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PSICOPATOLOGIA GERAL
ARA1109
AULA 02 – NORMALIDADE E MEDICALIZAÇÃO
BIBLIOGRAFIA DA AULA
BÁSICA:
DALGALARRONDO, P. "Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais". Porto Alegre: Artmed, 2019, Capítulo 4: A questão da normalidade e da medicalização, p. 1418. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582715062/cfi/6/2!/4/2/2@0:0.0699
COMPLEMENTAR:
BARLOW, D. H.; DURAND, V. M. Psicopatologia: uma abordagem integrada.. São Paulo: Cengage Learnig, 2015. Disponível em: Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522124992/cfi/0!/4/4@0.00:0.00
NORMAL E PATOLÓGICO
LEMBRANDO:
A PSICOPATOLOGIA é a disciplina científica que estuda a doença mental em vários aspectos: suas causas, alterações estruturais e funcionais, métodos de investigação e formas de manifestações (sinais e sintomas).
A Psicopatologia está ligada a diversas disciplinas: as psicologias, as psiquiatrias e ao corpo teórico psicanalítico. Dentro da Psicologia, liga-se com Psicologia Clínica (direcionada ao diagnóstico, e ao estudo da personalidade), Psicologia Geral (noções de subjetividade, intencionalidade, representação, atos voluntários etc.), e ainda Psicologia ligada às neurociências.
Normal e patológico
Definir o que é normal e o que é patológico não é uma tarefa fácil. No campo da psicopatologia essa discussão e complicada e de difícil delimitação.
O patológico não é apenas uma variação quantitativa do normal (avaliamos fenômenos semelhantes/ semelhantes e em parte diferentes / qualitativamente novo).
Saúde é a capacidade de estar adaptado as exigências do meio, criar e seguir novas formas de vida.
Como avaliamos a NORMALIDADE em psicopatologia?
carga valorativa dos comportamentos: definir alguém como normal ou anormal psicopatologicamente tem sido associado àquilo que é “desejável” ou “indesejável”, ou àquilo que é “bom” ou “ruim”.
o comportamento e o estado mental das pessoas não são fatos neutros, exteriores aos interesses e preocupações humanas.
o debate sobre normalidade em psicopatologia é um debate vivo, intenso, interessado, repleto de valores (explícitos ou não), com conotações políticas e filosóficas (explícitas ou não) e conceitos que implicam o modo como milhares de pessoas serão situadas em suas vidas na sociedade.
Como avaliamos a NORMALIDADE em psicopatologia?
Diferentes casos
Existem casos extremos em que o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico não é tão problemático, cujas alterações comportamentais e mentais são de intensidade acentuada e de longa duração, com sofrimento mental intenso e disfunções graves no dia a dia (ex. demências avançadas, psicoses graves ou deficiência intelectual profunda)
Casos menos intensos e delimitados, além daqueles limítrofes e complexos em sua definição, nos quais a delimitação entre comportamentos, estados mentais e formas de sentir normais ou patológicas é bastante difícil e problemática. Nessas situações, o conceito de normalidade em psicopatologia e saúde mental ganha especial relevância
Critérios de normalidade
Normalidade como ausência de doença: saúde como “ausência de sintomas, de sinais ou de doenças”.
Normalidade ideal: “utópica”. Estabelece-se arbitrariamente uma norma ideal, aquilo que é supostamente “sadio”, mais “evoluído”.
Normalidade estatística: A normalidade estatística identifica norma e frequência. Trata-se de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral
Normalidade como bem-estar: A Organização Mundial da Saúde (WHO, 1946) definiu, em 1946, a saúde como o “completo bem-estar físico, mental e social”, e não simplesmente como ausência de doença. É um conceito criticável por ser muito amplo e impreciso, pois bem-estar é algo difícil de se definir objetivamente.
Normalidade funcional: Tal conceito baseia-se em aspectos funcionais e não necessariamente quantitativos.
Critérios de normalidade
6. Normalidade como processo: Nesse caso, mais que uma visão estática, consideram-se os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários.
7. Normalidade subjetiva: Aqui, é dada maior ênfase à percepção subjetiva do próprio indivíduo em relação a seu estado de saúde, às suas vivências subjetivas.
8. Normalidade como liberdade: Alguns autores de orientação fenomenológica e existencial propõem conceituar a doença mental como perda da liberdade existencial.
9. Normalidade operacional: Define-se, a priori, o que é normal e o que é patológico e busca-se trabalhar operacionalmente com esses conceitos, aceitando as consequências de tal definição prévia
Caso clínico 01
A.E.S., 30 anos, sexo feminino, solteira, branca, desempregada, católica não-praticante. Paciente iniciou alterações em setembro de 2018 com alteração do sono, acordava muito cedo, irritava-se com facilidade, discutia com maior frequência em casa, passava a maior parte do tempo triste, não tinha ânimo e preferia ficar isolada em seu quarto. Os pensamentos estavam voltados para suas dificuldades, julgava não ser capaz de ter amigos e namorado, que ninguém poderia gostar dela por ser feia e não conseguiria jamais um emprego.
Caso clínico 01
Começou a apresentar alucinações auditivas, vozes desconhecidas chamavam seu nome e a culpavam por todas as desgraças. Começou a apresentar comportamentos estranhos em casa, gritava, saía correndo pela rua com pouca roupa, chorava muito e não conseguia mais ajudar sua mãe em casa. Foi internada no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, sendo introduzidos haloperidol 5 mg/dia e imipramina até 200 mg/dia, com remissão total do quadro em 50 dias, quando recebeu alta hospitalar
Caso clínico 02
L.M. 38 anos, sexo masculino, solteiro, noivo há 08 anos, advogado e funcionário de um pequeno escritório de advocacia há 10 anos.
O paciente procurou tratamento por sentir-se desolado com a vida e com dificuldades para tomar decisões importantes, como marcar a data do casamento e procurar um emprego mais gratificante. Refere sempre ter sido um menino triste, que nunca achou a vida bonita ou teve momentos de alegria duradoura. No entanto, conseguiu viver bem até completar a faculdade, aos 25 anos.
Caso clínico 02
Quando chegou no Rio de Janeiro, começou a sentir-se inferior aos colegas, sem energia para competir por um espaço condizente com sua capacidade intelectiva ou buscar aprimoramento profissional. Sente-se muito pessimista, até hesita em casar-se para não ser pai – acha que o mundo não é um lugar que valha a pena para uma criança. Nega ter tido episódios de expansão do humor ou hiperatividade.
Iniciou psicoterapia, não faz uso de medicação.
Conclusão:
os critérios de normalidade e de doença em psicopatologia variam consideravelmente em função dos fenômenos específicos com os quais se trabalha e, também, de acordo com as opções filosóficas do profissional ou da instituição. Além disso, em alguns casos, pode-se utilizar a associação de vários critérios de normalidade ou doença/transtorno, de acordo com o objetivo que se tem em mente.
Áreas implicadas no debate sobre saúde e adoecimento
Psiquiatria e psicologia legal ou forense: significa que o indivíduo em questão é plenamente responsável por seus atos e deve responder legalmente por eles.
Epidemiologia dos transtornos mentais: a definição de normalidade é tanto um problema como um objeto de trabalho e pesquisa.
Psiquiatria cultural e etnopsiquiatria: o conceito de normalidade em psicopatologia impõe a análise do contexto sociocultural.
Áreas implicadas no debate sobre saúde e adoecimento
Planejamento em saúde mental e políticas de saúde: Nessa área, é preciso estabelecer critérios de normalidade, principalmente no sentido de verificar as demandas assistenciais de determinado grupo populacional, as necessidades de serviços, quais e quantos serviços devem ser colocados à disposiçãodesse grupo, etc.
Orientação e capacitação profissional: São importantes na definição de capacidade e adequação de um indivíduo para exercer certa profissão.
Prática clínica: É muito importante a capacidade de discriminar, no processo de avaliação e intervenção clínica, se tal ou qual fenômeno é patológico ou normal, se faz parte de um momento existencial do indivíduo ou se é algo francamente patológico.
medicalização
Por medicalização entende-se “o processo pelo qual problemas não médicos passam a ser definidos e tratados como problemas médicos, frequentemente em termos de doenças ou transtornos.” (Conrad, 2007.
No campo da psicopatologia, medicalização é um conceito que se refere mais especificamente à transformação de comportamentos desviantes em doenças ou transtornos mentais, implicando geralmente a ação do controle e poder médico sobre as condições transformadas em entidades médica
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