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309 ObjetIvOs de aprendIzagem Após estudar este capítulo, você estará ca- pacitado para: »» Definir o conceito de treinamento e de- senvolvimento de pessoas. »» Descrever os tipos de mudanças provoca- das pelo treinamento. »» Definir o processo de treinamento e suas principais etapas. »» Descrever como se faz o diagnóstico das necessidades de treinamento. »» Definir como se faz a programação de trei- namento. »» Explicar a implementação do programa de treinamento. »» Definir como se avalia o programa de trei- namento. O Que será vIstO adIante »» Conceito de treinamento. »» Processo de treinamento. »» Diagnóstico das necessidades de treina- mento. »» Mapeamento das competências. »» Desenho do programa de treinamento. »» Execução do programa de treinamento. »» Avaliação do programa de treinamento. »» Tendências do treinamento. tReInaMento CaPítulo 12 CasO IntrOdutórIO: treinamento na Bioterápica Ânfora S/A Na melhor tradição burocrática, no mês de dezembro de cada ano, a divisão de recursos humanos (DRH) da Bioterápica Ânfora S/A enviava a todos os gerentes uma relação detalhada de todos os cursos externos oferecidos no mercado para que cada gerente escolhesse os mais apropriados para seus funcionários e os agendasse para o próximo ano. A empresa dotava uma verba orçamen- tária anual de 3% do seu faturamento para que o depar- tamento de treinamento (DT) fizesse os investimentos anuais. Cada gerente deveria relacionar os funcionários que considerava candidatos aos cursos externos, fixar as datas estabelecidas e devolver a relação para a DRH que, após aprová-la, encaminhava ao DT a fim de que este fi- zesse as inscrições e os respectivos pagamentos. Em uma reunião com outros executivos de RH, Ma- ria do Carmo Silveira, a gerente da DRH, ficou sabendo que outras empresas do mercado estavam transforman- do o órgão de treinamento em um órgão de consulto- ria interna e atuação estratégica. Maria do Carmo logo percebeu que o DT da Ânfora não passava de um órgão operacional e intermediador que não lidava com treina- mento, mas com papéis e assuntos rotineiros. Concluiu que era preciso modificá-lo urgentemente. Como se poderia ajudá-la? As pessoas constituem o principal patrimônio das organizações. O capital humano das organizações – composto de pessoas, que vão desde o mais simples operário ao seu principal executivo – passou a ser uma questão vital para o sucesso do negócio. E também o principal diferencial competitivo das empresas bem- -sucedidas. Em um mundo mutável e competitivo, em uma economia globalizada e sem fronteiras, as orga- nizações precisam se preparar continuamente para os desafios da inovação e da competitividade. Para serem bem-sucedidas, as organizações precisam de pessoas talentosas, espertas, ágeis, empreendedoras e dispostas 310 parte v – desenvoLvendo pessoas a assumir riscos. São elas que fazem as coisas acontece- rem, conduzem os negócios, elaboram produtos e pres- tam serviços de maneira excepcional. Para conseguir isso é vital o intenso treinamento e a preparação das pessoas. As organizações mais bem-sucedidas inves- tem pesadamente em treinamento para obter um re- torno garantido. Para elas, treinamento não é uma sim- ples despesa, mas um precioso investimento, tanto na organização quanto nas pessoas que nela trabalham. E isso traz benefícios diretos para a clientela. E também para todos os stakeholders. conceIto de tReInamento O conceito de treinamento pode assumir vários significados. No passado, alguns especialistas em RH consideravam o treinamento como um meio para adequar a pessoa ao seu cargo e desenvolver a força de trabalho da organização a partir do simples preen- chimento de cargos. Mais recentemente, o conceito foi ampliado para considerar o treinamento como um meio para melhorar o desempenho no cargo. E qua- se sempre o treinamento tem sido entendido como o processo pelo qual a pessoa é preparada para desem- penhar de maneira excelente as tarefas específicas do cargo que deve ocupar. Modernamente, o treinamento é considerado um meio de desenvolver competências nas pessoas para que elas se tornem mais produtivas, criativas e inovadoras a fim de contribuir melhor para os objetivos organizacionais e se tornar cada vez mais valiosas. Assim, o treinamento é uma fonte de lucrati- vidade ao permitir que as pessoas contribuam efetiva- mente para os resultados do negócio. Nesses termos, o treinamento é uma maneira eficaz de agregar valor às pessoas, à organização e consequentemente aos clien- tes. Enriquece o patrimônio humano das organizações e é o responsável pela formação do capital intelectual das organizações. Muito embora essas três concepções de treinamento sejam aplicadas, a terceira certamente tem maior impacto e importância. dICa: algumas definições de treinamento •» treinamento é o processo de desenvolver qualidades nos recursos humanos para habilitá-los a serem mais produtivos e contribuir melhor para o alcance dos ob- jetivos organizacionais. O propósito do treinamento é aumentar a produtividade dos indivíduos em seus cargos influenciando seus comportamentos.1 •» treinamento é o processo de ensinar aos novos em- pregados as habilidades básicas de que necessitam para desempenhar seus cargos.2 •» treinamento é o processo sistemático de alterar o comportamento dos empregados na direção do al- cance dos objetivos organizacionais. O treinamento está relacionado com as atuais habilidades e capaci- dades exigidas pelo cargo. Sua orientação é ajudar os empregados a utilizar com sucesso suas princi- pais habilidades e capacidades.3 •» treinamento é a experiência aprendida que produz uma mudança relativamente permanente em um in- divíduo e que melhora sua capacidade de desempe- nhar um cargo. Pode envolver uma mudança de habi- lidades, conhecimento, atitudes ou comportamento. isso significa mudar o que os empregados conhecem, como eles trabalham, suas atitudes diante do trabalho e suas interações com os colegas ou supervisor.4 •» treinamento é o processo educacional de curto pra- zo e aplicado de maneira sistemática e organizada, pelo qual as pessoas aprendem conhecimentos, ati- tudes e competências em função de objetivos pre- viamente definidos.5 O treinamento tem muito a ver com o conhecimen- to; principalmente com o conhecimento corporativo. Na Era da Informação, que se está atravessando, o conhe- cimento é o recurso mais importante e valioso. E se ele é fundamental, a produtividade do conhecimento é que constitui a chave do sucesso da organização. Peter Druc- ker apregoa que tornar o conhecimento produtivo cons- titui hoje uma responsabilidade gerencial. Mais do que isso, um desafio organizacional. Isso requer a aplicação profícua do conhecimento ao conhecimento. O conhe- cimento é bom principalmente quando é útil. Em outras palavras, o conhecimento somente será produtivo se for aplicado para criar uma diferença sensível: produzir re- sultados, melhorar processos, adicionar valor e gerar ri- queza. Em um mundo informatizado em que todos têm acesso à informação, sobressaem-se as pessoas capazes de acessá-la, interpretá-la e transformá-la rapidamen- te – e antes dos outros – em um novo produto, serviço, aplicação, inovação ou oportunidade. Além disso, o trei- namento também ter muito a ver com a construção de competências, como se verá adiante. CapÍtULo 12 – treInaMento 311 Há uma diferença entre treinamento e desenvolvi- mento (T&D) de pessoas. Embora seus métodos sejam similares para afetar a aprendizagem, a sua perspectiva de tempo é diferente. O treinamento é orientado para o presente, focalizando o cargo atual e buscando melho- rar as habilidades e competências relacionadas com o desempenho imediato do cargo. O desenvolvimento de pessoas focaliza os cargos a serem ocupados futuramen- te na empresa e as novas habilidades e competências que serão requeridas.6 Ambos, treinamento e desenvol- vimento (T&D) constituem processos de aprendizagem.Aprendizagem significa uma mudança no comporta- mento da pessoa pela incorporação de novos hábitos, atitudes, conhecimentos, destrezas e competências. Pelo treinamento – e pelo desenvolvimento de pessoas –, cada pessoa pode assimilar informações, aprender habilidades, desenvolver atitudes e compor- tamentos diferentes, desenvolver conceitos abstratos e, sobretudo, construir competências individuais. A Fi- gura 1 mostra esses cinco tipos de mudanças de com- portamento pelo treinamento. A maior parte dos programas de treinamento está concentrada em transmitir informações ao colabo- rador sobre a organização, suas políticas e diretrizes, regras e procedimentos, missão e visão organizacio- nal, seus produtos/serviços, clientes, concorrentes, etc. A informação guia o comportamento das pessoas e o torna mais eficaz e mais bem direcionado. Alguns programas de treinamento estão concentrados em de- senvolver habilidades das pessoas para habilitá-las e capacitá-las no seu trabalho. Outros visam ao desen- volvimento de novos hábitos e atitudes para lidar com clientes internos e externos, com o próprio trabalho, com os subordinados e com a organização. Ainda ou- tros programas estão preocupados em desenvolver conceitos e elevar o nível de abstração das pessoas para que elas possam pensar, raciocinar, julgar, decidir e agir em termos mais amplos. Por fim, programas que criam e desenvolvem competências individuais ali- nhadas com os objetivos do negócio. Quase sempre, as organizações estão utilizando vários tipos de mudan- ças de comportamento ao mesmo tempo em seus pro- gramas de treinamento. Ao desenvolver habilidades nas pessoas, também estão transmitindo informações e incentivando o desenvolvimento de atitudes e con- ceitos, simultaneamente. Boa parte dos programas de treinamento procura mudar atitudes reativas e conser- vadoras das pessoas para atitudes proativas e inovado- ras para melhorar o espírito de equipe e a criatividade. vOltandO aO CasO IntrOdutórIO: treinamento na Bioterápica Ânfora S/A Maria do Carmo, a gerente da DRH da Bioterápica Ânfora, reuniu-se com Jorge Pedreira, o supervisor do DT, para negociar com ele os objetivos e metas a serem alcançados para o órgão de treinamento. Ela queria ho- rizontes mais amplos para o DT e torná-lo um compo- nente estratégico ligado diretamente aos negócios da organização. Jorge não estava acostumado a essa visão global e estendida no longo prazo, mas percebeu que aumentar o conhecimento das pessoas Informações sobre a organização, seus produtos/serviços, políticas e diretrizes, regras e regulamentos e seus clientes Transmissão de informações Desenvolver/modificar comportamentos Mudança de atitudes negativas para atitudes favoráveis, conscientização e sensibilidade com as pessoas, com os clientes internos e externos Desenvolvimento de atitudes melhorar as habilidades e as destrezas Habilitar para a execução e a operação de tarefas, manejar equipamentos, máquinas e ferramentas Desenvolvimento da habilidade Desenvolvimento de conceitos elevar o nível de abstração Desenvolver ideias e conceitos para ajudar as pessoas a pensar em termos globais e amplos Construção de competências Criar competências individuais Criar e desenvolver competências individuais alinhadas com os objetivos da organização Treinamento fIgura 1 Tipos de mudanças de comportamento decorrentes do treinamento. 312 parte v – desenvoLvendo pessoas deixaria de ser um burocrata para se transformar em um consultor interno da empresa. Qual é o foco do treinamento? O treinamento pode estar focado na preparação das pessoas para o trabalho em si – em função do car- go – ou para fornecer valor agregado e resultados para a organização – em função das competências a serem criadas ou desenvolvidas. O foco na preparação para o trabalho em si está cedendo espaço para o foco nas competências. Além da preocupação com informação, habilidades, atitudes e conceitos, o treinamento está sendo fortemente inclinado a desenvolver certas com- petências desejadas pela organização. O treinamento por competências se baseia em um prévio mapeamen- to das competências essenciais necessárias ao sucesso organizacional. A seguir, essas competências essen- ciais são desdobradas por áreas da organização (com- petências funcionais) em gestores de pessoas (compe- tências gerenciais ou de liderança) e em competências individuais. Todas as competências – em níveis organi- zacional, divisional, gerencial e individual – precisam ser definidas de maneira clara e objetiva para serem entendidas por todos os parceiros. A partir dessa defi- nição, podem-se estabelecer os objetivos – que servirão de métricas ou indicadores – e os programas de treina- mento para todas as pessoas envolvidas (Figura 2). Todavia, há uma incrível vastidão e uma enorme diversidade de competências. Nesse cenário, as or- ganizações – para alcançarem seus objetivos globais – precisam localizar e identificar claramente as com- petências necessárias que lhes permitirá alcançar tais objetivos da melhor maneira possível (Figura 3). Além disso, tudo muda na medida em que os ob- jetivos do negócio mudam. No fundo, a provisão de competências constitui o melhor caminho para uma organização atingir seus objetivos de maneira eficien- te e eficaz (Figura 4). diferença entre treinamento e desenvolvimento O treinamento é o núcleo de um esforço contínuo desenhado para melhorar a atividade das pessoas e, consequentemente, o desempenho organizacional. Trata-se de um dos processos de GP mais importantes. O treinamento é desenhado para construir talentos com conhecimento e habilidades necessárias aos seus cargos atuais ou construir competências individuais. Treinamento Objetivo primário Objetivo final Eficiência Eficácia Indicador Retorno sobre o investimento Baseado em cargos Preparar o ocupante para o desempenho nos cargos ocupados Ocupantes de cargos treinados e preparados Rapidez, qualidade e baixo custo de treinamento Força de trabalho adequadamente treinada e preparada para o desempenho de cargos Cargos ocupados com ocupantes treinados e preparados Ocupantes de cargos treinados e custos de treinamento Baseado em competências Desenvolver competências individuais Competências disponíveis para serem aplicadas a qualquer momento na organização Rapidez na construção e no desenvolvimento de competências necessárias Construção de novas competências aplicáveis na organização Pessoas dotadas de competências essenciais para o sucesso do negócio Pessoas competentes e custos de treinamento fIgura 2 Treinamento baseado em cargos versus treinamento baseado em competências. CapÍtULo 12 – treInaMento 313 fIgura 3 Diversidade de competências. Competências gerenciais Competências fundamentais Competências interacionais Trabalho produtivo com outros •» Relacionamento interpessoal •» Liderança Competências de solução de problemas identificação, definição e aplicação de soluções •» Percepção •» Julgamento •» Decisão •» Planejamento de organização Competências de capacitação Reconhecimento da necessidade de mudança e como empreendê-la •» Habilidade de ação •» Adaptabilidade e flexibilidade Competências de apoio Competências de comunicação Condução das pessoas de maneira eficiente e eficaz •» Habilidade de comunicação •» Habilidade de empatia •» Habilidade de motivação •» Habilidade de negociação •» Habilidade de gestão de conflitos fIgura 4 Competências como meios de alcançar objetivos. vontade de se tornar mais responsável Impulso para crescer Liderança de grandes equipes Motivação de outros Crescimento da empresa decorrente do aumento generalizado de vendas Tomada de decisões/ alerta mental Atenção para detalhes e para controles Conhecimento de processos/ habilidades Melhorias substanciais na estrutura de custos ou na produtividade Criatividade Pensamento estratégico Conhecimento do mercado e comercializaçãoAumento substancial de um produto ou linha de produtos após um longo período de estagnação Execução eficaz de um projeto ou programa de desenvolvimento de novos produtos Habilidades de influenciação Liderança de pequenas equipes Planejamento operacional Objetivos do negócio Competências em evidência Já o desenvolvimento envolve aprendizagem que vai além do cargo atual e se estende à carreira da pessoa com um foco no longo prazo para preparar as pessoas para acompanhar as mudanças e o crescimento da or- ganização. gp de HOje: a disciplina dos líderes do mercado 7 No seu livro Disciplina dos líderes do mercado 8, Wiersema e Treacy afirmam que as empresas que lide- ram o mercado oferecem preço mais baixo ou acenam com o melhor produto ou ainda oferecem a cada clien- te o que ele quer sob medida. Para os autores, existem três qualidades absolutamente vitais nas empresas lí- deres de mercado. 1. foco: elas centram o foco em um único ponto valori- zado pelos clientes. Não tentam atender a todo tipo de solicitação dos consumidores, nem podem ofe- recer o serviço mais completo e confiável ou o preço mais baixo ou o melhor produto. Elas oferecem algo 314 parte v – desenvoLvendo pessoas que o cliente valorize. O importante é que as líderes centram totalmente sua atenção nesse ponto, dão o melhor de si para atingi-lo, e não se preocupam tanto em ser as melhores em outros pontos. 2. Valor: elas tentam melhorar continuamente o valor do que oferecem aos clientes com muita dedicação. Não se contentam em fazer a mesma coisa dia após dia só porque a fazem bem. Tentam melhorar todos os dias e são ótimas nisso. 3. disciplina: a terceira característica, e a mais importan- te, é que elas chegam à excelência de maneira extre- mamente disciplinada. Estão concentradas em atingir um desempenho superior exatamente naquele ponto que seus clientes valorizam. A preparação e o treina- mento dos funcionários são focados nessa meta. A sua cultura corporativa dá pleno apoio às pessoas para que elas cheguem rapidamente lá. Elas constroem uma tremenda máquina operacional para entregar aos clientes exatamente aquele específico valor que elas priorizam. Essas empresas – como McDonald’s, Toyota, Johnson & Johnson, Hewlett-Packard e Ford – se apoiam nas pessoas, e não é nenhum segredo como elas administram seus negócios a partir das pessoas. O treinamento está por trás disso tudo. O treinamento está por trás disso tudo. Dê sua opi- nião a respeito. dICa: fatores que afetam o T&D 9 A mudança é, sem dúvida alguma, o fator que mais impacta os esforços de T&D. Mas outros fatores afetam o alcance dos objetivos de T&D nas organizações, tais como: •» apoio da alta administração: este é o requisito fundamental para o sucesso dos esforços de T&D. Sem ele, qualquer programa de T&D se transforma em tempo, esforço e dinheiro jogados fora. O apoio deve ser real e constante e deve ser comunicado e enfatizado a toda a organização. A maneira mais efi- caz é a participação ativa dos executivos nos progra- mas de treinamento. •» compromisso dos especialistas e dos generalis tas: todos os gerentes – tanto os executivos de ges- tão de pessoas (GP) quanto os executivos de linha – precisam estar direta e intimamente ligados aos programas de T&D. O lembrete é: a responsabilida- de fundamental pelo T&D é dos executivos de linha, desde o presidente até a base da organização. Os profissionais de T&D devem proporcionar a expertise técnica e o suporte adequado. •» avanços da tecnologia: nenhum fator tem influen- ciado mais o T&D do que a tecnologia. O computador e a Internet estão afetando profundamente todas as funções de negócios e mudando completamente a maneira como o conhecimento está sendo divulga- do às pessoas. E essa mudança está continuamente sendo expandida. •» Complexidade organizacional: organizações acha- tadas e horizontalizadas possuem poucos níveis hierárquicos e dão a impressão de serem apenas ar- ranjos simples de pessoas e tarefas. Nada mais enga- noso. As tarefas de indivíduos e equipes estão sendo ampliadas e enriquecidas, e o resultado é o tempo maior no cargo para desempenhar tarefas mais com- plexas e que exigem novos conhecimentos. A inte- ração entre indivíduos e grupos torna-se mais com- plicada. A cadeia tradicional de comando que produz um senso de estabilidade às custas da eficiência está sendo alijada da organização moderna. As mudan- ças rápidas na tecnologia, em produtos, sistemas e métodos de trabalho, estão trazendo forte impacto sobre os requisitos do trabalho fazendo com que as pessoas tenham de aumentar suas habilidades e desenvolver atitudes que lhes permitam adaptar-se às mudanças que resultam do downsizing, inovação tecnológica, demandas dos clientes por melhores produtos e serviços. O resultado é a crescente com- plexidade das atividades, já que são as pessoas que precisam fazer todas essas coisas. Tudo isso é transfe- rido para novas necessidades de T&D. •» Princípios de aprendizagem: o propósito do T&D está em mudar o comportamento das pessoas. A in- formação deve ser aprendida para que a mudança possa ocorrer. Nesse sentido, as ciências comporta- mentais têm beneficiado os programas de T&D com princípios de aprendizagem que facilitam o proces- so de mudança das pessoas. •» outros processos de gP: as atividades de T&D depen- dem de todos os processos de GP. Se o recrutamento e a seleção introduzem candidatos sem as qualificações necessárias, é fundamental ter um programa de T&D CapÍtULo 12 – treInaMento 315 adequado para melhorá-las, quando poderia estar sendo endereçado para outras qualificações superio- res. Além disso, os programas de T&D são influencia- dos pelos pacotes de remuneração da organização, pela maneira como a organização avalia o desem- penho das pessoas, como elas são promovidas e re- compensadas. A visão holística da GP é fundamental para que todos os processos – inclusive T&D – possam interagir e influenciar-se reciprocamente na busca de sinergia. isso significa multiplicar resultados. avalIaçãO CrítICa: operários devem voltar à escola 10 As técnicas de modernidade desceram dos escritórios para o chão das fábricas e, enquanto se espalham, põem à prova o raciocínio e a capacidade intelectual dos ope- rários. Eles são hábeis nas mãos e fortes com os ombros, mas não tiveram a mesma formação escolar que tiveram os colegas do primeiro mundo, com oito ou dez anos bá- sicos de escola. A carência é pequena quando se trata de mandrilar uma engrenagem, mas transforma-se em um abismo quando é preciso transferir informações geren- ciais para um computador ligado ao sistema distribuído de controle de materiais. A tecnologia implantada na or- ganização pelas centenas de computadores exige uma argúcia intelectual só disponível entre os que fizeram o fundamental (antigo ginásio) completo. A muralha infor- mática que isolou o país por década e meia produz agora, vários anos depois, o seu último e mais cruel malefício, empurrando a nata do operariado ao limbo da ignorância. Empresas com produtos superespecializados, como fibras óticas, contornam o problema recrutando operá- rios entre os recém-formados de escolas superiores de tecnologia. Empresas criativas do interior de São Paulo, onde há boa oferta de faculdades de engenharia, pagam cursos noturnos para uma parte de seus jovens operários formados no ensino médio do Senai. São atalhos louvá- veis, mas insuficientes. No novo milênio, a gestão des- centralizada suprimiu camadas hierárquicas de gerentes e supervisores, trocou as linhas de montagem desuma- nas por células multidisciplinares de produção, encur- tou a distância entre o cérebro e as pernas da empresa, graças aos sistemas de informação. E estes, por sua vez, requerem dados precisos e pessoas capacitadas. A redução de custos eliminou postos de trabalho e impôs responsabilidade maior aos sobreviventes e exi- giu adaptações numa corrida selvagem pela moderni- zação. Umaindústria mecânica média nos Estados Uni- dos tem um microcomputador no chão da fábrica para cada dois operários. No Brasil, as melhores empresas têm um microcomputador para cada dez trabalhadores. O operário norte-americano anda pelo galpão fazendo suas tarefas e registra-as no microcomputador mais próximo com sua senha. Com seu cartão magnético acessa relatórios, informa o estágio das tarefas e deixa o pessoal a par do estoque de material pronto e semiaca- bado. Aqui, cada estação precisa de um encarregado ou líder que representa a burocracia. É menos competição, que no fim do dia significa menos empregos. A solução para esse buraco é tapá-lo sem desvios na rota do progresso. Para tanto, capital e trabalho devem ar- rumar uma fórmula para atualizar multidões de operários, sem aumentar custos. Isso requer concessões de cada lado. As empresas precisam custear as aulas, mas, em contrapar- tida, os sindicatos devem endossar uma redução propor- cional nos salários. Eis aí um tabu, pois a Constituição de 1988 proclama a irredutibilidade dos salários. A coopera- ção e a ousadia permitiriam ensinar centenas de milhares de trabalhadores na faixa de 25 a 35 anos a pensar com lógica, o que deve consumir pelo menos 3 mil horas de au- las distribuídas em três anos para cada turma. Sem isso, as fábricas de ponta não aportarão no Brasil durante anos e, sem elas, os empregos continuarão a desaparecer. Quando a empresa e seu pessoal se dispõem a conversar sobre a distribuição de lucros, parece claro que já existe um am- biente adequado para elaborar uma agenda construtiva. Dar uma opinião a respeito. PRocesso de tReInamento O treinamento é um processo cíclico e contínuo composto de quatro fases: 11 1. Diagnóstico: levantamento das necessidades ou carências de treinamento a serem atendidas e satis- feitas. Essas necessidades podem ser passadas, pre- sentes ou futuras. 2. Desenho: elaboração do projeto ou do programa de treinamento para atender às necessidades diag- nosticadas. 316 parte v – desenvoLvendo pessoas 3. Implementação: execução e condução do progra- ma de treinamento. 4. Avaliação: verificação dos resultados obtidos com o treinamento. As quatro etapas do treinamento envolvem o diag- nóstico de carências, a decisão quanto à estratégia para a solução, a implementação da ação e a avaliação e o controle dos resultados das ações de treinamento. Não se deve confundir treinamento com uma simples questão de realizar cursos e proporcionar informação. Ele vai muito mais longe. Significa atingir o nível de desempenho almejado pela organização por meio do desenvolvimento contínuo das pessoas que nela tra- balham. Para tanto, é preciso criar e desenvolver uma cultura interna favorável ao aprendizado e compro- metida com as mudanças. O ciclo composto de treinamento pode ser repre- sentado pela Figura 5. Contudo, o processo de treinamento deve ser visua- lizado com cuidado. Na verdade, ele pode ser um círcu- lo vicioso no sentido de zerar carências de treinamento e voltar ao estágio inicial, pois foi imaginado para os tempos de permanência da Era Industrial. Em tempos de mudança e inovação, na nova onda da Era da Infor- mação ele precisa ser acrescido de novas habilidades e competências para garantir a sobrevivência e a compe- titividade da organização para o futuro. Não basta re- por. É preciso agregar valor continuamente (Figura 6). Cada uma das quatro etapas do treinamento será discutida a seguir. gp de HOje: quanto as empresas gastam em treinamento?12 As empresas aplicam fortunas em treinamento. As boas notícias são: •» A revista Business Week calcula que as 500 maiores empresas norte-americanas gastem mais de US$ 44 bilhões em treinamento em um ano. •» A revista Exame revela que, segundo pesquisa do Saratoga Institute de São Paulo, as 500 maiores em- presas brasileiras listadas por Maiores e Melhores, gastaram US$ 650 milhões em treinamento no ano. •» O investimento per capita no treinamento de exe- cutivos no Brasil vem crescendo consistentemente segundo o Saratoga Institute. As más notícias são: •» Há muito desperdício nos investimentos em treina- mento. Recursos malbaratados: cerca de US$ 100 milhões foram gastos em programas de treinamen- to com técnicos de futebol, jogadores de basquete e cursos heterodoxos com exercícios de sobrevivência fIgura 5 As quatro etapas do processo de treinamento. 1 Levantamento das necessidades de treinamento a serem satisfeitas 3 Aplicação do programa de treinamento 2 Desenho do programa de treinamento 4 Avaliação dos resultados do treinamento fIgura 6 Desdobramento das etapas do processo de treinamento.12 Necessidades a satisfazer desenho do treinamento Execução do treinamento avaliação dos resultados Diagnóstico da situação Decisão quanto à estratégia Implementação ou ação Avaliação e controle •» Objetivos da organização •» Competências necessárias •» Problemas de produção •» Problemas de pessoal •» Resultados da avaliação do desempenho Programa do treinamento •» Quem treinar •» Como treinar •» Em que treinar •» Quando treinar Condução e aplicação do programa de treinamento por meio de: •» Gerente de linha •» Assessoria de RH •» Por ambos •» Por terceiros •» Monitoração do processo •» Avaliação e medição de resultados •» Comparação da situação atual com a situação anterior •» Análise do custo/ benefício CapÍtULo 12 – treInaMento 317 na selva, escaladas de muros e montanhas, danças ao redor de fogueiras, florais de Bach e outras coisas do ramo, chamados indevidamente de treinamento comportamental. Ou em cursos sérios, mas com re- torno duvidoso por falta de foco específico. •» Muitos programas de treinamento estão distan- ciados das necessidades estratégicas da empresa. Muitas empresas compram pacotes de treinamento já prontos para mostrar técnicas adotadas por outras empresas, mas que nada agregam ao desempenho do funcionário. Os resultados são pífios. •» Excesso de teoria é outro flagelo. Muitos programas não conseguem levar os conceitos à prática devido ao seu academicismo. •» A falta de cultura interna favorável ao aprendizado e ao comportamento de mudança é outro obstá- culo. De nada adianta gastar rios de dinheiro se a empresa não dá espaço, suporte ou oportunidades para que as pessoas apliquem as competências e os conhecimentos adquiridos. •» O treinamento por resultados é a opção para conter o esbanjamento (exagero de investimentos) de um lado, e a inação (escassez de investimentos) de ou- tro. Deve haver pragmatismo. Foco nos resultados, participação da cúpula no conteúdo e na adequação à estratégia do negócio são básicos. Há muito que fazer para transformar o treinamento em um investimento com retorno garantido. dIagnóstIco das necessIdades de tReInamento A primeira etapa de um treinamento é o levanta- mento das necessidades de treinamento que a organi- zação apresenta. Essas necessidades nem sempre são claras e precisam ser diagnosticadas a partir de certos levantamentos e pesquisas internas capazes de desco- bri-las. Necessidades de treinamento são carências de preparo profissional das pessoas, ou seja, a diferença entre o que uma pessoa deveria saber e fazer e aquilo que ela realmente sabe e faz. Significam um descom- passo entre o que deveria ser e o que realmente é. Uma necessidade de treinamento é uma área de informação ou de habilidades que um indivíduo ou grupo precisa desenvolver para melhorar ou aumentar sua eficiên- cia, eficácia e produtividade no trabalho. Na medida em que o treinamento focaliza essas necessidades e carências e as elimina, ele se torna benéfico para os co- laboradores, para a organização e para o cliente. Caso contrário, representará um desperdício ou simples perda de tempo. O treinamento das pessoas na organização deve ser uma atividade contínua, constante e ininterrup- ta. Mesmo quando as pessoas apresentam excelente desempenho, alguma melhoria das suas habilidades e competênciassempre deve ser introduzida ou incenti- vada. A base principal para os programas de melhoria contínua é a constante capacitação das pessoas para patamares cada vez mais elevados de desempenho. E o treinamento funciona como o principal catalisador dessa mudança. vOltandO aO CasO IntrOdutórIO: treinamento na Bioterápica Ânfora S/A O primeiro passo da gerente da DRH, Maria do Car- mo, foi atribuir aos gerentes da empresa a responsabili- dade pelo diagnóstico das necessidades de treinamen- to de suas áreas de competência. Cada gerente passou a trabalhar junto a sua equipe para averiguar suas carên- cias atuais e futuras de treinamento. Em seguida, cada gerente passou a negociar com o DT a programação de treinamento adequada para sanar as carências. O que se poderia fazer no lugar de Maria do Carmo? métodos de levantamento das necessidades de treinamento Existem vários métodos para determinar quais ha- bilidades e competências devem ser focalizadas para estabelecer a estratégia de treinamento. Um dos mé- todos é avaliar o processo produtivo da organização, localizando fatores críticos como produtos rejeitados, barreiras, pontos fracos relacionados com o desem- penho de pessoas, custos elevados, etc. Outro método para determinar as necessidades de treinamento é a re- troação direta a partir daquilo que as pessoas acreditam serem necessidades de treinamento na organização. As pessoas verbalizam clara e objetivamente que tipos de informação, habilidades, atitudes ou competências elas necessitam para executar melhor suas atividades. Um terceiro método para determinar as necessidades de treinamento envolve a visão organizacional de fu- turo. A introdução de novas tecnologias ou equipa- mentos, novos processos para elaborar os produtos ou 318 parte v – desenvoLvendo pessoas serviços da organização, novos produtos e serviços ou desenvolvimento dos atuais produtos e serviços são si- nais de que novas habilidades e competências devem ser adquiridas ou construídas pelas pessoas. O levantamento de necessidades de treinamento pode ser feito em cinco níveis de análise, como de- monstrado na Figura 7.14 1. Análise organizacional: a partir do diagnóstico de toda a organização, para verificar os aspectos da missão, da visão e dos objetivos estratégicos que o treinamento deve atender. 2. Análise das competências organizacionais re- queridas: uma avaliação das competências reque- ridas pelo negócio da organização e diagnóstico das competências existentes atualmente, para indi- car o gap de competências a construir ou adquirir. 3. Análise dos recursos humanos: a partir do per- fil das pessoas, determinar quais comportamentos, atitudes, conhecimentos e competências são neces- sários para que as pessoas possam contribuir para o alcance dos objetivos estratégicos da organização. 4. Análise da estrutura de cargos: a partir do exame dos requisitos e especificações dos cargos, determi- nar quais são as habilidades, as destrezas e as com- petências que as pessoas devem desenvolver para desempenhar adequadamente os cargos. 5. Análise do treinamento: a partir dos objetivos e das metas que devem ser utilizados como critérios para a avaliação da eficiência e da eficácia do pro- grama de treinamento. dICa: indicadores de necessidade de treinamento 14 Além dos métodos de levantamento de necessida- des, existem indicadores que apontam necessidades futuras (a priori) e passadas (a posteriori): •» Indicadores a priori: são eventos que, se acontece- rem, provocarão necessidades futuras de treinamen- to, facilmente previstas, como: »– Expansão da empresa e admissão de novos em- pregados. »– Redução do número de empregados. »– Mudança de métodos e processos de trabalho. »– Substituições ou movimentação de pessoal. »– Absenteísmo, faltas, licenças e férias. »– Mudanças nos programas de trabalho ou produção. »– Modernização dos equipamentos e novas tecno- logias. »– Produção e comercialização de novos produtos ou serviços. •» Indicadores a posteriori: são os problemas provo- cados por necessidades de treinamento ainda não atendidas, como: »– Problemas de produção: »– Baixa qualidade de produção. »– Baixa produtividade. »– Avarias frequentes em equipamentos e insta- lações. »– Comunicação deficiente. »– Elevado número de acidentes no trabalho. »– Excesso de erros e desperdício. »– Pouca versatilidade dos funcionários. »– Mau aproveitamento do espaço disponível. »– Problemas de pessoal: »– Relações deficientes entre o pessoal. »– Número excessivo de queixas. »– Mau atendimento ao cliente. »– Comunicação deficiente. »– Pouco interesse pelo trabalho. »– Falta de cooperação. »– Erros na execução de ordens. Diagnóstico organizacional Determinação da missão, da visão e dos objetivos estratégicos da organização Análise organizacional Determinação de quais comportamentos, atitudes e competências são necessários ao alcance dos objetivos organizacionais Análise dos recursos humanos Definição das competências necessárias Diagnóstico das competências existentes Análise das competências organizacionais requeridas Exame dos requisitos exigidos pelos cargos, especificações de cada cargo e mudanças nos cargos Análise do treinamento Objetivos a serem utilizados na avaliação do programa de treinamento Análise da estrutura de cargos fIgura 7 Os passos no levantamento das necessidades de treinamento. CapÍtULo 12 – treInaMento 319 maPeamento das comPetêncIas Quando o treinamento é focado em competências, baseia-se na lacuna existente entre as competências disponíveis e existentes e as competências necessárias à organização, a cada unidade organizacional, a cada gestor de pessoas ou ao trabalho das pessoas. Há certa similaridade com o levantamento de necessidades de treinamento mencionado. Nesse caso, o treinamento significa a maneira pela qual se tenta preencher as la- cunas e equiparar as competências existentes com as necessárias à organização. Assim, os indicadores de ne- cessidades de treinamento são os gaps de competências. CasO de apOIO: o treinamento via televisão 15 Quando a Aetna insurance – uma das maiores segu- radoras norte-americanas, sócia da brasileira Sul Amé- rica – avaliou os resultados do seu programa de treina- mento, houve uma surpresa geral. O principal problema não era a qualidade dos instrutores, as ferramentas e os estilos de apresentação, o conteúdo ou mesmo ma- teriais e recursos instrucionais que fundamentavam os workshops. A Aetna verificou que o principal desafio do seu programa de treinamento era habilitar grande nú- mero de trainees dispersos geograficamente por meio de um programa centralizado em um departamento que utilizava enormes salas em cidades esparsas. Chegou-se à conclusão de que, se a Aetna pretendia proporcionar um serviço de alta qualidade aos seus clien- tes, precisava treinar mais do que apenas alguns fun- cionários selecionados que viajavam pelas localidades programadas. O objetivo da companhia era aumentar o número de funcionários envolvidos em treinamento a fim de melhorar a qualidade do serviço oferecido aos clientes. Os executivos da empresa e o pessoal de trei- namento fizeram várias sessões de brainstorming para encontrar ideias sobre como disseminar o treinamento e chegaram à conclusão de que a melhor alternativa seria o treinamento interativo pela televisão. Assim, foi criada a Rede de Televisão Aetna, que liga 235 escritórios de campo com o home office de cada vendedor de seguros. Permite que a companhia esten- da seus programas de treinamento para todo o país, tornando-os disponíveis a cada vendedor de seguros. Cerca de 3 mil colaboradores participam do programa. O treinamento via televisão ganha popularidade no mundo todo, pois permite programas de treinamento extremamente flexíveis. O mesmo workshop pode ser visto em qualquer lugar do país por colaboradores den- tro ou fora da companhia ao mesmo tempo ou em dife- rentes horários programados. A tendênciano uso da Tv como veículo para disseminar e aumentar a qualidade do treinamento deve continuar a crescer no futuro. desenHo do PRogRama de tReInamento O desenho do projeto ou do programa de treina- mento é a segunda etapa do processo. Refere-se ao planejamento das ações de treinamento e deve ter um objetivo específico: feito o diagnóstico das necessida- des de treinamento ou o mapeamento do gap entre as competências disponíveis e as necessárias, torna-se mister desenhar o programa que atenda a essas neces- sidades em um conjunto integrado e coeso. O progra- ma deve ter objetivos bem definidos que servirão de métricas para garantir o sucesso e deve estar alinhado com os objetivos organizacionais. Assim, programar o treinamento significa definir os sete ingredientes básicos descritos na Figura 8, a fim de atingir objetivos. O programa de treinamento deve estar associado com as necessidades estratégicas da organização. Com- prar pacotes de treinamento, isto é, programas já pron- tos e vendidos como produtos enlatados e fechados nem Treinandos, aprendizes ou instruendos Métodos de treinamento ou recursos instrucionais Quem deve ser treinado Como treinar Assunto ou conteúdo do treinamento Em que treinar Objetivos do treinamento Para que treinar Época ou horário do treinamentoQuando treinar Local do treinamentoOnde treinar Instrutor ou treinadorPor quem fIgura 8 Programação de treinamento. 320 parte v – desenvoLvendo pessoas sempre soluciona as necessidades da organização. É pre- ciso avaliar as necessidades da organização e das pessoas e estabelecer critérios precisos para determinar o nível de desempenho almejado. Além disso, a organização precisa estar disposta a dar espaço e oferecer oportuni- dades para que as pessoas possam aplicar as novas com- petências e conhecimentos adquiridos no treinamento. Para evitar desperdícios e garantir o retorno desejado do investimento, o pragmatismo é imprescindível na programação do treinamento.13 A maneira de conciliar investimento com retorno é o treinamento para resulta- dos. Por mais difícil que seja defini-los e aferi-los, definir os objetivos e resultados para o treinamento e compará- -los posteriormente é indispensável (Figura 9). exerCíCIO: novos valores e atitudes em treinamento 16 A Saturn Corporation – uma subsidiária da General Motors – buscou um novo relacionamento com o pú- blico para aumentar a satisfação dos clientes. Ela foi criada para ir além da satisfação do cliente, exceder sua expectativa para tornar a experiência de comprar e pos- suir um carro em algo entusiástico. Para isso, a empresa definiu cinco valores: 1. Um compromisso com o cliente e sua satisfação. 2. Um compromisso com a excelência. 3. Trabalho de equipe. 4. Confiança e respeito pelas pessoas. 5. Melhoria contínua. A transferência desses valores para o processo de pro- dução foi bastante difícil, mas transferi-los para a área de vendas foi pior. Foi necessário até mudar o vocabulário da empresa, com os revendedores virando varejistas, as concessionárias virando unidades de varejo e os ven- dedores tornando-se consultores de vendas. Isso exigiu uma mudança radical da imagem do vendedor de carros que faz qualquer coisa para obter vantagens em uma venda. Foi definida uma nova filosofia contida nos Seis Passos para o Entusiasmo do Consumidor, a saber: 1. Ouvir o cliente. 2. Criar um clima de confiança mútua. 3. Exceder às expectativas do cliente. 4. Criar uma cultura de vencedores. 5. Fazer o acompanhamento do cliente de forma a assegurar-se de que suas expectativas foram plena- mente atingidas. 6. Melhorar continuamente a imagem da qualidade de produtos e serviços perante o consumidor. Como projetar uma abordagem de treinamento com uma relação de custos/benefícios para uma nova geração de consultores de vendas de uma empresa? avalIaçãO CrítICa: tipos de treinamento oferecidos por organizações norte- -americanas 17 tipo de treinamento % de frequência 1.» Habilidades gerenciais 74,3 2.» Habilidades de supervisão 73,4 3.» Habilidades técnicas/atualização de conhecimentos 72,7 4.» Habilidades de comunicação 66,8 5.» Serviços e relações com clientes 63,8 6.» Desenvolvimento de executivos 56,8 7.» Novos métodos e procedimentos 56,5 Relatórios analíticos Planejamento de sucessão Avaliação de talentos Planejamento de carreira Busca de talentos Planos futuros Análise de necessidades futuras Pool de sucessão Pool de talentos Competências Perfil de talentos Avaliações de desempenho Feedback 360° Levantamento das necessidades de treinamento Plano de aprendizagem/treinamento fIgura 9 Entradas e saídas do programa de treinamento. CapÍtULo 12 – treInaMento 321 8.» Habilidades em vendas 54,1 9.» Habilidades burocráticas e de secretariado 52,9 10.» Desenvolvimento pessoal 51,9 11.» Habilidades básicas com computadores 48,2 12.» Relações com empregados 44,9 13.» Prevenção de acidentes/ promoção da saúde 38,9 14.» Educação do consumidor 35,7 15.» Educação básica para prevenção 18,0 Dê sua opinião a respeito desta listagem em percentuais. tecnologia de treinamento A tecnologia de treinamento refere-se aos recur- sos didáticos, pedagógicos e instrucionais utilizados no treinamento. Bloom definiu uma estrutura de or- ganização hierárquica de objetivos educacionais na década de 1950. A sua classificação definiu as possi- bilidades de aprendizagem em três domínios com vá- rios níveis de profundidade de aprendizado: 1. Cognitivo: aprendizagem intelectual. 2. Afetivo: aspectos de sensibilização e gradação de valores. 3. Psicomotor: habilidades de execução de tarefas que envolvem o aparato muscular. Apenas o primeiro domínio foi implementado em sua totalidade. A taxonomia de Bloom está arranjada em ordem ascendente para representar os níveis cog- nitivos e as estratégias instrucionais para cada nível a fim de avançar em níveis cada vez mais complexos. Bloom sugere as atividades adequadas para cada nível, como demonstrado na Figura 10.18 Mais adiante, a taxonomia de Bloom foi revista para envolver a dimensão cognitiva e a dimensão do conhecimento, tal como na Figura 11, na qual cada objetivo de aprendizagem corresponde a várias com- binações de processos cognitivos e dimensões de co- nhecimento.19 Leitura visuais vídeo áudio Exemplos Ilustrações Analogias conhecimento Define Repete Registra Relaciona Questões Discussões Revisões Testes Assessment Relatórios Apresentações Escritos compreensão Traduz Discute Descreve Reconhece Reafirma Explana Expressa identifica Exercícios Prática Demonstrações Projetos Descrições Simulações Jogos aplicação Interpreta Aplica Emprega Utiliza Demonstra Dramatiza Pratica Ilustra Opera Programa Mostra Desenha Problemas Exercícios Estudos de casos Incidentes críticos Discussões Questões Testes análise Distingue Analisa Diferencia Calcula Experimenta Testa Compara Contrasta Critica Diagrama Inspeciona Debate Inventaria Questiona Relata Projetos Problemas Exercícios Estudos de casos Exercícios criativos Planos Constructos Simulações síntese Compõe Planeja Propõe Formula Arranja Coleta Monta Constrói Cria Organiza Gerencia Prepara Estudos de casos Projetos Exercícios Críticas Simulações Avaliações avaliação Julga Avalia Classifica Compara valoriza Revisa Quantifica Seleciona Escolhe Assessora Estimula Mede fIgura 10 Taxonomia de Bloom de objetivos educacionais. Parte V - Desenvolvendo Pessoas Capítulo 12 – Treinamento