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DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 3 SUMÁRIO SUMÁRIO .......................................................................................................................................................... 3 META 01 ............................................................................................................................................................ 5 QUAL DEVE SER O FOCO? ....................................................................................................................................5 1. ORIGEM, NATUREZA JURÍDICA E OBJETO DO DIREITO ADMINISTRATIVO .................................5 2. EVOLUÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO .............................................................................................6 3. INFLUÊNCIAS DO DIREITO ESTRANGEIRO: ...............................................................................................7 4. CRITÉRIOS DA ADMINISTRAÇÃO: .................................................................................................................8 4.1. Tendências atuais do Direito Administrativo ..................................................................................... 10 4.2. Transadministrativismo ............................................................................................................................ 11 5. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO ................................................................................................. 11 6. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO .............................................................................. 15 7. SISTEMAS DE CONTROLE DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA ......................................................... 16 8. SENTIDOS DA ADMINISTRAÇÃO ............................................................................................................... 17 8.1. Administração Pública Extroversa e Introversa ................................................................................ 18 9. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS ................................................................................................................. 19 9.1. Regime Jurídico Administrativo .............................................................................................................. 19 9.2. Princípios x regras ...................................................................................................................................... 21 9.3. Princípios Explícitos do Direito Administrativo ................................................................................. 22 9.4. Outros princípios administrativos .......................................................................................................... 38 QUESTÕES PROPOSTAS .................................................................................................................................... 67 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 5 META 01 TEMA DO DIA INTRODUÇÃO AO DIREITO ADMINISTRATIVO FILTRO DO TEMA NO BUSCADOR DO DIZER O DIREITO: DIREITO ADMINISTRATIVO – PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS QUAL DEVE SER O FOCO? 1. Supremacia do interesse público sobre o interesse privado. Indisponibilidade do interesse público. 2. Princípios expressos. LIMPE (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência) 1. ORIGEM, NATUREZA JURÍDICA E OBJETO DO DIREITO ADMINISTRATIVO O caso Blanco marca a origem do Direito Administrativo. Trata-se do clássico fato de uma criança Agnes Blanco, de 5 anos, atropelada por uma vagonete da companharia de manufatura de fumo da França. Em razão do conflito existente entre o Tribunal Administrativo e o Tribunal Judicial, a Corte de Conflitos entendeu que a competência, haja vista a presença de serviço público, era do Tribunal Administrativo. Por sua vez, no plano normativo, a Lei do 28 pluviose do ano VIII de 1800 é a certidão de nascimento do direito administrativo O Direito Administrativo compõe o ramo do Direito Público, pois tem como características e princípios marcantes a Supremacia do Interesse Público (relações jurídicas verticalizadas), a Indisponibilidade do Interesse Público e a Legalidade. Segundo Maria Sylvia Zanella di Pietro, o Direito Administrativo nasceu em fins do século XVIII e início do século XIX, não significando que inexistissem anteriormente normas administrativas, uma vez que onde quer que exista o Estado existem órgãos encarregados do exercício de funções administrativas. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 6 Nesse sentido, o Estado é pessoa jurídica de direito público, ainda que atuando na seara do Direito privado. Assim, o Estado pode atuar no direito público ou no direito privado; no entanto, sempre ostenta a qualidade de PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. O Direito Administrativo tem por objeto as relações por ele disciplinadas, a saber: a) relações internas entre órgãos e entidades administrativas; b) relações entre a administração e seus agentes; c) relações entre a administração e os seus administrados; d) atividades administrativas exercidas por prestadores de serviços públicos. 2. EVOLUÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO • Administração Patrimonialista: Não havia diferença entre os interesse pessoais dos agentes públicos e os interesses da própria administração; • Administração Burocrática: Superou o patrimonialismo ao adotar o princípio da impessoalidade. Foram criados rígidos controles sobre a atuação dos agentes públicos. Formou-se a burocracia, onde os agentes públicos devem obedecer aos procedimentos determinados e a rígida hierarquia e a separação de funções; • Administração Gerencial: É o modelo adotado na Administração moderna. Busca superar o modelo burocrático por meio da adoção do princípio da eficiência, que tem as seguintes consequências principais: o Utilização do controle de resultados substituindo o controle de meios; o Maior autonomia dos agentes/órgãos/entidades públicas; o Serviço orientado para o cidadão; o Utilização de indicadores de desempenho. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 7 Administração Pública Dialógica: Segundo Ronny Charles, Administração pública dialógica é uma tendência identificada em algumas atividades administrativas, notadamente na prestação de serviços públicos e contratações de grandes empreendimentos, que consiste na abertura de diálogo com os administrados, permitindo que eles colaborem para o aperfeiçoamento ou a legitimação da atividade administrativa. 3. INFLUÊNCIAS DO DIREITO ESTRANGEIRO: Às vezes cai em prova e ajuda a resolver determinadas questões, motivo pelo qual é importante abrir um tópico rápido acerca das influências do direito estrangeiro no direito administrativo brasileiro. • Direito alemão - o direito administrativo brasileiro herdou a inspiração para aplicação do princípio da segurança jurídica, especialmente sob o aspecto subjetivo da proteção à confiança • Direito francês - herdou o conceito de serviço público, a teoria dos atos administrativos com o atributo da executoriedade, as teorias sobre responsabilidade civil do Estado, o princípio da legalidade, a teoria dos contratos administrativos, as formas de delegação da execução de serviços públicos, a ideia de que a Administração Pública se submete a um regime jurídico de direito público, derrogatório e exorbitante do direito comum, que abrange o binômio autoridade/liberdade.; • Direito italiano - recebeu o conceito de mérito, o de autarquia e entidade paraestatal (dois vocábulos criados no direito italiano). Os autores italianos (ao lado dos alemães) também contribuíram para a adoção de um método técnico-científico. • Direito inglês (Sistema da common law) - o direito administrativo brasileiro herdou o princípio da unidade de jurisdição,o mandado de segurança e o mandado de injunção, o princípio do devido processo legal, inclusive, mais recentemente, em sua feição substantiva, e que DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 8 praticamente se confunde com o princípio da razoabilidade. Em fins do século XX, também herdou do sistema common law o fenômeno da agencificação e a própria ideia de regulação. 4. CRITÉRIOS DA ADMINISTRAÇÃO: O direito administrativo é ramo jurídico, e como tal, se dedica ao estudo das regras e normas, sendo caracterizada como ciência normativa, impositiva que define os limites dentro dos quais a gestão pública pode ser executada. Várias foram as correntes/teorias que buscaram definir o direito administrativo. Nessa linha, vejamos as principais delas: a) Corrente Legalista (Exegética): O direito administrativo seria o conjunto da legislação administrativa existente no país => Se limitava a fazer compilação de leis e desconsiderava doutrina e jurisprudência. Crítica: A grande crítica do critério legalista foi desconsiderar a carga normativa dos princípios. Dessa forma só era valorado o que estivesse em lei. b) Critério do Poder Executivo: O Direito Administrativo seria um complexo de leis disciplinadoras da atuação do poder executivo. Crítica: O Direito Administrativo não se resume à disciplina do Poder Executivo, afinal, todos os Poderes administram, embora, para alguns, isso constitua missão atípica. E mais: no Poder Executivo, nem tudo é objeto do Direito Administrativo, como são as funções de governo, regidas pelo Direito Constitucional. c) Critério das relações jurídicas: O Direito Administrativo é a disciplina das relações jurídicas entre a Administração e o particular. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 9 Crítica: Devemos recordar que outros ramos do direito, de igual modo, regulam a relação jurídica entre particular e Estado, por exemplo, os contratos privados pactuados que são regidos pelo direito civil. d) Critério do Serviço Público (França): O Direito Administrativo teria por objetivo a disciplina jurídica dos serviços públicos => Escola do Serviço Público (Leon Duguit). • Sentido amplo (Leon Duguit): Inclui todas as atividades do Estado; • Sentido Estrito (Gaston Jeze): Inclui apenas atividades materiais. Crítica: Referido conceito é bastante restrito, isto porque, na atualidade, a ideia de prestação de serviço público vem sofrendo restrições, de modo que a administração pública não se limita tão somente a execução dessa prestação. O Estado faz muitas atividades além da mera prestação do serviço público, sendo este último apenas uma das facetas. Por exemplo, atua na exploração de atividade econômica na busca do interesse público. e) Critério teleológico ou finalístico: O Direito Administrativo é sistema de princípios jurídicos que regula as atividades do Estado para o cumprimento dos seus fins - É definição incompleta. Crítica: Essa posição apresenta-se como a mais correta, porém não consegue abranger integralmente o conceito da matéria, de forma que não é adotada de forma majoritária. f) Critério Negativista: O Direito Administrativo seria conceituado por exclusão. Crítica: não posso definir algo pelo que ele não é. Embora não tenha um erro grosseiro, ele não pode ser usado como forma de conceituação do direito administrativo. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 10 g) Critério Funcional: O Direito Administrativo é ramo jurídico que estuda e analisa a disciplina da função administrativa, esteja ela sendo exercida pelo executivo, legislativo, judiciário ou por delegação estatal. HELY LOPES: DIREITO ADMINISTRATIVO É O CONJUNTO HARMÔNICO DE PRINCÍPIOS QUE REGEM OS ÓRGÃOS, OS AGENTES E AS ATIVIDADES PÚBLICAS TENDENTES A REALIZAR, CONCRETA, DIRETA E IMEDIATAMENTE, OS FINS DESEJADOS PELO ESTADO. • Direta: não se confunde com a função jurisdicional, que é indireta por depender de provocação. Desse modo, ao se falar que a atuação é direta quer-se dizer que ela atua de ofício, não dependendo de provocação. Reitero, NÃO depende de provocação para que haja atuação administrativa, ela é DIRETA. • Concreta: diferente da legislativa, que é geral e abstrata - não atinge pessoas específicas, a função administrativa é concreta porque se materializa em casos concretos. • Imediata: realiza os fins do Estado (necessidades do Estado). Quem define os fins do Estado, por sua vez, é o Direito Constitucional. * INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO – PRESSUPOSTOS (HELY LOPES): • Desigualdade jurídica entre a Administração e os administrados; • Presunção de legitimidade; Necessidade de poderes discricionários para a Administração atender ao Direito Público. Já caiu em prova: De acordo com o critério teleológico, o direito administrativo é um conjunto de normas que regem as relações entre a administração e os administrados. Gab. ERRADO. O enunciado da questão contempla a definição do critério das relações jurídicas. 4.1. Tendências atuais do Direito Administrativo Para Rafael Oliveira (2018, p. 58), o Direito Administrativo tem sofrido profundas transformações, cabendo destacar as seguintes mutações e tendências: a) Constitucionalização e DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 11 aplicação do princípio da juridicidade; b) Relativização de formalidades e ênfase no resultado; c) Elasticidade do Direito Administrativo, com diálogo com outras disciplinas; d) Consensualidade e participação; e) Processualização e contratualização da atividade administrativa; f) Publicização do Direito Civil e privatização do Direito Administrativo; e g) Aproximação entre a Civil Law e a Common Law. 4.2. Transadministrativismo Diogo de Figueiredo Moreira Neto adota a tese de que existe um novo ramo do Direito Administrativo denominado transadministrativismo. O transadministrativismo é a disciplina jurídica das relações assimétricas de poder que se institucionaliza consensualmente fora e além do Estado. Trata-se de um direito administrativo transnacional, fenômeno semelhante ao transconstitucionalismo. Para Diogo de Figueiredo, o direito administrativo global é um gênero, do qual o direito administrativo transestatal (transadministrativismo) é espécie. O transadministrativismo refere-se exclusivamente ao produto normativo desses centros de poder transestatais: aqueles que se originam de necessidades ordinatórias das diversas sociedades, que não são providas pelos Estados. 5. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO A doutrina costuma apontar a existência de cinco fontes principais deste ramo do Direito, quais sejam: a lei, a jurisprudência, a doutrina, os princípios gerais e os costumes. ▪ Lei – Fonte Primária – qualquer espécie normativa (lei em sentido amplo); · A lei se apresenta como sendo a fonte primária do direito administrativo, pois inova no ordenamento jurídico. A atuação administrativa tem que ser pautada pela lei, só existe a atuação do administrador se houver permissivo legal nesse sentido (princípio da legalidade). DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 12 · Em se tratando de Direito Administrativo, a lei deve ser interpretada em sentido amplo, de modo a abarcar não só a lei em sentido estrito, mas como as normas constitucionais, os regulamentos administrativos e os tratados internacionais. · Trata-se, portanto, a consagração da ideia de juridicidade, de modo que o administrador público deve obediência à lei e ao Direito. ▪ Jurisprudência – Fonte Secundária. Julgamentos reiterados no mesmo sentido. Súmula é a consolidação da Jurisprudência; · A jurisprudência se traduz na reiteração de julgados dos órgãos do judiciário, travando uma orientação acerca de determinada matéria. Trata-se de fonte secundária do D. Administrativo, de grande influência na construção e consolidação desse ramo. ▪ Doutrina – Fontesecundária: forma o sistema teórico de princípio aplicável ao Direito Positivo. · É fonte secundária. Refere-se a lição dos mestres e estudiosos da matéria, ensejando a formação de arcabouço teórico. É fonte interpretativa, sistema teórico. Expõe uma interpretação sobre aquela determinada matéria ou lei, ao estabelecer o que provavelmente a referida buscava, ou seja, sua razão/sentido. ▪ Costumes – Práticas reiteradas da autoridade administrativa Elementos do costume: • Elemento objetivo: repetição de condutas; • Elemento subjetivo: Convicção de sua obrigatoriedade. Espécies de costumes: • Secundum legem: previsto ou admitivo pela lei; • Praeter legem: preenche as lacunas normativas, possuindo caráter subsidiário; • Contra legem: Se opõem à norma legal. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 13 OBSERVAÇÃO: Para o autor Rafael Carvalho, “ressalvado o costume contra legem, o costume é fonte autônoma do Direito Administrativo. A releitura do princípio da legalidade, com a superação do positivismo, a textura aberta de algumas normas jurídicas e a necessidade de consideração da realidade social na aplicação do Direito demonstram que os costumes devem ser considerados como fontes do Direito Administrativo”, pg. 25. COSTUME SOCIAL COSTUME ADMINISTRATIVO De acordo com Matheus Carvalho, “os costumes sociais se apresentam como um conjunto de regras não escritas, que são, todavia, observadas de modo uniforme por determinada sociedade, que as considera obrigatórias. Ainda considera-se fonte relevante do Direito Administrativo, tendo em vista a deficiência legislativa na matéria”. Na dicção de Matheus Carvalho: “o costume administrativo é caracterizado como prática reiteradamente observada pelos agentes administrativos diante de determinada situação concreta. A prática comum na Administração Pública é admitida em casos de lacuna normativa e funciona como fonte secundária de Direito Administrativo, podendo gerar direitos para os administrados, em razão dos princípios da lealdade, boa-fé, moralidade administrativa, entre outros”. CESPE/2016 - A jurisprudência e os costumes não são fontes do direito administrativo. Item incorreto. ▪ Princípios Gerais do Direito – estão na base da disciplina/alicerce. Exs.: Ninguém pode causar dano a outrem. É vedado o enriquecimento ilícito. Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. ▪ Precedentes Administrativos – Pressupõe a prática reiterada e uniforme de atos administrativos em situações similares. A teoria dos precedentes administrativos é aplicada em relações jurídicas distintas que apresentam identidade subjetiva e objetiva. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 14 A força vinculante do precedente administrativo decorre da segurança jurídica, e pode ser afastada pela Administração em duas situações, hipóteses em que se pode aplicar a TEORIA DO PROSPECTIVE OVERRULING: • Quando o ato invocado pelo precedente for ilegal; • Quando o interesse público, devidamente motivado, justificar a alteração do entendimento administrativo. Em alguns casos, o caráter vinculante dos precedentes tem previsão legal expressa, como a LC 73/1993, ao dispor que o parecer aprovado e publicado com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. O precedente administrativo, em princípio, só é exigível quando estiver em compatibilidade com a legislação. Porém, excepcionalmente, mesmo em relação a atos ilegais, os precedentes administrativos retiram a sua força vinculante dos princípios da legítima confiança, segurança jurídica e boa-fé. Resumindo... FONTE PRIMÁRIA 1) Lei - em sentido material/amplo: qualquer espécie normativa FONTES SECUNDÁRIAS 1) Jurisprudência 2) Doutrina 3) Costumes - secundum legem e praeter legem 4) Princípios Gerais do Direito. FONTES FORMAIS 1) Constituição 2) Lei 3) Regulamento e outros atos normativos da Administração Pública. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 15 FONTES MATERIAIS 5) Jurisprudência (sem efeito vinculante) 6) Doutrina 7) Costumes - secundum legem e praeter legem 8) Princípios Gerais do Direito. No concurso da PGE AL (CESPE - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Quanto às fontes do Direito Administrativo, assinale a afirmativa correta: A) O Código Civil tem aplicação imediata nos contratos administrativos. B) O Código de Processo Civil tem aplicação supletiva e subsidiária nos processos administrativos. C) A Constituição não tem aplicação imediata no Direito Administrativo, mas de forma supletiva à legalidade. D) O Código Penal tem aplicação circunscrita a ilícitos administrativos tipificados nos respectivos regulamentos. E) A Lei de Sociedades Anônimas não se aplica às autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista. A alternativa considerada correta foi a letra B. 6. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO A interpretação em Direito Administrativo deve se pautar em 3 (três) pressupostos básicos, quais sejam: (1) Desigualdade entre a administração e o particular (desigualdade jurídica) - Toda vez que se interpreta uma norma do direito administrativo, devemos recordar que existe uma desigualdade jurídica, posto que a Administração atua com supremacia em face ao particular (princípio da supremacia do interesse público sobre o privado). (2) Presunção de legitimidade dos atos praticados pela Administração - Os atos praticados pela administração são presumivelmente legítimos, ou seja, presume-se que ele foi praticado em conformidade com o ordenamento jurídico (lembre-se: atributo do ato administrativo: presunção de legitimidade e de veracidade, trata-se de presunção relativa). (3) Necessidade de discricionariedade – A discricionariedade é indispensável para que o administrador possa concretizar a norma geral e abstrata prevista. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 16 Analogia: NÃO pode ser utilizada para fundamentar a aplicação de sanções ou gravames aos particulares, especialmente no campo do poder de polícia e poder disciplinar. Para Diogo de Figueiredo Moreira Neto, a analogia não é permitida no Direito Administrativo, em razão do princípio da legalidade. Admitir a analogia seria permitir que a Administração impusesse uma obrigação não prescrita em lei. Para Alexandre Santos de Aragão, é possível a utilização da analogia no Direito Administrativo quando a aplicação da regra com base na analogia for suficiente para regular determinado caso concreto e ao mesmo tempo atender às finalidades da Constituição. No entanto, a analogia com base em outra disciplina jurídica não é possível, tendo em vista o princípio da legalidade. 7. SISTEMAS DE CONTROLE DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA a) Sistema Francês (contencioso administrativo) • Dualidade de jurisdição; • Proíbe o conhecimento, pelo Poder Judiciário, de atos ilícitos praticados pela Administração, ficando os atos sujeitos à jurisdição especial do contencioso administrativo. No concurso da PGM Jundiaí - SP (FUNDATEC - 2019), o tema foi cobrado da seguinte forma: Assinale a alternativa correta a respeito do direito administrativo brasileiro. A) Excetuadas as decisões do Tribunal de Contas da União, no Brasil prevalece o princípio da inafastabilidade da jurisdição, no qual o contencioso administrativo submete-se à decisão final do Poder Judiciário. B) O direito administrativo pátrio recebeu grande contribuição do sistema francês, tendo adotado vários dos seus institutos jurídicos, exceto quanto ao contencioso administrativo. C) A exigência de que a utilização da reclamação contra ato ou omissão da Administração Pública que contraria súmula vinculante somente possa ser admitida após o esgotamento das vias administrativas violaa Constituição Federal. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 17 D) A responsabilidade civil do Estado e a presença de cláusulas exorbitantes no contrato administrativo são exemplos de institutos constituídos no sistema jurídico do direito anglo- saxão e adotados no Brasil por influência do direito norte-americano. E) Como o direito brasileiro não adotou o instituto da coisa julgada administrativa, a Administração Pública pode anular os seus próprios atos, a qualquer tempo, ainda que deles decorram efeitos favoráveis ao administrado. A alternativa considerada correta foi a letra B. b) Sistema Inglês (Sistema de jurisdição única) • Todos os litígios podem ser resolvidos na justiça comum; • Sistema adotado pelo Brasil – contudo, já houve a previsão do tribunal constitucional de contencioso no Brasil na EC 7/77, mas nunca foi implementado. Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte assertiva: O controle da Administração Pública no Brasil é realizado por meio do sistema do contencioso administrativo. 8. SENTIDOS DA ADMINISTRAÇÃO A expressão Administração Pública pode ser analisada sob seu aspecto formal/ subjetivo/ orgânico ou sob seu aspecto material/objetivo. a) Formal, Orgânico ou Subjetivo: É o conjunto de órgãos e funções estatais no exercício da função administrativa. – importa apenas quem realiza a atividade, sendo irrelevante qual a atividade por eles desempenhada. “O sentido subjetivo, formal ou orgânico da Administração Pública compreende pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos que são incumbidos de exercer uma das funções estatais: a função administrativa” b) Material ou Objetivo: Se confunde com função administrativa, sendo a atividade administrativa exercida pelo Estado. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 18 “Por sua vez, administração pública (em letra minúscula), considerada com base no critério material ou objetivo se confunde com a função administrativa, devendo ser entendida como atividade administrativa exercida pelo Estado, designando a atividade consistente na defesa concreta do interesse público”. • A Administração Pública, em sentido amplo, objetivamente considerada, compreende a FUNÇÃO POLÍTICA + FUNÇÃO ADMINISTRATIVA. TAREFAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: ➢ Prestação de serviços públicos; ➢ Exercício do Poder de Polícia; ➢ Regulação de atividades de interesse público (fomento); ➢ Controle da atuação do Estado Resumindo: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO FORMAL, ORGÂNICO OU SUBJETIVO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM SENTIDO MATERIAL, FUNCIONAL OU OBJETIVO: Conjunto de órgãos e agentes no exercício da função administrativa. É a própria atividade administrativa desempenhada pelo Estado. 8.1. Administração Pública Extroversa e Introversa Diogo de Figueiredo Moreira Neto diferencia esses termos da seguinte forma: Administração Introversa Administração Extroversa corresponde à atividade-meio da Administração. É instrumental, atende ao interesse público secundário e não atinge corresponde à atividade-fim da Administração. É finalística, atende ao interesse público primário e atinge diretamente os cidadãos. É DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 19 diretamente os cidadãos. Também é atribuída a todos os órgãos administrativos; atribuída apenas aos entes políticos. Exemplo: poder de polícia. 9. PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS 9.1. Regime Jurídico Administrativo É o conjunto de regras e princípios que regem a Administração Pública. Celso Antônio Bandeira de Mello defende a existência de verdadeiras “PEDRAS DE TOQUE” no Direito Administrativo, quais sejam: • Princípio da supremacia do interesse público sobre o privado: Os interesses coletivos devem prevalecer ao interesse particular; • Princípio da indisponibilidade do interesse público: O interesse público não se encontra à livre disposição do administrador. Vamos aprofundar um pouco? Conforme Rafael Carvalho, o fenômeno da constitucionalização do ordenamento jurídico abalou alguns dos mais tradicionais dogmas do Direito Administrativo, a saber: a) a redefinição da ideia de supremacia do interesse público sobre o privado e a ascensão do princípio da ponderação de direitos fundamentais. A partir dessa distinção, a doutrina tradicional sempre apontou para a superioridade do interesse público primário (e não do secundário) sobre o interesse privado. Atualmente, no entanto, com a relativização da dicotomia público x privado, a democratização da defesa do interesse público e a complexidade (heterogeneidade) da sociedade atual, entre outros fatores, vêm ganhando força a ideia de “desconstrução” do princípio da supremacia do interesse público em abstrato. Portanto, não existe um interesse público único, estático e abstrato, mas sim finalidades públicas normativamente elencadas que não estão necessariamente em confronto com os interesses privados, razão pela qual seria mais adequado falar em “princípio da finalidade pública”, em vez do tradicional “princípio da supremacia do interesse público”, o que reforça a ideia de que a atuação estatal deve sempre estar apoiada em finalidades públicas, não egoístas, DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 20 estabelecidas no ordenamento jurídico. A atuação do Poder Público não pode ser pautada pela supremacia do interesse público, mas, sim, pela ponderação e máxima realização dos interesses envolvidos Interesse público primário x interesse público secundário O interesse público primário é aquele relacionado à satisfação das necessidades coletivas (justiça, segurança, bem comum do grupo social etc.), perseguido pelo exercício das atividades-fim do Poder Público, enquanto o interesse público secundário corresponde ao interesse individual do próprio Estado, estando relacionado à manutenção das receitas públicas e à defesa do patrimônio público, operacionalizadas mediante exercício de atividades-meio do Poder Público (Ricardo Alexandre, 2018). As seguintes assertivas foram consideradas corretas em provas: • A supremacia do interesse público é considerada, pela doutrina, como um princípio implícito da administração pública. • O princípio da supremacia do interesse público não desconsidera os interesses particulares/individuais, não obstante informa ao agente administrativo que o interesse público prevalece sobre interesses privados. (DPC ES, 2019). • Os contratos administrativos se distinguem dos contratos privados celebrados pela Administração Pública pelo fato de assegurarem a esta certos poderes ou prerrogativas que a colocam em posição de superioridade diante do particular contratado, a fim de que o interesse público seja preservado. • Entende-se por poder de polícia a atividade da Administração Pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato. É correto afirmar que o princípio que fundamenta o exercício desse poder da Administração é: Princípio da supremacia do interesse público. • O princípio da supremacia do interesse público não se radica em dispositivo específico da CR/88, ainda que inúmeros aludam ou impliquem manifestações concretas dele. (DPC MG, 2018). DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 21 • O administrador, quando gere a coisa pública conforme o que na lei estiver determinado, ciente de que desempenha o papel de mero gestor de coisa que não é sua, observa o princípio da indisponibilidade do interesse público. • A supremacia do interesse público sobre o privado e a indisponibilidade do interesse público se constituem em supraprincípios, que refletem a dualidade existente no exercício da função administrativa. 9.2. Princípios x regras 9.2.1. Princípios Hoje são consideradas normas jurídicas primárias. Assim seu estudo ganhou força e importância nos últimos anos.• Possuem grau de abstração maior do que as regras, pois admitem uma série indefinida de aplicações. • São Mandamentos de otimização, que determinam a realização de algo na maior medida possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes, admitindo aplicação gradativa. • Colisão de princípios: ponderação de interesses no caso concreto. • Condensam os valores fundamentais da ordem jurídica, e se irradiam sobre todo o sistema jurídico, garantindo-lhe harmonia e coerência. • Encerram ideias centrais de um sistema e dão sentido lógico e harmonioso às demais normas que regulamentam o Direito Administrativo, possibilitando sua melhor organização. CATEGORIAS Princípios fundamentais: Representam decisões políticas estruturais do Estado, servindo de matriz para todas as demais normas constitucionais; Princípios gerais: Em regra, são importantes especificações dos princípios fundamentais, possuindo menor grau de abstração e irradiando-se sobre todo ordenamento jurídico. Ex: Princípio da isonomia e da legalidade. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 22 Princípios setoriais ou especiais: Se aplicam a determinado tema, capítulo ou título da Constituição. Ex: L.I.M.P.E – Art. 37 CF (princípios explícitos da Constituição/88) 9.2.2. Regras: • Direcionam-se a situações determinadas; • Estabelecem a forma e o momento de atuação do ente público, em observância a um determinado acontecimento que precipita suas atividades. • O conflito de regras é resolvido na dimensão da validade (“tudo ou nada”), ou seja, a regra é válida ou inválida, a partir dos critérios de especialidade, hierarquia e cronológico (Dworkin). • Em alguns casos, o conflito entre regras pode ser resolvido pela dimensão do peso e, não necessariamente, pelo critério de validade. Ex: vedação à concessão de liminar contra a Fazenda que esgote o objeto do litígio. 9.3. Princípios Explícitos do Direito Administrativo Assim denominados pois constam expressamente no art. 37 da CF/88. São eles: • Legalidade • Impessoalidade • Moralidade • Publicidade • Eficiência Obs.: Além dos princípios expressos pelo Direito Administrativo existem princípios implícitos (ou reconhecidos) extraídos pela interpretação sistemática reconhecidos pela jurisprudência e doutrina. PRINCÍPIOS EXPRESSOS PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS • Legalidade • Impessoalidade • Moralidade • Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade • Princípio da Supremacia do Interesse Público Sobre o Privado (Princípio da Finalidade Pública) file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377966 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377966 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 23 • Publicidade • Eficiência • Princípio da Autotutela ou Sindicabilidade • Princípio Da Continuidade Do Serviço Público • Princípio da Motivação • Princípio da Ampla Defesa e Contraditório • Princípio da Segurança Jurídica e Legítima Confiança • Princípio da Intranscendência Subjetiva das Sanções Já caiu em prova e foi considerada correta a seguinte assertiva: Legalidade, publicidade, impessoalidade, moralidade e eficiência são classificadas, pela doutrina, como princípios expressos da administração pública por possuírem previsão normativa inserta no texto da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 com aplicação direta ao campo do direito administrativo. 9.3.1. Legalidade (juridicidade) Pelo princípio da legalidade, a atuação da administração pública subordina-se à lei, de modo que o agente público somente poderá fazer o que proclama a lei. Assim, não havendo previsão legal, está proibida a atuação do ente público e qualquer conduta praticada de forma arbitrária por ele. O administrador público somente pode atuar conforme determina a lei (subordinação à lei). Ressalta-se que a legalidade no âmbito do direito administrativo não se confunde com a legalidade privada, em que é permitido fazer tudo que não é proibido (autonomia privada). Ex.: O princípio da legalidade veda à administração a prática de atos inominados, embora estes sejam permitidos aos particulares. LEGALIDADE ADMINISTRATIVA LEGALIDADE PRIVADA file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377967 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377968 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377969 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377970 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377971 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377971 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377972 file:///C:/Users/Usuario/APROVACAOPGE%20-%20DROPBOX/Dropbox/Resumos%20-%20Gheros/Aprovação%20PGE/DIREITO%20ADMINISTRATIVO/01%20-%20Introdução%20ao%20Direito%20Administrativo.docx%23_Toc68377972 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 24 A atuação da administração pública subordina-se à lei, de modo que o agente público somente poderá fazer o que proclama a lei Vigora a autonomia privada. Por isso, o particular pode fazer tudo aquilo que a lei não proibir. Só deve deixar de fazer se estiver expressamente proibido em lei. Note a flagrante diferença entre os regimes jurídicos de direito público e direito privado, posto que, neste último é possível realizar tudo o que a lei não proíbe, ao passo que, no primeiro, o administrador somente pode atuar mediante previa autorização legal. Já caiu em prova e foi considerada correta a seguinte assertiva: A legalidade administrativa é diferente da legalidade civil, uma vez que aquela dita o limite da atuação do administrador público, conforme imposto pela lei e esta permite ao particular aquilo que a lei não proíbe. Já caiu em prova e foi considerada incorreta a seguinte assertiva: Em consonância com o princípio da legalidade, estatuído no artigo 37, caput, da CR/88, a Administração Pública pode fazer tudo o que a lei não proíbe. Comporta dois desdobramentos: 1. Supremacia da lei: A lei prevalece e tem preferência sobre os atos da Administração. - Relaciona-se com a doutrina da NEGATIVE BINDUNG (VINCULAÇÃO NEGATIVA), segundo a qual a lei representa uma limitação à vontade do Administrador. 2. Reserva de lei: o tratamento de certas matérias deve ser formalizado necessariamente pela legislação. - Relaciona-se com a POSITIVE BINDUNG (VINCULAÇÃO POSITIVA), condiciona a validade da atuação dos agentes públicos à prévia autorização legal. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 25 * Atualmente, prevalece a ideia da vinculação positiva da Administração à lei, ou seja, a atuação do administrador depende de prévia habilitação legal para ser legítima. Considerações importantes:• A legalidade deve ser reinterpretada a partir da constitucionalização do Direito Administrativo. • A legalidade encontra-se inserida no denominado PRINCÍPIO DA JURIDICIDADE, que exige a submissão da atuação administrativa à lei e ao Direito => Exige-se compatibilidade com o BLOCO DE LEGALIDADE. Pelo princípio da juridicidade, deve se respeitar, inclusive, a noção de legitimidade do Direito. • Difere do princípio da legalidade na esfera privada (princípio da não contradição à lei). Segundo Rafael Oliveira, a legalidade se desdobra em supremacia da lei - a lei prevalece e tem preferência sobre os atos da Administração - e em reserva de lei - o tratamento de certas matérias deve ser formalizado necessariamente pela legislação, excluindo a utilização de outros atos com caráter normativo. ATENÇÃO AOS CONCEITOS: I) Juridicidade: Compatibilidade com todo ordenamento jurídico; II) Legalidade: Verificar se o ato se compatibiliza com as exigências formais ou padrões materiais da lei; III) Legitimidade: É o ato que observa não só as formalidades prescritas ou não defesas em lei, mas se há adequação aos princípios da boa administração, dentro de padrões razoáveis, morais e dos princípios constitucionalmente reconhecidos. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 26 IV) Economicidade: Foco no binômio custo/ benefício em face do meio utilizado para satisfação social, junto ao controle de eficiência da gestão financeira, para atingir melhor índice de resultado. O QUE É O PRINCÍPIO DA RESPONSIVIDADE? Consoante entendimento de Diogo de Figueiredo, a responsividade é um dos princípios modernos que norteia a atuação da Administração Pública. Determina que, ao atuar, a Administração não obedeça apenas à legalidade, mas também à legitimidade e ao princípio democrático, ou seja, que atue de modo a atender os anseios da população. É, então, inegavelmente, um dever jurídico autônomo dos agentes do Poder Público para, ao perfazerem suas escolhas discricionárias, observarem as demandas da sociedade. → Há exceções ao princípio da legalidade administrativa? Segundo o Prof. Celso Antônio Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 26ª Ed., pág. 105 e 126-136), é possível apontar três restrições excepcionais ao princípio da legalidade: a) Estado de defesa; b) Estado de sítio e c) Medida provisória. Nesses três casos, deve a Administração atuar, mesmo que não haja lei regulamentando sua atuação, o que revela a mitigação da obrigatoriedade do princípio da legalidade. 9.3.2. Princípio da impessoalidade Pelo princípio da impessoalidade, a atuação da administração pública deve ser imparcial, não visando beneficiar ou prejudicar pessoa determinada, tendo em vista que a sua atuação está voltada à busca do interesse público em geral. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 27 Obs.: Para o professor Hely Lopes Meirelles (doutrina minoritária), o princípio da impessoalidade nada mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para atingir o objetivo indicado expressa ou virtualmente pela norma de direito, de forma impessoal. Reflete a necessidade de uma atuação que não discrimina as pessoas, seja para benefício ou para prejuízo. Possui duas acepções: i. Igualdade ou isonomia: A Administração deve dispensar tratamento impessoal e isonômico aos particulares para atender a finalidade pública. Ex.: realização de concurso público é uma forma de observar o princípio da igualdade ou isonomia e princípio republicano*. *APROFUNDANDO: Desde a edição da Constituição da República Federativa do Brasil, efetivou-se, dentro da ordem constitucional jurídica vigente, o princípio republicano, que consagra a igualdade de acesso aos cargos e empregos públicos a todos os brasileiros natos e naturalizados, bem como aos estrangeiros na forma da lei, conforme dicção do art. 37, I, da CRFB. ii. Proibição de promoção pessoal: Vedação do exercício da máquina pública para atingir interesses particulares. Art. 37, § 1º, CF: A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. JURISPRUDÊNCIA. STF. RE. 191668. Supremo entendeu que a inclusão de slogan de partido político na publicidade dos atos governamentais também ofende o art. 37§1º da Constituição Federal. OBSERVAÇÃO: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 28 Súmula Vinculante 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. Segundo Odete Medauar, os princípios da impessoalidade, moralidade e publicidade tem ligação profunda, mais que isso, há uma instrumentalização recíproca. Dessa forma, a impessoalidade é considerada um meio para atuações dentro da moralidade, enquanto a publicidade vai dificultar medidas contrárias à moralidade e impessoalidade, além da moralidade administrativa implicar observância da impessoalidade e da publicidade. A Lei nº 14.230/2021 passou a prever expressamente que a prática do nepotismo configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (...) XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) 9.3.3. Princípio da moralidade http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 29 Atuação segundo padrões éticos de probidade e decoro. Exige honestidade, lealdade, boa-fé de conduta no exercício da função administrativa. Não se confunde com a “moral social”. O princípio da moralidade traduz a ideia de honestidade, obediência a princípios éticos, boa- fé, lealdade, boa administração, correção de atitudes. É diferente da moralidade comum (certo e errado do convívio social) por ser mais rígida, exigindo a correção de atitudes e a boa administração. Trata-se, portanto, da atuação segundo padrões éticos de probidade e decoro. Nessa esteira, segundo Matheus Carvalho (Manual de D. Administrativo, 2014), “trata-se de princípio que exige a honestidade, legalidade, boa-fé de conduta no exercício da função administrativa, ou seja, a atuação não corrupta dos gestores públicos, ao tratar com a coisa de titularidade do Estado”. Odete Medauar aponta que a açãopopular é um dos instrumentos constitucionais para sancionar a inobservância da moralidade, uma vez que pode ser proposta por qualquer cidadão para anular ato lesivo à moralidade administrativa. → A prática do nepotismo na Administração Pública viola o princípio da moralidade? R.: De acordo com o STF, nepotismo significa “proteção”, “apadrinhamento”, que é dado pelo superior para um cônjuge, companheiro ou parente seu, contratado para o cargo ou designado para a função em virtude desse vínculo. Isso ofende a moralidade. Ressalta-se que o nepotismo é vedado em qualquer dos Poderes da República por força dos princípios constitucionais da impessoalidade, eficiência, igualdade e moralidade, independentemente de previsão expressa em diploma legislativo. Assim, o nepotismo não exige a edição de uma lei formal proibindo a sua prática, uma vez que tal vedação decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput, da CF/88 (STF Rcl 6.70+2/PR-MC-Ag) No entanto, o STF tem afastado a aplicação da SV 13 (que veda o nepotismo) a cargos públicos de natureza política. Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido a permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento de que tal prática não configura nepotismo. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 30 Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de cargo político em 2 casos: 1) Caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018. 2) Em casos de fraude à lei. Súmula vinculante 13-STF: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. (MUITO IMPORTANTE!) A Lei nº 14.230/2021 passou a prever expressamente que a prática do nepotismo configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (...) XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 31 ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Todavia, o art. 11, § 5º, da Lei 8.429/92, estabelece que não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do agente. Dissecando a Súmula Vinculante 13 e o dispositivo legal (art. 11, inciso XI, da Lei nº 8.429/92) para facilitar a memorização: → Quem não pode ser nomeado? R: Cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento ▪ Cônjuge, ▪ Companheiro ▪ Parente em linha reta, ▪ Parente colateral até o 3ª grau, inclusive ▪ Parente por afinidade até o 3º grau, inclusive ➢ da autoridade nomeante ou ➢ de servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento → Não pode ser nomeado para o que? http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 32 R.: Para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas viola a Constituição Federal ▪ Cargo em comissão ▪ Cargo em confiança ▪ Função gratificada Vamos relembrar... CARGO EM COMISSÃO CARGO EM CONFIANÇA ou FUNÇÃO DE CONFIANÇA Cargo baseado na confiança, de livre nomeação e livre exoneração (exoneração ad nutum), para atividades de direção, chefia e assessoramento. Pode ser ocupado por qualquer pessoa, mas deve ser guardado um percentual para quem já é de carreira. Cargo também baseado na confiança, para atividades de direção, chefia e assessoramento. No entanto, somente quem ocupa cargo efetivo pode ser nomeado. CF, Art. 37, V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) → E o nepotismo cruzado? Também é vedado? DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 33 A parte final da súmula proíbe o nepotismo no ajuste, mediante redesignações recíprocas. Não pode na mesma pessoa jurídica, mas também não pode trocar de parentes, não pode nepotismo cruzado. A União concede um cargo comissionado para um primo do governador, e o governador para um irmão do presidente. Redesignações recíprocas é o nepotismo cruzado, o que é vedado. Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte afirmativa: O acordo de designações reciprocas, a despeito de ser prática socialmente reprovada, não chega a constituir violação aos princípios da moralidade, impessoalidade, eficiência e isonomia. No concurso da PGE AL (CESPE - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Suponha que determinado governador de estado tenha nomeado: • Lúcio, seu tio, para cargo em comissão em seu gabinete; • Ana, sua prima, para chefe de seu gabinete; • Tatiana, sua filha, aprovada em concurso público, para o cargo de auditor fiscal do estado. Nessa situação hipotética, foi respeitado o princípio da moralidade administrativa, por não se ter contrariado a vedação ao nepotismo, somente na nomeação de A) Ana. B) Lúcio e na de Tatiana. C) Lúcio e na de Ana. D) Ana e na de Tatiana. E) Tatiana. A alternativa considerada correta foi a letra D. No concurso da PGE RS (FUNDATEC - 2021), o tema foi cobrado da seguinte forma: Analise as assertivas abaixo: I. A vedação ao nepotismo não exige a edição de lei formal para coibir a prática, dado que essa proibição decorre diretamente dos princípios contidos no Art. 37, caput, da Constituição Federal. II. Nos termos do Art. 37, § 6º, da Constituição Federal, não se caracteriza a responsabilidade civil objetiva do Estado por danos decorrentes de crime praticado por pessoa foragida do sistema prisional, quando não demonstradoo nexo causal direto entre o momento da fuga e a conduta praticada. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 34 III. É constitucional a legislação que delega o poder de polícia a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial. IV. A publicidade dos programas, obras e serviços dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, sendo vedada a publicização de nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. Quais estão corretas? A) Apenas II e IV. B) Apenas I, II e III. C) Apenas I, III e IV. D) Apenas II, III e IV. E) I, II, III e IV. A alternativa considerada correta foi a letra E. 9.3.4. Princípio da publicidade Impõe a divulgação e exteriorização dos atos do poder público, guardando relação com o princípio democrático, ao possibilitar o controle social sobre os atos públicos. Em outras palavras: a atuação da Administração pública deve ser sempre o mais transparente possível! Inclusive, atualmente, nos moldes da LIA – Lei de Improbidade Administrativa, constitui-se em ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, negar publicidade aos atos oficiais. Ressalta-se ainda que a publicidade também representa condição de eficácia dos atos administrativos, de modo que estes só começam a produzir efeitos a partir de sua publicidade. Assim, enquanto o ato não é publicado, o particular não toma conhecimento deste, e sem tomar ciência, não pode praticar e/ou observá-lo. Logo, não tem capacidade de ser eficiente, daí porque se fala que a publicidade é um pressuposto de eficácia. Requisito de eficácia dos atos administrativos = capacidade de produção de seus efeitos É possível restringir a publicidade em casos excepcionais, conforme Artigo 5º, LX, CF: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 35 “Artigo 5º, CF: “LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”. X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; Frise-se que a Lei nº 12. 527/11 (Lei de Acesso à informação) prevê a possibilidade de restrição ao fornecimento de informações, se imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado. Ainda segundo a Lei de Acesso à Informação, os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a classificação, são os seguintes: • Ultrassecreta: 25 anos; • Secreta: 15 anos; • Reservada: 5 anos. Por fim, com fundamento no princípio da publicidade, o STF decidiu ser legítima a possibilidade de divulgação de vencimentos dos servidores públicos com relação nominal. Veja: • STF (Info 782): É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. A divulgação dos vencimentos dos servidores, a ser realizada oficialmente, constitui informação de interesse público que não viola a intimidade http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%25C3%25A7%25C3%25A3o-federal-de-1988 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/128510890/constitui%25C3%25A7%25C3%25A3o-federal-constitui%25C3%25A7%25C3%25A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 36 e a segurança deles, uma vez que esses dados dizem respeito a agentes públicos em exercício nessa qualidade. • A publicidade tem grande abrangência, não só pela divulgação oficial, mas também para conhecimento e fiscalização interna de seus agentes. • Instrumentos: habeas data (art. 5º, LXXII, CF); direito à informação (art. 5º, XXXIII, CF); certidões (art. 5º, XXXIV, ‘b’, CF). • A publicidade também é apontada pela doutrina como requisito de eficácia dos atos administrativos. • Enunciado 15 da I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ: A administração pública promoverá a publicidade das arbitragens da qual seja parte, nos termos da Lei de Acesso à Informação. Mazza afirma que a publicidade dos atos administrativos tem a finalidade de: exteriorizar a vontade da Administração Pública divulgando seu conteúdo para conhecimento público; presumir o conhecimento do ato pelos interessados; tornar exigível o conteúdo do ato; desencadear a produção de efeitos do ato administrativo; dar início ao prazo para interposição de recursos; indicar a fluência dos prazos de prescrição e decadência; impedir a alegação de ignorância quanto ao conteúdo do ato, e; permitir o controle de legalidade do comportamento. 9.3.5. Princípio da eficiência Inserido pela EC 19/98, para substituir a Administração Pública burocrática pela gerencial, tendo em vista a necessidade de efetivação célere das finalidades públicas elencadas no ordenamento jurídico. Relacionada com a necessidade de efetivação célere das finalidades públicas elencadas no ordenamento jurídico. Nesse sentido, o princípio da eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional, sua aplicação orienta e serve de fundamento para a construção de uma concepção de Administração Pública Gerencial. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 37 A eficiência ganhou roupagem de direito expresso, mas ela já era exigida como princípio implícito e já existia de forma expressa no art. 6º da lei 8987/95, que trata de serviço público. Esse art. 6º traz o conceito de serviço adequado, exigindo a eficiência. Vejamos: Art. 6º - Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato. §1º Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. De acordo com Rafael Oliveira, a concretização dos resultados, sempre que possível, deve ser realizada através de processo político-participativo: planejamento - planos de ação, orçamento e prioridades, com destaque para participação da população por meio de audiências e consultas públicas; execução - medidas concretas para satisfação dos resultados previamente delimitados, e; controle - os órgãos controladores não devem se restringir à legalidade formal na análise da juridicidade da ação administrativa, devendo levar em consideração os demais princípios e o alcance dos resultados esperados. A concretização dos resultados deve ser realizada por: Planejamento Execução Controle plano de ação, orçamento e prioridades medidas concretas para satisfação dos resultados órgãos controladores não devem se restringir à legalidade formal na análise da juridicidade da ação administrativa, devendo levar em conta os demais princípios e alcance dos resultados. OBSERVAÇÃO: trata-se de norma de aplicabilidade imediata. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 38 - Exemplo de aplicação: avaliação periódica de desempenho dos servidores públicos (Art. 41, CF): - avaliação especial de desempenho - art. 41, §4º, “como condição para aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para esse fim”.- avaliação periódica de desempenho - art. 41, III, da CF “mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma da lei complementar, assegurada ampla defesa”. - regra limitadora com gastos de pessoal (art. 169, CF). Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte assertiva: Tanto o modo de atuação do agente público quanto o modo de organizar, estruturar e disciplinar a Administração Pública, a fim de alcançar os melhores resultados, são aspectos a serem considerados na definição do princípio da eficiência 9.4. Outros princípios administrativos 9.4.1. Princípio da razoabilidade e proporcionalidade – prevalece a tese de fungibilidade dos princípios. Segundo Rafael Oliveira, existe polêmica quanto à existência ou não de diferenças entre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. No entanto, tem prevalecido a tese da fungibilidade entre os citados, os quais se entremeiam através de ideais de igualdade, justiça material e racionalidade, traduzindo-se com relevantes instrumentos de contenção dos possíveis excessos cometidos pelo Poder Público. O princípio da razoabilidade surge no direto anglo-saxão, ao passo que o princípio da proporcionalidade surge no direito germânico. A razoabilidade é a coerência, lógica, congruência, equilíbrio, tendo sempre por base o padrão do homem médio. Ela proíbe os excessos, as condutas insensatas. O administrador tem que agir com bom senso, com equilíbrio. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 39 Para os administrativistas, o princípio da proporcionalidade está embutido no princípio da razoabilidade, pois prevalece a tese de fungibilidade dos princípios. OBSERVAÇÃO: Não se esqueça que estamos diante de um princípio implícito, ok? Subdivide-se em 03 subprincípios: I) Adequação ou idoneidade: o ato estatal deverá contribuir para a realização do resultado pretendido. II) Necessidade ou exigibilidade: caso existam duas medidas adequadas para alcançar o fim perseguido, o Poder Público deve adotar a medida menos gravosa aos direitos fundamentais. III) Proporcionalidade em sentido estrito: é a ponderação, no caso concreto, entre o ônus imposto pela atuação estatal e o benefício por ela produzido, razão pela qual a restrição ao direito fundamental deve ser justificada pela importância do princípio ou direito. ATENÇÃO! O princípio da proporcionalidade é, ainda, um limite à discricionariedade do legislador, que, muitas vezes, ultrapassa uma linha tênue e se torna arbitrariedade (a qual é vedada no ordenamento jurídico brasileiro). Assim, mesmo que se trate de um ato administrativo discricionário, se tal ato não obedecer ao princípio da proporcionalidade/razoabilidade, será possível a interferência do Poder Judiciário sem que isso acarrete violação à Separação de Poderes. Isso porque tais princípios, embora implícitos, são princípios constitucionais que decorrem do devido processo legal. Nesse caso, o Poder Judiciário realiza o controle de legalidade em sentido amplo, isto é, o controle do ato em relação a leis infraconstitucionais e à própria CF. Por ess emotivo a doutrina trata desses princípios como limitadores da liberdade e discricionariedade do administrador. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 40 9.4.2. Princípio da supremacia do interesse público sobre o privado (princípio da finalidade pública) O interesse público divide-se em (doutrina italiana): • Interesse público primário: Necessidade de satisfação das necessidades coletivas. É o interesse com as necessidades sociais; • Interesse público secundário: É o interesse do próprio Estado, enquanto sujeito de direitos e obrigações, ligando-se à noção de interesse do erário. É o interesse do Estado com si próprio, como pessoa jurídica de direito público que é. Assim, pelo princípio, há uma primazia de soluções e decisões que atendam ao interesse coletivo, em detrimento do interesse de um único indivíduo ou grupo seleto de indivíduos. Segundo Odete Medauar, a finalidade da atuação da Administração Pública está respaldada no atendimento do interesse público e o desvirtuamento dessa finalidade suscita o vício do desvio de poder ou desvio de finalidade. Interesse público primário x Interesse público secundário: O interesse primário é composto pelas necessidades da sociedade, ou seja, dos cidadãos enquanto partícipes da coletividade, não se confundindo com a vontade da máquina estatal, a qual configura o interesse secundário. Nesse sentido, faz-se relevante um julgado do STJ que, apesar de ter sido tomado com base na Lei 8.666/93, pode ser aplicado à Lei 14.133/21. Vejamos: Não se amolda à hipótese de dispensa de licitação prevista no art. 24, II, da Lei n. 8.666/1993 a situação em que, contratada organizadora para a realização de concurso público por valor inferior ao limite previsto no referido dispositivo, tenha-se verificado que a soma do valor do contrato com o total arrecado a título de taxa de inscrição supere o limite de dispensa previsto no aludido inciso. A Constituição da República estabelece como regra a obrigatoriedade da realização de licitação, que é desnecessária nas excepcionais hipóteses previstas em lei, como na dispensa para a contratação de serviços de valor inferior ao limite estabelecido no art. 24, II, da Lei n. 8.666/1993. Não cabe ao intérprete criar novos casos de dispensa, sobretudo porquanto a licitação é destinada a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a seleção da proposta mais vantajosa para a administração (art. 3º da Lei n. 8.666/93). Nesse contexto, ainda que DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 41 os valores recolhidos como taxa de inscrição não sejam públicos, a adequada destinação deles é de interesse público primário. Mesmo que a contratação direta de banca realizadora de concurso sem licitação não afete o interesse público secundário (direitos patrimoniais da Administração Pública), é contrária ao interesse público primário, pois a destinação de elevado montante de recursos a empresa privada ocorrerá sem o processo competitivo, violando, dessa maneira, o princípio da isonomia. 1 9.4.3. Princípio da autotutela ou sindicabilidade Poder-dever da Administração rever os seus próprios atos, seja para anulá-los ou revoga-los. A Administração pode ser provocada para rever seus próprios atos, podendo ser feito o controle de ofício também; diferentemente do Poder Judiciário, que não pode atuar no exercício do controle das atividades estatais sem que haja provocação para tanto. Pelo princípio da autotutela, também denominado de sindicabilidade, a administração pública tem a prerrogativa de rever os seus próprios atos independentemente de provocação, seja para revogá-los ou para anulá-los, fala-se que este controle pode ser de legalidade ou de mérito. Quando ilegal o ato será anulado, quando inoportuno ou inconveniente será revogado. Ressalta-se que o princípio da autotutela não afasta a possibilidade de controle de legalidade pelo Poder Judiciário (não afasta a tutela jurisdicional), em razão do Sistema de Jurisdição Una. ATO ILEGAL ATO INCONVENIENTE/INOPORTUNO ANULAÇÃO REVOGAÇÃO efeitos ex tunc efeitos ex nunc Entendimento importantes: • Súmula 346 STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. 1 REsp 1.356.260-SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7/2/2013 (Informativo nº 0516). DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 42 • Súmula 473 STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. • Enunciado 20 da I Jornada de Direito Administrativo CJF/STJ: O exercício da autotutela administrativa,para o desfazimento do ato administrativo que produza efeitos concretos favoráveis aos seus destinatários, está condicionado à prévia intimação e oportunidade de contraditório aos beneficiários do ato. Já caiu em prova e foi considerada correta a seguinte afirmativa: A autotutela caracteriza-se por permitir que a Administração Pública reveja seus próprios atos, revogando-os por motivo de interesse público (oportunidade e conveniência), assim como anulando os atos inquinados pela ilicitude. Cuidado (1): Não confundir autotutela com autoexecutoriedade! • Autotutela: Designa o poder-dever de corrigir ilegalidades e de garantir o interesse público dos atos editados pela própria Administração; • Autoexecutoriedade: Prerrogativa de imposição da vontade administrativa, independentemente de recurso ao Poder Judiciário. Cuidado (2): Não confundir autotutela com tutela! • Autotutela: o princípio da autotutela autoriza a administração a realizar controle dos seus atos, podendo anular os ilegais e revogar os inconvenientes ou inoportunos, independentemente de decisão do Poder Judiciário. • Tutela: pelo princípio da tutela, a administração exerce controle sobre pessoa jurídica por ela instituída, com o objetivo de garantir a observância de suas finalidades institucionais. (= supervisão ministerial = controle finalístico) DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 43 A Administração Pública deve observar algum requisito quando for anular atos ilegais? O princípio da autotutela administrativa preleciona que a Administração Pública possui o poder-dever de rever os seus próprios atos, seja para anulá-los por vício de legalidade, seja para revogá-los por questões de conveniência e de oportunidade conforme art. 53 da Lei 9.784/99 e Súmulas 346 e 473 do STF. O STF possui entendimento, contudo, no sentido de que, a despeito deste poder-dever de anular os atos ilegais, se a invalidação do ato administrativo repercutir no campo de interesses individuais, faz-se necessária a instauração de processo administrativo que assegure o devido processo legal e a ampla defesa (Informativo 763 do STF). A Administração Pública pode anular seus próprios atos quando estes forem ilegais. No entanto, se a invalidação do ato administrativo repercute no campo de interesses individuais, faz- se necessária a instauração de procedimento administrativo que assegure o devido processo legal e a ampla defesa. Assim, a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos não dispensa a observância do contraditório e ampla defesa prévios em âmbito administrativo. STF. 2ª Turma. RMS 31661/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/12/2013 (Info 732). STF. Plenário. MS 25399/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/10/2014 (Info 763). Além disso, o art. 54 da lei 9.784/99 estipula que o direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis aos destinatários decai em 5 anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má fé. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. Trata-se, portanto, de um prazo para o exercício da autotutela. Ressalta-se que, em princípio, a Lei nº 9.784/99 deveria regular apenas e unicamente o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta. O processo administrativo na esfera dos DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 44 Estados e dos Municípios deve ser tratado por meio de legislação a ser editada por cada um desses entes, em virtude da autonomia legislativa que gozam para regular a matéria em seus territórios. No entanto, o STJ entende que, se o Estado ou o Município não possuir em sua legislação previsão de prazo decadencial para a anulação dos atos administrativos, deve-se aplicar, por analogia integrativa, o art. 54 da Lei nº 9.784/99. Essa conclusão é baseada nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. O entendimento acima resultou na edição da Súmula 633 do STJ. Vejamos: Súmula 633-STJ: A Lei 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para revisão de atos administrativos no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada de forma subsidiária aos Estados e municípios se inexistente norma local e específica regulando a matéria. Veja uma recente jurisprudência mitigando esse prazo decadencial de 5 anos: Mesmo depois de terem se passado mais de 5 anos, a Administração Pública pode anular a anistia política concedida quando se comprovar a ausência de perseguição política, desde que respeitado o devido processo legal e assegurada a não devolução das verbas já recebidas No exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica com fundamento na Portaria 1.104/1964, quando se comprovar a ausência de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. Ex: 2003, João, ex-militar da Aeronáutica, recebeu anistia política, concedida por meio de portaria do Ministro da Justiça. Em 2006, a AGU emitiu nota técnica fazendo alguns questionamentos sobre a forma indevida pela qual estavam sendo concedidas anistias políticas, dentre elas a que foi outorgada a João. Em 2011, o Ministro da Justiça determinou que fossem revistas as concessões https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/af0a59d77edf6e178ec25cb090df864b?categoria=2&subcategoria=14&assunto=66 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/af0a59d77edf6e178ec25cb090df864b?categoria=2&subcategoria=14&assunto=66 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/af0a59d77edf6e178ec25cb090df864b?categoria=2&subcategoria=14&assunto=66 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/af0a59d77edf6e178ec25cb090df864b?categoria=2&subcategoria=14&assunto=66 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 45 de anistia de inúmeros militares, inclusive a de João. Em 2012, foi aberto processo administrativo para examinar a situação de João e, ao final, determinou-se a anulação da anistia política. Mesmo tendo-se passado mais de 5 anos, a anulação do ato foi possível, seja por força da parte final do art. 54 da Lei nº 9.784/99, seja porque o prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019 (repercussão geral – Tema 839) (Info 956). É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública, evidenciada a violação direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o prazo decadencial contido na Lei nº 9.784/99. STJ. 1ª Seção. MS 19070-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em 12/02/2020 (Info 668). No mesmo sentido STJ julgou: Mesmo depois de terem se passados mais de 5 anos, a Administração Pública pode anular a anistia política concedida quando se comprovar a ausência de perseguição política, desde que respeitado o devido processo legal e assegurada a não devolução das verbas já recebidas. (STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019 - Info 956) Ademais, o prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta diretamente a Constituição Federal. Veja: Não existe direito adquirido à efetivação na titularidade de cartório quando a vacância do cargo ocorre na vigência da CF/88, que exige a submissão a concurso público (art. 236, § 3º). O prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afrontadiretamente a Constituição Federal. O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável. Logo, mesmo antes da edição da Lei 8.935/1994 ela já tinha plena eficácia e o concurso público era obrigatório como condição para o DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 46 ingresso na atividade notarial e de registro. STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 (Info 741) Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. OBSERVAÇÃO: Recentemente, STF decidiu que, em regra, o prazo decadencial para que a Administração anule atos administrativos inválidos é de 5 anos, aplicável a todos os entes federativos, por força do princípio da isonomia, ou seja: É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo decadencial de 10 (dez) anos para anulação de atos administrativos reputados inválidos pela Administração Pública estadual. STF. Plenário. ADI 6019/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12/4/2021 (Info 1012). 9.4.4. Princípio da segurança jurídica e legítima confiança O princípio da segurança jurídica é um fundamento geral do ordenamento, sendo aplicável a todos os ramos do Direito. Seu conteúdo volta-se à garantia de estabilidade, ordem, paz social e previsibilidade das atuações estatais. Alinha-se à finalidade primeira da ordem jurídica que é propiciar segurança e estabilidade no convívio social, evitando mudanças abruptas, sobressaltos e surpresas decorrentes de ações governamentais. Em termos práticos seu principal emprego no Direito Administrativo está na proibição de aplicação retroativa de novas interpretações de dispositivos legais e normas administrativas. É nesse sentido que deve ser compreendida a regra prevista no art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei n. 9.784/99: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 47 “Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII – interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Tem expressa previsão no art. 2º, parágrafo único, da Lei n. 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, in verbis: “A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. De acordo com entendimento do Supremo Tribunal Federal, a segurança jurídica é também princípio constitucional na posição de subprincípio do Estado de Direito (MS 24.268/MG). Segundo Maria Di Pietro, o direito administrativo brasileiro herdou do direito alemão (já caiu em prova) a inspiração para aplicação do princípio da segurança jurídica, especialmente sob o aspecto subjetivo da proteção à confiança. Quanto ao princípio da segurança jurídica, pode ele ser analisado em duas acepções. Em sentido objetivo, estabelece limites à retroatividade dos atos estatais, impedindo que prejudiquem o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (art. 5º, XXXVI, da CF). Pode ser invocado tanto pelo Estado quanto por particulares. Em sentido subjetivo, é também denominado de princípio da proteção à confiança legítima. Seu conteúdo exige uma previsibilidade ou calculabilidade emanada dos atos estatais (Canotilho). Objetivo Subjetivo estabilização do ordenamento jurídico proteção a confiança das pessoas em relação às expectativas geradas por promessas e atos estatais. É princípio autônomo. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 48 Segundo Rafael Oliveira, os princípios da segurança jurídica, da confiança legítima e da boa-fé guardam importantes semelhanças entre si. Segurança jurídica Legítima confiança possui caráter amplo, aplicado às relações públicas e privadas tutela apenas a esfera jurídica do particular, protegendo-o da atuação arbitrária do Estado. A noção de proteção da confiança legítima aparece como uma reação à utilização abusiva de normas jurídicas ou atos administrativos que surpreendam bruscamente o seu destinatário. Um exemplo de aplicação do princípio da legítima confiança diz respeito à impossibilidade de devolução de valores recebidos de boa-fé por servidores públicos, em virtude de errônea interpretação de lei pela Administração: STJ (Info 579): Os herdeiros devem restituir os proventos que, por erro operacional da Administração Pública, continuaram sendo depositados em conta de servidor público após o seu falecimento. Não se analisa aqui se o herdeiro estava ou não de boa-fé. O herdeiro é obrigado a devolver porque ele não tem qualquer razão jurídica para ficar com aquele dinheiro em prejuízo da Administração Pública. Não havia nenhuma relação jurídica entre o herdeiro e o Estado. O fundamento aqui é o princípio que veda o enriquecimento sem causa (art. 884 do CC). Súmula 249 TCU: É dispensada a reposição de importâncias indevidamente percebidas, de boa-fé, por servidores ativos e inativos, e pensionistas, em virtude de erro escusável de interpretação de lei por parte do órgão/entidade, ou por parte de autoridade legalmente investida em função de orientação e supervisão, à vista da presunção de legalidade do ato administrativo e do caráter alimentar das parcelas salariais. A proteção à confiança só pode ser invocada pelo particular, nunca pelo Estado. Em nome do princípio da proteção à confiança legítima, é possível obter a manutenção de atos administrativos ilegais, sempre com o objetivo de preservar a paz social e a estabilidade das relações. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 49 Requisitos para configurar a confiança legítima: • Ato da administração suficientemente conclusivo para gerar no administrado confiança: · De que a Administração atuou corretamente; · De que a conduta do afetado é lícita na relação jurídica que mantém com a Administração; · Confiança do afetado de que as suas expectativas são razoáveis. • Presença de signos externos que orientam o cidadão a adotar determinada conduta; • Ato da administração que reconhece ou constitui uma situação jurídica individualizada, cuja durabilidade é confiável; • Causa idônea para provocar a confiança do afetado; • Cumprimento, pelo interessado, dos seus deveres e obrigações no caso. Quando NÃO se aplica o princípio da confiança legítima: • Hipóteses de má-fé do administrado; • Não pode existir mera expectativa de direitos pelo interessado. Não impede que o poder público realize novas interpretações em relação às normas jurídicas e às disposições legais atinentes a suas condutas. O que se proíbe é que esta nova interpretação retroaja, de forma a prejudicar situações previamente consolidadas no ordenamento jurídico. Vale ressaltar a importância da boa-fé trazida por Rafael Oliveira como princípio semelhante à segurança jurídica, vez que a boa-fé deve pautar a atuação do Estado e do particular. Nos termos do art. 54 da Lei n. 9.784/99, a Administração tem o prazo de 5 anos para anular seus atos defeituosos, quando favoráveis aos destinatários, salvo comprovada má-fé. Por isso, após a prazo de 5 anos, estando o servidor de boa-fé, o princípio da segurança jurídica promove a incorporação definitiva da vantagem ao patrimônio do beneficiário proibindo a retirada do benefício. TEORIA DOS ATOS PRÓPRIOS: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 50 Especificamente, no que tange à confiança legítima, faz-se necessário pontuar pela aplicação da teoria dos atos próprios ou venire contra factum proprium. Para a aplicação dessa teoria, deve observar 3 requisitos: 1) Identidadesubjetiva e objetiva: Por este requisito, os atos anterior e posterior devem emanar da mesma administração e editados no âmbito da mesma relação jurídica. 2) Conduta anterior válida e unívoca 3) Atuação contraditória: o ato posterior é incompatível com o ato anterior. 9.4.5. Presunção de Legitimidade ou Presunção de Legalidade Os atos administrativos são protegidos por uma presunção relativa (juris tantum) de que foram praticados em conformidade com o ordenamento jurídico. Por isso, até prova em contrário, os atos administrativos são considerados válidos para o Direito, cabendo ao particular o ônus de provar eventual ilegalidade na sua prática. Em razão dessa presunção, mesmo que o ato administrativo tenha vício de ilegalidade (ato nulo) fica garantida sua produção de efeitos, até o momento de sua retirada por meio da invalidação. 9.4.6. Princípio da Continuidade do Serviço Público A atuação administrativa, buscando atender da melhor forma o interesse público, preconiza que a atividade do Estado deve ser prestada de forma contínua, ou seja, sem interrupções, motivo pelo qual o princípio da continuidade veda a interrupção na prestação dos serviços públicos. Está expressamente previsto no art. 6º, § 1º, da Lei n. 8.987/95, e seu fundamento reside no fato de a prestação de serviços públicos ser um dever constitucionalmente estabelecido (art. 175 da CF/88), localizando-se, portanto, acima da vontade da Administração Pública, que não tem escolha entre realizar ou não a prestação. Art. 6º Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 51 § 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. CF, Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Entretanto, o art. 6º, § 3º, da Lei n. 8.987/95, de acordo com o entendimento doutrinário majoritário e da jurisprudência do STJ, autoriza o corte no fornecimento do serviço, após prévio aviso, nos casos de: a) razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e b) inadimplemento do usuário. § 3º Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso, quando: I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade. § 4 A interrupção do serviço na hipótese prevista no inciso II do § 3º deste artigo não poderá iniciar-se na sexta-feira, no sábado ou no domingo, nem em feriado ou no dia anterior a feriado. (Incluído pela Lei nº 14.015, de 2020) OBSERVAÇÃO: O aviso prévio dado através de comunicado em rádio de amplo alcance satisfaz as condições de aviso prévio, haja vista se tratar de um dos meios mais populares e o de maior alcance público, DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 52 motivo pelo qual há de se reconhecer a validade e eficácia do ato administrativo. Veja a jurisprudência do STJ nesse sentido: Em regra, o serviço público deverá ser prestado de forma contínua, ou seja, sem interrupções (princípio da continuidade do serviço público). Excepcionalmente, será possível a interrupção do serviço público nas seguintes hipóteses previstas no art. 6º, § 3º da Lei n.º 8.987/95: a) Em caso de emergência (mesmo sem aviso prévio); b) Por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações, desde que o usuário seja previamente avisado; c) Por causa de inadimplemento do usuário, desde que ele seja previamente avisado. Se a concessionária de energia elétrica divulga, por meio de aviso nas emissoras de rádio do Município, que haverá, daqui a alguns dias, a interrupção do fornecimento de energia elétrica por algumas horas em virtude de razões de ordem técnica, este aviso atende a exigência da Lei nº 8.987/95? SIM. A divulgação da suspensão no fornecimento de serviço de energia elétrica por meio de emissoras de rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso prévio, prevista no art. 6º, § 3º, da Lei nº 8.987/95. STJ. 1ª Turma. REsp 1270339-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/12/2016 (Info 598). OBSERVAÇÃO: A interrupção por inadimplemento do usuário não pode paralisar serviços essenciais, como, por exemplo, corte de energia elétrica do hospital público/iluminação pública. Nos chamados “serviços essenciais”, mantém-se o serviço e prossegue com a cobrança paralelamente. Nesse sentido, vale destacar que, recentemente, o STJ entendeu que é possível o corte de energia elétrica por fraude no medidor, DESDE que sejam observados alguns requisitos. Na hipótese de débito estrito de recuperação de consumo efetivo por fraude no aparelho medidor atribuída ao consumidor, desde que apurado em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é possível o corte administrativo do fornecimento do serviço de energia elétrica, mediante prévio aviso ao consumidor, pelo inadimplemento do consumo recuperado correspondente DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 53 ao período de 90 (noventa) dias anterior à constatação da fraude, contanto que executado o corte em até 90 (noventa) dias após o vencimento do débito, sem prejuízo do direito de a concessionária utilizar os meios judiciais ordinários de cobrança da dívida, inclusive antecedente aos mencionados 90 (noventa) dias de retroação. STJ. 1ª Seção. REsp 1412433-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 634). NOVIDADE LEGISLATIVA - Lei nº 14.015/2020 Alterou a Lei nº 8.987/95 e a Lei nº 13.460/2017 para deixar mais explícito que é possível a interrupção do serviço público em caso de inadimplemento do usuário, desde que ele seja previamente avisado. Podem ser apontados diversos desdobramentos normativos decorrentes do princípio da continuidade dos serviços públicos, dentre os quais: a) o direito de greve dos servidores públicos será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica (art. 37, VII, da CF). Lembre-se que o policial civil não pode fazer greve!!! Policias civis são proibidos de fazer greve. O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). Explicação via Dizer o Direito (muito importante para fundamentar em uma prova discursiva!) Direito de greve é incompatível com a carreira policial Não é possível compatibilizar que o braço armado do Estado faça greve porque isso colocaria em risco a segurança pública, a ordem e a paz social. Os integrantes das carreiras policiais possuem o dever de fazer intervenções e prisões em flagrante, sendo isso inconciliável com o exercício da greve. Como já afirmado, não há possibilidade de nenhum outro órgão da iniciativa privada suprir a atividade policial. Se esta entra em greve, não há como sua função ser substituída. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 54 Vale ressaltar que a atividade policial, além de ser importantíssima por si só, se for paralisada, afetará também as atribuições do Ministério Público e do próprio Poder Judiciário. Greve não é direito absoluto A greve não é um direito absoluto e, neste caso, deverá ser feito um balanceamento entre o direito de greve e o direito de toda a sociedade à segurança pública e à manutenção da ordempública e paz social. Neste caso, há a prevalência do interesse público e do interesse social sobre o interesse individual de uma categoria. Por essa razão, em nome da segurança pública, os policiais não podem fazer greve. Importante destacar que a ponderação de interesses aqui não envolve direito de greve X continuidade do serviço público. A greve dos policiais é proibida não por causa do princípio da continuidade do serviço público (o que seria muito pouco), mas sim por conta do direito de toda a sociedade à garantia da segurança pública, à garantia da ordem pública e da paz social. b) restrição à aplicabilidade da exceptio non adimpleti contractus, pois o contratado só pode interromper a execução do contrato após atraso superior a 2 (dois) meses, contado da emissão da nota fiscal, dos pagamentos ou de parcelas de pagamentos devidos pela Administração por despesas de obras, serviços ou fornecimentos (art. 137, §2º, IV, da Lei n. 14.133/2021); c) possibilidade de intervenção na concessionária para garantia de continuidade na prestação do serviço (art. 32 da Lei n. 8.987/95); Art. 32. O poder concedente poderá intervir na concessão, com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço, bem como o fiel cumprimento das normas contratuais, regulamentares e legais pertinentes. Parágrafo único. A intervenção far-se-á por decreto do poder concedente, que conterá a designação do interventor, o prazo da intervenção e os objetivos e limites da medida. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 55 d) ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato nas hipóteses de: a) risco à prestação de serviços essenciais; b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, inclusive após extinção do contrato. (art. 104, da Lei n. 14.133/2021); Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a eles, a prerrogativa de: V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo. e) reversão de bens do concessionário indispensáveis à continuidade do serviço (art. 36 da Lei n. 8.987/95); Art. 36. A reversão no advento do termo contratual far-se-á com a indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e atualidade do serviço concedido. f) encampação do contrato de concessão mediante a retomada do serviço pelo concedente (art. 37 da Lei n. 8.987/95); Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder concedente durante o prazo da concessão, por motivo de interesse público, mediante lei autorizativa específica e após prévio pagamento da indenização, na forma do artigo anterior. g) suplência, delegação e substituição de servidores públicos (Lei n. 8.112/90). DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 56 CESPE/2016 (Adaptada) - Decorre do princípio da continuidade do serviço público a possibilidade de preencher, mediante institutos como a delegação e a substituição, as funções públicas temporariamente vagas. Item correto. JURISPRUDÊNCIA EM TESE – STJ • É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente o usuário, desde que precedido de notificação. • É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações, desde que precedido de notificação. • É ilegítimo o corte no fornecimento de energia elétrica quando puder afetar o direito à saúde e à integridade física do usuário. • É legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente pessoa jurídica de direito público, desde que precedido de notificação e a interrupção não atinja as unidades prestadoras de serviços indispensáveis à população. • É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente unidade de saúde, uma vez que prevalecem os interesses de proteção à vida e à saúde. • É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando a inadimplência do usuário decorrer de débitos pretéritos, uma vez que a interrupção pressupõe o inadimplemento de conta regular, relativa ao mês do consumo. • É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais por débitos de usuário anterior, em razão da natureza pessoal da dívida. • É ilegítimo o corte no fornecimento de energia elétrica em razão de débito irrisório, por configurar abuso de direito e ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sendo cabível a indenização ao consumidor por danos morais. • É ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando o débito decorrer de irregularidade no hidrômetro ou no medidor de energia elétrica, apurada unilateralmente pela concessionária. • O corte no fornecimento de energia elétrica somente pode recair sobre o imóvel que originou o débito, e não sobre outra unidade de consumo do usuário inadimplente. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 57 9.4.7 Princípio da Isonomia ou da Igualdade O princípio da isonomia é preceito fundamental do ordenamento jurídico que impõe ao legislador e à Administração Pública o dever de dispensar tratamento igual a administrados que se encontram em situação equivalente. Exige, desse modo, uma igualdade na lei e perante a lei (material e formal). Seu fundamento constitucional é o art. 5º, caput, da Constituição Federal. O princípio da isonomia é o fundamento valorativo de diversos institutos administrativos, com o concurso público e o dever de licitar. Na acepção material, a isonomia significa tratar os desiguais na medida de sua desigualdade. Assim, não haverá descumprimento da isonomia quando existir correlação lógica entre o critério de discrímen e a discriminação legal decidida em função dele. Assim, a chave para investigar a compatibilidade de um tratamento desigual, diante do princípio da isonomia, está na verificação de que o fator de discriminação (idade, sexo, tempo de serviço, período de experiência, nível de escolaridade) é coerente com a diferenciação realizada e com os princípios fundamentais protegidos pelo ordenamento. Em outras palavras, deve haver justa razão explicando a distinção perpetrada. Exemplos de sua aplicação: - Súmula 683 do STF: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. - Súmula 684 do STF: é inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso. - Súmula 686 do STF: só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público. 9.4.8. Princípio da Motivação Impõe à Administração Pública o dever de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinaram a prática do ato (art. 2º, parágrafo único, VII, da Lei n. 9.784/99). Assim, a validade do DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 58 ato administrativo está condicionada à apresentação por escrito dos fundamentos fáticos e jurídicos justificadores da decisão adotada. Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critériosde: VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Trata-se de um mecanismo de controle sobre a legalidade e legitimidade das decisões da Administração Pública. Está previsto no art. 93, X, da CF/88 e no art. 50 da Lei 9.784/99. Apesar de haver divergência, a corrente majoritária defende que a motivação é obrigatória tanto nos atos vinculados quanto nos atos discricionários. A motivação é dispensada em alguns casos, como os atos de motivação evidente, os de motivação inviável e os atos de nomeação e exoneração de cargos comissionados. A motivação deve ser apresentada simultaneamente ou no instante seguinte à prática do ato. Motivação intempestiva (posterior) ou extemporânea (anterior) causa nulidade do ato administrativo. Ainda, a motivação deve ser explícita, clara e congruente. O princípio da motivação comporta exceção, por exemplo, nomeação ou exoneração (exoneração "ad nutum") de cargos comissionados. A exoneração "ad nutum" refere-se àquela aplicável aos ocupantes de cargo em comissão, e prescinde (abstrai/não precisa) de motivação da Administração. No entanto, se mesmo essa motivação sendo “desnecessária”, a Administração optar por motivá-la, estará vinculada aos motivos que explicitou no ato, em decorrência da chamada: TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. Isso porque os motivos vinculam todo o ato, e se não forem respeitados, o ato torna-se nulo. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 59 OBSERVAÇÃO 1: Motivação aliunde ou per relationem – aquela indicada fora do ato, consistente em concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas. Ou seja, a motivação aliunde corre todas as vezes que a motivação de um determinado ato remete à motivação de ato anterior que embasa sua edição. Ex.: parecer opina pela possibilidade de prática de ato de demissão de servidor, ao demitir o servidor, a autoridade não precisa repetir os fundamentos explicitados pelo parecer, bastando, na fundamentação do ato de demissão, declarar a concordância com os argumentos expedidos no ato opinativo. OBSERVAÇÃO 2: Teoria dos Motivos Determinantes – afirma que o motivo apresentado como fundamento fático da conduta vincula a validade do ato administrativo. Assim, se for comprovado que o alegado pressuposto de fato é falso ou inexistente, o ato torna-se nulo. OBSERVAÇÃO 3: Motivo Motivação Móvel fato que autoriza a realização do ato administrativo exigência de explicitação, de enunciação dos motivos intenção declarada pelo agente como justificativa para a prática do ato Já caiu em prova e foram consideradas corretas as seguintes assertivas: A exoneração ad nutum não necessita de explicitação do motivo para sua validade; todavia, se o administrador, por faculdade, declarar o motivo, esse fato passará a ser determinante para a configuração lícita do ato administrativo exoneratório. A existência real de um motivo de fato alegado para a realização de ato administrativo vincula o administrador, sendo um pressuposto de validade deste mesmo ato. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 60 Se um ato administrativo é realizado com motivo de fato inexistente, mesmo que exista motivação, ele é considerado ilícito com base na teoria dos motivos determinantes. (DPC ES, 2019). 9.4.9. Princípio da Ampla Defesa e Contraditório Por força do princípio do contraditório, as decisões administrativas devem ser tomadas considerando a manifestação dos interessados. Para isso, é necessário dar oportunidade para que os afetados pela decisão sejam ouvidos antes do resultado final do processo. O princípio da ampla defesa assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, a utilização dos meios de prova, dos recursos e dos instrumentos necessários para defesa de seus interesses perante o Judiciário e a Administração. Art. 5º, LV, CF.: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Sobre os princípios do contraditório e da ampla defesa, foi editada a Súmula Vinculante 3 do STF: “Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão”. A respeito dessa Súmula Vinculante, houve recente decisão do STF dispondo que não há de se falar em contraditório e ampla defesa no julgamento de legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria. Posto que ultrapassado o prazo decadencial de 5 anos, a contar da chegada do processo na Corte, considera-se que a aposentadoria ou pensão fora registrada tacitamente, não havendo mais a possibilidade de alteração pela Corte de Contas. Vejamos: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 61 Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o +julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. (...) O Tribunal, seguindo sua jurisprudência dominante, considerou que a concessão de aposentadoria ou pensão constitui ato administrativo complexo, que somente se aperfeiçoa após o julgamento de sua legalidade pela Corte de Contas. (...) Portanto, se o administrado tem o prazo de cinco anos para buscar qualquer direito contra a Fazenda Pública, também deve-se considerar que o Poder Público, no exercício do controle externo, tem o mesmo prazo para rever eventual ato administrativo favorável ao administrado. Desse modo, a fixação do prazo de cinco anos se afigura razoável para que o TCU proceda ao registro dos atos de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, após o qual se considerarão definitivamente registrados. Por conseguinte, a discussão acerca da observância do contraditório e da ampla defesa após o transcurso do prazo de cinco anos da chegada do processo ao TCU encontra-se prejudicada. Isso porque, findo o referido prazo, o ato de aposentação considera-se registrado tacitamente, não havendo mais a possibilidade de alteração pela Corte de Contas. (...) RE 636553/RS, rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 19.2.2020. (RE- 636553) Veja a recente jurisprudência sobre o tema: http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=636553&classe=RE&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=636553&classe=RE&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 62 Em caso de irregularidades do Estado-membro em convênio federal, a União somente poderá inscrever o ente no SIAFI, no CADIN e no CAUC após o término do processo de prestação de contas especial, observados os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório O cadastro restritivo não deve ser feito de forma unilateral e sem acesso à ampla defesa e ao contraditório. Isso porque, muitas vezes, a inscrição pode ter, além de motivação meramente financeira, razões políticas. Assim, ao poder central (União) é possível suspender imediatamente o repasse de verbas ou a execução de convênios, mas o cadastro deve ser feito nos termos da lei, ou seja, mediante a verificação da veracidade das irregularidades apontadas. Isso porque o cadastro tem consequências, como a impossibilidade da repartição constitucional de verbas das receitas voluntárias. A tomada de contas especial, procedimento por meio do qual se alcança o reconhecimento definitivo das irregularidades, com a devida observância do contraditório e da ampla defesa,tem suas regras definidas em lei. Ao final, é possível tornar o dano ao erário dívida líquida e certa, e a decisão tem eficácia de título executivo extrajudicial. STF. Plenário. ACO 2892 AgR/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/9/2019 (Info 951). 9.4.10. Princípio da Indisponibilidade ou Poder-Dever O supraprincípio da indisponibilidade do interesse público enuncia que os agentes públicos não são donos do interesse por eles defendido. Assim, no exercício da função administrativa os agentes públicos estão obrigados a atuar (poder-dever), não segundo sua própria vontade, mas do modo determinado pela legislação. Como decorrência dessa indisponibilidade, não se admite tampouco que os agentes renunciem aos poderes legalmente conferidos ou que transacionem em juízo. Recentemente, o supraprincípio da indisponibilidade do interesse público tem sofrido certa relativização imposta pelo legislador. Dois exemplos principais podem ser mencionados: https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4670c07872d5314c6ad6ffa633d4a059?categoria=2&subcategoria=14&assunto=67 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4670c07872d5314c6ad6ffa633d4a059?categoria=2&subcategoria=14&assunto=67 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4670c07872d5314c6ad6ffa633d4a059?categoria=2&subcategoria=14&assunto=67 https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4670c07872d5314c6ad6ffa633d4a059?categoria=2&subcategoria=14&assunto=67 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 63 1) no rito dos Juizados Especiais Federais os representantes da Fazenda Pública são autorizados a conciliar e transigir sobre os interesses discutidos na demanda (art. 10, parágrafo único, da Lei n. 10.259/2001); 2) passou a ser permitida a utilização de mecanismos privados para resolução de disputas, inclusive a arbitragem, nos contratos de concessão de serviço público e nas parcerias público- privadas (arts. 23-A da Lei n. 8.987/95 e 11, III, da Lei n. 11.079/2004); 3) nos contratos administrativos, com a vigência da Nova Lei de Licitações e Contratos (Lei nº 14.133/2021), passou a ser permitido expressamente a utilização de meios alternativos de prevenção e resolução de controvérsias relacionadas a DIREITOS PATRIMONIAIS DISPONÍVEIS, como as questões relacionadas ao restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, ao inadimplemento de obrigações contratuais por quaisquer das partes e ao cálculo de indenizações, vejamos: LEI Nº 14.133/2021: Art. 151. Nas contratações regidas por esta Lei, poderão ser utilizados meios alternativos de prevenção e resolução de controvérsias, notadamente a conciliação, a mediação, o comitê de resolução de disputas e a arbitragem. Parágrafo único. Será aplicado o disposto no caput deste artigo às controvérsias relacionadas a direitos patrimoniais disponíveis, como as questões relacionadas ao restabelecimento do equilíbrio econômico- financeiro do contrato, ao inadimplemento de obrigações contratuais por quaisquer das partes e ao cálculo de indenizações. Art. 152. A arbitragem será sempre de direito e observará o princípio da publicidade. Art. 153. Os contratos poderão ser aditados para permitir a adoção dos meios alternativos de resolução de controvérsias. Art. 154. O processo de escolha dos árbitros, dos colegiados arbitrais e dos comitês de resolução de disputas observará critérios isonômicos, técnicos e transparentes. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 64 As referidas hipóteses reforçam a ideia de que, assim como ocorre com a supremacia do interesse público, a indisponibilidade também é relativa. 9.4.11. Princípio da Intranscendência Subjetiva das Sanções O princípio da intranscendência subjetiva significa que não podem ser impostas sanções e restrições que superem a dimensão estritamente pessoal do infrator e atinjam pessoas que não tenham sido as causadoras do ato ilícito Na jurisprudência do STF encontramos dois exemplos de aplicação desse princípio em casos envolvendo inscrição de Estados e Municípios nos cadastros de inadimplentes da União: • 1ª acepção: quando a irregularidade foi praticada pela gestão anterior Existem julgados do STF afirmando que se a irregularidade no convênio foi praticada pelo gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs: apresentou todos os documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, segundo esta acepção, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações anteriores. Segundo o Min. Luiz Fux, “não se pode inviabilizar a administração de quem foi eleito democraticamente e não foi responsável diretamente pelas dificuldades financeiras que acarretaram a inscrição combatida”. Logo, deve-se aplicar o princípio da intranscendência subjetiva das sanções, impedindo que a Administração atual seja punida com a restrição na celebração de novos convênios ou recebimento de repasses federais. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 23/6/2015 (Info 791). O STJ comunga também desse entendimento, exigindo sempre que a gestão sucessora tenha tomado as providências cabíveis à reparação dos danos eventualmente cometidos. Por isso, editou a súmula 615. Vejamos: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 65 Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadastros restritivos fundada em irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à reparação dos danos eventualmente cometidos. • 2ª acepção: quando a irregularidade foi praticada por uma entidade do Estado/Município ou pelos outros Poderes que não o Executivo Além do caso acima explicado, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções pode ser aplicado também nas situações em que uma entidade estadual/municipal (ex: uma autarquia) descumpriu as regras do convênio e a União inscreve não apenas essa entidade, como também o próprio ente (Estado/Município) nos cadastros restritivos. Nesse sentido: (...) O postulado da intranscendência impede que sanções e restrições de ordem jurídica superem a dimensão estritamente pessoal do infrator. Em virtude desse princípio, as limitações jurídicas que derivam da inscrição, em cadastros públicos de inadimplentes, das autarquias, das empresas governamentais ou das entidades paraestatais não podem atingir os Estados-membros, projetando, sobre estes, consequências jurídicas desfavoráveis e gravosas, pois o inadimplemento obrigacional – por revelar-se unicamente imputável aos entes menores integrantes da administração descentralizada – só a estes pode afetar. Os Estados-membros e o Distrito Federal, em consequência, não podem sofrer limitações em sua esfera jurídica, motivadas pelo só fato de se acharem administrativamente vinculadas a eles as autarquias, as entidades paraestatais, as sociedades sujeitas a seu poder de controle e as empresas governamentais alegadamente inadimplentes e que, por tal motivo, hajam sido incluídas em cadastros federais (CAUC, SIAFI, CADIN, v.g.). (...) STF. Plenário. ACO 1848 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 06/11/2014. Poder Executivo não pode ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros Poderes ou órgãos autônomos DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 66 A imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de pendências de órgãos dotados de autonomia institucionale orgânico- administrativa, tais como o Ministério Público estadual, constitui violação do princípio da intranscendência, na medida em que o Governo do Estado não tem competência para intervir na esfera orgânica dessa instituição autônoma. O Poder Executivo não pode ser impedido de contratar operações de crédito em razão do descumprimento dos limites setoriais de despesa com pessoal por outros poderes e órgãos autônomos (art. 20, II, e 23, § 3º, da Lei de Responsabilidade Fiscal). STF. Plenário. ACO 3072, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – clipping). A União é parte legítima para figurar no polo passivo das ações em que Estado-membro impugna inscrição em cadastros federais desabonadores e/ou de restrição de crédito Caso concreto O Estado do Amapá possui débitos com o INCRA e com o IBAMA, duas autarquias federais. Em razão desses débitos, o Estado foi inserido no SIAFI, no CADIN e no CAUC, cadastros de inadimplência mantidos pela União. Tanto o INCRA como o IBAMA ajuizaram execução fiscal para cobrar os débitos e o Estado expediu precatórios, que, no entanto, ainda estão pendentes de pagamento. O Estado do Amapá ajuizou ação cível originária contra a União pedindo a exclusão do Estado dos cadastros restritivos. Legitimidade da União para figurar no polo passivo A União é parte legítima para figurar no polo passivo das ações em que Estado- membro impugna inscrição em cadastros federais desabonadores e/ou de restrição de crédito, mesmo que os débitos sejam decorrentes de dívidas com entidades federais (e não com a administração direta). Isso porque os Sistemas SIAFI/CAUC/CADIN são organizados e mantidos pela União, conforme suas leis de regência, do que decorre a legitimidade desta para figurar no polo passivo. Manutenção nos cadastros viola o princípio da razoabilidade É indevida a inscrição do Estado-membro nos cadastros desabonadores em decorrência de pendências administrativas relativas a DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 67 débitos já submetidos a pagamento por precatório. Isso porque a CF/88 já previu que, em caso de descumprimento do pagamento do precatório, existe a possibilidade de intervenção federal no ente inadimplente. Logo, é incompatível com o postulado da razoabilidade onerar duplamente o Estado- membro, tanto com a possibilidade de intervenção federal quanto com a sua inscrição em cadastros desabonadores. STF. Plenário. ACO 3083, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – clipping). Referências bibliográficas: Alexandre Mazza. Manual de Direito Administrativo. Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Curso de Direito Administrativo. Fernanda Marinela. Manual de Direito Administrativo. Maria Sylvia Zanella di Pietro. Direito Administrativo. Matheus Carvalho: Manual de Direito Administrativo Odete Medauar. Direito Administrativo Moderno. Rafael Carvalho Rezende Oliveira. Curso de Direito Administrativo Patrícia Baptista. Transformações do direito administrativo. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. QUESTÕES PROPOSTAS 01 - 2017 - FEPESE - PC-SC - Escrivão de Polícia Civil Trata-se de princípio básico da administração pública, proclamando a igualdade de tratamento que deve ser dispensada aos administrados que se encontrem em situação jurídica idêntica: a) Moralidade. b) Publicidade. c) Eficácia. d) Legitimidade. e) Impessoalidade. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 68 COMENTÁRIOS A- “O princípio da moralidade evita que a atuação administrativa se distancie da moral, que deve imperar com intensidade e vigor no âmbito da Administração Pública. Tal princípio obriga que a atividade administrativa seja pautada cotidianamente não só pela lei, mas também pelos princípios éticos da boa-fé, lealdade e probidade, deveres da boa administração.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) B- “No que se refere ao princípio da publicidade, convém esclarecer que a Administração Pública tem o dever de dar publicidade, ou seja, de conduzir ao conhecimento de terceiros, o conteúdo e a exata dimensão do ato administrativo, a fim de facilitar o controle dos atos da administração.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) C- A Eficiência é um dos princípios da Administração Pública, não a eficácia em si. “Quanto ao princípio da eficiência podemos dizer que o ordenamento jurídico censura a atuação amadorística do agente público, que, no exercício de sua função, deve imprimir incansável esforço pela consecução do melhor resultado possível e o máximo proveito com o mínimo de recursos humanos e financeiros.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) D- “Em razão do princípio da legalidade, somente é considerada legítima a atuação do agente público ou da Administração Pública, se for permitida por lei.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) E- “O princípio da impessoalidade compreende a igualdade de tratamento que a administração deve dispensar aos administrados que estejam na mesma situação jurídica. Exige, também, a necessidade de que a atuação administrativa seja impessoal e genérica, com vistas a satisfazer o interesse coletivo. Esta é a razão pela qual deve ser imputada a atuação administrativa ao órgão ou entidade estatal executora da medida, e não ao agente público, pessoa física.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) LETRA E 02 - 2016 - FEPESE - Prefeitura de Lages - SC - Administrador http://www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf http://www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 69 A respeito dos princípios administrativos, analise as afirmativas abaixo: 1. Toda e qualquer atividade administrativa deve ser autorizada por lei; não o sendo, a atividade é ilícita. 2. A impessoalidade objetiva a efetivação da igualdade de tratamento que a Administração Pública deve dispensar a todos os cidadãos que se encontrem na mesma situação jurídica. 3. A prática de nepotismo é condenável pela perspectiva da moralidade na Administração, impedindo cônjuges ou parentes próximos dos agentes públicos a ocuparem cargos efetivos mediante aprovação em concurso público. 4. O princípio da publicidade pode ser concretizado por diversos instrumentos jurídicos, entre eles o direito fundamental de petição. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 3. b) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 4 c) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4 d) São corretas apenas as afirmativas 2, 3 e 4. e) São corretas as afirmativas 1, 2, 3 e 4. COMENTÁRIOS A, B, C, D e E: "A legalidade é a diretriz base para a conduta de agentes da Administração Pública, assim sendo, toda e qualquer atividade administrativa deve ser autorizada por lei, não sendo, a atividade é ilícita." (http://www.tex.pro.br/home/artigos/264-artigos-jun-2014/6583-servidores-publicos- o-uso-da-esfera-publica-em-beneficio-proprio) Do princípio da impessoalidade, umbilicalmente ligado ao princípio da isonomia, decorre, em primeiro lugar, que a Administração deve dispensar o mesmo tratamento a todos aqueles administrados que estejam em uma mesma situação jurídica, sem quaisquer privilégios ou perseguições. Não há que se falar em nepotismo quanto ao provimento por cargo efetivo puramente. http://www.tex.pro.br/home/artigos/264-artigos-jun-2014/6583-servidores-publicos-o-uso-da-esfera-publica-em-beneficio-proprio http://www.tex.pro.br/home/artigos/264-artigos-jun-2014/6583-servidores-publicos-o-uso-da-esfera-publica-em-beneficio-proprio DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 70 Súmula Vinculante 13 do STF: “A nomeação de cônjuge,companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” A Lei nº 14.230/2021 passou a prever expressamente que a prática do nepotismo configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (...) XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) Através do Direito de Petição se pode alcançar a publicidade de atos administrativos, evidenciando-se a transparência da atuação da Administração Pública. LETRA B 03 - 2016 - FEPESE - Prefeitura de Lages - SC - Administrador http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 71 O posicionamento consagrado em Direito Administrativo de que é defeso ao Poder Judiciário apreciar o mérito do ato administrativo, cabendo-lhe examiná-lo apenas sob o aspecto da legalidade, decorre do princípio da: a) impessoalidade. b) proporcionalidade. c) supremacia do interesse público. d) separação de poderes. e) indisponibilidade. COMENTÁRIOS A- Pelo Princípio da Impessoalidade, o administrador deve orientar-se por critérios objetivos, não fazer distinções com base em critérios pessoais. Toda atividade da Adm. Pública deve ser praticada tendo em vista a finalidade pública. B- O princípio da proporcionalidade (razoabilidade) tem por finalidade precípua equilibrar os direitos individuais com os anseios da sociedade. Esse princípio, preceitua que nenhuma garantia constitucional goza de valor supremo e absoluto, de modo a aniquilar outra garantia de valor e grau equivalente. C- O interesse público tem SUPREMACIA sobre o interesse individual. Mas, essa supremacia só é legítima na medida em que os interesses públicos são atendidos. D- O STF e o STJ já se pronunciaram acerca desse tema, reiterando o entendimento de que “é defeso ao Poder Judiciário apreciar o mérito administrativo, cabendo-lhe unicamente examiná-lo sob o aspecto de sua legalidade[...]. Esta solução se funda no princípio da separação dos poderes, de sorte que a verificação das razões de conveniência ou de oportunidade dos atos administrativos escapa do controle judicial dos Estado” (STJ, ROMS nq 1288). E- Princípio da indisponibilidade do interesse público é um princípio implícito, referente às sujeições administrativas, que são limitações e restrições impostas à Administração com o intuito de evitar que ela atue de forma lesiva aos interesses públicos ou de modo ofensivo aos direitos fundamentais dos administrados. Como exemplos de sujeições podemos citar a necessidade de licitar – para poder contratar serviços e adquirir bens; e a realização de concursos públicos, para fins de contratação de pessoas. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 72 LETRA D 04 - 2015 - FEPESE - Prefeitura de Balneário Camboriú - SC - Analista Legislativo Com base na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal “a administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”. Assinale a alternativa que indica corretamente o princípio que corresponde ao verbete transcrito. a) Princípio da eficiência b) Princípio da autotutela c) Princípio da moralidade d) Princípio da impessoalidade e) Princípio da segurança jurídica COMENTÁRIOS A- “Quanto ao princípio da eficiência podemos dizer que o ordenamento jurídico censura a atuação amadorística do agente público, que, no exercício de sua função, deve imprimir incansável esforço pela consecução do melhor resultado possível e o máximo proveito com o mínimo de recursos humanos e financeiros.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) B- O princípio autotutela encontra-se consagrado em duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, lavradas nos seguintes termos: STF – Súmula 346: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”; STF – Súmula 473: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 73 C- “O princípio da moralidade evita que a atuação administrativa se distancie da moral, que deve imperar com intensidade e vigor no âmbito da Administração Pública. Tal princípio obriga que a atividade administrativa seja pautada cotidianamente não só pela lei, mas também pelos princípios éticos da boa-fé, lealdade e probidade, deveres da boa administração.” (www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista42/Revista42_130.pdf) D- Pelo Princípio da Impessoalidade, o administrador deve orientar-se por critérios objetivos, não fazer distinções com base em critérios pessoais. Toda atividade da Adm. Pública deve ser praticada tendo em vista a finalidade pública. E- A conjugação do princípio da segurança jurídica é possibilitar aos cidadãos confiança que o gestor público irá desempenhar seu trabalho de forma a atender todos os anseios da sociedade na administração pública. Conforme disserta Mello (2008, p. 124-125) “o direito brasileiro propõe-se a ensejar certa estabilidade, um mínimo de certeza na regência da vida social e a segurança jurídica coincide com uma das mais profundas aspirações do homem: a da segurança em si mesma”. LETRA B 05 - 2015 - FEPESE - Prefeitura de Balneário Camboriú - SC - Fiscal da Fazenda É correto afirmar sobre os princípios da Administração Pública. a) O princípio da eficiência impõe que a atuação administrativa deve pautar-se pela celeridade, perfeição técnica e visando a economicidade. b) Os princípios da legalidade, da indisponibilidade, da moralidade e da razoabilidade estão expressos na Constituição Federal. c) Os princípios do contraditório e da ampla defesa não se aplicam aos processos administrativos punitivos. d) O princípio da moralidade afirma que a divulgação oficial de suas ações é requisito de eficácia do ato administrativo. e) O princípio da legalidade estabelece que ao administrado só é lícito fazer o que a lei autoriza ou impõe. COMENTÁRIOS DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 74 A- A celeridade, perfeição técnica, economicidade são indicadores de eficiência da administração. B- CF/1988. Art. 37: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderesda União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:” C- Pode-se dizer que o princípio do contraditório começa antes da citação e não termina depois da sentença. Ademais, aplica-se mesmo a processos não punitivos ou de direitos disponíveis. (PORTANOVA, 2003, p.163) D- Trata-se do Princípio da Publicidade. E- Ao administrado é lícito fazer tudo que a Lei não proíbe. Ao passo que a administração só deve fazer o que a Lei autoriza. LETRA A 06 - 2018 - FCC- DPE-AM- Analista - Administrador A atuação da Administração pública é informada por princípios, muitos com previsão explícita na Constituição Federal, inerentes ao regime publicístico a que se encontra jungida. Nas situações concretas, esses princípios, muitas vezes, se interpenetram e precisam ser cotejados e harmonizados. Nesse diapasão, tem-se que a) o princípio da segurança jurídica impede que novas leis atinjam atos jurídicos aperfeiçoados com base na legislação precedente, sem que isso importe afronta ao princípio da legalidade. b) a supremacia do interesse público, pela sua maior relevância, pode sempre ser invocada para afastar o princípio da transparência. c) a economicidade se sobrepõe ao princípio da legalidade, na medida em que é um princípio finalístico. d) a moralidade, embora detenha o status de princípio constitucional, não comporta aplicação autônoma, só podendo ser invocada em conjunto com a legalidade. e) a razoabilidade autoriza a Administração a afastar o princípio da legalidade, vedando a imposição de restrições a direitos individuais. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 75 COMENTÁRIOS A- O princípio da segurança jurídica visa assegurar estabilidade às relações estabelecidas. CF- Art.5º, XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; B, C, D e E- A colisão entre princípios é resolvida à luz da proporcionalidade e razoabilidade ao se analisar um caso concreto. Logo, não há que se falar de sobreposição de um princípio sobre o outro. Letra A 07 - 2015 - CESPE - TJ-PB - Juiz de direito No que se refere aos princípios informativos e aos poderes da administração pública, assinale a opção correta. a) A administração pública deve dar publicidade aos atos administrativos individuais e gerais mediante publicação em diário oficial, sob pena de afronta ao princípio da publicidade. b) Por força do princípio da motivação, que rege a atuação administrativa, a lei veda a prática de ato administrativo em que essa motivação não esteja mencionada no próprio ato e indicada em parecer. c) Como a delegação de competência se assenta no poder hierárquico da administração pública, cujo pressuposto é a relação de subordinação entre órgãos e agentes públicos, é inadmissível a delegação de competência fora da linha vertical de subordinação e comando. d) No exercício do poder disciplinar, a administração pública pode impor sanção administrativa a servidor, sendo vedado ao Poder Judiciário, segundo jurisprudência, perquirir a motivação nesse caso. e) Normas jurídicas que garantam ao usuário do serviço público o poder de reclamar da deficiência na prestação do serviço expressam um dos princípios aplicáveis à administração pública, como forma de assegurar a participação do usuário na administração pública direta e indireta. COMENTÁRIOS LEI Nº 8.987/95: DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 76 Art. 7º. Sem prejuízo do disposto na Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, são direitos e obrigações dos usuários: IV - levar ao conhecimento do poder público e da concessionária as irregularidades de que tenham conhecimento, referentes ao serviço prestado; V - comunicar às autoridades competentes os atos ilícitos praticados pela concessionária na prestação do serviço; E 08 - 2014 - CESPE - TJ-DFT - Juiz de direito Considerando a relevância dos princípios do direito administrativo para atividade de administrador público, assinale a opção correta. a)Estando o administrador diante de ato administrativo viciado, o princípio da segurança jurídica lhe confere a opção, observado o critério de conveniência e oportunidade, de convalidar o ato se o vício for sanável, reconhecer a sua estabilização pelo decurso do tempo, modular os efeitos da anulação ou, ainda, invalidar o ato, com efeitos extunc. b)O princípio da supremacia do interesse público vem sendo questionado pela doutrina, em especial, após a CF, que estabeleceu o Estado democrático de direito e assegurou direitos e garantias individuais acima dos interesses do Estado, não existindo, por outro lado, norma constitucional que respalde a permanência de tal princípio no ordenamento jurídico. c)O princípio da eficiência funciona como diretriz a ser seguida pelo administrador, mas não pode ser utilizado como parâmetro de controle externo pelo tribunal de contas para fins de verificação de regularidade dos atos e contratos celebrados pelos administradores públicos. d)A violação de princípios da administração pública, tais como da moralidade, da impessoalidade e da eficiência, caracteriza ato de improbidade administrativa, desde que comprovado o dolo, ainda que genérico, do agente. e)Na esfera de atuação do poder de polícia, não pode a administração pública efetuar a demolição de obra irregular de forma sumária, sem observar os princípios do contraditório e da ampla defesa, devendo haver a oitiva prévia do interessado. COMENTÁRIOS AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.366.004 - GO (2011⁄0188857-6) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8078.htm DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 77 3. Ademais, "para a caracterização dos atos de improbidade administrativa previstos no art. 11 da Lei 8.429⁄92, é necessário que o agente ímprobo tenha agido ao menos com dolo genérico, prescindindo a análise de qualquer elemento específico para sua tipificação" (AgRg no AREsp 307.583⁄RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 28⁄6⁄2013). Outros precedentes: AgRg nos EREsp 1.260.963⁄PR, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 3⁄10⁄2012; e AgRg nos EAREsp 62.000⁄RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18⁄9⁄2012. Incidência da Súmula 83⁄STJ. D 09 - 2014 - FCC - PGE-RN - Procurador do Estado Sabe-se que a Administração tem o poder de rever seus próprios atos, observadas algumas condições e requisitos. Esse poder guarda fundamento nos princípios e poderes que informam a Administração pública, destacando-se, quanto à consequência de revisão dos atos, a) o poder de tutela, que incide sobre os atos da Administração pública em sentido amplo, permitindo a retirada, em algumas situações, de atos praticados inclusive por entes que integrem a Administração indireta. b) o princípio ou poder de autotutela, que incide sobre os atos da Administração, como expressão de controle interno de seus atos. c) os princípios da legalidade e da moralidade, inclusive porque estes podem servir de fundamento exclusivo para o ajuizamento de ação popular. d) o princípio da eficiência, pois não se pode admitir que um ato eivado de vícios produza efeitos. e) o poder de polícia, em sua faceta normativa, que admite o poder de revisão dos atos da Administração pública quando eivados de vícios ou inadequações. COMENTÁRIOS Princípio da autotutela: Poder-dever da Administração rever os seus próprios atos, seja para anulá-los ou revoga-los. Súmula 346 STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 78 Súmula 473 STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.B 10 - 2013 - CESPE - TJ-MA - Juiz de direito Com base na interpretação judicial do direito administrativo, assinale a opção correta. a) Não viola o princípio da igualdade a não realização por órgãos e entidades da administração pública de processo seletivo para contratação de estagiário, por não constituir tal recrutamento uma forma de provimento de cargo público. b) A circunstância de inexistir previsão específica para a interposição de recurso hierárquico em favor do sujeito passivo afasta o poder-dever da administração de examinar a validade do ato administrativo. c) Conforme entendimento do STF, há risco de grave lesão à ordem pública, bem como de efeito multiplicador, na decisão judicial que determina remoção de servidor para acompanhar cônjuge transferido a pedido, quando não há interesse público em removê-lo. d) Cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida. COMENTÁRIOS EMENTA: SERVIDOR PÚBLICO. Acompanhamento de cônjuge transferido a pedido. Remoção. Deferimento. Inadmissibilidade. Inobservância do princípio da isonomia. Risco de lesão à ordem pública. Efeito multiplicador presente. Decisão paradigmática. Suspensão de Segurança deferida. Agravo regimental improvido. Há risco de grave lesão à ordem pública, bem como de efeito multiplicador, na decisão judicial que determina remoção de servidor para acompanhar cônjuge transferido a pedido, quando não há interesse público em removê-lo. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 79 (STA 407 AgR, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 18/08/2010, DJe-164 DIVULG 02-09-2010 PUBLIC 03-09-2010 EMENT VOL- 02413-01 PP-00026 LEXSTF v. 32, n. 381, 2010, p. 324-329) C 11 - 2011 - CESPE - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz federal No que se refere aos princípios que regem o direito administrativo, as organizações sociais e as organizações da sociedade civil de interesse público, assinale a opção correta. a) As instituições hospitalares não gratuitas e as cooperativas são aptas para o recebimento da qualificação de organizações da sociedade civil de interesse público, nos termos da legislação de regência. b) Na sindicância, ainda que instaurada com caráter meramente investigatório ou preparatório de um processo administrativo disciplinar, é indispensável a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. c) Segundo o STJ, na hipótese em que o particular ocupa irregularmente área pública, não é cabível o pagamento de indenização por acessões ou benfeitorias, tampouco o direito de retenção, sob pena de ofensa aos princípios da indisponibilidade do patrimônio público e da supremacia do interesse público. d) O contrato de gestão, instituto oriundo da reforma administrativa, recebeu tratamento diferenciado no ordenamento jurídico nacional, a exemplo da Lei de Licitações e Contratos, que inseriu a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de gestão como hipótese de inexigibilidade de licitação. e) O auxílio que o poder público presta à organização social não pode abranger a destinação de recursos orçamentários e bens necessários ao cumprimento do contrato de gestão, ainda que mediante permissão de uso. COMENTÁRIOS ADMINISTRATIVO. OCUPAÇÃO DE ÁREA PÚBLICA POR PARTICULARES. CONSTRUÇÃO. BENFEITORIAS. INDENIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que o Tribunal de Justiça reconheceu que a área ocupada pelos recorridos é pública e não comporta posse, mas apenas mera detenção. No entanto, o acórdão equiparou o detentor a possuidor de boa-fé, para fins de indenização pelas benfeitorias. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 80 2. O legislador brasileiro, ao adotar a Teoria Objetiva de Ihering, definiu a posse como o exercício de algum dos poderes inerentes à propriedade (art. 1.196 do CC). 3. O art. 1.219 do CC reconheceu o direito à indenização pelas benfeitorias úteis e necessárias, no caso do possuidor de boa-fé, além do direito de retenção. O correlato direito à indenização pelas construções é previsto no art. 1.255 do CC. 4. O particular jamais exerce poderes de propriedade (art. 1.196 do CC) sobre imóvel público, impassível de usucapião (art. 183, § 3º, da CF). Não poderá, portanto, ser considerado possuidor dessas áreas, senão mero detentor. 5. Essa impossibilidade, por si só, afasta a viabilidade de indenização por acessões ou benfeitorias, pois não prescindem da posse de boa-fé (arts. 1.219 e 1.255 do CC). Precedentes do STJ. 6. Os demais institutos civilistas que regem a matéria ratificam sua inaplicabilidade aos imóveis públicos. 7. A indenização por benfeitorias prevista no art. 1.219 do CC implica direito à retenção do imóvel, até que o valor seja pago pelo proprietário. Inadmissível que um particular retenha imóvel público, sob qualquer fundamento, pois seria reconhecer, por via transversa, a posse privada do bem coletivo, o que está em desarmonia com o Princípio da Indisponibilidade do Patrimônio Público. 8. O art. 1.255 do CC, que prevê a indenização por construções, dispõe, em seu parágrafo único, que o possuidor poderá adquirir a propriedade do imóvel se "a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno". O dispositivo deixa cristalina a inaplicabilidade do instituto aos bens da coletividade, já que o Direito Público não se coaduna com prerrogativas de aquisição por particulares, exceto quando atendidos os requisitos legais (desafetação, licitação etc.). 9. Finalmente, a indenização por benfeitorias ou acessões, ainda que fosse admitida no caso de áreas públicas, pressupõe vantagem, advinda dessas intervenções, para o proprietário (no caso, o Distrito Federal). Não é o que ocorre em caso de ocupação de áreas públicas. 10. Como regra, esses imóveis são construídos ao arrepio da legislação ambiental e urbanística, o que impõe ao Poder Público o dever de demolição ou, no mínimo, regularização. Seria incoerente impor à Administração a obrigação de indenizar por imóveis irregularmente construídos que, além de não terem utilidade para o Poder Público, ensejarão dispêndio de recursos do Erário para sua demolição. 11. Entender de modo diverso é atribuir à detenção efeitos próprios da posse, o que enfraquece a dominialidade pública, destrói as premissas básicas do Princípio da Boa- DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 81 Fé Objetiva, estimula invasões e construções ilegais e legitima, com a garantia de indenização, a apropriação privada do espaço público. 12. Recurso Especial provido. RECURSO ESPECIAL Nº 945.055 - DF (2007⁄0092986-1) C 12 - 2016 - CESPE - TCE-PR - Analista de Controle Quando a União firma um convênio com um estado da Federação, a relação jurídica envolve a União e o ente federado e não a União e determinado governador ou outro agente. O governo se alterna periodicamente nos termos da soberania popular, mas o estado federado é permanente. A mudança de comando político não exonera o estado das obrigações assumidas. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido que a inscrição do nome de estado-membro em cadastro federal de inadimplentes devido a ações e(ou) omissões de gestões anteriores não configura ofensa ao princípio da administração pública denominado princípio do(a) a) intranscendência. b) contraditório e da ampla defesa. c) continuidade do serviço público. d) confiança legítima. e) moralidade. COMENTÁRIOS Conforme constou do Informativo 825 do STF: “Ente Federativo: princípio da intranscendência e inscrição em cadastros federais de inadimplência É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em especial, do contraditório e da ampla defesa, relativamente à inscrição de entes públicosem cadastros federais de inadimplência. Com base nesse entendimento, a Primeira Turma julgou procedente pedido formulado em ação civil originária para afastar o registro do Estado do Amapá no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), relativo a convênios firmados entre ele e a União. Na espécie, assinalou a ausência de oitiva do interessado e de instauração de tomada de contas especial pelo Tribunal de Contas da DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 82 União. Acrescentou, entretanto, que a questão referente à necessidade de prévio julgamento de tomada de contas especial para fins de inscrição em cadastro de inadimplentes deverá ser enfrentada pelo Plenário, em recurso extraordinário submetido à sistemática da repercussão geral (RE 607.420/PI). Por outro lado, o Colegiado asseverou que a inscrição do nome do Estado-Membro em cadastro federal de inadimplentes em face de ações e/ou omissões de gestões anteriores não configura ofensa ao princípio da intranscendência. Acrescentou que vigora, no âmbito da Administração Pública, o princípio da impessoalidade, previsto no artigo 37 da CF. A relação jurídica envolve a União e o ente federal, e não a União e certo governador ou outro agente. O governo se alterna periodicamente nos termos da soberania popular, mas o Estado é permanente. A mudança de comando político não exonera o Estado das obrigações assumidas. ACO 732/AP, rel. Min. Marco Aurélio, 10.5.2016. (ACO-732)” A 13 - 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia Considerando os princípios e fundamentos teóricos do direito administrativo, assinale a opção correta. a) As empresas públicas e as sociedades de economia mista, se constituídas como pessoa jurídica de direito privado, não integram a administração indireta. b) Desconcentração é a distribuição de competências de uma pessoa física ou jurídica para outra, ao passo que descentralização é a distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica, em razão da sua organização hierárquica. c) Em decorrência do princípio da legalidade, é lícito que o poder público faça tudo o que não estiver expressamente proibido pela lei. d) A administração pública, em sentido estrito e subjetivo, compreende as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes públicos que exerçam função administrativa. e) No Brasil, por não existir o modelo da dualidade de jurisdição do sistema francês, o ingresso de ação judicial no Poder Judiciário para questionar ato do poder público é condicionado ao prévio exaurimento da instância administrativa. COMENTÁRIOS http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=732&classe=ACO&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 83 A expressão Administração Pública, em sentido subjetivo, orgânico ou formal representa o conjunto de órgãos e agentes estatais no exercício da função administrativa. Já o termo administração pública em sentido material ou objetivo se confunde com a função administrativa, ou seja, designa a atividade administrativa exercida pelo Estado. D 14 - 2014 - FCC - Prefeitura de Recife – PE - Procurador No que diz respeito ao regime jurídico administrativo, considere as seguintes afirmações: I. Há, neste tipo de regime, traços de autoridade, de supremacia da Administração, sendo possível, inclusive, que nele se restrinja o exercício de liberdades individuais. II. As chamadas prerrogativas públicas, para que sejam válidas, devem vir respaldadas em princípios constitucionais explícitos na Constituição Federal. III. Via de regra, também integram o regime jurídico administrativo de um município as leis, os decretos, os regulamentos e as portarias do Estado em que ele se localiza. IV. É tendência da maioria da doutrina administrativista contemporânea não mais falar em “restrições” ou “sujeições” como traço característico do regime jurídico administrativo, em razão dessas expressões poderem levar à falsa conclusão de que as atividades da Administração que visam a beneficiar a coletividade podem estar sujeitas a limites. Está correto o que se afirma APENAS em a) IV. b) I c) I e III. d) II e IV. e) I, II e III. COMENTÁRIOS DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 84 O Direito Administrativo compõe o ramo do Direito Público, pois tem como características e princípios marcantes a Supremacia do Interesse Público (relações jurídicas verticalizadas), a Indisponibilidade do Interesse Público e a Legalidade. Princípio da supremacia do interesse público sobre o privado (princípio da finalidade pública) – O interesse público divide-se em (doutrina italiana): i. Interesse público primário: Necessidade de satisfação das necessidades coletivas. É o interesse com as necessidades sociais; ii. Interesse público secundário: É o interesse do próprio Estado, enquanto sujeito de direitos e obrigações, ligando-se à noção de interesse do erário. É o interesse do Estado com si próprio, como pessoa jurídica de direito público que é. Assim, pelo princípio, há uma primazia de soluções e decisões que atendam ao interesse coletivo, em detrimento do interesse de um único indivíduo ou grupo seleto de indivíduos. B 15 – 2016 – CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia Tendo como referência a jurisprudência majoritária do STF acerca dos princípios expressos e implícitos da administração pública e do regime jurídico-administrativo, assinale a opção correta. a) Se houver repasse de verbas federais a município, a aplicação desses recursos pelo governo municipal não será objeto de fiscalização do órgão controlador federal, dado o princípio da autonomia dos entes federados. b) A alteração, por meio de portaria, das atribuições de cargo público não contraria direito líquido e certo do servidor público investido no cargo, diante da inexistência de direito adquirido a regime jurídico. c) A administração pública não pode, mediante ato próprio, desconsiderar a personalidade jurídica de empresa fiscalizada por tribunal de contas; a esse caso não se aplica a doutrina dos poderes implícitos. d) Segundo o STF, a vedação ao nepotismo decorre diretamente de princípios constitucionais explícitos, como os princípios da impessoalidade, da moralidade administrativa e da igualdade, não se exigindo a edição de lei formal para coibir a sua prática. DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 85 e) De acordo com o princípio da eficiência, a administração pode revogar seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos. Também pode anulá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, hipótese na qual devem ser respeitados os direitos adquiridos. COMENTÁRIOS “Não é privativa do Chefe do Poder Executivo a competência para a iniciativa legislativa de lei sobre nepotismo na Administração Pública: leis com esse conteúdo normativo dão concretude aos princípios da moralidade e da impessoalidade do art. 37, caput, da Constituição da República, que, ademais, têm aplicabilidade imediata, ou seja, independente de lei. Precedentes. Súmula Vinculante n. 13. 3. Recurso extraordinário provido.”. (RE 570392, Repercussão Geral, Rel. Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 11/12/2014) Vale relembrar o enunciado da Súmula Vinculante 13: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.”. A Lei nº 14.230/2021 passou a prever expressamente que a prática do nepotismo configura ato de improbidade administrativaque atenta contra os princípios da administração pública: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: (Redação dada pela Lei nº 14.230, de 2021) (...) XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2 DIREITO ADMINISTRATIVO META 01 86 investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; (Incluído pela Lei nº 14.230, de 2021) D http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14230.htm#art2