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CPF: 860.542.154-18
PACHEGO GONÇALVES | 9999999999 | alesantosf2020@gmail.com | CPF: 860.542.154-18
É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
1 
 
 
 
Direito Administrativo 
(Ponto 15) 
Processo Administrativo. 
CPF: 860.542.154-18
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2 
CURSO MEGE 
 
Site para cadastro: www.mege.com.br 
Celular / Whatsapp: (99) 982622200 (Tim) 
Turma: Clube Delta 2023.1 
Material: Direito Administrativo – Ponto 15 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direito Administrativo 
(Ponto 15) 
Processo Administrativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 
SUMÁRIO 
 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 4 
1.1. PROCESSO ADMINISTRATIVO .................................................................................... 4 
2. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 35 
3. QUESTÕES ................................................................................................................... 44 
4. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4 
1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. PROCESSO ADMINISTRATIVO 
1.1.1. PROCESSO ADMINISTRATIVO – LEI FEDERAL Nº 9.784/1999 
 
Define-se Processo Administrativo como o conjunto de atos coordenados e 
interdependentes necessários a produzir uma decisão final a respeito de alguma função 
ou atividade administrativa. Para DI PIETRO, processo, em sentido amplo, é uma série 
de atos coordenados para a realização dos fins estatais. 
Destaque-se que processo administrativo e procedimento não se confundem, 
observe: 
 
PROCEDIMENTO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
O procedimento corresponde ao rito e é 
realizado no interior do processo, para 
viabilizá-lo. 
O processo implica, além do vínculo entre 
atos, vínculos jurídicos entre sujeitos, 
englobando direitos, deveres, poderes, 
faculdades, na relação processual. 
 
Matheus CARVALHO aponta que o processo administrativo possui 04 (quatro) 
finalidades básicas, quais sejam: 
 
i) servir de instrumento de controle da atuação estatal, 
assegurando, especialmente, o princípio da impessoalidade, ao 
impedir que determinada decisão seja concentrada nas mãos de 
um único agente, uma vez que “o processo divide o poder entre 
vários agentes públicos”. O controle manifesta-se, também, 
através do princípio da publicidade, que permite ao particular, 
sujeito ou não do processo administrativo, conhecer os motivos 
e procedimentos que conduziram a Administração à 
determinada decisão, resguardando os administrados e 
permitindo o controle das condutas praticadas; 
ii) Garantir a democracia, isto porque é através do processo 
administrativo, que o administrador legitima e fundamenta suas 
decisões, justificando cada um dos atos e motivos que ensejaram 
cada uma de suas condutas, afastando a possibilidade de 
arbitrariedade pelo Poder Público; 
iii) Reduzir os encargos do Poder Judiciário, ao permitir que o 
administrado discuta determinado ato ou conduta 
administrativa no âmbito administrativo, através de processo 
acobertado pelos princípios do contraditório e ampla defesa. 
Neste ponto, é importante consignar que a possibilidade 
garantida ao administrado de discutir determinada matéria 
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5 
administrativamente, não retira seu direito de submetê-la ao 
judiciário, nos termos art. 5º, XXXV, da CF, que consagra a 
adoção do Sistema Inglês pelo nosso ordenamento jurídico, no 
qual o exercício da jurisdição é reservado ao Poder Judiciário, a 
quem cabe, com exclusividade, aplicar o direito ao caso concreto 
com definitividade, com aptidão de formação de coisa julgada 
material; 
iv) Aperfeiçoar a atuação estatal, através do exercício dialético 
do controle de seus próprios atos (autotutela). 
 
Explanadas as finalidades do processo administrativo segundo a doutrina, cabe 
destacar que a Lei Federal nº 9.784/1999, que será nosso objeto de estudo na presente 
aula e regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, 
consigna que o processo tem como fim a “proteção dos direitos dos administrados e 
ao melhor cumprimento dos fins da Administração”. 
Além da lei supracitada, a CF/88 faz referência expressa ao processo 
administrativo em dois dispositivos, art. 5ª, incisos LV e LXXVIII: 
 
LV: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla 
defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”; 
LXXVIII: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios que 
garantam a celeridade de sua tramitação”. 
 
1.1.1.1. Abrangência e aplicação da Lei Federal nº 9.784/99 
 
No que tange à sua abrangência, tem-se que a Lei Federal nº 9.784/99 se aplica 
à Administração Pública Federal, direta e indireta, inclusive aos órgãos dos Poderes 
Legislativo e Judiciário da União, e também, ao Ministério Público e ao Tribunal de 
Contas, quando estiverem no desempenho de funções administrativas (art. 1º). 
Não se trata de uma lei nacional (como o são a Lei de Acesso à Informação e a 
Lei de licitações), e, sim, de uma LEI FEDERAL. Isso significa que ela não é de observância 
obrigatória pelos Estados, DF e Municípios. Os demais entes federativos poderão criar 
suas próprias normas para regulamentar os respectivos processos administrativos. 
 
ATENÇÃO! A Lei de Acesso à Informação (Lei Federal nº 12.527/2011) é uma lei nacional, 
ao contrário da Lei de Processo Administrativo Federal (Lei Federal nº 9.784/99), que, 
como vimos, é uma lei federal. 
 
ATENÇÃO! NADA OBSTANTE, conquanto os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
possam disciplinar, em seu âmbito, o processo administrativo, o STJ entende que a Lei 
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6 
Federal nº 9.784/1999 tem aplicação subsidiária aos processos administrativos 
estaduais, distritais e municipais, incidindo no silêncio da legislação específica de cada 
ente. Ainda de acordo como STJ, caso a pessoa política não edite lei própria de processo 
administrativo, a Lei Federal nº 9.784/1999 terá aplicabilidade integral. Esse 
entendimento foi, agora em 2019, cristalizado no Enunciado nº 633 da Súmula do STJ, 
in verbis: “A Lei 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial 
para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode 
ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local 
e específica que regule a matéria”. 
 
Além da aplicação subsidiária/supletiva aos processos administrativos 
estaduais/distritais/municipais, é importante destacar que, se houver lei específica 
regulamentandodeterminado tipo de processo, a Lei Federal nº 9.784/99 incidirá 
apenas de forma subsidiária, vale dizer, apenas nos assuntos em que a lei específica for 
omissa, conforme previsto em seu art. 69: 
 
“Os processos administrativos específicos continuarão a reger-
se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os 
preceitos desta Lei”. 
 
1.1.1.2. Princípios 
 
O artigo 2º, caput, da Lei Federal nº 9.784/99 enumera diversos princípios 
norteadores da atividade administrativa, a serem observados, também, nos processos 
administrativos, em conjunto com outros princípios, alguns previstos expressamente na 
CF/88, outros na legislação infraconstitucional aplicável à matéria, conforme se verá a 
seguir: 
 
Art. 2º: A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos 
princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, 
segurança jurídica, interesse público e eficiência. 
 
Além desses princípios expressos no caput do art. 2º da Lei Federal nº 9.784/99, 
os princípios implícitos e próprios do processo administrativo são: oficialidade (!), 
informalismo (!), instrumentalidade das formas (!), verdade material (!) e gratuidade 
(!). 
Como vários desses princípios expressos e implícitos já foram detidamente 
explicados em revisões pretéritas, nesta revisão serão feitos comentários, apenas sobre 
princípios implícitos e próprios do processo administrativo supracitados. 
 
a) Oficialidade 
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7 
 
Tendo em vista a obrigatoriedade de alcançar o interesse público, a 
Administração não precisa aguardar o impulso das partes. Isto significa que o processo 
administrativo pode ser iniciado independentemente de provocação do administrado. 
Além disso, a mobilização do processo, uma vez desencadeado, é encargo da 
própria Administração, ou seja, cumpre-lhe impulsioná-lo de ofício, conforme previsão 
do art. 2º, parágrafo único, inc. XII, da Lei Federal nº 9.784/99. 
O princípio da oficialidade também autoriza que a administração determine, 
espontaneamente, a produção de provas necessárias à escorreita instrução do 
processo. Em resumo, a oficialidade está presente: no poder de iniciativa para instaurar 
o processo e na instrução do processo (impulsionar o processo). 
 
ATENÇÃO! O princípio da inércia ou da demanda é típico da atividade jurisdicional, 
afinal, o Judiciário, em regra, só atua mediante provocação dos interessados. Por sua 
vez, na esfera administrativa, o princípio que vigora é o da oficialidade ou do 
impulso oficial. Segundo esse princípio, ainda que a provocação inicial tenha sido do 
particular, o impulso do processo compete à Administração. A razão disso é que os 
processos administrativos iniciados pelos particulares não só atendem ao seu 
interesse, mas também ao interesse público, impelindo a Administração a reavaliar a 
legalidade e a conveniência dos atos que ela mesma praticou, para, se for o caso, 
anulá-los, modificá-los ou revogá-los (supraprincípio da indisponibilidade do interesse 
público e seu corolário da autotutela administrativa). 
 
b) Informalismo (Formalismo moderado) 
 
O processo administrativo é formal no sentido de que deve ser escrito, 
numerado e assinado, além de conter documentado tudo o que ocorre no seu 
desenvolvimento. Por outro lado, é informal no sentido de que não está sujeito a 
formas rígidas. 
Com efeito, o princípio do informalismo preceitua que, embora seja formal, o 
processo administrativo deve adotar formas simples, apenas suficientes para 
proporcionar segurança jurídica e garantir o direito de defesa quando necessário. 
 
ATENÇÃO! O art. 22 da Lei Federal nº 9.784/1999 consagra o informalismo do 
processo administrativo ao estabelecer: “Os atos do processo administrativo não 
dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir.” 
 
Deve-se ressaltar que o informalismo dos atos processuais no processo 
administrativo é uma regra geral, assim, conforme preceitua o referido art. 22, se a lei 
exigir uma forma específica como requisito para a validade de determinado ato, tal 
forma deverá ser observada, sob pena de nulidade. Segundo DI PIETRO, a necessidade 
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de maior formalismo existe, em especial, nos processos que envolvem interesses dos 
administrados, como é o caso dos processos de licitação, disciplinar e tributário. 
 
c) Instrumentalidade das formas 
 
Pelo princípio da instrumentalidade das formas, se, no curso do processo, a 
finalidade de determinado ato processual for alcançada, mesmo que não tenha sido 
observada a forma prescrita, pode-se considerar sanada a falta formal, desde que essa 
inobservância não prejudique a Administração ou o administrado. 
 
ATENÇÃO! Um exemplo da aplicação desse princípio pode ser encontrado no art. 26, 
§5º, da Lei Federal nº 9.784/1999: “As intimações serão nulas quando feitas sem 
observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre 
sua falta ou irregularidade”. 
 
d) Verdade material 
 
De acordo com o princípio da verdade material, a Administração deve procurar 
conhecer como o fato efetivamente ocorreu no mundo real, e não ficar presa às 
informações trazidas aos autos do processo. Em decorrência desse princípio, a 
Administração Pública pode trazer aos autos quaisquer informações que possam auxiliar 
na apuração dos fatos efetivamente ocorridos, inclusive mediante a produção de provas 
de ofício. 
 
e) Gratuidade 
 
A Lei Federal nº 9.784/99 estabelece, como regra geral, a proibição de cobrança 
de despesas processuais. Tal proibição não é absoluta, sendo possível a previsão legal 
desse tipo de cobrança. A cobrança, contudo, não pode constituir em um empecilho 
injustificável à utilização do processo. 
 
1.1.1.3. Direitos e deveres dos administrados 
 
Os DIREITOS dos administrados perante a Administração estão previstos, de 
forma exemplificativa, no art. 3º da Lei Federal nº 9.784/1999. Sem prejuízo de outros 
que lhe sejam assegurados, o administrado tem os seguintes direitos perante a 
Administração: 
 
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- Ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que 
deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de 
suas obrigações; 
- Ter ciência da tramitação dos processos administrativos em 
que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter 
cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões 
proferidas; 
- Formular alegações e apresentar documentos, que devem ser 
previamente considerados pelo órgão competente para a 
decisão. Esse direito decorre do princípio da verdade material; 
- Fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo 
quando obrigatória a representação, por força de lei. Isso 
significa que o administrado não é obrigado a ter a assistência 
de um advogado no processo, porém, se o administrado quiser 
(facultativo) contar com a assistência de um advogado, é um 
direito seu. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) 
editou a Súmula Vinculante nº 5 explicitando essa possibilidade, 
mesmo nos processos de que possam resultar sanções, como o 
PAD, observe: “A falta de defesa técnica por advogado no 
processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. 
 
Quanto aos DEVERES do administrado, sem prejuízo de outros previstosem ato 
normativo, são os seguintes: 
 
- Expor os fatos conforme a verdade; 
- Proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; 
- Não agir de modo temerário; 
- Prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar 
para o esclarecimento dos fatos. 
 
Além disso, nos processos administrativos serão observados os seguintes 
CRITÉRIOS: 
 
- Atuação conforme a lei e o Direito; 
- Atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total 
ou parcial de poderes e competências, salvo autorização em lei; 
- Objetividade no atendimento do interesse público, vedada a 
promoção pessoal de agentes e autoridades; 
- Atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-
fé; 
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- Divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as 
hipóteses de sigilo previstas na Constituição; 
- Adequação entre meios e fins, vedada a imposição de 
obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas 
estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; 
- Indicação dos pressupostos de fato e de direito que 
determinarem a decisão; 
- Observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos 
dos administrados; 
- Adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado 
grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos 
administrados; 
- Garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de 
alegações finais, à produção de provas e à interposição de 
recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas 
situações de litígio; 
- Proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as 
previstas em lei; 
- Impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo 
da atuação dos interessados; 
- Interpretação da norma administrativa da forma que melhor 
garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada 
aplicação retroativa de nova interpretação. 
 
1.1.1.4. Interessados 
 
Embora os processos administrativos sejam públicos, alguns administrados 
são reconhecidos pela Lei Federal nº 9.784/99 como interessados, gozando de 
prerrogativas e direitos especiais na tramitação processual. São interessados: 
 
- Pessoas físicas ou jurídicas que iniciem como titulares de 
direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de 
representação; 
- Aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou 
interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; 
- As organizações e associações representativas, no tocante a 
direitos e interesses coletivos; 
- As pessoas ou associações legalmente constituídas quanto a 
direitos ou interesses difusos. 
 
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O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo deve 
determinar a intimação do interessado para ciência da decisão ou efetivação de 
diligências, notadamente em relação aos atos que resultem em imposição de deveres, 
ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades do interessado. 
Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem 
necessários à apreciação do pedido formulado, o não atendimento da respectiva 
apresentação pode implicar arquivamento do processo. Tal disposição, contudo, deve 
ser razoável e proporcional, sendo incabível quando a apresentação exigida for 
impraticável, no prazo estabelecido. 
Salvo outra previsão legal, encerrada a instrução, o interessado deve ter o 
direito de manifestação (alegações finais), no prazo de 10 (dez) dias. 
Por fim, frise-se que o interessado pode, por escrito, desistir total ou 
parcialmente do pedido formulado ou renunciar a direitos disponíveis, sem prejuízo à 
continuidade do processo, caso a Administração entenda de acordo com o interesse 
público. A desistência ou renúncia atinge somente a quem tenha formulado. 
 
ATENÇÃO! Nos termos do art. 26, caput, da Lei Federal nº 9.784/1999, “o órgão 
competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a 
intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências”. Ou 
seja, a intimação do interessado é obrigatória e necessária para que este tome ciência 
das decisões, cumpra as diligências e, mais importante, exerça o seu direito de defesa. 
 
1.1.1.5. Competência 
 
A competência administrativa envolve o conjunto de poderes conferido às 
pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos para o exercício de atividades 
administrativas. Em virtude da indisponibilidade do interesse público, tal competência 
é irrenunciável e intransferível. 
Nada obstante, a irrenunciabilidade e intransferibilidade não impedem a 
delegação e avocação de competência, que não significam sua modificação 
propriamente dita em razão de ser TEMPORÁRIA e EXCEPCIONAL, preservando o 
detentor da competência originária sua titularidade, podendo revogar a atribuição 
precária a qualquer momento, além de poder exercê-la concorrentemente. 
Para a DELEGAÇÃO, além da ausência de impedimento legal, exige-se a 
presença de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. 
Importante destacar, ainda, que a decisão de delegação possui natureza 
discricionária, segundo a conveniência e oportunidade do agente delegante. 
Ademais, registre que a delegação pode ocorrer tanto dentro quanto fora da 
estrutura hierárquica do delegante. Vale dizer, o agente delegado pode ser tanto 
subordinado do delegante (delegação vertical), quanto não subordinado, estando, neste 
último caso, em outra estrutura administrativa sem relação de subordinação com o 
delegante (delegação horizontal). A ideia é a seguinte: se eu tenho a competência 
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12 
primária para editar determinado ato, não havendo impedimento legal e presente 
alguma justificativa técnica, social, econômica, jurídica ou territorial, posso atribuir tal 
competência (delegá-la) para quem eu quiser. 
De acordo com o art. 13 da Lei Federal nº 9.784/1999, NÃO podem ser objeto 
de delegação: atos de caráter normativo; decisões em recurso administrativo; matérias 
de competência exclusiva. 
Por fim, o ato de delegação será sempre parcial e revogável a qualquer tempo. 
O instituto da revogação será analisado com cuidado na sequência. 
 
ATENÇÃO! Embora a delegação também seja excepcional, na medida em que é a 
autoridade originariamente competente que possui o poder-dever de exercê-la, a Lei 
Federal nº 9.784/1999 apenas afirma textualmente como excepcional a avocação [“Será 
permitida, em caráter excepcional...”]. 
 
Registre-se o Enunciado nº 510 da Súmula do STF, no sentido de que o 
mandado de segurança contra ato editado em competência delegada deve ser 
impetrado CONTRA A AUTORIDADE DELEGADA/DELEGATÁRIA, que efetivamente editou 
o ato, e não contra a delegante: Praticado o ato por autoridade, no exercício de 
competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial. 
A seu turno, a AVOCAÇÃO, procedimento inverso à delegação em que o agente 
público chama para si a competência de outro agente, ocorrerá em caráter excepcional 
e se presentes motivos relevantes devidamente justificados. 
Além disso, diferentemente do que ocorre com a delegação, ela somente 
poderá ocorrer dentro da linha hierárquica, reclamando, assim, que o agente avocante 
seja superior hierárquico ao avocado. A razão é lógica: eu somente posso reclamar o 
exercício de determinada competência de outro agente,tomando-a, se eu lhe for 
superior. Não faz o menor sentido admitir que alguém não ligado pela linha hierárquica 
retire a competência originariamente acometida a determinado sujeito. 
Confira-se a seguinte sistematização: 
 
DELEGAÇÃO AVOCAÇÃO 
Se não houver impedimento legal e 
presentes circunstâncias técnica, social, 
econômica, jurídica ou territorial; 
Em caráter excepcional e se presentes 
motivos relevantes, devidamente 
justificados; 
Pode ser feita a agentes ou órgãos 
subordinados (vertical) ou não 
(horizontal); 
Apenas havendo subordinação (vertical); 
Sempre excepcional, embora a lei 
somente o diga, expressamente, para a 
avocação; 
Sempre excepcional; 
CPF: 860.542.154-18
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13 
Sempre temporária, embora a lei 
somente o diga, expressamente, para 
avocação; 
Sempre temporária; 
Sempre parcial; Sempre parcial, embora a lei somente o 
diga, expressamente, para delegação; 
Revogável, a qualquer tempo; Revogável, a qualquer tempo; 
Discricionário; Discricionário (salvo disposição legal); 
Responsabilidade do agente que praticou 
o ato; 
Responsabilidade do agente que praticou 
o ato; 
São indelegáveis atos normativos, 
decisões em recursos administrativos e 
matérias de competência exclusiva. 
Não cabe avocação no caso de 
competência exclusiva do subordinado. 
 
Por fim, inexistindo competência legal específica, o processo administrativo 
deverá ser iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico. 
 
1.1.1.6. Do impedimento e da suspeição 
 
As situações que caracterizam o impedimento ou a suspeição do agente público 
constituem aplicação direta do princípio da impessoalidade. Trata-se de situações 
pessoais dos servidores, mas que são passíveis de comprometer a necessária 
imparcialidade dos responsáveis pela condução do processo. 
A indisponibilidade do interesse público e a impessoalidade exigem que a 
prática do ato administrativo esteja desvinculada de interesses subjetivos da 
autoridade. 
O IMPEDIMENTO deriva de situações objetivamente estabelecidas pela 
legislação. Segundo o art. 18 da Lei Federal nº 9.784/99, é impedido de atuar em 
processo administrativo o servidor ou autoridade que: 
 
- Tenha interesse direto ou indireto na matéria; 
- Tenha participado ou venha a participar como perito, 
testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem 
quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o 
terceiro grau; 
- Esteja litigando judicial ou administrativamente com o 
interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. 
 
CPF: 860.542.154-18
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
14 
Repare que as hipóteses de impedimento são de natureza objetiva. Detalhe é 
que o reconhecimento da situação de impedimento deve partir do próprio servidor ou 
autoridade. Nesse sentido, dispõe o art. 19 da Lei Federal nº 9.784/99 que “a autoridade 
ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade 
competente, abstendo-se de atuar”, sob pena de incorrer em falta grave, para efeitos 
disciplinares. 
Já a SUSPEIÇÃO, deriva de uma situação subjetiva, não sendo obrigatória a 
comunicação por um agente suspeito. Ademais, ainda que suscitada uma das hipóteses 
de suspeição, há possibilidade de refutação pelo próprio interessado. O art. 20 da Lei nº 
9.784/99 assim dispõe: 
 
“Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que 
tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos 
interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, 
parentes e afins até o terceiro grau”. 
 
Note que, ao contrário das situações que levam ao impedimento, as causas de 
suspeição são bastante subjetivas. Existe, portanto, um juízo de valor a ser proferido 
pela autoridade competente para avaliar o caso. Por isso é que a Lei Federal nº 9.784/99 
estabelece que “o indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de 
recurso, sem efeito suspensivo” (art. 21). Ou seja, como se trata de uma decisão 
subjetiva, a lei permite que o indeferimento da suspeição seja reavaliado em sede de 
recurso (sem efeito suspensivo). 
 
ATENÇÃO! A doutrina ensina que, no impedimento, há presunção absoluta (juris et 
de jure) de parcialidade do julgador em determinado processo por ele analisado, 
enquanto na suspeição há, apenas, presunção relativa. 
 
1.1.1.7. Dos atos processuais 
 
São capazes, para o processo administrativo, os maiores de 18 anos, ressalvada 
previsão especial em ato normativo próprio. 
Conforme o art. 5º da Lei Federal nº 9.784/99, o processo pode ser iniciado 
pela própria Administração (de ofício) ou mediante provocação do interessado (a 
pedido). 
Se a iniciativa for do administrado, seu requerimento inicial deverá ser 
formulado por escrito, salvo nos casos em que for admitida solicitação oral, e deverá 
conter os seguintes dados: 
 
i) órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; 
ii) identificação do interessado ou de quem o represente; 
CPF: 860.542.154-18
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
15 
iii) domicílio do requerente ou local para recebimento de 
comunicações; 
iv) formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus 
fundamentos; e 
v) data e assinatura do requerente ou de seu representante (art. 
6º da Lei nº 9784/99). 
 
É importante observar que, no caso de eventuais falhas no pedido, a 
Administração deve orientar o interessado quanto à correção dessas, sendo vedada a 
recusa imotivada de recebimento de documentos (art. 6º, parágrafo único). 
A Lei Federal nº 9.784/99, em seu art. 8º, admite que quando os pedidos de 
uma pluralidade de interessados tiverem conteúdo e fundamentos idênticos, estes 
poderão ser formulados em um único requerimento, salvo preceito legal em contrário. 
Em virtude do princípio do informalismo, os atos do processo administrativo 
não dependem de forma determinada, senão quando a lei expressamente a exigir. Eles 
devem ser realizados em dias úteis, no horário normal, quando o adiamento possa 
prejudicar o curso regular do procedimento ou cause dano ao interessado ou à 
Administração. 
Inexistindo previsão legal específica, os atos processuais devem ser praticados 
no prazo de 5 dias, salvo motivo de força maior, sendo possível a dilatação justificada 
até o dobro. Os atos do processo devem realizar-se, preferencialmente, na sede do 
órgão, cientificando-se o interessado se outro for o local de realização. 
 
1.1.1.8. Das intimações 
 
Intimar é, simplesmente, dar ciência ao interessado de algum ato praticado no 
processo, ou de alguma providência que deva ser adotada, dependa ou não, do 
comparecimento do interessado à repartição. 
Segundo o art. 26 da Lei Federal nº 9.784/99, o interessado deverá ser intimado 
para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Mais especificamente, devem ser 
objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição 
de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de 
outra natureza, de seu interesse (art. 28). 
A intimação deverá conter (art. 26, §1º): 
 
- Identificação do intimado e nome do órgão ou entidade 
administrativa; 
- Finalidade da intimação; 
- Data, hora e local em que deve comparecer; 
- Se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se 
representar; 
CPF: 860.542.154-18
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob penada adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
16 
- Informação da continuidade do processo independentemente 
do seu comparecimento; 
- Indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. 
 
Quando for necessário o comparecimento do interessado à repartição, a 
intimação deverá ser promovida com antecedência mínima de 03 (três) dias úteis (art. 
26, § 2º). 
Em relação à forma, a intimação poderá ser (art. 26, §3º): 
 
- Pessoal, mediante ciência no processo, por ocasião do 
comparecimento do interessado; 
- Por via postal com aviso de recebimento; 
- Por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência 
do interessado; 
- Por meio de publicação oficial, no caso de interessados 
indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. 
 
Não há ordem de preferência com relação às três primeiras hipóteses de 
intimação. Já a publicação oficial cabe somente na hipótese listada, qual seja no caso de 
interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido. 
O art. 26, § 5º, segundo o qual “as intimações serão nulas quando feitas sem 
observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua 
falta ou irregularidade”, apresenta o já comentado exemplo de aplicação do princípio 
da instrumentalidade das formas. 
Já o art. 27 consagra que, “o desatendimento da intimação não importa o 
reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado”. 
Quer dizer que o simples fato de o administrado desatender à intimação não implica a 
presunção da sua culpa, tampouco significa confissão ou renúncia a direitos que 
porventura lhes sejam assegurados, como o direito à ampla defesa. 
 
1.1.1.9. Das provas 
 
As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados 
necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão 
responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor 
atuações probatórias (art. 29 da Lei Federal nº 9.784/99). 
Quando for necessária a prestação de informações ou apresentação de provas 
pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, 
mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento. Entendendo relevante 
a matéria, o órgão pode apresentá-la, mesmo que o interessado se omita. 
CPF: 860.542.154-18
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17 
Regra geral, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quando 
ele declarar que os fatos e dados estão registrados em documentos em posse da 
Administração, esta, de ofício, obterá os documentos ou respectivas cópias. 
Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório 
da decisão. É importante frisar que poderão ser recusadas, mediante decisão 
fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, 
impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. As provas ilícitas, contudo, são sempre 
inadmissíveis. 
Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão 
competente poderá abrir período de consulta pública, a fim de que terceiros (pessoas 
físicas e jurídicas não enquadradas no conceito de interessados previsto no art. 9º) 
possam examinar os autos e apresentar suas considerações (por escrito), antes da 
decisão. A Administração deverá oferecer resposta fundamentada a todas as 
considerações recebidas, podendo elaborar uma resposta comum para atender às 
alegações substancialmente iguais (art. 31 da Lei Federal nº 9.784/99). 
Além disso, antes da tomada de decisão, se a autoridade competente entender 
que o processo cuida de questão relevante, poderá realizar audiência pública para 
debates sobre a matéria (art. 32). A diferença para a consulta pública é que, na 
audiência, não haverá acesso aos autos por parte de terceiros não interessados, nem 
direito de resposta às considerações, mas apenas debates sobre a matéria do processo. 
Todos os dados levantados durante a instrução, tanto os obtidos de ofício pela 
Administração como os produzidos por iniciativa do interessado, ou, ainda, nas 
consultas e audiências públicas, devem ser juntados aos autos para fundamentar a 
decisão do processo (art. 29, § 1º). 
Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de 
provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, 
mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento (art. 39). Caso se trate 
de intimação para a produção de uma prova ou a realização de diligência, os 
interessados serão intimados com antecedência mínima de 3 dias úteis, mencionando-
se data, hora e local de realização (art. 41). 
Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender 
relevante a matéria, suprir de ofício a omissão (princípio da oficialidade), não se 
eximindo de proferir a decisão (art. 39, parágrafo único). 
Todavia, quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado 
forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento da intimação 
no prazo fixado pela Administração para a apresentação dessas informações implicará 
arquivamento do processo. Essa hipótese ocorre quando a Administração não teve 
como suprir de ofício a omissão, ou entendeu que a matéria não era relevante o 
suficiente para tanto, de tal sorte que sua decisão deverá ser, simplesmente, pelo 
arquivamento do processo (art. 40). 
 
1.1.1.10. Dos pareceres e dos laudos técnicos 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
18 
Os pareceres, via de regra, possuem caráter meramente opinativo, embora 
possam ser usados como fundamentação para o ato praticado. Durante a instrução, 
pode ser necessária a produção de pareceres por órgãos consultivos. O prazo para 
emissão do parecer é de 15 dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de 
maior prazo (art. 42). Caso extrapolado o prazo, o processo poderá ter prosseguimento 
e ser decidido com sua dispensa, desde que ele não seja vinculante e sem prejuízo da 
responsabilidade de quem se omitiu no atendimento. 
 
ATENÇÃO! O Ex-Ministro Joaquim Barbosa, trazendo a doutrina do jurista francês René 
Chapus, explicou existirem três espécies de parecer, o facultativo, o obrigatório e o 
vinculante: “(i) quando a consulta é facultativa, a autoridade não se vincula ao parecer 
proferido, sendo que seu poder de decisão não se altera pela manifestação do órgão 
consultivo; (ii) quando a consulta é obrigatória, a autoridade não se vincula a emitir o 
ato tal como submetido à consultoria, com parecer favorável ou contrário, e se 
pretender praticar o ato de forma diversa da apresentada à consultoria, deverá 
submetê-lo a novo parecer; (iii) quando a lei estabelece a obrigação de decidir à luz de 
parecer vinculante, essa manifestação de teor jurídico deixa de ser meramente 
opinativa e o administrador não poderá decidir senão nos termos da conclusão do 
parecer ou, então, não decidir” (No MS nº 24.584-1/DF, j. em 09/08/2007). A temática 
é importante quanto à responsabilidade do parecerista, entendendo o Supremo que, 
salvante o caso de parecer vinculante, o parecerista somente responderia em caso de 
dolo ou erro inescusável (Info. STF nº 475). Registre-se que, nos termos do art. 184 do 
CPC/2015, não tendo qualquer relevância a natureza do parecer, “o membro da 
Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável quando agir com dolo ou 
fraude no exercício de suas funções”. 
 
Considerando o entendimento exposto acima (MS 24631/DF), podemos fazer a 
seguinte esquematização relacionando as espécies de parecer e a respectiva 
responsabilidade do parecerista: 
 
PARECER FACULTATIVO PARECEROBRIGATÓRIO PARECER VINCULANTE 
A manifestação não é 
obrigatória, bem como 
não vincula o gestor 
público. 
 
A manifestação é 
obrigatória, porém, o 
administrador, 
fundamentadamente (por 
meio de outro parecer ou 
manifestação técnica), 
pode praticar ato de forma 
diversa da opinião do 
parecerista. 
A manifestação é 
obrigatória e vinculante. O 
administrador deve 
decidir nos termos da 
conclusão do parecer ou, 
então, não decidir. 
Em regra, o parecerista 
não tem responsabilidade 
pelo ato administrativo. 
Em regra, o parecerista 
não tem responsabilidade 
pelo ato administrativo. 
Há uma partilha do poder 
de decisão entre o 
administrador e o 
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19 
Contudo, o parecerista 
pode ser responsabilizado 
se ficar configurada a 
existência de culpa ou erro 
grosseiro. 
Contudo, o parecerista 
pode ser responsabilizado 
se ficar configurada a 
existência de culpa ou erro 
grosseiro. 
parecerista, já que a 
decisão do administrador 
deve ser de acordo com o 
parecer. 
Logo, o parecerista 
responde solidariamente 
com o administrador pela 
prática do ato, não sendo 
necessário demonstrar 
culpa ou erro grosseiro. 
 
Pela sua importância, confira a íntegra do art. 42 da Lei Federal nº 9.784/99: 
 
Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão 
consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de 
quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade 
de maior prazo. 
§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido 
no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva 
apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso. 
§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser 
emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento 
e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da 
responsabilidade de quem se omitiu no atendimento. 
 
1.1.1.11. Da tramitação prioritária 
 
Certos procedimentos administrativos terão prioridade na tramitação, em 
qualquer órgão ou instância. Essa prioridade será garantida nos procedimentos em que 
figure como parte ou interessado (art. 69-A): 
 
- Pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; 
- Pessoa portadora de deficiência, física ou mental; 
- Pessoa portadora de doença grave. 
 
Quanto a este último item, a lei apresenta uma lista exemplificativa de doenças 
consideradas graves: tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, 
hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de 
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados 
avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação e 
síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS). Além disso, a lei assegura o mesmo 
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20 
direito aos portadores de “outra doença grave, com base em conclusão da medicina 
especializada”. 
Importante ressaltar que o direito à tramitação prioritária existe mesmo que a 
doença tenha sido contraída após o início do processo. Deferida a prioridade, os autos 
receberão identificação própria que evidencie o regime de tramitação prioritária. 
Frise-se que a tramitação prioritária não acontece de ofício. A pessoa 
interessada na obtenção do benefício deverá requerê-lo à autoridade administrativa 
competente, juntando prova de sua condição. 
 
1.1.1.12. Do recurso administrativo. Da coisa julgada administrativa e da revisão 
 
De acordo com o art. 56 da Lei Federal nº 9.784/99, das decisões 
administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. 
 
§ 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, 
a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o 
encaminhará à autoridade superior. 
§ 2o Salvo exigência legal, a interposição de recurso 
administrativo independe de caução. 
§ 3o Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria 
enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora 
da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes 
de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da 
aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. 
 
Como se sabe, o recurso administrativo é uma forma de impugnação a uma 
decisão administrativa, em processo devidamente instaurado. 
Possuem legitimidade para interpor recurso administrativo, segundo o art. 58: 
 
I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no 
processo; 
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente 
afetados pela decisão recorrida; 
III - as organizações e associações representativas, no tocante a 
direitos e interesses coletivos; 
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses 
difusos. 
 
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21 
O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a 
reconsiderar no prazo de 05 (cinco) dias (efeito regressivo), o encaminhará à 
autoridade superior. 
 
ATENÇÃO! Recurso administrativo não se confunde com pedido de reconsideração. 
Enquanto o recurso administrativo é a impugnação que será analisada pela 
autoridade superior àquela que proferiu a decisão, o pedido de reconsideração é o 
requerimento de reexame direcionado à própria autoridade que proferiu a decisão. 
O pedido de reconsideração não está previsto na Lei Federal nº 9.784/99, mas 
encontra previsão em leis específicas, como no art. 106 da Lei Federal 8.112/90 e art. 
109, III, da Lei Federal 8.666/93. 
 
A interposição de recurso administrativo independe de caução e pode tramitar 
por até 03 (três) instâncias administrativas. Salvo disposição legal específica, é de 10 
(dez) dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da 
ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. Quando a lei não fixar prazo diferente, 
o recurso administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de trinta dias, a partir 
do recebimento dos autos pelo órgão competente. Este prazo para a decisão poderá ser 
prorrogado por igual período, ante justificativa explícita. 
Vale destacar que, salvo disposição legal em contrário, o recurso NÃO tem 
efeito suspensivo. No entanto, havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta 
reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior 
poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. 
Dizer que o recurso independe de caução significa que, nos processos 
administrativos, NÃO é admitida a chamada garantia de instância, ou seja, não é 
necessário o depósito de valores ou oferecimento de bens em garantia para que o 
recurso seja admitido. Aliás, tal vedação é objeto da Súmula Vinculante nº 21 do STF: 
 
“É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento 
prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso 
administrativo”. 
 
Não será conhecido o recurso interposto (art. 63): 
 
I - fora do prazo; 
II - perante órgão incompetente. Neste caso, será indicada ao 
recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o 
prazo para recurso; 
III - por quem não seja legitimado; 
IV - após exaurida a esfera administrativa. 
 
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22 
De acordocom a Lei nº 9.784/99, caso a decisão do recurso possa gerar 
gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas 
alegações antes da decisão (art. 64, parágrafo único). Isto significa que a referida lei 
admite a possibilidade de reformatio in pejus, ou seja, que a decisão pode ser 
reformada para pior em grau de recurso, desde que haja prévia oitiva da parte 
interessada. Nestes termos, já se manifestou o STF: 
 
“A possibilidade da administração pública, em fase de recurso 
administrativo, anular, modificar ou extinguir os atos 
administrativos em razão de legalidade, conveniência e 
oportunidade, é corolário dos princípios da hierarquia e da 
finalidade, não havendo se falar em reformatio in pejus no 
âmbito administrativo, desde que seja dada a oportunidade de 
ampla defesa e o contraditório ao administrado e sejam 
observados os prazos prescricionais”. (STF - Ag. Reg. no Rext 
641.054 – Rel. Min. Luiz Fux – j. 25.05.2012) 
 
ATENÇÃO 1! Isto significa dizer que, NÃO se aplica ao processo administrativo a 
proibição da reformatio in pejus. O tema já foi cobrado pelo CESPE, que considerou 
errada a seguinte assertiva: 
(CESPE): É vedada a reformatio in pejus nos processos administrativos de que 
resultem sanções. 
ATENÇÃO 2! A reformatio in pejus é permitida nos recursos administrativos em geral, 
mas é vedada, especificamente, na revisão dos processos de que resultem sanções, 
conforme art. 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/1999, vez que na revisão já existe 
coisa julgada administrativa. 
 
Vale destacar que o descumprimento pela Administração do prazo para 
decidir não acarreta nulidade da decisão (diz-se que é um prazo impróprio), mas poderá 
resultar na responsabilidade funcional de quem houver, de maneira injustificada, dado 
causa ao atraso. 
Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado de 
Súmula Vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a 
reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões 
porque entende ser a súmula aplicável ou não ao caso (art. 56, § 3º). A autoridade 
superior, quando for apreciar o recurso, deverá proceder da mesma forma, ou seja, 
também deverá explicitar as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da Súmula ao 
caso (art. 64-A). 
Na hipótese de o administrado entender que houve violação a enunciado de 
Súmula Vinculante, poderá ajuizar reclamação perante o Supremo Tribunal Federal, 
dede que, antes, tenha esgotado as vias administrativas. Acolhida a reclamação, o STF 
anulará a decisão administrativa e dará ciência à autoridade prolatora e ao órgão 
competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões 
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23 
administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas 
esferas cível, administrativa e penal (art. 64-B). 
 
ATENÇÃO! É importante frisar que, de acordo com art. 61 da Lei 9.784/99, “salvo 
disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo”, isto é, não 
suspende os efeitos da decisão recorrida. 
Isso significa que a Administração não fica impedida de praticar o ato que esteja 
sendo alvo de impugnação. Costuma-se dizer que os recursos administrativos 
possuem apenas efeito devolutivo, que é um efeito inerente a qualquer recurso, e 
significa simplesmente que a matéria recorrida é submetida a nova apreciação e 
decisão pelo órgão com competência recursal. 
Por oportuno, registre-se que, em alguns casos, a legislação reconhece a necessidade 
de efeito suspensivo para alguns recursos administrativos, em razão do potencial 
prejuízo que poderia ser resultante da não atribuição de tal efeito. 
 
O efeito devolutivo dos recursos administrativos é bastante amplo. Segundo o 
art. 64 da Lei Federal nº 9.784/99, o órgão competente para decidir o recurso poderá 
confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, 
desde que se trate de matéria da sua competência. 
É possível, inclusive, que a autoridade superior reforme a decisão em prejuízo 
do recorrente, ou seja, agravando a sua situação inicial (a denominada reformatio in 
pejus). Se a decisão do recurso puder causar o agravamento da situação do recorrente, 
este deverá ser cientificado previamente para que formule suas alegações antes da 
decisão (art. 64, parágrafo único). 
Vale ressaltar que a referida lei, ao tratar dos recursos, tratou sobre o recurso 
hierárquico próprio, no qual se identifica uma relação de hierarquia entre a autoridade 
recorrida e a autoridade revisora “instância superior”. Ele deriva da própria hierarquia, 
não sendo (de acordo com a doutrina) necessária previsão legal o determinando. 
Por sua vez, no caso do recurso hierárquico impróprio, não é identificada 
relação hierárquica direta entre órgão recorrido e o órgão revisor, sendo necessária 
previsão legal para a sua existência. Neste caso, o órgão revisor será aquele que a lei 
determinar, diferente do recurso hierárquico próprio em que o revisor é a autoridade 
hierarquicamente superior. 
Outro ponto importante diz respeito à coisa julgada administrativa. É diferente 
da coisa julgada relacionada às decisões do Poder Judiciário, não gozando do mesmo 
status de imutabilidade. Isso porque, mesmo ocorrendo a coisa julgada administrativa, 
pode o administrado se insurgir contra essa decisão perante o Judiciário. 
Nesse sentido, a coisa julgada administrativa significa que determinado assunto 
decidido na via administrativa não poderá mais sofrer alteração nessa mesma via 
administrativa, o que não impede o uso da via judicial. 
Por fim, de acordo com a Lei Federal nº 9.784/99, os processos administrativos 
de que resultem sanções poderão ser objeto de REVISÃO, a qualquer tempo, a pedido 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
24 
ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes, suscetíveis de 
justificar a inadequação da sanção aplicada (art. 65). Mais uma vez, destaque-se que é 
vedada a reformatio in pejus na revisão. 
 
 
1.1.1.13. Desistência e extinção do processo 
 
O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou 
parcialmente do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis (art. 51). 
A sua desistência ou renúncia, porém, não prejudica o prosseguimento do processo, se 
a Administração considerar que o interesse público assim o exige (art. 51, § 2º). 
Ressalte-se que a desistência ou renúncia de um interessado não atinge outros 
eventuais interessados habilitados no processo (art. 51, § 1º). 
O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua 
finalidade ou quando o objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado 
por fato superveniente (art. 52). 
 
1.1.1.14. Contagem dos prazos 
 
Os prazos no processo administrativo federal começam a correr a partir da data 
da cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia do começo e incluindo-se o do 
vencimento (art. 66). 
Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo (art. 66, § 2º). Em 
qualquer caso, se o vencimento cair em dia em que não houver expediente, ou em que 
este for encerrado antes da hora normal, considera-se prorrogado o prazo até o 
primeiro dia útil seguinte (art. 66, § 1º). 
Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data; se no mês do 
vencimento não houver o dia equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo 
o último dia do mês (art. 66, § 3º). Por fim, salvo motivo de força maior, devidamente 
comprovado, os prazos processuaisnão se suspendem (art. 67). 
 
1.1.1.15. Decadência Administrativa 
 
O princípio da autotutela garante o direito da Administração de anular os seus 
atos, desde que respeitado o prazo decadencial de cinco anos quando dos atos 
decorram efeitos favoráveis para os seus destinatários, salvo comprovada má-fé (art. 
54). Este prazo, por estar previsto em lei federal, aplica-se, exclusivamente, em âmbito 
federal, não se estendendo automaticamente aos demais entes federados. 
Em suma, no caso da Administração Pública Federal, não exercida a 
prerrogativa da autotutela no âmbito de cinco anos, opera-se a decadência 
administrativa, exceto se configurada a má-fé do administrado. 
 
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25 
1.1.2. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
 
Neste ponto, faremos algumas considerações acerca do processo 
administrativo disciplinar (PAD), instrumento utilizado para apuração de faltas e 
aplicação de sanções administrativas nos casos de infrações praticadas por agentes na 
prestação do serviço público. 
Importante destacar, de início, que os entes federativos possuem autonomia 
para criar suas próprias normas para regulamentar o processo administrativo 
disciplinar. Assim, os arts. 143 e seguintes da Lei Federal nº 8.112/90, que tratam sobre 
o tema, aplicam-se apenas no âmbito do federal. Contudo, tal como acontece com a Lei 
Federal nº 9.784, as normas federais servem de espelho para as legislações estaduais, 
de modo que passaremos a ver a generalidade do processo administrativo disciplinar 
previsto na Lei Federal nº 8.112/90. 
Ainda de forma preambular, destaque-se que o art. 148 da referida Lei define 
o processo disciplinar como “instrumento destinado a apurar a responsabilidade de 
servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação 
com as atribuições em que se encontre investido”. 
 
1.1.2.1. Sindicância 
 
Por vezes, antes da instauração do processo, é preciso instaurar uma 
investigação com o escopo de apurar fatos (indícios) quanto à infração funcional e à 
respectiva autoria. Tal procedimento investigatório é denominado pela doutrina como 
sindicância. 
Costuma-se dividir a sindicância em 02 (duas) espécies: 
 
a) Investigatória ou preparatória (preliminar ao PAD); e 
b) Contraditória ou acusatória. 
 
A SINDICÂNCIA INVESTIGATÓRIA OU PREPARATÓRIA OU PRELIMINAR é um 
procedimento preliminar inquisitorial, por isso não requer a garantia de contraditório, 
uma vez que não tem por objetivo a aplicação de sanções. Assim, em virtude da ausência 
de contraditório e ampla defesa, serve apenas de substrato para a instauração de 
processo administrativo disciplinar quando constatada conduta lesiva ao interesse 
público ou prática de infração administrativa. Esta espécie de sindicância não possui 
previsão legal expressa, sendo extraída a partir da leitura sistemática da Lei Federal nº 
9.784/99, segundo a qual o Poder Público tem o poder-dever de apurar a existência de 
condutas ilícitas. 
Por outro lado, a SINDICÂNCIA CONTRADITÓRIA OU ACUSATÓRIA está 
regulamentada nos artigos 143 e 145 da Lei Federal nº 8.112/90 e representa um 
processo administrativo simplificado, destinado à aplicação de penalidade de 
advertência ou suspensão por até 30 dias. 
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26 
 
ATENÇÃO! Repita-se que a sindicância meramente investigatória, criada pela 
doutrina e extraída de interpretação sistemática da Lei Federal nº 9.784/99, nunca 
poderá resultar na aplicação de penalidades ao agente público, visto que dispensada 
a garantia do contraditório. Já a sindicância contraditória, com previsão expressa na 
Lei nº 8.112/90, representa um processo administrativo disciplinar que pode 
acarretar penalidades ao servidor público, posto que respeitado o contraditório e a 
ampla defesa. 
 
A sindicância acusatória deve ser concluída no prazo máximo de 30 dias, 
prorrogáveis por mais 30 dias, a critério da autoridade superior. Contudo, a 
inobservância pelo Poder Público, embora possa ensejar a responsabilidade do agente 
causador do atraso, não acarreta nulidade do processo. 
No tocante ao rito a ser adotado na sindicância acusatória, à míngua de 
previsão legal, e diante da necessidade de definir um procedimento a ser observado pela 
Administração Pública, a doutrina defende a aplicação das regras destinadas ao 
processo administrativo disciplinar, naquilo que couber. 
A teor do art. 145 da Lei Federal nº 8.112/90, a sindicância contraditória pode 
ensejar 03 (três) situações: 
 
a) Arquivamento do processo: ocorrerá quando não for apurada 
nenhuma infração ou se o servidor não foi o autor da 
irregularidade; 
b) Aplicação de penalidade: quando constatada a prática 
infracional pelo servidor causador cuja penalidade seja de 
advertência ou suspensão por até 30 dias; 
c) Instauração do PAD: quando apurada infração mais grave, 
praticada por servidor público, ensejadora de penalidade mais 
severa que as mencionadas no item anterior. 
 
ATENÇÃO! A sindicância acusatória NÃO é essencial para a instauração de processo 
administrativo disciplinar (PAD), assim como a instauração deste NÃO é necessária se 
a sindicância contraditória apurar a prática de infração penalizada com advertência 
ou suspensão por até 30 dias. 
Se a sindicância resultar na instauração do PAD, os autos da sindicância acusatória 
integrarão aquele, a título de peça informativa da instrução. 
Caso o relatório da sindicância conclua pelo enquadramento da infração como ilícito 
penal, a autoridade competente deverá encaminhar cópia dos autos ao Ministério 
Público, independentemente da imediata instauração do processo disciplinar. 
 
1.1.2.2. Processo administrativo disciplinar (PAD) 
CPF: 860.542.154-18
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27 
 
Desde logo, relevante registrar que, antes da instauração do processo 
administrativo disciplinar, é possível que seja determinado o afastamento preventivo 
do servidor público, a título de medida cautelar, com o objetivo de que o servidor não 
influencie na apuração da irregularidade. 
 
1.1.2.2.1. Afastamento preventivo (art. 147 da Lei Federal nº 8.112/90) 
 
Quando da instauração do PAD, caso a autoridade administrativa entenda que 
a permanência do servidor no cargo terá o condão de prejudicar o andamento do 
processo, poderá determinar o afastamento preventivo deste, pelo prazo máximo de 60 
dias, prorrogáveis por mais 60 dias (prazo peremptório), sendo mantido, durante tal 
período, o pagamento da remuneração integral do servidor processado. 
Tal medida não tem caráter punitivo, mas acautelatório, até porque é vedada 
a aplicação de penalidades aos servidores públicos sem prévio processo disciplinar. 
 
ATENÇÃO! 
- A instauração do PAD interrompe o prazo prescricional para a aplicação da 
penalidade administrativa. Segundo o entendimento do STJ, tal prazo é interrompido 
pelo período de 140 dias (prazo máximo para conclusão do PAD – art. 152, caput c/c 
art. 169, § 2º, ambos da Lei Federal nº 8.112/90), ocasião em que a sua contagem é 
normalmente reiniciada; 
- No curso do processo administrativo disciplinar, o servidor processado não pode ser 
exonerado a pedido nem ser aposentado voluntariamente, devendo, para tanto, 
aguardar o término do PAD; 
- Por outro lado, não há ilegalidade na imediata execução de penalidade 
administrativa imposta em PAD a servidor público, ainda que a decisãonão tenha 
transitado em julgado administrativamente, pois, como visto, o recurso 
administrativo não possui efeito suspensivo automático (MS 19.488.2015 – 
Informativo 559 do STJ). 
 
1.1.2.2.2. Fases do processo administrativo disciplinar (PAD) 
a) Instauração 
 
Ocorre mediante a designação da comissão processante, composta mediante 
03 servidores estáveis que não sejam cônjuges ou parentes até o terceiro grau civil do 
acusado, tendo em vista a necessidade de garantir a imparcialidade na condução do 
processo. É o que dispõe o art. 150 da Lei Federal nº 8.112/90: 
 
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28 
“A Comissão exercerá suas atividades com independência e 
imparcialidade, assegurado o sigilo necessário à elucidação do 
fato ou exigido pelo interesse da administração”. 
 
Quanto aos servidores que podem ocupar cargo na comissão processante, a Lei 
Federal nº 8.112/90 estabelece que apenas o presidente da comissão deverá apresentar 
uma qualidade especial, isto é, deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de 
mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. 
Os demais membros, por sua vez, não precisam ocupar cargo efetivo superior 
e podem ter nível de escolaridade mais baixo que o do indiciado, desde que sejam 
estáveis. Tal estabilidade visa garantir a imparcialidade e isenção dos membros da 
comissão processante e deve ser aferida no cargo, não sendo suficiente que o membro 
da comissão goze de estabilidade no serviço público (STF. 2ª Turma. RMS 32357/DF, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/3/2020 (Info 970)). 
Registre-se que a autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço 
público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou 
processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa. Trata-se, 
portanto, de ato administrativo vinculado, não podendo ser dispensado pela autoridade 
competente. 
Ademais, o STJ já se manifestou no sentido de que a portaria designadora da 
comissão e que instaura o PAD NÃO precisa trazer uma descrição minuciosa dos fatos, 
inclusive como forma de evitar a emissão prévia de juízo de valor acerca do servidor 
processado, o que poderia ensejar uma presunção de culpabilidade do agente público, 
o que não é admitido pelo ordenamento jurídico. 
Corroborando com esse entendimento, o STJ aprovou, em 18/02/2020, o 
enunciado da Súmula nº 641, segundo o qual, “a portaria de instauração do processo 
administrativo disciplinar prescinde da exposição detalhada dos fatos a serem 
apurados”. 
É necessário, ainda, que a portaria de instauração do PAD indique a 
possibilidade de apuração de fatos conexos ao principal, inclusive com a investigação 
de condutas de outros servidores, desde que não prejudique a celeridade e eficiência 
do processo. 
 
ATENÇÃO! Tanto o STJ, quanto o STF admitem a instauração de processo administrativo 
disciplinar com base em DENÚNCIA ANÔNIMA, desde que motivada e com amparo em 
investigação ou sindicância, isto é, em alguma espécie de apuração preliminar da 
existência dos indícios de materialidade e autoria “denunciados” (S. 611, STF; art. 106, 
Lei Baiana 12.209/2011). 
 
b) Inquérito administrativo 
 
Segunda fase do processo administrativo disciplinar, o inquérito administrativo 
engloba os procedimentos atinentes ao respeito do contraditório e da ampla defesa e 
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se divide em 03 (três) momentos, quais sejam, instrução probatória; citação do acusado 
com abertura de prazo e oportunidade de defesa; e elaboração do relatório pela 
comissão do processo. 
 
b.1) Instrução 
 
A instrução probatória é ampla, de modo que a lei autoriza, no seio do processo 
administrativo, todos os meios de prova admitidos em Direito, isto é, todas as provas 
produzidas licitamente serão admitidas, sem restrições indevidas. 
 
ATENÇÃO! Em processo administrativo NÃO se admite a determinação de 
interceptação telefônica [restrita que está ao processo judicial criminal], MAS não 
há óbice para sua utilização enquanto prova emprestada, desde que tenha sido 
produzida regularmente no processo judicial criminal e sejam respeitados o 
contraditório e a ampla defesa (S. 591, STJ; art. 22, § 1º, Lei Estadual nº 12.209/2011). 
 
Nessa fase de instrução probatória, a comissão promoverá a tomada de 
depoimentos, acareações, investigações e diligência cabíveis, a fim de coletar provas, 
admitindo a participação de técnicos e peritos, quando necessário, de modo a alcançar 
a máxima elucidação dos fatos. 
No tocante à produção de prova oral, concluída a inquirição das testemunhas, 
a comissão promoverá o interrogatório do acusado. Em sendo mais de um no mesmo 
processo, cada um será ouvido separadamente, de modo que se surgir divergência em 
suas declarações sobre fatos ou circunstâncias, haverá acareação entre eles. Deve-se, 
também, garantir, ao procurador do acusado, a faculdade de assistir ao interrogatório, 
bem como à inquirição das testemunhas, sendo-lhe vedado interferir nas perguntas e 
respostas apresentadas, mas sendo admitida a reinquirição das mesmas, por intermédio 
do presidente da comissão. 
 
ATENÇÃO! 
- Produzidas as provas, o réu terá o prazo de 10 dias para apresentação de defesa; 
- Se o acusado não for encontrado e a citação ocorrer por edital, publicado no Diário 
Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio 
conhecido, o prazo para apresentação de defesa será de 15 dias; 
- Havendo dois ou mais acusados no mesmo processo, o prazo de defesa será de 20 
dias (prazo comum); 
- Caso o réu não apresente defesa, no prazo legal, será decretada sua revelia; 
- Ressalta-se que o conceito da expressão revelia é exatamente a ausência de 
contestação dentro da lei. Assim, é preciso que o candidato não confunda o conceito 
de revelia com os efeitos que ela produz no processo civil, quais sejam, a confissão 
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ficta dos fatos alegados pela parte adversa e a não intimação dos atos subsequentes 
do processo; 
- Portanto, no processo administrativo, o único efeito decorrente da revelia é a 
designação de defensor dativo, já que não se pode seguir o Processo Administrativo 
Disciplinar sem a apresentação de defesa. Não há, pois, presunção de veracidade em 
desfavor do investigado; 
- O prazo de duração do PAD é de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, até elaboração 
do relatório, quando a autoridade terá mais 20 dias para julgamento. Daí decorre o 
entendimento jurisprudencial de que a interrupção da prescrição dura 140 dias, 
contados da instauração do PAD, como se este fosse o prazo máximo do 
procedimento. 
 
c) Julgamento 
 
Após a elaboração do relatório pela comissão processante, a autoridade 
julgadora deverá proferir o julgamento no processo administrativo em prazo máximo 
de 20 dias. 
 
ATENÇÃO! CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA POR FALTA DISCIPLINAR EM ATIVIDADE 
De acordo com o STF, é possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela 
prática de falta disciplinar punível com demissão enquanto em atividade. Para o 
Supremo, é constitucional a previsão da penalidade de aposentadoria de servidores 
públicos estabelecida nos arts. 127, IV, e 134, ambos da Lei nº 8.112/90, compatível que 
é com o caráter contributivo e solidário do regime próprio de previdência dos servidores 
públicos. (STF, Plenário, ADPF418, Rel. Alexandre de Moraes, j. em 15/04/2020 - Info 
915). 
Assim também, o STJ: Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 142): Tese 10: A pena de 
cassação de aposentadoria prevista nos art. 127, IV e art. 134 da Lei n. 8.112/1990 é 
constitucional e legal, inobstante o caráter contributivo do regime previdenciário. 
 
1.1.2.2.3. Impugnações administrativas do julgamento 
 
Destaca-se, mais uma vez, o teor da Súmula Vinculante nº 21 do STF (muito 
cobrada em concurso), que estabelece ser INCONSTITUCIONAL a exigência de depósito 
ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso 
administrativo. 
 
a) Recurso e pedido de reconsideração 
 
Deverão ser interpostos no prazo legal de 30 dias. O recurso administrativo é 
encaminhado hierarquicamente, por meio da autoridade à qual está subordinado e 
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31 
dirigido à autoridade superior àquela que proferiu a decisão impugnada. Já o pedido de 
reconsideração, como o próprio nome sugere, é julgado pela própria autoridade que 
realizou o julgamento do processo. Lembrando que não é possível que, após o 
julgamento de um pedido de reconsideração, haja nova interposição deste. 
Ressalte-se que o recurso e o pedido de reconsideração são impugnações 
diferentes, que não se excluem. Ademais, havendo hierarquia administrativa suficiente, 
é possível apresentação de recursos até 03 (três) instâncias, sendo que, a cada nova 
interposição de recurso ou de pedido de reconsideração, ocorre nova interrupção do 
prazo prescricional. De mais a mais, cabe recordar que os recursos administrativos e os 
pedidos de reconsideração NÃO têm efeito suspensivo, cabendo à autoridade julgadora 
receber com tal efeito quando entender pertinente. 
Por fim, em se tratando de processo administrativo, do julgamento de pedido 
de reconsideração e de recurso administrativo, PODE decorrer situação mais gravosa 
ao recorrente, visto que a lei não proíbe a reformatio in pejus. 
 
b) Revisão 
 
A revisão NÃO tem prazo, razão pela qual o pedido pode ser feito a qualquer 
tempo, desde que haja a alegação de fatos novos pelo servidor ou circunstâncias hábeis 
a justificar a inocência do acusado ou inadequação da penalidade aplicada. Por fatos 
novos, entende-se não os fatos ocorridos após a instauração do PAD, mas aqueles fatos 
que não foram analisados no processo, ainda que existentes ao tempo de sua conclusão. 
A despeito da ausência de prazo preclusivo, há prazo prescricional contra o 
Estado, qual seja, de 05 (cinco) anos para demissão, cassação de aposentadoria e 
disponibilidade e 120 (cento e vinte) dias nos demais casos, a teor do art. 110 da Lei 
Federal nº 8.112/90. 
 
ATENÇÃO! Do julgamento da revisão, NÃO pode haver agravamento da penalidade 
aplicada ao servidor no processo originário. Em outras palavras, aplica-se a vedação 
da reformatio in pejus. 
 
ATENÇÃO! Controle judicial de sanção administrativa disciplinar 
Em nome do princípio da indisponibilidade do interesse público, reconhece-se a 
inexistência de discricionariedade quanto ao dever de a Administração investigar 
indícios do cometimento de infração administrativa praticada por seus servidores, bem 
como, de face à comprovação da falta disciplinar, punir o agente público infrator. 
Entretanto, doutrina e jurisprudência afirmam a discricionariedade da Administração 
quanto à valoração do conjunto probatório colhido no processo administrativo e em 
relação à escolha e gradação da sanção a ser aplicada dentre as cabíveis. 
Assentada essa premissa, o STJ e o STF entendem que o Judiciário, restrito que está ao 
controle de juridicidade, em especial a verificação da compatibilidade com os princípios 
da razoabilidade, moralidade e proporcionalidade, PODE ANULAR sanção administrativa 
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32 
aplicada em desconformidade com o Direito, JAMAIS PODENDO SUBSTITUIR A 
PENALIDADE IMPOSTA, todavia, sob pena de usurpar a função administrativa, invadindo 
o mérito administrativo, violando a separação e harmonia dos poderes (STJ, Sexta 
Turma. ROMS N. 10.269/ BA, Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES. Data da decisão: 
16/03/1999. Publicação: DJ 26/04/1999; STF, Primeira Turma. ROMS N. 24256/ DF, Rel. 
Min. ILMAR GALVÃO. Data da decisão: 03/09/2002). 
 
1.1.2.2.4. Prescrição da Pretensão Punitiva Disciplinar 
 
O art. 142 da Lei Federal nº 8.112/1990 estabelece os prazos da prescrição das 
infrações disciplinares dos servidores federais, aplicável para qualquer forma de 
apuração de infração disciplinar, sindicância ou PAD: 
 
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: 
I — em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com 
demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e 
destituição de cargo em comissão; 
II — em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; 
III — em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência. 
(...) 
§ 2º Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às 
infrações disciplinares capituladas também como crime (será o 
mesmo prazo prescricional da lei penal, previsto no art. 109 do 
CP). 
[Grifamos] 
 
ATENÇÃO! Anteriormente, o STJ entendia que a aplicação do prazo previsto na lei penal 
exigia a demonstração da existência de apuração criminal da conduta do servidor. No 
entanto, tal entendimento foi superado, passando a entender que, “diante da rigorosa 
independência das esferas administrativa e criminal, não se pode entender que a 
existência de apuração criminal é pré-requisito para a utilização do prazo prescricional 
penal”. De forma que se a infração disciplinar praticada for, em tese, também crime, o 
prazo prescricional do processo administrativo será aquele previsto no art. 109 do CP, 
esteja ou não esse fato sendo apurado na esfera penal. 
(MS 20.857/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro 
OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2019, DJe 12/06/2019) 
 
Quanto ao termo inicial do prazo prescricional, o § 1º desse art. 142 fixa que o 
prazo começa a correr a partir da data que o fato se tornou conhecido. No ponto, o STJ 
fixou importante entendimento no sentido que esse conhecimento não é por qualquer 
CPF: 860.542.154-18
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33 
autoridade administrativa, mas pela “autoridade competente para instaurar o 
procedimento disciplinar”: 
 
O art. 142, § 1º da Lei nº 8.112/90 prevê que o prazo 
prescricional da ação disciplinar “começa a correr da data em 
que o fato se tornou conhecido”. 
O termo inicial da prescrição é a data do conhecimento do fato 
pela autoridade competente para instaurar o Processo 
Administrativo Disciplinar (PAD) e não a ciência de qualquer 
autoridade da Administração Pública. 
(STJ. 1ª Seção. MS 20.615/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 
julgado em 08/03/2017). 
[Grifamos] 
 
A seu turno, sobre os fatos interruptivos da prescrição, o § 3º do art. 142, a 
abertura (válida) de sindicância [contraditória/acusatória/punitiva apenas, pois 
somente aqui existe contraditório – a instauração de sindicância 
investigatória/preparatória/preliminar, dado seu caráter inquisitorial, não interrompe a 
prescrição disciplinar] e de PAD interrompem (zera) a prescrição, até a decisão final da 
autoridade competente. Vejamos: 
 
Art. 142 (...) 
§ 3º A abertura de sindicância (punitiva) ou a instauração de 
processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final 
proferida por autoridade competente.Sobre o reinício da fluência do prazo prescricional, o STJ definiu que, se se 
passarem 140 (cento e quarenta) dias da instauração da sindicância (acusatória) ou 
PAD sem decisão final da autoridade competente, o prazo prescricional volta a correr 
por inteiro (STJ, 1ª Seção, MS 21.669/DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, j. em 23/08/2017). 
Esse prazo de 140 dias é o prazo máximo previsto em na Lei 8.112/1990 para a conclusão 
e julgamento do PAD desde sua instauração: 
 
Art. 152. O prazo para a conclusão do processo disciplinar não 
excederá 60 (sessenta) dias, contados da data de publicação do 
ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por 
igual prazo, quando as circunstâncias o exigirem. 
[...] 
Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento 
do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua decisão. 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
34 
Todos esses entendimentos do STJ foram, agora em 2019, reunidos no 
Enunciado nº 635 de sua Súmula, a ver: 
 
Súmula 635: “Os prazos prescricionais previstos no artigo 142 da 
Lei 8.112/1990 iniciam-se na data em que a autoridade 
competente para a abertura do procedimento administrativo 
toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro 
ato de instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou 
processo disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após 
decorridos 140 dias desde a interrupção.” 
 
Importante perceber que esse enunciado sumular congrega 03 (três) 
importantes conclusões sobre o prazo prescricional das infrações disciplinares: 
 
1. O termo inicial dos prazos prescricionais das infrações 
disciplinares é a data em que a autoridade competente para a 
instauração do procedimento toma ciência do cometimento do 
ilícito, não bastando o conhecimento por qualquer autoridade 
administrativa; 
2. O prazo prescricional das infrações disciplinares se interrompe 
com a instauração (válida) da sindicância 
(contraditória/acusatória/punitiva) ou do PAD, até a decisão 
final pela autoridade competente; 
3. Passados 140 dias da instauração da sindicância ou PAD sem 
decisão final da autoridade competente, o prazo prescricional da 
infração disciplinar volta a correr por inteiro. 
 
1.1.3. PROCESSO SUMÁRIO 
 
A Lei Federal nº 8.112/90, prevê um procedimento célere, com prazos mais 
curtos para aplicação de sanções aos agentes públicos nos casos de aplicação de 
penalidades por abandono de cargo, inassiduidade habitual (art. 140) e acumulação 
ilegal de cargos (art. 133). As três hipóteses ensejam a aplicação da penalidade de 
demissão e foram contempladas pelo legislador em razão da (suposta) facilidade de 
comprovação da materialidade das infrações, cujo prazo máximo é de 30 (trinta) dias 
prorrogável por mais 15 (quinze) dias. 
A despeito das discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do 
processo sumário, para fins de prova, este tem sido admitido pelas bancas 
examinadoras de concurso público. 
 
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35 
2. JURISPRUDÊNCIA 
 
SÚMULAS DO STF 
 
Súmula Vinculante nº 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo 
administrativo disciplinar não ofende a Constituição. 
Súmula Vinculante nº 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento 
prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
SÚMULAS DO STJ 
 
Súmula nº 592: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo 
disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa. 
Súmula nº 591: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo 
disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o 
contraditório e a ampla defesa. 
Súmula nº 533: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da 
execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo 
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa a ser realizado por 
advogado constituído ou defensor público nomeado. 
Súmula nº 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de 
recurso administrativo. 
Súmula nº 633: Lei 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial 
para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode 
ser aplicada, de forma subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local 
e específica que regule a matéria. 
Súmula 635: Os prazos prescricionais previstos no artigo 142 da Lei 8.112/1990 iniciam-
se na data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento 
administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de 
instauração válido – sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar – e voltam a 
fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção. 
Súmula 641: A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde 
da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. 
 
JULGADOS DO STJ 
 
A Edição nº 154 da Jurisprudência em Teses do STJ trouxe um compilado dos 
importantes entendimentos da Corte sobre o processo administrativo disciplinar: 
 
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36 
1) O controle judicial no processo administrativo disciplinar - PAD restringe-se ao 
exame da regularidade do procedimento e da legalidade do ato, à luz dos princípios 
do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não sendo possível 
nenhuma incursão no mérito administrativo. AgInt no RMS 58438/RS, Rel. Ministro 
FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2020, DJe 26/06/2020 
 
2) Na via do mandado de segurança, é possível valorar a congruência entre a conduta 
apurada e a capitulação da pena de demissão aplicada no processo administrativo 
disciplinar. MS 17151/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, 
julgado em 13/02/2019, DJe 11/03/2019 
 
3) O mandado de segurança não é a via adequada para o exame da suficiência do 
conjunto fático-probatório constante do processo administrativo disciplinar - PAD. MS 
17807/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
11/12/2019, DJe 13/12/2019 
 
4) A Lei n. 8.112/1990 pode ser aplicada de modo supletivo aos procedimentos 
administrativos disciplinares estaduais, nas hipóteses em que existam lacunas nas leis 
locais que regem os servidores públicos. RMS 60493/PR, Rel. Ministro HERMAN 
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/09/2019, DJe 11/10/2019 
 
5) Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é 
permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia 
anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração. (Súmula n. 
611/STJ) MS 21084/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, 
julgado em 26/10/2016, DJe 01/12/2016 
 
6) Instaurado o competente processo administrativo disciplinar, fica superado o 
exame de eventuais irregularidades ocorridas durante a sindicância. MS 20994/DF, Rel. 
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/05/2016, DJe 
06/06/2016 
 
7) A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da 
exposição detalhada dos fatos a serem apurados. (Súmula n. 641/STJ) AgInt no RMS 
60208/MS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
17/02/2020, DJe 20/02/2020 
 
8) No PAD, a alteração da capitulação legal imputadaao acusado não enseja nulidade, 
uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele descritos e não dos 
enquadramentos legais. MS 21773/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 28/10/2019 
 
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37 
9) Os prazos prescricionais previstos no art. 142 da Lei n. 8.112/1990 iniciam-se na 
data em que a autoridade competente para a abertura do procedimento 
administrativo toma conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de 
instauração válido, sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar, e voltam a 
fluir por inteiro, após decorridos 140 dias desde a interrupção. (Súmula n. 635/STJ) MS 
24672/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, 
DJe 05/08/2020 
 
10) A ausência de termo de compromisso de membro de comissão processante não 
implica nulidade do PAD, uma vez que tal designação decorre de lei e recai, 
necessariamente, sobre servidor público, cujos atos funcionais gozam de presunção 
de legitimidade e de veracidade. MS 12803/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, 
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 09/04/2014, DJe 15/04/2014 
 
11) É possível a substituição de membros da comissão processante, desde que 
respeitados, quanto aos membros designados, os requisitos insculpidos no art. 149 da 
Lei n. 8.112/1990. MS 21898/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 23/05/2018, DJe 01/06/2018 
 
12) As alegações de imparcialidade e de suspeição de membro da comissão 
processante devem estar fundadas em provas, não bastando meras conjecturas ou 
suposições desprovidas de qualquer comprovação. MS 16611/DF, Rel. Ministro 
MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 
05/02/2020 
 
13) A imparcialidade de membro de comissão não fica prejudicada tão somente por 
este compor mais de uma comissão processante instituída para apuração de fatos 
distintos que envolvam o mesmo servidor. MS 21773/DF, Rel. Ministro BENEDITO 
GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/10/2019, DJe 28/10/2019 
 
14) Declarações prestadas à mídia por autoridade pública, acerca de irregularidades 
cometidas por servidores públicos a ela subordinados, não ensejam, por si só, a 
nulidade do PAD. MS 18370/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, 
julgado em 08/02/2017, DJe 01/08/2017 
 
15) A simples oitiva de membro da comissão processante, da autoridade julgadora ou 
da autoridade instauradora como testemunha ou informante no bojo de outro 
processo administrativo ou até mesmo penal que envolva o investigado não enseja, 
por si só, o reconhecimento da quebra da imparcialidade. MS 22928/DF, Rel. Ministro 
MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/06/2018, DJe 
19/06/2018 
 
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38 
16) Na composição de comissão de processo administrativo disciplinar, é possível a 
designação de servidores lotados em órgão diverso daquele em que atua o servidor 
investigado, não existindo óbice nas legislações que disciplinam a apuração das 
infrações funcionais. MS 17796/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. 
p/ Acórdão Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/09/2019, 
DJe 19/11/2019 
 
17) Em regra, a instauração de processo administrativo disciplinar contra servidor 
efetivo cedido dar-se-á no órgão em que tenha sido praticada a suposta irregularidade 
(cessionário), devendo o julgamento e a eventual aplicação de sanção ocorrer no 
órgão ao qual o servidor efetivo estiver vinculado (cedente). MS 17590/DF, Rel. 
Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2019, DJe 
13/12/2019 
 
18) Compete ao Ministro de Estado da Educação a instauração de procedimento 
administrativo disciplinar e a aplicação de penalidades previstas na Lei n. 8. 112/1990 
contra servidor integrante do quadro de pessoal de Universidade Pública Federal, por 
força do disposto nos Decretos n. 3.035/1999 e n. 3.669/2000. MS 21669/DF, Rel. 
Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/08/2017, DJe 09/10/2017 
 
19) A participação de membro do Ministério Público em conselho da polícia civil torna 
nulo o procedimento administrativo disciplinar instaurado para processar e para julgar 
servidor público estadual, por prática de ato infracional. AgInt no RMS 59598/PR, Rel. 
Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/03/2020, DJe 
26/03/2020 
 
20) A convalidação de atos, determinada pelo Supremo Tribunal Federal - STF na ADPF 
n. 388, não alcança aqueles produzidos no âmbito de processo administrativo 
disciplinar declarado nulo em razão da participação de membro do Ministério Público 
em conselho da polícia civil estadual. AgInt no RMS 49869/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO 
NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019 
 
21) O superintendente regional de Polícia Federal é competente para designar os 
membros de comissão permanente de disciplina, bem como para determinar a 
abertura de procedimento administrativo disciplinar no âmbito da respectiva 
superintendência. MS 14787/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, TERCEIRA 
SEÇÃO, julgado em 25/02/2016, DJe 02/03/2016 
 
22) A designação de comissão temporária para promover processo administrativo 
disciplinar é legítima, nos termos da Lei n. 8.112/1990, já que a existência de comissão 
permanente para a apuração de faltas funcionais só é exigida para os casos 
determinados em lei. MS 16927/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 10/05/2017, DJe 15/05/2017 
CPF: 860.542.154-18
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39 
 
23) Os policiais rodoviários federais se sujeitam às disposições da Lei n. 8. 112/1990, 
que nada dispõe sobre a necessidade de ser permanente a comissão que conduz o 
processo administrativo disciplinar instaurado para apurar responsabilidade de 
servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições. MS 21787/DF, Rel. 
Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/09/2019, DJe 
16/09/2019 
 
24) A designação de comissão temporária para promover processo administrativo 
disciplinar contra servidor policial federal viola os princípios do juiz natural e da 
legalidade, a teor da Lei n. 4.878/1965, que exige a condução do procedimento por 
comissão permanente de disciplina. MS 14576/DF, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA 
PALHEIRO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/11/2018, DJe 01/02/2019 
 
25) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não 
ofende a Constituição. (Súmula Vinculante n. 5/STF) RMS 50365/PE, Rel. Ministro 
MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/08/2019, DJe 
02/09/2019 
 
26) É permitida a prova emprestada no processo administrativo disciplinar, desde que 
devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a 
ampla defesa. (Súmula n. 591/STJ) MS 25131/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2019, DJe 08/05/2020 
 
27) A decretação de nulidade no processo administrativo depende da demonstração 
do efetivo prejuízo para as partes, à luz do princípio pas de nullité sans grief. MS 
24672/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, 
DJe 05/08/2020 
 
28) O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só 
causa nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa. (Súmula n. 592/STJ)MS 
24672/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, 
DJe 05/08/2020 
 
29) As instâncias administrativa e penal são independentes entre si, salvo quando 
reconhecida a inexistência do fato ou a negativa de autoria na esfera criminal. AgInt 
no RMS 62007/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, 
julgado em 22/04/2020, DJe 27/04/2020 
 
30) É possível haver discrepância entre a penalidade sugerida pela comissão disciplinar 
e a aplicada pela autoridade julgadora desde que a conclusão lançada no relatório final 
não guarde sintonia com as provas dos autos e a sanção imposta esteja devidamente 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
40 
motivada. MS 21773/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, 
julgado em 23/10/2019, DJe 28/10/2019 
 
31) A Administração Pública, quando se depara com situação em que a conduta do 
investigado se amolda às hipóteses de demissão ou de cassação de aposentadoria, não 
dispõe de discricionariedade para aplicar pena menos gravosa por se tratar de ato 
vinculado. MS 17054/DF, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, 
julgado em 11/12/2019, DJe 13/12/2019 
 
32) Não há falar em ofensa ao princípio da proporcionalidade e da razoabilidade 
quando a única reprimenda prevista para a infração disciplinar apurada é a pena de 
demissão. MS 21937/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão 
Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/08/2019, DJe 
23/10/2019 
 
33) A autoridade administrativa pode aplicar a pena de demissão quando, em 
processo administrativo disciplinar, é apurada a prática de ato de improbidade por 
servidor público, tendo em vista a independência das instâncias civil, penal e 
administrativa. RMS 47351/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 23/06/2020, DJe 26/06/2020 
 
34) A Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.429/1992) não revogou, de forma 
tácita ou expressa, os dispositivos da Lei n. 8.112/1990, em relação aos processos 
administrativos disciplinares. AgRg nos EDcl no REsp 1459867/MA, Rel. Ministro 
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 13/11/2015 
 
35) É possível utilizar a Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8.492/1992), em 
interpretação sistemática, para definir o tipo previsto no art. 132, IV, da Lei n. 
8.112/1990 e justificar a aplicação de pena de demissão a servidor. MS 21937/DF, Rel. 
Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministra ASSUSETE 
MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/08/2019, DJe 23/10/2019 
 
36) Na esfera administrativa, o proveito econômico auferido pelo servidor é 
irrelevante para a aplicação da penalidade no processo disciplinar, pois o ato de 
demissão é vinculado (art. 117 c/c art. 132 da Lei n. 8.112/1990), razão pela qual é 
despiciendo falar em razoabilidade ou proporcionalidade da pena. MS 18090/DF, Rel. 
Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/05/2013, DJe 
21/05/2013 
 
37) A demonstração do ânimo específico de abandonar o cargo público que ocupa 
(animus abandonandi) é necessária para tipificar conduta de servidor como prática de 
infração administrativa de abandono de cargo. MS 22566/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO 
NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/11/2019, DJe 29/11/2019 
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41 
 
38) A pena de cassação de aposentadoria prevista nos art. 127, IV, e art. 134 da Lei n. 
8.112/1990 é constitucional e legal, inobstante o caráter contributivo do regime 
previdenciário. MS 20968/DF, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA SEÇÃO, 
julgado em 10/06/2020, DJe 29/06/2020 
 
39) O fato de o acusado estar em licença para tratamento de saúde não impede a 
instauração de processo administrativo disciplinar, nem mesmo a aplicação de pena 
de demissão. MS 19451/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 14/12/2016, DJe 02/02/2017 
 
40) Em caso de inobservância de prazo razoável para a conclusão de processo 
administrativo disciplinar, não há falar em ilegalidade na concessão de aposentadoria 
ao servidor investigado. AgInt no AREsp 1348488/RJ, Rel. Ministro BENEDITO 
GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2020, DJe 19/02/2020 
 
41) Quando o fato objeto da ação punitiva da administração também constituir crime, 
o prazo prescricional no âmbito administrativo disciplinar será regido pela pena 
cominada em abstrato (art. 109 do Código Penal - CP), enquanto não houver sentença 
penal condenatória, e pela pena aplicada em concreto, após o trânsito em julgado ou 
o não provimento do recurso da acusação (art. 110, § 1º, c/c art. 109 do CP). AgInt no 
RMS 52268/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
21/10/2019, DJe 23/10/2019 
 
42) O deferimento de provimento judicial que determine à autoridade administrativa 
que se abstenha de concluir procedimento administrativo disciplinar suspende o curso 
do prazo prescricional da pretensão punitiva administrativa. AgRg no RMS 48667/SP, 
Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2016, DJe 
20/05/2016 
 
43) É possível o imediato cumprimento da penalidade aplicada na conclusão de 
processo administrativo disciplinar, uma vez que os recursos administrativos e os 
pedidos de reconsideração, em regra, não possuem efeito suspensivo automático. MS 
21120/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
22/02/2018, DJe 01/03/2018 
 
44) É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo 
em que se fundou a primeira. (Súmula n. 19/STF) MS 20978/DF, Rel. Ministro MAURO 
CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/10/2016, DJe 01/12/2016 
 
45) Reconhecida a nulidade de PAD pela existência de vício insanável, antes do seu 
julgamento, não há que se falar em reformatio in pejus quando a segunda comissão 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
42 
processante opina por penalidade mais gravosa. MS 18370/DF, Rel. Ministro HERMAN 
BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/02/2017, DJe 01/08/2017 
 
46) Meras alegações de que existe fato novo não têm o condão de abrir a via da revisão 
do processo administrativo disciplinar, sendo indispensável a comprovação da 
existência de fatos novos, desconhecidos ao tempo do PAD. MS 21065/DF, Rel. 
Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/10/2018, DJe 
22/10/2018 
 
47) Da revisão do PAD não poderá resultar agravamento da sanção aplicada, em 
virtude da proibição do bis in idem e da reformatio in pejus. RMS 61317/MG, Rel. 
Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/02/2020, DJe 20/02/2020 
 
48) É cabível recurso administrativo hierárquico em face de decisão prolatada em 
Processo Administrativo Disciplinar - PAD. MS 17449/DF, Rel. Ministro MAURO 
CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/08/2019, DJe 01/10/2019 
 
JULGADOS DO STF 
 
O STF reafirmou a possibilidade de utilização de dados obtidos por descoberta fortuita 
em interceptações telefônicas devidamente autorizadas como prova emprestada em 
processo administrativo disciplinar. Afastou também a hipótese de incompatibilidade 
entre a portaria de instauração do processo e o ato contrariado, visto que a defesa no 
processo administrativo disciplinar se dá em relação aos fatos descritos na própria 
portaria de instauração. Outrossim, ausente conclusão do juízo criminal pela prova dainexistência do fato ou pela negativa de autoria, não estão presentes circunstâncias 
suscetíveis de autorizar excepcional comunicabilidade das esferas penal e 
administrativa. (MS 30361 AgR/DF, Primeira Turma, rel. Min. Rosa Weber, julgamento 
em 29.8.2017 – Informativo 875) 
 
Direito constitucional e administrativo. Ação direta de inconstitucionalidade. Previsão 
legal de sigilo em processos administrativos. 1. Ação direta contra o art. 78-B da Lei 
nº 10.233/2001, que estabelece sigilo em processos administrativos sancionadores 
instaurados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT e pela Agência 
Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ. 2. A regra no Estado democrático de 
Direito inaugurado pela Constituição de 1988 é a publicidade dos atos estatais, sendo 
o sigilo absolutamente excepcional. Somente em regimes ditatoriais pode ser 
admitida a edição ordinária de atos secretos, imunes ao controle social. O regime 
democrático obriga a Administração Pública a conferir máxima transparência aos 
seus atos. Essa é também uma consequência direta de um conjunto de normas 
constitucionais, tais como o princípio republicano (art. 1º, CF/1988), o direito de 
acesso à informação detida por órgãos públicos (art. 5º, XXXIII, CF/1988) e o princípio 
da publicidade (art. 37, caput e § 3º, II, CF/1988). 3. A Constituição ressalva a 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
43 
publicidade em apenas duas hipóteses: (i) informações cujo sigilo seja imprescindível 
à segurança do Estado e da sociedade (art. 5º, XXXIII, parte final); e (ii) proteção à 
intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas (arts. 5º, X e 37, § 3, II, 
CF/1988). Como se vê, o sigilo só pode ser decretado em situações específicas, com 
forte ônus argumentativo a quem deu origem à restrição ao direito fundamental à 
informação, observado o princípio da proporcionalidade. 4. A restrição contida no 
dispositivo legal impugnado não se amolda às exceções legítimas ao acesso à 
informação pública. Não se vislumbra, em abstrato, nos processos administrativos 
instaurados pela ANTT e pela ANTAQ para apuração de infrações e/ou aplicação de 
penalidades, nenhuma informação cujo sigilo seja imprescindível à segurança do 
Estado e da sociedade ou que configure violação ao núcleo essencial dos direitos da 
personalidade. 5. Procedência do pedido, com a declaração de inconstitucionalidade 
do art. 78-B da Lei nº 10.233/2001. 6. Fixação da seguinte tese de julgamento: “Os 
processos administrativos sancionadores instaurados por agências reguladoras 
contra concessionárias de serviço público devem obedecer ao princípio da 
publicidade durante toda a sua tramitação, ressalvados eventuais atos que se 
enquadrem nas hipóteses de sigilo previstas em lei e na Constituição”. 
(STF - ADI: 5371 DF 9010952-68.2015.1.00.0000, Relator: ROBERTO BARROSO, Data de 
Julgamento: 02/03/2022, Tribunal Pleno, Data de Publicação: 31/03/2022) 
 
Repercussão na esfera administrativa da nulidade de provas no processo penal – ARE 
1316369/DF (Tema 1238 RG) 
“São inadmissíveis, em processos administrativos de qualquer espécie, provas 
consideradas ilícitas pelo Poder Judiciário”. 
(ARE 1316369/DF, relator Ministro Edson Fachin, redator do acórdão Ministro Gilmar 
Mendes, julgamento finalizado no Plenário Virtual em 9.12.2022 – TEMA 12387 RG) 
 
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3. QUESTÕES 
 
1. De acordo com a Lei n.º 9.784/1999, que regula processos administrativos no 
âmbito federal, um órgão administrativo ou o seu titular poderá delegar parte da sua 
competência a outros órgãos ou titulares, desde que: 
a) a finalidade seja decidir recursos administrativos. 
b) não haja impedimento legal, e que a delegação seja feita com base na conveniência. 
c) estes sejam hierarquicamente subordinados àqueles. 
d) a finalidade seja editar atos de caráter normativo. 
 
2. De acordo com a Lei n.º 9.784/1999, o recurso administrativo deve ser dirigido à 
autoridade: 
a) que tiver proferido a decisão, a qual, se não a reconsiderar, deverá encaminhá-lo à 
autoridade superior. 
b) que tiver proferido a decisão, a qual deve encaminhá-lo à autoridade superior sem 
emitir novo juízo de valor sobre a decisão recorrida. 
c) que tiver proferido a decisão, a qual deve limitar-se a decidir sobre a tempestividade 
do recurso e a cumprir as formalidades legais. 
d) hierarquicamente superior à que tiver proferido a decisão, sendo a indicação errônea 
da autoridade motivo para o não conhecimento do recurso. 
e) hierarquicamente superior à que tiver proferido a decisão, devendo ser corrigida de 
ofício pelo agente público eventual indicação equivocada da autoridade julgadora. 
 
3. No que concerne aos institutos da prescrição e decadência, quando aplicados às 
relações jurídicas que envolvem a Administração pública, tem-se que: 
a) nas relações com os particulares que contratam com a Administração, o prazo 
decadencial para aplicação de sanções deve ser o dobro do prazo de prescrição fixado 
pelo Código Civil para as ações contra a Fazenda Pública. 
b) a decadência opera-se apenas em relação aos efeitos patrimoniais das relações 
administrativas, impedindo, por exemplo, a cobrança de débitos tributários, porém 
nunca extinguindo pretensões punitivas. 
c) o poder de autotutela conferido à Administração encontra limites temporais pela ação 
da decadência, inclusive em relação ao dever de anular atos eivados de ilegalidade. 
d) o exercício do poder disciplinar pela Administração perante seus servidores não é 
atingido pela decadência ou prescrição, eis que estas somente se operam em relação à 
responsabilidade civil e penal dos servidores. 
d) os prazos prescricionais estabelecidos na legislação trabalhista não se aplicam às 
ações ajuizadas, em face de entidades da Administração indireta, por servidores 
contratados pelo regime celetista, as quais são informadas por regras próprias 
estatutárias. 
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45 
 
4. Decisão proferida pelo Conselho Superior de Agência Reguladora estadual, órgão 
máximo de direção da autarquia, que mantém aplicação de sanção ao concessionário 
de serviço público por ela regulado em razão do descumprimento de cláusula 
contratual: 
a) pode ser objeto de recurso administrativo interno, dirigido ao Dirigente Superior da 
Agência Reguladora. 
b) é ilegal, por desbordar os limites da competência das agências reguladoras, 
autarquias submetidas ao princípio constitucional da estrita legalidade. 
c) salvo disposição específica em contrário, é irrecorrível no âmbito administrativo, 
especialmente por se tratar de atividade finalística da agência reguladora. 
d) pode ser objeto de recurso hierárquico, dirigido ao Chefe do Poder Executivo 
estadual. 
e) é inconstitucional, porque sanções aplicadas ao particular só podem decorrer de lei 
em sentido estrito e não de contrato de concessão de serviço público, do qual o órgão 
regulador não é parte. 
 
5. Com relação ao processo disciplinar, é correto afirmar: 
a) demonstrado em juízo o abuso de poder ou o desvio de finalidade, a pena aplicada 
pela Administração não pode ser substituída, mas anulada por decisão judicial. 
b) é vedado à Administração, diante do princípio da legalidade estrita e da tipicidade do 
ilícito disciplinar, eleger uma pena aplicável dentre duas ou mais cominadas para 
determinada infração. 
c) a pena aplicável pelaAdministração é aquela prevista em lei e só pode ser substituída 
por decisão judicial. 
d) a Administração tem discricionariedade para eleger entre duas ou mais penas 
legalmente previstas, e o Judiciário pode substituir por outra a pena aplicada, caso 
demonstrada a prática de abuso de poder ou desvio de finalidade. 
 
6. Quanto ao Processo Administrativo Disciplinar, consolidou-se o seguinte 
entendimento: 
a) é lícito à autoridade administrativa divergir do parecer da comissão disciplinar e 
aplicar pena mais grave porque não se vincula à capitulação proposta, mas aos fatos. 
b) a proporcionalidade da punição não pode ser objeto de correção na via judicial por 
ser matéria de mérito administrativo. 
c) a oportunidade de defesa do servidor antecede a colheita da prova oral e será feita 
por advogado constituído ou nomeado, de forma a garantir ampla defesa. 
d) não é admitido o uso de prova emprestada, considerando a independência das 
instâncias administrativa e judicial. 
 
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46 
7. Em sede de processo administrativo disciplinar (PAD) instaurado após sindicância 
patrimonial em face de servidor público federal, foi-lhe aplicada a penalidade de 
demissão do serviço público, tendo em vista a constatação de variação patrimonial a 
descoberto. Inconformado, o servidor demitido impetra mandado de segurança 
visando a anular o ato demissório e argumenta, preliminarmente, a nulidade do PAD 
por ter sido instaurado com base em denúncia anônima; por não lhe ter sido 
assegurada defesa técnica; e por ter havido a posterior alteração da capitulação legal. 
Além disso, o impetrante também sustenta a inexistência de provas inequívocas das 
irregularidades e a incongruência entre a conduta apurada e a pena de demissão. 
Considerando a narrativa fática hipotética acima, é correto afirmar que: 
a) na via do mandado de segurança, admitem-se a discussão e o exame a respeito da 
suficiência do conjunto fático-probatório constante do PAD; 
b) na via do mandado de segurança, não se admite a valoração da congruência entre a 
conduta apurada e a capitulação da pena de demissão aplicada no PAD; 
c) no PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao indiciado enseja sua nulidade, 
com fundamento no princípio da tipicidade fechada; 
d) desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, 
admite-se a instauração de PAD com base em denúncia anônima; 
e) é nula a decisão adotada em PAD no qual não tenha sido assegurada ao indiciado a 
defesa técnica por advogado, conforme jurisprudência dos Tribunais Superiores. 
 
8. O direito ao contraditório e à ampla defesa é consagrado no inciso LV, do Art. 5º da 
Constituição Federal. Em relação ao processo administrativo, assinale a afirmativa 
correta. 
a) Não há necessidade de descrever o motivo da instauração na portaria inaugural, pois 
o servidor necessariamente terá acesso aos autos e conhecimento da imputação 
administrativa. 
b) A nomeação de presidente da comissão processante pode recair sobre servidor não 
estável, porque tal fato não se mostra relevante para a defesa, que atuou desde o início 
do processo. 
c) Se for decorrido o prazo para a instrução, o procedimento é sempre nulo, se esgotado 
o prazo para a administração buscar a aplicação da sanção administrativa. 
d) O servidor público estável poderá perder o cargo, mediante procedimento de 
avaliação periódica de desempenho, desde que observados os princípios 
constitucionais. 
 
9. No processo administrativo, tem-se o artigo 54, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que 
dispõe: “O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram 
efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que 
foram praticados, salvo comprovada má-fé.” Com base nesse dispositivo legal, quais 
princípios são preponderantes? 
a) Eficiência, eficácia e efetividade. 
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b) Segurança jurídica, proteção à confiança e boa-fé. 
c) Moralidade, improbidade e desvio de poder. 
d) Legalidade, legitimidade e continuidade dos serviços públicos. 
e) Impessoalidade, igualdade e isonomia. 
 
 
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4. GABARITO COMENTADO 
 
1 – B 
A: INCORRETA. De acordo com o art. 13 da Lei Federal nº 9.784/1999, não podem ser 
objeto de delegação – atos indelegáveis: atos de caráter normativo; decisões em recurso 
administrativo; matérias de competência exclusiva. 
B: CORRETA. É o que se extrai da redação do art. 12 da Lei, segundo o qual, além da 
ausência de impedimento legal, exige-se a presença de circunstâncias de índole técnica, 
social, econômica, jurídica ou territorial, a serem aferidas pela autoridade delegante 
(natureza discricionária). 
C: INCORRETA. De acordo com o art. 12 da Lei, a delegação pode ocorrer tanto dentro 
quanto fora da estrutura hierárquica do delegante. Vale dizer, o agente delegado pode 
ser tanto subordinado do delegante (delegação vertical) quanto não subordinado, 
estando, neste último caso, em outra estrutura administrativa sem relação de 
subordinação com o delegante (delegação horizontal). 
D: INCORRETA. Vide comentário à alternativa “A”. 
 
2 – A 
Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de 
mérito. 
§ 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a 
reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. 
 
3 – C 
A: INCORRETA. Nas relações com os particulares que contratam com a Administração, 
a Fazenda Pública está sujeita ao mesmo prazo decadencial que deve ser observado 
pelos particulares nas ações contra a Fazenda Pública, em razão do princípio da 
isonomia. 
B: INCORRETA. A decadência opera-se apenas em relação aos efeitos patrimoniais das 
relações administrativas, bem como em relação às pretensões punitivas. 
C: CORRETA. Em observância ao princípio da segurança jurídica, o art. 54 da Lei nº 
9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, estabelece que “o 
direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos 
favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram 
praticados, salvo comprovada má-fé”. 
D: INCORRETA. Art. 142 da Lei nº 8.112/90: 
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá: 
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de 
aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão; 
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão; 
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III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência. 
E: INCORRETA. O art. 7º, XXIX, da Constituição Federal estabelece que é direito do 
trabalhador a “ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com 
prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de 
dois anos após a extinção do contrato de trabalho”. Tal disposição aplica-se, também, 
ao servidor contratado sob o regime celetista que, ao contrário do que afirma a 
alternativa, não está sujeito a regime estatutário próprio, mas sim às regras e 
disposições da CLT. 
 
4 – C 
O Parecer nº51 da AGU, aprovado pelo Presidente da República e, assim, obrigatório 
no âmbito da Administração Federal, admite o recurso hierárquico impróprio no 
âmbito das agências reguladoras, desde que: (i) não diga respeito ao exercício de sua 
competência finalística regulatória [só para atividades administrativas, portanto]; e (ii) 
haja ilegalidade [como excesso no exercício da competência normativa] ou 
descumprimento de política pública. 
 
5 – A 
Em nome do princípio da indisponibilidade do interesse público, reconhece-se a 
inexistência de discricionariedade quanto ao dever de a Administração investigar 
indícios do cometimento de infração administrativa praticada por seus servidores, bem 
como, de face à comprovação da falta disciplinar, punir o agente público infrator. 
Entretanto, doutrina e jurisprudência afirmam a discricionariedade da Administração 
quanto à valoração do conjunto probatório colhido no processo administrativo e em 
relação à escolha e gradação da sanção a ser aplicada dentre as cabíveis. 
Assentada essa premissa, o STJ e o STF entendem que o Judiciário, restrito que está ao 
controle de juridicidade, em especial a verificação da compatibilidade com os princípios 
da razoabilidade, moralidade e proporcionalidade, PODE ANULAR sanção administrativa 
aplicada em desconformidade com o Direito, JAMAIS PODENDO SUBSTITUIR A 
PENALIDADE IMPOSTA, todavia, sob pena de usurpar a função administrativa, invadindo 
o mérito administrativo, violando, enfim, a separação e harmonia dos poderes (STJ, 
Sexta Turma. ROMS N. 10.269/ BA, Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES. Data da decisão: 
16/03/1999. Publicação: DJ 26/04/1999; STF, Primeira Turma. ROMS N. 24256/ DF, Rel. 
Min. ILMAR GALVÃO. Data da decisão: 03/09/2002). 
 
6 – A 
A: CORRETA. Segundo o STJ, no PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao 
acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele 
descritos, e não dos enquadramentos legais (MS 19.726/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes 
Maia Filho, Primeira Seção, j. em 13/12/2017, DJe 18/12/2017). 
B: INCORRETA. O STJ admite a revisão da penalidade imposta em PAD por ofensa aos 
postulados da proporcionalidade e razoabilidade, porquanto relacionados à própria 
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legalidade do ato administrativo (AgInt no MS 20.515/DF, Rel. Ministro BENEDITO 
GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/06/2017, DJe 01/08/2017). 
C: INCORRETA. Nos termos da Súmula Vinculante nº 05, “A falta de defesa técnica por 
advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. 
D: INCORRETA. O STJ possui entendimento firme pela admissão da prova emprestada 
em PAD, desde que haja atenção ao devido processo legal e ao contraditório (MS 
17.472/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Seção, DJe 22.6.2012; MS 
15.787/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 6.8.2012; e MS 
16.122/DF, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 24.5.2011). 
 
7 - D 
A: INCORRETA. Como sabido, o mandado de segurança exige a demonstração de direito 
líquido e certo, demonstrado de plano por meio de prova documental, não sendo 
possível a realização de instrução processual. É nessa toada que o STF concluiu não ser 
a via do mandado de segurança adequada para a examinar a suficiência do conjunto 
fático-probatório constante de PAD, com o objetivo de verificar se o impetrante 
praticou ou não os atos que serviram de base para a imposição de penalidade 
administrativa (STF, 2ª Turma, AgRg no RMS nº 36.383/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 
em 29/05/2020). 
B: INCORRETA. Entende o STJ que, na via do mandado de segurança, é possível valorar 
a congruência entre a conduta apurada e a capitulação da pena de demissão aplicada 
no processo administrativo disciplinar, por se tratar de estrita aplicação do princípio da 
legalidade (MS 17151/DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Seção, j. em 
13/02/2019, DJe 11/03/2019). 
C: INCORRETA. Segundo o STJ, no PAD, a alteração da capitulação legal imputada ao 
acusado não enseja nulidade, uma vez que o indiciado se defende dos fatos nele 
descritos, e não dos enquadramentos legais (MS 19.726/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes 
Maia Filho, Primeira Seção, j. em 13/12/2017, DJe 18/12/2017). 
D: CORRETA. Enunciado nº 611 da Súmula do STJ: “Desde que devidamente motivada 
e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a instauração de processo 
administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever de 
autotutela imposto à Administração”. 
E: INCORRETA. Nos termos da Súmula Vinculante nº 05, “A falta de defesa técnica por 
advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. 
 
8 – D 
A: INCORRETA. Sobre a portaria de instauração do PAD, leciona Ivan Barbosa Rigolin que 
“O ato publicado deve indicar os membros da comissão, e já então seu presidente. Esse 
ato deverá também indicar sucintamente dados essenciais ao processo, como o seu 
número, eventualmente o servidor envolvido, a acusação que se lhe faz e o seu 
enquadramento legal, o nome da repartição, a data e a assinatura da autoridade 
responsável.” (RIGOLIN, Ivan Barbosa. Comentários ao Regime Único dos Servidores 
Públicos Civis. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379). Nada obstante, embora seja 
CPF: 860.542.154-18
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51 
necessária a indicação da acusação, a configurar justamente os motivos da abertura do 
PAD, a portaria de instauração não precisa descrever detalhadamente os fatos 
imputados, que somente serão efetivamente conhecidos após a instrução probatória e 
exigidos quando da etapa do indiciamento. Nesse sentido, o Enunciado nº 641 da 
Súmula do STJ: “A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar 
prescinde da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. 
B: INCORRETA. Art. 149, Lei Federal nº 8.112/1990: “O processo disciplinar será 
conduzido por comissão composta de três servidores estáveis designados pela 
autoridade competente, observado o disposto no § 3º do art. 143, que indicará, dentre 
eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo 
nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.”. 
C: INCORRETA. Enunciado nº 592 da Súmula do STJ: “O excesso de prazo para a 
conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se houver 
demonstração de prejuízo à defesa.”. 
D: CORRETA. O § 1º do art. 41 da CF/88 enumera as hipóteses em que o servidor público 
estável poderá perder o cargo: 
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para 
cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 19, de 1998) 
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa; 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) 
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei 
complementar, assegurada ampla defesa. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, 
de 1998) 
 
9 – B 
O artigo 54, da Lei 9.784/99 impõe um prazo decadencial à possibilidade de a União 
anular seus atos administrativos eivados de ilegalidade. Trata-se, pois, de uma limitação 
ao poder/prerrogativa de autotutela da Administração, em razão da necessidade de se 
preservar a confiança legítima do administrado frente aos atos do PoderPúblico. 
O princípio da confiança legítima surge na jurisprudência como “teoria do fato 
consumado”, e tem por objetivo proteger o administrado da atuação arbitrária da 
Administração. 
O princípio da segurança jurídica possui dois sentidos. O primeiro, de natureza objetiva, 
tem a ver com a estabilização do ordenamento jurídico, a partir do respeito ao direito 
adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada; já o segundo, de caráter subjetivo, 
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relaciona-se com a proteção da confiança do cidadão frente às expectativas geradas pela 
Administração Pública.

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