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R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 318 U n id ad e E • A c on st ru çã o do m un do m od er no DOC. 5 Gravura do século XVIII representando africanos se lamentando pela perda de seus entes, que serão utilizados como mão de obra escrava. 1. Que razões motivaram a vinda de puritanos ingleses para as terras da América? 2. Em que sentido a ética puritana impulsionou o capi- talismo? 3. Como o comércio triangular demonstra a diferença entre as colônias do norte e as do sul [doc. 4]? QUESTÕES ou seja, centrada em um único produto. Prevalecia o sistema de plantation, peça fundamental do mer- cantilismo, então hegemônico, e da ampliação do mercado internacional de produtos agrícolas. O tráfico de africanos para a região, iniciado em 1619, abastecia as fazendas e garantia o au- mento nos lucros dos proprietários. Embora parte desse tráfico fosse realizada por mercadores do norte por meio do comércio triangular, havia pouca integração econômica entre as colônias do norte e centro e as do sul. A produção sulista de arroz, índigo, tabaco e algodão era vendida sobretudo para a Europa por meio das companhias inglesas de comércio. A estrutura social, verticalizada e rigidamente hierarquizada, era controlada pelos grandes proprie- tários rurais, que também detinham o poder político e definiam as regras de sociabilidade. Entre essas regras, destacavam-se os valores religiosos dos europeus de origem católica, que compuseram a maioria dos colonos sulistas, e a supremacia branca estabelecida a partir da hegemonia política e eco- nômica dos grandes fazendeiros. O contraste desse poder socioeconômico branco com a grande quan- tidade de africanos escravizados explica o racismo declarado que se arraigou no sul, a persistência do escravismo e as fortes restrições à ação do negro na sociedade sulista. M an u fa tu ra d o s Escravos negros e al im en to s A çú ca r e m el aç o Rum AMÉRICA DO NORTE ÁFRICA AMÉRICA DO SUL Havana Antilhas São Jorge da Mina Luanda Benguela OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO MAR MEDITERRÂNEO MAMAM R MEMEM DEDE ITETET RERE RÂRÂR NENEN O Fonte: DAVIDSON, Basil. À descoberta do passado de África. Lisboa: Sá da Costa, 1981. p. 183. O comércio triangularDOC. 4 1.650 km • Plantation. Sistema agrícola baseado na grande propriedade rural, na monocultura destinada à exportação e no uso de mão de obra escrava. • ndigo. Planta da qual se extrai uma tinta de cor azul. A mais importante relação comercial estabele- cida entre as colônias inglesas do norte e do centro e o exterior foi o chamado comércio triangular [doc. 4]. Com algumas variações, os comerciantes das colônias do norte adquiriam açúcar, melaço e rum em colônias caribenhas e os trocavam por escravos na África. Trazidos para a América, os africanos eram vendidos a colônias do Caribe ou do sul da América inglesa. As colônias do sul No sul, a economia era essencialmente agrária e exportadora. As cidades não tinham grande impor- tância, e as manufaturas e o comércio local eram pouco expressivos. De maneira semelhante ao que ocorreu na América ibérica e em outras áreas do continente colonizadas pela Inglaterra, a base da produção era a grande propriedade rural, em geral monocultora, HIST_PLUS_UN_E_CAP_17.indd 318 11/11/10 11:59:22 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Objetivo Reconhecer o conflito gerado pela divergência de interesses entre a Coroa inglesa e as treze colônias. Termos e conceitos • Metr pole • Leis Intoler veis • eclaração de Independência • Constituição Seção 17.2 319 C ap ít u lo 1 7 • A s tr e e co ni as e a or m aç ão d os st ad os ni do s DOC. 1 George III forçando chá pela garganta da América, litografia de Paul Revere. A imagem é uma alusão à Lei do Chá. • Leis Townshend (1767). Definia tributos e formas de controle da circulação de muitos produtos, entre eles papel, tinta, vidro e chumbo. • Lei do Ch ( ). Determinava que o for- necimento de chá para a América inglesa só podia ser feito pela Companhia Inglesa das Índias Orientais. A Inglaterra pretendia assegurar mercado para o chá produzido em suas colônias do Oriente [doc. 1]. Com essas medidas, a Coroa inglesa pre- tendia enquadrar as colônias nas regras do ex- clusivo comercial metropolitano. Em vez disso, as leis britânicas precipitaram o movimento pela independência das treze colônias. A independência das treze colônias Novos interesses da metrópole As treze colônias tinham um alto grau de autonomia, tanto entre si quanto em relação à metrópole. As leis eram votadas internamente, sem interferência de Londres, e mesmo as determinações vindas da metrópole podiam ser vetadas. Os impostos eram definidos pelas assembleias, compostas por representantes eleitos pelos homens livres. Após a década de 1760, porém, os interesses ingleses em relação à explo- ração das colônias começaram a crescer. A burguesia inglesa passava a ver a América como fonte de matéria-prima e um potencial mercado consumidor. Para isso, era necessário reforçar os laços coloniais. A ocupação britânica do Canadá e da Loui siana, resultado da vitória na guerra contra os franceses, abriu a possibilidade de avanço para o oeste. Havia, no entanto, um choque de interesses. Os colonos pretendiam expandir seus domínios para a área do Mississípi, levando a autonomia de que des- frutavam no litoral atlântico. A Coroa inglesa, por seu lado, queria o domínio direto da região e a manutenção das populações indígenas lá instaladas, de modo que as companhias britânicas pudessem comercializar peles e gordura obtidas daquelas comunidades. A intervenção metropolitana Nesse contexto de tensão, a Inglaterra aumentou a carga de tributos. A iniciativa visava compensar os gastos decorrentes da guerra e estreitar o controle metropolitano sobre seus domínios na América do Norte. Além de assegurar recursos monetários, as leis de aumento da arrecadação limitavam a produção de manufaturados na colônia, ampliando o mercado consumidor dos manufaturados ingleses. Conheça, a seguir, algumas dessas leis. • Lei do Melaço ( ). Estabelecia tributos altos para o melaço adquirido fora das áreas de colonização inglesa. Visava inibir o comércio com as co- lônias antilhanas não inglesas. • Lei da Receita (1764). Impunha tarifas alfandegárias e restrições à impor- tação de açúcar, café, vinho, têxteis, madeiras e produtos de luxo. • Lei do Selo (1765). Determinava que qualquer tipo de impresso nas colônias só podia circular exibindo um selo expedido e vendido pela metrópole. HIST_PLUS_UN_E_CAP_17.indd 319 11/11/10 11:59:22 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 320 U n id ad e E • A c on st ru çã o do m un do m od er no A reação colonial e as novas leis metropolitanas Os colonos não ficaram passivos diante do esforço regrador da metrópole. A Lei do Selo, por exemplo, provocou a destruição dos postos de vendagem dos selos e ataques aos responsáveis pela fiscalização, até ser suspensa dez anos depois. O episódio mais conhecido de recusa às novas leis britânicas foi a chamada Festa do Chá de Bos- ton, em reação à Lei do Chá. Em 16 de dezembro de 1773, colonos vestidos de índios atacaram navios da Companhia Inglesa das Índias, ancorados na capital de Massachusetts, e lançaram ao mar suas mercadorias. Em resposta ao ataque, a metrópole adotou um conjunto de medidas que ficaram conhecidas como Leis Intoler veis: ocupou militarmente a colônia de Massachusetts, fechou o porto e condicionou sua liberação ao ressarcimento, pelos colonos, do valorda mercadoria destruída; também ampliou sua presença militar nas demais colônias. Em setembro de 1774, representantes dos colo- nos reuniram-se no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, que só não contou com a participa- ção da Geórgia. Esse congresso repudiou as Leis Intoleráveis, afirmou os direitos dos moradores das colônias e avaliou os caminhos de negociação com a metrópole. A Inglaterra reagiu a essas de- cisões com a ampliação de sua presença militar na América. Os colonos responderam realizando o Segundo Congresso Continental, em 1776, dessa vez com a presença de todas as colônias. Nesse encontro, constatou-se a impossibilidade de negociação com os britânicos e defendeu-se a emancipação. A independência Essa luta consumou-se em 4 de julho de 1776, na Declaração de Independência, documento elabora- do sob a supervisão de Thomas Jefferson [doc. 2]. A tentativa militar inglesa de manter controle so- bre as áreas coloniais ainda prosseguiu por sete anos, até a assinatura do Tratado de Paris, em 1783, que estabelecia a paz entre os dois países e o reconheci- mento britânico da independência da ex-colônia. Uma Constituição para o novo país Uma vez consumada a independência, teve início o debate acerca da elaboração de uma Constituição que conciliasse a necessidade de um poder central com a disposição autonomista das regiões. Em 1787, o Congresso Continental aprovou uma Constituição, de inspiração liberal, que estabelecia um regime presidencialista e reconhecia a divisão e o necessário equilíbrio entre os poderes executivo, judiciário e legislativo. Definia o princípio federalista como base da relação entre os estados e de sua re- lativa autonomia perante o governo federal. A Constituição de 1787 vigora até hoje e já recebeu 27 emendas. Em 1789, foi aprovado o Bill of Rights, um conjunto de dez emendas que, entre outras garantias, estabelece que todos os norte-americanos têm direi- to à liberdade de imprensa, expressão e crença. 1. Qual o contexto histórico em que a charge foi feita e qual crítica ela expressa [doc. 1]? 2. Que argumentos os colonos utilizam no documento para justificar a independência [doc. 2]? 3. Por que a Declaração de Independência é considera- da tipicamente liberal [doc. 2]? QUESTÕES Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América DOC. 2 “Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se tor- na necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação. Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que en- tre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qual- quer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. [...] Nós [...] representantes dos Estados Unidos da Amé- rica, reunidos em Congresso Geral [...], em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. [...]” HANCOCK, John. Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América [4 jul. 1776]. Disponível em www.embaixada- -americana.org.br. Acesso em 7 dez. 2009. HIST_PLUS_UN_E_CAP_17.indd 320 11/11/10 11:59:22