário, quando o secundário está em curto-circuito, e que faz circular a corrente nominal do enrolamento primário. Para a realização do ensaio faz-se necessário circular a corrente nominal do transformador, portanto é aconselhável executar o ensaio no enrolamento de AT que possui uma menor corrente nominal. Assim, os instrumentos de medição serão ligados no enrolamento de AT e curto-circuita-se o enrolamento de BT. Os objetivos do ensaio em curto-circuito são a determinação de: Perdas no cobre; Queda de tensão interna; Impedância, resistência e reatância de dispersão. 2.9.1 PERDAS NO COBRE (Pj) A corrente que circula no transformador depende da carga alimentada pelo mesmo. As perdas nos enrolamentos, que são por efeito joule, podem ser expressas por: Sendo: 38 Como as perdas nos enrolamentos são proporcionais ao quadrado da corrente circulante, torna-se necessário estabelecer um ponto de operação a fim de caracterizar as perdas no cobre. Esse ponto de operação corresponde à corrente nominal. 2 9 2 QUEDA DE TENSÃO INTERNA (ΔV) A queda da tensão interna referida à AT, conforme o circuito equivalente simplificado é dada por: ΔV = Z1 I1. Pode-se afirmar que, ao fechar o secundário em curto-circuito, a tensão aplicada aoprimário será a própria queda de tensão procurada. Naturalmente, sendo a queda de tensão função da corrente, isso força a especificação do ponto de operação do transformador que, como anteriormente, corresponderá ao nominal. 2.9.3 IMPEDÂNCIA, RESISTÊNCIA E REATÂNCIA DE DISPERSÃO A tensão induzida no secundário pelo fluxo resultante no núcleo iguala a queda de tensão na impedância de dispersão do secundário e na corrente nominal. Como esta tensão é apenas uma parcela reduzida da tensão nominal, o valor de fluxo magnético no núcleo é reduzido e a admitância de excitação, pode então ser omitida. Nestas condições as correntes de primário e secundário são quase iguais quando referidas ao mesmo lado. A potência de entrada pode ser assumida igual a perda total no cobre nos enrolamentos da alta tensão e baixa tensão. Com base nestas medições do instrumentos de medição, calcula-se os parâmetros do transformador. 2.9.4 PERDAS ADICIONAIS No ensaio em curto-circuito, verifica-se que há outras perdas além das nos enrolamentos, a saber: nas ferragens, nas cabeças de bobinas e outras. Deste modo, ao se referir ao fato de que a leitura do wattímetro não corresponde precisamente à potência 39 perdida nos enrolamentos, presumem-se essas outras perdas. Nessas circunstâncias o valor da potência obtida pela leitura dos instrumentos será: Sendo: é a potência lida no ensaio; são as perdas adicionais; são as perdas nos enrolamentos. Deviso à natureza das perdas adicionais, uma expressão para seu cálculo é bastante difícil de se obter, o que leva ao uso de daods empíricos. Para a obtenção das perdas adicionais é recomendado utilizar a relação: 5 2 2.9.5 EXEMPLO DA EXECUAÇÃO DO ENSAIO I. Material Necessário: transformador φ; varivolt φ; 1 voltímetro; 1 amperímetro; 1 wattímetro; cabos para conexões. II. Preparação: Registrar os dados de placa: Tensões de AT e BT, Correntes de AT e BT, relação de transformação, potência, frequência, etc. IV. Montagem: Ligar o transformador à fonte de tensão, alimentando o lado de AT e curto- circuitando o lado de BT conforme o esquema a seguir: 40 Figura 2.14 – Circuito de montagem do ensaio em cc. Após conectar os equipamentos conforme o esquema acima, fazemos circular corrente nominal no transformador. Para tal aumenta-se cuidadosamente o nível de tensão até que Icc = I1 nominal. A potência medida pelo wattímetro (Pcc) corresponde aproximadamente à potência dissipada nos enrolamentos. A tensão medida pelo voltímetro (Vcc) corresponde aproximadamente à queda de tensão interna. Questionário para os alunos referente ao ensaio de curto-circuito 1. Justifique porque normalmente se utiliza o enrolamento de AT para a execução do ensaio em curto-circuito. 2. Qual a vantagem e desvantagem de um transformador que tenha grande Vcc em sistemas elétricos? 3. Durante o ensaio em curto-circuito, o que ocorre com a indução no núcleo do transformador? Justificar. 4. Ao ensaiar transformadores trifásicos, que alterações são introduzidas no procedimento de cálculo dos parâmetros de transformadores? (Parâmetros de excitação e dispersão). ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 12. Um transformador monofásico de 10kVA, 7967/240 Volts, apresenta uma perda a vazio de 55Watts. Considerando o ramo magnetizante paralelo, determine: a) Iop e Ioq b) o fator de potência do transformador em vazio. c) Os parâmetros do ramo magnetizante. Dado I0 = 0,0234969A referida ao lado de tensão superior. 41 I0 AC A V W A.T. B.T. Figura 2.15 – Ensaio a vazio. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Exercício 13. Certo transformador monofásico de 50 kVA, 60 Hz, 2400/ 240 V apresentou os seguintes resultados nos ensaios de curto-circuito e a vazio: Vazio: Vo = 240V; Io = 5,41 A; Po = 186 W. Curto-circuito: Vcc = 48 V; Icc = nominal (A); Pcc = 617 W. Baseando-se nestes dados, responda as seguintes questões: a) Calcule os parâmetros do ramo magnetizante. b) Calcule os parâmetros de dispersão. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Exercício 14. Um transformador de 10kVA, 60Hz, 4800/240 V apresenta os seguintes resultados: Tensão (V) I (A) P (W) Ensaio 240 1,5 60 Vazio 180 2,08 180 Curto-circuito Determinar o circuito equivalente: a) Referido a A.T. b) Referido a B. T. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 2.10 LIGAÇÕES TRIÂNGULO E ESTRELA DE TRANSFORMADORES TRIFÁSICOS O transformador trifásico é construído a partir de três transformadores monofásicos, cujos enrolamentos primário e secundário podem ser ligados em Estrela (Y) ou em Triângulo (∆) 3 : potência aparente trifásico : potência aparente monofásico 42 Tipos de ligações a) Ligação ∆-∆ Figura 2.16 – Ligação ∆ - ∆. Fonte: http://www.escoladoeletrotecnico.com.br. Na ligação delta (∆), a tensão de linha (VL) é igual à tensão de fase (VF). b) Ligação Y–Y Figura 2.17 – Ligação Y – Y. Fonte: http://www.escoladoeletrotecnico.com.br. Na ligação estrela (Y), a corrente de linha (IL) é igual à corrente de fase (IF). 43 c) Ligação Y-∆ Figura 2.18 – Ligação Y - ∆. Fonte: http://www.escoladoeletrotecnico.com.br. d) Ligação ∆-Y Figura 2.19 – Ligação ∆ - Y.. Fonte: http://www.escoladoeletrotecnico.com.br. Sendo: VL1 - a tensão de linha no primário do transformador VL2 - a tensão de linha(entre duas fases) no secundário do transformador VF1 - a tensão de fase(entre uma fase e o neutro) no primário do transformador 44 VF2 - a tensão de fase no secundário do transformador IL1 - a corrente de linha no primário do transformador IL2 - a corrente de linha no secundário do transformador IF1 - a corrente de fase no primário do transformador IF2 - a corrente de fase no secundário do transformador a (α) - a relação de transformação do transformador ou a relação de espiras Os transformadores de potência possuem transdutores de temperatura, de pressão e de corrente. O fato de um transformador ter a polaridade aditiva e a outra subtrativa, não impede que eles sejam ligados em paralelo, basta ter o cuidado de interligar terminais de mesma polaridade. Só se pode ligar em paralelo transformadores monofásicos que têm as mesmas tensões. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 15. Numa ligação Y-∆ trifásica, cada transformador tem uma razão de tensão de 4:1. Se a tensão de linha do primário for de 660 V, calcular: a) a tensão de linha do secundário. b) a tensão através de cada enrolamento do primário. c) a tensão através de cada enrolamento secundário. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 16. A tensão de linha do secundário de um conjunto de transformadores ∆ - Y é de 411 V. Os transformadores têm uma razão de espiras de 3:1. Calcule: a) a tensão de linha do primário. b) a corrente em cada enrolamento ou bobina do secundário se a corrente em cada linha do secundário for de 60 A. c)a corrente de linha primária. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 17. Um fábrica drena 100 A com fator de potência igual a 0,7 em atraso, do secundário de uma bancada transformadora de distribuiçãode 60 kVA, 2300/230 V, ligada em Y–Δ Calcule: a) A potência real consumida e a aparente. 45 b) As correntes secundárias nominais de fase e de linha da bancada, levando em consideração a capacidade do transformador. c) O percentual de corrente para cada transformador. d) A capacidade em kVA de cada transformador. e) As correntes primárias de fase e de linha de cada transformador (considerando que o transformador trifásico é composto de 3 transformadores monofásicos). ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 18. Repita o exercício 17, usando uma transformação Δ-Δ e compare as correntes de linha primárias com as da transformação Y-Δ ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.11 REGULAÇÃO DE TENSÃO A PARTIR DO ENSAIO DE CURTO-CIRCUITO O circuito equivalente simplificado referido ao primário é mostrado na figura 2.20 (a). Se o secundário de baixa tensão de um transformador é curto-circuitado, (tensão terminal secundária) e (impedância de carga secundária) são zero. O circuito equivalente para um tal transformador, com o secundário curto-circuitado, é mostrado na figura 2.20 (b). Fica claro que, se o secundário de um transformador é curto-circuitado, apenas as resistências e reatâncias primárias e secundárias o estão carregando. Consequentemente, a corrente I1 drenada de V1 é determinada apenas pela impedância equivalente interna Ze1, onde I1 = V1/Ze1. α V2 I1 R1 x1 α2.ZLV1 I1Z1 I1 R1 x1 V1 I1Z1 (a) Circuito equivalente simplificado para um transformador carregado. (b) Circuito equivalente do transformador com o secundário em curto. Figura 2.20 – Circuitos equivalentes referidos ao primário. A figura 2.21 mostra um disposição típica de instrumentos e dispositivos para se obterem os dados do ensaio a curto-circuito de um transformador. O processo é o que segue: 46 Figura 2.21 – Ligações típicas de instrumentos para o ensaio de curto-circuito, visando a determinação de Ze1, X1 e R1. Fonte: KOSOW (1982). 1. Curto –circuitam-se os terminais de B.T. do transformador. 2. Lenta e cuidadosamente aumenta-se a tensão usando-se um varador de tensão (variac), até que a corrente nominal do transformador seja lida no amperímetro (a corrente nominal primária é determinada a partir da capacidade nominal do transformador em VA, dividida pela tensão nominal do lado de alta tensão, VA/V1) 3. Lê-se a potência de curto-circuito PCC; a tensão de curto-circuito VCC e a corrente primária de curto-circuito ICC = I1 (nomina). 4. Calcula-se a impedância equivalente Z1 pela relação das leituras do voltímetro e do amperímetro. 5. Calcula-se R1 pela relação da leitura do wattímetro dividida pela leitura do amperímetro ao quadrado: 6. Usando o teorema de Pitágoras, calcula-se X1 a partir de Z1 e R1, obtidos pelos passos 4 e 5 . ou cos ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 19. Um transformador abaixador de 20 kVA, 2300/230 V, é ligado conforme mostra a figura 2.21, com o lado de baixa tensão curto-circuitado. Os dados lidos no lado de A.T. são: Leitura do wattímetro = 250 W Leitura do voltímetro = 50 V Leitura do amperímetro = 8,7 A 47 Calcule: a) A impedância, a reatância e a resistência equivalentes referidas ao lado de A.T. b) A impedância , a reatância e a resistência equivalentes referidas ao lado de B.T. c) A regulação de tensão para um FP unitário. d) A regulação de tensão para um FP de 0,7 em atraso. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.12 RENDIMENTO A PARTIR DO ENSAIO A VAZIO E DE CURTO-CIRCUITO Além da regulação de tensão, é possível usarem-se os dados do ensaio a vazio e do ensaio de curto-circuito para prever o rendimento do transformador. Deve-se notar que ambos os testes empregam técnicas convencionais, em vez do carregamento direto. Um transformador cujo secundário está a circuito aberto apenas consome potência para suas perdas no núcleo, menos de um por cento de sua potência nominal. A potência consumida durante o ensaio de curto-circuito, semelhantemente, é muito pequena, uma vez que a potência de entrada é essencialmente a correspondente às perdas nominais no cobre, que, novamente serão menos de um por cento da potência nominal. A equação (2.26) aplica-se ao rendimento de transformadores para qualquer valor de carga: ú (2.26) Nota-se que o numerador da equação acima representa a potência útil transferida do primário ao secundário e à carga. O termo entre colchetes, do denominador, representa as perdas que ocorrem durante esta transferência. Estas perdas são de dois tipos: 1) Perdas fixas, as perdas no núcleo 2) Perdas variáveis, as equivalentes perdas no cobre, referidas ao secundário. Deve-se também notar que, apenas é fixo na equação (2.26) o termo perdas no núcleo. A potência útil de saída e as perdas equivalentes no cobre são ambas função de I2, corrente secundária. O máximo rendimento ocorre quando as perdas fixas e variáveis são iguais, ou á (2.27) Sendo: a perda no núcleo, uma perda fixa determinada a partir do ensaio a vazio. Além disto, deve-se notar que o FP de carga, cosθ2, determina o valor do termo potência útil secundária na equação (2.26). Para o mesmo valor da corrente nominal de carga, I2, uma redução no fator de potência é acompanhada pela correspondente redução no rendimento. Finalmente, como no caso de todas as máquinas, elétricas ou outras, a curva de rendimento de um transformador segue a mesma forma geral ditada pela equação (2.26). Sob cargas relativamente leves, as perdas fixas são elevadas em relação à saída, e o rendimento é baixo. Sob cargas pesadas (saída além da nominal), as perdas variáveis (no 48 cobre) são elevadas em relação à saída e o rendimento é novamente baixo. O rendimento máximo, evidentemente, ocorre a um valor de carga para o qual as perdas fixas (no núcleo) igualam as pardas variáveis (no cobre), como sumarizado na equação (2.27). A curva do rendimento, portanto, eleva-se desde zero (com saída zero, a vazio) até um máximo à, aproximadamente, metade da carga nominal, e cai novamente para cargas pesadas (acima da nominal) O exercício a seguir indica como utilizar os dados do ensaio a vazio e em cc pare predizer o rendimento para vários valores de carga, e a carga para a qual ocorre o rendimento máximo do transformador e teste. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 20. Um transformador de distribuição de 500 kVA, 2300/208 V, 60 Hz teve seus testes de rotina constando de um ensaio a vazio e um de cc, antes de ser colocado em serviço como transformador abaixador. Os dados obtidos dos ensaios são: A vazio: Vo = 208 V, Io = 85 A, Po = 1800 W Curto-circuito: Vcc = 95 V, Icc = 217,5 A, Pcc = 8,2 kW Calcule: a) O rendimento do transformador quando este é carregado por uma carga resistiva pura (FP = 1) correspondendo a ¼, ½, ¾, 1 e da carga nominal. Tabele a perda total, a potência de saída e potência de entrada em função da carga. Fração de carga (carga nominal) Perdas no núcleo (W) Perdas no cobre (W) Perdas totais (W) Saída total (W) Entrada total Saída + Perdas (W) Rendimento (%) ¼ 1800 512 ½ 1800 2050 ¾ 1800 4160 1 1800 8200 5 1800 12800 49 b) Repita a alínea (a) para as mesmas condições de carga, mas sendo o FP = 0,8em atraso. Fração de carga (carga nominal) Perdas no núcleo (W) Perdas no cobre (W) Perdas totais (W) Saída total (W) Entrada total Saída + Perdas (W) Rendimento (%) ¼ 1800 512 ½ 1800 2050 ¾ 1800 4160 1 1800 8200 5 1800 12800 c) A corrente de carga para a qual ocorre o máximo rendimento, independente do FP. d) A fração de carga para a qual ocorre o rendimento máximo. e) o máximo rendimento para FP unitário. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 2.13 RENDIMENTO DIÁRIO Além de permitir o cálculo da regulação e do rendimento, os ensaios a vazio e de cc fornecem dados úteis para o cálculo do rendimento diário de transformadores de transmissão e distribuição, nos quais, por definição, o rendimento diário, durante 24 horas, é: à (2.28) Estabelecido em forma de equação, o rendimento diário é expresso por: ( ) (2.29) Sendo: , , etc. são as energias requeridas do transformador pelas diferentes cargas ligadas, durante o período de 24 horas. ( ) é a soma das energia perdidas, constituída das pedas no núcleo (fixas) e no cobre (variáveis), para o período de 24 horas.. Nota-se que a energia perdida durante um período de 24 horas, ( ), consiste das perdas no núcleo para 24 horas (desde que o transformador está sempre energizado) mais as perdas variáveis no cobre, que variam diretamente com a carga flutuante durante o período de 24 horas. 50 ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 21. O transformador de distribuição de 500 kVA do exercício 20 tem, supostamente, os seguintes requisitos de carga para um período de 24 horas: A vazio, 2 horas 20% da carga nominal, cos θ2 = 0,7, durante 4 horas 40% da carga nominal, cos θ2 = 0,8, durante 4 horas 80% da carga nominal, cos θ2 = 0,9, durante 6 horas Carga nominal, cos θ2 = 1, durante 6 horas 125% da carga nominal, cos θ2 = 0,85, durante 2 horas Admitindo-se constante a tensão de alimentação e constantes as perdas no núcleo, calcule: a) As perdas no núcleo durante o peíodo de 24 horas. b) A energia total perdida durante o período de 24 horas. % da carga nominal Perda de Potência em kW Período de tempo em h Perda de Energia kWh 20 40 80 100 125 Perda total de energia no período de 24h = c) A energia total entregue durante o período de 24 horas % da carga nominal Cos θ kVA cosθ kW Período de tempo em h Energia entregue em kWh 20 40 80 100 125 Energia total requerida pela carga no período de 24h = d) O rendimento diário. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 51 2.14 POLARIDADE DOS ENROLAMENTOS E IDENTIFICAÇÃO DE FASES Além dos ensaios a vazio e de curto-circuito, usados na determinação da regulação de tensão, do rendimento e do rendimento diário de transformadores comerciais, é usual executarem-se outros ensaios antes de colocá-los em operação. Dois desses ensaios referem-se à identificação das fases e à polaridade, respectivamente, do transformador em questão. A identificação das fases é o processo pelo qual os terminais individuais dos diferentes enrolamentos de um transformador são identificados e corrigidos. O ensaio de polaridade é realizado de modo que os terminais individuais, das diferentes bobinas do transformador, sejam marcados ou codificados, de modo que os terminais que têm a mesma polaridade instantânea sejam identificados. 2.14.1 POLARIDADE A figura 2.22 mostra um transformador com dois enrolamentos de alta tensão e dois enrolamentos de baixa tensão. As bobinas de alta tensão (as que tem muitas espiras) são codificadas, usando-se a letra “H” para designar os seus terminais Os terminais de baixa tensão conforme mostra a figura 2.22, são designados pela letra X. Figura 2.22 – Determinação da polaridade instantânea de transformadores utilizando a convenção de pontos. Fonte: KOSOW (1982). Conforme mostra a figura 2.22, a polaridade instantânea é codificada através do subíndice. O código usado na figura em questão adota números ímpares como subíndices na designação das polaridades positivas de cada enrolamento. Note-se que os subíndices ímpares também correspondem aos terminais pontuados que representam a fem induzida positiva em cada enrolamento. Assim, se ocorre que as bobinas devam ser ligadas seja em série, seja em paralelo. Para se obterem várias relações de tensão, a ligação pode ser executada corretamente com a devida atenção à polaridade instantânea. O próprio leitor deve verificar a maneira pela qual o ponto (ou o subíndice ímpar) é utilizado para assinalar os enrolamentos. 52 Imagine que o primário, H1-H2, é energizado e que H1 é instantaneamente ligado ao terminal positivo da fonte. O fluxo mútuo, Φm, estabelece-se instantaneamente no núcleo no sentido dos ponteiros do relógio, conforme assinalado. De acordo com a lei de Lenz, as fem induzidas estabelecem-se nos demais enrolamentos no sentido mostrado. Um método alternativo, para verificar a convenção dos pontos na figura 2.22, é comparar-se a maneira pela qual as bobinas são enroladas no mesmo núcleo. As bobinas H1 – H2, X3 – X4 são enroladas na mesma direção, portanto o ponto situa-se no terminal da esquerda. As bobinas X1 – X2 e H3 – H4 são enroladas no mesmo sentido um em relação ao outro, mas em oposição a H1 – H2. Essas bobinas devem ter o ponto no terminal direito, para significar polaridade positiva e, também, polaridade oposta a H1 – H2. Infelizmente, é impossível examinar um transformador comercial para se deduzir o sentido do enrolamento das bobinas, e daí determinar-se a identificação das fases e a polaridade relativa dos terminais. Um transformador de múltiplos enrolamento pode tanto ter apenas 5 bornes como 50 na sua placa de terminais. Se for possível examinar os condutores de cada bobina, o diâmetro dos fios pode fornecer alguma pista como o que os bornes ou terminais são associados às bobinas de alta tensão ou de baixa tensão. As bobinas de baixa tensão terão condutores de maior seção transversal que as de alta tensão. Por outro lado, as bobinas de alta tensão terão enrolamento mais pesado que os de baixa. De qualquer forma, o exame físico não fornece nenhuma indicação no que diz respeito à polaridade ou indicação de taps ou fins de bobina associados às bobinas individuais que estejam isoladas umas das outras. MÉTODOS DE ENSAIO PARA DETERMINAÇÃO DE POLARIDADE Segundo a ABNT, os métodos usados para a determinação da polaridade de transformadores monofásicos são: Golpe indutivo. Corrente alternada. Transformador padrão. Será abordado neste módulo o método do golpe indutivo. Golpe Indutivo Procedimento: Pelo método do golpe indutivo, a polaridade de cada coluna do transformador é determinada de acordo com a montagem da figura 2.23. 53 2.23 – Ensaio para determinação de polaridade – Golpe indutivo. Fonte: AGUIAR (2010). Ao ligar a chave, se V1 defletir positivamente, observar a deflexão de V2 ao desligar. Se V2 defletir positivamente, a polaridade é aditiva. Se V2 dletir negativmanete, a polaridade é negativa. 2.14.2 IDENTIFICAÇÃO DAS FASES A figura 2.24 mostra um transformador cujos terminais de bobina foram trazidos a uma placa terminal, mas não foram, ainda, identificados no que diz respeito às fases ou polaridade. Um método simples para identificação das fases dos enrolamentos do transformador é o usado na figura 2.24. Um lâmpada de 115 V, ligada em série a uma fonte de 115 V – CA,fornece um meio de se proceder a identificação das bobinas. Se o terminal “explorador” é ligado ao X4, a lâmada não se acende. Movendo-se o terminal livre da direita para a esquerda através da placa de terminais, a lâmpada não indicará nada até ser encontrado o terminal H4. Figura 2.24 – Ensaio para determinar os terminais das bobinas do transformador e os respectivos taps. Fonte: KOSOW (1982). 54 A lâmapda irá acender nos terminais H4, H3 e H2, indicando que apenas os quatro terminais da esqueda são parte de uma única bobina. O brilho relativo da lâmpada pode também fornecer indicações no que diz respeito aos taps, pois a lâmpada brilha mais quando ligada a H1 – H2, e menos quando ligada a H1 – H4. Uma forma mais sensível de se identificarem as fases e taps seria utilizar-se de um volt metro CA ( Ω V), em lugar de uma lâmpada, ligado na escala de 150 V. O voltímetro lerá a tensão da fonte para cada tap de uma bobina comum, uma vez que a sua resist ncia interna ( 5 Ω)é muito maior que ‘normalmente’ é a resist ncia do enrolamento do transformador Um Ohmômetro a pilha ou eletrônico pode então ser usado para identificar os taps através da medição da resistência e também para verificar os enrolamentos da bobina pelo teste de continuidade. 2.15 LIGAÇÃO DOS ENROLAMENTOS DE UM TRANSFORMADOR Conhecer a polaridade e a identificação das fases de um transformador é fundamental quando se considera a maneira pela qual os enrolamentos múltiplos de um mesmo transformador ou vários transformadores individuais podem ser ligados em série ou em paralelo, para se obterem diferentes tensões. Inicialmente, considere o primeiro transformador de múltiplos enrolamentos mostrado na figura 2.25, tendo uma tensão nominal de 115 V para cada enrolamento de A.T. e 10 V para cada enrolamento de B.T. Figura 2.25 – Transformador de múltiplos enrolamentos. Fonte: KOSOW (1982). São obtidas quatro combinações possíveis de relações de tensão usando-se o transformador de acordo com a figura 2.26. (a) Bobinas de A.T. em série, bobinas de B.T. em série. (b) Bobinas de A.T. em série, bobinas de B.T. em paralelo. 55 (c)Bobinas de A.T. em paralelo, bobinas de B.T. em série. (d) Bobinas de A.T. em paralelo, bobinas de B.T. em paralelo. Figura 2.26 – Ligação de igual tensão de um transformador, em série e em paralelo. Fonte: KOSOW (1982). Nota-se que, quando as bobinas são ligadas em paralelo, as bobinas que têm a MESMA tensão e polaridade instantânea são postas em paralelo (terminais que têm números ímpares são ligados a um lado da linha e os de números pares ao outro). Note-se que as combinações de tensão produzidas pelas quatro ligações da figura 2.26 são respectivamente: 230/20 V; 230/10 V; 115/20 V; 115/10 V. Logo, sejam conseguidas quatro combinações de tensão e corrente através destas ligações, apenas três relações de transformação são conseguidas, ou seja: 23/1; 11,5/1; 5,75/1. Apenas bobinas com idênticas tensões nominais podem ser ligadas em paralelo. A razão para isso, como mostra a figura 2.26 (d), é que, quando as bobinas são ligadas em paralelo, as fem induzidas opõem-se instantaneamente umas às outras. Assim, se duas bobinas de diferentes tensões nominais fosse ligadas em paralelo, circulariam elevadas correntes em ambos os enrolamentos, uma vez que as suas impedâncias internas equivalentes são relativamente pequenas, enquanto que a diferença líquida entre as fem induzidas é relativamente grande. Quando se ligam bobinas em série, as bobinas de polaridade instantânea oposta são ligadas juntas (um terminal ímpar é ligado a um terminal par), de modo que as tensões somam-se em série. As tensões induzidas iriam se opor (dando tensão de saída nula) se fossem ligadas em oposição. Esta última questão pode, entretanto, ser desconsiderada quando se ligam bobinas de diferentes tensões nominais, como se descreve a seguir, figura 2.27. 56 (a) 120V/ 115, 110, 95, 90, 75, 65, 60, 55, 50, 45, 40, 25, 20, 5 V Diferentes tensões produzidas por transformação direta ou combinações utilizando apenas polaridade aditiva. (b) 120V/ 85, 70, 35, 30, 15, 10 V Algumas diferentes tensões produzidas por ligações utilizando polaridades subtrativas. Figura 2.27 – Ligação de enrolamentos de tensões desiguais de um transformador. Fonte: KOSOW (1982). ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 22. Um transformador para filamento de 10 VA, tensão primária 115 V, tem dois enrolamentos secundários de 6,3 V e 5 V, com impedâncias de ,2 Ω e , 5Ω, respectivamente. Calcule: a) A corrente secundária nominal quando os secundários de B.T. são ligados em série, com as tensões se somando. b) A corrente circulante quando os enrolamentos são ligados em paralelo e a porcentagem de sobrecarga produzida. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exercício 23. Os dados do ensaio de curto-circuito, para o lado de alta tensão do transformador de 20 kVA mostrado na figura a seguir, são 4,5 V, 87 A, 250 W. Calcule: a) A impedância equivalente referida ao lado de A.T, bobinas ligadas em série. b) A impedância equivalente referida ao lado de B.T. c)A corrente secundária nominal. d) A corrente secundária se as bobinas da figura são curto-circuitadas com a tensão nominal aplicada ao lado de A.T., e a sobrecarga percentual produzida. Figura 2.28 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------