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Catalogação na publicação: Suelen Spíndola Bilhar – CRB 10/2269 B419a Behnke, Robert S. Anatomia do movimento [recurso eletrônico] / Robert S. Behnke ; tradução: Maiza Ritomy Ide ; revisão técnica: Antonio Alberto Fernandes. – 3. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2014. Editado também como livro impresso em 2014. ISBN 978-85-8271-079-1 1. Exercícios físicos – Anatomia. 2. Movimento – Anatomia. I. Título. CDU 796:591.4 Behnke_iniciais_3ed_eletronica.indd iiBehnke_iniciais_3ed_eletronica.indd ii 24/04/14 15:0224/04/14 15:02 Anatomia do Movimento 177 so (com inserções em TI–TXII e LI–LV) também contribuem para a flexão lateral, rotação e exten- são da coluna vertebral. Ossos da pelve e osso do quadril Dependendo do ponto de vista, a pelve pode ser constituída por três, sete ou 11 ossos (Fig. 8.32). O aspecto posterior da pelve é formado pelo sa- cro, as cinco vértebras sacrais fundidas (Fig. 8.33). Em ambos os lados do sacro, estão dois grandes ossos muitas vezes chamados de ossos íleos. Na verdade, cada osso do quadril é composto por três ossos separados que se fundem: o ílio, o ísquio e o púbis. Observe as linhas de fusão ilustradas na vista lateral do osso do quadril na Figura 8.32. Os ílios articulam-se com o sacro na região posterior; e os ossos púbicos, entre si na sínfise púbica para formar a pelve. A pelve masculina é diferente da feminina para permitir a gestação (Fig. 8.34). A pelve feminina é proporcionalmente mais larga e mais plana e está inclinada para a frente em um grau mais elevado para permitir essa função. O ílio, uma estrutura ampla em forma de anel, é a parte mais superior do osso do quadril; é o osso que articula a pelve com a coluna vertebral por meio do sacro. Nos aspectos mais anteriores e mais posterio- res do ílio, estão proeminências ósseas conhecidas como espinha ilíaca anterossuperior (EIAS) e espinha ilíaca posterossuperior (EIPS). Quadrado do lombo Grupo eretor da espinha Figura 8.29 Grupo eretor da espinha, vista posterior. Figura 8.30 Localização do grupo eretor da espinha. Trapézio Latíssimo do dorso Levantador da escápula Romboides Figura 8.31 Vista posterior dos músculos superficiais do ombro que também atuam na coluna vertebral. Behnke_08.indd 177Behnke_08.indd 177 28/02/14 14:4028/02/14 14:40 178 Robert S. Behnke Entre a EIAS e a EIPS, há uma grande crista óssea, que atua como um ponto importante de inserções musculares, denominada crista ilíaca (Fig. 8.32). Prática Coloque as mãos no quadril e sinta as cristas ilíacas (Fig. 8.35). Palpando as cristas ilíacas, acompanhe-as até suas extremi- dades anterior e posterior. Esses pontos finais são a EIAS e a EIPS (Fig. 8.36). Sob ambas as EIAS e EIPS, estão proeminên- cias ósseas menores, conhecidas como espinha ilíaca anteroinferior e espinha ilíaca pos- teroinferior. Logo abaixo da EIPI existe uma grande incisura chamada de incisura isquiáti- ca maior. O ísquio é o mais posterior dos três ossos do ilíaco e fica em posição distal ao ílio. No aspecto Lábio externo da crista ilíaca Ílio Linha glútea posterior Espinha ilíaca posterossuperior (EIPS) Espinha ilíaca posteroinferior (EIPI) Incisura isquiática maior Fossa acetabular Espinha isquiática Incisura isquiática menor (ísquio) Forame obturado Ísquio Tuberosidade do ísquio Crista ilíaca Linha glútea anterior Espinha ilíaca anterossuperior (EIAS) Linha glútea inferior Espinha ilíaca anteroinferior (EIAI) Acetábulo Linha de fusão Linha de fusão Púbis Incisura acetabular Tubérculo púbico Corpo do púbis Linha de fusão Ramo do ísquio Figura 8.32 Osso do quadril, vista lateral (ílio, ísquio e púbis). Processo articular superior Superfície articular Tuberosidade sacral Forames sacrais posteriores Figura 8.33 Sacro, vista posterior. Behnke_08.indd 178Behnke_08.indd 178 28/02/14 14:4028/02/14 14:40 Anatomia do Movimento 179 mais posterior do ísquio, há uma proeminência óssea conhecida como espinha isquiática. Por baixo dela, está uma incisura no osso denomina- da incisura isquiática menor (ísquio). No aspecto mais distal do ísquio, existe uma grande proeminência óssea conhecida como tuberosi- dade isquiática que serve como ponto de inser- ção para o grupo de músculos do membro inferior vulgarmente conhecido como isquiotibiais. Prática Você senta sobre suas tuberosidades isquiáticas. Quando em pé, você pode aplicar pressão à área glútea e palpar as tube- rosidades isquiáticas. O osso púbico é o mais anterior dos três os- sos que formam o osso ilíaco. Os ossos púbicos articulam-se com o ísquio (ramo púbico infe- Masculina Sínfise púbica Arco púbico Arco púbico Feminina Pelve maior, ou falsa Pelve menor, ou verdadeira Forame obturado Figura 8.34 As diferenças entre a pelve masculina e a feminina, vista anterior. Figura 8.35 Localização da crista ilíaca. Figura 8.36 Localização da EIPS. Behnke_08.indd 179Behnke_08.indd 179 28/02/14 14:4028/02/14 14:40 180 Robert S. Behnke rior), o ílio (ramo púbico superior) e entre si (corpo do osso púbico). A articulação entre os dois ossos púbicos é conhecida como sínfise pú- bica (ver Fig. 8.34). Ligeiramente lateral à sínfise púbica, cada osso púbico tem uma proeminência óssea em sua superfície superior chamada de tu- bérculo púbico. Prática Aplique pressão no aspecto mais distal de seu abdome e, de- pois, mova sua mão distalmente para palpar a sínfise púbica. No aspecto lateral do osso do quadril, os três ossos (ílio, ísquio, púbis) formam um encaixe profundo conhecido como acetábulo. Essa de- pressão é a concavidade para a articulação tria- xial em cabeça concavidade do quadril. Abaixo do acetábulo, existe um grande forame formado pelo ísquio e pelo púbis que recebe o nome de forame obturado. Ligamentos da pelve O ligamento iliolombar corre entre a quinta vértebra lombar e a crista ilíaca (Fig. 8.37). Dois ligamentos articulam o sacro com o ílio: o sacroi- líaco anterior e o sacroilíaco posterior. O anterior vai da superfície anterior do sacro à super- fície anterior do ílio (Fig. 8.37). O posterior (Fig. 8.37) tem três partes: o sacroilíaco posterior curto, o sacroilíaco posterior longo e o in- terósseo. O ligamento sacroilíaco posterior curto vai do ílio posterior às partes inferiores do sacro. O posterior longo vai da EIPS do ílio à terceira e quarta vértebras do sacro. O ligamento interósseo é constituído por fibras curtas que conectam os aspectos posteriores da articulação sacroilíaca. Os ligamentos da sínfise púbica são o púbico anterior, o púbico inferior, o púbico poste- rior e o púbico superior. A função de cada um é articular os aspectos anterior, posterior, supe- rior e inferior dos dois ossos púbicos para formar a sínfise púbica. Além disso, existe um disco de fibrocartilagem interpúbico entre os ossos púbicos (Fig. 8.37). Entre a EIAS do ílio e o tubérculo púbico encontra-se um ligamento longo, conhecido como ligamento inguinal, que atua como um ponto importante de inserções musculares (Fig. 8.37). Dois ligamentos que estabilizam a pel- ve são o sacroespinal e o sacrotuberal (Fig. 8.37). O ligamento sacroespinal vai do sacro e do cóccix à espinha isquiática. O sacrotuberal corre entre a EIPI, do sacro e do cóccix e a tuberosida- de isquiática. F O C O E M Crista ilíaca A crista ilíaca é o local de muitos encaixes musculares, tanto origens quanto inserções. Quando uma pessoa contunde esta área, é muito doloroso tentar mover a região inferior da coluna vertebral e o quadril e, até mesmo, respirar profundamente devido às inserções musculares. Esse tipo de trauma aos tecidos moles inseridos na crista ilíaca com frequência é chamado de “hip pointer”. Lesões como essa algumas vezes podem ser decorrentes de um equipamento instalado de forma incorreta ou de falha na utilização do equipamento. Todos os treinadores devem receber instruções sobre o uso correto e a montagem dosequipamen- tos. O conhecimento de estruturas anatômicas específicas e como o equipamento protege es- sas estruturas reduz a incidência e a gravidade de algumas lesões. F O C O E M Hérnia inguinal A tensão excessiva sobre os músculos que se inserem no ligamento inguinal pode resultar em uma hérnia inguinal. O termo hérnia indica uma protusão anormal de um órgão. Estirar a mus- culatura que se insere no ligamento inguinal pode fazer com que uma porção do conteúdo abdominal protuse através do tecido muscular estirado, o que resulta em uma hérnia inguinal. Técnicas inadequadas de levantamento de peso podem provocar hérnias e são também um dos principais fatores contribuintes para o estiramento muscular lombar. Pode-se ensinar técnicas adequadas de levantamento de peso em programas de musculação e nas disciplinas de cinesiologia e biomecânica de cursos de graduação. Behnke_08.indd 180Behnke_08.indd 180 11/04/14 15:1811/04/14 15:18 Anatomia do Movimento 181 Movimentos fundamentais e músculos da pelve É incomum a ocorrência de movimento nas ar- ticulações dos ossos pélvicos. A articulação sacroilíaca e as articulações entre o ílio, o ísquio e o púbis são essencialmente fundidas. A sínfise púbica tem movimentos mínimos, de natureza deslizante. A combinação de movimentos da coluna vertebral e da articulação do quadril resulta no movimento da pelve: inclinação para trás, incli- nação para a frente, inclinação lateral e rotação. A partir da posição anatômica (Fig. 8.38a), a in- clinação da pelve para trás envolve o movimento da sínfise púbica para cima e do sacro para baixo. Isso é realizado pela flexão da coluna lombar e extensão das articulações do quadril (Fig. 8.38b). A inclinação da pelve para a frente envolve o mo- vimento da sínfise púbica para baixo e do sacro para cima. Essa inclinação é realizada pela exten- são da coluna lombar e flexão das articulações do quadril (Fig. 8.38c). A inclinação lateral da pelve ocorre quando o ílio é elevado acima do outro. Isso ocorre pela flexão lateral da coluna lombar, abdução de uma articulação de um lado do qua- dril e adução do outro lado (Fig. 8.39). A rotação da pelve envolve a rotação da coluna lombar, com rotação medial de uma articulação de um quadril e rotação lateral da articulação do outro lado (Fig. 8.40). Os músculos da coluna vertebral são apre- sentados neste capítulo e os do quadril, no Ca- pítulo 11. Os músculos da coluna vertebral pro- duzem a flexão, a extensão, a inclinação lateral e a rotação necessárias para os movimentos pél- vicos, com os músculos que produzem flexão, LV Sacroilíaco anterior Espinha ilíaca anterossuperior (EIAS) Sacroespinal Disco interpúbico Longitudinal anteriorIliolombar Lombossacro Sacrotuberal Ligamento inguinal Púbico superior Púbico anterior Púbico inferior Acetábulo Anterior Tubérculo púbico Espinha ilíaca posteroinferior (EIPI) Sacroespinal Tuberosidade isquiática Cóccix Iliolombar Crista ilíaca Espinha ilíaca posterossuperior (EIPS) Sacroilíaco posterior curto Supraespinal Sacroilíaco posterior longo Forame isquiático maior Forame isquiático menor Sacrotuberal Tuberosidade isquiática Sacrococcígeo superficial posterior Posterior Figura 8.37 Marcos anatômicos e ligamentos da pelve. Behnke_08.indd 181Behnke_08.indd 181 28/02/14 14:4028/02/14 14:40 182 Robert S. Behnke extensão, abdução, adução e rotação medial e lateral da articulação do quadril. A partir dessas informações, você pode deduzir quais múscu- los produzem quais movimentos da pelve pelos movimentos da coluna vertebral e da articula- ção do quadril. DICAS DE APRENDIZAGEM REVISÃO DA TERMINOLOGIA Os termos a seguir são discutidos neste capítulo. Definir ou descrever cada termo e, se for o caso, identi- ficar a localização da estrutura em seu corpo ou em uma ilustração apropriada. acetábulo anel fibroso atlas áxis bífido cifose cóccix corpo do osso púbico crista ilíaca dente do áxis disco de fibrocartilagem interpúbico disco intervertebral escaleno anterior escaleno médio escaleno posterior escoliose espinal da cabeça espinal do pescoço espinal do tórax espinha ilíaca anteroinferior (EIAI) espinha ilíaca anterossuperior (EIAS) espinha ilíaca posteroinferior (EIPI) espinha ilíaca posterossuperior (EIPS) espinha isquiática espinhal esplênio da cabeça esplênio do pescoço esternocleidomastóideo faceta articular inferior faceta articular superior forame intervertebral forame obturado forame vertebral fóvea ílio iliocostal do dorso, parte torácica iliocostal do lombo, parte lombar iliocostal do pescoço incisura isquiática maior incisura isquiática menor (ísquio) ísquio Figura 8.40 Rotação da cintura pélvica. a b c Figura 8.38 Movimentos da cintura pélvica: (a) posição anatômica, (b) inclinação para trás e (c) inclinação para a frente. Figura 8.39 Inclinação lateral da cintura pélvica. Behnke_08.indd 182Behnke_08.indd 182 28/02/14 14:4028/02/14 14:40 Ossos da pelve e osso do quadril Crista ilíaca Ligamentos da pelve Hérnia inguinal Movimentos fundamentais e músculos da pelve