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Treinamento físico aplicado aos 
esportes
Apresentação
Periodizar o treinamento de um atleta para muitos pode parecer algo complexo e que leva tempo. 
Porém é importante destacar que, como 
em qualquer outra área de atuação, o planejamento é fundamental para que se consiga atingir 
resultados satisfatórios. Nesse sentido, apesar de ser uma tarefa trabalhosa que exige amplo 
conhecimento para ser realizada e aplicada, deve ser encarada como básica devido ao seu caráter 
fundamental.
Tal planejamento precisa estar pautado em princípios científicos e 
no conhecimento da modalidade esportiva. Isso possibilitará a tomada de decisão referente aos 
métodos de treinamento, às sequências de exercícios e à carga de treinamento que serão aplicados 
no decorrer 
do tempo com o objetivo de atingir o melhor desempenho.
Nesta Unidade de Aprendizagem você vai ver aspectos teóricos e práticos de como realizar a 
periodização do treinamento em diferentes modalidades esportivas.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as exigências físicas das modalidades esportivas.•
Analisar a importância do desenvolvimento integral do atleta.•
Elaborar uma periodização física, técnica e tática em 
esportes coletivos.
•
Infográfico
Recentemente, o surf vem recebendo maior visibilidade, com um aumento importante do número 
de praticantes. A maior popularidade 
da modalidade vem acompanhada de sua profissionalização no que 
se refere à utilização de tecnologia para o desenvolvimento de equipamentos esportivos, 
monitoramento, julgamento e transmissão 
dos campeonatos, que cada vez mais estão estruturados a nível local, regional, continental e 
mundial, inclusive com o esporte sendo selecionado como modalidade olímpica. Apesar disso, as 
informações científicas acerca do surf são incipientes, sobretudo em relação aos componentes 
físicos, técnicos e táticos. 
No Infográfico a seguir, você vai conhecer as demandas físicas e fisiológicas do surf competitivo 
que podem servir para o planejamento de programas de treinamento específico da modalidade. 
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/590d932c-39f7-4df7-be14-53e09b88b88b/57c884dd-9d54-4c82-8cd8-3efcca63ce5f.png
 
Conteúdo do livro
O treinamento físico é fundamental para se atingir desempenho no esporte. Para isso, precisa ser 
planejado, executado e avaliado em seus diversos níveis (macrociclo, mesociclo, microciclo e sessão 
de treinamento), tendo como orientação princípios científicos e características específicas da 
modalidade que se pretende trabalhar. Além disso, a periodização do treinamento precisa 
contemplar de forma integral a demanda do esporte, envolvendo sobretudo os aspectos físicos, 
técnicos e táticos dos atletas. 
Na obra Treinamento esportivo, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o capítulo 
Treinamento físico aplicado aos esportes, onde você vai ver conceitos e exemplos de 
planejamento adequado para um programa de treinamento em seus diversos níveis e em diferentes 
modalidades.
Boa leitura.
TREINAMENTO 
ESPORTIVO
Luiz Fernando Novack
Treinamento físico 
aplicado aos esportes
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar as exigências físicas das modalidades esportivas.
  Analisar a importância do desenvolvimento integral do atleta.
  Elaborar uma periodização física, técnica e tática em esportes coletivos.
Introdução
O planejamento de um programa de treinamento é fundamental para 
atingir os objetivos propostos em relação ao desempenho físico, técnico 
e tático em uma modalidade esportiva. Além disso, a periodização 
do treinamento precisa obrigatoriamente seguir critérios científicos 
e a especificidade de cada esporte. Para isso, ciclos de treinamento 
devem ser aplicados, envolvendo o aspecto temporal de longo, médio 
e curto prazo. 
Neste capítulo, você vai estudar aspectos teóricos e práticos nos diver-
sos níveis de uma periodização em diferentes esportes. Além disso, você 
vai ver conceitos e exemplos referentes a como planejar adequadamente 
e de forma efetiva um programa de treinamento em seus diversos níveis 
e em diferentes modalidades.
1 Demandas físicas no esporte
As modalidades esportivas possuem demandas diferentes no que se refere 
a capacidades físicas. Nesse sentido, analisar as demandas específi cas de 
determinado esporte é de suma importância para o desenvolvimento de um 
programa de treinamento físico (BOMPA; HAFF, 2012). 
Dessa forma, é preciso conhecer a modalidade a ser trabalhada para que um 
programa de treinamento seja desenvolvido de maneira eficiente, levando em 
consideração todas as valências físicas envolvidas, sobretudo as prioritárias, 
com o objetivo de melhorar o desempenho (CUNHA, 2016).
Segundo Gomes (2009), dentre as principais capacidades físicas envolvidas 
nos esportes, podemos destacar a resistência, a força e a velocidade. A partir 
delas, podemos analisar as modalidades esportivas em relação à sua especifici-
dade (BOMPA; HAFF, 2012; NOVACK et al., 2018), conforme exemplificado 
na Figura 1.
Figura 1. Predominância das capacidades físicas de força, velocidade e resistência por 
modalidade.
Fonte: Adaptada de Bompa e Haff (2012) e Novack et al. (2018).
Exemplos de modalidades coletivas
Para exemplifi car com algumas modalidades coletivas, comecemos com o caso 
do futebol de campo. É importante destacar que se trata de modalidade mista, 
que envolve de maneira importante a força, a velocidade e a resistência. De todo 
modo, trata-se de um esporte considerado predominantemente de resistência, 
devido à duração de cada partida — 90 minutos, divididos em dois tempos de 
45 minutos corridos, com intervalo de 15 minutos entre eles — e pelo fato de 
37,7% e 31,4% do volume total realizado pelos atletas estarem relacionados a 
permanecerem parados ou caminhando (0 a 6,0 km/h) e trotando (6,1 a 12,0 
km/h), respectivamente. Apesar disso, são as ações em curto espaço de tempo 
envolvendo força e velocidade — bem como o produto das duas, denominado po-
Treinamento físico aplicado aos esportes2
tência — que normalmente defi nem o resultado das partidas, como na realização 
de aceleração máxima, atingimento e manutenção de alta velocidade durante o 
sprint de um atacante para chegar à bola antes do marcador e conseguir fi nalizar 
a jogada, ou até mesmo nos saltos realizados por defensores e atacantes durante 
disputas de bolas aéreas após cobrança de escanteio (NOVACK et al., 2018). 
No que tange o futsal, sobretudo devido às dimensões reduzidas do campo de 
jogo, ao menor tempo de partida — 40 minutos, divididos em dois tempos de 20 
minutos não corridos, com 10 minutos de intervalo entre eles — e à possibilidade 
de se fazer várias substituições durante uma partida, inclusive com o mesmo atleta 
podendo sair e voltar para o jogo minutos depois, o que se sobressai é a necessi-
dade de velocidade e força em relação à resistência, se comparado ao futebol de 
campo, por exigir maiores ações de aceleração, desaceleração e deslocamento em 
alta intensidade durante a partida (CETOLIN; FOZA, 2010). O mesmo pode ser 
observado em relação ao basquete, em que o cronômetro também para quando 
a bola não está em jogo e o tempo total de disputa é de 40 minutos, disposto em 
quatro tempos de 10 minutos com intervalos de 2 minutos entre o primeiro e 
segundo quartos e entre o terceiro e o quarto quartos, bem como 15 minutos de 
intervalo entre o segundo e terceiro quartos (FIBA, 2018). Além disso, dentre 
as ações físicas demandadas na modalidade, assim como no futsal, pode-se 
destacar a aceleração, a desaceleração, a mudança de direção, porém com maior 
importância para os saltos. Nesse sentido, o perfil morfológico e físico dos atletas 
difere de maneira importante, sendo mais altos, pesados e fortes do que os atletasdo futsal, devido à alta demanda de contato corporal entre os jogadores durante 
a competição, sobretudo durante os bloqueios e disputas de bola aéreas, como se 
vê em um rebote disputado por dois pivôs (LEMKE; REIS, 2015). 
Exemplos de modalidades individuais
Quando analisamos a modalidade de ciclismo estrada na categoria Elite mas-
culina, caracterizada por distâncias acima de 100 km (CBC, 2018), podemos 
considerar a maior importância da resistência em relação a força e velocidade. 
De todo modo, não se pode ignorar as valências físicas de força e velocidade 
no programa de treinamento para esta modalidade, pois tais capacidades são 
de fato importantes em alguns momentos da prova, sobretudo em trechos de 
subida e sprint fi nal. Ainda em relação ao ciclismo, no caso da prova de 200 m 
em pista observamos maior demanda de velocidade e força e menor demanda 
de resistência, devido à sua curta duração (FERREIRA, 2017). 
De modo similar, podemos observar diferenças em provas dentro de uma 
mesma modalidade. Assim, a prova de 100 metros livres na natação apresenta 
3Treinamento físico aplicado aos esportes
maior prevalência das capacidades físicas de força e velocidade em relação à 
resistência. Porém, quando comparamos com a prova de 800 metros, observa-
mos maior importância da resistência. Nesse caso, o treinamento de resistência 
predominante e necessário para o desempenho na prova de 800 metros trará bem 
pouca ou nenhuma vantagem se aplicado no atleta que compete na prova de 200 
metros. O mesmo vale para as modalidades de corrida de 100 metros rasos e 
maratona, em que na primeira há predominância quase que exclusiva da velocidade 
devido à sua brevíssima duração (na casa dos 9 e 10 segundos para homens e 
mulheres de categoria elite mundial, respectivamente), enquanto a segunda está 
relacionada predominantemente à resistência, devido à longa distância a ser 
percorrida (42,195 km) e consequente longo tempo de duração (pouco mais de 
duas horas de duração para indivíduos de elite mundial) (BOMPA; HAFF, 2012). 
Já ao analisar a modalidade de levantamento de peso olímpico, podemos 
observar especificidade quase que exclusiva da capacidade física de força em 
relação a velocidade e resistência. Mas vale lembrar que a velocidade específica 
para a realização dos movimentos de arranque e arremesso é importante para o 
desempenho, e, por isso, precisa ser incluídas no treinamento (SILVA et al., 2017).
A partir do momento em que são identificadas as demandas específicas da modalidade 
esportiva a ser treinada, é possível escolher testes para embasar o desenvolvimento do 
programa de treinamento individualizado em termos de frequência, volume e intensidade. 
Além disso, a realização desses testes de forma periódica permite analisar a evolução do 
indivíduo durante o treinamento proposto e a necessidade de adequações no programa.
Nesse sentido, a literatura científica apresenta a descrição de testes para traduzir em 
números o desempenho em relação a resistência, força e velocidade, os quais precisam 
ser escolhidos com critério, levando em consideração a especificidade da modalidade, 
como é o caso do teste de velocidade para o futebol de campo. 
Tendo em vista que a velocidade é fundamental e decisiva no futebol de campo e que 
a maior parte das ações de alta velocidade ocorrem em metragens específicas durante o 
jogo, o teste consiste na realização de corrida em máxima velocidade em um percurso em 
linha reta, permitindo a determinação da velocidade nas distâncias de 10 e 30 metros por 
meio do tempo de deslocamento. Para isso, o avaliado parte da posição de pé, com um 
dos pés na linha de partida, devendo, ao sinal do avaliador, deslocar-se no menor tempo 
possível até o final do percurso demarcado por cones nas marcas de 10 e 30 metros. O 
tempo de teste é acionado no momento em que o avaliado inicia o deslocamento, tomando 
o tempo na marca de 10 metros e encerrando no momento em que o avaliado termina 
o percurso e ultrapassa a marca de 30 metros. Devem ser realizadas duas tentativas, com 
intervalo de 3 a 5 minutos entre elas, sendo registrado o melhor tempo de execução.
Treinamento físico aplicado aos esportes4
2 Desenvolvimento atlético integral 
Um programa de treinamento, além de contemplar o aspecto físico, pre-
cisa levar em consideração os aspectos técnicos e táticos, sobretudo nas 
modalidades coletivas (BOMPA; HAFF, 2012). Segundo Cunha (2016), 
o treinamento da técnica tem sua importância no sentido de trabalhar os 
aspectos biomecânicos e fi siológicos na execução dos movimentos envolvi-
dos no esporte para torná-los mais efi cientes. É importante que o trabalho 
técnico avance de movimentos mais básicos para os mais complexos, a fi m 
de buscar a construção do movimento ideal dos gestos esportivos, levando 
em consideração o nível e a fase de desenvolvimento do atleta e evitando 
a especialização precoce. O mesmo é válido para o treinamento tático, 
que permite que o atleta ou equipe adquira comportamentos no sentido de 
facilitar a tomada de decisão e organização de ações ofensivas e defensivas 
a fi m de cumprir determinado objetivo. 
Nesse contexto, o Quadro 1 indica algumas orientações de trabalho dos 
componentes físicos, técnicos e táticos em relação à faixa etária dos praticantes. 
Nele, é possível observar que dos 12 aos 16 anos é importante estimular as 
capacidades físicas, as técnicas de movimento e os comportamentos táticos 
mais básicos e gerais, independentemente da modalidade esportiva. Já na 
faixa etária dos 16 aos 19 anos, devem ser trabalhados o desempenho das 
diferentes capacidades físicas de forma geral, ampliando as variações de 
movimentos técnicos mais complexos com execução em velocidades mais 
elevadas, além de diferenciar a tática de jogo levando em consideração as 
demandas específicas da modalidade. Por sua vez, na faixa etária acima de 
19 anos são contemplados os aspectos determinantes para o alto desempenho 
esportivo, como a preparação física geral e específica à modalidade, a espe-
cialização da técnica levando em consideração a execução com qualidade e 
total domínio dos mais diversos movimentos envolvidos no esporte, além da 
tática em seu maior nível de complexidade, tendo em vista sua associação com 
outras posições, as tomadas de decisão em situações reais de competição e as 
variações possíveis do sistema de jogo.
5Treinamento físico aplicado aos esportes
Fonte: Adaptado de Cunha (2016).
12–16 anos 16–19 anos + de 19 anos
Características 
da preparação
  Dominar as 
técnicas e a 
tática coletiva 
elementar
  Otimizar os as-
pectos motores 
determinantes
  Desenvolver 
fatores direta-
mente ligados ao 
rendimento
  Desenvolver a 
condição física 
geral
  Otimizar os fatores 
determinantes do 
rendimento
  Desenvolver o 
complexo global 
dos fatores de ren-
dimento, incluindo 
a preparação física 
geral e específica
Técnica  Aprender e 
estabilizar as 
técnicas básicas
  Consolidar e man-
ter as técnicas 
básicas (maior 
velocidade de 
encadeamento 
das ações)
  Adquirir variantes 
ou novas técnicas
  Individualizar
  Dominar
  Ser constante
  Variar
Tática 
individual
  Iniciar aprendiza-
gem elementar 
(ler e reagir 
em situações 
padronizadas)
  Desenvolver 
as qualidades 
perceptivas (ler 
e reagir) face a 
um adversário 
particular
  Respeitar indica-
ções individuais
  Ler e variar rapida-
mente a resposta 
motora em situa-
ções análogas 
Tática coletiva  Aprender 
esquemas e 
combinações 
elementares
  Desenvolver os 
conhecimentos 
práticos
  Introduzir o plano 
de jogo
  Formar um sistema 
de soluções 
associativas
  Desenvolver velo-
cidade, coopera-
ção e sincronismo
  Implantar o plano 
de jogo (relação 
de forças com o 
adversário)
Quadro 1. Linhas orientadoras para as diferentes fases de formação do atleta
Treinamento físico aplicado aos esportes6
Vale ressaltar que nos esportes coletivos as demandas físicas, técnicas e 
táticas são específicas não apenaspara cada modalidade, mas também para 
diferentes posições de jogo, devido ao fato de cada jogador cumprir funções 
diferentes. Isso pode ser exemplificado pela comparação entre zagueiros e 
laterais no futebol de campo, mesmo que, do ponto de vista tático, ambas 
posições sejam consideradas como defensores. Porém, os laterais na maior 
parte das vezes possuem também a função de colaborar nas ações ofensivas, 
o que os distingue em relação às demandas físicas e técnicas durante o jogo. 
Nesse sentido, os laterais percorrem em média uma distância total de 10,1 km 
e uma distância em alta intensidade de 0,68 km durante uma partida, ambas 
bem acima das cifras apresentadas pelos zagueiros, que percorrem 8,7 km e 
0,41 km de metragem total e metragem em alta intensidade, respectivamente 
(CONDE et al., 2018). Dessa forma, podemos considerar que os zagueiros 
possuem maiores demandas da força, enquanto os laterais tendem a possuir 
maior capacidade de resistência e velocidade. Além disso, do ponto de vista 
técnico os zagueiros precisam possuir bom passe, grande capacidade de rou-
bada de bola durante os confrontos individuais e serem exímios cabeceadores 
em relação aos laterais, que precisam, por sua vez, de grande capacidade de 
executar cruzamentos de bola na área quando no ataque e capacidade de rápida 
recomposição de defesa após uma tentativa de ataque frustrada.
De modo similar, podemos observar diferenças entre as ações de armadores 
e pivôs no basquete. Os armadores, do ponto de vista tático, são responsáveis 
por organizar o jogo da equipe, ou seja, possuem maior demanda de condução 
de bola, deslocamento, velocidade e tomada de decisão em relação à orientação 
e início da execução de jogadas ensaiadas e treinadas em comparação à po-
sição de pivôs. Estes atuam mais próximos à cesta tanto em ações defensivas 
quanto defensivas, o que justifica seu menor volume de jogo e deslocamento. 
Dentre as ações técnicas e táticas dos pivôs, pode-se destacar a realização de 
rebotes e bloqueios defensivos e ofensivos, além de serem responsáveis por 
finalizar muitas jogadas. Além disso, é possível observar diferenças no perfil 
morfofisiológico de armadores e pivôs, com estes apresentando estatura e peso 
mais elevados em relação aos primeiros (DANIEL et al., 2016).
Ao planejar um programa de treinamento, os aspectos físicos, técnicos e 
táticos precisam estar contemplados, levando em consideração uma série de 
fatores que vão deste o nível de desenvolvimento dos atletas, a especificidade da 
modalidade, até o calendário de competições. No caso do futebol profissional, 
é comum o período competitivo durar vários meses e os jogos ocorrerem a 
7Treinamento físico aplicado aos esportes
cada 72 horas. No Brasil, essa situação é agravada devido às grades distâncias 
percorridas para deslocamento até os locais das partidas, tornando comum 
o pouco tempo para treinar. Dessa forma, na maioria das vezes os trabalhos 
são planejados e executados de forma a atender a objetivos físicos, técnicos e 
táticos em uma mesma sessão de treinamento ou mesmo exercício, conforme 
apresentado no Exemplo a seguir.
Treino técnico-tático:
  Fase preparatória ou aquecimento (duração 15 min): 
 ■ exercícios de estabilidade;
 ■ exercícios de ativação com elástico;
 ■ deslocamento envolvendo saltos, deslocamento frontal, para trás e lateral com 
aceleração e desaceleração.
  Fase principal (duração 50 min): 
 ■ posse de bola em campo reduzido com superioridade numérica, 7 contra 6 
em quadrado com dimensão de 15 × 15 m — equipe dividida em dois grupos 
(10 min);
 ■ ataque contra defesa utilizando uma das metades do meio campo com dimensão 
de 55 × 95 m (20 min);
 ■ 11 contra 11 em campo reduzido com dimensões de 90 × 40 m (20 min).
  Fase final (10 min): 
 ■ posicionamento durante bola parada lateral e frontal (fase defensiva).
A fase preparatória está relacionada a componentes físicos e de aquecimento 
para a atividade principal. Dessa forma, engloba exercícios de estabilidade, 
ativação muscular com elástico e deslocamentos envolvendo saltos, corridas 
para frente, para trás e lateralmente com o objetivo de atingir intensidades im-
portantes de aceleração, desaceleração e mudança de direção. No que se refere 
à fase principal, a primeira parte inclui trabalho de posse de bola em campo 
reduzindo com diferentes objetivos, com destaque para os objetivos físicos 
relacionados à melhoria da resistência cardiovascular, trabalho de aceleração, 
desaceleração e mudança de direção. Por sua vez, os principais objetivos técnicos 
estão relacionados a condução de bola, desarme, tomada de decisão e execução 
de passe e deslocamento para oportunizar opção de passe, entre outros. 
Treinamento físico aplicado aos esportes8
No que tange a segunda parte, envolve o trabalho com componentes físicos, 
técnicos e táticos em jogo em campo reduzido, que oportuniza, do ponto de 
vista físico, o trabalho de resistência cardiorrespiratória, capacidade de ace-
leração, desaceleração e mudança de direção em maiores intensidades e com 
atingimento limitado de ações de alta intensidade devido às dimensões do 
campo. Já os componentes técnicos estão presentes em situações de jogo, com 
destaque para passes, lançamentos, cruzamentos, finalizações e confrontos 
individuais. A tática é trabalhada no que se refere a orientação e correção de 
posicionamento, tomada de decisão nas mais diversas situações de jogo na 
fase defensiva e ofensiva de jogo, entre outras. 
Já a fase final é caracterizada pelo atingimento de objetivos técnicos e 
táticos, com a técnica relacionada a realização de cruzamentos, formação 
de barreira e cabeceio. Por sua vez, a parte tática abrange o posicionamento 
nas situações específicas de bola parada, podendo ser extrapolada para 
definição da organização ofensiva de contra-ataque no caso da retomada 
da posse de bola. 
3 Periodização física, técnica e tática 
em esportes coletivos
No que se refere à periodização de longa duração, denominada macrociclo, 
normalmente é composta de quatro fases com objetivos e cargas de treinamento 
distintos, sendo elas a preparação geral e especial, competição, pico e transição 
ou recuperação (GOMES, 2009; BOMPA; HAFF, 2012; CUNHA, 2016). 
Em relação aos esportes coletivos, mais especificamente o futebol, a fase 
de preparação geral e especial é aplicada nas primeiras três a quatro semanas 
da temporada, com parte desse período sendo chamado de pré-temporada. 
As primeiras sessões de treinamento da pré-temporada envolvem exer-
cícios com predominância de volume de trabalho em relação à intensidade, 
com objetivo de aquisição das principais capacidades físicas envolvidas na 
modalidade (resistência, velocidade, força, potência, entre outros). No que 
tange a quantidade de treinos em um microciclo de pré-temporada, pode-se 
observar no exemplo mostrado no Quadro 2 que nesta etapa de treinamento 
são realizados treinos em dois períodos (manhã e tarde), com frequência 
de três a quatro treinos com carga de aquisição para um de característica 
regenerativa. 
9Treinamento físico aplicado aos esportes
Fonte: Adaptado de Gomes e Souza (2009).
Dias da 
semana
Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
Manhã Coorde-
nação e 
velocidade
Força 
especial
Regenera-
tivo
Coorde-
nação e 
velocidade
Força 
especial
Regene-
rativo
Resistência 
aeróbica
Tarde Resistên-
cia de 
velocidade
Resistên-
cia espe-
cial
Resistên-
cia de 
velocidade
Resistência 
especial
Resistência 
aeróbica
Veloci-
dade e 
força
Livre
Quadro 2. Microciclo durante pré-temporada no futebol
Vale ressaltar que na pré-temporada os trabalhos evoluem rapidamente 
para exercícios específicos, com predominância de intensidade em relação 
a volume e com múltiplos objetivos físicos, técnicos e táticos. Além disso, a 
otimização dos treinos envolvendo os diversos componentes da modalidade 
é de extrema importância, devido ao longo período competitivo, calendário 
apertado, excesso de jogos e pouco tempopara treinar. 
Após duas semanas de trabalho, normalmente começam os jogos, ou seja, a 
fase competitiva. Apesar disso, a fase de preparação especial avança durante o 
período competitivo, por volta de duas a três semanas, devido à falta de tempo 
hábil para completá-la. Nessa fase, são priorizadas cargas de treinamento mais 
elevadas, com ênfase na intensidade, porém com o cuidado de reduzir a carga 
nos dias que antecedem os jogos. 
A partir disso, a fase competitiva se estende por meses, envolvendo microci-
clos de treinamento com um e dois jogos, conforme exemplificado nos Quadros 
3 e 4, respectivamente. Nesse sentido, é possível observar que no microciclo 
de um jogo podem ser programados treinamentos em dois períodos uma a 
duas vezes na semana, com uma das sessões diárias podendo ser exclusiva 
para trabalhos de força. Já no que se refere a semanas com dois jogos, torna-se 
inviável as sessões em dois períodos no mesmo dia. Além disso, observa-se 
a divisão dos trabalhos em grupos distintos: para quem jogou (PQJ), para 
quem não jogou (PQNJ), para quem vai jogar (PQVJ) e para quem não vai 
jogar (PQNVJ). Isso ocorre devido ao elenco de uma equipe profissional de 
futebol possuir por volta de 28 a 30 atletas, dentre os quais 11 são titulares 
(PQJ ou PQVJ), outros 11 são reservas (PQNJ) e os outros seis a oito atletas 
não são relacionados para a partida (PQNVJ). 
Treinamento físico aplicado aos esportes10
Fonte: Adaptado de Gomes e Souza (2009).
Dias da 
semana
Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
Manhã Livre Regene-
rativo PQJ 
e coletivo 
PQNJ
Livre Veloci-
dade/resis-
tência de 
velocidade
Livre Tático Concen-
trados
Tarde 
ou noite
Livre Força 
especial
Técnico Técnico ou 
tático
Técnico/
tático
Concen-
trados
Jogo
Quadro 3. Microciclo durante pré-temporada, período competitivo com um jogo
Fonte: Adaptado de Gomes e Souza (2009).
Dias da 
semana
Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo
Manhã Livre Livre Força 
especial 
(PQNVJ)
Livre Força ou 
veloci-
dade 
(PQJ) e 
técnico 
(todos)
Tático 
(PQVJ) e 
técnico e 
resistência/
velocidade 
(PQNVJ)
Concen-
trados
Tarde 
ou 
noite
Regenera-
tivo (PQJ) 
e coletivos 
(PQNJ)
Aqueci-
mento 
(velocidade 
ou força) 
técnico/
tático
Jogo Rege-
nerativo 
(PQJ) e 
coletivo 
(PQNJ)
Tático Concentra-
dos
Jogo
Quadro 4. Microciclo durante pré-temporada, período competitivo com dois jogos
Dessa forma é importante planejar, executar e controlar a carga de trei-
namento de todos os atletas, independentemente do grupo no qual estão 
inseridos, para que todos tenham a adequada preparação física, técnica e 
tática e estejam preparados no caso de precisarem atuar nos jogos com alto 
desempenho.
Outro aspecto que pode ser observado nas semanas com um e dois jogos 
é a concentração no dia que antecede o jogo. Esse costume é praticado para 
11Treinamento físico aplicado aos esportes
garantir que os atletas fiquem por volta de 24 horas em ambiente com alto 
controle de descanso, alimentação e hidratação, chegando ao início da partida 
em ótimas condições para o alto desempenho.
No que se refere à fase de pico, é utilizada no futebol em microciclos de 
manutenção, que envolvem baixos volumes de treinamento, porém atendendo 
às intensidades específicas da modalidade. Tais microciclos são distribuídos 
durante a temporada a fim de atender à necessidade de descanso dos atletas 
devido ao excesso de jogos. Já a fase de transição ou recuperação conta com a 
execução de treinamentos com baixo volume e baixa intensidade, estimulando 
que o atleta descanse e ao mesmo tempo mantenha-se ativo para não perder 
valores mínimos de aptidão física, com o objetivo de facilitar o processo de 
preparação para um próximo clico de treinamento (CHANDLER; BROWN, 
2009; BOMPA; HAFF, 2012; CUNHA, 2016).
Dessa forma, pudemos observar, ao longo do capítulo, a complexa missão 
que é planejar, executar e avaliar um programa de treinamento físico para 
modalidades esportivas, tendo em vista que, além de todos os princípios do 
treinamento físico por si só, devem ser levadas em conta também as particu-
laridades da modalidade esportiva e a individualidade biológica dos diferen-
tes atletas que atuam na mesma equipe, desempenhando, por vezes, papéis 
completamente diferentes. Além disso, deve-se levar em conta o calendário 
esportivo, que muitas vezes, como visto no capítulo, impõe diversas dificul-
dades logísticas, a ponto de a mesma sessão de treino possuir um objetivo 
técnico, tático e físico, o que torna o papel do profissional de educação física 
ainda mais importante para o sucesso da equipe e de seus atletas.
BOMPA, T. D.; HAFF, G. G. Teoria e metodologia do treinamento: periodização. 5. ed. São 
Paulo: Phorte Editora, 2012.
CBC. Organização geral do esporte. 2018. Disponível em: http://www.cbc.esp.br/arquivos/
dcbwzbb9c9.pdf. Acesso em: 14 jan. 2020. 
CETOLIN, T.; FOZA, V. Periodização no futsal: descrição da utilização da metodologia 
de treinamento baseada nas cargas seletivas. Brazilian Journal of Biomotricity, v. 4, n. 
1, p. 24–31, 2010.
CHANDLER, T. J.; BROWN, L. E. Treinamento de força para o desempenho humano. Porto 
Alegre: Artmed, 2009.
Treinamento físico aplicado aos esportes12
CONDE, J. H. S. et al. Comparisons of recovery, external and internal load by playing 
position and match outcome in professional soccer. Motriz: Revista de Educação Física, 
v. 24, n. 1, 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi
d=S1980-65742018000100302. Acesso em: 14 jan. 2020.
CUNHA, P. Metodologia do treino desportivo: modalidades coletivas. 2. ed. Lisboa: Ins-
tituto Português do Desporto e Juventude, 2016. Manual de curso de treinadores de 
desporto. E-book. Disponível em: http://www.idesporto.pt/ficheiros/file/Manuais/
GrauII/GrauII_03b_MetodologiaColetivos.pdf. Acesso em: 1 jan. 2020.
DANIEL, J. F. et al. Indicadores de ações técnicas e de intensidade de acordo com 
as posições dos jogadores em partidas oficiais da liga brasileira de basquetebol. E-
-balonmano.com: Revista de Ciencias del Deporte, v. 12, n. 2, p. 89-96, 2016.
FERREIRA, H. F. Caracterização fisiológica do ciclista de estrada português da formação 
até à elite. 2017. Dissertação (Mestrado em Treino Desportivo para Crianças e Jovens) 
— Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade de Coimbra, 
Coimbra, 2017. Disponível em: https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/83914. Acesso 
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FIBA. Regras oficiais de basquetebol. Rio de janeiro: CBB, 2018. Disponível em: http://
www.cbb.com.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=MjY2MA%2C%2C. Acesso 
em: 14 jan. 2020. 
GOMES, A. C. Treinamento desportivo: estruturação e periodização. 2 ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2009.
GOMES, A. C.; SOUZA, J. Futebol: treinamento desportivo de alto rendimento. Porto 
Alegre: Artmed, 2009.
LEMKE, E. K. L.; REIS, E. R. A importância da preparação física no basquete. Revista Carioca 
de Educação Física, n. 10, p. 14–18, 2015. Disponível em: https://revistacarioca.com.br/
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NOVACK, L. F. et al. Quantification of match internal load and its relationship with phy-
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period. Human Movement, v. 19, n. 3, p. 30–37, 2018.
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dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6125411. Acesso em: 14 jan. 2020.
Leitura recomendada
OLIVIO JUNIOR, J. et al. Periodização tática: uma proposta metodológica para jovens 
judocas. Journal of Sport Pedagogy and Research, v. 5, n. 1, p. 4–12, 2019.
13Treinamento físico aplicado aos esportes
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamentedinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Treinamento físico aplicado aos esportes14
Dica do professor
Nos esportes coletivos em que o calendário de jogos tem duração de vários meses, a exemplo do 
futebol profissional, é comum o período de transição e recuperação estar associado às férias dos 
atletas. Devido ao calendário apertado do futebol brasileiro e ao tempo escasso para treinamento 
até que inicie o próximo período competitivo, é importante que os jogadores se mantenham ativos 
durante as férias a fim de minimizar a redução das capacidades físicas e permitir que atinjam 
patamares de desempenho aceitáveis durante a pré-temporada e estejam aptos a iniciar a 
temporada de jogos. 
Na Dica do Professor, você vai acompanhar mais detalhes sobre esse período de treinamento. 
 
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/015f55295fc3e6dccdca81891af16911
Na prática
O planejamento de treinamento nos esportes é fundamental para atingir os resultados pretendidos. 
Nesse sentido, em se tratando de esportes coletivos, mais especificamente o futebol, cujo período 
competitivo tem duração de vários meses e conta com um a dois jogos por semana, a periodização 
se faz imprescindível a fim de propiciar condição física adequada aos atletas durante toda a 
temporada para que estejam aptos a desenvolver todo o seu talento em campo.
A literatura científica indica que atletas que participam da pré-temporada têm capacidade de 
participar de maior número de jogos no ano com menor risco de lesão. Assim, a periodização 
adequada desse período inicial de treinamento tem papel importante para dar aos jogadores a 
sustentação física durante o período competitivo.
Neste Na prática, você vai conhecer três microciclos de treinamento referente à periodização de 
uma pré-temporada em um clube de futebol profissional que disputa campeonatos de nível 
estadual e nacional.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e3a6bfa0-e477-487d-bcba-5637027709c9/46fddfa4-4185-493b-9f89-4a392148d5ac.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Efeitos de um microciclo de Crossfit® em variáveis da carga 
interna de treinamento
Neste artigo você vai ter acesso a um exemplo de microciclo de treinamento na modalidade 
Crossfit, bem como informações relacionadas ao controle da carga de treinamento.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Periodização tática: uma proposta metodológica para jovens 
judocas
Confira no artigo a seguir a proposta de periodização de treinamento com ênfase em aspectos 
táticos no judô. Vale ressaltar que o artigo aborda a organização, as principais características e os 
objetivos do planejamento de treinamento específico para a modalidade.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Novas discussões sobre periodização e monitoramento do 
treinamento
Confira no Editorial da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício uma interessante abordagem sobre 
as discussões recentes na literatura científica em relação à periodização do treinamento esportivo.
https://www.revistas.ufg.br/fef/article/view/51987/33038
https://www.researchgate.net/profile/Rui_Resende/publication/335433147_Periodizacao_Tatica_uma_Proposta_Metodologica_para_Jovens_Judocas/links/5d6b934092851c853883b003/Periodizacao-Tatica-uma-Proposta-Metodologica-para-Jovens-Judocas.pdf
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://portalatlanticaeditora.com.br/index.php/revistafisiologia/article/view/2360/3584

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