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Belém – Pa 2023 Emulsões Profa.: Sarah Camelo sarah-camelo@hotmail.com 2 1. Emulsões: 1.1.Emulsões: definição e finalidades. 1.2.Teoria da emulsificação e preparação. 1.3.Cálculos de EHL. 1.4.Estabilidade das emulsões. 1. Introdução: • Uma emulsão é um sistema que consiste em duas fases líquidas imiscíveis, uma delas dispersa pela outra na forma de gotículas finas. • Um terceiro componente, o agente emulsificante, é necessário para estabilizar a emulsão. 3 1. Introdução: 4 • Sistemas farmacêutico sólido de liberação modificada Gotículas com diâmetro Emulsões: 10 – 50 µm Microemulsões: 5 – 140 nm - Dispersões grosseiras: 50 µm - 1 mm (suspensões) - Dispersões finas: 10 - 50 µm (emulsões) - Dispersões coloidais: 1 nm à 1 µm (géis) 1. Introdução: • A fase que está presente como gotículas finas é chamada de fase dispersa e a fase na qual as gotículas estão suspensas é a fase contínua. • A maioria das emulsões terá gotículas com diâmetros de 10 – 50 µm • Dois principais tipos de emulsão podem existir, óleo em água (O/A) e água em óleo (A/O), 5 Óleo/água Água/óleo Fase dispersa Fase contínua Fase dispersa Fase contínua 6 Emulsões múltiplas (sistema de liberação controlada) O/A Até 74% da fase dispersa Até 50% da fase dispersa A/O - emulsão farmacêutica: 10-30% de fase dispersa 1. Introdução: • Tradicionalmente, as emulsões têm sido utilizadas para processar substâncias oleosas, como o óleo de rícino, em uma forma mais palatável. • É possível formular conjuntamente medicamentos solúveis em óleo e solúveis em água em emulsões e os fármacos podem ser mais facilmente absorvidos devido à condição finamente dividida das substâncias emulsionadas. • A administração de óleos e gorduras por infusão intravenosa, como parte de um programa de nutrição parenteral (NP), tornou-se possível pelo uso de agentes emulsificantes atóxicos adequados, como a lecitina. 7 NP: Tamanho das gotícula para não formação de êmbolos Calibre médio de uma artéria fina : 100 µm 1. Introdução: • Os tamanhos das gotículas dependem: • Método de preparação (fornecimento de energia); • Volumes relativos das fases oleosa e aquosa; • Natureza química do agente emulsificante: • Tensoativo é solúvel na fase contínua 8 2. Teoria da estabilização de emulsões: 9 Filmes interfaciais Dois líquidos imiscíveis são agitados Subdivisão da fase dispersa em gotículas (termodinamica mente instável) éÁrea superficial éEnergia livre interfacial Coalescência das gotículas 2. Teoria da estabilização de emulsões: 10 Filmes interfaciais A adsorção de um tensoativo na interface do glóbulo diminuirá a tensão interfacial, facilitando a emulsificação e a estabilidade https://www.youtube.com/watch?v=mBvKar6t1LY 2. Teoria da estabilização de emulsões: 11 Tensoativos São substâncias que diminuem a tensão superficial ou influenciam a superfície de contato entre dois líquidos, entre um gás e um líquido, ou entre um líquido e um sólido Cadeia carbônica 2. Teoria da estabilização de emulsões: 12 Tensoativos Tipos: 2. Teoria da estabilização de emulsões: 13 Tensoativos 14 Tensão superficial da água: é causada pelas forças de coesão entre moléculas semelhantes 2. Teoria da estabilização de emulsões: 15 Concentração Micelar Crítica (CMC) Baixa concentração de tensoativo Concentração Micelar Crítica (CMC) éconcentração do tensoativo = êTensão superficial Micela 3. Aplicação dos tensoativos: 16 Agitação da mistura água e óleo com tensoativo acima da CMC Formação de uma dupla camada eletrônica Dificulta a coagulação Tensoativo aniônico 3. Aplicação dos tensoativos: 17 Como ocorre o crescimento da gotícula? Mobilidade da gotícula na fase contínua 3. Aplicação dos tensoativos: • Mobilidade da gotícula na fase contínua • Mobilidade do tensoativo na superfície da gotícula; • Existência de espaço entre as moléculas de tensoativos • Uso de tensoativos com a fase orgânica ramificada • maior interação com a fase óleo, logo menor mobilidade • Utilização de tensoativos para preenchimento dos espaços vazios 18 Por que isso acontece? Como amenizar esse efeito? A formulação de emulsões envolve a combinação de dois tipos de tensoativos 4. Emulsão: • A/O ou O/A? • A fase que persiste na forma de gotícula pelo tempo mais longo deverá tornar-se a fase dispersa e deverá ser cercada pela fase contínua formada pelas gotículas mais rapidamente coalescentes. • Os volumes das fases e as tensões interfaciais determinarão o número relativo de gotículas produzidas. • Um maior número favorece a colisão entre as gotículas. • Filme interfacial (barreira física ou química) produzido pela adsorção de tensoativo na interface O/A ou A/O. Diminuem as taxas de coalescência • Depende das características polares/apolares dos tensoativos, é mais solúvel na fase contínua. 19 Tipos: 4. Emulsão: • É o princípio da existência de uma barreira interfacial hidrofílica favorecendo as emulsões O/A • Enquanto que a presença de uma barreira lipofílica favorece emulsões A/O. • Um número EHL é atribuído a um agente emulsificante, que é a característica da sua polaridade relativa. 20 Sistema de Equilíbrio Hidrófilo-Lipófilo (EHL) 4. Emulsão: 21 Escolha do tipo de tensoativo Faixa de EHL de eficiência ótima dos ag. emulsificantes O/A A/O Polissorbatos (Tweens) Ésteres de sorbitano (Span) Mistura de tensoativos: resulta em emulsões mais estáveis Tipo de emulsão 4. Emulsão: • Podemos estimar os valores para polissorbatos (Tweens®) e ésteres de sorbitano (Spans®) a partir de: • E = é a porcentagem em massa de cadeias de oxietileno • P = é a porcentagem em massa de grupos álcool poli-ídricos (glicerol ou sorbitol) na molécula (hidrofílica). 22 Sistema de Equilíbrio Hidrófilo-Lipófilo (EHL) Oxietileno 4. Emulsão: 23 Sistema de Equilíbrio Hidrófilo-Lipófilo (EHL) Grifin: o EHL das emulsões depende única e exclusivamente da quantidade de componentes oleosos da formulação 4. Emulsão: • Dada a fórmula da emulsão O/A, calcule o EHL da emulsão e escolha entre os agente emulsivos abaixo aquele que, teoricamente, será o mais indicado para estabilizar a emulsão 24 Cálculo do melhor agente emulsificante Componente Quantidade EHL Cera de abelha 15 g 15,0 Parafina líquida 20 g 10,5 Óleo vegetal 15 g 9,0 Glicerina 4 g Ag. Emulsivo 5 g Água destilada qsp 100 g Goma adraganta – EHL 13,2 Lauril Sulfato de Sódio – EHL 40,0 Estearato de polioxietileno – EHL 11,1 4. Emulsão: cálculo EHL 25 Componente Quantidade EHL Cera de abelha 15 g 15,0 Parafina líquida 20 g 10,5 Óleo vegetal 15 g 9,0 Glicerina 4 g Ag. Emulsivo 5 g Água destilada qsp 100 g Somar a quantidade de fase oleosa Cera + parafina + óleo = 50 g – 50% Determinar a percentagem de cada componente na fase oleosa FO FO FO 50 g - 100% 15 g - x x = 30% - 0,3 Cera Parafina 50 g - 100% 20 g - x x = 40% - 0,4 Óleo 50 g - 100% 15 g - x x = 30% - 0,3 4. Emulsão: cálculo do EHL • Contribuição de cada componente da FO para o EHL 26 Cálculo do melhor agente emulsificante Componente Quantidade Contribuição EHL Cera de abelha 15 g 15,0 x 0,3 = 4,5 Parafina líquida 20 g 10,5 x 0,4 = 4,2 Óleo vegetal 15 g 9,0 x 0,3 = 2,7 Glicerina 4 g Ag. Emulsivo 5 g Água destilada qsp 100 g EHLemulsão = somatório dos EHL dos componentes da FO EHL emulsão = 4,5 + 4,2 + 2,7 EHL emulsão = 11,4 Goma adraganta – EHL 13,2 Lauril Sulfato de Sódio – EHL 40,0 Estearato de polioxietileno – EHL 11,1 4. Emulsão: exemplo • Dada a fórmula da emulsão O/A, calcule o EHL da emulsão e escolha entre os agente emulsivos abaixoaquele que, teoricamente, será o mais indicado para estabilizar a emulsão 27 Cálculo do melhor agente emulsificante Componente Quantidade EHL Cera de abelha 5 g 15,0 Parafina líquida 26 g 10,5 Óleo vegetal 18 g 9,0 Glicerina 4 g Ag. Emulsivo 5 g Água destilada qsp 100 g Goma adraganta – EHL 13,2 Lauril Sulfato de Sódio – EHL 40,0 Estearato de polioxietileno – EHL 11,1 4. Emulsão: exemplo 28 Componente Quantidade EHL Cera de abelha 5 g 15,0 Parafina líquida 26 g 10,5 Óleo vegetal 18 g 9,0 Glicerina 4 g Ag. Emulsivo 5 g Água destilada qsp 100 g Somar a quantidade de fase oleosa Cera + parafina + óleo = 49 g – 49% Determinar a percentagem de cada componente na fase oleosa FO FO FO 49 g - 100% 5 g - x x = 10,20% - 0,102 Cera Parafina 49 g - 100% 26 g - x x = 53,1% - 0,531 Óleo 49 g - 100% 18 g - x x = 36,73% - 0,3673 4. Emulsão: exemplo • Contribuição de cada componente da FO para o EHL 29 Cálculo do melhor agente emulsificante Componente Quantidade Contribuição EHL Cera de abelha 5 g 15,0 x 0,102 = 1,53 Parafina líquida 26 g 10,5 x 0,531 = 5,575 Óleo vegetal 18 g 9,0 x 0,3673 = 3,3057 Glicerina 4 g Ag. Emulsivo 5 g Água destilada qsp 100 g EHLemulsão = somatório dos EHL dos componentes da FO EHL emulsão = 1,53 + 5,575 + 3,3057 EHL emulsão = 10,41 Goma adraganta – EHL 13,2 Lauril Sulfato de Sódio – EHL 40,0 Estearato de polioxietileno – EHL 11,1 4. Emulsão: • Para preparar 120 g de um creme utilizo 3% de Tween 80 (EHL = 15) e 1% de Span 40 (EHL = 6,7). Qual o EHL da mistura? • EHLmistura = 3%/4% x 15 + 1%/4% x 6,7 • EHLmistura = 75% x 15 + 25% x 6,7 • EHLmistura = 11,25 + 1,675 à 12,92 30 Cálculo do EHL da mistura Quantidade total de tensoativo: 3% + 1% = 4% 4. Emulsão: • Dada a emulsão abaixo, calcule a quantidade de Span 80 (EHL = 4,3) e Tween 60 (EHL = 14,9) que deve ser utilizada para estabilizar 100 g da formulação. 31 Cálculo da quantidade de emulsificante necessária Componente Quantidade EHL Álcool esteárico 8% 15,0 Álcool cetílico 1% 13,0 Lanolina 1% 10,0 Agente emulsificante 4% Glicerina 10% Água destilada qsp 100% 4. Emulsão: cálculo EHL 32 FO FO FO 10% - 100% 8% - x x = 80% - 0,8 A. esteárico A. cetílico 10 % - 100% 1% - x x = 10% - 0,1 Lanolina 10% - 100% 1% - x x = 10% - 0,1 Componente Quantidade Contribuição EHL Álcool esteárico 8% 15,0 Álcool cetílico 1% 13,0 Lanolina 1% 10,0 Agente emulsificante 4% Glicerina 10% Água destilada qsp 100% Somar a quantidade de fase oleosa Álcoois + lanolina = 10% Determinar a percentagem de cada componente na fase oleosa 4. Emulsão: cálculo do EHL • Contribuição de cada componente da FO para o EHL 33 Cálculo da quantidade de emulsificante necessária Componente Quantidade Contribuição EHL Álcool esteárico 8% 15,0 x 0,8 = 12,0 Álcool cetílico 1% 13,0 x 0,1 = 1,3 Lanolina 1% 10,0 x 0,1 = 1,0 Agente emulsificante 4% Glicerina 10% Água destilada qsp 100% EHLemulsão = somatório dos EHL dos componentes da FO EHL emulsão = 12 + 1,3 + 1,0 EHL emulsão = 14,3 4. Emulsão: • Dada a emulsão abaixo, calcule a quantidade de Span 80 (EHL = 4,3) e Tween 60 (EHL = 14,9) que deve ser utilizada para estabilizar 100 g da formulação. 4% de emulsificantes (4g) 34 Cálculo da quantidade de emulsificante necessária Tenho Quero Proporção Span 80 4,3 14,9 – 14,3 = 0,6 partes 14,3 Tween 60 14,9 14,3 – 4,3 = 10 partes 0,6 + 10 = 10,6 partes = 4 g 10,6 partes - 4 g 0,6 partes - x x = 0,27 g 10,6 partes - 4 g 10 partes - x x = 3,77 g Span 80 Tween 60 4. Emulsão: • Dada a emulsão abaixo, calcule a quantidade de Span 80 (EHL = 4,3) e Tween 60 (EHL = 14,9) que deve ser utilizada para estabilizar 100 g da formulação. • Preparo: 35 Cálculo da quantidade de emulsificante necessária Fase oleosa 80 ºC Fase aquosa 80 ºC Verter a fase dispersa na fase contínua sob agitação 4. Emulsão: 36 Componentes da formulação Conservantes: O/A (fenoxietanol, ác. Benzóico, parabenzoatos) A/O: não precisa Antioxidante: para evitar a oxidação do óleo, tensoativo, fármaco Ex: BHA, BHT, galato de alquila (0,1-0,2%) Umectante: a evaporação da água durante o armazenamento Ex: propilenoglicol, glicerol, sorbitol (5%) Emulsificantes: formam o filme interfacial nas gotículas - mantendo o estado de dispersão das gotículas - garantindo a estabilidade cinética 4. Emulsão: 37 Estabilidade da formulação Filme interfacial do tensoativo ao redor da gotícula Separação ou quebra Coalescência Filme interfacial Crescimento bacteriano Mudança de temperatura Adição de agente químico incompatível: tensoativo de carga iônica oposta 38 In st ab ili da de fí si ca cremagem floculação inversão de fase Amadurecimento de Ostwald coalescência Separação de fase Gotículas < 600 nm Enfraquecimento do filme interfacial: éforça de atração Fase dispersa com êdensidade Fase dispersa com 70% ag. que alteram o EHL 4. Emulsão: • Exame Macroscópico • Análise do Tamanho de gotícula • Alteração de viscosidade • Armazenamento em temperaturas adversas • Centrifugação • Avaliação Reológica 39 Teste de estabilidade 4.1 Microemulsão: • São sistemas homogêneos, transparentes e termodinamicamente estáveis. • Formam-se espontaneamente quando os componentes são misturados nas razões corretas 40 Macroemulsões: gotas com diâmetros 10 – 50 µm Micro: gotas com diâmetros menor que o comprimento de onda da luz visível, sendo então transparentes ou translúcidas 4.1 Microemulsão: • Uma condição essencial para sua formação e estabilidade é que alcance uma tensão interfacial muito baixa. • Em geral, não se consegue o rebaixamento necessário da tensão interfacial com um único surfactante e é necessário incluir na formulação um segundo anfifílico, normalmente um álcool de comprimento de cadeia média. O segundo anfifílico é chamado de co-ssurfactante. • Embora as microemulsões tenham muitas vantagens sobre as emulsões grosseiras, particularmente sua transparência e sua estabilidade, elas requerem quantidades muito maiores de surfactante para sua formulação, o que restringe a escolha de componentes aceitáveis. 41 4.1 Microemulsão: 42 Macroemulsão x microemulsão 43 EXERCÍCIO - Creme: • Diferença entre: • Creme aniônico x não iônico • Exemplos de utilização • O que usar em: • Emulsões de limpeza e demaquilantes? • Peles infantis? • Associações de ativos com características iônicas diferentes? 44 45