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Recreação e Lazer 
 
AULA 1 
 
Nesta webaula, abordaremos as dimensões teóricas do lazer, da recreação e do lúdico. 
Lazer, recreação e lúdico 
De modo marcante ainda nas sociedades tradicionais, as atividades lúdicas, como os jogos e as 
danças, podem ser consideradas as origens, as raízes do lazer, manifestando-se, também, em 
outros aspectos da vida em sociedade, como na educação e no trabalho. 
Fonte: iStock 
 
 No entanto, é importante destacar que lazer e lúdico não são sinônimos, isto é, não 
possuem os mesmos significados. É comum os equívocos conceituais e sobreposições 
quando se trata de conceitos como lazer, lúdico e recreação. 
 
A seguir, compreenda o significado de cada um dos conceitos. 
Lazer 
 
Lúdico 
Recreação 
 
Muitas vezes, o lazer e a recreação foram tratados de formas sobrepostas, e no senso comum, 
no cotidiano das pessoas, esse pensamento ainda é muito marcante. Há até mesmo uma 
justificativa para que isso tenha ocorrido no Brasil. 
No início dos anos 1940, como forma de controlar a ocupação do tempo livre do trabalhador, o 
Governo Federal criou o Serviço de Recreação Operária, dentro do Ministério do Trabalho, 
Indústria e Comércio. A visão que se tinha da recreação era de que possibilitava restaurar o 
equilíbrio biológico entre o espírito e o corpo, colaborando com a saúde da população e, assim, 
auxiliando no processo produtivo da nação, ou seja, uma recreação organizada que fosse 
saudável, educativa e socialmente útil. 
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S1/div#accordion%20.item-1
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S1/div#accordion%20.item-1
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S1/div#accordion%20.item-2
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S1/div#accordion%20.item-3
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S1/div#accordion%20.item-3
Fonte: iStock 
Diante desse cenário, o uso da recreação de forma utilitarista era: 
• Uma forma de controlar o lazer dos trabalhadores e suas famílias. 
• Um instrumento pedagógico de formação de uma sociedade que apresentasse boa saúde 
biológica e social, disciplinando o corpo para e nas práticas de ocupação do tempo livre. 
Outro fator que colaborou com a sobreposição conceitual entre lazer e recreação foi o 
próprio conceito de lazer de Joffre Dumazedier, que impactou significativamente o campo dos 
estudos sobre o lazer no Brasil a partir dos anos 1970. 
 Para esse autor, o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo poderia se 
entregar, após livrar-se de obrigações de diversas naturezas. Nesse sentido, delimitando e 
reduzindo o lazer a determinadas atividades, seu significado fica muito próximo do 
significado de recreação construído no país. Assim, a recreação passou a ser vista como 
sinônimo de atividades realizadas nas horas de lazer. 
 
Como podemos perceber, mesmo estando entrelaçados, a recreação e o lazer, a partir de sua 
trajetória e experiência no campo das chamadas atividades lúdicas, podem construir as marcas 
identitárias que os distinguem e os relacionam, criando possibilidades de participação e 
democratização às práticas culturais de lazer. 
Para terminar, você já pensou como a Educação Física pode colaborar com esse 
processo? 
As práticas corporais culturalmente instituídas constituem nosso campo de intervenção. Em 
síntese, as mais diversas formas da cultura corporal que, historicamente, tornaram-se campo 
de estudo e conhecimento da Educação Física podem e devem ser apropriadas no lazer e na 
recreação. 
Fonte: iStock 
 
Não existe um “receituário” de práticas de lazer e recreação. As mais diversas dimensões do 
movimento humano podem ser utilizadas como vivência e fruição do lazer. Foi nesse sentido e 
caminho histórico percorrido pela Educação Física no Brasil que o lazer se tornou objeto de 
estudo e campo de intervenção para o profissional de Educação Física. 
Bons estudos! 
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S1/index.html
Olhar o lazer em uma perspectiva histórica é uma tarefa complexa, pois cada sociedade possui 
características e elementos distintos que se fazem presentes na própria concepção e prática de 
lazer em cada tempo histórico. Da Antiguidade à atualidade, o olhar deve ser sempre, na medida 
do possível, o mais contextualizado possível. 
Significados da palavra “lazer” 
Um importante passo nesse processo é conhecer com mais profundidade os significados da 
palavra “lazer’, tomando como referência seu contexto e momento histórico. 
Categorias relacionadas aos conteúdos culturais das atividades de lazer 
O sociólogo francês Joffre Dumazedier, um dos maiores influenciadores da constituição do 
pensamento brasileiro sobre o lazer, principalmente na Educação Física no Brasil, estabeleceu 
cinco categorias, conteúdos culturais das atividades de lazer, que expressam, de forma 
predominante, os interesses das pessoas nessa área. 
Interesse físicoadd 
Interesse artísticoadd 
Interesse manual ou práticoadd 
Interesse intelectualadd 
Interesse socialadd 
O próprio processo de desenvolvimento da sociedade transforma os fenômenos que a constitui. E 
o lazer, como fenômeno tão presente na sociedade contemporânea, está sujeito às 
transformações. Assim, hoje, podem-se atribuir mais dois interesses ao campo do lazer: 
o turismo e o virtual. 
 É importante ressaltar que os conteúdos culturais possuem o predomínio de uma área 
sobre a outra, ou seja, não são excludentes uns dos outros. Uma atividade pode ter nela 
mais de um interesse incluso, pois um não exclui os outros, visto que todos se 
complementam. 
 
Por fim, quando pensamos a multiplicidade de práticas e vivências possíveis do lazer na 
sociedade contemporânea, é possível que a classificação proposta por Dumazedier não consiga 
abarcar todas, ou seja, é fato que ela possui limitações. No entanto, essa classificação tem seu 
mérito por ter sido pensada com o objetivo de compreender melhor as diversas e diferentes 
experiências de lazer. 
Assim, quando se olha para os conteúdos culturais do lazer, é possível perceber que, justamente 
por fazerem parte da dinâmica da cultura de uma sociedade, eles não são exclusivos do lazer, 
pois estão inseridos, possuem e emanam valores da própria cultura que o produz. 
Fonte: iStock. 
 
Bons estudos! 
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S2/div#accordion%20.item-1
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S2/div#accordion%20.item-2
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https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S2/div#accordion%20.item-5
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S2/index.html
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Nesta última webaula, ampliaremos nossos conhecimentos a respeito das bases conceituais 
sobre o jogo, a brincadeira, o lúdico e a recreação. 
Lúdico 
Começando pelo estudo do lúdico, conheça, a seguir, considerações de alguns autores a respeito 
desse assunto. 
Huizinga (1998) aponta que o espírito de competição lúdica, enquanto impulso social, é mais 
antigo do que a cultura, e a própria vida está toda penetrada por ele, como por um verdadeiro 
fermento. 
Pensando em toda a sua capacidade de inserção na vida em sociedade, a vivência do lúdico é 
necessária enquanto participação na cultura de um modo geral, pensando a inserção e vivência 
em práticas que enriqueçam a formação da criança, do jovem, do adulto e do idoso de forma 
criativa e no exercício do prazer deviver. 
 Em resumo, o lúdico é fundamental para o desenvolvimento do ser humano e para a 
própria manifestação e dimensão do que é humano no homem. 
 
Jogo 
O jogo é um dos saberes da Educação Física em que mais se associa a presença e vivência do 
lúdico. Podemos defini-lo como: 
[...] uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de 
tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado 
de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma 
consciência de ser diferente da vida cotidiana. 
(HUIZINGA, 1998, p. 33) 
 
Na prática da Educação Física, o jogo se apresenta no campo da Cultura Corporal de Movimento, 
são manifestações formalizadas a partir de procedimentos e passos que possibilitam a inserção 
dos sujeitos por meios de regras, as quais são construídas e reconstruídas. 
Fonte: iStock. 
 
 Integrando os conceitos até agora abordados, ao se trabalhar a vivência lúdica e o jogo no 
campo das atividades recreativas, há uma possibilidade e potencialidade de se 
desenvolver a criatividade, o prazer, a interação entre as pessoas, a cooperação, etc. 
 
Brincadeira 
A brincadeira é presente, inerente principalmente à vida da criança, e é justamente pelo brincar 
que a criança vivencia, experimenta, organiza-se e elabora regras e normas para si e para o 
outro. Há um constante movimento de criar e recriar a cada nova brincadeira, aprendendo uma 
nova linguagem, uma nova forma de interagir consigo, com o outro, com o mundo. 
No campo do movimento humano 
Pode-se dizer que a brincadeira auxilia no desenvolvimento de elementos como a 
psicomotricidade, nos aspectos sociais, físicos, afetivos, cognitivos e emocionais. Ao brincar, 
manifestam-se e desenvolvem-se a construção de regras, novas descobertas e a interação com 
os colegas. 
 Em síntese, os jogos e as brincadeiras presentes nas atividades recreativas e de lazer 
possibilitam um meio de comunicação, de prazer e de vivência do lúdico de forma 
planejada, estruturada e organizada. 
 
Recreação 
A recreação pode ser compreendida como “o momento, ou a circunstância que o indivíduo 
escolhe espontânea e deliberadamente, através do qual ele se satisfaz (sacia) seus anseios 
voltados ao seu lazer” (CAVALLARI; ZACHARIAS, 1994, p. 15). Assim, ela é compreendida como 
uma série de atividades a serem desenvolvidas no campo do lazer. 
Segundo Bruhns (1997), o lazer é a expressão da cultura, constituindo elemento de conformismo 
ou de resistência à ordem social hegemônica. A autora ainda afirma que a recreação (ou 
atividade de lazer) se aproxima do lúdico, o que muitas vezes provoca uma confusão de termos e 
objetivos, sendo o jogo também visualizado apenas como recreação. 
Os elementos que podemos destacar na prática profissional da recreação são as atividades livres 
e dirigidas. 
Atividades livresremove 
Os momentos livres, principalmente com crianças, são importantes para a manifestação da 
criatividade, em que o sujeito é movido a fazer escolhas, agindo com autonomia, tendo a liberdade 
para escolher os brinquedos, brincadeiras, jogos, materiais, parceiros, etc. 
Atividades dirigidas 
add 
Para terminar, é importante destacar que o fato da maior presença do profissional na organização 
e condução da atividade dirigida não deve tirar a liberdade do participante em se integrar à 
recreação. 
Bons estudos! 
AULA 2 
 
Nesta webaula, abordaremos sobre o conceito e uso do lazer na sociedade moderna como um 
produto, uma mercadoria manifesta em grandes eventos e espetáculos. 
O Lazer, dos pequenos até os grandes centros urbanos, principalmente, passa por muitas 
transformações. Essas transformações em sua forma de sentir e viver o lazer, são tão dinâmicas 
como as próprias mudanças na sociedade atual. Assim, o lazer acaba, muitas vezes, se tornando 
mais um produto a ser consumido. 
Lazer e sociedade do consumo 
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U1/S3/index.html
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As dimensões da vivência do lazer, como viagens e turismo, ir a shows, espetáculos e 
principalmente ao shopping center, são exemplos de práticas de lazer em que o mercado, o 
consumo é o grande mediador. Nesse sentido, o lazer no século XX e XXI não pode ser visto 
apenas em suas relações com o trabalho, mas também em um forte processo de mercantilização 
do tempo livre como um forte traço da sociedade industrial e de consumo, sendo o lazer 
apreendido pela cultura do consumo. 
Assim, o lazer, o tempo de trabalho e o tempo livre se manifestam, agora, em um confronto com 
novos tempos e práticas sociais, tendo destaque nesse contexto o consumo, que aparece como 
um elemento integrador e de significados para o lazer, o trabalho e o tempo livre. 
Na sociedade atual, o consumo acaba por se impor como um dos principais tempos de ocupação 
do lazer e do tempo livre. Ele aparece de forma estruturada e planejada pelas estratégias, tanto 
dos seus meios de produção, como pelos seus meios midiáticos, sendo incorporados pelo modo 
de vida na sociedade moderna, desde a esfera individual à família ou a outras formas de 
agregação e integração social. 
Fonte: iStock 
 
O consumo passa a ser praticado e vivido como um forte elemento mediador e construtor das 
relações sociais, e, nele, podemos observar aspectos presentes e marcantes de uma sociedade, 
como as dimensões políticas, as distinções étnico-raciais, ou seja, a criação de símbolos, 
significados e valores que ancoram a vida em sociedade. 
O lazer, inserido no contexto do consumo, acabou por ser, simplesmente, vivenciado apenas pelo 
divertimento, pelo prazer no próprio consumo, pela ideia de status social que pode gerar, mesmo 
que momentaneamente. Ele acaba por ser, nesse caso, um consumo alienado dos conteúdos 
culturais de uma forma mais ampla. Nesse cenário, espaços como um shopping center e seus 
atrativos – como locais de jogos e brinquedos, cinema, espaços de jogos on-line – , os hotéis 
fazendas, resorts, etc., podem cumprir, potencialmente, o consumo de produtos e serviços. 
Para Taschner (2000), a indústria se apropriou do lazer, fazendo dele um objeto da indústria ou 
um complexo de serviços, estando a maior parte das vivências do lazer contemporâneo mediado 
pelo consumo. 
Resgatando um forte aspecto presente no conceito do lazer, o da liberdade, da livre escolha, 
como apontou Jofree Dumazedier, é mais do que necessário que, no cenário atual, essa 
dimensão da livre escolha, da liberdade, deve ser objeto de análise e reflexão, na medida em que 
o tempo livre, até então considerado livre, passa a ter seu significado e sua vivência de lazer 
ligado ao consumo. 
Nesse cenário, muitas práticas de lazer com traços de identidade cultural, de práticas tradicionais 
e históricas, acabam deixando de receber seu devido valor, sendo elas, muitas vezes, 
vivenciadas sem custos, ou não atrelada ao campo do consumo. 
Fonte: iStock 
 
Lazer e a sociedade do espetáculo 
Uma das características da “sociedade pós-industrial” é justamente a sua capacidade de 
transformar os valores sociais e culturais, além de, nesse processo, criar possibilidade de novos 
valores, como até mesmo as necessidades no campo do lazer, do entretenimento, a fruição 
cultural, bem como das novas formas tecnológicas e digitais de comunicação e relação entre as 
pessoas. 
O princípio máximo acaba por ser o do valor de troca. O que prevalece é o “ter”, ou “parecer-se”, 
em detrimento do “ser”. Há uma lógica imperativa de produção de aparências, da cultura da 
imagem, como se essa imagem configurasse a própria realidade social. 
Para Guy Debord, “o espetáculo não é um conjuntode imagens, mas uma relação social entre 
pessoas, mediada por imagens” (DEBORD,1997, p. 14). Nesse sentido, por meio da mediação 
das imagens e meios de comunicação em massa, os indivíduos em sociedade abdicam da sua 
realidade concreta e imediata e acabam vivendo a partir das aparências que o consumo 
permanente de fatos, notícias, produtos e mercadorias induz, impõe. 
Também inserido nesse contexto, o lazer parece promover um verdadeiro fascínio junto aos 
meios de comunicação de massa, pelo potencial do uso do tempo livre pelos sujeitos. Nessa 
sociedade do espetáculo, o indivíduo é um produto da modernidade e seus valores, a cultura e as 
práticas culturais tornam-se mercadorias da sociedade espetacular. 
Na relação entre o lazer e a mídia, Sánches (2001) afirma que a mídia produz signos, imagens do 
que seria um ideal de bem-estar, de satisfação advindo do consumo e, também, no consumo dos 
espaços de lazer, criando comportamentos, estilos de vida, promovendo a valorização de 
espaços, lugares, bem como os usos considerados “adequados”. 
Saiba Mais 
Não somente o espetáculo esportivo, mas também o teatro, os concertos, as óperas, o cinema, 
os shows e apresentações culturais diversas configuram-se na relação do lazer com o 
espetáculo. Para Padilha (2000) o consumo é a base que sustenta o capitalismo, e, nesse 
contexto, não somente as atividades de lazer se tornam mercadorias, como também o tempo de 
lazer configura-se em tempo para consumir outras mercadorias. 
Fonte: iStock 
 
O lazer enquanto mercadoria acaba por se colocar a serviço da exclusão, do consumo, tanto de 
suas atividades próprias como de muitos outros produtos, ele transforma-se em um aspecto de 
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U2/S1/index.html
distinção de classe social. O lazer, como mercadoria, acaba por não ser acessível a todos, mas 
sim a uma parcela da população que possui condições econômicas para pagar por ele. 
Fonte: iStock 
 
Em detrimento do avanço dos espaços privados de consumo e espetacularização do lazer, há 
uma evidente diminuição e desvalorização dos espaços públicos para as práticas de lazer. 
Percebe-se um discurso midiático que remete ao público como sendo de menor valor, violento, 
marginalizado. Os espaços e equipamentos públicos de lazer, agora vistos de forma 
marginalizada, acabam sendo precarizados e são substituídos por vivências de lazer alinhadas 
aos valores do mercado. 
Relações do lazer com a competição, cooperação, criatividade e a socialização 
Competição 
 
A competição é algo inerente ao ser humano. É quase impossível pensar o campo do esporte 
sem o elemento da competição, pois a competição está em sua própria essência. Seja no jogo e 
nas mais diversas atividades recreativas, como um “caça ao tesouro” ela estará lá, manifestada 
na própria dimensão do ser humano. No âmbito do lazer, a dimensão da competição se fará 
presente em muitas atividades, nesse sentido, deve-se buscar programar atividades em que o 
impulso lúdico e criativo, cooperativo e socializante também se façam presentes de forma 
significativa. Os conteúdos culturais do lazer e suas mais diversas manifestações, principalmente 
os jogos e os esportes que envolvam atividades de lazer ativo, podem ser tratados como 
atividades de lazer e recreação. Seus conteúdos e regras podem (e devem) ser (re)construídos 
pelos envolvidos de forma criativa e lúdica. A criatividade nasce do tempo livre e saber como 
administrar e ocupar seu tempo é fundamental. 
Criatividade 
 
Socialização 
 
Cooperação 
 
Assim, finalizamos esta webaula, conhecendo a relação do lazer com a sociedade do consumo e 
a sociedade do espetáculo; assim como seus aspectos de criatividade, socialização, cooperação 
e competição estarão inseridos nas temáticas abordadas. 
Bons estudos! 
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U2/S1/div#accordion-1%20.item-1
https://conteudo.colaboraread.com.br/201902/INTERATIVAS_2_0/RECREACAO_E_LAZER/U2/S1/div#accordion-1%20.item-1
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Nesta webaula, vamos conhecer um pouco sobre alguns autores/pensadores no campo do lazer, 
com linhas teóricas clássicas que não somente determinaram os rumos dos estudos sobre o lazer 
como também serviram de base, de referência para muitos outros estudiosos, pensadores, 
pesquisadores. 
Johan Huizinga 
O autor de Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura nasceu na Holanda e viveu na Europa 
entre os anos de 1872 e 1945. Sua obra foi publicada em 1939, em Amsterdã, na Holanda, 
porém, em língua alemã. No Brasil, ela foi publicada e divulgada a partir de 1980. 
 
Para Huizinga, jogo é considerado uma realidade originária, primitiva que está fortemente 
marcada no ser humano. Assim, o jogo seria a condição para o nascimento da cultura, e estaria 
materializado de diversas formas, como nos rituais, na poesia, nas formas de competição, na 
linguagem, no discurso, na guerra, no trabalho, no lazer, enfim, seria manifestação da cultura 
presente em diferentes dimensões da vida. 
Para Huizinga (1999), o jogo é o lugar da manifestação do lúdico e, assim, relacionado ao prazer, 
a alegria, ao divertimento (essas dimensões também aparecem em muitas propostas conceituais 
sobre o lazer). Nessa linha, podemos também destacar em seu conceito de jogo, que ele é uma 
atividade livre, não séria, livre de interesse/lucro, que está fora da lógica do cotidiano, da vida 
habitual, mas, que possui a capacidade de envolver, absorver o jogador para sua dimensão 
lúdica. 
Fonte: iStock 
 
É justamente no lúdico, manifestado no jogo, como uma dimensão da cultura (mesmo que possa 
sofrer críticas por ser uma visão idealista) que se encontra sua contribuição para os estudos e 
teoria sobre o lazer. Assim, o lúdico, não pode ser confundido com o lazer, mesmo a partir do 
jogo, da brincadeira, mesmo estando presente no lazer, eles são dimensões conceituais distintas. 
Sendo múltiplas as possibilidades de ocorrência do lúdico, extrapolando as fronteiras do jogo e 
não ocorrendo exclusivamente no lazer; o jogar, o brincar e o festar possuem uma dimensão 
cultural que precisa ser apreendida, ensinada sua vivência e fruição. 
Jofree Dumazedier 
O sociólogo francês Jofree Dumazedier se dedicou, de maneira exclusiva, aos estudos do lazer. 
Sua primeira obra sobre a temática do lazer foi Lazer e cultura popular (1973) e, após, muitas 
outras impactaram de forma determinante na constituição de uma sociologia do lazer, no Brasil e 
em outros países do mundo. Sua definição de lazer foi a mais influente e presente na produção 
acadêmica brasileira a partir dos anos de 1970. 
 
Em sua linha de pensamento, Dumazedier é um defensor do lazer como fruto da sociedade 
moderna, com características que emanam da Sociedade Industrial. Ou seja, ele contrapõe as 
teorias que afirmam que o lazer sempre esteve presente na história da humanidade. 
Segundo ele, a civilização urbana e industrial caminhava em direção a uma Civilização do Lazer, 
sendo esta constituída por um conjunto de atividades diferentes das atividades produtivas e das 
obrigações sociais que apresentam a estas, novos problemas, surgindo como um elemento 
perturbador na cultura de nossa sociedade. Tomando como referência essa sociedade, esse 
autor busca estabelecer critérios, formas e significados para elaborarsua proposta teórica-
conceitual sobre o lazer. 
Dumazedier, no livro Lazer e cultura popular (1973), estabelece três funções para o lazer: 
Função de descansoadd 
Função de divertimento, recreação e entretenimentoadd 
Função de desenvolvimentoadd 
Para Dumazedier, o lazer é 
[...] um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para 
repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda para desenvolver sua 
informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre 
capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e 
sociais. 
DUMAZEDIER, 1973, p. 34 
 
Saiba Mais 
Dumazedier busca superar a visão do Lazer como simplesmente oposição ao trabalho, ou seja, 
superar a visão de que, se não está trabalhando, está realizando práticas de lazer. Nesse sentido, 
Dumazedier (1973, p. 31) pensou o Lazer “por oposição ao conjunto das necessidades e 
obrigações da vida cotidiana”. 
Renato Requixa 
Assim como Dumazedier, Requixa (1969) pensa o lazer a partir da liberdade e das escolhas 
pessoais. Para Requixa, em seu livro As dimensões do Lazer no Brasil (1969), o lazer seria uma 
ocupação não obrigatória, de livre escolha e que possui valores que possibilitam a recuperação 
psicossomática e também o desenvolvimento pessoal e social. Outro pensamento de destaque de 
Requixa foi relacionar o lazer, no Brasil, com o processo de desenvolvimento e urbanização, e, 
nesse contexto, o papel do Estado como promotor de políticas públicas para o lazer. 
Fonte: iStock 
 
Nelson Carvalho Marcellino 
É um dos autores nacionais que mais contribuiu para a consolidação dos estudos do lazer. Esse 
autor estabeleceu algumas críticas ao pensamento de Dumazedier, principalmente a visão 
funcionalista do lazer presente no pensamento e conceito de lazer. Marcellino afirma que o lazer, 
na perspectiva conceitual de Dumazedier, pode ser caracterizado como conservador, a serviços 
dos valores e poderes hegemônicos, que busca a manutenção da ordem. 
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Propondo uma visão crítica sobre o tema, Marcellino (1987, p. 31) define o Lazer 
[...] como a cultura - compreendida no seu sentido mais amplo - vivenciada (praticada ou fruída), 
no ‘tempo disponível’. É fundamental, como traço definidor, o caráter ‘desinteressado’ dessa 
vivência. Não se busca, pelo menos basicamente, outra recompensa além da satisfação 
provocada pela situação. A disponibilidade de tempo’ significa possibilidade de opção pela 
atividade prática ou contemplativa. 
MARCELLINO; 1987, p. 31 
 
Marcellino não utiliza a dimensão “tempo livre”, mas sim “tempo disponível” para se referir ao 
tempo em que ocorre a vivência do lazer. Para esse autor, não existe tempo que seja totalmente 
livre das pressões e coações e normas de condutas da vida em sociedade. E, também, ao 
colocar o lazer como cultura, supera a visão de simples atividades, ocupações, dando a ele um 
papel central e potencialmente transformador da vida em sociedade. 
Para sintetizar suas ideias, Marcellino (1987) estabelece 4 pontos que caracterizam o lazer: 
1) é a “cultura vivenciada no ‘tempo disponível’ das obrigações profissionais, escolares, familiares 
e sociais, combinando os aspectos tempo e atitude”; 
Norbert Elias 
Norbert Elias é considerado um dos principais precursores da chamada Sociologia Figuracional, 
que propõe estudar as relações humanas de forma processual. As bases teóricas propostas por 
Norbert Elias, tomando o lazer como referência, fazem com que ele possa ser considerado, 
dentre outras teorias e autores, um pensador clássico das teorias do lazer. 
 
Um ponto de contribuição que já podemos destacar é o fato de olhar para o lazer na sociedade 
moderna a partir de um olhar diferente, seja qual for a possibilidade de analisar o tempo livre e o 
lazer como conceitos diferentes entre si e, principalmente, não assumindo a categoria trabalho 
como ponto de partida dessas discussões. 
Nesse sentido, o lazer aparece nas teorias de Elias de modo dissociado do trabalho, não mais 
como algo complementar ao trabalho e, para compreender suas estruturas e funções devemos 
considerá-lo um fenômeno social, não inferior, nem subordinado ao trabalho. 
 
Para Elias (1994) a sociedade passou por transformações e, com esse processo, ao longo dos 
tempos, suas estruturas, costumes, hábitos e condutas, assim como os jogos e brincadeiras 
também passam por esse contínuo processo de transformação. Assumindo o lazer como fruto da 
sociedade moderna, Elias afirma que o lazer é um conceito histórico de classificação de 
atividades humanas. 
Elias utiliza o termo “mimético” para fazer a relação entre os sentimentos experimentados no 
lazer e as situações da vida real. Esse termo significa que no lazer (como nos jogos, nos 
esportes, nas artes, etc.) há a presença de emoções intensas que se manifestam de forma livre 
de restrições, de controle, e que manifesta tensões prazerosas, sem correr o risco de viver um 
emocional violento na vida social. 
Fonte: iStock 
 
 Assim, o estado de tensão pode ser prazeroso. No entanto, a função de lazer não seria, 
necessariamente, de liberar e compensar as tensões do cotidiano, mas sim o de provocar 
tensões agradáveis, fora do cotidiano, desrotinizadoras, podendo recuperar e integrar as 
dimensões da vida. Em termos conceituais, o lazer é “uma ocupação escolhida livremente 
e não remunerada – escolhida, antes de tudo, porque é agradável para si mesmo” (ELIAS; 
DUNNING; 1992, p. 107). 
 
Um dos marcos teóricos dessa abordagem de estudos do lazer é o de buscar uma maior clareza 
e definição nas relações existentes entre as categorias tempo livre e o lazer. Elias e Dunning 
(1992) classificam o tempo livre dos indivíduos a partir de cinco elementos que o constituem: 
trabalho privado e administração familiar; repouso; provimento das necessidades biológicas; 
sociabilidade; e atividades miméticas ou jogo. 
 
Para melhor entender as relações entre as diferentes atividades de tempo livre, os autores 
afirmam existir um espectro do tempo livre, pois somente uma parte do tempo livre deve ser 
considerada como lazer e todas as atividades de lazer podem ser consideradas como de tempo 
livre. 
Bons estudos! 
 
Nesta webaula, conheceremos de forma mais aprofundada as bases/matrizes teóricas, no campo 
do pensamento sociológico e filosófico, que ajudam no desenvolvimento do fenômeno lazer. 
O lazer na perspectiva materialista dialética 
Lazer e trabalho são fenômenos da vida moderna que estão dialeticamente relacionados. Assim, 
ao pensar o trabalho, devemos pensar que ele interfere nas relações que mantemos no campo 
social com as práticas de lazer e, de maneira contraditória, o lazer também interfere no mundo do 
trabalho. 
Primeiramente, devemos ter como premissa o modo de produção capitalista e o modo como ele é 
produzido e reproduzido, pelo homem, como forma de garantir as condições objetivas e 
subjetivas de sua existência. Para Karl Marx, o trabalho constitui a essência da vida humana, 
sendo o aspecto distintivo do homem em sua relação com a natureza. A partir do trabalho 
podemos compreender o desenvolvimento humano. 
Em sua perspectiva teórica, o pensamento de Marx estabelece uma forte crítica ao modo de 
produção capitalista. Entre as principais críticas ao modo de produção capitalista, podemos 
destacar que, para Marx, o capitalismo não se caracteriza, apenas como um modo, um sistema 
de produção de mercadorias, ele vai além. Ele é um sistema em que a força de trabalho se torna 
mercadoria, passívelde ser colocada no mercado para ser vendida e comprada como qualquer 
outro objeto de troca. 
Na perspectiva do capital, para que se concretize a realização de trabalho, é necessário que 
ocorra a venda de sua força de trabalho. Nesse processo, o homem interfere e transforma o 
objeto em produto desejado, de acordo com uma determinada intenção. Assim o resultado de seu 
trabalho é o produto, artigo ou valor de uso, a própria mercadoria. 
Saiba Mais 
Segundo Faleiros (1979), era indispensável, ao processo de produção de mercadorias, que 
houvesse um tempo necessário para a reprodução da energia física e mental. No entanto, esse 
tempo não poderia ser chamado de gratuito e nem de livre, pois estava contabilizado no valor 
(salário) da força de trabalho. Assim, seja o tempo diário, cotidiano, que sobra da jornada de 
trabalho, ou o tempo do fim de semana ou mesmo as férias, passam a ser mercadoria, e a sua 
utilização é determinada socialmente. 
 
Além do princípio do e para o trabalho, o tempo de recuperação fora do trabalho é fundamental 
para o consumo de produtos, mercadorias que são necessárias tanto por parte do trabalhador 
como do próprio sistema capitalista. Assim, o homem se torna produto e consumidor. É nesse 
cenário que podemos destacar o lazer, que surge no seio da sociedade capitalista como uma 
nova mercadoria. 
O trabalho é o elemento central para a produção material da vida social. E como o lazer é 
compreendido como um fenômeno que se materializa fora do tempo do trabalho, no denominado 
“tempo livre”, então o trabalho é uma categoria central para a compreensão da vida social, e, 
consequentemente, para o lazer. 
Sob a perspectiva analítica de Fernando Mascarenhas (2005), o lazer tornou-se mercadoria 
devido aos avanços do capitalismo, que invade cada vez mais todas as esferas e espaços da vida 
em sociedade, determinando modos de vida padronizados, tendo o consumo exacerbado como 
regra. Mascarenhas apresenta em sua obra a categoria “mercolazer”, que domina, de modo 
predominante, quase que a totalidade das formas e possibilidades de experiências no tempo livre 
“definindo formas de sociabilidade, amoldando subjetividades, modificando hábitos, valores e 
comportamentos” (MASCARENHAS, 2005, p.142), criando novas práticas culturais, levando sua 
população a um novo modo de vida. 
Mas, precisamos compreender o lazer não apenas como um fenômeno necessário e a serviço do 
capital. Na medida que o modo como utilizamos nosso tempo livre interfere na construção da 
sociedade, o lazer pode ser um produtor de sociabilidade, de emancipação, de compreensão das 
relações de forças existentes na sociedade, possuindo potencial de emancipação humana. 
Fonte: iStock 
 
Diante da perspectiva transformadora e libertadora, Mascarenhas publicou, em 2003, a 
obra Lazer como prática da liberdade: proposta educativa para a juventude. Diante de uma 
proposta de intervenção pedagógica, em uma educação pelo lazer, o autor reconhece o potencial 
transformador que porta o lazer, por meio de práticas e vivencias lúdicas e educativas na medida 
que a partir delas seja possível compreender, de forma mais radical, a sociedade onde estão 
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inseridos, interagindo de forma crítica e transformadora a partir de valores, hábitos e 
conhecimentos importantes para a vida em sociedade. 
O lazer na perspectiva fenomenológica 
A fenomenologia é uma vertente da filosofia que surgiu no final do século XIX, com o filósofo 
Edmund Husserl (1859-1938), inaugurando a filosofia contemporânea como uma nova 
possibilidade de filosofar. 
Fenomenologia é uma palavra de origem grega, formada por outras duas (phenomenon e logos). 
Ela traz o sentido de refletir sobre aquilo que se mostra. Em seu pensamento, Husserl busca 
superar o pensar a partir da oposição entre idealismo e realismo, da dicotomia entre sujeito e 
objeto, corpo e espírito, o homem e o mundo, determinadas pelas vertentes do pensamento 
hegemônico, principalmente do positivismo, cartesianismo. 
As contribuições que se materializam no campo da Educação Física ocorrem, principalmente, a 
partir do aprofundamento da fenomenologia por Maurice Merleau-Ponty (1908-1961). Para 
Merleau-Ponty, o predomínio deve ser a percepção, portanto, não é a razão que define a 
existência do homem, mas a maneira como o homem significa o mundo, revelando o ser no 
mundo capaz de dar sentidos às coisas. E esse sentido ocorre de forma intencional. 
 
É na dimensão do corpo que as reflexões fenomenológicas aportam na educação física. Para 
Merleau-Ponty 
o corpo inteiro não é para mim uma reunião de órgãos justapostos no espaço. Eu o tenho em 
uma posse indivisa e sei a posição de cada um de meus membros por um esquema corporal em 
que eles estão envolvidos. 
Merleau-Ponty, 2006, p. 144. 
 
Nesse sentido, o corpo não é um objeto coisificado, uma máquina; é sensibilidade, criatividade, 
capacidade criadora, é movimento, é a totalidade: nós não temos um corpo, nós somos o nosso 
corpo. E é justamente pelas diversas maneiras pelas quais nos expressamos que nos revelamos 
e nos construímos. E é esse corpo uno, o ser corpo que realiza, que interage na sociedade, nas 
dimensões do trabalho, do esporte, do jogo, do lazer, da arte, da cultura que estabelece as 
relações e mediação com o mundo. Portanto, o corpo não é reduzido a sua dimensão biológica, 
ele é cultura, expressão e criação desta. 
Merleau-Ponty (2006) apresenta o corpo como sendo: 
Tempoadd 
Espaçoadd 
Falaadd 
Motricidadeadd 
Na dimensão do lazer, esse corpo em movimento é capaz de vivê-lo com intencionalidade, 
constituindo significados às experiências do lazer. Assim, o lazer deve ser compreendido e partir 
da complexidade dos fenômenos cotidianos e das múltiplas possibilidades e significados que os 
sujeitos o vivem. 
Portanto, por mais que existam as categorizações de formas e práticas de lazer (os conteúdos 
culturais) e também as dimensões conceituais hegemonicamente pautadas na dualidade entre 
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lazer e trabalho), a intencionalidade apresenta-se como uma outra possibilidade para a 
compreensão teórica e prática do lazer. 
Bons estudos! 
 
 
AULA 3 
Espaços e equipamentos de lazer 
Espaços e equipamentos de lazer 
O nosso desafio nesta webaula, é aprender sobre um instrumental teórico e começar a ler a 
própria realidade já a partir de um olhar mais criterioso, acadêmico, crítico. Os espaços e 
equipamentos de lazer são condições fundantes para a prática do lazer e para a concretização do 
direito ao acesso ao lazer. 
 De acordo com Marcellino (1996), um dos elementos das políticas de lazer deveriam ser o de 
criar e promover a democratização de espaços específicos para a prática de lazer. 
 
Na maioria dos centros urbanos, os espaços existentes acabam sendo privilégio de alguns, como 
os teatros, cinemas, centros culturais, bibliotecas, espaços esportivos, praças e passeios 
públicos, estando localizados em áreas de maior poder econômico. De forma contraditória, as 
regiões de menor poder aquisitivo ficam sem a presença desses espaços para a vivência do 
lazer. 
Sobre essa temática, podemos dizer que, de um modo geral, o Brasil não pensou de forma 
planejada e organizada o crescimento, o desenvolvimento e a ocupação dos espaços urbanos. 
Seu aumento populacional, principalmente da populaçãourbana, não foi pensado a partir do 
desenvolvimento de infraestrutura necessária para atender às novas demandas em todos os 
setores, como a saúde, a educação, o transporte e o lazer. 
Fonte: Shutterstock. 
 
O crescimento desenfreado e não organizado por políticas públicas efetivas nesse setor fez com 
que as cidades crescessem sem um planejamento de ocupação de espaços de lazer de forma 
que os princípios democráticos de acesso e vivência do lazer fossem concretizados. 
Assim, as regiões periféricas, que concentram a população de menor poder econômico, ficam à 
mercê de ações momentâneas, isoladas, não sendo atendidas em suas reais necessidades 
quanto a espaços e ações permanentes no campo do lazer. 
 Você já parou para pensar por que os principais equipamentos de lazer não estão nas 
regiões periféricas? 
Espaços como a rua, o campo de futebol de várzea, a praça, o parque, o bosque e as áreas 
verdes são exemplos de espaços onde, antes, realizavam-se as práticas de lazer e que 
foram incorporados pelo aspecto econômico ligado ao desenvolvimento urbano. Assim, com 
a falta de espaço, as possibilidades de acesso ao lazer no cenário urbano vão diminuindo. 
Nesse sentido, tanto espaços como equipamentos de lazer estão sendo cada vez mais 
privatizados. 
 
Diante desse cenário, podemos também destacar o grande crescimento “moderno” pelo qual 
muitas cidades passaram a partir do desenvolvimento de equipamentos de lazer, como parques 
temáticos privados, shopping centers, espaços noturnos (bares, casas noturnas), determinando 
um “consumismo” no campo do lazer, principalmente de jovens ou grupos específicos. 
Alguns desses espaços, como os shopping centers, de maneira mais marcante, são incorporados 
como espaços de lazer a partir de um discurso de segurança que é veiculado sobre eles e, 
contraditoriamente, de insegurança e violência nos espaços de comércio de rua. Esse elemento 
lazer e violência pode ser observado no discurso midiático e nas imagens (re)produzidas sobre os 
espaços mais elitizados de lazer relacionados ao consumo. 
Fonte: Shutterstock. 
 
 A respeito dos espaços e equipamentos de lazer, Camargo (1979) afirma que 
equipamentos de lazer são os equipamentos que são construídos com finalidade 
específica para serem usufruídos com a prática de lazer, na perspectiva dos interesses 
socioculturais do público e também a partir de uma modalidade específica de animação. 
 
Ainda para Camargo(1998), é necessário construir tanto equipamentos pequenos 
(microequipamentos), com pequenos espaços e dimensões, como os macroequipamentos. 
Microequipamentos 
Os microequipamentos seriam aqueles com finalidades voltadas para um único campo do lazer, 
devendo estar presentes de forma ampla e variada na paisagem urbana, nos bairros, evitando 
grandes deslocamentos, estando próximo ao cidadão. Como exemplo podemos citar as praças, os 
playgrounds, os parques infantis. 
Macroequipamentos 
Renato Requixa (1976) apresenta uma categorização do espaço urbano que também nos ajuda a 
compreender os equipamentos de lazer. Para o autor, o espaço urbano pode ser dividido 
em espaço de utilização permanente e espaço de utilização periódica. 
Espaço de utilização permanente 
O espaço de utilização permanente seriam as áreas livres da cidade em que os cidadãos pudessem 
utilizar livremente e de forma permanente, contínua para o seu lazer. 
Espaço de utilização periódica 
Uma outra interessante classificação sobre equipamentos de lazer é apresentada por Stucchi 
(1997), sendo classificados em três tipos: equipamentos especializados, equipamentos 
polivalentes (médios e grandes) e equipamentos de turismo. 
Equipamentos especializados 
Conceito: destina-se a uma programação especializada e/ou interesse cultural específico. 
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Programação: destina-se a um segmento dos interesses socioculturais e a partir de uma 
modalidade específica de animação. 
Localização: que apresentam grandes concentração populacional. 
Público: definido pelo interesse, pela localização e pela capacidade. 
Composição: existem equipamentos limitados para a sua finalidade. 
Exemplos: cinemas, centros esportivos, bibliotecas e parques aquáticos. 
Equipamentos polivalentes médios 
Equipamentos polivalentes grandes 
Equipamentos de turismo 
Agentes de lazer e a animação sociocultural 
Há um aumento significativo nos empreendimentos de lazer e recreação, aumentando a oferta de 
trabalho para os profissionais que buscam formação e especialização nessa área específica, seja 
no setor público, privado ou terceiro setor. 
Um importante olhar a ser (des)construído é sobre o profissional conhecedor de atividades, que 
busca apenas adquirir conhecimentos práticos e procedimentais, como saber executar diversas 
brincadeiras, jogos, etc. Elementos como planejamento, organização, execução e avaliação de 
todos os elementos que envolvem o lazer nos espaços e os equipamentos específicos, assim 
como seus públicos e interesses, devem fazer parte da: 
 Cultura e prática profissional. 
 
 Gerenciamento, coordenação, supervisão e implementação de projetos de lazer. 
 
 Assessoria na elaboração, implementação e avaliação de Políticas Públicas de Lazer. 
 
Quanto à formação do profissional do lazer, Werneck (1998) afirma que deve ser baseada no 
vínculo entre a universidade e os mais diversos espaços sociais e culturais de nossa realidade, 
possibilitando a reflexão teórico-prática a partir de saberes científicos, tecnológicos e/ou jurídicos 
construídos, desenvolvendo, assim, a capacidade de orientação em relação a diferentes objetivos 
e a problemas interdisciplinares, complexos e variados que se manifestam no campo profissional 
do lazer. 
Outro ponto destacado por Werneck (1998) é a necessidade de conhecer de forma profunda a 
realidade profissional no lazer e, para isso, são necessários a apreensão de conhecimentos 
teóricos e práticos, assim como de natureza técnica, política e pedagógica, o que permitirá a 
realização de ações coerentes e transformadoras da realidade em que atua. 
Uma das categorizações do profissional que trabalha no campo do lazer é o de animação 
sociocultural. 
 Para Marcellino (1986, p. 61), a animação cultural seria “a atividade desenvolvida por 
profissionais ou amadores que dominem pelo menos um setor cultural e que tenham como 
característica adicional uma consciência social que os impele a querer difundir esse seu bem 
cultural". Para esse autor, sua atuação deve estar centrada na participação cultural, com 
atividades transformadoras da realidade. 
 
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Nesse sentido, o conceito apresenta uma superação fragmentada, funcionalista e reducionista 
dos conteúdos ligados ao lazer, assim como do profissional que atua nessa área. A sua atuação 
seria de possibilitar a apreensão de uma dimensão da cultura, democratizando seu acesso. Um 
mediador entre o patrimônio cultural e a construção da cidadania na educação para o lazer. 
Outra categorização profissional presente no campo do lazer é o de agente social. O Programa 
Esporte e Lazer na Cidade (PELC) apresenta o agente social como aqueles que são graduados 
em educaçãofísica, educadores populares e comunitários e outros profissionais de áreas afins ao 
lazer, como também lideranças comunitárias, produtores culturais locais, capoeiristas, bailarinos, 
entre outros envolvidos diretamente na execução do programa. A atuação do agente social seria 
o de articular e realizar as atividades culturais necessárias ao desenvolvimento humano da 
população de cada comunidade participante (BRASIL, 2004). 
Fonte: Shutterstock. 
 
Por fim, um ponto em comum entre os agentes sociais que atuam no lazer e os animadores 
culturais é a luta pela democratização do direito ao lazer, buscando uma formação e capacitação 
profissional ampla, tornando esses atores sociais protagonistas no campo do lazer. 
Nesta webaula, compreendemos melhor sobre os diferentes espaços de lazer, sobre a identidade 
construída na comunidade na relação com as práticas de lazer e como os moradores, de uma 
forma geral, se envolviam na organização e promoção dessas atividades. 
Recreação e Lazer 
Espaços públicos 
Políticas públicas de lazer 
O que você conhece sobre política? Em uma sociedade moderna, é possível pensar uma outra 
forma de organização social, sem a existência da política? E de quem é a responsabilidade de 
promover as políticas públicas? E o lazer, qual espaço ocupa? São temas que emergem de uma 
reflexão crítica sobre o lazer no campo das políticas públicas. Para tanto, é preciso conhecer do 
lazer à dimensão conceitual sobre política. E esse é o percurso a ser realizado nesta webaula. 
A partir do século XX, a vertente denominada estado de bem-estar social ganhou força sobre o 
papel do Estado na vida em sociedade. O estado de bem-estar social estabelece uma 
organização social, econômica e política em que o Estado seria o principal elemento determinante 
na organização e promoção social e econômica. Nesse sentido, o Estado atua na dimensão dos 
problemas cotidianos dos cidadãos, estabelecendo políticas para atender as demandas da 
sociedade na busca de assegurar a dignidade da pessoa humana. 
Assim, as políticas públicas são compreendidas como as decisões e ações propostas e 
implementadas por algum organismo do Estado direcionado a uma determinada demanda social, 
como o lazer, o esporte, a saúde, a educação, a segurança pública, o saneamento básico, etc. 
Cabe destacar que as políticas públicas podem, também, envolver ações de outros setores da 
sociedade. 
Rodrigues (2010) apresenta um conceito de políticas públicas como sendo o processo em que 
estão envolvidos diferentes grupos com interesses que podem ser distintos, que divergem, e 
tomam decisões coletivas que direcionam a sociedade e o mercado. Assim, as políticas públicas 
são ações intencionais, que apresentam os objetivos e metas a serem alcançadas, tendo como 
referência temporal ser a curto, médio ou longo prazo. Muitas vezes as políticas públicas, embora 
elaboradas, dependem de leis para efetivar, na realidade social, sua implementação. 
Para uma compreensão das políticas públicas e até mesmo do lazer como uma demanda social, 
apresentamos agora as possibilidades de abrangência das políticas públicas. Elas podem ser: 
 Universais: pensadas de um modo ideal para impactar e atingir todos os cidadãos (como a 
política educacional). 
 Segmentais: pensadas e direcionadas para um determinado segmento da população, 
levando em consideração algumas especificidades, como idade, gênero, sexo, classe social 
(como as políticas de prevenção de câncer de mama, para as mulheres). 
 Fragmentadas: destinadas a grupos sociais específicos dentro de cada um dos mais 
distintos segmentos. 
Já na dimensão dos impactos que podem causar nos níveis social e econômico, as políticas 
públicas podem ser caracterizadas em diferentes tipologias, como: 
 Distributivas: têm o objetivo de distribuir benefícios para um número pequeno de pessoas 
ou grupo sociais, e não acarretam muitos custos, portanto, são de baixo nível conflituoso. 
 Redistributivas: têm o objetivo de atingir um maior número de pessoas, redistribuindo 
recursos. Essa redistribuição é realizada a partir do deslocamento de recursos de um grupo 
social para outro. Portanto, ela é sempre conflituosa, pois estão em jogo interesses e 
relações de poder. 
 Regulatória: têm o objetivo de estabelecer de forma clara regras e procedimentos padrões 
de comportamentos que são de interesse público. As regulamentações do uso de cigarro em 
locais públicos e privados e as leis de trânsito são alguns exemplos em nosso cotidiano. 
 Constitutivas: elas estão acima das demais tipologias, pois moldam suas dinâmicas, 
estabelecendo as regras do campo político como um todo. 
 E como o fenômeno lazer entra no contexto das políticas públicas? 
A realidade das políticas públicas de lazer passou a ganhar destaque a partir da garantia 
do direito ao lazer na Constituição de 1988. Para Marcellino (2001, p. 91), ao se pensar o 
lazer no contexto de uma política pública, devemos, primeiramente, superar a 
compreensão do lazer como algo a ser desenvolvido como uma simples atividade. 
 
O que Marcellino defende é que o lazer seja, realmente, um direito social em que o Estado possa 
atender de forma qualitativa, garantindo o bem-estar social dos cidadãos. Assim, lazer é um dos 
elementos que constituem a cidadania das pessoas. Esse autor também estabelece três critérios 
em que deve ser discutida as políticas públicas de lazer: 
1. A dimensão conceitual de lazer, em que o autor defende a compreensão do lazer como cultura 
vivenciada no tempo disponível. Para tanto, deve-se pensar no campo das políticas públicas para 
esse setor, nas condições de espaços, no tempo e nos materiais para a vivência do lazer. 
2. A ação de um poder público de modo “partícipe e fomentador da organização popular”. 
3. “[...] uma política pública que seja da mais ampla participação dos habitantes das cidades” 
(MARCELLINO, 2001, p. 92). 
Marcellino (2001) também destaca que as políticas públicas de lazer devem ser avaliadas em 
função de três aspectos, sendo eles: 
A concepção de lazer dos gestores 
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Neste aspecto, Marcellino (2001) afirma que se deve superar a visão funcionalista de lazer que 
hegemonicamente se apresentam nas políticas públicas nesse setor. Nessa visão, o lazer teria a 
função de descanso, de recuperação da força trabalho e como forma de entretenimento, ou seja, 
seria uma compreensão simplista do lazer. 
Formação dos agentes 
A intersetorialidade das ações 
Espaços públicos de lazer 
Buscando uma definição sobre o que seria espaço público, adotamos a definição de Leitão (2002, 
p.18), a qual definimos como espaços abertos, de uso comum, apropriados livremente pelo 
conjunto das pessoas que vivem em uma cidade”. Um dos grandes desafios dos gestores, tanto 
no setor de urbanismo e planejamento urbano como especificamente no campo do lazer, é buscar 
soluções para os desafios enfrentados pelas cidades e, no contexto urbano, criar soluções para o 
lazer da população. Nesse contexto, os espaços e equipamentos públicos de lazer têm o objetivo 
de atender a demanda por práticas sociais e culturais de lazer da população. 
Um aspecto a ser considerado é que os espaços públicos não devem ser apenas construídos, 
eles precisam tornarem-se, efetivamente, significativos para a vida em comunidade, precisam ser 
parte da arquitetura urbana local. E para que isso ocorra, deve-se pensar a implementação de 
políticas de ocupação de espaços e equipamentos públicos de lazer. A organização e formas de 
ocupação dos espaços devem ser, como idealizado no campo das políticas públicas, construídos 
de forma coletiva e democrática. 
Fonte: Shutterstock. 
 
Os espaços/equipamentos públicos de lazer muitas vezes estão no cotidiano ocupados pelos 
excluídos e com práticas marginalizadas. Portanto, mesmo sabendo a importância da destinação 
de recursos para a construção de espaços físicos, uma políticaefetiva deve, também, envolver o 
campo da animação cultural para dar sentido social e comunitário àqueles espaços públicos, além 
das ações de manutenção. 
Isso remete a reflexões constantes sobre a relação entre poder público e comunidade em todo 
processo de elaboração e implementação de uma política de lazer e, também, de esporte, de 
cultura, de educação, de saúde, de segurança, etc. O lazer não pode ser compreendido como um 
fenômeno isolado do seu contexto, pois os espaços públicos de lazer também são espaços 
sociais, culturais; também são políticos, econômicos, ideológicos. 
Portanto, o planejamento, a construção, a preservação e a manutenção do patrimônio público, 
dos espaços públicos, são fundamentais para a democratização ao acesso ao lazer, buscando 
qualificá-los com serviços de modo que atendam às demandas e expectativas da população. 
Nesta webaula tivemos como foco central as políticas públicas de lazer. Vimos que é preciso 
conhecer do lazer à dimensão conceitual sobre política. Assim, juntamente da apreensão teórica 
que percorremos e construímos, é interessante que você vá tecendo suas análises da realidade 
social em que está inserido. 
Recreação e Lazer 
Espaços privados 
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Você sabia que todo espaço urbano em que vivemos é caracterizado como espaço artificial? 
Iniciaremos esta webaula estudando ambientes superficiais, e, na sequência, abordaremos os 
espaços privados e o terceiro setor. 
Ambientes artificiais 
A casa, a rua, as praças, etc. são ambientes artificias produzidos dentro de uma perspectiva 
cultural, com suas marcas, valores e tradições. Nesse sentido, nesta webaula focaremos a 
compreensão dos espaços artificiais dentro da perspectiva da cidade e do espaço urbano e, 
também, dos espaços privados de lazer. 
No Brasil, principalmente a partir dos anos 1940, o processo de urbanização foi impulsionado pelo 
modelo econômico industrial, que passou a ganhar força frente o modelo agrário-comercial 
exportador. A partir desse período, houve uma grande “explosão” do crescimento da população 
urbana que migrava do campo para as cidades. No início desse processo migratório, o setor 
industrial possuía uma grande capacidade de absorção da população que vinha do campo. 
Porém, já nas últimas décadas do século passado, agravado com os problemas econômicos 
enfrentados pelo país nesse período, o emprego no setor industrial diminuiu, junto da capacidade 
de absorção da população que migrava para as cidades com o sonho de melhores condições de 
vida. Portanto, o crescimento das cidades brasileiras não foi acompanhado pela criação de 
empregos suficientes para toda população, o que resultou em bolsões de pobreza, taxas 
elevadas de desemprego e o agravamento de diversos problemas sociais. 
 Destacamos em nossa discussão a importância desses conhecimentos pois, a partir dos 
saberes já aprendidos, percebe-se o grande desafio que os gestores urbanos enfrentam na 
busca pela criação de soluções para a vivência do lazer das populações dos centros urbanos. 
É um constante processo de transformação e adaptação do meio urbano diante de uma 
crescente busca por espaços, equipamentos e atividades de lazer, entretenimento, turismo e 
descanso. 
 
Para melhor compreendermos a importância da cidade e do desenvolvimento urbano para o lazer 
moderno, trazemos os conceitos de cidade e urbano elaborados pelo reconhecido geógrafo 
brasileiro Milton Santos (1994). Para Santos (1994), os significados de cidade e urbano são 
distintos, porém, estão relacionados. A cidade compreende o elemento particular, o concreto e o 
interno, enquanto o urbano seria o abstrato, o geral, o externo. 
É dentro da dimensão da cidade e do espaço urbano que se materializa o ambiente artificial. A 
Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, prevê a categorização do meio ambiente 
artificial como aquele que foi produzido e transformado pelo homem a partir de sua intervenção, 
principalmente dos espaços naturais. Pode ser, ainda, dividido em espaços urbanos abertos, 
como as praças, parques, passeios públicos, as ruas e avenidas, etc. e os espaços urbanos 
fechados, como os clubes, as casas, museus, edifícios, escolas, etc. Nesse sentido, caro aluno, 
todos os espaços urbanos em que vivemos e habitamos constituem o meio ambiente artificial. 
Fonte: Shutterstock. 
 
Na dimensão dos espaços artificiais de lazer, o planejamento deve atender às necessidades 
humanas, seguindo suas características locais, propiciando a criação de um meio ambiente 
artificial de lazer que possibilite a democratização do acesso ao lazer e a qualidade de vida da 
população. 
Espaço privado 
Diante da conjuntura desordenada do crescimento urbano e do não atendimento pelo poder 
público na produção dos espaços de lazer, além da ressignificação dos espaços públicos 
tradicionais (como as praças, as ruas e os parques), o setor privado apropria o lazer em uma 
perspectiva mercadológica e os espaços tornam-se espaço mercadoria. Assim, a indústria do 
lazer (re)cria espaços privados de lazer que materializam fortes desigualdades sociais, 
econômicas e culturais da população. 
Segundo Lefebvre (1973), os espaços de lazer tornaram-se alvo de especulações e o Estado 
acaba (direta ou indiretamente) colaborando com a construção da infraestrutura necessária para 
a edificação desses espaços privados de lazer (LEFEBVRE, 1973). Inserido na dinâmica da 
sociedade capitalista, reproduzindo também a divisão social de classe, as práticas de lazer nos 
espaços privados e suas indústrias de lazeres proporcionam uma grande comercialização de 
espaços especializados. 
Nesse sentido, precisamos refletir de maneira crítica sobre os espaços de lazer, visto que é 
evidente a possibilidade de criação de empregos e geração de renda que eles possibilitam à 
população e, de modo particular, aos profissionais do campo do lazer que trabalham nesse 
mercado profissional. No entanto, como o setor privado acaba predominando na criação de 
espaços de lazer, cria-se uma grande barreira para o acesso ao lazer nas cidades, privilegiando 
as camadas sociais de maior poder econômico e limitando e/ou impedindo o acesso ao lazer pela 
grande maioria da população. 
Um exemplo, próximo da nossa realidade, que apresenta as características do lazer como 
mercadoria, apropriado pela iniciativa privada são os shoppings. Trazendo uma importante 
contribuição para os estudos do lazer no Brasil, Padilha (2008), destaca que o shopping center 
apresenta, como um de seus principais produtos/mercadoria, o lazer. Para a autora, espaços 
como as salas de cinema, os jogos eletrônicos, os eventos artísticos, assim como outros 
equipamentos de lazer “levam as pessoas a encontrarem diversão em torno da celebração do 
objeto, de modo que, mesmo no Lazer, o ser permanece subjugado ao ter” (PADILHA, 2008, p. 
6). 
Fonte: Shutterstock. 
 
Sobre os espaços privados para o lazer, Larizzatti (2005) afirma que eles possuem algumas 
características específicas, por exemplo: 
 Buscam o lucro. 
 As questões burocráticas são menores para a realização de eventos/ações no campo do lazer. 
 Possuem grande capital para as atividades programadas. 
 Trabalham para atingir metas estabelecidas, o que possibilita uma maior continuidade. 
 Estão sob as regras do mercado. 
 Os modelos de eficiência no alcance dos objetivos balizam as avaliações dos eventos e do uso 
do espaço. 
 Fato é que o setor privado representa, hoje, o maior campo de atuação profissional no lazer. Com 
serviços, produtos e mercadorias diferenciadas, ele exige muita qualificação profissional para 
atuação na área. Outra característica é a constituição de equipes multiprofissionais, como 
pedagogos, profissionais do turismo e outros. 
 
Uma das áreas de atuação no lazer que mais cresce no Brasilsão os condomínios residenciais. 
Por motivos (discursos) que vão da segurança ao conforto, comodidade e qualidade de vida, os 
condomínios fechados, em um primeiro momento, predominavam entre as classes A e B. Esses 
espaços privados com áreas coletivas são pensados e idealizados, arquitetonicamente, para 
propiciar ao morador um grande número de atividades que são ofertadas fora dos muros do 
condomínio, principalmente os espaços de lazer. 
 O fechamento, a reclusão marcadamente presente nesses espaços privados são rompidos com a 
busca de uma sociabilidade urbana possibilitada pelas áreas de uso coletivo, que, por sua vez, 
deixam bem evidente a segmentação social, a busca pelo igual, ou seja, por uma 
homogeneização social. 
 
Uma outra categorização que podemos fazer são dos locais privados abertos ao público. 
Esses espaços são apropriados de forma coletiva e cultural por um grupo ou segmentos da 
sociedade. É importante destacar que a relação entre o público e o privado é muito sensível e 
muitas vezes não percebemos a linha que os divide. Os locais privados abertos ao público 
possuem a característica de estabelecer condições específicas para o acesso e uso, como o 
pagamento de ingressos, mensalidades, etc. Como exemplos podemos citar os cinemas, museus, 
teatros, academias, clubes esportivos/recreativos, entre outros. 
Fonte: Shutterstock. 
 
Terceiro setor 
Além das instituições públicas e privadas, o terceiro setor também cumpre um importante papel 
na promoção e democratização do acesso ao lazer. Terceiro setor diz respeito às instituições e 
entidades que não são instituições privadas (que buscam o lucro) nem instituições públicas. Elas 
são denominadas organizações não governamentais que não possuem fins lucrativos. Muitas 
dessas instituições estão ligadas às áreas culturais, educativas, recreativas, esportivas e de 
lazer. 
Como destaque e com tradição no desenvolvimento e democratização do lazer no Brasil, 
podemos citar o Serviço Social do Comércio (SESC), que possui unidades espalhadas por todo o 
país e que apresenta toda uma estrutura organizacional, administrativa, operacional e física de 
lazer. Uma das características do terceiro setor é a não cobrança pelos serviços prestados ou a 
cobrança de um valor bem inferior ao praticado no mercado, que se pagaria em espaços 
eminentemente privados. 
Nesta webaula focamos na compreensão dos espaços artificiais dentro da perspectiva da cidade 
e do espaço urbano e, também, dos espaços privados de lazer., 
AULA 4 
Recreação e Lazer 
Lazer e atividade física 
Ao aprendermos sobre a recreação e o lazer e seus processos de desenvolvimentos histórico-
cultural, também nos apropriamos um pouco da Educação Física, sua evolução e caracterização 
acadêmica e profissional. 
Recreação, lazer e Educação Física 
Durante o início do século XX e até meados deste mesmo século, a recreação estava ligada ao 
projeto educativo no campo da saúde, tanto biológico como social, em uma perspectiva médico-
educativo-higienista. Inserida no contexto escolar, a recreação tornou-se um dos primeiros 
instrumentos pedagógicos da Educação Física, principalmente no ensino primário. Ou seja, ela 
era uma prática instrumental e funcional que buscava a construção de valores e hábitos aceitos 
pela ordem social hegemônica. Nesse sentido, era uma forma positiva e socialmente aceita de 
ocupar e organizar o tempo livre e o tempo de lazer. 
Fonte: Shutterstock. 
 
Diante do papel que cumpria na sociedade, dentro e fora do contexto escolar, a recreação passou 
a constituir um campo de formação nos cursos de formação profissional de Educação Física. 
 Além da escola, os centros de recreio que passaram a fazer parte das ações de 
planejamento urbano no século passado estimulavam as práticas recreativas, esportivas, 
gímnicas e jogos. 
 
Qual é o perfil esperado do profissional de Educação Física? 
No Brasil, entre o final da década de 1920 e durante os anos de 1930, Frederico Gaelzer, 
Professor de Educação Física, colocava a necessidade de se estudar, tomando como princípio os 
interesses do país, como seriam feitos os usos das horas de Lazer. 
Pensando os centros de educação, especificamente na educação infantil, e nos espaços que 
surgiam no ambiente urbano, o profissional de Educação Física parecia se constituir e apresentar 
o perfil mais próximo e adequado para atuar no campo do lazer, sendo as práticas de atividade 
física, esportivas, recreativas, jogos e a ginástica os principais conteúdos a serem apreendidos e 
trabalhados. 
Inezil Penha Marinho 
Um dos nomes mais importantes para a história da Educação Física, o Professor de Educação 
Física Inezil Penha Marinho, publicou, nos anos de 1955 e 1957, duas obras dedicadas aos 
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estudos da recreação relacionada à formação profissional em Educação Física. Seguindo sua 
contribuição, Marinho realiza, no ano de 1958, o Curso de especialização em recreação. 
Acácio Ferreira 
A partir da década de 1970 que o lazer ganhou maior destaque na produção acadêmica da 
Educação Física brasileira. Como destaque, podemos citar o Seminário Nacional de Lazer, que 
ocorreu em 1974, na cidade de Curitiba e o Encontro Nacional de Lazer, realizado no ano de 
1975, no Rio de Janeiro. 
 Com o passar dos anos e com o fortalecimento da Educação Física enquanto área 
profissional e acadêmica, o lazer passou a ser uma das principais áreas de formação, 
pesquisa e atuação profissional. 
 
Interesses culturais do lazer 
Entre os interesses culturais do lazer, o interesse físico foi um dos que mais contribuiu com a 
apropriação desse fenômeno pela Educação Física. As práticas de esporte e de atividades físicas 
em diversos espaço e múltiplos objetivos e significados sempre estiveram presentes na 
constituição histórica da área. Como destaca Pimentel (2003, p. 94), “a relação entre esporte e 
lazer é muito forte, pois a maioria das pessoas não é atleta [...]. São ‘amadores’, fazem o esporte 
para se divertirem, porque gostam ou para cultivar amizades”. 
Fonte: Shutterstock. 
 
Diversidade cultural do esporte 
Atualmente, o que podemos perceber é a diversidade cultural do esporte como prática de lazer. 
Nesse sentido, o esporte se constitui como um fenômeno e prática social e cultural difundida e 
globalizada, que produz e reproduz normas, comportamentos e valores presentes na sociedade 
moderna. A prática esportiva de lazer é apropriada por seus praticantes a partir de um sentido e 
significado próprio quando tomamos os diferentes grupos sociais que atribuem a essas práticas 
esses diferentes sentidos. 
É possível perceber alguma proximidade entre o lazer e o esporte? 
Apesar se constituírem fenômenos distintos, há muitas intersecções que podemos fazer entre 
essas duas práticas sociais, principalmente quando o esporte se presenta como uma prática de 
lazer. Seja praticar esporte na quadra do bairro com o grupo de amigos, assistir ao time do seu 
bairro, de sua cidade ou ao time do coração, ou seja, expectador ou praticante, o direito ao 
esporte e o direito ao lazer estão inseridos na própria constituição da sociedade moderna, na 
relação entre trabalho e tempo livre. 
 Nesse cenário, o Estado possui um papel fundamental na instituição de Políticas Públicas 
no campo do esporte e do lazer. Enquanto fenômenos que dialogam, as políticas 
intersetoriais não podem tratar esses fenômenos de forma isolada. Eles devem ser 
inseridos em um contexto de reflexão mais amplo, buscando estabelecer políticas sociais 
que promovam, efetivamente, o esporte e o lazer. 
 
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Por fim, na apropriação das práticas físico-esportivas de lazer, há também um potencial educativo 
sobre a importância do lazer na sociedade moderna, reconhecendo, apropriando-se e refletindo o 
esporte como um conteúdocultural, promovendo a iniciação, o gosto e o prazer pela prática das 
atividades físico-esportivas enquanto atitude livre, geradora de uma vivência democrática e 
transformadora da sociedade. 
Bons estudos! 
Recreação e Lazer 
Lazer e cultura 
Vivemos em um país reconhecido pela sua diversidade cultural. Nossas festas, manifestações 
culturais mais diversas que representam elementos da identidade, da tradição estão presentes no 
cotidiano de muitas pessoas. No entanto, principalmente nos grandes centros urbanos, as 
tradições populares e regionais foram cedendo espaço para a cultura mais globalizada, 
industrializada, a chamada indústria cultural, que, a cada dia, “fabrica” um novo produto a ser 
consumido. Nesta webaula, compreenderemos o lazer em um cenário mais amplo, como cultura 
produzida historicamente, com suas marcas, valores, tradições e lutas dentro do processo de 
modernização da sociedade. 
Lazer e cultura 
Compreender e lazer em sua complexa relação com a cultura é construir um olhar distinto e 
complexo sobre esse fenômeno que se apresenta de formas tão distintas em nosso cotidiano. É 
assumir o lazer e suas relações com a cultura como eixo norteador na forma de conduzir o olhar 
sobre o lazer, a cultura e suas práticas. Nesse sentido, o lazer é uma forma de sentir, viver e 
produzir cultura. 
 Como afirma Werneck (2003), o lazer é um fenômeno cultural, social e historicamente 
produzido e que pode nos ajudar a pensar e refletir sobre a sociedade, portanto, deve ser 
compreendido “como parte integrante de um projeto de sociedade comprometido com a 
inclusão social, cultural, educacional e territorial, entre outras, das maiorias” (WERNECK, 
2003, p. 51). 
 
Significados atrelados ao lazer e à cultura 
A seguir, conheça quais são os significados atribuídos ao lazer e à cultura. 
Cultura 
Tal qual o lazer, o significado do conceito de Cultura é polissêmico, dinâmico por natureza na 
medida em que expressa diferentes concepções e práticas sociais com marcas específicas, 
refletindo, então, uma dimensão histórica e social que é, constantemente, ressiginificada. Para 
Geertz (1989), a cultura está diretamente relacionada ao cotidiano, ao modo de vida, 
constituindo o sistema simbólico no qual estamos inseridos e que orienta nossos 
comportamentos. Esse sistema simbólico deve ser interpretado, e seus significados diante da 
realidade sempre dinâmica devem ser compreendidos. 
Lazer 
Em termos de dimensões conceituais, há diversos autores no Brasil que relacionam a dimensão 
conceitual do lazer à cultura, ou seja, o lazer como um fenômeno que está inserido em uma 
dinâmica cultural complexa. Para Gomes (2004), o lazer como uma dimensão da cultura inserida 
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em nossa vida cultural pode ser compreendido a partir de quatro elementos inter-relacionados, 
sendo eles: 
Tempo 
O tempo está relacionado ao usufruto do momento presente, e não ao tempo institucionalizado, 
como férias e final de semana, por exemplo. 
Espaço-lugar 
Manifestações culturais 
Ações 
Assim o lúdico e o lazer refletem as tradições, valores e costumes de uma sociedade, sendo 
“construído culturalmente e cercado por vários fatores: normas políticas e sociais, princípios 
morais, regras educacionais, condições concretas de existência” (GOMES, 2004, p. 145). No 
entanto, de forma contraditória, assim como o lazer pode ser produto e produtor de cultura, ele 
também pode estar inserido em um complexo campo econômico a ser consumido. 
Lazer e indústria cultural 
Abordar a temática lazer e indústria cultural é olhar para esse fenômeno de tão grande 
importância para a nossa área e, para a sociedade, de forma a compreendê-lo na 
contemporaneidade como sendo (o lazer) cada vez mais próximo de um produto cultural 
produzido em massa, disseminado pela mídia (assim como o esporte, a atividade física, a saúde, 
o cinema, a música, etc.). 
Significado do termo indústria cultural 
O termo indústria cultural foi cunhado por Max Horkheimer e Theodor W. Adorno no ano de 1947. 
O termo foi utilizado pelos autores na busca por compreender as condições de produção e 
reprodução social da cultura e sua banalização, na medida em que a cultura foi inserida em um 
processo de mercadorização. 
Meios de comunicação em massa: elemento chave para consolidação da indústria cultural 
Um dos elementos chaves para a consolidação e difusão da indústria cultural são os meios de 
comunicação em massa. Ela produz, ao mesmo tempo, seu produto e seu consumidor, traduzidos 
em uma cultura de massa destituída de vínculos, de identidade, de marcas, pois precisa ser 
transmitida de maneira industrializada para um público generalizado, interferindo na existência e 
essência da cultura erudita e da cultura popular, por exemplo. 
 Em suma, o que temos que refletir é sobre a compreensão e as práticas culturais de lazer 
apenas submetidas à lógica da indústria cultural, ou seja, não podemos confundir o próprio 
fenômeno lazer com a indústria cultural. 
 
Práticas de lazer não voltadas para o consumo 
Há muitas outras práticas de lazer não voltadas para o consumo, que propiciam a criatividade, a 
socialização, a vivência e construção de valores e princípios democráticos, identitários e 
participativos. Elas são práticas culturais de lazer que estão imersas na dinâmica da própria 
cultura de um povo, seja ela popular e/ou erudita. O lazer, enquanto simples consumo a partir de 
padrões mercadológicos e massificados, está cada vez mais presente na formação cultural das 
pessoas, construindo comportamentos hegemônicos. 
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Educação para o lazer 
Um dos aspectos que podemos colocar para o enfrentamento dessa realidade cada vez mais 
presente no lazer é buscar uma educação para o lazer, que precisa estar articulada e inserida nos 
processos de mediação e produção cultural, auxiliando os sujeitos e grupos sociais a 
compreenderem esse fenômeno, e a sociedade como um todo, de maneira mais crítica, 
principalmente frente aos determinantes de padrões de comportamentos divulgados pelos meios 
de comunicação em massa. 
 Educar para o lazer é um compromisso com a democracia, sabendo do potencial criativo e 
transformador que tem as atividades que são desenvolvidas em nosso tempo livre, 
estabelecendo novas práticas sociais e culturais de lazer, ou seja, uma nova ordem 
cultural. 
 
Fonte: Shutterstock. 
 
Bons estudos! 
Recreação e Lazer 
Lazer e natureza 
 
 
Nesta webaula, abordaremos uma das áreas que mais crescem no campo do lazer, sua relação 
com a natureza. 
Influência do homem na natureza 
Os centros urbanos e a construção de uma racionalidade moderna materializada na vida na 
cidade acabam colaborando para uma dissociação entre o homem e a natureza. O que já foi o 
grande espaço de socialização e humanização, a natureza, encontra-se, agora, separada do 
homem. A ideia de progresso presente na sociedade moderna fez com que o homem buscasse 
desenvolver conhecimentos, técnicas e equipamentos para dominar e transformar a natureza. 
 A relação do homem com a natureza deve ser pautada pela busca por um equilíbrio, um 
convívio mais humano e pelo respeito aos elementos da natureza. 
 
Fato é que cada vez mais o homem depende de uma natureza rica e equilibrada ao seu redor, 
mesmo que a vida cotidiana se passe em grandes centros urbanos,fechada em prédios e 
condomínios. A evolução científica e tecnológica criou as condições necessárias para que o 
homem se apropriasse da natureza. Muitas vezes representada apenas como uma reserva de 
recurso a ser utilizada e transformada, um objeto a ser dominado pelo homem. 
Fonte: Shutterstock. 
 
A ciência e a tecnologia, fatores fundamentais na reação homem e natureza, elementos que 
propiciaram a melhoria da qualidade de vida das pessoas e também a intervenção direta sobre a 
natureza, agora também se coloca de modo a possibilitar meios de conservação, de 
restabelecimento da natureza e da relação de equilíbrio entre homem e natureza. Portanto, na 
sociedade contemporânea, a tecnologia não é a grande vilã, mas o uso que o homem fez 
dela em seu processo de intervenção e transformação da natureza a partir da lógica capitalista e 
produtivista. 
Novas práticas de lazer 
A relação contraditória entre a fragmentação do ser humano e o isolamento social presente na 
sociedade contemporânea e as novas tecnologias possibilitam o surgimento de novas práticas de 
lazer, criando novas possibilidades de vivência da cultura do lazer no meio ambiente e na 
natureza. Em termos conceituais, o meio ambiente pode ser caracterizado como um lugar 
determinado e/ou percebido, com relações dinâmicas e em constante interação dos aspectos 
naturais e sociais que acarretam processos de criação cultural e tecnológica, além de processos 
históricos e políticos de transformação da natureza e da sociedade (REIGOTA, 2009). 
Fonte: Shutterstock. 
 
As práticas de lazer na natureza podem potencializar uma nova forma de representar esse 
espaço, de vivenciar emoções e sentimentos, promovendo o resgate de sentimentos e laços 
esquecidos e esvaziados pela lógica presente na sociedade moderna e industrial. 
 O visitar e se integrar à natureza a partir das práticas de lazer permite que as pessoas 
vivam um momento de questionamento dos próprios valores individuais e coletivos, 
podendo incorporar novos hábitos e comportamentos na relação mais harmoniosa e 
equilibrada na natureza. 
 
Construção de uma educação ambiental 
Marinho (2003) afirma que precisamos compreender as potencialidades das práticas de lazer na 
sociedade atual, pois as mudanças nos aspectos sociais e culturais, juntamente com o 
desenvolvimento tecnológico, estão estabelecendo impacto em todas as esferas da vida humana, 
assim como no lazer e seus significados e sua emergente relação com a natureza. Uma das 
dimensões importantes nas práticas de lazer na natureza é a possibilidade de construção de 
uma educação ambiental. 
Para Reigota (2009), a educação ambiental é, também, uma educação política, pois deve estar 
comprometida com a cidadania, com a liberdade e a autonomia na busca por soluções e 
alternativas para o bem comum. 
Assim, no lazer devem ser estimuladas experiências que despertem a consciência sobre o meio 
ambiente e a natureza, aproximando-os das questões culturais e sociais, de natureza coletiva, e 
não de uso e finalidade comercial e de mercado. Dessa forma, é instaurada uma nova ética na 
relação homem e natureza a partir do lazer, com novas relações sociais. 
Fonte: Shutterstock. 
 
Lazer e aventura na natureza 
As práticas de lazer e aventura na natureza compreendem um campo acadêmico e de 
intervenção com diferentes termos, abordagens e referenciais teóricos, como esporte de 
aventura, esportes radicais, esportes de aventura na natureza, Atividades Físicas de Aventura na 
Natureza (AFANs), atividades na natureza, esportes ao ar livre, etc. 
As AFANs podem ser divididas/classificadas de acordo com o ambiente físico em que ela se 
desenvolve. Esses ambientes seriam a terra, a água e o ar. No documento do Ministério do 
Turismo (BRASIL, 2010), podemos encontrar uma lista de atividades de acordo com seus 
ambientes. 
Atividades na terra 
Arvorismo, bungee jump, cachoeirismo, canionismo, caminhada, caminhada (sem pernoite), 
caminhada de longo curso (há pernoite), cavalgadas, cicloturismo, espeleoturismo, 
espeleoturismo vertical, escalada, montanhismo, turismo fora-de-estrada em veículos 4x4 ou em 
bugues e tirolesa (BRASIL, 2010, p. 18-19). 
Atividades na água 
Atividades no ar 
É importante destacar que todas as atividades regulamentadas de lazer na natureza têm um 
rigoroso processo de normatização pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). As 
normas têm o objetivo de padronizar e dar segurança às atividades realizadas, além de promover 
a qualidade de serviços, equipamentos e produtos. 
Risco: categoria associada às práticas de lazer e aventura na natureza 
Uma importante categoria conceitual associada às práticas de lazer e aventura na natureza é 
o risco (real e imaginário). As aventuras nesses espaços estão ancoradas em um risco 
controlado, tanto pelos equipamentos e tecnologias de segurança existentes quanto pelos mais 
diversos procedimentos e normas de segurança que orientam tais práticas. É justamente essa 
junção de risco controlado em uma atividade de aventura, a (in)certeza, que possibilita uma 
interação com a natureza de forma lúdica e prazerosa, possibilitando a vivência de diversas 
atividades, emoções, sensações e valores nos momentos de lazer. 
Por fim, para terminarmos os estudos desta webaula, vale acrescentar que o risco pode também 
ter um papel educativo na ação realizada, pois é o jogo de vida e morte manifestada na 
superação dos desafios. 
Bons estudos! 
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