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R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 227 C a p ít u lo 9 • B re ve h is tó ri a d a s id e ia s e vo lu ci o n is ta s Figura 9.16 As asas dos insetos e as das aves são órgãos análogos: têm mesma função, mas origem embrionária e plano estrutural totalmente diferentes. A asa de um inseto é uma projeção do exoesqueleto de quitina que recobre o corpo do animal, enquanto a asa de uma ave é um membro composto de ossos, músculos, pele, nervos etc. Certos organismos apresentam órgãos vestigiais, estruturas atrofiadas e sem função evi- dente. Um exemplo de órgão vestigial é o apêndice vermiforme humano, uma pequena estrutura em forma de dedo localizada na junção entre o intestino delgado e o intestino grosso. Figura 9.17 Exemplo de convergência evolutiva: a forma hidrodinâmica do corpo desenvolveu-se independentemente em diferentes espécies de vertebrado devido à sua adaptação ao modo de vida aquático. A. Golfinho. B. Ictiossauro (um réptil extinto). C. Peixe ósseo. D. Pinguim. Asas de morcegos e de aves também são órgãos análogos, apesar de seus esqueletos serem homólogos. Analise a figura 9.15 e conclua por quê. Conforme mencionamos, a semelhança entre órgãos homólogos é explicada, na teoria da evo- lução, por eles terem sido herdados do ancestral comum às espécies a que pertencem. As funções diferentes de certos órgãos homólogos são explicadas pela diversificação ocorrida ao longo da evolução; cada espécie incorporou, no decurso do tempo, características adapta- tivas ao seu modo particular de vida. Essa diversificação de órgãos homólogos, decorrente da adaptação a modos de vida diferentes, é denominada divergência evolutiva. Órgãos análogos, por sua vez, são estruturas que apareceram de forma independente em diferentes grupos de organismos, constituindo adaptações a modos de vida semelhantes. Por exemplo, asas são estruturas adaptadas para voar, apresentando, por isso, superfície ampla, o que permite ao animal sua sustentação no ar. Esse princípio estrutural está presente nas asas tanto de insetos como de morcegos, as quais têm origens embrionárias totalmente distintas. Assim, durante a evolução, a adaptação pode levar organismos pouco aparentados a terem es- truturas e formas corporais semelhantes selecionadas devido a pressões evolutivas similares, o que é denominado convergência evolutiva. Lembre-se de que a evolução não é o resultado de uma intenção preconcebida do organismo que visa melhorar uma característica (no caso, produzir órgãos especializados no voo), mas sim uma adaptação dos indivíduos ao ambiente em que vivem, resultante da seleção natural. (Fig. 9.17) A C B D AtIvIDADEs R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 228 U n id a d e B • Ev o lu çã o b io ló g ic a Apêndice vermiforme Íleo Colo COELHO ESPÉCIE HUMANA Colo Ceco Apêndice vermiforme Ceco Íleo A presença do apêndice vermiforme em nossa espécie é interpretada como uma evidência da evolução. Esse órgão foi importante em nossos ancestrais remotos, que tinham dieta pre- dominantemente herbívora; neles, o ceco (porção inicial do intestino grosso, na qual se abre o intestino delgado) e o apêndice abrigavam microrganismos auxiliares da digestão de celulose. Com o desenvolvimento de outros tipos de dieta, na linhagem que originou nossa espécie, o ceco e o apêndice vermiforme deixaram de ser vantajosos e regrediram durante o processo evolutivo, restando apenas como vestígios de sua existência passada. (Fig. 9.18) A pequena “cauda” das aves (popularmente chamada coranchim), formada por vários ossos, é também considerada uma estrutura vestigial. A presença de tantos ossos em uma cauda tão pequena parece ser o resquício de uma longa cauda presente nos répteis ancestrais, animais dos quais as aves de hoje se originaram. Evidências bioquímicas da evolução Técnicas modernas de análise bioquímica têm revelado grande semelhança entre a estrutura molecular de diversos organismos. Por exemplo, as proteínas são os constituintes fundamentais de qualquer ser vivo e todas as formas atuais de vida têm proteínas formadas pelos mesmos 20 tipos de aminoácido. Será que essa semelhança é apenas uma coincidência? Os biólogos evolucionistas acreditam que não. Segundo eles, os seres vivos têm proteínas semelhantes porque herdaram de seus ancestrais o sistema de codificação genética para produzi-las, basicamente o mesmo em todas as formas atuais de vida do planeta. A análise comparativa de proteínas e de ácidos nucleicos tem confirmado as semelhanças anatômicas e embrionárias já verificadas entre certos organismos. Um exemplo é a comparação da sequência de aminoácidos do citocromo c, uma proteína com pouco mais de uma centena de aminoácidos, presente na maioria das espécies. O citocromo c é exatamente o mesmo na espécie humana e nos chimpanzés. Quando se compara o citocromo c humano ao das baleias, por exemplo, nota-se que eles diferem quanto à posição de 8 aminoácidos. Essa diferença aumenta quando se compara o citocromo c humano ao das aves (diferença quanto à posição de 13 aminoácidos), ao dos peixes (diferença quanto à posição de 20 aminoácidos) e ao dos fungos (diferença quanto à posição de 41 aminoácidos). De acordo com o evolucionismo, essas diferenças refletem nosso maior grau de parentesco com os chimpanzés, com os quais compartilhamos um ancestral há muito menos tempo do que com as baleias; e assim por diante. Figura 9.18 Representação esquemática de parte do tubo digestório de coelho (à esquerda) e humano (à direita), mostrando as diferenças nos tamanhos relativos dos cecos e dos apêndices vermiformes. Essas estruturas são mais desenvolvidas no coelho e em outros animais herbívoros e nelas vivem microrganismos que atuam na digestão da celulose. (Imagem sem escala, cores-fantasia.) Conteúdo digital Moderna PLUS http://www.modernaplus.com.br Animação: Fundamento da evolução biológica, veja aba Evidências da evolução Texto: Os limites da ciência AtIvIDADEs R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 229 C a p ít u lo 9 • B re ve h is tó ri a d a s id e ia s e vo lu ci o n is ta s QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR Questões objetivas Considere as alternativas a seguir para responder às questões de 1 a 3. a) Criacionismo. b) Esoterismo. c) Evolucionismo. d) Paganismo. 1. Algumas tribos indígenas brasileiras acreditavam que os primeiros seres humanos haviam sido cria- dos por uma entidade divina a partir da massa de milho. Em que corrente de pensamento essas ideias podem ser classificadas? 2. O arcebispo irlandês James Ussher (1581-1656), com base em seus estudos bíblicos, calculou que Adão e Eva se originaram por obra divina no ano de 4004 a.C. Que corrente de pensamento melhor corresponderia à adotada pelo bispo? 3. “Os morcegos apresentam várias adaptações semelhantes às desenvolvidas pelas aves para diminuir o peso do corpo. Os ossos de sua cauda diminuíram até se tornarem finos como palha ou desapareceram totalmente.” Essa descrição, extraída do livro A vida na Terra, de David Attenborough, seria mais bem enquadrada em que corrente de pensamento? Considere as alternativas a seguir para responder às questões de 4 a 7. a) Adaptação fisiológica. b) Camuflagem. c) Mimetismo. d) Seleção artificial. e) Seleção sexual. 4. O panda-gigante tem um sexto dedo — uma es- pécie de “polegar” — que evoluiu de um dos ossos do punho; com isso, esses animais podem segurar com mais eficiência os ramos de bambu de que se alimentam. Como esse fenômeno pode ser classi- ficado sob o ponto de vista do evolucionismo? 5. O cuco europeu, como o chupim brasileiro, põe seusovos no ninho de outras aves, deixando a elas os cuidados de chocar e criar seus filhotes. Os cucos são geralmente bem maiores que os representan- tes das espécies que chocam seus ovos; esses, no entanto, são semelhantes aos de seus hospedeiros, tanto em tamanho como no padrão de coloração. Como esse fenômeno pode ser classificado sob o ponto de vista do evolucionismo? 6. A hemoglobina das lhamas apresenta uma pequena diferença em relação à de outros mamíferos, o que lhe confere maior afinidade pelo gás oxigênio. Essa característica é útil onde as lhamas vivem, no alto dos Andes, em que o ar é rarefeito. Como esse fe- nômeno pode ser classificado sob o ponto de vista do evolucionismo? 7. Os linguados são peixes que vivem a maior parte do tempo parados sobre a areia do fundo do mar. Sua coloração apresenta o mesmo padrão que a coloração do fundo do mar e por isso eles passam despercebidos de seus predadores e também de suas presas. Como esse fenômeno pode ser clas- sificado sob o ponto de vista do evolucionismo? 8. Um dos mais preciosos e importantes sítios pa- leontológicos, com cerca de meio bilhão de anos, foi descoberto, em 1909, no alto das Montanhas Rochosas canadenses, no interior do Parque Na- cional de Yoho, próximo à fronteira oriental da Colúmbia Britânica. São impressões na rocha não só de carapaças, mas também das partes moles de diversos tipos de animais invertebrados, o que per- mite inferir como era sua organização anatômica. Vestígios como esses são exemplos de: a) adaptação c) mimetismo. b) fósseis. d) seleção natural. 9. A forma hidrodinâmica dos corpos de um golfinho, de um ictiossauro (réptil aquático extinto), de um atum e de um pinguim desenvolveu-se indepen- dentemente nesses animais como adaptação ao ambiente aquático. Trata-se, portanto, de um caso de: a) convergência evolutiva. b) divergência evolutiva. c) mimetismo. d) seleção artificial. 10. Os olhos de um vertebrado e de um polvo fun- cionam de maneira muito semelhante, apesar de terem origens embrionárias totalmente diferentes. Eles são, portanto, exemplos de: a) mimetismo. b) órgãos análogos. c) órgãos homólogos. d) órgãos vestigiais. 11. As semelhanças estruturais e funcionais entre os olhos de um vertebrado e de um polvo podem ser atribuídas ao fenômeno denominado: a) convergência evolutiva. b) divergência evolutiva. c) mimetismo. d) seleção artificial. Considere as alternativas a seguir para responder às questões 12 e 13. a) Órgão análogo. b) Órgão convergente. c) Órgão divergente. d) Órgão vestigial. 12. Os ancestrais das aves tinham caudas longas, sus- tentadas por diversas vértebras. Nas aves atuais, a cauda está reduzida ao coranchim, que mantém ainda muitos pequenos ossos em sua estrutura, quando um único osso seria suficiente. O que representa o coranchim das aves no contexto do evolucionismo?