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Orientações didáticas Explique aos estudantes que, em- bora a cafeicultura tenha ampliado a escravidão no Brasil, com um grande número de escravizados trabalhando tanto nas lavouras quanto em am- bientes domésticos, havia muita pres- são interna e externa pelo fim do tráfico de pessoas escravizadas, so- bretudo após a abolição nas colônias inglesas, em 1833. No Brasil, a abolição aconteceu gradualmente a partir de 1850, quan- do foi decretada a proibição do trans- porte e da venda de escravizados entre a África e o Brasil. Externamen- te, a pressão era exercida em especial pela Inglaterra, que estava interessada em controlar o continente africano e torná-lo mercado consumidor de seus produtos. Internamente, havia o risco das insurreições dos escraviza- dos e a pressão de setores que defen- diam o regime de trabalho livre. Comente com a turma que o título desta página trata apenas do fim do tráfico atlântico de escravizados, já que, internamente, o tráfico conti- nuou existindo e se tornou ainda mais dinâmico para suprir a demanda de mão de obra. Por fim, chame a atenção dos es- tudantes para a gravura de Johann Moritz Rugendas reproduzida nesta página, dando continuidade ao traba- lho com imagens que apresentam elementos sobre o cotidiano brasilei- ro no século XIX. Peça à turma que verifique os detalhes dessa imagem e que comente o que ela informa sobre o nosso passado. Aproveite o momen- to para discutir as condições em que viviam os africanos escravizados no Brasil, estimulando a reflexão dos es- tudantes sobre a necessidade de um movimento que lutasse por seus di- reitos como seres humanos. Ressalte que o momento de modernização e a abolição do tráfico de escravizados marcaram o início do movimento abolicionista no Brasil. O fim do tráfico de escravizados Durante mais de três séculos, a vinda de escravizados da África sustentou a economia brasileira. Essas pessoas faziam a maior parte do trabalho pesado nas fazendas, nas moradias e nas cidades. Além disso, o tráfico de escravizados era uma grande fonte de lucro para negociantes portugueses e brasileiros. No entanto, aumentava cada vez mais a indignação de parte da sociedade con- tra as condições desumanas desse comércio de pessoas no Brasil e no mundo. O governo inglês fazia pressão para que o governo brasileiro aprovasse uma lei proi- bindo o tráfico de escravizados entre a África e o Brasil. As autoridades brasileiras, porém, continuaram tolerando as embarcações que chegavam carregadas de escra- vizados. Descontente com essa atitude, o governo inglês aprovou uma lei em 1845, conhecida como Bill Aberdeen. Essa lei dava à marinha inglesa o direito de aprisionar embarcações que estivessem transportando escravizados da África para a América. Os navios -patrulha britânicos passaram, então, a aprisionar essas embarcações no mar, impedindo que chegassem ao Brasil. Diante do impasse entre brasileiros e ingleses, o governo do Brasil aprovou a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que pôs fim ao tráfico intercontinental de africa- nos escravizados. Contudo, as fazendas de café continuavam dependentes da mão de obra escrava, e o tráfico interno de escravizados, que vinham principalmente das províncias do nordeste para trabalhar nas plantações de café do sudeste bra- sileiro, continuou existindo. Mercado de negros, de Johann Moritz Rugendas, 1835 (litografia colorida à mão, de 35,5 cm × 51,3 cm). Após longas viagens em condições desumanas em navios, os escravizados trazidos da África eram vendidos em mercados como esse no Brasil. R e p ro d u ç ã o /C o le ç ã o p a rt ic u la r 80 116 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 116P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 116 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Atividade 1 Antes de iniciar esta atividade, pe- ça aos estudantes que retomem a li- tografia da página anterior, que representa um mercado de escravos. Solicite a eles que relembrem de que maneira essas pessoas chegavam ali e destaque o fato de que o tráfico de escravizados era lucrativo tanto para os traficantes e para os senhores de escravos. Em seguida, proponha uma análise coletiva da gravura desta pá- gina. Prossiga com a atividade, auxi- liando os estudantes a responder às questões propostas. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Fazer inferências diretas; interpre- tar e relacionar ideias e informações por meio de leitura de texto e ima- gem. Favorece ainda a ampliação de vocabulário e o desenvolvimento da produção de escrita. Atividade 2 Auxilie os estudantes a ler e a inter- pretar os dados da tabela para, em seguida, responder às questões. Eles deverão exercitar as habilidades de identificação e comparação de infor- mações. Finalize a atividade pergun- tando à turma quais eram as causas da redução do número de escraviza- dos no Brasil. Espera-se que os estu- dantes afirmem que, com a proibição do tráfico transatlântico, não entra- vam novos escravizados no Brasil e, assim, com as alforrias e mortes, o número declinou consideravelmente no período indicado. Aponte que es- ses dados são independentes da con- tinuidade do tráfico interno. A atividade contempla os seguin- tes objetivos de alfabetização e lite- racia: Interpretar e relacionar ideias e informações por meio de leitura e comparação de dados de uma tabe- la. Fazer inferências diretas. 1. Observe a gravura, leia a legenda e responda às questões no caderno. Gravura de J. Cooper, feita com base em ilustração de George Lydiard Sulivan, de 1873. Diante da aproximação de navios- -patrulha britânicos, traficantes livram-se de sua “carga”. T h e B ri d g e m a n L ib ra ry /G ru p o K e y s to n e /C o le ç ã o p a rt ic u la r a) De que “carga” os traficantes procuravam se livrar? b) Como os traficantes procuravam se livrar dessa “carga”? c) Por que os navios-patrulha britânicos aprisionavam os navios que transporta- vam escravizados? d) No caderno, copie do texto da página anterior o trecho que se refere à gravu- ra acima. 2. Analise a tabela e responda às questões no caderno. Declínio da população escravizada por região brasileira (1872 a 1887) Regiões* 1872 1887 Norte 102 397 43 981 Nordeste 405 470 171 797 Sudeste 891 306 482 327 Centro -Oeste 17 319 8 188 Sul 93 335 16 882 Brasil 1 509 827 723 175 *Os dados da tabela consideram as atuais regiões brasileiras, conforme a classificação regional proposta pelo IBGE. Fonte: elaborado com base em LUNA, Francisco V.; KLEIN, Herbert S. Escravismo no Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial/Edusp, 2000. p. 320. a) Entre os anos de 1872 e 1887, o que aconteceu com o número de escravizados no Brasil? b) Qual região concentrava a maior quantidade de escravizados? Por quê? Dos africanos escravizados. Atirando essas pessoas ao mar. Decresceu. A região Sudeste, porque os escravizados eram mão de obra para o cultivo do café, reali- zado nas fazendas dessa região. Não escreva no livro. 1. d) Descontente com essa atitude, o governo inglês aprovou uma lei em 1845, conhecida como Bill Aberdeen. Essa lei dava à marinha inglesa o direito de aprisionar embarcações que estivessem transportando escravizados da África para a América. Os navios-patrulha britânicos passaram, então, a aprisionar essas embarcações no mar, impe- dindo que chegassem ao Brasil. 1. c) Porque o governo inglês havia aprovado uma lei em 1845, conhecida como Bill Aberdeen, que dava à ma- rinha britânica o direito de aprisionar navios que estivessem transportando escravizados da África para a América. 81 117 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 117P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 117 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Proponha uma discussão sobre a questão inicial desta página, de forma que os estudantes exponham o que já sabem sobreo assunto e formulem hipóteses, caso não conheçam as for- mas de mobilização da sociedade no século XIX. Anote suas ideias e hipóte- ses no quadro. Esclareça que, no pro- cesso que culminou na abolição, os escravizados resistiram à escravidão durante séculos e de diversas formas, com negociações, fugas, formação de quilombos e rebeliões. Deixe claro que essas formas de resistência vinham acontecendo durante todo o período colonial. As discussões sobre a abolição se intensificaram a partir do século XIX e a população livre contribuiu com a criação ou incentivo a clubes, associa- ções e jornais que difundiam as ideias abolicionistas. Nesse momento, o ob- jetivo é que a turma entenda que a abolição da escravatura foi consequên- cia de uma ampla mobilização da so- ciedade civil, de escravizados e livres, e não apenas um ato do governo. Para saber mais O texto a seguir, do historiador Má- rio Maestri, pode ajudar a elucidar alguns dos acontecimentos nesse processo de luta contra a escravidão no Brasil: Até a segunda metade do século XIX, o homem escraviza- do lutou praticamente só contra a escravidão. [...] A vigilância britânica e uma efetiva política repressiva do governo imperial puseram fim ao tráfico internacional em direção ao Brasil. [...] Chega- vam ao fim três séculos de co- mércio humano entre a África e o Brasil. [...] Após 1850, o crescimento do tráfico intermunicipal e interpro- vincial levou município se pro- víncias a viver em um inexorável processo de desescravização. Muitos senhores, sobretudo do Norte e Nordeste, vendiam os cativos e engajavam, por salários ínfimos, membros da população livre e pobre expulsa pela seca das regiões semiáridas do interior. [...] As transformações estruturais e a pressão pública internacional determina- ram, no início dos anos de 1860, o nasci- mento das primeiras correntes de opinião antiescravistas no Brasil. Era o nasci- mento do movimento emancipacionista. MAESTRI, Mário. Império: uma história do Brasil. São Paulo: Contexto, 2002. p. 115-120. A sociedade se mobiliza pela abolição Na sua opinião, como as pessoas fizeram no século XIX para acabar com a escravidão? Resposta pessoal. O movimento abolicionista adquiriu força a partir de 1880, e a emancipação dos escravizados no Brasil era considerada uma questão de tempo. No mesmo ano, a Revista Illustrada publicou uma caricatura de Angelo Agostini, na qual um homem branco usando um guarda-chuva tenta impedir a chegada da emancipação, representada por uma nuvem em forma de anjo. R e p ro d u ç ã o /R e v is ta I llu s tr a d a Entre 1840 e 1889, o Brasil viveu sob o governo de dom Pedro II. Esse período é conhecido como Segundo Reinado. Dom Pedro II se tornou imperador com apenas 14 anos, em uma época em que o país passava por várias rebeliões e se acreditava que a existência de um imperador poderia garantir a paz e a estabilidade. A proibição do tráfico de africanos foi o primeiro passo para a abolição da escravatura. Pessoalmente, o imperador dom Pedro II era favorável à abolição, mas os grandes donos de terra consideravam a compra e venda de escravizados um investimento. Por isso, recusavam-se a discutir o fim da escravidão sem que o go- verno os compensasse pelo capital que seria perdido. Enquanto o governo e os grandes donos de escravizados discutiam sem chegar a nenhum acordo, a sociedade e os próprios escravizados começaram a agir. Os escravizados resistiam à escravidão como podiam, principalmente por meio de fugas, formação de quilombos e rebeliões. A partir de 1860, setores cada vez mais amplos da população livre das cidades se mobilizaram em defesa da abolição. Surgiram clubes, associa ções e jornais que difundiam ideias abolicionistas. 82 118 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 118P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 118 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Comente com os estudantes que dom Pedro II era filho e sucessor de dom Pedro I, o proclamador da Inde- pendência do Brasil. Ele assumiu o trono após o chamado Período Re- gencial (1831-1840), momento de grande instabilidade política em que eclodiram muitas revoltas no Brasil. Explique também a eles a ideia de “investidor”, para que compreendam o papel dos senhores de escravos nas discussões sobre a abolição e seus interesses financeiros caso ela se con- cretizasse. Atividade 1 Esta atividade aborda o papel da mulher no processo de abolição, com destaque para a figura de Chiquinha Gonzaga, compositora e musicista carioca, filha de um militar com uma escravizada liberta. Oriente os estu- dantes na leitura do texto, esclarecen- do as dúvidas que surgirem, e auxilie-os na localização das informa- ções necessárias para responder às questões propostas. A atividade contempla os seguin- tes objetivos de alfabetização e lite- racia: Localizar e retirar informação explícita; além de favorecer o desen- volvimento da produção de escrita. Obs.: O texto dessa atividade pode ser lido em voz alta por um ou mais estudantes, visando à fluência em leitura oral. Atividade 2 Oriente os estudantes na produção da propaganda, pedindo que criem um slogan e usem fotografias, gravu- ras ou desenhos além do texto em apoio à abolição dos escravizados. Um site que pode ser consultado pa- ra subsidiar essa elaboração é o do Geledés – Instituto da Mulher Negra: https://kwx.short.gy/6NP9s7 (acesso em: jun. 2021). Após a criação da pro- paganda, incentive os grupos a divul- gar o trabalho em redes sociais, blogs ou no site da escola. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Interpretar e relacionar ideias e informações; analisar e avaliar conteúdo e elementos textuais. Também favorece a criatividade, a troca de ideias, a escuta, a expressão oral e a produção de escrita. Atividade complementar O abolicionismo foi um movimento fundamen- tal na luta pelos direitos civis no Brasil. Para trazer o assunto aos dias de hoje, proporcionando aos estudantes uma reflexão sobre demandas sociais atuais, proponha a realização de uma pesquisa em jornais, revistas e na internet sobre movimen- tos civis contemporâneos no país. Oriente-os a seguir o roteiro: • Quais são esses movimentos? • O que eles reivindicam? • Eles lutam contra o que ou a favor de quê? Se julgar necessário, indique aos estudantes alguns movimentos que podem ser analisados: o dos trabalhadores sem-terra, o da população sem- -teto, o feminista, o da defesa dos direitos de ne- gros, o dos direitos dos indígenas, da população LGBTIQ+, entre outros. Oriente os estudantes a sintetizar o resultado da pesquisa em um texto no caderno, que pode- rá ser apresentado em sala de aula para a turma. Os clubes abolicionistas, por exemplo, ajudavam a esconder escravizados em fuga, arrecadavam dinhei- ro para pagar as alforrias e defendiam os fugitivos na Justiça. Muitos desses fugitivos eram encaminha- dos aos quilombos, onde podiam se refugiar, viver e trabalhar livremente. 1. Leia o texto e depois responda às questões no caderno. A mulher no processo de abolição da escravatura Compositora, instrumentista, regente. Rio de Janeiro, RJ, 17/10/1847 – idem, 28/02/1935. Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liber- dades no país […]. Foi uma ativa participante do movimento pela abolição da escravatura, venden- do suas partituras de porta em porta a fim de angariar fundos para a Confederação Libertadora. Com o dinheiro arrecadado na venda de suas músicas comprou a alforria de José Flauta, um escravo músico. Geledés – Instituto da Mulher Negra. Chiquinha Gonzaga. Disponível em: https://ijp.short.gy/4sniOt. Acesso em: 5 jul. 2021. Para casa alforria: liberdade concedida pelo senhor ao escravizado, voluntariamenteou mediante pagamento. angariar: arrecadar, juntar colaborações em forma de apoio, dinheiro, mantimentos, etc. Chiquinha Gonzaga, primeira maestrina brasileira, foi também uma participante ativa da campanha abolicionista. Foto de 1865. R e p ro d u ç ã o /C o le ç ã o p a rt ic u la r a) Qual era o talento de Chiquinha Gonzaga? b) De que forma ela contribuiu para a causa abolicionista? 2. Imaginem que vocês fazem parte de um clube abolicionista que foi criado por volta de 1887. Como vocês divulgariam as ideias do clube? Em grupos, criem uma propaganda para difundir ideias abolicionistas. Produ- zam cartazes bem coloridos e chamativos. Chiquinha Gonzaga tinha talento para a música: era compositora, instrumentista e regente. Ela vendia partituras de porta em porta para conseguir fundos para uma instituição que comprava a alforria de escravizados. Resposta pessoal. Leia as orientações para a atividade neste Manual do Professor. Não escreva no livro. 83 119 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 119P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 119 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Converse com os estudantes sobre as leis abolicionistas apresentadas no quadro da página 84 e explique suas consequências para os escravizados. A Lei do Ventre Livre, por exemplo, não assegurava novas oportunidades aos beneficiados por ela e nem mesmo garantia que eles se desvinculassem dos senhores. Já a Lei dos Sexagená- rios beneficiou mais os donos de es- cravizados do que os cativos. Comente também que a Lei Áurea foi assinada pela princesa Isabel, que go- vernava o Brasil na ausência de seu pai dom Pedro II, que estava na Europa para tratamento médico. Essa lei foi enviada à Assembleia-Geral pela prin- cesa no dia 8 de maio. Dois dias depois, já estava aprovada e seguiu para o Senado. No domingo, 13 de maio, foi aprovada pelos senadores e, em segui- da, sancionada pela princesa. Atividade Antes de solicitar aos estudantes a realização desta atividade, certifique- -se de que eles compreenderam os dados do quadro. Em seguida, orien- te-os a utilizar as datas informadas para fazer o cálculo. Falando sobre... Comente que atualmente, após mais de 130 anos da abolição da es- cravatura, ainda há trabalhadores em condições análogas à escravidão em grandes propriedades rurais no inte- rior do Brasil. A maioria dessas pes- soas tem ascendência africana. É importante ressaltar para os estudan- tes que o trabalho forçado é uma prática criminosa, que fere os direitos mais básicos do cidadão e, por isso, deve ser combatida, tanto pela socie- dade civil quanto pelo Estado. O trabalho com esta seção propicia um debate sobre a presença do racis- mo e de práticas discriminatórias na sociedade brasileira atual. As discussões podem basear-se no texto a seguir: Converse com os estudantes sobre as permanências do trabalho escravo e das difíceis condições de vida en- frentadas pela população negra até os dias de hoje. É papel da escola es- timular o debate e a formação de uma consciência crítica nos estudan- tes em relação a práticas discrimina- tórias e à desigualdade social. Por fim, oriente os estudantes a pesquisar, em fontes diversas, casos de escravidão contempo- rânea. Um site que pode ser consultado como apoio a essa pesquisa é o do programa Escravo, nem pensar!, coordenado pela ONG Repórter Brasil: https://kwx.short.gy/Ht7mmB. Acesso em: 26 jun. 2021. As leis abolicionistas Pressionado pela sociedade, o governo aprovou medidas que extinguiram gra- dualmente a escravidão (leia o texto do quadro abaixo). O Brasil foi o último país ocidental a libertar os escravizados. A escravidão era o maior obstáculo para a con- quista da cidadania pela população negra, uma luta que ainda ocorre no presente. Ano Leis abolicionistas Medidas 1850 Lei Eusébio de Queirós Proibia o tráfico de escravizados. 1871 Lei do Ventre Livre Declarava livres os filhos de escravizados nascidos a partir da data da lei. Os beneficiados por essa lei deveriam ser entregues para o governo criá-los ou tinham que prestar trabalho ao senhor até os 21 anos. 1885 Lei dos Sexagenários Libertava os escravizados com mais de 60 anos. Com essa lei, os proprietários de escravizados não teriam mais que sustentar escravizados de idade muito avançada para o serviço braçal pesado. 1888 Lei Áurea Libertava os escravizados sem compensações aos senhores. • Analise o quadro acima e responda: Quantos anos transcorreram entre a Lei Eusébio de Queirós e o fim da escravidão? 38 anos. Não escreva no livro. Combate ao trabalho escravo O trabalho em condições análogas à escravidão ainda existe no Brasil, principalmente em setores como o da construção civil, o da indústria têxtil e o das atividades rurais (pecuária, agricultura, carvoarias e madeireiras). Hoje, o direito ao trabalho digno para todos é reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. Combater e denunciar o trabalho escravo é uma obrigação de todos nós. ◆ Em duplas, pesquisem uma notícia que relate um caso de resgate de trabalhadores em condições análogas às da escravidão no Brasil. Anotem a data da notícia, o estado em que o caso aconteceu e a medida tomada pela Justiça. Depois, mostrem às outras duplas o resultado dessa pesquisa. Atividade de pesquisa. Leia orientações para a atividade neste Manual do Professor. FALANDO SOBRE... 84 120 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 120P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 120 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas O texto desta página busca desta- car a questão da inserção do negro na sociedade brasileira após a aboli- ção, bem como as dificuldades en- frentadas por essa população para conquistar o direito à plena cidadania, luta que permanece presente nos dias atuais. Comente com os estudantes que o processo de abolição da escrava- tura no Brasil teve seu desfecho com a assinatura da Lei Áurea, em 1888. Entre os países ocidentais, o Brasil foi um dos últimos a abolir a escravidão. Esse longo período em que o traba- lho escravo vigorou no Brasil é reco- nhecido pelos especialistas como uma das principais causas dos pro- blemas econômicos e da desigual- dade social na atualidade brasileira. É importante enfatizar para a tur- ma que embora a Lei Áurea tenha proibido o regime de trabalho escra- vo no Brasil, não proveu meios para melhorar as condições de vida dos libertos, que passaram a sobreviver às margens da sociedade brasileira. Atividade 1 Segundo o texto, as mulheres qui- lombolas têm funções diversas, tanto no âmbito privado quanto no âmbito público, exercendo um importante papel na preservação da cultura afro- -brasileira e nas lutas pela manuten- ção e regularização do território quilombola. O texto menciona, ainda, a função das mulheres quilombolas no período da escravidão, quando providenciavam alimentos e proteção a refugiados, além de contribuírem na organização do quilombo e de revoltas. Após a leitura do texto e sua dis- cussão, espera-se que os estudantes reconheçam que as mulheres eram mais valorizadas nos quilombos do que na sociedade tradicional da épo- ca da escravidão. Na sociedade tradi- cional, de modo geral permitia-se às mulheres apenas a criação dos filhos eo cuidado com a casa. A atividade favorece: Localizar e retirar informação explícita, além de favorecer o desenvolvimento da produção de escrita. O texto pode ser lido em voz alta por um ou mais estudantes, visando a fluência em leitura oral; Interpretar e relacio- nar ideias e informações. A difícil vida dos ex-escravizados Após a abolição, os escravizados libertos não receberam assistência do governo para se integrar à sociedade e se tornar cidadãos plenos. Como não tinham acesso à terra nem à educação, os ex-escravizados e suas famílias tiverambastante dificul- dade em se adaptar à nova situação. No trecho a seguir, o historiador Flávio dos Santos Gomes conta como foi o fim da escravidão para essas pessoas. […] Os libertos, apelidados de “os 13 de maio”, procuravam redefinir os rumos de suas vidas. Famílias negras inteiras abandonaram fazendas, migrando para outras regiões. Não poucos negociaram permanência e relações de trabalho com antigos pro- prietários, garantindo salários, parcerias e roças. GOMES, Flávio dos Santos. Negros e política (1888-1937). Rio de Janeiro: Zahar, 2005. p. 14. Os escravizados libertos também tiveram que lidar com a discriminação e o preconceito da sociedade. Sem outra perspectiva, muitos se estabeleceram nas periferias das cidades, vivendo sem um trabalho fixo. A abolição foi o começo de uma luta pela igualdade que permanece até os dias de hoje. 1. Leia o texto a seguir, sobre o papel da mulher nos quilombos e na luta por direitos. Depois, responda às questões no caderno. […] as mulheres quilombolas tiveram e têm um papel de extrema importância nas lutas de resistência, manutenção e regularização de seus territórios. […] estas mulheres têm sido as guardiãs das tradições da cultura afro-brasilei- ra, além de cuidar da casa, dos filhos(as), dos(as) idosos(as), doentes, da roça, dos animais e da preservação dos recursos naturais. Nos tempos da escravização, pro- videnciavam alimentos e proteção aos refugiados(as) das lutas de resistência pela liberdade e estavam diretamente envolvidas na organização do quilombo e de mui- tas revoltas. […] PINTO, Célia Cristina da Silva; DEALDINA, Selma dos Santos. Mulheres quilombolas e o direito à terra. CartaCapital, 15 de agosto de 2017. Disponível em: https://ijp.short.gy/ssyfIv. Acesso em: 5 jul. 2021. a) Quais são as principais funções das mulheres quilombolas segundo o texto? Escreva, com suas palavras, um resumo dessas funções. b) Na sua opinião, a situação das mulheres dentro da comunidade quilombola du- rante o período da escravidão era melhor ou pior do que a de outras mulheres livres daquela época? Para casa Resposta pessoal. Leia orientações para a atividade neste Manual do Professor. Não escreva no livro. Resposta pessoal. Leia orientações para esta atividade neste Manual do Professor. 85 121 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 121P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 121 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Atividade 2 Incentive a reflexão dos estudantes nos itens a e b. Uma data comemorati- va como essa pode colaborar para um maior conhecimento sobre a diversida- de étnico-racial existente em nosso país. A data também pode ser encarada como um incentivo para o respeito às diferenças, com ênfase na CECH1 e na CECH4. Comente com a turma que a luta pela igualdade racial, o respeito e a tolerância são atitudes cidadãs. Atividade 3 Sugerimos o trabalho com jornais e revistas. Traga jornais e revistas de anos recentes para a sala, divida a sa- la em grupos e distribua o material. Oriente os estudantes a pesquisar matérias ou notícias concernentes ao assunto. Auxilie os grupos a escolher uma delas para expor aos demais. É importante que os estudantes percebam que buscar a igualdade de direitos entre brancos e negros é uma questão de justiça social, uma vez que a população negra tem o direito de ser tratada como cidadãos plenos. Os indicadores socioeconômicos mostram que a criação de políticas públicas na busca da igualdade racial vem melhorando essas métricas. Nes- se sentido, podemos dizer que os jovens negros hoje têm melhores oportunidades de acesso à educação, a cultura e a saúde, por exemplo, do que tiveram seus pais. No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito para que possamos superar esse abis- mo racial, herança dos séculos de escravidão negra na história do Brasil. A atividade contempla os seguintes objetivos de alfabetização e literacia: Pesquisar, localizar e retirar infor- mação explícita de texto e imagens de meio digital. Contribui também pa- ra o desenvolvimento da competência em tecnologia, além de favorecer a escuta e a fluência em leitura oral. Atividade 4 Promova um debate entre os gru- pos sobre os temas levantados. Alguns exemplos que podem ser apontados: cultura afro-brasileira; educação, em- prego e igualdade salarial para negros na atualidade; participação de ho- mens e mulheres negros na política brasileira; homens e mulheres negros cientistas e intelectuais, entre outros. Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. A atividade contempla os seguintes objetivos de alfabetização e literacia: Analisar e avaliar conteúdo e elementos textuais. Contribui ainda para a consolidação dos conhecimentos de literacia e alfabetização, incentivando o de- senvolvimento da expressão oral, da escuta, da troca de ideias e da produção de escrita. Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. 2. Leia o texto a seguir e observe a pintura. Em seguida, responda às questões no caderno. O Dia da Consciência Negra é celebrado no Brasil em 20 de novembro, data da morte de Zumbi, um grande líder negro do Quilombo dos Palmares. Esse dia é dedicado à reflexão so- bre a importância dos afrodescen- dentes para o país e à luta contra a desigualdade racial. Atualmen- te, passados mais de 100 anos da abo lição, ainda há muito a ser fei- to em favor da igualdade de opor- tunidades e contra qualquer tipo de discriminação. Texto elaborado pelos autores. R e p ro d u ç ã o /M u s e u A n tô n io P a rr e ir a s , N it e ro i, R J . a) Na sua opinião, é importante ter uma data para promover a igualdade racial? Justifique sua resposta. b) No lugar onde você vive, é feriado nesse dia? 3. A discussão sobre o direito à igualdade racial vem ganhando cada vez mais espaço na sociedade brasileira. Selecione uma notícia ou um acontecimento recente que reflita essa discussão. Converse com os colegas e o professor sobre o conteúdo. Em seguida, reflitam: Por que é importante promover a igualdade de direitos entre brancos e negros no Brasil? 4. Reúnam-se em grupos e sugiram temas que vocês gostariam de discutir na escola no Dia da Consciência Negra. Anotem os temas propostos em uma lista. Depois, votem para eleger as três melhores sugestões e encaminhem à direção da escola. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Leia orientações para a atividade neste Manual do Professor. Zumbi foi o último líder do Quilombo dos Palmares. Considerado símbolo de resistência contra a escravidão no período colonial, ele lutou pela liberdade e pela dignidade dos escravizados. Ao lado, Zumbi, de Antônio Parreiras, 1927 (óleo sobre tela, de 1,13 m × 0,86 m). Não escreva no livro. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Leia orientações para a atividade neste Manual do Professor. 86 122 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 122P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 122 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas O texto e a atividade da página 87 se inserem no contexto da valoriza- ção da cultura e das tradições da po- pulação negra no Brasil. O texto revela práticas culturais dos afrodes- cendentes que eram discriminadas no passado, mas que aos poucos fo- ram incorporadas como parte signi- ficativa da cultura brasileira. Ressalte tais manifestações culturais como contribuições que passaram por sé- culos de resistência até chegar aos dias de hoje. Atividade Para ampliar as possibilidades di- dáticas com esse tema, esta atividade propõe uma pesquisa sobre diferen- tes manifestações culturais afro-bra- sileiras: capoeira, ofício das baianas do acarajé, samba de roda do Recôncavo Baiano e Festa do Nosso Senhor do Bonfim. Divida os temas entre a turma e oriente a pesquisa de cada grupo. Para além da apresentação dos gru- pos em sala de aula, avalie a possibi- lidade de organizar uma exposição na escolasobre a cultura afro-brasi- leira no passado e no presente. Nesse caso, organize com os estudantes a exposição do resultado dos trabalhos e convide os responsáveis e os de- mais membros da comunidade esco- lar para conhecer as pesquisas. A atividade contempla o seguinte objetivo de alfabetização e literacia: Pesquisar, localizar e retirar infor- mação explícita de texto e ima- gens. Também contribui para a consolidação dos conhecimentos de literacia e alfabetização, incentivando o desenvolvimento da produção de escrita e da competência em tecno- logia, além de favorecer a escuta e a fluência em leitura oral. Superando o racismo na escola, de Kabenge- le Munanga (org.). Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabeti- zação e Diversidade, 2005. O livro, organizado pelo antropólogo Kabengele Munanga, forne- ce subsídios para o trabalho, em sala de aula, com a questão do negro no Brasil. O material foi elaborado no contexto da promulgação da Lei n. 10 639, de 9 de janeiro de 2003, que tor- nou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira na escola. Ele está disponível no portal do Ministério da Educação, no link: https://kwx.short.gy/xeM3IS. Acesso em: 17 jul. 2021. O herói de Damião em: a descoberta da ca- poeira, de Iza Lotito e Paulo Ito. Girafinha, 2006. O livro narra a história de um menino que não encontrava um herói com a mesma cor da sua pele, até descobrira capoeira. Narrada em ver- sos, a obra traz ainda um histórico da capoeira, com um glossário dos termos utilizados. Para saber mais A cultura afro -brasileira Os africanos e seus descendentes também lutavam, no cotidiano, para ter o direi- to de praticar sua cultura e sua religião. Escravizados e negros livres praticavam dan- ças como o lundu e o batuque, que se tornaram muito populares e deram origem, já no século XX, ao samba e a outras manifestações da música popular brasileira. A capoeira Outra manifestação importante da cultura afro -brasileira é a capoeira, conside- rada ao mesmo tempo um jogo, uma dança e uma luta. Essa tradição foi trazida pelos africanos escravizados e aqui foi modificada. A capoeira se difundiu no Rio de Janeiro e em Salvador durante o século XIX. Nessas cidades, as chamadas “mal- tas” (grupos de “capoeiras”, formados por negros livres, escravizados e até mesmo brancos) se encontravam para competir e demonstrar suas habilidades. Às vezes, esses encontros viravam brigas e geravam confusão, o que levou as autoridades da época a reprimir essa manifestação cultural. A capoeira chegou a ser considerada crime e ficou proibida por muito tempo, até ser finalmente aceita pelo governo, em 1937. Hoje, ela é apreciada e praticada em todo o Brasil e em vários países do mundo. Em 2014, foi considerada patrimô- nio imaterial da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). • A capoeira, o ofício das baianas do acarajé, o samba de roda do Recôncavo Baiano e a Festa do Nosso Senhor do Bonfim são práticas culturais afro-brasileiras consideradas patrimônio imaterial. Reúna-se com os colegas e sigam o roteiro. • Escolham uma dessas práticas e façam uma pesquisa sobre ela. • Organizem uma forma de apresentação dos dados coletados. • Apresentem seu trabalho para os outros colegas da turma. Roda de capoeira no bairro Amaralina, em Salvador (BA), em foto de 2019. A capoeira é praticada em todo o país em academias e em espaços públicos. S e rg io P e d re ir a /P u ls a r Im a g e n s Não escreva no livro. 87 123 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 123P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 123 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Ler o mundo: História viva Nesta seção, o objetivo é destacar a fotografia como fonte histórica. Pa- ra relacioná-la ao que a turma tem estudado sobre a função da arte no conhecimento histórico, converse brevemente com eles sobre as dife- renças entre o registro fotográfico e o registro de gravuras, como as de Debret. Para entender a função da fotogra- fia como fonte histórica, é importan- te conhecer especificidades da linguagem fotográfica. Diferente- mente da pintura, por exemplo, a fotografia apreende a realidade de forma mais direta. Contudo, é impor- tante considerar que o fotógrafo o faz a partir do seu ponto de vista, e não como um reflexo puro e simples do mundo exterior. Por meio da seleção do tema da fotografia, da escolha de como pessoas ou objetos são retra- tados e dos recursos técnicos utiliza- dos, o fotógrafo consegue fazer um recorte da realidade e apresentá-lo ao espectador. Explique aos estudantes que a in- trodução da fotografia no Brasil, na segunda metade do século XIX, acon- teceu no contexto de prosperidade econômica garantida pela economia cafeeira. Essa nova técnica de produ- zir imagens permitiu a documentação das transformações pelas quais o país passava, especialmente nas cidades. A fotografia pode ser um recurso didático valioso em função de seu caráter lúdico, das diferentes possibi- lidades de uso e de seu potencial de estimular a criatividade, o senso esté- tico e a autoestima dos estudantes. Estimule a observação das fotografias reproduzidas nesta seção. Por meio dessa análise, espera-se que eles per- cebam nas imagens desse fotógrafo a presença constante de escraviza- dos, sendo que a fotografia produzida fora de estúdio apresenta uma cena do cotidiano do Rio de Janeiro, no século XIX. Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido.Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. LER O MUNDO: HISTÓRIA VIVA A fotografia brasileira no século XIX Desde o seu surgimento, a fotografia é uma das fontes históricas mais impor- tantes para o estudo de determinado período. A fotografia chegou ao Brasil em 1839, trazida por um francês chamado Hercules Florence (1804-1879), que inven- tou um processo próprio para tirar fotografias. A partir de 1850, com a prosperidade trazida pelo café e o crescimento das cidades, essa nova forma de arte logo se popularizou e surgiram estúdios fotográ- ficos nas principais cidades brasileiras. O francês Marc Ferrez (1843-1923) é consi- derado um dos fotógrafos mais importantes da época no Brasil. Com sua câmera, ele documentou a beleza da natureza e o cotidiano das grandes cidades do país. Observe algumas fotografias de Marc Ferrez, feitas em estúdio. Negro cesteiro, foto de Marc Ferrez, cerca de 1875.Negra na Bahia, foto de Marc Ferrez, cerca de 1884. M a rc F e rr e z/ C o le ç ã o p a rt ic u la r M a rc F e rr e z/ C o le ç ã o p a rt ic u la r Não escreva no livro. 88 124 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 124P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 124 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM Orientações didáticas Atividade 1 A fotografia de Marc Ferrez permite a observação de uma situação cotidia- na no passado: escravos de ganho nas ruas do Rio de Janeiro. Peça aos estu- dantes que observem atentamente a imagem e faça perguntas para orientar a interpretação, como: Quem são as pessoas retratadas? O que elas estão fazendo? Essa imagem pertence ao presente ou ao passado? Como vocês sabem disso? Podemos observar situa- ções semelhantes a essa no presente? Quais sentimentos essa imagem nos transmite? Que aspecto lhes chama mais a atenção? A atividade contempla Localizar e retirar informação explícita; Anali- sar e avaliar conteúdo e elementos textuais. Aatividade favorece o desen- volvimento da produção escrita. Atividade 2 Espera-se que os estudantes per- cebam como a fotografia ajuda a do- cumentar transformações. A turma deve comparar diferentes períodos da história do município onde vivem por meio de fotografias. As fotografias podem ser feitas com celulares, má- quinas digitais ou analógicas. Se não for possível fotografar, oriente-os a pesquisar imagens atuais e antigas de um determinado lugar. Espera-seque o trabalho produzi- do por eles retrate paisagens e cenas marcantes do cotidiano nos diferen- tes períodos. A conclusão da ativida- de deve ser orientada de modo que os estudantes reflitam sobre mudan- ças e permanências. Pode ser interessante fazer par- ceria com a disciplina de Arte e am- pliar o trabalho com a linguagem da fotografia. Para saber mais, veja o plano de aula com várias suges- tões de abordagem. Disponível em: https://kwx.short.gy/FZp49N. Aces- so em: 17 jul. 2021. A atividade contempla os seguin- tes objetivos de alfabetização e lite- racia: Pesquisar, localizar e retirar informação explícita de texto e ima- gens de meio impresso ou digital. Também contribui para a consolida- ção dos conhecimentos de literacia e alfabetização, incentivando o desen- volvimento da produção de escrita e da competência em tecnologia, além de favorecer a escuta e a fluência oral. a) Quando e por que razão a fotografia se popularizou no Brasil? b) Que aspecto do cotidiano das cidades é retratado na fotografia acima? c) Observe as ruas da cidade onde você mora. Esse tipo de trabalho ambulante ainda existe? Compare com a imagem acima. 2. Reúna-se com os colegas e, com o grupo, siga o roteiro proposto. • Escolham um bairro ou uma região do município onde vocês moram e façam fotografias desse local. • Pesquisem em arquivos públicos, bibliotecas, jornais ou na internet fotografias antigas dessa região ou desse bairro. • Montem um painel com as imagens que vocês produziram ou pesquisaram. • Apresentem e discutam o resultado com os outros grupos. A partir de 1850, por causa da expansão econômica trazida pelo café e do crescimento das cidades. O comércio de alimentos em um mercado de rua. 1. Observe a fotografia abaixo e, com base no texto que você acabou de ler, res- ponda no caderno às questões. M a rc F e rr e z/ C o le ç ã o p a rt ic u la r Mulheres no mercado, foto de Marc Ferrez, Rio de Janeiro (RJ),1875. 1. c) Sim. O comércio ambulante ainda é bastante presente nas cidades brasileiras. Entretanto, hoje esse tipo de trabalho é livre, diferentemente do que observamos na fotografia Mulheres no mercado, de trabalhadoras escravizadas. 89 125 P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 125P4_5_Vem_Voar_Historia_g23At_078a131_U02_MP.indd 125 8/17/21 4:42 PM8/17/21 4:42 PM