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Modelos de Comércio Internacional
Prof. Paulo Dutra Costantin
Tópicos
Produtividade do trabalho e vantagem comparativa: o modelo ricardiano
Fatores específicos e distribuição de renda.
Recursos e comércio: o modelo de Heckscher-Ohlin
O modelo padrão de comércio
Economias de escala, concorrência imperfeita e comércio internacional.
Movimentos internacionais de fatores
Instrumentos de política comercial
Economia política da política comercial
A política comercial nos países em desenvolvimento
Controvérsias em política comercial
Contabilidade nacional e balanço de pagamentos
Taxas de câmbio e o mercado de câmbio: um enfoque de ativos.
Moeda, taxa de juros e câmbio.
Níveis de preço e a taxa de câmbio no longo prazo
O produto e a taxa de câmbio no curto prazo
Taxas de câmbio fixas e intervenção no câmbio
Sistema Monetário Internacional 1870-1973
Política Macroeconômica e coordenação sob taxas de câmbio flutuantes.
Áreas monetárias e a Experiência Européia 
O mercado global de capitais: Desempenho e Problemas de Política Econômica
Países em Desenvolvimento: Crescimento, Crise e Reforma.
Produtividade do trabalho e vantagem comparativa: o modelo ricardiano
Introdução
O conceito de vantagem comparativa
Economia com um único fator
O comércio em um mundo com um único fator
Idéias equivocadas sobre vantagem comparativa
Inclusão de custos de transporte e bens não comercializáveis
3
Introdução
Diferem uns dos outros em termos de clima, terreno, capital, trabalho e tecnologia.
Por que os países participam do comércio internacional? Por duas razões:
Tentam obter economias de 
escala na produção.
4
O conceito de vantagem comparativa
O modelo ricardiano baseia-se nas diferenças tecnológicas entre os países.
As diferenças tecnológicas refletem-se em diferenças na produtividade do trabalho.
Se cada país se especializa na produção do bem com custos de oportunidade menores, o comércio pode ser benéfico para ambos.
5
 
Economia com um único fator
Considere que estamos lidando com uma economia (a que chamaremos de Local). Nessa economia:
O trabalho é o único fator de produção.
Apenas dois bens (digamos, vinho e queijo) são produzidos.
A oferta de trabalho é fixa em cada país.
A produtividade da mão-de-obra é fixa para cada bem.
Em todos os mercados prevalece a concorrência perfeita.
6
Economia com um único fator
Possibilidades de produção
A fronteira de possibilidades de produção (FPP) de uma economia mostra o montante máximo de um bem (digamos, vinho) que pode ser produzido por qualquer quantidade determinada de outro (digamos, queijo) e vice-versa.
A FPP de nossa economia é dada pela seguinte equação:
 				aLCQC + aLWQW = L	
7
Preços relativos e oferta
As quantidades específicas de cada bem produzido são determinadas por preços.
O preço relativo do bem X (queijo) em termos de bom Y (vinho) é a quantidade de bom Y (vinho) que pode ser trocada por uma unidade de bom X (queijo).
Sob concorrência perfeita, as condições de lucros não negativas implicam:
Se PLW / aLW < wLW, não há produção de QW.
Se PLW / aLW = wLW, há produção de QW.
Se PLC / aLC < wLC, não há produção de QC.
Se PLC / aLC = wLC, há produção de QC.
Economia com um único fator
8
As relações acima implicam que o preço relativo do queijo (PC / PW ) supera o custo de oportunidade (aLC / aLW), portanto a economia vai se especializar na produção de queijo.
Na ausência de comércio, ambos os bens são produzidos, portanto PC / PW = aLC /aLW.
Economia com um único fator
9
 
O comércio em um mundo com um único fator
Premissas do modelo:
Há dois países no mundo (Local e Estrangeiro).
Cada um deles produz dois bens (digamos, vinho e queijo).
A mão-de-obra é o único fator de produção.
A oferta de mão-de-obra é fixa em cada país.
A produtividade da mão-de-obra em cada bem é fixa.
A mão-de-obra não é móvel entre os dois países.
A concorrência perfeita prevalece em todos os mercados.
Todas as variáveis com asterisco referem-se ao país Estrangeiro.
10
Vantagem absoluta
Um país tem vantagem absoluta na produção de um bem se tiver uma necessidade de mão-de-obra menor que o outro país para a produção desse bem.
Considere que aLC < a*LC e aLW < a*LW
Isso implica que o Local tem vantagem absoluta na produção dos dois bens. Também se pode notar que o Local é mais produtivo que o Estrangeiro na fabricação de ambos os bens.
Mesmo que o Local tenha vantagem absoluta nos dois bens, é possível haver um comércio benéfico.
O padrão do comércio será determinado pelo conceito da vantagem comparativa.
O comércio em um mundo com um único fator
11
O comércio em um mundo com um único fator
Vantagem comparativa
Considere que aLC /aLW < a*LC /a*LW			
Isso implica que o custo de oportunidade do queijo em termos do vinho é menor no Local que no Estrangeiro.
Em outras palavras, na ausência de comércio, o preço relativo do queijo no Local é menor que o preço relativo do preço no Estrangeiro.
O Local tem uma vantagem comparativa no queijo e vai exportá-lo para o Estrangeiro em troca de vinho.
12
O comércio em um mundo com um único fator
Determinação do preço relativo após o comércio
O que determina o preço relativo (ex.: PC / PW) após o comércio? 
Para responder a essa pergunta, temos que definir a oferta e a demanda relativas para o queijo no mundo como um todo.
A oferta relativa do queijo é igual à quantidade total de queijo fornecida por ambos os países em cada preço relativo dado dividido pela quantidade total de vinho fornecida, (QC + Q*C )/(QW+ Q*W).
A demanda relativa de queijo no mundo obedece a um conceito semelhante.
13
 
Oferta e demanda relativas mundiais
aLC / aLW
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
O comércio em um mundo com um único fator
14
Oferta e demanda relativas mundiais
aLC / aLW
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
O comércio em um mundo com um único fator
15
Oferta e demanda relativas mundiais
aLC / aLW
a*LC / a*LW
RS
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
O comércio em um mundo com um único fator
16
Oferta e demanda relativas mundiais – Países com tamanhos semelhantes
RD
1
aLC / aLW
a*LC / a*LW
RS
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
O comércio em um mundo com um único fator
17
Oferta e demanda relativas mundiais – País Local grande
2
RD1
Q'
aLC / aLW
a*LC / a*LW
RS
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
O comércio em um mundo com um único fator
18
Oferta e demanda relativas mundiais – País Estrangeiro grande
aLC / aLW
a*LC / a*LW
RS
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
RD2
3
O comércio em um mundo com um único fator
19
Oferta e demanda relativas mundiais
2
RD1
RD
1
Q'
aLC / aLW
a*LC / a*LW
RS
Preço relativo
do queijo, PC / PW
Quantidade relativa
de queijo, QC + Q*C
 
 QW + Q*W
L/aLC
L*/a *LW
RD2
3
O comércio em um mundo com um único fator
20
O comércio em um mundo com um único fator
Ganhos propiciados pelo comércio
Se um país se especializa de acordo com suas vantagens competitivas, ele obtém ganhos de sua especialização e comércio.
Demonstraremos de duas maneiras os ganhos do comércio.
Em primeiro lugar, podemos pensar no comércio como uma nova maneira de produzir bens e serviços (isto é, uma nova tecnologia).
21
O comércio em um mundo com um único fator
Outramaneira de ver os ganhos obtidos com o comércio é considerar como o comércio afeta as possibilidades de consumo em cada um país.
Na ausência do comércio, a curva de possibilidades de consumo é igual à curva de possibilidades de produção.
O comércio amplia a possibilidade de consumo para cada um dos dois países.
22
 
O comércio em um mundo com um único fator
Salários relativos
Como há diferenças tecnológicas entre os dois países, o comércio em bens não torna os salários iguais entre eles.
Um país com vantagem absoluta nos dois produtos obterá um salário mais alto após o comércio.
23
 
O comércio em um mundo com um único fator
Isso pode ser ilustrado com a ajuda de um exemplo numérico:
Considere que PC = $12 e PW = $12. Portanto, temos que PC / PW = 1, como em nosso exemplo anterior.
Como o Local se especializa em queijo após o comércio, seu salário será (1/aLC)PC = ( 1/1)$12 = $12.
Como o Estrangeiro se especializa em vinho após o comércio, seu salário será (1/a*LW) PW = (1/3)$12 = $4. 
Portanto, o salário relativo do Local será $12/$4 = 3.
Assim, o país com a maior vantagem absoluta gozará de salários maiores depois do comércio.
24
Idéias equivocadas sobre vantagem comparativa
Produtividade e competitividade
Mito 1: O livre comércio é benéfico somente se um país é suficientemente forte para resistir à concorrência estrangeira.
Esse argumento não reconhece que o comércio se baseia em vantagens comparativas, não absolutas.
O argumento do trabalho miserável
Mito 2: A concorrência estrangeira é injusta e prejudica outros países quando se baseia em salários baixos.
Mais uma vez, nosso exemplo mostra que o Estrangeiro tem salários mais baixos, porém ainda se beneficia do comércio.
25
Idéias equivocadas sobre vantagem comparativa
Exploração
Mito 3: O comércio prejudica os trabalhadores em países com salários mais baixos.
Na ausência de comércio, esses trabalhadores estariam em situação ainda pior. 
Negar a oportunidade de exportar é condenar os pobres a continuarem pobres.
26
 
Idéias equivocadas sobre vantagem comparativa
Tabela 2-3: Variações em salários e custos unitários de trabalho
27
Inclusão de custos de transporte
e bens não comercializáveis
Há três motivos principais pelos quais a especialização na economia internacional do mundo real não chega a extremos:
A existência de mais de um fator de produção.
Os países algumas vezes protegem suas indústrias da concorrência estrangeira.
É caro transportar bens e serviços.
A inclusão de custos de transporte faz com que alguns produtos se tornem bens não comercializáveis.
Em alguns casos, o transporte é praticamente impossível.
Exemplo: Serviços como corte de cabelo e conserto de automóveis não podem ser comercializados internacionalmente.
28
Fatores específicos e distribuição de renda
Introdução
O modelo de fatores específicos
Comércio internacional no modelo de fatores específicos
Distribuição de renda e os ganhos do comércio
A economia política do comércio: uma visão preliminar
29
Introdução
O comércio tem efeitos substanciais sobre a distribuição de renda nas nações que dele participam.
Há duas razões principais pelas quais o comércio internacional tem forte influência sobre a distribuição de renda:
Os recursos não podem se mover imediatamente ou sem custos de uma indústria a outra.
As indústrias diferem quanto aos fatores de produção que demandam.
O modelo de fatores específicos permite ao comércio afetar a distribuição de renda.
30
O modelo de fatores específicos
Hipóteses do modelo
Dois países: Local e Estrangeiro
Dois bens: manufaturas (M) e alimentos (A).
Há três fatores de produção; trabalho (L), capital (K) e terra (S).
As manufaturas são produzidas pelo uso do capital e do trabalho (mas não da terra).
O alimento é produzido pelo uso da terra e do trabalho (mas não do capital). 
A terra e o capital são fatores específicos que só podem ser usados na produção de um bem.
O trabalho é, portanto, um fator móvel que pode ser usado nos dois setores.
Concorrência perfeita e equilíbrio comercial.
31
O modelo de fatores específicos
Quanto de cada bem uma economia produz?
A produção de manufaturas de uma economia depende das quantidades de capital e trabalho utilizadas em um setor.
Esse relacionamento é resumido por uma função de produção.
A função de produção para o bem X dá as quantidades máximas do bem X que uma empresa pode produzir com várias quantidades de insumos.
Por exemplo, a função de produção para manufaturas (alimento) indica a quantidade delas que pode ser produzida dadas quaisquer quantidades dos insumos trabalho e capital (terra).
32
O modelo de fatores específicos
A função de produção de manufaturas é dada por 			QM = QM (K, LM) 			
		
QM é a produção de manufaturas da economia
K é o estoque de capital da economia
LM é a força de trabalho empregada em manufaturas
A função de produção de alimentos é dada por
				QA = QA (S, LA) 			
		
QA é a produção de alimentos da economia
S é a oferta de terra da economia
LA é a força de trabalho usada na produção de alimentos
33
O modelo de fatores específicos
A condição de pleno emprego de trabalho requer que o suprimento de trabalho de toda a economia seja igual à força de trabalho empregada na produção de alimentos mais a força de trabalho empregada na produção de manufaturas:
			LM + LA = L				
Podemos usar essas equações e derivar a fronteira de possibilidades de produção da economia.
34
O modelo de fatores específicos
Possibilidades de produção
Para analisar as possibilidades de produção da economia, basta perguntar como a composição dessa produção muda à medida que o trabalho é deslocado de um setor para o outro.
35
O modelo de fatores específicos
A forma da função de produção reflete a lei dos retornos decrescentes.
Agregar um trabalhador ao processo de produção (sem aumentar a quantidade de capital) significa que cada trabalhador tem menos capital para trabalhar.
Portanto, cada incremento sucessivo de trabalho acrescentará menos à produção que o anterior.
36
O modelo de fatores específicos
A fronteira de possibilidades de produção no modelo em estudo
QA =QA(S, LA)
QM =QM (K, LM)
L2M
L2A
3
2
1
L
L
AA
1'
3'
PP
Fronteira de possibilidades de
produção da economia (PP)
Função de produção
de manufaturas
Alocação de trabalho
na economia (AA)
Função de produção
 de alimentos
Q2A
Q2M
2'
Insumo trabalho 
em alimentos, 
LA (crescente )
Produção de manufaturas, 
QM (crescente )
Insumo trabalho 
Em manufaturas, 
LM (crescente )
Produção de alimentos,
 QA (crescente )
37
O modelo de fatores específicos
Preços, salários e alocação de trabalho
Quanto trabalho será empregado em cada setor?
Para responder a essa questão, precisamos verificar a oferta e a demanda no mercado de trabalho.
Demanda de trabalho:
Em cada setor, os empregadores maximizadores de lucros demandam trabalho até o ponto em que o valor produzido por um homem-hora adicional seja igual ao custo de empregar aquela hora na produção.
38
O modelo de fatores específicos
A curva de demanda por trabalho no setor de manufatura pode ser escrita como: 
			PMgLM x PM = w			
O salário é igual ao valor do produto marginal do trabalho na manufatura.
A curva de demanda por trabalho no setor de alimentos pode ser escrita como:
			PMgLA x PA = w			
O salário é igual ao valor do produto marginal do trabalho no alimento.
39
O modelo de fatores específicos
O salário deve ser o mesmo em ambos os setores, porque se considera que o trabalho seja livremente móvel entre eles.
O salário é determinado pela necessidade de a demanda total de trabalho ser igual à oferta total de trabalho:
				LM + LA = L			
40
O modelo de fatores específicos
No ponto de produção, a fronteira de possibilidades de produção deve ser tangente a uma reta cuja declividade seja o negativo do preço de manufaturas dividido pelo de alimentos.
Relacionamento entre preços relativos e produto:
			 	–PMgLA/PMgLM = –PM/PA
41
O modelo de fatores específicos
PMx PMgLM
(Curva de demanda por 
trabalho em manufaturas)
PA x PMgLA
(Curva de demanda por trabalho em alimentos)
Valor do produto 
marginal do trabalho, salário
w 1
1
L1M
L1A
Oferta total de trabalho, L
Trabalho usado 
em manufaturas, LM
Trabalho usado 
em alimentos, LA
A alocação de trabalho
42
O modelo de fatores específicos
O que acontece com a alocação de trabalho e com a distribuição de renda quando os preços dos alimentos e das manufaturas mudam?
Dois casos:
Uma mudança igualmente proporcional nos preços
Uma mudança nos preços relativos
43
O modelo de fatores específicos
w 1 
1
PA 
aumenta
10%
Salário, w
PA1 x PMgLA
Trabalho usado 
em manufaturas, LM
Trabalho usado 
em alimentos, LA
10% de 
aumento
de salário
PM 
aumenta 10%
PM1 X PMgLM
w 2
2
PA 2 x PMgLA
PM2 X PMgLM
O mesmo aumento proporcional nos preços de manufaturas e alimentos
44
O modelo de fatores específicos
Quando os dois preços mudam na mesma proporção, não ocorrem mudanças reais.
A taxa de salários (w) aumenta na mesma proporção que os preços, de modo que os salários reais (i.e., as razões entre os salários e os preços dos bens) não são afetados. 
As rendas reais de proprietários de capital e de proprietários de terra também permanecem as mesmas.
45
O modelo de fatores específicos
Quando apenas PM aumenta, o trabalho desloca-se do setor de alimentos para o de manufaturas e a produção de manufaturas aumenta enquanto a de alimentos cai.
Os salários (w) não aumentam tanto como PM porque o emprego no setor manufatureiro aumenta e, portanto, o produto marginal do trabalho nesse setor cai.
46
O modelo de fatores específicos
Aumento no preço das manufaturas
PA 1 x PMgLA
Salário, W
PM 1 x PMgLM
2
w 2
Trabalho usado 
em alimentos, LA
Trabalho usado 
em manufaturas, LM
Montante de trabalho
deslocado de alimentos 
para manufaturas
Salário aumenta menos
de 7%
Deslocamento para cima, equivalente a 7%, na demanda por trabalho 
PM 2 x PMgLM
1
w 1
47
O modelo de fatores específicos
A resposta da produção a uma mudança no preço relativo das manufaturas
Produção de alimentos, 
QA
Declividade = – (PM / PA)1
QM,
Produção de manufaturas
 Q 1A
 Q 1M
1
2
Declividade = –(PM / PA)2
Q2M
Q2A
48
O modelo de fatores específicos
Determinação dos preços relativos
Quantidade relativa de 
manufaturas, QM / QA
Preço relativo de 
manufaturas, PM / PA 
RD
RS
1 
(PM / PA )1 
(QM / QA )1 
49
O modelo de fatores específicos
Preços relativos e distribuição de renda
Suponha que PM aumente em 10%. Então, poderíamos esperar que o salário aumentasse em menos de 10%, digamos 5%.
Qual é o efeito econômico desse aumento de preço sobre a renda dos seguintes grupos?
Trabalhadores
Proprietários de capital
Proprietários de terra
50
O modelo de fatores específicos
Trabalhadores:
Não é possível dizer se os trabalhadores estão em situação melhor ou pior; isso depende da importância relativa das manufaturas e dos alimentos em seu consumo.
Proprietários de capital:
 Certamente estão melhor.
Proprietários de terra:
 Certamente estão pior.
51
Premissas do modelo
Imagine que dois países (Japão e Estados Unidos) têm a mesma curva de demanda relativa.
Portanto, a única fonte de comércio internacional são as diferenças na oferta relativa. A oferta relativa pode ser diferente porque os países podem diferir em:
Tecnologia
Fatores de produção (capital, terra, trabalho)
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
52
Recursos e oferta relativa
Quais são os efeitos do aumento na oferta de estoque de capital na produção de manufaturas e alimentos?
Um país com muito capital e pouca terra tende a produzir uma razão alta entre manufaturas e alimentos a quaisquer preços dados.
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
53
Mudando o estoque de capital
Comércio internacional no modelo de fatores específicos
PM x PMgLM2
PA1 x PMgLA
Salário, w
PM x PMgLM1
w 1
1
2
w 2
Aumento 
no estoque de capital, K
Montante de trabalho
deslocado de alimentos 
para manufaturas
Trabalho usado
em manufaturas, LM
Trabalho usado
em alimentos, LA
54
Um aumento na oferta de capital moveria para a direita a curva de oferta relativa.
Um aumento na oferta de terra moveria para a esquerda a curva de oferta relativa.
E quanto ao efeito de um aumento na força de trabalho? 
O efeito sobre o produto relativo é ambíguo, embora ambos os produtos aumentem.
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
55
Comércio e preços relativos
Suponha que o Japão tem mais capital por trabalhador que os Estados Unidos, ao passo que os Estados Unidos têm mais terra por trabalhador que o Japão.
Como resultado, o preço relativo antes do comércio no Japão é mais baixo que o preço relativo antes do comércio nos Estados Unidos.
O comércio internacional leva a uma convergência de preços relativos.
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
56
Comércio e preços relativos
Quantidade relativa 
de manufaturas, QM / QA
Preço relativo de manufaturas, PM / PA 
(PM / PA )MUNDIAL 
(PM / PA )EUA 
(PM / PA )J 
DRMUNDIAL 
OREUA 
ORMUNDIAL
ORJ 
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
57
O padrão do comércio
Em um país que não pode fazer comércio, a produção de um bem deve ser igual a seu consumo. 
O comércio internacional torna possível que a composição de manufaturas e alimentos consumida seja diferente da composição produzida. 
Um país não pode gastar mais do que recebe. 
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
58
A restrição orçamentária para uma economia que faz comércio
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
Restrição orçamentária 
(declividade = –PM / PA)
Consumo de manufaturas, DM Produção de manufaturas, QM 
Consumo de alimentos, DA
Produção de alimentos, QA
Fronteira de 
possibilidade 
de produção
Q 1M
1
Q 1A
59
Equilíbrio com comércio
Comércio internacional no
modelo de fatores específicos
Q JA
Q EUAA
D EUAN
D JA
Q EUAM
D EUAM
DJM
Importações 
de alimentos pelo Japão
Exportações 
de alimentos pelos EUA
Exportações 
de manufaturas 
pelo Japão
Importações 
de manufaturas 
pelos EUA
QJM
Quantidade de 
manufaturas
Quantidade de 
manufaturas
Quantidade 
de alimentos
Quantidade 
de alimentos
Restrição orçamentária 
japonesa
Restrição orçamentária 
norte-americana
(a) Japão
(b) Estados Unidos
60
Distribuição de renda e 
os ganhos do comércio
Para avaliar os efeitos do comércio sobre grupos em particular, o ponto-chave é que o comércio internacional muda o preço relativo de manufaturas e alimentos. 
O comércio beneficia o fator que é específico do setor exportador de cada país, mas prejudica o fator específico dos setores que concorrem com as importações.
O comércio tem efeitos ambíguos sobre os fatores móveis.
61
Distribuição de renda e 
os ganhos do comércio
Aqueles que lucram com o comércio poderiam compensar aqueles que perdem e ainda assim sair ganhando?
Se esse é o caso, então o comércio é potencialmente uma fonte de ganho para todos.
O motivo fundamental pelo qual o comércio beneficia potencialmente um país é que ele expande as escolhas da economia.
Essa expansão de escolha significa que é sempre possível redistribuir renda de tal modo que todos saiam ganhando com o comércio.
62
Distribuição de renda e 
os ganhos do comércio
O comércio expande as possibilidades de consumo da economia
Restrição orçamentária
(declividade = – PM / PA)
PP
Consumo de manufaturas, DM
Produção de manufaturas, QM 
Consumo de alimentos, DA
Produção de alimentos, QA
Q1M
Q1A
1
2
63
A economia política do comércio:
uma visão preliminar
O comércio com freqüência gera vencedores e perdedores.
Política comercial ótima
O governo deve, de alguma forma, ponderar o ganho de uma pessoa contra a perda de outra.
Alguns grupos requerem tratamento especial por já serem comparativamente pobres (ex.: trabalhadores dos setores de calçados e roupas nos EstadosUnidos).
A maioria dos economistas permanece fortemente a favor do livre comércio em um grau maior ou menor.
Para compreender com realismo como a política comercial é determinada, é preciso examinar as reais motivações da política.
64
A economia política do comércio:
uma visão preliminar
Distribuição de renda e políticas de comércio
Aqueles que obtêm ganhos do comércio pertencem a um grupo muito menos concentrado, informado e organizado que o daqueles que perdem.
Exemplo: Consumidores e produtores da indústria açucareira norte-americana
65
Recursos e Comércio: O modelo de Heckscher-Ohlin
Introdução
O modelo de uma economia com dois fatores
Os efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Constatações empíricas acerca do modelo de Heckscher-Ohlin 
	
66
Introdução
No mundo real, embora o comércio seja parcialmente explicado por diferenças na produtividade do trabalho, ele também reflete diferenças nos recursos dos países.
A teoria de Heckscher-Ohlin:
enfatiza as diferenças de recursos dos países como a única fonte de comércio
mostra que a vantagem comparativa é influenciada por:
abundância relativa de fatores (refere-se a países)
intensidade relativa de fatores (refere-se a bens)
é também chamada de teoria das proporções de fatores 
67
O modelo de uma economia 
com dois fatores
 Hipóteses do modelo 
Uma economia pode produzir dois bens, roupas e alimentos.
A produção desses bens requer dois insumos que têm oferta limitada: trabalho (L) e terra (S).
Nos dois países, a produção de alimentos é terra-intensiva, enquanto a produção de tecidos é trabalho-intensiva.
A concorrência perfeita e o equilíbrio comercial prevalecem em todos os mercados.
68
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Intensidade de fatores
Em um mundo de dois bens (roupas e alimentos) e dois fatores (trabalho e terra), a produção de alimentos é trabalho-intensiva se, em qualquer razão dada salário–renda da terra, a relação terra-trabalho usada na produção de alimentos é maior que a usada na produção de tecidos:
				 SA/LA > ST/ LT
Exemplo: se a produção de alimentos usa 80 trabalhadores e 200 alqueires, enquanto a produção de tecidos emprega 20 trabalhadores e 20 alqueires, então a produção de alimentos é terra-intensiva e a produção de tecidos é trabalho-intensiva.
69
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Preço de fatores e preços de bens 
Teorema (efeito) Stolper-Samuelson:
Se o preço relativo de um bem aumenta, mantendo-se constantes as ofertas de fatores, então os retornos nominal e real (em termos dos dois bens) do fator usado intensivamente na produção do bem aumenta, enquanto o retorno nominal e real (em termos dos dois bens) do outro fator diminui.
O inverso também é verdadeiro.
70
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Dos preços de bens às escolhas de insumos 
AA
TT
SS
Razão
terra– trabalho, S / L
Preço 
relativo de 
tecidos, PT / PA
Razão salário–renda
da terra, w / r
(PT / PA)1
(ST / LT)2
(ST / LT)1
(SA / LA)2
(SA / LA)1
(w / r)2
(w / r)1
Crescente
Crescente
(PT / PA)2
71
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Um aumento no preço do tecido em relação ao dos alimentos, PT/PA:
aumentará a renda dos trabalhadores em relação à dos proprietários de terras, w/r;
aumentará a razão terra–trabalho, S/L, na produção tanto de tecidos como de alimentos, e portanto aumentará o produto marginal do trabalho em termos dos dois bens; 
aumentará o poder de compra dos trabalhadores e reduzirá o poder de compra dos proprietários de terra, aumentando os salários reais e reduzindo as rendas reais da terra em termos dos dois bens.
72
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Recursos e produção 
Como é determinada a alocação de recursos?
Dados o preço relativo do tecido e as ofertas de terra e trabalho, é possível determinar quanto de cada recurso a economia devota à produção de cada bem.
73
O modelo de uma economia 
com dois fatores
LA
SA
LT
ST
Trabalho utilizado na produção de alimentos
Trabalho utilizado na fabricação de tecidos
OA
Crescente
Crescente
Crescente
Crescente
Terra utilizada na fabricação de tecidos
Terra utilizada na produção de alimentos
1
A
T
OT
A alocação de recursos
74
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Como a produção dos dois bens se altera quando os recursos da economia se alteram?
Teorema (efeito) de Rybczynski:
Se um fator de produção (S ou L) aumenta, a oferta do bem que usa esse fator intensivamente aumenta e a oferta do outro bem diminui para quaisquer preços de commodity dados.
O inverso também é verdadeiro.
75
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Um aumento na oferta de terra 
T
L2A
L2T
S1A
S1T
A1
L1A
L1T
S2A
S2T
1
Trabalho utilizado na produção de alimentos
Terra utilizada na fabricação de tecidos
Crescente
Crescente
Crescente
Crescente
Trabalho utilizado na fabricação de tecidos
Terra utilizada na produção de alimentos
A2
O1A
O2A
2
OT
76
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Recursos e possibilidades de produção 
PP 1
PP 2
Produção de alimentos, QA
Produção de tecidos, QT
declividade = – PT / PA
declividade = – PT / PA
2
Q 2A
Q 2T
1
Q 1A
Q 1T
77
O modelo de uma economia 
com dois fatores
Um aumento na oferta de terra (trabalho) leva a uma expansão viesada das possibilidades de produção em relação à produção de alimentos (tecidos).
O efeito viesado de aumentos (reduções) nos recursos sobre as possibilidades de produção é a chave para entender como diferenças nos recursos fazem surgir o comércio internacional.
 
Uma economia tenderá a ser relativamente eficaz na produção de bens que sejam intensivos nos fatores em que o país é relativamente bem-dotado.
78
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores 
Premissas do modelo Heckscher-Ohlin:
Há dois países (Local e Estrangeiro), que têm:
os mesmos gostos;
a mesma tecnologia;
recursos diferentes.
O Local possui uma razão entre trabalho e terra mais alta que a do Estrangeiro. 
Cada país tem a mesma estrutura de produção de uma economia com dois fatores.
79
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Preços relativos e o padrão do comércio
Abundância de fatores
O país Local é trabalho-abundante se comparado ao país Estrangeiro (e este é terra-abundante se comparado ao Local) se e somente se a razão entre a quantidade total de trabalho em relação à quantidade total de terra disponível no país Local for maior que no Estrangeiro:
				L/T > L*/ T*
Exemplo: Se os Estados Unidos têm 80 milhões de trabalhadores e 200 milhões de alqueires, e a Grã-Bretanha tem 20 milhões de trabalhadores e 20 milhões de alqueires, a Grã-Bretanha é trabalho-abundante e os Estados Unidos são terra-abundantes.
Nesse caso, o fator escasso no Local é a terra e, no Estrangeiro, é o trabalho.
80
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Quando Local e Estrangeiro comerciam entre si, seus preços relativos convergem. O preço relativo de tecidos aumenta no Local e declina no Estrangeiro. 
No Local, o aumento no preço relativo do tecido leva a um aumento na produção de tecido e a um declínio no consumo relativo, de modo que o Local se torna um exportador de tecidos e um importador de alimentos. 
Inversamente, o declínio do preço relativo de tecidos no Estrangeiro leva-o a se tornar um importador de tecidos e um exportador de alimentos.
81
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
O comércio leva à convergência dos preços relativos 
DR
OR
OR *
1
2
3
Preço relativo dos tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q*T
 QA + Q*A
82
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Teorema de Heckscher-Ohlin:
Um país exportará bens que utilizarem intensivamente seu fator abundante e importará bens que utilizarem intensivamente seu fator escasso.
83
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Comércio e distribuição derenda
O comércio leva à convergência dos preços relativos.
Mudanças nos preços relativos têm fortes efeitos sobre a remuneração relativa do trabalho e da terra nos dois países:
No Local, onde o preço relativo de tecidos aumenta:
os trabalhadores saem ganhando e os proprietários de terra saem perdendo.
No Estrangeiro, onde o preço relativo de tecidos cai, ocorre o contrário: 
os trabalhadores saem perdendo e os proprietários de terra saem ganhando.
Os proprietários dos fatores abundantes de um país obtêm ganhos do comércio, mas os proprietários dos fatores escassos saem perdendo.
84
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Diferença entre o modelo de fatores específicos e o modelo de Heckscher-Ohlin em termos de efeitos da distribuição de renda:
A especificidade de fatores em relação a determinadas indústrias costuma ser apenas um problema temporário. 
Exemplo: Costureiras não podem se tornar fabricantes de computadores da noite para o dia, mas, se lhes dermos certo tempo, a economia de um país pode deslocar seus postos de trabalho industriais de setores declinantes para setores em expansão. 
Em contrapartida, os efeitos do comércio sobre a distribuição de renda entre terra, trabalho e capital são mais ou menos permanentes.
85
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Equalização de preços de fatores 
Na ausência de comércio, o trabalho seria menos remunerado no Local do que no Estrangeiro, e a terra seria mais remunerada.
Teorema da equalização dos preços de fatores:
O comércio internacional leva à completa equalização dos preços de fatores dos dois países.
Isso implica que o comércio internacional é um substituto para a mobilidade internacional dos fatores.
86
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
O comércio internacional igualou os retornos dos fatores homogêneos de diferentes países no mundo real?
Mesmo a observação casual indica claramente que não. 
Exemplo: Os salários são muito mais altos para médicos, engenheiros, técnicos, mecânicos e operários nos Estados Unidos e na Alemanha do que na Coréia e no México.
Sob essas circunstâncias, é mais realista dizer que o comércio internacional reduziu, mas não eliminou completamente, a diferença internacional nos retornos aos fatores homogêneos.
87
Efeitos do comércio internacional entre economias com dois fatores
Três hipóteses cruciais para a previsão de equalização dos preços de fatores são, com certeza, falsas:
Ambos os países produzem ambos os bens. 
Ambos os países dispõem das mesmas tecnologias de produção.
O comércio realmente equaliza os preços de bens nos dois países.
Algo que a equalização dos preços de fatores não diz é que o comércio internacional vai eliminar ou reduzir as diferenças internacionais de rendas per capita.
88
Constatações empíricas acerca do modelo de Heckscher-Ohlin 
Constatação empírica acerca do modelo de Heckscher-Ohlin 
Testes com dados dos Estados Unidos 
Paradoxo de Leontief
Leontief descobriu que, nos Estados Unidos, as exportações eram menos capital-intensivas do que as importações, apesar de se tratar do país mais abundante em capital no mundo.
Testes com dados globais 
Umm estudo de Bowen, Leamer e Sveikauskas testou o modelo de Heckscher-Ohlin utilizando dados de um grande número de países.
Esse estudo confirma o paradoxo de Leontief em um nível mais amplo.
89
Tabela 4-3: Conteúdo de fatores das exportações e importações norte-americanas em 1962 
Constatações empíricas acerca do modelo de Heckscher-Ohlin
90
Constatações empíricas acerca do modelo de Heckscher-Ohlin
Testes no comércio Norte-Sul 
O comércio Norte-Sul de manufaturas parece ajustar-se muito melhor à teoria de Heckscher-Ohlin do que o padrão geral do comércio internacional.
O caso do comércio desaparecido 
Um estudo de Trefler em 1995 mostrou que as diferenças tecnológicas entre uma amostra de países é muito grande.
91
Implicações dos testes
As constatações empíricas acerca do modelo Heckscher-Ohlin levam às seguintes conclusões:
O modelo foi menos bem-sucedido para explicar os padrões exatos do comércio internacional .
O modelo permanece vital para a compreensão dos efeitos do comércio sobre a distribuição de renda .
Constatações empíricas acerca do modelo de Heckscher-Ohlin
92
O modelo-padrão do comércio
Economia internacional: teoria e política, 
Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
93
Organização do capítulo
Introdução
O modelo-padrão para uma economia com comércio 
Transferências de renda internacionais: deslocando a curva DR
Tarifas e subsídios às exportações: deslocamentos simultâneos de OR e DR 
Resumo
94
Introdução
As teorias de comércio apresentadas enfatizaram fontes específicas de vantagem comparativa que originaram o comércio:
Diferenças na produtividade do trabalho (modelo ricardiano).
Diferenças nos recursos (modelo dos fatores específicos e modelo de Heckscher-Ohlin).
O modelo-padrão do comércio é um modelo geral de comércio que admite esses modelos como casos especiais.
95
 O modelo-padrão para uma economia com comércio
O modelo-padrão do comércio é construído a partir de quatro relacionamentos-chave:
Relação entre a fronteira de possibilidades de produção e curva de oferta relativa 
Relação entre preços relativos e demanda relativa 
Determinação do equilíbrio mundial pela oferta relativa mundial e a demanda relativa mundial 
O efeito dos termos de troca sobre o bem-estar de uma nação 
96
 O modelo-padrão para uma economia com comércio
Possibilidades de produção e oferta relativa 
Premissas do modelo:
Que cada país produza dois bens, alimento (A) e tecidos (T).
Que a fronteira de possibilidades de produção de cada país seja uma curva suave (TT).
O ponto em que a economia efetivamente produz sobre a fronteira de possibilidades de produção depende do preço dos tecidos em relação ao dos alimentos, PT/PA.
Linhas de isovalor 
Linhas ao longo das quais o valor do produto é constante 
97
Figura 5-1: Preços relativos determinam o produto da economia 
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Q
Linhas de isovalor
TT
Produção de tecidos, QT
Produção de alimentos, QA
98
Figura 5-2: Como um aumento no preço relativo de tecidos afeta a oferta 	 relativa 
Q1
VV1(PT / PA)1
Q2
VV2(PT / PA)2
TT
Produção de tecidos, QT
Produção de alimentos, QA
O modelo-padrão para uma economia com comércio
99
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Preços relativos e demanda 
O valor do consumo de uma economia é igual ao valor de sua produção:
PTQT + PAQA = PTDT + PADA = V
A escolha pela economia de um ponto sobre a linha de isovalor depende dos gostos dos consumidores, que podem ser representados graficamente por uma série de curvas de indiferença.
100
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Curvas de indiferença
Tais curvas mostram um conjunto de combinações de consumo de tecidos (T) e de alimentos (A) que deixa o indivíduo na mesma situação. 
Elas têm três propriedades:
São negativamente inclinadas. 
Quanto mais para cima e para a direita a curva de indiferença, maior é o nível de bem-estar ao qual ela corresponde. 
Cada curva de indiferença fica menos inclinada à medida que nos movemos para a direita. 
101
Figura 5-3: Produção, consumo e comércio no modelo-padrão 
O modelo-padrão para uma economia com comércio
TT
Produção de tecidos, QT
Produção de alimentos, QA
Q
D
Curvas de indiferença
Importação 
de alimentos
Exportação de tecidos
Linha de isovalor
102
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Se aumenta o preço relativo do tecido, PT/PA , a escolha de consumo da economia também se altera, de D1 para D2.
O deslocamento de D1 para D2 reflete dois efeitos:
Efeito-renda;
Efeito-substituição.
Em princípio, é possível que o efeito-renda seja forte a ponto de, quando PT/PA aumentar, o consumo de ambos os bens efetivamente aumentar, mas a razão entre o consumo de T e de A cairá.
103
Figura 5-4: Efeitos de um aumento no preço relativode tecidos 
TT
Q1
VV 1(PT / PA)1
Q2
VV 2(PT / PA)2
D2
D1
 Produção de tecidos, QT
Produção de alimentos, QA
O modelo-padrão para uma economia com comércio
104
O modelo-padrão para uma economia com comércio
O efeito das mudanças nos termos de troca sobre o bem-estar
Termos de troca 
O preço do bem que um país inicialmente exporta dividido pelo preço do bem que ele inicialmente importa.
Um aumento nos termos de troca aumenta o bem-estar de um país, enquanto um declínio nos termos de troca reduz o bem-estar de um país.
105
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Determinando os preços relativos 
Suponha que a economia mundial consista em dois países:
Local (que exporta tecidos)
Seus termos de troca são medidos por PT/PA.
As quantidades de tecidos e alimentos produzidos por ele são QT e QA.
Estrangeiro (que exporta alimentos) 
Seus termos de troca são medidos por PA/PT.
As quantidades de tecidos e alimentos produzidos por ele são Q*T e Q*A.
106
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Para determinar PT/PA, encontramos a interseção da oferta relativa mundial de tecidos e a demanda relativa mundial.
A curva da oferta relativa mundial (OR) é positivamente inclinada porque um aumento em PT/PA leva ambos os países a produzir mais tecidos e menos alimentos.
A curva da demanda relativa mundial (DR) é negativamente inclinada porque um aumento em PT/PA leva ambos os países a mudar a composição de seu consumo, abrindo mão dos tecidos em favor dos alimentos.
107
Figura 5-5: Oferta relativa mundial e demanda relativa mundial 
OR
DR
Preço relativo
de tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q*T
 QA + Q*A
(PT / PA)1
1
O modelo-padrão para uma economia com comércio
108
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Crescimento econômico: a curva OR se desloca
O crescimento econômico em outros países é bom ou mau para nosso país?
Pode ser bom porque significa mercados maiores para nossas exportações. 
Pode significar o aumento da concorrência para nossos exportadores.
Quando uma nação faz parte de uma economia mundial muito integrada, seu crescimento deve ser visto de maneira positiva ou negativa?
Deveria ser bem-vindo quando um país pode vender parte de seu aumento de produção ao mercado mundial. 
É menos valioso quando os benefícios do crescimento são repassados aos estrangeiros em vez de ficarem retidos localmente.
109
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Crescimento e a fronteira de possibilidades de produção 
O crescimento econômico significa um deslocamento para fora da fronteira de possibilidades de produção de um país (TT).
Crescimento viesado
Ocorre quando TT se desloca para fora mais em uma direção do que em outra 
Pode ocorrer por duas razões:
progresso tecnológico em um setor da economia; 
aumento na oferta de um fator de produção de um país. 
110
Figura 5-6: Crescimento viesado
(b) Crescimento viesado para alimentos
TT 1
TT 1
TT 2
TT 2
Produção de tecidos, QT
Produção de 
alimentos, QA
(a) Crescimento viesado para tecidos
Produção de tecidos, QT
Produção de 
alimentos, QA
O modelo-padrão para uma economia com comércio
111
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Oferta relativa e os termos de troca 
Crescimento viesado para exportações 
Expande as possibilidades de produção de um país desproporcionalmente na direção do bem que ele exporta 
Tende a piorar os termos de troca de um país em crescimento em benefício do resto do mundo 
Crescimento viesado para importações 
Expande as possibilidades de produção de um país desproporcionalmente na direção do bem que ele importa
Tende a melhorar os termos de troca de um país em crescimento, à custa do resto do mundo
112
Figura 5-7: Crescimento e oferta relativa 
Preço relativo de
tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q *T
 QA + Q *A
OR 1
DR
1
(PT / PA)1
OR 2
(PT / PA)2
2
Preço relativo de
tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q *T
 QA + Q *A
OR 2
DR
2
(PT / PA)2
OR 1
(PT / PA)1
1
(a) Crescimento viesado para tecidos
(b) Crescimento viesado para alimentos
O modelo-padrão para uma economia com comércio
113
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Efeitos internacionais do crescimento 
O crescimento viesado para exportações no resto do mundo melhora nossos termos de troca, enquanto o crescimento viesado para importações no estrangeiro piora nossos termos de troca.
O crescimento viesado para exportações em nosso próprio país piora nossos termos de troca, reduzindo os benefícios diretos do crescimento, enquanto o crescimento viesado para importações leva a uma melhora de nossos termos de troca.
114
O modelo-padrão para uma economia com comércio
Crescimento empobrecedor 
Situação em que o crescimento viesado para exportações nas nações mais pobres pioraria tanto seus termos de troca que elas ficariam em pior situação do que se não tivessem crescido.
Pode ocorrer em condições extremas: um crescimento fortemente viesado para exportações deve estar combinado com curvas OR e DR muito inclinadas.
A maioria dos economistas o considera mais uma questão teórica do que um problema do mundo real.
115
Transferências de renda internacionais: deslocando a curva DR 
Transferências de renda internacionais, como nos casos de reparações de guerra e auxílio externo, podem afetar os termos de comércio de um país deslocando a curva de demanda relativa mundial.
A demanda relativa mundial por bens pode deslocar-se devido a:
mudanças no gosto;
mudanças na tecnologia;
transferências de renda internacionais.
O problema das transferências
Como as transferências internacionais afetam os termos de troca 
116
Transferências de renda internacionais: deslocando a curva DR 
Efeitos das transferências sobre os termos de troca 
Se os dois países alocarem suas mudanças nos gastos nas mesmas proporções (argumento de Ohlin):
A curva DR não se deslocará e os termos de troca não sofrerão nenhum impacto.
Se os dois países não alocarem suas mudanças nos gastos nas mesmas proporções (argumento de Keynes):
A curva DR se deslocará e haverá efeito sobre os termos de troca.
A direção do efeito sobre os termos de troca dependerá da diferença entre os padrões de gastos do Local e do Estrangeiro. 
117
Figura 5-8: Efeitos de uma transferência sobre os termos de troca 
Preço relativo 
de tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q*T
 QA + Q*A
OR
DR 2
DR 1
(PT / PA)2
2
1
(PT / PA)1
Transferências de renda internacionais: deslocando a curva DR 
118
Transferências de renda internacionais: deslocando a curva DR 
Suposições quanto aos efeitos das transferências sobre os termos de troca 
Uma transferência piorará os termos de troca do doador se este tiver uma propensão marginal a gastar em seu bem de exportação mais alta que a do receptor.
Na prática, a maioria dos países gasta uma proporção muito maior de sua renda em produtos produzidos domesticamente que no estrangeiro.
Isso não se deve necessariamente a diferenças de gosto, mas a barreiras ao comércio tanto naturais como artificiais.
119
As tarifas sobre importações e os subsídios às exportações afetam tanto a oferta como a demanda relativas.
Efeitos das tarifas sobre a demanda relativa e a oferta relativa 
As tarifas e os subsídios colocam uma cunha entre os preços pelos quais os bens são comercializados internacionalmente (preços externos) e os preços pelos quais são comercializados dentro de um país (preços internos).
Os termos de troca são coerentes com os preços externos, e não com os internos.
Tarifas e subsídios às exportações: deslocamentos simultâneos de OR e DR 
120
Figura 5-9: Efeitos de uma tarifa sobre os termos de troca 
Preço relativo de
tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q*T
 QA + Q*A
OR 1
DR 1
DR 2
OR 2
 (PT / PA)1
1
(PT / PA)2
2
Tarifas e subsídios às exportações: deslocamentos simultâneosde OR e DR 
121
Efeitos dos subsídios às exportações 
Muitas vezes, as tarifas e os subsídios às exportações são tratados como políticas semelhantes, mas essas duas estratégias têm efeitos opostos sobre os termos de troca.
Exemplo: Suponha que o Local ofereça um subsídio de 20 por cento sobre o valor de qualquer tecido exportado:
Esse subsídio aumentará o preço interno de tecidos do Local em relação ao de alimentos em 20 por cento.
Isso levará os produtores do Local a produzir mais tecidos e menos alimentos .
Os subsídios às exportações do Local pioram seus termos de troca e melhoram os termos de troca do Estrangeiro.
Tarifas e subsídios às exportações: deslocamentos simultâneos de OR e DR 
122
Figura 5-10: Efeitos de um subsídio sobre os termos de troca 
2
Preço relativo de
tecidos, PT / PA
Quantidade relativa 
de tecidos, QT + Q *T
 QA + Q *A
OR1
DR1
DR2
OR2
(PT / PA)1
1
(PT / PA)2
Tarifas e subsídios às exportações: deslocamentos simultâneos de OR e DR 
123
Implicações dos efeitos sobre os termos de troca: quem ganha e quem perde? 
A distribuição internacional de renda 
Se o Local (um país grande) impõe uma tarifa, seu bem-estar aumenta desde que a tarifa não seja grande demais, enquanto o bem-estar do Estrangeiro decresce.
Se o Local oferece um subsídio à exportação, seu bem-estar se deteriora, enquanto o bem-estar do Estrangeiro aumenta.
A distribuição de renda dentro dos países 
Uma tarifa (subsídio) tem o efeito direto de aumentar o preço relativo interno do bem importado (exportado).
Tarifas e subsídios à exportação podem ter efeitos perversos sobre os preços internos de um país (paradoxo de Metzler).
Tarifas e subsídios às exportações: deslocamentos simultâneos de OR e DR 
124
Capítulo 6
Economias de escala, concorrência imperfeita e comércio internacional 
Economia internacional: teoria e política, 6ª edição
de Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
125
Organização do capítulo
Introdução
Economias de escala e comércio internacional: uma introdução
Economias de escala e estrutura de mercado
A teoria da concorrência imperfeita
Concorrência monopolista e comércio
Discriminação internacional de preços (dumping)
A teoria das economias externas
Economias externas e comércio internacional
126
Introdução
Os países envolvem-se no comércio internacional por dois motivos básicos:
Os países diferem quanto aos recursos ou à tecnologia.
Os países fazem comércio para atingir economias de escala (ou retornos crescentes) na produção).
Dois modelos em que as economias de escala e a concorrência imperfeita desempenham um papel crucial:
modelo de concorrência monopolista; 
modelo de discriminação internacional de preços (dumping). 
127
Economias de escala e comércio internacional: uma introdução 
Os modelos de vantagem competitiva (ex.: modelo ricardiano) baseiam-se na hipótese de retornos constantes de escala e na concorrência perfeita: 
Ao se aumentar a quantidade de todos os insumos usados na produção de um bem, a produção desse bem aumentará na mesma proporção.
Na prática, muitos indústrias caracterizam-se por economia de escala (também chamadas de retornos crescentes).
Uma indústria pe mais eficiente quanto maior a escala na qual ela ocorre. 
128
Economias de escala e comércio internacional: uma introdução
Sob retornos de escala crescente: 
A produção cresce proporcionalmente mais que o aumento de todos os insumos.
Os custos médios (custos por unidade) declinam com o tamanho do mercado.
129
Economias de escala 
e estrutura de mercado 
As economias de escala podem ser:
Externas
O custo por unidade depende do tamanho da indústria, mas não necessariamente do tamanho de uma firma qualquer.
Uma indústria em geral consiste de muitas firmas pequenas, com uma estrutura de mercado de concorrência perfeita.
Internas 
O custo por unidade depende do tamanho de uma firma individual, mas não necessariamente do tamanho da indústria.
A estrutura de mercado será de concorrência imperfeita, com firmas grandes com vantagens de custo sobre as pequenas.
Os dois tipos de economia de escala são causas importantes do comércio internacional.
130
A teoria da 
concorrência imperfeita 
Concorrência imperfeita
As firmas estão conscientes de que podem influenciar os preços de seus produtos .
Sabem que somente podem vender mais ao reduzir seu preço. 
Cada firma considera-se uma formadora de preço, ao escolher o preço de seu produto, em vez de ser uma tomadora de preço.
A estrutura de mercado de concorrência imperfeita mais simples é a de monopólio puro, em que uma firma não tem concorrência.
131
A teoria da 
concorrência imperfeita
Monopólio: uma breve revisão 
Receita marginal
A receita adicional que a firma ganha por vender uma unidade adicional.
Sua curva de receita marginal, RMg, está sempre situada abaixo da curva de demanda, D.
Para vender uma unidade adicional de sua produção, a firma deve diminuir o preço de todas as unidades vendidas (não apenas a marginal). 
132
A teoria da 
concorrência imperfeita
Figura 6-1: Decisões monopolistas de preço e produção 
D
Custo, C, e preço, P
Quantidade, Q
Lucros de monopólio
CMe
PM
QM
RMg
CMg
CMe
133
Receita marginal e preço 
A receita marginal é sempre menor do que o preço.
A relação entre receita marginal e o preço depende de duas coisas:
Da quantidade de produto que a firma já está vendendo 
Da declividade da curva de demanda 
Ela nos diz quanto o monopolista deve diminuir seu preço para vender uma unidade a mais de sua produção.
A teoria da 
concorrência imperfeita
134
A teoria da 
concorrência imperfeita
Figura 6-2: Custo médio versus custo marginal 
Custo médio
Custo marginal
1
2
0
3
4
5
6
2
4
6
8
10
12
14
16
18
20
22
24
Custo por unidade
Produção
135
Concorrência monopolista 
Oligopólio 
Economias de escala internas geram uma estrutura de mercado de oligopólio. 
Há diversas firmas, cada uma grande o suficiente para afetar os preços, mas nenhuma com um monopólio incontestável.
As interações estratégicas entre oligopolistas ganharam importância.
Cada firma, ao determinar seu preço, considera como essa decisão pode afetar as reações dos concorrentes.
A teoria da 
concorrência imperfeita
136
Concorrência monopolista
Um caso especial de oligopólio.
Duas hipóteses principais são feitas para tratar o problema da interdependência:
Supõe-se que cada firma é capaz de diferenciar seu produto em relação ao produto de seus rivais.
Supõe-se que cada firma tome os preços cobrados por seus concorrentes como dados.
A teoria da 
concorrência imperfeita
137
Há indústrias caracterizadas pela concorrência monopolista no mundo real?
Algumas indústrias podem ser aproximações razoáveis (ex.: a indústria automobilística na Europa).
A principal vantagem do modelo de concorrência monopolista não é seu realismo, mas sua simplicidade.
A teoria da 
concorrência imperfeita
138
Hipóteses do modelo
Imagine uma indústria composta de diversas firmas que fabricam produtos diferenciados.
Espera-se que uma firma:
venda mais quanto maiores forem a demanda total pelo produto de sua indústria e os preços cobrados por suas rivais;
venda menos quanto maiores forem o número de firmas no setor e seu próprio preço.
A teoria da 
concorrência imperfeita
139
		Onde:
Q são as vendas da firma;
V são as vendas totais da indústria;
n é o número de firmas na indústria;
b é uma constante que representa a resposta das vendas de uma firma a seu preço;
P é o preço cobrado pela própria firma.
 Uma equação para descobrir a demanda com que se defronta uma firma com essas propriedades é:
	 Q = V x [1/n – b x (P – P)] (6-5)
A teoria da 
concorrência imperfeita
P é o preço médio cobrado pelos concorrentes
140
Equilíbrio de mercado
Todas as empresas nesse setor são simétricas.
As funções demanda e custo são idênticas para todas as firmas.
O método para determinar o número de firmas e o preço médio que elas cobrem envolve três passos:
Estabelecemosuma relação entre o número de firmas e o custo médio de uma firma típica.
Mostramos a relação entre o número de firmas e o preço que cada uma cobra.
Mostramos o número de firmas no equilíbrio e o preço médio cobrado por elas.
A teoria da 
concorrência imperfeita
141
O número de empresas e o custo médio
Como o custo médio de uma firma típica depende do número de firma em sua indústria?
A teoria da 
concorrência imperfeita
Caso sejam simétricas, P = P, a equação (6-5) nos diz que Q = V/n, no entanto a equação (6-4) nos mostra que o custo médio se relaciona inversamente ao produto de uma firma. 
Concluímos que o custo médio depende do tamanho do mercado e do número de firmas na indústria:
 	 CMe = F/Q + c = n x F/V + c (6-6)
 Quanto mais firmas houver na indústria, maior será o custo médio.
142
Figura 6-3: Equilíbrio em um mercado com concorrência monopolista 
A teoria da 
concorrência imperfeita
PP
Custo, C, e
preço, P
Número de
firmas, n
CC
P3
CMe3
n3
n1
CMe1
n2
 CMe2
E
P2,
P1
143
O número de firmas e o preço
O preço cobrado por uma firma típica depende do número de firmas na indústria.
Quanto mais firmas, mais intensa a concorrência e, portanto, menor o preço.
No modelo de concorrência monopolista, supõe-se que as firmas tomem os preços das demais como dados.
A teoria da 
concorrência imperfeita
Se cada firma trata P como dado, podemos reescrever a curva de demanda (6-5) da seguinte forma:
	 Q = (V/n + V x b x P) – V x b x P (6-7)
144
As firmas que maximizam os lucros farão a receita marginal coincidir com seu custo marginal c.
Isso gera uma relação negativa entre o preço e o número de firmas no mercado, que é a curva PP:
		 P = c + 1/(b x n) (6-10)
Quanto mais firmas houver na indústria, menor será o preço que cada uma cobrará.
A teoria da 
concorrência imperfeita
145
O número de firmas no equilíbrio
A curva negativamente inclinada PP mostra que, quanto mais firmas houver na indústria, menor será o preço que cada firma cobrará.
Quanto mais firmas houver, mais concorrência cada uma enfrentará.
A curva positivamente inclinada CC nos diz que, quanto mais firmas houver na indústria, maior o custo médio de cada uma .
Se o número de firmas aumentar, cada firma venderá menos, de modo que elas não poderão se mover muito para baixo sobre sua curva de custo médio.
A teoria da 
concorrência imperfeita
146
Limitações do modelo de concorrência monopolista 
Dois tipos de comportamento que surgem no cenário do oligopólio em geral não se encaixam no modelo de concorrência monopolista:
Comportamento de cartel:
pode elevar os lucros de todas as firmas à custa dos consumidores; 
pode ser administrado por meio de acordos explícitos ou por meio de estratégias tácitas de coordenação.
Comportamento estratégico:
adotado pelas firmas para afetar o comportamento de concorrentes de uma maneira desejável;
impede a entrada de rivais potenciais na sua indústria.
A teoria da 
concorrência imperfeita
147
Concorrência 
monopolista e comércio 
O modelo de concorrência monopolista pode ser usado para mostrar como o comércio leva a: 
um preço médio menor devido a economias de escala;
disponibilidade de uma variedade maior de bens devida à diferenciação de produtos;
importações e exportações dentro de cada setor (comércio intra-indústria).
148
Concorrência 
monopolista e comércio 
Efeitos do aumento do tamanho do mercado
O número de firmas em uma indústria com concorrência monopolista e os preços que elas cobram são afetados pelo tamanho do mercado.
149
Concorrência 
monopolista e comércio 
Figura 6-4: Efeitos do aumento do mercado
Custo, C, e 
preco, P
Número de
firmas, n
CC1
n1
P1
1
PP
n2
P2
2
CC2
150
Concorrência 
monopolista e comércio 
Ganhos de um mercado integrado: um exemplo numérico 
O comércio internacional permite a criação de um mercado integrado maior que o mercado de cada país.
Portanto, isso torna possível oferecer aos clientes uma variedade maior de produtos e preços mais baixos.
151
Concorrência 
monopolista e comércio 
Exemplo: Vamos supor que automóveis sejam produzidos por uma indústria com concorrência monopolista.
Considere o seguinte:
b = 1/30.000
F = US$ 750.000.000
c = US$ 5.000
Há dois países (o Local e o Estrangeiro) com os mesmos custos de produção de automóveis. 
As vendas anuais de automóveis é de 900.000 no Local e de 1,6 milhão no Estrangeiro.
152
Concorrência 
monopolista e comércio 
Figura 6-5: Equilíbrio no mercado de automóveis (continua)
153
Concorrência 
monopolista e comércio 
Figura 6-5: Equilíbrio no mercado de automóveis (continua)
154
Figura 6-5: Equilíbrio no mercado de automóveis
Concorrência 
monopolista e comércio 
155
Concorrência 
monopolista e comércio 
Tabela 6-2: Exemplo hipotético dos ganhos com a integração de mercados 
156
Concorrência 
monopolista e comércio 
Economias de escala e vantagem comparativa 
Premissas:
Há dois países: Local (país capital-abundante) e Estrangeiro.
Há duas indústrias: manufaturas (capital-intensiva) e alimentos. 
Por causa das economias de escala, nenhum dos dois países pode produzir a gama total de produtos manufaturados por si próprio. 
157
Concorrência 
monopolista e comércio 
Figura 6-6: Comércio em um mundo sem retornos crescentes 
Local 
(capital-abundante)
Estrangeiro
(trabalho-abundante) 
Manufaturas
Alimentos
158
Concorrência 
monopolista e comércio 
Se as manufaturas são um setor com concorrência monopolista, o comércio mundial é composto de duas partes:
Comércio intra-indústria
Troca de manufaturas por manufaturas.
Comércio interindústria
Troca de manufaturas por alimentos.
159
Concorrência 
monopolista e comércio 
Figura 6-7: Comércio com retornos crescentes e concorrência monopolista 
Local
 (capital-abundante)
Estrangeiro
 (trabalho-abundante) 
Manufaturas
Alimentos
Comércio
interindústria
Comércio
intra-indústria
160
Concorrência 
monopolista e comércio 
Principais diferenças entre o comércio interindústria e o comércio intra-indústria:
O comércio interindústria reflete a vantagem comparativa, enquanto o intra-indústria não.
O padrão do comércio intra-indústria é imprevisível, enquanto o comércio interindústria é determinado por diferenças subjacentes entre os países.
A importância relativa do comércios interindústria e intra-indústria depende do grau de semelhança entre os países.
161
Concorrência 
monopolista e comércio 
Significado do comércio intra-indústria 
Cerca de um quarto do comércio mundial consiste no comércio intra-indústria.
O comércio intra-indústria desempenha um papel particularmente importante no comércio de bens manufaturados entre nações avançadas, o qual responde pela maioria do comércio mundial.
162
Concorrência 
monopolista e comércio 
Tabela 6-3: Índices de comércio intra-indústria em algumas indústrias 
	 norte-americanas em 1993 
163
Concorrência 
monopolista e comércio 
Por que o comércio intra-indústria é importante 
Permite que os países sejam beneficiados por mercados maiores.
O estudo de caso do pacto da indústria automobilística na América do Norte em 1964 indica que os ganhos da criação de um setor integrado em dois países pode ser substancial.
Os ganhos do comércio intra-indústria são grandes quando as economias de escala são fortes e os produtos altamente diferenciados.
Por exemplo, bens manufaturados sofisticados.
164
A economia da discriminação internacional de preços 
Discriminação de preços
A prática de cobrar preços diferentes de clientes diferentes.
Dumping
A forma mais comum de discriminação de preços no comércio internacional.
Prática de formação de preços em que a firma cobra um preço menor pelos bens exportados do que o cobrado pelos mesmos bens vendidos domesticamente.
Discriminação internacional 
de preços (dumping)
165
É uma questão controversa em política comercial, em que é considerada uma prática ‘desleal’.
Exemplo: em abril de 2002, os Estados Unidos impuseramtarifas antidumping sobre 265 itens de 40 países diferentes. 
O dumping só pode ocorrer na presença de duas condições:
indústria com concorrência imperfeita;
mercados segmentados.
Dadas essas condições, uma firma monopolista pode descobrir que é lucrativo se engajar na discriminação internacional de preços. 
 Discriminação internacional 
de preços (dumping)
166
Figura 6-8: A discriminação internacional de preços
Discriminação internacional 
de preços (dumping)
Exportações
Vendas domésticas
Custo, C, e
preço, P
Quantidades produzidas
e demandadas, Q
CMg
DEST = RMgEST
RMgDOM
DDOM
2
PEST
PDOM 
QDOM
QMONOPÓLIO
Produto total
1
3
167
Discriminação internacional de preços recíproca (dumping recíproco)
Situação em que o dumping leva ao comércio do mesmo produto nos dois sentidos.
Tende a aumentar o volume do comércio de bens que não são completamente idênticos.
Seu efeito sobre o bem-estar nacional é ambíguo porque:
desperdiça recursos no transporte;
leva a certa concorrência.
Discriminação internacional 
de preços (dumping)
168
A teoria das economias externas 
Quando as economias de escala se aplicam ao nível da indústria, em vez de ao nível das firmas individualmente, são chamadas economias externas.
Há três razões principais para um conglomerado de firmas ser mais eficiente do que uma firma isolada:
fornecedores especializados;
mercado comum de trabalho;
vazamentos de conhecimento.
169
A teoria das economias externas 
Fornecedores especializados
Em muitas indústrias, a produção de bens e serviços e o desenvolvimento de produtos novos requer o uso de equipamento ou serviços de apoio especializados.
Uma empresa individual não fornece um mercado grande o suficiente para manter os fornecedores no negócio.
Um conglomerado industrial pode resolver esse problema, ao reunir muitas firmas que, coletivamente, geram um mercado grande o suficiente para sustentar uma ampla gama de fornecedores especializados.
Esse fenômeno tem sido extensivamente documentado na indústria de semicondutores localizada no Vale do Silício.
170
A teoria das economias externas 
Mercado comum de trabalho
Um conglomerado de firmas pode criar um mercado comum de trabalhadores com qualificação altamente especializada.
É vantagem para:
Os produtores
menos dificuldade em encontrar recursos humanos.
Os trabalhadores
menos riscos de ficarem desempregados.
171
A teoria das economias externas 
Vazamentos de conhecimento
O conhecimento é um insumo importante nas indústrias mais inovadoras.
O conhecimento especializado, crucial para o sucesso das indústrias inovadoras, vem de:
esforços de pesquisa e desenvolvimento;
engenharia reversa;
troca informal de informações e idéias.
172
A teoria das economias externas 
Economias externas e retornos crescentes
As economias externas ocasionam retornos crescentes de escala no nível da indústria nacional.
Curva de oferta negativamente inclinada
Quanto maior o produto da indústria, menor o preço pelo qual as empresas estão dispostas a vender seu produto.
173
Economias externas e o padrão de comércio
Um país com uma produção grande em alguma indústria tenderá a ter custos baixos na produção daquele bem.
Os países que começam como grandes produtores em certas indústrias tendem a permanecer como grandes produtores, mesmo se algum outro país puder produzir os bens de forma mais barata.
A Figura 6-9 ilustra um caso em que um padrão de especialização criado por um acaso histórico persiste.
Economias externas 
e comércio internacional 
174
Figura 6-9: Economias externas e especialização
Economias externas 
e comércio internacional 
CMe TAILANDÊS
CMe SUÍÇO
Q1
P1
Preço, custo (por relógio)
Quantidade de relógios
fabricados e demandados
2
1
C0
D
175
Comércio e bem-estar com economias externas 
O comércio baseado em economias externas possui mais efeitos ambíguos sobre o bem-estar nacional do que o comércio baseado na vantagem comparativa ou aquele baseado nas economias de escala no nível da firma. 
Um exemplo de como um país pode efetivamente estar em uma situação pior com comércio do que sem ele é mostrado na Figura 6-10.
Economias externas 
e comércio internacional 
176
Figura 6-10: Economias externas e perdas do comércio 
Economias externas 
e comércio internacional 
CMeSUÍCO
P1
Preço, custo (por relógio)
Quantidade de relógios 
produzidos e demandados
CMeTAILANDÊS
2
1
C0
DTAILANDESA
DMUNDIAL
P2
177
Retornos crescentes dinâmicos
Curva de aprendizagem
Relaciona o custo unitário com o produto acumulado.
É negativamente inclinada por causa do efeito da experiência, ganha graças à produção, sobre os custos.
Retornos crescentes dinâmicos
Caso em que os custos caem com a produção acumulada ao longo do tempo, em vez de com a taxa corrente de produção.
Economias de escala dinâmicas justificam o protecionismo.
A proteção temporária de indústrias permite-lhes ganhar experiência (argumento da indústria nascente).
Economias externas 
e comércio internacional 
178
Figura 6-11: Curva de aprendizagem
Economias externas 
e comércio internacional 
L
Custo unitário
Produto acumulado
L*
C*0
C1
QL
179
Capítulo 7
Movimentos internacionais de fatores 
Economia internacional: teoria e política, 6ª edição
de Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
180
Organização do capítulo
Introdução
Mobilidade internacional do trabalho
Empréstimos internacionais 
Investimento estrangeiro direto e firmas multinacionais 
Resumo
Apêndice: Mais algumas palavras sobre o comércio intertemporal 
181
Introdução
O movimento de bens e serviços não é a única forma de integração internacional. 
Outra forma de integração são os movimentos internacionais de fatores de produção (movimentos de fatores).
Entre os movimentos de fatores, incluem-se:
migração do trabalho;
transferência de capital por meio de empréstimos internacionais;
ligações internacionais sutis envolvidas na formação das empresas multinacionais. 
182
 Mobilidade internacional 
do trabalho
Modelo com um bem, sem mobilidade de fatores 
Premissas do modelo:
Há dois países (o Local e o Estrangeiro).
Há dois fatores de produção: terra (S) e trabalho(L).
Os dois países produzem apenas um bem (denominado ‘produto’).
Os dois países possuem a mesma tecnologia, mas razões terra–trabalho totais diferentes.
Local é o país trabalho-abundante e Estrangeiro é o país terra-abundante.
A concorrência perfeita prevalece em todos os mercados.
183
 Mobilidade internacional 
do trabalho
Trabalho, L
Produto, Q
Q (S, L)
Figura 7-1: Função de produção de uma economia 
184
Rendas 
da terra
Salários
Salário real
PMgL 
Trabalho, L
Produto marginal 
do trabalho, PMgL
 Mobilidade internacional 
do trabalho
Figura 7-2: O produto marginal do trabalho 
185
Movimento internacional do trabalho 
Suponha que os trabalhadores possam mover-se entre os dois países.
Os trabalhadores vão imigrar do Local para o Estrangeiro até que o produto marginal do trabalho seja o mesmo nos dois países.
Esse movimento reduzirá a força de trabalho do Local e elevará o salário real do país.
Esse movimento aumentará a força de trabalho do Estrangeiro e reduzirá o salário real do país.
 Mobilidade internacional 
do trabalho
186
 Mobilidade internacional 
do trabalho
Figura 7-3: Causas e efeitos da mobilidade internacional do trabalho 
 PMgL
L2
PMgL
PMgL*
 PMgL*
Emprego 
no Local
O
Emprego no
Estrangeiro
O*
A
B
C
L1
Migração de trabalho do Local para o Estrangeiro
Força de trabalho total mundial
Produto marginal 
do trabalho
187
A redistribuição da força de trabalho mundial:
leva a uma convergência de salários reais;
aumenta o produto mundial como um todo;
prejudica alguns grupos.
Ampliando a análise 
Modificação do modelo com a adição de algumas complicações:
Suponha que os países produzam dois bens, um mais trabalho-intensivo do que o outro.
O comércio oferece uma alternativa à mobilidade de fatores: o Local pode exportar trabalho e importar terra, ao exportar o bem trabalho-intensivoe importar o bem terra-intensivo.
 Mobilidade internacional 
do trabalho
188
Os movimentos internacionais de capital:
Referem-se a empréstimos entre países.
Exemplo: Um banco norte-americano concede empréstimo a uma firma mexicana.
Podem ser interpretados como comércio intertemporal. 
 O comércio de bens hoje por bens no futuro.
 Empréstimos internacionais
189
As possibilidades de produção intertemporal e o comércio 
Imagine uma economia que consuma apenas um bem e que existirá por dois períodos, os quais denominamos presente e futuro.
Fronteira de possibilidades de produção intertemporal 
Um dilema entre a produção presente e a produção futura do bem de consumo.
Sua forma difere entre os países:
Alguns países terão possibilidades de produção viesadas para o produto presente.
Alguns países terão terão possibilidades de produção viesadas para o produto futuro.
Empréstimos internacionais
190
Figura 7-4: A fronteira de possibilidades de produção intertemporal 
Consumo presente
Consumo futuro
Empréstimos internacionais
A taxa de juros real
Como um país faz comércio ao longo do tempo? 
Um país pode fazer comércio ao longo do tempo tomando empréstimos ou emprestando.
Quando toma dinheiro emprestado, adquire o direito de comprar alguma quantidade de consumo no presente em troca do pagamento de alguma quantidade maior no futuro.
A quantidade de pagamento no futuro será (1 + r) vezes a quantidade que se tomou emprestada no presente, onde r é a taxa de juros real do empréstimo.
O preço relativo do consumo futuro é 1/(1 + r). 
Empréstimos internacionais
192
Vantagem comparativa intertemporal 
Supusemos que as possibilidades de produção intertemporal do Local são viesadas para a produção presente.
Um país que tem uma vantagem comparativa na produção futura de bens de consumo terá, na ausência de empréstimos internacionais, um preço relativo baixo do consumo futuro (i.e., uma taxa de juros real alta). 
Uma taxa de juros real alta corresponde a um retorno elevado sobre o investimento.
Empréstimos internacionais
193
Investimento estrangeiro direto 
e firmas multinacionais
Investimento estrangeiro direto
Trata-se dos fluxos internacionais de capital pelos quais uma firma de determinado país cria ou expande uma filial sua em outro.
Não envolve somente uma transferência de recursos, mas também a aquisição do controle.
A filial não tem simplesmente uma obrigação financeira com a matriz; ela é parte da mesma estrutura organizacional.
194
Investimento estrangeiro direto 
e firmas multinacionais
As empresas multinacionais:
são um veículo para empréstimos internacionais;
fornecem capital a suas subsidiárias estrangeiras.
Por que se escolhe o investimento estrangeiro direto, e não alguma outra maneira de transferir fundos?
Para permitir a formação de organizações multinacionais (ampliação do controle).
Por que as firmas buscam ampliar seu controle?
A resposta é resumida pela teoria da firma multinacional.
195
Investimento estrangeiro direto 
e firmas multinacionais
A teoria da firma multinacional 
Dois elementos explicam a existência de uma empresa multinacional:
Localização
Um bem é produzido em dois (ou mais) países diferentes, em vez de em um, devido a:
Recursos
Custos de transporte
Barreiras comerciais
Internalização
Um bem é produzido em diferentes locais pela mesma empresa, e não por empresas separadas porque é mais lucrativo efetuar transações envolvendo tecnologia e administração.
Transferência de tecnologia
Integração vertical
196
Investimento estrangeiro direto 
e firmas multinacionais
As firmas multinacionais na prática 
As firmas multinacionais desempenham importante papel no comércio e no investimento mundiais.
Exemplo: Metade das importações norte-americanas pode ser considerada fruto de transações entre filiais de firmas multinacionais, e 24% dos ativos dos Estados Unidos no exterior consistem no valor das filiais estrangeiras de firmas norte-americanas.
As firmas multinacionais podem ser domésticas ou de propriedade estrangeira.
As firmas multinacionais estrangeiras desempenham um papel fundamental na maioria das economias, especialmente nos Estados Unidos.
197
Capítulo 8
Instrumentos de política comercial 
Economia internacional: teoria e política, 6ª edição
de Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
198
Organização do capítulo
Introdução
Análise das tarifas 
Custos e benefícios das tarifas 
Outros instrumentos de política comercial 
Efeitos da política comercial: um resumo 
199
Introdução
Este capítulo concentra-se nas seguintes perguntas:
Quais são os efeitos dos vários instrumentos de política comercial?
Quem se beneficia e quem perde com esses instrumentos de política comercial?
Quais são os custos e os benefícios da proteção?
Os benefícios vão superar os custos?
Qual deveria ser a política comercial das nações?
Por exemplo, os Estados Unidos deveriam utilizar uma tarifa ou uma cota de importação para proteger sua indústria automobilística da concorrência japonesa e sul-coreana?
200
Introdução
Classificação dos instrumentos de política comercial
Instrumentos de política comercial
Contração do comércio 
Expansão do comércio 
Tarifa 
Taxa de exportação
Cota de importação
Restrição Voluntária à Exportação (RVE)
Subsídio à importação
Subsídio à exportação
Expansão Voluntária das importações (EVI)
 Preço 
Quantidade 
Preço
Quantidade 
201
Análise das tarifas
As tarifas podem ser classificadas como:
Tarifas específicas
São cobradas como um valor fixo para cada unidade importada do bem
Exemplo: Uma tarifa específica de US$10 sobre cada bicicleta importada com um preço internacional de US$100 significa que as autoridades cobram o valor fixo de US$10.
Tarifas ad valorem
São cobradas como uma fração do valor dos bens importados 
Exemplo: Uma tarifa ad valorem de 20% sobre bicicletas gera um pagamento de US$20 sobre cada bicicleta importada a US$100.
202
Análise das tarifas
Uma tarifa composta é uma combinação de uma tarifa ad valorem e de uma tarifa específica. 
Os governos modernos preferem proteger as indústrias domésticas por meio de uma variedade de barreiras não tarifárias, como:
Cotas de importação
Limitam a quantidade de importações.
Restrições à exportação
Limitam a quantidade de exportações.
203
Análise das tarifas
Oferta, demanda e comércio com uma única indústria 
Suponha a existência de dois países (o Local e o Estrangeiro).
Os dois países consomem e produzem trigo, que pode ser transportado sem custo entre os países.
Em ambos os países, o trigo é uma indústria competitiva.
Suponha que, na ausência de comércio, o trigo custe mais no Local do que no Estrangeiro.
Com isso, os exportadores comecem a transportar trigo do Estrangeiro para o Local. 
A exportação de trigo aumenta seu preço no Estrangeiro e o diminui no Local, até que a diferença entre os preços tenha sido eliminada.
204
Análise das tarifas
Para determinar o preço mundial (Pw) e a quantidade comercializada (Qw), definem-se duas curvas:
A curva de demanda por importações do Local
Mostra a quantidade máxima de produtos importados que o Local gostaria de consumir a cada faixa de preço do bem importado.
Isto é, o excesso do que os consumidores do Local demandam sobre o que os produtores do Local ofertam: DM = D(P) – O(P)
A curva de oferta de exportações do Estrangeiro
Mostra a quantidade máxima de produtos exportados que o Estrangeiro gostaria de fornecer ao resto do mundo a cada faixa de preço.
Isto é, o excesso do que os produtores do Estrangeiro ofertam sobre o que os consumidores do Estrangeiro demandam: OX = O*(P*) – D*(P*)
205
Quantidade, Q
Preço, P
Preço, P
Quantidade, Q
DM
D
O
A
PA
P 2
P 1
O2
D2
D2 – O2
2
O1
D1
D1 – O1
1
Figura 8-1: Derivando a curva de demanda por importações do Local 
Análise das tarifas
206
Análise das tarifas
Propriedades da curva de demanda por importações:
Intercepta o eixo vertical dos preços de economia fechada do país importador.
É negativamente inclinada.
É menosinclinada do que a curva de demanda doméstica no país importador.
207
Figura 8-2: Derivando a curva de oferta de exportações do Estrangeiro 
Análise das tarifas
P 2
P *A
D*
O*
P 1
OX
Preço, P
Preço, P
Quantidade, Q
Quantidade, Q
O*2 – D*2
O*2
D*2
D*1
O*1
O*1 – D*1
208
Análise das tarifas
Propriedades da curva de oferta de exportações:
Intercepta o eixo vertical dos preços de economia fechada do país exportador.
É positivamente inclinada.
É menos inclinada que a curva doméstica de suprimento no país exportador.
209
Figura 8-3: Equilíbrio mundial
OX
Preço, P
Quantidade, Q
DM
PW
QW
1
Análise das tarifas
210
Análise das tarifas
Definições úteis:
Os termos de troca são o preço relativo do bem exportável expresso em unidades do bem importável.
Um país pequeno é um país incapaz de afetar seus termos de comércio, independentemente de quanto ele comercia com o resto do mundo.
A estrutura analítica será baseada em alguma das seguintes condições: 
Dois países grandes que comerciam um com o outro.
Um país pequeno que estabelece comércio com o resto do mundo.
211
Análise das tarifas
Efeitos de uma tarifa
Considere que dois países grandes mantenham comércio entre si.
Suponha que o Local imponha uma taxa de US$2 sobre cada tonelada de trigo importada. 
Os exportadores não estarão dispostos a transportar o trigo, a não ser que a diferença de preços entre os dois mercados seja de pelo menos US$2.
A Figura 8-4 ilustra os efeitos de uma tarifa específica de US$t por unidade de trigo.
212
Análise das tarifas
Figura 8-4: Efeitos de uma tarifa
DM
OX
PT
D*
O*
D
O
PW
2
QT
1
QW
P*T
3
t
Preço, P
Quantidade, Q
Preço, P
Quantidade, Q
Preço, P
Quantidade, Q
Home market
World market
Foreign market
Mercado do Local
Mercado mundial
Mercado do Estrangeiro
213
Análise das tarifas
Na ausência de tarifa, o preço do trigo (Pw) seria igual tanto no Local como no Estrangeiro.
Com a tarifa, o preço do trigo aumenta para PT no Local e cai para P*T (= PT – t) no Estrangeiro, até que a diferença de preços seja US$t.
No Local: os produtores ofertam mais e os consumidores demandam menos devido ao preço mais alto, de modo que menos importações são demandadas.
No Estrangeiro: os produtores oferecem menos e os clientes demandam mais devido ao preço mais baixo, de modo que uma quantidade menor de produtos exportados é oferecida.
Portanto, o volume de trigo comercializado diminui, devido à imposição da tarifas.
214
Análise das tarifas
O aumento no preço no Local é menor do que o montante da tarifa, pois parte desta se reflete em um declínio do preço das exportações do Estrangeiro. 
Se o Local é um país pequeno e impõe uma tarifa, os preços das exportações do Estrangeiro não são afetados e o preço doméstico no Local (o país importador) aumenta na proporção total da tarifa.
215
Figura 8-5: Uma tarifa em um país pequeno 
Importações antes da tarifa
O
Preço, P
Quantidade, Q
D
PW + t
PW
Importações após a tarifa
O1
D1
D2
O2
Análise das tarifas
216
Análise das tarifas
Como quantificar a proteção 
Ao analisar a política comercial na prática, é importante saber quanta proteção uma tarifa ou outra política comercial realmente fornece.
Pode-se expressar o montante de proteção como uma porcentagem do preço que prevaleceria com o livre comércio .
Há dois problemas neste método de mensuração:
No caso do país grande, a tarifa ajudará a baixar o preço das exportações estrangeiras.
As tarifas podem ter efeitos muito diferentes em estágios diferentes de produção de um bem.
217
Análise das tarifas
Taxa de proteção efetiva 
É preciso considerar os efeitos das tarifas sobre o preço final de um bem e os efeitos das tarifas sobre os custos dos insumos usados na produção.
A proteção real proporcionada por uma tarifa não será igual à taxa da tarifa se bens intermediários importados forem usados na produção do bem protegido.
Exemplo: Um avião europeu vendido a US$50 milhões custa US$60 milhões para ser produzido. Metade do preço de compra da aeronave representa o custo de componentes comprados de outros países. Um subsídio de US$10 milhões do governo europeu reduz o custo do valor agregado aos compradores do avião de US$30 para US$20 milhões. Portanto, a taxa de proteção efetiva é (30–20)/20 = 50%.
218
Custos e benefícios das tarifas
Uma tarifa eleva o preço de um produto no país importador e diminui o preço desse bem no país exportador.
Em decorrência dessas mudanças de preços:
Os consumidores perdem no país importador e ganham no país exportador.
Os produtores ganham no país importador e perdem no país exportador.
O governo que impõe a tarifa ganha receita.
Para comparar tais custos e benefícios, é necessário definir o excedente do consumidor e o do produtor.
219
Custos e benefícios das tarifas
Excedente do consumidor e excedente do produtor 
O excedente do consumidor 
Representa a quantia que o consumidor ganha em uma compra, a qual equivale à diferença entre o preço que ele efetivamente paga e o preço que estaria disposto a pagar.
Pode ser derivado da curva de demanda do mercado.
Graficamente, é igual à área sob a curva de demanda e acima do preço.
Exemplo: Suponha que uma pessoa está disposta a pagar US$20 por cartela de pílulas, mas o preço é de apenas US$5. Assim, o excedente do consumidor ganho pela compra de uma cartela de pílulas é US$15.
220
Custos e benefícios das tarifas 
O excedente do produtor
Mede a quantidade que o produtor ganha em uma venda pela diferença entre o preço que ele efetivamente recebe e o preço a que estaria disposto a vender.
Pode ser derivado da curva de oferta do mercado.
Graficamente, é igual à área acima da curva de oferta e abaixo do preço.
Exemplo: Um produtor que está disposto a vender um bem por US$2 mas que recebe US$5 por ele ganha um excedente do produtor de US$3.
221
Custos e benefícios das tarifas 
Como quantificar custos e benefícios
É possível adicionar excedente do consumidor e do produtor?
Podemos (algebricamente) adicionar os excedentes do consumidor e do produtor porque qualquer mudança no preço afeta cada indivíduo de duas maneiras: 
como consumidor;
como trabalhador.
Consideramos que, na margem, US$ 1 de ganho ou de perda para qualquer grupo tem o mesmo valor para a sociedade.
222
Figura 8-9: Custos e benefícios das tarifas para o país importador 
Custos e benefícios das tarifas 
PT
PW
P*T
b
c
d
e
D
a
= perda do consumidor (a + b + c + d)
= ganho do produtor (a)
= ganho da receita do governo (c + e)
QT
D2
O2
S
O1
D1
Preço, P
Quantidade, Q
223
Custos e benefícios das tarifas 
As áreas dos triângulos b e d medem a perda para a nação como um todo (perda de eficiência) e a área do retângulo e mede um ganho proporcional (ganho dos termos de troca).
A perda de eficiência surge porque uma tarifa distorce os incentivos para consumir e produzir.
Produtores e consumidores agem como se as importações fossem mais caras do que realmente são.
O triângulo b é a perda pela distorção da produção e o triângulo d é a perda pela distorção do consumo .
O ganho dos termos de troca surge porque uma tarifa diminui os preços das exportações estrangeiras.
224
Custos e benefícios das tarifas
Se o ganho dos termos de troca é maior do que a perda de eficiência, a tarifa aumenta o bem-estar do país importador.
No caso de um país pequeno, a tarifa reduz o bem-estar do país importador.
225
Figura 8-10: Efeitos líquidos das tarifas sobre o bem-estar 
PT
PW
P *T
b
d
e
D
= perda de eficiência (b + d)
= ganho dos termos de troca (e)
Importações
O
Preço, P
Quantidade, Q
Custos e benefícios das tarifas 
226
Outros instrumentos de 
política comercial
Subsídios à exportação: teoria
Subsídio à exportação
Pagamento a uma firma ou indivíduo que envia um bem para o exterior 
Quando o governo oferece subsídios à exportação, os exportadores exportam o bem até o ponto em que o preço doméstico excede o preço estrangeiro pelo montante do subsídio.
Pode serespecífico ou ad valorem.
227
Figura 8-11: Efeitos dos subsídios à exportação 
b
a
PS
PW
P*S
Preço, P
Quantidade, Q
Exportações
g
f
e
Subsídio
d
c
= ganho do produtor (a + b + c)
= perda do consumidor (a + b)
= custo do subsídio governamental
 (b + c + d + e + f + g)
D
O
Outros instrumentos de 
política comercial
228
Outros instrumentos de 
política comercial
Um subsídio à exportação aumenta os preços no país exportador, enquanto os reduz no país importador.
Além disso, e contrariamente à tarifa, o subsídio à exportação piora os termos de troca.
Um subsídio à exportação gera, sem dúvida, custos que excedem seus benefícios. 
229
Outros instrumentos de 
política comercial
Cotas de importação: teoria
Uma cota de importação é uma restrição direta sobre a quantidade de algum bem que pode ser importado . 
Exemplo: Os Estados unidos têm uma cota sobre as importações de queijo.
Geralmente faz-se cumprir a restrição pela emissão de licenças a alguns grupos de indivíduos ou empresas. 
Exemplo: As únicas firmas que podem importar o queijo são determinadas companhias de comércio.
Em alguns casos (ex.: açúcar e vestuário), o direito de vender nos Estados Unidos é dado diretamente aos governos dos países exportadores.
230
Outros instrumentos de 
política comercial
Uma cota de importação sempre eleva o preço doméstico do bem importado .
Os detentores de licenças podem comprar importações e revendê-las a um preço mais alto no mercado doméstico. 
Os lucros recebidos pelos detentores de licenças de importação são conhecidos como rendas das cotas.
231
Outros instrumentos de 
política comercial
Análise do bem-estar relativo a cotas de importação versus o relativo a tarifas 
A diferença entre cota e tarifas é que, se impõe uma cota, o governo não recebe nenhuma receita.
Ao avaliar os custos e os benefícios de uma cota de importação, é fundamental que se determine quem recebe as rendas.
Quando os direitos de vender no mercado doméstico são concedidos aos governos dos países exportadores, como ocorre com freqüência, a transferência de rendas para o exterior torna os custos de uma cota substancialmente mais altos que os de uma tarifa equivalente.
232
Figura 8-13: Efeitos da cota de importação norte-americana sobre o açúcar 
Outros instrumentos de 
política comercial
Preço mundial, US$ 280
b
c
d
Demanda
a
8,45
6,32
Oferta
5,14
9,26
Preço, em US$/toneladas
Quantidade de açúcar
em milhões de toneladas
Cota de importação:
2,13 milhões de toneladas
= perda do consumidor 
 (a + b + c + d)
= ganho do produtor (a)
= rendas das cotas (c)
Preço no mercado 
norte-americano, US$ 466
233
Outros instrumentos de 
política comercial
Restrições voluntárias à exportação 
Uma restrição voluntária à exportação (RVE) é uma cota sobre o comércio imposta pelo país exportador.
Também é conhecida como acordo de restrição voluntária (ARV).
As RVEs em geral são impostas a pedido do importador, com a concordância do exportador, a fim de evitar outras restrições comerciais.
234
Outros instrumentos de 
política comercial
Uma RVE equivale a uma cota de importação, na qual as licenças são atribuídas aos governos estrangeiros, e tem, portanto, um custo muito alto para o país importador.
Para o país importador, uma RVE traz sempre um prejuízo maior do que uma tarifa que limita as importações ao mesmo montante.
O que teria sido receita em uma tarifa se torna renda recebida por estrangeiros na RVE.
Exemplo: Cerca de dois terços do custo ao consumidor das três principais restrições voluntárias à exportação dos Estados Unidos, em têxteis e vestuário, aço e automóveis, devem-se às rendas recebidas por estrangeiros. 
Uma RVE resulta em perdas para o país importador.
235
Outros instrumentos de 
política comercial
Necessidade de conteúdo local 
Uma necessidade de conteúdo local é uma regulamentação que requer que determinada fração de um bem seja produzida domesticamente.
Essa fração pode ser especificada em unidades físicas ou em termos de valor.
As leis de conteúdo local foram amplamente utilizadas pelos países em desenvolvimento que tentavam mudar sua base manufatureira de montagem para bens intermediários.
236
Outros instrumentos de 
política comercial
Uma necessidade de conteúdo local não produz nem receita para o governo nem rendas das cotas. 
Em vez disso, a diferença entre os preços de importações e os bens domésticos tem, na realidade, sua média considerada no preço final e é repassada aos consumidores .
Exemplo: Suponha que as montadoras de automóveis sejam obrigadas a usar 50% de peças nacionais. O custo das peças importadas é US$ 6.000 e o custo das mesmas peças, domesticamente, é US$ 10.000. Assim, o custo médio de autopeças é US$ 8000 (0,5 x US$ 6.000 + 0,5 x $10.000).
As empresas podem satisfazer sua necessidade de conteúdo local exportando, e não utilizando peças nacionais.
237
Outros instrumentos de 
política comercial
Outros instrumentos de política comercial 
Subsídios de crédito à exportação 
Uma forma de um empréstimo subsidiado ao comprador de produtos exportados. 
Têm o mesmo efeito dos subsídios normais à exportação.
Aquisição nacional de bens 
Nas compras realizadas pelo governo (ou por firmas fortemente reguladas), os bens produzidos domesticamente podem ser privilegiados, mesmo quando custam mais que as importações.
Barreiras burocráticas 
Às vezes os governos impõem obstáculos substanciais baseadas em procedimentos sanitários, de segurança e alfandegários.
238
Efeitos da política comercial: 
um resumo 
Tabela 8-1: Efeitos das principais políticas comerciais
239
Capítulo 9
Economia política da política comercial
Economia internacional: teoria e política, 6ª edição
Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
240
Organização do capítulo
Introdução
Argumentos a favor do livre comércio
Estudo de caso
Argumentos do bem-estar nacional contra o livre comércio
Distribuição de renda e política comercial
Negociações internacionais e política comercial
Resumo
Apêndice: Provando que a tarifa ótima é positiva
241
Introdução
O livre comércio maximiza o bem-estar nacional, mas está associado aos efeitos da distribuição de renda.
A maior parte dos governos mantém alguma forma de política comercial restritiva.
Este capítulo examina alguns dos motivos pelos quais os governos não deveriam basear ou não baseiam sua política nos cálculos de custo–benefício dos economistas.
242
Introdução
Que motivos existem para os governos não interferirem no comércio?
Existem três argumentos a favor do livre comércio:
livre comércio e eficiência;
economias de escala na produção;
argumento político.
243
Argumentos a favor 
do livre comércio
Livre comércio e eficiência
O argumento da eficiência a favor do livre comércio baseia-se no resultado de que, no caso de um país pequeno, o livre comércio é a melhor política.
Tarifas geram uma perda líquida para a economia.
A abertura ao livre comércio elimina a perda de eficiência e aumenta o bem-estar nacional.
244
Preço mundial
mais tarifa
Preço mundial
Preço, P
Quantidade, Q
O
D
Distorção no
consumo
Distorção
na produção
Figura 9-1: Argumento da eficiência a favor do livre comércio
Argumentos a favor 
do livre comércio
245
Outros ganhos do livre comércio
Mercados protegidos em países pequenos não permitem que as firmas explorem economias de escala.
Exemplo: Na indústria automobilística, uma linha de montagem com escala eficiente deveria fazer no mínimo de 80.000 carros por ano. 
Na Argentina, em 1964, 13 firmas produziram no ano um total de 166 mil carros.
A presença de economias de escala favorece o livre comércio, que gera mais variedade e resulta em preços mais baixos.
O livre comércio, ao contrário do comércio ‘administrado’, oferece mais oportunidades e, portanto, abre mais espaço para a inovação.
Argumentos a favor 
do livre comércio
246
Argumento político a favor do livre comércio
O compromisso político com o livre comércio pode ser uma boa idéia na prática.
Naprática, as políticas comerciais são mais influenciadas por interesses particulares do que pela consideração dos custos e dos benefícios nacionais.
Estudo de caso
247
Às vezes, as políticas comerciais podem ser implementadas com base no interesse de uma nação como um todo.
Existem dois argumentos teóricos contra a política de livre-comércio:
o argumento dos termos de troca a favor de uma tarifa;
o argumento das falhas do mercado doméstico.
Argumentos do bem-estar 
nacional contra o livre comércio
248
Os termos de troca a favor de uma tarifa
No caso de um país grande (isto é, capaz de afetar os preços mundiais por meio da troca), uma tarifa diminui o preço das importações e, dessa forma, beneficia os termos de troca.
Esse benefício deve ser pesado em relação aos custos da tarifa (distorções de produção e consumo).
É possível que os benefícios dos termos de troca proporcionadas pela tarifa superem seus custos.
Portanto, o livre comércio pode não ser a melhor política para um país.
Argumentos do bem-estar 
nacional contra o livre comércio
249
1
Bem-estar nacional (Termos de Troca)
Alíquota das tarifas
Tarifa
ótima, to
Tarifa 
proibitiva, tp
Figura 9-2: A tarifa ótima
Argumentos do bem-estar 
nacional contra o livre comércio
250
Tarifa ótima
Trata-se da alíquota da tarifa que maximiza o bem-estar nacional.
É sempre positiva, mas inferior à alíquota proibitiva que eliminaria todas as importações.
É zero para um país pequeno porque não pode afetar seus termos de troca.
Argumentos do bem-estar 
nacional contra o livre comércio
251
Qual política o argumento dos termos de troca ditaria para os setores de exportação?
Um subsídio à exportação piora os termos de troca e, portanto, reduz inequivocamente o bem-estar nacional.
Portanto, a política ótima nos setores de exportação deve ser um subsídio negativo, isto é, um imposto sobre as exportações. 
Assim como a tarifa ótima, o imposto ótimo sobre exportações é sempre positivo, mas menor do que o imposto proibitivo que eliminaria completamente as exportações.
Argumentos do bem-estar 
nacional contra o livre comércio
252
O argumento da falha de mercado é convincente?
Existem duas linhas de defesa do livre comércio na presença de distorções domésticas:
As falhas do mercado doméstico podem ser corrigidas por políticas domésticas, e não por políticas comerciais internacionais.
 Exemplo: Um subsídio à produção doméstica é preferível a uma tarifa quando se trata de uma falha de mercado relacionada à produção.
As falhas de mercado são difíceis de diagnosticar e medir.
Exemplo: Uma tarifa para proteger os setores industriais urbanos gerará benefícios sociais, mas também incentivará tanto a migração para essas áreas que o desemprego, na verdade, aumentará.
Argumentos do bem-estar 
nacional contra o livre comércio
253
Na prática, a política comercial é dominada por considerações de distribuição de renda.
Os desejos dos indivíduos são mais ou menos imperfeitamente refletidos nos objetivos do governo.
Existem modelos nos quais os governos procuram maximizar o sucesso político, e não o bem-estar nacional.
Concorrência eleitoral
Os cientistas políticos argumentam que as políticas são determinadas pela concorrência entre os partidos políticos, que tentam obter o máximo de votos possível. 
Distribuição de renda e 
política comercial
254
Pressupostos do modelo:
Existem dois partidos políticos concorrentes.
O objetivo de cada partido é ser eleito.
Cada partido precisa decidir o nível da tarifa imposta (esta é a única política disponível).
Os eleitores têm preferências diferentes quanto à política econômica.
Que políticas os dois partidos prometerão seguir?
Ambos os partidos tendem a convergir para a alíquota preferida pelo eleitor mediano (aquele que está exatamente na metade da fila).
Distribuição de renda e 
política comercial
255
Eleitores
Alíquota da 
tarifa preferida
Eleitor 
mediano
tM
tB
tA
Apoio político
Distribuição de renda e 
política comercial
Figura 9-4: Concorrência política
256
Ação coletiva
Esta abordagem vê a atividade política como um bem público.
Por exemplo, a imposição de uma tarifa protege todas as firmas em uma indústria, mas o custo do lobby para impor essa tarifa é coberto por algumas poucas firmas.
Políticas comerciais que impõem grandes perdas no total mas pequenas perdas para cada indivíduo podem não enfrentar uma oposição efetiva.
Indústrias bem organizadas (ou que tenham uma pequena quantidade de firmas) conseguem proteção.
Distribuição de renda e 
política comercial
257
Como estabelecer um modelo para o processo político
Os grupos de interesse ‘compram’ políticas, ao oferecer contribuições conforme as políticas seguidas pelo governo.
Distribuição de renda e 
política comercial
258
Quem fica protegido?
Dois setores parecem conseguir proteção em países avançados:
Agricultura
Os fazendeiros formam um grupo bem organizado, e a estrutura do governo norte-americano fortalece seu poder político.
Roupas
Tanto o setor têxtil como o de vestuário têm sido intensamente protegidos. Este setor emprega trabalhadores menos qualificados, além de ser sindicalizado.
Muito provavelmente, a proteção não diminuirá no futuro em ambos os setores por causa das negociações comerciais internacionais.
Distribuição de renda e 
política comercial
259
Distribuição de renda e 
política comercial
Tabela 9-2: Efeitos da proteção nos Estados Unidos (em US$ bilhões)
260
Distribuição de renda e 
política comercial
Tabela 9-3: Resultados do estudo de Baldwin e Magee, de 1998
Negociações internacionais e 
política comercial
A integração internacional foi possibilitada entre meados da década de 1930 até cerca de 1980 porque os Estados Unidos e outros países avançados removeram gradativamente tarifas e algumas outras barreiras ao comércio.
262
Negociações internacionais e 
política comercial
Como a eliminação das tarifas foi politicamente possível?
A grande liberalização do comércio pós-guerra foi atingida graças à negociação internacional.
Os governos concordaram em promover uma redução mútua de tarifas.
As vantagens da negociação
É mais fácil diminuir as tarifas como parte de um acordo mútuo do que fazê-lo como política unilateral porque:
ajuda a angariar apoio para um comércio mais livre;
ajuda os governos a não entrar em guerras comerciais destrutivas.
263
 Japão
EUA
10
10
–5
–5
20
–10
20
 –10
Livre comércio
Livre comércio
Proteção
Proteção
Tabela 9-4: O problema da guerra comercial
Negociações internacionais e 
política comercial
264
Negociações internacionais e 
política comercial
Na Tabela 9-4, cada país tem uma estratégia predominante: proteção.
Mesmo que cada governo agindo individualmente saísse ganhando com a proteção, ambos se beneficiariam se tivessem escolhido o livre comércio.
Na teoria dos jogos, esta situação é conhecida como dilema do prisioneiro. 
O Japão e os Estados Unidos podem estabelecer um acordo para manter o livre comércio.
265
Negociações internacionais e 
política comercial
Um breve histórico dos acordos de comércio internacionais
A redução de tarifas coordenada internacionalmente, na forma de uma política comercial, remonta à década de 1930 (a Lei Smoot-Hawley).
As negociações multilaterais começaram logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, sob um conjunto de normas conhecido como Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio (GATT, General Agreement on Tariffs and Trade), estabelecido em 1947 e localizado em Genebra.
Atualmente, ele é chamado de Organização Mundial do Comércio (OMC).
O sistema GATT-OMC é uma organização legal que incorpora um conjunto de regras de conduta para a política comercial internacional.
266
Negociações internacionais e 
política comercial
O sistema GATT-OMC proíbe a imposição de: 
subsídios à exportação (exceto para produtos agrícolas);
novas cotas de importação (exceto para tratar de ‘transtornos no mercado’);
tarifas (qualquer nova tarifa ou aumento de tarifa precisa ser compensada por meio da redução de outras tarifas,para não prejudicar os países exportadores afetados).
Rodada comercial
Um grande grupo de países se reúne para negociar um conjunto de reduções de tarifas e outras medidas, com o objetivo de liberalizar o comércio.
267
Negociações internacionais e 
política comercial
Houve oito rodadas comerciais desde 1947:
As cinco primeiras tomaram a forma de negociações bilaterais ‘paralelas’ (por exemplo, Alemanha com França e Itália).
O sexto acordo de comércio multilateral, conhecido como Rodada Kennedy, foi concluído em 1967:
Esse acordo envolvia uma redução, em todos os níveis, de 50% nas tarifas dos principais países industrializados, exceto em indústrias específicas cujas tarifas permaneceram inalteradas. 
Em linhas gerais, a Rodada Kennedy reduziu as tarifas médias em torno de 35%.
268
Negociações internacionais e 
política comercial
A chamada Rodada Tóquio de negociações comerciais (concluída em 1979) resultou:
na redução de tarifas; 
no estabelecimento de novos códigos para controlar a proliferação das barreiras não tarifárias, como as restrições voluntárias às exportações.
Uma oitava rodada de negociações, a chamada Rodada Uruguai, foi concluída em 1994.
269
Negociações internacionais e 
política comercial
Rodada Uruguai
Seus principais resultados podem ser agrupados em:
liberalização do comércio; 
reformas administrativas.
Liberalização do comércio
A tarifa média imposta pelos países avançados foi reduzida em quase 40%.
Mais importantes são os movimentos para a liberalização do comércio em dois setores importantes: agricultura e roupas.
Do GATT à OMC
Grande parte da propaganda em torno da Rodada Uruguai concentrou-se na nova instituição por ela criada: a OMC.
270
Negociações internacionais e 
política comercial
Qual a diferença entre a OMC e o GATT?
O GATT foi um acordo provisório, enquanto a OMC é uma organização internacional de fato.
O GATT aplicava-se somente ao comércio de bens, enquanto a OMC incluiu normas sobre o comércio de serviços, o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS, General Agreement in Trade Services), e a aplicação internacional de direitos de propriedade intelectual.
A OMC conta com um novo trâmite para a ‘resolução de litígios’, destinado a emitir pareceres mais rapidamente.
271
Negociações internacionais e 
política comercial
Benefícios e custos
É difícil estimar o impacto econômico da Rodada do Uruguai.
Estimativas do GATT e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico sugerem um ganho para a economia mundial como um todo de mais de US$ 200 bilhões anuais quando o acordo estiver totalmente implementado.
A maioria dos economistas acredita que essas estimativas são baixas demais.
Os custos da Rodada Uruguai serão sentidos por grupos concentrados, bem organizados, enquanto grande parte do benefício terá como destinatárias as populações dispersas em geral.
272
Negociações internacionais e 
política comercial
Acordos preferenciais de comércio
A nação estabelece acordos preferenciais de comércio nos quais aplica tarifas menores com relação a produtos de determinadas nações, mas não com relação ao resto do mundo.
O GATT-OMC, mediante o princípio da não-discriminação denominado ‘nação mais favorecida’ (NMF), proíbe tais acordos.
A formação de acordos preferenciais de comércio é permitida se resultar no livre comércio entre os países participantes.
273
Negociações internacionais e 
política comercial
O livre comércio pode ser estabelecido entre vários membros da OMC de duas formas:
Uma área de livre comércio permite o livre comércio entre seus membros, mas cada membro pode ter sua própria política comercial para os países não membros.
Exemplo: O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) cria uma área de livre comércio.
Um união aduaneira permite o livre comércio entre os membros e requer uma política de comércio externo para os países não membros.
Exemplo: A União Européia é uma união aduaneira plena.
Um mercado comum é uma união aduaneira com movimentos de fatores livres (principalmente dos trabalhadores) entre seus membros.
274
Negociações internacionais e 
política comercial
Os acordos preferenciais de comércio são bons?
Depende de eles resultarem na criação de comércio ou no desvio de comércio.
Criação de comércio 
Ocorre quando a formação de um acordo de comércio preferencial leva à substituição da produção doméstica por importações de baixo custo de outros membros.
Desvio de comércio 
Ocorre quando a formação de um acordo de comércio preferencial leva à substituição de importações de baixo custo de não-membros por importações de custo mais elevado de nações que participam do acordo.
275
Capítulo 10 
A política comercial nos países em desenvolvimento
Economia internacional: teoria e política, 6ª edição
de Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
Organização do capítulo
Introdução
Industrialização pela substituição de importações
Problemas da economia dual
Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
Resumo
277
Introdução
Existe uma grande diversidade entre os países em desenvolvimento no que se refere à renda per capita.
Por que alguns países são muito mais pobres do que outros?
Por cerca de 30 anos após a Segunda Guerra Mundial, as políticas comerciais em muitos países em desenvolvimento foram fortemente influenciadas pela crença de que a chave para o desenvolvimento econômico era criar um forte setor manufatureiro.
A melhor maneira de criar tal setor era protegendo os manufatureiros domésticos da concorrência internacional.
278
Introdução
Tabela 10-1: Produto interno bruto per capita, 1999 (em dólares)
279
Industrialização pela substituição 
de importações
Da Segunda Guerra Mundial à década de 1970, muitos países em desenvolvimento limitaram as importações de bens manufaturados, com o objetivo de fomentar um setor manufatureiro que atendesse o mercado doméstico.
O argumento econômico mais importante a favor da proteção às indústrias manufatureiras é o argumento da indústria nascente.
280
Industrialização pela substituição 
de importações
O argumento da indústria nascente
De acordo com esse argumento, os países em desenvolvimento têm uma vantagem competitiva potencial na manufatura e eles podem realizar esse potencial por meio de um período de proteção inicial.
Faz sentido, de acordo com esse argumento, utilizar tarifas ou cotas de importação como medidas temporárias para dar início à industrialização.
Exemplo: Os Estados Unidos e a Alemanha mantinham alíquotas tarifárias elevadas sobre a manufatura no século XIX, enquanto o Japão manteve controles de importação até a década de 1970.
281
Industrialização pela substituição 
de importações
Problemas com o argumento da indústria nascente
Nem sempre é bom interferir hoje nas indústrias que terão uma vantagem competitiva no futuro.
Exemplo: Na década de 1980, a Coréia do Sul tornou-se um exportador de automóveis; na década de 1960 seu capital e o trabalho qualificado ainda eram escassos. 
A proteção às manufaturas não faz nenhum bem, a não ser que a proteção em si ajude a tornar a indústria competitiva.
Exemplo: O Paquistão e a Índia vêm protegendo seus setores manufatureiros há décadas e, recentemente, começaram a fomentar as exportações significativas de bens manufaturados leves, como têxteis.
282
Industrialização pela substituição
 de exportações
Justificativas da falha de mercado para a proteção da indústria nascente
Estas duas falhas de mercado justificariam a proteção da industria nascente:
Justificativa dos mercados imperfeitos de capitais
Se um país em desenvolvimento não dispõe de um conjunto de instituições financeiras que permita que as poupanças de setores tradicionais (a agricultura, por exemplo) sejam utilizadas para financiar o investimento em novos setores (o de manufaturas, por exemplo), o crescimento de novas indústrias ficará restrito.
Argumento da apropriabilidade 
As firmas em uma nova indústria geram benefícios sociais pelos quais não são compensadas (por exemplo, custos iniciaispara adaptar a tecnologia).
283
Industrialização pela substituição
 de importações
Promovendo manufaturas por meio da proteção
Industrialização pela substituição de importações
A estratégia de incentivar a indústria doméstica limitando as importações de bens manufaturados.
Muitos países menos desenvolvidos adotaram essa estratégia.
A industrialização pela substituição de importações promoveu o desenvolvimento econômico?
Atualmente, muitos economistas criticam duramente os resultados da substituição das importações, argumentando que tal estratégia gerou uma produção de alto custo e ineficiente.
284
Industrialização pela substituição 
de importações
Por que não incentivar tanto a substituição das importações como as exportações?
Uma tarifa que reduza as importações também necessariamente reduz as exportações.
Até a década de 1970, muitos países em desenvolvimento eram céticos sobre a possibilidade de exportar bens manufaturados.
Em muitos casos, as políticas de industrialização pela substituição das importações se ajustavam naturalmente com aos vieses políticos existentes.
285
Tabela 10-2: Exportações como porcentagem da renda nacional, em 1999
Industrialização pela substituição 
de importações
Industrialização pela substituição 
de importações
Resultados do favorecimento de manufaturas: problemas da industrialização pela substituição de importações
Muitos países que adotaram a substituição das importações não mostraram sinais de que vão alcançar os países avançados.
Exemplo: Na Índia, após 20 anos de planos econômicos ambiciosos entre o início dos anos 50 e o início dos 70, a renda per capita era apenas ligeiramente mais alta do que antes.
287
Industrialização pela substituição
de importações
Por que a industrialização pela substituição de importações não funcionou da forma esperada?
O argumento da indústria nascente não era tão universalmente válido, como muitos pensavam.
A industrialização pela substituição de importações gerou:
altas taxas de proteção efetiva;
escala ineficientemente pequena de produção;
maior desigualdade de renda e desemprego.
288
Industrialização pela substituição
 de importações
Tabela 10-3: Proteção efetiva às manufaturas em alguns países em 	 	 desenvolvimento (em porcentagem )
Problemas da economia dual
A maioria dos países em desenvolvimento se caracteriza pelo dualismo econômico.
Um setor com salários elevados, capital-intensivo, coexiste com um setor tradicional de salários baixos.
O dualismo está associado à política comercial por duas razões:
O dualismo é em geral sintoma de mau funcionamento do mercado (é o caso da falha de mercado por se desviar do livre comércio).
A criação da economia dual (uma economia que se caracteriza pelo dualismo econômico) teve a ajuda das políticas de substituição de importações.
290
Problemas da economia dual
Sintomas do dualismo
Muitas vezes, o desenvolvimento se dá de maneira desigual e resulta em uma economia dual que consiste em um setor moderno e em outro tradicional. 
O setor moderno costuma diferir do setor tradicional porque tem:
o valor do produto maior por trabalhador;
salários mais altos;
menores retornos do capital;
maior intensidade de capital na produção;
desemprego persistente (principalmente nas áreas urbanas).
291
Problemas da economia dual
Mercados de trabalho duais e política comercial
Os sintomas do dualismo são sinais claros de que a economia não está funcionando bem, especialmente no que diz respeito a seus mercados de trabalho.
Argumento dos diferenciais de salários
As diferenças de salários entre a manufatura e a agricultura são uma justificativa para incentivar a primeira em detrimento da segunda.
Quando há um diferencial de salários, os salários dos trabalhadores nas manufaturas (WM) devem ser mais altos do que os salários dos trabalhadores no setor de alimentos (WA).
292
Problemas da economia dual
Figura 10-1: O efeito de um diferencial de salários
L1
PA x PMgLA
PM x PMgLM
OM
OA
Valor dos produtos 
marginais, salários
WM
B
L2
A
WA
C
Trabalho empregado 
nas manufaturas
Trabalho empregado
no setor de alimentos
Oferta total de trabalho
Problemas da economia dual
Modelo Harris-Todaro
Este modelo liga o êxodo rural-urbano e o desemprego que mina o argumento a favor da preferência pelo emprego manufatureiro, mesmo que as manufaturas ofereçam salários mais altos.
Países com economias altamente duais também pareciam ter bastante desemprego urbano.
Um aumento no número de empregos manufatureiros levaria a um êxodo rural-urbano tão grande que o desemprego urbano, na verdade, aumentaria.
Ele contribui para que o argumento dos diferenciais de salário seja desaprovado pelos economistas.
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Problemas da economia dual
Política comercial como causa do dualismo econômico
A política comercial tem sido acusada de: 
aumentar o diferencial de salário entre as manufaturas e a agricultura;
fomentar uma intensidade excessiva de capital.
Os diferenciais de salários são vistos como:
uma resposta natural do mercado;
o poder de monopólio dos sindicatos cujas indústrias são protegidas da concorrência estrangeira por meio de cotas de importação.
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Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
De meados da década de 1960 em diante, as exportações de bens manufaturados, principalmente para as nações avançadas, foram outro caminho possível para a industrialização dos países em desenvolvimento.
Economias asiáticas de alto desempenho (EAADs)
Um grupo de países que alcançou um crescimento econômico espetacular.
Em alguns casos, eles atingiram um crescimento econômico de mais de 10% ao ano.
296
Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
Os fatos do crescimento asiático
A definição do Banco Mundial de EAADs abarca três grupos de países, cujos ‘milagres’ começaram em épocas diferentes:
O Japão, após a Segunda Guerra Mundial.
‘Os quatro tigres’ (Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul e Cingapura), na década de 1960.
Malásia, Tailândia, Indonésia e China, no final da década de 1970 e na década de 1980.
As EAADs são extremamente abertas ao comércio internacional
Exemplo: Em 1999, as exportações como uma fração do produto interno bruto, no caso tanto de Hong Kong como de Cingapura, excederam os 100% do PIB (132 e 202, respectivamente).
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Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
Política comercial nas EAADs
Alguns economistas argumentam que o ‘milagre do Leste Asiático’ é o resultado de uma política comercial ‘orientada para fora’.
Os dados na Tabela 10-4 sugerem que as EAADs têm sido menos protecionistas do que outros países em desenvolvimento menos bem-sucedidos, embora elas não tenham seguido uma política de livre comércio plena.
As taxas de proteção relativamente baixas nas EAADs ajudaram-nas a crescer, mas elas explicam o ‘milagre’ apenas em parte.
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Tabela 10-4: Taxas médias de proteção, em 1985 (por cento)
Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
Política industrial nas EAADs
Várias das economias extremamente bem-sucedidas têm praticado políticas industriais (desde tarifas até apoio do governo para pesquisa e desenvolvimento) que favorecem determinadas indústrias em relação a outras.
A maioria dos economistas que estudam o assunto tem sido cética quanto à importância de tais políticas porque:
as EAADs adotaram inúmeras políticas econômicas, mas obtiveram taxas de crescimento igualmente altas;
seu impacto efetivo na estrutura industrial pode não ter sido grande;
houve alguns fracassos notáveis na política industrial.
300
Industrialização orientada para exportações: o milagre do Leste Asiático
Outros fatores de crescimento
Dois fatores podem explicar o rápido crescimento no Leste da Ásia:
taxas de poupança muito altas;
rápido crescimento do ensino público.
A experiência do Leste Asiático refuta as hipóteses de que:
a industrialização e o desenvolvimentodevem estar baseados em em uma estratégia de substituição de importações voltada para dentro;
A estrutura do mercado mundial obstrui a entrada de novos participantes, impedindo que os países pobres se tornem ricos.
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Capítulo 11 
Controvérsias em política comercial
Economia internacional: teoria e política, 6ª edição
de Paul R. Krugman e Maurice Obstfeld
Organização do capítulo
Introdução
Argumentos sofisticados a favor da política comercial ativista
Globalização e baixos salários
Resumo
303
Introdução
Dois debates sobre o comércio internacional surgiram nas décadas de 1980 e 1990.
Na década de 1980, surgiu nos países avançados um conjunto novo de argumentos sofisticados a favor da intervenção governamental no comércio.
Esses argumentos se concentravam nas indústrias de ‘alta tecnologia’, que se tornaram importantes após o surgimento do chip de silício.
Na década de 1990, surgiu um debate acalorado em relação aos efeitos do comércio internacional, cada vez maior, sobre os trabalhadores dos países em desenvolvimento.
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Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Existem dois tipos de falha de mercado que, ao que parece, estão presentes nos países industrializados e são relevantes para suas políticas comerciais:
externalidades tecnológicas;
lucros de monopólio em indústrias oligopolistas altamente concentradas.
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Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Tecnologia e externalidades
Firmas em uma indústria geram conhecimentos que outras firmas podem também utilizar sem pagar por isso.
Em indústrias de alta tecnologia, as firmas enfrentam problemas de apropriabilidade.
Exemplo: Na eletrônica, é comum as firmas fazerem ‘engenharia reversa’ dos projetos de suas rivais.
306
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
O argumento a favor do apoio do governo às indústrias de alta tecnologia
Subsidiar a atividade com externalidades, não todas as atividades em uma indústria. 
Por exemplo, a pesquisa e o desenvolvimento (em oposição à manufatura) deveriam ser subsidiados.
Qual a importância das externalidades?
Elas são difíceis de medir empiricamente.
Problemas de apropriabilidade no nível das nações (e não das firmas) são menos severos, mas ainda importantes, mesmo para uma nação tão grande quanto os Estados Unidos.
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Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Concorrência imperfeita e política comercial estratégica
Em algumas indústrias, onde existem apenas algumas firmas em concorrência efetiva:
os pressupostos da concorrência perfeita não se aplicam;
haverá retornos em excesso (lucros);
haverá uma concorrência internacional relativa a quem ficará com esses lucros;
um subsídio do governo às firmas domésticas pode elevar o lucro delas em mais do que o montante dos subsídios. 
308
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Análise de Brander-Spencer: um exemplo
Somente duas firmas (Boeing e Airbus), cada uma de um país diferente (Estados Unidos e Europa), concorrem entre si.
Há um novo produto (avião de 150 lugares) que ambas as firmas são capazes de fabricar.
Cada firma decide se vai fabricar ou não o novo produto.
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Airbus
Boeing
–5
–5
0
0
0
100
0
100
Produz
Produz
Não produz
Não produz
Tabela 11-1: Concorrência entre duas firmas
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Tabela 11-2: Efeitos de um subsídio à Airbus
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Airbus
Boeing
20
–5
0
0
0
100
0
125
Não produz
Produz
Produz
Não produz
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Problema com a análise de Brander-Spencer
Informações insuficientes para usar a teoria com eficácia.
Os benefícios exatos das firmas não podem ser obtidos facilmente.
Indústrias isoladamente
Uma política que consiga dar às firmas norte-americanas uma vantagem estratégica em uma indústria tenderá a causar uma desvantagem estratégica em outra.
Retaliação estrangeira
As políticas estratégicas são políticas do tipo empobreça-seu-vizinho, que aumentam nosso bem-estar à custa dos outros países.
312
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Tabela 11-3: Concorrência entre duas empresas: um caso alternativo
Airbus
Boeing
–20
5
0
0
0
125
0
100
Não produz
Produz
Produz
Não produz
Argumentos sofisticados a favor 
da política comercial ativista
Tabela 11-4: Efeitos de um subsídio à Airbus
Airbus
Boeing
 5
5
0
0
0
125
0
125
Não produz
Produz
Produz
Não produz
Globalização e baixos salários
Uma das principais mudanças na economia mundial foi o surgimento das exportações de manufaturados nos países em desenvolvimento é. 
Os trabalhadores que fabricam esses bens recebem baixos salários e trabalham sob condições precárias.
315
Globalização e baixos salários
Movimento antiglobalização
O movimento tornou-se uma presença altamente visível cronologicamente:
Na década de 1980
Suposta ameaça da concorrência do Japão aos Estados Unidos.
No início da década de 1990
Grande preocupação tanto nos Estados Unidos como na Europa com os efeitos das importações vindas de países com salários baixos sobre os salários dos trabalhadores locais menos qualificados.
Na segunda metade da década de 1990
Ênfase ao suposto mal que o comércio mundial estava fazendo aos trabalhadores dos países em desenvolvimento.
1999
Manifestações renderam muitos transtornos às reuniões da Organização Mundial do Comércio, em Seattle.
316
Globalização e baixos salários
Comércio e salários revisitados
Os ativistas argumentam que a globalização não estava ajudando os trabalhadores das indústrias de exportação nos países em desenvolvimento.
Exemplo: Os salários nas maquiladoras no México ficavam abaixo de US$ 5 ao dia, e as condições de trabalho eram horríveis, pelos padrões norte-americanos.
Os economistas argumentam que, apesar dos baixos salários auferidos pelos trabalhadores nos países em desenvolvimento, esses trabalhadores estão em situação melhor do que estariam se a globalização não tivesse acontecido.
317
Globalização e baixos salários
Tabela 11-5: Salários reais
Globalização e baixos salários
Padrões de trabalho e negociações comerciais
Os acordos de comércio internacionais poderiam melhorar os salários e as condições de trabalho em países pobres se incluíssem:
um sistema capaz de monitorar salários e condições de trabalho, além de tornar os resultados desse monitoramento disponíveis aos consumidores;
padrões de trabalho formais
Trata-se das condições a que as indústrias exportadoras teriam de atender como parte dos acordos de comércio.
Eles têm apoio político considerável nos países avançados.
Encontram forte oposição entre a maioria dos países em desenvolvimento.
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Globalização e baixos salários
Questões ambientais e culturais
Os padrões ambientais nas indústrias exportadoras nos países em desenvolvimento são muito mais baixos do que os verificados nas indústrias dos países avançados.
A inclusão de padrões ambientais em acordos comerciais pode:
gerar melhorias no meio ambiente;
fazer com que fechem indústrias com potencial para exportação em países pobres. 
A globalização levou à homogeneização das culturas ao redor do mundo.
Exemplo: Atualmente, o McDonald’s pode ser encontrado em quase todo lugar.
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Globalização e baixos salários
A OMC e a independência nacional
O impulso para o livre comércio e o fluxo livre de capitais minaram a soberania nacional.
A OMC monitora não somente os instrumentos tradicionais de política comercial, mas também as políticas econômicas domésticas, que são políticas comerciais de facto.
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