Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

CIÊNCIA 
E CIDADANIA
R
ep
ro
d
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
.1
84
 d
o 
C
ód
ig
o 
P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
245
C
a
p
ít
u
lo
 8
 • 
Fi
si
o
lo
g
ia
 d
a
s 
p
la
n
ta
s 
a
n
g
io
sp
e
rm
a
s
A adubação e o solo
Os sais minerais que fornecem macroelementos às plantas são chamados de macronutrien-
tes. Por exemplo, o nitrato de potássio (KNO3) é um sal presente no solo e que fornece às plantas 
os macroelementos potássio (K), nitrogênio (N) e oxigênio (O).
Os chamados microelementos atuam geralmente como cofatores de enzimas, daí serem re-
queridos em quantidades relativamente pequenas. Sais minerais que fornecem microelementos 
às plantas são chamados de micronutrientes. Por exemplo, o ácido bórico (H3BO3), que forma o 
sal denominado borato (BO3
22), é a principal fonte de boro (B), um microelemento.
Se faltar à planta algum elemento químico essencial, ela poderá apresentar sintomas especí-
ficos da deficiência. Por exemplo, a falta de magnésio torna as folhas amareladas devido à dimi-
nuição na produção de clorofila. As deficiências nutricionais mais comuns nas plantas são as dos 
elementos nitrogênio, fósforo e potássio. A falta de nitrogênio limita drasticamente o crescimento 
das plantas. Paradoxalmente, esse elemento químico é o mais abundante da atmosfera. Entre-
tanto, o nitrogênio atmosférico encontra-se na forma de gás nitrogênio (N2), que as plantas não 
conseguem utilizar. Para ser utilizado pelas células vegetais, o nitrogênio precisa estar na forma 
de íon amônio (NH4
1) ou, de preferência, de íon nitrato (NO3
2). Esses dois íons são produzidos a partir 
do N2 pela ação de diversos tipos de bactérias presentes no solo (relembre no capítulo 2).
Os conhecimentos derivados do senso comum, 
aliados às novas descobertas científicas, têm possibi-
litado à humanidade aumentar significativamente a 
produtividade do solo e das culturas vegetais. Isso per-
mite produzir mais alimentos e com mais qualidade, 
demandas importantes para as sociedades humanas, 
que ainda crescem em ritmo acelerado.
Importância da adubação do solo
Nos ambientes naturais, a morte e a decomposi-
ção dos seres vivos devolvem ao solo os elementos 
retirados pelas plantas, o que possibilita sua cons-
tante reciclagem. Em um campo de cultivo, porém, a 
situação é diferente, pois as plantas são removidas, 
inteiras ou em parte, e utilizadas como alimento pelas 
pessoas ou por animais domésticos. Com isso, o solo 
vai gradativamente empobrecendo em elementos 
químicos essenciais. Para que o solo não se “esgote”, 
tornando-se inadequado à agricultura, os elementos 
perdidos devem ser repostos periodicamente pela adi-
ção de substâncias que os contenham. Essas substân-
cias são denominadas adubos, ou fertilizantes, que 
podem ser de dois tipos: orgânicos e inorgânicos.
Adubos orgânicos são constituídos por restos ou 
partes de animais ou de plantas, como fezes e sobras 
de alimentos. À medida que os adubos orgânicos são 
decompostos pelos microrganismos do solo liberam 
elementos essenciais ao crescimento das plantas. 
A adubação orgânica, além de fornecer ao solo ele-
mentos essenciais, favorece a retenção de água.
Muitos agricultores estimulam a reposição de 
nitrogênio no solo com o cultivo de plantas legumino-
sas, que são deixadas para apodrecer no campo; esse 
processo é conhecido como adubação verde. As legu-
minosas, por viverem em associação com bactérias 
que fixam nitrogênio diretamente do ar, incorporam 
quantidades elevadas desse elemento químico.
Adubos inorgânicos são compostos produzidos in-
dustrialmente e que geralmente contêm sais minerais 
constituídos de três macroelementos químicos: nitro-
gênio (N), fósforo (P) e potássio (K). A adubação inorgâ-
nica possibilita calcular com precisão as quantidades 
de cada elemento nutriente que deve ser fornecido à 
planta. Isso é importante, pois a concentração relativa 
de cada elemento tem influência no tipo de crescimen-
to. Por exemplo, o fornecimento de nitrogênio estimula 
um crescimento vegetativo vigoroso, com produção 
de muitas folhas, em detrimento da formação de es-
truturas reprodutivas. Assim, é interessante fornecer 
a quantidade adequada de nitrogênio para uma cul-
tura de alface, por exemplo, cuja parte de interesse é 
a folha. Em uma cultura de tomates, entretanto, em 
que o produto de interesse é o fruto, a quantidade de 
nitrogênio pode ser mais reduzida. (Fig. 8.1)
Figura 8.1 Embalagem de adubo industrializado. As 
porcentagens dos diversos elementos químicos são 
indicadas no rótulo por meio de siglas. Por exemplo, um 
fertilizante com a sigla “NPK” 15-00-14 contém 15% de 
nitrogênio (N), na forma de amônia ou nitratos, não 
contém fósforo (P) e tem 14% de potássio (K) salino.
R
ep
ro
d
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
.1
84
 d
o 
C
ód
ig
o 
P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
246
U
n
id
a
d
e
 C
 • 
D
iv
e
rs
id
a
d
e
, a
n
at
o
m
ia
 e
 f
is
io
lo
g
ia
 d
a
s 
p
la
n
ta
s
A utilização de adubos inorgânicos sem o devido 
conhecimento das necessidades das plantas e do tipo 
de solo pode levar a problemas ambientais. Adubação 
excessiva, por exemplo, pode acarretar a contaminação 
dos recursos hídricos (lagos, açudes, rios etc.) com mi-
nerais que podem causar problemas à saúde humana 
e aos ecossistemas.
Importância do grau de acidez do solo
A eficiência da adubação está diretamente ligada 
ao grau de acidez do solo, medido na escala de pH. 
Antes de aplicar os fertilizantes, o agricultor deve 
conhecer o pH do solo e corrigi-lo, se necessário. Se o 
solo é muito ácido, pode-se adicionar calcário (formado 
basicamente de CaCO3) para reduzir a acidez; se o solo é 
alcalino, a correção pode ser feita pela adição de sulfato 
de sódio (Na2SO4) ou sulfato de magnésio (MgSO4).
O pH do solo influencia a capacidade das plantas 
em absorver determinados elementos químicos. 
Mesmo que o solo contenha todos os elementos 
essenciais, uma planta pode não conseguir absorver 
algum deles se o pH for inadequado. Por exemplo, em 
um solo com pH 8, a planta consegue absorver cálcio, 
mas é incapaz de absorver ferro com eficiência.
Importância da irrigação
Outro fator fundamental ao crescimento das 
plantas é a disponibilidade de água no solo. Muitas 
regiões desérticas, apesar de terem solo fértil quan-
to à composição mineral, são pobres em vegetação 
porque falta água. Isso é evidente em regiões semide-
sérticas que se tornam produtivas quando irrigadas 
artificialmente. Diversas regiões áridas do Nordeste 
brasileiro, por exemplo, têm produzido frutas de ex-
celente qualidade graças aos processos de irrigação 
artificial. (Fig. 8.2) Figura 8.3 Cultivo de alface por hidroponia.
Cultivo de plantas sem solo: hidroponia
Os conhecimentos sobre a nutrição vegetal permi-
tiram concluir que as plantas podem se desenvolver 
na ausência de solo, desde que suas raízes estejam 
mergulhadas em uma solução aquosa aerada e com 
os nutrientes minerais necessários. A aplicação desses 
conhecimentos levou ao desenvolvimento de um inte-
ressante método de cultivo, a hidroponia, empregado 
na produção comercial de hortaliças. As plantas são cul-
tivadas em estufas, sem solo, com as raízes mergulhadas 
em uma solução nutritiva que circula continuamente e 
as abastece dos nutrientes minerais necessários ao seu 
desenvolvimento. (Fig. 8.3)
Figura 8.2 Plantação 
de manga irrigada 
artificialmente em 
região árida do Vale 
do rio São Francisco, 
em Petrolina, 
no estado de 
Pernambuco.
R
ep
ro
d
uç
ão
 p
ro
ib
id
a.
 A
rt
.1
84
 d
o 
C
ód
ig
o 
P
en
al
 e
 L
ei
 9
.6
10
 d
e 
19
 d
e 
fe
ve
re
iro
 d
e 
19
98
.
247
C
a
p
ít
u
lo
 8
 • 
Fi
si
o
lo
g
ia
 d
a
s 
p
la
n
ta
s 
a
n
g
io
sp
e
rm
a
s
2 Absorção de água e de sais minerais pelas plantas
Água e sais minerais, que juntos compõem a seiva mineral, ou seiva bruta, penetram na 
planta pelas extremidades das raízes, principalmentepela zona dos pelos absorventes, em que 
as paredes das células são altamente permeáveis. Depois de atravessar a epiderme, a água e os 
sais nela dissolvidos deslocam-se para a região central da raiz. Isso ocorre tanto pelos espaços 
externos existentes entre as membranas celulares, que constituem o apoplasto, como através do 
citoplasma das células epidérmicas e corticais, que compõem o simplasto. Esses termos foram 
propostos em 1930 pelo botânico alemão E. Münch (1876-1946).
Apoplasto refere-se a tudo o que se localiza externamente às membranas plasmáticas, ou 
seja, compreende os espaços existentes entre as paredes das células e os espaços micros-
cópicos presentes nas paredes, que se embebem de líquido como um papel toalha. Simplasto 
refere-se aos conteúdos celulares, isto é, ao material interno das células, contido pelas mem-
branas plasmáticas. Todas as células de uma planta comunicam-se por meio de finas pontes 
citoplasmáticas (plasmodesmos), de modo que se pode dizer que seu simplasto é contínuo. Uma 
substância, ao atingir o simplasto, pode deslocar-se pelas células e chegar ao cilindro vascular 
sem ter que atravessar membranas celulares.
A água e os sais que se deslocam pelo apoplasto rumo ao cilindro vascular são barrados 
pelas células endodérmicas. Como vimos no capítulo 7, as células do endoderma estão forte-
mente unidas umas às outras por cinturões impermeáveis de suberina, as estrias casparianas, 
que impedem a água e os sais dissolvidos de continuar a se deslocar extracelularmente, pelo 
apoplasto. Assim, para penetrar no cilindro vascular, a água e os sais têm necessariamente 
de atravessar a membrana plasmática e o citoplasma das células endodérmicas. As estrias 
casparianas também dificultam o retorno, ao córtex, dos sais minerais que já entraram no 
cilindro vascular.
Uma vez no interior do cilindro central, os sais minerais são bombeados para dentro das 
traqueídes e dos elementos de vaso por um tipo especial de célula, denominada célula de 
transferência. Esse processo consome energia, que é obtida pela degradação de ATP a ADP e 
fosfato. (Fig. 8.4)
Figura 8.4 Representação esquemática 
do percurso que a água e os sais 
minerais realizam do solo até os vasos 
condutores do cilindro vascular de uma 
raiz. O deslocamento pelo apoplasto 
está indicado pela linha vermelha e 
o deslocamento pelo simplasto, pela 
linha azul. (Imagens sem escala, 
cores-fantasia.) 
Células 
endodérmicas Estria 
caspariana
Elementos 
xilemáticos
Endoderme
Periciclo
Pelo 
absorvente
Células 
corticais

Mais conteúdos dessa disciplina