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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
1 
 
Direito Civil 
(Ponto 5) 
Do direito das obrigações. Das modalidades das 
obrigações. Da transmissão das obrigações. Do 
adimplemento e da extinção das obrigações. Do 
inadimplemento das obrigações. 
 
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2 
CURSO MEGE 
 
Site para cadastro: https://loja.mege.com.br/ 
Celular / Whatsapp: (99) 98262-2200 (Tim) 
Fanpage: /cursomege 
Instagram: @cursomege 
Turma: Clube Delta 2023.1 
Material: Ponto 5 (Direito Civil) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Civil 
Ponto 5 
Do direito das obrigações. Das modalidades 
das obrigações. Da transmissão das 
obrigações. Do adimplemento e da extinção 
das obrigações. Do inadimplemento das 
obrigações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 
SUMÁRIO 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA ...................................................................... 4 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 5 
1.1. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................................ 5 
1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES .......................................................................... 13 
1.3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................... 27 
1.4. DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES.............................................. 32 
2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 50 
3. QUESTÕES ................................................................................................................... 56 
4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 62 
 
 
 
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4 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA RODADA 
(Conforme Edital Mege) 
 
 
 
DIREITO CIVIL 
Do direito das obrigações. Das modalidades das obrigações. Da transmissão das 
obrigações. Do adimplemento e da extinção das obrigações. Do inadimplemento das 
obrigações. (Ponto 5) 
 
 
 
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5 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 
1.1.1. CONCEITO 
 
O direito das obrigações pode ser conceituado como o conjunto de normas 
(regras e princípios jurídicos) reguladoras das relações patrimoniais entre um credor 
(sujeito ativo) e um devedor (sujeito passivo) a quem incumbe o dever de cumprir, 
espontânea ou coativamente, uma prestação de dar, fazer ou não fazer. 
Em sentido clássico e estrutural, obrigação era considerada apenas como o 
vínculo jurídico formado por um sujeito, denominado credor, que poderia exigir de 
outro sujeito, devedor, o cumprimento de uma prestação (dar, fazer ou não fazer – 
modalidades de obrigações). 
Modernamente, influenciada pela doutrina alemã, a relação obrigacional vem 
sendo considerada uma relação dinâmica, vista como um processo, ou seja, uma 
sequência de atos encadeados que devem levar ao adimplemento da obrigação. 
Diversamente da relação estática, em que o devedor ficava subordinado ao 
credor, na relação dinâmica, todos devem cooperar para o adimplemento, na medida 
em que credor e devedor possuem deveres recíprocos. Há uma relativização do pacta 
sunt servanda e, para além do dever de realizar a prestação, surgem os deveres 
laterais ou anexos, decorrentes da boa-fé objetiva, tais como o dever de colaboração, 
de informação etc., como se verá mais adiante. 
Obrigação passa a ser a junção dos sujeitos, vínculo jurídico e prestação com 
os valores sociais, que lhe dão conteúdo e legitimidade. 
Senão vejamos: 
1) Sujeitos (credor e devedor); 
2) Vínculo jurídico (vínculo imaterial ou ligação abstrata entre credor e 
devedor); 
- Há dois fatores decompostos da ideia de vínculo obrigacional: débito 
(schuld) e responsabilidade (haftung). Débito é a prestação a ser cumprida pelo 
devedor, em decorrência da relação de direito material. É a situação jurídica passiva 
representada pelo dever de realizar certa conduta ou atividade. 
Responsabilidade patrimonial é a situação que recai sobre o patrimônio do 
devedor como garantia do direito do credor, derivada do inadimplemento. A 
responsabilidade somente se concretiza quando do descumprimento da obrigação. 
Normalmente, débito e responsabilidade se verificam conjuntamente na mesma 
pessoa – devedor, mas é possível a separação. 
3) Prestação – objeto da obrigação (o devedor se compromete com o credor a 
uma prestação, que pode ser de dar, fazer ou não fazer). 
Ocorre que, após a segunda metade do século XX e, no Brasil, mais 
especificamente, após a Constituição de 1988, houve a necessidade de reler essa 
relação tradicional, analisada sob a perspectiva da estrutura da obrigação, a fim de 
adaptá-la aos valores constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, a 
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solidariedade, a justiça social, a função social, a igualdade substancial, a boa-fé 
objetiva etc. 
A obrigação passa a ser a junção dos sujeitos, vínculo jurídico e prestação com 
os valores sociais, que lhe dão conteúdo e legitimidade. 
Acrescenta-se, então, mais um elemento: 
4) Valores sociais fundados nos princípios constitucionais do Estado 
Democrático de Direito, os quais passam a integrar, como pressuposto lógico e 
necessário, o conteúdo da relação jurídica obrigacional. A obrigação somente terá 
legitimidade e tutela do Estado se ajustada a esses valores. 
 
1.1.2. DISTINÇÕES TERMINOLÓGICAS 
1.1.2.1. Dever jurídico, estado de sujeição, obrigação stricto sensu e ônus jurídico 
 
Dever jurídico: indica a necessidade de observância de determinada regra de 
conduta imposta pelo ordenamento jurídico. O dever jurídico se coloca como o 
contraponto de um direito subjetivo (a cada direito corresponde um dever, seja em 
relação a uma pessoa determinada, seja em relação à coletividade). 
Estado de sujeição: indica a submissão de determinada pessoa a um poder 
(potestas) que o ordenamento jurídico reconhece a terceiro, a exemplo do direito de 
se divorciar (o sujeito não pode se opor à pretensão de divórcio de sua companheira). 
A sujeição se coloca como o contraponto do direito potestativo. 
Obrigação stricto sensu: é uma espécie de dever que decorre de uma relação 
jurídica estabelecida entre as partes (veremos as fontes do direito obrigacional 
adiante). 
Ônus jurídico: coloca-se como a necessidade de prática de determinada 
conduta (ou abstenção dela), sob pena de perda de uma situação de vantagem ou 
criação de uma situação de desvantagem. Não há um “dever jurídico” a ser prestado, 
mas a inobservância do ônus pode gerar uma situação de desvantagem para aquele 
que não o observa.DEVER JURÍDICO DIREITO SUBJETIVO 
SUJEIÇÃO DIREITO POTESTATIVO 
OBRIGAÇÃO STRICTO SENSU RELAÇÃO JURÍDICA 
ÔNUS JURÍDICO PERDA DE VANTAGEM 
 
1.1.2.2. Direitos obrigacionais X Direito da personalidade 
 
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De acordo com a doutrina de Luciano Figueiredo: 
 
DIREITOS OBRIGACIONAIS DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Patrimoniais Extrapatrimoniais 
Inter partes Erga omnes 
Prescritíveis Imprescritíveis 
Transmissíveis Intransmissíveis 
Disponíveis Indisponíveis 
Penhoráveis Impenhoráveis 
Compensáveis Incompensáveis 
Transacionáveis Intransacionáveis 
Renunciáveis Irrenunciáveis 
Cessíveis Incessíveis 
Relativos Absolutos 
 
1.1.2.3. Direitos obrigacionais X Direito reais x Situações mistas 
 
Segundo o referido doutrinador, podemos destacar as diferenças entre os 
Direitos Obrigacionais e os Direitos Reais: 
 
DIREITOS REAIS DIREITOS OBRIGACIONAIS 
Numerus clausus – taxativos ou típicos. Numerus apertus – exemplificativos. 
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Direito de sequela – reivindicar a coisa 
onde quer que esteja e nas mãos de 
quem quer que esteja. 
Não há sequela – executa-se o contrato 
apenas, incidindo a sanção pelo 
descumprimento no patrimônio do 
devedor. 
Eficácia erga omnes – opõe-se contra 
todos. 
Eficácia inter partes – relativos às partes. 
Registrabilidade e publicidade – 
submetem-se a registro. 
Forma livre, em regra (art. 107 do CC) – 
não exigem registro nem publicidade. 
A relação jurídica se estrutura entre uma 
pessoa e a própria coisa (jus in re – 
direito sobre a coisa). 
A relação jurídica se estrutura entre 
pessoas determinadas ou determináveis 
(jus ad rem – direito contra a pessoa). 
Direito de preferência. Direito quirografário (comum). 
Inerência ou aderência – acompanha, 
adere, às mutações da coisa. 
Não há inerência – não acompanha as 
mutações da coisa, pois gira em torno da 
prestação. 
Encerra direito de gozo, fruição ou 
garantia sobre coisa corpórea. 
Encerra direitos de crédito a uma 
prestação, entre sujeitos. 
 
Ao lado dessas duas espécies, há que se atentar às situações mistas, 
caracterizadas por se tratar de relações obrigacionais derivadas de uma origem 
patrimonial. São elas: 
 
- Obrigação propter rem (ambulatoriais ou mistas): 
decorrentes do direito real titularizado pelo obrigado, a 
exemplo dos tributos incidentes sobre a propriedade (como 
IPTU, ITR e IPVA), ou a obrigação do condômino em concorrer 
com as despesas da manutenção do condomínio (art. 1.315 
CC); 
- Obrigação com eficácia real: consiste na possibilidade de, 
com o registro, atribuir efeitos erga omnes à obrigação, que a 
princípio estaria adstrita às partes, a exemplo do art. 8º da Lei 
8.245/91 (averbação do contrato de locação no RGI); 
- Obrigação com ônus real: hipótese em que se institui 
gravame sobre o bem, limitando o seu uso ou gozo, a exemplo 
da servidão, do direito real de habitação. 
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1.1.3. FONTES OU FUNÇÕES DAS OBRIGAÇÕES 
 
As fontes do Direito são os meios pelos quais se formam ou se estabelecem as 
normas jurídicas. Trata-se, em outras palavras, de instâncias de manifestação 
normativa: a lei, o costume (fontes diretas), a analogia, a jurisprudência, os princípios 
gerais do direito, a doutrina e a equidade (fontes indiretas). 
É necessário atentar à posição clássica e à moderna em relação às “fontes das 
obrigações”. Para parte da doutrina, a vontade humana e a lei seriam as duas grandes 
fontes das obrigações (Caio Mário e outros), ao passo que a maioria da doutrina 
clássica incluía dentre as fontes obrigacionais o “ato ilícito”. 
A doutrina moderna, porém, propõe a revisão desse conceito e sustenta que 
todo FATO JURÍDICO pode ser fonte de obrigações. Nesse sentido, Fernando Noronha 
sustenta que melhor seria considerar a classificação a partir das FUNÇÕES da 
obrigação (e não das “fontes”), propondo três categorias, de acordo com os 
respectivos interesses dos credores e ligando cada uma delas a um princípio geral do 
direito, quais sejam: 
 
- Função NEGOCIAL: decorrente da autonomia privada, gerando 
responsabilidade nos termos do contrato. Corresponde ao 
princípio ético-jurídico do pacta sunt servanda (os pactos 
devem ser cumpridos); 
- Função de RESPONSABILIDADE CIVIL: decorrem de atos ilícitos 
ou ainda de atos lícitos, como atualmente reconhece a 
jurisprudência, gerando a responsabilidade civil propriamente 
dita. Corresponde ao princípio ético-jurídico do neminem 
laedere (não lesar ninguém); 
- Função de reparar ENRIQUECIMENTOS INJUSTIFICADOS: 
decorrem de situações em que há o aproveitamento de bens 
ou direito alheio, gerando a responsabilidade de restituir o 
acréscimo indevidamente obtido. Corresponde ao princípio do 
suum cuique tribuere (dar a cada um o que é seu). 
 
FUNÇÃO CONSEQUÊNCIA PRINCÍPIO NORTEADOR 
Negocial Responsabilidade contratual Pacta sunt servanda 
Resp. civil Resp. civil propriamente dita Neminem laedere 
Enriquecimento sem 
causa 
Obrigação de restituir o 
acréscimo obtido 
Suum cuique tribuere 
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1.1.4. ESTRUTURA E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DAS OBRIGAÇÕES 
 
Colocam-se três elementos na relação obrigacional: 
 
- Elemento subjetivo → credor/devedor. 
- Elemento objetivo → prestação. 
- Elemento abstrato ou espiritual → vínculo jurídico. 
 
Em relação ao elemento subjetivo, cabe atentar ao seguinte: 
 
- Credor e devedor devem ser determinados ou determináveis; 
- É possível a indeterminação subjetiva ativa (ex.: cheque em 
branco, promessa de recompensa – quem é a pessoa que pode 
exigir essa obrigação?) ou a indeterminação subjetiva passiva 
(ex.: obrigações propter rem – quem é a pessoa que deve arcar 
com aquela obrigação?); 
- O elemento subjetivo das obrigações é sempre PLURAL/DUAL, 
e em caso de credor e devedor serem as mesmas pessoas, 
estaremos diante de confusão, o que extingue a obrigação. 
 
Em relação ao elemento objetivo, cabe atentar ao seguinte: 
 
- O objeto da relação se divide em objeto imediato ou direto 
que consiste na prestação em si e em objeto mediato ou 
indireto, que consiste no bem da vida. Exemplo: compra e 
venda de um livro; objeto imediato a entrega do livro; objeto 
mediato o livro; 
- O objeto IMEDIATO das obrigações sempre se identificará 
com uma prestação de dar, fazer ou não fazer; 
- Ao objeto MEDIATO das obrigações aplicam-se os requisitos 
do art. 104 do CC, vale dizer, o objeto deve ser lícito, possível, 
determinado ou determinável, regra que desrespeitada gera a 
NULIDADE da obrigação, nos termos do art. 166, II, do CC; 
- Há quem aponte a patrimonialidade do objeto como 
requisito, mas é possível o reconhecimento de obrigações com 
caráter extrapatrimonial. 
 
Em relação ao elemento abstrato ou espiritual, cabe atentar ao seguinte: 
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- Trata-se do vínculo jurídico que une as partes e permite que o 
credor exija dodevedor o cumprimento de uma obrigação, 
podendo-se, inclusive, valer-se do Poder Judiciário para 
concretização do seu direito. 
 
1.1.5. A OBRIGAÇÃO COMO UM PROCESSO E A APLICAÇÃO DOS PARADIGMAS DO 
CÓDIGO CIVIL AO DIREITO OBRIGACIONAL 
1.1.5.1. A obrigação como um processo ou “complexa” 
 
Com a progressiva publicização do Direito Civil e o fenômeno de 
constitucionalização do Direito, a autonomia da vontade foi cedendo espaço a outros 
valores que também devem ser protegidos. Não se despreza a importância da vontade 
das partes (gênese das obrigações), mas reconhecem-se outros elementos permeando 
a relação obrigacional, a exemplo dos deveres de conduta ou deveres anexos. 
 
ATENÇÃO! A doutrina costuma apontar, ao lado dos deveres principais, os deveres 
de conduta e ainda os deveres acessórios da obrigação principal – a exemplo do 
dever de indenizar a mora pelo descumprimento. Estes últimos decorrem da lei e da 
pactuação. Pode-se falar, portanto, em três espécies de deveres: principais, 
acessórios e anexos (ou de conduta). 
 
Nos termos do que dispõem Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe 
Netto (classificação de Menezes Cordeiro), podemos apontar como dever de conduta, 
independentemente de previsão contratual ou vontade das partes: 
 
- Dever de proteção: protegem a parte contrária dos riscos de 
danos ao seu patrimônio e pessoa no curso da relação 
obrigacional; 
- Dever de lealdade: impondo às partes atenderem à boa-fé e 
absterem-se de adotar comportamento que possa atingir a 
dignidade da contraparte; 
- Dever de cooperação: exige das partes um comportamento 
que facilite, permita a satisfação da prestação acertada; 
- Dever de esclarecimento: impondo a obrigação das partes em 
informar sobre elementos que possam interessar à 
contraparte, atendidos os limites da boa-fé objetiva. 
 
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Importa adiantar que, enquanto o descumprimento dos deveres principais 
acarreta o INADIMPLEMENTO absoluto ou relativo, o descumprimento dos deveres 
anexos consiste na VIOLAÇÃO POSITIVA DO CONTRATO ou ADIMPLEMENTO FRACO. 
Além de cumprir as obrigações contratuais, os contratantes devem também 
cumprir a boa-fé objetiva e os seus deveres anexos. Com isso, pode ser que o 
contratante cumpra todas as obrigações contratuais, sem exceção, mas descumpra os 
deveres anexos oriundos boa-fé objetiva, como o dever de informação, de 
segurança, de lealdade, deveres éticos. Note que não houve um descumprimento 
negativo, mas sim um descumprimento positivo, uma vez que, mesmo cumprindo 
todos os deveres contratuais, descumpriu os deveres anexos, consagrando um novo 
modelo de inadimplemento, o inadimplemento positivo. 
Os autores citados ainda destacam que a concepção da obrigação enquanto 
processo acaba por ampliar o elemento subjetivo, podendo-se falar nas figuras do: 
 
- Terceiro ofendido: hipótese em que um sujeito estranho à 
relação obrigacional possa ser por ela afetado, fazendo jus à 
indenização. Exemplo: vítima de um acidente de trânsito 
acionando a seguradora do causador do sinistro – Súmula 529 
STJ; 
- Terceiro ofensor: hipótese designada de “tutela externa do 
crédito”, consistente na responsabilização de terceiro, estranho 
à relação contratual, que adota conduta prejudicial ao interesse 
de uma das partes da relação. Exemplo: caso Zeca Pagodinho, 
em que uma cervejaria concorrente violou contrato de 
exclusividade do cantor com determinada marca, sendo 
condenada a indenizar os prejuízos experimentados pela parte 
lesada. 
 
1.1.5.2. Aplicação dos paradigmas do Código Civil ao direito obrigacional 
 
O Código Civil de 2002 pautou-se em três diretrizes teóricas, a saber, a 
socialidade (ou sociabilidade), a eticidade e operabilidade, todas elas tendo reflexos 
no Direito Obrigacional. 
Em relação à socialidade, há que se atentar à função social do negócio 
jurídico, promovendo a ampliação dos sujeitos da relação obrigacional, a exemplo das 
figuras do terceiro ofendido e terceiro ofensor, vistas anteriormente. 
Em relação à eticidade, há que se atender à boa-fé objetiva, apresentando 
basicamente três funções no campo obrigacional e contratual: 
 
- Função interpretativa (art. 113): “Os negócios jurídicos 
devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar 
de sua celebração. (...)”. 
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13 
- Função de controle (art. 187): “Também comete ato ilícito o 
titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente 
os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-
fé ou pelos bons costumes.”. 
- Função integrativa (art. 422): “Os contratantes são obrigados 
a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua 
execução, os princípios de probidade e boa-fé.”. 
 
Com efeito, a eticidade representa a valorização do comportamento ético-
socializante, notadamente pela boa-fé objetiva. 
Por fim, em relação à operabilidade, há que se atentar à adoção das normas 
abertas pelo legislador, permitindo e até exigindo do aplicador da norma a sua 
conformação ao caso concreto, a exemplo do contido no art. 233 do CC. 
 
1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 
 
Várias são as classificações propostas pelo Código Civil (os arts. 233 a 285, 
Título “Das Modalidades das Obrigações”, trata do tema em seis capítulos) e ainda 
completadas pela doutrina. Seguiremos a sistemática do Código Civil, destacando ao 
final a distinção entre obrigação de meio, resultado e garantia. 
 
1.2.1. QUANTO À EXIGIBILIDADE 
 
Quanto à exigibilidade, as obrigações podem ser naturais (ou imperfeitas) ou 
civis (ou perfeitas). 
As obrigações naturais não são exigíveis. Entretanto, se o devedor adimplir a 
obrigação, não caberá repetição, pois há o débito (schuld), mas não há a 
responsabilidade (haftung). 
Denomina-se solutio retenti o direito do credor de reter o pagamento da 
prestação imperfeita. São exemplos de obrigações naturais a dívida prescrita (CC, art. 
882), a dívida de jogo e aposta não legalizados (CC, art. 815) e o mútuo feito a menor 
sem a prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver (CC, art. 558). 
Já as obrigações civis são completas e perfeitas, porque dotadas de plena 
exigibilidade, haja vista que prescrevem a conduta e vinculam patrimonialmente o 
devedor que deixar de observá-las. Existe o débito (schuld) e a responsabilidade 
(haftung) ao mesmo tempo. 
 
1.2.2. QUANTO À PRESTAÇÃO 
 
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14 
Como visto, o elemento OBJETIVO da obrigação pode ser analisado de duas 
formas: OBJETO IMEDIATO ou DIRETO que é a prestação a que se obriga o devedor, ao 
passo que OBJETO MEDIATO ou INDIRETO é o bem da vida. 
O objeto imediato sempre consistirá numa prestação de DAR, FAZER ou NÃO 
FAZER. Assim, quanto à prestação, toda relação obrigacional poderá ser classificada 
como uma dessas três espécies. 
Seguem algumas classificações, que também reputamos pertinentes o aluno 
conhecer: 
Quanto à Execução - Varia de acordo com a quantidade de credores, 
devedores e prestações: 
 
- Simples - Formada por 1 credor, 1 devedor e 1 prestação. 
- Composta, que pode ser: 
- Cumulativa ou Conjuntiva - Composta por mais de um credor, 
devedor ou prestação. Nesse caso, o devedor deve cumprir 
todas as prestações, sob pena de inadimplemento total ou 
parcial. Não está tratada no CC, mas é prevista pela doutrina. 
Ex.: contrato de locaçãode bem imóvel urbano (são previstos 
vários direitos e deveres que devem ser cumpridos 
cumulativamente). 
- Alternativa ou Disjuntiva - Composta por várias prestações 
disponíveis. Entretanto, apenas é exigível uma delas. Será 
melhor analisada em tópico específico. 
 
Quanto ao Tempo do Adimplemento (muito aplicada na teoria da 
onerosidade excessiva - arts. 317 e 478, ambos do CC): 
 
- Instantânea - A prestação é satisfeita no mesmo momento em 
que surge. Ex.: compra e venda à vista; 
- De Execução Continuada - A troca de prestações é renovada e 
repetida a cada período de tempo. Ex.: locação; 
- De Execução Diferida - Também existe um espaço de tempo 
para o cumprimento da prestação (não há troca simultânea), 
mas esta é única e cumprida posteriormente ao seu 
surgimento. 
 
Quanto à Finalidade - Diferencia-se conforme o maior interesse que se 
identifica na obrigação: 
 
- De Meio - Há maior interesse na conduta do devedor do que 
no resultado (ex.: obrigações de médicos e advogados); 
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15 
- De Resultado - Há maior interesse no resultado do que na 
conduta do devedor (ex.: contrato de transporte - arts. 734 e 
735 do CC); 
- De Garantia - Nesta obrigação, busca-se garantir prestações 
(ex.: fiança). 
 
Quanto aos Elementos Acidentais: 
 
- Condicional - Obrigação sujeita a condição. 
- Modal - Obrigação sujeita a um modo ou um encargo. 
- A termo - Obrigação sujeita a um prazo. 
 
Quanto à Pluralidade de Sujeitos (vários credores e devedores): 
 
- Divisível - A prestação pode ser dividida; 
- Indivisível - A prestação não pode ser dividida; 
- Solidária - A lei prevê a solidariedade entre os devedores ou 
credores. 
 
Quanto à Liquidez: 
 
- Líquida - É a obrigação definida na sua quantidade; 
- Ilíquida - É a obrigação que não está definida em sua 
quantidade. 
 
Entre Relações: 
 
- Acessória - A obrigação existe em decorrência de outra; 
- Principal - A obrigação existe independentemente de outra. 
 
ATENÇÃO! Há situações em que duas ou mais prestações podem estar envolvidas, o 
que a princípio dificultaria a classificação da obrigação. Pense na contratação de uma 
costureira para confecção do “vestido da posse”. O objeto mediato da prestação é o 
vestido, mas qual seria o objeto imediato? Fazer o vestido ou entregar o vestido? 
Nesses casos, identifica-se a obrigação principal (FAZER) e a acessória (ENTREGAR), 
conforme o critério da preponderância da atividade. 
 
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16 
ATENÇÃO! Em uma fase dissertativa, “use e abuse” do Código nesse tema. Note que 
há um tratamento bem didático dispensado à classificação, indicando em capítulos e 
seções cada tema, com tratamentos distintos de acordo com o tipo de prestação 
(ex.: obrigação de dar coisa certa X obrigação de restituir coisa certa – arts. 234 e ss. 
e 239 do CC). Utilize essa ferramenta em seu favor para demonstrar domínio dos 
conceitos. 
 
1.2.2.1. Obrigação de dar 
 
Pela dicção do Código Civil, a obrigação de dar se divide em “obrigação de dar 
coisa certa” e de “dar coisa incerta” (todas positivas). 
Em linhas gerais a obrigação de dar consiste na hipótese em que cabe ao 
devedor a entrega de coisa certa ou incerta ou, ainda, a restituição de coisa certa. 
 
a) Obrigação de dar coisa CERTA 
 
O art. 233 do CC, reforçando o princípio da gravitação jurídica, reafirma que o 
acessório segue o principal, como regra, permitindo que as partes convencionem o 
contrário. Assim, a obrigação de entregar a “coisa certa” abrangerá a obrigação de 
entregar os seus acessórios, incluídos os frutos e os produtos. 
Na obrigação ora estudada, sobreleva a importância do princípio da 
identidade física da obrigação, segundo o qual o “credor não é obrigado a receber 
prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa” (art. 313 do CC). É 
possível, porém, que o credor consinta em receber algo diverso, o que será uma 
modalidade especial de pagamento (dação em pagamento). 
O Código Civil estabelece tratamento distinto entre a obrigação de ENTREGAR 
coisa certa e a obrigação de RESTITUIR coisa certa, no intuito de regular as 
consequências da perda e deterioração da coisa (arts. 234 a 236 do CC; arts. 238 a 240 
do CC). 
Por RESTITUIR a coisa, entenda a hipótese em que o credor da obrigação é o 
proprietário do bem, cabendo ao devedor – que tem a posse – restituí-lo, a exemplo 
de um contrato de comodato, locação. Por outro lado, o contrato de compra e venda 
ilustra a obrigação de entregar. 
 
 
 
Coisa certa 
Entregar Ex.: compra 
e venda 
Restituir Ex.: 
comodato 
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17 
Consequências da perda/deterioração na obrigação de ENTREGAR COISA 
CERTA: 
 
 
 
Consequências da perda/deterioração na obrigação de RESTITUIR COISA 
CERTA: 
 
 
 
Por fim, convém pontuar o PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA ou SIMETRIA, 
previsto nos artigos 237 e 241-242 do CC, segundo o qual o devedor da obrigação 
poderá exigir o aumento do preço na obrigação de ENTREGAR coisa certa, caso 
Entregar coisa 
certa 
Perda 
Sem culpa Resolve-se a 
obrigação 
Com culpa 
Exigir o 
equivalente + 
perdas e danos 
Deterioração 
Sem culpa 
Resolver a 
obrigação OU 
OU aceitar a coisa 
com abatimento 
do preço 
Com culpa 
Exigir o 
equivalente + 
perdas e danos OU 
OU aceitar a coisa 
+ perdas e danos 
Restituir coisa 
Perda 
Sem culpa 
Sofre o credor a 
perda, resolvendo-
se a obrigação 
Com culpa Equivalente + 
perdas e danos 
Deterioração 
Sem culpa 
O credor receberá 
a coisa no estado, 
sem indenização 
Com culpa 
(Art. 240 CC) 
Equivalente + 
perdas e danos 
(Enun. 15 CJF) OU 
aceitar a coisa + 
perdas e danos 
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18 
ocorram “melhoramentos”, ou ser compensado por seu trabalho ou dispêndio na 
obrigação de RESTITUIR coisa certa. 
Pergunta: o que se entende por “melhoramentos”, previsto no art. 237 do 
CC? Segundo a doutrina, há que se analisar as circunstâncias do caso concreto com 
base na boa-fé objetiva. A hipótese de benfeitoria necessária ou até útil poderia 
justificar a indenização, mas a benfeitoria voluptuária, por seu turno, poderia 
identificar que o possuidor fez mais do que devia no caso concreto, afastando o direito 
de ser ressarcido das despesas. 
 
b) Obrigação de dar coisa INCERTA 
 
Aqui, a coisa devida não é individualizada, mas é determinável, devendo ser 
indicada pelo menos por gênero e quantidade (art. 243 e ss., do CC), restando a 
definição posterior de sua qualidade. 
Como visto nos estudos sobre os negócios jurídicos, é requisito de validade 
que o objeto seja DETERMINADO ou DETERMINÁVEL. A obrigação de dar coisa 
INCERTA envolve a indeterminabilidade relativa, preceituando o art. 243 do CC que a 
coisa será indicada ao menos pelo gênero e pela quantidade, elementos que 
permitirão a individualização da coisa. 
Segundo Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto, é 
necessário ter presente que a obrigação incerta: 
 
- Pode envolver coisa fungível ou mesmo infungível (a exemplo 
de uma escultura); 
- Não se confunde com a obrigação de entregar coisa futura, 
que se classifica como obrigação de entregarcoisa certa que 
ainda não existe ao tempo da pactuação; 
- Não se confunde com a obrigação alternativa, que apresenta 
duas ou mais prestações, “certas”, cabendo a uma das partes a 
escolha entre elas. 
 
A indeterminabilidade do objeto é relativa, o que significa dizer que, para o 
cumprimento da obrigação, necessário será determinar o objeto. A “escolha” do 
objeto recebe o nome de CONCENTRAÇÃO DA DÍVIDA, e uma vez escolhido, a 
obrigação passará a receber o tratamento da obrigação de entregar coisa certa. 
Pergunta: a partir de que momento a dívida se “concentra”? Nos termos do 
art. 245 do CC, com a “cientificação” do credor, ato que deverá ser provado pelo 
interessado. Mas qual a relevância disso? Somente quando cientificado o credor da 
escolha, é que poderá o devedor se valer do tratamento dado às obrigações de dar 
coisa certa, a exemplo da regra contida no art. 234 do CC (resolução da obrigação em 
caso de perda do objeto sem culpa do devedor). 
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19 
Por essa razão, não se especula sobre os efeitos da perda ou deterioração do 
objeto nas obrigações de dar coisa incerta, uma vez que genus non perit (o gênero 
nunca perece), só fazendo sentido essa especulação após a concentração. 
A quem cabe a escolha do objeto? Em regra, cabe ao devedor, nada 
impedindo, porém, que as partes convencionem que terceira pessoa faça a escolha. 
Caso o terceiro escolhido não faça a escolha, aplica-se o regramento do art. 252, 
parágrafo 4º, do CC, por analogia. 
Pergunta: a obrigação de dar DINHEIRO envolve coisa certa ou incerta? O 
enunciado 160 da CJF associa a obrigação de “creditar dinheiro” à obrigação 
pecuniária. A questão, porém, é polêmica e até desnecessária, na medida em que há 
regramento específico para o pagamento das obrigações pecuniárias no CC, na forma 
dos arts. 315 e ss. 
 
1.2.2.2. Obrigação de fazer 
 
Tem por objeto uma atividade humana (trabalho físico, intelectual ou ato 
jurídico). Consiste na realização de uma tarefa, trabalho ou manufatura. 
Fundamento legal - arts. 247 e ss. Do Código Civil. 
A obrigação de fazer consiste na hipótese em que o objeto mediato da 
prestação é a realização de uma atividade por parte do devedor. 
De acordo com o critério da fungibilidade, pode-se classificar as obrigações de 
fazer como infungíveis, quando dependerem das qualidades pessoais do devedor (ex.: 
aulão de véspera com o professor tal) ou fungíveis, quando puderem ser realizadas 
por terceiro (ex.: encadernação do material do MEGE). 
O Código Civil se limita a regular as hipóteses de inadimplemento da 
obrigação de fazer: 
 
 
 
Obrigação de 
fazer 
Infungível 
Recusa de 
prestação Perdas e danos 
Impossibilidade 
de prestar 
Sem culpa: 
resolve-se a 
obrigação 
Por culpa: 
perdas e danos 
Fungível 
Perdas e danos 
Ordenar que 
terceiro preste a 
obrigação 
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20 
ATENÇÃO! O art. 249 do CC trata da possibilidade de o credor ordenar que terceira 
pessoa preste a obrigação, ressalvando em seu parágrafo único que “em caso de 
urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou 
mandar executar o fato”. A regra, portanto, cria hipótese de autoexecutoriedade da 
obrigação em caso de urgência, ao contrário do caput, que pressupõe a autorização 
judicial. 
 
1.2.2.3. Obrigação de não fazer 
 
A obrigação de não fazer tem por objeto uma prestação negativa, um 
comportamento omissivo do devedor. Consiste na hipótese em que o devedor se 
compromete a abster-se de praticar, permitir que se pratique ou, ainda, a tolerar ato a 
que não estaria obrigado. Ao contrário das demais, trata-se de uma prestação 
negativa. 
É modalidade de obrigação negativa em que alguém se obriga a não fazer algo 
que poderia normalmente realizar se não fosse a obrigação assumida. Aliás, é a única 
obrigação negativa admitida no Direito Privado Brasileiro, tendo como objeto a 
abstenção de uma conduta. 
De acordo com a possibilidade de desfazimento, as obrigações de não fazer 
podem se apresentar como: 
 
- Instantâneas, que são aquelas que não admitem 
desfazimento; ou 
- Permanentes, que admitem o desfazimento. 
 
Em relação às permanentes, dispõe o art. 251 do CC de regra semelhante à 
contida no art. 249 do CC, permitindo que o credor da obrigação de não fazer exija o 
desfazimento do ato ou desfaça-o à sua custa, sendo ressarcido pelo devedor da 
obrigação. Também como no art. 249 do CC, o parágrafo único do art. 251 do CC prevê 
que em caso de urgência, não haverá necessidade de autorização judicial para ordenar 
o desfazimento. 
 
1.2.3. QUANTO À PLURALIDADE DE OBJETOS 
 
As obrigações alternativas ou disjuntivas (CC, art. 252) são obrigações 
compostas pela multiplicidade de objetos, nas quais o devedor somente necessita 
adimplir uma das prestações. A escolha cabe ao devedor, de ordinário, podendo recair 
sobre o credor ou ainda sobre terceiro. 
Também aqui se falará em concentração na hipótese em que a escolha da 
prestação for realizada, observada a regra do art. 253 do CC, segundo a qual, 
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21 
perecendo uma prestação e persistindo a prestação alternativa, subsistirá o débito em 
relação a esta. 
Seguindo regramento que já existia no Código de Processo Civil anterior, o art. 
800 do CPC/15 regulamenta a forma judicial de se forçar a concentração do débito. 
Os artigos 254 e 255 do CC tratam da responsabilização do devedor em caso 
de perda do objeto, conforme a escolha caiba ao devedor (ou terceiro) ou ao credor. 
Se a perda for parcial, a obrigação será adimplida com a obrigação remanescente, que 
poderá ser exigida pelo credor. 
Nos termos do art. 256 do CC, na impossibilidade de todas as obrigações, não 
havendo culpa do devedor, resolve-se a obrigação. Em caso de culpa, se a escolha 
caberia ao devedor, haverá de adimplir ao credor o valor equivalente da prestação que 
por último se impossibilitou, mais perdas e danos; se a escolha cabia ao credor, este 
poderá exigir o valor de quaisquer das prestações impossibilitadas, mais perdas e 
danos. 
 
ATENÇÃO! Não confundir as obrigações alternativas com as demais hipóteses em 
que há pluralidade de objetos na prestação. 
 
Já as obrigações facultativas tratam da hipótese em que é conferida ao 
devedor a possibilidade de substituir o objeto da prestação quando do seu 
cumprimento por outro, também previsto no título que constitui a obrigação. Vale 
dizer, há uma única prestação definida (obrigação simples), cabendo ao devedor a 
faculdade de substituí-la por outra. 
Exemplo: A deve entregar moto a B, podendo entregar carro no lugar da 
moto. 
Há ainda as obrigações cumulativas, nas quais o devedor se obriga a mais de 
uma prestação, só se exonerando do vínculo com o cumprimento de todas as 
obrigações acertadas. Exemplo: A deve entregar carro e moto a B. 
 
 
 
Obrigações 
Alternativas A ou B ou C 
Facultativas A, podendo 
ser B 
Cumulativas A + B 
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22 
1.2.4. QUANTO À PLURALIDADE DE SUJEITOS 
1.2.4.1. Obrigações divisíveis e indivisíveis 
 
A divisibilidade resulta da possibilidade de um bem ser dividido sem prejuízode sua qualidade ou utilidade, isto é, o bem mantém as características do todo, 
embora em menor proporção. 
O CC, em seu artigo 258, traça o conceito legal de “indivisibilidade” nos 
seguintes termos: “A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma 
coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem 
econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico”. 
Assim, seja pela natureza, seja por motivo de ordem econômica ou por razão 
determinante do negócio jurídico, excepcionalmente, a obrigação será considerada 
indivisível. A presunção legal, instituída no art. 257 do CC, é a de divisibilidade do 
objeto. 
O dispositivo deixa claro que a especulação sobre a divisibilidade ou não da 
obrigação só tem sentido quando se estiver diante da pluralidade de partes (“havendo 
mais de um...”). Isto porque, havendo apenas um credor ou devedor, este será sempre 
obrigado a arcar ou aquele será sempre habilitado a receber a totalidade da dívida, 
nos termos do art. 314 do CC. 
Os artigos 259 a 262 do CC trazem regras sobre a exigibilidade das obrigações 
indivisíveis de acordo com o polo obrigacional em que se localiza a pluralidade de 
partes: 
 
- PLURALIDADE DE DEVEDORES: 
- Sendo indivisível o objeto, cada um dos devedores poderá ser 
obrigado pela dívida toda (art. 259, caput); 
- Aquele que paga a dívida indivisível se sub-roga nos direitos 
do credor em relação aos demais (art. 259, p. ú.); 
- PLURALIDADE DE CREDORES: 
- Sendo indivisível o objeto, cada um dos credores poderá exigir 
a dívida inteira, desobrigando-se os devedores se: (i) pagarem a 
todos os credores conjuntamente; ou (ii) exigirem caução de 
ratificação (art. 260). ATENÇÃO: é direito do devedor exigir a 
caução de ratificação, sob pena de poder responder pela 
dívida junto aos demais credores da obrigação; 
- Se um dos credores receber a prestação por inteiro, 
responderá perante os demais pelo quinhão de cada qual (art. 
261); 
- Se um dos credores perdoar a dívida, permanece a obrigação 
quanto aos demais, que poderão exigir do devedor o restante 
(art. 262). 
 
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Importante: sub-rogar-se nos direitos (art. 259, p.ú.) significa transferir ao 
devedor que arcar com a dívida todas as ações e privilégios do credor original. Na 
hipótese de sub-rogação, até mesmo a “condição de consumidor” pode ser 
aproveitada, conforme entendimento do STJ (REsp. 1.321.739). 
Por fim, o art. 263 do CC dispõe sobre a perda da qualidade de indivisível da 
obrigação que se resolver em perdas e danos. Vale dizer, ainda que as partes 
estabeleçam a indivisibilidade da obrigação, caso seja impossível o seu cumprimento e 
haja a conversão em perdas e danos, esta última será divisível. 
O mesmo dispositivo estabelece as consequências da perda da indivisibilidade 
de acordo com a culpa dos devedores em redação que pode deixar dúvidas ao 
intérprete. Na linha do Enunciado 540 do CJF, a melhor exegese é a de que todos os 
devedores respondem pelo equivalente da obrigação, mas só o culpado deverá arcar 
com as perdas e danos. 
Ressalte-se que um dos pontos distintivos entre a indivisibilidade e a 
solidariedade é justamente a manutenção ou não destas qualidades em caso de 
conversão da obrigação em perdas e danos. Enquanto a indivisibilidade se extingue, a 
solidariedade permanece, na forma do art. 271 do CC. 
 
1.2.4.2. Obrigações solidárias 
A) Regras gerais sobre a solidariedade 
 
Ocorre solidariedade quando, na mesma obrigação, concorre mais de um 
credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. 
Na solidariedade, cada devedor é visto como todos os devedores e cada 
credor é visto como todos os credores (aspecto externo). Porém, dentro das relações 
entre os devedores ou credores, existem obrigações recíprocas referentes ao crédito 
ou à dívida (cada um têm direitos ou obrigações específicas). Existe uma pluralidade 
subjetiva (sujeitos) e uma unidade objetiva (objeto). 
O conceito de solidariedade (para nossa alegria) é fixado em lei: 
 
CC - Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação 
concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um 
com direito, ou obrigado, à dívida toda. 
 
Pontos relevantes a destacar a partir do conceito: 
 
- Mesma obrigação – não há vários vínculos entre as partes, 
mas uma obrigação; 
- Mais de um credor ou devedor – a solidariedade poderá ser 
ativa, passiva ou mista (pluralidade de partes em ambos os 
polos); 
CPF: 860.542.154-18
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- Dívida toda – é possível exigir ou ser forçado a pagar a 
integralidade da dívida. 
 
Nos termos do artigo 265 do CC, a solidariedade NÃO SE PRESUME, sendo 
resultado da lei ou da vontade das partes. Exemplo de solidariedade legal temos no 
artigo 942 do CC. 
Assim, a solidariedade está sempre prevista na lei ou no contrato. Nunca 
pode ser presumida. Art. 265 do CC. 
Note que continua vigente a regra pela qual a solidariedade contratual não 
pode ser presumida, devendo resultar da lei (solidariedade legal) ou da vontade das 
partes (solidariedade convencional). 
O art. 266 do CC traz regra interessante, considerando que mesmo admitida a 
unidade do vínculo, podendo cada um dos co-devedores responder pela dívida toda ou 
cada um dos co-credores exigir a dívida toda, é possível que sejam reconhecidos 
efeitos distintos entre as obrigações. 
 
ATENÇÃO! Há discussão doutrinária sobre a natureza do vínculo que une credores e 
devedores. Para os pluralistas, há vários vínculos independentes, sendo várias as 
obrigações envolvidas na relação, ao passo que para os unitaristas, há um único 
vínculo entre as partes, sendo esta última majoritária. 
 
B) Solidariedade ativa 
 
A solidariedade ativa consiste na hipótese em que qualquer dos credores 
poderá exigir a dívida toda (Art. 267 do CC). É a solidariedade referente ao crédito. 
Peculiaridades: 
 
- Até que o devedor seja demandado ao pagamento, poderá 
pagar a qualquer dos credores, mas uma vez provocado 
judicialmente a pagar, somente se exonera pagando àquele 
que demandou (art. 268 CC) – aqui difere das obrigações 
indivisíveis, na forma do art. 260 CC, na medida em que 
naquelas o devedor deve pagar a todos conjuntamente ou 
exigir caução da ratificação para que possa se exonerar. Então, 
grave que a solidariedade ativa é mais “cômoda” para o 
devedor nesse aspecto, pois se exonera mesmo sem caução de 
ratificação; 
- É possível que se dê o pagamento parcial da dívida, 
extinguindo-se a dívida proporcionalmente ao pagamento 
realizado (art. 269 CC); 
- A morte extingue a solidariedade ao passo que a conversão da 
obrigação em perdas e danos mantém a solidariedade (arts. 
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25 
270 e 271 do CC) – outra diferença para a indivisibilidade, que 
não se extingue com a morte (já que a obrigação continua 
indivisível), mas se extingue com a conversão em perdas e 
danos (art. 263 CC). 
 
O art. 273 do CC dispõe sobre a limitação do credor em opor exceções aos 
demais credores. Com efeito, por se tratar de exceção pessoal, somente o credor com 
quem possui relação será afetado com a exceção. 
Por fim, o art. 274 do CC, com redação determinada pelo Novo CPC, dispõe 
sobre a coisa julgada secundum eventum litis, determinando que o julgamento 
FAVORÁVEL aproveita os demais credores, ao passo que o DESFAVORÁVELnão os 
atinge. 
 
C) Solidariedade passiva 
 
ATENÇÃO! Tema importantíssimo. Despenca em provas. 
 
A solidariedade passiva permite que o credor possa exigir a dívida de qualquer 
dos devedores. Se o pagamento for parcial, todos continuam responsáveis 
solidariamente pelo restante - Art. 275 do CC. 
O art. 275 do CC aponta o conceito legal de solidariedade passiva, destacando 
a possibilidade de cobrança do total da dívida de um ou mais devedores e, ainda, 
advertindo que a aceitação do pagamento parcial não induz à presunção de renúncia à 
solidariedade do devedor que fez o pagamento, consoante proposta do enunciado 348 
do CJF. 
Como pontuado em relação à solidariedade ativa, a morte de um dos 
devedores extingue a solidariedade, só respondendo o herdeiro pelo seu quinhão, 
salvo indivisibilidade da dívida. Porém, há a ressalva de que “todos reunidos serão 
considerados como um devedor solidário em relação aos demais”, hipótese, por 
exemplo, do art. 283 do CC, em que podem vir a dividir a cota do devedor insolvente, 
sempre respeitado o limite da herança. O entendimento, entretanto, não é pacífico! 
Os artigos 279 e 280 do CC disciplinam a responsabilidade dos devedores pelo 
descumprimento da obrigação. Tratando-se de descumprimento culposo, os 
devedores solidários deverão arcar com o equivalente da obrigação (solidariamente), 
respondendo apenas o culpado pelas perdas e danos. 
Em caso de mora ocasionada pela inércia de apenas um dos devedores 
(suponha que somente um tenha sido acionado e não pague), todos pagarão pelos 
juros, mas somente o culpado responderá pelo que for acrescido (na relação interna). 
O artigo 282 do CC regulamenta a renúncia à solidariedade, tema que sempre 
é cobrado em provas. Em linha de princípio, a renúncia pode se dar em relação a um 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
26 
ou mais devedores (caput), mantendo-se a solidariedade em relação aos demais 
(parágrafo único). 
Em caso de renúncia à solidariedade, consoante entendimento do CJF, o 
beneficiado pelo ato só poderá ser cobrado pela sua quota-parte, mantida a 
solidariedade entre os demais em relação ao restante da dívida (atenção: a quota-
parte do beneficiado pela renúncia é retirada do valor devido solidariamente). 
O art. 283 do CC trata da hipótese em que um dos devedores solidários é 
demandado e arca com a totalidade da dívida, hipótese em que poderá reaver dos 
demais a respectiva quota-parte e ainda repartir entre os demais devedores solidários 
a eventual quota-parte dos devedores insolventes, obrigação pela qual respondem 
mesmo aqueles em relação aos quais o credor renunciou à solidariedade (art. 284 do 
CC). 
Por outro lado, o Enunciado 350 da CJF esclarece que em caso de perdão da 
dívida (remissão), o devedor ficará inteiramente desobrigado do vínculo, sequer 
contribuindo no caso de rateio. 
O artigo 285 do CC estabelece um “fim” às sucessivas ações regressivas. Pelo 
que analisamos até então, aquele que é demandado pela totalidade da dívida pode 
reaver o que pagou dos demais, de acordo com o quinhão de cada qual. Pode ser o 
caso, porém, que apesar da solidariedade passiva, a dívida interesse a apenas um dos 
devedores (imagine o fiador e o afiançado como devedores solidários). 
Por certo que se o pagamento for feito por aquele a quem a dívida interessa 
exclusivamente (o afiançado), não faz sentido pensar em ação regressiva em relação 
ao codevedor solidário. 
 
D) Obrigações in solidum 
 
Não se podem confundir o conceito de obrigações solidárias com obrigações 
in solidum, que se manifestam quando, em razão do mesmo fato, mas por vínculos 
jurídicos distintos, duas pessoas podem vir a responder pela integralidade da dívida, 
sem que haja solidariedade entre elas. 
Exemplo clássico: contrato de seguro e acidente de trânsito. O segurado pode 
acionar o causador do acidente, a seguradora ou os dois, solidariamente, para 
responderem pela totalidade dos prejuízos experimentados. O causador do acidente 
responde pelo ilícito, ao passo que a seguradora responde em razão do risco assumido 
contratualmente. 
 
1.2.5. QUANTO AO CONTEÚDO 
 
A classificação a seguir não consta no Código Civil, mas em razão da sua alta 
incidência em provas, convém abordarmos o tema. 
 
1.2.5.1. Obrigações de meio e de resultado 
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Na obrigação de meio, o devedor se compromete a atuar com diligência na 
tentativa de obter o resultado; não garante o resultado, mas fará o possível para obtê-
lo. Exemplo: obrigação do advogado; cirurgia plástica reparadora. 
Já na obrigação de resultado, o devedor se compromete a um resultado 
determinado, respondendo pelo seu insucesso. Exemplo tradicional: obrigação do 
dentista em tratamento estético. 
A distinção prática entre as duas figuras reside na distribuição do ônus 
probatório, como salientam Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Braga Netto: 
“Na obrigação de meio o credor deverá comprovar que o devedor falhou ao não agir 
com o grau de diligência pertinente, já na obrigação de resultado, incumbe ao devedor 
afastar a sua culpa e demonstrar a existência de uma causa diversa que frustrou o 
resultado comprometido, invertendo-se então o ônus probatório”. 
Ressalte-se, porém, que a doutrina moderna e mesmo a jurisprudência têm 
cada vez mais se afastado da referida classificação, notadamente em cirurgias 
estéticas. É que mesmo numa simples cirurgia estética não há como garantir o 
resultado com absoluta precisão. As condições médicas do paciente podem impedir a 
obtenção do resultado, sem o que o cirurgião plástico pudesse antever a ocorrência 
desses fatores. 
Assim, o foco atual se dá na boa-fé objetiva e no atendimento aos deveres 
que dela derivam, notadamente, os deveres de informação ao paciente. 
De qualquer forma, a posição segura para concursos públicos é a de que em 
caso de cirurgia estética há responsabilidade subjetiva, com presunção de culpa (REsp. 
985.888/SP). 
 
1.2.5.2. Obrigações de garantia 
 
Ao lado das obrigações de meio e resultado, a doutrina elenca a obrigação de 
garantia, que tem por finalidade eliminar os riscos de determinada atividade, 
assumindo a obrigação de reparar os danos eventualmente causados com a ocorrência 
do sinistro, a exemplo dos contratos de seguro. 
 
1.3. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES 
 
As obrigações têm caráter dinâmico de circulação, cabendo a transmissão das 
condições de sujeitos ativos e passivos da estrutura obrigacional. Sob tal aspecto, a 
transmissão das obrigações deve ser encarada diante dos princípios sociais 
obrigacionais e contratuais, particularmente a boa-fé objetiva e a função social. 
A cessão, em sentido amplo, pode ser conceituada como a transferência 
negocial, a título oneroso ou gratuito, de uma posição na relação jurídica obrigacional, 
tendo como objeto um direito ou um dever, com todas as características previstas 
antes da transmissão. 
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Destacaremos os principais aspectos da cessão de crédito, assunção de dívida 
e cessão de contrato, ressaltando a importância de fazer a leitura atenta dos 
dispositivos legais. 
 
1.3.1. CESSÃO DE CRÉDITO 
 
Na cessão de crédito, transmite-se o crédito de um sujeito a outro. Ocorre 
uma substituição do credor, sem uma alteração da prestação. 
Trata-se da hipótese em que um credor (CEDENTE) transfere seus direitos 
obrigacionaisà terceira pessoa (CESSIONÁRIO) estranha à relação jurídica, que passa a 
ter legitimidade para exigir a prestação do devedor original (CEDIDO), 
independentemente da vontade deste último. 
Pode resultar de um negócio jurídico, da lei ou de uma decisão judicial. Assim, 
será denominada negocial, legal (ex.: endosso póstumo) ou judicial. 
Disciplinando a possibilidade, como regra, da cessão de crédito, o art. 286 do 
CC destaca que pode haver limitação em razão da natureza da obrigação, de imposição 
legal ou ainda decorrente de convenção entre as partes, o que não vincula o 
cessionário de boa-fé se não estiver previsto no instrumento. 
Os artigos 288, 290, 292 e 293 do CC tratam dos efeitos da cessão e das 
formalidades a serem seguidas: 
 
i) para que seja eficaz perante terceiros, há que se observar as 
formalidades contidas no art. 288; 
ii) não se exige a anuência do cedido, mas para que a cessão de 
crédito vincule o devedor é necessária a sua notificação, nos 
termos do art. 289; 
iii) até a sua notificação, o devedor se desonera pagando ao 
credor original, e havendo mais de uma notificação de cessão, 
o devedor se desonera pagando ao cessionário que lhe 
apresentar o título, na forma do art. 292, salvo se o crédito 
constar de escritura pública, valendo a prioridade da 
notificação; e 
iv) ainda que não tenha havido a notificação, o cessionário 
pode defender o seu direito, valendo-se, por exemplo, de 
medidas judiciais para garantir o cumprimento da obrigação. 
 
Os artigos 295 a 297 do CC tratam da responsabilidade do cedente. Como 
regra, a cessão tem natureza pro soluto, vale dizer, o cedente só responde pela 
existência e transmissibilidade do crédito, e não pela solvência do credor (obrigação 
que teria natureza pro solvendo – para gravar: “SÓ-VENDO o pagamento há 
exoneração”). Por transmissibilidade quer se apontar que não basta que a dívida 
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exista, mas também que a cessão seja efetiva (de nada adiantaria, por exemplo, a 
cessão de um crédito prescrito, salvo, claro, se houvesse a anuência do cessionário). 
A parte final do art. 295 do CC ressalta que em caso de cessão gratuita, o que 
se enquadraria como hipótese de doação, o cedente somente seria responsável pela 
existência do crédito se tivesse agido de má-fé. Afinal, não teria sentido a 
responsabilização daquele que atua com liberalidade e de boa-fé pela inexistência do 
título que supunha ser verdadeiro. 
Excepcionalmente, seria possível prever a responsabilização pela insolvência 
do devedor, hipótese em que o cedente ressarcirá não apenas o valor da obrigação, 
como também as despesas de cobrança que o cessionário tiver. 
Crédito Penhorado - art. 298 do CC - O crédito, uma vez penhorado, não pode 
mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor 
que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o 
credor os direitos de terceiro. 
 
1.3.2. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA 
 
ATENÇÃO! Tema importante, bem comum em provas. 
 
A cessão de débito ou assunção de dívida consiste em um negócio jurídico por 
meio do qual o devedor, com o expresso consentimento do credor, transmite a um 
terceiro a sua obrigação. Cuida-se de uma transferência debitória, com mudança 
subjetiva na relação obrigacional. 
Cuida-se da transmissão da obrigação em que o adquirente se coloca no lugar 
do antigo devedor. Para o credor, a troca é extremamente relevante por conta da 
troca do patrimônio responsável pelo pagamento da dívida. 
Seu conceito pode ser retirado também do art. 299 do CC/2002, pelo qual “é 
facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso 
do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da 
assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. Prevê o parágrafo único desse 
dispositivo que “qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta 
na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa”. Na assunção de 
dívida, portanto, quem cala, não consente. 
Requisitos da Assunção de Dívida (art. 299 do CC): 
 
i) Consentimento expresso do credor; e 
ii) Existência e validade da obrigação transferida. 
 
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30 
Recusa Tácita da Assunção - Parágrafo único - Qualquer das partes pode 
assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o 
seu silêncio como recusa. 
Insolvência do Terceiro que Assume a Dívida - No caso do assuntor, ao tempo 
da assunção, não possuir patrimônio para cobrir a dívida, sem conhecimento do 
credor, o devedor primitivo responde subsidiariamente pela dívida. 
 
Enunciado 16 do CJF - O art. 299 do Código Civil não exclui a 
possibilidade da assunção cumulativa da dívida quando dois ou 
mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a 
concordância do credor. 
 
Classificação da Assunção: 
 
Por delegação - Refere-se à assunção de dívida em que o 
devedor delega ao assuntor a obrigação de pagar a dívida. 
Nesse caso, deve haver a anuência do credor; 
Por expromissão - Relação jurídica que se dá diretamente entre 
o credor e assuntor, ou seja, o credor procura o assuntor para 
assumir a dívida. Nesse caso, deve haver a anuência do 
devedor. Essa anuência não necessariamente precisa ser 
expressa, pode ser tácita. Assim, o silêncio não 
necessariamente significa a recusa, como no caso da anuência 
do credor. 
 
Espécies de Assunção: 
 
Assunção Liberatória - Libera, dispensa o devedor primitivo do 
pagamento da dívida. Ocorre sempre que o devedor 
substituído não for insolvente, ou, sendo, o fato for do 
conhecimento do credor (art. 299 do CC). 
Assunção Cumulativa - Nesse caso, não ocorre a dispensa do 
devedor primitivo. Ocorre um aumento no número de 
devedores. Não é disciplinada especificamente pelo CC 
(disciplina resolvida pela autonomia privada e pelos 
dispositivos referentes às obrigações solidárias). 
 
Objeto - Todas as dívidas podem ser objeto da assunção de dívidas, com 
exceção daquelas que, por seu conteúdo, devam ser cumpridas pessoalmente pelo 
devedor, ou sua transferência seja vedada pela lei. 
Efeitos da Assunção de Dívida: 
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31 
 
i) Exoneração do devedor primitivo - Com a assunção de 
dívida, em regra, o devedor primitivo deixa de ser obrigado. 
Contudo, no caso da insolvência do novo devedor 
desconhecida pelo credor, haverá responsabilidade subsidiária 
do devedor primitivo. 
ii) Extinção das garantias da dívida original, salvo 
assentimento do devedor primitivo - art. 300 do CC - Salvo 
assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se 
extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais 
por ele originariamente dadas ao credor. 
 
Também ocorre a exoneração de terceiros que tenham dado garantias para a 
obrigação do devedor primitivo, salvo se houver anuência expressa destes. 
O fiador continua exonerado mesmo no caso da insolvência do assuntor, 
desde que haja desconhecimento do fiador dessa situação (art. 301 do CC). 
Anulação da Assunção de Dívida - art. 301 do CC - Se a substituição do 
devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, exceto 
as garantias prestadas por terceiros, salvo se estes conheciam o vício que inquinava a 
obrigação. 
Impossibilidade de Oposição de Exceções Pessoais - art.302 do CC - O novo 
devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor 
primitivo. 
Dispensa da Anuência do Credor na Assunção de Dívida Referente ao Imóvel 
Hipotecado - art. 303 do CC - O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu 
cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em 
trinta (30) dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. 
Segundo a doutrina, esta regra só se aplica quando o negócio principal é a 
compra de um imóvel hipotecado. 
 
Enunciado 353 do CJF - A recusa do credor, quando notificado 
pelo adquirente de imóvel hipotecado, comunicando-lhe o 
interesse em assumir a obrigação, deve ser justificada. 
 
1.3.3. CESSÃO DE CONTRATO 
 
A cessão de contrato não está prevista expressamente no CC, mas é figura 
aceita na jurisprudência. Ao contrário das espécies anteriores, em que há manutenção 
da estrutura obrigacional com alteração de uma das partes, na cessão de contrato se 
opera a transferência da posição contratual ocupada pelo cedente, o que exige a 
anuência expressa da parte contrária. Como explica Silvio Venosa: 
 
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“(...) ao transferir a posição contratual, há um complexo de 
relações que se transfere: débitos, créditos, acessórios, 
prestações em favor de terceiros, deveres de abstenção etc. Na 
transferência da posição contratual, portanto, há cessões de 
crédito (ou podem haver) e assunções de dívida, não como 
parte fulcral do negócio, mas como elemento integrante do 
próprio negócio”. 
 
Diferentemente do que ocorre na cessão de crédito ou de débito, neste caso, 
o cedente transfere a sua própria posição contratual (compreendendo créditos e 
débitos) a um terceiro (cessionário), que passará a substituí-lo na relação jurídica 
originária. 
Advertem Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona que a cessão de contrato deve 
observar os seguintes requisitos: 
 
a) celebração de negócio jurídico entre cedente e cessionário; 
b) cessão global do contrato; 
c) anuência expressa da outra parte. 
 
1.4. DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES 
 
A extinção das obrigações pode ser dividida em três partes: 
 
I) Extinção normal: pagamento ou execução voluntária. 
II) Formas especiais de extinção: 
a) Com pagamento: consignação em pagamento, pagamento 
em sub-rogação, imputação do pagamento, compensação e 
dação em pagamento. 
b) Sem pagamento: novação, confusão e remissão. 
III) Extinção anormal: inadimplemento. 
 
Duas teorias são analisadas para estudar todas as formas de extinção das 
obrigações: a Teoria do Adimplemento, que abrange o pagamento e as formas 
especiais de extinção, e a Teoria do Inadimplemento, que contempla a extinção 
anormal. 
 
1.4.1. TEORIA DO ADIMPLEMENTO 
1.4.1.1. Pagamento 
 
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O pagamento é forma normal de extinção das obrigações, podendo se dar de 
modo direto ou indireto. 
 
1.4.1.1.1. Pagamento direto 
 
É o cumprimento normal de uma obrigação, o cumprimento espontâneo. 
Pode ocorrer de forma instantânea ou imediata, de forma continuada ou de forma 
diferida no tempo. 
Em regra, o pagamento tem como efeito ordinário a extinção da obrigação, 
sendo a realização do pagamento um direito do devedor a fim de exonerar-se da 
obrigação, motivo pelo qual, ao pagar, o devedor poderá exigir a quitação que o 
exonera. 
Havendo injusta recusa do credor em receber, o devedor ou terceiro 
juridicamente interessado poderá ajuizar ação de consignação em pagamento. 
Cumpridos os requisitos legais, o depósito produzirá efeito de pagamento. 
Discussão doutrinária se instaura em relação à natureza jurídica do 
“pagamento”, entendendo alguns tratar-se de ato jurídico em sentido estrito, negócio 
jurídico (Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona destacando a controvérsia) ou mesmo ato-
fato jurídico (Cristiano Chaves, Nelson Rosenvald e Felipe Netto, por entenderem que 
a análise do ato não se prende propriamente à vontade de realizá-lo), não havendo 
consenso doutrinário. 
O que se pode utilizar como parâmetro é que não se analisa a VALIDADE OU 
INVALIDADE do pagamento, nos termos do Enunciado 425 do CJF, mas sim sua 
EFICÁCIA em relação ao devedor. Isto porque o pagamento situa-se no terceiro nível 
da Escada Ponteana (Planos da Existência, Validade, Eficácia). 
 
A. Quem paga? 
 
Nas obrigações personalíssimas, somente o devedor poderá realizar o 
pagamento, ao passo que, nas obrigações fungíveis, o pagamento poderá ser realizado 
pelo devedor ou por terceiro, que poderá ser terceiro interessado (Ex.: fiador) ou não 
interessado (Ex.: pai que paga dívida do filho, movido por interesse moral, mas não 
jurídico). 
Havendo pagamento por terceiro interessado, opera-se a sub-rogação no 
polo ativo, pois o terceiro substitui o credor com os mesmos direitos e garantias. 
Nesse caso, não há extinção da dívida para o devedor, apenas para o credor. A 
anuência do credor não é necessária, pois os efeitos do pagamento decorrem da lei. 
Para que o pagamento seja realizado por terceiro não interessado, em nome 
próprio, é necessário o consentimento do devedor e, havendo oposição do credor, não 
caberá a ação consignatória de pagamento. Realizado o pagamento, o terceiro terá 
direito ao reembolso. 
CPF: 860.542.154-18
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34 
Caso o pagamento seja realizado por terceiro não interessado, em nome do 
devedor, não é necessário consentimento. Há divergência, porém, quanto aos efeitos. 
Para uma primeira corrente, o terceiro teria direito ao reembolso, pois o pagamento 
não poderia ser presumido como ato de mera liberalidade (liberalidade não se 
presume). Uma segunda corrente, no entanto, entende que o terceiro agiria como 
representante do devedor, não sendo cabível ação de reembolso. 
 
ATENÇÃO! Não se confunde o pagamento realizado por terceiro com a assunção de 
dívida, pois, nesta, a dívida não é extinta, ao passo que com o pagamento, haverá 
extinção da obrigação. 
 
B. A quem se paga? 
 
Em regra, o pagamento deve ser feito ao credor ou ao seu representante com 
poderes para receber e dar quitação. Caso contrário, o pagamento não é eficaz! 
 
Art. 308 do CC - O pagamento deve ser feito ao credor ou a 
quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de 
por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. 
 
A prova de que o pagamento “chegou” (beneficiou) ao credor, conforme o 
dispositivo legal, também exonera a dívida. 
Se o pagamento não for feito ao credor ou seu representante, o devedor 
deverá buscar a ratificação do credor ou provar que o pagamento foi revertido em seu 
benefício. 
Há, ainda, a hipótese em que o pagamento é feito a credor putativo, também 
chamado de credor imaginário ou aparente (CC, art. 309), ou seja, àquele que 
aparenta ser o credor, mas não é. 
O pagamento realizado a credor putativo é considerado válido, em respeito à 
Teoria da Aparência e ao Princípio da Confiança (eticidade e socialidade). 
Pagamento ao Incapaz de Quitar - art. 310 do CC - Não vale o pagamento 
cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em 
benefício dele efetivamente reverteu. 
O artigo não faz distinção entre absolutamente e relativamente incapaz. 
Todavia, entende-se que se aplica ao relativamente incapaz, pois o absolutamente 
incapaz não pode confirmar o pagamento. O relativamente incapaz, porseu turno, 
pode confirmar o pagamento quando cessar a incapacidade. 
Se o pagamento for feito sem a ciência da incapacidade, aplicam-se os artigos 
172 e 180 do CC. Para o absolutamente incapaz, a ciência é indiferente. Contudo, se o 
relativamente incapaz declara que é capaz, o pagamento é válido. 
CPF: 860.542.154-18
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Mandato Tácito - art. 311 do CC - Considera-se autorizado a receber o 
pagamento o portador da quitação, salvo se as circunstâncias contrariarem a 
presunção daí resultante. 
Pagamento Inválido do Crédito Penhorado - art. 312 do CC - Se o devedor 
pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, ou da 
impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra estes, que 
poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o regresso 
contra o credor. 
 
C. Local e Tempo do Pagamento 
 
O pagamento deve ser feito no tempo, lugar e forma convencionados pelas 
partes, a fim de que produza efeitos. 
Em regra, o lugar do pagamento é o domicílio do devedor (in dubio pro 
solvens). Assim, o credor deve buscar o pagamento (obrigação quesível ou querable). 
Neste caso, não basta o vencimento para se presumir o devedor em mora; é 
necessário, também, que o credor prove que compareceu ao domicílio do devedor 
com o intuito de receber a prestação. 
As partes, porém, podem convencionar de forma diversa, estabelecendo 
outro local para pagamento, quando o devedor deverá portar a prestação até o local 
consignado para pagamento (obrigação portável ou portable). Nesse caso, o 
vencimento da obrigação será suficiente para criar a presunção de mora do devedor. 
Quanto ao tempo do pagamento, nas obrigações positivas, líquidas e sem 
termo, a exigibilidade é imediata, ou seja, no momento em que nasce a obrigação esta 
já pode ser exigida. Não obstante, a mora dependerá da prévia constituição do 
devedor por interpelação judicial ou extrajudicial realizada pelo credor (mora ex 
persona), motivo pelo qual, sendo a obrigação contratual, o termo inicial para 
incidência de juros será a data da citação do devedor. 
Sendo a obrigação positiva, líquida e com termo de vencimento, a 
exigibilidade se dá a partir do vencimento. Não há necessidade de interpelação para 
que o devedor seja constituído em mora, pois o termo previsto no contrato é 
suficiente para interpelar o devedor. Em decorrência, nas obrigações contratuais, os 
juros de mora incidirão desde o vencimento. 
Nas obrigações condicionais, a exigibilidade incidirá a partir do implemento da 
condição, estando o devedor em mora no momento em que tiver ciência inequívoca 
do implemento da condição. Não havendo outra previsão, em se tratando de 
obrigação contratual, os juros de mora incidirão desde a citação. 
Nas obrigações ilíquidas, ainda que estas sejam exigíveis, o devedor só estará 
em mora depois de interpelado pelo credor para que dê liquidez à prestação. 
Nas obrigações provenientes de ato ilícito, em que há dever de indenizar 
(arts. 186 e 187 c/c 927 do CC), o descumprimento se configura desde o dia em que se 
configurou o ato. 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
36 
D. Do objeto do pagamento e sua prova 
 
O artigo 313 do CC dispõe sobre o princípio da identidade ou 
correspondência do pagamento, não podendo o credor ser obrigado a receber, 
quantitativa ou qualitativamente fora do pactuado. 
Já o artigo 315 do CC aponta o princípio do nominalismo monetário, 
garantindo que o valor nominal da dívida de dinheiro pactuada entre as partes 
permaneça o mesmo até o termo fixado para cumprimento da obrigação 
Por sua vez, afastando o nominalismo, o art. 316 permite que as partes 
adotem “escala móvel”, visando à preservação do valor efetivo do dinheiro e evitando 
o fenômeno descrito anteriormente. 
O artigo 317 do CC, retratando a teoria da imprevisão aplicada às obrigações, 
permite a revisão judicial do valor da prestação quando houver desproporção 
manifesta entre o valor pactuado e o valor a pagar. 
Os artigos 319 a 326 do CC tratam da quitação e da prova do ato, cabendo 
destacar o seguinte: 
Na sistemática do Direito Civil (art. 322), a quitação da última parcela faz 
presumir a quitação das anteriores; regime diferente do direito tributário, expresso no 
art.158 do CTN; 
A entrega do título firma a presunção de pagamento (art. 324), tendo a lei 
fixado o prazo decadencial de 60 dias para que o credor afaste a referida presunção; 
Ao devedor se presumem devidas as despesas com o pagamento e quitação 
(art. 325), salvo se acarretadas por ato do credor. 
 
1.4.1.1.2. Formas especiais de extinção ou pagamento indireto 
A. Consignação em pagamento 
 
Consiste no depósito judicial ou extrajudicial da coisa devida, que pode ser 
manejado frente ao obstáculo imposto pelo credor ao recebimento da prestação. 
 
Art. 334 do CC - Considera-se pagamento, e extingue a 
obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário 
da coisa devida, nos casos e formas legais. 
 
O que pode ser objeto de consignação? O art. 334 do CC aponta o depósito 
judicial ou em estabelecimento bancário de COISA devida. Assim, somente a obrigação 
de dar coisa certa ou incerta (observado o art. 342 do CC, caso a escolha caiba ao 
credor) é passível de consignação. 
A consignação tem o efeito imediato de fazer cessar para o depositante os 
juros e os riscos, o que se afasta em caso de improcedência da demanda consignatória 
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37 
(art. 337 do CC). As hipóteses de consignação em pagamento estão descritas no art. 
335 do CC, a saber: 
 
Art. 335. A consignação tem lugar: 
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber 
o pagamento, ou dar quitação na devida forma; 
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, 
tempo e condição devidos; 
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, 
declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso 
perigoso ou difícil; 
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber 
o objeto do pagamento; 
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento. 
 
Os artigos 338 e 339 do CC cuidam da pretensão de levantamento do 
montante pelo depositante: até que o credor aceite o depósito ou o impugne, poderá 
o devedor, com a quitação das despesas, reaver o valor depositado, o que faz com que 
os efeitos do depósito sejam afastados. 
A ação de consignação em pagamento é regulada pelos artigos 539 e ss. do 
NCPC, cuja leitura deve ser feita de forma conjunta com a presente rodada. 
 
B. Pagamento com sub-rogação 
 
É a substituição de um credor por outro, mantendo-se o restante da 
obrigação. Pode ser legal, quando a lei determina quem irá substituir o credor, ou 
convencional, quando deriva da vontade do credor ou do devedor, além de total ou 
parcial. 
Nosso direito privado não contempla a sub-rogação passiva, mas somente a 
novação subjetiva passiva, hipótese em que se cria uma nova obrigação pela 
substituição do devedor. 
Previsão: Art. 346 e ss. do CC. 
Tipos: 
 
- Legal - É aquela imposta pela lei; é automática. 
- Convencional - É aquela decorrente de acordo de vontades. 
 
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ATENÇÃO! Não se deve confundir o pagamento com sub-rogação e a cessão de 
crédito. A cessão de crédito pode ser gratuita e é possível pagar valor diferente do 
crédito. Já a sub-rogação não é gratuita e o pagamento deve ser no valor do crédito. 
 
O art. 351 do CC traz uma regra interessante, exigindo maior atenção: 
suponha a hipótese em que o sub-rogado concorra com o credor originário para 
receber parte da dívida. Nesse caso, a lei estabelece que a preferência no recebimento 
é dada ao credor originário, não tendo o sub-rogado um direito contra este último; 
“(...) se a sub-rogação for parcial, o credor primitivo, reembolsado em parte, terá 
preferência ao sub-rogado, na cobrança do débito que falta, se os bens do devedor 
forem insuficientes para pagar tudo o que deve ao novo e antigo credor” – 
(MACHADO, Costa. Código Civil Interpretado. São Paulo: Manole, 2015. p.314). 
 
C. Imputação do pagamento 
 
É a escolha de um entre vários débitos com o mesmo credor, a fim de que se 
efetue o pagamento. Dessa forma, usa-se a imputação para determinar qual débito se 
está pagando. 
 
Art. 352 do CC - A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da 
mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a 
qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e 
vencidos. 
 
De tal modo, na imputação há identidade de devedor e de credor, dois ou 
mais débitos da mesma natureza, bem como dívidas líquidas e vencidas. 
Em regra, a imputação é feita pelo devedor, mas caso este não o faça, ficará a 
critério do credor. Não havendo imputação por parte do devedor ou do credor, esta se 
dará na forma da lei (arts. 354 e 355 do CC). 
 
D. Dação em pagamento 
 
É uma forma de pagamento indireto em que há um acordo privado entre os 
sujeitos da relação obrigacional, pactuando-se a substituição do objeto obrigacional 
por outro. Para tanto, é necessário o consentimento expresso do credor, o que 
caracteriza o instituto como um negócio jurídico bilateral. 
Cuida-se, portanto, do cumprimento de prestação diversa da devida mediante 
anuência do credor. 
Na dação em pagamento, a substituição pode ser de dinheiro por bem móvel 
ou imóvel (datio rem pro pecuni), de uma coisa por outra (dateio rem pro re), de 
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39 
dinheiro por título, de coisa por fato, entre outros, desde que o seu conteúdo seja 
lícito, possível, determinado ou determinável. 
 
Art. 356 do CC - O credor pode consentir em receber prestação 
diversa da que lhe é devida. 
 
Não se confunde com a novação, pois na dação o pagamento se opera sem 
que se constitua nova obrigação em substituição à anterior, ao passo que na novação é 
criada uma nova obrigação. 
São requisitos para a dação em pagamento: 
 
a) A existência de obrigação vencida; 
b) A anuência do credor; 
c) O cumprimento de prestação diversa pelo devedor; 
d) A intenção de pagar (animus solvendi). 
 
Pela dação em pagamento, o credor consente em receber prestação diversa 
da estabelecida no pacto, o que promove o adimplemento indireto da obrigação. 
O art. 358 do CC dispõe que na hipótese de o objeto dado em pagamento 
consistir em título de crédito, aplicar-se-ão as regras da cessão de crédito. Isto é 
relevante porque a transmissão do título também pode se dar por endosso, hipótese 
em que as regras do direito cambiário incidiriam sobre a relação. 
Regra geral, a dação em pagamento terá natureza pro soluto 
(responsabilizando-se o cedente apenas pela existência e transmissibilidade do título), 
excepcionalmente podendo ser convencionado que a natureza seja pro solvendo 
(hipótese em que a solvência da obrigação é garantida). 
Em caso de evicção (arts. 447 e ss. do CC), que consiste na perda da coisa em 
razão de decisão judicial que reconhece o direito de propriedade do bem à terceira 
pessoa, haverá o restabelecimento da obrigação, retomando o credor a faculdade de 
exigir a prestação original. Deve-se observar, porém, que em caso de evicção, havendo 
fiador, ainda que solidário, este ficará desobrigado se o credor aceitar amigavelmente 
do devedor a dação em pagamento (CC, art. 838, III). 
 
E. Compensação 
 
Meio indireto de pagamento em que há reciprocidade de débitos e créditos 
entre credor e devedor. Em decorrência dessa reciprocidade, é possível que o débito 
de um compense o débito do outro. 
 
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40 
Art. 368 do CC - Se duas pessoas forem ao mesmo tempo 
credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-
se, até onde se compensarem. 
 
É o encontro de dívidas recíprocas, operando-se quando as partes são credora 
e devedora reciprocamente. 
Pode ser legal, convencional ou judicial. 
São requisitos para a compensação legal: 
 
a) Reciprocidade das dívidas; 
b) Dívida líquida e certa; 
c) Exigível, ou seja, vencidos; 
d) Débitos de mesma natureza. 
 
ATENÇÃO! Restrições: é possível a compensação de obrigação proveniente de 
diferentes causas, salvo nas seguintes hipóteses: (i) se provier de esbulho, furto ou 
roubo; (ii) se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos; (iii) se uma for de 
coisa não suscetível de penhora. 
 
F. Novação 
 
Ocorre quando, mediante negócio jurídico, as partes estabelecem uma nova 
obrigação em substituição à anterior. 
Cuida-se de uma forma de pagamento indireto em que ocorre a substituição 
de uma obrigação anterior por uma obrigação nova, diversa da primeira criada pelas 
partes. Seu principal efeito é a extinção da dívida primitiva, com todos os acessórios e 
garantias, sempre que não houver estipulação em contrário (art. 364 do CC). 
Sempre decorre da vontade das partes, não havendo previsão de novação 
legal. 
São requisitos para a novação: 
 
a) Existência de obrigação anterior; 
b) Criação de obrigação nova diversa da obrigação originária; 
c) Animus novandi, ou seja, a vontade de instituir nova 
obrigação. 
 
A novação pode ser: 
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a) Objetiva: quando o devedor contrai com o credor nova 
dívida para extinguir e substituir a anterior; 
b) Subjetiva ativa: quando há alteração do credor na relação 
obrigacional que importe na criação de uma nova obrigação, 
com extinção da anterior; 
c) Subjetiva passiva: quando há alteração do devedor na 
relação obrigacional, criando-se uma nova obrigação. Pode se 
dar por EXPROMISSÃO, isto é, sem o consentimento do 
devedor originário; ou por DELEGAÇÃO, ou seja, o devedor 
concorda com o ingresso do novo devedor, que assume 
obrigação nova. 
 
A novação tem efeito liberatório. Em decorrência, não subsistem as garantias 
e os acessórios oriundos da obrigação originária. 
 
G. Confusão 
 
Está presente quando na mesma pessoa confundem-se as qualidades de 
credor e devedor, em decorrência de um ato inter vivos ou mortis causa (art. 381 do 
CC). A origem da confusão obrigacional, na grande maioria das vezes, decorre de um 
ato bilateral ou de um negócio jurídico. 
 
Art. 381 do CC - Extingue-se a obrigação, desde que na mesma 
pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. 
 
Confusão Total ou Parcial - art. 382 do CC - A confusão pode verificar-se a 
respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. 
 
ATENÇÃO! Não se deve confundir a compensação com a confusão, pois, nesta, 
credor e devedor são a mesma pessoa, ao passo que, naquela, as partes são 
reciprocamente devedora e credora.H. Remissão 
 
É o perdão da dívida, que pode ser expresso ou tácito, parcial ou total. Trata-
se de negócio jurídico bilateral, pois requer a aceitação do devedor. 
 
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Art. 385 do CC - A remissão da dívida, aceita pelo devedor, 
extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro. 
 
É negócio jurídico bilateral, uma vez que deve ser aceita pelo sujeito passivo 
obrigacional. 
 
ATENÇÃO! Não confundir a remissão (perdão da dívida), com remição (resgate da 
dívida). Também não confundir a remissão do devedor (ato que exige seu 
consentimento) com a renúncia ao crédito (o que independe da vontade do 
devedor). 
 
1.4.2. TEORIA DO INADIMPLEMENTO 
 
Há inadimplemento da obrigação quando ocorrer a sua inexecução ou o seu 
descumprimento. Dessa forma, decorre da responsabilidade civil contratual. Em 
complemento ao inadimplemento, nasce a obrigação de indenizar as perdas e danos, 
conforme ordenam os artigos 402 a 403 do Código Civil. 
 
1.4.2.1. Classificação 
 
Quanto à utilidade: 
 
a) Inadimplemento Relativo: a prestação conserva a sua 
utilidade. O devedor responderá pelas consequências do 
inadimplemento, mas é possível voltar à normalidade, pois a 
prestação se mantém útil. Também chamado de MORA. É 
possível a purgação da mora; 
b) Inadimplemento Absoluto: neste caso, a prestação torna-se 
inútil, não se pode mais corrigir o inadimplemento com retorno 
à normalidade. Não é possível purgar a mora, ocorrendo a 
resolução em perdas e danos. 
 
Quanto à extensão: 
 
a) Inadimplemento Parcial: ocorre quando apenas parte da 
obrigação deixou de ser cumprida; 
b) Inadimplemento Total: ocorre quando toda a obrigação 
deixou de ser cumprida. 
 
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43 
Nem todo inadimplemento parcial é relativo e nem todo inadimplemento 
total é absoluto. A análise quanto à utilidade deve ser feita no caso concreto. 
Quanto à boa-fé: 
 
a) Violação Positiva ou Adimplemento Fraco: a violação não 
decorre do inadimplemento da obrigação principal, mas sim 
dos deveres anexos ao contrato, decorrentes da boa-fé 
objetiva; 
b) Adimplemento Substancial ou Inadimplemento Mínimo: a 
prestação não é integralmente paga, mas, à luz da boa-fé 
objetiva, não se justifica a resolução do contrato por falta de 
pagamento ou eventual busca e apreensão, pois tais medidas 
seriam consideradas abusivas. 
 
Pergunta: o que se entende pela tese do adimplemento substancial 
(“substantial performance”)? Ainda é válida? 
Pela sistemática do Código Civil, em caso de inadimplemento culposo, 
colocar-se-ia ao credor a faculdade de resolver o contrato ou exigir o seu 
cumprimento, em ambos os casos podendo recorrer às perdas e danos. O texto da lei 
não considera hipóteses em que houve o adimplemento de parte considerável da 
obrigação, colocando-se como um exagero facultar à contraparte a resolução integral 
do pacto. 
Na análise da questão, o STJ chegou a definir os seguintes requisitos para a 
aplicação da teoria: 
 
“a) a existência de expectativas legítimas geradas pelo 
comportamento das partes; 
b) o pagamento faltante há de ser ínfimo em se considerando o 
total do negócio; 
c) deve ser possível a conservação da eficácia do negócio, sem 
prejuízo ao direito do credor de pleitear a quantia devida pelos 
meios ordinários” (REsp. 76.362). 
 
Em abono à aplicação da tese do adimplemento substancial, devem ser lidos 
os Enunciados 361 e 586 do CJF. 
Por fim, destaque-se que na presente Rodada vimos a ideia de “obrigação 
como um processo” ou “obrigação complexa”, reconhecendo ao lado das obrigações 
principais os deveres anexos do contrato. Em razão disso, a doutrina moderna costuma 
apontar, ao lado do inadimplemento absoluto e do inadimplemento relativo, a 
chamada violação positiva do contrato ou inadimplemento fraco. Assim, podemos 
apontar como espécies de inadimplemento: 
 
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44 
 
 
1.4.2.2. Mora 
 
A mora pode ser do credor (mora accipiendi ou credendi) ou do devedor 
(mora solvendi ou debendi). 
O credor será considerado em mora quando se recusar a receber a prestação 
no tempo, modo e lugar que a lei ou a vontade das partes tiverem estabelecido e 
produz os seguintes efeitos: 
 
a) O credor fica obrigado a ressarcir as despesas que o devedor 
efetuou com a manutenção da coisa; 
b) Obriga o credor a pagar o preço pela estimativa mais alta, se 
o preço oscilar; 
c) O devedor fica isento do ônus da conservação da coisa, salvo 
em caso de má-fé. 
 
Já a mora do devedor, consubstanciada pelo retardamento culposo no 
cumprimento da obrigação, produz os seguintes efeitos: 
 
a) O devedor será responsabilizado civilmente pelos prejuízos 
causados ao credor em virtude da mora; 
b) O devedor responde pela impossibilidade da prestação, 
ainda que decorrente de caso fortuito ou força maior, se estes 
ocorrerem durante o atraso, salvo se provar que não teve culpa 
ou que o dano adviria ainda que a obrigação fosse adimplida 
conforme avençado. 
 
Os artigos 397 e 398 do CC cuidam de fixar o termo inicial da mora, que pode 
ser de dois tipos: 
 
Espécies de 
inadimplemento 
contratual 
Inadimplemento 
absoluto 
Inadimplemento 
relativo 
Violação positiva 
do contrato 
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45 
i) mora ex re – que é aquela aplicável aos títulos que 
especificam termo para o cumprimento da obrigação, 
considerando-se o devedor em mora do dia seguinte ao fixado 
no título; e 
ii) mora ex persona – que é aquela que depende de 
interpelação do devedor. Analisaremos o teor dos dispositivos 
no item seguinte “Perdas e Danos”. 
 
Por sua vez, os artigos 395, 399 e 400 do CC cuidam dos efeitos da mora: 
 
i) no caso de mora do devedor, haverá a responsabilização 
pelos prejuízos que causar e consectários legais (art. 395 CC), 
bem como pelo fortuito ou força maior (art. 399 CC), salvo se 
provar a ausência de nexo causal entre o atraso no 
cumprimento da obrigação e o dano; 
ii) no caso de mora do credor, haverá afastamento dos riscos 
na conservação da coisa para o devedor, bem como a 
obrigação de ressarcir os gastos na conservação e sujeição do 
credor à oscilação do valor da prestação. 
 
Por fim, o artigo 401 do CC disciplina o modo de purgação da mora. 
 
1.4.2.3. Perdas e danos 
 
Consiste em indenização pelos prejuízos decorrentes do descumprimento da 
obrigação. Em regra, para que se configure o dever de indenizar, são necessários, além 
do descumprimento da obrigação, a prova do dano e o reconhecimento da culpa do 
devedor. 
Dano Material - art. 402 do CC - É aquele que decorre de um prejuízo 
econômico (patrimonial). Pode se manifestar por aquilo que se efetivamente perdeu 
(dano emergente) ou por aquilo que se razoavelmente deixou de ganhar (lucro 
cessante). 
 
Art. 403 do CC - Ainda que a inexecução resulte de dolo do 
devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e 
os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem 
prejuízo do disposto na lei processual. 
 
Dessa forma, não é possível a reparação de dano hipotético ou eventual, 
conforme o pronunciamento comum da doutrina e da jurisprudência nacional. 
 
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ATENÇÃO! TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE: cuida-se de teoria inspirada na 
doutrina francesa e criada para tornar indenizável o ato ilícito que faz com que outra 
pessoa perca a oportunidade de obter uma situação futura melhor. Para o Superior 
Tribunal de Justiça, o dano deve ser REAL, ATUAL e CERTO. A chance perdida deve 
ser REAL e SÉRIA. 
Assim, “a teoria da perda de uma chance visa à responsabilização do agente 
causador, não de um dano emergente, tampouco de lucros cessantes, mas de algo 
intermediário entre um e outro, precisamente a perda da possibilidade de se buscar 
posição mais vantajosa que muito provavelmente se alcançaria, não fosse o ato ilícito 
praticado” (STJ, REsp. 1.190.180/RS). 
Ex.: responsabilidade de empresa contratada para coletar células tronco 
embrionárias no momento do parto de uma criança, mas seu preposto deixa de 
realizar a coleta. 
 
Dano Moral - Cuida-se de lesão a direitos da personalidade. Neste particular, 
são os danos não patrimoniais. 
Para a caracterização do dano moral não há obrigatoriedade da presença de 
sentimentos humanos negativos, conforme enunciado aprovado na V Jornada de 
Direito Civil: “o dano moral indenizável não pressupõe necessariamente a verificação 
de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimento” (Enunciado n. 445). 
Classificação: 
 
- Próprio - É aquele que causa dor, sofrimento, tristeza; 
- Impróprio - É o dano decorrente da violação dos direitos da 
personalidade; 
- In re ipsa - É o dano moral presumido. Ex.: devolução indevida 
de cheque (Súmula 388 do STJ); 
- Por ricochete - É aquele dano que atinge terceiros. 
 
Cumulação dos Danos: 
 
Art. 403 do CC - Ainda que a inexecução resulte de dolo do 
devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e 
os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem 
prejuízo do disposto na lei processual. 
Súmula 37 do STJ - São cumuláveis as indenizações por dano 
material e dano moral oriundos do mesmo fato. 
Súmula 387 do STJ - É lícita a cumulação das indenizações de 
dano estético e dano moral. 
 
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1.4.2.4. Juros legais 
 
Consiste em fruto civil relativo à remuneração devida ao credor em virtude da 
utilização de seu capital. 
Classificam-se em: 
 
a) Quanto à origem: convencionais (decorrem da vontade) ou 
legais (decorrem da lei); 
b) Quanto ao inadimplemento: moratórios ou compensatórios 
(remuneratórios). 
 
Os juros moratórios são espécie de punição pelo atraso no cumprimento da 
obrigação de natureza pecuniária, ao passo que os juros compensatórios apenas 
remuneram o capital. 
Os juros moratórios e remuneratórios têm naturezas distintas, não sendo 
vedada a cobrança de um sobre o outro, observada a onerosidade excessiva. 
Denomina-se anatocismo a cobrança de juros sobre juros e, em regra, não é 
permitido, podendo ocorrer em hipóteses expressamente previstas em lei. 
 
1.4.2.5. Cláusula penal ou pena convencional 
 
Cuida-se da penalidade, de natureza civil, imposta pela inexecução parcial ou 
total de um dever patrimonial assumido. Pela sua previsão no Código Civil, sua 
concepção está relacionada e é estudada como tema condizente ao inadimplemento 
obrigacional, entre os arts. 408 a 416. 
O devedor se obriga a entregar dinheiro ou outro bem economicamente 
apreciável em caso de descumprimento da obrigação. Tem natureza jurídica de 
obrigação acessória, cuja função é inibir o descumprimento e antecipar perdas e 
danos. 
Embora usualmente também seja chamada de multa, tal denominação não é 
técnica, haja vista que a multa tem por fim a punição, ao passo que a cláusula penal 
tem por objetivo compensar perdas e danos. 
A cláusula penal pode ser moratória, quando o inadimplemento for relativo, 
ou compensatória, em caso de inadimplemento absoluto. 
Em caso de inadimplemento, para que o credor tenha direito a perdas e 
danos, deverá provar o dano. Em regra, não é possível indenização suplementar, pois a 
multa estipulada já configura a indenização por perdas e danos. Excepcionalmente, 
será possível ao credor obter indenização suplementar. 
O valor da cláusula penal não pode ser superior ao valor da obrigação 
principal. Não obstante, o credor não precisa provar a existência de prejuízo para que 
a cláusula possa incidir, pois sua existência é presumida. 
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48 
Multa moratória = obrigação principal + multa. 
Multa compensatória = obrigação principal ou multa. 
Limite da Cláusula Penal - art. 412 do CC - O valor da cominação imposta na 
cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. 
Redução da Cláusula Penal - art. 413 do CC - A penalidade deve (norma 
cogente) ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido 
cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, 
tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio. 
 
1.4.2.6. Arras ou sinal 
 
Em tradicional e respeitável definição, CLÓVIS BEVILÁQUA conceitua as arras 
ou sinal como “tudo quanto uma das partes contratantes entrega à outra, como 
penhor da firmeza da obrigação contraída”. Claro está que a palavra “penhor”, 
empregada nesta definição, não traduz o direito real de garantia, mas nos transmite 
uma ideia genérica de garantia, de segurança. 
É a entrega de dinheiro ou outro bem economicamente apreciável para firmar 
a obrigatoriedade do cumprimento do contrato, configurando início de pagamento. 
Constitui o bem móvel ou dinheiro a ser entregue como “sinal” do 
cumprimento da obrigação. Pode funcionar como confirmação da obrigação ou como 
penalidade pelo desfazimento desta. 
 
Art. 417 do CC - Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma 
parte der à outra, a título de arras, dinheiro ou outro bem 
móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas 
ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da 
principal. 
 
Tem a função de garantir o cumprimento do contrato e antecipar perdas e 
danos, podendo ser arras confirmatórias, sem direito a arrependimento, ou 
penitenciais, quando haverá direito de arrependimento. No silêncio do contrato, as 
arras são confirmatórias. 
Se o valor do prejuízo sofrido com o inadimplemento for superior ao valor das 
arras, a parte poderá pedir indenização suplementar se as arras forem confirmatórias. 
Não há a mesma previsão para as arras penitenciais. 
Embora estejam no Título IV do CC, relativo ao inadimplemento das 
obrigações, as arras só se aplicam aos contratos. 
Tipos de Arras: 
 
- Arras Confirmatórias – Não há direito de arrependimento, 
sendo possível a indenização suplementar. 
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49 
- Arras Penitenciais - Há direito de arrependimento, não 
havendo indenização suplementar. 
 
Redução das Arras Excessivas - Enunciado 165 do CJF - O art. 413 do CC 
(redução da cláusula penal) se aplica às arras quando seus valores forem excessivos - 
Função Social das Arras. 
Aplicação das Arras Confirmatórias - art. 418 do CC - Se a parte que deu as 
arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, retendo-as; se a 
inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quemas deu haver o contrato por 
desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária 
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado. 
A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior 
prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a 
execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da 
indenização. 
Chama-se atenção para o fato de que esta indenização somente se aplica no 
caso das arras confirmatórias, ou seja, quando não for previsto o direito de 
arrependimento das partes. 
Aplicação das Arras Penitenciais - art. 420 do CC - Se no contrato for 
estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal 
terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu, perdê-las-á em 
benefício da outra parte; e quem as recebeu, devolvê-las-á, mais o equivalente 
(devolve-se em dobro). Em ambos os casos não haverá direito à indenização 
suplementar. 
 
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50 
2. JURISPRUDÊNCIA 
 
SÚMULAS DO STF 
 
SÚMULA VINCULANTE 7: A norma do § 3º do artigo 192 da Constituição, revogada 
pela Emenda Constitucional nº 40/2003, que limitava a taxa de juros reais a 12% ao 
ano, tinha sua aplicação condicionada à edição de lei complementar. 
SÚMULA 254 STF: Incluem-se os juros moratórios na liquidação, embora omisso o 
pedido inicial ou a condenação. 
SÚMULA 255: Sendo ilíquida a obrigação, os juros moratórios, contra a Fazenda 
Pública, incluídas as autarquias, são contados do trânsito em julgado da sentença de 
liquidação. 
SÚMULA 596 STF: As disposições do Decreto 22.626/33 não se aplicam às taxas de 
juros e aos outros encargos cobrados nas operações realizadas por instituições 
públicas ou privadas, que integram o sistema financeiro nacional. 
 
SÚMULAS DO STJ 
 
Súmula 30 STJ: A comissão de permanência e a correção monetária são inacumuláveis. 
Súmula 54 STJ: Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de 
responsabilidade extracontratual. 
Súmula 245 STJ: A notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas 
por alienação fiduciária dispensa a indicação do valor do débito. 
Súmula 283 STJ: As empresas administradoras de cartão de crédito são instituições 
financeiras e, por isso, os juros remuneratórios por elas cobrados não sofrem as 
limitações da Lei de Usura. 
Súmula 294 STJ: Não é potestativa a cláusula contratual que prevê a comissão de 
permanência, calculada pela taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do 
Brasil, limitada à taxa do contrato. 
Súmula 296 STJ: Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de 
permanência, são devidos no período de inadimplência, à taxa média de mercado 
estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual contratado. 
Súmula 298 STJ: O alongamento de dívida originada de crédito rural não constitui 
faculdade da instituição financeira, mas, direito do devedor nos termos da lei. 
Súmula 379 STJ: Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros 
moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês. 
Súmula 380 STJ: A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a 
caracterização da mora do autor. 
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Súmula 472 STJ: A cobrança de comissão de permanência - cujo valor não pode 
ultrapassar a soma dos encargos remuneratórios e moratórios previstos no contrato - 
exclui a exigibilidade dos juros remuneratórios, moratórios e da multa contratual. 
Súmula 623 STJ: As obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo 
admissível cobrá-las do proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha 
do credor. 
Súmula 642: O direito à indenização por danos morais transmite-se com o falecimento 
do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizar ou 
prosseguir a ação indenizatória. 
 
Enunciados das Jornadas de Direito Civil 
 
Enunciado 16: O art. 299 do Código Civil não exclui a possibilidade da assunção 
cumulativa da dívida quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo 
débito com a concordância do credor. 
Enunciado 17: A interpretação da expressão “motivos imprevisíveis” constante do art. 
317 do novo Código Civil deve abarcar tanto causas de desproporção não-previsíveis 
como também causas previsíveis, mas de resultados imprevisíveis. 
Enunciado 18: A “quitação regular” referida no art. 319 do novo Código Civil engloba a 
quitação dada por meios eletrônicos ou por quaisquer formas de “comunicação a 
distância”, assim entendida aquela que permite ajustar negócios jurídicos e praticar 
atos jurídicos sem a presença corpórea simultânea das partes ou de seus 
representantes. 
Enunciado 19: A matéria da compensação no que concerne às dívidas fiscais e 
parafiscais de estados, do Distrito Federal e de municípios não é regida pelo art. 374 
do Código Civil. 
Enunciado 162: A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação por 
parte do credor deverá ser aferida objetivamente, consoante o princípio da boa-fé e a 
manutenção do sinalagma, e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor. 
Enunciado 347: A solidariedade admite outras disposições de conteúdo particular 
além do rol previsto no art. 266 do Código Civil. 
Enunciado 348: O pagamento parcial não implica, por si só, renúncia à solidariedade, a 
qual deve derivar dos termos expressos da quitação ou, inequivocamente, das 
circunstâncias do recebimento da prestação pelo credor. 
Enunciado 349: Com a renúncia à solidariedade quanto a apenas um dos devedores 
solidários, o credor só poderá cobrar do beneficiado a sua quota na dívida, 
permanecendo a solidariedade quanto aos demais devedores, abatida do débito a 
parte correspondente aos beneficiados pela renúncia. 
Enunciado 350: A renúncia à solidariedade diferencia-se da remissão, em que o 
devedor fica inteiramente liberado do vínculo obrigacional, inclusive no que tange ao 
rateio da quota do eventual codevedor insolvente, nos termos do art. 284. 
Enunciado 351: A renúncia à solidariedade em favor de determinado devedor afasta a 
hipótese de seu chamamento ao processo. 
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52 
Enunciado 352: Salvo expressa concordância dos terceiros, as garantias por eles 
prestadas se extinguem com a assunção da dívida; já as garantias prestadas pelo 
devedor primitivo somente serão mantidas se este concordar com a assunção. 
Enunciado 353: A recusa do credor, quando notificado pelo adquirente de imóvel 
hipotecado comunicando-lhe o interesse em assumir a obrigação, deve ser justificada. 
Enunciado 354: A cobrança de encargos e parcelas indevidas ou abusivas impede a 
caracterização da mora do devedor. 
Enunciado 422: A expressão “garantias especiais” constante do art. 300 do CC/2002 
refere-se a todas as garantias, quaisquer delas, reais ou fidejussórias, que tenham sido 
prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro, vale 
dizer, aquelas que dependeram da vontade do garantidor, devedor ou terceiro para se 
constituírem. 
Enunciado 423: O art. 301 do CC deve ser interpretado de forma a também abranger 
os negócios jurídicos nulos e a significar a continuidade da relação obrigacional 
originária em vez de “restauração”, porque, envolvendo hipótese de transmissão, 
aquelarelação nunca deixou de existir. 
Enunciado 424: A comprovada ciência de que o reiterado pagamento é feito por 
terceiro no interesse próprio produz efeitos equivalentes aos da notificação de que 
trata o art. 303, segunda parte. 
Enunciado 425: O pagamento repercute no plano da eficácia, e não no plano da 
validade como preveem os arts. 308, 309 e 310 do Código Civil. 
Enunciado 427: É válida a notificação extrajudicial promovida em serviço de registro 
de títulos e documentos de circunscrição judiciária diversa da do domicílio do devedor. 
Enunciado 443: O caso fortuito e a força maior somente serão considerados como 
excludentes da responsabilidade civil quando o fato gerador do dano não for conexo à 
atividade desenvolvida. 
Enunciado 540: Havendo perecimento do objeto da prestação indivisível por culpa de 
apenas um dos devedores, todos respondem, de maneira divisível, pelo equivalente e 
só o culpado, pelas perdas e danos. 
Enunciado 618: O devedor não é terceiro para fins de aplicação do art. 288, do Código 
Civil, bastando a notificação prevista no art. 290 para que a cessão de crédito seja 
eficaz perante ele. 
Enunciado 619: A interpelação extrajudicial de que trata o parágrafo único do art. 397, 
do Código Civil, admite meios eletrônicos como e-mail ou aplicativos de conversa 
“online”, desde que demonstrada a ciência inequívoca do interpelado, salvo disposição 
em contrário no contrato. 
Enunciado 620: A obrigação de restituir o lucro da intervenção, entendido como a 
vantagem patrimonial auferida a partir da exploração não autorizada de bem ou 
direito alheio, fundamenta-se na vedação do enriquecimento sem causa. 
 
ATENÇÃO! A IX Jornada de Direito Civil – Comemoração dos 20 anos da Lei 
10.406/2002 e da instituição da Jornada de Direito Civil, ocorreu nos dias 19 e 20 de 
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53 
maio de 2022, tendo sido aprovados 49 enunciados durante reunião plenária. O 
evento foi promovido pelo Conselho da Justiça Federal (CJF), por intermédio do Centro 
de Estudos Judiciários (CEJ), com apoio do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e da 
Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Neste particular, segue o teor dos 
seguintes enunciados: 
ENUNCIADO 647 – Art. 251: A obrigação de não fazer é compatível com o 
inadimplemento relativo (mora), desde que implique o cumprimento de prestações de 
execução continuada ou permanente e ainda útil ao credor. 
ENUNCIADO 648 – Art. 299: Aplica-se à cessão da posição contratual, no que couber, a 
disciplina da transmissão das obrigações prevista no CC, em particular a expressa 
anuência do cedido, ex vi do art. 299 do CC. 
ENUNCIADO 649 – Art. 413: O art. 421-A, inc. I, confere às partes a possibilidade de 
estabelecerem critérios para a redução da cláusula penal, desde que não seja afastada 
a incidência do art. 413. 
 
JULGADOS 
 
A divulgação de notícia ou crítica acerca de atos ou decisões do Poder Público, ou de 
comportamento de seus agentes, não configuram, a princípio, abuso no exercício da 
liberdade de imprensa, desde que não se refiram a núcleo essencial de intimidade e 
de vida privada da pessoa. REsp 1.325.938-SE, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, 
por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe 31/08/2022. 
 
No contrato de adesão firmado entre o comprador e a construtora/incorporadora, 
havendo previsão de cláusula penal apenas para o inadimplemento do adquirente, 
deverá ela ser considerada para a fixação da indenização pelo inadimplemento do 
vendedor. As obrigações heterogêneas (obrigações de fazer e de dar) serão 
convertidas em dinheiro, por arbitramento judicial? (Tema 971/STJ). (AgInt no REsp 
n. 1.985.341/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 
8/8/2022, DJe de 10/8/2022.) 
 
A cláusula penal inserta em contratos bilaterais, onerosos e comutativos deve voltar-
se aos contratantes indistintamente, ainda que redigida apenas em favor de uma das 
partes. Precedentes. (AgInt no AREsp n. 2.057.346/RO, relator Ministro Raul Araújo, 
Quarta Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 29/6/2022.) 
 
“De acordo com o art. 418 do CC/02, mesmo que as arras tenham sido entregues 
com vistas a reforçar o vínculo contratual, tornando-o irretratável, elas atuarão 
como indenização prefixada em favor da parte 'inocente' pelo inadimplemento, a 
qual poderá reter a quantia ou bem, se os tiver recebido, ou, se for quem os deu, 
poderá exigir a respectiva devolução, mais o equivalente” (REsp 1.669.002/RJ, Rel. 
Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/09/2017, DJe de 
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54 
02/10/2017). (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.659.480/RJ, relator Ministro Raul Araújo, 
Quarta Turma, julgado em 30/5/2022, DJe de 24/6/2022.) 
 
Segundo a jurisprudência do STJ, “as arras confirmatórias não se confundem com a 
prefixação de perdas e danos, tal como ocorre com o instituto das arras penitenciais, 
visto que servem como garantia do negócio e possuem característica de início de 
pagamento, razão pela qual não podem ser objeto de retenção na resolução 
contratual por inadimplemento do comprador” (AgInt no REsp n. 1.893.412/SP, 
Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 7/12/2020, DJe 
11/12/2020) (AgInt no AREsp n. 2.023.346/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, 
Quarta Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 26/5/2022.) 
 
O termo inicial dos juros de mora relativos às diferenças dos aluguéis vencidos será a 
data para pagamento fixada na própria sentença transitada em julgado (mora ex re) 
ou a data da intimação do devedor - prevista no art. 523 do CPC/2015 - para 
pagamento no âmbito da fase de cumprimento de sentença (mora ex persona) (...) 
REsp. 1.929.806-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, 
julgado em 07/12/2021, DJe 13/12/2021. 
 
O atraso, por parte de instituição financeira, na baixa de gravame de alienação 
fiduciária no registro de veículo não caracteriza, por si só, dano moral in re ipsa. 
(REsp. 1.881.453-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, por 
unanimidade, julgado em 30/11/2021, DJe 07/12/2021. (Tema 1078). 
 
Não pertencendo os bens alienados em garantia ao avalista em recuperação judicial, 
não podem ser expropriados outros bens de sua titularidade, pois devem servir ao 
pagamento de todos os credores. (...) REsp 1.953.180-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas 
Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25/11/2021, DJe 01/12/2021. 
 
O devedor solidário responde pelo pagamento da cláusula penal compensatória, 
ainda que não incorra em culpa. (....) REsp. 1.867.551-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas 
Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 05/10/2021, DJe 13/10/2021. 
 
Da inexecução contratual imputável, única e exclusivamente, àquele que recebeu as 
arras, estas devem ser devolvidas mais o equivalente. (...) Desse modo, seja a partir 
de uma interpretação histórica, seja a partir de uma exegese literal e sistemática, do 
exame do disposto no art. 418 do CC/2002 é forçoso concluir que, na hipótese de 
inexecução contratual imputável, única e exclusivamente, àquele que recebeu as 
arras, estas devem ser devolvidas mais o equivalente. REsp. 1.927.986-DF, Rel. Min. 
Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 22/06/2021, DJe 
25/06/2021. 
 
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Nos contratos de seguro de vida em grupo, a obrigaçãode prestar informações aos 
segurados recai sobre o estipulante. REsp. 1.850.961-SC, Rel. Min. Maria Isabel 
Gallotti, Quarta Turma, por maioria, julgado em 15/06/2021. 
 
 
 
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3. QUESTÕES 
 
1. Caso terceiro assuma a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do 
credor, ficando exonerado o devedor primitivo, dá-se a: 
a) sub-rogação subjetiva. 
b) cessão de crédito. 
c) novação subjetiva. 
d) assunção de dívida. 
e) remissão da dívida. 
 
2. A empresa hoteleira Azul Anil aciona a construtora Obra Executiva para cobrar-lhe 
multa rescisória em decorrência de ter enjeitado o imóvel prometido à venda, o qual 
serviria de sede da autora, cujo acabamento não correspondia ao anunciado. Além 
disso, pede indenização suplementar por perdas e danos extraordinários. 
As partes dispensam a produção de provas e pedem o julgamento antecipado. O juiz, 
então, julga procedentes, em parte, os pedidos para reduzir, de ofício, a multa 
rescisória a 10% daquele valor inicialmente pactuado, tendo em vista o comprovado 
cumprimento de 90% do programa contratual. De outro lado, afasta o pedido de 
indenização suplementar, por ter verificado que a construtora advertiu, a tempo de 
evitar o aprofundamento dos danos suportados pelos adquirentes, acerca da 
mudança do acabamento. 
Nesse caso, o juiz: 
a) não poderia ter reduzido, de ofício, a cláusula penal, sob pena de invadir a 
autonomia privada das partes, além de violar o princípio de inércia da jurisdição; 
b) acertou ao reduzir a cláusula penal a 10%, porquanto o Código Civil, assim 
interpretado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, determina que a 
multa deve ser estritamente proporcional ao percentual da obrigação que fora 
adimplido; 
c) ao julgar improcedente o pedido de indenização suplementar, aplicou a teoria do 
inadimplemento eficiente (efficient breach), consectária ao postulado de boa-fé, que 
preconiza a exoneração ou mitigação de responsabilidade daquele que, de maneira 
eficiente, evita o agravamento de danos do credor; 
d) deveria ter condenado o réu em juros de mora sobre o valor da multa desde a 
citação, o que, mesmo somando-se à cláusula penal, não constituiria injusta 
cumulação de encargos moratórios (bis in idem); 
e) deveria ter julgado improcedente, também, o pedido de pagamento de multa, 
porque a autora não produziu prova de seu efetivo prejuízo, de modo que não pode 
haver responsabilidade sem dano ou por dano hipotético no ordenamento brasileiro. 
 
3. Maria realiza contrato de financiamento com o Banco X e apresenta João como 
seu fiador, que, na oportunidade, anuiu expressamente. Maria não consegue pagar 
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57 
as parcelas e, de boafé, convida o Banco X a renegociar. Maria e o Banco X optam 
por realizar uma nova obrigação, que extinguiu a anterior, sendo que as novas 
prestações são compatíveis com as possibilidades financeiras de Maria. 
Quanto à situação do fiador João, é CORRETO afirmar que: 
a) está exonerado, já que há nova obrigação e, quanto a esta, não anuiu; 
b) permanece obrigado como fiador, já que a nova obrigação se trata de novação, que, 
segundo a lei, não o exonera; 
c) permanece obrigado como fiador, já que a fiança é o exemplo típico de obrigação 
acessória e, como tal, deve seguir a obrigação principal; 
d) permanece obrigado como fiador, já que a segunda negociação é mera continuida-
de da primeira, não representando, tecnicamente, nova obrigação; 
e) permanece obrigado como fiador, já que a fiança é garantia pessoal, vinculando-o a 
Maria e seu contrato de financiamento com o Banco X, independentemente da obriga-
ção. 
 
4. Marlise comprometera-se a dar um de seus cachorros, apelidado de Totó, para 
Rejane. Entretanto, tendo se apegado ao animal, no dia do vencimento ofereceu a 
Rejane, em lugar do Totó, uma joia que acabara de herdar de sua falecida tia, o que 
foi prontamente aceito pela credora, tendo ocorrido de imediato a transferência da 
joia. Todavia, decisão judicial veio a reconhecer a nulidade do testamento da tia, que 
previa o legado da joia a Marlise, vindo Rejane então a perder o bem em favor do 
acervo hereditário. 
Diante disso, Rejane pode exigir de Marlise: 
a) o equivalente pecuniário da joia somente; 
b) o equivalente pecuniário da joia mais eventuais perdas e danos; 
c) o Totó somente; 
d) o Totó mais eventuais perdas e danos; 
e) perdas e danos somente. 
 
5. A empreiteira Cosme Ltda. contratou a Flet Ltda. para que ela lhe desse a 
perfuratriz modelo SKS que tinha no seu galpão em Santana. Entretanto, outra 
cláusula do contrato previa a possibilidade acessória de a Flet Ltda. se desincumbir 
de sua obrigação, se quisesse, entregando à Cosme Ltda. a perfuratriz modelo 1190 
que está em seu armazém nos arredores de Macapá. Ocorre que, antes da data 
marcada para a entrega, uma tempestade atinge Santana e destrói o galpão, 
inviabilizando a entrega da perfuratriz modelo SKS. Diante disso, a Cosme Ltda. pode 
exigir: 
a) somente a entrega da perfuratriz modelo 1190, sem direito a perdas e danos; 
b) a entrega da perfuratriz modelo 1190, com direito a perdas e danos; 
c) o equivalente pecuniário da perfuratriz modelo SKS ou a entrega da perfuratriz 
modelo 1190; 
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58 
d) o equivalente pecuniário da perfuratriz modelo SKS ou a entrega da perfuratriz 
modelo 1190, com direito a perdas e danos; 
 
6. Assinale a alternativa correta sobre cláusula penal. 
a) A cláusula penal deve ser convencionada simultaneamente com a obrigação, não se 
admitindo a convenção em ato posterior. 
b) A cláusula penal deve ser reduzida de ofício pelo juiz de modo equitativo, caso 
verifique o parcial cumprimento da prestação ou se o montante da penalidade for 
manifestamente excessivo, tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio. 
c) Para exigir a cláusula penal, não é necessário ao credor alegar prejuízo, mas, se este 
exceder o valor da multa, não poderá ser cobrada indenização suplementar, ainda que 
as partes tenham convencionado tal possibilidade e se prove dano de maior valor. 
d) Quando se estipular cláusula penal para o total inadimplemento da obrigação, esta 
se converte em alternativa para o credor, que poderá escolher entre pedir a multa ou 
as perdas e danos sofridas em razão do inadimplemento. 
 
7. Assinale a alternativa correta sobre mora e inadimplemento absoluto. 
a) A mora faculta ao credor exigir a prestação acrescida de perdas e danos, juros, 
correção monetária e honorários advocatícios, enquanto o inadimplemento absoluto 
abre ao credor a opção de resolver o contrato. 
b) A mora se converte em inadimplemento absoluto quando não mais persiste para o 
devedor a possibilidade de cumprir a prestação. 
c) Os juros de mora por inadimplemento contratual contam-se sempre a partir da 
citação. 
d) O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação salvo se provar que 
tal impossibilidade resultou de caso fortuito ou força maior. 
 
8. Na imputação do pagamento, havendo capital e juros: 
a) o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos e depois no capital, salvo 
estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do capital. 
b) a imputação ocorrerá primeiro no capital, salvo se a somatória dos juros for maior, 
hipótese em que primeiro será destinadaa amortização dos juros. 
c) o pagamento imputar-se-á primeiro no capital e depois nos juros vencidos, salvo 
estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta dos juros. 
d) a escolha sobre se primeiro imputará nos juros ou no capital cabe exclusivamente 
ao credor. 
e) a imputação será proporcionalmente distribuída entre o capital e os juros. 
 
9. O pagamento... 
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a) feito de boa-fé ao credor putativo é válido, salvo se provado depois que ele não era 
credor. 
b) deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer 
depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. 
c) não vale quando cientemente feito ao credor incapaz de quitar, em nenhuma 
hipótese. 
d) autoriza-se a recebê-lo o portador da quitação, fato que origina presunção absoluta. 
e) feito pelo devedor ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito, 
ou da impugnação a ele oposta por terceiros, não valerá contra estes, que poderão 
constranger o devedor a pagar de novo, prejudicado o direito de regresso contra o 
credor.João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, 
fosse insolvente e Teresa ignorasse essa sua condição. 
 
10. Quanto à mora e às perdas e danos, é correto afirmar: 
a) mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela 
conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em 
conservá-la e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu 
valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação. 
b) Havendo fato ou omissão imputável ao devedor, este não incorre em mora. 
c) Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora a partir 
do ajuizamento da ação indenizatória correspondente. 
d) O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, salvo, em 
qualquer caso, se essa impossibilidade resultar de caso fortuito ou força maior. 
e) Salvo se a inexecução resultar de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os 
prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo 
do disposto na lei processual. 
 
11. Por conta de mútuo oneroso, João devia a Teresa a importância de cem mil reais. 
No intuito de ajudar o amigo em dificuldade, Leopoldo assumiu para si a obrigação 
de João, para o que houve expressa anuência de Teresa. Nesse caso: 
a) João ficará exonerado da dívida, salvo se Leopoldo, ao tempo da assunção, fosse 
insolvente e Teresa ignorasse essa sua condição. 
b) Leopoldo poderá opor a Teresa as exceções pessoais que competiam a João. 
c) se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito de João, sem 
nenhuma garantia, independentemente de quem a tenha prestado. 
d) preservam-se as garantias especiais originariamente dadas a Teresa por João, 
independentemente do assentimento dele. 
e) João responderá apenas pela metade da dívida, ainda que Leopoldo não cumpra a 
obrigação assumida perante Teresa. 
 
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12. Uma dívida prescrita, o penhor oferecido por terceiro, uma dívida de jogo e a 
fiança representam, respectivamente, obrigação: 
a) com Haftung sem Schuld, com Schuld sem Haftung, com Haftung sem Schuld atual, e 
com Haftung sem Schuld próprio. 
b) com Haftung sem Schuld, com Haftung sem Schuld atual, com Schuld sem Haftung e 
com Haftung sem Schuld próprio. 
c) sem Schuld e sem Haftung, com Haftung sem Schuld próprio, com Schuld sem 
Haftung e com Haftung sem Schuld atual. 
d) com Schuld sem Haftung, com Haftung sem Schuld próprio, com Schuld sem 
Haftung e com Haftung sem Schuld atual. 
e) com Schuld sem Haftung, com Haftung sem Schuld próprio, sem Schuld e sem 
Haftung e com Haftung sem Schuld atual. 
 
13. A multa estipulada em contrato que tenha por objeto evitar o inadimplemento 
da obrigação principal é denominada: 
a) multa penitencial. 
b) cláusula penal. 
c) perdas e danos. 
d) arras penitenciais. 
e) multa pura e simples. 
 
14. André devia a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em dinheiro a 
Mateus. Maria era fiadora de André. Mateus aceitou receber em pagamento pela 
dívida um imóvel urbano de propriedade de André, avaliado em R$60.000,00 
(sessenta mil reais) com área de 200 m2 e deu regular quitação. Entretanto, o imóvel 
estava ocupado por Pedro, que o habitava há mais de cinco anos, nele estabelecendo 
sua moradia. Pedro ajuizou ação de usucapião para obter a declaração de 
propriedade do imóvel que foi julgada procedente. Na época em que se evenceu, o 
imóvel foi avaliado em R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais). A respeito dos 
efeitos da evicção sobre a obrigação originária, é possível afirmar que a obrigação 
originária: 
a) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus 
pelo valor correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que houve a dação 
em pagamento. Maria está liberada da fiança anteriormente prestada. 
b) é restabelecida, mas não contará mais com a garantia pessoal prestada por Maria. 
Em razão da evicção, a obrigação repristinada terá por objeto o valor equivalente ao 
bem na época em que se evenceu. 
c) é restabelecida, pelo seu valor original, em razão da evicção da coisa dada em 
pagamento, mas sem a garantia pessoal prestada por Maria, tendo em vista que o 
credor aceitou receber objeto diverso do constante na obrigação originária. 
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d) é restabelecida, em razão da evicção da coisa dada em pagamento, inclusive com a 
garantia pessoal prestada por Maria. Contudo, em razão da evicção, a obrigação 
repristinada terá por objeto o valor equivalente ao bem na época em que se evenceu. 
e) foi extinta com a dação em pagamento. André será responsável perante Mateus 
pelo valor correspondente ao bem imóvel perdido, na época em que se evenceu. 
Maria está liberada da fiança anteriormente prestada. 
 
15. Em relação à cláusula penal decorrente da inexecução de obrigação, assinale a 
alternativa correta. 
a) A exigibilidade da cláusula penal perante pessoa jurídica está condicionada à 
comprovação de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de 
finalidade, ou pela confusão patrimonial. 
b) Para exigir a pena convencional, é necessário que o credor alegue o prejuízo e que 
este não exceda o valor da obrigação principal. 
c) O prejuízo excedente à cláusula penal poderá ser exigido se houver expressa 
convenção contratual nesse sentido. 
d) Sempre que o prejuízo exceder a pena convencional, o credor poderá exigir 
indenização suplementar, competindo-lhe provar o prejuízo excedente. 
 
 
 
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4. GABARITO COMENTADO 
 
1. D 
(A) INCORRETA. 
A sub-rogação é conceituada pela melhor doutrina contemporânea como a 
substituição de uma coisa por outra, com os mesmos ônus e atributos, caso em que se 
tem a sub-rogação real, ou a substituição de uma pessoa por outra, que terá os 
mesmos direitos e ações daquela, hipótese em que se configura a sub-rogação pessoal 
de que trata o Código Civil no capítulo referente ao pagamento com sub-rogação.A sub-rogação é uma figura jurídica anômala, pois o pagamento promove apenas uma 
alteração subjetiva da obrigação, mudando o credor. A extinção obrigacional ocorre 
somente em relação ao credor, que nada mais poderá reclamar depois de haver 
recebido do terceiro interessado. 
(B) INCORRETA. 
A cessão de crédito pode ser conceituada como um negócio jurídico bilateral ou 
sinalagmático, gratuito ou oneroso, pelo qual o credor, sujeito ativo de uma obrigação, 
transfere a outrem, no todo ou em parte, a sua posição na relação obrigacional. 
Conforme o art. 286 do CC/2002: “Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a 
isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a 
cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não 
constar do instrumento da obrigação”. 
Não há, na cessão, a extinção do vínculo obrigacional, razão pela qual ela deve ser 
diferenciada em relação às formas especiais e de pagamento indireto (sub-rogação e 
novação). 
(C) INCORRETA. 
Novação subjetiva ou pessoal – é aquela em que ocorre a substituição dos sujeitos da 
relação jurídica obrigacional, criando-se uma nova obrigação, com um novo vínculo 
entre as partes. 
CC: Art. 360. Dá-se a novação: II – quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este 
quite com o credor. 
(D) CORRETA. 
A cessão de débito ou assunção de dívida é um negócio jurídico bilateral, pelo qual o 
devedor, com a anuência do credor e de forma expressa ou tácita, transfere a um 
terceiro a posição de sujeito passivo da relação obrigacional. Seu conceito pode ser 
retirado também do art. 299 do CC/2002, pelo qual é facultado a terceiro assumir a 
obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o 
devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o 
ignorava. 
(E) INCORRETA. 
A remissão é o perdão de uma dívida, constituindo um direito exclusivo do credor de 
exonerar o devedor, estando tratada entre os arts. 385 a 388 do CC. Não se confunde 
com remição, escrita com ç, que, para o Direito Civil, significa resgate. 
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CC: Art. 385 do CC/2002: “Art. 385. A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue 
a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro 
 
2. D 
(A) INCORRETA. 
O enunciado356 do CJF aduz que: "Nas hipóteses previstas no art. 413 do Código Civil, 
o juiz deverá reduzir a cláusula penal de ofício”. 
(B) INCORRETA. 
De acordo com o STJ, a redução da cláusula penal em razão do pagamento parcial da 
dívida – prevista no artigo 413 do Código Civil – é dever do juiz e direito do devedor. 
Entretanto, nessa tarefa, o magistrado não deve se ater à simples adequação 
matemática entre o grau de inexecução do contrato e o abatimento da penalidade; em 
vez disso, na busca de um patamar proporcional e equitativo, é preciso analisar uma 
série de fatores para garantir o equilíbrio entre as partes contratantes, como o tempo 
de atraso, o montante já quitado e a situação econômica do devedor (REsp 1898738). 
(C) INCORRETA. 
A Teoria do Inadimplemento Eficiente do Contrato sugere que o contratante, diante de 
uma oportunidade mais lucrativa, possa descumprir deliberadamente o pacto já 
firmado, honrando com o pagamento da multa contratual prevista. 
Cuida-se do dever de mitigar o próprio prejuízo (Duty to mitigate the loss). 
(D) CORRETA. 
CC/02: “Art. 405: Contam-se os juros de mora desde a citação inicial” e Art. 389: “Não 
cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e 
atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e 
honorários de advogado”. 
(E) INCORRETA. 
CC/02: “Art. 416: Para exigir a pena convencional, não é necessário que o credor 
alegue prejuízo”. 
 
3. A 
(A) CORRETA. 
CC/02: “Art. 366. Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com 
o devedor principal”. 
“Art. 838: “O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: I – se, sem consentimento 
seu, o credor conceder moratória ao devedor”. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
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(D) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa A. 
 
4. D 
(A) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(C) INCORRETA. 
Os arts. 356 a 359 do CC/2002 tratam da dação em pagamento (datio in solutum), que 
pode ser conceituada como uma forma de pagamento indireto em que há um acordo 
privado entre os sujeitos da relação obrigacional, pactuando-se a substituição do 
objeto obrigacional por outro. Para tanto, é necessário o consentimento expresso do 
credor, o que caracteriza o instituto como um negócio jurídico bilateral. 
Se o credor for evicto da coisa recebida, a obrigação primitiva será restabelecida, 
ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de terceiros de boa-fé (art. 
359 do CC): 
“Art. 359. Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento, restabelecer-se-á a 
obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação dada, ressalvados os direitos de 
terceiros”. 
Assim, Rejane só poderá exigir o Totó, uma vez que restabelecer-se-á a obrigação 
primitiva. 
Neste particular, não obstante a banca dar como certa a alternativa D, a alternativa C 
está correta. É preciso destacar, também, que a evicção, em regra, se aplica a 
contratos onerosos (art. 447, CC). A questão trata de contrato gratuito (doação). Logo, 
nos parece ser um ponto a ser questionado em eventual recurso. 
(D) CORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentário da alternativa C. 
 
5. E 
CC: 
Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se 
perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, 
ressalvados os seus direitos até o dia da perda. 
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Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não 
mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. 
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, 
antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para 
ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo 
equivalente e mais perdas e danos. 
Art. 184. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico 
não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação 
principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação 
principal. 
Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, 
aquele cuja existência supõe a do principal. 
 
6 B. 
(A) INCORRETA. CC: “Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a 
obrigação, ou em ato posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à 
de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora”. 
(B) CORRETA. CC: “Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz 
se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade 
for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do 
negócio”. 
(C) INCORRETA. CC:“Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário que o 
credor alegue prejuízo. Parágrafo único. Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na 
cláusula penal, não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi 
convencionado. Se o tiver sido, a pena vale como mínimo da indenização, competindo 
ao credor provar o prejuízo excedente”. 
D) INCORRETA. CC: art. 410 do Código Civil: “quando se estipular a cláusula penal para 
o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a 
benefício do credor”. A cláusula em si é uma alternativa, em vista do inadimplemento 
absoluto, não havendo alternativa em relação a ela e perdas e danos, que se cumulam, 
se for o caso. 
 
7. A. 
(A) CORRETA. O critério para distinguir a mora do inadimplemento absoluto da 
obrigação é a utilidade da obrigação para o credor, o que pode ser retirado do art. 395 
do CC. Por uma questão lógica, deve-se compreender que os efeitos decorrentes da 
mora são menores do que os efeitos do inadimplemento absoluto, eis que no segundo 
caso a obrigação não pode mais ser cumprida. 
Se em decorrência da mora a prestação tornar-se inútil ao credor, este poderá rejeitá-
la, cabendo a resolução da obrigação com a correspondente reparação por perdas e 
danos. No último caso, a mora é convertida em inadimplemento absoluto (parágrafo 
único do art. 395 do CC). 
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66 
(B) INCORRETA. De acordo com o art. 394 do CC, considera-se em mora o devedor que 
não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma 
que a lei ou a convenção estabelecer. O principal efeito da mora do devedor é a 
responsabilização do sujeito passivo da obrigação por todos os prejuízos causados ao 
credor, mais juros, atualização monetária – segundo índices oficiais – e honorários do 
advogado, no caso de propositura de uma ação específica (art. 395, caput, do CC). Em 
complemento, se em decorrência da mora a prestação tornar-se inútil ao credor, este 
poderá rejeitá-la, cabendo a resolução da obrigação com a correspondente reparação 
por perdas e danos. No último caso, a mora é convertida em inadimplemento absoluto 
(parágrafo único do art. 395 do CC). 
(C) INCORRETA. Segundo o art. 405 do CC, os juros de mora contam-se desde a citação 
inicial. Estabelece o Enunciado n. 163, da III Jornada de Direito Civil que “a regra do art. 
405 do novo Código Civil aplica-se somente à responsabilidade contratual, e não aos 
juros moratórios na responsabilidade extracontratual, em face do disposto no art. 398 
do CC. É certo, no entanto, que no caso de responsabilidade civil contratual, havendo 
mora de obrigação líquida e vencida, os juros devem ser contados a partir da data do 
inadimplemento, eis que há mora solvendi ex re, com a aplicação da máxima dies 
interpellat pro homine. Em suma, o art. 405 do CC deve incidir somente aos casos de 
obrigação líquida e não vencida. No que diz respeito às obrigações líquidas e vencidas, 
o Enunciado 428 dispõe que “os juros de mora, nas obrigações negociais, fluem a 
partir do advento do termo da prestação, estando a incidência do disposto no art. 405 
da codificação limitada às hipóteses em que a citação representa o papel de 
notificação do devedor ou àquelas em que o objeto da prestação não tem liquidez”. 
D) INCORRETA. CC 02: “Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da 
prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se 
estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano 
sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada”. 
 
8. A 
(A) CORRETA. 
CC: “Art. 354. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros 
vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a 
quitação por conta do capita”. 
(B) INCORRETA. 
Vide comentários item “A”. 
(C) INCORRETA. 
Vide comentários item “A”. 
(D) INCORRETA. 
Vide comentários item “A”. 
(E) INCORRETA. 
Vide comentários item “A”. 
 
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67 
9. B. 
(A) INCORRETA. 
CC: 
“Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado 
depois que não era credor.” 
(B) CORRETA. 
CC: 
“Art. 308. O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, 
sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu 
proveito.” 
(C) INCORRETA. 
CC: 
“Art. 310. Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar, se o 
devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu.” 
(D) INCORRETA. 
CC: 
“Art. 311. Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação, 
salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante.” 
(E) INCORRETA. 
CC: 
“Art. 312. Se o devedor pagar ao credor, apesar de intimado da penhora feita sobre o 
crédito, ou da impugnação a ele oposta por terceiros, o pagamento não valerá contra 
estes, que poderão constranger o devedor a pagar de novo, ficando-lhe ressalvado o 
regresso contra o credor.” 
 
10. A. 
(A) CORRETA. 
CC: 
“Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela 
conservação da coisa, obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em 
conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao devedor, se o seu 
valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação.” 
(B) INCORRETA. 
CC: 
“Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não incorre este em 
mora.” 
(C) INCORRETA. 
CC: 
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“Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, 
desde que o praticou.” 
(D) INCORRETA. 
CC: 
“Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora 
essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem 
durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda 
quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.” 
(E) INCORRETA. 
CC 
“Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só 
incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, 
sem prejuízo do disposto na lei processual.” 
 
11. A. 
(A) CORRETA. 
Art. 299 do CC: 
“Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento 
expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo 
da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. 
Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta 
na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa.” 
(B) INCORRETA. 
Art. 302 do CC: 
“Art. 302. O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que 
competiam ao devedor primitivo.” 
(C) INCORRETA. 
Art. 301 do CC: 
“Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com 
todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este 
conhecia o vício que inquinava a obrigação.” 
(D) INCORRETA. 
Art. 300 do CC: 
“Art. 300. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, 
a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao 
credor.” 
(E) INCORRETA.Vide comentários das assertivas anteriores, especialmente da “A”. 
 
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12. D. 
(A) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. 
(B) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. 
(C) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. 
(D) CORRETA. 
Há dois fatores decompostos da ideia de vínculo obrigacional: débito (schuld) e 
responsabilidade (haftung). Débito é a prestação a ser cumprida pelo devedor, em 
decorrência da relação de direito material. Responsabilidade patrimonial é a situação 
que recai sobre o patrimônio do devedor como garantia do direito do credor, derivada 
do inadimplemento. 
Uma dívida prescrita: cuida-se de obrigação com Schuld sem Haftung, afinal, a 
prescrição elimina a pretensão, não o direito. Logo, existe o débito, mas não existe a 
responsabilização. 
O penhor oferecido por terceiro; cuida-se de obrigação com Haftung sem Schuld, onde 
pode até ter uma dívida de outro, ou mesmo pode até não ser dele, mas terá sempre 
uma dívida. 
Dívida de jogo: cuida-se de obrigação com Schuld sem Haftung, impossibilitando assim 
a repetição do indébito, porque não era um débito, não obrigam o pagamento. 
Fiança: cuida-se de obrigação com Haftung sem Schuld. Pode até ter uma dívida de 
outro, ou mesmo pode até não ser dele, mas terá sempre uma dívida. Dessa forma, é 
possível o haftung de schuld alheio, exemplo clássico o fiador que responde até com o 
bem de família, para contratos de locação. 
(E) INCORRETA. Vide comentário da assertiva “D”. 
 
13. B. 
A resposta da presente questão se extrai dos escólios lançados no presente material, 
bem como do art. 409 do CC/02: 
“Art. 409. A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação, ou em ato 
posterior, pode referir-se à inexecução completa da obrigação, à de alguma cláusula 
especial ou simplesmente à mora.” 
 
14. C. 
De acordo com o artigo 359 do CC: “Se o credor for evicto da coisa recebida em 
pagamento, restabelecer-se-á a obrigação primitiva, ficando sem efeito a quitação 
dada, ressalvados os direitos de terceiros”. Em acréscimo, o art. 838, III, do CC 
estabelece que: “Art. 838. O fiador, ainda que solidário, ficará desobrigado: III – se o 
credor, em pagamento de dívida, aceitar amigavelmente do devedor objeto diverso do 
que este era obrigado a lhe dar, ainda que depois venha a perde-lo por evicção”. A 
combinação dos dois artigos leva à alternativa C como única correta. 
 
15. C. 
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A questão versa sobre o artigo 416 do CC. 
O item “C” versa sobre a possibilidade de pactuação de indenização suplementar, o 
que se depreende do art. 416 do CC. 
O item “A” confunde os conceitos de cláusula penal com desconsideração da 
personalidade jurídica. 
O item “B” contraria a redação do art. 416 do CC, na medida em que a alegação de 
prejuízo é dispensada na forma da lei. 
O erro do item “D” está em afirmar a possibilidade de exigência de indenização 
suplementar sem mencionar a necessidade de previsão contratual nesse sentido.

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