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Uma viagem no tempo: primeiras leituras 188
Para sugestões gerais sobre o trabalho com os textos 
transcritos nesta seção, leia, neste Suplemento, a parte 
inicial da orientação para a seção “Uma viagem no tempo: 
primeiras leituras” do Capítulo 6. 
Os poemas escolhidos para o primeiro contato dos alu-
nos com textos árcades buscam representar dois aspectos 
básicos dessa estética: a adoção de uma filosofia de vida 
que busca a harmonia com a natureza e nega as virtudes 
do luxo e da riqueza, e a valorização de uma forma mais 
simples, que se contrapõe de maneira evidente ao rebusca-
mento da linguagem barroca. 
Para estimular a conversa sobre os textos lidos, alguns 
tópicos podem ser sugeridos aos alunos: 
> A leitura desses textos foi mais fácil do que a dos 
textos da mesma seção em capítulos anteriores? 
Por quê?
> Do que tratam os textos lidos?
> Que impressões/sentimentos foram desencadea-
dos pelos textos lidos?
> O que aparece representado nas obras de arte re-
produzidas na seção? 
> Perceberam alguma relação entre as imagens e o 
texto?
> O eu lírico do primeiro poema apresenta algumas 
características do que ele considera uma vida ideal. 
Que características são essas? 
> As pessoas, hoje, gostariam de levar uma vida se-
melhante? Por quê?
> Marília é o nome da mulher referida em dois dos 
poemas. Será que se trata da mesma pessoa? 
> Que características têm as pessoas que leem textos 
como esses? Por quê?
> Os textos e as imagens os fazem lembrar outros 
textos, músicas ou filmes contemporâneos? Se 
sim, qual é a semelhança percebida? Se não, quais 
são as principais diferenças?
As perguntas acima servem somente como um roteiro 
básico para estimular a participação dos alunos e podem, 
evidentemente, ser substituídas por outras que o professor 
julgar mais interessantes. Os próprios alunos podem fa-
zer questões que tenham sido motivadas pela leitura dos 
textos. O importante é que essa experiência faça com que 
se sintam mais à vontade para discutir textos literários, 
sem que se preocupem em encontrar uma interpretação 
“correta” para eles.
Outra atividade que poderia enriquecer a conversa en-
tre os alunos seria apresentar, para a turma, as músicas 
“Casa no campo” (de Zé Rodrix e Tavito, muito conhecida 
na gravação de Elis Regina) e “Vilarejo” (indicada na seção 
“Conexões” deste capítulo). Nos dois casos, o elogio da vida 
simples, em meio à natureza, caracteriza uma releitura 
contemporânea dos ideais árcades e é possível que os alu-
nos percebam isso na comparação com o rondó O prazer, 
de Silva Alvarenga, e reconheçam a expressão de uma vida 
mais tranquila e harmoniosa como um anseio cada vez 
maior de quem vive nas nossas caóticas cidades.
O trabalho realizado ao longo deste capítulo favore-
ce o desenvolvimento da competência de área 5 e 
das habilidades H15, H16 e H17. Para identificá-las, 
consultar a matriz do Enem 2009, que se encontra 
no Portal Moderna Plus.
Capítulo 11
Arcadismo 190
 Leitura da imagem 191 
 1 As árvores aparecem de modo organizado, plantadas 
lado a lado, de modo simétrico, dando ao observador 
a impressão de ordem.
 2 O que se percebe é que tudo na construção do palá-
cio e dos jardins parece calculado, medido, disposto 
geometricamente para produzir, no observador, a 
noção de simetria e de controle. O resultado final é a 
ideia de ordem devido ao equilíbrio entre as partes (se 
dividirmos a tela ao meio, veremos que os dois lados 
do palácio são equivalentes). A simetria é provocada 
pela duplicação dos elementos: há, na entrada, dois 
semiarcos idênticos que conduzem a um portão 
ladeado por duas construções também idênticas. A 
natureza, que poderia representar o toque “selvagem” 
e desordenado na imagem, também foi “domada” para 
representar os desenhos geométricos (criados pelo 
paisagista Le Nôtre).
 3 O que fica evidente no quadro de Pierre Patel é o total 
controle do ser humano sobre a natureza. Em primeiro 
lugar, pelo gigantismo da construção. É admirável que, 
no século XVII, tenha sido erguido um palácio como 
esse. Além disso, a organização dos jardins nos leva 
a concluir que todo o terreno em torno do palácio foi 
moldado pela mão humana, para que as árvores assu-
missem a disposição geométrica que têm até hoje. 
> Porque demonstra que o rei, com seu poder, é capaz 
de domesticar até mesmo a natureza.
 Da imagem para o texto 191 
 4 O eu lírico se dirige a uma mulher, chamada Marília.
> Que observe, com ele, as perfeições da natureza.
 5 A natureza é apresentada de modo positivo: o rio Tejo 
“sorri”, as borboletas coloridas brincam, enquanto o 
rouxinol e a abelhinha voam; o campo é “alegre” e a 
manhã é clara. Em resumo, o cenário apresentado pelo 
eu lírico é alegre e acolhedor. 
> O eu lírico usa a natureza para mostrar como o 
seu estado de espírito depende da visão de Marília. 
Quando caracteriza a natureza de modo positivo, 
definindo um ambiente marcado pela alegria e 
pelo otimismo, está preparando a apresentação 
do argumento final: “Tudo o que vês, se eu não 
te vira,/Mais tristeza que a morte me causara”. 
A alegria e o bem-estar promovidos pelo lugar agra-
dável em que se encontram perderiam o significado 
se ele não pudesse ver a sua amada Marília.
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 6 Os verbos associados aos elementos da natureza 
demonstram ações simples e inocentes: o rio sorri, o 
vento (Zéfiros) brinca, o rouxinol suspira, a abelhinha 
gira. O diminutivo abelhinha transmite uma certa 
infantilização e, portanto, marca inocência.
> A combinação da descrição positiva, das ações as-
sociadas à natureza e do diminutivo provoca uma 
sensação de que há um clima de festa, de brinca-
deira que se desenrola naquele campo alegre diante 
do olhar de Marília.
 7 A perfeição do cenário sugere tratar-se de uma nature-
za artificial. O modo infantilizado como os elementos 
da natureza são referidos no poema também reforça 
a ideia de uma natureza pouco natural. 
> Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba 
que, no poema, a natureza é tão “construída” pelo 
olhar de Bocage quanto os jardins do palácio. Nos 
dois casos, o que é apresentado ao leitor/observador 
não é um cenário realmente natural, mas sim uma 
natureza criada pelo ser humano, para se acomodar 
a seus propósitos. É possível, porém, que alguns 
alunos discordem dessa leitura, contrapondo a 
elaboração dos jardins à aparente simplicidade do 
cenário do poema. Nos dois casos, entretanto, é 
essencial que a artificialidade seja constatada.
 O resgate de temas clássicos 195 
No Capítulo 8, tratamos detalhadamente do tema do carpe 
diem. Retomar esse conceito com os alunos. Além disso, na 
seção “A tradição do Classicismo” abordamos a evolução da 
temática do carpe diem desde a Antiguidade Clássica.
Retomar, com os alunos, o rondó O prazer, de Silva Alva-
renga, transcrito na seção “Uma viagem no tempo: primeiras 
leituras” deste capítulo. Esse poema ilustra bem o tema do 
ideal da natureza, da fuga da cidade e do menosprezo da 
riqueza e do poder.
 Texto para análise 197 
 1 O eu lírico faz um convite à sua amada para que des-
frute, com ele, a beleza e a simplicidade da natureza.
 2 O cenário apresentado é bucólico. O inverno se foi e a 
“fértil Primavera” enche o prado de flores, as aves voam 
e o vento nordeste torna o céu e o rio Tejo azuis.
> O tema árcade presente nessa descrição é o locus 
amoenus, isto é, a natureza é apresentada como um 
lugar tranquilo e agradável onde os amantes se 
encontram.
 3 Há dois elementos que retomam a poesia clássica:na 
forma, o uso do soneto; no conteúdo, a referência a ele-
mentos da mitologia clássica (os Zéfiros e os Amores).
 4 a) Os cenários que se opõem são a cidade (simbolizada 
pela corte) e a natureza. A corte é caracterizada pela sua 
grandeza falsa, oca (“vã”), e a natureza, pela perfeição. 
 b) O tema desenvolvido é o fugere urbem. O eu lírico 
convida a sua amada a abandonar a grandeza vazia 
da cidade, da urbanização, e a desfrutar da perfeição 
que o cenário bucólico oferece aos amantes.
 5 O cenário bucólico, com a descrição da natureza como 
um lugar agradável, é apresentado nas duas primeiras 
estrofes; o convite à amada, nos dois tercetos.
> A construção do cenário, além de desenvolver o tema 
do locus amoenus, serve de base para a apresentação 
do fugere urbem. A natureza, apresentada como mo-
delo de perfeição, é o argumento para que a amada 
aceite o convite do eu lírico, abandonando a “falsa” 
grandeza da corte.
 6 Espera-se que os alunos, ao observarem os acon-
tecimentos apresentados na linha do tempo, per-
cebam a importância das novas ideias surgidas 
na Europa que se opõem à força da religião na 
determinação dos comportamentos humanos. Na 
França, as ideias iluministas ganham destaque, 
com a publicação de O contrato social, de Rousseau,
e Cândido, de Voltaire. No campo da ciência e da 
tecnologia, dois acontecimentos importantes 
demonstram a mudança de perspectiva que ca-
racteriza esse período: Newton publica a lei da 
gravidade, e Savery inventa a máquina a vapor. A 
busca pela racionalidade passa a ser uma preo- 
cupação do ser humano, que deseja entender e 
explicar o mundo que o cerca a partir da razão, e 
não mais viver o conflito motivado pela fé, como 
acontecia no período que compreende o Barroco. O 
que ocorre, então, é a valorização e a retomada de 
um modelo que reflita uma visão de mundo guiada 
por essa nova maneira de enxergar a realidade: daí 
o retorno aos ideais clássicos que privilegiam exa-
tamente essa visão de mundo. A natureza passa a 
ser a medida da perfeição, assim como o era para 
os antigos, e determina, por exemplo, a formação 
da Arcádia Clássica, que pregará o retorno à nature-
za como a melhor maneira de viver, como se pode 
identificar, por exemplo, no poema de Bocage “Re-
creios campestres na companhia de Marília”.
 As muitas arcádias 198 
Se julgar interessante, explicar aos alunos o pseudônimo 
adotado por Bocage na Nova Arcádia: Elmano é um anagra-
ma de Manoel; Sadino indica que o poeta era originário da 
cidade de Setúbal, banhada pelo rio Sado.
 A poesia satírica 203 
Um trecho das Cartas chilenas aparece na seção “A 
tradição da literatura barroca: a sátira política”, quando 
apresentamos a tradição da poesia satírica. É bom que os 
alunos percebam, agora no contexto da literatura árcade, 
como a poesia satírica de Tomás Antônio Gonzaga se ins-
creve naquela tradição.
 Outros árcades 203 
Se necessário, lembrar os alunos de que madrigal é uma 
composição poética breve que exprime um pensamento fino, 
terno ou galante. Surgiu no século XIV, no norte da Itália, e 
destinava-se quase sempre a ser musicado. O conceito foi 
apresentado no Capítulo 2, na análise do poema de José 
Paulo Paes. Se achar interessante, pedir aos alunos que 
retomem o conceito ali apresentado.
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 Tome nota 204 
O rondó O prazer, apresentado na seção “Uma viagem 
no tempo: primeiras leituras” deste capítulo, ilustra bem a 
segunda possibilidade de organização dessa forma poética.
 Texto para análise 205 
 1 O eu lírico, deprimido com a sua prisão, diz à sua ama-
da que encontra forças para resistir ao sofrimento no 
amor que nutre por ela e na ilusão de contemplar sua 
figura.
> O eu lírico encontra-se numa masmorra. O poeta, na 
vida real, foi preso logo após a Inconfidência Mineira, 
da qual foi um dos integrantes, e escreve parte das 
liras no cárcere. Por isso, a relação entre a situação 
poética de Dirceu e os episódios vividos pelo poeta.
 2 O primeiro interlocutor definido é a amada do poeta, 
Marília. O segundo é o Amor, que aparece personificado.
 a) A Marília, o eu lírico relata o sofrimento pela distância 
que se impôs entre eles em razão da prisão e como a 
imagem da amada, ainda que ilusória, o reconforta. 
Ao Amor, o eu lírico faz um apelo: que ele vá até sua 
amada e veja se ela está triste, pois, se isso acontecer, 
será um consolo para ele.
 b) Quando o eu lírico dirige-se à sua amada para tratar 
do sofrimento amoroso em razão do distanciamento 
entre eles, recupera um dos grandes temas clássicos 
desenvolvidos na poesia camoniana. A personifica-
ção do Amor, figura mitológica a quem o eu lírico faz 
seu apelo, é outro elemento que marca a retomada 
dos antigos poetas clássicos nos quais Camões se 
inspirava.
 3 a) Esses versos mostram o eu lírico angustiado, triste, 
deprimido em razão do sofrimento que vive por 
estar preso e distante de sua amada. 
 b) Não. A referência “à dor imensa”, “à violência da 
mágoa” (que o eu lírico não suporta) indicam um 
“exagero” na apresentação dos sentimentos que é 
pouco comum entre os árcades. 
 c) Além da manifestação “mais real” dos sentimentos 
do eu lírico, o que se evidencia como rompimento 
com características do Arcadismo é o cenário: Dirceu 
não se encontra em uma paisagem tipicamente ár-
cade, caracterizada como um lugar agradável (o locus 
amoenus), mas em uma masmorra lúgubre, muito 
diferente da natureza perfeita típica do Arcadismo. 
 4 É possível identificar a busca pela simplicidade for-
mal pelo uso de uma linguagem mais clara, com um 
vocabulário mais simples e sem rebuscamento. Não 
há, no poema, metáforas complexas que dificultem a 
compreensão do que é dito, pois uma das característi-
cas da poesia árcade é a expressão das ideias de forma 
clara. Seria interessante, nesse momento, comparar 
a estrutura utilizada na lira de Gonzaga aos poemas 
barrocos que os alunos estudaram no capítulo anterior. 
Isso permitiria a percepção de uma “simplificação” da 
linguagem que garante a maior facilidade na compre-
ensão dos poemas árcades.
 5 O Amor é apresentado como um guerreiro forte, que 
vence os tigres, e que toma como objetivo render o eu 
lírico, declarando-lhe guerra ao coração. 
> O eu lírico se refere ao sentimento amoroso como 
um “cego engano”, do qual ele não conseguiu fugir. 
Ao utilizar essa imagem, o eu lírico associa o Amor 
a algo que lhe causa sofrimento, mas que, mesmo 
assim, acaba por vencê-lo.
 6 O eu lírico dirige-se às pedras. Ele diz para temerem a 
ferocidade do Amor (caracterizado como “tirano”), que 
mais se empenha onde há mais resistência.
 7 O elemento da paisagem local (Minas Gerais) incorpo-
rado é o cenário rochoso (penhascos e penhas). 
> O eu lírico marca a oposição entre o cenário e sua 
alma: seria de esperar que entre as rochas que carac-
terizam o cenário se encontrasse um “peito forte”, 
mas entre as “penhas” se criou uma “alma terna” e 
um “peito sem dureza”, que não consegue resistir à 
guerra que o Amor declara contra ele. 
 8 O eu lírico opõe a dureza do cenário à força do Amor. 
Nem mesmo um cenário como esse garantiu sua 
proteção contra o sentimento que o tomou, conforme 
se observa na segunda estrofe do soneto. Mais do que 
isso, na estrofe final, o eu lírico alerta as “penhas” 
sobre a tirania do amor que será mais forte quanto 
mais resistência houver. Poderíamos dizer que, nessa 
estrofe, o eu lírico sugere que cenário “duro” é o que 
determina a força maior que o Amor empregará para 
vencer seu adversário. 
 9 Espera-se que os alunos percebam, na comparação 
entre os dois textos, que a visão do amor desenvolvi-
da por Cláudio Manuel da Costa é muito semelhante 
àquela apresentada por Camões. Para orientar melhor 
a leitura analítica, sugerimos que cada um dos pontos 
sejam propostos para discussão entre os alunos. Em-
bora as respostas possam variar, em linhas gerais, a 
leitura dosdois textos deverá levá-los a concluir que:
 a) No soneto de Camões, o eu lírico é derrotado pelo 
Amor. Sua derrota deve-se ao fato de que, uma vez 
tocado pelo sentimento amoroso, ele recupera a 
esperança, justamente o sentimento que ele não 
tem, fazendo com que se sinta seguro e protegido 
dos efeitos do amor. Na última estrofe, a “astúcia” do 
Amor é revelada: ele desperta na alma das pessoas 
“Um não sei quê, que na[s]ce não sei onde./Vem não 
sei como, e dói não sei por quê”. 
 b) Sim. A semelhança no comportamento do eu lírico 
nos dois poemas ocorre porque ambos investem na 
razão (o fato de terem consciência dos perigos do 
amor) como proteção contra os danos do amor. O 
Amor também é caracterizado de modo parecido. 
Em Camões, ele aceita o desafio e derrota o eu lírico. 
No soneto de Cláudio Manuel da Costa, o Amor é 
caracterizado como uma espécie de guerreiro cuja 
missão é tomar o coração do eu lírico.
 c) A conclusão a que chega o eu lírico, no soneto de 
Cláudio Manuel da Costa, é semelhante àquela do 
soneto camoniano: não há condição humana (ou da 
natureza) capaz de enfrentar a força do sentimento 
amoroso. Por esse motivo, as pedras são advertidas 
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