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30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 1/34 INTERVENÇÃO: COMO PROMOVER A APRENDIZAGEM DAS FUNÇÕES COGNITIVAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Saber: Compreender como ocorre a aprendizagem neurologicamente e aprender técnicas e práticas educativas que possibilitam o desenvolvimento das funções cognitivas superiores. Fazer: Aprender como ocorre a aprendizagem humana. Aprender técnicas e práticas educativas que possibilitam a aprendizagem das funções cognitivas de escolares, sabendo estimular as habilidades intelectuais também de sujeitos com di�culdades de aprendizagem. A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: 1 CONTEXTUALIZAÇÃO As funções cognitivas não são desenvolvidas de maneira inata, mas em relação com os mediadores sociais e culturais. A “intervenção” refere-se ao papel do mediador no processo de aprendizagem das habilidades cognitivas. As nossas Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 2/34 capacidades intelectuais são ensinadas no contato com o outro ou mediada com instrumentos de signi�cado social. Portanto, precisam ser estimuladas, ensinadas. Diante disso, neste capítulo teremos como objetivo pensar na estimulação cognitiva, buscando estratégias de mediação para que a habilidade cognitiva seja aprendida, modi�cando a conduta do sujeito de modo a obter um comportamento social e intelectual autônomo e consciente. Este capítulo está dividido em três momentos: no primeiro discutiremos a tríade funcional da aprendizagem, que se referem às funções conativas, cognitivas e executivas. Como já discutido, nosso cérebro não trabalha de maneira isolada, mas de forma integrada e complexa. Quando se fala em desenvolvimento cognitivo, naturalmente é preciso pensar em aspectos amplos que envolvem a aprendizagem, sejam as emoções (conação), a capacidade de organizar os estímulos sociais que nos cercam e a de executar um comportamento social consciente e crítico. As funções cognitivas elementares são inatas do desenvolvimento humano, mas as funções cognitivas superiores são desenvolvidas durante o processo de aprendizagem. Assim, no segundo tópico discutiremos como estimular as funções cognitivas superiores, visto que tais funções só se desenvolvem no contexto mediado socialmente. É válido lembrar que as propostas indicadas nesse tópico são apenas modelos que devem ser pensados e ampliados diante de cada necessidade. Quando realizamos uma intervenção, temos que ter em mente que cada sujeito é único e o planejamento de uma ação deve ser organizada pensando na aprendizagem singular que cada ser desenvolve. No último tópico, falaremos sobre a autorregulação e as funções executivas. As funções executivas são as funções cognitivas reguladas pelo próprio indivíduo, assim, se possuo autonomia na realização de atividades sociais, acadêmicas e pro�ssionais é por que possuo o desenvolvimento das funções executivas. Promover a sua aprendizagem é fundamental para caracterizar o sucesso pessoal e pro�ssional do indivíduo. 2 INTERVENÇÃO: COMO PROMOVER A APRENDIZAGEM DAS FUNÇÕES COGNITIVAS. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 3/34 Neste capítulo iremos apresentar estratégias de intervenção para o desenvolvimento das funções cognitivas. É importante ressaltar que tais estratégias não desenvolverão apenas uma habilidade cognitiva isolada, pois nosso cérebro trabalha de maneira integrada e quando realizo uma atividade posso estimular diversas áreas intelectuais, motoras e afetivas. O objetivo desse capítulo é propor estratégias para a elaboração de atividades que promovam o desenvolvimento das habilidades cognitivas, dando um modelo para ser idealizado, modi�cado e ampliado. A proposta não é de engessar ideias, muito pelo contrário, o intuito é faze-lo ampliar suas capacidades no planejamento de ações que promovam o desenvolvimento intelectual dos sujeitos com quem terá contato em uma possível intervenção, seja um aluno, paciente, �lho etc. 2.1. COMPREENDENDO A TRÍADE FUNCIONAL DA APRENDIZAGEM: FUNÇÕES CONATIVAS, COGNITIVAS E EXECUTIVAS As funções cognitivas se referem ao fato de processar mentalmente o conhecimento e para isso utilizamos recursos intelectuais de percepção, atenção, memória, raciocínio lógico, linguagem e pensamento. Tais processos mentais decorrem dos estímulos sociais e culturais que o sujeito vivencia. Segundo Fonseca (2014) a cognição é sistêmica e é resultado da integração do conjunto das funções mentais acima citadas, as quais trabalham segundo determinadas propriedades: totalidade (noção de integração); interdependência (noção de coibição); hierarquia (noção de maturidade e complexidade); autorregulação (noção de busca de objetivos e �ns a atingir); intercâmbio (noção de referência e efeito da experiência); equilíbrio (noção de homeostasia); adaptabilidade (noção de modi�cabilidade); e, �nalmente, equi�nalidade (noção de vicariedade, ou seja, de execução e duplicação do pensamento pela ação). Todas essas ações mentais espelham um processo que necessitam de uma sistematização. Assim, as funções cognitivas funcionam em uma hierarquia de desenvolvimento que englobam as funções de captação, integração e expressão (FONSECA, 2014). Segundo Fonseca (2014) as de captação se referem a atenção sustentada; percepção analítica; sistematização na exploração de dados; discriminação e ampliação de instrumentos verbais; orientação espacial com sistemas de Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 4/34 referência automatizados; priorização de dados; conservação e agilização de constâncias (tamanho, forma, quantidade, profundidade, movimento, cor, orientação, dados intrínsecos e extrínsecos, etc.); precisão e perfeição na apreensão de dados; �ltragem, �xação, focagem e �exibilização enfocada de fontes de informação simultânea; etc. As de integração se referem ao fato de conseguir associar conhecimentos, ou seja, a seleção de dados relevantes; minimização e eliminação de dados irrelevantes; comparação, classi�cação, ideação, associação de ideias, manipulação da informação, resolução de problemas, pensamento dedutivo, elaboração de conceitos, criticidade, criatividade e �exibilização. Já as funções expressivas se referem ao fato de ter autonomia intelectual expressando-se com comunicação clara, conveniente, compreensível, desbloqueada e contextualizada; projeção de relações virtuais; transposição psicomotora (transporte ideatório, ideomotor e visuográ�co); expressão verbal �uente e melódica; regulação, inibição, iniciação, persistência, perfeição, veri�cação, conclusão e precisão de respostas adaptativas; enriquecimento de instrumentos não verbais e verbais de expressão; avaliação e retroação das soluções criadas etc.) (FONSECA, 2008). A cognição humana não funciona como um processamento simples de informação, como já nos referimos, as conexões neurológicas são extremamente complexas. No entanto, não podemos negar que a cognição e o ato de aprender se integram. Como cita Vigotski (2009), não existe desenvolvimento intelectual sem aprendizagem. Para Fonseca (2008) mesmo não sendo um processo hierárquico, o processo de desenvolvimento deve ser analisado por partes, para melhor compreendermos e assim intervirmos na aprendizagem humana, sendo a tríade funcional: cognição, conação e execução. Fonseca (2014) identi�ca naquelas três funções (captação, integração e funções expressivas), as bases principais do ato mental, sendo que as suas capacidades proximais é o primeiro passo para avaliar dinamicamente, e depois,intervir individualmente na cognição do indivíduo (aluno, �lho, paciente, etc.), não esquecendo que, quando falamos de cognição, na nossa ótica falamos, simultaneamente, de conação e de execução, a tríade funcional da aprendizagem a que já nos referimos. O desenvolvimento cognitivo se dá quando praticamos, treinamos e aperfeiçoamos tais atos mentais (captação, integração e funções expressivas). Tais Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 5/34 funções e capacidades cognitivas, integrando harmoniosamente as capacidades conativas e executivas, promovem a autonomia intelectual e integral dos sujeitos. Se essas habilidades não forem estimuladas adequadamente, teremos muitas lacunas e dé�cits no desenvolvimento humano. Pessoas com de�ciência ou di�culdades de aprendizagem também podem desenvolver suas habilidades dentro de suas necessidades, mas para isso, é necessário o estímulo adequado, para que a aprendizagem aconteça (FONSECA, 2008). O desenvolvimento das funções cognitivas, conativas e executivas é essencial para o sucesso intelectual e quanto mais precocemente for implementado, mais facilidade tende a emergir nas aprendizagens subsequentes. Devido a isso, bebês com atrasos no desenvolvimento devem ter acesso a estimulação precoce, não no sentido de rotular a criança diante, de acordo com Fonseca (2008), de um prognostico, mas no sentido de evitar futuros dé�cits cognitivos, motores e sociais. À luz das neurociências, Fonseca (2014) explica que as funções cognitivas operacionais e sistêmicas, como: a concentração; a percepção; a memória de trabalho e o raciocínio lógico, têm um impacto direto, funcional ou disfuncional, nas funções conativas e executivas. Funções Conativas Segundo Fonseca (2014) a palavra conação tem raízes no termo latino de "conatus" pela primeira vez introduzido por Espinoza, grande �lósofo racionalista do século XVII. Em termos simples, as funções conativas dizem respeito à motivação, emoções, temperamento e personalidade do indivíduo. Neurologicamente falando nos referimos ao sistema límbico (córtex afetivo). É a região cerebral a qual é responsável pelo controle das emoções. Para Luria (1979) é uma região subcortical mais profunda do cérebro e envolvida, digamos assim, nas relações do organismo com o seu envolvimento presente e passado (imediato, curto e longo prazo), integrando estruturas muito importantes para a memória e a aprendizagem, como a amígdala, o hipocampo, o córtex cingulado e os corpos mamilares. Podemos perceber a disposição dessas estruturas na �gura a seguir: FIGURA 1 - SISTEMA LÍMBICO (CÓRTEX AFETIVO) Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 6/34 FONTE: HUBNER, 2007. As funções conativas, conforme Fonseca (2014), tem como uma de suas funções a de preparar o organismo para certas tarefas ou situações, principalmente as que têm valor de sobrevivência, referente ao medo, perigo, ansiedade, insegurança, desconforto e etc. Podemos dizer que são funções de autopreservação, de bem- estar e de interação social, que incluem representações indutoras de sentimentos (conscientes ou inconscientes, positivos ou negativos). As emoções resultam, portanto, de simples e complexas reações que facilitam a sobrevivência do organismo e, por isso, podem ser preservadas ao longo da evolução, como se a natureza conservasse a vida como algo precioso e precário. A conação diz respeito, em síntese, à motivação, ao temperamento e à personalidade, subentende o controle e a regulação tônico-energética e afetiva das condutas, ou da realização e conclusão de tarefas de aprendizagem, reforçando, assim, a inseparabilidade e irredutibilidade das funções cognitivas, conativas e executivas (FONSECA, 2014). Os processos das funções conativas possuem um poderoso impacto nas funções cognitivas, por um lado, e nas funções executivas, por outro, logo, têm uma in�uência dominante em todo o processo complexo da aprendizagem humana. Já imaginou ter que realizar uma atividade que exige sua atenção após sofrer um momento emocional tenso, como um acidente automobilístico? Se torna quase Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 7/34 impossível. Quando não estamos com nossas funções conativas integradas, não conseguimos pensar de maneira consciente com clareza e efetividade. Dessa forma, quando as crianças estão em processo de desenvolvimento da conação e cognição se colocadas em situação de di�culdade ou estresse de aprendizagem ou até em situação de interiorizar novos esquemas mentais, podem afetar a disponibilidade, o empenho, o equilíbrio, a decisão, o investimento, o esforço e a diligência para se desenvolvimento cognitivo. Assim, em situações de stress, crianças em momentos de aprendizagem podem apresentar comportamentos de in�exibilidade, negação, instabilidade, agitação, recusa ou até mesmo de passividade e estagnação (FONSECA, 2014). Segundo Fonseca (2008) em situações de sofrimento emocional de incompreensão penalizante ou debaixo de uma autorepresentação ou autoestima negativas, a aprendizagem humana tem di�culdades de se materializar, exatamente porque ela tem, e assume sempre, uma signi�cação afetiva, isto é, conativa. Para o Fonseca (2008), com signi�cações emocionais positivas, os sistemas afetivos subcorticais operacionalizam prioridades, desenvolvem preferências, constroem con�anças e seguranças, mobilizam persistências e resiliências face a di�culdades ou limitações, ou seja, organizam atitudes que permitem a aprendizagem consciente e voluntária. Por outro lado, a vulnerabilidade do sistema límbico pode criar barreiras a tais habilidades conativas, podem mesmo explicar a desmotivação, a desorganização, a perda de estratégias de atenção etc., que se repercutem quer nas funções cognitivas, quer nas funções executivas. A conação coloca em jogo três componentes de otimização funcional, como explica Fonseca (2014): - a de valor (porque faço a tarefa); - a de expectativa (que faço com a tarefa); - a afetiva (como me sinto na tarefa). Portanto, para Fonseca (2008) as funções conativas, assumem um papel crucial na aprendizagem, pois, sem a dimensão da afetividade, a aprendizagem não se desenrola como um todo funcional harmonioso e nem se transforma num estado Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 8/34 de plasticidade. As funções cognitivas, conativas e executivas constituem-se como atributos paralelos, convergentes e integradores que é a aprendizagem. Na extensão de uma aprendizagem bem-sucedida, as funções conativas positivas nutrem o interesse, o desejo, a motivação, a curiosidade, o empenho, o esforço, a diligência, o entusiasmo, o prazer, o sentimento de competência e outras necessidades superiores exclusivas da espécie humana. Em casos de di�culdades de aprendizagem as funções conativas podem dar origem a estados emocionais opostos, como: a desmotivação, o desprazer, o desespero, o desgosto, o desencanto, a frustração, a fuga, a rejeição, o estigma, a opressão, o afrontamento, a indisciplina, o fastio, os mecanismos de defesa, etc., que podem provocar o bloqueio na aprendizagem e fragmentar as funções cognitivas e as funções executivas (FONSECA, 2014). Segundo Luria (1979) é fácil perceber que as funções cognitivas interagem dialeticamente com as funções conativas no processo dinâmico da aprendizagem. Por um lado, porque as funções cognitivas respeitam ao processamento da informação, por outro, porque as funções conativas integram a motivação as ações que a executam e sistematizam a aprendizagem. Além das funções cognitivase das conativas a que já nos referimos sumariamente, importa sublinhar que a aprendizagem bem-sucedida envolve também outro conjunto de habilidades consideradas críticas, isto é, as funções executivas. Funções Executivas As funções executivas (FE) são responsáveis pelo planejamento e monitoramento de comportamentos conscientes e intencionais realizados pelo ser humano. Segundo León; Rodrigues; Seabra; Dias (2013) as Funções executivas são um conjunto de habilidades cognitivas necessárias para realizar diversas atividades que exigem o pensamento consciente e voluntario. As FE permitem ao indivíduo interagir com o mundo de forma mais adaptativa, sendo fundamentais para o direcionamento e regulação de várias habilidades intelectuais, emocionais e sociais, como cozinhar, ir à escola, fazer compras, entre outros. A partir do primeiro ano inicia-se o desenvolvimento das funções executivas que se intensi�cam, em um cérebro típico, por volta dos 6 e 8 anos de idade, mas dão continuidade de desenvolvimento até a fase adulta. Conforme León; Rodrigues; Seabra; Dias (2013) o construto FE em componentes simples ou básicos, incluindo Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 9/34 �exibilidade cognitiva, controle inibitório (considerando autocontrole e autorregulação) e memória de trabalho; e em aspectos mais complexos das FE, como resolução de problemas, raciocínio e planejamento. A base anatômica responsável pelas funções executivas é o córtex frontal. Segundo Fonseca (2014) o córtex pré-frontal está intimamente conectado com o córtex associativo posterior, a mais elevada estrutura de integração perceptiva e de reconhecimento multissensorial (visual, auditivo e tátil-cinestésico), e obviamente conectado com o córtex pré (psico)motor, com os gânglios da base e com o cerebelo, todos envolvidos na plani�cação, controle e execução da motricidade. Observemos a �gura a seguir, que destaca o córtex pré-frontal. FIGURA 2 - CÓRTEX FRONTAL REPRESENTADO NA TONALIDADE MAIS ESCURA FONTE: HUBNER, 2007. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 10/34 O controle inibitório é um dos elementos das funções executivas que expõem a habilidade de pensar antes de agir, de ter atenção seletiva e de postergar ou inibir a resposta baseada na capacidade de avaliar múltiplos fatores. O conceito de �exibilidade cognitiva está relacionado à capacidade do indivíduo em mudar ou alternar seus objetivos quando o plano inicial não é bem-sucedido devido a imprevistos, ou quando é necessário alternar entre mais de uma tarefa ou operação, ajustando-se de modo �exível a novas demandas. Em outras palavras, é a capacidade de mudar o curso de ação. Em relação à linguagem, a in�exibilidade cognitiva pode limitar, por exemplo, a capacidade de abstração e de sentido �gurado (LEÓN; RODRIGUES; SEABRA; DIAS 2013)., A memória de trabalho, que também se relaciona às FE, é responsável por armazenar temporariamente e integrar a informação a estímulos ambientais e à memória de longo prazo, possibilitando a manipulação da informação. A memória de trabalho é demandada na compreensão, tanto auditiva como de leitura, na aprendizagem e no raciocínio, sendo fundamental para dar sentido aos eventos que ocorrem ao longo do tempo, manipulando e integrando a informação recebida anteriormente com a informação recebida agora (LEÓN; RODRIGUES; SEABRA; DIAS, 2013). As funções executivas coordenam e integram o espectro da tríade neurofuncional da aprendizagem, onde estão conectadas com as funções cognitivas e conativas que acabamos de abordar. O seu piloto, diretor executivo, líder ou maestro neurofuncional avançado é o córtex pré-frontal, região que ocupa no cérebro humano quase um terço do seu volume cortical (LEÓN; RODRIGUES; SEABRA; DIAS 2013). , Para Fonseca (2014) são exemplo dessas funções intencionais: a elaboração e organização de estratégias; a sustentação da atenção; a �exibilidade, a mudança estratégica, a inibição e o autocontrole e a avaliação e veri�cação de respostas adaptativas ou comportamentais. É a esse conjunto diversi�cado de competências mentais e frontais que denominamos por funções executivas, funções muito signi�cativas que são exigidas para organizar e integrar as aprendizagens. Além disso, o autor destaca que a mesma estrutura neurológica frontal contém também um outro substrato inferior, o orbital, que é responsável pela gestão do comportamento em geral, pela regulação emocional e social, podendo envolver o Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 11/34 controle e a modulação de impulsos, bem como a decisão e a direção de comportamentos complexos. As funções executivas podem ser de�nidas como processos mentais complexos pelos quais o indivíduo otimiza o seu desempenho cognitivo, aperfeiçoa as suas respostas adaptativas e o seu desempenho comportamental em situações que requerem a operacionalização, a coordenação, a supervisão e o controle de processos cognitivos e conativos, básicos e superiores. De certa forma, reúnem um conjunto de ferramentas mentais que são essenciais para se desenvolverem (FONSECA, 2014). Segundo Fonseca (2008), estudos relacionados a neurociências relatam que as crianças e os jovens em situação das primeiras aprendizagens simbólicas precisam especialmente treinar capacidades de inibição e de memória de trabalho, para o que se torna óbvio aprimorar precocemente, digamos já na pré-escola, tais capacidades executivas, conativas e cognitivas. Para León, Rodrigues, Seabra e Dias (2013), os processos mentais das funções executivas permitem-nos captar e integrar informação relevante para os nossos objetivos e para as nossas intenções e �nalidades, ao mesmo tempo que ignoramos uma espécie de mar de estímulos ou de selva de informação irrelevante. Pessoas com dé�cits nas funções executivas enfrentam, por isso mesmo, enormes obstáculos e intransponíveis barreiras para obter rendimento minimamente aceitável em seu desenvolvimento intelectual autônomo. A tríade da aprendizagem é integrada, sendo desenvolvidas paralelamente, uma não se sobrepondo a outra. Não existe desenvolvimento cognitivo sem as funções conativas se apresentarem de forma e�ciente e positiva. Também, sem o controle das emoções e inibições, planejamento de execução, consciência das ações e �exibilidade neurológica, não conseguimos obter autonomia intelectual, que re�etirá no nosso desenvolvimento cognitivo pleno. Somos seres integrados, e quando nos propomos a realizar uma intervenção para desenvolvimento e modi�cabilidade cognitiva, devemos analisar o ser de maneira completa. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 12/34 Assista ao �lme “Como estrelas na terra toda criança é especial”. O �lme conta a história de um menino com dislexia com di�culdades na aprendizagem que atingiram não somente seu desenvolvimento acadêmico, mas pessoal e social também. O roteiro mostra a relação integrada de nosso cérebro, de como a relação da aprendizagem envolve vários aspectos. O �lme também retrata estratégias de ensino das funções cognitivas superiores de maneira lúdica. 2.2 ESTIMULANDO AS FUNÇÕES COGNITIVAS SUPERIORES As funções cognitivas elementares são re�exas e naturais do ser biológico humano. Já as funções cognitivas superiores são apreendidas e formadas no contexto social e cultural, tais funções são conscientes e voluntarias. Sendo assim, as funções cognitivas superiores são ensinadas e estimuladas. Segundo Vigotski (2009) toda aprendizagem antecede o desenvolvimento. Não existe desenvolvimento das funçõescognitivas sem a mediação necessária para serem apreendidas. A relação do homem com o mundo não é direta, mas mediada pelos instrumentos e signos sociais. A mediação incide no espaço de desenvolvimento invisível que o autor denominou de zona de desenvolvimento proximal. O lócus que acolhe a mediação (ou a ação dos instrumentos) se encontra entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. O nível de desenvolvimento real refere-se à capacidade já conquistada da realização autônoma de tarefas, já o nível de desenvolvimento potencial pode ser atingido como resultado da realização de tarefas, com a ajuda de outras pessoas mais capazes. A zona de desenvolvimento proximal está entre esses dois níveis, o real e o potencial. Assim, é função do educador ser mediador na zona de desenvolvimento proximal, contribuindo para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores (VIGOTSKI, 2007). A percepção, atenção, memória, linguagem, raciocínio lógico e criatividade são funções cognitivas conscientes que são desenvolvidas. A percepção é uma das funções cognitivas que se desenvolvem primeiro. Tal função tem como base o Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 13/34 processamento sensorial e as relações sociais e culturais que nos envolve. Perceber não se refere ao fato de processar as informações sensoriais, é muito mais do que isso. Ao perceber processamos os aspectos sensoriais sabendo identi�car as semelhanças e diferenças dos sentidos. Por exemplo, ao olhar essas duas canetas: FIGURA 3 – CANETAS BIC FONTE: <https://www.bicworld.com>. Se sei identi�car as diferenças e semelhanças dessa caneta, posso dizer que percebo os estímulos sensoriais e táteis que a envolvem. Colocamos nessa tabela para exempli�car melhor essa situação. QUADRO 1 – SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS VISUAIS E FUNCIONAIS DAS CANETAS SEMELHANÇAS DIFERENÇAS - Mesmo formato; - Servem para escrever; - São do mesmo tamanho. - As cores são diferentes (uma vermelha e a outra azul). Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 14/34 - Mesma quantidade de tinta. FONTE: A autora. Perceber está no fato de identi�car os detalhes de uma sensação. Vamos dar um exemplo de percepção auditiva. QUADRO 2 – SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS DOS SONS Som de barulho de carro fora da escola e o som do ventilador da sala de aula. SEMELHANÇAS DIFERENÇAS - barulho estridente; - barulho de motor; - barulho repetitivo; - incomodam ou causam sensação de bem-estar. - um está longe outro está perto; - um é mais silencioso que o outro; - um faz mais barulho no começo e depois �ca silencioso, o outro mantem o mesmo som. FONTE: A autora. Quando associo a sensação em um contexto social, signi�cando-a culturalmente, posso dizer que estou desenvolvendo a percepção. Ou seja, a percepção se refere ao fato de identi�car conceitos oriundos das sensações. Por exemplo, se está quente ou frio, se é fraco ou forte, longe ou perto, áspero ou macio, pequeno ou grande, estreito ou largo etc., ou seja, quando dou signi�cado social para as sensações. A capacidade de analisar e comparar permite o desenvolvimento da percepção. Gulart (2008) nos apresenta a ideia que mediar a atenção do sujeito para o objeto ou sensação, mediando e organizando seu pensamento, permite com que sua percepção seja desenvolvida a essa teoria damos o nome de modi�cabilidade Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 15/34 cognitiva, que defende que por meio das mediações entre o sujeito e os signos sociais o cognitivo é modi�cado. Segunda a teoria da modi�cabilidade cognitiva, a mediação está diretamente relacionada com o desenvolvimento da estrutura cognitiva do ser. É papel do mediador selecionar os estímulos que o meio emite, �ltrando-os e organizando-os, para o processamento pelo próprio indivíduo, com o objetivo de seu crescimento intelectual. O mediador é responsável por direcionar a atenção do sujeito para o que é relevante na ação, levando-o a perceber os aspectos fundamentais na atividade principal a ser desenvolvida. Peguemos como exemplo o desenvolvimento da percepção, o mediador deve levar o sujeito a analisar o objeto no intuito de desenvolver sua percepção. Não basta mostrar duas canetas para o sujeito e esperar que sozinho ele desenvolva sua percepção, é necessário que o mediador questione o sujeito no intuito de fazê-lo pensar e analisar o objeto. Como no exemplo das canetas azul e vermelha, ao questionar: “O que as canetas têm de semelhantes” o mediador já cria uma nova perspectiva de pensamento no sujeito que está manipulando as canetas, levando-o a pensar sobre elas por uma ótica diferente. Ou seja, o mediador amplia as possibilidades de pensamento do sujeito (GOULART, 2008). A mediação tem por objetivo ressaltar a percepção do aluno para os detalhes presentes no contexto em que está inserido, a princípio com manipulação e exploração do objeto, que vai sendo orientada a observar os detalhes. Toda essa percepção do aluno deve ser guiada pelo mediador que cumpre o papel de relacionar todos esses detalhes à vivência do indivíduo em sociedade, intensi�cando as suas aquisições individuais (LURIA, 1981; 1979). Pensando na prática, atividades de pareamento e classi�cação permite o desenvolvimento das percepções. O pareamento se refere ao fato de associar ideias. Ao dispor ao sujeito uma proposta de pareamento, conduzo a perceber os detalhes daquilo que gostaria que ele prestasse atenção. Por exemplo, mostro para o sujeito uma sequência de imagens e peço para ele encontrar imagens iguais e imitar a mesma sequência que �z. Para isso, o sujeito terá que perceber os detalhes, cores, tamanhos, �gura/fundo, posição da imagem para compor a mesma sequência. Como vemos na �gura a seguir: Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 16/34 FIGURA 4 - PAREAMENTOS DE FORMAS E LETRAS FONTE: A autora. O objetivo dessa atividade é perceber e analisar as semelhanças das imagens e encontrar as iguais ou parecidas para parear com o modelo apresentado. FIGURA 5 - PAREAMENTOS VISUAIS E CONCEITUAIS FONTE: A autora. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 17/34 Atividades de Classi�cação também permitem o desenvolvimento da percepção. Nesta atividade propomos que a criança separe os blocos lógicos por tamanhos. Mas também poderíamos levar a perceber outras coisas, como espessura (grosso/�no), cores (azul, amarelo e vermelho) ou formas (quadrado, triangulo, retângulo e círculo). FIGURA 6 - ATIVIDADE DE CLASSIFICAÇÃO FONTE: A autora. Nesta atividade, o objetivo está em desenvolver a percepção visual, mas toda atividade em que o sujeito a associar uma ideia é uma atividade de pareamento. Vamos exempli�car uma atividade de percepção auditiva: Manipulo com o sujeito o som de alguns instrumentos musicais. Depois oculto a visão do sujeito e demonstro um som, pedindo que ele fale qual instrumento estou tocando. Também posso realizar uma atividade de pareamento tátil/cinestesicoonde demonstro algumas texturas para a pessoa. Coloco as texturas em uma caixa em que ela manipule os objetos da caixa sem poder vê-los, depois solicito ao sujeito que encontre a mesma textura que demonstro em uma imagem. Atividades de classi�cação, onde devo organizar objetos e imagens por categorias de tamanho, cor, textura, forma, espessura, função etc., também ajudam o desenvolvimento das percepções, pois levam o sujeito a observar e analisar os detalhesde cada imagem, como exempli�camos a seguir: 2.3 ATENÇÃO Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 18/34 A partir da concepção da psicologia histórico cultural de Vygotsky (2007), a atenção pode ser de�nida como a direção da consciência, tal função, sendo uma função cognitiva superior deve ser ensinada e estimulada. Segundo Luria (1979), a atenção sustentada e compartilhada é tipicamente humana e é formada nas relações sociais. No entanto, o funcionamento da atenção baseia-se inicialmente em estruturas neurológicas re�exas e involuntárias. A atenção do sujeito vai sendo aos poucos submetida a processos de controle voluntário, em grande parte fundamentado pela mediação linguísticas e simbólica, ou seja, �ltramos nossa atenção para atividade relevante por meio da mediação. A atenção involuntária responde a estímulos externos que nos permite a sobrevivência, assim como é para outros animais, que nos mantem em alerta. Por exemplo, quando o estímulo de um som ou clarão muito forte nos faz voltar o olhar para sua direção. Voltar o olhar é uma reação que identi�ca nosso foco de atenção. Segundo Luria (1981) muitos estímulos podem chamar nossa atenção de maneira involuntária, como barulhos mais altos, luz forte, movimentos em um ambiente etc. A atenção está na capacidade de �ltrar os estímulos sensoriais. Em um ambiente social recebemos uma grande variedade de estímulos táteis, vestibulares, proprioceptivos, auditivos, visuais, olfativos etc. Filtrar os estímulos é fundamental para a organização do pensamento, de nossas emoções e consequentemente nosso comportamento. Saber como se orientar, para que lado se olhar e se dirigir, em que som prestar atenção, viveríamos em um caos psíquico. No foco de um estímulo, toda função cognitiva está funcionando em prol desse interesse (LURIA, 1979). Para Luria (1979), a atenção seletiva exige a capacidade de selecionar estímulos e objetos especí�cos, determinando uma orientação, um estado de concentração das funções mentais. A atenção seletiva é fundamental para delimitar prioridades em uma ação mental. Se não houvesse seletividade, a quantidade de informação seria tão grande e confusa que seria impossível uma ação organizada do homem. A atenção sustentada refere-se à conservação da atenção seletiva sobre determinado estímulo, permitindo a efetivação das tarefas especí�cas. Luria (1979) destaca três itens da seletividade de estímulo no processo da atenção: volume da atenção, sua estabilidade e suas oscilações. O volume (de estímulos) da atenção varia conforme a quantidade de sinais recebidos ou associações, que Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 19/34 determina o que é predominante. Para alcançar a atenção de alguém, precisa ser despertado o seu interesse. A estabilidade é a duração do estímulo dominante. Neste item deve-se considerar que existem oscilantes, pois o mecanismo neurológico da atenção é inato e involuntário, mas a atenção não é inata e sim, treinável. Nas oscilações entre atenção voluntária, determinada pela mediação e atenção involuntária, determinada por estímulos exteriores, a atenção consciente vai sendo estimulada e treinada. Para Luria (1979) A intensidade ou força dos estímulos externos pode causar oscilações do nível de atenção, com dominância do mais forte. O novo, a novidade do estímulo atraem a atenção. A direção da atenção é determinada pelo estímulo e a intensidade desses estímulos afeta a aprendizagem. A capacidade do indivíduo de �xar sua atenção sobre determinado estímulo, �xando-se sobre ele, é conhecida como tenacidade. A atenção sustentada está estritamente ligada a motivação do sujeito, nem sempre será consciente. A permanência da atenção voluntaria e sustentada está relacionada a signi�cação dos estímulos que envolvem o sujeito. Portanto, para se desenvolver a atenção voluntaria há a necessidade de partir de situações que motivam o sujeito. Pensemos no exemplo de um comercial de televisão, permanecemos atentos aquelas propagandas que nos motivam, que podemos nos reconhecer e gerar em nós o sentimento de empatia e pertencimento. Pessoas com dé�cits de atenção possuem di�culdades em permanecer voluntariamente seu foco perceptivo em um único estímulo. Para desenvolver a seletividade e sustentação da atenção precisamos partir de estímulos que motivem o sujeito. Pela motivação prendemos a atenção seletiva e pela signi�cação do estímulo sustentamos o foco. Atividades lúdicas são um excelente recurso para desenvolver a atenção. A ludicidade se refere a qualquer movimento que tem como objetivo produzir prazer. Portanto, toda atividade que nos diverte é uma atividade lúdica. Assim, pensando no público infantil, atividades de jogos, brincadeiras, brinquedos, teatros e músicas são recursos fundamentais para desenvolver a atenção voluntaria da criança. Fazendo com que ela treine por permanecer em um único foco em uma atividade. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 20/34 Pensemos em uma situação de brincadeira. Quando a criança brinca de casinha, por exemplo, ela foca na atividade de “cuidar de uma casa” imaginária, ela isola todos os estímulos exteriores e permanece em um único estímulo que parte do seu interesse. Outro exemplo é a cotação de história, expor uma história com recursos lúdicos, como fantasias, tonicidade diferenciada de voz irá desenvolver a sustentação da atenção. FIGURA 7 - BRINCADEIRA DE FAZ DE CONTA FONTE: <https://revistacrescer.globo.com/>. Jogos como: Lince, quebra cabeça, torre de Hanói, xadrez, sete erros, cadê etc. são ótimos recursos para desenvolver a atenção seletiva e sustentada. Segundo Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 21/34 Lacanallo (2008), o jogo permite o desenvolvimento consciente da atenção, pois desenvolve a persistência em um único estímulo, que é incentivado pela motivação lúdica. Ao jogar a criança precisa sustentar sua atenção para concluir a atividade e completar o desa�o, ou seja, criança que joga com variados recursos lúdicos treina sua atenção sendo motivada e tendo signi�cação na atividade, o que permitirá o desenvolvimento consciente da atenção. O Jogo “Torre de Hanói” é um quebra cabeça que consiste em levar as seis peças que estão dispostas em tamanho crescente da esquerda para direita, sendo que as peças devem ser transpostas uma a uma e respeitando a ordem crescente, ou seja, nunca a peça menor deve �car embaixo da maior. O correto é que o jogador �nalize a partida com sessenta e quatro jogadas. Mas para principiantes é deixado um número de jogadas maiores. FIGURA 8 - JOGO TORRE DE HANÓI FONTE: <http://o�cinadoaprendiz.com.br/>. O Jogo Kalah é um jogo africano da família dos jogos mancalas. O jogo é formado por seis covas do lado direito e seis do esquerdo. E duas covas grandes nas pontas Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 22/34 do tabuleiro. A proposta é de jogar com dois jogadores, sendo que um �ca responsável pelas seis covas de um dos lados e uma cova grande. Cada cova recebe quatro sementes. O jogador pega as sementes e distribui uma a uma entre as covas, inclusive a cova do outro jogador e as covas grandes também. Das covas grandes nunca se retira as sementes para serem distribuídas. Após todas as sementes das covas menores terminarem, os jogadores contam quantas sementes conseguiram, quem obtiver um maior número ganha o jogo (LACANALLO, 2008). FIGURA 9 - TABULEIRO DO JOGO KALAH FONTE:<http://o�cinadoaprendiz.com.br/jogos-do-mundo>. O jogo de xadrez e o pega varetas são mais conhecidos popularmente. Tais jogos são excelentes recursos para desenvolver a atenção, visto que ao jogar o sujeito seleciona e sustenta sua atenção por um longo período, no intuito de terminar o desa�o lúdico proposto. FIGURA 10 - JOGO DE XADREZ E O PEGA VARETAS FONTE: < www.o�cinadoaprendiz.com.br>. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 23/34 Recomendamos o acesso ao site “O�cina do Aprendiz”, o qual desenvolve jogos que estimulam o desenvolvimento cognitivo, trazendo estudos acadêmicos que direcionam o desenvolvimento cognitivo, motor e social por meio dos jogos. Disponível em: <www.o�cinadoaprendiz.com.br>. 2.4 MEMÓRIA Segundo Luria (1981) o desenvolvimento da memória é apresentado em três estágios: da memória natural, mediada e internalizada. A memória natural é inata e concreta, própria de crianças que não possuem linguagem. A memorização mediada se refere a memória que organizada pela linguagem e com predominância do uso de signos externos. Já a memória internalizada é quando a linguagem e os signos externos passam a ser internos. A memória natural está ligada a experiência imediata com um objeto. Esse tipo de memória não é unicamente humana. Segundo Luria (1979), acontece um registro de experiências não voluntárias, acumulam-se informações, que serão utilizadas em outros momentos. A memória natural não é consciente. Quando lembramos de uma música involuntariamente e �camos cantarolando, não conseguindo esquecer estamos falando da memória natural. Ou quando entramos em um ambiente e sentimos um cheiro que nos lembra uma pessoa, automaticamente nossa memória natural está sendo ativada. A memória natural é formada pelas experiências perceptivas que o sujeito vivencia. A memorização não é regulada conscientemente, voluntariamente. A linguagem está estritamente ligada a memória consciente e voluntaria. A memória mediada está relacionada com as experiências vivenciadas pela criança, e é relatada por intermédio de mediação simbólica. Por exemplo, quando a criança olha a rotina da escola, ela se recorda sobre as coisas que terá que fazer durante o dia. O mesmo acontece quando o aluno anota os tópicos essenciais do conteúdo no caderno e depois refaz a leitura do que escreveu para lembrar do conteúdo abordado. Um outro exemplo de memória mediada, é quando utilizamos agendas, listas de afazeres para nos organizarmos e lembrarmos do que necessitamos. (LURIA, 1979) Capítulo 3 http://www.oficinadoaprendiz.com.br/ 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 24/34 A memória mediada é consciente e depende de uma organização social externa para ajudar na recordação da informação que queremos. Nesse momento, quando indagado sobre algum conteúdo, enunciará as experiências perceptivas que já teve em relação a ele. Assim, o colo da mãe poderá ser de�nido como algo acolhedor e macio (LURIA, 1981). Segundo Vigotski (2009) quando são utilizados signos externos para se lembrar de algo, delineia-se a memória mediada. Nos homens primitivos este nível foi atingido quando marcas nas paredes eram utilizadas para �gurar uma ampla situação vivida. Nessas situações a memória é socialmente elaborada. Assim, o segundo estágio é atingido quando o sujeito consegue utilizar um auxiliar externo para executar um raciocínio. Se aprendo a me organizar com recursos sociais para recordar uma informação, estou desenvolvendo a memória mediada. Segundo Mukhina (2005) o comportamento das crianças da fase pré-escolar é direto e natural enquanto na fase adulta, os signos externos modi�cam-se em signos internos. Signos externos e internos têm funções diferentes. Os externos servem para o controle do comportamento, levando a transformação nos objetos e são utilizados no contexto social. Já no caso dos signos internalizados, a atividade interpessoal passa a ser intrapessoal. Eles servem para comunicação e autorregulação. Quando o sujeito é organizado internamente por um signo para lembrar de uma situação ela encontra-se no último e mais avançado estágio de memorização, que a memória internalizada, ou seja, quando o mesmo é capaz de recordar uma informação mentalmente. Esta capacidade está estritamente ligada com a associação de ideias e conservação de informações. Exercícios que trabalham as habilidades de linguagem são fundamentais para o desenvolvimento da memória internalizada. Atividades de mapas mentais e auxiliam no desenvolvimento dessa capacidade (VIGOTSKI, 2009). FIGURA 11 - MAPA MENTAL CONCEITUAL Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 25/34 FONTE: Manual Papaterra, 2014 Os mapas mentais formam criados pelo psicólogo Tony Buzan, sendo, basicamente, cadeias de associações de ideias que nos levam a perceber os detalhes e as diversas possibilidades de uma informação. Atividades assim podem iniciar em um aspecto mais simples e se desenvolvem em uma cadeia organizacional mais complexa, promovendo o desenvolvimento da linguagem e da memória (LIMONGI, 2008). Tais atividades trabalham a capacidade de recuperação da informação, sendo excelentes para o desenvolvimento da habilidade de memória internalizada. Não quer dizer que os signos externos deixam de ser utilizados. O sujeito continua controlando seu próprio pensamento através de signos que auxiliam a memória: como por exemplo, a utilização de calendário, agenda e listas (LURIA, 1979). Para obter ideias de atividades que auxiliam na intervenção da aprendizagem cognitiva, sugerimos as leituras da coleção dos Manuais Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 26/34 Papaterra (2008) da Fernanda Limongi. Tais materiais possuem fundamentação teórica na neuropsicologia e são excelentes recursos na intervenção cognitiva. 2.5 LINGUAGEM Quando a criança nasce a primeira linguagem que possui é o choro e seus movimentos. Por volta dois meses iniciam-se os primeiros balbucios, que são expressões vocálicas sem signi�cação verbal. A partir desse momento a criança, em interação com o mundo externo, começa a desenvolver uma linguagem marcada pelas expressões do seu corpo em contato com o meio. Mais tarde a criança começa a vocalizar as primeiras palavras, e nesse momento a palavras isoladas são pronunciadas pela criança, por exemplo, a criança fala: “mamãe, papai, dodói, água” etc. A palavra isolada tem o sentido generalista. Ao falar “mamãe” a criança tenta comunicar um contexto, ou seja, se a criança esticar os braços e dizer “mamãe” ela está querendo comunicar: “mamãe quero colo” (VIGOTISKI, 2009; LURIA, 1979). Posteriormente, a criança começa a formular frases com duas palavras: “mamãe água”, “papai dodói”, também com sentido generalista, mas nesse momento mostra a ampliação do vocabulário. Conforme cresce o repertório de vocabulário da criança começa a ser estruturando as frases com sequência e coesão (VIGOTISKI, 2009; LURIA, 1979). Nesse momento de ampliação de vocabulário a criança imita e repete a fala do adulto, sendo esta fala modelo para organização de suas ideias, ou seja, a fala do adulto é orientadora da futura fala da criança, organizando suas ideias. Nesse momento, é importantíssimo o modelo para o desenvolvimento da fala da criança. Narrar situações, explicar com clareza, indagar a criança, cantar músicas com a criança e contar histórias é essencial para seu desenvolvimento linguístico (LURIA, 1979). A palavra do adulto é mediadora no desenvolvimento da criança. A palavra possui a função de categorizar e conceituar os objetos, o que possibilitaum sistema de complexos enlaces e relações abstratas, que denominamos de generalização. Dessa forma, a palavra tem a função de analisar o mundo e está estreitamente Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 27/34 ligada ao processo de formação de conceitos. Neste processo, o sujeito interage com os elementos culturais organizados pela sociedade, sendo essa interação direcionada pelas palavras que designam categorias culturalmente organizadas (VIGOTISKI, 2009; LURIA, 1979). Propiciar atividades que ampliam o vocabulário da criança são importantes para esse desenvolvimento. Nomeação de objetos, atividades de músicas, cotação de histórias, brincadeiras simbólicas e jogos são excelentes atividades para desenvolver a linguagem (VIGOTSKI, 2007). É importante que as músicas sejam cantadas por adultos junto com a criança, vídeos com músicas não auxiliam nesse desenvolvimento. A criança necessita do modelo da fala do outro para se organizar. Sentir o tom e timbre de voz e a expressão facial para aprender com a fala do outro. O vídeo não proporciona esses estímulos que só são �rmados no contato direto com o outro. Estudos referentes a neurociências apontam que a música permite a estimulação de várias áreas do cérebro humano, proporcionando um desenvolvimento linguístico que envolve atenção, memória e percepção (LURIA, 1981). A brincadeira propicia a ampliação de vocabulário, a organização do pensamento e de ideias e o desenvolvimento da criatividade. Ao brincar de faz de conta ou atribuir signi�cado social a um brinquedo (brincar com carrinho, boneca, fazer comidinha), faz com que a criança amplie seu repertório linguístico. O mesmo se dá ao contar literaturas, conversar com a criança, explicar situações cotidianas e explicar suas funções também são essenciais para o desenvolvimento da linguagem (VIGOTISKI, 2009; LURIA, 1979). Atividades de categorização e associação verbais são essenciais para o desenvolvimento da linguagem. Nesse contexto, jogos também são excelentes recursos para desenvolver a habilidade linguística de vocabulário, organização de ideias e comunicação. Jogos de adivinhação (cadê, quem sou eu, cara a cara, charadas), sequência de histórias (detetive, pitchureca, conta um conto, continua a história) e categorização de ideias (per�l e mapas mentais) auxiliam a desenvolver habilidades linguísticas de ampliação de vocabulário, organização de ideias, associação de ideias, categorização verbal e pensamento generalizante (LURIA, 1981). 2.6 RACIOCÍNIO LÓGICO Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 28/34 O raciocínio lógico é uma estrutura fundamental para organização do pensamento e resolução de problemas, sendo primordial para atividades que promovem aos sujeitos resolverem problemas, tomarem decisões, perceberem regularidades, analisarem dados, investigarem e aplicarem ideias (VIGOTSKI, 2007). Qualquer atividade cotidiana necessita de planejamento e ideação. Ambas ações são possíveis graças a linguagem e o pensamento lógico. Na mediação diante do desenvolvimento do raciocínio lógico é fundamental que o mediador encaminhe a pessoa a pensar, levando-o a organizar o pensamento diante de uma situação que deve ser resolvida (LURIA, 1981). A capacidade de raciocínio é formada na observação minuciosa de um aspecto, onde devo pensar além do super�cial. Portanto, desenvolver o raciocínio lógico é levar o sujeito a perceber além, observando todos os detalhes e sutilezas do signo social. Para um bom desempenho nesta área, é essencial um bom desenvolvimento de atenção, percepção e linguagem, no que envolve a organização das ideias e planejamento de ações (VIGOTSKI, 2007). Desde a resolução de situações mais simples às mais complexas, necessitamos da capacidade de raciocínio lógico. Segundo Fonseca (2008) a capacidade de raciocínio lógico é a capacidade de resolver problemas, portanto, toda atividade que envolve a resolução de um problema, sendo simples ou complexo, exige a capacidade do pensamento lógico. Jogos também são um excelente recurso para o esse desenvolvimento, como quebra cabeças, torre de Hanói, mancala, xadrez, entre outros. Tais recursos promovem a resolução de problemas a partir da observação detalhada de uma situação. 3 A AUTORREGULAÇÃO E AS FUNÇÕES EXECUTIVAS Segundo Luria (1981) o desenvolvimento da memória é apresentado em três estágios: da memória natural, mediada e internalizada. A memória natural é inata e concreta, própria de crianças que não possuem linguagem. A memorização mediada se refere a memória que organizada pela linguagem e com predominância do uso de signos externos. Já a memória internalizada é quando a linguagem e os signos externos passam a ser internos. Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 29/34 A memória natural está ligada a experiência imediata com um objeto. Esse tipo de memória não é unicamente humana. Segundo Luria (1979), acontece um registro de experiências não voluntárias, acumulam-se informações, que serão utilizadas em outros momentos. A memória natural não é consciente. Quando lembramos de uma música involuntariamente e �camos cantarolando, não conseguindo esquecer estamos falando da memória natural. Ou quando entramos em um ambiente e sentimos um cheiro que nos lembra uma pessoa, automaticamente nossa memória natural está sendo ativada. A memória natural é formada pelas experiências perceptivas que o sujeito vivencia. A memorização não é regulada conscientemente, voluntariamente. A linguagem está estritamente ligada a memória consciente e voluntaria. A memória mediada está relacionada com as experiências vivenciadas pela criança, e é relatada por intermédio de mediação simbólica. Por exemplo, quando a criança olha a rotina da escola, ela se recorda sobre as coisas que terá que fazer durante o dia. O mesmo acontece quando o aluno anota os tópicos essenciais do conteúdo no caderno e depois refaz a leitura do que escreveu para lembrar do conteúdo abordado. Um outro exemplo de memória mediada, é quando utilizamos agendas, listas de afazeres para nos organizarmos e lembrarmos do que necessitamos. (LURIA, 1979) A memória mediada é consciente e depende de uma organização social externa para ajudar na recordação da informação que queremos. Nesse momento, quando indagado sobre algum conteúdo, enunciará as experiências perceptivas que já teve em relação a ele. Assim, o colo da mãe poderá ser de�nido como algo acolhedor e macio (LURIA, 1981). Segundo Vigotski (2009) quando são utilizados signos externos para se lembrar de algo, delineia-se a memória mediada. Nos homens primitivos este nível foi atingido quando marcas nas paredes eram utilizadas para �gurar uma ampla situação vivida. Nessas situações a memória é socialmente elaborada. Assim, o segundo estágio é atingido quando o sujeito consegue utilizar um auxiliar externo para executar um raciocínio. Se aprendo a me organizar com recursos sociais para recordar uma informação, estou desenvolvendo a memória mediada. Segundo Mukhina (2005) o comportamento das crianças da fase pré-escolar é direto e natural enquanto na fase adulta, os signos externos modi�cam-se em signos internos. Signos externos e internos têm funções diferentes. Os externos Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 30/34 servem para o controle do comportamento, levando a transformação nos objetos e são utilizados no contexto social. Já no caso dos signos internalizados, a atividade interpessoal passa a ser intrapessoal. Eles servem para comunicação e autorregulação. Quando o sujeitoé organizado internamente por um signo para lembrar de uma situação ela encontra-se no último e mais avançado estágio de memorização, que a memória internalizada, ou seja, quando o mesmo é capaz de recordar uma informação mentalmente. Esta capacidade está estritamente ligada com a associação de ideias e conservação de informações. Exercícios que trabalham as habilidades de linguagem são fundamentais para o desenvolvimento da memória internalizada. Atividades de mapas mentais e auxiliam no desenvolvimento dessa capacidade (VIGOTSKI, 2009). FIGURA 12 - EXEMPLOS DE ROTINAS DE TEMPO FONTE: A autora. Nas rotinas de tempo deve �car claro quanto tempo a pessoa demorará para executar uma atividade, sendo sinalizado por imagens ou por cores, para facilitar a Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 31/34 compreensão de quem tem di�culdades nessa aprendizagem ou está em processo de desenvolvimento. O recurso visual é fundamental no processo de ajudar a pessoa a se organizar seu pensamento de maneira concreta e efetiva. Pessoas com di�culdades de linguagem e planejamento pensam de maneira concreta, tendo di�culdades de se organizarem mentalmente devido a isso. A utilização de imagens com pessoas que apresentam tais di�culdades é essencial para o processo de desenvolvimento das funções executivas (VIGOTSKI, 2009). FIGURA 13 - PECS (PICTURE EXCHANGE COMMUNICATION SYSTEM) FONTE: ARASAAC, 2019. Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (do Inglês, Picture Exchange Communication System) PECS foi desenvolvido em 1985 como um sistema de intervenção aumentativa /alternativa de comunicação exclusivo para indivíduos com di�culdades na comunicação e linguagem. Os PECS são uma excelente alternativa para organizar as ações dos sujeitos com di�culdades de seguir rotinas e realizar atividades de vida diária. Para obter as imagens dos PECS, sugerimos acessar o site Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 32/34 <www.arasaac.org.pt>, que dispõe mais de treze mil imagens gratuitamente. Ensinar a pessoa a parar um momento, esperar sua vez, escutar o outro e pensar antes de agir é fundamental para autorregulação. Dar o modelo para a pessoa conseguir realizar essas atividades é primordial. Dessa forma o sujeito conseguirá controlar suas emoções e ações de maneira autônoma (GOULART, 2008). Proporcionar meios e oportunidades para a prática e para o desenvolvimento das habilidades executivas pode ser bené�co a todas as pessoas. Tal postura minimiza ou previne di�culdades sociais relacionados a comportamentos desadaptativos. O Livro “Programa de Intervenção em Autorregulação e Funções Executivas” (2013) elaborado pela Alessandra Seabra e Naiara Dias trazem atividades práticas e lúdicas com o intuito de desenvolvimento das funções executivas. Atividade de Estudo: 1 Com base no conceito de autorregulação e sobre a importância de se utilizar recursos visuais para organizar o pensamento, disserte sobre a importância da rotina visual na vida de pessoas com di�culdades de linguagem. Capítulo 3 http://www.arasaac.org.pt/ 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 33/34 Responder Capítulo 2 Conteúdo escrito por: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, pudemos compreender como a aprendizagem é internalizada, pontuando a integração das funções conativas, cognitivas e executivas. Percebemos que a aprendizagem não ocorre de maneira isolada, mas necessita de um conjunto de ações mentais que envolvem as emoções, as ações mentais, o pensamento, linguagem e a consciência. Também vimos como estimular as funções cognitivas superiores, visto que tais funções são estimuladas e ensinadas na relação com o outro, portanto, devem ser desenvolvidas em qualquer intervenção que se tem o objetivo da modi�cabilidade cognitiva. Por �m, fomos apresentados ao desenvolvimento das funções conscientes, que promovem o controle e a �exibilidade de pensamento. Que permite agir de maneira autônoma diante de qualquer situação pessoal ou pro�ssional. As funções executivas permitem o desenvolvimento humano mais so�sticado. Todos os direitos reservados © 2020 Capítulo 3 30/05/2024 21:38 Livro Digital - FUNÇÕES COGNITIVAS https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/funcoes_cognitivas/conteudo.html?capitulo=3 34/34 Fernanda de Carvalho Polonio Rosa Capítulo 3