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Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas

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309
ObjetIvOs de aprendIzagem 
Após estudar este capítulo, você estará ca-
pacitado para:
»» Definir o conceito de treinamento e de-
senvolvimento de pessoas. 
»» Descrever os tipos de mudanças provoca-
das pelo treinamento.
»» Definir o processo de treinamento e suas 
principais etapas. 
»» Descrever como se faz o diagnóstico das 
necessidades de treinamento.
»» Definir como se faz a programação de trei-
namento.
»» Explicar a implementação do programa 
de treinamento.
»» Definir como se avalia o programa de trei-
namento.
O Que será vIstO adIante 
»» Conceito de treinamento.
»» Processo de treinamento.
»» Diagnóstico das necessidades de treina-
mento.
»» Mapeamento das competências.
»» Desenho do programa de treinamento.
»» Execução do programa de treinamento.
»» Avaliação do programa de treinamento.
»» Tendências do treinamento.
tReInaMento
CaPítulo 12
CasO IntrOdutórIO: 
treinamento na Bioterápica Ânfora S/A 
Na melhor tradição burocrática, no mês de dezembro 
de cada ano, a divisão de recursos humanos (DRH) da 
Bioterápica Ânfora S/A enviava a todos os gerentes uma 
relação detalhada de todos os cursos externos oferecidos 
no mercado para que cada gerente escolhesse os mais 
apropriados para seus funcionários e os agendasse para 
o próximo ano. A empresa dotava uma verba orçamen-
tária anual de 3% do seu faturamento para que o depar-
tamento de treinamento (DT) fizesse os investimentos 
anuais. Cada gerente deveria relacionar os funcionários 
que considerava candidatos aos cursos externos, fixar as 
datas estabelecidas e devolver a relação para a DRH que, 
após aprová-la, encaminhava ao DT a fim de que este fi-
zesse as inscrições e os respectivos pagamentos. 
Em uma reunião com outros executivos de RH, Ma-
ria do Carmo Silveira, a gerente da DRH, ficou sabendo 
que outras empresas do mercado estavam transforman-
do o órgão de treinamento em um órgão de consulto-
ria interna e atuação estratégica. Maria do Carmo logo 
percebeu que o DT da Ânfora não passava de um órgão 
operacional e intermediador que não lidava com treina-
mento, mas com papéis e assuntos rotineiros. Concluiu 
que era preciso modificá-lo urgentemente. Como se 
poderia ajudá-la?
As pessoas constituem o principal patrimônio das 
organizações. O capital humano das organizações – 
composto de pessoas, que vão desde o mais simples 
operário ao seu principal executivo – passou a ser uma 
questão vital para o sucesso do negócio. E também o 
principal diferencial competitivo das empresas bem-
-sucedidas. Em um mundo mutável e competitivo, em 
uma economia globalizada e sem fronteiras, as orga-
nizações precisam se preparar continuamente para os 
desafios da inovação e da competitividade. Para serem 
bem-sucedidas, as organizações precisam de pessoas 
talentosas, espertas, ágeis, empreendedoras e dispostas 
310 parte v – desenvoLvendo pessoas
a assumir riscos. São elas que fazem as coisas acontece-
rem, conduzem os negócios, elaboram produtos e pres-
tam serviços de maneira excepcional. Para conseguir 
isso é vital o intenso treinamento e a preparação das 
pessoas. As organizações mais bem-sucedidas inves-
tem pesadamente em treinamento para obter um re-
torno garantido. Para elas, treinamento não é uma sim-
ples despesa, mas um precioso investimento, tanto na 
organização quanto nas pessoas que nela trabalham. E 
isso traz benefícios diretos para a clientela. E também 
para todos os stakeholders.
conceIto de tReInamento 
O conceito de treinamento pode assumir vários 
significados. No passado, alguns especialistas em RH 
consideravam o treinamento como um meio para 
adequar a pessoa ao seu cargo e desenvolver a força 
de trabalho da organização a partir do simples preen-
chimento de cargos. Mais recentemente, o conceito 
foi ampliado para considerar o treinamento como um 
meio para melhorar o desempenho no cargo. E qua-
se sempre o treinamento tem sido entendido como o 
processo pelo qual a pessoa é preparada para desem-
penhar de maneira excelente as tarefas específicas do 
cargo que deve ocupar. Modernamente, o treinamento 
é considerado um meio de desenvolver competências 
nas pessoas para que elas se tornem mais produtivas, 
criativas e inovadoras a fim de contribuir melhor para 
os objetivos organizacionais e se tornar cada vez mais 
valiosas. Assim, o treinamento é uma fonte de lucrati-
vidade ao permitir que as pessoas contribuam efetiva-
mente para os resultados do negócio. Nesses termos, o 
treinamento é uma maneira eficaz de agregar valor às 
pessoas, à organização e consequentemente aos clien-
tes. Enriquece o patrimônio humano das organizações 
e é o responsável pela formação do capital intelectual 
das organizações. Muito embora essas três concepções 
de treinamento sejam aplicadas, a terceira certamente 
tem maior impacto e importância.
dICa: algumas definições de treinamento 
 
•» treinamento é o processo de desenvolver qualidades 
nos recursos humanos para habilitá-los a serem mais 
produtivos e contribuir melhor para o alcance dos ob-
jetivos organizacionais. O propósito do treinamento 
é aumentar a produtividade dos indivíduos em seus 
cargos influenciando seus comportamentos.1
•» treinamento é o processo de ensinar aos novos em-
pregados as habilidades básicas de que necessitam 
para desempenhar seus cargos.2
•» treinamento é o processo sistemático de alterar o 
comportamento dos empregados na direção do al-
cance dos objetivos organizacionais. O treinamento 
está relacionado com as atuais habilidades e capaci-
dades exigidas pelo cargo. Sua orientação é ajudar 
os empregados a utilizar com sucesso suas princi-
pais habilidades e capacidades.3
•» treinamento é a experiência aprendida que produz 
uma mudança relativamente permanente em um in-
divíduo e que melhora sua capacidade de desempe-
nhar um cargo. Pode envolver uma mudança de habi-
lidades, conhecimento, atitudes ou comportamento. 
isso significa mudar o que os empregados conhecem, 
como eles trabalham, suas atitudes diante do trabalho 
e suas interações com os colegas ou supervisor.4
•» treinamento é o processo educacional de curto pra-
zo e aplicado de maneira sistemática e organizada, 
pelo qual as pessoas aprendem conhecimentos, ati-
tudes e competências em função de objetivos pre-
viamente definidos.5
O treinamento tem muito a ver com o conhecimen-
to; principalmente com o conhecimento corporativo. 
Na Era da Informação, que se está atravessando, o conhe-
cimento é o recurso mais importante e valioso. E se ele 
é fundamental, a produtividade do conhecimento é que 
constitui a chave do sucesso da organização. Peter Druc-
ker apregoa que tornar o conhecimento produtivo cons-
titui hoje uma responsabilidade gerencial. Mais do que 
isso, um desafio organizacional. Isso requer a aplicação 
profícua do conhecimento ao conhecimento. O conhe-
cimento é bom principalmente quando é útil. Em outras 
palavras, o conhecimento somente será produtivo se for 
aplicado para criar uma diferença sensível: produzir re-
sultados, melhorar processos, adicionar valor e gerar ri-
queza. Em um mundo informatizado em que todos têm 
acesso à informação, sobressaem-se as pessoas capazes 
de acessá-la, interpretá-la e transformá-la rapidamen-
te – e antes dos outros – em um novo produto, serviço, 
aplicação, inovação ou oportunidade. Além disso, o trei-
namento também ter muito a ver com a construção de 
competências, como se verá adiante.
CapÍtULo 12 – treInaMento 311
Há uma diferença entre treinamento e desenvolvi-
mento (T&D) de pessoas. Embora seus métodos sejam 
similares para afetar a aprendizagem, a sua perspectiva 
de tempo é diferente. O treinamento é orientado para o 
presente, focalizando o cargo atual e buscando melho-
rar as habilidades e competências relacionadas com o 
desempenho imediato do cargo. O desenvolvimento de 
pessoas focaliza os cargos a serem ocupados futuramen-
te na empresa e as novas habilidades e competências 
que serão requeridas.6 Ambos, treinamento e desenvol-
vimento (T&D) constituem processos de aprendizagem.Aprendizagem significa uma mudança no comporta-
mento da pessoa pela incorporação de novos hábitos, 
atitudes, conhecimentos, destrezas e competências. 
Pelo treinamento – e pelo desenvolvimento de 
pessoas –, cada pessoa pode assimilar informações, 
aprender habilidades, desenvolver atitudes e compor-
tamentos diferentes, desenvolver conceitos abstratos 
e, sobretudo, construir competências individuais. A Fi-
gura 1 mostra esses cinco tipos de mudanças de com-
portamento pelo treinamento.
A maior parte dos programas de treinamento está 
concentrada em transmitir informações ao colabo-
rador sobre a organização, suas políticas e diretrizes, 
regras e procedimentos, missão e visão organizacio-
nal, seus produtos/serviços, clientes, concorrentes, 
etc. A informação guia o comportamento das pessoas 
e o torna mais eficaz e mais bem direcionado. Alguns 
programas de treinamento estão concentrados em de-
senvolver habilidades das pessoas para habilitá-las e 
capacitá-las no seu trabalho. Outros visam ao desen-
volvimento de novos hábitos e atitudes para lidar com 
clientes internos e externos, com o próprio trabalho, 
com os subordinados e com a organização. Ainda ou-
tros programas estão preocupados em desenvolver 
conceitos e elevar o nível de abstração das pessoas 
para que elas possam pensar, raciocinar, julgar, decidir 
e agir em termos mais amplos. Por fim, programas que 
criam e desenvolvem competências individuais ali-
nhadas com os objetivos do negócio. Quase sempre, as 
organizações estão utilizando vários tipos de mudan-
ças de comportamento ao mesmo tempo em seus pro-
gramas de treinamento. Ao desenvolver habilidades 
nas pessoas, também estão transmitindo informações 
e incentivando o desenvolvimento de atitudes e con-
ceitos, simultaneamente. Boa parte dos programas de 
treinamento procura mudar atitudes reativas e conser-
vadoras das pessoas para atitudes proativas e inovado-
ras para melhorar o espírito de equipe e a criatividade.
vOltandO aO CasO IntrOdutórIO: 
treinamento na Bioterápica Ânfora S/A 
Maria do Carmo, a gerente da DRH da Bioterápica 
Ânfora, reuniu-se com Jorge Pedreira, o supervisor do 
DT, para negociar com ele os objetivos e metas a serem 
alcançados para o órgão de treinamento. Ela queria ho-
rizontes mais amplos para o DT e torná-lo um compo-
nente estratégico ligado diretamente aos negócios da 
organização. Jorge não estava acostumado a essa visão 
global e estendida no longo prazo, mas percebeu que 
aumentar o conhecimento das pessoas
Informações sobre a organização, seus produtos/serviços, políticas e 
diretrizes, regras e regulamentos e seus clientes
Transmissão de 
informações
Desenvolver/modificar comportamentos
Mudança de atitudes negativas para atitudes favoráveis, conscientização e 
sensibilidade com as pessoas, com os clientes internos e externos
Desenvolvimento 
de atitudes
melhorar as habilidades e as destrezas
Habilitar para a execução e a operação de tarefas, manejar equipamentos, 
máquinas e ferramentas
Desenvolvimento 
da habilidade
Desenvolvimento 
de conceitos
elevar o nível de abstração
Desenvolver ideias e conceitos para ajudar as pessoas a pensar em termos 
globais e amplos
Construção de 
competências
Criar competências individuais
Criar e desenvolver competências individuais alinhadas com os objetivos 
da organização
Treinamento
fIgura 1 Tipos de mudanças de comportamento decorrentes do treinamento.
312 parte v – desenvoLvendo pessoas
deixaria de ser um burocrata para se transformar em 
um consultor interno da empresa.
Qual é o foco do treinamento?
O treinamento pode estar focado na preparação 
das pessoas para o trabalho em si – em função do car-
go – ou para fornecer valor agregado e resultados para 
a organização – em função das competências a serem 
criadas ou desenvolvidas. O foco na preparação para 
o trabalho em si está cedendo espaço para o foco nas 
competências. Além da preocupação com informação, 
habilidades, atitudes e conceitos, o treinamento está 
sendo fortemente inclinado a desenvolver certas com-
petências desejadas pela organização. O treinamento 
por competências se baseia em um prévio mapeamen-
to das competências essenciais necessárias ao sucesso 
organizacional. A seguir, essas competências essen-
ciais são desdobradas por áreas da organização (com-
petências funcionais) em gestores de pessoas (compe-
tências gerenciais ou de liderança) e em competências 
individuais. Todas as competências – em níveis organi-
zacional, divisional, gerencial e individual – precisam 
ser definidas de maneira clara e objetiva para serem 
entendidas por todos os parceiros. A partir dessa defi-
nição, podem-se estabelecer os objetivos – que servirão 
de métricas ou indicadores – e os programas de treina-
mento para todas as pessoas envolvidas (Figura 2).
Todavia, há uma incrível vastidão e uma enorme 
diversidade de competências. Nesse cenário, as or-
ganizações – para alcançarem seus objetivos globais 
– precisam localizar e identificar claramente as com-
petências necessárias que lhes permitirá alcançar tais 
objetivos da melhor maneira possível (Figura 3).
Além disso, tudo muda na medida em que os ob-
jetivos do negócio mudam. No fundo, a provisão de 
competências constitui o melhor caminho para uma 
organização atingir seus objetivos de maneira eficien-
te e eficaz (Figura 4). 
diferença entre treinamento e desenvolvimento 
O treinamento é o núcleo de um esforço contínuo 
desenhado para melhorar a atividade das pessoas e, 
consequentemente, o desempenho organizacional. 
Trata-se de um dos processos de GP mais importantes. 
O treinamento é desenhado para construir talentos 
com conhecimento e habilidades necessárias aos seus 
cargos atuais ou construir competências individuais. 
Treinamento
Objetivo 
primário
Objetivo final
Eficiência
Eficácia
Indicador
Retorno sobre o 
investimento
Baseado em cargos
Preparar o ocupante para o desempenho nos 
cargos ocupados
Ocupantes de cargos treinados e preparados
Rapidez, qualidade e baixo custo de treinamento
Força de trabalho adequadamente treinada e 
preparada para o desempenho de cargos
Cargos ocupados com ocupantes treinados e 
preparados
Ocupantes de cargos treinados e custos de 
treinamento
Baseado em competências
Desenvolver competências individuais
Competências disponíveis para serem aplicadas a 
qualquer momento na organização
Rapidez na construção e no desenvolvimento de 
competências necessárias
Construção de novas competências aplicáveis na 
organização
Pessoas dotadas de competências essenciais para 
o sucesso do negócio
Pessoas competentes e custos de treinamento
fIgura 2 Treinamento baseado em cargos versus treinamento baseado em competências.
CapÍtULo 12 – treInaMento 313
fIgura 3 Diversidade de competências.
Competências 
gerenciais
Competências 
fundamentais
Competências 
interacionais
Trabalho produtivo com 
outros
•» Relacionamento 
interpessoal
•» Liderança
Competências de 
solução de problemas
identificação, definição e 
aplicação de soluções
•» Percepção
•» Julgamento
•» Decisão
•» Planejamento de 
organização
Competências de 
capacitação
Reconhecimento da 
necessidade de mudança e 
como empreendê-la
•» Habilidade de ação
•» Adaptabilidade e 
flexibilidade
Competências 
de apoio
Competências de comunicação
Condução das pessoas de maneira eficiente e eficaz
•» Habilidade de comunicação
•» Habilidade de empatia
•» Habilidade de motivação
•» Habilidade de negociação
•» Habilidade de gestão de conflitos
fIgura 4 Competências como meios de alcançar objetivos.
vontade de se tornar 
mais responsável
Impulso para crescer
Liderança de grandes equipes
Motivação de outros
Crescimento da 
empresa decorrente do 
aumento generalizado 
de vendas
Tomada de decisões/
alerta mental
Atenção para detalhes e 
para controles
Conhecimento de processos/
habilidades
Melhorias 
substanciais na estrutura 
de custos ou na 
produtividade
Criatividade
Pensamento estratégico
Conhecimento do mercado e 
comercializaçãoAumento substancial 
de um produto ou 
linha de produtos após 
um longo período de 
estagnação
Execução eficaz de 
um projeto ou programa 
de desenvolvimento de 
novos produtos
Habilidades de 
influenciação
Liderança de pequenas 
equipes
Planejamento operacional
Objetivos do negócio Competências em evidência Já o desenvolvimento envolve aprendizagem que vai 
além do cargo atual e se estende à carreira da pessoa 
com um foco no longo prazo para preparar as pessoas 
para acompanhar as mudanças e o crescimento da or-
ganização.
gp de HOje: a disciplina dos líderes do 
mercado 7 
No seu livro Disciplina dos líderes do mercado 8, 
Wiersema e Treacy afirmam que as empresas que lide-
ram o mercado oferecem preço mais baixo ou acenam 
com o melhor produto ou ainda oferecem a cada clien-
te o que ele quer sob medida. Para os autores, existem 
três qualidades absolutamente vitais nas empresas lí-
deres de mercado. 
1. foco: elas centram o foco em um único ponto valori-
zado pelos clientes. Não tentam atender a todo tipo 
de solicitação dos consumidores, nem podem ofe-
recer o serviço mais completo e confiável ou o preço 
mais baixo ou o melhor produto. Elas oferecem algo 
314 parte v – desenvoLvendo pessoas
que o cliente valorize. O importante é que as líderes 
centram totalmente sua atenção nesse ponto, dão o 
melhor de si para atingi-lo, e não se preocupam tanto 
em ser as melhores em outros pontos. 
2. Valor: elas tentam melhorar continuamente o valor 
do que oferecem aos clientes com muita dedicação. 
Não se contentam em fazer a mesma coisa dia após 
dia só porque a fazem bem. Tentam melhorar todos 
os dias e são ótimas nisso. 
3. disciplina: a terceira característica, e a mais importan-
te, é que elas chegam à excelência de maneira extre-
mamente disciplinada. Estão concentradas em atingir 
um desempenho superior exatamente naquele ponto 
que seus clientes valorizam. A preparação e o treina-
mento dos funcionários são focados nessa meta. A sua 
cultura corporativa dá pleno apoio às pessoas para 
que elas cheguem rapidamente lá. Elas constroem 
uma tremenda máquina operacional para entregar 
aos clientes exatamente aquele específico valor que 
elas priorizam. Essas empresas – como McDonald’s, 
Toyota, Johnson & Johnson, Hewlett-Packard e Ford 
– se apoiam nas pessoas, e não é nenhum segredo 
como elas administram seus negócios a partir das 
pessoas. O treinamento está por trás disso tudo.
O treinamento está por trás disso tudo. Dê sua opi-
nião a respeito.
dICa: fatores que afetam o T&D 9 
A mudança é, sem dúvida alguma, o fator que mais 
impacta os esforços de T&D. Mas outros fatores afetam o 
alcance dos objetivos de T&D nas organizações, tais como:
•» apoio da alta administração: este é o requisito 
fundamental para o sucesso dos esforços de T&D. 
Sem ele, qualquer programa de T&D se transforma 
em tempo, esforço e dinheiro jogados fora. O apoio 
deve ser real e constante e deve ser comunicado e 
enfatizado a toda a organização. A maneira mais efi-
caz é a participação ativa dos executivos nos progra-
mas de treinamento.
•» compromisso dos especialistas e dos generalis­
tas: todos os gerentes – tanto os executivos de ges-
tão de pessoas (GP) quanto os executivos de linha 
– precisam estar direta e intimamente ligados aos 
programas de T&D. O lembrete é: a responsabilida-
de fundamental pelo T&D é dos executivos de linha, 
desde o presidente até a base da organização. Os 
profissionais de T&D devem proporcionar a expertise 
técnica e o suporte adequado.
•» avanços da tecnologia: nenhum fator tem influen-
ciado mais o T&D do que a tecnologia. O computador 
e a Internet estão afetando profundamente todas as 
funções de negócios e mudando completamente a 
maneira como o conhecimento está sendo divulga-
do às pessoas. E essa mudança está continuamente 
sendo expandida.
•» Complexidade organizacional: organizações acha-
tadas e horizontalizadas possuem poucos níveis 
hierárquicos e dão a impressão de serem apenas ar-
ranjos simples de pessoas e tarefas. Nada mais enga-
noso. As tarefas de indivíduos e equipes estão sendo 
ampliadas e enriquecidas, e o resultado é o tempo 
maior no cargo para desempenhar tarefas mais com-
plexas e que exigem novos conhecimentos. A inte-
ração entre indivíduos e grupos torna-se mais com-
plicada. A cadeia tradicional de comando que produz 
um senso de estabilidade às custas da eficiência está 
sendo alijada da organização moderna. As mudan-
ças rápidas na tecnologia, em produtos, sistemas e 
métodos de trabalho, estão trazendo forte impacto 
sobre os requisitos do trabalho fazendo com que 
as pessoas tenham de aumentar suas habilidades e 
desenvolver atitudes que lhes permitam adaptar-se 
às mudanças que resultam do downsizing, inovação 
tecnológica, demandas dos clientes por melhores 
produtos e serviços. O resultado é a crescente com-
plexidade das atividades, já que são as pessoas que 
precisam fazer todas essas coisas. Tudo isso é transfe-
rido para novas necessidades de T&D.
•» Princípios de aprendizagem: o propósito do T&D 
está em mudar o comportamento das pessoas. A in-
formação deve ser aprendida para que a mudança 
possa ocorrer. Nesse sentido, as ciências comporta-
mentais têm beneficiado os programas de T&D com 
princípios de aprendizagem que facilitam o proces-
so de mudança das pessoas.
•» outros processos de gP: as atividades de T&D depen-
dem de todos os processos de GP. Se o recrutamento e 
a seleção introduzem candidatos sem as qualificações 
necessárias, é fundamental ter um programa de T&D 
CapÍtULo 12 – treInaMento 315
adequado para melhorá-las, quando poderia estar 
sendo endereçado para outras qualificações superio-
res. Além disso, os programas de T&D são influencia-
dos pelos pacotes de remuneração da organização, 
pela maneira como a organização avalia o desem-
penho das pessoas, como elas são promovidas e re-
compensadas. A visão holística da GP é fundamental 
para que todos os processos – inclusive T&D – possam 
interagir e influenciar-se reciprocamente na busca de 
sinergia. isso significa multiplicar resultados.
avalIaçãO CrítICa: operários devem voltar 
à escola 10 
As técnicas de modernidade desceram dos escritórios 
para o chão das fábricas e, enquanto se espalham, põem 
à prova o raciocínio e a capacidade intelectual dos ope-
rários. Eles são hábeis nas mãos e fortes com os ombros, 
mas não tiveram a mesma formação escolar que tiveram 
os colegas do primeiro mundo, com oito ou dez anos bá-
sicos de escola. A carência é pequena quando se trata de 
mandrilar uma engrenagem, mas transforma-se em um 
abismo quando é preciso transferir informações geren-
ciais para um computador ligado ao sistema distribuído 
de controle de materiais. A tecnologia implantada na or-
ganização pelas centenas de computadores exige uma 
argúcia intelectual só disponível entre os que fizeram o 
fundamental (antigo ginásio) completo. A muralha infor-
mática que isolou o país por década e meia produz agora, 
vários anos depois, o seu último e mais cruel malefício, 
empurrando a nata do operariado ao limbo da ignorância.
Empresas com produtos superespecializados, como 
fibras óticas, contornam o problema recrutando operá-
rios entre os recém-formados de escolas superiores de 
tecnologia. Empresas criativas do interior de São Paulo, 
onde há boa oferta de faculdades de engenharia, pagam 
cursos noturnos para uma parte de seus jovens operários 
formados no ensino médio do Senai. São atalhos louvá-
veis, mas insuficientes. No novo milênio, a gestão des-
centralizada suprimiu camadas hierárquicas de gerentes 
e supervisores, trocou as linhas de montagem desuma-
nas por células multidisciplinares de produção, encur-
tou a distância entre o cérebro e as pernas da empresa, 
graças aos sistemas de informação. E estes, por sua vez, 
requerem dados precisos e pessoas capacitadas.
A redução de custos eliminou postos de trabalho e 
impôs responsabilidade maior aos sobreviventes e exi-
giu adaptações numa corrida selvagem pela moderni-
zação. Umaindústria mecânica média nos Estados Uni-
dos tem um microcomputador no chão da fábrica para 
cada dois operários. No Brasil, as melhores empresas 
têm um microcomputador para cada dez trabalhadores. 
O operário norte-americano anda pelo galpão fazendo 
suas tarefas e registra-as no microcomputador mais 
próximo com sua senha. Com seu cartão magnético 
acessa relatórios, informa o estágio das tarefas e deixa o 
pessoal a par do estoque de material pronto e semiaca-
bado. Aqui, cada estação precisa de um encarregado ou 
líder que representa a burocracia. É menos competição, 
que no fim do dia significa menos empregos. 
A solução para esse buraco é tapá-lo sem desvios na 
rota do progresso. Para tanto, capital e trabalho devem ar-
rumar uma fórmula para atualizar multidões de operários, 
sem aumentar custos. Isso requer concessões de cada lado. 
As empresas precisam custear as aulas, mas, em contrapar-
tida, os sindicatos devem endossar uma redução propor-
cional nos salários. Eis aí um tabu, pois a Constituição de 
1988 proclama a irredutibilidade dos salários. A coopera-
ção e a ousadia permitiriam ensinar centenas de milhares 
de trabalhadores na faixa de 25 a 35 anos a pensar com 
lógica, o que deve consumir pelo menos 3 mil horas de au-
las distribuídas em três anos para cada turma. Sem isso, as 
fábricas de ponta não aportarão no Brasil durante anos e, 
sem elas, os empregos continuarão a desaparecer. Quando 
a empresa e seu pessoal se dispõem a conversar sobre a 
distribuição de lucros, parece claro que já existe um am-
biente adequado para elaborar uma agenda construtiva. 
Dar uma opinião a respeito.
PRocesso de tReInamento 
O treinamento é um processo cíclico e contínuo 
composto de quatro fases: 11
1. Diagnóstico: levantamento das necessidades ou 
carências de treinamento a serem atendidas e satis-
feitas. Essas necessidades podem ser passadas, pre-
sentes ou futuras.
2. Desenho: elaboração do projeto ou do programa 
de treinamento para atender às necessidades diag-
nosticadas.
316 parte v – desenvoLvendo pessoas
3. Implementação: execução e condução do progra-
ma de treinamento.
4. Avaliação: verificação dos resultados obtidos com 
o treinamento.
As quatro etapas do treinamento envolvem o diag-
nóstico de carências, a decisão quanto à estratégia 
para a solução, a implementação da ação e a avaliação 
e o controle dos resultados das ações de treinamento. 
Não se deve confundir treinamento com uma simples 
questão de realizar cursos e proporcionar informação. 
Ele vai muito mais longe. Significa atingir o nível de 
desempenho almejado pela organização por meio do 
desenvolvimento contínuo das pessoas que nela tra-
balham. Para tanto, é preciso criar e desenvolver uma 
cultura interna favorável ao aprendizado e compro-
metida com as mudanças.
O ciclo composto de treinamento pode ser repre-
sentado pela Figura 5.
Contudo, o processo de treinamento deve ser visua-
lizado com cuidado. Na verdade, ele pode ser um círcu-
lo vicioso no sentido de zerar carências de treinamento 
e voltar ao estágio inicial, pois foi imaginado para os 
tempos de permanência da Era Industrial. Em tempos 
de mudança e inovação, na nova onda da Era da Infor-
mação ele precisa ser acrescido de novas habilidades e 
competências para garantir a sobrevivência e a compe-
titividade da organização para o futuro. Não basta re-
por. É preciso agregar valor continuamente (Figura 6).
Cada uma das quatro etapas do treinamento será 
discutida a seguir.
gp de HOje: quanto as empresas 
gastam em treinamento?12 
As empresas aplicam fortunas em treinamento. As 
boas notícias são:
•» A revista Business Week calcula que as 500 maiores 
empresas norte-americanas gastem mais de US$ 44 
bilhões em treinamento em um ano.
•» A revista Exame revela que, segundo pesquisa do 
Saratoga Institute de São Paulo, as 500 maiores em-
presas brasileiras listadas por Maiores e Melhores, 
gastaram US$ 650 milhões em treinamento no ano.
•» O investimento per capita no treinamento de exe-
cutivos no Brasil vem crescendo consistentemente 
segundo o Saratoga Institute.
As más notícias são:
•» Há muito desperdício nos investimentos em treina-
mento. Recursos malbaratados: cerca de US$ 100 
milhões foram gastos em programas de treinamen-
to com técnicos de futebol, jogadores de basquete e 
cursos heterodoxos com exercícios de sobrevivência fIgura 5 As quatro etapas do processo de treinamento.
1
Levantamento 
das necessidades 
de treinamento a 
serem satisfeitas
3
Aplicação do 
programa de 
treinamento
2
Desenho do 
programa de 
treinamento
4
Avaliação dos 
resultados do 
treinamento
fIgura 6 Desdobramento das etapas do processo de treinamento.12
Necessidades a satisfazer desenho do treinamento Execução do treinamento avaliação dos resultados
Diagnóstico da situação Decisão quanto à estratégia Implementação ou ação Avaliação e controle
•» Objetivos da 
organização
•» Competências 
necessárias
•» Problemas de 
produção
•» Problemas de pessoal
•» Resultados da 
avaliação do 
desempenho
Programa do treinamento
•» Quem treinar
•» Como treinar
•» Em que treinar
•» Quando treinar
Condução e aplicação do 
programa de treinamento 
por meio de:
•» Gerente de linha
•» Assessoria de RH
•» Por ambos
•» Por terceiros
•» Monitoração do 
processo
•» Avaliação e medição 
de resultados
•» Comparação da 
situação atual com a 
situação anterior
•» Análise do custo/
benefício
CapÍtULo 12 – treInaMento 317
na selva, escaladas de muros e montanhas, danças 
ao redor de fogueiras, florais de Bach e outras coisas 
do ramo, chamados indevidamente de treinamento 
comportamental. Ou em cursos sérios, mas com re-
torno duvidoso por falta de foco específico. 
•» Muitos programas de treinamento estão distan-
ciados das necessidades estratégicas da empresa. 
Muitas empresas compram pacotes de treinamento 
já prontos para mostrar técnicas adotadas por outras 
empresas, mas que nada agregam ao desempenho 
do funcionário. Os resultados são pífios.
•» Excesso de teoria é outro flagelo. Muitos programas 
não conseguem levar os conceitos à prática devido 
ao seu academicismo.
•» A falta de cultura interna favorável ao aprendizado 
e ao comportamento de mudança é outro obstá-
culo. De nada adianta gastar rios de dinheiro se a 
empresa não dá espaço, suporte ou oportunidades 
para que as pessoas apliquem as competências e os 
conhecimentos adquiridos.
•» O treinamento por resultados é a opção para conter 
o esbanjamento (exagero de investimentos) de um 
lado, e a inação (escassez de investimentos) de ou-
tro. Deve haver pragmatismo. Foco nos resultados, 
participação da cúpula no conteúdo e na adequação 
à estratégia do negócio são básicos.
Há muito que fazer para transformar o treinamento 
em um investimento com retorno garantido. 
dIagnóstIco das necessIdades 
de tReInamento 
A primeira etapa de um treinamento é o levanta-
mento das necessidades de treinamento que a organi-
zação apresenta. Essas necessidades nem sempre são 
claras e precisam ser diagnosticadas a partir de certos 
levantamentos e pesquisas internas capazes de desco-
bri-las. Necessidades de treinamento são carências de 
preparo profissional das pessoas, ou seja, a diferença 
entre o que uma pessoa deveria saber e fazer e aquilo 
que ela realmente sabe e faz. Significam um descom-
passo entre o que deveria ser e o que realmente é. Uma 
necessidade de treinamento é uma área de informação 
ou de habilidades que um indivíduo ou grupo precisa 
desenvolver para melhorar ou aumentar sua eficiên-
cia, eficácia e produtividade no trabalho. Na medida 
em que o treinamento focaliza essas necessidades e 
carências e as elimina, ele se torna benéfico para os co-
laboradores, para a organização e para o cliente. Caso 
contrário, representará um desperdício ou simples 
perda de tempo.
O treinamento das pessoas na organização deve 
ser uma atividade contínua, constante e ininterrup-
ta. Mesmo quando as pessoas apresentam excelente 
desempenho, alguma melhoria das suas habilidades e 
competênciassempre deve ser introduzida ou incenti-
vada. A base principal para os programas de melhoria 
contínua é a constante capacitação das pessoas para 
patamares cada vez mais elevados de desempenho. E 
o treinamento funciona como o principal catalisador 
dessa mudança.
vOltandO aO CasO IntrOdutórIO: 
treinamento na Bioterápica Ânfora S/A 
O primeiro passo da gerente da DRH, Maria do Car-
mo, foi atribuir aos gerentes da empresa a responsabili-
dade pelo diagnóstico das necessidades de treinamen-
to de suas áreas de competência. Cada gerente passou a 
trabalhar junto a sua equipe para averiguar suas carên-
cias atuais e futuras de treinamento. Em seguida, cada 
gerente passou a negociar com o DT a programação de 
treinamento adequada para sanar as carências. O que 
se poderia fazer no lugar de Maria do Carmo?
métodos de levantamento das necessidades de 
treinamento 
Existem vários métodos para determinar quais ha-
bilidades e competências devem ser focalizadas para 
estabelecer a estratégia de treinamento. Um dos mé-
todos é avaliar o processo produtivo da organização, 
localizando fatores críticos como produtos rejeitados, 
barreiras, pontos fracos relacionados com o desem-
penho de pessoas, custos elevados, etc. Outro método 
para determinar as necessidades de treinamento é a re-
troação direta a partir daquilo que as pessoas acreditam 
serem necessidades de treinamento na organização. As 
pessoas verbalizam clara e objetivamente que tipos 
de informação, habilidades, atitudes ou competências 
elas necessitam para executar melhor suas atividades. 
Um terceiro método para determinar as necessidades 
de treinamento envolve a visão organizacional de fu-
turo. A introdução de novas tecnologias ou equipa-
mentos, novos processos para elaborar os produtos ou 
318 parte v – desenvoLvendo pessoas
serviços da organização, novos produtos e serviços ou 
desenvolvimento dos atuais produtos e serviços são si-
nais de que novas habilidades e competências devem 
ser adquiridas ou construídas pelas pessoas.
O levantamento de necessidades de treinamento 
pode ser feito em cinco níveis de análise, como de-
monstrado na Figura 7.14
1. Análise organizacional: a partir do diagnóstico 
de toda a organização, para verificar os aspectos da 
missão, da visão e dos objetivos estratégicos que o 
treinamento deve atender. 
2. Análise das competências organizacionais re-
queridas: uma avaliação das competências reque-
ridas pelo negócio da organização e diagnóstico 
das competências existentes atualmente, para indi-
car o gap de competências a construir ou adquirir.
3. Análise dos recursos humanos: a partir do per-
fil das pessoas, determinar quais comportamentos, 
atitudes, conhecimentos e competências são neces-
sários para que as pessoas possam contribuir para o 
alcance dos objetivos estratégicos da organização.
4. Análise da estrutura de cargos: a partir do exame 
dos requisitos e especificações dos cargos, determi-
nar quais são as habilidades, as destrezas e as com-
petências que as pessoas devem desenvolver para 
desempenhar adequadamente os cargos.
5. Análise do treinamento: a partir dos objetivos e 
das metas que devem ser utilizados como critérios 
para a avaliação da eficiência e da eficácia do pro-
grama de treinamento. 
dICa: indicadores de necessidade 
de treinamento 14 
Além dos métodos de levantamento de necessida-
des, existem indicadores que apontam necessidades 
futuras (a priori) e passadas (a posteriori):
•» Indicadores a priori: são eventos que, se acontece-
rem, provocarão necessidades futuras de treinamen-
to, facilmente previstas, como:
»– Expansão da empresa e admissão de novos em-
pregados.
»– Redução do número de empregados.
»– Mudança de métodos e processos de trabalho.
»– Substituições ou movimentação de pessoal.
»– Absenteísmo, faltas, licenças e férias.
»– Mudanças nos programas de trabalho ou produção.
»– Modernização dos equipamentos e novas tecno-
logias.
»– Produção e comercialização de novos produtos 
ou serviços.
•» Indicadores a posteriori: são os problemas provo-
cados por necessidades de treinamento ainda não 
atendidas, como:
»– Problemas de produção:
»– Baixa qualidade de produção.
»– Baixa produtividade.
»– Avarias frequentes em equipamentos e insta-
lações.
»– Comunicação deficiente.
»– Elevado número de acidentes no trabalho.
»– Excesso de erros e desperdício.
»– Pouca versatilidade dos funcionários.
»– Mau aproveitamento do espaço disponível.
»– Problemas de pessoal: 
»– Relações deficientes entre o pessoal.
»– Número excessivo de queixas.
»– Mau atendimento ao cliente.
»– Comunicação deficiente.
»– Pouco interesse pelo trabalho.
»– Falta de cooperação.
»– Erros na execução de ordens. 
Diagnóstico organizacional
Determinação da missão, da visão e dos 
objetivos estratégicos da organização
Análise 
organizacional
Determinação de quais 
comportamentos, atitudes e 
competências são necessários ao 
alcance dos objetivos organizacionais
Análise 
dos recursos 
humanos
Definição das competências 
necessárias
Diagnóstico das competências 
existentes
Análise das 
competências 
organizacionais 
requeridas
Exame dos requisitos exigidos 
pelos cargos, especificações de cada 
cargo e mudanças nos cargos
Análise do 
treinamento
Objetivos a serem utilizados na 
avaliação do programa de treinamento
Análise da 
estrutura de 
cargos
fIgura 7 Os passos no levantamento das necessidades de 
treinamento.
CapÍtULo 12 – treInaMento 319
maPeamento das comPetêncIas 
Quando o treinamento é focado em competências, 
baseia-se na lacuna existente entre as competências 
disponíveis e existentes e as competências necessárias 
à organização, a cada unidade organizacional, a cada 
gestor de pessoas ou ao trabalho das pessoas. Há certa 
similaridade com o levantamento de necessidades de 
treinamento mencionado. Nesse caso, o treinamento 
significa a maneira pela qual se tenta preencher as la-
cunas e equiparar as competências existentes com as 
necessárias à organização. Assim, os indicadores de ne-
cessidades de treinamento são os gaps de competências.
CasO de apOIO: o treinamento via televisão 15 
Quando a Aetna insurance – uma das maiores segu-
radoras norte-americanas, sócia da brasileira Sul Amé-
rica – avaliou os resultados do seu programa de treina-
mento, houve uma surpresa geral. O principal problema 
não era a qualidade dos instrutores, as ferramentas e 
os estilos de apresentação, o conteúdo ou mesmo ma-
teriais e recursos instrucionais que fundamentavam os 
workshops. A Aetna verificou que o principal desafio do 
seu programa de treinamento era habilitar grande nú-
mero de trainees dispersos geograficamente por meio 
de um programa centralizado em um departamento 
que utilizava enormes salas em cidades esparsas.
Chegou-se à conclusão de que, se a Aetna pretendia 
proporcionar um serviço de alta qualidade aos seus clien-
tes, precisava treinar mais do que apenas alguns fun-
cionários selecionados que viajavam pelas localidades 
programadas. O objetivo da companhia era aumentar 
o número de funcionários envolvidos em treinamento 
a fim de melhorar a qualidade do serviço oferecido aos 
clientes. Os executivos da empresa e o pessoal de trei-
namento fizeram várias sessões de brainstorming para 
encontrar ideias sobre como disseminar o treinamento e 
chegaram à conclusão de que a melhor alternativa seria 
o treinamento interativo pela televisão.
Assim, foi criada a Rede de Televisão Aetna, que liga 
235 escritórios de campo com o home office de cada 
vendedor de seguros. Permite que a companhia esten-
da seus programas de treinamento para todo o país, 
tornando-os disponíveis a cada vendedor de seguros. 
Cerca de 3 mil colaboradores participam do programa. 
O treinamento via televisão ganha popularidade no 
mundo todo, pois permite programas de treinamento 
extremamente flexíveis. O mesmo workshop pode ser 
visto em qualquer lugar do país por colaboradores den-
tro ou fora da companhia ao mesmo tempo ou em dife-
rentes horários programados. A tendênciano uso da Tv 
como veículo para disseminar e aumentar a qualidade 
do treinamento deve continuar a crescer no futuro. 
desenHo do PRogRama de tReInamento 
O desenho do projeto ou do programa de treina-
mento é a segunda etapa do processo. Refere-se ao 
planejamento das ações de treinamento e deve ter um 
objetivo específico: feito o diagnóstico das necessida-
des de treinamento ou o mapeamento do gap entre as 
competências disponíveis e as necessárias, torna-se 
mister desenhar o programa que atenda a essas neces-
sidades em um conjunto integrado e coeso. O progra-
ma deve ter objetivos bem definidos que servirão de 
métricas para garantir o sucesso e deve estar alinhado 
com os objetivos organizacionais. 
Assim, programar o treinamento significa definir 
os sete ingredientes básicos descritos na Figura 8, a fim 
de atingir objetivos. 
O programa de treinamento deve estar associado 
com as necessidades estratégicas da organização. Com-
prar pacotes de treinamento, isto é, programas já pron-
tos e vendidos como produtos enlatados e fechados nem 
Treinandos, aprendizes ou 
instruendos
Métodos de treinamento ou recursos 
instrucionais
Quem deve ser 
treinado
Como treinar
Assunto ou conteúdo do treinamento
Em que 
treinar
Objetivos do treinamento
Para que 
treinar
Época ou horário do treinamentoQuando treinar
Local do treinamentoOnde treinar
Instrutor ou treinadorPor quem
fIgura 8 Programação de treinamento.
320 parte v – desenvoLvendo pessoas
sempre soluciona as necessidades da organização. É pre-
ciso avaliar as necessidades da organização e das pessoas 
e estabelecer critérios precisos para determinar o nível 
de desempenho almejado. Além disso, a organização 
precisa estar disposta a dar espaço e oferecer oportuni-
dades para que as pessoas possam aplicar as novas com-
petências e conhecimentos adquiridos no treinamento. 
Para evitar desperdícios e garantir o retorno desejado 
do investimento, o pragmatismo é imprescindível na 
programação do treinamento.13 A maneira de conciliar 
investimento com retorno é o treinamento para resulta-
dos. Por mais difícil que seja defini-los e aferi-los, definir 
os objetivos e resultados para o treinamento e compará-
-los posteriormente é indispensável (Figura 9).
exerCíCIO: novos valores e atitudes 
em treinamento 16
A Saturn Corporation – uma subsidiária da General 
Motors – buscou um novo relacionamento com o pú-
blico para aumentar a satisfação dos clientes. Ela foi 
criada para ir além da satisfação do cliente, exceder sua 
expectativa para tornar a experiência de comprar e pos-
suir um carro em algo entusiástico. Para isso, a empresa 
definiu cinco valores:
1. Um compromisso com o cliente e sua satisfação.
2. Um compromisso com a excelência.
3. Trabalho de equipe.
4. Confiança e respeito pelas pessoas.
5. Melhoria contínua.
A transferência desses valores para o processo de pro-
dução foi bastante difícil, mas transferi-los para a área de 
vendas foi pior. Foi necessário até mudar o vocabulário 
da empresa, com os revendedores virando varejistas, as 
concessionárias virando unidades de varejo e os ven-
dedores tornando-se consultores de vendas. Isso exigiu 
uma mudança radical da imagem do vendedor de carros 
que faz qualquer coisa para obter vantagens em uma 
venda. Foi definida uma nova filosofia contida nos Seis 
Passos para o Entusiasmo do Consumidor, a saber:
1. Ouvir o cliente.
2. Criar um clima de confiança mútua.
3. Exceder às expectativas do cliente.
4. Criar uma cultura de vencedores.
5. Fazer o acompanhamento do cliente de forma a 
assegurar-se de que suas expectativas foram plena-
mente atingidas.
6. Melhorar continuamente a imagem da qualidade de 
produtos e serviços perante o consumidor.
Como projetar uma abordagem de treinamento 
com uma relação de custos/benefícios para uma nova 
geração de consultores de vendas de uma empresa?
avalIaçãO CrítICa: tipos de treinamento 
oferecidos por organizações norte- 
-americanas 17 
tipo de treinamento % de frequência
1.» Habilidades gerenciais 74,3
2.» Habilidades de supervisão 73,4
3.» Habilidades técnicas/atualização 
de conhecimentos
72,7
4.» Habilidades de comunicação 66,8
5.» Serviços e relações com clientes 63,8
6.» Desenvolvimento de executivos 56,8
7.» Novos métodos e procedimentos 56,5
Relatórios analíticos
Planejamento de 
sucessão
Avaliação de 
talentos
Planejamento de 
carreira
Busca de talentos
Planos futuros
Análise de 
necessidades 
futuras
Pool de 
sucessão
Pool de 
talentos
Competências
Perfil de talentos
Avaliações de 
desempenho
Feedback 
360°
Levantamento 
das necessidades 
de treinamento
Plano de aprendizagem/treinamento
fIgura 9 Entradas e saídas do programa de treinamento.
CapÍtULo 12 – treInaMento 321
8.» Habilidades em vendas 54,1
9.» Habilidades burocráticas e de 
secretariado
52,9
10.» Desenvolvimento pessoal 51,9
11.» Habilidades básicas com 
computadores
48,2
12.» Relações com empregados 44,9
13.» Prevenção de acidentes/
promoção da saúde
38,9
14.» Educação do consumidor 35,7
15.» Educação básica para prevenção 18,0
Dê sua opinião a respeito desta listagem em percentuais.
tecnologia de treinamento 
A tecnologia de treinamento refere-se aos recur-
sos didáticos, pedagógicos e instrucionais utilizados 
no treinamento. Bloom definiu uma estrutura de or-
ganização hierárquica de objetivos educacionais na 
década de 1950. A sua classificação definiu as possi-
bilidades de aprendizagem em três domínios com vá-
rios níveis de profundidade de aprendizado:
1. Cognitivo: aprendizagem intelectual.
2. Afetivo: aspectos de sensibilização e gradação de 
valores.
3. Psicomotor: habilidades de execução de tarefas 
que envolvem o aparato muscular.
Apenas o primeiro domínio foi implementado em 
sua totalidade. A taxonomia de Bloom está arranjada 
em ordem ascendente para representar os níveis cog-
nitivos e as estratégias instrucionais para cada nível 
a fim de avançar em níveis cada vez mais complexos. 
Bloom sugere as atividades adequadas para cada nível, 
como demonstrado na Figura 10.18
Mais adiante, a taxonomia de Bloom foi revista 
para envolver a dimensão cognitiva e a dimensão do 
conhecimento, tal como na Figura 11, na qual cada 
objetivo de aprendizagem corresponde a várias com-
binações de processos cognitivos e dimensões de co-
nhecimento.19
Leitura
visuais
vídeo
áudio
Exemplos
Ilustrações
Analogias
conhecimento
Define
Repete
Registra
Relaciona
Questões
Discussões
Revisões
Testes
Assessment
Relatórios
Apresentações
Escritos
compreensão
Traduz
Discute
Descreve
Reconhece
Reafirma
Explana
Expressa
identifica
Exercícios
Prática
Demonstrações
Projetos
Descrições
Simulações
Jogos
aplicação
Interpreta
Aplica
Emprega
Utiliza
Demonstra
Dramatiza
Pratica
Ilustra
Opera
Programa
Mostra
Desenha
Problemas
Exercícios
Estudos de casos
Incidentes
críticos
Discussões
Questões
Testes
análise
Distingue
Analisa
Diferencia
Calcula
Experimenta
Testa
Compara
Contrasta
Critica
Diagrama
Inspeciona
Debate
Inventaria
Questiona
Relata
Projetos
Problemas
Exercícios
Estudos de casos
Exercícios criativos
Planos
Constructos
Simulações
síntese
Compõe
Planeja
Propõe
Formula
Arranja
Coleta
Monta
Constrói
Cria
Organiza
Gerencia
Prepara
Estudos de casos
Projetos
Exercícios
Críticas
Simulações
Avaliações
avaliação
Julga
Avalia
Classifica
Compara
valoriza
Revisa
Quantifica
Seleciona
Escolhe
Assessora
Estimula
Mede
fIgura 10 Taxonomia de Bloom de objetivos educacionais.
	Parte V - Desenvolvendo Pessoas
	Capítulo 12 – Treinamento

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