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e-Tec Brasil75 Aula 16 – Doenças de notificação compulsória Agora passaremos a discutir a respeito da notificação compul- sória que é exigida legalmente do profissional para que sejam gerados dados e relatórios. De posse desses dados, o Ministério da Saúde monitora o número de casos, bem como, amplia as ações e intervenções quando houver necessidade. As doenças de notificação compulsórias são doenças que de alguma forma possuem um potencial grande de disseminação, vulnerabilidade e disponi- bilidade de medidas de controle, bem como nível de ameaça à população. 16.1 Lista de doenças de notificação compulsória A notificação compulsória consiste na comunicação da ocorrência de casos individuais, agregados à casos ou surtos suspeitos ou confirmados da lista de agravos relacionados na Portaria n. 1.04/11 do MS, às autoridades sani- tárias por profissionais de saúde ou qualquer cidadão, visando à adoção das medidas de controle pertinentes. Além disso, alguns eventos ambientais e doenças ou morte de determinados animais, também se tornaram de notifi- cação obrigatória. Cabe ressaltar que é obrigatória a notificação de doenças, agravos e eventos de saúde pública constantes da Portaria n. 104, de 25 de janeiro de 2011, do Ministério da Saúde (BRASIL, 2004). Fazem parte desta lista 45 agravos, a saber: • Acidentes por animais peçonhentos; • Atendimento antirrábico; • Botulismo; • Carbúnculo ou antraz; • Cólera; • Coqueluche; • Dengue; • Difteria; • Doença de creutzfeldt-jakob; • Doença meningcócica e outras meningites; • Doença de chagas aguda; • Esquistossomose; • Eventos adversos pós-vacinação; • Febre amarela; • Febre do nilo ocidental; • Febre maculosa; • Febre tifóide; • Hanseníase; • Hantavirose; • Hepatites virais; • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV), em crianças e gestantes expostas ao risco de transmissão vertical; • Influenza humana por novo subtipo; • Intoxicações exógenas; • Leishmaniose tegumentar americana; Gestão e Vigilância em Saúdee-Tec Brasil 76 • Leishmaniose visceral; • Leptospirose; • Malária; • Paralisia flácida aguda; • Peste; • Poliomielite; • Raiva humana; • Rubéola; • Sarampo; • Sífilis adquirida; • Sífilis congênita; • Sífilis em gestante; • Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS); • Síndrome da rubéola congênita; • Síndrome do corrimento uretral masculino; • Síndrome respiratória aguda grave associada a o coronavírus; • Tétano; • Tuberculose; • Tularemia; • Varíola; • Violência doméstica, sexual e outras violências. e-Tec BrasilAula 16 – Doenças de notificação compulsória 77 16.2 Como realizar a notificação O profissional de saúde, que atende o indivíduo com doenças, agravos ou eventos de importância em saúde pública, deve buscar o site do Ministério da Saúde e preencher o formulário adequado de acordo com o evento: sur- tos, casos suspeitos ou óbitos de doenças que afetem humanos e/ou ani- mais; desastres que afetem a saúde pública ou dengue (óbito por dengue, febre hemorrágica da dengue, síndrome do choque da dengue ou dengue com complicações). Esta notificação imediata auxilia as autoridades de saúde na adoção oportu- na de medidas de prevenção e controle. Essa ação não isenta o profissional ou serviço de saúde de realizar o registro da notificação nos instrumentos estabelecidos no Sinan. 16.3 Consequências da ausência de notificação compulsória A responsabilidade de preencher e enviar a notificação de doença compul- sória, como visto, é de todos. Leia, agora, a consequência pela ausência do envio da notificação. Deixar de notificar doença à autoridade pública é crime de acordo com o Código Penal Brasileiro, Art. 269, como observaremos a seguir: “Art. 269. Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja notificação é compulsória”. Embora a responsabilidade seja de todos, o texto do Código Penal, que foi escrito na década de 40, considera apenas a omissão do médico como crime. Não podemos interpretar que outros profissionais também poderiam ser punidos pelo crime previsto no artigo 269, porque no direito qualquer norma criminalizadora terá interpretação restritiva. Não havendo previsão de lei expressa que alcance penalmente outros profissionais, somente o médico poderá ser punido penalmente. Cabe ressaltar que embora outros profissionais não respondam penalmen- te, poderão responder a procedimentos administrativos em seus respectivos conselhos e que questões éticas serão abordadas. Sinan Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Para saber mais sobre o Sinan, acesse: <http://www.saude.gov. br/sinanweb>. Para saber mais sobre o Ministério da Saúde, acesse: <http://www. ministeriodasaude.gov.br> ou <http://formsus.datasus. gov.br/site/formulario.php?id_ aplicacao=432>. Gestão e Vigilância em Saúdee-Tec Brasil 78 Assim, entendemos que sendo feita a notificação compulsória por qualquer outro profissional ou cidadão, tal não exclui a responsabilidade criminal do médico que não notificou, a notificação realizada só supre a omissão do médico. Em relação a doenças cuja divulgação possam gerar constrangimento ou discriminação ao seu portador, incide o sigilo profissional que alcança indis- tintamente a todos os profissionais de saúde. Mas, no caso da notificação compulsória prevalecerá o interesse coletivo sobre o individual, pois a informação será realizada a um órgão de governo para fins estatísticos de ações de combate à doença e políticas de saúde pú- blica sem que haja divulgação ao público de que determinada pessoa possui certa doença. Desta forma, dentre estes três aspectos: notificação, sigilo profissional e di- reito à privacidade do paciente, deve prevalecer o interesse público, não havendo violação ética pela notificação compulsória devida. Resumo Esclarecemos sobre a necessidade do profissional de saúde conhecer o siste- ma de notificação compulsória, bem como, listamos as doenças, pois estes dados serão gerados em âmbito nacional e a partir de análise criteriosa, se- rão criadas políticas de saúde, estratégias e ações para combater os agravos em nível micro ou macrorregionais. Atividades de aprendizagem • Classifique o que são doenças de notificação compulsória e o que o Ministério da Saúde faz com estes dados. e-Tec BrasilAula 16 – Doenças de notificação compulsória 79