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CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 1 Direito Civil (Ponto 5) Do direito das obrigações. Das modalidades das obrigações. Da transmissão das obrigações. Do adimplemento e da extinção das obrigações. Do inadimplemento das obrigações. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 2 CURSO MEGE Site para cadastro: https://loja.mege.com.br/ Celular / Whatsapp: (99) 98262-2200 (Tim) Fanpage: /cursomege Instagram: @cursomege Turma: Clube Delta 2023.1 Material: Ponto 5 (Direito Civil) Direito Civil Ponto 5 Do direito das obrigações. Das modalidades das obrigações. Da transmissão das obrigações. Do adimplemento e da extinção das obrigações. Do inadimplemento das obrigações. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 3 SUMÁRIO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 1.1. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................................ 5 1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES .......................................................................... 13 1.3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................... 27 1.4. DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES.............................................. 32 2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 50 3. QUESTÕES ................................................................................................................... 56 4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 62 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA (Conforme Edital Mege) DIREITO CIVIL Do direito das obrigações. Das modalidades das obrigações. Da transmissão das obrigações. Do adimplemento e da extinção das obrigações. Do inadimplemento das obrigações. (Ponto 5) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 5 1. DOUTRINA (RESUMO) 1.1. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1.1.1. CONCEITO O direito das obrigações pode ser conceituado como o conjunto de normas (regras e princípios jurídicos) reguladoras das relações patrimoniais entre um credor (sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem incumbe o dever de cumprir, espontânea ou coativamente, uma prestação de dar, fazer ou não fazer. Em sentido clássico e estrutural, obrigação era considerada apenas como o vínculo jurídico formado por um sujeito, denominado credor, que poderia exigir de outro sujeito, devedor, o cumprimento de uma prestação (dar, fazer ou não fazer – modalidades de obrigações). Modernamente, influenciada pela doutrina alemã, a relação obrigacional vem sendo considerada uma relação dinâmica, vista como um processo, ou seja, uma sequência de atos encadeados que devem levar ao adimplemento da obrigação. Diversamente da relação estática, em que o devedor ficava subordinado ao credor, na relação dinâmica, todos devem cooperar para o adimplemento, na medida em que credor e devedor possuem deveres recíprocos. Há uma relativização do pacta sunt servanda e, para além do dever de realizar a prestação, surgem os deveres laterais ou anexos, decorrentes da boa-fé objetiva, tais como o dever de colaboração, de informação etc., como se verá mais adiante. Obrigação passa a ser a junção dos sujeitos, vínculo jurídico e prestação com os valores sociais, que lhe dão conteúdo e legitimidade. Senão vejamos: 1) Sujeitos (credor e devedor); 2) Vínculo jurídico (vínculo imaterial ou ligação abstrata entre credor e devedor); - Há dois fatores decompostos da ideia de vínculo obrigacional: débito (schuld) e responsabilidade (haftung). Débito é a prestação a ser cumprida pelo devedor, em decorrência da relação de direito material. É a situação jurídica passiva representada pelo dever de realizar certa conduta ou atividade. Responsabilidade patrimonial é a situação que recai sobre o patrimônio do devedor como garantia do direito do credor, derivada do inadimplemento. A responsabilidade somente se concretiza quando do descumprimento da obrigação. Normalmente, débito e responsabilidade se verificam conjuntamente na mesma pessoa – devedor, mas é possível a separação. 3) Prestação – objeto da obrigação (o devedor se compromete com o credor a uma prestação, que pode ser de dar, fazer ou não fazer). Ocorre que, após a segunda metade do século XX e, no Brasil, mais especificamente, após a Constituição de 1988, houve a necessidade de reler essa relação tradicional, analisada sob a perspectiva da estrutura da obrigação, a fim de adaptá-la aos valores constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, a CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 6 solidariedade, a justiça social, a função social, a igualdade substancial, a boa-fé objetiva etc. A obrigação passa a ser a junção dos sujeitos, vínculo jurídico e prestação com os valores sociais, que lhe dão conteúdo e legitimidade. Acrescenta-se, então, mais um elemento: 4) Valores sociais fundados nos princípios constitucionais do Estado Democrático de Direito, os quais passam a integrar, como pressuposto lógico e necessário, o conteúdo da relação jurídica obrigacional. A obrigação somente terá legitimidade e tutela do Estado se ajustada a esses valores. 1.1.2. DISTINÇÕES TERMINOLÓGICAS 1.1.2.1. Dever jurídico, estado de sujeição, obrigação stricto sensu e ônus jurídico Dever jurídico: indica a necessidade de observância de determinada regra de conduta imposta pelo ordenamento jurídico. O dever jurídico se coloca como o contraponto de um direito subjetivo (a cada direito corresponde um dever, seja em relação a uma pessoa determinada, seja em relação à coletividade). Estado de sujeição: indica a submissão de determinada pessoa a um poder (potestas) que o ordenamento jurídico reconhece a terceiro, a exemplo do direito de se divorciar (o sujeito não pode se opor à pretensão de divórcio de sua companheira). A sujeição se coloca como o contraponto do direito potestativo. Obrigação stricto sensu: é uma espécie de dever que decorre de uma relação jurídica estabelecida entre as partes (veremos as fontes do direito obrigacional adiante). Ônus jurídico: coloca-se como a necessidade de prática de determinada conduta (ou abstenção dela), sob pena de perda de uma situação de vantagem ou criação de uma situação de desvantagem. Não há um “dever jurídico” a ser prestado, mas a inobservância do ônus pode gerar uma situação de desvantagem para aquele que não o observa.DEVER JURÍDICO DIREITO SUBJETIVO SUJEIÇÃO DIREITO POTESTATIVO OBRIGAÇÃO STRICTO SENSU RELAÇÃO JURÍDICA ÔNUS JURÍDICO PERDA DE VANTAGEM 1.1.2.2. Direitos obrigacionais X Direito da personalidade CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 7 De acordo com a doutrina de Luciano Figueiredo: DIREITOS OBRIGACIONAIS DIREITOS DA PERSONALIDADE Patrimoniais Extrapatrimoniais Inter partes Erga omnes Prescritíveis Imprescritíveis Transmissíveis Intransmissíveis Disponíveis Indisponíveis Penhoráveis Impenhoráveis Compensáveis Incompensáveis Transacionáveis Intransacionáveis Renunciáveis Irrenunciáveis Cessíveis Incessíveis Relativos Absolutos 1.1.2.3. Direitos obrigacionais X Direito reais x Situações mistas Segundo o referido doutrinador, podemos destacar as diferenças entre os Direitos Obrigacionais e os Direitos Reais: DIREITOS REAIS DIREITOS OBRIGACIONAIS Numerus clausus – taxativos ou típicos. Numerus apertus – exemplificativos. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 8 Direito de sequela – reivindicar a coisa onde quer que esteja e nas mãos de quem quer que esteja. Não há sequela – executa-se o contrato apenas, incidindo a sanção pelo descumprimento no patrimônio do devedor. Eficácia erga omnes – opõe-se contra todos. Eficácia inter partes – relativos às partes. Registrabilidade e publicidade – submetem-se a registro. Forma livre, em regra (art. 107 do CC) – não exigem registro nem publicidade. A relação jurídica se estrutura entre uma pessoa e a própria coisa (jus in re – direito sobre a coisa). A relação jurídica se estrutura entre pessoas determinadas ou determináveis (jus ad rem – direito contra a pessoa). Direito de preferência. Direito quirografário (comum). Inerência ou aderência – acompanha, adere, às mutações da coisa. Não há inerência – não acompanha as mutações da coisa, pois gira em torno da prestação. Encerra direito de gozo, fruição ou garantia sobre coisa corpórea. Encerra direitos de crédito a uma prestação, entre sujeitos. Ao lado dessas duas espécies, há que se atentar às situações mistas, caracterizadas por se tratar de relações obrigacionais derivadas de uma origem patrimonial. São elas: - Obrigação propter rem (ambulatoriais ou mistas): decorrentes do direito real titularizado pelo obrigado, a exemplo dos tributos incidentes sobre a propriedade (como IPTU, ITR e IPVA), ou a obrigação do condômino em concorrer com as despesas da manutenção do condomínio (art. 1.315 CC); - Obrigação com eficácia real: consiste na possibilidade de, com o registro, atribuir efeitos erga omnes à obrigação, que a princípio estaria adstrita às partes, a exemplo do art. 8º da Lei 8.245/91 (averbação do contrato de locação no RGI); - Obrigação com ônus real: hipótese em que se institui gravame sobre o bem, limitando o seu uso ou gozo, a exemplo da servidão, do direito real de habitação. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 9 1.1.3. FONTES OU FUNÇÕES DAS OBRIGAÇÕES As fontes do Direito são os meios pelos quais se formam ou se estabelecem as normas jurídicas. Trata-se, em outras palavras, de instâncias de manifestação normativa: a lei, o costume (fontes diretas), a analogia, a jurisprudência, os princípios gerais do direito, a doutrina e a equidade (fontes indiretas). É necessário atentar à posição clássica e à moderna em relação às “fontes das obrigações”. Para parte da doutrina, a vontade humana e a lei seriam as duas grandes fontes das obrigações (Caio Mário e outros), ao passo que a maioria da doutrina clássica incluía dentre as fontes obrigacionais o “ato ilícito”. A doutrina moderna, porém, propõe a revisão desse conceito e sustenta que todo FATO JURÍDICO pode ser fonte de obrigações. Nesse sentido, Fernando Noronha sustenta que melhor seria considerar a classificação a partir das FUNÇÕES da obrigação (e não das “fontes”), propondo três categorias, de acordo com os respectivos interesses dos credores e ligando cada uma delas a um princípio geral do direito, quais sejam: - Função NEGOCIAL: decorrente da autonomia privada, gerando responsabilidade nos termos do contrato. Corresponde ao princípio ético-jurídico do pacta sunt servanda (os pactos devem ser cumpridos); - Função de RESPONSABILIDADE CIVIL: decorrem de atos ilícitos ou ainda de atos lícitos, como atualmente reconhece a jurisprudência, gerando a responsabilidade civil propriamente dita. Corresponde ao princípio ético-jurídico do neminem laedere (não lesar ninguém); - Função de reparar ENRIQUECIMENTOS INJUSTIFICADOS: decorrem de situações em que há o aproveitamento de bens ou direito alheio, gerando a responsabilidade de restituir o acréscimo indevidamente obtido. Corresponde ao princípio do suum cuique tribuere (dar a cada um o que é seu). FUNÇÃO CONSEQUÊNCIA PRINCÍPIO NORTEADOR Negocial Responsabilidade contratual Pacta sunt servanda Resp. civil Resp. civil propriamente dita Neminem laedere Enriquecimento sem causa Obrigação de restituir o acréscimo obtido Suum cuique tribuere CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 10 1.1.4. ESTRUTURA E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DAS OBRIGAÇÕES Colocam-se três elementos na relação obrigacional: - Elemento subjetivo → credor/devedor. - Elemento objetivo → prestação. - Elemento abstrato ou espiritual → vínculo jurídico. Em relação ao elemento subjetivo, cabe atentar ao seguinte: - Credor e devedor devem ser determinados ou determináveis; - É possível a indeterminação subjetiva ativa (ex.: cheque em branco, promessa de recompensa – quem é a pessoa que pode exigir essa obrigação?) ou a indeterminação subjetiva passiva (ex.: obrigações propter rem – quem é a pessoa que deve arcar com aquela obrigação?); - O elemento subjetivo das obrigações é sempre PLURAL/DUAL, e em caso de credor e devedor serem as mesmas pessoas, estaremos diante de confusão, o que extingue a obrigação. Em relação ao elemento objetivo, cabe atentar ao seguinte: - O objeto da relação se divide em objeto imediato ou direto que consiste na prestação em si e em objeto mediato ou indireto, que consiste no bem da vida. Exemplo: compra e venda de um livro; objeto imediato a entrega do livro; objeto mediato o livro; - O objeto IMEDIATO das obrigações sempre se identificará com uma prestação de dar, fazer ou não fazer; - Ao objeto MEDIATO das obrigações aplicam-se os requisitos do art. 104 do CC, vale dizer, o objeto deve ser lícito, possível, determinado ou determinável, regra que desrespeitada gera a NULIDADE da obrigação, nos termos do art. 166, II, do CC; - Há quem aponte a patrimonialidade do objeto como requisito, mas é possível o reconhecimento de obrigações com caráter extrapatrimonial. Em relação ao elemento abstrato ou espiritual, cabe atentar ao seguinte: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 11 - Trata-se do vínculo jurídico que une as partes e permite que o credor exija dodevedor o cumprimento de uma obrigação, podendo-se, inclusive, valer-se do Poder Judiciário para concretização do seu direito. 1.1.5. A OBRIGAÇÃO COMO UM PROCESSO E A APLICAÇÃO DOS PARADIGMAS DO CÓDIGO CIVIL AO DIREITO OBRIGACIONAL 1.1.5.1. A obrigação como um processo ou “complexa” Com a progressiva publicização do Direito Civil e o fenômeno de constitucionalização do Direito, a autonomia da vontade foi cedendo espaço a outros valores que também devem ser protegidos. Não se despreza a importância da vontade das partes (gênese das obrigações), mas reconhecem-se outros elementos permeando a relação obrigacional, a exemplo dos deveres de conduta ou deveres anexos. ATENÇÃO! A doutrina costuma apontar, ao lado dos deveres principais, os deveres de conduta e ainda os deveres acessórios da obrigação principal – a exemplo do dever de indenizar a mora pelo descumprimento. Estes últimos decorrem da lei e da pactuação. Pode-se falar, portanto, em três espécies de deveres: principais, acessórios e anexos (ou de conduta). Nos termos do que dispõem Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Netto (classificação de Menezes Cordeiro), podemos apontar como dever de conduta, independentemente de previsão contratual ou vontade das partes: - Dever de proteção: protegem a parte contrária dos riscos de danos ao seu patrimônio e pessoa no curso da relação obrigacional; - Dever de lealdade: impondo às partes atenderem à boa-fé e absterem-se de adotar comportamento que possa atingir a dignidade da contraparte; - Dever de cooperação: exige das partes um comportamento que facilite, permita a satisfação da prestação acertada; - Dever de esclarecimento: impondo a obrigação das partes em informar sobre elementos que possam interessar à contraparte, atendidos os limites da boa-fé objetiva. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 12 Importa adiantar que, enquanto o descumprimento dos deveres principais acarreta o INADIMPLEMENTO absoluto ou relativo, o descumprimento dos deveres anexos consiste na VIOLAÇÃO POSITIVA DO CONTRATO ou ADIMPLEMENTO FRACO. Além de cumprir as obrigações contratuais, os contratantes devem também cumprir a boa-fé objetiva e os seus deveres anexos. Com isso, pode ser que o contratante cumpra todas as obrigações contratuais, sem exceção, mas descumpra os deveres anexos oriundos boa-fé objetiva, como o dever de informação, de segurança, de lealdade, deveres éticos. Note que não houve um descumprimento negativo, mas sim um descumprimento positivo, uma vez que, mesmo cumprindo todos os deveres contratuais, descumpriu os deveres anexos, consagrando um novo modelo de inadimplemento, o inadimplemento positivo. Os autores citados ainda destacam que a concepção da obrigação enquanto processo acaba por ampliar o elemento subjetivo, podendo-se falar nas figuras do: - Terceiro ofendido: hipótese em que um sujeito estranho à relação obrigacional possa ser por ela afetado, fazendo jus à indenização. Exemplo: vítima de um acidente de trânsito acionando a seguradora do causador do sinistro – Súmula 529 STJ; - Terceiro ofensor: hipótese designada de “tutela externa do crédito”, consistente na responsabilização de terceiro, estranho à relação contratual, que adota conduta prejudicial ao interesse de uma das partes da relação. Exemplo: caso Zeca Pagodinho, em que uma cervejaria concorrente violou contrato de exclusividade do cantor com determinada marca, sendo condenada a indenizar os prejuízos experimentados pela parte lesada. 1.1.5.2. Aplicação dos paradigmas do Código Civil ao direito obrigacional O Código Civil de 2002 pautou-se em três diretrizes teóricas, a saber, a socialidade (ou sociabilidade), a eticidade e operabilidade, todas elas tendo reflexos no Direito Obrigacional. Em relação à socialidade, há que se atentar à função social do negócio jurídico, promovendo a ampliação dos sujeitos da relação obrigacional, a exemplo das figuras do terceiro ofendido e terceiro ofensor, vistas anteriormente. Em relação à eticidade, há que se atender à boa-fé objetiva, apresentando basicamente três funções no campo obrigacional e contratual: - Função interpretativa (art. 113): “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. (...)”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 13 - Função de controle (art. 187): “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa- fé ou pelos bons costumes.”. - Função integrativa (art. 422): “Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.”. Com efeito, a eticidade representa a valorização do comportamento ético- socializante, notadamente pela boa-fé objetiva. Por fim, em relação à operabilidade, há que se atentar à adoção das normas abertas pelo legislador, permitindo e até exigindo do aplicador da norma a sua conformação ao caso concreto, a exemplo do contido no art. 233 do CC. 1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES Várias são as classificações propostas pelo Código Civil (os arts. 233 a 285, Título “Das Modalidades das Obrigações”, trata do tema em seis capítulos) e ainda completadas pela doutrina. Seguiremos a sistemática do Código Civil, destacando ao final a distinção entre obrigação de meio, resultado e garantia. 1.2.1. QUANTO À EXIGIBILIDADE Quanto à exigibilidade, as obrigações podem ser naturais (ou imperfeitas) ou civis (ou perfeitas). As obrigações naturais não são exigíveis. Entretanto, se o devedor adimplir a obrigação, não caberá repetição, pois há o débito (schuld), mas não há a responsabilidade (haftung). Denomina-se solutio retenti o direito do credor de reter o pagamento da prestação imperfeita. São exemplos de obrigações naturais a dívida prescrita (CC, art. 882), a dívida de jogo e aposta não legalizados (CC, art. 815) e o mútuo feito a menor sem a prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver (CC, art. 558). Já as obrigações civis são completas e perfeitas, porque dotadas de plena exigibilidade, haja vista que prescrevem a conduta e vinculam patrimonialmente o devedor que deixar de observá-las. Existe o débito (schuld) e a responsabilidade (haftung) ao mesmo tempo. 1.2.2. QUANTO À PRESTAÇÃO CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 14 Como visto, o elemento OBJETIVO da obrigação pode ser analisado de duas formas: OBJETO IMEDIATO ou DIRETO que é a prestação a que se obriga o devedor, ao passo que OBJETO MEDIATO ou INDIRETO é o bem da vida. O objeto imediato sempre consistirá numa prestação de DAR, FAZER ou NÃO FAZER. Assim, quanto à prestação, toda relação obrigacional poderá ser classificada como uma dessas três espécies. Seguem algumas classificações, que também reputamos pertinentes o aluno conhecer: Quanto à Execução - Varia de acordo com a quantidade de credores, devedores e prestações: - Simples - Formada por 1 credor, 1 devedor e 1 prestação. - Composta, que pode ser: - Cumulativa ou Conjuntiva - Composta por mais de um credor, devedor ou prestação. Nesse caso, o devedor deve cumprir todas as prestações, sob pena de inadimplemento total ou parcial. Não está tratada no CC, mas é prevista pela doutrina. Ex.: contrato de locaçãode bem imóvel urbano (são previstos vários direitos e deveres que devem ser cumpridos cumulativamente). - Alternativa ou Disjuntiva - Composta por várias prestações disponíveis. Entretanto, apenas é exigível uma delas. Será melhor analisada em tópico específico. Quanto ao Tempo do Adimplemento (muito aplicada na teoria da onerosidade excessiva - arts. 317 e 478, ambos do CC): - Instantânea - A prestação é satisfeita no mesmo momento em que surge. Ex.: compra e venda à vista; - De Execução Continuada - A troca de prestações é renovada e repetida a cada período de tempo. Ex.: locação; - De Execução Diferida - Também existe um espaço de tempo para o cumprimento da prestação (não há troca simultânea), mas esta é única e cumprida posteriormente ao seu surgimento. Quanto à Finalidade - Diferencia-se conforme o maior interesse que se identifica na obrigação: - De Meio - Há maior interesse na conduta do devedor do que no resultado (ex.: obrigações de médicos e advogados); CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 15 - De Resultado - Há maior interesse no resultado do que na conduta do devedor (ex.: contrato de transporte - arts. 734 e 735 do CC); - De Garantia - Nesta obrigação, busca-se garantir prestações (ex.: fiança). Quanto aos Elementos Acidentais: - Condicional - Obrigação sujeita a condição. - Modal - Obrigação sujeita a um modo ou um encargo. - A termo - Obrigação sujeita a um prazo. Quanto à Pluralidade de Sujeitos (vários credores e devedores): - Divisível - A prestação pode ser dividida; - Indivisível - A prestação não pode ser dividida; - Solidária - A lei prevê a solidariedade entre os devedores ou credores. Quanto à Liquidez: - Líquida - É a obrigação definida na sua quantidade; - Ilíquida - É a obrigação que não está definida em sua quantidade. Entre Relações: - Acessória - A obrigação existe em decorrência de outra; - Principal - A obrigação existe independentemente de outra. ATENÇÃO! Há situações em que duas ou mais prestações podem estar envolvidas, o que a princípio dificultaria a classificação da obrigação. Pense na contratação de uma costureira para confecção do “vestido da posse”. O objeto mediato da prestação é o vestido, mas qual seria o objeto imediato? Fazer o vestido ou entregar o vestido? Nesses casos, identifica-se a obrigação principal (FAZER) e a acessória (ENTREGAR), conforme o critério da preponderância da atividade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 16 ATENÇÃO! Em uma fase dissertativa, “use e abuse” do Código nesse tema. Note que há um tratamento bem didático dispensado à classificação, indicando em capítulos e seções cada tema, com tratamentos distintos de acordo com o tipo de prestação (ex.: obrigação de dar coisa certa X obrigação de restituir coisa certa – arts. 234 e ss. e 239 do CC). Utilize essa ferramenta em seu favor para demonstrar domínio dos conceitos. 1.2.2.1. Obrigação de dar Pela dicção do Código Civil, a obrigação de dar se divide em “obrigação de dar coisa certa” e de “dar coisa incerta” (todas positivas). Em linhas gerais a obrigação de dar consiste na hipótese em que cabe ao devedor a entrega de coisa certa ou incerta ou, ainda, a restituição de coisa certa. a) Obrigação de dar coisa CERTA O art. 233 do CC, reforçando o princípio da gravitação jurídica, reafirma que o acessório segue o principal, como regra, permitindo que as partes convencionem o contrário. Assim, a obrigação de entregar a “coisa certa” abrangerá a obrigação de entregar os seus acessórios, incluídos os frutos e os produtos. Na obrigação ora estudada, sobreleva a importância do princípio da identidade física da obrigação, segundo o qual o “credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa” (art. 313 do CC). É possível, porém, que o credor consinta em receber algo diverso, o que será uma modalidade especial de pagamento (dação em pagamento). O Código Civil estabelece tratamento distinto entre a obrigação de ENTREGAR coisa certa e a obrigação de RESTITUIR coisa certa, no intuito de regular as consequências da perda e deterioração da coisa (arts. 234 a 236 do CC; arts. 238 a 240 do CC). Por RESTITUIR a coisa, entenda a hipótese em que o credor da obrigação é o proprietário do bem, cabendo ao devedor – que tem a posse – restituí-lo, a exemplo de um contrato de comodato, locação. Por outro lado, o contrato de compra e venda ilustra a obrigação de entregar. Coisa certa Entregar Ex.: compra e venda Restituir Ex.: comodato CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 17 Consequências da perda/deterioração na obrigação de ENTREGAR COISA CERTA: Consequências da perda/deterioração na obrigação de RESTITUIR COISA CERTA: Por fim, convém pontuar o PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA ou SIMETRIA, previsto nos artigos 237 e 241-242 do CC, segundo o qual o devedor da obrigação poderá exigir o aumento do preço na obrigação de ENTREGAR coisa certa, caso Entregar coisa certa Perda Sem culpa Resolve-se a obrigação Com culpa Exigir o equivalente + perdas e danos Deterioração Sem culpa Resolver a obrigação OU OU aceitar a coisa com abatimento do preço Com culpa Exigir o equivalente + perdas e danos OU OU aceitar a coisa + perdas e danos Restituir coisa Perda Sem culpa Sofre o credor a perda, resolvendo- se a obrigação Com culpa Equivalente + perdas e danos Deterioração Sem culpa O credor receberá a coisa no estado, sem indenização Com culpa (Art. 240 CC) Equivalente + perdas e danos (Enun. 15 CJF) OU aceitar a coisa + perdas e danos CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 18 ocorram “melhoramentos”, ou ser compensado por seu trabalho ou dispêndio na obrigação de RESTITUIR coisa certa. Pergunta: o que se entende por “melhoramentos”, previsto no art. 237 do CC? Segundo a doutrina, há que se analisar as circunstâncias do caso concreto com base na boa-fé objetiva. A hipótese de benfeitoria necessária ou até útil poderia justificar a indenização, mas a benfeitoria voluptuária, por seu turno, poderia identificar que o possuidor fez mais do que devia no caso concreto, afastando o direito de ser ressarcido das despesas. b) Obrigação de dar coisa INCERTA Aqui, a coisa devida não é individualizada, mas é determinável, devendo ser indicada pelo menos por gênero e quantidade (art. 243 e ss., do CC), restando a definição posterior de sua qualidade. Como visto nos estudos sobre os negócios jurídicos, é requisito de validade que o objeto seja DETERMINADO ou DETERMINÁVEL. A obrigação de dar coisa INCERTA envolve a indeterminabilidade relativa, preceituando o art. 243 do CC que a coisa será indicada ao menos pelo gênero e pela quantidade, elementos que permitirão a individualização da coisa. Segundo Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto, é necessário ter presente que a obrigação incerta: - Pode envolver coisa fungível ou mesmo infungível (a exemplo de uma escultura); - Não se confunde com a obrigação de entregar coisa futura, que se classifica como obrigação de entregarcoisa certa que ainda não existe ao tempo da pactuação; - Não se confunde com a obrigação alternativa, que apresenta duas ou mais prestações, “certas”, cabendo a uma das partes a escolha entre elas. A indeterminabilidade do objeto é relativa, o que significa dizer que, para o cumprimento da obrigação, necessário será determinar o objeto. A “escolha” do objeto recebe o nome de CONCENTRAÇÃO DA DÍVIDA, e uma vez escolhido, a obrigação passará a receber o tratamento da obrigação de entregar coisa certa. Pergunta: a partir de que momento a dívida se “concentra”? Nos termos do art. 245 do CC, com a “cientificação” do credor, ato que deverá ser provado pelo interessado. Mas qual a relevância disso? Somente quando cientificado o credor da escolha, é que poderá o devedor se valer do tratamento dado às obrigações de dar coisa certa, a exemplo da regra contida no art. 234 do CC (resolução da obrigação em caso de perda do objeto sem culpa do devedor). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 19 Por essa razão, não se especula sobre os efeitos da perda ou deterioração do objeto nas obrigações de dar coisa incerta, uma vez que genus non perit (o gênero nunca perece), só fazendo sentido essa especulação após a concentração. A quem cabe a escolha do objeto? Em regra, cabe ao devedor, nada impedindo, porém, que as partes convencionem que terceira pessoa faça a escolha. Caso o terceiro escolhido não faça a escolha, aplica-se o regramento do art. 252, parágrafo 4º, do CC, por analogia. Pergunta: a obrigação de dar DINHEIRO envolve coisa certa ou incerta? O enunciado 160 da CJF associa a obrigação de “creditar dinheiro” à obrigação pecuniária. A questão, porém, é polêmica e até desnecessária, na medida em que há regramento específico para o pagamento das obrigações pecuniárias no CC, na forma dos arts. 315 e ss. 1.2.2.2. Obrigação de fazer Tem por objeto uma atividade humana (trabalho físico, intelectual ou ato jurídico). Consiste na realização de uma tarefa, trabalho ou manufatura. Fundamento legal - arts. 247 e ss. Do Código Civil. A obrigação de fazer consiste na hipótese em que o objeto mediato da prestação é a realização de uma atividade por parte do devedor. De acordo com o critério da fungibilidade, pode-se classificar as obrigações de fazer como infungíveis, quando dependerem das qualidades pessoais do devedor (ex.: aulão de véspera com o professor tal) ou fungíveis, quando puderem ser realizadas por terceiro (ex.: encadernação do material do MEGE). O Código Civil se limita a regular as hipóteses de inadimplemento da obrigação de fazer: Obrigação de fazer Infungível Recusa de prestação Perdas e danos Impossibilidade de prestar Sem culpa: resolve-se a obrigação Por culpa: perdas e danos Fungível Perdas e danos Ordenar que terceiro preste a obrigação CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 20 ATENÇÃO! O art. 249 do CC trata da possibilidade de o credor ordenar que terceira pessoa preste a obrigação, ressalvando em seu parágrafo único que “em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato”. A regra, portanto, cria hipótese de autoexecutoriedade da obrigação em caso de urgência, ao contrário do caput, que pressupõe a autorização judicial. 1.2.2.3. Obrigação de não fazer A obrigação de não fazer tem por objeto uma prestação negativa, um comportamento omissivo do devedor. Consiste na hipótese em que o devedor se compromete a abster-se de praticar, permitir que se pratique ou, ainda, a tolerar ato a que não estaria obrigado. Ao contrário das demais, trata-se de uma prestação negativa. É modalidade de obrigação negativa em que alguém se obriga a não fazer algo que poderia normalmente realizar se não fosse a obrigação assumida. Aliás, é a única obrigação negativa admitida no Direito Privado Brasileiro, tendo como objeto a abstenção de uma conduta. De acordo com a possibilidade de desfazimento, as obrigações de não fazer podem se apresentar como: - Instantâneas, que são aquelas que não admitem desfazimento; ou - Permanentes, que admitem o desfazimento. Em relação às permanentes, dispõe o art. 251 do CC de regra semelhante à contida no art. 249 do CC, permitindo que o credor da obrigação de não fazer exija o desfazimento do ato ou desfaça-o à sua custa, sendo ressarcido pelo devedor da obrigação. Também como no art. 249 do CC, o parágrafo único do art. 251 do CC prevê que em caso de urgência, não haverá necessidade de autorização judicial para ordenar o desfazimento. 1.2.3. QUANTO À PLURALIDADE DE OBJETOS As obrigações alternativas ou disjuntivas (CC, art. 252) são obrigações compostas pela multiplicidade de objetos, nas quais o devedor somente necessita adimplir uma das prestações. A escolha cabe ao devedor, de ordinário, podendo recair sobre o credor ou ainda sobre terceiro. Também aqui se falará em concentração na hipótese em que a escolha da prestação for realizada, observada a regra do art. 253 do CC, segundo a qual, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 21 perecendo uma prestação e persistindo a prestação alternativa, subsistirá o débito em relação a esta. Seguindo regramento que já existia no Código de Processo Civil anterior, o art. 800 do CPC/15 regulamenta a forma judicial de se forçar a concentração do débito. Os artigos 254 e 255 do CC tratam da responsabilização do devedor em caso de perda do objeto, conforme a escolha caiba ao devedor (ou terceiro) ou ao credor. Se a perda for parcial, a obrigação será adimplida com a obrigação remanescente, que poderá ser exigida pelo credor. Nos termos do art. 256 do CC, na impossibilidade de todas as obrigações, não havendo culpa do devedor, resolve-se a obrigação. Em caso de culpa, se a escolha caberia ao devedor, haverá de adimplir ao credor o valor equivalente da prestação que por último se impossibilitou, mais perdas e danos; se a escolha cabia ao credor, este poderá exigir o valor de quaisquer das prestações impossibilitadas, mais perdas e danos. ATENÇÃO! Não confundir as obrigações alternativas com as demais hipóteses em que há pluralidade de objetos na prestação. Já as obrigações facultativas tratam da hipótese em que é conferida ao devedor a possibilidade de substituir o objeto da prestação quando do seu cumprimento por outro, também previsto no título que constitui a obrigação. Vale dizer, há uma única prestação definida (obrigação simples), cabendo ao devedor a faculdade de substituí-la por outra. Exemplo: A deve entregar moto a B, podendo entregar carro no lugar da moto. Há ainda as obrigações cumulativas, nas quais o devedor se obriga a mais de uma prestação, só se exonerando do vínculo com o cumprimento de todas as obrigações acertadas. Exemplo: A deve entregar carro e moto a B. Obrigações Alternativas A ou B ou C Facultativas A, podendo ser B Cumulativas A + B CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 22 1.2.4. QUANTO À PLURALIDADE DE SUJEITOS 1.2.4.1. Obrigações divisíveis e indivisíveis A divisibilidade resulta da possibilidade de um bem ser dividido sem prejuízode sua qualidade ou utilidade, isto é, o bem mantém as características do todo, embora em menor proporção. O CC, em seu artigo 258, traça o conceito legal de “indivisibilidade” nos seguintes termos: “A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico”. Assim, seja pela natureza, seja por motivo de ordem econômica ou por razão determinante do negócio jurídico, excepcionalmente, a obrigação será considerada indivisível. A presunção legal, instituída no art. 257 do CC, é a de divisibilidade do objeto. O dispositivo deixa claro que a especulação sobre a divisibilidade ou não da obrigação só tem sentido quando se estiver diante da pluralidade de partes (“havendo mais de um...”). Isto porque, havendo apenas um credor ou devedor, este será sempre obrigado a arcar ou aquele será sempre habilitado a receber a totalidade da dívida, nos termos do art. 314 do CC. Os artigos 259 a 262 do CC trazem regras sobre a exigibilidade das obrigações indivisíveis de acordo com o polo obrigacional em que se localiza a pluralidade de partes: - PLURALIDADE DE DEVEDORES: - Sendo indivisível o objeto, cada um dos devedores poderá ser obrigado pela dívida toda (art. 259, caput); - Aquele que paga a dívida indivisível se sub-roga nos direitos do credor em relação aos demais (art. 259, p. ú.); - PLURALIDADE DE CREDORES: - Sendo indivisível o objeto, cada um dos credores poderá exigir a dívida inteira, desobrigando-se os devedores se: (i) pagarem a todos os credores conjuntamente; ou (ii) exigirem caução de ratificação (art. 260). ATENÇÃO: é direito do devedor exigir a caução de ratificação, sob pena de poder responder pela dívida junto aos demais credores da obrigação; - Se um dos credores receber a prestação por inteiro, responderá perante os demais pelo quinhão de cada qual (art. 261); - Se um dos credores perdoar a dívida, permanece a obrigação quanto aos demais, que poderão exigir do devedor o restante (art. 262). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 23 Importante: sub-rogar-se nos direitos (art. 259, p.ú.) significa transferir ao devedor que arcar com a dívida todas as ações e privilégios do credor original. Na hipótese de sub-rogação, até mesmo a “condição de consumidor” pode ser aproveitada, conforme entendimento do STJ (REsp. 1.321.739). Por fim, o art. 263 do CC dispõe sobre a perda da qualidade de indivisível da obrigação que se resolver em perdas e danos. Vale dizer, ainda que as partes estabeleçam a indivisibilidade da obrigação, caso seja impossível o seu cumprimento e haja a conversão em perdas e danos, esta última será divisível. O mesmo dispositivo estabelece as consequências da perda da indivisibilidade de acordo com a culpa dos devedores em redação que pode deixar dúvidas ao intérprete. Na linha do Enunciado 540 do CJF, a melhor exegese é a de que todos os devedores respondem pelo equivalente da obrigação, mas só o culpado deverá arcar com as perdas e danos. Ressalte-se que um dos pontos distintivos entre a indivisibilidade e a solidariedade é justamente a manutenção ou não destas qualidades em caso de conversão da obrigação em perdas e danos. Enquanto a indivisibilidade se extingue, a solidariedade permanece, na forma do art. 271 do CC. 1.2.4.2. Obrigações solidárias A) Regras gerais sobre a solidariedade Ocorre solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Na solidariedade, cada devedor é visto como todos os devedores e cada credor é visto como todos os credores (aspecto externo). Porém, dentro das relações entre os devedores ou credores, existem obrigações recíprocas referentes ao crédito ou à dívida (cada um têm direitos ou obrigações específicas). Existe uma pluralidade subjetiva (sujeitos) e uma unidade objetiva (objeto). O conceito de solidariedade (para nossa alegria) é fixado em lei: CC - Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Pontos relevantes a destacar a partir do conceito: - Mesma obrigação – não há vários vínculos entre as partes, mas uma obrigação; - Mais de um credor ou devedor – a solidariedade poderá ser ativa, passiva ou mista (pluralidade de partes em ambos os polos); CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 24 - Dívida toda – é possível exigir ou ser forçado a pagar a integralidade da dívida. Nos termos do artigo 265 do CC, a solidariedade NÃO SE PRESUME, sendo resultado da lei ou da vontade das partes. Exemplo de solidariedade legal temos no artigo 942 do CC. Assim, a solidariedade está sempre prevista na lei ou no contrato. Nunca pode ser presumida. Art. 265 do CC. Note que continua vigente a regra pela qual a solidariedade contratual não pode ser presumida, devendo resultar da lei (solidariedade legal) ou da vontade das partes (solidariedade convencional). O art. 266 do CC traz regra interessante, considerando que mesmo admitida a unidade do vínculo, podendo cada um dos co-devedores responder pela dívida toda ou cada um dos co-credores exigir a dívida toda, é possível que sejam reconhecidos efeitos distintos entre as obrigações. ATENÇÃO! Há discussão doutrinária sobre a natureza do vínculo que une credores e devedores. Para os pluralistas, há vários vínculos independentes, sendo várias as obrigações envolvidas na relação, ao passo que para os unitaristas, há um único vínculo entre as partes, sendo esta última majoritária. B) Solidariedade ativa A solidariedade ativa consiste na hipótese em que qualquer dos credores poderá exigir a dívida toda (Art. 267 do CC). É a solidariedade referente ao crédito. Peculiaridades: - Até que o devedor seja demandado ao pagamento, poderá pagar a qualquer dos credores, mas uma vez provocado judicialmente a pagar, somente se exonera pagando àquele que demandou (art. 268 CC) – aqui difere das obrigações indivisíveis, na forma do art. 260 CC, na medida em que naquelas o devedor deve pagar a todos conjuntamente ou exigir caução da ratificação para que possa se exonerar. Então, grave que a solidariedade ativa é mais “cômoda” para o devedor nesse aspecto, pois se exonera mesmo sem caução de ratificação; - É possível que se dê o pagamento parcial da dívida, extinguindo-se a dívida proporcionalmente ao pagamento realizado (art. 269 CC); - A morte extingue a solidariedade ao passo que a conversão da obrigação em perdas e danos mantém a solidariedade (arts. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 25 270 e 271 do CC) – outra diferença para a indivisibilidade, que não se extingue com a morte (já que a obrigação continua indivisível), mas se extingue com a conversão em perdas e danos (art. 263 CC). O art. 273 do CC dispõe sobre a limitação do credor em opor exceções aos demais credores. Com efeito, por se tratar de exceção pessoal, somente o credor com quem possui relação será afetado com a exceção. Por fim, o art. 274 do CC, com redação determinada pelo Novo CPC, dispõe sobre a coisa julgada secundum eventum litis, determinando que o julgamento FAVORÁVEL aproveita os demais credores, ao passo que o DESFAVORÁVELnão os atinge. C) Solidariedade passiva ATENÇÃO! Tema importantíssimo. Despenca em provas. A solidariedade passiva permite que o credor possa exigir a dívida de qualquer dos devedores. Se o pagamento for parcial, todos continuam responsáveis solidariamente pelo restante - Art. 275 do CC. O art. 275 do CC aponta o conceito legal de solidariedade passiva, destacando a possibilidade de cobrança do total da dívida de um ou mais devedores e, ainda, advertindo que a aceitação do pagamento parcial não induz à presunção de renúncia à solidariedade do devedor que fez o pagamento, consoante proposta do enunciado 348 do CJF. Como pontuado em relação à solidariedade ativa, a morte de um dos devedores extingue a solidariedade, só respondendo o herdeiro pelo seu quinhão, salvo indivisibilidade da dívida. Porém, há a ressalva de que “todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais”, hipótese, por exemplo, do art. 283 do CC, em que podem vir a dividir a cota do devedor insolvente, sempre respeitado o limite da herança. O entendimento, entretanto, não é pacífico! Os artigos 279 e 280 do CC disciplinam a responsabilidade dos devedores pelo descumprimento da obrigação. Tratando-se de descumprimento culposo, os devedores solidários deverão arcar com o equivalente da obrigação (solidariamente), respondendo apenas o culpado pelas perdas e danos. Em caso de mora ocasionada pela inércia de apenas um dos devedores (suponha que somente um tenha sido acionado e não pague), todos pagarão pelos juros, mas somente o culpado responderá pelo que for acrescido (na relação interna). O artigo 282 do CC regulamenta a renúncia à solidariedade, tema que sempre é cobrado em provas. Em linha de princípio, a renúncia pode se dar em relação a um CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 26 ou mais devedores (caput), mantendo-se a solidariedade em relação aos demais (parágrafo único). Em caso de renúncia à solidariedade, consoante entendimento do CJF, o beneficiado pelo ato só poderá ser cobrado pela sua quota-parte, mantida a solidariedade entre os demais em relação ao restante da dívida (atenção: a quota- parte do beneficiado pela renúncia é retirada do valor devido solidariamente). O art. 283 do CC trata da hipótese em que um dos devedores solidários é demandado e arca com a totalidade da dívida, hipótese em que poderá reaver dos demais a respectiva quota-parte e ainda repartir entre os demais devedores solidários a eventual quota-parte dos devedores insolventes, obrigação pela qual respondem mesmo aqueles em relação aos quais o credor renunciou à solidariedade (art. 284 do CC). Por outro lado, o Enunciado 350 da CJF esclarece que em caso de perdão da dívida (remissão), o devedor ficará inteiramente desobrigado do vínculo, sequer contribuindo no caso de rateio. O artigo 285 do CC estabelece um “fim” às sucessivas ações regressivas. Pelo que analisamos até então, aquele que é demandado pela totalidade da dívida pode reaver o que pagou dos demais, de acordo com o quinhão de cada qual. Pode ser o caso, porém, que apesar da solidariedade passiva, a dívida interesse a apenas um dos devedores (imagine o fiador e o afiançado como devedores solidários). Por certo que se o pagamento for feito por aquele a quem a dívida interessa exclusivamente (o afiançado), não faz sentido pensar em ação regressiva em relação ao codevedor solidário. D) Obrigações in solidum Não se podem confundir o conceito de obrigações solidárias com obrigações in solidum, que se manifestam quando, em razão do mesmo fato, mas por vínculos jurídicos distintos, duas pessoas podem vir a responder pela integralidade da dívida, sem que haja solidariedade entre elas. Exemplo clássico: contrato de seguro e acidente de trânsito. O segurado pode acionar o causador do acidente, a seguradora ou os dois, solidariamente, para responderem pela totalidade dos prejuízos experimentados. O causador do acidente responde pelo ilícito, ao passo que a seguradora responde em razão do risco assumido contratualmente. 1.2.5. QUANTO AO CONTEÚDO A classificação a seguir não consta no Código Civil, mas em razão da sua alta incidência em provas, convém abordarmos o tema. 1.2.5.1. Obrigações de meio e de resultado CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 27 Na obrigação de meio, o devedor se compromete a atuar com diligência na tentativa de obter o resultado; não garante o resultado, mas fará o possível para obtê- lo. Exemplo: obrigação do advogado; cirurgia plástica reparadora. Já na obrigação de resultado, o devedor se compromete a um resultado determinado, respondendo pelo seu insucesso. Exemplo tradicional: obrigação do dentista em tratamento estético. A distinção prática entre as duas figuras reside na distribuição do ônus probatório, como salientam Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto: “Na obrigação de meio o credor deverá comprovar que o devedor falhou ao não agir com o grau de diligência pertinente, já na obrigação de resultado, incumbe ao devedor afastar a sua culpa e demonstrar a existência de uma causa diversa que frustrou o resultado comprometido, invertendo-se então o ônus probatório”. Ressalte-se, porém, que a doutrina moderna e mesmo a jurisprudência têm cada vez mais se afastado da referida classificação, notadamente em cirurgias estéticas. É que mesmo numa simples cirurgia estética não há como garantir o resultado com absoluta precisão. As condições médicas do paciente podem impedir a obtenção do resultado, sem o que o cirurgião plástico pudesse antever a ocorrência desses fatores. Assim, o foco atual se dá na boa-fé objetiva e no atendimento aos deveres que dela derivam, notadamente, os deveres de informação ao paciente. De qualquer forma, a posição segura para concursos públicos é a de que em caso de cirurgia estética há responsabilidade subjetiva, com presunção de culpa (REsp. 985.888/SP). 1.2.5.2. Obrigações de garantia Ao lado das obrigações de meio e resultado, a doutrina elenca a obrigação de garantia, que tem por finalidade eliminar os riscos de determinada atividade, assumindo a obrigação de reparar os danos eventualmente causados com a ocorrência do sinistro, a exemplo dos contratos de seguro. 1.3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES As obrigações têm caráter dinâmico de circulação, cabendo a transmissão das condições de sujeitos ativos e passivos da estrutura obrigacional. Sob tal aspecto, a transmissão das obrigações deve ser encarada diante dos princípios sociais obrigacionais e contratuais, particularmente a boa-fé objetiva e a função social. A cessão, em sentido amplo, pode ser conceituada como a transferência negocial, a título oneroso ou gratuito, de uma posição na relação jurídica obrigacional, tendo como objeto um direito ou um dever, com todas as características previstas antes da transmissão. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 28 Destacaremos os principais aspectos da cessão de crédito, assunção de dívida e cessão de contrato, ressaltando a importância de fazer a leitura atenta dos dispositivos legais. 1.3.1. CESSÃO DE CRÉDITO Na cessão de crédito, transmite-se o crédito de um sujeito a outro. Ocorre uma substituição do credor, sem uma alteração da prestação. Trata-se da hipótese em que um credor (CEDENTE) transfere seus direitos obrigacionaisà terceira pessoa (CESSIONÁRIO) estranha à relação jurídica, que passa a ter legitimidade para exigir a prestação do devedor original (CEDIDO), independentemente da vontade deste último. Pode resultar de um negócio jurídico, da lei ou de uma decisão judicial. Assim, será denominada negocial, legal (ex.: endosso póstumo) ou judicial. Disciplinando a possibilidade, como regra, da cessão de crédito, o art. 286 do CC destaca que pode haver limitação em razão da natureza da obrigação, de imposição legal ou ainda decorrente de convenção entre as partes, o que não vincula o cessionário de boa-fé se não estiver previsto no instrumento. Os artigos 288, 290, 292 e 293 do CC tratam dos efeitos da cessão e das formalidades a serem seguidas: i) para que seja eficaz perante terceiros, há que se observar as formalidades contidas no art. 288; ii) não se exige a anuência do cedido, mas para que a cessão de crédito vincule o devedor é necessária a sua notificação, nos termos do art. 289; iii) até a sua notificação, o devedor se desonera pagando ao credor original, e havendo mais de uma notificação de cessão, o devedor se desonera pagando ao cessionário que lhe apresentar o título, na forma do art. 292, salvo se o crédito constar de escritura pública, valendo a prioridade da notificação; e iv) ainda que não tenha havido a notificação, o cessionário pode defender o seu direito, valendo-se, por exemplo, de medidas judiciais para garantir o cumprimento da obrigação. Os artigos 295 a 297 do CC tratam da responsabilidade do cedente. Como regra, a cessão tem natureza pro soluto, vale dizer, o cedente só responde pela existência e transmissibilidade do crédito, e não pela solvência do credor (obrigação que teria natureza pro solvendo – para gravar: “SÓ-VENDO o pagamento há exoneração”). Por transmissibilidade quer se apontar que não basta que a dívida CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 29 exista, mas também que a cessão seja efetiva (de nada adiantaria, por exemplo, a cessão de um crédito prescrito, salvo, claro, se houvesse a anuência do cessionário). A parte final do art. 295 do CC ressalta que em caso de cessão gratuita, o que se enquadraria como hipótese de doação, o cedente somente seria responsável pela existência do crédito se tivesse agido de má-fé. Afinal, não teria sentido a responsabilização daquele que atua com liberalidade e de boa-fé pela inexistência do título que supunha ser verdadeiro. Excepcionalmente, seria possível prever a responsabilização pela insolvência do devedor, hipótese em que o cedente ressarcirá não apenas o valor da obrigação, como também as despesas de cobrança que o cessionário tiver. Crédito Penhorado - art. 298 do CC - O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. 1.3.2. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA ATENÇÃO! Tema importante, bem comum em provas. A cessão de débito ou assunção de dívida consiste em um negócio jurídico por meio do qual o devedor, com o expresso consentimento do credor, transmite a um terceiro a sua obrigação. Cuida-se de uma transferência debitória, com mudança subjetiva na relação obrigacional. Cuida-se da transmissão da obrigação em que o adquirente se coloca no lugar do antigo devedor. Para o credor, a troca é extremamente relevante por conta da troca do patrimônio responsável pelo pagamento da dívida. Seu conceito pode ser retirado também do art. 299 do CC/2002, pelo qual “é facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. Prevê o parágrafo único desse dispositivo que “qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa”. Na assunção de dívida, portanto, quem cala, não consente. Requisitos da Assunção de Dívida (art. 299 do CC): i) Consentimento expresso do credor; e ii) Existência e validade da obrigação transferida. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 30 Recusa Tácita da Assunção - Parágrafo único - Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa. Insolvência do Terceiro que Assume a Dívida - No caso do assuntor, ao tempo da assunção, não possuir patrimônio para cobrir a dívida, sem conhecimento do credor, o devedor primitivo responde subsidiariamente pela dívida. Enunciado 16 do CJF - O art. 299 do Código Civil não exclui a possibilidade da assunção cumulativa da dívida quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a concordância do credor. Classificação da Assunção: Por delegação - Refere-se à assunção de dívida em que o devedor delega ao assuntor a obrigação de pagar a dívida. Nesse caso, deve haver a anuência do credor; Por expromissão - Relação jurídica que se dá diretamente entre o credor e assuntor, ou seja, o credor procura o assuntor para assumir a dívida. Nesse caso, deve haver a anuência do devedor. Essa anuência não necessariamente precisa ser expressa, pode ser tácita. Assim, o silêncio não necessariamente significa a recusa, como no caso da anuência do credor. Espécies de Assunção: Assunção Liberatória - Libera, dispensa o devedor primitivo do pagamento da dívida. Ocorre sempre que o devedor substituído não for insolvente, ou, sendo, o fato for do conhecimento do credor (art. 299 do CC). Assunção Cumulativa - Nesse caso, não ocorre a dispensa do devedor primitivo. Ocorre um aumento no número de devedores. Não é disciplinada especificamente pelo CC (disciplina resolvida pela autonomia privada e pelos dispositivos referentes às obrigações solidárias). Objeto - Todas as dívidas podem ser objeto da assunção de dívidas, com exceção daquelas que, por seu conteúdo, devam ser cumpridas pessoalmente pelo devedor, ou sua transferência seja vedada pela lei. Efeitos da Assunção de Dívida: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 31 i) Exoneração do devedor primitivo - Com a assunção de dívida, em regra, o devedor primitivo deixa de ser obrigado. Contudo, no caso da insolvência do novo devedor desconhecida pelo credor, haverá responsabilidade subsidiária do devedor primitivo. ii) Extinção das garantias da dívida original, salvo assentimento do devedor primitivo - art. 300 do CC - Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. Também ocorre a exoneração de terceiros que tenham dado garantias para a obrigação do devedor primitivo, salvo se houver anuência expressa destes. O fiador continua exonerado mesmo no caso da insolvência do assuntor, desde que haja desconhecimento do fiador dessa situação (art. 301 do CC). Anulação da Assunção de Dívida - art. 301 do CC - Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, exceto as garantias prestadas por terceiros, salvo se estes conheciam o vício que inquinava a obrigação. Impossibilidade de Oposição de Exceções Pessoais - art.302 do CC - O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo. Dispensa da Anuência do Credor na Assunção de Dívida Referente ao Imóvel Hipotecado - art. 303 do CC - O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta (30) dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. Segundo a doutrina, esta regra só se aplica quando o negócio principal é a compra de um imóvel hipotecado. Enunciado 353 do CJF - A recusa do credor, quando notificado pelo adquirente de imóvel hipotecado, comunicando-lhe o interesse em assumir a obrigação, deve ser justificada. 1.3.3. CESSÃO DE CONTRATO A cessão de contrato não está prevista expressamente no CC, mas é figura aceita na jurisprudência. Ao contrário das espécies anteriores, em que há manutenção da estrutura obrigacional com alteração de uma das partes, na cessão de contrato se opera a transferência da posição contratual ocupada pelo cedente, o que exige a anuência expressa da parte contrária. Como explica Silvio Venosa: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 32 “(...) ao transferir a posição contratual, há um complexo de relações que se transfere: débitos, créditos, acessórios, prestações em favor de terceiros, deveres de abstenção etc. Na transferência da posição contratual, portanto, há cessões de crédito (ou podem haver) e assunções de dívida, não como parte fulcral do negócio, mas como elemento integrante do próprio negócio”. Diferentemente do que ocorre na cessão de crédito ou de débito, neste caso, o cedente transfere a sua própria posição contratual (compreendendo créditos e débitos) a um terceiro (cessionário), que passará a substituí-lo na relação jurídica originária. Advertem Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona que a cessão de contrato deve observar os seguintes requisitos: a) celebração de negócio jurídico entre cedente e cessionário; b) cessão global do contrato; c) anuência expressa da outra parte. 1.4. DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES A extinção das obrigações pode ser dividida em três partes: I) Extinção normal: pagamento ou execução voluntária. II) Formas especiais de extinção: a) Com pagamento: consignação em pagamento, pagamento em sub-rogação, imputação do pagamento, compensação e dação em pagamento. b) Sem pagamento: novação, confusão e remissão. III) Extinção anormal: inadimplemento. Duas teorias são analisadas para estudar todas as formas de extinção das obrigações: a Teoria do Adimplemento, que abrange o pagamento e as formas especiais de extinção, e a Teoria do Inadimplemento, que contempla a extinção anormal. 1.4.1. TEORIA DO ADIMPLEMENTO 1.4.1.1. Pagamento CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 33 O pagamento é forma normal de extinção das obrigações, podendo se dar de modo direto ou indireto. 1.4.1.1.1. Pagamento direto É o cumprimento normal de uma obrigação, o cumprimento espontâneo. Pode ocorrer de forma instantânea ou imediata, de forma continuada ou de forma diferida no tempo. Em regra, o pagamento tem como efeito ordinário a extinção da obrigação, sendo a realização do pagamento um direito do devedor a fim de exonerar-se da obrigação, motivo pelo qual, ao pagar, o devedor poderá exigir a quitação que o exonera. Havendo injusta recusa do credor em receber, o devedor ou terceiro juridicamente interessado poderá ajuizar ação de consignação em pagamento. Cumpridos os requisitos legais, o depósito produzirá efeito de pagamento. Discussão doutrinária se instaura em relação à natureza jurídica do “pagamento”, entendendo alguns tratar-se de ato jurídico em sentido estrito, negócio jurídico (Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona destacando a controvérsia) ou mesmo ato- fato jurídico (Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Netto, por entenderem que a análise do ato não se prende propriamente à vontade de realizá-lo), não havendo consenso doutrinário. O que se pode utilizar como parâmetro é que não se analisa a VALIDADE OU INVALIDADE do pagamento, nos termos do Enunciado 425 do CJF, mas sim sua EFICÁCIA em relação ao devedor. Isto porque o pagamento situa-se no terceiro nível da Escada Ponteana (Planos da Existência, Validade, Eficácia). A. Quem paga? Nas obrigações personalíssimas, somente o devedor poderá realizar o pagamento, ao passo que, nas obrigações fungíveis, o pagamento poderá ser realizado pelo devedor ou por terceiro, que poderá ser terceiro interessado (Ex.: fiador) ou não interessado (Ex.: pai que paga dívida do filho, movido por interesse moral, mas não jurídico). Havendo pagamento por terceiro interessado, opera-se a sub-rogação no polo ativo, pois o terceiro substitui o credor com os mesmos direitos e garantias. Nesse caso, não há extinção da dívida para o devedor, apenas para o credor. A anuência do credor não é necessária, pois os efeitos do pagamento decorrem da lei. Para que o pagamento seja realizado por terceiro não interessado, em nome próprio, é necessário o consentimento do devedor e, havendo oposição do credor, não caberá a ação consignatória de pagamento. Realizado o pagamento, o terceiro terá direito ao reembolso. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 34 Caso o pagamento seja realizado por terceiro não interessado, em nome do devedor, não é necessário consentimento. Há divergência, porém, quanto aos efeitos. Para uma primeira corrente, o terceiro teria direito ao reembolso, pois o pagamento não poderia ser presumido como ato de mera liberalidade (liberalidade não se presume). Uma segunda corrente, no entanto, entende que o terceiro agiria como representante do devedor, não sendo cabível ação de reembolso. ATENÇÃO! Não se confunde o pagamento realizado por terceiro com a assunção de dívida, pois, nesta, a dívida não é extinta, ao passo que com o pagamento, haverá extinção da obrigação. B. A quem se paga? Em regra, o pagamento deve ser feito ao credor ou ao seu representante com poderes para receber e dar quitação. Caso contrário, o pagamento não é eficaz! Art. 308 do CC - O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. A prova de que o pagamento “chegou” (beneficiou) ao credor, conforme o dispositivo legal, também exonera a dívida. Se o pagamento não for feito ao credor ou seu representante, o devedor deverá buscar a ratificação do credor ou provar que o pagamento foi revertido em seu benefício. Há, ainda, a hipótese em que o pagamento é feito a credor putativo, também chamado de credor imaginário ou aparente (CC, art. 309), ou seja, àquele que aparenta ser o credor, mas não é. O pagamento realizado a credor putativo é considerado válido, em respeito à Teoria da Aparência e ao Princípio da Confiança (eticidade e socialidade). Pagamento ao Incapaz de Quitar - art. 310 do CC - Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu. O artigo não faz distinção entre absolutamente e relativamente incapaz. Todavia, entende-se que se aplica ao relativamente incapaz, pois o absolutamente incapaz não pode confirmar o pagamento. O relativamente incapaz, porseu turno, pode confirmar o pagamento quando cessar a incapacidade. Se o pagamento for feito sem a ciência da incapacidade, aplicam-se os artigos 172 e 180 do CC. Para o absolutamente incapaz, a ciência é indiferente. Contudo, se o relativamente incapaz declara que é capaz, o pagamento é válido. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 35 Mandato Tácito - art. 311 do CC - Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante. Pagamento Inválido do Crédito Penhorado - art. 312 do CC - Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor. C. Local e Tempo do Pagamento O pagamento deve ser feito no tempo, lugar e forma convencionados pelas partes, a fim de que produza efeitos. Em regra, o lugar do pagamento é o domicílio do devedor (in dubio pro solvens). Assim, o credor deve buscar o pagamento (obrigação quesível ou querable). Neste caso, não basta o vencimento para se presumir o devedor em mora; é necessário, também, que o credor prove que compareceu ao domicílio do devedor com o intuito de receber a prestação. As partes, porém, podem convencionar de forma diversa, estabelecendo outro local para pagamento, quando o devedor deverá portar a prestação até o local consignado para pagamento (obrigação portável ou portable). Nesse caso, o vencimento da obrigação será suficiente para criar a presunção de mora do devedor. Quanto ao tempo do pagamento, nas obrigações positivas, líquidas e sem termo, a exigibilidade é imediata, ou seja, no momento em que nasce a obrigação esta já pode ser exigida. Não obstante, a mora dependerá da prévia constituição do devedor por interpelação judicial ou extrajudicial realizada pelo credor (mora ex persona), motivo pelo qual, sendo a obrigação contratual, o termo inicial para incidência de juros será a data da citação do devedor. Sendo a obrigação positiva, líquida e com termo de vencimento, a exigibilidade se dá a partir do vencimento. Não há necessidade de interpelação para que o devedor seja constituído em mora, pois o termo previsto no contrato é suficiente para interpelar o devedor. Em decorrência, nas obrigações contratuais, os juros de mora incidirão desde o vencimento. Nas obrigações condicionais, a exigibilidade incidirá a partir do implemento da condição, estando o devedor em mora no momento em que tiver ciência inequívoca do implemento da condição. Não havendo outra previsão, em se tratando de obrigação contratual, os juros de mora incidirão desde a citação. Nas obrigações ilíquidas, ainda que estas sejam exigíveis, o devedor só estará em mora depois de interpelado pelo credor para que dê liquidez à prestação. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, em que há dever de indenizar (arts. 186 e 187 c/c 927 do CC), o descumprimento se configura desde o dia em que se configurou o ato. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 36 D. Do objeto do pagamento e sua prova O artigo 313 do CC dispõe sobre o princípio da identidade ou correspondência do pagamento, não podendo o credor ser obrigado a receber, quantitativa ou qualitativamente fora do pactuado. Já o artigo 315 do CC aponta o princípio do nominalismo monetário, garantindo que o valor nominal da dívida de dinheiro pactuada entre as partes permaneça o mesmo até o termo fixado para cumprimento da obrigação Por sua vez, afastando o nominalismo, o art. 316 permite que as partes adotem “escala móvel”, visando à preservação do valor efetivo do dinheiro e evitando o fenômeno descrito anteriormente. O artigo 317 do CC, retratando a teoria da imprevisão aplicada às obrigações, permite a revisão judicial do valor da prestação quando houver desproporção manifesta entre o valor pactuado e o valor a pagar. Os artigos 319 a 326 do CC tratam da quitação e da prova do ato, cabendo destacar o seguinte: Na sistemática do Direito Civil (art. 322), a quitação da última parcela faz presumir a quitação das anteriores; regime diferente do direito tributário, expresso no art.158 do CTN; A entrega do título firma a presunção de pagamento (art. 324), tendo a lei fixado o prazo decadencial de 60 dias para que o credor afaste a referida presunção; Ao devedor se presumem devidas as despesas com o pagamento e quitação (art. 325), salvo se acarretadas por ato do credor. 1.4.1.1.2. Formas especiais de extinção ou pagamento indireto A. Consignação em pagamento Consiste no depósito judicial ou extrajudicial da coisa devida, que pode ser manejado frente ao obstáculo imposto pelo credor ao recebimento da prestação. Art. 334 do CC - Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e formas legais. O que pode ser objeto de consignação? O art. 334 do CC aponta o depósito judicial ou em estabelecimento bancário de COISA devida. Assim, somente a obrigação de dar coisa certa ou incerta (observado o art. 342 do CC, caso a escolha caiba ao credor) é passível de consignação. A consignação tem o efeito imediato de fazer cessar para o depositante os juros e os riscos, o que se afasta em caso de improcedência da demanda consignatória CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 37 (art. 337 do CC). As hipóteses de consignação em pagamento estão descritas no art. 335 do CC, a saber: Art. 335. A consignação tem lugar: I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma; II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil; IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. Os artigos 338 e 339 do CC cuidam da pretensão de levantamento do montante pelo depositante: até que o credor aceite o depósito ou o impugne, poderá o devedor, com a quitação das despesas, reaver o valor depositado, o que faz com que os efeitos do depósito sejam afastados. A ação de consignação em pagamento é regulada pelos artigos 539 e ss. do NCPC, cuja leitura deve ser feita de forma conjunta com a presente rodada. B. Pagamento com sub-rogação É a substituição de um credor por outro, mantendo-se o restante da obrigação. Pode ser legal, quando a lei determina quem irá substituir o credor, ou convencional, quando deriva da vontade do credor ou do devedor, além de total ou parcial. Nosso direito privado não contempla a sub-rogação passiva, mas somente a novação subjetiva passiva, hipótese em que se cria uma nova obrigação pela substituição do devedor. Previsão: Art. 346 e ss. do CC. Tipos: - Legal - É aquela imposta pela lei; é automática. - Convencional - É aquela decorrente de acordo de vontades. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.38 ATENÇÃO! Não se deve confundir o pagamento com sub-rogação e a cessão de crédito. A cessão de crédito pode ser gratuita e é possível pagar valor diferente do crédito. Já a sub-rogação não é gratuita e o pagamento deve ser no valor do crédito. O art. 351 do CC traz uma regra interessante, exigindo maior atenção: suponha a hipótese em que o sub-rogado concorra com o credor originário para receber parte da dívida. Nesse caso, a lei estabelece que a preferência no recebimento é dada ao credor originário, não tendo o sub-rogado um direito contra este último; “(...) se a sub-rogação for parcial, o credor primitivo, reembolsado em parte, terá preferência ao sub-rogado, na cobrança do débito que falta, se os bens do devedor forem insuficientes para pagar tudo o que deve ao novo e antigo credor” – (MACHADO, Costa. Código Civil Interpretado. São Paulo: Manole, 2015. p.314). C. Imputação do pagamento É a escolha de um entre vários débitos com o mesmo credor, a fim de que se efetue o pagamento. Dessa forma, usa-se a imputação para determinar qual débito se está pagando. Art. 352 do CC - A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. De tal modo, na imputação há identidade de devedor e de credor, dois ou mais débitos da mesma natureza, bem como dívidas líquidas e vencidas. Em regra, a imputação é feita pelo devedor, mas caso este não o faça, ficará a critério do credor. Não havendo imputação por parte do devedor ou do credor, esta se dará na forma da lei (arts. 354 e 355 do CC). D. Dação em pagamento É uma forma de pagamento indireto em que há um acordo privado entre os sujeitos da relação obrigacional, pactuando-se a substituição do objeto obrigacional por outro. Para tanto, é necessário o consentimento expresso do credor, o que caracteriza o instituto como um negócio jurídico bilateral. Cuida-se, portanto, do cumprimento de prestação diversa da devida mediante anuência do credor. Na dação em pagamento, a substituição pode ser de dinheiro por bem móvel ou imóvel (datio rem pro pecuni), de uma coisa por outra (dateio rem pro re), de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 39 dinheiro por título, de coisa por fato, entre outros, desde que o seu conteúdo seja lícito, possível, determinado ou determinável. Art. 356 do CC - O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. Não se confunde com a novação, pois na dação o pagamento se opera sem que se constitua nova obrigação em substituição à anterior, ao passo que na novação é criada uma nova obrigação. São requisitos para a dação em pagamento: a) A existência de obrigação vencida; b) A anuência do credor; c) O cumprimento de prestação diversa pelo devedor; d) A intenção de pagar (animus solvendi). Pela dação em pagamento, o credor consente em receber prestação diversa da estabelecida no pacto, o que promove o adimplemento indireto da obrigação. O art. 358 do CC dispõe que na hipótese de o objeto dado em pagamento consistir em título de crédito, aplicar-se-ão as regras da cessão de crédito. Isto é relevante porque a transmissão do título também pode se dar por endosso, hipótese em que as regras do direito cambiário incidiriam sobre a relação. Regra geral, a dação em pagamento terá natureza pro soluto (responsabilizando-se o cedente apenas pela existência e transmissibilidade do título), excepcionalmente podendo ser convencionado que a natureza seja pro solvendo (hipótese em que a solvência da obrigação é garantida). Em caso de evicção (arts. 447 e ss. do CC), que consiste na perda da coisa em razão de decisão judicial que reconhece o direito de propriedade do bem à terceira pessoa, haverá o restabelecimento da obrigação, retomando o credor a faculdade de exigir a prestação original. Deve-se observar, porém, que em caso de evicção, havendo fiador, ainda que solidário, este ficará desobrigado se o credor aceitar amigavelmente do devedor a dação em pagamento (CC, art. 838, III). E. Compensação Meio indireto de pagamento em que há reciprocidade de débitos e créditos entre credor e devedor. Em decorrência dessa reciprocidade, é possível que o débito de um compense o débito do outro. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 40 Art. 368 do CC - Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem- se, até onde se compensarem. É o encontro de dívidas recíprocas, operando-se quando as partes são credora e devedora reciprocamente. Pode ser legal, convencional ou judicial. São requisitos para a compensação legal: a) Reciprocidade das dívidas; b) Dívida líquida e certa; c) Exigível, ou seja, vencidos; d) Débitos de mesma natureza. ATENÇÃO! Restrições: é possível a compensação de obrigação proveniente de diferentes causas, salvo nas seguintes hipóteses: (i) se provier de esbulho, furto ou roubo; (ii) se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos; (iii) se uma for de coisa não suscetível de penhora. F. Novação Ocorre quando, mediante negócio jurídico, as partes estabelecem uma nova obrigação em substituição à anterior. Cuida-se de uma forma de pagamento indireto em que ocorre a substituição de uma obrigação anterior por uma obrigação nova, diversa da primeira criada pelas partes. Seu principal efeito é a extinção da dívida primitiva, com todos os acessórios e garantias, sempre que não houver estipulação em contrário (art. 364 do CC). Sempre decorre da vontade das partes, não havendo previsão de novação legal. São requisitos para a novação: a) Existência de obrigação anterior; b) Criação de obrigação nova diversa da obrigação originária; c) Animus novandi, ou seja, a vontade de instituir nova obrigação. A novação pode ser: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 41 a) Objetiva: quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; b) Subjetiva ativa: quando há alteração do credor na relação obrigacional que importe na criação de uma nova obrigação, com extinção da anterior; c) Subjetiva passiva: quando há alteração do devedor na relação obrigacional, criando-se uma nova obrigação. Pode se dar por EXPROMISSÃO, isto é, sem o consentimento do devedor originário; ou por DELEGAÇÃO, ou seja, o devedor concorda com o ingresso do novo devedor, que assume obrigação nova. A novação tem efeito liberatório. Em decorrência, não subsistem as garantias e os acessórios oriundos da obrigação originária. G. Confusão Está presente quando na mesma pessoa confundem-se as qualidades de credor e devedor, em decorrência de um ato inter vivos ou mortis causa (art. 381 do CC). A origem da confusão obrigacional, na grande maioria das vezes, decorre de um ato bilateral ou de um negócio jurídico. Art. 381 do CC - Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. Confusão Total ou Parcial - art. 382 do CC - A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. ATENÇÃO! Não se deve confundir a compensação com a confusão, pois, nesta, credor e devedor são a mesma pessoa, ao passo que, naquela, as partes são reciprocamente devedora e credora.H. Remissão É o perdão da dívida, que pode ser expresso ou tácito, parcial ou total. Trata- se de negócio jurídico bilateral, pois requer a aceitação do devedor. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 42 Art. 385 do CC - A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro. É negócio jurídico bilateral, uma vez que deve ser aceita pelo sujeito passivo obrigacional. ATENÇÃO! Não confundir a remissão (perdão da dívida), com remição (resgate da dívida). Também não confundir a remissão do devedor (ato que exige seu consentimento) com a renúncia ao crédito (o que independe da vontade do devedor). 1.4.2. TEORIA DO INADIMPLEMENTO Há inadimplemento da obrigação quando ocorrer a sua inexecução ou o seu descumprimento. Dessa forma, decorre da responsabilidade civil contratual. Em complemento ao inadimplemento, nasce a obrigação de indenizar as perdas e danos, conforme ordenam os artigos 402 a 403 do Código Civil. 1.4.2.1. Classificação Quanto à utilidade: a) Inadimplemento Relativo: a prestação conserva a sua utilidade. O devedor responderá pelas consequências do inadimplemento, mas é possível voltar à normalidade, pois a prestação se mantém útil. Também chamado de MORA. É possível a purgação da mora; b) Inadimplemento Absoluto: neste caso, a prestação torna-se inútil, não se pode mais corrigir o inadimplemento com retorno à normalidade. Não é possível purgar a mora, ocorrendo a resolução em perdas e danos. Quanto à extensão: a) Inadimplemento Parcial: ocorre quando apenas parte da obrigação deixou de ser cumprida; b) Inadimplemento Total: ocorre quando toda a obrigação deixou de ser cumprida. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 43 Nem todo inadimplemento parcial é relativo e nem todo inadimplemento total é absoluto. A análise quanto à utilidade deve ser feita no caso concreto. Quanto à boa-fé: a) Violação Positiva ou Adimplemento Fraco: a violação não decorre do inadimplemento da obrigação principal, mas sim dos deveres anexos ao contrato, decorrentes da boa-fé objetiva; b) Adimplemento Substancial ou Inadimplemento Mínimo: a prestação não é integralmente paga, mas, à luz da boa-fé objetiva, não se justifica a resolução do contrato por falta de pagamento ou eventual busca e apreensão, pois tais medidas seriam consideradas abusivas. Pergunta: o que se entende pela tese do adimplemento substancial (“substantial performance”)? Ainda é válida? Pela sistemática do Código Civil, em caso de inadimplemento culposo, colocar-se-ia ao credor a faculdade de resolver o contrato ou exigir o seu cumprimento, em ambos os casos podendo recorrer às perdas e danos. O texto da lei não considera hipóteses em que houve o adimplemento de parte considerável da obrigação, colocando-se como um exagero facultar à contraparte a resolução integral do pacto. Na análise da questão, o STJ chegou a definir os seguintes requisitos para a aplicação da teoria: “a) a existência de expectativas legítimas geradas pelo comportamento das partes; b) o pagamento faltante há de ser ínfimo em se considerando o total do negócio; c) deve ser possível a conservação da eficácia do negócio, sem prejuízo ao direito do credor de pleitear a quantia devida pelos meios ordinários” (REsp. 76.362). Em abono à aplicação da tese do adimplemento substancial, devem ser lidos os Enunciados 361 e 586 do CJF. Por fim, destaque-se que na presente Rodada vimos a ideia de “obrigação como um processo” ou “obrigação complexa”, reconhecendo ao lado das obrigações principais os deveres anexos do contrato. Em razão disso, a doutrina moderna costuma apontar, ao lado do inadimplemento absoluto e do inadimplemento relativo, a chamada violação positiva do contrato ou inadimplemento fraco. Assim, podemos apontar como espécies de inadimplemento: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 44 1.4.2.2. Mora A mora pode ser do credor (mora accipiendi ou credendi) ou do devedor (mora solvendi ou debendi). O credor será considerado em mora quando se recusar a receber a prestação no tempo, modo e lugar que a lei ou a vontade das partes tiverem estabelecido e produz os seguintes efeitos: a) O credor fica obrigado a ressarcir as despesas que o devedor efetuou com a manutenção da coisa; b) Obriga o credor a pagar o preço pela estimativa mais alta, se o preço oscilar; c) O devedor fica isento do ônus da conservação da coisa, salvo em caso de má-fé. Já a mora do devedor, consubstanciada pelo retardamento culposo no cumprimento da obrigação, produz os seguintes efeitos: a) O devedor será responsabilizado civilmente pelos prejuízos causados ao credor em virtude da mora; b) O devedor responde pela impossibilidade da prestação, ainda que decorrente de caso fortuito ou força maior, se estes ocorrerem durante o atraso, salvo se provar que não teve culpa ou que o dano adviria ainda que a obrigação fosse adimplida conforme avençado. Os artigos 397 e 398 do CC cuidam de fixar o termo inicial da mora, que pode ser de dois tipos: Espécies de inadimplemento contratual Inadimplemento absoluto Inadimplemento relativo Violação positiva do contrato CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 45 i) mora ex re – que é aquela aplicável aos títulos que especificam termo para o cumprimento da obrigação, considerando-se o devedor em mora do dia seguinte ao fixado no título; e ii) mora ex persona – que é aquela que depende de interpelação do devedor. Analisaremos o teor dos dispositivos no item seguinte “Perdas e Danos”. Por sua vez, os artigos 395, 399 e 400 do CC cuidam dos efeitos da mora: i) no caso de mora do devedor, haverá a responsabilização pelos prejuízos que causar e consectários legais (art. 395 CC), bem como pelo fortuito ou força maior (art. 399 CC), salvo se provar a ausência de nexo causal entre o atraso no cumprimento da obrigação e o dano; ii) no caso de mora do credor, haverá afastamento dos riscos na conservação da coisa para o devedor, bem como a obrigação de ressarcir os gastos na conservação e sujeição do credor à oscilação do valor da prestação. Por fim, o artigo 401 do CC disciplina o modo de purgação da mora. 1.4.2.3. Perdas e danos Consiste em indenização pelos prejuízos decorrentes do descumprimento da obrigação. Em regra, para que se configure o dever de indenizar, são necessários, além do descumprimento da obrigação, a prova do dano e o reconhecimento da culpa do devedor. Dano Material - art. 402 do CC - É aquele que decorre de um prejuízo econômico (patrimonial). Pode se manifestar por aquilo que se efetivamente perdeu (dano emergente) ou por aquilo que se razoavelmente deixou de ganhar (lucro cessante). Art. 403 do CC - Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Dessa forma, não é possível a reparação de dano hipotético ou eventual, conforme o pronunciamento comum da doutrina e da jurisprudência nacional. CPF:860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 46 ATENÇÃO! TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE: cuida-se de teoria inspirada na doutrina francesa e criada para tornar indenizável o ato ilícito que faz com que outra pessoa perca a oportunidade de obter uma situação futura melhor. Para o Superior Tribunal de Justiça, o dano deve ser REAL, ATUAL e CERTO. A chance perdida deve ser REAL e SÉRIA. Assim, “a teoria da perda de uma chance visa à responsabilização do agente causador, não de um dano emergente, tampouco de lucros cessantes, mas de algo intermediário entre um e outro, precisamente a perda da possibilidade de se buscar posição mais vantajosa que muito provavelmente se alcançaria, não fosse o ato ilícito praticado” (STJ, REsp. 1.190.180/RS). Ex.: responsabilidade de empresa contratada para coletar células tronco embrionárias no momento do parto de uma criança, mas seu preposto deixa de realizar a coleta. Dano Moral - Cuida-se de lesão a direitos da personalidade. Neste particular, são os danos não patrimoniais. Para a caracterização do dano moral não há obrigatoriedade da presença de sentimentos humanos negativos, conforme enunciado aprovado na V Jornada de Direito Civil: “o dano moral indenizável não pressupõe necessariamente a verificação de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimento” (Enunciado n. 445). Classificação: - Próprio - É aquele que causa dor, sofrimento, tristeza; - Impróprio - É o dano decorrente da violação dos direitos da personalidade; - In re ipsa - É o dano moral presumido. Ex.: devolução indevida de cheque (Súmula 388 do STJ); - Por ricochete - É aquele dano que atinge terceiros. Cumulação dos Danos: Art. 403 do CC - Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. Súmula 37 do STJ - São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato. Súmula 387 do STJ - É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 47 1.4.2.4. Juros legais Consiste em fruto civil relativo à remuneração devida ao credor em virtude da utilização de seu capital. Classificam-se em: a) Quanto à origem: convencionais (decorrem da vontade) ou legais (decorrem da lei); b) Quanto ao inadimplemento: moratórios ou compensatórios (remuneratórios). Os juros moratórios são espécie de punição pelo atraso no cumprimento da obrigação de natureza pecuniária, ao passo que os juros compensatórios apenas remuneram o capital. Os juros moratórios e remuneratórios têm naturezas distintas, não sendo vedada a cobrança de um sobre o outro, observada a onerosidade excessiva. Denomina-se anatocismo a cobrança de juros sobre juros e, em regra, não é permitido, podendo ocorrer em hipóteses expressamente previstas em lei. 1.4.2.5. Cláusula penal ou pena convencional Cuida-se da penalidade, de natureza civil, imposta pela inexecução parcial ou total de um dever patrimonial assumido. Pela sua previsão no Código Civil, sua concepção está relacionada e é estudada como tema condizente ao inadimplemento obrigacional, entre os arts. 408 a 416. O devedor se obriga a entregar dinheiro ou outro bem economicamente apreciável em caso de descumprimento da obrigação. Tem natureza jurídica de obrigação acessória, cuja função é inibir o descumprimento e antecipar perdas e danos. Embora usualmente também seja chamada de multa, tal denominação não é técnica, haja vista que a multa tem por fim a punição, ao passo que a cláusula penal tem por objetivo compensar perdas e danos. A cláusula penal pode ser moratória, quando o inadimplemento for relativo, ou compensatória, em caso de inadimplemento absoluto. Em caso de inadimplemento, para que o credor tenha direito a perdas e danos, deverá provar o dano. Em regra, não é possível indenização suplementar, pois a multa estipulada já configura a indenização por perdas e danos. Excepcionalmente, será possível ao credor obter indenização suplementar. O valor da cláusula penal não pode ser superior ao valor da obrigação principal. Não obstante, o credor não precisa provar a existência de prejuízo para que a cláusula possa incidir, pois sua existência é presumida. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 48 Multa moratória = obrigação principal + multa. Multa compensatória = obrigação principal ou multa. Limite da Cláusula Penal - art. 412 do CC - O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. Redução da Cláusula Penal - art. 413 do CC - A penalidade deve (norma cogente) ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. 1.4.2.6. Arras ou sinal Em tradicional e respeitável definição, CLÓVIS BEVILÁQUA conceitua as arras ou sinal como “tudo quanto uma das partes contratantes entrega à outra, como penhor da firmeza da obrigação contraída”. Claro está que a palavra “penhor”, empregada nesta definição, não traduz o direito real de garantia, mas nos transmite uma ideia genérica de garantia, de segurança. É a entrega de dinheiro ou outro bem economicamente apreciável para firmar a obrigatoriedade do cumprimento do contrato, configurando início de pagamento. Constitui o bem móvel ou dinheiro a ser entregue como “sinal” do cumprimento da obrigação. Pode funcionar como confirmação da obrigação ou como penalidade pelo desfazimento desta. Art. 417 do CC - Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal. Tem a função de garantir o cumprimento do contrato e antecipar perdas e danos, podendo ser arras confirmatórias, sem direito a arrependimento, ou penitenciais, quando haverá direito de arrependimento. No silêncio do contrato, as arras são confirmatórias. Se o valor do prejuízo sofrido com o inadimplemento for superior ao valor das arras, a parte poderá pedir indenização suplementar se as arras forem confirmatórias. Não há a mesma previsão para as arras penitenciais. Embora estejam no Título IV do CC, relativo ao inadimplemento das obrigações, as arras só se aplicam aos contratos. Tipos de Arras: - Arras Confirmatórias – Não há direito de arrependimento, sendo possível a indenização suplementar. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 49 - Arras Penitenciais - Há direito de arrependimento, não havendo indenização suplementar. Redução das Arras Excessivas - Enunciado 165 do CJF - O art. 413 do CC (redução da cláusula penal) se aplica às arras quando seus valores forem excessivos - Função Social das Arras. Aplicação das Arras Confirmatórias - art. 418 do CC - Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quemas deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização. Chama-se atenção para o fato de que esta indenização somente se aplica no caso das arras confirmatórias, ou seja, quando não for previsto o direito de arrependimento das partes. Aplicação das Arras Penitenciais - art. 420 do CC - Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu, perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu, devolvê-las-á, mais o equivalente (devolve-se em dobro). Em ambos os casos não haverá direito à indenização suplementar. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 50 2. JURISPRUDÊNCIA SÚMULAS DO STF SÚMULA VINCULANTE 7: A norma do § 3º do artigo 192 da Constituição, revogada pela Emenda Constitucional nº 40/2003, que limitava a taxa de juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicação condicionada à edição de lei complementar. SÚMULA 254 STF: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o pedido inicial ou a condenação. SÚMULA 255: Sendo ilíquida a obrigação, os juros moratórios, contra a Fazenda Pública, incluídas as autarquias, são contados do trânsito em julgado da sentença de liquidação. SÚMULA 596 STF: As disposições do Decreto 22.626/33 não se aplicam às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições públicas ou privadas, que integram o sistema financeiro nacional. SÚMULAS DO STJ Súmula 30 STJ: A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis. Súmula 54 STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extracontratual. Súmula 245 STJ: A notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas por alienação fiduciária dispensa a indicação do valor do débito. Súmula 283 STJ: As empresas administradoras de cartão de crédito são instituições financeiras e, por isso, os juros remuneratórios por elas cobrados não sofrem as limitações da Lei de Usura. Súmula 294 STJ: Não é potestativa a cláusula contratual que prevê a comissão de permanência, calculada pela taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, limitada à taxa do contrato. Súmula 296 STJ: Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de permanência, são devidos no período de inadimplência, à taxa média de mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual contratado. Súmula 298 STJ: O alongamento de dívida originada de crédito rural não constitui faculdade da instituição financeira, mas, direito do devedor nos termos da lei. Súmula 379 STJ: Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês. Súmula 380 STJ: A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora do autor. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 51 Súmula 472 STJ: A cobrança de comissão de permanência - cujo valor não pode ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e moratórios previstos no contrato - exclui a exigibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da multa contratual. Súmula 623 STJ: As obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível cobrá-las do proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor. Súmula 642: O direito à indenização por danos morais transmite-se com o falecimento do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizar ou prosseguir a ação indenizatória. Enunciados das Jornadas de Direito Civil Enunciado 16: O art. 299 do Código Civil não exclui a possibilidade da assunção cumulativa da dívida quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a concordância do credor. Enunciado 17: A interpretação da expressão “motivos imprevisíveis” constante do art. 317 do novo Código Civil deve abarcar tanto causas de desproporção não-previsíveis como também causas previsíveis, mas de resultados imprevisíveis. Enunciado 18: A “quitação regular” referida no art. 319 do novo Código Civil engloba a quitação dada por meios eletrônicos ou por quaisquer formas de “comunicação a distância”, assim entendida aquela que permite ajustar negócios jurídicos e praticar atos jurídicos sem a presença corpórea simultânea das partes ou de seus representantes. Enunciado 19: A matéria da compensação no que concerne às dívidas fiscais e parafiscais de estados, do Distrito Federal e de municípios não é regida pelo art. 374 do Código Civil. Enunciado 162: A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por parte do credor deverá ser aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor. Enunciado 347: A solidariedade admite outras disposições de conteúdo particular além do rol previsto no art. 266 do Código Civil. Enunciado 348: O pagamento parcial não implica, por si só, renúncia à solidariedade, a qual deve derivar dos termos expressos da quitação ou, inequivocamente, das circunstâncias do recebimento da prestação pelo credor. Enunciado 349: Com a renúncia à solidariedade quanto a apenas um dos devedores solidários, o credor só poderá cobrar do beneficiado a sua quota na dívida, permanecendo a solidariedade quanto aos demais devedores, abatida do débito a parte correspondente aos beneficiados pela renúncia. Enunciado 350: A renúncia à solidariedade diferencia-se da remissão, em que o devedor fica inteiramente liberado do vínculo obrigacional, inclusive no que tange ao rateio da quota do eventual codevedor insolvente, nos termos do art. 284. Enunciado 351: A renúncia à solidariedade em favor de determinado devedor afasta a hipótese de seu chamamento ao processo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 52 Enunciado 352: Salvo expressa concordância dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem com a assunção da dívida; já as garantias prestadas pelo devedor primitivo somente serão mantidas se este concordar com a assunção. Enunciado 353: A recusa do credor, quando notificado pelo adquirente de imóvel hipotecado comunicando-lhe o interesse em assumir a obrigação, deve ser justificada. Enunciado 354: A cobrança de encargos e parcelas indevidas ou abusivas impede a caracterização da mora do devedor. Enunciado 422: A expressão “garantias especiais” constante do art. 300 do CC/2002 refere-se a todas as garantias, quaisquer delas, reais ou fidejussórias, que tenham sido prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro, vale dizer, aquelas que dependeram da vontade do garantidor, devedor ou terceiro para se constituírem. Enunciado 423: O art. 301 do CC deve ser interpretado de forma a também abranger os negócios jurídicos nulos e a significar a continuidade da relação obrigacional originária em vez de “restauração”, porque, envolvendo hipótese de transmissão, aquelarelação nunca deixou de existir. Enunciado 424: A comprovada ciência de que o reiterado pagamento é feito por terceiro no interesse próprio produz efeitos equivalentes aos da notificação de que trata o art. 303, segunda parte. Enunciado 425: O pagamento repercute no plano da eficácia, e não no plano da validade como preveem os arts. 308, 309 e 310 do Código Civil. Enunciado 427: É válida a notificação extrajudicial promovida em serviço de registro de títulos e documentos de circunscrição judiciária diversa da do domicílio do devedor. Enunciado 443: O caso fortuito e a força maior somente serão considerados como excludentes da responsabilidade civil quando o fato gerador do dano não for conexo à atividade desenvolvida. Enunciado 540: Havendo perecimento do objeto da prestação indivisível por culpa de apenas um dos devedores, todos respondem, de maneira divisível, pelo equivalente e só o culpado, pelas perdas e danos. Enunciado 618: O devedor não é terceiro para fins de aplicação do art. 288, do Código Civil, bastando a notificação prevista no art. 290 para que a cessão de crédito seja eficaz perante ele. Enunciado 619: A interpelação extrajudicial de que trata o parágrafo único do art. 397, do Código Civil, admite meios eletrônicos como e-mail ou aplicativos de conversa “online”, desde que demonstrada a ciência inequívoca do interpelado, salvo disposição em contrário no contrato. Enunciado 620: A obrigação de restituir o lucro da intervenção, entendido como a vantagem patrimonial auferida a partir da exploração não autorizada de bem ou direito alheio, fundamenta-se na vedação do enriquecimento sem causa. ATENÇÃO! A IX Jornada de Direito Civil – Comemoração dos 20 anos da Lei 10.406/2002 e da instituição da Jornada de Direito Civil, ocorreu nos dias 19 e 20 de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 53 maio de 2022, tendo sido aprovados 49 enunciados durante reunião plenária. O evento foi promovido pelo Conselho da Justiça Federal (CJF), por intermédio do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), com apoio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Neste particular, segue o teor dos seguintes enunciados: ENUNCIADO 647 – Art. 251: A obrigação de não fazer é compatível com o inadimplemento relativo (mora), desde que implique o cumprimento de prestações de execução continuada ou permanente e ainda útil ao credor. ENUNCIADO 648 – Art. 299: Aplica-se à cessão da posição contratual, no que couber, a disciplina da transmissão das obrigações prevista no CC, em particular a expressa anuência do cedido, ex vi do art. 299 do CC. ENUNCIADO 649 – Art. 413: O art. 421-A, inc. I, confere às partes a possibilidade de estabelecerem critérios para a redução da cláusula penal, desde que não seja afastada a incidência do art. 413. JULGADOS A divulgação de notícia ou crítica acerca de atos ou decisões do Poder Público, ou de comportamento de seus agentes, não configuram, a princípio, abuso no exercício da liberdade de imprensa, desde que não se refiram a núcleo essencial de intimidade e de vida privada da pessoa. REsp 1.325.938-SE, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe 31/08/2022. No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, havendo previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, deverá ela ser considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do vendedor. As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer e de dar) serão convertidas em dinheiro, por arbitramento judicial? (Tema 971/STJ). (AgInt no REsp n. 1.985.341/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 8/8/2022, DJe de 10/8/2022.) A cláusula penal inserta em contratos bilaterais, onerosos e comutativos deve voltar- se aos contratantes indistintamente, ainda que redigida apenas em favor de uma das partes. Precedentes. (AgInt no AREsp n. 2.057.346/RO, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 29/6/2022.) “De acordo com o art. 418 do CC/02, mesmo que as arras tenham sido entregues com vistas a reforçar o vínculo contratual, tornando-o irretratável, elas atuarão como indenização prefixada em favor da parte 'inocente' pelo inadimplemento, a qual poderá reter a quantia ou bem, se os tiver recebido, ou, se for quem os deu, poderá exigir a respectiva devolução, mais o equivalente” (REsp 1.669.002/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/09/2017, DJe de CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 54 02/10/2017). (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.659.480/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 24/6/2022.) Segundo a jurisprudência do STJ, “as arras confirmatórias não se confundem com a prefixação de perdas e danos, tal como ocorre com o instituto das arras penitenciais, visto que servem como garantia do negócio e possuem característica de início de pagamento, razão pela qual não podem ser objeto de retenção na resolução contratual por inadimplemento do comprador” (AgInt no REsp n. 1.893.412/SP, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 7/12/2020, DJe 11/12/2020) (AgInt no AREsp n. 2.023.346/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 26/5/2022.) O termo inicial dos juros de mora relativos às diferenças dos aluguéis vencidos será a data para pagamento fixada na própria sentença transitada em julgado (mora ex re) ou a data da intimação do devedor - prevista no art. 523 do CPC/2015 - para pagamento no âmbito da fase de cumprimento de sentença (mora ex persona) (...) REsp. 1.929.806-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 07/12/2021, DJe 13/12/2021. O atraso, por parte de instituição financeira, na baixa de gravame de alienação fiduciária no registro de veículo não caracteriza, por si só, dano moral in re ipsa. (REsp. 1.881.453-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 30/11/2021, DJe 07/12/2021. (Tema 1078). Não pertencendo os bens alienados em garantia ao avalista em recuperação judicial, não podem ser expropriados outros bens de sua titularidade, pois devem servir ao pagamento de todos os credores. (...) REsp 1.953.180-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25/11/2021, DJe 01/12/2021. O devedor solidário responde pelo pagamento da cláusula penal compensatória, ainda que não incorra em culpa. (....) REsp. 1.867.551-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05/10/2021, DJe 13/10/2021. Da inexecução contratual imputável, única e exclusivamente, àquele que recebeu as arras, estas devem ser devolvidas mais o equivalente. (...) Desse modo, seja a partir de uma interpretação histórica, seja a partir de uma exegese literal e sistemática, do exame do disposto no art. 418 do CC/2002 é forçoso concluir que, na hipótese de inexecução contratual imputável, única e exclusivamente, àquele que recebeu as arras, estas devem ser devolvidas mais o equivalente. REsp. 1.927.986-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 22/06/2021, DJe 25/06/2021. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 55 Nos contratos de seguro de vida em grupo, a obrigaçãode prestar informações aos segurados recai sobre o estipulante. REsp. 1.850.961-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por maioria, julgado em 15/06/2021. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 56 3. QUESTÕES 1. Caso terceiro assuma a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, dá-se a: a) sub-rogação subjetiva. b) cessão de crédito. c) novação subjetiva. d) assunção de dívida. e) remissão da dívida. 2. A empresa hoteleira Azul Anil aciona a construtora Obra Executiva para cobrar-lhe multa rescisória em decorrência de ter enjeitado o imóvel prometido à venda, o qual serviria de sede da autora, cujo acabamento não correspondia ao anunciado. Além disso, pede indenização suplementar por perdas e danos extraordinários. As partes dispensam a produção de provas e pedem o julgamento antecipado. O juiz, então, julga procedentes, em parte, os pedidos para reduzir, de ofício, a multa rescisória a 10% daquele valor inicialmente pactuado, tendo em vista o comprovado cumprimento de 90% do programa contratual. De outro lado, afasta o pedido de indenização suplementar, por ter verificado que a construtora advertiu, a tempo de evitar o aprofundamento dos danos suportados pelos adquirentes, acerca da mudança do acabamento. Nesse caso, o juiz: a) não poderia ter reduzido, de ofício, a cláusula penal, sob pena de invadir a autonomia privada das partes, além de violar o princípio de inércia da jurisdição; b) acertou ao reduzir a cláusula penal a 10%, porquanto o Código Civil, assim interpretado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, determina que a multa deve ser estritamente proporcional ao percentual da obrigação que fora adimplido; c) ao julgar improcedente o pedido de indenização suplementar, aplicou a teoria do inadimplemento eficiente (efficient breach), consectária ao postulado de boa-fé, que preconiza a exoneração ou mitigação de responsabilidade daquele que, de maneira eficiente, evita o agravamento de danos do credor; d) deveria ter condenado o réu em juros de mora sobre o valor da multa desde a citação, o que, mesmo somando-se à cláusula penal, não constituiria injusta cumulação de encargos moratórios (bis in idem); e) deveria ter julgado improcedente, também, o pedido de pagamento de multa, porque a autora não produziu prova de seu efetivo prejuízo, de modo que não pode haver responsabilidade sem dano ou por dano hipotético no ordenamento brasileiro. 3. Maria realiza contrato de financiamento com o Banco X e apresenta João como seu fiador, que, na oportunidade, anuiu expressamente. Maria não consegue pagar CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 57 as parcelas e, de boafé, convida o Banco X a renegociar. Maria e o Banco X optam por realizar uma nova obrigação, que extinguiu a anterior, sendo que as novas prestações são compatíveis com as possibilidades financeiras de Maria. Quanto à situação do fiador João, é CORRETO afirmar que: a) está exonerado, já que há nova obrigação e, quanto a esta, não anuiu; b) permanece obrigado como fiador, já que a nova obrigação se trata de novação, que, segundo a lei, não o exonera; c) permanece obrigado como fiador, já que a fiança é o exemplo típico de obrigação acessória e, como tal, deve seguir a obrigação principal; d) permanece obrigado como fiador, já que a segunda negociação é mera continuida- de da primeira, não representando, tecnicamente, nova obrigação; e) permanece obrigado como fiador, já que a fiança é garantia pessoal, vinculando-o a Maria e seu contrato de financiamento com o Banco X, independentemente da obriga- ção. 4. Marlise comprometera-se a dar um de seus cachorros, apelidado de Totó, para Rejane. Entretanto, tendo se apegado ao animal, no dia do vencimento ofereceu a Rejane, em lugar do Totó, uma joia que acabara de herdar de sua falecida tia, o que foi prontamente aceito pela credora, tendo ocorrido de imediato a transferência da joia. Todavia, decisão judicial veio a reconhecer a nulidade do testamento da tia, que previa o legado da joia a Marlise, vindo Rejane então a perder o bem em favor do acervo hereditário. Diante disso, Rejane pode exigir de Marlise: a) o equivalente pecuniário da joia somente; b) o equivalente pecuniário da joia mais eventuais perdas e danos; c) o Totó somente; d) o Totó mais eventuais perdas e danos; e) perdas e danos somente. 5. A empreiteira Cosme Ltda. contratou a Flet Ltda. para que ela lhe desse a perfuratriz modelo SKS que tinha no seu galpão em Santana. Entretanto, outra cláusula do contrato previa a possibilidade acessória de a Flet Ltda. se desincumbir de sua obrigação, se quisesse, entregando à Cosme Ltda. a perfuratriz modelo 1190 que está em seu armazém nos arredores de Macapá. Ocorre que, antes da data marcada para a entrega, uma tempestade atinge Santana e destrói o galpão, inviabilizando a entrega da perfuratriz modelo SKS. Diante disso, a Cosme Ltda. pode exigir: a) somente a entrega da perfuratriz modelo 1190, sem direito a perdas e danos; b) a entrega da perfuratriz modelo 1190, com direito a perdas e danos; c) o equivalente pecuniário da perfuratriz modelo SKS ou a entrega da perfuratriz modelo 1190; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 58 d) o equivalente pecuniário da perfuratriz modelo SKS ou a entrega da perfuratriz modelo 1190, com direito a perdas e danos; 6. Assinale a alternativa correta sobre cláusula penal. a) A cláusula penal deve ser convencionada simultaneamente com a obrigação, não se admitindo a convenção em ato posterior. b) A cláusula penal deve ser reduzida de ofício pelo juiz de modo equitativo, caso verifique o parcial cumprimento da prestação ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio. c) Para exigir a cláusula penal, não é necessário ao credor alegar prejuízo, mas, se este exceder o valor da multa, não poderá ser cobrada indenização suplementar, ainda que as partes tenham convencionado tal possibilidade e se prove dano de maior valor. d) Quando se estipular cláusula penal para o total inadimplemento da obrigação, esta se converte em alternativa para o credor, que poderá escolher entre pedir a multa ou as perdas e danos sofridas em razão do inadimplemento. 7. Assinale a alternativa correta sobre mora e inadimplemento absoluto. a) A mora faculta ao credor exigir a prestação acrescida de perdas e danos, juros, correção monetária e honorários advocatícios, enquanto o inadimplemento absoluto abre ao credor a opção de resolver o contrato. b) A mora se converte em inadimplemento absoluto quando não mais persiste para o devedor a possibilidade de cumprir a prestação. c) Os juros de mora por inadimplemento contratual contam-se sempre a partir da citação. d) O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação salvo se provar que tal impossibilidade resultou de caso fortuito ou força maior. 8. Na imputação do pagamento, havendo capital e juros: a) o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital. b) a imputação ocorrerá primeiro no capital, salvo se a somatória dos juros for maior, hipótese em que primeiro será destinadaa amortização dos juros. c) o pagamento imputar-se-á primeiro no capital e depois nos juros vencidos, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta dos juros. d) a escolha sobre se primeiro imputará nos juros ou no capital cabe exclusivamente ao credor. e) a imputação será proporcionalmente distribuída entre o capital e os juros. 9. O pagamento... CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 59 a) feito de boa-fé ao credor putativo é válido, salvo se provado depois que ele não era credor. b) deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. c) não vale quando cientemente feito ao credor incapaz de quitar, em nenhuma hipótese. d) autoriza-se a recebê-lo o portador da quitação, fato que origina presunção absoluta. e) feito pelo devedor ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, prejudicado o direito de regresso contra o credor.João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse insolvente e Teresa ignorasse essa sua condição. 10. Quanto à mora e às perdas e danos, é correto afirmar: a) mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. b) Havendo fato ou omissão imputável ao devedor, este não incorre em mora. c) Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora a partir do ajuizamento da ação indenizatória correspondente. d) O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, salvo, em qualquer caso, se essa impossibilidade resultar de caso fortuito ou força maior. e) Salvo se a inexecução resultar de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual. 11. Por conta de mútuo oneroso, João devia a Teresa a importância de cem mil reais. No intuito de ajudar o amigo em dificuldade, Leopoldo assumiu para si a obrigação de João, para o que houve expressa anuência de Teresa. Nesse caso: a) João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse insolvente e Teresa ignorasse essa sua condição. b) Leopoldo poderá opor a Teresa as exceções pessoais que competiam a João. c) se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito de João, sem nenhuma garantia, independentemente de quem a tenha prestado. d) preservam-se as garantias especiais originariamente dadas a Teresa por João, independentemente do assentimento dele. e) João responderá apenas pela metade da dívida, ainda que Leopoldo não cumpra a obrigação assumida perante Teresa. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 60 12. Uma dívida prescrita, o penhor oferecido por terceiro, uma dívida de jogo e a fiança representam, respectivamente, obrigação: a) com Haftung sem Schuld, com Schuld sem Haftung, com Haftung sem Schuld atual, e com Haftung sem Schuld próprio. b) com Haftung sem Schuld, com Haftung sem Schuld atual, com Schuld sem Haftung e com Haftung sem Schuld próprio. c) sem Schuld e sem Haftung, com Haftung sem Schuld próprio, com Schuld sem Haftung e com Haftung sem Schuld atual. d) com Schuld sem Haftung, com Haftung sem Schuld próprio, com Schuld sem Haftung e com Haftung sem Schuld atual. e) com Schuld sem Haftung, com Haftung sem Schuld próprio, sem Schuld e sem Haftung e com Haftung sem Schuld atual. 13. A multa estipulada em contrato que tenha por objeto evitar o inadimplemento da obrigação principal é denominada: a) multa penitencial. b) cláusula penal. c) perdas e danos. d) arras penitenciais. e) multa pura e simples. 14. André devia a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em dinheiro a Mateus. Maria era fiadora de André. Mateus aceitou receber em pagamento pela dívida um imóvel urbano de propriedade de André, avaliado em R$60.000,00 (sessenta mil reais) com área de 200 m2 e deu regular quitação. Entretanto, o imóvel estava ocupado por Pedro, que o habitava há mais de cinco anos, nele estabelecendo sua moradia. Pedro ajuizou ação de usucapião para obter a declaração de propriedade do imóvel que foi julgada procedente. Na época em que se evenceu, o imóvel foi avaliado em R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais). A respeito dos efeitos da evicção sobre a obrigação originária, é possível afirmar que a obrigação originária: a) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus pelo valor correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que houve a dação em pagamento. Maria está liberada da fiança anteriormente prestada. b) é restabelecida, mas não contará mais com a garantia pessoal prestada por Maria. Em razão da evicção, a obrigação repristinada terá por objeto o valor equivalente ao bem na época em que se evenceu. c) é restabelecida, pelo seu valor original, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, mas sem a garantia pessoal prestada por Maria, tendo em vista que o credor aceitou receber objeto diverso do constante na obrigação originária. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 61 d) é restabelecida, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, inclusive com a garantia pessoal prestada por Maria. Contudo, em razão da evicção, a obrigação repristinada terá por objeto o valor equivalente ao bem na época em que se evenceu. e) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus pelo valor correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que se evenceu. Maria está liberada da fiança anteriormente prestada. 15. Em relação à cláusula penal decorrente da inexecução de obrigação, assinale a alternativa correta. a) A exigibilidade da cláusula penal perante pessoa jurídica está condicionada à comprovação de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial. b) Para exigir a pena convencional, é necessário que o credor alegue o prejuízo e que este não exceda o valor da obrigação principal. c) O prejuízo excedente à cláusula penal poderá ser exigido se houver expressa convenção contratual nesse sentido. d) Sempre que o prejuízo exceder a pena convencional, o credor poderá exigir indenização suplementar, competindo-lhe provar o prejuízo excedente. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 62 4. GABARITO COMENTADO 1. D (A) INCORRETA. A sub-rogação é conceituada pela melhor doutrina contemporânea como a substituição de uma coisa por outra, com os mesmos ônus e atributos, caso em que se tem a sub-rogação real, ou a substituição de uma pessoa por outra, que terá os mesmos direitos e ações daquela, hipótese em que se configura a sub-rogação pessoal de que trata o Código Civil no capítulo referente ao pagamento com sub-rogação.A sub-rogação é uma figura jurídica anômala, pois o pagamento promove apenas uma alteração subjetiva da obrigação, mudando o credor. A extinção obrigacional ocorre somente em relação ao credor, que nada mais poderá reclamar depois de haver recebido do terceiro interessado. (B) INCORRETA. A cessão de crédito pode ser conceituada como um negócio jurídico bilateral ou sinalagmático, gratuito ou oneroso, pelo qual o credor, sujeito ativo de uma obrigação, transfere a outrem, no todo ou em parte, a sua posição na relação obrigacional. Conforme o art. 286 do CC/2002: “Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação”. Não há, na cessão, a extinção do vínculo obrigacional, razão pela qual ela deve ser diferenciada em relação às formas especiais e de pagamento indireto (sub-rogação e novação). (C) INCORRETA. Novação subjetiva ou pessoal – é aquela em que ocorre a substituição dos sujeitos da relação jurídica obrigacional, criando-se uma nova obrigação, com um novo vínculo entre as partes. CC: Art. 360. Dá-se a novação: II – quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor. (D) CORRETA. A cessão de débito ou assunção de dívida é um negócio jurídico bilateral, pelo qual o devedor, com a anuência do credor e de forma expressa ou tácita, transfere a um terceiro a posição de sujeito passivo da relação obrigacional. Seu conceito pode ser retirado também do art. 299 do CC/2002, pelo qual é facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. (E) INCORRETA. A remissão é o perdão de uma dívida, constituindo um direito exclusivo do credor de exonerar o devedor, estando tratada entre os arts. 385 a 388 do CC. Não se confunde com remição, escrita com ç, que, para o Direito Civil, significa resgate. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 63 CC: Art. 385 do CC/2002: “Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro 2. D (A) INCORRETA. O enunciado356 do CJF aduz que: "Nas hipóteses previstas no art. 413 do Código Civil, o juiz deverá reduzir a cláusula penal de ofício”. (B) INCORRETA. De acordo com o STJ, a redução da cláusula penal em razão do pagamento parcial da dívida – prevista no artigo 413 do Código Civil – é dever do juiz e direito do devedor. Entretanto, nessa tarefa, o magistrado não deve se ater à simples adequação matemática entre o grau de inexecução do contrato e o abatimento da penalidade; em vez disso, na busca de um patamar proporcional e equitativo, é preciso analisar uma série de fatores para garantir o equilíbrio entre as partes contratantes, como o tempo de atraso, o montante já quitado e a situação econômica do devedor (REsp 1898738). (C) INCORRETA. A Teoria do Inadimplemento Eficiente do Contrato sugere que o contratante, diante de uma oportunidade mais lucrativa, possa descumprir deliberadamente o pacto já firmado, honrando com o pagamento da multa contratual prevista. Cuida-se do dever de mitigar o próprio prejuízo (Duty to mitigate the loss). (D) CORRETA. CC/02: “Art. 405: Contam-se os juros de mora desde a citação inicial” e Art. 389: “Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”. (E) INCORRETA. CC/02: “Art. 416: Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo”. 3. A (A) CORRETA. CC/02: “Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal”. “Art. 838: “O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: I – se, sem consentimento seu, o credor conceder moratória ao devedor”. (B) INCORRETA. Vide comentário da alternativa A. (C) INCORRETA. Vide comentário da alternativa A. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 64 (D) INCORRETA. Vide comentário da alternativa A. (E) INCORRETA. Vide comentário da alternativa A. 4. D (A) INCORRETA. Vide comentário da alternativa C. (B) INCORRETA. Vide comentário da alternativa C. (C) INCORRETA. Os arts. 356 a 359 do CC/2002 tratam da dação em pagamento (datio in solutum), que pode ser conceituada como uma forma de pagamento indireto em que há um acordo privado entre os sujeitos da relação obrigacional, pactuando-se a substituição do objeto obrigacional por outro. Para tanto, é necessário o consentimento expresso do credor, o que caracteriza o instituto como um negócio jurídico bilateral. Se o credor for evicto da coisa recebida, a obrigação primitiva será restabelecida, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros de boa-fé (art. 359 do CC): “Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros”. Assim, Rejane só poderá exigir o Totó, uma vez que restabelecer-se-á a obrigação primitiva. Neste particular, não obstante a banca dar como certa a alternativa D, a alternativa C está correta. É preciso destacar, também, que a evicção, em regra, se aplica a contratos onerosos (art. 447, CC). A questão trata de contrato gratuito (doação). Logo, nos parece ser um ponto a ser questionado em eventual recurso. (D) CORRETA. Vide comentário da alternativa C. (E) INCORRETA. Vide comentário da alternativa C. 5. E CC: Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 65 Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal. 6 B. (A) INCORRETA. CC: “Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora”. (B) CORRETA. CC: “Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio”. (C) INCORRETA. CC:“Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor alegue prejuízo. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo ao credor provar o prejuízo excedente”. D) INCORRETA. CC: art. 410 do Código Civil: “quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor”. A cláusula em si é uma alternativa, em vista do inadimplemento absoluto, não havendo alternativa em relação a ela e perdas e danos, que se cumulam, se for o caso. 7. A. (A) CORRETA. O critério para distinguir a mora do inadimplemento absoluto da obrigação é a utilidade da obrigação para o credor, o que pode ser retirado do art. 395 do CC. Por uma questão lógica, deve-se compreender que os efeitos decorrentes da mora são menores do que os efeitos do inadimplemento absoluto, eis que no segundo caso a obrigação não pode mais ser cumprida. Se em decorrência da mora a prestação tornar-se inútil ao credor, este poderá rejeitá- la, cabendo a resolução da obrigação com a correspondente reparação por perdas e danos. No último caso, a mora é convertida em inadimplemento absoluto (parágrafo único do art. 395 do CC). CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 66 (B) INCORRETA. De acordo com o art. 394 do CC, considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. O principal efeito da mora do devedor é a responsabilização do sujeito passivo da obrigação por todos os prejuízos causados ao credor, mais juros, atualização monetária – segundo índices oficiais – e honorários do advogado, no caso de propositura de uma ação específica (art. 395, caput, do CC). Em complemento, se em decorrência da mora a prestação tornar-se inútil ao credor, este poderá rejeitá-la, cabendo a resolução da obrigação com a correspondente reparação por perdas e danos. No último caso, a mora é convertida em inadimplemento absoluto (parágrafo único do art. 395 do CC). (C) INCORRETA. Segundo o art. 405 do CC, os juros de mora contam-se desde a citação inicial. Estabelece o Enunciado n. 163, da III Jornada de Direito Civil que “a regra do art. 405 do novo Código Civil aplica-se somente à responsabilidade contratual, e não aos juros moratórios na responsabilidade extracontratual, em face do disposto no art. 398 do CC. É certo, no entanto, que no caso de responsabilidade civil contratual, havendo mora de obrigação líquida e vencida, os juros devem ser contados a partir da data do inadimplemento, eis que há mora solvendi ex re, com a aplicação da máxima dies interpellat pro homine. Em suma, o art. 405 do CC deve incidir somente aos casos de obrigação líquida e não vencida. No que diz respeito às obrigações líquidas e vencidas, o Enunciado 428 dispõe que “os juros de mora, nas obrigações negociais, fluem a partir do advento do termo da prestação, estando a incidência do disposto no art. 405 da codificação limitada às hipóteses em que a citação representa o papel de notificação do devedor ou àquelas em que o objeto da prestação não tem liquidez”. D) INCORRETA. CC 02: “Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada”. 8. A (A) CORRETA. CC: “Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capita”. (B) INCORRETA. Vide comentários item “A”. (C) INCORRETA. Vide comentários item “A”. (D) INCORRETA. Vide comentários item “A”. (E) INCORRETA. Vide comentários item “A”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 67 9. B. (A) INCORRETA. CC: “Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor.” (B) CORRETA. CC: “Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito.” (C) INCORRETA. CC: “Art. 310. Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu.” (D) INCORRETA. CC: “Art. 311. Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante.” (E) INCORRETA. CC: “Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor.” 10. A. (A) CORRETA. CC: “Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação.” (B) INCORRETA. CC: “Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em mora.” (C) INCORRETA. CC: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 68 “Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou.” (D) INCORRETA. CC: “Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.” (E) INCORRETA. CC “Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.” 11. A. (A) CORRETA. Art. 299 do CC: “Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa.” (B) INCORRETA. Art. 302 do CC: “Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo.” (C) INCORRETA. Art. 301 do CC: “Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação.” (D) INCORRETA. Art. 300 do CC: “Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor.” (E) INCORRETA.Vide comentários das assertivas anteriores, especialmente da “A”. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 69 12. D. (A) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. (B) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. (C) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. (D) CORRETA. Há dois fatores decompostos da ideia de vínculo obrigacional: débito (schuld) e responsabilidade (haftung). Débito é a prestação a ser cumprida pelo devedor, em decorrência da relação de direito material. Responsabilidade patrimonial é a situação que recai sobre o patrimônio do devedor como garantia do direito do credor, derivada do inadimplemento. Uma dívida prescrita: cuida-se de obrigação com Schuld sem Haftung, afinal, a prescrição elimina a pretensão, não o direito. Logo, existe o débito, mas não existe a responsabilização. O penhor oferecido por terceiro; cuida-se de obrigação com Haftung sem Schuld, onde pode até ter uma dívida de outro, ou mesmo pode até não ser dele, mas terá sempre uma dívida. Dívida de jogo: cuida-se de obrigação com Schuld sem Haftung, impossibilitando assim a repetição do indébito, porque não era um débito, não obrigam o pagamento. Fiança: cuida-se de obrigação com Haftung sem Schuld. Pode até ter uma dívida de outro, ou mesmo pode até não ser dele, mas terá sempre uma dívida. Dessa forma, é possível o haftung de schuld alheio, exemplo clássico o fiador que responde até com o bem de família, para contratos de locação. (E) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. 13. B. A resposta da presente questão se extrai dos escólios lançados no presente material, bem como do art. 409 do CC/02: “Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora.” 14. C. De acordo com o artigo 359 do CC: “Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros”. Em acréscimo, o art. 838, III, do CC estabelece que: “Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: III – se o credor, em pagamento de dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do que este era obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perde-lo por evicção”. A combinação dos dois artigos leva à alternativa C como única correta. 15. C. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 70 A questão versa sobre o artigo 416 do CC. O item “C” versa sobre a possibilidade de pactuação de indenização suplementar, o que se depreende do art. 416 do CC. O item “A” confunde os conceitos de cláusula penal com desconsideração da personalidade jurídica. O item “B” contraria a redação do art. 416 do CC, na medida em que a alegação de prejuízo é dispensada na forma da lei. O erro do item “D” está em afirmar a possibilidade de exigência de indenização suplementar sem mencionar a necessidade de previsão contratual nesse sentido.