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RECREAÇÃO E LAZER 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Marcos Ruiz da Silva 
 
 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A Educação Física tem uma íntima relação com os estudos da recreação 
e do lazer, seja pela produção teórica ou na formação de profissionais que atuam 
na produção e execução de eventos diversos na área. 
Historicamente, os conteúdos da recreação e do lazer foram sendo 
apropriados pelos profissionais de Educação Física – apesar de a grande 
predominância ser relacionada com as práticas corporais – e incorporados nos 
conteúdos curriculares como uma disciplina. 
Ainda que a Educação Física tenha supremacia nos estudos da recreação 
e lazer no Brasil, pelo menos quantitativamente, áreas como o Turismo, a 
Sociologia, a Pedagogia, entre outras, também contribuem para a promoção de 
discussões e desenvolvimento de intervenções nesse campo. 
Não há unanimidade a respeito de haver alguma prioridade na produção 
de estudos sobre recreação e lazer e, da mesma forma, não há conformidade 
sobre os conteúdos desenvolvidos nos distintos cursos das diversas áreas 
(Isayama, 2004). 
Alguns estudos demonstram que as matrizes curriculares tratam da 
recreação e lazer como disciplinas bem variadas. Alguns enfoques surgem como 
protagonistas, como gestão, planejamento, sociedade, ludicidade, fundamentos 
teóricos, estágio supervisionado, saúde, entre outros (Silva et al., 2018). 
A multiplicidade de estudos e ações no campo da recreação e lazer é um 
fator positivo para uma área que cresce continuamente. Com uma demanda 
crescente de profissionais, a área tem exigido o domínio de técnicas para 
desenvolver as práticas adequadamente, associado à competência teórica. 
Considerando essas ideias iniciais, optamos por apresentar, neste texto, 
uma discussão de caráter introdutório à disciplina. Para isto, vamos falar sobre 
o papel da recreação e do lazer nos cursos de Educação Física, nas 
modalidades de bacharelado e licenciatura. 
Vamos conversar, no Tema 2, sobre alguns elementos do processo 
histórico da recreação e lazer para auxiliar a compreender os sentidos e 
significados atribuídos à recreação e ao lazer atualmente. 
Falaremos ainda sobre os sentidos e significados atribuídos ao lazer e à 
recreação, como fenômenos que podem ser compreendidos como objetos 
 
 
3 
distintos ou similares. E, ainda, abordaremos de forma particular algumas 
características do lazer e da recreação no Brasil. 
Para finalizar, vamos discutir sobre o campo de atuação na recreação e 
lazer, demonstrando a diversidade de locus das experiências e suas 
particularidades. Acreditamos que esse é um bom início para tratarmos de nossa 
disciplina. 
Aproveite e bons estudos! 
TEMA 1 – RECREAÇÃO E LAZER EM CURSOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA 
É pertinente iniciar a discussão desse tema com a seguinte questão: por 
que estudar lazer e recreação nos cursos de Educação Física, seja na 
modalidade licenciatura ou bacharelado? 
Acreditamos que esse questionamento é realizado por vários alunos, 
principalmente aqueles que têm uma maior afinidade com conteúdos 
relacionados com fisiologia, treinamento esportivo, esportes, por exemplo. Isto é 
reforçado quando um aluno apresenta dificuldade em relacionar sua área de 
atuação com as discussões que envolvem a recreação e o lazer. 
Um estudante de um curso de bacharelado em Educação Física que 
pretende atuar em academias de ginástica com treinamento resistido pode 
apresentar dificuldade em compreender que o sujeito que frequenta esses 
espaços está em um determinado cenário, o do lazer. E, com isto, cria resistência 
em assimilar a complexa trama de sentidos e significados que as pessoas 
constroem quanto às atividades que realizam nesse espaço-tempo. E, ainda, 
entender que isso interfere diretamente na forma como elas se relacionam com 
o exercício físico, entre outras práticas corporais. 
Outra questão importante na construção de ideias pré-concebidas com o 
lazer e a recreação, como uma disciplina na graduação nos cursos de Educação 
Física, está na associação com conteúdos eminentemente práticos, como os 
jogos e brincadeiras. 
Embora seja possível admitir que o universo das manifestações 
populares, como as cantigas de roda, as gincanas, as brincadeiras de soltar pipa, 
bolinha de gude, esconde-esconde, entre outras, fazem parte do universo das 
discussões da recreação e lazer, o debate sobre essa área de conhecimento 
avança para além da aplicação de conteúdos que colaboram com a aquisição de 
competências para saber-fazer. 
 
 
4 
Um primeiro argumento que vamos utilizar para justificar a existência da 
disciplina de recreação e lazer nos cursos de Educação Física – bacharelado e 
licenciatura – é a sua relevância social. Há uma crescente demanda para o 
campo de atuação com recreação e lazer na sociedade atual. São crianças, 
jovens, adultos e idosos que têm encontrado no lazer um espaço para o exercício 
da convivência social. Com isso, é imprescindível que os profissionais tenham 
as competências necessárias para planejar e executar as atividades, 
intimamente articulados com competências que deem condições de refletir sobre 
o assunto. 
Outro argumento favorável à disciplina diz respeito à predominância das 
atividades físico-desportivas, como opção de lazer das pessoas. Seja com a 
realização de caminhadas, passeios em parques e bosques, realização de 
piqueniques, participação em programas de exercício físico ou esporte em 
clubes e academias, com os passeios de bicicleta, nas corridas, entre outras 
atividades. Práticas diretamente ligadas com o objeto da Educação Física, aqui 
entendido por nós como o corpo em movimento nas diversas manifestações do 
jogo, do esporte, da dança, das lutas, do exercício físico, da ginástica e outras 
práticas corporais. 
Embora reconheçamos que a disciplina de recreação e lazer ocupa um 
espaço imprescindível na formação dos professores/profissionais de Educação 
Física, faz-se necessário alertar para alguns aspectos fundamentais. Entre eles, 
o estabelecimento de ementas e planos de ensino que ampliem a abordagem 
sobre esses temas. Para isso, é preciso considerar o lazer como um fenômeno 
sociocultural com estreita associação com o contexto da qualidade de vida. 
Considerando ainda que o profissional de Educação Física se encontra 
envolvido com a área da saúde, seu papel no campo do lazer e da recreação diz 
respeito também à promoção de hábitos saudáveis nas pessoas. Isso se 
processa à medida que as pessoas incorporam estilos de vidas ligados à prática 
regular do exercício físico. 
Nesse caso, a atuação desse profissional transcende a aplicação de 
exercícios físicos ou ensinamentos técnicos e táticos sobre alguma modalidade 
esportiva. Ela diz respeito ao estímulo de uma educação para e pelo lazer – 
assunto que discutiremos mais a frente – por meio da difusão de conhecimentos 
que auxiliem as pessoas a conceber as práticas corporais como um direito e, 
desta forma, as estimulem a buscarem soluções para diminuir as barreiras 
 
 
5 
inibidoras que restringem o acesso aos recursos físicos, financeiros, e até de 
tempo para o usufruir dessas atividades. 
Com isso, o professor/profissional de Educação Física precisa ter contato 
com subsídios teóricos para lhe auxiliar a fazer uma leitura crítica da área do 
lazer e recreação. E também contar com ferramentas que lhe deem condições 
de propor ações concretas às mais diversas populações, atendendo as 
ansiedades, desejos e necessidades dos distintos grupos sociais. 
TEMA 2 – DIMENSÃO HISTÓRICA DO LAZER E DA RECREAÇÃO 
As percepções sobre lazer e recreação que as pessoas possuem foram 
construídas historicamente. À medida que a sociedade se desenvolvia e o lazer 
ganhava espaço na vida das pessoas. Saber alguns aspectos dos percursos que 
o lazer e a recreação percorreram durante o processo civilizacional nos dá 
condições de fazer uma leitura maissubstancial das nossas compreensões na 
atualidade. 
É interessante iniciarmos esta nossa discussão refletindo se o lazer é um 
fenômeno que sempre existiu na sociedade. Embora não seja consenso entre 
os estudiosos sobre qual é a origem do lazer, alguns estudos indicam que o lazer 
sempre existiu. Claro que não da forma como existe nos dias de hoje. 
O que nos permite indicar com mais precisão o lazer nas sociedades é 
considerar a sua relação com o trabalho, em virtude de haver uma 
interdependência entre os elementos do binômio trabalho-lazer. 
Nas civilizações mais remotas, a vida não era marcada de forma 
fracionada e grande parte da humanidade viveu empenhada na luta pela 
sobrevivência, em busca do que era indispensável para viver. Não havia uma 
clara distinção entre o trabalho e a vida. Trabalhar era, ao mesmo tempo, viver 
(Requixa, 1980). 
Conforme as sociedades se desenvolvem, o trabalho ganha um espaço 
central na vida das pessoas, marcado por regras mais definidas. No entanto, 
com a dinâmica da econômica, cada vez mais, com finalidade lucrativa, o tempo 
ganha uma dimensão utilitarista e, com isso, o lazer perde terreno. (Requixa, 
1980) 
Para alguns autores, como Mascarenhas (2005), o lazer passa a existir 
de forma sistematizada a partir da organização social do tempo do trabalho. 
Marcellino (2010) complementa esse raciocínio nos dizendo que com a 
 
 
6 
regulamentação da jornada de trabalho e o tempo de descanso, como férias 
anuais remuneradas e aposentadoria, foi possível à dimensão do lazer ganhar 
mais espaço e visibilidade na vida das pessoas. 
Especificamente no Brasil, a influência de diversas culturas de trazidas 
por imigrantes que vieram colonizar o país contribuiu para a assimilação de um 
modo de viver, incluindo, inclusive, as práticas trazidas por eles e também a 
organização de espaços para o consumo e desfrute do lazer, os clubes e as 
associações. 
Embora o lazer possa ser considerado um espaço de direito de todos, 
podemos afirmar que muitas conquistas aconteceram para que uma camada 
maior da população pudesse ter a acesso. Por exemplo, as mulheres não tinham 
concessão de participar de algumas atividades sociais, consideradas no século 
XIX predominantemente masculinas, como frequentar bares e cafés, participar 
de alguns jogos, inclusive de exercícios físicos, ficando restritas à convivência 
social somente em casa (Mascarenhas, 2005). 
A dinâmica da vida cotidiana contribuiu, ao longo do tempo, para que as 
características das atividades praticadas no lazer sofressem alterações. Jogos 
considerados exclusivos de determinada elite econômica e cultural ganharam o 
gosto da população, conquistando espaço na vida de indivíduos de diferentes 
camadas sociais. 
A busca constante por experiências prazerosas colaborou para que 
houvesse uma ressignificação do lazer que pode representar um espaço para a 
humanização do sujeito ou para promover a alienação. Nesse contexto, vemos 
o papel do professor/profissional de Educação Física com a capacidade de levar 
às pessoas a possiblidade de gerar atitudes positivas no lazer. 
TEMA 3 – DIMENSÃO HISTÓRICA DO LAZER E DA RECREAÇÃO NO BRASIL 
Apesar de o lazer poder ser considerado uma atitude voluntária do 
indivíduo que se entrega ao tempo liberado das obrigações para o usufruto com 
práticas que lhe deem prazer e, com isso, não existe uma regra específica para 
a forma e o conteúdo com que cada pessoa resolve ocupar esse tempo, é 
importante destacar a participação do Estado na construção de um modo de ver 
e pensar o lazer. 
As políticas públicas em nosso país, voltadas à promoção do lazer e da 
recreação, são algo relativamente recente. No século XIX, a mobilização das 
 
 
7 
pessoas era realizada por iniciativa particular, com o convívio familiar e com 
amigos, nas ruas bares, nas residências e outros espaços informais. Ou, ainda, 
nos clubes sociorrecreativos formalizados pelos diversos grupos sociais, 
predominantemente organizados pelas elites econômicas da época. 
Grande parte das possiblidades de participação popular em eventos 
festivos surgia a partir das comemorações religiosas. Além disso, existiam 
companhias de circo e teatro que percorriam o país oferecendo seus 
espetáculos. Outras iniciativas privadas de entretenimento, como ringue de 
patinação, bailes, disputas esportivas também faziam parte das oportunidades 
de recreação e lazer que as pessoas desfrutavam. 
Alguns registros apontam que as primeiras iniciativas de organização da 
recreação popular no Brasil aconteceram no Rio Grande do Sul. Por volta do ano 
de 1927, as praças públicas foram adaptadas para receber o público infantil. 
Com o uso de pneus, cordas e outros objetos foram montados, de forma 
rudimentar, parques para a diversão das crianças. 
Nesse período, a recreação era entendida como uma forma de 
manutenção da saúde e também como oportunidade de recuperação dos 
desgastes provocados pelo trabalho. Questões importantes para um país que se 
industrializava e tinha um discurso fundado no progresso da nação. Isso, por sua 
vez, contribuiu para aproximar os profissionais ligados às práticas corporais a 
esse campo de atuação. Por consequência, a identificação com o profissional de 
Educação Física se torna inevitável (Melo; Junior, 2003). 
Apesar de as práticas recreativas em parques e praças fazerem parte de 
um contexto não formal, houve também, no início do século XX, a preocupação 
em proporcionar às crianças “atividades recreativas”, sob o mesmo princípio da 
manutenção ou promoção da saúde, visando um desenvolvimento saudável. 
Isso colaborou, também, para estabelecer uma forte ligação com a Educação 
Física (Melo; Junior, 2003). 
Esses aspectos atribuídos à recreação, cujo princípio era a formação das 
crianças e jovens em adultos saudáveis, evidenciaram a construção do sentido 
educacional atribuído à função das atividades recreativas. Nesse movimento, a 
criação de colônias de férias, acampamentos educativos, ajudam a reforçar uma 
visão instrucional, para além das características eminentemente lúdicas. 
Outras iniciativas surgiram, em grande parte do Brasil, com ofertas de 
oportunidades recreativas para crianças, jovens e adultos. As programações já 
 
 
8 
contemplavam atividades artísticas em geral, acesso a bibliotecas para leituras, 
e outras que transcendiam as atividades de caráter eminentemente lúdicas. Com 
isso, a associação com práticas recreativas ganhou conotações com a obtenção 
de resultados positivos ao cidadão e, por consequência, à sociedade em geral. 
Ao ser inserida na escola, no contexto das aulas de Educação Física, ou 
estabelecida como práticas fora do contexto da escola, a afinidade com a área 
da Educação Física contou com a colaboração do interesse do Estado em 
oferecer às pessoas, atividades de caráter motor (correr, saltar, arremessar, 
chutar, andar, correr), manifestado a partir dos jogos e brincadeiras infantis, das 
atividades de ginástica e dos esportes, entre outras possibilidades. 
TEMA 4 – SENTIDOS ATRIBUÍDOS À RECREAÇÃO E AO LAZER 
As discussões teóricas sobre o lazer e a recreação realizadas no Brasil 
sofrem influências de diferentes correntes teóricas, principalmente pelas 
disseminadas na Europa e nos Estados Unidos. Uma que se apresenta a partir 
da nomenclatura recreação e outra pela nomenclatura lazer, respectivamente. 
Essa dupla denominação tem permitido os debates na área e, de maneira geral, 
o primeiro é associado a um conjunto de atividades e o segundo trata de um 
fenômeno social. Entre as diversas posições teóricas dos estudiosos, algumas 
chegam a apresentar as diferenças e outros as particularidades entre os dois 
termos. 
Temos considerado que recreação e lazer podem ser entendidos como 
um mesmo objeto, sendo que a diferença de concepção foi produzida pelo 
sentido originário de cada termo, conforme foi traduzido dos textos originários, 
comorecreation e leisure do inglês, ou loisir, do francês. Contudo, aceitamos a 
ideia de que o essencial nos debates da recreação e do lazer não os entender 
como mesmo objeto ou objetos distintos. O problema está na restrição adotada 
no uso dos termos. 
Nessa direção, julgamos equivocado reduzir o termo recreação a um 
conjunto de atividades, predominantemente organizadas a partir de jogos e 
brincadeiras. Ainda, quando há a utilização de jogos e brincadeiras nas escolas 
como estratégia didática dos professores, referindo-se à aula como recreação 
escolar, reforçando esse mal-entendido. 
Às atividades denominadas recreativas, como os jogos e brincadeiras, 
são instituídos sentidos diferenciados conforme o contexto em que está inserido. 
 
 
9 
Podem ser absorvidos pelas pessoas no convívio social lúdico no lazer, mas 
também são utilizadas para a realização de dinâmicas em treinamentos 
corporativos e na escola como estratégica didática, por exemplo. 
Outros sentidos são atribuídos à recreação e lazer tomados por diferentes 
correntes teóricas. Alguns entendem lazer como mercadoria e outros como 
direito inalienável do sujeito. Uma concepção muito difundida no Brasil é a do 
sociólogo Nelson Marcellino (1998, p, 38) de que lazer é: 
cultura, compreendida em seu sentido mais amplo, vivenciada, 
praticada ou fruída no seu tempo disponível [...] combinando os 
aspectos tempo e atitude e tendo como traço definidor o caráter 
desinteressado dessa vivência. 
Outro sociólogo que colaborou de maneira expressiva para os estudos do 
lazer no Brasil foi o francês Jofre Dumazedier. Entre suas várias contribuições, 
seu estudo sobre os interesses franceses em atividades vivenciadas no lazer 
nos permite compreender a abrangência e a diversidade de experiências 
possíveis nesse cenário. A partir da taxionomia, Dumazedier (1980) afirmou 
existir interesses predominantes, por parte das pessoas, em cinco 
características de atividades que ele chamou conteúdos culturais do lazer. 
Esses conteúdos culturais do lazer, descritos por Dumazedier (1980), são 
organizados em cinco grupos, como segue: 
 Físico-esportivo – predominância de atividades motoras, como 
caminhar, correr, andar de bicicleta, praticar algum esporte, pescar. 
 Artístico – predominância do sentido estético, como apreciar uma 
exposição de artes, uma peça de teatro, assistir um espetáculo. 
 Manual – predominância da manipulação e alteração do objeto, como 
realização de pequenos concertos, artesanato, cultivo de flores. 
 Intelectual – predominância de elementos ligados ao que é racional, 
cognitivo, como jogos intelectivos, leitura, assistir documentários, 
participar de cursos. 
 Social – predominância da interação entre as pessoas – independente do 
conteúdo –, como participação em festas, encontros familiares e com 
amigos. 
Essa classificação ganhou a contribuição de outros estudiosos que 
ampliaram a classificação das atividades, ou interesses culturais de lazer. 
 
 
10 
Camargo (1998) apresentou os interesses turísticos de lazer, no qual as pessoas 
buscam por característica de atividade motivados pelo interesse de conhecer 
novos lugares, novas culturas, com viagens, por exemplo. 
Com fundamentação nas novas dinâmicas sociais provocadas pelo 
avanço das tecnologias, em especial aquelas ligadas ao ambiente virtual, 
Schawartz (2003) propôs os interesses virtuais do lazer, tendo em vista o 
crescente interesse das pessoas em experiências virtuais, com jogos, redes 
sociais, assistindo filmes, por exemplo. 
Essa organização das características das atividades, ou interesses 
culturais do lazer, tem um caráter de certa forma didático, para apresentar a 
abrangência das experiências no lazer. Essa divisão não acontece de forma não 
objetiva, mas dá condições aos profissionais de pensarem em planejamentos de 
lazer que permitam à diversificação das experiências. 
O que observamos nos dias de hoje é a multiplicidade de sentidos 
atribuídos à recreação e ao lazer. A assimilação de valores sobre o tema diz 
respeito ao sentido atribuído. No entanto, de maneira geral, ainda ocorre uma 
valorização exacerbada do trabalho em detrimento do lazer. 
É necessário destacar que o profissional precisa estar atendo à aquisição 
de conhecimentos de caráter operacional, ou seja, aqueles que permitem 
planejar e executar intervenções no campo do lazer. Entretanto, essas 
competências precisam estar alicerçadas em conhecimentos teóricos sobre a 
recreação e lazer como fenômenos socioculturais. 
TEMA 5 – CAMPOS DE ATUAÇÃO 
O campo de trabalho para o profissional de Educação Física na área da 
recreação e lazer é muito diverso. Há aquele grupo de profissionais que irá atuar 
como integrante de uma equipe de animação, na promoção e execução de 
atividades e programas recreativos, e aquele grupo de profissionais que atua 
com atividades que fazem parte do conteúdo do lazer, mas muito específicas, 
como o profissional em uma academia de ginástica, desenvolvendo atividades 
de dança, ginástica, e treinamento resistido, ou ainda como componente de 
alguma equipe de treinamento esportivo. 
Para o primeiro grupo, não há dificuldade de conseguir estabelecer as 
relações diretas com a atividade desenvolvida com o tema recreação e lazer. 
 
 
11 
Entretanto, para o segundo grupo, essa leitura do contexto é um pouco mais 
complexa, conforme explicado no Tema 1. 
Apesar de aceitarmos a ideia de que uma academia de ginástica é um 
equipamento específico de lazer, vamos tratar, neste tema, especificamente 
sobre o mercado de atuação para o grupo que desenvolve programas 
recreativos, seja em hotéis, clubes, navios, empresas e outros espaços. 
Primeiramente, vale destacar que é necessário a esse profissional o 
domínio sobre os princípios fundamentais da recreação e lazer, sobre os 
interesses, necessidades e expectativas das pessoas, sobre desenvolvimento 
humano, adequação de atividades às características de distintos grupos etários, 
entre outros. Somente o domínio de técnicas de jogos e brincadeiras não dá 
conta de suportar a atuação nesse campo. 
O campo de trabalho é diverso e, a cada dia, surgem novos mercados, 
veja a seguir no Quadro 1 algumas oportunidades para atuar com recreação e 
lazer: 
Quadro 1 – Locus de intervenção recreativa e finalidade 
Locus de intervenção Finalidade 
Em âmbito escolar Desenvolvimento de projetos, eventos e programa 
recreativos no contra turno, férias e feriados 
Em instituições de longa 
permanência, como creches e 
asilos 
Planejamento e aplicação de programas recreativos 
voltados a promover o bem estar físico, emocional, 
cognitivo e social. 
Nas empresas Promover ações com o intuito de melhorar a qualidade de 
vida no ambiente do trabalho. 
Em hospitais Planejar ações com finalidades terapêuticas para os 
pacientes e acompanhantes. 
Em acampamentos e hotéis Desenvolver programas recreativos, explorando os 
aspectos naturais e permitindo aos clientes melhor 
utilização dos espaços. 
Em navios Oferecer programas diversificados para a diversão e 
descanso dos turistas. 
Nos grupos específicos de 
idosos saudáveis 
Mobilizar pessoas e desenvolver programas que 
contribuíam para garantir a autonomia das pessoas. 
Em festas comemorativas Promover ações de entretenimento adequadas ao perfil do 
público. 
 Em buffet infantil Desenvolver atividades para a diversão das crianças e 
familiares 
Com jogos virtuais Explorar os recursos das tecnologias virtuais para a 
diversão de crianças, jovens, adultos e idosos 
Clubes sociorrecreativos Promover programas recreativos e eventos para compor o 
calendário de atividades aos associados. 
Secretarias estaduais e 
municipais 
Atender a comunidade com programas de recreação e 
lazer. 
Em empresas de marketing Desenvolver ações de entretenimento que possam criar 
uma melhor aproximação do público consumidor com o 
produto. 
 
 
12 
Conforme demonstrado no Quadro 1, é expressivaa diversidade de locus 
de atuação para o profissional atuar no campo do lazer. Apesar de ser possível 
afirmar que o conteúdo de cada programa – jogos, brincadeiras, shows, oficinas 
de atividades manuais, cultivo de plantas, rodas de conversa, cinema, entre 
outras atividades – é similar em diferentes ambientes – por exemplo, é possível 
haver nos diversos segmentos apresentados no Quadro 1 apresentação de 
teatro –, para cada público e cada local, há objetivos distintos a serem 
alcançados. Isso faz com que cada conteúdo assuma forma distinta na sua 
organização e realização. 
Outro detalhe é que, para cada característica do local e atuação, como 
um hotel, há particularidades que acabam por contribuir para que a forma de 
organização das atividades e consequentemente, sua forma de execução, sejam 
singulares. 
Por mais que possamos sugerir um conjunto de competências desejáveis 
para um profissional de recreação e lazer, consideramos que o acesso às 
produções acadêmicas que tratam dessas temáticas irá colaborar para 
desenvolver nesses profissionais, sensibilidades suficientes para compreender 
as necessidades e desejos de clientes e usuários quando se dispõem a dedicar 
um tempo da vida para suas experiências no lazer. 
Um aspecto que é necessário evidenciar é sobre o professor de Educação 
Física e seu papel nesse processo de envolvimento das pessoas no universo do 
lazer. Apesar de ser possível que esse professor possa propor atividades e 
eventos para os alunos, como atividades extracurriculares, há uma dimensão de 
sua intervenção que ocorre dentro das aulas de Educação Física. 
Isso mesmo, as aulas de Educação Física têm um papel fundamental na 
promoção de educação dessas crianças para o lazer. Isso ocorre à medida que 
o professor apresenta aos alunos seu conteúdo, de forma que possa enriquecer 
sua visão de mundo quanto às práticas corporais, estimulando-os a participar de 
atividades semelhantes no lazer. 
Com base nesses argumentos, afirmamos que o professor que atua na 
escola e o bacharel em Educação Física que atua em outros espaços necessitam 
estabelecer um diálogo com seu objeto de trabalho com sustentação teórica 
sobre a recreação e o lazer. 
 
 
 
13 
NA PRÁTICA 
Apresentamos nesta aula que o lazer e a recreação são fenômenos 
sociais, construídos historicamente. Isso colaborou para a multiplicidade de 
sentidos atribuídos a esses termos. Desta forma, apresente pelo menos três 
pensamentos que possam representar esses distintos sentidos: 
1. Educativo, por atribuir a eles a função de formar as crianças, tornando-as 
adultos adequados às convenções sociais; 
2. Positivo à promoção e manutenção da saúde do indivíduo; 
3. Possibilidade de desenvolvimento pessoal e social. 
FINALIZANDO 
Finalizamos com alguns apontamentos sobre o que discutimos em cada 
tema. 
No Tema 1, apresentamos uma discussão sobre o papel da disciplina da 
recreação e lazer, compreendendo que muitos estudantes têm dificuldade de 
relacionar essa disciplina com sua formação, de maneira geral. Claro que isso 
se deve à visão restrita que alguns possuem em relação a essa área, restringindo 
sua abrangência aos jogos e brincadeiras. 
Destacamos que a relevância social é um argumento plausível para 
justificar a existência da disciplina de recreação e lazer nos cursos de Educação 
Física. Para isso, apoiamo-nos na concepção de que os sujeitos se valem do 
seu tempo disponível das obrigações profissionais e sociais para desfrutar das 
diversas práticas, como corridas, caminhadas, ginásticas, exercícios físicos, 
práticas esportivas, entre outras. 
Nessa direção, ficou evidente que as pessoas investem tempo, disposição 
emocional, dinheiro para poderem passar algum tempo com experiências 
agradáveis que possam garantir retornos positivos. Assim, apreender os 
sentidos da recreação e o lazer para as pessoas poderá auxiliar na constituição 
de competência técnica e compromisso político com sua atividade profissional. 
Apresentamos, no Tema 2, algumas particularidades do desenvolvimento 
da recreação e lazer no Brasil, demonstrando o início do processo da 
institucionalização das ações do Estado para a promoção do lazer como política 
pública e como isto contribuiu para aproximar a área da Educação Física. 
 
 
14 
No tema 3, falamos sobre alguns aspectos históricos da recreação e lazer, 
sem pretensão de esgotar o assunto, mas para demonstrar as transformações 
que ocorreram com o lazer durante o processo civilizacional. Um aspecto que 
fica evidenciado é a valorização do trabalho em detrimento do lazer. 
Destacamos, ainda, no Tema 4, alguns sentidos atribuídos à recreação e 
ao lazer, destacando a influência semântica da origem desses termos para 
influenciar alguns estudiosos, como também para provocar algumas 
compreensões equivocadas. 
Para finalizar, destacamos, no Tema 5, a diversidade de espaço para a 
atuação no cenário da recreação e lazer, esclarecendo ainda que o professor de 
Educação Física tem um papel fundamental para que as pessoas possam se 
educar para o lazer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
CAMARGO, L. O. L. Educação para o lazer. São Paulo: Moderna, 1998. 
DUMAZEDIER, J. Valores e conteúdos culturais do lazer. São Paulo: SESC, 
1980. 
MARCELLINO, N. C. Lazer: concepções e significados. Licere, Belo Horizonte, 
v.1, n.1, p.37-43, 1998. 
MASCARENHAS, F. Entre o ócio e o negócio: teses acerca da anatomia do 
lazer. 2005. 307f. Tese (Doutorado) – Faculdade de Educação Física, 
Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 
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