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CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 1 Direito Administrativo (Ponto 15) Processo Administrativo. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 2 CURSO MEGE Site para cadastro: www.mege.com.br Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) Turma: Clube Delta 2023.1 Material: Direito Administrativo – Ponto 15 Direito Administrativo (Ponto 15) Processo Administrativo CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 3 SUMÁRIO 1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 4 1.1. PROCESSO ADMINISTRATIVO .................................................................................... 4 2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 35 3. QUESTÕES ................................................................................................................... 44 4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 48 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 4 1. DOUTRINA (RESUMO) 1.1. PROCESSO ADMINISTRATIVO 1.1.1. PROCESSO ADMINISTRATIVO – LEI FEDERAL Nº 9.784/1999 Define-se Processo Administrativo como o conjunto de atos coordenados e interdependentes necessários a produzir uma decisão final a respeito de alguma função ou atividade administrativa. Para DI PIETRO, processo, em sentido amplo, é uma série de atos coordenados para a realização dos fins estatais. Destaque-se que processo administrativo e procedimento não se confundem, observe: PROCEDIMENTO PROCESSO ADMINISTRATIVO O procedimento corresponde ao rito e é realizado no interior do processo, para viabilizá-lo. O processo implica, além do vínculo entre atos, vínculos jurídicos entre sujeitos, englobando direitos, deveres, poderes, faculdades, na relação processual. Matheus CARVALHO aponta que o processo administrativo possui 04 (quatro) finalidades básicas, quais sejam: i) servir de instrumento de controle da atuação estatal, assegurando, especialmente, o princípio da impessoalidade, ao impedir que determinada decisão seja concentrada nas mãos de um único agente, uma vez que “o processo divide o poder entre vários agentes públicos”. O controle manifesta-se, também, através do princípio da publicidade, que permite ao particular, sujeito ou não do processo administrativo, conhecer os motivos e procedimentos que conduziram a Administração à determinada decisão, resguardando os administrados e permitindo o controle das condutas praticadas; ii) Garantir a democracia, isto porque é através do processo administrativo, que o administrador legitima e fundamenta suas decisões, justificando cada um dos atos e motivos que ensejaram cada uma de suas condutas, afastando a possibilidade de arbitrariedade pelo Poder Público; iii) Reduzir os encargos do Poder Judiciário, ao permitir que o administrado discuta determinado ato ou conduta administrativa no âmbito administrativo, através de processo acobertado pelos princípios do contraditório e ampla defesa. Neste ponto, é importante consignar que a possibilidade garantida ao administrado de discutir determinada matéria CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 5 administrativamente, não retira seu direito de submetê-la ao judiciário, nos termos art. 5º, XXXV, da CF, que consagra a adoção do Sistema Inglês pelo nosso ordenamento jurídico, no qual o exercício da jurisdição é reservado ao Poder Judiciário, a quem cabe, com exclusividade, aplicar o direito ao caso concreto com definitividade, com aptidão de formação de coisa julgada material; iv) Aperfeiçoar a atuação estatal, através do exercício dialético do controle de seus próprios atos (autotutela). Explanadas as finalidades do processo administrativo segundo a doutrina, cabe destacar que a Lei Federal nº 9.784/1999, que será nosso objeto de estudo na presente aula e regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, consigna que o processo tem como fim a “proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração”. Além da lei supracitada, a CF/88 faz referência expressa ao processo administrativo em dois dispositivos, art. 5ª, incisos LV e LXXVIII: LV: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”; LXXVIII: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 1.1.1.1. Abrangência e aplicação da Lei Federal nº 9.784/99 No que tange à sua abrangência, tem-se que a Lei Federal nº 9.784/99 se aplica à Administração Pública Federal, direta e indireta, inclusive aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, e também, ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, quando estiverem no desempenho de funções administrativas (art. 1º). Não se trata de uma lei nacional (como o são a Lei de Acesso à Informação e a Lei de licitações), e, sim, de uma LEI FEDERAL. Isso significa que ela não é de observância obrigatória pelos Estados, DF e Municípios. Os demais entes federativos poderão criar suas próprias normas para regulamentar os respectivos processos administrativos. ATENÇÃO! A Lei de Acesso à Informação (Lei Federal nº 12.527/2011) é uma lei nacional, ao contrário da Lei de Processo Administrativo Federal (Lei Federal nº 9.784/99), que, como vimos, é uma lei federal. ATENÇÃO! NADA OBSTANTE, conquanto os Estados, o Distrito Federal e os Municípios possam disciplinar, em seu âmbito, o processo administrativo, o STJ entende que a Lei CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 6 Federal nº 9.784/1999 tem aplicação subsidiária aos processos administrativos estaduais, distritais e municipais, incidindo no silêncio da legislação específica de cada ente. Ainda de acordo como STJ, caso a pessoa política não edite lei própria de processo administrativo, a Lei Federal nº 9.784/1999 terá aplicabilidade integral. Esse entendimento foi, agora em 2019, cristalizado no Enunciado nº 633 da Súmula do STJ, in verbis: “A Lei 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria”. Além da aplicação subsidiária/supletiva aos processos administrativos estaduais/distritais/municipais, é importante destacar que, se houver lei específica regulamentandodeterminado tipo de processo, a Lei Federal nº 9.784/99 incidirá apenas de forma subsidiária, vale dizer, apenas nos assuntos em que a lei específica for omissa, conforme previsto em seu art. 69: “Os processos administrativos específicos continuarão a reger- se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. 1.1.1.2. Princípios O artigo 2º, caput, da Lei Federal nº 9.784/99 enumera diversos princípios norteadores da atividade administrativa, a serem observados, também, nos processos administrativos, em conjunto com outros princípios, alguns previstos expressamente na CF/88, outros na legislação infraconstitucional aplicável à matéria, conforme se verá a seguir: Art. 2º: A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Além desses princípios expressos no caput do art. 2º da Lei Federal nº 9.784/99, os princípios implícitos e próprios do processo administrativo são: oficialidade (!), informalismo (!), instrumentalidade das formas (!), verdade material (!) e gratuidade (!). Como vários desses princípios expressos e implícitos já foram detidamente explicados em revisões pretéritas, nesta revisão serão feitos comentários, apenas sobre princípios implícitos e próprios do processo administrativo supracitados. a) Oficialidade CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 7 Tendo em vista a obrigatoriedade de alcançar o interesse público, a Administração não precisa aguardar o impulso das partes. Isto significa que o processo administrativo pode ser iniciado independentemente de provocação do administrado. Além disso, a mobilização do processo, uma vez desencadeado, é encargo da própria Administração, ou seja, cumpre-lhe impulsioná-lo de ofício, conforme previsão do art. 2º, parágrafo único, inc. XII, da Lei Federal nº 9.784/99. O princípio da oficialidade também autoriza que a administração determine, espontaneamente, a produção de provas necessárias à escorreita instrução do processo. Em resumo, a oficialidade está presente: no poder de iniciativa para instaurar o processo e na instrução do processo (impulsionar o processo). ATENÇÃO! O princípio da inércia ou da demanda é típico da atividade jurisdicional, afinal, o Judiciário, em regra, só atua mediante provocação dos interessados. Por sua vez, na esfera administrativa, o princípio que vigora é o da oficialidade ou do impulso oficial. Segundo esse princípio, ainda que a provocação inicial tenha sido do particular, o impulso do processo compete à Administração. A razão disso é que os processos administrativos iniciados pelos particulares não só atendem ao seu interesse, mas também ao interesse público, impelindo a Administração a reavaliar a legalidade e a conveniência dos atos que ela mesma praticou, para, se for o caso, anulá-los, modificá-los ou revogá-los (supraprincípio da indisponibilidade do interesse público e seu corolário da autotutela administrativa). b) Informalismo (Formalismo moderado) O processo administrativo é formal no sentido de que deve ser escrito, numerado e assinado, além de conter documentado tudo o que ocorre no seu desenvolvimento. Por outro lado, é informal no sentido de que não está sujeito a formas rígidas. Com efeito, o princípio do informalismo preceitua que, embora seja formal, o processo administrativo deve adotar formas simples, apenas suficientes para proporcionar segurança jurídica e garantir o direito de defesa quando necessário. ATENÇÃO! O art. 22 da Lei Federal nº 9.784/1999 consagra o informalismo do processo administrativo ao estabelecer: “Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir.” Deve-se ressaltar que o informalismo dos atos processuais no processo administrativo é uma regra geral, assim, conforme preceitua o referido art. 22, se a lei exigir uma forma específica como requisito para a validade de determinado ato, tal forma deverá ser observada, sob pena de nulidade. Segundo DI PIETRO, a necessidade CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 8 de maior formalismo existe, em especial, nos processos que envolvem interesses dos administrados, como é o caso dos processos de licitação, disciplinar e tributário. c) Instrumentalidade das formas Pelo princípio da instrumentalidade das formas, se, no curso do processo, a finalidade de determinado ato processual for alcançada, mesmo que não tenha sido observada a forma prescrita, pode-se considerar sanada a falta formal, desde que essa inobservância não prejudique a Administração ou o administrado. ATENÇÃO! Um exemplo da aplicação desse princípio pode ser encontrado no art. 26, §5º, da Lei Federal nº 9.784/1999: “As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade”. d) Verdade material De acordo com o princípio da verdade material, a Administração deve procurar conhecer como o fato efetivamente ocorreu no mundo real, e não ficar presa às informações trazidas aos autos do processo. Em decorrência desse princípio, a Administração Pública pode trazer aos autos quaisquer informações que possam auxiliar na apuração dos fatos efetivamente ocorridos, inclusive mediante a produção de provas de ofício. e) Gratuidade A Lei Federal nº 9.784/99 estabelece, como regra geral, a proibição de cobrança de despesas processuais. Tal proibição não é absoluta, sendo possível a previsão legal desse tipo de cobrança. A cobrança, contudo, não pode constituir em um empecilho injustificável à utilização do processo. 1.1.1.3. Direitos e deveres dos administrados Os DIREITOS dos administrados perante a Administração estão previstos, de forma exemplificativa, no art. 3º da Lei Federal nº 9.784/1999. Sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados, o administrado tem os seguintes direitos perante a Administração: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 9 - Ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; - Ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; - Formular alegações e apresentar documentos, que devem ser previamente considerados pelo órgão competente para a decisão. Esse direito decorre do princípio da verdade material; - Fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Isso significa que o administrado não é obrigado a ter a assistência de um advogado no processo, porém, se o administrado quiser (facultativo) contar com a assistência de um advogado, é um direito seu. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante nº 5 explicitando essa possibilidade, mesmo nos processos de que possam resultar sanções, como o PAD, observe: “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. Quanto aos DEVERES do administrado, sem prejuízo de outros previstosem ato normativo, são os seguintes: - Expor os fatos conforme a verdade; - Proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; - Não agir de modo temerário; - Prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Além disso, nos processos administrativos serão observados os seguintes CRITÉRIOS: - Atuação conforme a lei e o Direito; - Atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes e competências, salvo autorização em lei; - Objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes e autoridades; - Atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa- fé; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 10 - Divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; - Adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; - Indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; - Observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; - Adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; - Garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; - Proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; - Impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; - Interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. 1.1.1.4. Interessados Embora os processos administrativos sejam públicos, alguns administrados são reconhecidos pela Lei Federal nº 9.784/99 como interessados, gozando de prerrogativas e direitos especiais na tramitação processual. São interessados: - Pessoas físicas ou jurídicas que iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; - Aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; - As organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; - As pessoas ou associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 11 O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo deve determinar a intimação do interessado para ciência da decisão ou efetivação de diligências, notadamente em relação aos atos que resultem em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades do interessado. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação do pedido formulado, o não atendimento da respectiva apresentação pode implicar arquivamento do processo. Tal disposição, contudo, deve ser razoável e proporcional, sendo incabível quando a apresentação exigida for impraticável, no prazo estabelecido. Salvo outra previsão legal, encerrada a instrução, o interessado deve ter o direito de manifestação (alegações finais), no prazo de 10 (dez) dias. Por fim, frise-se que o interessado pode, por escrito, desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou renunciar a direitos disponíveis, sem prejuízo à continuidade do processo, caso a Administração entenda de acordo com o interesse público. A desistência ou renúncia atinge somente a quem tenha formulado. ATENÇÃO! Nos termos do art. 26, caput, da Lei Federal nº 9.784/1999, “o órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências”. Ou seja, a intimação do interessado é obrigatória e necessária para que este tome ciência das decisões, cumpra as diligências e, mais importante, exerça o seu direito de defesa. 1.1.1.5. Competência A competência administrativa envolve o conjunto de poderes conferido às pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos para o exercício de atividades administrativas. Em virtude da indisponibilidade do interesse público, tal competência é irrenunciável e intransferível. Nada obstante, a irrenunciabilidade e intransferibilidade não impedem a delegação e avocação de competência, que não significam sua modificação propriamente dita em razão de ser TEMPORÁRIA e EXCEPCIONAL, preservando o detentor da competência originária sua titularidade, podendo revogar a atribuição precária a qualquer momento, além de poder exercê-la concorrentemente. Para a DELEGAÇÃO, além da ausência de impedimento legal, exige-se a presença de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Importante destacar, ainda, que a decisão de delegação possui natureza discricionária, segundo a conveniência e oportunidade do agente delegante. Ademais, registre que a delegação pode ocorrer tanto dentro quanto fora da estrutura hierárquica do delegante. Vale dizer, o agente delegado pode ser tanto subordinado do delegante (delegação vertical), quanto não subordinado, estando, neste último caso, em outra estrutura administrativa sem relação de subordinação com o delegante (delegação horizontal). A ideia é a seguinte: se eu tenho a competência CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 12 primária para editar determinado ato, não havendo impedimento legal e presente alguma justificativa técnica, social, econômica, jurídica ou territorial, posso atribuir tal competência (delegá-la) para quem eu quiser. De acordo com o art. 13 da Lei Federal nº 9.784/1999, NÃO podem ser objeto de delegação: atos de caráter normativo; decisões em recurso administrativo; matérias de competência exclusiva. Por fim, o ato de delegação será sempre parcial e revogável a qualquer tempo. O instituto da revogação será analisado com cuidado na sequência. ATENÇÃO! Embora a delegação também seja excepcional, na medida em que é a autoridade originariamente competente que possui o poder-dever de exercê-la, a Lei Federal nº 9.784/1999 apenas afirma textualmente como excepcional a avocação [“Será permitida, em caráter excepcional...”]. Registre-se o Enunciado nº 510 da Súmula do STF, no sentido de que o mandado de segurança contra ato editado em competência delegada deve ser impetrado CONTRA A AUTORIDADE DELEGADA/DELEGATÁRIA, que efetivamente editou o ato, e não contra a delegante: Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. A seu turno, a AVOCAÇÃO, procedimento inverso à delegação em que o agente público chama para si a competência de outro agente, ocorrerá em caráter excepcional e se presentes motivos relevantes devidamente justificados. Além disso, diferentemente do que ocorre com a delegação, ela somente poderá ocorrer dentro da linha hierárquica, reclamando, assim, que o agente avocante seja superior hierárquico ao avocado. A razão é lógica: eu somente posso reclamar o exercício de determinada competência de outro agente,tomando-a, se eu lhe for superior. Não faz o menor sentido admitir que alguém não ligado pela linha hierárquica retire a competência originariamente acometida a determinado sujeito. Confira-se a seguinte sistematização: DELEGAÇÃO AVOCAÇÃO Se não houver impedimento legal e presentes circunstâncias técnica, social, econômica, jurídica ou territorial; Em caráter excepcional e se presentes motivos relevantes, devidamente justificados; Pode ser feita a agentes ou órgãos subordinados (vertical) ou não (horizontal); Apenas havendo subordinação (vertical); Sempre excepcional, embora a lei somente o diga, expressamente, para a avocação; Sempre excepcional; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 13 Sempre temporária, embora a lei somente o diga, expressamente, para avocação; Sempre temporária; Sempre parcial; Sempre parcial, embora a lei somente o diga, expressamente, para delegação; Revogável, a qualquer tempo; Revogável, a qualquer tempo; Discricionário; Discricionário (salvo disposição legal); Responsabilidade do agente que praticou o ato; Responsabilidade do agente que praticou o ato; São indelegáveis atos normativos, decisões em recursos administrativos e matérias de competência exclusiva. Não cabe avocação no caso de competência exclusiva do subordinado. Por fim, inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico. 1.1.1.6. Do impedimento e da suspeição As situações que caracterizam o impedimento ou a suspeição do agente público constituem aplicação direta do princípio da impessoalidade. Trata-se de situações pessoais dos servidores, mas que são passíveis de comprometer a necessária imparcialidade dos responsáveis pela condução do processo. A indisponibilidade do interesse público e a impessoalidade exigem que a prática do ato administrativo esteja desvinculada de interesses subjetivos da autoridade. O IMPEDIMENTO deriva de situações objetivamente estabelecidas pela legislação. Segundo o art. 18 da Lei Federal nº 9.784/99, é impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: - Tenha interesse direto ou indireto na matéria; - Tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; - Esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 14 Repare que as hipóteses de impedimento são de natureza objetiva. Detalhe é que o reconhecimento da situação de impedimento deve partir do próprio servidor ou autoridade. Nesse sentido, dispõe o art. 19 da Lei Federal nº 9.784/99 que “a autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente, abstendo-se de atuar”, sob pena de incorrer em falta grave, para efeitos disciplinares. Já a SUSPEIÇÃO, deriva de uma situação subjetiva, não sendo obrigatória a comunicação por um agente suspeito. Ademais, ainda que suscitada uma das hipóteses de suspeição, há possibilidade de refutação pelo próprio interessado. O art. 20 da Lei nº 9.784/99 assim dispõe: “Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau”. Note que, ao contrário das situações que levam ao impedimento, as causas de suspeição são bastante subjetivas. Existe, portanto, um juízo de valor a ser proferido pela autoridade competente para avaliar o caso. Por isso é que a Lei Federal nº 9.784/99 estabelece que “o indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo” (art. 21). Ou seja, como se trata de uma decisão subjetiva, a lei permite que o indeferimento da suspeição seja reavaliado em sede de recurso (sem efeito suspensivo). ATENÇÃO! A doutrina ensina que, no impedimento, há presunção absoluta (juris et de jure) de parcialidade do julgador em determinado processo por ele analisado, enquanto na suspeição há, apenas, presunção relativa. 1.1.1.7. Dos atos processuais São capazes, para o processo administrativo, os maiores de 18 anos, ressalvada previsão especial em ato normativo próprio. Conforme o art. 5º da Lei Federal nº 9.784/99, o processo pode ser iniciado pela própria Administração (de ofício) ou mediante provocação do interessado (a pedido). Se a iniciativa for do administrado, seu requerimento inicial deverá ser formulado por escrito, salvo nos casos em que for admitida solicitação oral, e deverá conter os seguintes dados: i) órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; ii) identificação do interessado ou de quem o represente; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 15 iii) domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; iv) formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; e v) data e assinatura do requerente ou de seu representante (art. 6º da Lei nº 9784/99). É importante observar que, no caso de eventuais falhas no pedido, a Administração deve orientar o interessado quanto à correção dessas, sendo vedada a recusa imotivada de recebimento de documentos (art. 6º, parágrafo único). A Lei Federal nº 9.784/99, em seu art. 8º, admite que quando os pedidos de uma pluralidade de interessados tiverem conteúdo e fundamentos idênticos, estes poderão ser formulados em um único requerimento, salvo preceito legal em contrário. Em virtude do princípio do informalismo, os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada, senão quando a lei expressamente a exigir. Eles devem ser realizados em dias úteis, no horário normal, quando o adiamento possa prejudicar o curso regular do procedimento ou cause dano ao interessado ou à Administração. Inexistindo previsão legal específica, os atos processuais devem ser praticados no prazo de 5 dias, salvo motivo de força maior, sendo possível a dilatação justificada até o dobro. Os atos do processo devem realizar-se, preferencialmente, na sede do órgão, cientificando-se o interessado se outro for o local de realização. 1.1.1.8. Das intimações Intimar é, simplesmente, dar ciência ao interessado de algum ato praticado no processo, ou de alguma providência que deva ser adotada, dependa ou não, do comparecimento do interessado à repartição. Segundo o art. 26 da Lei Federal nº 9.784/99, o interessado deverá ser intimado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Mais especificamente, devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse (art. 28). A intimação deverá conter (art. 26, §1º): - Identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; - Finalidade da intimação; - Data, hora e local em que deve comparecer; - Se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob penada adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 16 - Informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; - Indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. Quando for necessário o comparecimento do interessado à repartição, a intimação deverá ser promovida com antecedência mínima de 03 (três) dias úteis (art. 26, § 2º). Em relação à forma, a intimação poderá ser (art. 26, §3º): - Pessoal, mediante ciência no processo, por ocasião do comparecimento do interessado; - Por via postal com aviso de recebimento; - Por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado; - Por meio de publicação oficial, no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. Não há ordem de preferência com relação às três primeiras hipóteses de intimação. Já a publicação oficial cabe somente na hipótese listada, qual seja no caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. O art. 26, § 5º, segundo o qual “as intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade”, apresenta o já comentado exemplo de aplicação do princípio da instrumentalidade das formas. Já o art. 27 consagra que, “o desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado”. Quer dizer que o simples fato de o administrado desatender à intimação não implica a presunção da sua culpa, tampouco significa confissão ou renúncia a direitos que porventura lhes sejam assegurados, como o direito à ampla defesa. 1.1.1.9. Das provas As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias (art. 29 da Lei Federal nº 9.784/99). Quando for necessária a prestação de informações ou apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento. Entendendo relevante a matéria, o órgão pode apresentá-la, mesmo que o interessado se omita. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 17 Regra geral, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quando ele declarar que os fatos e dados estão registrados em documentos em posse da Administração, esta, de ofício, obterá os documentos ou respectivas cópias. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório da decisão. É importante frisar que poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. As provas ilícitas, contudo, são sempre inadmissíveis. Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão competente poderá abrir período de consulta pública, a fim de que terceiros (pessoas físicas e jurídicas não enquadradas no conceito de interessados previsto no art. 9º) possam examinar os autos e apresentar suas considerações (por escrito), antes da decisão. A Administração deverá oferecer resposta fundamentada a todas as considerações recebidas, podendo elaborar uma resposta comum para atender às alegações substancialmente iguais (art. 31 da Lei Federal nº 9.784/99). Além disso, antes da tomada de decisão, se a autoridade competente entender que o processo cuida de questão relevante, poderá realizar audiência pública para debates sobre a matéria (art. 32). A diferença para a consulta pública é que, na audiência, não haverá acesso aos autos por parte de terceiros não interessados, nem direito de resposta às considerações, mas apenas debates sobre a matéria do processo. Todos os dados levantados durante a instrução, tanto os obtidos de ofício pela Administração como os produzidos por iniciativa do interessado, ou, ainda, nas consultas e audiências públicas, devem ser juntados aos autos para fundamentar a decisão do processo (art. 29, § 1º). Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento (art. 39). Caso se trate de intimação para a produção de uma prova ou a realização de diligência, os interessados serão intimados com antecedência mínima de 3 dias úteis, mencionando- se data, hora e local de realização (art. 41). Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão (princípio da oficialidade), não se eximindo de proferir a decisão (art. 39, parágrafo único). Todavia, quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento da intimação no prazo fixado pela Administração para a apresentação dessas informações implicará arquivamento do processo. Essa hipótese ocorre quando a Administração não teve como suprir de ofício a omissão, ou entendeu que a matéria não era relevante o suficiente para tanto, de tal sorte que sua decisão deverá ser, simplesmente, pelo arquivamento do processo (art. 40). 1.1.1.10. Dos pareceres e dos laudos técnicos CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 18 Os pareceres, via de regra, possuem caráter meramente opinativo, embora possam ser usados como fundamentação para o ato praticado. Durante a instrução, pode ser necessária a produção de pareceres por órgãos consultivos. O prazo para emissão do parecer é de 15 dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior prazo (art. 42). Caso extrapolado o prazo, o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, desde que ele não seja vinculante e sem prejuízo da responsabilidade de quem se omitiu no atendimento. ATENÇÃO! O Ex-Ministro Joaquim Barbosa, trazendo a doutrina do jurista francês René Chapus, explicou existirem três espécies de parecer, o facultativo, o obrigatório e o vinculante: “(i) quando a consulta é facultativa, a autoridade não se vincula ao parecer proferido, sendo que seu poder de decisão não se altera pela manifestação do órgão consultivo; (ii) quando a consulta é obrigatória, a autoridade não se vincula a emitir o ato tal como submetido à consultoria, com parecer favorável ou contrário, e se pretender praticar o ato de forma diversa da apresentada à consultoria, deverá submetê-lo a novo parecer; (iii) quando a lei estabelece a obrigação de decidir à luz de parecer vinculante, essa manifestação de teor jurídico deixa de ser meramente opinativa e o administrador não poderá decidir senão nos termos da conclusão do parecer ou, então, não decidir” (No MS nº 24.584-1/DF, j. em 09/08/2007). A temática é importante quanto à responsabilidade do parecerista, entendendo o Supremo que, salvante o caso de parecer vinculante, o parecerista somente responderia em caso de dolo ou erro inescusável (Info. STF nº 475). Registre-se que, nos termos do art. 184 do CPC/2015, não tendo qualquer relevância a natureza do parecer, “o membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções”. Considerando o entendimento exposto acima (MS 24631/DF), podemos fazer a seguinte esquematização relacionando as espécies de parecer e a respectiva responsabilidade do parecerista: PARECER FACULTATIVO PARECEROBRIGATÓRIO PARECER VINCULANTE A manifestação não é obrigatória, bem como não vincula o gestor público. A manifestação é obrigatória, porém, o administrador, fundamentadamente (por meio de outro parecer ou manifestação técnica), pode praticar ato de forma diversa da opinião do parecerista. A manifestação é obrigatória e vinculante. O administrador deve decidir nos termos da conclusão do parecer ou, então, não decidir. Em regra, o parecerista não tem responsabilidade pelo ato administrativo. Em regra, o parecerista não tem responsabilidade pelo ato administrativo. Há uma partilha do poder de decisão entre o administrador e o CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 19 Contudo, o parecerista pode ser responsabilizado se ficar configurada a existência de culpa ou erro grosseiro. Contudo, o parecerista pode ser responsabilizado se ficar configurada a existência de culpa ou erro grosseiro. parecerista, já que a decisão do administrador deve ser de acordo com o parecer. Logo, o parecerista responde solidariamente com o administrador pela prática do ato, não sendo necessário demonstrar culpa ou erro grosseiro. Pela sua importância, confira a íntegra do art. 42 da Lei Federal nº 9.784/99: Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior prazo. § 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso. § 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de quem se omitiu no atendimento. 1.1.1.11. Da tramitação prioritária Certos procedimentos administrativos terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância. Essa prioridade será garantida nos procedimentos em que figure como parte ou interessado (art. 69-A): - Pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; - Pessoa portadora de deficiência, física ou mental; - Pessoa portadora de doença grave. Quanto a este último item, a lei apresenta uma lista exemplificativa de doenças consideradas graves: tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS). Além disso, a lei assegura o mesmo CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 20 direito aos portadores de “outra doença grave, com base em conclusão da medicina especializada”. Importante ressaltar que o direito à tramitação prioritária existe mesmo que a doença tenha sido contraída após o início do processo. Deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria que evidencie o regime de tramitação prioritária. Frise-se que a tramitação prioritária não acontece de ofício. A pessoa interessada na obtenção do benefício deverá requerê-lo à autoridade administrativa competente, juntando prova de sua condição. 1.1.1.12. Do recurso administrativo. Da coisa julgada administrativa e da revisão De acordo com o art. 56 da Lei Federal nº 9.784/99, das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. § 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução. § 3o Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. Como se sabe, o recurso administrativo é uma forma de impugnação a uma decisão administrativa, em processo devidamente instaurado. Possuem legitimidade para interpor recurso administrativo, segundo o art. 58: I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 21 O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de 05 (cinco) dias (efeito regressivo), o encaminhará à autoridade superior. ATENÇÃO! Recurso administrativo não se confunde com pedido de reconsideração. Enquanto o recurso administrativo é a impugnação que será analisada pela autoridade superior àquela que proferiu a decisão, o pedido de reconsideração é o requerimento de reexame direcionado à própria autoridade que proferiu a decisão. O pedido de reconsideração não está previsto na Lei Federal nº 9.784/99, mas encontra previsão em leis específicas, como no art. 106 da Lei Federal 8.112/90 e art. 109, III, da Lei Federal 8.666/93. A interposição de recurso administrativo independe de caução e pode tramitar por até 03 (três) instâncias administrativas. Salvo disposição legal específica, é de 10 (dez) dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente. Este prazo para a decisão poderá ser prorrogado por igual período, ante justificativa explícita. Vale destacar que, salvo disposição legal em contrário, o recurso NÃO tem efeito suspensivo. No entanto, havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. Dizer que o recurso independe de caução significa que, nos processos administrativos, NÃO é admitida a chamada garantia de instância, ou seja, não é necessário o depósito de valores ou oferecimento de bens em garantia para que o recurso seja admitido. Aliás, tal vedação é objeto da Súmula Vinculante nº 21 do STF: “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. Não será conhecido o recurso interposto (art. 63): I - fora do prazo; II - perante órgão incompetente. Neste caso, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo para recurso; III - por quem não seja legitimado; IV - após exaurida a esfera administrativa. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 22 De acordocom a Lei nº 9.784/99, caso a decisão do recurso possa gerar gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão (art. 64, parágrafo único). Isto significa que a referida lei admite a possibilidade de reformatio in pejus, ou seja, que a decisão pode ser reformada para pior em grau de recurso, desde que haja prévia oitiva da parte interessada. Nestes termos, já se manifestou o STF: “A possibilidade da administração pública, em fase de recurso administrativo, anular, modificar ou extinguir os atos administrativos em razão de legalidade, conveniência e oportunidade, é corolário dos princípios da hierarquia e da finalidade, não havendo se falar em reformatio in pejus no âmbito administrativo, desde que seja dada a oportunidade de ampla defesa e o contraditório ao administrado e sejam observados os prazos prescricionais”. (STF - Ag. Reg. no Rext 641.054 – Rel. Min. Luiz Fux – j. 25.05.2012) ATENÇÃO 1! Isto significa dizer que, NÃO se aplica ao processo administrativo a proibição da reformatio in pejus. O tema já foi cobrado pelo CESPE, que considerou errada a seguinte assertiva: (CESPE): É vedada a reformatio in pejus nos processos administrativos de que resultem sanções. ATENÇÃO 2! A reformatio in pejus é permitida nos recursos administrativos em geral, mas é vedada, especificamente, na revisão dos processos de que resultem sanções, conforme art. 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/1999, vez que na revisão já existe coisa julgada administrativa. Vale destacar que o descumprimento pela Administração do prazo para decidir não acarreta nulidade da decisão (diz-se que é um prazo impróprio), mas poderá resultar na responsabilidade funcional de quem houver, de maneira injustificada, dado causa ao atraso. Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado de Súmula Vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões porque entende ser a súmula aplicável ou não ao caso (art. 56, § 3º). A autoridade superior, quando for apreciar o recurso, deverá proceder da mesma forma, ou seja, também deverá explicitar as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da Súmula ao caso (art. 64-A). Na hipótese de o administrado entender que houve violação a enunciado de Súmula Vinculante, poderá ajuizar reclamação perante o Supremo Tribunal Federal, dede que, antes, tenha esgotado as vias administrativas. Acolhida a reclamação, o STF anulará a decisão administrativa e dará ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 23 administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal (art. 64-B). ATENÇÃO! É importante frisar que, de acordo com art. 61 da Lei 9.784/99, “salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo”, isto é, não suspende os efeitos da decisão recorrida. Isso significa que a Administração não fica impedida de praticar o ato que esteja sendo alvo de impugnação. Costuma-se dizer que os recursos administrativos possuem apenas efeito devolutivo, que é um efeito inerente a qualquer recurso, e significa simplesmente que a matéria recorrida é submetida a nova apreciação e decisão pelo órgão com competência recursal. Por oportuno, registre-se que, em alguns casos, a legislação reconhece a necessidade de efeito suspensivo para alguns recursos administrativos, em razão do potencial prejuízo que poderia ser resultante da não atribuição de tal efeito. O efeito devolutivo dos recursos administrativos é bastante amplo. Segundo o art. 64 da Lei Federal nº 9.784/99, o órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, desde que se trate de matéria da sua competência. É possível, inclusive, que a autoridade superior reforme a decisão em prejuízo do recorrente, ou seja, agravando a sua situação inicial (a denominada reformatio in pejus). Se a decisão do recurso puder causar o agravamento da situação do recorrente, este deverá ser cientificado previamente para que formule suas alegações antes da decisão (art. 64, parágrafo único). Vale ressaltar que a referida lei, ao tratar dos recursos, tratou sobre o recurso hierárquico próprio, no qual se identifica uma relação de hierarquia entre a autoridade recorrida e a autoridade revisora “instância superior”. Ele deriva da própria hierarquia, não sendo (de acordo com a doutrina) necessária previsão legal o determinando. Por sua vez, no caso do recurso hierárquico impróprio, não é identificada relação hierárquica direta entre órgão recorrido e o órgão revisor, sendo necessária previsão legal para a sua existência. Neste caso, o órgão revisor será aquele que a lei determinar, diferente do recurso hierárquico próprio em que o revisor é a autoridade hierarquicamente superior. Outro ponto importante diz respeito à coisa julgada administrativa. É diferente da coisa julgada relacionada às decisões do Poder Judiciário, não gozando do mesmo status de imutabilidade. Isso porque, mesmo ocorrendo a coisa julgada administrativa, pode o administrado se insurgir contra essa decisão perante o Judiciário. Nesse sentido, a coisa julgada administrativa significa que determinado assunto decidido na via administrativa não poderá mais sofrer alteração nessa mesma via administrativa, o que não impede o uso da via judicial. Por fim, de acordo com a Lei Federal nº 9.784/99, os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser objeto de REVISÃO, a qualquer tempo, a pedido CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 24 ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes, suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada (art. 65). Mais uma vez, destaque-se que é vedada a reformatio in pejus na revisão. 1.1.1.13. Desistência e extinção do processo O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis (art. 51). A sua desistência ou renúncia, porém, não prejudica o prosseguimento do processo, se a Administração considerar que o interesse público assim o exige (art. 51, § 2º). Ressalte-se que a desistência ou renúncia de um interessado não atinge outros eventuais interessados habilitados no processo (art. 51, § 1º). O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou quando o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente (art. 52). 1.1.1.14. Contagem dos prazos Os prazos no processo administrativo federal começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do começo e incluindo-se o do vencimento (art. 66). Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo (art. 66, § 2º). Em qualquer caso, se o vencimento cair em dia em que não houver expediente, ou em que este for encerrado antes da hora normal, considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte (art. 66, § 1º). Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data; se no mês do vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês (art. 66, § 3º). Por fim, salvo motivo de força maior, devidamente comprovado, os prazos processuaisnão se suspendem (art. 67). 1.1.1.15. Decadência Administrativa O princípio da autotutela garante o direito da Administração de anular os seus atos, desde que respeitado o prazo decadencial de cinco anos quando dos atos decorram efeitos favoráveis para os seus destinatários, salvo comprovada má-fé (art. 54). Este prazo, por estar previsto em lei federal, aplica-se, exclusivamente, em âmbito federal, não se estendendo automaticamente aos demais entes federados. Em suma, no caso da Administração Pública Federal, não exercida a prerrogativa da autotutela no âmbito de cinco anos, opera-se a decadência administrativa, exceto se configurada a má-fé do administrado. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 25 1.1.2. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR Neste ponto, faremos algumas considerações acerca do processo administrativo disciplinar (PAD), instrumento utilizado para apuração de faltas e aplicação de sanções administrativas nos casos de infrações praticadas por agentes na prestação do serviço público. Importante destacar, de início, que os entes federativos possuem autonomia para criar suas próprias normas para regulamentar o processo administrativo disciplinar. Assim, os arts. 143 e seguintes da Lei Federal nº 8.112/90, que tratam sobre o tema, aplicam-se apenas no âmbito do federal. Contudo, tal como acontece com a Lei Federal nº 9.784, as normas federais servem de espelho para as legislações estaduais, de modo que passaremos a ver a generalidade do processo administrativo disciplinar previsto na Lei Federal nº 8.112/90. Ainda de forma preambular, destaque-se que o art. 148 da referida Lei define o processo disciplinar como “instrumento destinado a apurar a responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições em que se encontre investido”. 1.1.2.1. Sindicância Por vezes, antes da instauração do processo, é preciso instaurar uma investigação com o escopo de apurar fatos (indícios) quanto à infração funcional e à respectiva autoria. Tal procedimento investigatório é denominado pela doutrina como sindicância. Costuma-se dividir a sindicância em 02 (duas) espécies: a) Investigatória ou preparatória (preliminar ao PAD); e b) Contraditória ou acusatória. A SINDICÂNCIA INVESTIGATÓRIA OU PREPARATÓRIA OU PRELIMINAR é um procedimento preliminar inquisitorial, por isso não requer a garantia de contraditório, uma vez que não tem por objetivo a aplicação de sanções. Assim, em virtude da ausência de contraditório e ampla defesa, serve apenas de substrato para a instauração de processo administrativo disciplinar quando constatada conduta lesiva ao interesse público ou prática de infração administrativa. Esta espécie de sindicância não possui previsão legal expressa, sendo extraída a partir da leitura sistemática da Lei Federal nº 9.784/99, segundo a qual o Poder Público tem o poder-dever de apurar a existência de condutas ilícitas. Por outro lado, a SINDICÂNCIA CONTRADITÓRIA OU ACUSATÓRIA está regulamentada nos artigos 143 e 145 da Lei Federal nº 8.112/90 e representa um processo administrativo simplificado, destinado à aplicação de penalidade de advertência ou suspensão por até 30 dias. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 26 ATENÇÃO! Repita-se que a sindicância meramente investigatória, criada pela doutrina e extraída de interpretação sistemática da Lei Federal nº 9.784/99, nunca poderá resultar na aplicação de penalidades ao agente público, visto que dispensada a garantia do contraditório. Já a sindicância contraditória, com previsão expressa na Lei nº 8.112/90, representa um processo administrativo disciplinar que pode acarretar penalidades ao servidor público, posto que respeitado o contraditório e a ampla defesa. A sindicância acusatória deve ser concluída no prazo máximo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias, a critério da autoridade superior. Contudo, a inobservância pelo Poder Público, embora possa ensejar a responsabilidade do agente causador do atraso, não acarreta nulidade do processo. No tocante ao rito a ser adotado na sindicância acusatória, à míngua de previsão legal, e diante da necessidade de definir um procedimento a ser observado pela Administração Pública, a doutrina defende a aplicação das regras destinadas ao processo administrativo disciplinar, naquilo que couber. A teor do art. 145 da Lei Federal nº 8.112/90, a sindicância contraditória pode ensejar 03 (três) situações: a) Arquivamento do processo: ocorrerá quando não for apurada nenhuma infração ou se o servidor não foi o autor da irregularidade; b) Aplicação de penalidade: quando constatada a prática infracional pelo servidor causador cuja penalidade seja de advertência ou suspensão por até 30 dias; c) Instauração do PAD: quando apurada infração mais grave, praticada por servidor público, ensejadora de penalidade mais severa que as mencionadas no item anterior. ATENÇÃO! A sindicância acusatória NÃO é essencial para a instauração de processo administrativo disciplinar (PAD), assim como a instauração deste NÃO é necessária se a sindicância contraditória apurar a prática de infração penalizada com advertência ou suspensão por até 30 dias. Se a sindicância resultar na instauração do PAD, os autos da sindicância acusatória integrarão aquele, a título de peça informativa da instrução. Caso o relatório da sindicância conclua pelo enquadramento da infração como ilícito penal, a autoridade competente deverá encaminhar cópia dos autos ao Ministério Público, independentemente da imediata instauração do processo disciplinar. 1.1.2.2. Processo administrativo disciplinar (PAD) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 27 Desde logo, relevante registrar que, antes da instauração do processo administrativo disciplinar, é possível que seja determinado o afastamento preventivo do servidor público, a título de medida cautelar, com o objetivo de que o servidor não influencie na apuração da irregularidade. 1.1.2.2.1. Afastamento preventivo (art. 147 da Lei Federal nº 8.112/90) Quando da instauração do PAD, caso a autoridade administrativa entenda que a permanência do servidor no cargo terá o condão de prejudicar o andamento do processo, poderá determinar o afastamento preventivo deste, pelo prazo máximo de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias (prazo peremptório), sendo mantido, durante tal período, o pagamento da remuneração integral do servidor processado. Tal medida não tem caráter punitivo, mas acautelatório, até porque é vedada a aplicação de penalidades aos servidores públicos sem prévio processo disciplinar. ATENÇÃO! - A instauração do PAD interrompe o prazo prescricional para a aplicação da penalidade administrativa. Segundo o entendimento do STJ, tal prazo é interrompido pelo período de 140 dias (prazo máximo para conclusão do PAD – art. 152, caput c/c art. 169, § 2º, ambos da Lei Federal nº 8.112/90), ocasião em que a sua contagem é normalmente reiniciada; - No curso do processo administrativo disciplinar, o servidor processado não pode ser exonerado a pedido nem ser aposentado voluntariamente, devendo, para tanto, aguardar o término do PAD; - Por outro lado, não há ilegalidade na imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD a servidor público, ainda que a decisãonão tenha transitado em julgado administrativamente, pois, como visto, o recurso administrativo não possui efeito suspensivo automático (MS 19.488.2015 – Informativo 559 do STJ). 1.1.2.2.2. Fases do processo administrativo disciplinar (PAD) a) Instauração Ocorre mediante a designação da comissão processante, composta mediante 03 servidores estáveis que não sejam cônjuges ou parentes até o terceiro grau civil do acusado, tendo em vista a necessidade de garantir a imparcialidade na condução do processo. É o que dispõe o art. 150 da Lei Federal nº 8.112/90: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 28 “A Comissão exercerá suas atividades com independência e imparcialidade, assegurado o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da administração”. Quanto aos servidores que podem ocupar cargo na comissão processante, a Lei Federal nº 8.112/90 estabelece que apenas o presidente da comissão deverá apresentar uma qualidade especial, isto é, deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. Os demais membros, por sua vez, não precisam ocupar cargo efetivo superior e podem ter nível de escolaridade mais baixo que o do indiciado, desde que sejam estáveis. Tal estabilidade visa garantir a imparcialidade e isenção dos membros da comissão processante e deve ser aferida no cargo, não sendo suficiente que o membro da comissão goze de estabilidade no serviço público (STF. 2ª Turma. RMS 32357/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/3/2020 (Info 970)). Registre-se que a autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa. Trata-se, portanto, de ato administrativo vinculado, não podendo ser dispensado pela autoridade competente. Ademais, o STJ já se manifestou no sentido de que a portaria designadora da comissão e que instaura o PAD NÃO precisa trazer uma descrição minuciosa dos fatos, inclusive como forma de evitar a emissão prévia de juízo de valor acerca do servidor processado, o que poderia ensejar uma presunção de culpabilidade do agente público, o que não é admitido pelo ordenamento jurídico. Corroborando com esse entendimento, o STJ aprovou, em 18/02/2020, o enunciado da Súmula nº 641, segundo o qual, “a portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição detalhada dos fatos a serem apurados”. É necessário, ainda, que a portaria de instauração do PAD indique a possibilidade de apuração de fatos conexos ao principal, inclusive com a investigação de condutas de outros servidores, desde que não prejudique a celeridade e eficiência do processo. ATENÇÃO! Tanto o STJ, quanto o STF admitem a instauração de processo administrativo disciplinar com base em DENÚNCIA ANÔNIMA, desde que motivada e com amparo em investigação ou sindicância, isto é, em alguma espécie de apuração preliminar da existência dos indícios de materialidade e autoria “denunciados” (S. 611, STF; art. 106, Lei Baiana 12.209/2011). b) Inquérito administrativo Segunda fase do processo administrativo disciplinar, o inquérito administrativo engloba os procedimentos atinentes ao respeito do contraditório e da ampla defesa e CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 29 se divide em 03 (três) momentos, quais sejam, instrução probatória; citação do acusado com abertura de prazo e oportunidade de defesa; e elaboração do relatório pela comissão do processo. b.1) Instrução A instrução probatória é ampla, de modo que a lei autoriza, no seio do processo administrativo, todos os meios de prova admitidos em Direito, isto é, todas as provas produzidas licitamente serão admitidas, sem restrições indevidas. ATENÇÃO! Em processo administrativo NÃO se admite a determinação de interceptação telefônica [restrita que está ao processo judicial criminal], MAS não há óbice para sua utilização enquanto prova emprestada, desde que tenha sido produzida regularmente no processo judicial criminal e sejam respeitados o contraditório e a ampla defesa (S. 591, STJ; art. 22, § 1º, Lei Estadual nº 12.209/2011). Nessa fase de instrução probatória, a comissão promoverá a tomada de depoimentos, acareações, investigações e diligência cabíveis, a fim de coletar provas, admitindo a participação de técnicos e peritos, quando necessário, de modo a alcançar a máxima elucidação dos fatos. No tocante à produção de prova oral, concluída a inquirição das testemunhas, a comissão promoverá o interrogatório do acusado. Em sendo mais de um no mesmo processo, cada um será ouvido separadamente, de modo que se surgir divergência em suas declarações sobre fatos ou circunstâncias, haverá acareação entre eles. Deve-se, também, garantir, ao procurador do acusado, a faculdade de assistir ao interrogatório, bem como à inquirição das testemunhas, sendo-lhe vedado interferir nas perguntas e respostas apresentadas, mas sendo admitida a reinquirição das mesmas, por intermédio do presidente da comissão. ATENÇÃO! - Produzidas as provas, o réu terá o prazo de 10 dias para apresentação de defesa; - Se o acusado não for encontrado e a citação ocorrer por edital, publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio conhecido, o prazo para apresentação de defesa será de 15 dias; - Havendo dois ou mais acusados no mesmo processo, o prazo de defesa será de 20 dias (prazo comum); - Caso o réu não apresente defesa, no prazo legal, será decretada sua revelia; - Ressalta-se que o conceito da expressão revelia é exatamente a ausência de contestação dentro da lei. Assim, é preciso que o candidato não confunda o conceito de revelia com os efeitos que ela produz no processo civil, quais sejam, a confissão CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 30 ficta dos fatos alegados pela parte adversa e a não intimação dos atos subsequentes do processo; - Portanto, no processo administrativo, o único efeito decorrente da revelia é a designação de defensor dativo, já que não se pode seguir o Processo Administrativo Disciplinar sem a apresentação de defesa. Não há, pois, presunção de veracidade em desfavor do investigado; - O prazo de duração do PAD é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, até elaboração do relatório, quando a autoridade terá mais 20 dias para julgamento. Daí decorre o entendimento jurisprudencial de que a interrupção da prescrição dura 140 dias, contados da instauração do PAD, como se este fosse o prazo máximo do procedimento. c) Julgamento Após a elaboração do relatório pela comissão processante, a autoridade julgadora deverá proferir o julgamento no processo administrativo em prazo máximo de 20 dias. ATENÇÃO! CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA POR FALTA DISCIPLINAR EM ATIVIDADE De acordo com o STF, é possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela prática de falta disciplinar punível com demissão enquanto em atividade. Para o Supremo, é constitucional a previsão da penalidade de aposentadoria de servidores públicos estabelecida nos arts. 127, IV, e 134, ambos da Lei nº 8.112/90, compatível que é com o caráter contributivo e solidário do regime próprio de previdência dos servidores públicos. (STF, Plenário, ADPF418, Rel. Alexandre de Moraes, j. em 15/04/2020 - Info 915). Assim também, o STJ: Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 142): Tese 10: A pena de cassação de aposentadoria prevista nos art. 127, IV e art. 134 da Lei n. 8.112/1990 é constitucional e legal, inobstante o caráter contributivo do regime previdenciário. 1.1.2.2.3. Impugnações administrativas do julgamento Destaca-se, mais uma vez, o teor da Súmula Vinculante nº 21 do STF (muito cobrada em concurso), que estabelece ser INCONSTITUCIONAL a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. a) Recurso e pedido de reconsideração Deverão ser interpostos no prazo legal de 30 dias. O recurso administrativo é encaminhado hierarquicamente, por meio da autoridade à qual está subordinado e CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 31 dirigido à autoridade superior àquela que proferiu a decisão impugnada. Já o pedido de reconsideração, como o próprio nome sugere, é julgado pela própria autoridade que realizou o julgamento do processo. Lembrando que não é possível que, após o julgamento de um pedido de reconsideração, haja nova interposição deste. Ressalte-se que o recurso e o pedido de reconsideração são impugnações diferentes, que não se excluem. Ademais, havendo hierarquia administrativa suficiente, é possível apresentação de recursos até 03 (três) instâncias, sendo que, a cada nova interposição de recurso ou de pedido de reconsideração, ocorre nova interrupção do prazo prescricional. De mais a mais, cabe recordar que os recursos administrativos e os pedidos de reconsideração NÃO têm efeito suspensivo, cabendo à autoridade julgadora receber com tal efeito quando entender pertinente. Por fim, em se tratando de processo administrativo, do julgamento de pedido de reconsideração e de recurso administrativo, PODE decorrer situação mais gravosa ao recorrente, visto que a lei não proíbe a reformatio in pejus. b) Revisão A revisão NÃO tem prazo, razão pela qual o pedido pode ser feito a qualquer tempo, desde que haja a alegação de fatos novos pelo servidor ou circunstâncias hábeis a justificar a inocência do acusado ou inadequação da penalidade aplicada. Por fatos novos, entende-se não os fatos ocorridos após a instauração do PAD, mas aqueles fatos que não foram analisados no processo, ainda que existentes ao tempo de sua conclusão. A despeito da ausência de prazo preclusivo, há prazo prescricional contra o Estado, qual seja, de 05 (cinco) anos para demissão, cassação de aposentadoria e disponibilidade e 120 (cento e vinte) dias nos demais casos, a teor do art. 110 da Lei Federal nº 8.112/90. ATENÇÃO! Do julgamento da revisão, NÃO pode haver agravamento da penalidade aplicada ao servidor no processo originário. Em outras palavras, aplica-se a vedação da reformatio in pejus. ATENÇÃO! Controle judicial de sanção administrativa disciplinar Em nome do princípio da indisponibilidade do interesse público, reconhece-se a inexistência de discricionariedade quanto ao dever de a Administração investigar indícios do cometimento de infração administrativa praticada por seus servidores, bem como, de face à comprovação da falta disciplinar, punir o agente público infrator. Entretanto, doutrina e jurisprudência afirmam a discricionariedade da Administração quanto à valoração do conjunto probatório colhido no processo administrativo e em relação à escolha e gradação da sanção a ser aplicada dentre as cabíveis. Assentada essa premissa, o STJ e o STF entendem que o Judiciário, restrito que está ao controle de juridicidade, em especial a verificação da compatibilidade com os princípios da razoabilidade, moralidade e proporcionalidade, PODE ANULAR sanção administrativa CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 32 aplicada em desconformidade com o Direito, JAMAIS PODENDO SUBSTITUIR A PENALIDADE IMPOSTA, todavia, sob pena de usurpar a função administrativa, invadindo o mérito administrativo, violando a separação e harmonia dos poderes (STJ, Sexta Turma. ROMS N. 10.269/ BA, Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES. Data da decisão: 16/03/1999. Publicação: DJ 26/04/1999; STF, Primeira Turma. ROMS N. 24256/ DF, Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Data da decisão: 03/09/2002). 1.1.2.2.4. Prescrição da Pretensão Punitiva Disciplinar O art. 142 da Lei Federal nº 8.112/1990 estabelece os prazos da prescrição das infrações disciplinares dos servidores federais, aplicável para qualquer forma de apuração de infração disciplinar, sindicância ou PAD: Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: I — em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; II — em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; III — em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência. (...) § 2º Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capituladas também como crime (será o mesmo prazo prescricional da lei penal, previsto no art. 109 do CP). [Grifamos] ATENÇÃO! Anteriormente, o STJ entendia que a aplicação do prazo previsto na lei penal exigia a demonstração da existência de apuração criminal da conduta do servidor. No entanto, tal entendimento foi superado, passando a entender que, “diante da rigorosa independência das esferas administrativa e criminal, não se pode entender que a existência de apuração criminal é pré-requisito para a utilização do prazo prescricional penal”. De forma que se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, o prazo prescricional do processo administrativo será aquele previsto no art. 109 do CP, esteja ou não esse fato sendo apurado na esfera penal. (MS 20.857/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2019, DJe 12/06/2019) Quanto ao termo inicial do prazo prescricional, o § 1º desse art. 142 fixa que o prazo começa a correr a partir da data que o fato se tornou conhecido. No ponto, o STJ fixou importante entendimento no sentido que esse conhecimento não é por qualquer CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 33 autoridade administrativa, mas pela “autoridade competente para instaurar o procedimento disciplinar”: O art. 142, § 1º da Lei nº 8.112/90 prevê que o prazo prescricional da ação disciplinar “começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido”. O termo inicial da prescrição é a data do conhecimento do fato pela autoridade competente para instaurar o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e não a ciência de qualquer autoridade da Administração Pública. (STJ. 1ª Seção. MS 20.615/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 08/03/2017). [Grifamos] A seu turno, sobre os fatos interruptivos da prescrição, o § 3º do art. 142, a abertura (válida) de sindicância [contraditória/acusatória/punitiva apenas, pois somente aqui existe contraditório – a instauração de sindicância investigatória/preparatória/preliminar, dado seu caráter inquisitorial, não interrompe a prescrição disciplinar] e de PAD interrompem (zera) a prescrição, até a decisão final da autoridade competente. Vejamos: Art. 142 (...) § 3º A abertura de sindicância (punitiva) ou a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade competente.Sobre o reinício da fluência do prazo prescricional, o STJ definiu que, se se passarem 140 (cento e quarenta) dias da instauração da sindicância (acusatória) ou PAD sem decisão final da autoridade competente, o prazo prescricional volta a correr por inteiro (STJ, 1ª Seção, MS 21.669/DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. em 23/08/2017). Esse prazo de 140 dias é o prazo máximo previsto em na Lei 8.112/1990 para a conclusão e julgamento do PAD desde sua instauração: Art. 152. O prazo para a conclusão do processo disciplinar não excederá 60 (sessenta) dias, contados da data de publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo, quando as circunstâncias o exigirem. [...] Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 34 Todos esses entendimentos do STJ foram, agora em 2019, reunidos no Enunciado nº 635 de sua Súmula, a ver: Súmula 635: “Os prazos prescricionais previstos no artigo 142 da Lei 8.112/1990 iniciam-se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção.” Importante perceber que esse enunciado sumular congrega 03 (três) importantes conclusões sobre o prazo prescricional das infrações disciplinares: 1. O termo inicial dos prazos prescricionais das infrações disciplinares é a data em que a autoridade competente para a instauração do procedimento toma ciência do cometimento do ilícito, não bastando o conhecimento por qualquer autoridade administrativa; 2. O prazo prescricional das infrações disciplinares se interrompe com a instauração (válida) da sindicância (contraditória/acusatória/punitiva) ou do PAD, até a decisão final pela autoridade competente; 3. Passados 140 dias da instauração da sindicância ou PAD sem decisão final da autoridade competente, o prazo prescricional da infração disciplinar volta a correr por inteiro. 1.1.3. PROCESSO SUMÁRIO A Lei Federal nº 8.112/90, prevê um procedimento célere, com prazos mais curtos para aplicação de sanções aos agentes públicos nos casos de aplicação de penalidades por abandono de cargo, inassiduidade habitual (art. 140) e acumulação ilegal de cargos (art. 133). As três hipóteses ensejam a aplicação da penalidade de demissão e foram contempladas pelo legislador em razão da (suposta) facilidade de comprovação da materialidade das infrações, cujo prazo máximo é de 30 (trinta) dias prorrogável por mais 15 (quinze) dias. A despeito das discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do processo sumário, para fins de prova, este tem sido admitido pelas bancas examinadoras de concurso público. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 35 2. JURISPRUDÊNCIA SÚMULAS DO STF Súmula Vinculante nº 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição. Súmula Vinculante nº 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. SÚMULAS DO STJ Súmula nº 592: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa. Súmula nº 591: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. Súmula nº 533: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. Súmula nº 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo. Súmula nº 633: Lei 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. Súmula 635: Os prazos prescricionais previstos no artigo 142 da Lei 8.112/1990 iniciam- se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção. Súmula 641: A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. JULGADOS DO STJ A Edição nº 154 da Jurisprudência em Teses do STJ trouxe um compilado dos importantes entendimentos da Corte sobre o processo administrativo disciplinar: CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 36 1) O controle judicial no processo administrativo disciplinar - PAD restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e da legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não sendo possível nenhuma incursão no mérito administrativo. AgInt no RMS 58438/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2020, DJe 26/06/2020 2) Na via do mandado de segurança, é possível valorar a congruência entre a conduta apurada e a capitulação da pena de demissão aplicada no processo administrativo disciplinar. MS 17151/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/02/2019, DJe 11/03/2019 3) O mandado de segurança não é a via adequada para o exame da suficiência do conjunto fático-probatório constante do processo administrativo disciplinar - PAD. MS 17807/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 13/12/2019 4) A Lei n. 8.112/1990 pode ser aplicada de modo supletivo aos procedimentos administrativos disciplinares estaduais, nas hipóteses em que existam lacunas nas leis locais que regem os servidores públicos. RMS 60493/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/09/2019, DJe 11/10/2019 5) Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração. (Súmula n. 611/STJ) MS 21084/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/10/2016, DJe 01/12/2016 6) Instaurado o competente processo administrativo disciplinar, fica superado o exame de eventuais irregularidades ocorridas durante a sindicância. MS 20994/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/05/2016, DJe 06/06/2016 7) A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. (Súmula n. 641/STJ) AgInt no RMS 60208/MS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2020, DJe 20/02/2020 8) No PAD, a alteração da capitulação legal imputadaao acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele descritos e não dos enquadramentos legais. MS 21773/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 28/10/2019 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 37 9) Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei n. 8.112/1990 iniciam-se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido, sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar, e voltam a fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção. (Súmula n. 635/STJ) MS 24672/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, DJe 05/08/2020 10) A ausência de termo de compromisso de membro de comissão processante não implica nulidade do PAD, uma vez que tal designação decorre de lei e recai, necessariamente, sobre servidor público, cujos atos funcionais gozam de presunção de legitimidade e de veracidade. MS 12803/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 09/04/2014, DJe 15/04/2014 11) É possível a substituição de membros da comissão processante, desde que respeitados, quanto aos membros designados, os requisitos insculpidos no art. 149 da Lei n. 8.112/1990. MS 21898/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2018, DJe 01/06/2018 12) As alegações de imparcialidade e de suspeição de membro da comissão processante devem estar fundadas em provas, não bastando meras conjecturas ou suposições desprovidas de qualquer comprovação. MS 16611/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 05/02/2020 13) A imparcialidade de membro de comissão não fica prejudicada tão somente por este compor mais de uma comissão processante instituída para apuração de fatos distintos que envolvam o mesmo servidor. MS 21773/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 28/10/2019 14) Declarações prestadas à mídia por autoridade pública, acerca de irregularidades cometidas por servidores públicos a ela subordinados, não ensejam, por si só, a nulidade do PAD. MS 18370/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/02/2017, DJe 01/08/2017 15) A simples oitiva de membro da comissão processante, da autoridade julgadora ou da autoridade instauradora como testemunha ou informante no bojo de outro processo administrativo ou até mesmo penal que envolva o investigado não enseja, por si só, o reconhecimento da quebra da imparcialidade. MS 22928/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/06/2018, DJe 19/06/2018 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 38 16) Na composição de comissão de processo administrativo disciplinar, é possível a designação de servidores lotados em órgão diverso daquele em que atua o servidor investigado, não existindo óbice nas legislações que disciplinam a apuração das infrações funcionais. MS 17796/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/09/2019, DJe 19/11/2019 17) Em regra, a instauração de processo administrativo disciplinar contra servidor efetivo cedido dar-se-á no órgão em que tenha sido praticada a suposta irregularidade (cessionário), devendo o julgamento e a eventual aplicação de sanção ocorrer no órgão ao qual o servidor efetivo estiver vinculado (cedente). MS 17590/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 13/12/2019 18) Compete ao Ministro de Estado da Educação a instauração de procedimento administrativo disciplinar e a aplicação de penalidades previstas na Lei n. 8. 112/1990 contra servidor integrante do quadro de pessoal de Universidade Pública Federal, por força do disposto nos Decretos n. 3.035/1999 e n. 3.669/2000. MS 21669/DF, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/08/2017, DJe 09/10/2017 19) A participação de membro do Ministério Público em conselho da polícia civil torna nulo o procedimento administrativo disciplinar instaurado para processar e para julgar servidor público estadual, por prática de ato infracional. AgInt no RMS 59598/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/03/2020, DJe 26/03/2020 20) A convalidação de atos, determinada pelo Supremo Tribunal Federal - STF na ADPF n. 388, não alcança aqueles produzidos no âmbito de processo administrativo disciplinar declarado nulo em razão da participação de membro do Ministério Público em conselho da polícia civil estadual. AgInt no RMS 49869/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019 21) O superintendente regional de Polícia Federal é competente para designar os membros de comissão permanente de disciplina, bem como para determinar a abertura de procedimento administrativo disciplinar no âmbito da respectiva superintendência. MS 14787/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 25/02/2016, DJe 02/03/2016 22) A designação de comissão temporária para promover processo administrativo disciplinar é legítima, nos termos da Lei n. 8.112/1990, já que a existência de comissão permanente para a apuração de faltas funcionais só é exigida para os casos determinados em lei. MS 16927/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/05/2017, DJe 15/05/2017 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 39 23) Os policiais rodoviários federais se sujeitam às disposições da Lei n. 8. 112/1990, que nada dispõe sobre a necessidade de ser permanente a comissão que conduz o processo administrativo disciplinar instaurado para apurar responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições. MS 21787/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/09/2019, DJe 16/09/2019 24) A designação de comissão temporária para promover processo administrativo disciplinar contra servidor policial federal viola os princípios do juiz natural e da legalidade, a teor da Lei n. 4.878/1965, que exige a condução do procedimento por comissão permanente de disciplina. MS 14576/DF, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/11/2018, DJe 01/02/2019 25) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição. (Súmula Vinculante n. 5/STF) RMS 50365/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/08/2019, DJe 02/09/2019 26) É permitida a prova emprestada no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. (Súmula n. 591/STJ) MS 25131/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2019, DJe 08/05/2020 27) A decretação de nulidade no processo administrativo depende da demonstração do efetivo prejuízo para as partes, à luz do princípio pas de nullité sans grief. MS 24672/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, DJe 05/08/2020 28) O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa. (Súmula n. 592/STJ)MS 24672/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, DJe 05/08/2020 29) As instâncias administrativa e penal são independentes entre si, salvo quando reconhecida a inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal. AgInt no RMS 62007/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2020, DJe 27/04/2020 30) É possível haver discrepância entre a penalidade sugerida pela comissão disciplinar e a aplicada pela autoridade julgadora desde que a conclusão lançada no relatório final não guarde sintonia com as provas dos autos e a sanção imposta esteja devidamente CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 40 motivada. MS 21773/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 28/10/2019 31) A Administração Pública, quando se depara com situação em que a conduta do investigado se amolda às hipóteses de demissão ou de cassação de aposentadoria, não dispõe de discricionariedade para aplicar pena menos gravosa por se tratar de ato vinculado. MS 17054/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 13/12/2019 32) Não há falar em ofensa ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade quando a única reprimenda prevista para a infração disciplinar apurada é a pena de demissão. MS 21937/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/08/2019, DJe 23/10/2019 33) A autoridade administrativa pode aplicar a pena de demissão quando, em processo administrativo disciplinar, é apurada a prática de ato de improbidade por servidor público, tendo em vista a independência das instâncias civil, penal e administrativa. RMS 47351/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2020, DJe 26/06/2020 34) A Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992) não revogou, de forma tácita ou expressa, os dispositivos da Lei n. 8.112/1990, em relação aos processos administrativos disciplinares. AgRg nos EDcl no REsp 1459867/MA, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 13/11/2015 35) É possível utilizar a Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.492/1992), em interpretação sistemática, para definir o tipo previsto no art. 132, IV, da Lei n. 8.112/1990 e justificar a aplicação de pena de demissão a servidor. MS 21937/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/08/2019, DJe 23/10/2019 36) Na esfera administrativa, o proveito econômico auferido pelo servidor é irrelevante para a aplicação da penalidade no processo disciplinar, pois o ato de demissão é vinculado (art. 117 c/c art. 132 da Lei n. 8.112/1990), razão pela qual é despiciendo falar em razoabilidade ou proporcionalidade da pena. MS 18090/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/05/2013, DJe 21/05/2013 37) A demonstração do ânimo específico de abandonar o cargo público que ocupa (animus abandonandi) é necessária para tipificar conduta de servidor como prática de infração administrativa de abandono de cargo. MS 22566/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2019, DJe 29/11/2019 CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 41 38) A pena de cassação de aposentadoria prevista nos art. 127, IV, e art. 134 da Lei n. 8.112/1990 é constitucional e legal, inobstante o caráter contributivo do regime previdenciário. MS 20968/DF, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, DJe 29/06/2020 39) O fato de o acusado estar em licença para tratamento de saúde não impede a instauração de processo administrativo disciplinar, nem mesmo a aplicação de pena de demissão. MS 19451/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/12/2016, DJe 02/02/2017 40) Em caso de inobservância de prazo razoável para a conclusão de processo administrativo disciplinar, não há falar em ilegalidade na concessão de aposentadoria ao servidor investigado. AgInt no AREsp 1348488/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2020, DJe 19/02/2020 41) Quando o fato objeto da ação punitiva da administração também constituir crime, o prazo prescricional no âmbito administrativo disciplinar será regido pela pena cominada em abstrato (art. 109 do Código Penal - CP), enquanto não houver sentença penal condenatória, e pela pena aplicada em concreto, após o trânsito em julgado ou o não provimento do recurso da acusação (art. 110, § 1º, c/c art. 109 do CP). AgInt no RMS 52268/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/10/2019, DJe 23/10/2019 42) O deferimento de provimento judicial que determine à autoridade administrativa que se abstenha de concluir procedimento administrativo disciplinar suspende o curso do prazo prescricional da pretensão punitiva administrativa. AgRg no RMS 48667/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2016, DJe 20/05/2016 43) É possível o imediato cumprimento da penalidade aplicada na conclusão de processo administrativo disciplinar, uma vez que os recursos administrativos e os pedidos de reconsideração, em regra, não possuem efeito suspensivo automático. MS 21120/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 01/03/2018 44) É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que se fundou a primeira. (Súmula n. 19/STF) MS 20978/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/10/2016, DJe 01/12/2016 45) Reconhecida a nulidade de PAD pela existência de vício insanável, antes do seu julgamento, não há que se falar em reformatio in pejus quando a segunda comissão CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 42 processante opina por penalidade mais gravosa. MS 18370/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/02/2017, DJe 01/08/2017 46) Meras alegações de que existe fato novo não têm o condão de abrir a via da revisão do processo administrativo disciplinar, sendo indispensável a comprovação da existência de fatos novos, desconhecidos ao tempo do PAD. MS 21065/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/10/2018, DJe 22/10/2018 47) Da revisão do PAD não poderá resultar agravamento da sanção aplicada, em virtude da proibição do bis in idem e da reformatio in pejus. RMS 61317/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/02/2020, DJe 20/02/2020 48) É cabível recurso administrativo hierárquico em face de decisão prolatada em Processo Administrativo Disciplinar - PAD. MS 17449/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/08/2019, DJe 01/10/2019 JULGADOS DO STF O STF reafirmou a possibilidade de utilização de dados obtidos por descoberta fortuita em interceptações telefônicas devidamente autorizadas como prova emprestada em processo administrativo disciplinar. Afastou também a hipótese de incompatibilidade entre a portaria de instauração do processo e o ato contrariado, visto que a defesa no processo administrativo disciplinar se dá em relação aos fatos descritos na própria portaria de instauração. Outrossim, ausente conclusão do juízo criminal pela prova dainexistência do fato ou pela negativa de autoria, não estão presentes circunstâncias suscetíveis de autorizar excepcional comunicabilidade das esferas penal e administrativa. (MS 30361 AgR/DF, Primeira Turma, rel. Min. Rosa Weber, julgamento em 29.8.2017 – Informativo 875) Direito constitucional e administrativo. Ação direta de inconstitucionalidade. Previsão legal de sigilo em processos administrativos. 1. Ação direta contra o art. 78-B da Lei nº 10.233/2001, que estabelece sigilo em processos administrativos sancionadores instaurados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ. 2. A regra no Estado democrático de Direito inaugurado pela Constituição de 1988 é a publicidade dos atos estatais, sendo o sigilo absolutamente excepcional. Somente em regimes ditatoriais pode ser admitida a edição ordinária de atos secretos, imunes ao controle social. O regime democrático obriga a Administração Pública a conferir máxima transparência aos seus atos. Essa é também uma consequência direta de um conjunto de normas constitucionais, tais como o princípio republicano (art. 1º, CF/1988), o direito de acesso à informação detida por órgãos públicos (art. 5º, XXXIII, CF/1988) e o princípio da publicidade (art. 37, caput e § 3º, II, CF/1988). 3. A Constituição ressalva a CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 43 publicidade em apenas duas hipóteses: (i) informações cujo sigilo seja imprescindível à segurança do Estado e da sociedade (art. 5º, XXXIII, parte final); e (ii) proteção à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas (arts. 5º, X e 37, § 3, II, CF/1988). Como se vê, o sigilo só pode ser decretado em situações específicas, com forte ônus argumentativo a quem deu origem à restrição ao direito fundamental à informação, observado o princípio da proporcionalidade. 4. A restrição contida no dispositivo legal impugnado não se amolda às exceções legítimas ao acesso à informação pública. Não se vislumbra, em abstrato, nos processos administrativos instaurados pela ANTT e pela ANTAQ para apuração de infrações e/ou aplicação de penalidades, nenhuma informação cujo sigilo seja imprescindível à segurança do Estado e da sociedade ou que configure violação ao núcleo essencial dos direitos da personalidade. 5. Procedência do pedido, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 78-B da Lei nº 10.233/2001. 6. Fixação da seguinte tese de julgamento: “Os processos administrativos sancionadores instaurados por agências reguladoras contra concessionárias de serviço público devem obedecer ao princípio da publicidade durante toda a sua tramitação, ressalvados eventuais atos que se enquadrem nas hipóteses de sigilo previstas em lei e na Constituição”. (STF - ADI: 5371 DF 9010952-68.2015.1.00.0000, Relator: ROBERTO BARROSO, Data de Julgamento: 02/03/2022, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 31/03/2022) Repercussão na esfera administrativa da nulidade de provas no processo penal – ARE 1316369/DF (Tema 1238 RG) “São inadmissíveis, em processos administrativos de qualquer espécie, provas consideradas ilícitas pelo Poder Judiciário”. (ARE 1316369/DF, relator Ministro Edson Fachin, redator do acórdão Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado no Plenário Virtual em 9.12.2022 – TEMA 12387 RG) CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 44 3. QUESTÕES 1. De acordo com a Lei n.º 9.784/1999, que regula processos administrativos no âmbito federal, um órgão administrativo ou o seu titular poderá delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, desde que: a) a finalidade seja decidir recursos administrativos. b) não haja impedimento legal, e que a delegação seja feita com base na conveniência. c) estes sejam hierarquicamente subordinados àqueles. d) a finalidade seja editar atos de caráter normativo. 2. De acordo com a Lei n.º 9.784/1999, o recurso administrativo deve ser dirigido à autoridade: a) que tiver proferido a decisão, a qual, se não a reconsiderar, deverá encaminhá-lo à autoridade superior. b) que tiver proferido a decisão, a qual deve encaminhá-lo à autoridade superior sem emitir novo juízo de valor sobre a decisão recorrida. c) que tiver proferido a decisão, a qual deve limitar-se a decidir sobre a tempestividade do recurso e a cumprir as formalidades legais. d) hierarquicamente superior à que tiver proferido a decisão, sendo a indicação errônea da autoridade motivo para o não conhecimento do recurso. e) hierarquicamente superior à que tiver proferido a decisão, devendo ser corrigida de ofício pelo agente público eventual indicação equivocada da autoridade julgadora. 3. No que concerne aos institutos da prescrição e decadência, quando aplicados às relações jurídicas que envolvem a Administração pública, tem-se que: a) nas relações com os particulares que contratam com a Administração, o prazo decadencial para aplicação de sanções deve ser o dobro do prazo de prescrição fixado pelo Código Civil para as ações contra a Fazenda Pública. b) a decadência opera-se apenas em relação aos efeitos patrimoniais das relações administrativas, impedindo, por exemplo, a cobrança de débitos tributários, porém nunca extinguindo pretensões punitivas. c) o poder de autotutela conferido à Administração encontra limites temporais pela ação da decadência, inclusive em relação ao dever de anular atos eivados de ilegalidade. d) o exercício do poder disciplinar pela Administração perante seus servidores não é atingido pela decadência ou prescrição, eis que estas somente se operam em relação à responsabilidade civil e penal dos servidores. d) os prazos prescricionais estabelecidos na legislação trabalhista não se aplicam às ações ajuizadas, em face de entidades da Administração indireta, por servidores contratados pelo regime celetista, as quais são informadas por regras próprias estatutárias. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 45 4. Decisão proferida pelo Conselho Superior de Agência Reguladora estadual, órgão máximo de direção da autarquia, que mantém aplicação de sanção ao concessionário de serviço público por ela regulado em razão do descumprimento de cláusula contratual: a) pode ser objeto de recurso administrativo interno, dirigido ao Dirigente Superior da Agência Reguladora. b) é ilegal, por desbordar os limites da competência das agências reguladoras, autarquias submetidas ao princípio constitucional da estrita legalidade. c) salvo disposição específica em contrário, é irrecorrível no âmbito administrativo, especialmente por se tratar de atividade finalística da agência reguladora. d) pode ser objeto de recurso hierárquico, dirigido ao Chefe do Poder Executivo estadual. e) é inconstitucional, porque sanções aplicadas ao particular só podem decorrer de lei em sentido estrito e não de contrato de concessão de serviço público, do qual o órgão regulador não é parte. 5. Com relação ao processo disciplinar, é correto afirmar: a) demonstrado em juízo o abuso de poder ou o desvio de finalidade, a pena aplicada pela Administração não pode ser substituída, mas anulada por decisão judicial. b) é vedado à Administração, diante do princípio da legalidade estrita e da tipicidade do ilícito disciplinar, eleger uma pena aplicável dentre duas ou mais cominadas para determinada infração. c) a pena aplicável pelaAdministração é aquela prevista em lei e só pode ser substituída por decisão judicial. d) a Administração tem discricionariedade para eleger entre duas ou mais penas legalmente previstas, e o Judiciário pode substituir por outra a pena aplicada, caso demonstrada a prática de abuso de poder ou desvio de finalidade. 6. Quanto ao Processo Administrativo Disciplinar, consolidou-se o seguinte entendimento: a) é lícito à autoridade administrativa divergir do parecer da comissão disciplinar e aplicar pena mais grave porque não se vincula à capitulação proposta, mas aos fatos. b) a proporcionalidade da punição não pode ser objeto de correção na via judicial por ser matéria de mérito administrativo. c) a oportunidade de defesa do servidor antecede a colheita da prova oral e será feita por advogado constituído ou nomeado, de forma a garantir ampla defesa. d) não é admitido o uso de prova emprestada, considerando a independência das instâncias administrativa e judicial. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 46 7. Em sede de processo administrativo disciplinar (PAD) instaurado após sindicância patrimonial em face de servidor público federal, foi-lhe aplicada a penalidade de demissão do serviço público, tendo em vista a constatação de variação patrimonial a descoberto. Inconformado, o servidor demitido impetra mandado de segurança visando a anular o ato demissório e argumenta, preliminarmente, a nulidade do PAD por ter sido instaurado com base em denúncia anônima; por não lhe ter sido assegurada defesa técnica; e por ter havido a posterior alteração da capitulação legal. Além disso, o impetrante também sustenta a inexistência de provas inequívocas das irregularidades e a incongruência entre a conduta apurada e a pena de demissão. Considerando a narrativa fática hipotética acima, é correto afirmar que: a) na via do mandado de segurança, admitem-se a discussão e o exame a respeito da suficiência do conjunto fático-probatório constante do PAD; b) na via do mandado de segurança, não se admite a valoração da congruência entre a conduta apurada e a capitulação da pena de demissão aplicada no PAD; c) no PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao indiciado enseja sua nulidade, com fundamento no princípio da tipicidade fechada; d) desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, admite-se a instauração de PAD com base em denúncia anônima; e) é nula a decisão adotada em PAD no qual não tenha sido assegurada ao indiciado a defesa técnica por advogado, conforme jurisprudência dos Tribunais Superiores. 8. O direito ao contraditório e à ampla defesa é consagrado no inciso LV, do Art. 5º da Constituição Federal. Em relação ao processo administrativo, assinale a afirmativa correta. a) Não há necessidade de descrever o motivo da instauração na portaria inaugural, pois o servidor necessariamente terá acesso aos autos e conhecimento da imputação administrativa. b) A nomeação de presidente da comissão processante pode recair sobre servidor não estável, porque tal fato não se mostra relevante para a defesa, que atuou desde o início do processo. c) Se for decorrido o prazo para a instrução, o procedimento é sempre nulo, se esgotado o prazo para a administração buscar a aplicação da sanção administrativa. d) O servidor público estável poderá perder o cargo, mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, desde que observados os princípios constitucionais. 9. No processo administrativo, tem-se o artigo 54, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que dispõe: “O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.” Com base nesse dispositivo legal, quais princípios são preponderantes? a) Eficiência, eficácia e efetividade. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 47 b) Segurança jurídica, proteção à confiança e boa-fé. c) Moralidade, improbidade e desvio de poder. d) Legalidade, legitimidade e continuidade dos serviços públicos. e) Impessoalidade, igualdade e isonomia. CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 48 4. GABARITO COMENTADO 1 – B A: INCORRETA. De acordo com o art. 13 da Lei Federal nº 9.784/1999, não podem ser objeto de delegação – atos indelegáveis: atos de caráter normativo; decisões em recurso administrativo; matérias de competência exclusiva. B: CORRETA. É o que se extrai da redação do art. 12 da Lei, segundo o qual, além da ausência de impedimento legal, exige-se a presença de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial, a serem aferidas pela autoridade delegante (natureza discricionária). C: INCORRETA. De acordo com o art. 12 da Lei, a delegação pode ocorrer tanto dentro quanto fora da estrutura hierárquica do delegante. Vale dizer, o agente delegado pode ser tanto subordinado do delegante (delegação vertical) quanto não subordinado, estando, neste último caso, em outra estrutura administrativa sem relação de subordinação com o delegante (delegação horizontal). D: INCORRETA. Vide comentário à alternativa “A”. 2 – A Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. 3 – C A: INCORRETA. Nas relações com os particulares que contratam com a Administração, a Fazenda Pública está sujeita ao mesmo prazo decadencial que deve ser observado pelos particulares nas ações contra a Fazenda Pública, em razão do princípio da isonomia. B: INCORRETA. A decadência opera-se apenas em relação aos efeitos patrimoniais das relações administrativas, bem como em relação às pretensões punitivas. C: CORRETA. Em observância ao princípio da segurança jurídica, o art. 54 da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, estabelece que “o direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé”. D: INCORRETA. Art. 142 da Lei nº 8.112/90: Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 49 III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência. E: INCORRETA. O art. 7º, XXIX, da Constituição Federal estabelece que é direito do trabalhador a “ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho”. Tal disposição aplica-se, também, ao servidor contratado sob o regime celetista que, ao contrário do que afirma a alternativa, não está sujeito a regime estatutário próprio, mas sim às regras e disposições da CLT. 4 – C O Parecer nº51 da AGU, aprovado pelo Presidente da República e, assim, obrigatório no âmbito da Administração Federal, admite o recurso hierárquico impróprio no âmbito das agências reguladoras, desde que: (i) não diga respeito ao exercício de sua competência finalística regulatória [só para atividades administrativas, portanto]; e (ii) haja ilegalidade [como excesso no exercício da competência normativa] ou descumprimento de política pública. 5 – A Em nome do princípio da indisponibilidade do interesse público, reconhece-se a inexistência de discricionariedade quanto ao dever de a Administração investigar indícios do cometimento de infração administrativa praticada por seus servidores, bem como, de face à comprovação da falta disciplinar, punir o agente público infrator. Entretanto, doutrina e jurisprudência afirmam a discricionariedade da Administração quanto à valoração do conjunto probatório colhido no processo administrativo e em relação à escolha e gradação da sanção a ser aplicada dentre as cabíveis. Assentada essa premissa, o STJ e o STF entendem que o Judiciário, restrito que está ao controle de juridicidade, em especial a verificação da compatibilidade com os princípios da razoabilidade, moralidade e proporcionalidade, PODE ANULAR sanção administrativa aplicada em desconformidade com o Direito, JAMAIS PODENDO SUBSTITUIR A PENALIDADE IMPOSTA, todavia, sob pena de usurpar a função administrativa, invadindo o mérito administrativo, violando, enfim, a separação e harmonia dos poderes (STJ, Sexta Turma. ROMS N. 10.269/ BA, Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES. Data da decisão: 16/03/1999. Publicação: DJ 26/04/1999; STF, Primeira Turma. ROMS N. 24256/ DF, Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Data da decisão: 03/09/2002). 6 – A A: CORRETA. Segundo o STJ, no PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele descritos, e não dos enquadramentos legais (MS 19.726/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, j. em 13/12/2017, DJe 18/12/2017). B: INCORRETA. O STJ admite a revisão da penalidade imposta em PAD por ofensa aos postulados da proporcionalidade e razoabilidade, porquanto relacionados à própria CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 50 legalidade do ato administrativo (AgInt no MS 20.515/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/06/2017, DJe 01/08/2017). C: INCORRETA. Nos termos da Súmula Vinculante nº 05, “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. D: INCORRETA. O STJ possui entendimento firme pela admissão da prova emprestada em PAD, desde que haja atenção ao devido processo legal e ao contraditório (MS 17.472/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Seção, DJe 22.6.2012; MS 15.787/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 6.8.2012; e MS 16.122/DF, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 24.5.2011). 7 - D A: INCORRETA. Como sabido, o mandado de segurança exige a demonstração de direito líquido e certo, demonstrado de plano por meio de prova documental, não sendo possível a realização de instrução processual. É nessa toada que o STF concluiu não ser a via do mandado de segurança adequada para a examinar a suficiência do conjunto fático-probatório constante de PAD, com o objetivo de verificar se o impetrante praticou ou não os atos que serviram de base para a imposição de penalidade administrativa (STF, 2ª Turma, AgRg no RMS nº 36.383/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. em 29/05/2020). B: INCORRETA. Entende o STJ que, na via do mandado de segurança, é possível valorar a congruência entre a conduta apurada e a capitulação da pena de demissão aplicada no processo administrativo disciplinar, por se tratar de estrita aplicação do princípio da legalidade (MS 17151/DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Seção, j. em 13/02/2019, DJe 11/03/2019). C: INCORRETA. Segundo o STJ, no PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele descritos, e não dos enquadramentos legais (MS 19.726/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, j. em 13/12/2017, DJe 18/12/2017). D: CORRETA. Enunciado nº 611 da Súmula do STJ: “Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração”. E: INCORRETA. Nos termos da Súmula Vinculante nº 05, “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. 8 – D A: INCORRETA. Sobre a portaria de instauração do PAD, leciona Ivan Barbosa Rigolin que “O ato publicado deve indicar os membros da comissão, e já então seu presidente. Esse ato deverá também indicar sucintamente dados essenciais ao processo, como o seu número, eventualmente o servidor envolvido, a acusação que se lhe faz e o seu enquadramento legal, o nome da repartição, a data e a assinatura da autoridade responsável.” (RIGOLIN, Ivan Barbosa. Comentários ao Regime Único dos Servidores Públicos Civis. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379). Nada obstante, embora seja CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 51 necessária a indicação da acusação, a configurar justamente os motivos da abertura do PAD, a portaria de instauração não precisa descrever detalhadamente os fatos imputados, que somente serão efetivamente conhecidos após a instrução probatória e exigidos quando da etapa do indiciamento. Nesse sentido, o Enunciado nº 641 da Súmula do STJ: “A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. B: INCORRETA. Art. 149, Lei Federal nº 8.112/1990: “O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores estáveis designados pela autoridade competente, observado o disposto no § 3º do art. 143, que indicará, dentre eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.”. C: INCORRETA. Enunciado nº 592 da Súmula do STJ: “O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa.”. D: CORRETA. O § 1º do art. 41 da CF/88 enumera as hipóteses em que o servidor público estável poderá perder o cargo: Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) § 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 9 – B O artigo 54, da Lei 9.784/99 impõe um prazo decadencial à possibilidade de a União anular seus atos administrativos eivados de ilegalidade. Trata-se, pois, de uma limitação ao poder/prerrogativa de autotutela da Administração, em razão da necessidade de se preservar a confiança legítima do administrado frente aos atos do PoderPúblico. O princípio da confiança legítima surge na jurisprudência como “teoria do fato consumado”, e tem por objetivo proteger o administrado da atuação arbitrária da Administração. O princípio da segurança jurídica possui dois sentidos. O primeiro, de natureza objetiva, tem a ver com a estabilização do ordenamento jurídico, a partir do respeito ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada; já o segundo, de caráter subjetivo, CPF: 860.542.154-18 PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18 É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal. 52 relaciona-se com a proteção da confiança do cidadão frente às expectativas geradas pela Administração Pública.