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Origem do
Realismo
O realismo foi um movimento artístico e cultural que se desenvolveu na segunda metade do século XIX.
A característica principal deste movimento foi a abordagem de temas sociais e um tratamento objetivo da realidade do ser humano.
Possuía um forte caráter ideológico, marcado por uma linguagem política e de denúncia dos problemas sociais como, por exemplo, miséria, pobreza, exploração, corrupção entre outros. Com uma linguagem clara, os artistas e escritores realistas iam diretamente ao foco da questão, reagindo, desta forma, ao subjetivismo do romantismo. Uma das correntes do realismo foi o naturalismo, onde a objetividade está presente,
A angústia de um operário em greve éo tema de OnStrike(Em Greve), 1891, óleo sobre tela, famoso quadro de HubertvonHerkomer, um dos maiores nomes da arte realista.
Carac te rís tic as	do Realis mo
Retrato da sociedade e das suas relações sem idealização. Exclui-se da obra tudo o que vier da sorte, do acaso, do milagre. Tudo é regido por leis naturais.
Cientificismo –uso de teorias científicas e filosóficas, como o determinismo, o evolucionismo, a psicologia, o positivismo.
Linguagem simples e direta.
Tempo da narrativa –preferencialmente o presente, o que faz com que a literatura sirva de denúncia dos aspectos sociais e políticos.
Personagens caricaturados das pessoas do dia-a-dia, retratando-se ou o aspecto psicológico ou o biológico desses.
Preferência pela individualidade dos personagens.
Romance documental.
Observação direta e interpretação crítica da realidade.
Objetividade.
Análise psicológicas dos personagens.
Materialismo.
Crítica às instituições burguesas, à monarquia, a religiosidade, às crendices populares.
Ques tão	Co imbrã
Já havia alguns anos, os meios literários portugueses		tinham como	principal expressão o	consagrado	Antônio	Feliciano	de Castilho,	poeta árcade, idoso e cego, respeitado por	sua vasta cultura e profundo conhecimento dos clássicos. Castilho, representante do academicismo e do tradicionalismo	literários, reunia		em torno de si	jovens escritores a quem protegia e por quem era tido como mestre.
A	Questão Coimbrã tem início quando Castilho, ao posfácio elogioso ao livro Poema da mocidade, de seu protegido Pinheiro Chagas, aproveita para criticar um grupo de poetas de Coimbrã, a quem acusa de exibicionistas e obscurantistas. São citados	no posfácio os escritores Teófilo Braga	e	Antero de Quental,		que acabara de publicar obra	Odes modernas. Antero responde a Castilho com uma carta aberta, em forma de panfleto, intitulada Bom senso e bom gosto.
Para Antero de Quental, a agressão sofrida não se limitava ao plano estritamente literário ou pessoal; era, na verdade,	uma	reação do velho contra o novo,	do conservadorismo contra o progresso, da literatura de salão contra a literatura viva e atuante exigida pelos	no- vos tempos.	Antero de Quental desejava modernizar o país colocan- do-o ao lado das nações européias mais desenvolvidas.		Na carta ao velho mestre,	Quental	procura demonstrar que	o	atraso em que se encontrava Portugal podia ser creditado,	em parte,		à veneração tipi- camente romântica do passado.
A Questão Coimbrã durou todo
o segundo semestre de 1865,com publicações e ataques de ambos os lados.Também	participaram dela,	entre outros,	Teófilo Braga, Ramalho Ortigão	e	Pinheiro
Chagas. Eça de Queirós, embora fizesse parte do grupo coimbrão, não interveio na polêmica.
As	confe rências	do	Cas s ino	e	a geração de 70
O grupo de amigos se reencontra em Lisboa e passa a travar deba tes acerca da renovação cultural portuguesa. A volta de Antero de Quental, que estivera na França, na América e na ilha de São Miguel, dinamiza
essas reuniões, que passam a contar com leituras sistematizadas e a ter
um objetivo definido. Como resultado desse esforço, nasce a iniciativa ambiciosa das Conferências Democráticas, que visavam à reforma da sociedade portuguesa.
Essas conferências eram realizadas no Cassino Lisbo nense, provocando escândalo. Depois de proferidas
cinco conferências - duas de Antero de Quental e uma de Eça de Querós - , o governo proíbe a com- tinuidade do ciclo, alegando que os oradores susci- tavam “doutrinas e proposições que atacavam a reli- gião e as instituições do Estado”. Apesar da censu- ra, o Realismo já era vitorioso em Portugal, e a partir
de então se colheriam seus melhores frutos.
O Realismo é uma reação contra o Romantismo: O Romantismo era a apoteose do sentimento; -o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos -para condenar o que houve de mau na nossa
sociedade.
(Eça de Queirós)
Lembremo-nos que a literatura, porque se dirige ao coração, à inteligência, à imaginação e até aos sentidos, toma o homem por todos os lados; toca por isso em todos os interesses, todas as ideias, todos os sentimentos; influi no indivíduo como na sociedade, na família como na praça pública; dispõe os espíritos; determina certas correntes de opinião; combate ou abre caminho a certas tendências; e não é muito dizer que é ela quem prepara o berço aonde se há-de receber esse misterioso filho do tempo - o futuro.
(Antero de Quental)
Co mparação	com o Ro mantis mo
Principais autores e Obras
Machado de Assis: A Cartomante, O Alienista, Memórias Póstumas de Brás Cubas
Raul Pompéia: O Ateneu
Aluísio Azevedo: O cortiço, O Mulato, Casa de pensão
Inglês de Souza: O missionário
Adolfo Caminha: A normalista, Bom-Crioulo Honoréde Balzac: Comédia Humana GustaveFlaubert: Madame Bovary
Eça de Queiroz: O Crime do padre Amaro, Primo Basílio Antero de Quental: Odes Modernas, Sonetos
Guerra Junqueiro: Os Simples
	Artes Plásticas 
O realismo manifestou-se principalmente na pintura, onde as obras retratavam cenas do cotidiano das camadas mais pobres da sociedade.
O sentimento de tristeza expressa-se claramente através das cores fortes.
Um dos principais pintores realistas foi o francês Gustave Coubert. Com obras que chocaram o público pelo alto grau de realismo e pelos temas sociais, este artista destacou-se com as seguintes telas : Os Quebradores de Pedras e Enterro em Ornans.
Outros importantes pintores deste período foram:
Honoré Daumier, Jean-François Millet e Édouard Manet.
Os Quebradores de Pedras
Enterro em Ornans
Princ ipais	Obras	de	Gus tave Coube rt
O herói romântico é trocado por pessoas comuns do cotidiano. Os problemas sociais transformam-se em temas para os dramaturgos realistas. A linguagem sofisticada do romantismo é deixada de lado e entra em cena as palavras comuns do povo.
O primeiro representante desta fase é o dramaturgo francês Alexandre Dumas, autor de A Dama das Camélias.
Também podemos destacar outras importantes peças de teatro do realismo como, por exemplo, Ralé e Os Pequenos,	Burgueses de Gorki,	Os Tecelões de Gerhart Hauptmann e Casa de Bonecas do norueguês Henrik Ibsen.
No	Teatro
 Teatro no	 Brasil
As peças retratam a realidade do povo brasileiro, dando destaque para os principais problemas sociais. Os personagens românticos dão espaço para trabalhadores e pessoas simples. Machado de Assis escreve Quase Ministro e José de Alencar destaca-se com O Demônio Familiar. Luxo e Vaidade de Joaquim Manuel de Macedo também merece destaque.
Outros escritores e dramaturgos que podemos destacar: Artur de Azevedo, Quintino Bocaiúva e França Júnior
Eduardo – Assim, não amas a tua noiva? Azevedo – Não, decerto.
Eduardo	–	É	rica,	talvez;	casas	por conveniências?
Azevedo – Ora, meu amigo, um moço de trinta anos, que tem, como eu, uma fortuna independente, não precisa tentar a chasse au
mariage. Com trezentos contos pode-se viver.
Eduardo – E viver brilhantemente; porém não compreendo então o motivo...
Azevedo	– completamente
Eu	te	digo!
blasé,	estou	gasto
Estou para
essa vida de flaneur dos salões; Paris me saciou. Mabille e Château
des Fleurs embriagaram-me tantas vezes de prazer que me deixaram insensível.O amor é hoje para mim um copo de Cliqcot que espuma
no cálice, mas já não me tolda o espírito!
Lite ratura ( No	Bras il)
Na literatura brasileira o realismo manifestou-se principalmente na prosa. Os romances realistas tornaram-se instrumentos de crítica ao comportamento burguês e às instituições sociais. Muitos escritores românticos começaram a entrar para a literatura realista. Os especialistas em literatura dizem que o marco inicial do movimento no Brasil é a publicação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. Nesta obra, o escritor fluminense faz duras críticas à sociedade da época.
“Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não
deixa olhos para chorar...”
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