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Proibição da
caça aos
veados
Eliminação dos
predadores
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Primeiros filhotes
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40.000
Morte de 60% dos
filhotes
20.000
10.000
30.000
100
50
4
1905 1910 1920 1930 1940
Tempo (ano)
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3 Predação
Predação é a relação em que uma espécie animal, predadora, mata e come indivíduos de 
outra espécie animal, que constituem suas presas. Do ponto de vista individual, as espécies 
predadoras beneficiam‑se, enquanto as presas são prejudicadas.
Do ponto de vista ecológico, a predação regula a densidade populacional, tanto de presas 
como de predadores. A estreita correlação observada entre as flutuações no tamanho das po‑
pulações de predadores e as das presas é da maior importância para a sobrevivência de ambas 
(relembre no exemplo da flutuação populacional de lebres e linces do Ártico, no capítulo 15). 
A importância da predação na regulação das populações naturais foi observada quando se 
proibiu a caça ao veado Odocoileus hemionus no Planalto de Kaibab, nos Estados Unidos, ao 
mesmo tempo que se estimulou a perseguição aos predadores naturais desse animal (pumas, 
lobos e coiotes).
Como consequência dessas medidas, a população de veados aumentou rapidamente: em 
apenas 21 anos passou de 4 mil para 100 mil animais. Os campos de pastagem, porém, não eram 
capazes de suportar mais que 30 mil animais. Assim, quando essa capacidade de suporte do 
meio foi ultrapassada, os animais começaram a morrer de fome e a população de veados dimi‑
nuiu bruscamente.
Quinze anos depois de ter atingido o recorde de 100 mil indivíduos, a população de veados 
ficou reduzida a menos de 10 mil animais. O pisoteamento do solo e o fato de os veados famin‑
tos terem comido as plantas de capim até as raízes afetaram a capacidade de recuperação das 
pastagens; por isso, o capim não voltou a brotar como antes, mesmo depois da redução drástica 
da população de veados. (Fig. 16.9)
Figura 16.9 
No gráfico, a linha 
azul mostra o 
crescimento da 
população do veado 
Odocoileus hemionus 
no Planalto de Kaibab, 
no Arizona, EUA, 
após uma campanha 
de combate a 
seus predadores 
naturais. Se estes 
não tivessem 
sido eliminados, a 
expectativa era de 
que o tamanho da 
população seguisse 
a linha vermelha 
do gráfico. (Dados 
de Leopold, 1943, 
citados em Dajoz, 
R., 1978.)
O veado Odocoileus hemionus 
e seus predadores
Lobo
Puma
Coiote
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4 Competição interespecífica
Quando duas espécies de uma comunidade disputam os mesmos recursos do ambiente, seus 
nichos ecológicos se “sobrepõem” parcialmente e ocorre competição interespecífica.
Por exemplo, espécies que comem capim, como os gafanhotos e o gado, competem por ali‑
mento, ocorrendo sobreposição da parte de seus nichos referentes à alimentação. Plantas cujas 
raízes estão na mesma profundidade do solo competem por água e por nutrientes minerais.
Quanto mais os nichos ecológicos das espécies se assemelham, ou seja, quanto mais so‑
brepostos eles forem, mais intensa é a competição. Em uma competição interespecífica uma 
das espécies pode ser extinta ou levada a migrar em busca de uma área disponível e sem espé‑ 
cies competidoras.
5 Amensalismo
Amensalismo é definido como um tipo de relação ecológica em que uma das espécies é 
prejudicada enquanto a outra, aparentemente, não sofre prejuízos nem benefícios. Um caso de 
amensalismo é a antibiose que consiste na liberação de toxinas por certas plantas, que inibem 
o crescimento de outras plantas, ou na liberação de antibióticos por certas espécies de fungo, 
que impedem o crescimento de bactérias.
Um ponto discutível nesse tipo de relação é se ela é realmente indiferente para uma das 
espécies. Veja o caso da planta que libera as toxinas; ela não estaria se beneficiando da inibição 
do crescimento de outras plantas que poderiam competir com ela por água, nutrientes ou mes‑
mo por luz? No caso dos antibióticos, as espécies produtoras não estariam se beneficiando da 
inibição do crescimento de bactérias nas proximidades, que poderiam competir com elas pelo 
alimento disponível no meio? Essa é a razão de termos incluído o termo “aparentemente” na 
definição da relação.
6 O conceito de simbiose
Em 1879, o biólogo alemão Heinrich Anton de Bary (1831‑1888) criou o conceito de simbiose 
(do grego syn, juntos, e bios, vida) para designar a relação ecológica próxima e interdependente 
de certas espécies de uma comunidade, com consequências vantajosas ou desvantajosas para 
pelo menos uma das partes. Podem‑se distinguir quatro tipos de simbiose: inquilinismo, comen‑
salismo, mutualismo e parasitismo.
Inquilinismo
Inquilinismo é a relação em que uma espécie “inquilina” vive sobre ou no interior de uma 
espécie hospedeira, sem prejudicá‑la. O recurso principal buscado pelo inquilino, como o nome 
sugere, é abrigo e moradia.
Plantas como orquídeas, bromélias e muitas samambaias, que habitam o interior das matas, 
vivem sobre outras plantas maiores, que lhes servem de suporte. Nesses casos, as espécies in‑
quilinas são denominadas epífitas (do grego epi, sobre, e phytos, planta). A vantagem das epífitas 
em crescer sobre plantas de grande porte é obter maior suprimento de luz para a fotossíntese, 
principalmente no ambiente pouco iluminado do interior das florestas. (Fig. 16.10)
Figura 16.10 No inquilinismo das plantas 
epífitas sobre árvores hospedeiras, as 
primeiras obtêm vantagens, mas as 
árvores não são prejudicadas. Lugares 
mais elevados, principalmente dentro de 
florestas fechadas, permitem obter maior 
luminosidade para a fotossíntese.
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Comensalismo
No comensalismo, assim como no inquilinismo, uma das espécies é beneficiada pela 
simbiose, enquanto a outra aparentemente não obtém nenhum benefício com a relação, 
embora não sofra prejuízo. O principal recurso buscado pelo comensal, como o nome sugere, 
é alimento.
Um exemplo clássico de comensalismo é a associação entre a rêmora (ou peixe‑piloto) e o 
tubarão. A rêmora possui uma estrutura dorsal aderente comparável a uma ventosa, o apre‑
ensório, com o qual se prende ao corpo de tubarões. O tubarão fornece transporte gratuito 
para a rêmora e parece não se importar com a presença desta. As rêmoras alimentam‑se dos 
restos das presas caçadas pelos tubarões, obtendo vantagens com a associação.
A relação entre abutres e animais carnívoros também é um caso de comensalismo. Os 
abutres acompanham os carnívoros a distância, servindo‑se dos restos da caça abandonados 
por eles. (Fig. 16.11)
Figura 16.11 Exemplos de comensalismo. A. Rêmoras “pegam carona“ em um tubarão. B. Abutres são 
comensais habituais de felinos como os guepardos e outros carnívoros africanos.
Em certos casos, é difícil estabelecer a diferença entre inquilinismo e comensalismo. Por 
exemplo, diversas espécies de peixe‑palhaço encontram abrigo e proteção entre os tentáculos 
de certas anêmonas‑do‑mar. Essa relação seria caracterizada, em princípio, como inquilinis‑
mo. Entretanto, se os peixes‑palhaço aproveitam restos da alimentação da anêmona, além 
de utilizá‑la como abrigo, seria mais apropriado classificar a relação como comensalismo. 
Mas se é a anêmona que se aproveita dos restos da alimentação dos peixes‑palhaço, que a 
utilizam como abrigo, a relação deve ser classificada como protocooperação.
Mutualismo
Mutualismo,às vezes chamado de mutualismo obrigatório (para distingui‑lo de mutua‑
lismo facultativo, ou protocooperação), é um tipo de simbiose em que ambas as espécies 
que interagem obtêm benefícios.
O mutualismo difere da protocooperação por ser permanente e indispensável à sobrevivên‑
cia dos indivíduos associados; como vimos, na protocooperação os indivíduos das espécies 
participantes da relação podem viver associados ou não. 
Um exemplo de mutualismo é a interação de certas espécies de cupim e microrganismos 
(bactérias e protozoários) que habitam seu intestino. Os cupins são incapazes de digerir a 
celulose da madeira que ingerem, o que é feito pelos microrganismos que vivem em seu tubo 
digestório. Estes dependem igualmente da associação, pois sobrevivem somente no corpo 
dos cupins. 
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