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Leia com atenção a tira abaixo para responder às questões 1 e 2. A apresentação dessa marca específica como “a” grife é feita com a intenção de levar os leitores a representá-la como a melhor de todas. No caso, essa ideia é reforçada pela especificação que segue. Não só ela é “a” grife: é “a grife de todas as grifes”, ou seja, referência para todas as outras. A conclusão necessária, nesse contexto, é a de que é a melhor. Quando utilizado depois do pronome indefinido todo, o artigo definido expressa a ideia de totalidade. Observe a diferença de sentido provocada pela presença ou ausência do artigo nos seguintes enunciados. Todo livro deve ser guardado com cuidado. (qualquer livro) Examinei todo o livro à procura do exemplo que buscava. (o livro inteiro) 1. O que o recruta Quindim pretende sugerir com a pergunta que faz à jovem, considerando o contexto da tira? a) Nessa pergunta, o substantivo salva-vidas é precedido por um termo que o determina. Identifique esse termo e classifique-o. b) Que sentido esse termo atribui ao substantivo por ele determinado no enunciado em questão? 2. A resposta da jovem frustra a intenção de Quindim. Por quê? a) Na fala da jovem, o substantivo salva-vidas mais uma vez é precedi- do por um termo que também o determina. O que, nesse contexto, explica a escolha desse termo? Justifique. b) O uso desse termo para determinar o termo salva-vidas, em oposição àquele utilizado por Quindim, contribui para a construção do efeito de humor da tira. Explique. Leia com atenção o texto abaixo para responder às questões 3 e 4. Dialogando com o público leitor — Boa tarde, o senhor me desculpe eu estar interrompendo sua leitura, mas é só um minutinho. — Ah, pois não. — É o seguinte, não é o senhor que é o escritor? O menino ali me disse que o senhor é o escritor. — Bem, não sei se sou o escritor. Mas sou um escritor, sou, sim. — Madalena, venha cá, é ele. Madalena! Chame Rosalvo e os meninos, é ele! — O que foi que houve? — Madalena é minha esposa, ela estava com vergonha de perguntar se era o senhor mesmo o escritor. Ela me disse que já tinha ouvido muito falar no senhor. RECRUTA ZERO Mort Walker ATIVIDADES WALKER, Mort. Recruta Zero. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 mar. 2010. 252 U n id ad e 4 • C la ss es d e pa la vr as R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . I_plus_gramatica_cap16_C.indd 252 3/12/10 3:06:20 PM E Rosalvo é meu cunhado, que conhece sua obra, é gente boa. — Sim, eu... — Não vou interromper nada, pode ficar descansado, o senhor pode continuar com sua leitura. — Eu... — Madalena, é ele mesmo! Você tinha razão, é ele. É boa gente, você sabe? Estamos aqui numa prosa ótima, ele é a simplicidade em pessoa. Olha aí, Rosalvo, é ele. Pode sentar, rapaz, ele não morde, ha-ha! — Muito prazer, dá licença. — Eu... — Meu nome é Rosalvo Luiz da Anunciação Pereira, mas eu costumo assinar apenas Anunciação Pereira. — Ah, sim. Interessante. — Admiro muito a sua obra, O sargento de milícias. — Mas não fui eu quem escreveu esse, foi outro. Bem que podia ter sido eu, mas não fui eu. — Ah, então o senhor não é o autor do Sargento? — Sou, mas de outro sargento, o sargento Getúlio. RIBEIRO, João Ubaldo. Contos e crônicas para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. p. 59-63. (Fragmento). 3. O texto trata de uma confusão envolvendo um escritor. Que confusão é essa? O que pode ter provocado essa confusão? f 4. Releia: “— É o seguinte, não é o senhor que é o escritor? O menino ali me disse que o senhor é o escritor.” a) Com que sentido a passagem destacada foi usada nesse contexto? b) Que termo determina o sentido com que o substantivo escritor foi usado? Por quê? c) O escritor, em resposta à pergunta feita, faz uso de um termo para tentar corrigir o equívoco: “[...] sou um escritor [...]”. O que ele pre- tende ressaltar com a escolha desse termo? Explique. Leia a tira a seguir para responder à questão 5. AS COBRAS Luis Fernando Verissimo 5. A graça da tira se deve às diferentes interpretações que as personagens envolvidas fazem de uma determinada expressão. Qual é ela? a) Com que sentido essa expressão foi usada na pergunta feita no primeiro quadrinho? b) Como Queromeu a entendeu? c) O que, na tira, justifica sua resposta ao item anterior? Explique. d) Que termo possibilita as duas interpretações? Por quê? VERISSIMO, Luis Fernando. As Cobras em: se Deus existe que eu seja atingido por um raio. Porto Alegre: L&PM. p. 9. 253 C ap ít u lo 1 6 • A rt ig o, n um er al e in te rj ei çã o R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . I_plus_gramatica_cap16_C.indd 253 3/12/10 3:06:20 PM Usos dos artigos definidos e indefinidos Como ocorrem sempre associados a substantivos, ou substantivando outros termos, os artigos costumam ter um alto grau de ocorrência em tex- tos. Muitas vezes vêm combinados a preposições, outras aparecem em suas flexões originais. O importante, porém, é observar que a decisão de utilizar as formas definidas ou indefinidas dos artigos deve ser feita de modo consciente, porque afeta o sentido daquilo que está sendo por eles determinado. Observe o texto abaixo, extraído de uma crônica em que o jornalista César Tralli reconstitui o drama de um senhor que teve a sua vida devastada por um terremoto. ...................................................................... Terra devastada da Turquia artigo definido artigo indefinido combinação (preposição + artigo definido) TRALLI, César. Olhar crônico. São Paulo: Globo, 2001. p. 67-68. (Fragmento). A montanha de escombros atingia a altura de um poste de luz. Quarenta e cinco segundos de terremoto reduziram a pó o prédio de apartamentos de cinco an- dares. No topo da montanha, um dos poucos sobrevi- ventes do edifício remexia os destroços em desespero, como um catador de lixo faminto. O homem de meia- -idade tinha as roupas rasgadas, os cabelos castanhos cobertos de poeira e os olhos inchados de tanto chorar. Era Adair Gazel, comerciante de colchões que na noite anterior deitou-se pensando no futuro, mas pela manhã, tomado de susto, olhava apenas para trás. Ele havia perdido a mulher, o filho de 21 anos e a filha adolescente. Sem nenhuma esperança de encontrá-los com vida, e no limite de sua força física, ele procurava sob lajes e paredes alguma lembrança da família. O comerciante guardava dólares em casa, sua es- posa possuía muitas joias, mas Adair tinha uma única preocupação naquele momento: encontrar um álbum de fotografias. Sim, apenas algum registro dele ao lado da mulher, dos filhos no parque, da família reunida à mesa do restaurante preferido em Istambul ou em alguma festa de aniversário em casa. Recordações era tudo o que importava àquele homem sem casa, órfão das pessoas mais queridas... — Eu necessito de uma única foto que seja — disse ar- rasado. — Quero poder rezar olhando todas as noites para o rosto de cada um dos meus filhos e de minha mulher. A fotografia me servirá de amuleto, quem sabe de analgésico para a terrível dor que irá me acompanhar de hoje para sempre. [...] A primeira referência feita no texto é precisa, determinada. O autor deseja dirigir a imaginação do leitor para os escombros deixados pelo terremoto. Para obter esse efeito, usa o artigo definido a precedendo a expressão “montanha de escombros”. Deve-se observar que ele não deseja tratar de qualquer montanha de escombros. Quer falar de uma montanha particular, na qual um homem, ainda não apresentado, procurará objetos pessoais. A definição, nesse caso, é intencional e é produzida, no texto, pelo uso do artigo definido. ...................................................................... Duas mulheres próximas aos escombros de umprédio, Turquia, 2001. 254 U n id ad e 4 • C la ss es d e pa la vr as R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . I_plus_gramatica_cap16_C.indd 254 3/12/10 3:06:20 PM