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Para explicar como ocorrem as modificações nas características dos seres vivos e o surgimento de novas espécies, várias teorias evolucionistas surgiram. Entre elas, destacamos o lamarckismo, o darwinismo e o neodarwinismo. LAMARCKISMO O biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck foi um dos primeiros defensores do transformismo, isto é, um dos primeiros a admitir que os seres vivos se modificam com o passar do tempo. Em 1809, Lamarck, em seu livro Philosophie Zoologique, propôs uma hipótese na tentativa de explicar como ocorre o mecanismo de transformação das espécies, ou seja, como uma espécie poderia dar origem a outras espécies. O lamarckismo baseia-se em dois pontos básicos: lei do uso e desuso e lei da transmissão das características adquiridas. Segundo Lamarck, as alterações das condições ambientais desencadeariam, em uma espécie, a necessidade de se modificar, no sentido de promover sua adaptação às novas condições do meio. Em consequência, a espécie adquiriria novos hábitos, fato que acarretaria a utilização mais intensa e frequente de certos órgãos ou partes do organismo, causando-lhes uma hipertrofia ou, então, acarretaria o desuso de órgãos e estruturas do corpo, causando-lhes uma atrofia. Assim, pelo uso ou desuso de certos órgãos e estruturas do corpo, os indivíduos passariam a ter novas características que os tornariam mais bem adaptados às condições ambientais. Por meio da reprodução, essas novas características passariam a ser transmitidas aos descendentes. Vários foram os exemplos citados por Lamarck para ilustrar suas ideias evolucionistas. O mais célebre foi o do pescoço das girafas atuais. Segundo Lamarck, os ancestrais das girafas tinham pescoços curtos, membros anteriores com o mesmo comprimento dos posteriores e viviam em um ambiente onde a vegetação rasteira era relativamente escassa e, por isso, teriam sido forçados a se alimentarem de folhas situadas no alto das árvores. No esforço para terem acesso ao alimento, adquiriram o hábito de esticar o pescoço e as pernas anteriores e, assim, essas partes do corpo foram se desenvolvendo pelo uso frequente. Essas características adquiridas passaram a ser transmitidas de geração em geração, resultando nas atuais girafas de pescoços longos e pernas dianteiras desenvolvidas. Originalmente, as girafas possuíam pescoço curto, alimentando-se do estrato mais baixo da vegetação. Por pressões ambientais, as girafas ancestrais se viram obrigadas a explorar estratos vegetais mais altos e, para tanto, esticavam o pescoço e pernas anteriores, progressivamente os alongando. Por sucessivas gerações, esses caracteres adquiridos de pescoços e membros cada vez mais alongados foram herdados pelos descendentes, culminando, nos dias atuais, nas girafas de pescoços e pernas dianteiras compridas. De forma semelhante ao que aconteceu com as girafas, o lamarckismo explica a longa perna da garça como uma decorrência de seu esforço para se manter com o corpo fora da água; coelhos teriam orelhas longas em resposta à frequente solicitação da audição para perceber a aproximação de predadores. No esforço de canalizar melhor o som para o interior do conduto auditivo, os coelhos iam gradativamente esticando cada vez mais suas orelhas, inicialmente curtas, até resultar nas orelhas longas que atualmente possuem; tamanduás teriam garras desenvolvidas e língua comprida como resultado do uso frequente das garras para remexer os formigueiros, e do esticamento da língua, no processo de captura de formigas; cactáceas teriam suas folhas reduzidas a espinhos como necessidade de adaptação à economia de água; as toupeiras atuais têm olhos atrofiados porque seus ancestrais, vivendo sob a terra, não necessitavam de visão. A pouca utilização dos olhos teria feito com que eles se atrofiassem, e isso seria transmitido de geração em geração. Ar qu iv o Be rn ou lli MÓDULO 06 FRENTE C 93Bernoulli Sistema de Ensino BIOLOGIA Teorias evolucionistas Meu Bern ou lli Esses exemplos ilustram como o lamarckismo explica o surgimento de algumas características morfofisiológicas em determinadas espécies. Observe que, em todos os exemplos citados, o meio ambiente atua como um fator que “exige” modificações nos seres vivos para que eles possam se tornar adaptados às circunstâncias existentes. Embora certo em suas convicções, o lamarckismo está errado em suas explicações. A lei do uso e desuso, por exemplo, embora correta para o caso dos músculos, não pode ser generalizada para todos os órgãos e todas as partes de um organismo. Por outro lado, sabemos que nenhuma alteração fenotípica provocada por fatores ambientais, isto é, característica adquirida, se transmite à descendência. Sua maior falha está exatamente aí, na transmissão dos caracteres adquiridos ao longo das gerações. Apesar de suas falhas, Lamarck teve seus méritos: foi um evolucionista ardente em uma época em que predominava o fixismo e chamou a atenção para o fenômeno da adaptação ao meio como um processo necessário para a evolução. DARWINISMO Em 1859, o naturalista inglês Charles Darwin expôs, em seu livro Origem das espécies, suas ideias evolucionistas, que ficaram conhecidas como darwinismo. O darwinismo baseia-se nos seguintes pontos: • Os indivíduos de uma mesma espécie não são rigorosamente iguais uns aos outros. Há diferenças individuais que tornam alguns mais atraentes, mais fortes, mais rápidos, mais adaptados às condições de vida no ambiente do que outros não tão bem adaptados. • As populações crescem em uma progressão geométrica, já as reservas alimentares crescem apenas em uma progressão aritmética (fundamento tirado de um livro de Thomas Malthus, economista inglês que muito influenciou Darwin na elaboração de sua teoria). • Face à desproporção entre o crescimento da população e à quantidade de alimento disponível, os indivíduos empenhar-se-iam em uma “luta pela vida”. • Como resultado da luta pela vida, haveria a seleção natural dos mais aptos em detrimento dos menos aptos. Apoiando-se nesses pontos, Darwin considerou que certas características poderiam contribuir para a sobrevivência e a reprodução de certos indivíduos em um determinado ambiente, constituindo variações “favoráveis”. Indivíduos portadores de variações “desfavoráveis”, por sua vez, teriam grandes dificuldades de sobrevivência e seriam extintos. Assim, as diferenças individuais já existentes entre os seres de uma mesma espécie seriam selecionadas naturalmente pelo meio ambiente; o meio, então, como fator de seleção, preservaria os indivíduos portadores de variações favoráveis e eliminaria os portadores de variações desfavoráveis. Dessa maneira, a natureza iria, ao longo das gerações, “aprimorando” a espécie, de modo a torná-la cada vez mais adaptada ao meio ambiente. Darwin também ilustrou suas ideias com alguns exemplos. Para explicar a origem das girafas atuais, ele argumentou da seguinte maneira: no passado, os ancestrais das atuais girafas tinham pescoços e patas dianteiras com tamanhos variáveis. Mas a competição pelo alimento disponível, a partir do momento em que a vegetação rasteira do meio começou a se tornar escassa, favoreceu os indivíduos portadores de pescoço longo e patas dianteiras desenvolvidas, que dotados de tais variações “favoráveis” teriam mais acesso às folhagens situadas no alto das árvores. Assim, a seleção natural beneficiou os indivíduos portadores dessas variações, em detrimento das girafas de pescoços e patas dianteiras curtos, que, lentamente, foram se extinguindo. Ao longo de várias gerações, sobreviveram apenas as girafas de pescoço longo e patas dianteiras desenvolvidas, que hoje conhecemos. A população ancestral de girafas já era composta por indivíduos de pescoço e membros posteriores de tamanhos variados, em proporções equivalentes, que se alimentavam de diversos estratos da vegetação. Por pressões ambientais(estratos vegetais mais baixos se esgotaram), indivíduos que possuíam membros anteriores e pescoços mais compridos, por apresentarem maior chance de sobrevivência e de reprodução, foram favorecidos e selecionados. Após milhares de gerações, a proporção, na população, de representantes de dimensões menores reduziu progressivamente, fazendo com que a espécie, atualmente, apresente como característica predominante pernas dianteiras e pescoços compridos. Ar qu iv o Be rn ou lli Frente C Módulo 06 94 Coleção Estudo 4V Meu Bern ou lli De forma semelhante ao exemplo anterior, o darwinismo explica as longas orelhas dos coelhos como uma variação “favorável” que foi selecionada, em contraposição aos coelhos de orelhas curtas. Como se sabe, as longas orelhas favorecem a eficiência auditiva, o que determina, nos coelhos portadores dessa variação, uma maior capacidade de percepção de predadores, fato que lhes facilita a fuga; por sua vez, os tamanduás, portadores de garras desenvolvidas e línguas compridas, eram favorecidos no processo de utilização de formigas como alimento e, assim, venceram a competição com outros animais não portadores de tais características e sobreviveram e se reproduziram, adaptando-se com sucesso ao meio onde viviam; por terem folhas reduzidas a espinhos, além de outras adaptações à escassez de água, as cactáceas puderam adaptar-se e sobreviver às condições desérticas. Nos exemplos citados, podemos constatar uma grande diferença entre a explicação de Lamarck e a de Darwin. O lamarckismo supõe que características novas são adquiridas por imposição do meio, e o darwinismo considera que as características já existentes são apenas selecionadas pelo meio. Em outras palavras, para Lamarck, o meio é causador das variações; para Darwin, o meio seleciona as variações. É, pois, na influência do meio que reside a maior diferença entre as ideias de Darwin e de Lamarck. Um dos argumentos apresentados por Darwin em favor da seleção dos mais aptos baseou-se no estudo de espécies criadas e cultivadas pelo homem. Sabia-se que pelo menos alguns animais domésticos e vegetais cultivados pertenciam a espécies representantes ainda em estado selvagem. Darwin dedicou-se à criação de pombos, cujas variedades domésticas eram sabidamente originadas de uma única espécie selvagem, a Columba livia, a partir da seleção artificialmente conduzida pelos criadores. Sua conclusão foi que a seleção artificial podia ser comparada àquela que a natureza exercia sobre as espécies selvagens. Da mesma forma que o homem seleciona reprodutores de uma determinada variedade ou raça, permitindo que apenas os que têm as características desejadas se reproduzam, a natureza seleciona, nas espécies selvagens, os indivíduos mais adaptados às condições reinantes. Estes deixam um número proporcionalmente maior de descendentes, contribuindo significativamente para a formação da geração seguinte. O darwinismo, entretanto, também cometeu falhas. Primeiramente, não soube explicar como surgem as novas variedades ou novas características entre os indivíduos de uma mesma espécie. Darwin partiu do princípio de que elas já existiam entre os seres de uma mesma população. Também a afirmação de Malthus sobre a desproporção entre crescimento populacional e quantidade de alimentos estava profundamente exagerada e errônea. Lembre-se de que essa ideia de Malthus muito influenciou Darwin na elaboração do conceito de seleção natural. Todavia, o fenômeno “luta pela vida”, proposto por Darwin, é indiscutível, assim como é inegável a seleção natural dos mais aptos. NEODARWINISMO Como vimos, a teoria evolucionista proposta por Darwin não soube explicar as causas das variações ou variabilidade hereditárias das espécies. Essa explicação só pôde ser dada mais tarde, com a descoberta das mutações e o desenvolvimento da genética. Apenas no século XX, com o redescobrimento dos trabalhos de Mendel e com o aprofundamento do conceito de gene, foi possível determinar os responsáveis pela variabilidade nos seres vivos: as mutações e a recombinação gênica. As mutações são fontes básicas para toda a variabilidade genética, pois fornecem a matéria-prima para a evolução. Os novos genes produzidos determinam características fenotípicas que poderão, ou não, ser úteis aos seres que as possuem. Caso sejam e passem à descendência, serão perpetuadas. A recombinação gênica também contribui para a variabilidade. A reprodução sexuada, a segregação independente de dois ou mais pares de genes e o crossing- over são os fenômenos que permitem novos arranjos de genes que chegarão aos gametas, aumentando a variabilidade dessas células formadas durante a meiose e, consequentemente, aumentando a probabilidade de ocorrência de genótipos diferentes. O neodarwinismo, mutacionismo, ou, ainda, teoria sintética ou moderna da evolução, proposta no início da década de 1940, constitui uma ampliação das ideias de Darwin: explica as causas das variações nos seres vivos, coisa que o darwinismo clássico não conseguiu fazer. Teorias evolucionistas B IO LO G IA 95Bernoulli Sistema de Ensino Meu Bern ou lli As mutações e a recombinação gênica são as causas da variabilidade genética existente nos seres vivos, já a seleção natural “modela” o processo evolutivo, direcionando-o por meio da “escolha” das variações favoráveis ou adaptativas a um determinado meio. Ao passo que as mutações e a recombinação gênica aumentam a variabilidade genética nos seres vivos, a seleção natural a diminui, uma vez que tende a extinguir os indivíduos portadores de variações desfavoráveis. A mutação cria novos genes, e a recombinação os mistura com os genes já existentes, originando os indivíduos geneticamente variados de uma população. A seleção natural, por sua vez, favorece os portadores de determinados conjuntos gênicos, que tendem a sobreviver e se reproduzir em maior escala que os outros. A evolução, portanto, pode ser considerada como resultado da seleção natural atuando sobre a variabilidade genética. Dependendo das condições ambientais, a seleção natural pode atuar em uma população favorecendo certos fenótipos referentes a uma determinada característica. Gráfico 1 – Curva normal Variação fenotípica da característica MédiaN . de in di ví du os Gráfico 2 – Histograma Fenótipos N . de in di ví du os Os gráficos 1 e 2 representam a curva normal de distribuição de diferentes fenótipos referentes a uma determinada característica em uma população. Considerando os tipos selecionados de acordo com a curva de distribuição normal dos diferentes fenótipos, a seleção pode ser: direcional, estabilizadora ou disruptiva. • Seleção direcional: favorece apenas um dos tipos extremos da curva de distribuição normal. Exemplo: em uma população de bactérias onde existem indivíduos 100% sensíveis, indivíduos parcialmente resistentes e indivíduos 100% resistentes a certo antibiótico, a presença desse antibiótico no meio irá favorecer as bactérias 100% resistentes, aumentando na população bacteriana a frequência dos indivíduos portadores do referido fenótipo. • Seleção estabilizadora (normalizadora): favorece os fenótipos médios da curva de distribuição normal, em detrimento dos fenótipos extremos. Exemplo: pesquisas feitas em diversos hospitais mostram que crianças nascidas com peso em torno da média (de 3 kg a 4,5 kg) têm maiores chances de sobreviver do que crianças com pesos muito grandes ou muito pequenos. • Seleção disruptiva (diversificadora): favorece os indivíduos com fenótipos de ambos os extremos da curva de distribuição normal, em detrimento dos indivíduos com fenótipos médios. Exemplo: em um ambiente onde os alimentos para os pássaros estão representados predominantemente por sementes duras e larvas, devem ser favorecidos os pássaros de bico fino e delicado(que têm facilidade de capturar larvas) e pássaros de bico maior e mais forte (capazes de quebrar sementes). Nesse ambiente, os pássaros de bicos intermediários estão em desvantagem por não serem muito hábeis na obtenção de nenhum dos dois tipos de alimento. Frente C Módulo 06 96 Coleção Estudo 4V Meu Bern ou lli EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (Ufpel-RS) Antigamente, creditava-se a uma divindade o surgimento dos seres vivos, o que ficou conhecido como criacionismo, crença que persiste entre membros de muitas religiões. Posteriormente, surgiu o fixismo, defendendo o princípio da imutabilidade das espécies, ou seja, que os seres vivos não se modificavam ao longo do tempo. Já no século XVIII, o biólogo francês Buffon e sua equipe de colaboradores escreveram uma obra chamada Histoire Naturalle, na qual reuniram todo o conhecimento biológico da época. Em 1809, o biólogo Jean-Baptista Antoine de Monet foi um dos primeiros defensores do transformismo, segundo o qual os seres vivos modificavam-se através dos tempos, em contraposição ao fixismo. Posteriormente, em 1859, Charles Robert Darwin expôs, em seu livro Origem das Espécies, suas ideias a respeito do mecanismo da transformação das espécies, base da moderna Teoria da Seleção Natural. Com base no texto e em seus conhecimentos, analise as afirmações. I. Os seres vivos produzem muitos descendentes, mas poucos chegam à fase adulta para reproduzir-se, por isso, o número de indivíduos de cada espécie se mantém constante ao longo das gerações. II. As serpentes evoluíram de ancestrais que possuíam pernas muito curtas; quando, em determinada época, aconteceram mudanças radicais no ambiente, esses animais tiveram necessidade de modificar-se para se adaptar às novas condições e desenvolver o hábito de rastejar. III. Somente os indivíduos mais aptos sobrevivem, porque são mais adaptados às condições ambientais, de modo que cada geração aprimora o grau de adaptação conseguido por seus ancestrais. IV. Quando novas necessidades se apresentam a um indivíduo, sua organização estrutural se altera de modo a torná-lo mais adaptado ao novo modo de vida. Assim os órgãos corporais se desenvolvem pelo uso da musculatura, ou atrofiam se pouco utilizados. As afirmações anteriores podem ser creditadas, respectivamente, a A) Darwin – Lamarck – Buffon – Lamarck. B) Darwin – Lamarck – Darwin – Lamarck. C) Lamarck – Buffon – Darwin – Darwin. D) Lamarck – Darwin – Darwin – Lamarck. E) Lamarck – Darwin – Buffon – Darwin. 02. (UEBA) A ideia de uma seleção natural, segundo a qual os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência e produzem um número maior de descendentes, é a base A) da teoria lamarckista, apenas. B) da teoria darwinista, apenas. C) da teoria neodarwinismo, apenas. D) das teorias lamarckista e darwinista. E) das teorias darwinista e neodarwinista. 03. (UFRGS-RS) Existem duas grandes teorias que tentam explicar os mecanismos pelos quais os organismos evoluíram e continuam a evoluir. Tanto Lamarck como Darwin apresentam um fator como primordial para a evolução. A diferença é que, para Lamarck, esse fator é a causa direta das variações e, para Darwin, esse mesmo fator seria o que seleciona dentre as variações possíveis a mais adaptadas. Esse fator é A) o ambiente. B) a grande capacidade de reprodução. C) a competição. D) a variação hereditária transmissível. E) a migração. 04. (PUC-Campinas-SP–2016) Sobre o tema Evolução, fizeram-se as afirmações a seguir: I. As espécies dos seres vivos são passíveis de mod i f i cação, podendo so f re r a l t e rações morfofisiológicas ao longo do tempo. II. Prova de que nosso planeta foi habitado por seres diferentes dos que existem atualmente é a existência de fósseis. III. Os que admitem que as espécies não se alteram no decorrer do tempo são adeptos da teoria do fixismo. Está CORRETO o que se afirma em A) I, apenas. B) I e II, apenas. C) I e III, apenas. D) II e III, apenas. E) I, II e III. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. (Mackenzie-SP–2015) Nos últimos anos, a taxa do gene para hemofilia tem aumentado muito nas populações humanas. Os hemofílicos, no passado, frequentemente não chegavam à idade de reprodução, já que para eles qualquer ferimento maior poderia ser fatal. Hoje, porém, os hemofílicos recebem o fator VIII, retirado do sangue de pessoas normais, que favorece a coagulação. Assim, a probabilidade de sobrevivência dos hemofílicos aumentou muito; também se elevaram as chances de constituírem família, transmitindo seus genes paras os descendentes. Podemos afirmar que os avanços da Medicina A) prejudicaram a ocorrência da seleção natural. B) favoreceram a ocorrência da seleção natural. C) prejudicaram a ocorrência de mutação. D) favoreceram a ocorrência de mutação. E) não interferiram na ocorrência da seleção natural ou na mutação. Teorias evolucionistas B IO LO G IA 97Bernoulli Sistema de Ensino Meu Bern ou lli 02. (UEL-PR–2016) O uso indiscriminado e abusivo de agrotóxicos, como os herbicidas, pode acarretar a necessidade da utilização de concentrações cada vez mais frequentes e maiores de substâncias presentes nesses produtos para obter os efeitos esperados. Depois de um longo período de tempo, esse agrotóxico não surtirá mais os efeitos desejados, ou seja, exterminar as ervas daninhas, que competem pelos nutrientes do solo em plantações de soja. Acerca da explicação para esse fenômeno, assinale a alternativa CORRETA. A) As pequenas doses do agrotóxico desenvolveram resistência nas ervas daninhas. B) As ervas daninhas resistentes foram selecionadas pelo uso do agrotóxico. C) As ervas daninhas se acostumaram e se adaptaram ao agrotóxico. D) As ervas daninhas submetidas ao agrotóxico tornaram-se dependentes da substância. E) O agrotóxico modificou as ervas daninhas, induzindo mutações. 03. (FUVEST-SP) No início da década de 1950, o vírus que causa a doença chamada de mixomatose foi introduzido na Austrália para controlar a população de coelhos, que se tornara uma praga. Poucos anos depois da introdução do vírus, a população de coelhos reduziu-se drasticamente. Após 1955, a doença passou a se manifestar de forma mais branda nos animais infectados e a mortalidade diminuiu. Considere as explicações para esse fato descritas nos itens de I a IV. I. O vírus promoveu a seleção de coelhos mais resistentes à infecção, os quais deixaram maior número de descendentes. II. Linhagens virais que determinavam a morte muito rápida dos coelhos tenderam a se extinguir. III. A necessidade de adaptação dos coelhos à presença do vírus provocou mutações que lhes conferiram resistência. IV. O vírus induziu a produção de anticorpos que foram transmitidos pelos coelhos à prole, conferindo-lhe maior resistência com o passar das gerações. Estão de acordo com a Teoria da Evolução por Seleção Natural apenas as explicações A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. 04. (UNIFESP) Nas figuras, as mudanças de cores nas esferas simbolizam a aquisição de novas características nas espécies ao longo do tempo. Tempo atual Tempo I II III As figuras que representam, respectivamente, a teoria criacionista, a transformista (Lamarck) e a darwinista são A) I, II e III. B) I, III e II. C) II, I e III. D) II, III e I. E) III, II e I. 05. (FIEB-SP–2016) A Teoria da Evolução proposta por Charles Darwin fundamenta-se na seleção natural de organismos cujas características são mais aptas à sobrevivência no meio ambiente. Darwin também observou, embora não soubesse explicar os motivos biológicos, que, para a seleção natural ocorrer, é fundamental que as populações apresentem A) uma taxa equitativa quanto à natalidade e à mortalidade. B) indivíduos machos dominantes, denominados machos alfa. C) diversidade de características entre seus indivíduos integrantes. D) transmissão dos caracteres adquiridos em função da necessidade de adaptação. E)constantes mutações genéticas ocorridas nos indivíduos mais aptos. 06. (IFSP–2016) Sapos e rãs são anfíbios, apresentam dependência de ambientes terrestres úmidos ou aquáticos, apresentam na sua pele as glândulas de muco para conservá-la úmida e favorecer trocas gasosas, além de poder exibir glândulas de veneno que eliminam substâncias para combater microrganismos e afugentar animais predadores. A explicação para essas características nos anfíbios, fornecida pela Teoria da Evolução de Charles Darwin, é apresentada em: A) Seleção de adaptações positivas devido à ação do meio ambiente. B) Lei do uso e desuso. C) A existência de pulmão atrofiado devido à respiração cutânea. D) A transmissão de características adquiridas para os descendentes. E) A destruição dessas espécies porque estão mal-adaptadas. Frente C Módulo 06 98 Coleção Estudo 4V Meu Bern ou lli 07. (FURG-RS) Utilize os conceitos enumerados para completar as afirmativas a seguir: 1. Evolução 2. Teoria sintética da evolução 3. Lei da transmissão das características adquiridas 4. Convergência adaptativa 5. Seleção natural I. O mecanismo defendido por Darwin para explicar a adaptação dos organismos ao ambiente é conhecido como ( ). II. A ideia de que o desenvolvimento de um órgão pelo uso intensivo é herdado pela prole é conhecida como ( ). III. A ideia de que todos os organismos estão ligados por laços de ancestralidade e descendência com modificação é conhecida como ( ). IV. A ideia que considera o desenvolvimento de estruturas e formas corporais semelhantes por adaptação a ambientes parecidos é conhecida como ( ). V. Mutação, recombinação e seleção natural são os principais fatores evolutivos considerados pela ( ). Assinale a alternativa que apresenta a sequência numérica, lida de cima para baixo, que completa CORRETAMENTE as afirmativas. A) 5, 3, 4, 2 e 1 B) 5, 3, 1, 4 e 2 C) 1, 3, 4, 5 e 2 D) 1, 4, 3, 5 e 2 E) 2, 5, 1, 3 e 4 08. (UFRN–2013) A restrição à venda de antibióticos no Brasil foi uma medida tomada em função do aparecimento de bactérias super-resistentes. Atualmente, com os avanços na área da genética e da biologia molecular, uma das explicações aceitas para o surgimento dessas bactérias é a ocorrência de mutações, a partir das quais haveria uma mudança aleatória em um determinado gene, e, dessa forma, as bactérias passariam a apresentar resistência ao antibiótico. No passado, sem o conhecimento da genética e da biologia molecular, Lamarck e Darwin elaboraram explicações para o surgimento de novas variedades de seres vivos. Nesse contexto, como pode ser explicado o surgimento de bactérias super-resistentes A) com base na Teoria da Evolução de Lamarck? B) com base na Teoria da Evolução de Darwin? SEÇÃO ENEM 01. (Enem–2015) Algumas raças de cães domésticos não conseguem copular entre si devido à grande diferença em seus tamanhos corporais. Ainda assim, tal dificuldade reprodutiva não ocasiona a formação de novas espécies (especiação). Essa especiação NÃO ocorre devido ao(à) A) oscilação genética das raças. B) convergência adaptativa das raças. C) isolamento geográfico entre as raças. D) seleção natural que ocorre entre as raças. E) manutenção do fluxo gênico entre as raças. 02. (Enem–2014) Embora seja um conceito fundamental para a Biologia, o termo “evolução” pode adquirir significados diferentes no senso comum. A ideia de que a espécie humana é o ápice do processo evolutivo é amplamente difundida, mas não é compartilhada por muitos cientistas. Para esses cientistas, a compreensão do processo citado baseia-se na ideia de que os seres vivos, ao longo do tempo, passam por A) modificação de características. B) incremento do tamanho corporal. C) complexificação de seus sistemas. D) melhoria de processos e estruturas. E) especialização para determinada finalidade. 03. (Enem–2011) Diferente do que o senso comum acredita, as lagartas de borboletas não possuem voracidade generalizada. Um estudo mostrou que as borboletas de asas transparentes da família Ithomiinae, comuns na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica, consomem, sobretudo, plantas da família Solanaceae, a mesma do tomate. Contudo, os ancestrais dessas borboletas consumiam espécies vegetais da família Apocinaceae, mas a quantidade dessas plantas parece não ter sido suficiente para garantir o suprimento alimentar dessas borboletas. Dessa forma, as solanáceas tornam-se uma opção de alimento, pois são abundantes na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica. CORES AO VENTO. Gene e fósseis relevam origem e diversidade de borboletas sul-americanas. Revista Pesquisa FAPESP. W 170. 2010 (Adaptação). Nesse texto, a ideia do senso comum é confrontada com conhecimentos científicos, ao se entender que as larvas das borboletas Ithomiinae encontradas atualmente na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica, apresentam A) facilidade em digerir todas as plantas desses locais. B) interação com as plantas hospedeiras da família Apocinaceae. C) adaptação para se alimentar de todas as plantas desses locais. D) voracidade indiscriminada por todas as plantas existentes nesses locais. E) especificidade pelas plantas da família Solanaceae existente nesses locais. Teorias evolucionistas B IO LO G IA 99Bernoulli Sistema de Ensino Meu Bern ou lli 04. (Enem–2010) Alguns anfíbios e répteis são adaptados à vida subterrânea. Nessa situação, apresentam algumas características corporais como ausência de patas, corpo anelado que facilita o deslocamento no subsolo e, em alguns casos, ausência de olhos. Suponha que um biólogo tentasse explicar a origem das adaptações mencionadas no texto utilizando conceitos da teoria evolutiva de Lamarck. Ao adotar esse ponto de vista, ele diria que A) as características citadas no texto foram originadas pela seleção natural. B) a ausência de olhos teria sido causada pela falta de uso dos mesmos, segundo a lei do uso e desuso. C) o corpo anelado é uma característica fortemente adaptativa, mas seria transmitida apenas à primeira geração de descendentes. D) as patas teriam sido perdidas pela falta de uso e, em seguida, essa característica foi incorporada ao patrimônio genético e então transmitida aos descendentes. E) as características citadas no texto foram adquiridas por meio de mutações e depois, ao longo do tempo, foram selecionadas por serem mais adaptadas ao ambiente em que os organismos se encontram. 05. (Enem–2005) As cobras estão entre os animais peçonhentos que mais causam acidentes no Brasil, principalmente na área rural. As cascavéis (Crotalus), apesar de extremamente venenosas, são cobras que, em relação a outras espécies, causam poucos acidentes a humanos. Isso se deve ao ruído de seu “chocalho”, que faz com que suas vítimas percebam sua presença e as evitem. Esses animais só atacam os seres humanos para sua defesa e se alimentam de pequenos roedores e aves. Apesar disso, elas têm sido caçadas continuamente, por serem facilmente detectadas. Ultimamente os cientistas observaram que essas cobras têm ficado mais silenciosas, o que passa a ser um problema, pois, se as pessoas não as percebem, aumentam os riscos de acidentes. A explicação darwinista para o fato de a cascavel estar ficando mais silenciosa é que A) a necessidade de não ser descoberta e morta mudou seu comportamento. B) as alterações no seu código genético surgiram para aperfeiçoá-la. C) as mutações sucessivas foram acontecendo para que ela pudesse adaptar-se. D) as variedades mais silenciosas foram selecionadas positivamente. E) as variedades sofreram mutações para se adaptarem à presença de seres humanos. GABARITO Fixação 01. B 02. E 03. A 04. E Propostos 01. A 02. B 03. A 04. C 05. C 06. A 07. B 08. A) Lamarck: o surgimento de bactérias super-resistentes teria se dado por indução do meio (antibiótico). B) Darwin: o antibiótico elimina as bactérias sensíveis,e as bactérias resistentes se multiplicam, desenvolvendo uma população resistente. Seção Enem 01. E 02. A 03. E 04. B 05. D Frente C Módulo 06 100 Coleção Estudo 4V Meu Bern ou lli