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Direito Administrativo - Ponto 2 (28-02-2023)

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Questões resolvidas

A Lei de Acesso à Informação Pública – Lei Federal n° 12.527/2011:
a) não se aplica a todos os entes da Administração Pública, visto que é incompatível com o regime das empresas públicas e sociedades de economia mista, regidas por lei própria (Lei Federal n° 13.303/2016).
b) postula que, segundo o princípio acessorium sequitur principale, quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, as demais partes tornam-se também de acesso restrito.
c) aponta como dever dos órgãos e entidades públicas promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas, por sítio oficial na internet; todavia, os Municípios de menos de cem mil habitantes estão dispensados da exigência.
d) prevê prazo de trinta dias, prorrogável justificadamente por mais 20 (vinte) dias, para que seja disponibilizada informação requerida pelo cidadão.
e) cria hipótese de responsabilidade objetiva pela divulgação indevida de informações, sendo que tal responsabilidade também é aplicável aos particulares que, em virtude de vínculo com órgão ou entidade pública, tenham acesso a informações sigilosas.

Qual é o princípio constitucional expresso introduzido pela Emenda Constitucional 19/98 que busca maior eficiência na Administração Pública?

a) Princípio da Publicidade
b) Princípio da Moralidade
c) Princípio da Eficiência

2. O conteúdo jurídico do princípio da moralidade administrativa pode ser conceituado como:

a) aquele referido na ética da legalidade ou, em outros termos, os valores éticos que ela consagra sem espaços para outros juízos axiológicos senão aqueles objetivados e explicitados nas normas-regras e, portanto, sem autonomia
b) aquele que vincula a administração pública a um comportamento ético, conforme discurso da modernidade, com dimensão autônoma em relação ao princípio da legalidade.
c) a resultante da moral social de uma época a vincular a atuação da Administração pública.
d) referente às regras da boa administração e às regras internas visando normatizar o poder disciplinar da Administração.

3. A Lei de Acesso à Informação Pública – Lei Federal n° 12.527/2011:

a) não se aplica a todos os entes da Administração Pública, visto que é incompatível com o regime das empresas públicas e sociedades de economia mista, regidas por lei própria (Lei Federal n° 13.303/2016).
b) postula que, segundo o princípio acessorium sequitur principale, quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, as demais partes tornam-se também de acesso restrito.
c) aponta como dever dos órgãos e entidades públicas promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas, por sítio oficial na internet; todavia, os Municípios de menos de cem mil habitantes estão dispensados da exigência.
d) prevê prazo de trinta dias, prorrogável justificadamente por mais 20 (vinte) dias, para que seja disponibilizada informação requerida pelo cidadão.
e) cria hipótese de responsabilidade objetiva pela divulgação indevida de informações, sendo que tal responsabilidade também é aplicável aos particulares que, em virtude de vínculo com órgão ou entidade pública, tenham acesso a informações sigilosas.

Qual é a literalidade do art. 26 da LINDB?

a) Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial.
b) O compromisso referido no caput deste artigo buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais.
c) O compromisso referido no caput deste artigo não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral.
d) O compromisso referido no caput deste artigo deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções aplicáveis em caso de descumprimento.

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Questões resolvidas

A Lei de Acesso à Informação Pública – Lei Federal n° 12.527/2011:
a) não se aplica a todos os entes da Administração Pública, visto que é incompatível com o regime das empresas públicas e sociedades de economia mista, regidas por lei própria (Lei Federal n° 13.303/2016).
b) postula que, segundo o princípio acessorium sequitur principale, quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, as demais partes tornam-se também de acesso restrito.
c) aponta como dever dos órgãos e entidades públicas promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas, por sítio oficial na internet; todavia, os Municípios de menos de cem mil habitantes estão dispensados da exigência.
d) prevê prazo de trinta dias, prorrogável justificadamente por mais 20 (vinte) dias, para que seja disponibilizada informação requerida pelo cidadão.
e) cria hipótese de responsabilidade objetiva pela divulgação indevida de informações, sendo que tal responsabilidade também é aplicável aos particulares que, em virtude de vínculo com órgão ou entidade pública, tenham acesso a informações sigilosas.

Qual é o princípio constitucional expresso introduzido pela Emenda Constitucional 19/98 que busca maior eficiência na Administração Pública?

a) Princípio da Publicidade
b) Princípio da Moralidade
c) Princípio da Eficiência

2. O conteúdo jurídico do princípio da moralidade administrativa pode ser conceituado como:

a) aquele referido na ética da legalidade ou, em outros termos, os valores éticos que ela consagra sem espaços para outros juízos axiológicos senão aqueles objetivados e explicitados nas normas-regras e, portanto, sem autonomia
b) aquele que vincula a administração pública a um comportamento ético, conforme discurso da modernidade, com dimensão autônoma em relação ao princípio da legalidade.
c) a resultante da moral social de uma época a vincular a atuação da Administração pública.
d) referente às regras da boa administração e às regras internas visando normatizar o poder disciplinar da Administração.

3. A Lei de Acesso à Informação Pública – Lei Federal n° 12.527/2011:

a) não se aplica a todos os entes da Administração Pública, visto que é incompatível com o regime das empresas públicas e sociedades de economia mista, regidas por lei própria (Lei Federal n° 13.303/2016).
b) postula que, segundo o princípio acessorium sequitur principale, quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, as demais partes tornam-se também de acesso restrito.
c) aponta como dever dos órgãos e entidades públicas promover a divulgação de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas, por sítio oficial na internet; todavia, os Municípios de menos de cem mil habitantes estão dispensados da exigência.
d) prevê prazo de trinta dias, prorrogável justificadamente por mais 20 (vinte) dias, para que seja disponibilizada informação requerida pelo cidadão.
e) cria hipótese de responsabilidade objetiva pela divulgação indevida de informações, sendo que tal responsabilidade também é aplicável aos particulares que, em virtude de vínculo com órgão ou entidade pública, tenham acesso a informações sigilosas.

Qual é a literalidade do art. 26 da LINDB?

a) Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial.
b) O compromisso referido no caput deste artigo buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais.
c) O compromisso referido no caput deste artigo não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral.
d) O compromisso referido no caput deste artigo deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções aplicáveis em caso de descumprimento.

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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
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DIREITO ADMINISTRATIVO 
Ponto 2 – Regime Jurídico Administrativo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Meus amigos, 
Nesse “item 2” do edital, estudaremos o regime jurídico administrativo, 
investigando o conjunto de princípios que conformam a disciplina geral da função 
administrativa, a partir dos dois grandes mega/super/supraprincípios da supremacia 
do interesse público e da indisponibilidade do interesse público. 
Embora seja ponto ainda bastante teórico, esses princípios encontram guarida 
na Constituição Federal e estão espraiados por diversos diplomas legais, fazendo-se 
fortemente presentes, ainda, na jurisprudência dos Tribunais Superiores. 
Cuida-se de ponto de conhecimento obrigatório, especialmente porque ele 
possui repercussões diretas sobre quase todos os demais temas de Direito 
Administrativo. 
O material encontra-se atualizado com as disposições da importante Lei 
Federal nº 13.655/2018, que alterou a Lei de Introdução ao Direito Brasileiro – LINDB 
(Decreto-Lei nº 4.657/1942) e Decreto nº 9.830, de 10 de junho de 2019, prevendo 
normas sobre segurança jurídica na aplicação do Direito Público, notadamente os 
princípios. 
Bons estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
 
1. DOUTRINA (RESUMO) ................................................................................................... 4 
1.1. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO ........................................................................ 4 
1.2. PRINCÍPIOS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ..................... 7 
2. LEGISLAÇÃO ................................................................................................................ 32 
3. JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................ 33 
4. QUESTÕES ................................................................................................................... 37 
5. GABARITO COMENTADO ............................................................................................ 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. DOUTRINA (RESUMO) 
1.1. REGIME JURÍDICO ADMINISTRATIVO 
 
A noção de regime jurídico administrativo, tal qual concebida no Brasil, é 
produto do trabalho do Conselho de Estado Francês, o qual, diante da necessidade de 
delimitar sua competência jurisdicional, construiu princípios conformadores da função 
administrativa, estranhos ao Direito Civil e próprios das relações travadas pela 
Administração Pública. 
O regime jurídico administrativo é o conjunto de princípios que disciplinam a 
organização e o funcionamento da Administração Pública e são extraídos dos dois 
superprincípios da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do 
interesse público. Enquanto mandamentos nucleares do sistema jurídico 
administrativo, esses superprincípios contrabalanceiam-se e estabelecem, 
respectivamente, de um lado, poderes/prerrogativas especiais, e, de outro, restrições 
especiais, estranhas ao Direto Comum. 
Esses princípios da Administração Pública decorrem da Constituição Federal e 
formam um conjunto harmônico entre si, cujo ponto em comum é justamente a busca 
da satisfação do interesse público. Este, com fincas nas lições do jurista italiano Renato 
Alessi, é classificado em “interesse público primário” e “interesse público secundário”. 
Em apertada síntese, o interesse primário corresponde às necessidades 
imediatas dos cidadãos, enquanto componentes da coletividade, ao passo que o 
interesse secundário designa a vontade da máquina estatal, suas necessidades 
enquanto sujeito de direito. Exemplificativamente, temos, no primeiro caso, a 
disponibilização de serviços públicos aos cidadãos, enquanto que, no segundo, a busca 
pela arrecadação de tributos indispensáveis a custear a estrutura pública. 
Cumpre observar que os interesses públicos secundários só se legitimam 
enquanto meios para a concretização do interesse público primário. Por exemplo, o 
Estado pode buscar riquezas, pela ampliação de receitas ou corte de gastos, desde que 
tal conduta vise a satisfação de interesse público primário, como a construção de uma 
escola ou de um hospital ou simples manutenção da regularidade dos serviços já 
prestados. 
É a finalidade de satisfazer o interesse público primário, portanto, que orienta 
o regime jurídico administrativo. 
 
ATENÇÃO! O interesse público classifica-se como interesse público primário e 
interesse público secundário: o primeiro equivale ao bem-estar do corpo social, aos 
direitos fundamentais dos cidadãos enquanto coletividade dos quais o Estado é 
instrumento de realização; o segundo corresponde aos interesses da Administração, 
do Estado enquanto sujeito de direito, apenas indiretamente relacionados com a 
coletividade. 
 
No âmbito da aplicação do regime jurídico administrativo, cumpre destacar a 
inovação promovida pela Lei Federal nº 13.655/2018, que alterou a Lei de Introdução 
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ao Direito Brasileiro – LINDB (Decreto-Lei nº 4.657/1942), incluindo os arts. 20-30, e 
previu normas sobre segurança jurídica na aplicação do Direito Público, notadamente 
dos princípios. 
De forma paradigmática, a LINDB agora reconhece a responsabilidade das 
instâncias formais de decisão judicial e extrajudiciais na concretização dos conceitos 
jurídicos imprecisos, abstratos ou indeterminados, pois seu art. 20 estabelece que 
“Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em 
valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da 
decisão”. 
Em outras palavras, a concretização dos princípios e valores abstratos não 
deve se dar de forma desregrada e voluntarista, cabendo ao aplicador do Direito 
observar os elementos fáticos concretos sobre os quais a norma incidirá, avaliando as 
consequências práticas de sua decisão. 
A propósito, o Decreto nº 9.830/2019 – que regulamenta os arts. 20-30 da 
LINDB, incluídos pela Lei Federal nº 13.655/2018 – estabelece em seu art. 3º, §1º, que 
se consideram “valores jurídicos abstratos aqueles previstos em normas jurídicas com 
alto grau de indeterminação e abstração”. 
Toda essa modificação legislativa tem repercussões diretas sobre o ativismo 
judicial [além de interferir nas decisões tomadas em processos administrativos e 
naquelas perante os órgãos externos de controle, como os Tribunais de Contas], 
notadamente no que diz respeito à temática da “judicialização das políticas públicas”, 
atribuindo ao julgador a condicionante da avaliação das consequências práticas de sua 
decisão, não bastando, então, uma argumentação teorética acerca da força normativa 
dos princípios e da previsão de aplicação imediata dos direitos e garantiasfundamentais (art. 5º, § 2º, da CF/88). 
O mencionado Decreto Federal nº 9.830/2019, em seus arts. 2º-3º, reforça 
ainda mais este entendimento, estabelecendo expressamente ser possível decidir com 
base em valores jurídicos abstratos, desde que: (i) sejam observadas as consequências 
práticas da decisão; e (ii) a decisão seja motivada com a contextualização dos fatos, 
quando cabível, e com a indicação dos fundamentos de mérito e jurídicos. 
Sem embargo, a decisão com base em valores jurídicos abstratos não precisa 
abarcar necessariamente todas as possíveis consequências práticas da decisão, mas 
tão somente aquelas que o decisor, “no exercício diligente de sua atuação, consiga 
vislumbrar diante dos fatos e fundamentos de mérito e jurídicos” (art. 3º, § 2º, do 
Decreto). 
 
1.1.1. PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO 
 
O princípio da supremacia do interesse público consagra a ideia de que o 
interesse público prevalece diante das necessidades individuais dos cidadãos, à guisa 
de satisfazer as necessidades coletivas, tutelando o bem comum. 
É ele que fundamenta as prerrogativas da Administração Pública, esta que, 
para realizar o interesse público definido na Constituição e pormenorizado na 
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legislação infraconstitucional, dispõe de poderes-deveres especiais, não cogitados no 
Direito Privado. 
Anote-se que, em respeito ao Estado de Direito, por representarem 
manifestações de poder extroverso, invadindo a esfera de direitos dos particulares, 
essas prerrogativas publicísticas exigem previsão em lei formal, ressalvada a 
hipótese de urgência, em que o manuseio de ferramentas exorbitantes pela 
Administração seja indispensável à proteção dos interesses da coletividade. 
Verbi gratia, encontramos, no plano material e contratual, as diversas formas 
de intervenção do Estado na propriedade privada, as exteriorizações do poder de 
polícia administrativa, os atributos da presunção de legitimidade e da 
autoexecutoriedade dos atos administrativos e as cláusulas exorbitantes dos contratos 
administrativos. Ainda, no campo processual, ela se expressa pelas conhecidas 
prerrogativas processuais da Fazenda Pública, tais como: 
 
- prazo em dobro para se manifestar nos autos (art. 183 do 
CPC); 
- intimação pessoal de seus Procuradores (art. 183, §1º, do 
CPC) e desnecessidade de apresentação de instrumento de 
mandato (art. 9º da Lei 9.469/1997); 
- processo próprio de execução de seus créditos (Lei 
6.830/1980), a impenhorabilidade de seus bens; 
- e procedimento especial de pagamento de suas dívidas 
decorrentes de condenação judicial (art. 100 da CF/88). 
 
Sem embargo, muito embora consagrado na doutrina administrativista e na 
experiência jurisprudencial brasileira, não se deve desconsiderar a releitura do 
princípio da supremacia do interesse público que vem sendo promovida 
especialmente a partir da Constituição Federal de 1988. 
É que a Lei Maior Cidadã coloca a dignidade da pessoa humana como 
fundamento da República Federativa do Brasil, a qual, através do movimento da 
constitucionalização do Direito, irradia-se, com força normativa, para todo o sistema 
jurídico e vincula todos os Poderes (eficácia irradiante ou dimensão objetiva dos 
direitos fundamentais). 
Nessa ordem de ideias, o princípio da supremacia do interesse público não 
deve representar supressão dos direitos fundamentais, encontrando nestes (direitos 
fundamentais) limites à sua realização, numa ponderação de interesses que não 
represente qualquer espécie de sacrifício de um ou de outro, realizando-os na melhor 
medida possível (Robert Alexy). 
De todo modo, para fins de provas objetivas de concurso, necessário ater-se à 
concepção tradicional da supremacia do interesse público, reconhecida como 
legitimadora da intrusão estatal na esfera dos particulares em busca da realização dos 
interesses públicos primários. Para provas subjetivas, entretanto, vale a pena pontuar 
essa atualíssima discussão doutrinária. 
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1.1.2. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO 
 
O princípio da indisponibilidade do interesse público, contraface do da 
supremacia do interesse público, representa a vinculação da Administração Pública às 
prescrições normativas protetivas e realizadoras do interesse público, impondo-lhe 
restrições especiais, diversas daquelas comumente aplicadas aos particulares. 
A lógica é que, sendo o Estado instrumento de realização do interesse 
público – do qual não é titular, já que pertencente ao povo –, deve ele obediência aos 
estritos limites legais, que são definidos democraticamente pelos representantes do 
povo congregados no Parlamento. 
Os fundamentos constitucionais maiores do princípio da indisponibilidade do 
interesse público são os princípios republicano e democrático, segundo os quais o 
Estado é instrumento do povo dirigido à concretização do interesse geral, não 
podendo a Administração renunciá-lo. 
Reconhece-se, então, que a Administração Pública não possui vontade 
própria, agindo, a fortiori, em conformidade com a “vontade geral”, isto é, do povo, 
real senhor/proprietário do patrimônio público. Diz-se, com precisão técnica, que a 
disponibilidade é característica do direito de propriedade, atribuída, no caso dos 
interesses públicos, à coletividade, e não ao Estado. 
Decorrência imediata do superprincípio da indisponibilidade do interesse 
público é o princípio da legalidade administrativa, de acordo com o qual a 
Administração Pública somente pode atuar conforme determina a lei ou o Direito 
(atuação “secundum legis ou juris”), por subordinação, portanto. Não é por acaso que 
alguns doutrinadores preferem chamar o princípio da indisponibilidade do interesse 
público de princípio da legalidade, reconhecendo que todas as limitações ao atuar 
administrativo decorrem da lei. 
É base direta, ainda, para o amplo controle popular da função administrativa, 
de forma direta ou através das instâncias formal-burocráticas de controle 
administrativo, corolário do princípio fundamental republicano que é. 
São expressões da indisponibilidade do interesse público a regra 
constitucional do concurso público para o acesso a cargos e empregos efetivos na 
Administração Pública, a exigência de licitação para a contratação de obras, bens e 
serviços e as restrições à alienação de bens públicos. 
 
ATENÇÃO! O princípio da indisponibilidade do interesse público, corolário do princípio 
fundamental republicano, embasa restrições e limitações próprias da Administração 
Pública, não impostas ao regime jurídico geral dos particulares, vinculando a atuação 
administrativa à vontade do Direito. 
 
1.2. PRINCÍPIOS EXPRESSOS E IMPLÍCITOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 
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Os princípios da Administração Pública Brasileira, decorrentes das já 
estudadas supremacia e indisponibilidade do interesse público, repousam 
essencialmente na Constituição Federal de 1988, com densificação normativa no texto 
infralegal, ao qual compete discipliná-los de forma mais pormenorizada ou congregar 
princípios outros decorrentes daqueles de assento constitucional. 
A Lei Maior Brasileira é minuciosa no tratamento normativo da Administração 
Pública, consignando no caput do art. 37 de seu corpo os princípios administrativos-
base da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidadee eficiência. 
 
ATENÇÃO! Para auxiliar a memória, utilize-se do famoso mnemônico “LIMPE”: 
Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. 
 
Há também princípios da Administração Pública implícitos no texto 
constitucional, como é o caso do da razoabilidade ou proporcionalidade, decorrente da 
compreensão substancial da garantia fundamental do devido processo legal (art. 5º, 
LIV, da CF/88). 
Por fim, registre-se a existência de “pseudoprincípios administrativos”, assim 
qualificados por se tratar de verdadeiras regras, de densificação normativa 
autossuficiente e impositivas de verdadeiras regras de conduta para a Administração. É 
o caso das regras constitucionais do concurso público e da licitação. Nada obstante, a 
praxe doutrinária e jurisprudencial prefere simplesmente referi-las como princípios. 
Embora não haja uniformidade na enunciação e tratamento dos princípios da 
Administração Pública na doutrina e na jurisprudência brasileiras, procuraremos 
congregar aqueles de maior importância e assentimento na experiência jurídica 
nacional, sempre à luz da cobrança realizada em concursos públicos. Vejamos: 
 
1.2.1. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
 
Cuida-se de princípio constitucional expresso (art. 37, caput, da CF/88) e 
consectário da forma republicana de governo, esta que preceitua o povo como 
verdadeiro titular da coisa pública (art. 1º, par. único, da CF/88). 
Dessa forma, conforme já referido, enquanto mero instrumento a favor da 
realização do interesse público, o Estado não pode dele dispor e deve obediência às 
disposições legais, repositório da vontade geral e, assim, conformador da conduta 
administrativa. 
Funcionando o Estado como representante do povo na consecução dos seus 
interesses (públicos), a lei, elaborada pelo Parlamento, outorga espécie de 
“procuração geral” aos agentes estatais, investindo-os na função pública e 
determinando a forma e o conteúdo de sua atuação, em nome e pelo povo. 
Nesse diapasão, enquanto os particulares, senhores de si e dos seus 
interesses, atuam sob a lógica da liberdade, somente se lhe podendo impor restrições 
previstas em lei (art. 5º, II, da CF/88), em respeito aos direitos fundamentais da 
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liberdade e da livre iniciativa (arts. 1º, IV, 5º, caput, e 170, caput, todos da CF/88); o 
Estado submete-se a uma legalidade determinativa, possuindo um atuar secundum 
legis ou juris, somente se admitindo seu agir diante de uma lei que imponha ou 
autorize determinado comportamento, não bastando, por conseguinte, a ausência de 
proibição em lei. 
Em outras palavras, diz-se que, para os particulares, impera a autonomia da 
vontade, que lhes permite fazer tudo aquilo que a lei não proíba, funcionando a lei, 
assim, como um limite à liberdade cidadã. 
Diferentemente, inexistindo vontade da Administração, a lei é instrumento 
de legitimação de sua atuação, de modo que, sem previsão legal, não é possível sua 
atuação, servindo a lei como uma garantia dos cidadãos, protegendo-os da atuação 
voluntarista do agente público. Fala-se que a atuação da Administração Pública é 
secundum legis ou iuris. 
Surge, então, o princípio da legalidade administrativa, divisando-se os 
diferentes conteúdos da legalidade quando dirigida aos particulares em geral 
(legalidade comum) e quando voltada à Administração Pública (legalidade 
administrativa). 
Nada obstante, observe-se que a legalidade administrativa não importa um 
funcionamento necessariamente mecanizado, formalista e hermético da 
Administração Pública, como se não lhe houvesse espaço algum de conformação, 
adaptação e atualização à luz das circunstâncias do caso concreto. 
É que, ao lado da chamada “atuação vinculada da Administração”, em que 
todos os componentes de sua conduta estão expressamente definidos na lei, existe o 
campo da “discricionariedade administrativa”, no qual o agente público, nos estritos 
limites da lei, vale dizer, dentro da moldura legal, possui alguma margem de decisão, 
segundo juízos de conveniência, oportunidade e razoabilidade. Esse tema será melhor 
abordado em rodada futura. 
O princípio da legalidade administrativa é fundamento de muitas decisões 
judiciais, verbi gratia: 
 
Enunciado nº 679 da Súmula do STF: A fixação de vencimentos 
dos servidores públicos não pode ser objeto de convenção 
coletiva. 
A alteração de atribuições de cargo público somente pode 
ocorrer por intermédio de lei formal. 
(MS 26955/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, j. em 1/12/2010) 
O Plenário julgou improcedente pedido formulado por 
sindicato em ação anulatória cujo objetivo era anular decisão 
administrativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que 
determinou a exoneração de todos os nomeados para os cargos 
em comissão criados pela Lei 8.223/2007 do Estado da Paraíba. 
(...) No mérito, o Plenário concluiu que o CNJ teria agido com 
base no art. 103-B, 4º, II, da CF, nos limites da sua competência, 
ao afastar a validade dos atos administrativos e a aplicação de 
CPF: 860.542.154-18
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
10 
lei estadual na qual embasados e reputada contrária ao 
princípio constitucional de ingresso no serviço público por 
concurso público, pela ausência dos requisitos caracterizadores 
do cargo comissionado. (...) Salientou entendimento 
doutrinário segundo o qual as leis inconstitucionais não são 
normas atendíveis, porque colidem com mandamento de uma 
lei superior, que é a Constituição. Embora o enfoque desse 
entendimento se dirija à atuação do chefe do Poder Executivo, 
as premissas seriam aplicáveis aos órgãos administrativos 
autônomos, constitucionalmente incumbidos da tarefa de 
controlar a validade dos atos administrativos, tais como o TCU, 
o CNMP e o CNJ. (...) Asseverou, portanto, ter-se entre as 
competências constitucionalmente atribuídas ao CNJ a 
possibilidade de afastar, por inconstitucionalidade, a aplicação 
de lei aproveitada como base de ato administrativo objeto de 
controle e determinar aos órgãos submetidos a seu espaço de 
influência a observância desse entendimento, por ato expresso 
e formal tomado pela maioria absoluta de seus membros. 
Frisou, ademais, não ter havido declaração de 
inconstitucionalidade da qual resultasse a anulação ou 
revogação da lei discutida, com exclusão de sua eficácia. Ou 
seja, houve a nulidade dos atos questionados por ser 
considerada inaplicável, administrativamente, lei estadual com 
vício de inconstitucionalidade, com a vinculação apenas da 
atuação de órgão judicial cujos atos administrativos foram 
submetidos ao controle do CNJ. (...). 
(Pet4656/PB, rel. Min. Cármen Lúcia, j. em 19/12/2016 – Info 
851) 
 
Registre-se, por fim, que a legalidade administrativa também vem sofrendo 
uma releitura pós-moderna, preferindo muitos doutrinadores, em substituição, a 
expressão “princípio da juridicidade administrativa”, em reconhecimento de que a 
Administração Pública não se vincula apenas à lei formal, mas à totalidade do 
ordenamento jurídico (“bloco de legalidade”). Nessa perspectiva, a Administração 
deve respeito, em primeiro lugar, à Constituição (seus princípios e valores), aos 
princípios gerais do direito, aos costumes administrativos e a todos os atos normativos 
(subalternos) editados pela própria Administração. Pelo mesmo motivo, no âmbito do 
controle administrativo, alguns juristas optam pela noção de “legitimidade”, ao invés 
de legalidade, pressupondo a maior amplitude daquele vocábulo. 
Ademais, na esteira da chamada “Administração Consensual”, o art. 26 da 
LINDB trouxe verdadeiro instrumento mitigador da legalidade administrativa, ao 
prever a possibilidadede a autoridade administrativa celebrar, após oitiva do órgão 
jurídico e, quando for o caso, realização de consulta pública, compromisso com os 
interessados, para para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação 
contenciosa na aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, 
se presentes razões de relevante interesse geral, buscando solução jurídica 
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11 
proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais. Tal 
compromisso, contudo, não pode implicar em desoneração permanente de dever ou 
condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral e deve prever com 
clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções aplicáveis 
em caso de descumprimento. 
 
1.2.2. PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE 
 
É princípio constitucional expresso (art. 37, caput, da CF/88) e possui 02 
acepções: 
 
(i) quanto ao destinatário, a atuação administrativa deve se 
voltar, nem que seja de forma indireta, aos interesses públicos 
primários, jamais se dirigindo exclusivamente aos interesses 
públicos secundários ou mesmo aos interesses privatísticos dos 
agentes públicos ou de terceiros. Confunde-se com o chamado 
“princípio da finalidade pública”; 
(ii) em relação à própria Administração, veda-se a publicidade 
administrativa que configure promoção pessoal de agente 
público, admitindo-se a publicidade de atos, programas, obras, 
serviços e campanhas tão somente em caráter educativo (art. 
37, § 1º, da CF/88). 
 
O princípio da impessoalidade é outra decorrência da noção republicana de 
Administração Pública, reconhecida esta enquanto instrumento de realização dos 
interesses públicos, cujos titulares são, em verdade, o povo. Assim sendo, a 
Administração deve agir sempre em nome e pelo povo, jamais personificando 
interesses e vontades de determinados agentes. 
Disso decorre a consagrada “teoria da imputação volitiva ou do órgão”, de 
acordo com a qual os agentes e estruturas da Administração não passam de órgãos 
que corporificam a vontade geral do povo. Dessa forma, o agente, norteado pela 
vontade da coletividade e na persecução dos interesses desta, atua em nome da 
Administração. Em outras palavras, na relação com terceiros, não existem agentes 
públicos, mas apenas Administração Pública, eis que os atos daqueles são imputados 
diretamente a esta última. 
É justamente em nome do princípio da impessoalidade que o STF consagrou a 
“teoria da dupla garantia” em matéria de responsabilidade civil extracontratual do 
Estado, vedando que o particular prejudicado por ato atribuído ao Poder Público 
ofereça demanda judicial diretamente em face do agente público que instrumentalizou 
o ato lesivo, reconhecendo haver de se falar apenas em ação da Administração. Afirma 
o Supremo existir, de um lado, uma garantia para o particular, que poderá reclamar 
ressarcimento/compensação contra o elevado patrimônio do Estado, com maior 
chance de satisfação e sem necessidade, em regra, de discutir culpa/dolo, e, de outro, 
uma garantia para o agente público, que poderá exercer suas funções com a proteção 
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de não se ver eventualmente demandado pelos terceiros que se relacionam com a 
Administração (STF, RE 327.704, j. em 15/08/2006). Em sentido oposto, o STJ admite 
que o particular lesado ingresse judicialmente contra o servidor público, contra o 
Estado ou contra ambos (STJ, REsp 1.325.862, j. em 05/09/2013). 
São também expressões do princípio da impessoalidade as regras 
constitucionais do concurso público (art. 37, caput, II) e da licitação (art. 37, caput, 
XXI). 
Igualmente, há consagração da vedação ao nepotismo pelo STF por aplicação 
direta dos princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade e eficiência, sendo 
desnecessária previsão legal impeditiva. Eis o teor do Enunciado nº 13 de sua Súmula 
Vinculante: 
 
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha 
reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, 
da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa 
jurídica investido em cargo de direção, chefia ou 
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de 
confiança ou, ainda, de função gratificada na administração 
pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola 
a Constituição Federal. 
 
ATENÇÃO! Para o STF, a vedação ao nepotismo não se aplica à designação de agentes 
políticos (RE 579.951/RN e Rcl-MC 6.650/PR), SALVO se a nomeação foi 
exclusivamente em virtude do parentesco (STF, Rcl-MC 6.938/MG). 
Ainda sobre o tema, o Pretório Excelso entendeu não haver nepotismo se a pessoa 
nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência hierárquica sobre a 
nomeação (STF, 2ª Turma, Rcl 18564/SP, j. em 23/02/2016). 
 
Da mesma forma, identificamos como decorrência do princípio da 
impessoalidade a aplicação do “princípio da intranscendência subjetiva das sanções” 
para impedir a penalização de uma nova administração por atos da gestão anterior. 
Confira-se: 
 
O princípio da intranscendência subjetiva das sanções, 
consagrado pelo STF, inibe a aplicação de severas sanções às 
administrações por ato de gestão anterior à assunção dos 
deveres públicos. Com base nessa orientação e, com ressalva 
de fundamentação do Ministro Marco Aurélio, a Primeira 
Turma, em julgamento conjunto, negou provimento a agravos 
regimentais em ações cautelares ajuizadas com a finalidade de 
se determinar a suspensão da condição de inadimplente de 
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13 
Estado-Membro, bem como das limitações dela decorrentes, 
com relação a convênios com a União. Na espécie, em face de 
decisões que julgaram procedentes os pedidos a favor dos 
entes federativos, a fim de suspender as inscrições dos 
requerentes de todo e qualquer sistema de restrição ao crédito 
utilizado pela União, foram interpostos os presentes recursos. A 
Turma consignou que, em casos como os presentes, em que os 
fatos teriam decorrido de administrações anteriores e os novos 
gestores estivessem tomando providências para sanar as 
irregularidades verificadas, aplicar-se-ia o princípio da 
intranscendência subjetiva. O propósito seria neutralizar a 
ocorrência de risco que pudesse comprometer, de modo grave 
ou irreversível, a continuidade da execução de políticas 
públicas ou a prestação de serviços essenciais à coletividade. 
Nesse sentido, a tomada de contas especial seria medida de 
rigor com o ensejo de alcançar-se o reconhecimento definitivo 
de irregularidades, permitindo-se, só então, a inscrição dos 
entes nos cadastros de restrição aos créditos organizados e 
mantidos pela União. O Ministro Marco Aurélio asseverou que, 
por se tratar de governança, preponderaria o princípio contido 
no art. 37 da CF, ou seja, o da impessoalidade. Precedentes 
citados: ACO 1.848 AgR/MA (DJe de 21.11.2014) e ACO 1.612 
AgR/MS (DJe de 12.12.2014). (STF, AC 2614/PE, j. em 
23/04/2015) 
 
Por fim, as normas de impedimento e suspeição de agentes públicos que 
atuam em procedimentos administrativos contidas no art. 18 da Lei Federal nº 
9.784/1999 (Lei de Processo Administrativo Federal) possuem clara inspiração no 
princípio da impessoalidade. 
 
1.2.3. PRINCÍPIO DA MORALIDADE 
 
Trata-se de princípio constitucionalexpresso (art. 37, caput, da CF/88) que 
prescreve o dever de o administrador agir segundo os padrões éticos da boa-fé, 
decoro, lealdade, honestidade e probidade. 
Numa compreensão objetiva do princípio da moralidade administrativa, Diogo 
de Figueiredo Moreira Neto ensina que, para que se vulnere este princípio, basta que 
se administre mal os interesses públicos, o que poderá ocorrer de 03 modos: “desvio 
de finalidade”, perseguindo-se interesses diversos dos consignados na lei; “ausência de 
finalidade pública”; ou “deficiência de finalidade pública”, reveladora de uma 
ineficiência grosseira no trato dos interesses públicos. 
Nesse prisma, é possível que o agente público atue no estrito cumprimento 
das disposições formais da lei, porém, em frontal violação do princípio da moralidade 
administrativa, bastando que aja desapegado da concretização dos interesses públicos 
subjacentes à competência administrativa. 
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14 
Objetiva, a moralidade administrativa é extraída do Direito, englobando 
normas (regra e princípio) administrativas constitucionais, legais, infralegais e 
costumeiras, que prescrevem legitimamente os interesses públicos a serem 
perseguidos. Não se confunde, assim, com a compreensão subjetiva e íntima de moral 
do agente. 
Enquanto verdadeiro requisito de validade dos atos administrativos, a 
violação da moralidade administrativa implica a decretação de sua nulidade, num juízo 
de juridicidade da ação administrativa, possível de ser realizado tanto pela 
Administração (autotutela), quanto pelo Legislativo, Tribunal de Contas e pelo 
Judiciário. Trata-se, com efeito, de controle de legalidade lato sensu (legitimidade). 
A imoralidade administrativa não se confunde com a chamada 
“improbidade administrativa”. Esta é, de acordo com o STF, espécie de ilegalidade 
tipificada e qualificada pelo elemento subjetivo (dolo ou, em caso de prejuízo ao 
erário, também culpa) do agente público de praticar ato que importe: 
 
(i) enriquecimento ilícito; 
(ii) lesão ao erário; 
(iii) concessão ou manutenção de benefício tributário de ISS em 
desconformidade com o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei 
Complementar nº 116/2003; ou 
(iv) violação dos princípios da Administração Pública. O 
desrespeito aos princípios da Administração Pública – dentre 
eles o da moralidade administrativa – é, portanto, apenas uma 
das formas de improbidade administrativa, exigindo-se, 
ademais, o elemento subjetivo do agente. 
 
Assim sendo, a imoralidade administrativa, se dolosa, caracteriza ato de 
improbidade administrativa, nos termos do art. 11 da Lei Federal nº 8.429/1992. 
 
ATENÇÃO! Imoralidade administrativa e improbidade administrativa não são 
expressões sinônimas para o Direito. 
 
Registre-se, por oportuno, ser crime de responsabilidade o ato do Presidente 
da República que atente contra a probidade administrativa (art. 85, V, da CF/88). 
Ressalte-se que a moralidade administrativa não se dirige apenas à própria 
Administração e seus agentes, vinculando a atuação de todos aqueles que se 
relacionam com o Poder Público, constando expressamente do art. 4º, II, da Lei 
Federal nº 9.784/1999 sua aplicação aos administrados. 
De acordo com o já esclarecido, dotado de juridicidade e aplicabilidade direta 
e imediata (art. 5º, § 1º, da CF/88), o princípio da moralidade administrativa é um dos 
fundamentos da vedação ao nepotismo, estampada no Verbete nº 13 da Súmula 
Vinculante do Supremo. 
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Por fim, anote-se o cabimento de ação popular contra ato lesivo ao princípio 
da moralidade administrativa, possuindo legitimidade ativa todo e qualquer cidadão 
(art. 5º, LXXIII, da CF/88). 
 
1.2.4. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE 
 
É princípio constitucional expresso (art. 37, “caput”, da CF/88), que possui 
duas acepções: 
 
(i) requisito de EFICÁCIA do ato administrativo que deva 
produzir efeitos externos à Administração Pública ou implique 
ônus ao patrimônio público; 
(ii) sinônimo de transparência administrativa, princípio 
republicano indispensável ao controle administrativo, 
sujeitando os agentes públicos violadores da publicidade 
administrativa às sanções por ato de improbidade 
administrativa. 
 
Corolário da publicidade administrativa, o direito fundamental de acesso a 
informações vem previsto nos arts. 5º, XXXIII, e 37, § 3º, da CF/88, garantindo que 
todos têm direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse 
particular, ou de interesse coletivo ou geral. 
Esse direito foi disciplinado pela Lei Federal nº 12.527/2011, de acordo com a 
qual estão obrigados a prestar informações nos termos dos mencionados dispositivos 
constitucionais (i) toda a Administração Pública direta e indireta de todos os Poderes e 
do Ministério Público, (ii) as entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder 
Público e (iii) as entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos 
para o desempenho de ações de interesse público, restringido o acesso, neste último 
caso, aos recursos públicos recebidos e à sua destinação (arts. 1º e 2º). 
O acesso a informações não é absoluto, estando RESSALVADAS as 
informações cujo sigilo seja indispensável à segurança da sociedade e do Estado (arts. 
37, § 3º, II e 5º, XXXIII, ambos da CF), além daquelas cujo conhecimento geral 
represente violação à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas (art. 5º, 
X, da CF/88). 
A possibilidade de restrição ao direito de acesso a informações vem 
disciplinada no art. 24 da referida Lei, de acordo com o qual a informação cujo sigilo 
seja indispensável à segurança da sociedade e do Estado pode ser classificada em 
“ultrassecreta”, “secreta” e “reservada”, com prazo máximo de segredo, 
respectivamente, por 25, 15 e 05 anos. 
Especificamente em relação às informações que puderem pôr em risco a vida 
do Presidente e Vice-Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos somente 
se tornarão conhecidas após o término do mandato em exercício, ou do último 
mandato em caso de reeleição. 
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16 
Finalmente, poderá ser estabelecida como termo final de restrição de acesso 
a ocorrência de determinado evento, desde que este ocorra antes do transcurso do 
prazo máximo de classificação. 
Observe-se, portanto, que NÃO mais existe a possibilidade de sigilo eterno! 
 
ATENÇÃO! De acordo com o art. 21 da Lei de Acesso à informação, “Não poderá ser 
negado acesso à informação necessária à tutela judicial ou administrativa de direitos 
fundamentais”, bem como “As informações ou documentos que versem sobre 
condutas que impliquem violação dos direitos humanos praticada por agentes públicos 
ou a mando de autoridades públicas não poderão ser objeto de restrição de acesso”. 
 
Ainda sobre a Lei de Acesso a Informações, seu art. 10 exige que o requerente 
se identifique e especifique a informação que deseja conhecer, não se lhe exigindo, 
contudo, a apresentação de justificativa para tanto. Não sendo possível o acesso 
imediato à informação solicitada, ela será prestada no prazo máximo de 20 dias, 
prorrogável por mais 10 dias, mediante justificativa expressa. 
Ressalte-se que a ausência de publicidade, para além da ineficácia externa do 
ato administrativo, pode caracterizar, juntamente com a publicidade que importe 
promoção pessoal de agente público, ato de improbidadeadministrativa, caso 
comprovado o dolo de seu responsável (art. 11 da Lei federal nº 8.429/1992). 
Na jurisprudência dos Tribunais Superiores, encontramos inúmeras 
aplicações do princípio da publicidade administrativa, exemplificativamente: 
 
É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido 
pela Administração Pública, dos nomes dos seus servidores e 
do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens 
pecuniárias. 
(STF, ARE 652777) 
O Plenário julgou improcedente pedido formulado em ação 
direta ajuizada em face da Lei 11.521/2000 do Estado Rio 
Grande do Sul, a qual obriga o Poder Executivo do referido 
Estado-membro a divulgar na imprensa oficial e na internet a 
relação completa de obras atinentes a rodovias, portos e 
aeroportos. A Corte apontou não se verificar a existência de 
vício formal ou material na edição da norma em comento, visto 
que editada em atenção aos princípios da publicidade e da 
transparência, a viabilizar a fiscalização das contas públicas. 
(STF, ADI 2444/RS, rel. Min. Dias Toffoli, j. em 06/11/2014) 
Trata-se de MS impetrado contra ato do Ministro de Estado da 
Defesa e do Comandante da Aeronáutica, consubstanciado na 
negativa de retirada do grau ou classificação de confidencial às 
informações prestadas pelos impetrados sobre viagens de 
Ministros em aviões da Força Aérea Brasileira. O impetrante 
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noticia que solicitou informações ao Ministro de Estado da 
Defesa, as quais foram prestadas por meio de ofício. Entretanto 
o Comando da Aeronáutica classificou tais informações como 
de sigilo confidencial, tendo o Ministro mantido essa 
classificação. O impetrante, neste writ, requer seja concedida a 
ordem para que tais informações não mais sejam classificadas 
desse modo. O Min. Relator esclareceu que, no caso em tela, o 
impetrante não demonstrou em que medida as informações 
acerca de viagens pretéritas de Ministros de Estado em aviões 
do Comando da Aeronáutica se enquadraram na ressalva de 
informações que colocam em risco a segurança da sociedade e 
do Estado. 
(STJ, 1ª Seção, MS 13.138-DF, Rel. Min. Mauro Campbell 
Marques, j. em 08/10/2008) 
 
1.2.5. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA 
 
Trata-se de princípio constitucional expresso, introduzido através do caput 
do art. 37, da CF/88 pela Emenda Constitucional 19/98 (“Emenda da Reforma 
Administrativa”), marco constitucional da busca de maior eficiência na Administração 
Pública, passando-se do modelo burocrático para o gerencial, a partir da ideia de que a 
Administração Pública deve agir de forma célere no atendimento satisfatório das 
necessidades da população. 
Enquanto a Administração Pública burocrática pauta-se pelo princípio da 
legalidade, atendimento dos procedimentos formais e controle de meios, a 
Administração Pública gerencial orienta-se pelo princípio da eficiência e da finalidade 
pública, preocupando-se com a realização dos interesses públicos e priorizando-se o 
controle de resultados. 
Cumpre observar, contudo, que a busca pela eficiência não significa descurar 
da legalidade administrativa, esta que sempre delimitará os contornos legítimos da 
busca pelos melhores resultados públicos. 
Em verdade, a EC 19/98 promoveu 04 alterações direcionadas à 
Administração Gerencial: 
 
(i) positivação do princípio da eficiência no caput do art. 37 da 
CF/88; 
(ii) previsão do contrato de gestão com órgãos e entidades da 
Administração direta e indireta, para ampliação de sua 
autonomia gerencial, orçamentária e financeira (art. 37, § 8º, 
da CF/88); 
(iii) introdução da avaliação periódica do servidor público, 
conforme o disposto em lei complementar (art. 41, §1º, III, da 
CF/88); e 
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18 
(iv) previsão das escolas de governo, para formação e 
aperfeiçoamento dos servidores públicos (art. 39, § 2º, da 
CF/88). 
 
A análise do princípio da eficiência comporta dois aspectos: 
 
(i) relativamente à forma de atuação do agente público; e 
(ii) quanto ao modo de organização da Administração Pública. 
 
Em relação ao primeiro aspecto, busca-se garantir o melhor rendimento 
funcional possível do agente público, através, por exemplo, da realização de concurso 
público compromissado de contratação (art. 37, II, da CF/88), da avaliação especial de 
desempenho para aquisição de estabilidade e avaliação periódica de desempenho (art. 
41, § 1º, III, e § 4º da CF/88) e da participação em cursos oferecidos por escola de 
governo como requisito para promoção na carreira (art. 39, § 2º da CF/88). 
Quanto à estruturação em si da Administração Pública, a lógica é que ela deve 
ser a mais racional possível, admitindo-se, por exemplo, a ampliação da autonomia 
gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e 
indireta através de contrato de gestão, nos termos do art. 37, § 8º da Constituição 
Federal, a fim de se realizar o interesse público com qualidade, economia e rapidez. 
Por fim, ressalta-se a obrigatoriedade da Administração Pública de adotar os 
meios e buscar as alternativas mais eficientes na realização do interesse público, 
afastando-se qualquer juízo de oportunidade e conveniência, vez que a atuação 
eficiente não é questão de mérito administrativo, mas, sim, obrigação do 
administrador. Em decorrência desta obrigatoriedade, a eficiência do ato 
administrativo ou a sua ausência podem ser objeto de apreciação pelo Poder 
Judiciário, mediante provocação. 
 
1.2.6. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO 
 
Cuida-se de princípio constitucional implícito da Administração, instrumental 
da garantia fundamental do devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF/88), decorrendo, 
ademais, dos princípios republicano e democrático, os quais determinam aos agentes 
públicos a prestação de contas de seus atos, confirmando uma Administração Pública 
responsiva, controlável pelos cidadãos, direta e indiretamente. Ademais, vem previsto 
expressamente no art. 2º da Lei Federal nº 9.784/1999 como princípio regente do 
processo administrativo federal. 
O princípio da motivação traduz o dever de enunciar expressamente as razões 
de fato e de direito que autorizam ou determinam a prática de um ato administrativo, 
os motivos que justificam sua edição. Esses motivos são pressupostos fáticos e 
jurídicos para a concretização do comando legal, num juízo subsuntivo entre o Direito 
e as circunstâncias concretas da vida. 
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19 
 
ATENÇÃO! O motivo do ato administrativo (elemento) não se confunde com a 
motivação: aquele está presente em todo e qualquer ato administrativo, 
correspondendo aos pressupostos fático-jurídicos que autorizaram ou determinaram 
sua prática, ao passo que esta, como visto, é a exteriorização expressa de tal motivo. 
Todo ato possui motivo, mas nem todo ato terá motivação. 
 
ATENÇÃO! O princípio da motivação está expresso na CF/88 para as decisões 
administrativas dos tribunais, no exercício atípico de função administrativa pelo Poder 
Judiciário (art. 93, X, da CF/88). Vem colocado também, como amplamente sabido, 
para as decisões judiciais (art. 93, IX, da CF/88). 
 
Muito embora boa parte da doutrina administrativista brasileira defenda a 
obrigatoriedade de motivação de todo e qualquer ato administrativo, justamente por 
imperativo dos princípios fundamentais republicano e democrático (arts. 1º e 2º da 
CF/88), a Lei Federalnº 9.784/1999 consigna o princípio da motivação não como uma 
regra geral, mas apenas para determinados casos, quando o ato possua conteúdo 
decisório, represente uma solução para litígios, controvérsias ou dúvidas, negando, 
afetando ou limitando os direitos e interesses dos administrados ou determinando a 
aplicação de uma excepcionalidade. Eis o teor de seu art. 50: 
 
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com 
indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: 
I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; 
III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção 
pública; 
IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo 
licitatório; 
V – decidam recursos administrativos; 
VI – decorram de reexame de ofício; 
VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão 
ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios 
oficiais; 
VIII – importem anulação, revogação, suspensão ou 
convalidação de ato administrativo. 
 
ATENÇÃO! 
- Dispensa de titulares de cargo em comissão: declarados em lei como de livre 
nomeação e exoneração (art. 37, II, da CF/88), não exigem motivação. 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
20 
- Dispensa de empregados públicos: os empregados públicos, embora não gozem, em 
regra, da estabilidade do art. 41 da CF/88, por não serem servidores ocupantes de 
cargo público efetivo – salvo os da Administração direta, autárquica e fundacional 
admitidos e que tenham cumprido o estágio probatório até a edição da EC 19/99 (STF, 
AI nº 628.888/SP-AgR, Primeira Turma, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJe 
de 19/12/07; AI nº 472.685/BS-AgR, Segunda Turma, Relator o Ministro Eros Grau, DJe 
de 7/11/08) – possuem sua dispensa condicionada à motivação, por força dos 
princípios constitucionais da impessoalidade e da isonomia. Todavia, não confunda 
essa exigência de motivação da dispensa com alguma espécie de exigência de justa 
causa, porquanto não é necessário o enquadramento em uma das hipóteses da CLT, 
bastando que se indiquem os fundamentos de fato e de direito do desligamento, a 
demonstrar a finalidade pública do ato. Confira-se: 
Ementa: EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS – ECT. DEMISSÃO 
IMOTIVADA DE SEUS EMPREGADOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO 
DA DISPENSA. RE PARCIALMENTE PROVIDO. I - Os empregados públicos não fazem jus 
à estabilidade prevista no art. 41 da CF, salvo aqueles admitidos em período anterior 
ao advento da EC nº 19/1998. Precedentes. II - Em atenção, no entanto, aos princípios 
da impessoalidade e isonomia, que regem a admissão por concurso público, a dispensa 
do empregado de empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam 
serviços públicos deve ser motivada, assegurando-se, assim, que tais princípios, 
observados no momento daquela admissão, sejam também respeitados por ocasião da 
dispensa. III – A motivação do ato de dispensa, assim, visa a resguardar o empregado 
de uma possível quebra do postulado da impessoalidade por parte do agente estatal 
investido do poder de demitir. IV - Recurso extraordinário parcialmente provido para 
afastar a aplicação, ao caso, do art. 41 da CF, exigindo-se, entretanto, a motivação para 
legitimar a rescisão unilateral do contrato de trabalho. 
(RE 589998, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 
20/03/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-179 DIVULG 
11-09-2013 PUBLIC 12-09-2013) 
 
Ocorre, entretanto, que a referida alteração da LINDB acabou por tornar a 
motivação obrigatória quando, nas relações publicísticas, se pretender, judicial ou 
extrajudicialmente, impor alguma medida ou invalidar ajuste, contrato, processo ou 
norma administrativa. 
Nesse sentido, dispõe o par. único do art. 20 da LINDB que “A motivação 
demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação de 
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das 
possíveis alternativas”. 
O Decreto Federal nº 9.830/2019 trouxe diversos aspectos a respeito da 
motivação, de forma que será considerada motivada a decisão que (i) compreender os 
seus fundamentos e apresentar a congruência entre as normas e os fatos que a 
embasaram, de forma argumentativa; e (ii) indicar as normas, a interpretação jurídica, 
a jurisprudência ou a doutrina que a embasaram. 
Observe-se que, no caso de imposição de medidas ou invalidação, para além 
da motivação, é necessário que esta contenha a demonstração de dois novos 
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21 
requisitos, quais sejam a necessidade e a adequação da medida imposta ou da 
invalidação. Trata-se da incorporação dos postulados da razoabilidade e 
proporcionalidade lato sensu na motivação. 
A exigência de se confrontar a decisão tomada com as “possíveis 
alternativas” apenas reforça a já mencionada obrigatoriedade de o aplicador do 
Direito Público avaliar as consequências práticas do decidido. 
Em complementação, o art. 21 da LINDB preconiza que: 
 
Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora 
ou judicial, decretar a invalidação de ato, contrato, ajuste, 
processo ou norma administrativa deverá indicar de modo 
expresso suas consequências jurídicas e administrativas. 
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo 
deverá, quando for o caso, indicar as condições para que a 
regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem 
prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor aos 
sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das 
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. 
 
Em suma, temos que, de acordo com a LINDB, sempre que se pretender 
invalidar ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deverá a instância 
decisória, judicial ou extrajudicial, apresentar motivação, na qual se (i) demonstre a 
necessidade e adequação da solução adotada, (ii) considerando, inclusive, as possíveis 
alternativas, (iii) indicando-se de modo expresso as consequências jurídicas e 
administrativas. 
Regulamentando ainda mais a motivação no caso de invalidação de atos, o 
Decreto nº 9.830/2019, estabeleceu que: 
 
Art. 4º A decisão que decretar invalidação de atos, contratos, 
ajustes, processos ou normas administrativos observará o 
disposto no art. 2º e indicará, de modo expresso, as suas 
consequências jurídicas e administrativas. 
§ 1º A consideração das consequências jurídicas e 
administrativas é limitada aos fatos e fundamentos de mérito 
e jurídicos que se espera do decisor no exercício diligente de 
sua atuação. 
§ 2º A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da 
medida imposta, consideradas as possíveis alternativas e 
observados os critérios de proporcionalidade e de 
razoabilidade. 
§ 3º Quando cabível, a decisão a que se refere o caput indicará, 
na modulação de seus efeitos, as condições para que a 
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22 
regularização ocorra de forma proporcional e equânime e sem 
prejuízo aos interesses gerais. 
§ 4º Na declaração de invalidade de atos, contratos, ajustes, 
processos ou normas administrativos, o decisor poderá, 
consideradas as consequências jurídicas e administrativas da 
decisão para a administração pública e para o administrado: 
I - restringir os efeitos da declaração; ou 
II - decidir que sua eficácia se iniciará emmomento 
posteriormente definido. 
§ 5º A modulação dos efeitos da decisão buscará a mitigação 
dos ônus ou das perdas dos administrados ou da 
administração pública que sejam anormais ou excessivos em 
função das peculiaridades do caso. 
(Grifamos) 
 
De forma concreta, caso se decida mesmo pela invalidação, impende indicar 
como ficarão os efeitos das relações jurídicas constituídas com fundamento no ato, 
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa invalidada, com especial atenção à 
proteção dos interesses e direitos do beneficiário e terceiros de boa-fé, em 
reconhecimento da eficácia direta e imediata dessa cláusula geral em todo nosso 
sistema jurídico. 
Ademais, a LINDB trouxe a previsão expressa poder-dever de regularização, 
reconhecendo que, se possível e mais favorável ao interesse público, deve-se 
privilegiar a correção do vício, hipótese em que a decisão deve adotar solução 
proporcional e equânime, que, de um lado, não represente prejuízo aos interesses 
gerais, e, de outro, não imponha aos sujeitos ônus ou perdas anormais ou excessivos. 
Quanto à análise da regularidade da decisão, o Decreto nº 9.830/2019, 
estabelece o seguinte: 
 
Art. 13. A análise da regularidade da decisão não poderá 
substituir a atribuição do agente público, dos órgãos ou das 
entidades da administração pública no exercício de suas 
atribuições e competências, inclusive quanto à definição de 
políticas públicas. 
§1º A atuação de órgãos de controle privilegiará ações de 
prevenção antes de processos sancionadores. 
§2º A eventual estimativa de prejuízo causado ao erário não 
poderá ser considerada isolada e exclusivamente como 
motivação para se concluir pela irregularidade de atos, 
contratos, ajustes, processos ou normas administrativos. 
(Grifamos) 
 
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23 
Ainda sobre motivação, cumpre destacar o art. 22 da LINDB: 
 
“Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão 
considerados os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e 
as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo 
dos direitos dos administrados. 
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de 
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, serão 
consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, 
limitado ou condicionado a ação do agente”. 
 
Finalmente, interessa-nos conhecer a “Teoria dos Motivos Determinantes”, 
de acordo com a qual, explicitados os motivos do ato administrativo, a Administração a 
eles se vincula, de modo que o ato administrativo será inválido caso eles sejam falsos, 
inexistentes ou simplesmente contrários ao interesse público. Trata-se de teoria 
cunhada pelo trabalho do Conselho de Estado Francês e que permitiu grandes avanços 
no controle da discricionariedade administrativa. 
Assim sendo, ainda que discricionária determinada decisão administrativa, se 
o administrador vier a indicar as razões pelas quais tomou certa conduta, é possível o 
controle da veracidade e finalidade pública dos motivos apontados. 
Exemplificativamente, embora a exoneração de servidores ocupantes de cargo em 
comissão dispense motivação, caso a autoridade venha a indicar os fundamentos da 
dispensa, estes deverão ser verdadeiros e legítimos, o que pode ser controlado 
inclusive pelo Judiciário. 
 
1.2.7. PRINCÍPIO DA ISONOMIA 
 
Também chamado de princípio da igualdade, ele vem expresso na 
Constituição como direito fundamental dos cidadãos (art. 5º, caput), não direcionado 
especificamente para a Administração Pública, portanto. 
Sem embargo, em razão do reconhecimento da “dimensão objetiva dos 
direitos fundamentais” (eficácia irradiante), a partir da ideia de que eles são um 
“conjunto de valores objetivos básicos que conformam o Estado Democrático de 
Direito”, fixando, assim, standards para todos os Poderes e para as relações entre os 
particulares, reconhece-se sua perfeita aplicação à Administração Pública, que deve 
pautar sua conduta sem discriminações injustificadas. 
Esse princípio não se mostra incompatível com as chamadas “discriminações 
positivas”. Muito pelo contrário, essas distinções são válidas e correspondem ao 
substrato material do princípio da isonomia (igualdade substancial), destinando-se a 
reequilibrar desigualdades entre grupos ou parcelas da sociedade. Em obséquio ao 
princípio da legalidade administrativa, contudo, o discrímen positivo reclama expressa 
previsão legal. 
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24 
É nessa perspectiva que o STF reconheceu a constitucionalidade da reserva 
de vagas em concursos públicos para negros instituída pela Lei Federal nº 
12.990/2014 (ADC 41, j. em 08/06/2017). 
Ainda no campo do concurso público, qualquer discriminação para aceder a 
cargos e empregos públicos somente se justifica se preenchidos os seguintes 
requisitos: previsão na lei da carreira; compatibilidade com as atribuições do cargo; e 
previsão no edital do concurso. É o caso, por exemplo, do limite de idade ou de 
estatura mínima para determinadas carreiras do serviço público, conforme 
entendimento do STF (Enunciado nº 683 de sua Súmula; RE nº 600.885/RS; ARE nº 
640284). 
Da mesma forma, a exigência de exame psicotécnico para a habilitação de 
candidato a cargo público reclama previsão legal e editalícia, além da fixação de 
critérios objetivos de julgamento e garantia do direito a recurso (Enunciado nº 686 da 
Súmula do STF). 
 
1.2.8. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE 
 
São princípios implícitos no texto constitucional, decorrentes da garantia 
constitucional do devido processo legal (art. 5º, LIV, da CF/88), em sua perspectiva 
substancial (“substantive due processo of law”). Consta expressamente, ainda, no art. 
2º, caput, da Lei Federal nº 9.784/99. 
Em verdade, a razoabilidade e a proporcionalidade representam postulados 
jurídicos, na medida em que, diferentemente dos princípios, não são aplicados 
segundo a técnica da ponderação, como se pudessem ser restringidos ou cederem 
espaço para outros princípios casuisticamente preponderantes. Em outras palavras, os 
postulados são sempre aplicados em sua inteireza. Com efeito, não há que se falar em 
decisão legítima desarrazoada ou desproporcional. 
Ademais, registre-se que, conquanto muitos defendam diferenças entre 
razoabilidade e proporcionalidade, especialmente pela diferença de origem entre os 
dois – o primeiro da experiência jurídica norte-americana (Ronald Dworking) e o 
segundo da alemã (Robert Alexy) –, a jurisprudência e boa parte da doutrina nacionais 
empregam-nos como sinônimos. 
Quanto à proporcionalidade, fala-se em “proporcionalidade lato sensu”, esta, 
sim, equivalente à noção de razoabilidade, a qual se dividiria em: 
 
(i) adequação – a medida deve ser apta ao fim desejado, 
idônea à produção do objetivo perseguido; 
(ii) necessidade – o meio deve ser efetivamente necessário, 
vale dizer, deve-se indagar se não há meio menos gravoso para 
a consecução dos fins colimados; e 
(iii) proporcionalidade em sentido estrito – as 
vantagens/benefícios do ato devem compensar/superar as 
desvantagens/restrições dele decorrentes. 
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25 
 
Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, juntamente com o já 
estudado princípio da moralidade administrativa (RPM), representam poderoso 
instrumento de controle da validade dos atos administrativos, inclusivepelo Poder 
Judiciário, conformando a moldura de legalidade em sentido amplo que circunscreve o 
legítimo exercício da discricionariedade administrativa (STF, HC 103.529-MC/SP). 
Observe-se que, mesmo neste caso, não há propriamente um controle do mérito 
administrativo, mas, sim, dos aspectos de legalidade ampliada definidos pelos 
princípios aplicáveis no caso concreto, a restringir o espaço de conveniência e 
oportunidade do administrador. Trata-se de controle de legalidade lato sensu (STF, 
ADPF 45). 
Conforme se observou, o par. único do art. 20 da LINDB, ao prever a 
necessidade de demonstração da necessidade e adequação, consagrou os postulados 
da razoabilidade e proporcionalidade em sentido amplo na imposição de deveres e 
obrigações nas relações jurídico-administrativas e na invalidação de atos, processos, 
ajustes, contratos e normas administrativas. 
Sobre a aplicação do princípio da razoabilidade/proporcionalidade (devido 
processo legal substantivo) na jurisprudência dos Tribunais Superiores: 
 
Súmula Vinculante nº 03: Nos processos perante o Tribunal de 
Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa 
quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de 
ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a 
apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de 
aposentadoria, reforma e pensão. 
 
O termo a quo do prazo de 5 anos para que o Tribunal de 
Contas da União – TCU examine a legalidade dos atos 
concessivos de aposentadorias, reformas e pensões, conta-se a 
partir da data de chegada do processo administrativo na 
própria Corte de Contas. 
(MS 24781/DF, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão 
Min. Gilmar Mendes, j. em 02/03/2011) 
 
Súmula Vinculante nº 21: É inconstitucional a exigência de 
depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para 
admissibilidade de recurso administrativo 
 
A autoridade administrativa deve notificar o proprietário do 
veículo locado para oportunizar que comprove a sua boa-fé 
antes de decidir sobre a destinação do bem apreendido pela 
prática de infração ambiental. Os arts. 25 e 72, IV, da Lei n. 
9.605/1998 estabelecem como efeito imediato a apreensão dos 
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26 
bens e instrumentos utilizados na prática do ilícito ambiental. A 
exigência de requisito não expressamente previsto na 
legislação de regência para a aplicação dessas sanções 
compromete a eficácia dissuasória inerente à medida, 
consistindo em incentivo, sob a perspectiva da teoria 
econômica do crime, às condutas lesivas ao meio ambiente. 
Nesse sentido, exigir que a autoridade ambiental comprove que 
o veículo é utilizado específica, exclusiva, reiterada ou 
rotineiramente para a prática de delito ambiental caracteriza 
verdadeira prova diabólica, tornando letra morta a legislação 
que ampara a atividade fiscalizatória. Ainda que se trate de 
bem locado ao real infrator, a apreensão do bem não 
representa injusta restrição a quem não deu causa à infração 
ambiental, permitindo, por outro lado, trazer o risco da 
exploração da atividade econômica a quem a exerce. Seja em 
razão do conceito legal de poluidor, seja em função do princípio 
da solidariedade que rege o direito ambiental, a 
responsabilidade administrativa pelo ilícito recai sobre quem, 
de qualquer forma, contribuiu para a prática da infração 
ambiental, por ação ou omissão. Após a medida de apreensão, 
a autoridade administrativa oportunizará o direito de defesa ao 
proprietário do bem antes de decidir sobre sua destinação. 
Cumpre ao proprietário do veículo comprovar sua boa-fé, 
demonstrando que, pelas circunstâncias da prática envolvida e 
apesar de ter tomado as precauções necessárias, não tinha 
condições de prever a utilização do bem no ilícito ambiental. 
Ademais, aquele que realiza a atividade de locação de veículos 
deve adotar garantias para a prevenção e o ressarcimento dos 
danos causados pelo locatário. Não é possível admitir que o 
Judiciário comprometa a eficácia da legislação ambiental e 
impeça a apreensão do veículo tão somente porque o 
instrumento utilizado no ilícito originou-se de um contrato de 
locação, cessão ou de qualquer outro meio juridicamente 
previsto. (Grifamos) 
(STJ, 2ª Turma, AREsp 1.084.396-RO, Rel. Min. Og Fernandes, 
j. em 19/09/2019) 
 
1.2.9. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA 
 
Trata-se do poder-dever da Administração de controlar seus próprios atos, 
anulando-os quando ilegais, ou revogando-os se inconvenientes ou inoportunos. 
Nesse diapasão, a Administração Pública, cujo mister essencial é a concretização dos 
interesses públicos, deve manter-se sempre atenta à validade de seus atos e à sua 
atualidade no atendimento das necessidades coletivas. 
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27 
Não nos parece ocioso destacar que, diferentemente do Poder Judiciário, que 
somente controla a legalidade (ampla) dos atos administrativos, e tão somente 
mediante provocação, a Administração Pública realiza o controle tanto da validade 
quanto do mérito dos atos administrativos, inclusive de ofício. 
 
ATENÇÃO! Diante da inércia da jurisdição, o controle dos atos administrativos pelo 
Poder Judiciário somente ocorrerá por provocação e se restringirá à análise de sua 
legalidade, jamais se imiscuindo no legítimo espaço da discricionariedade 
administrativa (mérito administrativo). 
 
Trata-se de princípio muito cobrado em provas de concurso, que, por sua 
importância, será estudado com maior vagar em rodada futura. 
Nada obstante, por ora, conheça-se o teor do entendimento do STF, 
estampado no Enunciado nº 473 de sua Súmula: 
 
“A administração pode anular seus próprios atos, quando 
eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se 
originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou 
oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, 
em todos os casos, a apreciação judicial” 
 
Ademais, anote-se também que o art. 54 da Lei de Processo Administrativo 
Federal estabelece que o direito de a Administração anular atos administrativos de 
que decorram efeitos favoráveis decai em 05 anos, salvo comprovada má-fé. Trata-se 
de contrabalanço do princípio da autotutela com a garantia constitucional da 
segurança jurídica (art. 5º, XXXVI, da CF/88). 
 
ATENÇÃO! Os atos administrativos praticados anteriormente ao advento da Lei n. 
9.784/1999 estão sujeitos ao prazo decadencial quinquenal, contado, entretanto, da 
sua entrada em vigor, qual seja 1º/2/1999, e não da prática do ato. 
(STJ, 2ª Turma, REsp 1.270.474-RN, Rel. Min. Herman Benjamin, j. em 18/10/2012) 
 
ATENÇÃO! Para além da má-fé do beneficiário, a jurisprudência do STF e do STJ 
reconhece que a Administração (e o Judiciário) podem anular atos administrativos de 
efeitos favoráveis praticados há mais de 05 (cinco) anos quando afrontarem 
diretamente a Constituição: 
No exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos 
de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica com fundamento na Portaria 
1.104/1964, quando se comprovar a ausência de ato com motivação exclusivamente 
política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido 
processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. Ex: 2003, João, ex-militar da 
Aeronáutica, recebeu anistia política, concedida por meio de portaria do Ministro da 
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Justiça.Em 2006, a AGU emitiu nota técnica fazendo alguns questionamentos sobre a 
forma indevida pela qual estavam sendo concedidas anistias políticas, dentre elas a 
que foi outorgada a João. Em 2011, o Ministro da Justiça determinou que fossem 
revistas as concessões de anistia de inúmeros militares, inclusive a de João. Em 2012, 
foi aberto processo administrativo para examinar a situação de João e, ao final, 
determinou-se a anulação da anistia política. Mesmo tendo-se passado mais de 5 anos, 
a anulação do ato foi possível, seja por força da parte final do art. 54 da Lei nº 
9.784/99, seja porque o prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica 
quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. STF. Plenário. 
RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019 (repercussão geral – 
Tema 839) (Info 956). É possível a anulação do ato de anistia pela Administração 
Pública, evidenciada a violação direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o 
prazo decadencial contido na Lei nº 9.784/99. 
(STJ. 1ª Seção. MS 19070-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og 
Fernandes, julgado em 12/02/2020 – Info 668). 
 
1.2.10. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA 
 
Cuida-se de princípio previsto como garantia fundamental no art. 5º, LV, da 
CF/88, o qual consigna expressamente que, nos processos judiciais E 
ADMINISTRATIVOS, são assegurados o contraditório e a ampla defesa. Conclui-se, 
portanto, tratar-se de princípio constitucional administrativo expresso, embora não 
contido no capítulo da Administração Pública. 
Diversas consequências valem a pena a menção: 
 
- Desnecessidade de defesa técnica no processo 
administrativo disciplinar (Súmula Vinculante nº 05): embora 
se assegure o contraditório e a ampla defesa, não há exigência 
de constituição de advogado, por ausência de previsão 
constitucional/legal neste sentido; 
- Inconstitucionalidade da exigência de depósito ou 
arrolamento prévios para a admissibilidade de recurso 
administrativo (Súmula Vinculante nº 21): representa restrição 
injustificada ao direito de defesa; 
- Aplicação aos processos perante o Tribunal de Contas da 
União se puder implicar anulação ou revogação de ato 
administrativo ampliativo/benefício, ressalvada a apreciação 
da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, 
reforma ou pensão (Súmula Vinculante nº 03): a ressalva 
decorre do reconhecimento da natureza complexa do ato de 
concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão. É que, 
somente existindo ato administrativo (perfeito e acabado), 
após essa análise de legalidade pela Corte de Contas, apenas a 
partir dela é que incidirá o contraditório e a ampla defesa. 
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29 
 
1.2.11. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA 
 
Trata-se de princípio geral do direito assegurado no art. 5º, XXXVI, da CF/88, 
aplicado também à Administração Pública em razão da já mencionada dimensão 
objetiva dos direitos fundamentais (eficácia irradiante). É colocado expressamente 
como princípio administrativo na Lei Federal nº 9.784/1999, constando, ademais, do 
art. 6º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. 
O fundamento da segurança jurídica é a exigência de previsibilidade do Direito 
e, de forma mais específica, dos atos administrativos, como imperativo da estabilidade 
das relações jurídicas. 
No plano objetivo, significa a impossibilidade de a Administração Pública 
violar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada, vedando a 
retroatividade de seus atos. É por força deste princípio, por exemplo, que a revogação 
dos atos administrativos possui efeitos ex nunc ou prospectivos. 
Diversamente, numa perspectiva subjetiva, corresponde ao chamado 
“princípio da proteção da confiança dos cidadãos”, a se entender o dever de 
preservação das legítimas expectativas da sociedade com relação à conduta dos 
agentes administrativos, evitando-se, assim, o efeito surpresa, a atuação de inopino. É 
consectário da cláusula geral da boa-fé objetiva, a qual, dentre seus conceitos 
parcelares, contém o do “non venire contra factum proprium”, impondo que a 
Administração seja coerente com as decisões tomadas anteriormente em situações 
análogas, respeitando os chamados “costumes administrativos”. 
 
ATENÇÃO! Embora seja consagrada a lição de que a anulação dos atos administrativos 
opera efeitos ex tunc ou retroativos, porque deles não se originam direitos, boa parte 
da doutrina defende que, tratando-se de atos administrativos ampliativos – que 
representam incremento para a esfera jurídica dos particulares –, deve-se conferir, 
justamente em nome da proteção da confiança, eficácia prospectiva à sua anulação. 
 
É justamente por força do princípio da segurança jurídica que se delineou a 
chamada “teoria do fato consumado”, de acordo com a qual o decurso do tempo faz 
surgir nos destinatários da norma legítimas expectativas de sua aplicação no mesmo 
sentido, razão pela qual a mudança abrupta da aplicação do Direito se revela ilegítima. 
Cuida-se do reconhecimento da chamada força normativa dos fatos, extraída 
diretamente da cláusula geral da boa-fé objetiva. 
É teoria reconhecida na jurisprudência dos Tribunais Pátrios, em especial do 
STJ, segundo o qual “as situações jurídicas consolidadas pelo decurso do tempo, 
amparadas por decisão judicial, não devem ser desconstituídas, em razão do princípio 
da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais” (STJ, REsp 709.934/RJ). 
 
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É proibida a reprodução deste material sem a devida autorização, sob pena da adoção das medidas cabíveis na esfera cível e penal.
 
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ATENÇÃO! O STF NÃO admite a aplicação da teoria do fato consumado no caso de 
posse em concurso público por força de decisão judicial precária (liminar) se houver 
julgamento final em desfavor do servidor público, não importando o tempo já 
exercido no serviço público. A lógica é que o servidor empossado sabe, de antemão, 
que goza de situação jurídica favorável fundada em decisão não definitiva, passível de 
ser modificada posteriormente. Nada obstante, em razão da natureza alimentar da 
verba, o Supremo entende não ser possível exigir a devolução da remuneração 
percebida pelo servidor exonerado, ainda porque isso representaria enriquecimento 
ilícito da Administração, que contou com os serviços prestados (STF. Plenário. RE 
608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 7/8/2014 – repercussão geral) 
 
ATENÇÃO! No caso de benefício previdenciário percebido por força de decisão 
judicial reformada ao final em desfavor do beneficiário vis a vis a obrigatoriedade de 
sua devolução, confira-se o seguinte esquema: 
- Tutela antecipada revogada na sentença: STJ (REsp nº 1.401.560/MT) e TNU 
entendem que SIM; STF (ARE 734242) entende que NÃO; 
- Sentença favorável reformada em segunda instância: SIM; 
- Sentença favorável mantida em segunda instância, mas reformada em REsp: NÃO 
(STJ, EREsp nº 1.086.154-RS); 
- Sentença transitada em julgado posteriormente reformada em ação rescisória: NÃO 
(AgRg no REsp 126480/CE). 
 
ATENÇÃO! O STJ rejeita a teoria do fato consumado para consolidar remoção de 
servidor para acompanhar cônjuge realizada ao arrepio da lei, ainda que tal situação 
tenha perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não confirmada pelo 
julgamento final de mérito (STJ, EREsp 1.157.628, Corte Especial - Informativo 598). 
 
Registre-se, por fim, que o inciso XIII do art. 2º da Lei Federal n 9.784/1999 
veda a aplicação retroativa de nova interpretação dada pela Administração Pública. 
Nesse sentido, no caso de remuneração percebida em consonância com entendimento 
equivocado da AdministraçãoPública e legitimamente alterado, o TCU consagrou, em 
nome da proteção da confiança (e da natureza alimentar da verba), a irretroatividade 
da mudança de interpretação, consignando a irrepetibilidade dessas parcelas, que 
simplesmente não poderão ser mais pagas (eficácia pró-futuro). Confira-se o 
Enunciado nº 249 de sua Súmula: 
 
“É dispensada a reposição de importâncias percebidas, de boa-
fé, por servidores ativos e inativos, e pensionistas, em virtude 
de erro escusável de interpretação de lei por parte de 
órgão/entidade, ou por parte de autoridade legalmente 
investida em função de orientação e supervisão, à vista da 
presunção de legalidade do ato administrativo e do caráter 
alimentar das parcelas salariais”. 
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31 
 
Ademais, é de conhecimento obrigatório o teor do art. 54 da Lei Federal nº 
9.784/1999, que, em nome da segurança jurídica, estabelece o prazo decadencial de 
05 anos para que a Administração Pública exerça seu poder-dever de anular atos 
administrativos de efeitos favoráveis, in verbis: 
 
“O direito da Administração de anular os atos administrativos 
de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai 
em cinco anos, contados da data em que foram praticados, 
salvo comprovada má-fé”. 
 
Por fim, conforme mencionado, a recente alteração da LINDB dedicou-se 
fortemente à proteção da segurança jurídica, exigindo, por exemplo, que a decisão 
administrativa, controladora ou judicial que estabeleça interpretação ou orientação 
nova sobre norma de conteúdo indeterminado, que imponha novo dever ou novo 
condicionamento de direito, preveja regime de transição, de modo proporcional, 
equânime, eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais (art. 23). 
Nessa mesma toada, o Decreto Federal nº 9.830/2019, em seu art. 7º, 
estabeleceu que o regime de transição deverá prever: 
 
(i) os órgãos e as entidades da administração pública e os 
terceiros destinatários; 
(ii) as medidas administrativas a serem adotadas para 
adequação à interpretação ou à nova orientação sobre norma 
de conteúdo indeterminado; e 
(iii) o prazo e o modo para que o novo dever ou novo 
condicionamento de direito seja cumprido. 
 
Observe-se que essa possibilidade de modulação e de fixação de regime de 
transição trazida pela LINDB é mais ampla do que aquela prevista no art. 927, § 3º, do 
CPC/2015, porquanto não se restringe ao âmbito judicial, muito menos aos Tribunais 
Superiores ou ao julgamento de casos repetitivos. 
Como se não bastasse, o art. 24 da LINDB prescreve que: 
 
“A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, 
quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa cuja produção já se houver completado levará 
em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, 
com base em mudança posterior de orientação geral, se 
declarem inválidas situações plenamente constituídas”. 
(Grifamos) 
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Em outros termos, as relações jurídicas constituídas com base nas orientações 
gerais da época [atos normativos em geral, jurisprudência judicial ou administrativa 
majoritária e costumes administrativos, conforme o par. único], ainda que contenham 
algum vício, devem ser consideradas válidas, tendo seus efeitos preservados, em nome 
da cláusula geral da boa-fé e do princípio da segurança jurídica. 
Por fim, o art. 26 da LINDB prevê a possibilidade de a autoridade 
administrativa celebrar compromisso com os interessados para a eliminação de 
irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa, inclusive no caso de 
licença, se presentes razões de relevante interesse geral. 
Referido compromisso deverá observar a legislação aplicável e a presença de 
razões de relevante interesse geral, realizando-se após oitiva do órgão jurídico e a 
realização de consulta pública, caso cabível. Ainda, pela análise conjunta do art. 26, 
§2º da LINDB e do art. 10, §2º do Decreto nº 9.830/2019, pode-se afirmar que o 
compromisso não poderá conferir desoneração permanente de dever ou 
condicionamento de direito reconhecidos por orientação geral e deverá: 
 
- buscar solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e 
compatível com os interesses gerais; 
- prever as obrigações das partes; o prazo e o modo para seu 
cumprimento; a froma de fiscalização; os fundamentos de fato 
e de direito; sua eficácia de título executivo extrajudicial; e as 
sanções aplicáveis em caso de descumprimento. 
 
Por fim, o art. 30 da LINDB reitera o objetivo de criação e efetivação de 
mecanismos de segurança jurídica na interpretação e aplicação das normas de Direito 
Brasileiro: 
 
Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a 
segurança jurídica na aplicação das normas, inclusive por meio 
de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a 
consultas. 
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste 
artigo terão caráter vinculante em relação ao órgão ou 
entidade a que se destinam, até ulterior revisão. 
 
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2. JURISPRUDÊNCIA 
 
SÚMULAS DO STF 
 
SÚMULA Nº 346 - A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios 
atos. 
SÚMULA Nº 473 - A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de 
vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por 
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e 
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
SÚMULA Nº 683 - O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima 
em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza 
das atribuições do cargo a ser preenchido. 
SÚMULA Nº 686 - Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de 
candidato a cargo público. 
SÚMULA VINCULANTE Nº 5 - A falta de defesa técnica por advogado no processo 
administrativo disciplinar não ofende a Constituição. 
SÚMULA VINCULANTE Nº 13 - A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em 
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade 
nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, 
chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, 
ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer 
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, 
compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. 
SÚMULA VINCULANTE Nº 44 - Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a 
habilitação de candidato a cargo público. 
 
SÚMULAS DO STJ 
 
SÚMULA 373 - É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de 
recurso administrativo. 
 
REPERCUSSÃO GERAL 
 
TEMA 335 
Os candidatos em concurso público não têm direito à prova de segunda chamada nos 
testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter 
fisiológico ou de força maior, salvo contrária disposição editalícia. (RE 630.733/DF, 
rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013). 
 
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TEMA 646 
É possívela fixação de limite etário para inscrição em concurso público para ingresso 
em carreira policial, desde que o discrímen seja estabelecido por lei e justificado pela 
natureza das atribuições do cargo a preencher, a teor do Enunciado 683 da Súmula do 
STF (“O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do 
art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das 
atribuições do cargo a ser preenchido”) (ARE 678.112 RG/MG, rel. Min. Luiz Fux, 
julgado em 26/4/2013, acórdão publicado no DJe de 17/5/2013). 
 
TEMA 973 
É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja 
grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital 
do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 
21/11/2018 (repercussão geral). 
 
TEMA 476 
A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão judicial de caráter 
provisório não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a 
exigência de prévia aprovação em concurso público (CF, art. 37, II), valor constitucional 
preponderante sobre o interesse individual do candidato, que não pode invocar, na 
hipótese, o princípio da proteção da confiança legítima, ante o conhecimento da 
precariedade da medida judicial. (RE 608.482/RN, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 
7/8/2014, acórdão publicado no DJe de 5/12/2014). 
 
TEMA 485 
Os critérios adotados por banca examinadora de concurso público não podem ser 
revistos pelo Poder Judiciário, salvo em caso de ilegalidade e inconstitucionalidade. (RE 
632.853/CE, rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/4/2015, acórdão publicado no DJe 
de 29/6/2015). 
 
TEMA 483 
É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração 
Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e 
vantagens pecuniárias. (ARE 652.777/SP, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 
23/4/2015, acórdão publicado no DJe de 1º/7/2015). 
 
OUTROS JULGADOS 
 
Não compete ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca 
examinadora para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas” 
(RE 632.853). Do voto condutor do mencionado acórdão, percebe-se que a tese nele 
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35 
constante buscou esclarecer que o Poder Judiciário não pode avaliar as respostas 
dadas pelo candidato e as notas a eles atribuídas se for necessário apreciar o conteúdo 
das questões ou os critérios utilizados na correção, exceto se flagrante a ilegalidade. 
Ao analisar uma prova para o cargo de assessor do MPRS, o STJ decidiu anular uma das 
questões discursivas pelo fato de que ela possuía um grave erro no enunciado, o que 
prejudicou o candidato na elaboração de sua resposta. No enunciado da questão 
constou a expressão “permissão de saída”, mas na verdade o examinador queria saber 
sobre a “saída temporária”, tanto que a resposta padrão do gabarito envolvia este 
segundo instituto. Houve, portanto, uma troca dos conceitos. A própria comissão 
examinadora reconheceu que houve o erro no enunciado, mas afirmou que isso não 
atrapalhou os candidatos e, por isso, manteve as notas. O STJ, contudo, não concordou 
com isso e anulou a questão. Se a própria banca examinadora reconhece o erro na 
formulação da questão, não se pode fechar os olhos para tal constatação ao simplório 
argumento de que referido erro não influiria na análise do enunciado pelo candidato. 
Vale ressaltar que o STJ afirmou que esta anulação não contraria o que decidiu o STF 
no julgamento do RE 632.853 por duas razões: 1) o candidato não está buscando que o 
Poder Judiciário reexamine o conteúdo da questão ou o critério de correção para 
decidir se a resposta dada por ele está ou não correta. Em outras palavras, não se quer 
que recorrija a prova. O que o impetrante pretende é que seja reconhecido que o 
enunciado da questão apresenta um erro grave insuperável. 2) o STF decidiu que, em 
regra, não é possível a anulação de questões de concurso, salvo se houver ilegalidade a 
permitir a atuação do Poder Judiciário. Em outras palavras, existe uma “exceção” à 
tese fixada no RE 632.853. E, no presente caso, estamos diante de uma flagrante 
ilegalidade da banca examinadora. (STJ. 2ª Turma. RMS 49.896-RS, Rel. Min. Og 
Fernandes, julgado em 20/4/2017 - Info 603). 
 
Em regra, o serviço público deverá ser prestado de forma contínua, ou seja, sem 
interrupções (princípio da continuidade do serviço público). 
Excepcionalmente, será possível a interrupção do serviço público nas seguintes 
hipóteses previstas no art. 6º, § 3º da Lei n.º 8.987/95: a) Em caso de emergência 
(mesmo sem aviso prévio); b) Por razões de ordem técnica ou de segurança das 
instalações, desde que o usuário seja previamente avisado; c) Por causa de 
inadimplemento do usuário, desde que ele seja previamente avisado. 
A divulgação da suspensão no fornecimento de serviço de energia elétrica por meio de 
emissoras de rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso prévio, 
prevista no art. 6º, § 3º, da Lei nº 8.987/95. (STJ. 1ª Turma. REsp 1.270.339-SC, Rel. 
Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/12/2016 - Info 598). 
 
A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem ilegais. No 
entanto, se a invalidação do ato administrativo repercute no campo de interesses 
individuais, faz-se necessária a instauração de procedimento administrativo que 
assegure o devido processo legal e a ampla defesa. 
Assim, a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos não 
dispensa a observância do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito 
administrativo. (STF. 2ª Turma. RMS 31661/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
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10/12/2013 (Info 732). STF. Plenário. MS 25399/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado 
em 15/10/2014 - Info 763). 
 
Não existe direito adquirido à efetivação na titularidade de cartório quando a vacância 
do cargo ocorre na vigência da CF/88, que exige a submissão a concurso público (art. 
236, § 3º). O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o 
ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. O art. 236, § 3º, da CF é 
uma norma constitucional autoaplicável. 
Logo, mesmo antes da edição da Lei 8.935/1994 ela já tinha plena eficácia e o concurso 
público era obrigatório como condição para o ingresso na atividade notarial e de 
registro. (STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 - Info 
741). 
 
O ato de remoção de servidor público por interesse da Administração Pública deve ser 
motivado. Caso não o seja, haverá nulidade. No entanto, é possível que o vício da 
ausência de motivação seja corrigido em momento posterior à edição dos atos 
administrativos impugnados. Assim, se a autoridade removeu o servidor sem 
motivação, mas ela, ao prestar as informações no mandado de segurança, trouxe aos 
autos os motivos que justificaram a remoção, o vício que existia foi corrigido. (STJ. 1ª 
Turma. AgRg no RMS 40427-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 3/9/2013 - 
Info 529). 
 
A despeito da ausência de restrição legal, o STJ entendeu constitucional a exigência do 
transcurso de certo lapso temporal para uma segunda concessão da ajuda de custo do 
servidor prevista no art. 53 da Lei Federal nº 8.112/1990, justamente em nome dos 
princípios da moralidade, razoabilidade, impessoalidade, eficiência e economicidade 
administrativas (REsp 1.257.665/CE). 
 
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3. QUESTÕES 
 
1. Em conformidade com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro 
(L.I.N.D.B.), na redação dada pela Lei no 13.655/2018: 
a) a decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá 
impor compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos 
resultantes do processo ou da conduta dos envolvidos. 
b) quando necessário por razões de segurança jurídica ou de interesse geral, o ente 
interessado proporá ação declaratória de validade de ato, contrato, ajuste, processo 
ou norma administrativa, cuja sentença fará coisa julgada com eficácia erga omnes. 
c) para o fim de excluir a responsabilidade pessoal do agente público, é possível 
requerer autorização judicial para celebração de compromisso entre a autoridade 
administrativa e os interessados para eliminação de irregularidade, incerteza jurídica 
ou situação contenciosa na aplicação do direito público. 
d) admite-se a celebração de compromisso entre a autoridade administrativa e os 
interessados, com vistas à eliminação de irregularidade, incerteza jurídica ou situação 
contenciosa na aplicação do direito público, inclusive envolvendo transação quanto a 
sanções e créditos ou estabelecendo regimes de transição. 
e) em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade 
administrativa, inclusive os de organização interna, deverá ser precedida de consulta 
pública para manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a 
qual será considerada na decisão. 
 
2. O conteúdo jurídico do princípio da moralidade administrativa pode ser 
conceituado como: 
a) aquele referido na ética da legalidade ou, em outros termos, os valores éticos que 
ela consagra sem espaços para outros juízos axiológicos senão aqueles objetivados e 
explicitados nas normas-regras e, portanto, sem autonomia 
b) aquele que vincula a administração pública a um comportamento ético, conforme 
discurso da modernidade, com dimensão autônoma em relação ao princípio da 
legalidade. 
c) a resultante da moral social de uma época a vincular a atuação da Administração 
pública. 
d) referente às regras da boa administração e às regras internas visando normatizar o 
poder disciplinar da Administração. 
 
3. A Lei de Acesso à Informação Pública – Lei Federal n° 12.527/2011: 
a) não se aplica a todos os entes da Administração Pública, visto que é incompatível 
com o regime das empresas públicas e sociedades de economia mista, regidas por lei 
própria (Lei Federal n° 13.303/2016). 
b) postula que, segundo o princípio acessorium sequitur principale, quando não for 
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autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, as demais 
partes tornam-se também de acesso restrito. 
c) aponta como dever dos órgãos e entidades públicas promover a divulgação de 
informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas, por 
sítio oficial na internet; todavia, os Municípios de menos de cem mil habitantes estão 
dispensados da exigência. 
d) prevê prazo de trinta dias, prorrogável justificadamente por mais 20 (vinte) dias, 
para que seja disponibilizada informação requerida pelo cidadão. 
e) cria hipótese de responsabilidade objetiva pela divulgação indevida de informações, 
sendo que tal responsabilidade também é aplicável aos particulares que, em virtude de 
vínculo com órgão ou entidade pública, tenham acesso a informações sigilosas. 
 
4. Considerando o entendimento doutrinário e jurisprudencial acerca dos princípios 
constitucionais e infraconstitucionais que regem a atividade administrativa, julgue os 
itens a seguir: 
I - Em obediência ao princípio da legalidade, a vedação à prática do nepotismo no 
âmbito da administração pública é condicionada à edição de lei formal. 
II - A publicidade é condição de eficácia dos atos administrativos, razão pela qual pode 
caracterizar prática de ato de improbidade administrativa a desobediência ao dever de 
publicação de atos oficiais. 
III - Viola o princípio da isonomia a previsão de critérios discriminatórios de idade em 
certame de concursos públicos, ressalvados os casos em que a natureza das 
atribuições do cargo justificar. 
IV - O princípio da proteção da confiança legítima não autoriza a manutenção em cargo 
público de servidor público empossado por força de decisão judicial de caráter 
provisório posteriormente revista, ainda que decorridos mais de cinco anos da 
investidura no cargo. 
Estão certos apenas os itens: 
a) I e II. 
b) I e III. 
c) III e IV. 
d) I, II e IV. 
e) II, III e IV. 
 
5. Segundo o que dispõe, expressamente, a Lei de Introdução às Normas do Direito 
Brasileiro, na hipótese de expedição de uma licença sobre a qual exista incerteza 
jurídica ou situação contenciosa na aplicação do direito público, havendo a 
necessidade de eliminar esse problema, a autoridade administrativa poderá, 
atendidas as disposições legais: 
a) ingressar com ação declaratória no Poder Judiciário. 
b) contratar parecer de escritório de advocacia especializado. 
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c) recomendar alteração legislativa antes da decisão. 
d) celebrar compromisso com os interessados. 
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4. GABARITO COMENTADO 
 
1 - A 
LETRA A – CORRETA. Art. 27, LINDB: 
Art. 27. A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, 
poderá impor compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos 
resultantes do processo ou da conduta dos envolvidos. 
LETRA B – INCORRETA. Não há previsão na LINDB de ação declaratória de validade de 
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cujos efeitos terá eficácia erga 
omnes. 
LETRA C – INCORRETA. Dispõe o art. 26 da LINDB, sem qualquer previsão para a 
exclusão da responsabilidade pessoal do agente público: 
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na 
aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade 
administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após 
realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, 
celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só 
produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 
2018) (Regulamento) 
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.655, de 
2018) 
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os 
interesses gerais; (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 
II – (VETADO); (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de 
direito reconhecidos por orientação geral; (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 
LETRA D – INCORRETA. Vide Letra “C” e a impossibilidade de o compromisso conferir 
desoneração permanente de dever, do que se revela ilegítima transação sobre 
sanções. 
LETRA E – INCORRETA. A consulta pública vem tratada no art. 29 como uma 
possibilidade e há ressalva para os atos normativos de organização interna:Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade 
administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de 
consulta pública para manifestação de interessados, preferencialmente por meio 
eletrônico, a qual será considerada na decisão. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 
 
2 - B 
O princípio da moralidade prescreve o dever de o administrador agir segundo os 
padrões éticos da boa-fé, decoro, lealdade, honestidade e probidade, que não se dirige 
apenas à própria Administração e seus agentes, vinculando, em verdade, a atuação de 
todos aqueles que se relacionam com o Poder Público. 
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3 - E 
LETRA A – ERRADA. O art. 1o, par. único, da Lei Federal nº 12.527/2011, estabelece 
que estão subordinados ao seu regime os órgãos públicos integrantes da 
administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, 
e Judiciário e do Ministério Público, e as autarquias, as fundações públicas, as 
empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas 
direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios; 
LETRA B – ERRADA. De acordo com o art. 7º, § 2º, da Lei Federal nº 12.527/2011, 
quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela ser parcialmente 
sigilosa, é assegurado o acesso à parte não sigilosa por meio de certidão, extrato ou 
cópia com ocultação da parte sob sigilo; 
LETRA C – ERRADA. O art. 8º, § 4º, da Lei Federal nº 12.527/2011, dispõe que o 
Municípios com população de até 10.000 (dez mil) habitantes ficam dispensados da 
divulgação obrigatória na internet a que se refere o § 2o, mantida a obrigatoriedade de 
divulgação, em tempo real, de informações relativas à execução orçamentária e 
financeira, nos critérios e prazos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal; 
LETRA D – ERRADA. Segundo o art. 11, §§ 1º e 2º da Lei nº 12.527/2011, na 
impossibilidade de concessão de acesso imediato à informação disponível, o órgão ou 
entidade pública deverá conceder o acesso em prazo não superior a 20 dias, 
prorrogável por mais 10 dias, mediante justificativa expressa, da qual será cientificado 
o requerente; 
LETRA E – CORRETA. O art. 34 da Lei Federal nº 12.527/2011 estabelece que os órgãos 
e entidades públicas respondem diretamente pelos danos causados em decorrência da 
divulgação não autorizada ou utilização indevida de informações sigilosas ou 
informações pessoais, cabendo a apuração de responsabilidade funcional nos casos de 
dolo ou culpa, no artigo aplica-se à pessoa física ou entidade privada que, em virtude 
de vínculo de qualquer natureza com órgãos ou entidades, tenha acesso a informação 
sigilosa ou pessoal e a submeta a tratamento indevido. 
 
4 - E 
I – ERRADO. De acordo com o STF, a vedação ao nepotismo decorre diretamente dos 
princípios constitucionais da igualdade, moralidade, impessoalidade e eficiência, 
dispensando a edição de lei formal nesse sentido. Vide Súmula Vinculante 13 e AgrReg 
na MCna Rcl nº 6.702/PR. 
II – CORRETO. A publicidade dos atos administrativos é condição de eficácia dos atos 
administrativos, consagrada como regra geral no art. 37 da CF/88, prevendo a Lei de 
Improbidade, em seu art. 11, IV, ser ato de improbidade por atentado aos princípios da 
Administração Pública a negativa de publicidade. 
III – CORRETO. Segundo a Súmula nº 683 do STF: “o limite de idade para a inscrição em 
concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da CF/88, quando possa ser 
justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido”. 
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IV – CORRETO. Em sede de Repercussão Geral (RE nº 608.482), o STF firmou 
entendimento de que a teoria do fato consumado não se aplica ao candidato que 
tenha tomado posse em cargo público fruto de decisão liminar ou outro provimento 
judicial de natureza precária, posteriormente reformado. O fundamento é a ausência 
de boa-fé do beneficiário, na medida em que, desde a posse no cargo, o candidato 
sabia de sua natureza precária, sendo certo, ademais, que a cassação da liminar faz 
retornar o status quo ante, não havendo que se falar em proteção da confiança e 
estabilização da situação jurídica na espécie. 
 
5 – D 
Trata-se da literalidade do art. 26 da LINDB: 
Art. 26. Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na 
aplicação do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade 
administrativa poderá, após oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após 
realização de consulta pública, e presentes razões de relevante interesse geral, 
celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o qual só 
produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial. 
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo: 
I - buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os 
interesses gerais; 
II - (VETADO); 
III - não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de 
direito reconhecidos por orientação geral; 
IV - deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu 
cumprimento e as sanções aplicáveis em caso de descumprimento. (Incluído pela Lei 
nº 13.655, de 2018) 
(Grifamos)

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