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CURSO BÁSICO DE ARRUMAÇÃO E ESTIVAGEM TÉCNICA Manual do aluno MARINHA DO BRASIL DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO 1ª edição Rio de Janeiro 2001 © 2001 direitos reservados à Diretoria de Portos e Costas ________ exemplares Coordenação técnica Fundação Estudos do Mar Diretoria de Portos e Costas Rua Teófilo Otoni, nº 4 - Centro Rio de Janeiro, RJ 20090-000 http://www.mar.mil.br/~dpc/dpc.htm secom@dpc.mar.mil.br Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Decreto nº 1825, de 20 de dezembro de 1907 IMPRESSO NO BRASIL / PRINTED IN BRAZIL Sumário Introdução.................................................................................................. 5 DISCIPLINA I: OGMO, OPERADOR E TRABALHADOR PORTUÁRIO 1.0 Entidades envolvidas no trabalho portuário ................................... 6 1.1 Atribuições e responsabilidades .......................................................... 6 1.2 Terno de estiva ................................................................................... 10 1.3 Serviços de estivadores ..................................................................... 10 2.0 Acordos e convenções coletivas de trabalho ................................ 12 2.1 Principais pontos regulados ............................................................... 12 2.2 Acordo ou Convenção Coltiva do trabalho em vigor no porto ........... 13 DISCIPLINA II: CARGAS: MOVIMENTAÇÃO E ARRUMAÇÃO 1.0 Carga perigosa .................................................................................. 14 1.1 Conceito .............................................................................................. 14 1.2 Classificação....................................................................................... 14 1.3 Etiquetas ............................................................................................. 19 1.4 Embalagens de cargas perigosas ...................................................... 19 1.5 Precauções de segurança.................................................................. 20 1.6 Proteção individual ............................................................................. 20 2.0 Materiais e equipamentos para movimentação de cargas .......... 23 2.1 Acessórios para movimentação de cargas ........................................ 23 2.2 Tipos de lingas .................................................................................... 26 2.3 Equipamentos para movimentação de carga .................................... 26 2.4 Paus-de-carga e guindastes de bordo ............................................... 29 2.5 Portêineres e pontes rolantes ............................................................ 31 3.0 Arrumação e estivagem de carga .................................................. 32 3.1 Fator de estiva equebra de estiva ...................................................... 32 3.2 Unitização de carga ............................................................................ 32 3.3 Contêineres ........................................................................................ 34 3.4 Atividades preliminares ...................................................................... 41 3.5 Técnicas de estivagem ....................................................................... 42 4.0 Granéis .............................................................................................. 49 4.1 Conceito .............................................................................................. 49 4.2 Tipos de granéis ................................................................................. 49 4.3 Ângulo de repouso ............................................................................. 49 4.4 Rechego ............................................................................................. 50 4.5 Espaços vazios ................................................................................... 50 4.6 Estivagem de granéis com outras cargas .......................................... 51 4.7 Neo-granéis ........................................................................................ 52 5.0 Separação de carga ........................................................................ 53 5.1 Conceito .............................................................................................. 53 5.2 Material de separação ........................................................................ 53 5.3 Finalidade da separação .................................................................... 54 5.4 Segregação ........................................................................................ 57 5.5 Uso de tabelas de segregação .......................................................... 57 6.0 Novas técnicas de transmissão e coleta de dados por via eletrônica 60 6.1 Tipos de coleta de dados por via eletrônica ........................................... 60 DISCIPLINA III: AVARIAS 1.0 Avarias .............................................................................................. 61 1.1 Conceito .............................................................................................. 61 1.2 Classificação quanto à origem ........................................................... 61 1.3 Classificação quanto à espécie .......................................................... 61 1.4 Vício próprio ........................................................................................ 62 1.5 Tipos de avarias mais comuns no transporte marítimo ..................... 62 1.6 Cuidados indispensáveis .................................................................... 64 DISCIPLINA IV: PEAÇÃO E ESCORAMENTO DE CARGAS E LINGADAS 1.0 Peação e escoramento .................................................................... 66 1.1 Peação................................................................................................ 66 1.2 Escoramento....................................................................................... 66 1.3 Materiais utilizados na peação ........................................................... 66 1.4 Peação de contêineres....................................................................... 68 1.5 Sistema de peação de veículos em navios roll-on/roll-off ................. 76 1.6 Riscos na atividade de peação e desapeação .................................. 76 2.0 Preparação de lingadas ................................................................... 77 2.1 Normas gerais de segurança ............................................................. 77 2.2 Recomendações especiais ................................................................ 77 2.3 Arrumação de contêineres a bordo .................................................... 78 2.4 Cuidados especiais no manuseio de contêineres fora de medida .... 79 2.4 Sinalização para manobra de pesos .................................................. 80 Bibliografia .............................................................................................. 84 5 INTRODUÇÃO O desenvolvimento da tecnologia da informação e do comércio eletrônico e a utilização de seus mecanismos como ferramenta de competitividade no comércio exterior apontam para um cenário, em futuro próximo, em que será possível liberar cargas de importação antes mesmo da atracação dos navios no cais. A tendência é que a comunidade portuária se integre eletronicamente, criando os chamados “portos virtuais”, onde atividades como recepção, manuseio e expedição de cargas irão dispensar a intervenção humana. A senha são o “business to business” (B2B) e o “e-commerce”, através dos quais operadores, embarcadores, despachantes e fiscais estarão unidos pela informação e movidos pela necessidade de tornar o sistema portuário ágil e eficiente. O avanço se estenderá às demais atividades agregadas, como transporte, armazenagem e distribuição de mercadorias. A idéia é integrar todas as etapas da cadeia logística num sistema único deinformações, eliminando gorduras, evitando interferências, atrasos e, principalmente, custos adicionais. O trabalhador portuário se insere nessa realidade e necessita buscar condições não só de se aperfeiçoar em sua própria atividade, como também de adquirir uma formação multifuncional que lhe permita companhar a modernização de todo o processo que se desenrola atualmente nos portos. Este manual visa a qualificar o aluno do CBAET para o exercício das atividades de arrumação e estivagem de cargas, obedecendo as normas de segurança, e a dar-lhe condições de classificar cargas e equipamentos para sua movimentação, conhecer os cuidados para evitar avarias, as atividades de peação e escoramento e os processos de coleta e transmissão de dados por via eletrônica. 6 OGMO, operador e trabalhador portuário DISCIPLINA I: ÓRGÃO DE GESTÃO DE MÃO-DE-OBRA, OPERADOR E TRABALHADOR PORTUÁRIO 1.0 Entidades envolvidas no trabalho portuário 1.1 Atribuições e responsabilidades 1.1.1 Atribuições Órgão de Gestão de Mão-de-Obra (OGMO) A Lei 8630 de 25/02/1993, no artigo 18 do seu capítulo IV, determina que os Operadores Portuários devem constituir, em cada porto organizado, um Órgão de Gestão de Mão-de-Obra do trabalho portuário, tendo como finalidade: • administrar o fornecimento de mão-de-obra do trabalhador portuário e do trabalhador portuário avulso; • manter, com exclusividade, o cadastro do trabalhador portuário e o registro do trabalhador portuário avulso; • promover o treinamento e a habilitação profissional do trabalhador portuário inscrevendo-o no cadastro; • selecionar e registrar o trabalhador avulso; • estabelecer número de vagas, a forma e a peridiocidade para acesso ao registro do trabalhador portuário avulso; • expedir os documentos de identificação do trabalhador portuário; • arrecadar e repassar aos respectivos beneficiários os valores devidos pelos operadores portuários, relativos à remuneração do trabalhador portuário avulso e aos correspondentes em cargos fiscais, sociais e previdenciários. O artigo 19 da supramencionada lei define a competência do OGMO para atuar nos seguintes assuntos: • aplicação, quando couber, de normas disciplinares previstas em lei, contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho, inclusive no caso de transgressão disciplinar, as seguintes penalidades: - repreensão verbal ou por escrito; - suspensão do registro pelo período de dez a trinta dias; - cancelamento do registro. • promover a formação profissional e o treinamento multifuncional do trabalhador portuário, bem como programa de realocação e de incentivo ao cancelamento do registro e de antecipação de aposentadorias; • arrecadar e repassar aos respectivos beneficiários, contribuições destinadas a incentivar o cancelamento de registro e aposentadoria voluntária; • arrecadar as contribuições destinadas ao custeio do órgão ; 7 OGMO, operador e trabalhador portuário • zelar pelas normas de saúde, higiene e segurança no trabalho portuário avulso; • submeter à Administração do Porto e ao respectivo Conselho de Autoridade de Portuária (CAP) propostas que visem à melhoria da operação portuária e à valorização econômica do porto. A Lei dos Portos, ao longo de seus inúmeros artigos, trata da composição da direção do OGMO e dá outras providências, e a simples enumeração de seus artigos foge aos objetivos do nosso curso. Abaixo, estão resumidos alguns itens de interesse do trabalhador portuário: • Parágrafo 1º do artigo 19 – O OGMO não responde pelos prejuízos causados pelos trabalhadores portuários avulsos aos tomadores de seus serviços ou a terceiros. • Parágrafo 2º do artigo 20 – O OGMO responde, solidariamente com os operadores portuários, pela remuneração devida ao trabalhador avulso portuário. • Parágrafo 3º - O OGMO pode exigir dos operadores portuários, para atender a requisição de trabalhadores portuários avulsos, prévia garantia dos respectivos pagamentos. • Artigo 20 – O exercício das atribuições previstas nos artigos 18 e 19 desta lei, pelo OGMO, não implica vínculo empregatício com trabalhador portuário avulso. • Artigo 21 – O OGMO pode ceder trabalhador portuário avulso em caráter permanente ao operador portuário. • Artigo 22 – A gestão de mão-de-obra do trabalho portuário avulso deve observar as normas do contrato, convenção ou acordo coletivo do trabalho. • Artigo 25 – O OGMO é reputado pela utilidade pública e não pode ter fins lucrativos, sendo lhe vedada a prestação de serviços a terceiros ou o exercício de qualquer atividade não vinculada à gestão de mão-de-obra. Operador Portuário É a pessoa jurídica pré-qualificada para execução de operação portuária na área do porto organizado. Entende-se como operação portuária, a movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas a ou provenientes de transporte aquaviário, realizada no porto organizado. Porto organizado é o constituído e aparelhado para atender às necessidades da navegação e da movimentação e armazenagem de 8 OGMO, operador e trabalhador portuário mercadorias, concedido ou explorado pela União, cujo tráfego e operações portuárias estejam sob a jurisdição de uma autoridade portuária. O parágrafo único do artigo 8º da Lei 8630 de 26/02/93 prevê que cabe aos operadores portuários a realização das operações de movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas a ou provenientes de transporte aquaviário, realizada no porto organizado. Entretanto, é dispensável a intervenção de operadores portuários quando da realização das operações portuárias: • que não requeiram a utilização de mão-de-obra ou possam ser executadas exclusivamente pela própria tripulação da embarcação, em função de seus métodos de manipulação, suas características de automação ou mecanização; • de embarcações empregadas na execução de obras e serviços públicos nas vias aquáticas, seja diretamente pelos poderes públicos, seja por intermédio de conces-sionários ou empreiteiros; • de embarcações empregadas no transporte de gêneros de pequena lavoura e da pesca, para abastecer mercados de âmbito municipal; • de embarcações empregadas no transporte de mercadorias líquidas a granel; • de embarcações empregadas no transporte de mercadorias sólidas a granel, quando a carga ou descarga for feita por aparelhos mecânicos automáticos, salvo quanto aos serviços de rechego, quando necessários; • relativas à movimentação de cargas em área sobre controle militar, quando realizadas por pessoal militar ou vinculadas à organização militar; • relativas à movimentação de materiais pelos estaleiros de construção e reparação naval; e • relativas à movimentação de peças sobressalentes, material de bordo, mantimentos, abastecimento de aguada, combustíveis e lubrificantes. O operador portuário responde perante: • a Administração do Porto, pelos danos culposamente causados à 9 OGMO, operador e trabalhador portuário infra-estrutura, às instalações e ao equipamento de que a mesma seja titular ou que, sendo de propriedade de terceiros, se encontre a seu serviço ou sob sua guarda; • o proprietário ou consignatário da mercadoria pelas perdas e danos que ocorrerem durante as operações que realizar ou em decorrência delas; • o armador, pelas avarias provocadas na embarcação ou na mercadoria dada a transporte; • o trabalhador portuário, pela remuneração dos serviços prestados e respectivos encargos; • o órgão local de gestão de mão-de-obra do trabalho avulso, pelas contribuições não recolhidas; • os órgãos competentes, pelo recolhimento dos tributos incidentes sobre o trabalho portuário avulso. O operador portuário é também responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhes estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto, onde se acham depositadas ou devam transitar. Trabalhador Portuário O trabalho portuário de capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, será realizado por trabalhadores portuárioscom vínculo empregatício a prazo indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos. 1.1.2 Responsabilidades Estabelecidos os três agentes envolvidos no processo, veremos a seguir as responsabilidades de cada um, no caso de avarias ocorridas à carga em decorrência da manipulação indevida ou da movimentação defeituosa. OGMO Não cabe qualquer responsabilidade pelos prejuízos causados pelos trabalhadores portuários avulsos aos tomadores de seus serviços ou a terceiros. A sua responsabilidade limita-se a aplicar, quando couber, penalidades quando houver transgressão às normas disciplinares. 10 OGMO, operador e trabalhador portuário Operador Portuário O operador portuário é titular e responsável pela direção e coordenação das operações portuárias que realizar, além de ser responsável pela arrumação ou retirada da carga no que se refere à segurança da embarcação. É responsável direto pelas perdas ou danos de mercadorias que ocorrerem durante as operações que realizar ou em decorrência delas, respondendo aos reclamos do proprietário ou consignatário das mesmas. Responde ainda, perante aos armadores, pelas avarias provocadas na embarcação ou na mercadoria dada a transporte. Trabalhador Portuário O trabalhador portuário está sujeito à suspensão de inscrição ou cancelamento de registro no OGMO, sem prejuízo das sanções penais e civis previstas na legislação em vigor, nos casos de: • contrabando ou descaminho; • prática de avaria dolosa à carga, ao navio ou ao equipamento; • instigar, preparar, dirigir ou ajudar a paralização dos serviços de carga e descarga em desacordo com a legislação vigente. 1.2 Terno de estiva Os trabalhadores portuários são organizados em equipes chamadas de terno de estiva, na qual cada um tem uma função na manipulação da carga. Cada terno é dirigido por um contramestre auxiliar e todos os ternos que estiverem trabalhando a bordo ao mesmo tempo são subordinados a um contramestre geral, responsável pela coordenação da estiva perante o comandante do navio, além de ser a ligação entre as autoridades de bordo e a estiva. O terno de estiva é composto de: • contramestre; • motoristas/carreteiros, operadores de empilhadeiras, de tratores e veículos transportados por roll-on/roll-off; • guindasteiros, guincheiros, operadores de ponte; • sinaleiros ( portaló ); e • trabalhadores braçais. 1.3 Serviços de estivadores Estiva e desestiva É a atividade exercida nos portos e instalações portuárias privadas, localizadas dentro dos limites do porto organizado, na movimentação de 11 OGMO, operador e trabalhador portuário mercadorias destinadas a ou provenientes de embarcações mercantes empregadas no transporte aquaviário, nas operações portuárias executadas por operadores portuários. Compreende a movimentação de mercadorias nos conveses e/ou porões de embarcações principais ou auxiliares, incluindo o transbordo, arrumação, peação e despeação, manualmente ou com auxílio de equipamentos, bem como o carregamento e descarregamento das mesmas, quando realizados com equipamentos de bordo ou de terra, e é realizada com o emprego de mão-de-obra de trabalhadores com vínculo empregatício a prazo indeterminado e/ou por trabalhadores portuários avulsos devidamente registrados ou cadastrados, requisitados ao OGMO, Rechego O serviço de rechego será opcional e a critério do operador portuário que, quando julgá-lo necessário, requisitará 01 (um) contramestre auxiliar, ficando o quantitativo dos demais trabalhadores também a seu critério. Quando realizado manualmente nas operações de embarque, será remunerado por salário específico (conexo). Peação/despeação/forração/outros Os serviços de peação e despeação de cargas e forração de porões serão opcionais e a critério do operador portuário que, quando julgá-los necessários, requisitará por sua conta e ordem uma equipe de 04 (quatro) trabalhadores e 01 (um) contramestre auxiliar, que atenderá os serviços em toda a embarcação, podendo esta equipe ser desmembrada para trabalhar simultaneamente nos porões, sendo remunerada por salário específico (conexo). O mesmo contramestre auxiliar requisitado orientará qualquer quantitativo de trabalhadores, caso seja o número aumentado a critério do operador portuário. Quando se tratar de serviços de cargas frigorificadas, a equipe será de 06 (seis) trabalhadores e 01 (um) contramestre auxiliar. As equipes para a execução desses serviços, quando requisitadas pelos operadores portuários, serão compostas por 50% de trabalhadores registrados ou cadastrados no OGMO para os serviços de estiva e por 50% de trabalhadores registrados ou cadastrados no OGMO, para os serviços de bloco. Sacaria vazia a retirar Para retirada de bordo de sacaria vazia, exceto bolsões, será requisitada uma equipe de 04 (quatro) trabalhadores e 01 (um) contramestre auxiliar, que atenderá os serviços em toda a embarcação, sendo remunerados por salário específico (conexo). O mesmo contramestre auxiliar requisitado orientará qualquer quantitativo de trabalhadores, caso seja o número aumentado a critério do operador portuário. 12 OGMO, operador e trabalhador portuário 2.0 Acordos e convenções coletivas de trabalho 2.1 Principais pontos regulados O parágrafo único do artigo 18 da Lei 8630 de 26/02/93 define que no caso de vir a ser celebrado contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho entre trabalhadores e tomadores de serviços, este precederá o Órgão de Gestão de Mão-de-Obra e dispensará a sua intervenção nas relações entre capital e trabalho no porto. O artigo 22 da citada lei prevê que a gestão de mão-de-obra do trabalho portuário avulso deve observar as normas do contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho. Assim, os acordos coletivos realizados entre as entidades representativas de empresários e trabalhadores, tratam de pontos importantes da relação entre capital e trabalho, mas sempre balizados pelo contido na lei. A remuneração, a definição das funções, a composição dos ternos e as demais condições do trabalho portuário avulso serão objeto de negociação entre as entidades representativas dos trabalhadores portuários avulsos e dos operadores portuários. É o que diz o artigo 29 da lei dos portos. Portanto, os seguintes assuntos sempre devem fazer parte das cláusulas dos acordos coletivos: • número de trabalhadores engajados e a composição do terno de estiva; • qualificações e atribuições dos trabalhadores; • horários de trabalho e duração dos turnos, respeitado o horário de funcionamento do porto; • requisição de trabalhadores ao OGMO pelos Operadores Portuários; • escalação em sistema de rodízio pelo OGMO ; • remuneração: salário-dia, repouso semanal, vale-refeição, adicional noturno, férias e 13º salário; e • fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). O inciso I do artigo 19 define a competência do OGMO para aplicar as normas disciplinares previstas em acordo coletivo de trabalho. Assim, serão objeto do acordo coletivo não só as faltas disciplinares, como as penalidades que poderão ser aplicadas pelo OGMO aos trabalhadores. O acordo conterá, ainda, os deveres dos trabalhadores e dos operadores portuários, e de que modo dar-se-á a cessão do trabalhador avulso em caráter permanente a operador portuário, nos termos do artigo 22. 13 OGMO, operador e trabalhador portuário Atendendo ao disposto no artigo 57 dessa lei os acordos coletivos, de um modo geral, devem estabelecer um processo de implementação progressiva da multifuncionalidade do trabalho portuário, visando a adequá- lo aos modernos processos de manipulação de cargas e a aumentar a sua produtividade. Os acordos coletivos normalmente estabelecem que existirá uma Comissão Permanente de Negociação que tem por objetivos, no mínimo: • esclarecer dúvidas quanto às cláusulas do acordo; • definir casos não previstos; e • formalizar adendos quando julgados necessários. 2.2 Acordo ou Convenção Coletiva do trabalho em vigor no porto Em cada porto os acordos ou convenções coletivas estabelecerão pontos específicos que devem serdo pleno conhecimento dos trabalhadores portuários. 14 Cargas: movimentação e arrumação DISCIPLINA II – Cargas: Movimentação e Arrumação 1.0 Carga Perigosa 1.1 Conceito Carga perigosa é aquela composta por substâncias que, pela sua natureza ou composição química, pode vir a causar acidentes com as pessoas que a manipulam ou provocar danos ao meio ambiente quando manipulada ou transportada de maneira incorreta. O termo carga perigosa engloba ainda qualquer embalagem que tenha anteriormente contido carga perigosa e esteja sem a devida limpeza e descontaminação que anulem os seus efeitos prejudiciais. 1.2 Classificação Para o manuseio de cargas perigosas é necessário o perfeito conhecimento do seu aspecto perigoso e sua classificação. Essa classificação, adotada mundialmente, é resultado de um trabalho conjunto e publicado pela International Maritime Organization (IMO) visando à segurança do trabalhador e à preservação do meio ambiente. A classificação da IMO seleciona as cargas perigosas em nove classes e as classes em tipos, como transcrito a seguir. Entende-se como explosão de toda a massa aquela que afeta virtualmente toda a carga, de maneira praticamente instantânea. Classe 1 - Explosivos São as mercadorias mais perigosas que podem ser transportadas por via marítima. Tipo 1.1 - Substâncias ou produtos que apresentam um risco de explosão de toda a massa. Exemplos: pólvora negra, carga de demolição e torpedos. Tipo 1.2 - Substâncias ou produtos que apresentam um risco de projeção, mas não um risco de explosão de toda a massa. Exemplo: dispositivos explosivos de sondagem. 15 Cargas: movimentação e arrumação Tipo 1.3 - Substâncias ou produtos que apresentam um risco de ignição e um risco de que se produzam pequenos efeitos de onda de choque ou projeção ou de ambos os efeitos, mas que não apresentam risco de explosão de toda a massa. Abrange substâncias que produzem grande quantidade de calor radiante ou que queimam em sucessão, produzindo pequenos efeitos de projeção. Exemplos: cartuchos de sinalização e traçadores para munição. Tipo 1.4 - Substâncias ou produtos que não apresentam nenhum risco considerável. Abrange substâncias que apresentam pequeno risco na eventualidade de ignição durante o tansporte. Exemplos: acendedor de estopim, detonadores e fogos de artifício. Tipo 1.5 - Substâncias ou produtos muito insensíveis e produtos que apresentam um risco de explosão de toda a massa. Abrange substâncias tão insensíveis que a probabilidade de iniciação de queima para detonação, em condições normais de transporte, é muito pequena. Exemplo: explosivo utilizado em demolição. Tipo 1.6 - Produtos extremamente insensíveis que não apresentam risco de explosão de toda a massa. Exemplo: explosivo usado em escavações de minas subterrâneas. Os explosivos são considerados compatíves com outras substâncias explosivas se eles puderem ser transportados juntos sem um aumento significativo da probabilidade de acidente ou sem um aumento da magnitude dos efeitos caso um acidente ocorra. A Organização das Nações Unidas (ONU) publicou instruções a respeito do transporte de cargas perigosas (United Nations recommendations on the transportation of dangerous goods, publicação conhecida como “Orange book”, ou seja, livro laranja, por causa da cor de sua capa) que listam os treze grupos de compatibilidade designados pelas letras A, B, C, D, E, F, G, H, J, K, L, N e S. Os grupos de compatibilidade são designados visando à segregação durante o transporte e a letra que o designa deve ser mostrada na etiqueta da carga. Classe 2 - Gases comprimidos, liquefeitos, dissolvidos sob pressão Os gases que se transportam em navios têm variadas propriedades químicas e vêm em diferentes estados. • Gases comprimidos são aqueles que não podem ser liquefeitos à temperatura ambiente. • Gases liquefeitos são os que se tornam líquidos sob pressão e à temperatura ambiente. • Gases dissolvidos sob pressão em um solvente são os que podem ser absorvidos por um material poroso. 16 Cargas: movimentação e arrumação • Gases permanentes altamente refrigerados são, por exemplo, o ar líquido e o oxigênio. Podem ainda ser gases inflamáveis, inflamáveis venenosos, corrosivos, ativadores da combustão ou possuir uma combinação de todas essas propriedades. Tipo 2.1 - Gases inflamáveis. Exemplos: metano, gás natural e hidrogênio comprimido. Tipo 2.2 - Gases não inflamáveis, não venenosos. Exemplos: gases refrigerantes, mistura de nitrogênio e gases raros. Tipo 2.3 - Gases venenosos (tóxicos). Exemplos: hexafluoreto de tungstênio, terafluoreto de enxofre. Classe 3 - Líquidos inflamáveis. De uma forma geral, não convém utilizar água contra incêndios de líquidos inflamáveis, especialmente em se tratando de líquidos que não se misturam com a água. Um líquido atinge seu ponto de fulgor quando, sujeito a uma determinada temperatura, começa a desprender vapores inflamáveis. Tipo 3.1 - Compreende os líquidos inflamáveis cujo ponto de fulgor é baixo – inferior a -18°C (0°F). Exemplos: acetona, álcool e éter. Tipo 3.2 - Compreende os líquidos inflamáveis cujo ponto de fulgor é médio – igual ou superior a -18°C (0°F) e inferior a 23°C (73° F). Exemplos: tolueno, nafta e gasolina de aviação. Tipo 3.3 - Compreende os líquidos inflamáveis cujo ponto de fulgor é alto – igual ou superior a 23°C (73°F), porém não superior a 61°C(141°F). Exemplos: isopropil benzeno e produtos de perfumaria. T I N T A 17 Cargas: movimentação e arrumação Classe 4 - Sólidos inflamáveis, substâncias sujeitas à combustão expontânea, substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis. Nesta classe se incluem produtos muito conhecidos, aparentemente inócuos, mas que podem ser muito perigosos se não forem embalados ou envasados, manipulados e transportados adequadamente. Tipo 4.1 - Sólidos sujeitos à rápida combustão imediata e sólidos que podem causar ignição mediante fricção: auto-reativos (sólidos e líquidos) e substâncias relacionadas: explosivos neutralizados. Exemplos: cânfora, resíduos de borracha e enxofre e as fibras de origem vegetal. Tipo 4.2 - Substâncias sujeitas à combustão espontânea. Exemplos: carvão, alguns tipos de plásticos, farinha de peixe e algodão. Tipo 4.3 - Substâncias que, em contato com a água, emitem gases inflamáveis. A utilização de água, de vapor ou de extintores à base de água ou de espuma pode agravar o incêndio e, em alguns casos, a utilização de CO2 pode ser ainda mais prejudicial. Exemplos: derivados em pó de alumínio e cálcio, produtos do magnésio e do potássio, rubídeo, sódio e zinco. Classe 5 - Substâncias oxidantes, peróxidos orgânicos. Tipo 5.1 - Substâncias (agentes) oxidantes. As misturas destas substâncias com matérias orgânicas e combustíveis se inflamam facilmente e podem arder com violenta explosão. Exemplos: brometo de potássio, percloreto de sódio. Tipo 5.2 - Peróxidos orgânicos (oxidação no mais alto grau). Podem ser sensíveis ao atrito e ao impacto, além de perigosos para os olhos. Os peróxidos orgânicos são transportados por via marítima apenas em cobertas e é proibido seu transporte em navios de passageiros. Exemplos: salitre, cloratos, cloritos, permanganatos de cálcio e de potássio. 18 Cargas: movimentação e arrumação Classe 6 - Substâncias venenosas (tóxicas) e substâncias infectantes. Tipo 6.1 - Substâncias venenosas (tóxicas). Podem produzir efeitos prejudiciais à saúde e causar a morte se forem ingeridas, ou inaladas, ou se entrarem em contato com a pele. Exemplos: fluoreto de amônia, acetato de chumbo e ácido arsênico líquido. Tipo 6.2 - Substâncias infectantes. Incluem-se aqui as que contenham microorganismos ou toxinas que possam provocar enfermidades em animais e seres humanos. As etiquetas para esta classe variam de acordo com suas propriedades. A maioria delas apresenta “VENENO” ou “PREJUDICIAL”. Exemplo: gases provenientes de derivados de petróleo Classe 7 - Materiais radioativos . Para efeito da classificação de cargasperigosas, são considerados radioativos os materiais que têm atividade específica maior que 74 kBq/Kg. Atividade é a quantidade de radioatividade que um determinado material emite em um intervalo de tempo. É medida em Becquerel (Bq). A atividade específica é a atividade por unidade de massa do material no qual a radiação está contida, e é medida em Bq/Kg. Existem três categorias que indicam o nível de radiação de um material, sendo a categoria I a de mais baixo nível e a categoria III a de nível mais alto. As etiquetas da categoria I são impressas em branco e as das categorias II e III são impressas metade em branco e metade em amarelo, para dar maior ênfase. Exemplos: categoria I – “yellow cake” e categorias II e III – urânio, tário metálico, césio e plutônio. Classe 8 - Substâncias corrosivas . São substâncias que, por ação química, causam severos danos quando em contato com tecidos vivos ou, em caso de vazamento, danificam outras cargas. As regras para a embalagem, envasamento, estiva e separação dessas substâncias são da maior importância, pois podem causar lesões graves. 19 Cargas: movimentação e arrumação Exemplos: soda cáustica, bateria seca contendo hidróxido de potássio, bateria cheia com ácido e ácido sulfúrico. Classe 9 - Substâncias perigosas diversas Misturas de material perigoso ou qualquer outro que a experiência tenha mostrado o seu caráter perigoso, de tal modo que não se enquadre nas classes anteriores. Exemplos: estopa embebida em óleo ou graxa, adubos à base de nitrato amônico, asbesto, pavios de segurança e substâncias prejudiciais ao meio marinho, identificadas como “Contaminantes do mar”. 1.3 Etiquetas Toda mercadoria considerada carga perigosa deverá possuir uma etiqueta padronizada que possibilitará a identificação da classe e do nível de periculosidade. Essas etiquetas deverão ser afixadas em cada recipiente. Além disso, toda carga perigosa deverá ter uma declaração escrita do expedidor contendo uma descrição exata da classificação IMO. O navio deverá receber também uma ficha de emergência, entregue pelo expedidor da mercadoria, contendo as ações a serem tomadas em caso de acidente. Ambos os documentos citados anteriormente possuem os modelos transcritos na NR29, que devem ser do conhecimento de todo trabalhador portuário. São exemplos de etiquetas padronizadas: 1.4 Embalagens de cargas perigosas • As embalagens ou unidades de carga para o acondicionamento de cargas perigosas deverão estar com sua integridade garantida, VENENO 6 PERIGOSO EM CONTATO COM A ÁGUA 4 COMBUSTÃO ESPONTÂNEA SUBSTÂNCIAS OXIDANTES 5.1 PERÓXIDO ORGÂNICO 5.2 LÍQUIDO INFLAMÁVEL 3 GÁS INFLAMÁVEL 2 GÁS VENENOSO 2 SÓLIDO INFLAMÁVEL 4 EXPLOSIVO 1 SUBSTÂNCIA INFECCIOSA 6 9 7 7 CORROSIVO 8 20 Cargas: movimentação e arrumação sem sinais de violação do fechamento ou lacre; as embalagens apresentando sinais de vazamento deverão ser rejeitadas. • Os arranjos de embalagens ou unidades de cargas perigosas deverão ser feitos de maneira a preservar a integridade e segurança da carga e do pessoal que trabalha ou transite nas imediações. • A arrumação das embalagens deverá ser feita de modo a permitir que uma face marcada e rotulada fique à vista para facilitar a identificação. • O fechamento das embalagens contendo substâncias umedecidas ou diluídas deve ser tal que o líquido não evapore, atingindo ou limites mínimos para o transporte seguro, de acordo com cada substância. • Os locais de estivagem de cargas perigosas deverão estar sinalizados com cartazes determinando a proibição do fumo, informando os cuidados especiais de manuseio da carga e de proteção ao homem. • As diversas classes e subclasses de cargas perigosas incompatíveis entre si deverão estar devidamente afastadas uma das outras, ou seja, segregadas, com o propósito de evitar a interação dos conteúdos no caso de vazamento em acidente, que reagindo entre si poderiam causar um dano maior. 1.5 Precauções de segurança Nas operações com cargas perigosas devem ser obedecidas às seguintes medidas gerais de segurança: • somente devem ser manipuladas, armazenadas e estivadas as substâncias perigosas que estiverem embaladas, sinalizadas e rotuladas de acordo com o código marítimo internacional de cargas perigosas (IMDG); • as seguintes cargas devem permanecer o tempo mínimo necessário próximas às áreas de operação de carga e descarga: explosivos em geral, gases inflamáveis (classe 2.1) e venenosos (classe 2.3), radioativos, chumbo tetraetila, poliestireno expansível, perclorato de amônia e mercadorias perigosas acondicionadas em contêineres refrigerados; • as cargas perigosas devem ser submetidas a cuidados especiais, sendo observadas, dentre outras, as providências para adoção das medidas constantes das fichas de emergências a que se refere o subitem 29.6.3.1.1 alínea “b” da NR 29, inclusive aquelas cujas embalagens estejam avariadas ou que estejam armazenadas próximas a cargas nessas condições; e • é vedado lançar na água, direta ou indiretamente, poluentes resultantes dos serviços de limpeza e trato de vazamento de carga perigosa. 1.6 Proteção Individual Na lida com cargas perigosas é fundamental não só conhecer as normas e regras de manipulação e estiva, como também utilizar uma 21 Cargas: movimentação e arrumação vestimenta adequada, resistente e protegida. Face aos riscos a que o trabalhador portuário se expõe ao manipular cargas perigosas, faz-se necessário, neste ponto, detalhar alguns aspectos relevantes na sua proteção individual. Equipamento de Proteção Individual (EPI) é todo meio ou dispositivo de uso individual, utilizado para proteger o trabalhador contra os efeitos de elementos externos, perigosos, nocivos, incomodativos e insalubres. Existem três fatores importantes a serem destacados no uso dos EPI: • Necessidade : último recurso que deve ser utilizado para proteger os trabalhadores. • Seleção : deve ser usado o tipo mais apropriado, levando-se em consideração o grau de proteção e a facilidade de uso. • Treinamento : o trabalhador deve conhecer a facilidade e o conforto com que o EPI pode ser usado. São condições perigosas à: • respiração: presença de aerodispersóides, de gases e/ou vapores tóxicos, e deficiência do oxigênio; • visão: excesso de luz e calor, partículas multivolantes, respingos, gases e vapores de produtos químicos. Exemplos de equipamentos de proteção: • capacete tipo boné para proteção da cabeça; • óculos de segurança tipo ampla visão para proteção dos olhos; • luvas de raspa de couro para proteção das mãos; • máscaras faciais ou semi-faciais para proteção das vias respiratórias; • botas de segurança para proteção dos pés; • protetores auriculares, tipo plug ou concha, para proteção dos ouvidos; • roupas de proteção química contra partículas sólidas e líquidas de produtos químicos perigosos. 1.6.1 Proteção respiratória A seleção do respirador mais adequado depende de cada situação em particular e deve ser realizada por uma pessoa treinada e que possua conhecimento sobre os riscos existentes no ambiente, bem como das capacidades e limitações de uso dos equipamentos para proteção respiratória. Considerando o conjunto completo de EPI requeridos para o trabalho, o respirador selecionado deve ser compatível com capacetes, óculos e elmos para soldagens. 22 Cargas: movimentação e arrumação O usuário deve ser capaz de comunicar-se e realizar suas tarefas sem remover o respirador da face. O respirador não deve ser utilizado por pessoas com barbas, por impedir uma adequada vedação do respirador ao rosto do usuário. Esses respiradores não suprem oxigênio e, portanto, não devem ser utilizados em ambientes fechados e sem ventilação, tais como: câmaras, tanques, silos e tubulações, onde a concentração de oxigênio pode ser menor que 19,5%. 1.6.2 Proteção auditiva Utilizando o protetor auditivo, o trabalhador realiza suas tarefas o dia todo com a sua saúde e audição preservadas. Dores de cabeça, cansaço, nervosismo, insônia e zumbidos no ouvido são alguns dosefeitos diários do barulho para a saúde do trabalhador e, com o passar do tempo, podem causar stress, hipertensão arterial e chegar a perdas auditivas irreversíveis depois de alguns anos. 23 Cargas: movimentação e arrumação 2.0 Materiais e equipamentos para movimentação de cargas 2.1 Acessórios para movimentação de cargas • Alavanca Barra de madeira ou ferro com ponta de um lado e chanfradas do outro lado. Deve ser usada em carga pesada e resistente. Não usar em cargas marcadas com “Não use alavanca “. • Moitão Consiste de uma caixa de madeira ou de metal, de forma oval, dentro da qual trabalha uma roldana. É usado nos teques, nas talhas e também para retorno de um cabo. • Alavanca para bobina Alavanca de madeira, em forma de espátula, para uso em bobinas de papel. Também conhecida como “pau de bobina“. • Patesca Semelhante a um moitão, com a caixa mais comprida e aberta de um lado, a fim de se poder gurnir e desgurnir um cabo pelo seio. • Cadernal Caixa semelhante a do moitão, na qual trabalham duas ou mais roldanas em um mesmo eixo. São designados de dois ou três gornes conforme o número de roldanas que possuam. • Calha Estrado, geralmente de aço com roletes ou esferas. Utiliza-se para rodar pequenos volumes como cartões, pequenas caixas, fardos, malas, aproveitando melhor o terno. 24 Cargas: movimentação e arrumação • Caracol Calha em caracol para arriar carga. Instalada normalmente nos armazéns externos, para uso em sacaria. • Catarina É um moitão especial, de aço, para trabalhos de grande peso; a roldana tem bucha de bronze e é autolubrificada. • Dala Calha lisa, de madeira ou plástico duro e metal, usada para movimentar pequenos volumes de carga geral, fazendo-os deslizar de um lugar mais alto para outro mais baixo. Ajuda a aproveitar melhor a mão-de- obra. • Sapatilho Peça de metal de forma circular ou oval cuja periferia é uma superfície em forma de meia-cana, adequada para servir de berço e proteção da mãos que se fazem nos cabos. Para os cabos de fibra são usados os sapatilhos redondos e para os cabos de arame são usados os de bico. • Gancho Peça de metal, curva, com ponta aguda e cabo para prender entre os dedos, usada para movimentar fardos, por exemplo. Também conhecido como “gato”, é usado para engatar uma lingada ao aparelho de carga. • Manilha São constituídas por um vergalhão recurvado em forma de “U”, tendo orelhas nas extremidades a fim de receber um pino que se chama cavirão. O cavirão pode ter rosca, chaveta ou contrapino na extremidade para fixá- lo. 25 Cargas: movimentação e arrumação As manilhas são usualmente empregadas para a ligação de dois olhais ou para a fixação de cabos e aparelhos de laborar, consistindo em uma conexão muito simples e resistente. • Terminal (socket) Os terminais, juntamente com os sapatilhos, constituem os meios pelos quais se podem fixar as manilhas, os macacos, os gatos e os olhais aos cabos de arame. O terminal pode ser aberto ou fechado. • Grampos (clips) Um grampo para cabo de arame consiste de uma base de aço forjado, tendo sulcos diagonais que servem de berço aos cordões do cabo e dois orifícios nos extremos. Por esses orifícios gurnem as extremidades de um vergalhão dobrado em “U“, as quais são roscadas para receberem porcas. Apertando-se as porcas, apertam-se as duas peças do grampo - base e vergalhão - uma de encontro à outra, comprimindo as duas pernadas do cabo de arame onde são colocadas. 26 Cargas: movimentação e arrumação 2.2 Tipos de lingas • Lingas de estropo : cabo com chicotes unidos por costura redonda. Podem ser de fibras vegetais ou sintéticas ou ainda de arame. São usadas para lingar caixaria, barris, barricas e alguns tipos de sacaria resistente como a aninhagem. A linga de estropo de cabo de arame é usada para volumes individuais pesados como peças de máquinas, paletes, caixas com volume de pesos, atados de lingotes de cobre, atados de placas de zinco, entre outros. • Linga de funda: estropo com lona costurada. Usada para sacaria frágil. • Linga de rede: rede com punhos nos cantos. Pode ser de fibra vegetal, sintética ou de cabo de arame. Usa-se com disco adaptado para evitar avarias nos volumes. O seu uso é muito comum na operação de carga geral. • Linga de patolas: pé-de-galinha de corrente ou cabo de arame com patolas ou gatos nos chicotes. Existem tipos para tambores, tubos, chapas. • Linga de tabuleiro: tabuleiro de madeira com elos nos cantos onde são aparelhados cabos de fibra vegetal, sintética ou de arame, formando pé-de-galinha. Usada para cargas que não podem sofrer pressão como sacaria de papel, cartões, caixas fracas de madeira, entre outros. • Lingas especiais: automóveis, embarcações e certas máquinas e equipamentos têm lingas especiais, adequadas ao seu peso e formato. De um modo geral, os volumes pesados têm local apropriado para serem passadas as lingas. Esses locais devem ser rigorosamente observados, evitando-se assim acidentes e sérias avarias na carga. 2.3 Equipamentos para movimentação de carga 2.3.1 Movimentação vertical � Guindaste Aparelho cuja carga é suspensa pelo gancho ou gato. O guindaste pode ser móvel ou fixo. É geralmente acionado por motor elétrico ou elétrico - hidráulico. 27 Cargas: movimentação e arrumação O guindaste móvel desloca-se sobre trilhos e é utilizado na faixa do cais. Pode ser também instalado em pátios, para permitir a movimentação de contêineres e de outros volumes. O guindaste fixo, também conhecido como grua, situa-se em pontos estratégicos da faixa do cais. Denomina-se de pórtico quando é montado sobre portal sustentado por três ou mais colunas ou pilares, cujas bases podem ser rodas férreas que deslizam sobre trilhos. Os guindastes de pórtico (terra) efetuam três movimentos: • girar a lança no plano horizontal para direita e para esquerda; • girar a lança no plano vertical para cima e para baixo; • arriar e içar a lingada. Eles também efetuam o movimento de translação através de um motor elétrico. Os guindastes têm capacidade de 1,5 a 40 toneladas de carga. � Porteiner Veículo utilizado para movimentar contêineres e conhecido como porta- conteiner. Serve também para movimentar granéis sólidos onde são utilizados guindastes (de bordo ou de terra), pontes rolantes ou descarregadores, que despejam estes granéis em uma moega, apanhados pela caçamba automática no porão do navio. Pode ser dotado de esteiras transportadoras, com as quais movimenta os granéis descarregados para o pátio ou armazém. � Pórtico rolante Veículo industrial acionado a motor elétrico, composto de uma estrutura de pórtico apoiada sobre rodas férreas ou pneus. O de rodas férreas é destinado a movimentar: • contêineres e é conhecido como transteiner; • granéis sólidos tipo minérios e carvão; e • volumes pesados. 28 Cargas: movimentação e arrumação � Empilhadeiras de pequeno porte São utilizadas para movimentar mercadorias nos porões tendo capacidade de carga geralmente entre 1,5 e 10 toneladas, podendo ser movidas a gás (GLP) ou a diesel. Existem ainda máquinas elétricas, que também são utilizadas nos navios e que necessitam trocar as suas baterias a cada turno. Há diversos fabricantes de empilhadeiras no mundo, mas a grande maioria deles mantém no Brasil somente revendedores. As empilhadeiras podem ser utilizadas para transportar e/ou elevar desde paletes até bobinas de papel, bastando adicionar à sua torre, acessórios especiais tais como: deslocadores laterais, para espaços restritos, clamps (garras para bobinas), garfos mais compridos, suporte para sacarias, lanças, e até pequenas caçambas. � Empilhadeiras de grande porte São as empilhadeiras com até 42 toneladas de capacidade de carga e utilizadas para a movimentação de contêineres de quaisquer tamanhos. A grande maioria dessas máquinas utiliza motores a diesel pelo seu baixo consumo e alta durabilidade, fator fundamental para a produção requerida nos portos. Existem empilhadeiras de grande porte com torres e tipo reach- stacker, sendo esta última de uma produção maiordevido a sua elevada capacidade de empilhamento, velocidade e manobrabilidade. 2.3.2 Movimentação horizontal � Tratores de esteiras São máquinas utilizadas especialmente na terraplanagem, mas podem ser even- tualmente utilizadas para movimentação de granéis devido a sua baixa compactação no solo em que se movimenta, melhorando assim o trabalho de movimentação de granéis em porões, no interior de navios. 29 Cargas: movimentação e arrumação � Pás Carregadeiras Também são utilizadas para movimentação de materiais, especialmente de granéis sólidos. São classificadas quanto a sua capacidade de carga na caçamba em metros cúbicos e podem ser de 1 até 18 metros cúbicos. As mais utilizadas nos porões são as de 2,3 metros cúbicos e 3,5 metros cúbicos. Essas máquinas são movidas a diesel por sua maior durabilidade e economia de combustível. São normalmente articuladas e compostas de dois chassis: o traseiro, que suporta o trem de força (motor e transmissão) e o chassi dianteiro, que suporta o sistema de elevação e carregamento, comumente conhecido como “H”. As carregadeiras possuem grande força de desagregação de materiais, podendo ser usadas para granéis, mesmo aqueles que se agregam e tornam difícil o trabalho de remoção. � Carrinhos transportadores São utilizados para curtas distâncias, dentro de vagões e praças apertadas. 2.4 Paus-de-carga e guindastes de bordo � Paus-de-carga Na substituição dos navios veleiros pelos de propulsão mecânica, a função do pau-de-carga das antigas vergas, em vez de suporte das velas, passou a ser exclusivamente de movimentação da carga. Assentam no convés ou pé do mastro, mesa ou pescador, com aparelho de força na cabeça, ligado a um guincho que serve de manobra de peso. Têm movimento vertical por meio do amante e horizontalmente por meio de guardins. A fixação do pé se faz por meio do garlindéu e cachimbo. Essa articulação deve ser mantida bem lubrificada, especialmente quando 30 Cargas: movimentação e arrumação não utilizada por certo tempo, senão poderá engripar. Algumas destas articulações são autolubrificáveis e outras têm dispositivos com orifício para adaptação da bomba de lubrificação com graxa ou mesmo óleo. Nos olhais ou cabeça do pau-de-carga existem duas braçadeiras com olhais: as chapas do lais. A primeira chapa para fixação do cabo ou aparelho de laborar, que forma o amante no olhal superior. Na mesma braçadeira, em olhal inferior, é preso o moitão ou catarina do aparelho de carga. A segunda chapa, com seus olhais, serve para fixar os chicotes dos guardins. O controle dos movimentos do pau-de-carga é feito pelo amante, no sentido vertical e pelos guardins, no sentido horizontal. O amante serve para içar, arriar ou mantê-lo em posição vertical. Os guardins agüentam o pau-de-carga lateralmente, em direções mais ou menos perpendiculares ao seu eixo principal. Quando são empregados dois paus-de-carga usam-se os guardins de fora, de ambos os paus, para arreigada nas bordas. Os guardins de dentro são usados em olhais no convés, próximo às escotilhas ou amuradas. Às vezes, substituem- se ambos os guardins de dentro pelo guardim do meio, usando-se uma talha entre os lais dos dois paus-de- carga. Os paus-de- carga podem trabalhar singelos ou em par. No último caso, o pau que trabalha no pique da escotilha chama-se pau-de-dentro ou da escotilha, e aquele disparado para fora da borda chama-se pau-de-fora. Quando esses paus trabalham em conjunto, os cabos dos aparelhos são manilha-dos juntos nos chicotes contendo o gato de carga. Virando um cabo e arriando o outro cabo do aparelho, produz- se um movimento resultante em direção ao que está sendo rodado. Nessas condições, quando o pessoal opera guinchos e paus-de-carga, uma lingada de carga pode ser movimentada do cais para o porão do navio e vice-versa. Em alguns lugares, um só cabo de aparelho é utilizado para movimentar a carga. Porém, mais comumente o sistema dos cabos casados é encontrado. Levantar ou suspender os paus-de-carga consiste em içá-los pelos amantes acima dos descansos ou suportes no convés. A manobra de arriar os paus também se faz pelos amantes até o descanso, que têm extremidade em meia lua e aldraba convexa para abraçar o lais do pau. As aldrabas e os próprios cabos de aparelhos, engatados aos olhais do convés e tesados, servem de peação aos paus-de-carga, quando arriados. Algumas vezes usa- se pear os paus-de-carga a tope, prolongados com os mastros ou pescadores, os quais têm as aldrabas fixadas ou cabos para abraçar e pear os paus-de-carga em viagem. 31 Cargas: movimentação e arrumação � Guindastes de bordo Cada vez mais os guindastes de bordo vêm ocupando espaços em substituição aos paus-de-carga. Operam com maior velocidade, maior capacidade de carga e mais facilidade para colocá-los em funcionamento e além de levar uma lingada a qualquer lugar abaixo da escotilha. Os guindastes de bordo podem ser classificados como do tipo normal, com setor limitado de rotação, de pórtico, para garras, para recebimento de materiais e gêneros. Os guindastes normais são os mais comuns, com ângulo de giro de 360º, lança movimentando-se no plano vertical e são indicados para carga geral, se bem que, às vezes, são utilizados em operações de granéis sólidos. Os guindastes de pórtico são empregados na carga e descarga de congêneres, barcaças dos navios LASH e ainda, internamente, a bordo, em navios Roll-on/Roll-off, no posicionamento da carga. Já os guindastes para garras são usados na movimentação de granéis sólidos, com baldes ou caçambas com garras (grabs). Existem guindastes gêmeos que podem operar em conjunto, tendo assim capacidade dupla. Eles são montados numa plataforma giratória comum. Quando operam independentemente a plataforma giratória permanece fixa, quando operam em conjunto a plataforma é que gira, em vez de os guindastes isoladamente. Algumas instalações a bordo possibilitam que uma mesma escotilha seja servida por dois guindastes, um em cada contrabraçola. Para evitar que a lança de um colida com a de outro, existe um sistema anticolisão, totalmente automático, que pára os guindastes quando há perigo de choque entre eles. 2.5 Portêineres e Pontes Rolantes Porteiner é um guindaste de pórtico que realiza movimentos de translação, deslocando-se sobre trilhos ou sobre rodas, e destina-se ao empilhamento e arrumação dos contêineres no pátio de armazenagem. As pontes rolantes são obrigatoriamente fabricadas em viga dupla, por trabalharem acima de seis metros de altura. Têm passadiço para manutenção, rodapés e corrimão para segurança pessoal; sua capacidade de trabalho varia entre 5 e 40 toneladas. As pontes rolantes são encontradas em modernos navios do tipo “full- container” e também em navios de transporte de bobinas de papel. 32 Cargas: movimentação e arrumação 3.0 Arrumação e estivagem de carga 3.1 Fator de estiva e quebra de estiva Fator de estiva de uma mercadoria é o espaço ocupado por uma tonelada da mercadoria na embalagem usual de embarque, ou seja, é a razão entre o volume ocupado por sua embalagem atual de embarque e o seu peso. É expresso em metros cúbicos por tonelada ou pés cúbicos por tonelada, embora esta última forma esteja caindo em desuso. Assim, quando dizemos que determinada mercadoria tem um fator de estiva igual a 1,3 m³/ ton isto significa que cada 1.000 kg ou uma tonelada dessa mercadoria, em sua embalagem atual, ocupa 1,3 metros cúbicos. Esse fator de estiva, no entanto, considera as mercadorias na melhor arrumação possível, o que nem sempre se consegue a bordo devido ao formato das praças para embarque e a outros fatores que levam ao não aproveitamento total do espaço disponível. Na prática, quando se arruma a mercadoria numa determinada praça, ocupa-se maior volume que seu fator de estiva indicaria; ao espaço perdido, que varia conforme as condições de embarque, chama-se quebra de estiva, que é dada em porcentagem do fator de estiva. Pode-se definir quebra de estiva como sendo uma parte da capacidade do porão que fica sem uso porque éum espaço perdido entre as unidades de carga. Este espaço não se aproveita por necessidade de emprego de material de escora (dunnage), para pear, separar e proteger a carga; por necessidade de ventilação da carga; por dificuldade de arrumação de volumes em torno de pés-de-carneiro e junto a cavernas e vaus; por dificuldade em obter uma estiva perfeita em um compartimento de dimensões irregulares, como acontece principalmente nos porões de proa e popa devido ao afinamento do navio; e ainda, por diversidade de eficiência dos ternos de estiva. Para melhor entendimento: ao ser arrumada, uma carga de 1,3 metros cúbicos de fator de estiva ocupou 1,43 metros cúbicos por tonelada, então sua quebra de estiva foi de 10%, pois 10% de 1,3 é 0,13, que somado a 1,3 dá 1,43 metros cúbicos. 3.2 – Unitização de carga Dados os grandes volumes e espécies de carga movimentados hoje em dia e com o intuito de racionalizar-se o seu manuseio são empregadas, sempre que possível, técnicas de unitização de carga, que nada mais são do que reunir vários volumes em um só, dando ao volume então formado características padronizadas de formato, peso e quantidade. Essa unificação, feita em dimensões apropriadas, facilita o manuseio da carga e tem como conseqüência imediata a rapidez no carregamento e no descarregamento, gerando dessa forma, entre outras vantagens, um melhor controle da mercadoria, redução de custos e menor possibilidade de avarias. Quatro são os principais métodos para unitização da carga: • bandejas (pallets ); • amarrados; 33 Cargas: movimentação e arrumação • pré-lingados; e • contêineres. a) Pallets ou bandejas São estruturas de madeira ou aço que permitem o empilhamento (ou embandejamento) de embalagens como sacaria, cartões, caixas tambores, remas de papel, etc. Apresentam entre outras vantagens: • rapidez no carregamento e no descarregamento; • reduzir o fator de quebra de estiva; • permitir uma melhor e mais racional estivagem; • reutilização. A carga “paletizada” ou em bandejas apresenta a facilidade de ser movimentada, em volumes de razoáveis dimensões, por empilhadeiras, tanto no cais como nos armazéns e nos porões dos navios. b) Amarrados Processo de unitização de carga aplicado a lingotes, placas de metal, tubos e canos, trilhos, etc. Apresentam as mesmas vantagens que a bandeja, sendo mais baratos do que aquelas. Têm como grande desvantagem a impossibilidade de reutilização e de prover pouca segurança para a carga. c) Mercadorias marinadas e carga pré-lingada Mercadorias marinadas são produtos comestíveis que sofrem processo de salgamento para sua conservação. São unitizadas em amarrados, caixas de madeira, barricas ou tonéis nos quais é facilitada a aeração. Carga pré-lingada consiste em que a carga, seja ela qual for, já se apresente na quantidade padrão e com as respectivas lingas, bastando unicamente que seja engatada ao aparelho movimentador de piso. d) Contêineres A carga em contêineres, além das vantagens da unitização, permite uma melhor estivagem, evitando a quebra e, não raro, aumentando consideravelmente a capacidade de transporte das embarcações, além de prover maior segurança para a mercadoria. Como inconveniente, apresenta a necessidade de equipamentos especiais para sua manipulação (empilhadeiras, transtêineres, portêineres) e pessoal qualificado para operá- los. 34 Cargas: movimentação e arrumação A carga unitizada em contêineres não requer a mão- de-obra do trabalhador porque, após devidamente carregado e lacrado na porta do expedidor, o contêiner somente será aberto na porta do consignatário. Daí a expressão “transporte de mercadorias porta a porta”. 3.3 Contêineres São recipientes construídos com material resistente, obedecendo normas técnicas internacionais. Possuem medidas padronizadas, sendo que os mais utilizados são os de 20 pés (6m) e os de 40 pés (12m) de comprimento com volume útil médio de 30 a 33 metros cúbicos e 60 a 67 metros cúbicos respectiva-mente, enquanto a carga útil média é da ordem de 18 toneladas e 27 toneladas, respectivamente. As vantagens inerentes à unitização em contêineres são: • ter caráter permanente e ser resistente para suportar o seu uso repetitivo; • ser projetado de forma a facilitar sua movimentação em uma ou mais modalidades de transporte, sem necessidade de descarregar a mercadoria em pontos intermediários; • ser provido de dispositivos que assegurem facilidade de sua movimentação, particularmente, durante a transferência de um veículo para outro, em uma ou mais modalidades de transporte; • ser projetado de modo a permitir seu fácil enchimento e esvaziamento. • possibilitar o cálculo antecipado da quebra de estiva; • oferecer maior segurança contra roubo, furto e descaminho; • permitir o trânsito “porta a porta”; • dispensar a necessidade do consertador de carga. 3.3.1 Tipos de contêineres Inicialmente vamos definir conteiner como sendo um recipiente de dimensões padronizadas e que serve para acondicionar no seu interior carga a ser transportada por via marítima, aérea, ferroviária e rodoviária. No Brasil, o INMETRO, baseado na norma NBR 5978/80, adotou as dimensões mostradas na tabela anexa. Estas dimensões, mais precisamente a largura, visam a atender às principais estradas de ferro e rodovias dos diversos países e para também facilitar o transporte nos 35 Cargas: movimentação e arrumação navios especializados, os quais possuem células guias com dimensões apropriadas para receber os contêineres sem necessidade de peação, transportando com segurança e oferecendo rapidez durante as operações de manuseio das unidades de carga. Um ponto de grande importância, que não devemos deixar de mencionar, é a diferença entre o volume útil do conteiner e o volume efetivamente ocupado pela carga acondicionada dentro dele, provocada pela incompatibilidade de dimensões das embalagens com espaço disponível no interior do conteiner. Essa diferença é chamada fator de quebra de estiva. Sobre esse aspecto, apresentamos na tabela abaixo um resultado obtido de uma pesquisa sobre o assunto. TIPO DE CONTEINER FATOR DE QUEBRA DE ESTIVA ISO de 10 pés (3m) 17% ISO de 20 pés (6m) 12% ISO de 30 pés (9m) 10% ISO de 40 pés (12m) 8% A princípio, dentro do limite de suas dimensões, o conteiner pode receber qualquer tipo de carga, existindo assim, uma variedade enorme de tipos de conteiner, como descritos a seguir. a) Carga-seca (“dry-box”) de 20 pés : tipo convencional, é o mais utilizado entre todos devido à sua versatilidade para cargas secas, caixaria, sacaria, granéis e mesmo carga úmida ou líquida, desde que devidamente embaladas. O contêiner standard de 20 pés, por suas dimensões reduzidas e forte estrutura, é também recomendado para cargas pesadas de menor volume. b) Carga-seca (“dry-box”) de 40 pés: algumas cargas são de grande volume, mas nem sempre pesam tanto quanto aparentam. Cargas assim pedem um tipo de contêiner especial. Para o caso de cargas leves mas que ocupam maior espaço, é utilizado um tipo de contêiner convencional, muito usado por sua extraordinária versatilidade: Contêiner “standard” de 40 pés, para carga não perecível. c) Contêiner-tanque: transportar líquidos, produtos tóxicos, inflamáveis e gases voláteis exigem um tipo especial de contêiner, de grande capacidade, à prova de corrosão e de vazamento e até com controle de temperatura. Para transportar cargas assim, utilizam-se os tanques, que são contêineres especiais de vários tipos: • IMO tipo 1: para transporte de líquidos tóxicos, corrosivos ou inflamáveis, com capacidade de 20.000 litros. • IMO tipo 2: para transporte de líquidos de risco médio. O tipo “Standard” com capacidade para 21.000 litros e o tipo jumbo para 23.000 litros. 36 Cargas: movimentação e arrumação • IMO tipo 5: para transporte de gás. • “NON HAZARDOUS TANKS” para transporte de líquidos sem risco, e com capacidade para 19.000 litros e 21.000 litros. A maioria deles tem isolamento térmico para as cargas que necessitam de controle de temperatura. d) “Flat-rack”de 20 e 40 pés: projetados para conteinerização ou unitização de cargas que seriam transportadas avulsas. São ideais para cargas compridas ou de formas irregulares e, principalmente, são um instrumento de redução de tempo para carga e descarga destas peças. Os “flat-rack” viabilizam a utilização de navios celulares para o transporte de cargas onde normalmente seriam impraticáveis. Se apresentam em quatro modelos: com cabeceiras fixas, com cabeceiras móveis manualmente, com cabeceiras móveis por molas, e sem cabeceiras. e) “Open-top”: contêiner com o teto aberto, destinado ao acondicionamento de cargas irregulares ou que só possam ser carregados por cima. A proteção da carga é feita por uma lona fixada ao topo do contêiner. Exemplos de cargas: maquinaria para construção e agricultura, barcos, vidro, toras de madeira, empilhadeiras, chapas de compensado, etc. f) Térmico: contêiner para transporte de cargas perecíveis, podendo ser ventilado ou refrigerado. • Ventilados: são contêineres fechados, com orifícios para ventilação na parte superior dos painéis laterais e forração interna adicional no seu interior, adaptados a um sistema de ventilação forçada para protegê-los contra a condensação da umidade. São utilizados para transportar mercadorias não refrigeradas com características especiais que exigem desumidificação constante. São também utilizados quando os dois pontos da rota (embarque e descarga) apresentam diferenças climáticas extremas, cuja variação de temperatura pode gerar condensação e avariar, por umidade, a carga no interior do contêiner. • Isolantes: são contêineres projetados para manter a temperatura sem o uso de aparelhos para resfriamento e/ou aquecimento. Suas paredes, portas e teto são isolantes, para que a troca de calor entre o interior e o exterior seja limitada. Alguns contêineres isolantes possuem capacidade para transportar blocos de CO2 sólido (gelo seco) em um compartimento especial sobre a carga. Na ausência de tal facilidade, os blocos podem ser colocados sobre alguns tipos de cargas. 37 Cargas: movimentação e arrumação • Refrigerados: são contêineres térmicos servidos por acessórios de refrigeração para manter a temperatura controlada durante o transporte. Existem 2 diferentes sistemas: um como parte da estrutura do contêiner e outro para ter conectada ao contêiner uma unidade de acoplamento externa; o primeiro é do tipo REFEER e o segundo do tipo CONAIR. - Unidades integradas (REFEER): assim são designados os contêineres equipados com um compressor elétrico e um ventilador. O embarcador registra externamente no termógrafo (medidor fixado no conteiner para regular a temperatura interna) a temperatura na qual a mercadoria deve ser mantida, para fins de manutenção e controle. Alguns contêineres desse tipo transportam unidades diesel próprias sob o sistema de refrigeração. Os que não possuem tal dispositivo exigem ser conectados à corrente elétrica com voltagem adequada. Em terra, a corrente é fornecida pelas instalações do terminal ou por conjuntos de geradores diesel estacionados sobre carretas ou plataformas ferroviárias. No mar, a corrente é fornecida pelos geradores do navio. A refrigeração deve ser mantida desligada durante os procedimentos de carga e descarga. - Unidade “port hole”(CONAIR): conteiner que possui dois orifícios, um na parte alta e outro na parte baixa do painel frontal; é equipado com ajustadores de borracha de fecho automático para a perfeita vedação. A refrigeração é suprida através do acoplamento de um conjunto gerador externo especial (“CLIP-ON”), cujas largura e altura têm dimensões idênticas às do contêiner, de forma a promover a devida integração do conjunto (contêiner + “Clip-On”), que assume as mesmas características de uma unidade integrada. Da mesma maneira que as unidades integradas, o “Clip-On” deve estar desconectado nos momentos de carga e descarga dos contêineres. g) Contêiner para granel sólido: o “Bulk-Cargo” (20 pés) foi projetado para o transporte de carga seca a granel. Essa unidade elimina as despesas de ensacamento e maior aproveitamento do espaço. Podem ser carregados por escotilhas no teto e descarregados nas usinas de produção sem nenhum custo adicional. Alguns produtos exigem forro interno de polietileno. Essas unidades têm especificações semelhantes às do contêiner carga-seca e podem, portanto, ser usadas como tal nas viagens de retorno, eliminando, assim, o problema de “one way” inerente a alguns comércios especiais. h) Contêiner para automóvel: este tipo de contêiner possui dispositivos apropriados para peiação de automóveis, possui dois pavimentos e não são dotados de paredes laterais e teto, sendo totalmente abertos, gradeados com barras de aço, totalmente desmontáveis. i) Plataforma sem cabeceira de 20 e 40 pés: é uma plataforma simples, projetada para carregamento de cargas compridas, largas, sem formas regulares ou com problemas de acondicionamento. Serve perfeitamente para ser usada temporariamente como “tween deck” em navios não equipados para transporte de contêineres e para serviço RO-RO (Roll On - Roll Off). 38 Cargas: movimentação e arrumação Quando vazias, podem ser acopladas e empilhadas. Exemplos de cargas típicas: máquinas, barcos, grupos geradores, veículos, tubos, vergalhões, etc... j) “Livestock”: conteiner para transportar animais vivos. l) Contêiner hipobárico: tipo de contêiner empregado no transporte de produtos altamente perecíveis como plantas, flores, mamão, laranja e outros frutos semelhantes. O contêiner hipobárico, além do sistema de ventilação, também dispõe de sistemas de vácuo e de umidificação, permitindo a renovação do ar interno. m) Contêiner “high cube”: utilizado para cargas de pequena densidade, ou seja, onde o volume grande é desproporcional ao pequeno peso. Este conteiner possui as mesmas largura e comprimento de um contêiner de 40 pés com 1 pé a mais de altura, aumentando o seu volume interno em 13%, o que, em certos casos, pode significar uma apreciável redução de custos. É indicado para cargas como rouparia, fumo, cigarros, brinquedos, mobiliário, etc... n) “Open side container”: foi projetado para mercadorias que requeiram o carregamento pelos lados e/ou muita ventilação. Pode ser usado para carga seca, o que lhe dá maiores possibilidades de utilização. É dotado de grades laterais removíveis, com a mesma altura da unidade, o que facilita muito a carga e descarga. 3.3.2 Identificação e Siglas Dada a velocidade nas operações, os contêineres, por exigência dos usuários, autoridades governamentais e da computação, possuem siglas e numerações que os identificam com rapidez, através dos meios modernos da informática. A recomendação ISO – R – 790 de julho de 1968, complementada pela ISO – 2716-1972 (E), emitida em dezembro de 1970, rege a colocação de marcas de identificação do contêiner, que constam de: 1. Código do proprietário 2. Número de série 3. Código de dígito 4. Peso máximo e tara (quilograma e libra). Esse sistema de identificação é aplicado a todos os contêineres de carga, quer sejam padrões ISO ou não de acordo com a cláusula 1.1 da ISO-R-830. O sistema de código é formado por três grupos: • código do proprietário: formado por quatro letras do alfabeto latino, sendo a última letra sempre a letra “U”, significando “UNIT” (Unidade). Com exceção do contêiner tanque, todos os outros seguem essa forma. 39 Cargas: movimentação e arrumação • número de série: formado por seis algarismos arábicos; quando não atingir os seis números, completa-se antepondo tantos zeros quantos necessários. • código de dígito: consta de um número arábico, o qual é calculado da maneira seguinte: Contêiner POCU – 116729 POCU = Código do proprietário Conforme já foi citado, o código do proprietário termina sempre com a letra “U”. Entra-se com o código do proprietário na tabela abaixo, obtendo-se os seguintes números: P = 27 O = 26 C = 13 U = 32 Os números correspondentes às letras do código do proprietário são fornecidos pela seguinte tabela: A = 10H = 18 O = 26 V = 34 B = 12 I = 19 P = 27 W = 35 C = 13 J = 20 Q = 28 X = 36 D = 14 K = 21 R = 29 Y = 37 E = 15 L = 23 S = 30 Z = 38 F = 16 M = 24 T = 31 G = 17 N = 25 U = 32 Ordena-se, colocando a numeração acima obtida seguida do número de série. Em nosso exemplo ficará assim: 27-26-13-32-1-1-6-7-2-9. Multiplica-se cada número acima mencionado pelo fator de ponderação na escala 2º a 29 e assim teremos: 27 x 20 = 27 26 x 21 = 52 13 x 22 = 52 32 x 23 = 256 1 x 24 = 16 1 x 25 = 32 6 x 26 = 384 7 x 27 = 896 2 x 28 = 512 9 x 29 = 4608 Soma = 6835 40 Cargas: movimentação e arrumação O somatório dos produtos obtidos deverá ser dividido pelo valor modular 11 (onze). O resto encontrado na divisão será o código de dígito procurado: 6835 11 resto: 4 621 Em nosso exemplo o resto encontrado foi o número 4, que corresponde ao código de dígito, ficando a identificação completa do contêiner assim: POCU – 116729-4 Posicionamento da identificação: as marcações de identificação devem ser colocadas no alto da porta traseira à direita ou na extremidade à direita, no alto e no canto de cada lateral. Além do sistema apresentado acima, os contêineres possuem ainda as seguintes marcas de identificação: • código de país: indica o país onde foi registrado o contêiner. É um bigrama formado por duas letras do alfabeto latino, conforme estabelecido pela norma ISO 3166. Exemplo: US - United States, TW - Taiwan, BR - Brasil. • código de tipo e tamanho: formado por quatro números arábicos, em dois grupos conforme norma ISO 3166 (ver tabela Código de Identificação de Tipos de Contêineres em anexo), sendo que: - o primeiro dígito, correspondente ao tamanho do comprimento do contêiner; - o segundo dígito, correspondente à altura do contêiner; e - os terceiro e quarto dígitos juntos, significam o tipo de contêiner. 3.3.3 Sistema de fechamento e lacre Os contêineres possuem portas em uma de suas faces menores para possibilitar o carregamento. Essas portas são dimensionadas para não afetar a resistência estrutural do contêiner. Normalmente possuem um sistema de fechamento composto por “ferrolhos” que introduzem pinos nas faces que servem de moldura para a porta. Nada muito diferente do sistema utilizado para fechamento das portas das carretas rodoviárias. Naturalmente, cada tipo de contêiner ou fabricante poderá apresentar um sistema diferente, mas o sistema de fechamento básico é sempre o mesmo, o que muda são as articulações, o material, o tipo, os encaixes ou outro detalhe. Os lacres são também semelhantes aos existentes nas placas dos veículos ou nos relógios marcadores de água, luz ou gás. 41 Cargas: movimentação e arrumação No caso de contêineres os lacres são mais sofisticados, resistentes e levam uma numeração característica de cada companhia de navegação. Essa numeração é a que permite a constatação imediata da sua integridade. Por isso é de suma importância que os contêineres sejam movimentados e estivados tanto nos pátios quanto a bordo, de forma a proteger a integridade dos selos e lacres. Observar a integridade dos lacres antes do embarque e do desembarque deve ser norma dos conferentes de carga e dos responsáveis pelas mercadorias. 3.3.4 Procedimento em caso de violação Como normas preventivas para assegurar a integridade das cargas conteinerizadas podemos citar: • fiscalização - compreende desde o carregamento, o trajeto do contêiner até o costado do navio e após desembarque desde a saída do navio até o destino final da carga. • verificação de selos/lacres - nas diversas mudanças de responsabilidade pela guarda dos contêineres. • registro - além do número e destino do contêiner, o número do selo/lacre. • pesagem - nos atos de colocação e retirada de bordo. Em caso de constatada violação deve ser isolado o contêiner e providenciado o mais rápido possível a presença do representante da companhia de navegação. Neste período, entre a constatação da violação e a chegada do representante da companhia de navegação, deverá ser providenciada a vigilância do contêiner pelo representante da guarda portuária ou polícia federal. Também devem ser prontamente comunicados do fato os comandantes das embarcações ou chefes de armazéns. É importante que, após a constatação da violação, o contêiner não seja aberto e não seja modificada a sua posição. As ações posteriores serão de caráter policial com o propósito de definir as faltas e providenciar os seguros pertinentes. 3.4 Atividades preliminares As atividades e os preparativos para o embarque e desembarque de cargas diferem em função da carga a manusear, entretanto algumas providências devem ser tomadas de modo a garantir uma faina segura e produtiva. 3.4.1 Estivagem em porões Deve-se verificar, pelo menos: o local onde a carga vai ser estivada quanto à limpeza e desobstrução; como serão efetuados os movimentos 42 Cargas: movimentação e arrumação verticais e horizontais, assim como equipamentos e acessórios necessários para as lingadas; a existência de material de peação e escoramento suficiente; o equipamento de proteção individual e coletivo; e os cuidados a serem tomados se a carga for classificada como perigosa. 3.4.2 Estufagem e desestufagem de contêineres Na estufagem de contêineres a preocupação inicial deve ser planejar a distribuição correta dos pesos em seu interior, não ultrapassar a sua capacidade de carga e reduzir ao máximo a quebra de estiva; verificar a existência de material de peação e escoramento suficiente; o equipamento de proteção individual e coletivo; e os cuidados a serem tomados se a carga for classificada como perigosa. Na desestufagem de contêineres deve-se atentar para o destino da carga, evitando desembarcá-la em porto errado; ter cuidao no manuseio da carga a ser retirada do contêiner, bem como refazer a peação da carga remanescente; e utilizar o equipamento de proteção individual e coletivo compatível. 3.5 Técnicas de estivagem A arrumação da carga a bordo, nos armazéns e pátios, dentro de contêineres, carretas, vagões, entre outros, chama-se estivagem. Todo o trabalho de preparação e prevenção antes de se iniciar a estivagem nos porões dos navios é feito pelo pessoal de serviço de bloco e pela tripulação do navio. O serviço de bloco para estivagem de carga consiste na limpeza dos porões, retirando vestígios de carga transportadas anteriormente, na peação e escoramento de carga. Executam este trabalho, equipes de bloco, compostas geralmente por carpinteiros, marceneiros, serventes em geral e, em alguns casos, operadores de maçarico. A tripulação cuida da parte de bombas, sistemas de combate a incêndios, examina os cobros, sarretas e quartéis, verifica encerados e portas de visitas de duplos –fundos, testa rede elétrica de água ou vapor que passem nos compartimentos e, principalmente, detecta veios de água nas amuradas que são localizados pela presença de lágrimas de ferrugem. A carga geral, que se apresenta numa grande variedade de artigos, pode ser embalada em caixas, engradados, sacos de vários tipos, cartões, tambores, barris, barricas, baldes, fardos ou amarrados. Pode vir também em volumes individuais como máquinas, veículos, peças de louça, barro e cerâmica, lingotes, chapas, bobinas, tubos, tijolos e trilhos. Cada tipo de carga geral tem sua técnica de estivagem, que deve ser seguida à risca, para melhor aproveitamento das praças e evitar avarias. 43 Cargas: movimentação e arrumação • Caixaria Deve ser estivada sobre separações duplas de madeira, nos porões e separações simples nas cobertas. Caixas pesadas devem ser sempre estivadas sobre a separação de madeira, e caixaria leve nunca deve ser estivada embaixo da carga mais pesada. Quando as caixas contêm mercadorias de valor, devem ser estivadas em local que possa ser trancado ou, imediatamente, possam ser cobertas com outras cargas. Caixas homogêneas ou iguais podem ser estivadas em camadas, umas sobre as outras. Caixas de vários tamanhos ou caixaria heterogênea devem ser esticadas procurando-se fazer com que as caixas fiquem perfeitamente apoiadas, procurando-se nivelar o mais possível cada camada para apoio da camada seguinte. Quando necessário, pode-se construir estrado de madeira de separação para melhor nivelar o apoio de uma camada superior sobre uma inferior. • Cartões São estivados de forma semelhante à caixaria heterogênea. Por serem cartões muito sujeitos a avarias por pressão, jamais devem ficar embaixo de carga pesada, e a pressão deve ser distribuída com pisos de madeira de separação, depois das três primeiras camadas. O mesmo ocorrendo nas três camadas seguintes e, daí em diante, a cada 06 camadas. • Sacaria Há três formas básicas de estivar sacos: • saco a saco – quando a mercadoria necessita bastante ventilação; • saco a meio saco – quando a mercadoria não necessita de ventilação; • estivagem amarrada – quando há necessidade de impedir o movimento dos sacos, ou impedir que as pilhas se desfaçam, ou então quando a mercadoria é de natureza muito móvel, como por exemplo a soja. • Engradados São de natureza bastante frágil e sua estivagem é feita como a dos cartões e caixas, mas sempre evitando-se grandes alturas, assim como a estivagem de outras cargas por cima. 44 Cargas: movimentação e arrumação • Barris Normalmente são estivados deitados, sempre com o cuidado de se colocar o batoque por cima. Uma carga de barris para ser bem estivada ocupa muito espaço e requer grande quantidade de escoramento e separação, o que aumenta a mão-de- obra, e torna o serviço lento e caro. A primeira camada terá que ser colocada em picadeiros, ou imobilizadas por cunhas. Em seguida, as outras camadas são colocadas meio-barril a meio-barril, alternadamente, o que produz espaços vazios que devem ser enchidos com fogueiras de madeiras de separação, escorando- se e acunhando-se todas as unidades que possam rolar. • Barricas Por serem muito frágeis são estivadas de pé, com estrados de separação entre cada camada, para distribuir o peso da camada de cima sobre a de baixo. • Tambores e baldes São estivados como barricas ou como barris. No primeiro caso, não havendo muitas camadas, pode-se dispensar a separação. • Garrafões ou bombonas São estivados em pé, com os bojos de uma camada nos intervalos dos gargalos das camadas inferiores. • Fardos São geralmente estivados sobre o lado maior e no sentido do comprimento do porão. Podem ser estivados fardo a fardo, ou meio-fardo a meio-fardo. Nas amuradas e junto dos tetos, para aproveitar espaço podem ser colocados de lado ou de topo. Para proteger os fardos da umidade deve-se usar separação e, para evitar manchas por ferrugem, eles nunca devem ser encostados nas amuradas e tetos. Atenção : no caso de fardos de tecidos, couros, papel, etc., tomar cuidado para não usar separação com farpas ou pregos. 45 Cargas: movimentação e arrumação • Canos de ferro fundido Esse tipo de carga é muito sujeito à avaria por choque na manipulação. Quanto maior a bitola ou diâmetro do cano, mais fraco ele é. Em geral, quando ocorrem, as rachaduras produzidas por choque não são visíveis, mas ao fim da viagem, no porto de descarga, a ferrugem que brota das rachaduras torna-se mais evidente. Dois são os processos para estivar canos de ferro fundido: • O primeiro, para canos de até 20 cm de diâmetro, aproveita melhor o espaço e não pode ser usado em canos maiores, pois é sujeito a muitos esforços e pancadas na manipulação, tanto na carga como na descarga. A estivagem consiste em colocar a primeira camada de canos no sentido longitudinal do porão com os alargamentos ou flanges tocando-se todos do mesmo lado, e os corpos paralelos, mantidos na horizontal por meio de berço ou escoramento. Nos intervalos entre os corpos de uma camada são colocados os corpos da camada seguinte, sempre alternando- se os alargamentos ou flanges. Os canos, que são lingadas por lingas de patolas, arrumam-se e deslizam sobre duas tábuas colocadas sobre a pilha, em sentido transversal ao sentido do comprimento, e sobre elas são rolados para a posição. É preciso cuidado para enviesar o cano durante o rolamento, pois haveria a possibilidade de quebra ou rachadura dos flanges. • O segundo processo, para canos de mais de 20 cm de diâmetro, consiste na estivagem das pilhas compactas, cano ao lado de cano, no sentido longitudinal, alternando as flanges ou as partes alargadas. A fim de manter os corpos dos canos na horizontal e também para rolá-los em posição, usam-se tábuas transversais de cerca de 7,5 ou 8,0 cm de espessura, sobrepondo-se o número necessário para dar altura que permita ao corpo do cano permanecer na horizontal. • Trilhos Devem ser estivados no sentido de proa a popa bem encostados uns nos outros e apoiados sobre a separação de madeira alta, não só no fundo do porão, como entre cada duas camadas, para facilitar a passagem das lingas de corrente na descarga. Para impedir o perigosíssimo movimento dos trilhos em viagem, devem ser escorados com madeira contra os vãos dos tetos das praças, principalmente quando estivados nas cobertas. As muradas devem ser bem protegidas por madeiramento vertical. 46 Cargas: movimentação e arrumação Terminada a estivagem, deve ficar uma superfície plana e lisa. Trilhos mal manuseados podem furar o costado e o fundo do navio. • Vergalhões, barras e tubos São operados com lingas de estropo de cabo de arame, evitando que dobrem ou enferrujem. A estivagem é feita no sentido de proa a popa, com o apoio sobre farta madeira de separação colocada de bombordo a boroeste. As barras ficam sempre deitadas e bem apoiadas. As peças de maior comprimento devem ser estivadas no centro, a meia-nau e as mais curtas, nos bordos. A estivagem é trazida reta para cima e à medida que vai formando espaço junto aos encolamentos, este deverá ser usado para as peças menores, carga de enchimento ou ser preenchido com madeira. • Chapas Em geral são movimentadas com lingas de patola especiais, e estivadas sobre madeira de separação, para que não empenem. É preciso evitar o movimento do mar, por meio de escoramento e acunhamento. Qualquer barriga, que seja notada durante a viagem, deve ser corrigida com enchimento de madeira e levada ao lugar com cunhas. • Lingotes Quando em grandes quantidades, são embarcados em granel; em pouca quantidade, faz-se estivagem compacta e segura, escorando-se os lotes quando necessário. Lingotes devem ser manuseados com muito cuidado, pois podem causar avarias e acidentes pessoais, devido a seu peso. • Madeira Apresenta-se para embarque, serrada ou em troncos. A madeira serrada estiva-se de proa a popa e, para ganhar espaço, deve-se aproveitar o máximo de comprimento do porão. Quando as tábuas são de tamanhos diferentes, é necessário escolher criteriosamente as peças a serem colocadas no sentido do comprimento, a fim de aproveitar espaço. O manuseio, para maior rapidez, pode ser feito por meio de cabos de arame passados aos guinchos, fazendo retorno em patescas colocadas em olhais, em posição apropriada. As cargas de tábuas no convés devem ser apoiadas em separação no sentido de bombordo a 47 Cargas: movimentação e arrumação boroeste ou ligeiramente inclinada de meia-nau para os bordos, de forma a permitir fácil drenagem das águas embarcadas ou chuva. É preciso muita atenção ao se carregar madeira no convés para não obstruir cabeços, cunhas, buzinas, tubos, sondas, ventiladores, suspiros, etc. A carga deve ser bem peada com cabos de arame, não só para impedir que o mar a desembarque debaixo de tempo, como também para que passe a fazer parte integrante da reserva de flutuação do navio. • Veículos Apresentam-se para embarque desmontados e encaixotados (CKT) sendo estivados como carga unitizada, ou apresentam-se montados podendo embarcar por meios próprios em navios especiais adequados para o transporte de veículos (denominados “roll on - roll off”) ou serem estivados em porôes e conveses, por meio de lingadas, como carga unitária. • Bobinas A estivagem de bobinas (papel, celulose, chapas, etc) podeser feita em pé ou deitada por serem, geralmente, lotes de produtos homogêneos. Ao estivar-se esse tipo de carga, é necessário que se prepare o porão para recebê-la de acordo com a opção escolhida. A estivagem em pé requer a colocação de sarrafos de madeira em paralelo afastados de, aproximadamente, uma distância correspondente ao diâmetro das bobinas e intercalando cada fileira de bobina. O piso do porão deve ser nivelado com madeira. A forma de arranjo da estiva é semelhante à da caixaria homogênea, no que diz respeito às fileiras, sendo as mesmas justapostas para permitir o encaixe entre as bobinas, reduzindo ao mínimo os espaços vazios, e colocando-se sempre uma bobina sobre duas.. Antes de inciar a estiva de outras camadas superiores deve-se colocar madeira de forração para melhor distribuição dos pesos nas pilhas. A estivagem deitada deve seguir dois métodos básicos. O primeiro é sobre picadeiros em paralelo (berços), nos quais as fileiras são formadas, preferencialmente, no sentido transversal do porão. As bobinas são colocadas de forma a preencher os espaçõs vazios dos picadeiros, sendo calçadas por meio de cunhas. No segundo método as bobinas são assentadas sobre forro de madeira, sendo que nas camadas superiores as bobinas são arrumadas de 48 Cargas: movimentação e arrumação forma a se apoiarem sobre duas inferiores, meia bobina a meia bobina. As fileiras são colocadas escoradas por cunhas de travamento e não são contínuas, sendo deixado um vão no centro das fileiras para colocação da bobina de travamento. A formação de camadas deve levar e conta, além da capacidade de carga do piso, o formato do costado do navio. Caso a quantidade de bobinas seja insuficiene para estivar duas camadas em toda a superfície do porão, é preferível estivar duas camadas em parte do porão, deixando assim que a carga forme uma antepara que deve ser protegida com material de dunagem. Entre as bobinas, numa mesma coluna, devem ser colocados sarrafos de madeira para evitar que elas se juntem, deixando um pequeno espaço livre para a passagem do material de movimentação da carga. • “Big-bag” São grandes sacos que possuem alças para que possam ser içados pelas patolas de empilhadeiras e armazenados em contêineres. Servem para o transporte de diversos tipos de mercadorias que tenham como características o grande peso e a ocupação de todo o espaço disponível, tais como grãos, granéis em pó, polipropileno e poliestireno. De um modo geral são utilizados para transporte de cargas com peso de 500 e 1.000 Kg. Quando são usados para o transporte de minério, mercadoria de grande peso específico, não usam alças para içamento e sim pallets para movimentação antes de serem estufados em contêineres. Para o transporte de café é usado um tipo de “big-bag” conhecido como “liner”, que possue uma boca projetada para fora, por onde o café é injetado para dentro e uma fissura por onde sai o ar interno durante o carregamento. O contêiner que recebe este tipo de “big-bag” tem um olhal na lateral corrugada para sua amarração. São dimensões típicas de um “big-bag”: 1,90 m de altura, 0,80 m de diâmetro e 0,20 m de espaço entre ele e a alça. Com estas dimensões ele pode ser facilmente estufado em contêineres. 49 Cargas: movimentação e arrumação 4.0 Granéis 4.1 Conceito Granéis são mercadorias transportadas diretamente nos porões e cobertas dos navios, sem embalagem, e que não requerem arrumação. Conforme o fator de estiva, os granéis em carregamento completo podem encher ou não a cubagem do navio. Quando não o fazem há sempre o perigo de correrem para um dos bordos com o balanço da embarcação que, com isso, pode adquirir uma banda perigosa, ou até mesmo emborcar. Há granéis como os cereais que ao serem carregados, mesmo superlotando os porões, vão acamando em viagem e, ao fim de alguns dias, apresentam superfície livre perigosa. Por esta razão, há navios especiais para granéis e, geralmente, a interferência da estiva nas operações de carga e descarga é pequena, pois é quase totalmente feita por aparelhagem eletromecânica. 4.2 Tipos de granéis Os granéis podem ser líquidos ou sólidos. Os granéis líquidos são sempre transportados em navios especializados, os navios-tanques ou navios-cisternas, onde não é empregada a estiva. Os principais granéis sólidos são: minérios, como ferro e manganês; cereais, como trigo, milho, aveia, cevada; adubos; enxofre; carvão; fosfato e nitratos; nozes e castanhas; sal; e açúcar. 4.3 Ângulo de repouso Quando se inclina a superfície dos granéis até um certo ângulo, chamado de ângulo de repouso, eles não deslizam, mas quando este ângulo é ultrapassado, eles escorregam para o lado mais baixo. Cada tipo de granel tem seu ângulo de repouso. Ao embarcar um granel em pirâmide, o ângulo formado entre o granel e o fundo do porão, somado ao ângulo de balança máximo do navio, não pode exceder o ângulo de repouso. Se o fizer o granel corre, e o navio pode emborcar. 50 Cargas: movimentação e arrumação Os cereais, em geral, são os granéis que apresentam maior perigo e, quando carregados em navios cargueiros convencionais, requerem cuidados especiais na estivagem. A Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar dedica um dos seus capítulos, exclusivamente, ao carregamento de cereais ou grãos. 4.4 Rechego É o ato de transportar a carga até o local onde o estivador a levará para o navio e que deve ser feito com o máximo de cuidado, pois dele pode depender a segurança do navio e a vida de toda a tripulação. Nenhum espaço, por menor que seja, deve ficar vazio, especialmente cantos e vãos, latas, sicordas e balizas. Há várias maneiras de impedir que os cereais corram. Entre as principais temos o uso “de meios-fios” ou anteparas de madeiras, desmontáveis, que são colocados ao longo dos porões no sentido proa a popa. 4.5 Espaços vazios Para evitar que fique espaço vazio quando o grão vai se acamando, constrói-se alimentadores de madeira (uma espécie de funil com maior altura que o porão através do qual os grãos escorregam com maior pressão e enchem o porão). Ainda para ocupar espaço vazio, pode-se, depois de rechegar a carga, fazer um estrado de tábua cruzada sobre ela: a primeira camada com tábuas separadas cerca de 30 cm e a outra cruzada sobre a primeira. m eio-fi o cerea i s Uso de meio-fio na estivagem de cereais 51 Cargas: movimentação e arrumação Sobre este estrado, estivam-se pelo menos quatro camadas de grão ensacados (ou carga de fator de estiva equivalente), cuja natureza não seja tal que possa variar o grão ou ser avariado por ele, por umidade ou por calor. Hoje, o processo mais recomendado para impedir que a carga, ao se acamar, forme espaços vazios é o da figura abaixo. Embaixo da escotilha deixa-se um cavado na superfície da carga, como uma grande tigela. Forra- se com encerado ou plástico, enchendo-se com carga geral ou sacaria. 4.6 Estivagem de granéis com outras cargas Quando se opera granéis com outra carga nos porões, tomam-se as necessárias providências para evitar a contaminação da outra carga por poeira. Para isso, pode-se proteger a carga com encerados, papel, plástico ou, o que é mais eficaz, fazer uma espécie de poço de encerado em volta da escotilha, desde a sua boca até o lugar aonde está sendo estivado o granel. Sendo possível, carrega-se o primeiro granel, espera assentar a poeira, varre e depois colocam-se as demais cargas. Há também casos em que se embarcam várias partidas diferentes do mesmo cereal ou de cereais diferentes. Quando assim for, embarca-se pela ordem das densidades, ou seja, o mais pesado embaixo do mais leve. A separação é feita com grandes lençóis de aninhagem (sacos abertos costurados uns nos outros) ou encerados que são pregados nos meios-fios ou nas anteparas e nas sarretas. É conveniente selar o espaço entre a sarreta e o costado, com buchas de aninhagem, para impedir que os grãos venham a passar por aí. granéi s sól idos grãos ensacadosencerado sobre os grãos Processo para impedir que a carga forme espaçosvazios 52 Cargas: movimentação e arrumação Em alguns portos, o embarque de granéis leves é efetuado contando- se os sacos que vêm para bordo, derramando o conteúdo pelas escotilhas do navio. Este sistema requer rechego muito bem feito e quase constante. 4.7 Neo-Granéis São granéis valiosos como a celulose (acondicionada em fardos) ou caolim (granel solto) cujo prêmio de seguro é alto, em função de sua facilidade de combustão. Para reduzir os riscos de avarias, os navios neo-graneleiros estão equipados com instalações especiais para a prevenção de incêndios e instalações e cuidados especiais para evitar contaminação das cargas neo-granéis. 53 Cargas: movimentação e arrumação 5.0 Separação de carga 5.1 Conceito Para a adequada estivagem das mercadorias, há a necessidade de se observar sua natureza e suas peculiaridades. Tratamos de cargas que são classificadas como perigosas, em função da possibilidade de causarem danos ao pessoal e ao meio ambiente e da sua segregação. Existem também certas cargas, chamadas incompatíveis, que não devem ser estivadas junto a outras, sob risco de contaminarem a si ou a outras cargas ao seu redor, necessitando de separação durante sua estiva. Como exemplos, temos cargas: • tóxicas, como soda cáustica e potassa, não podem ser estivadas com gêneros alimentícios; • odoríferas, como querosene, café e benzina, não podem ficar junto de outras que absorvam o cheiro, como chá e arroz; • sujeitas a soltar gorduras e líquidos não devem ser estivadas junto de cargas que adquirem manchas com facilidade; óleos, sebo, anilinas e tintas não devem ficar junto de papel de imprensa, tecidos, madeira de lei; • que produzem derrames quando avariadas devem ficar nos cobros e na parte de ré dos porões para que o líquido derramado corra para as aspirações das bombas de esgoto sem passar por outras cargas; • sensíveis ao calor têm que ser afastadas das anteparas das praças de máquinas, de tetos de tanques aquecidos, de redes de vapor e de conveses que recebam muito sol na viagem; A separação de partidas de cargas umas das outras visa a proteger as mercadorias da carga contra possíveis avarias causadas por ficarem em contato com as partes estruturais ou adjacentes a outra carga. Além disso, a separação permite a ventilação da carga e também a protege contra possíveis contatos com líquidos provenientes de avarias em cargas líquidas, de entrada de água por costuras ou rebites e de condensação dos porões. 5.2 Material de separação • Madeira leve, em tábuas com 3 a 5 m de comprimento com 2, 5 cm de espessura por 15 cm de largura, podendo-se usar também caibros ou vigas de 2,5 cm por 2,5 cm, para apoio das tábuas (em geral são de pinho e devem ter espessura uniforme) • Esteiras trançadas ou tecidas (vêm em fardos) • Papel impermeável (vem em rolos ou bobinas) • Bambus (vêm em amarrados, usam-se muito no oriente, principalmente nos portos 54 Cargas: movimentação e arrumação da China e Japão, mas podem ser entregues soltos a bordo) • Encerados • Cabos velhos • Arame • Giz • Tinta de água • Plástico colorido (vem em rolos ou bobinas) • Sacos usados • Aninhagem em lençol • Serragem A escolha do material de separação a ser usado em cada carga e em cada caso, cabe ao oficial do navio encarregado das operações de carga. De uma maneira geral, depende da natureza da carga que está sendo estivada e do fim a que se destina a separação. Assim, por exemplo: • sacaria, separa-se com madeira para ventilar e proteger; • para evitar a mistura entre as partidas de portos diferentes, pode- se usar cabos velhos, papel, plásticos, encerados, bambus, ou esteiras; • para tambores, chapas e trilhos, a separação pode ser com giz, arame ou tinta de água para evitar mistura. Em certas circunstâncias, a própria carga pode ser usada como separação, mas isto só é possível com ordem expressa do oficial do navio encarregado das operações de carga. 5.3 Finalidade da separação 5.3.1 Separação para evitar contato com líquidos livres São considerados líquidos livres: • água proveniente de rebites e costuras aluídas ou furos no costado, duplos fundos ou anteparas de tanques; • redes de água ou vapor, passando por dentro do compartimento de carga, portas de visitas e tanques mal fechados ou com juntas dando passagem; • derrame de volumes contendo líquidos; e • suor proveniente da umidade do ar nas partes estruturais do navio. Para evitar que a carga seja avariada por líquidos livres, deve-se providenciar para que tais líquidos corram livremente para as calhas ou pocedos dos porões ou drenos das cobertas e, também, protegê-la, evitando que entre em contato com eles. 55 Cargas: movimentação e arrumação Quando o navio possui calhas laterais nos porões, a primeira camada(camada de drenagem) é feita em espinha de peixe, colocando-se uma fiada de caibros longitudinais a meia-nau e os demais inclinados de proa a popa, cerca de 45º para as calhas. A fim de permitir livre drenagem para as calhas, pocedos e drenos, a carga é separada nas amuradas pelas sarretas, havendo entre estas e as amuradas um espaço de ventilação e escoamento para as calhas ou do porão . Nos pisos, é necessário estender a madeira de separação em pelo menos 2 camadas, sendo a primeira com o comprimento no sentido do escoamento, e a segunda apoiada sobre a primeira, para servir de apoio ou estrado à carga. Quando o porão é de poceto, a primeira camada é feita com caibros longitudinais paralelos entre si. Em ocasiões em que se possa prever grande quantidade de líquidos livres no cobro, a camada de drenagem pode ser dupla, tripla e até quíntupla, se necessário. Além dos cobros dos porões e pisos das cobertas, bancachos, etc., há também que proteger com madeira (tábuas de 2,5 cm x 15 cm) todas as partes de aço ou ferro do navio onde possa haver condensação e que possam entrar em contato com a carga como anteparas, túnel do eixo do hélice, dutos de ventilação, pés-de-carneiro, escadas, membros estruturais, etc. Isto é feito colocando-se as tábuas na vertical, escoradas com os próprios volumes da carga ou amarradas com fios de carreta. 5.3.2 Separação para ventilação de carga A ventilação de certas cargas é necessário para evitar mofo, aquecimento, umidecimento, etc., e também para evitar a condensação do vapor d’ água contido no ar, fazendo a sua permanente circulação e renovação. Com este fim, utiliza-se madeira de separação no meio das partidas de carga, além de estrados nos cobros e pisos, formados por 2,3 a até 5 camadas de caibros de 2,5 cm x 2,5 cm. A separação na vertical faz-se com a estivagem em blocos separados por tábuas de 2,5 cm x 1,5 cm, cruzadas entre eles, a intervalos de cerca de 1,5 cm. Com cargas muito perecíveis por falta de ventilação, como o arroz ensacado, usa-se os ventiladores venezianos ou ventiladores de arroz. Os ventiladores de arroz são colocados na vertical nos quatro cantos da escotilha, desde o espaço vazio sobre a carga até a separação feita sobre piso. As quatro colunas assim formadas são unidas por linhas de outros ventiladores de arroz horizontal, sendo as 4 paralelas às contrabraçolas, indo de bordo a bordo, unindo os espaços de ventilação entre a murada e 56 Cargas: movimentação e arrumação as sarretas, de um bordo a outro, e mais 4 paralelas às braçolas, no sentido de proa a popa. Nos porões frigoríficos, as camadas de cargas devem ser apoiadas sobre tábuas no sentido da circulação do ar frio. 5.3.3 Separação para distribuir a pressão Em cargas de embalagem fraca, como cartões e engradados, principalmente quando o conteúdo também é frágil, deve-se fazer estrados completos de apoio, a fim de distribuir, uniformemente, a pressão de carga que está em cima com a que fica por baixo. Assim, com cartões, um estrado completo deve ser solicitado entre a terceira e a quarta camada a contar de baixo, outro entre a sexta e a sétima, e outro entre a décima segunda e a décima terceira. Daí por diante, estrado a cada seis camadas. Tambores e barricas em pé devem ser separados em cadacamada. Ao estivar-se volumes pequenos, deve-se garantir que o peso seja exercido sobre as cantoneiras das caixas e não sobre os painéis das suas faces. Estrados devem também ser usados para nivelar a estivagem de volumes heterogêneos. 5.3.4 Separação para evitar roubos e furtos Quando certas mercadorias de alto valor não podem ser estivadas em compartimentos especiais e trancados, elas são separadas por meio de uma cerca ou antepara de tábuas pregadas. 5.3.5 Separação para evitar extravio Cargas homogêneas para vários portos ou mesmo para vários consignatários num mesmo porto devem ser separadas. Quando os volumes são diferentes no tipo, tamanho, cor, etc., a separação é natural. Mas, quando diferem apenas pelas marcas, é preciso fazer a separação artificial, que se coloca entre as partidas a separar. 57 Cargas: movimentação e arrumação A separação artificial pode ser feita aproveitando-se a separação necessária para ventilação, para evitar líquidos livres ou para distribuir a pressão (quando estas forem usadas). Em caso contrário, o material usado será: • tábuas de separação (principalmente em caixarias, cartões, tambores, barricas, baldes); • esteiras (para sacarias, fardos, cartões.); • papel (para sacaria, carões, fardos); • bambus (para caixaria, cartões, engradados); • arame (para trilhos, perfilados, chapas, vergalhões); • giz (para caixaria, cartões, trilhos, chapas); • tinta d’ água (giz); • plástico colorido (para cargas que não necessitam de ventilação, granéis, caixas, sacos); • sacos usados (para sacaria, fardos, cartões, etc., e cargas que necessitem de ventilação); • aninhagem em lençol (para granéis, principalmente os que necessitam de ventilação, como os cereais em geral). 5.4 Segregação Ao transportar cargas em navios há a possibilidade de ocorrer incompatibilidade de mistura entre elas em função do perigo de combustão ou mesmo de explosão. Do mesmo modo, ao se armazenar cargas em terra deve-se levar em conta que determinadas substâncias reagem perigosamente ao entrar em contato com outras. Segregar dois tipos de produto consiste em torná-los independentes entre si de maneira que não haja contato entre eles, eliminando assim o perigo que a mistura poderia oferecer. 5.5 Uso de tabelas de segregação As tabelas de segregação a seguir esclarecem que classes de carga perigosa devem ser armazenadas longe ou separadas de outras. Apresentam também as classes de carga que não podem ser armazenadas na área portuária. 58 Cargas: movimentação e arrumação EDOPIT OÃÇAGERGES OÃÇAGERGESEDODITNES LANIDUTIGNOL LASREVSNART LACITREV 1OPIT seõçirtseráhoãN seõçirtseráhoãN muoditimreP .etnomer 2OPIT arapoçapsemU muuorenietnoc .ortuenrenietnoc arapoçapsemU muuorenietnoc .ortuenrenietnoc oodibiorP .etnomer 3OPIT arapoçapsemU muuorenietnoc .ortuenrenietnoc arapsoçapsesioD sioduorenietnoc .sortuensereniêtnoc oodibiorP .etnomer 4OPIT olepedaicnâtsidA .sortem42sonem olepedaicnâtsidA .sortem42sonem oodibiorP .etnomer .laregoãçadnemoceramuhnenáhoãNXOPIT .otudorpadacedetnednopserrocAHCIFaratlusnoC OBSERVAÇÕES: a) Esta tabela de segregação está baseada no quadro de segregação do Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas - IMDG/CODE-IMO. b) Um “espaço para contêineres” significa uma distância de pelo menos 6 metros no sentido longitudinal e pelo menos 2,4 metros no sentido transversal do armazenamento. c) Conteiner neutro significa cofre com carga compatível com o da mercadoria perigosa (ex.: conteiner com carga geral - não alimento). d) Não será permitido o armazenamento na área portuária de explosivos em geral (Classe 1), radiativos (Classe 7) e tóxicos infectantes (Classe 6.2). 59 Cargas: movimentação e arrumação Números e símbolos relativos aos seguintes termos conforme definidos na seção 15 para a Introdução geral do IMDG Code: 1 - “Longe de” 2 - “Separado de” 3 - “Separado por um compartimento completo” 4 - “Separado longitudinalmente por um compartimento completo” x - a segregação, caso haja, é indicada na ficha individual da substância no IMDG * - não é permitida a armazenagem na área portuária. ESSALC .1 1 .1 2 .1 5 1 3. .1 4 .2 1 .2 2 .2 3 3 .4 1 .4 2 .4 3 .5 1 .5 2 .6 1 .6 2 7 8 9 5.1,2.1,1.1sovisolpxE * * * 4 2 2 4 4 4 4 4 4 2 4 2 4 x 3.1sovisolpxE * * * 4 2 2 4 3 3 4 4 4 2 4 2 2 x 4.1sovisolpxE * * * 2 1 1 2 2 2 2 2 2 x 4 2 2 x 1.2sievámalfnisesaG 4 4 2 X x x 2 1 2 x 2 2 x 4 2 1 x oãn,socixótoãnsesaG 2.2sievámalfni 2 2 1 X x x 1 x 1 x x 1 x 2 1 x x 32sosonenevsesaG 2 2 1 X x x 2 x 2 x x 2 x 2 1 x x 3sievámalfnisodiuqíL 4 4 2 2 1 2 x x 2 1 2 2 x 3 2 x x 1.4sievámalfnisodilóS 4 3 2 1 x x x x 1 x 1 2 x 3 2 1 x àsatiejussaicnâtsbuS 2.4aenâtnopseoãtsubmoc 4 3 2 2 1 2 2 1 x 1 2 2 1 3 2 1 x oãseuqsaicnâtsbuS odnauqsasogirep 3.4sadahlom 4 4 2 X x x 1 x 1 x 2 2 x 2 2 1 x 1.5setnadixosaicnâtsbuS 4 4 2 2 x x 2 1 2 2 x 2 1 3 1 2 x 2.5socinâgrosodixóreP 4 4 2 2 1 2 2 2 2 2 2 x 1 3 2 2 x 1.6soneneV 2 2 x X x x x x 1 x 1 1 x 1 x x x 2.6sasoiccefnisaicnâtsbuS 4 4 4 4 2 2 3 3 3 2 3 3 1 x 3 3 x 7sovitaidarsiairetaM 2 2 2 2 1 1 2 2 2 2 1 2 x 3 x 2 x 8sovisorroC 4 2 2 1 x x x 1 1 1 2 2 x 3 2 x x sasogirepsaicnâtsbuS 9sasrevid x x x X x x x x x x x x x x x x x 60 Cargas: movimentação e arrumação 6.0 Novas técnicas de transmissão e coleta de dados por via eletrônica 6.1 Coleta e transmissão de dados por via eletrônica A crescente complexidade da logística de armazenamento, carregamento e distribuição de cargas, aliada às pressões competitivas provocadas pela globalização de mercados, faz com que as empresas cada vez mais busquem soluções baseadas em computadores para criar vantagens econômicas e valorizar seus serviços, aumentando sua produtividade e flexibilidade. Surgiram assim diversos sistemas de comunicação de dados sem fios que operam, em tempo real, redes de comunicação que permitem a usuários de computadores móveis coletar e transmitir dados, acessar e atualizar bancos de dados e receber instruções de computadores centrais que direcionam suas atividades de trabalho. Estes sistemas são responsáveis por oportunidade de redução de custos e ganhos de produtividade, além de praticamente eliminar a papelada no desembaraço de mercadorias. Em linhas gerais, um sistema de coleta e transmissão de dados por via eletrônica é composto de um computador central que utiliza um software desenvolvido especificamente para o serviço e vários outros equipamentos periféricos, tais como: • equipamentos de leitura ótica de código de barras (“scanners”) capazes de identificar com rapidez o material que está sendo manuseado; • terminais portáteis de rádio freqüência que transmitem os dados coletados no local para o computador central sem a utilização de ligação por fios. Um sistema desse tipo sempre será capaz de informar a situação atualizada do carregamento de um navio, além da localização exata de um contêiner, por exemplo. 61 Avarias DISCIPLINA III - AVARIAS 1.0 Avarias 1.1 Conceito Avaria é toda despesa ou dano causado à carga ou ao navio, juntos ou separadamente. 1.2 Classificação quanto à origem As avarias podem ser classificadas de duas formas: endógenas ou exógenas. Serão endógenas quando a causa estiver na própria carga e serão exógenas quando a causa for exterior à mercadoria. Podem ainda ser classificadas como: despesa ou dano. A avaria despesa é toda despesa extraordinária realizada com o navio ou com a carga, desde o ponto de embarque até o ponto de desembarque. A avaria dano é toda avaria causada à carga ou ao navio, que importe na sua perda total ou parcial. 1.3 Classificação quanto à espécie As avarias se classificam, quanto à sua espécie em: • avaria grossa ou comum; • avaria simples ou particular. 1.3.1 Avaria grossa ou comum A avaria é grossa ou comum quando a despesa ou o dano material for causado, voluntariamente, em benefício da carga ou do navio. Os requisitos es- senciais para que ocorra uma avaria grossa ou comum são: • necessidade de um ato voluntário – que este ato seja feito por vontadeprópria; • comunhão de benefícios – prejudicar a carga em benefício do navio e da própria carga; • exclusão de culpa – que tudo ocorra sem que tenha havido culpa de ninguém. 62 Avarias 1.3.2 Avaria simples ou particular A avaria é simples ou particular quando toda despesa extraordinária ou dano material sofrido pela carga ou pelo navio acontecer sem que tenha havido vontade própria. Os requisitos essenciais para que ocorra avaria simples ou particular são: • ocorrências de despesa extraordinária ou dano material; • ausência de vontade dos interessados – que não tenha havido vontade própria. Os motivos que levam à ocorrência de uma avaria simples ou particular são: • fortuna do mar; e • vício próprio. 1.4 Vício próprio É um risco excluído para efeitos de seguro. A avaria por vício próprio pode ser em relação ao navio ou em relação à carga. Vício próprio do navio – considera as condições de navegabilidade do navio e suas condições de transporte para uma carga específica. Vício próprio da carga – quando a causa da avaria é ingênita à natureza da coisa, mesmo a supondo da melhor qualidade. Pode ocorrer tanto no porão quanto no armazém. Exemplos: decomposição interna de frutas; fermentação de cereais; fragilidade da porcelana; volaticidade e auto-ignição; liquefação de sal e açúcar. O vício próprio deixará de existir se forem tomadas providências que visam assegurar e evitar danos. 1.5 Tipos de avarias mais comuns no transporte marítimo As avarias podem ocorrer de inúmeras maneiras e por diversas causas. São alguns exemplos de avaria: • antes do embarque; • devido à manipulação; • devido à embalagem inadequada; • causada pela pressão; • causada pelo atrito; • causada pela temperatura; • causada por manchas; • causada pela umidade; • causada por vício próprio; • causada pela estabilidade; 63 Avarias • causada por contaminação; • causada por ratos e outros animais; • causada por roubos, furto, extravio e descaminho. É sempre bom lembrar que todos os tipos acima citados devem ser combatidos sistematicamente para se reduzir o índice de avarias, o que será de grande valia para todos no transporte marítimo, tornando-o mais econômico e seguro. 1.5.1 Avarias antes do embarque Acontecem em volumes que apresentam sintomas de violação, caixas que possuem embalagens frágeis e que já chegam avariadas. Caixas sem percintas, bebidas alcoólicas, caixas com lataria, carga de valor e outros tipos podem chegar a bordo já avariadas. 1.5.2 Avarias devido à manipulação São avarias causadas na manipulação, ou seja, na movimentação da carga e que podem causar outros tipos de avarias em outras cargas. As avarias por manipulação geralmente ocorrem na formação de lingadas ou na sua arrumação. O emprego inadequado do material de movimentação de carga poderá causar avarias por manipulação, bem como o excesso de peso em uma lingada. Outro tipo de movimentação que pode causar avarias por manipulação é o içamento ou arriamento descuidado das lingadas. 1.5.3 Avarias devido à embalagem inadequada Em mercadorias em cuja embalagem não foram observadas as normas, consequentemente apresentam-se frágeis para o manuseio. Essas mercadorias, quando não manuseadas com extremo cuidado, tendem a ter altos índices de avarias, havendo necessidade de assistência permanente para prevenção e reparos durante a formação da lingada. 1.5.4 Avarias causadas pela pressão Ocorrem durante a formação de lingadas e arrumação das mesmas, ou seja, é uma avaria que tem relação direta com a manipulação, sendo assim uma conseqüência imediata da imperícia daqueles que lidam com a carga. 1.5.5 Avarias causadas por atrito Resulta do arrastamento a que se submete a carga durante a sua manipulação e da existência de espaços vazios entre os volumes, possibilitando que venham a se esfregar uns contra os outros, quando o navio balança. Podem ser causadas também pelo aparelho de movimentação de carga e pelo material inadequadamente empregado, combinando-se assim 64 Avarias com as avarias do item anterior. 1.5.6 Avarias causadas pela temperatura Originam-se na demasiada exposição da carga às condições naturais de calor ou frio, quando no convés, ou quando submetidas às fontes de calor a bordo, como é o caso de caldeiras e anteparas de praças de máquinas. São exemplos de carga que podem sofrer esse tipo de avaria: manteiga, queijos, xaropes, melaço, banha, vinho, etc. 1.5.7 Avarias por manchas ou nódoas Ocorrem principalmente nos dias chuvosos quando a carga é do tipo que desprende tinta, como por exemplo tecidos e papel colorido. Ferrugem do porão e derramamento de carga também podem ocasionar esse tipo de avaria. Cimento, cal virgem, vermelhão e outros tipos de mercadorias em pó são exemplos de cargas sujeitas a essa avaria. 1.5.8 Avarias causadas pela umidade As avarias causadas por umidade têm origem em diversas fontes. Entre elas podem-se citar as seguintes: • infiltração de água da chuva ou do mar por juntas ou encerados; • derramamento de produtos líquidos; • condensação do vapor d’água em suspensão. 1.5.9 Avarias causadas por furtos Esse tipo de avaria geralmente acontece por falta de vigilância ou por desonestidade, tanto da parte de quem fiscaliza, como daquele que trabalha no porão. Todas as avarias anteriormente citadas requerem uma faina constante do consertador que, com sua atuação, tanto em operações de carga como de descarga, contribuirá para a economia e viabilidade do transporte marítimo. 1.6 Cuidados indispensáveis É necessário cuidado ao se estivar uma carga no porão de um navio e deve ser bem observada a carga que estiver em contato direto com as chapas de fundo ou cobertas, ou ainda com as anteparas do navio. Pés-de- carneiro devem ser resguardados, e os condutores de ventilação devem permanecer desobstruídos e livres. 65 Avarias Ao estivar as mercadorias em um navio, deve-se seguir os seguintes princípios: • preservar a guarnição e o navio de perigos pela má estivagem da carga; • proteger a carga de avarias, perdas e deteriorações; • economizar espaço a bordo, porque dele depende o rendimento do navio; e • obter a maior rapidez de operação, mas sem permitir que a carga se avarie. O material de estivagem deve ser examinado periodicamente para que sejam observadas as suas condições de resistência e conservação. Não se deve empregar material inadequado para os diversos tipos de mercadorias a serem embarcados, mesmo que isso venha aumentar a rapidez na operação. 66 Peação e escoramento de cargas e lingadas DISCIPLINA IV – PEAÇÃO E ESCORAMENTO DE CARGAS E LINGADAS 1.0 Peação e escoramento Toda carga embarcada deve estar bem segura, de modo a não sofrer avarias com os diversos movimentos do navio em viagem. Para isso, existem dois processos, a saber: 1.1 Peação Consiste na amarração da carga às partes estruturais do navio ou a olhais e arganéus, especialmente colocados para este fim. O material empregado na peação vai desde cabos e correntes até redes especiais. A peação deve estar sempre bem apertada, e medidas devem ser tomadas para que o aperto possa ser recorrido em viagem, evitando folgas resultantes dos vários movimentos sofridos pelo navio. A peação é, particularmente, recomendada nos casos de porões muito altos e conveses sem pontos de apoio. Uma vantagem da peação é o seu baixo custo e rapidez de execução, tendo como principal desvantagem a menor segurança, se comparada com o escoramento. 1.2 Escoramento É feito com caibros e cunhas de madeira ou escoras de aço. As peças de madeira são pregadas e acunhadas. As de aço são soldadas. As escoras podem ser verticais, horizontais ou inclinadas, de acordo com o local e a finalidade do escoramento. As escoras inclinadas devem prender a carga de cima para baixo, pois as escoras de baixo para cima tendem a saltar com o movimento do navio. O uso de escoramento se dá mais comumente no convés, sendo por vezes empregado nas cobertas e cobros, se necessário. 1.3 Materiais utilizados na peação • Peação com cabos de fibra Esse tipo de peaçãodeve ser evitada, pois normalmente afrouxa 67 Peação e escoramento de cargas e lingadas durante a viagem. Por isso, deve existir um sistema que permita ao pessoal de bordo tensionar a amarração da carga, quando necessário. Isso pode ser feito usando-se um colhedor de bigotas entre as partes pernadas da peação, ou simplesmente tesando-se um cabo de uma pernada da peação para outra. • Peação com cabo de arame Esse tipo de peação é das mais seguras e fáceis de fazer. Em geral, usam-se os cabos do aparelho do navio que já foram substituídos. O comprimento da peia é ajustado com estranguladores (grampos). Nunca é demais frisar o cuidado que se deve ter na colocação dos estranguladores para formar os archotes, de forma que fiquem colocados na posição correta. • Peação com corrente É usada para cargas de grande peso ou madeira no convés, em toros. O comprimento da corrente é ajustado por meio de um elo estrangulado, e colocação da peia é idêntica à do cabo de aço. • Peação com fita de aço É usada muito nos Estados Unidos e Europa. As fitas são tesadas como nas caixas e fardos. Fitas de várias larguras são usadas e grampos especiais prendem a fita à estrutura do navio. Requerem muito cuidado quando da sua retirada, pois constituem, em caso de rompimento súbito, lâminas perigosíssimas, que tanto podem avariar a carga como provocar sérios ferimentos ao pessoal do terno. • Macacos São constituídos por uma caixa roscada somente em uma ou em cada uma das extremidades, a fim de receber um parafuso de forma especial que possui olhal, gato oumanilha. A caixa pode ser aberta ou fechada, sendo esta última constituída por um tubo. Os macacos mais usuais são os de dois parafusos, que se adaptam às duas extremidades da caixa com roscas de sentidos contrários. São empregados para retirar folga dos cabos de peação. 68 Peação e escoramento de cargas e lingadas • Sacos de ar (“air bags”) São utilizados para proteção da carga armazenadas em contêineres por meio de um colchão de ar comprimido que é insuflado dentro deles, entre a carga e as paredes dos contêineres. • Poliuretano de baixa densidade É um tipo de espuma macia utilizada na separação da carga para que não haja contato, nem atrito que possam resultar em avaria das mercadorias. • Pneus Os pneus são utilizados como amortecedores de tambores de óleo lubrificante e de sucos diversos no embarque e no desembarque. São utilizados também, em pedaços, para proteger a carga de anteparas de ferro e arestas de porões e cont6eineres. 1.4 Peação de contêineres As partes mais resistentes de um contêiner são suas arestas; nelas encontramos os montantes de canto, longarinas superiores e inferiores que junto com as travessas agüentam todos os esforços durante o manuseio. O desenho esquemático, a seguir, mostra como é constituído um contêiner: 1 - montante de canto 6 - parede lateral 2 - viga de canto 7 - teto 3 - dispositivo de canto 8 - porta 4 - longarina superior 9 - travessa 5 - longarina inferior 10 - piso Os chamados dispositivos de cantos são peças padronizadas e que servem não só para movimentação, mas também para peação do contêiner. Em cada canto existe um, totalizando assim oito unidades de carga. 69 Peação e escoramento de cargas e lingadas 1.4.1 Acessórios utilizados na peação em contêineres A nomenclatura dos acessórios utilizados no sistema de peação e fixação de contêineres são: 1) castanha de travamento 2) atuador de travamento 3) castanha de travamento automático 4) castanha cônica de travamento 5) pino de acoplamento 6) castanha singela intermediária 7) castanha singela de base 8) castanha dupla intermediária 9) castanha dupla de base 10) castanha niveladora 11) guia de canto 12) placa ponte (placa de licação) 13) ponte de união de tração 14) ponte de união de tração e compressão 15) ponte de união desnivelada 16) peia de gatos de alavanca 17) peia de barra 18) gato para peia 19) esbarro lateral 20) esbarro lateral ajustável 21) sapata (soquete) 22) sapata dupla 23) sapata quádrupla 24) sapata em pedestal 25) sapata em pedestal dupla 26) sapata em pedestal quádrupla 27) sapata de encaixe (cauda de andorinha) ou sapata de encaixe em “U” 28) sapata em pedestal de encaixe 70 Peação e escoramento de cargas e lingadas Figura 5 - Pino de acoplamento Figura 4 - Castanha cônica de travamento Figura 3 - Castanha de travamento automático Figura 2 - Atuador de travamento Figura 1 - Castanha de travamento 71 Peação e escoramento de cargas e lingadas Figura 12 - Placa ponte (Placa de ligação) Figura 10 - Castanha niveladora Figura 11- Guia de canto Figura 9 - Castanha dupla de base Figura 8 - Castanha dupla intermediária Figura 7 - Castanha singela de baseFigura Figura 6 - Castanha singela intermediária 72 Peação e escoramento de cargas e lingadas Figura 13 - Ponte de união de tração Figura 15 - Ponte de união desnivelada Figura 14 - Ponte de união e tração e compressão Figura 16 - Peia de gatos e alavanca Figura 17 - (a) 73 Peação e escoramento de cargas e lingadas Figura 17 - (b) Figura 17 - (c) Figura 17 - (d) Figura 17 - (e) Figura 17 - Peia de barra 74 Peação e escoramento de cargas e lingadas Figura 18 - Gato para peia Figura 19 - Esbarro lateral Figura 20 - (a) Figura 20 - (b) 75 Peação e escoramento de cargas e lingadas Figura 20 - (c) Figura 20 - Esbarro lateral ajustável Figura 21- Sapata (Soquete) Figura 22 - Sapata dupla (Soquete duplo) Figura 23- Sapata quádrupla (Soquete quádruplo) Figura 24- Sapata em pedestal (Soquete em pedestal) Figura 25- Sapata em pedestal dupla (Soquete em pedestal duplo) Figura 26 - Sapata em pedestal quádrupla (Soquete em pedestal quádruplo) Figura 27 - Sapata de encaixe cauda de andorinha (Soquete de encaixe cauda de andorinha) ou sapata de encaixe em “U” (Soquete de encaixe em “U”) 76 Peação e escoramento de cargas e lingadas 1.5 Sistemas de peação de veículos em navios roll-on/roll-off Estacionando o veículo em seu devido lugar, será ele fixado em posição usando-se os cabos de peação do navio. Seja que tipo for a faina, uma das pontas do engatador será passada nos furos dos aros das rodas do veículo e a outra em olhal, corrente ou castanha existente no piso do porão, peculiar aos navios do sistema Ro/Ro. Dependendo do tipo do veículo, a peação poderá ser feita no pára-choque ou no chassis; há veículos em que as lâminas dos pára-choques são de pequena resistência e não aceitam o esforço da peação, sofrendo deformações permanentes. Após a colocação, o cabo de peação será retesado de acordo com seu tipo, de modo a deixar o veículo imobilizado com segurança para viagem. É comum, nos porões onde serão peados os veículos, haver presença do imediato do navio, representante das seguradoras e tripulantes, cooperando para maior eficiência do trabalho. 1.6 Riscos na atividade de peação e desapeação • queda de nível diferente • queda de material de peação • iluminação deficiente • material de peção em péssimo estado de conservação • permanecer sob carga suspensas • postura inadequada • parte superior do contêiner escorregadia (óleo, graxa e chuva) • balanço do navio • espaço insuficiente • lay-out inadequado • plano de carga ineficiente Riscos operacionais mais acentuados: • destravar as “castanhas” a 4 de alto; e • peação de contêineres tipo open-top e flat-rack Figura 28 - Sapata em pedestal de encaixe (Soquete em pedestal de encaixe) 77 Peação e escoramento de cargas e lingadas 2.0 Preparação de lingadas 2.1 Normas gerais de segurança Um bom serviço de estivagem deve ser executado com segurança e rapidez. A segurança da operação de carga e descarga de um navio depende principalmente de: • resistência e emprego apropriado dos materiais a serem empregados pela estiva; • arrumação da carga; • separação; • manipulação de carga para organização das lingadas; • bom trabalho dos guincheiros ou guindasteiros, içando ou arriando as lingadas; • cuidado de manobras dos demais membros do terno; • cuidado de manobras de todosque manuseiam, de uma forma ou de outra, a mercadoria a ser estivada. 2.2 Recomendações especiais O material de estiva deve ser inspecionado e examinado, periodicamente, pelo responsável por sua guarda e conservação, a fim de certificar-se de suas condições e resistência. O material de estiva não deve ser impro- priamente empregado, embora com isso se aumente algumas vezes a rapidez da operação, pois poderão ocorrer avarias com carga ou acidentes pessoais e materiais. As redes têm muita aplicação em várias espécies de volumes pequenos, e não devem ser empregadas em sacos, caixas frágeis de madeira ou papelão, a não ser que se empregue disco protetor. O mesmo deve ser observado no emprego de lingas de corrente, que dão muito resultado na operação da maior parte da carga composta de artigos de ferro, e de outros tipos semelhantes de carga. 78 Peação e escoramento de cargas e lingadas A formação de lingadas deve ser feita de forma a não avariar a carga por compressão, esmagamento, rompimento, manipulação, atritos e outras formas de avarias que poderão surgir. As lingas devem ser empregadas adequadamente, variando-se seu emprego em função do tipo de carga que se opera. Como norma geral, toda lingada deverá ser içada a poucos centímetros do piso a fim de verificar, com cuidado, se tudo está correto, caso afirmativo, elevá-la vagarosamente. O impacto das lingadas nas braçolas, nas bordas e no costado das embarcações contruibui para o aumento das avarias por manipulação. Lingas de estropo são usadas para movimentar sacos, caixas ou fardos.A costura do estropo deve ficar sempre livre do gato da aparelhagem de peso e da própria mercadoria a fim de evitar desgaste e conseqüentemente ruptura do estropo. Se o estropo for muito comprido ele deverá ser encurtado. Deve ser também observado o correto posicionamento dos estropos de forma a manter a carga em perfeito equilíbrio. • Peso máximo por lingada A organização das lingadas influi muito na segurança da carga e do pessoal. Uma lingada mal feita poderá causar transtorno à carga e ao pessoal, uma vez que poderá desfazer ao ser içada ou arriada. A organização das lingadas é a pedra fundamental da arte do estivador e do contramestre, responsáveis por esta importante tarefa no serviço de estivagem. Os volumes devem ser arrumados em forma de pirâmide truncada, de acordo com o tipo de embalagem das mercadorias e evitando-se sempre a colocação de excesso de peso na confecção de uma lingada. 2.3 Arrumação de contêineres a bordo Os porões dos navios são divididos em “bays”, no sentido proa a popa. A “bay” tem dimensões exatas para acomodar contêineres de 20 pés de comprimento e, neste caso, recebe numeração ímpar; quando transfor-mada para receber contêineres de 40 pés recebe numeração par. As “bays” são formadas por células guias feitas de 79 Peação e escoramento de cargas e lingadas vigas de aço dispostas no interior do porão e são divididas no sentido boreste/ bombordo por células guias, que formam as “rows”. A “row” central, que passa pelo plano diametral do navio, toma a numeração 00. Sendo daí para boreste a numeração ímpar na ordem crescente e para bombordo a numeração par também na ordem crescente do centro para o bordo. Do piso do porão para o convés, os contêineres são estivados em camadas; no navio de porte médio geralmente em cinco ou seis alturas de contêineres. A numeração é feita a partir do piso do porão, iniciando com 02, 04, 06... e assim por diante, sempre com a numeração par. Essas camadas são chamadas de “tier”. Assim, a posição do contêiner é dada pelos três elementos: “bay, “row” e “tier”. Quanto ao convés, a sistemática é a mesma, com excessão da “tier” que passa a ser contada iniciando por 82 a partir da primeira altura de contêiner estivada no convés, em geral, em cima da tampa do porão, seguindo a numeração 84, 86, 88 e assim por diante. Como exemplo, um contêiner embarcado na posição 130284 significa que o contêiner é de dimensão de 20 pés de comprimento e está estivado na “bay” 13 na primeira “row” a boreste e na segunda altura a partir do convés. 2.4 Cuidados especiais no manuseio de contêineres fora de medida (“out of gauge”) Contêineres fora de medida são aqueles que comportam carga com excesso lateral, no comprimento ou na altura. Naturalmente, o contêiner que permite que tal aconteça é o do tipo “flat-rack”, que transporta, de um modo geral, cargas que excedem as medidas padrões, tais como tratores, caminhões, máquinas,etc. Os pontos de fixação da carga nesse tipo de contêiner são reforçados e recebem os cabos de aço, macacos e manilhas necessários à peação da carga. 80 Peação e escoramento de cargas e lingadas As cargas que ultrapassem as medidas dos contêineres devem ser centralizadas e distribuídas para que não haja problemas durante o içamento do contêiner. Quando a carga tem excesso são instalados postes laterais para melhor escorá-las e, ainda, as cargas são apoiadas nas longarinas laterais e não nas madeiras do piso do contêiner. O transporte de contêineres “out of gauge” requer aviso com antecedência ao “planner” para que seja providenciado espaço adicional em termos de “row”, “bay” e “tier”, além de ser considerado como frete especial. 2.5 Sinalização para manobra de pesos A movimentação de pesos deve ser regida por sinais convencionais transmitidos por sinaleiro devidamente identificado ao operador de equipamento de movimentação de carga. O operador deve guiar-se unicamente pelos sinais dados pelo sinaleiro, exceto quando a obediência puder resultar em acidente. O sinal de pare em emergência é o único que, dado por qualquer pesoa, deve ser prontamente obedecido pelo operador. Sempre que o operador tiver dúvida quanto ao sinal, ele deve aguardar sua repetição pelo sinaleiro. As tabelas a seguir apresentam os sinais convencionais para movimentação de pesos. 81 Peação e escoramento de cargas e lingadas Sinal Descrição Mensagem Ação Antebraço na vertical e o dedo indicador apontando para cima, movimente a mão em pequenos círculos horizontais. ELEVE A CARGA BAIXE A CARGA ELEVE A LANÇA BAIXE A LANÇA GIRE A LANÇA NO SENTIDO INDICADO ESTENDA A LANÇA (Lanças telescópicas) ESTENDA A LANÇA (Lanças telescópicas) FAÇA MOVIMENTOS LENTAMENTE Braço estendido para baixo e o dedo indicador apontando o solo, movimente a mão em pequenos círculos horizontais. Braço estendido na horizontal, o punho fechado e o polegar apontando para cima. Braço estendido na horizontal, o punho fechado e o polegar apontando para baixo. Braço estendido na horizontal e o dedo indicador apontando o sentido do giro. Punhos fechados em frente ao corpo e os polegares apontando para fora. Punhos fechados em frente ao corpo e os polegares apontando um para o outro (para dentro) Mão espalmada sobre a outra mão que está sinalizando. ELEVE A CARGA LENTAMENTE 82 Peação e escoramento de cargas e lingadas Sinal Descrição Mensagem Ação /Braço estendido na horizontal e o polegar apontando para cima, abra e feche o punho enquanto comandar o movimento. /Braço estendido na horizontal e o polegar apontando para baixo, abra e feche o punho enquanto comandar o movimento. ELEVE A LANÇA E BAIXE A CARGA BAIXE A LANÇA E ELEVE A CARGA USE O CABO PRINCIPAL (Cadernal de Carga) USE O CABO AUXILIAR (Do �Jib�) ABRA A CAÇAMBA (Escavadeira) FECHE A CAÇAMBA (Escavadeira) PARE EMERGÊNCIA PARE Mão sobre a cabeça (para indicar o cadernal de carga). A seguir dê o sinal desejado. Mão sob o cotovelo (para indicar o cabo auxiliar do �Jib�). A seguir dê o sinal desejado. Braço estendido na horizontal abra o punho. Braço estendido na horizontal, feche o punho. Braço na horizontal e a mão espalmada, faça movimentos para a esquerda e para direita. Dois braços estendidos na horizontal e as mãos espalmadas, movimente horizontalmente os 83 CÓDIGO DE IDENTIFICAÇÃO DE TIPOS DE CONTÊINERES Código Comprimento AlturaCódigo ComprimentoAlturaCódigo Comprimento AlturaCódigo Comprimento AlturaCódigo Comprimento Altura EspecificaçãoEspecificaçãoEspecificaçãoEspecificaçãoEspecificação 2000 20� 8� Carga seca fechada 2010 20� 8� Idem com ventiladores 2032 20� 8� Refrigerado 2040 20� 8� Aquecível ou resfriável com clip-on 2051 20� 8� Teto aberto 2056 20� 8� Teto aberto com lateral aberta 2061 20� 8� Plataforma completa 2062 20� 8� Plataforma com colunas removíveis 2065 20� 8� Carga com lateral aberta 2070 20� 8� Tanque para cargas não perigosas 2075 20� 8� Tanque para cargas ( IMCO II ) perigosas 2078 20� 8� Idem ( IMCO I ) 2080 20� 8� Granéis sólidos 2200 20� 8�6� Carga seca, fechado 2210 20� 8�6� Idem, com ventiladores 2232 20� 8�6� Refrigerado 2240 20� 8�6� Aquecível ou resfriável com clip-on 2251 20� 8�6� Teto aberto 2256 20� 8�6� Teto aberto com lateral aberta 2261 20� 8�6� Plataforma completa 2262 40� 8�6� Plataforma com colunas removíveis 2265 40� 8�6� Carga lateral aberta 2270 40� 8�6� Tanque para cargas não perigosas 2275 40� 8�6� Tanque para cargas ( IMCO II ) perigosas 2278 40� 8�6� Idem ( IMCO I ) 2280 40� 8�6� Granéis sólidos 2651 40� 4�3� Teto aberto ½ altura 2951 40� 4� Teto aberto ½ altura 2960 40� 4� Plataforma ½ altura 2961 40� 4� Plataforma ½ altura 4000 40� 8� Carga seca, fechado 4010 40� 8� Idem, com ventiladores 4032 40� 8� Refrigerado 4040 40� 8� Aquecível ou refrigerável com clip-on 4051 40� 8� Teto aberto 4056 40� 8� Teto aberto com lateral aberta 4061 40� 8� Plataforma completa 4062 40� 8� Plataforma com coluna removível 4065 40� 8� Carga seca com lateral aberta 4300 40� 8�6� Carga seca fechado 4310 40� 8�6� Idem, com ventiladores 4332 40� 8�6� Refrigerado 4340 40� 8�6� Aquecível ou resfriável com clip-on 4351 40� 8�6� Teto aberto 4356 40� 8�6� Teto aberto com lateral aberta 4361 40� 8�6� Plataforma completo 4362 40� 8�6� Plataforma com colunas removíveis 4651 40� 4�3� Teto aberto ½ altura 4951 40� 4� Teto aberto ½ altura 4960 40� 4� Plataforma ½ altura 4961 40� 4� Plataforma ½ altura Bibliografia ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA PREVENÇÃO DE ACIDENTES. Manual do supervisor de segurança do trabalho . Rio de Janeiro, 1978. BRASIL. Lei nº 8.630, de 25 de fevereiro de 1993. Dispõe sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Bra- sil , Poder executivo, Brasília, DF, 26 de fevereiro de 1993. BRASIL, Ministério do Trabalho / Fundação Jorge Duprat de Figueiredo - FUNDACENTRO. Operação nos Trabalhos de Estiva . São Paulo: FUNDACENTRO, 1991. FONSECA, Maurilio M. Arte Naval . 5 ed. Rio de Janeiro: SDGM, 1989. 916 p. ISBN 85-7047-051-7 INTERNATIONAL CHAMBER OF SHIPPING – INTERNATIONAL SHIPPING FEDERATION. Guidelines on the application of the IMO International Safety Management (ISM) Code . 3º ed. Londres,1996. INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION - IMO. International convention for the safety of life at sea - SOLAS 74 - 1994 amendments. Londres,1995. BRASIL, Ministério do Trabalho. Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho (SSST). 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