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QUESTÃO 1 CASO A paciente Pauline Randall, de 65 anos de idade, casada e com três filhos adultos, tem Esclerose Amiotrófica Lateral desde muitos anos. A sua condição neurológica vem se deteriorando e ela não tem mais controle voluntário de qualquer músculo, exceto das pálpebras. Ela estava internada em uma clínica de uma pequena cidade do meio oeste dos Estados Unidos e respirando por meio de respirador. Ela se comunicava por meio de um dispositivo eletrônico que interpretava os movimentos palpebrais e os transformava em palavras ou pequenas frases. A paciente tinha plena compreensão de que a sua condição de saúde era progressiva, intratável e que causaria inevitavelmente a sua morte. Ela se manteve participante em todo o processo de tomada de decisões sobre as medidas terapêuticas que seriam tomadas. Ela havia solicitado que gostaria de participar tanto quanto possível. O Dr. Samuels, seu médico, com base na deterioração do seu estado nutricional, indicou a colocação de uma sonda nasogástrica. A paciente imediatamente piscou a mensagem "Não mais!". O médico lhe perguntou se ela sabia que ao tomar tal decisão iria morrer lentamente de fome, caso não autorizasse a colocação da sonda. Ela respondeu "Sim, nada mais!" Esta decisão da paciente dividiu as opiniões da família, que estava sempre presente e lhe dava suporte afetivo. O marido e um dos filhos achavam que ela tinha o direito de ter a sua decisão respeitada, enquanto os outros dois filhos propunham que a sua vida deveria ser mantida. A equipe de enfermagem tinha um posicionamento unânime em aceitar a decisão da paciente, pois achava que ela não deveria ter o seu sofrimento prolongado. A paciente era considerada, até então, como legalmente capaz. Elabore um texto para o caso acima tendo como referência a ética kantiana. Não esqueça dos bons argumentos e dos fundamentos teóricos. Também gostaria de saber a sua posição sobre o tema. R: A ética kantiana se baseia na razão, livre de costumes e de preceitos religiosos. Há dentro de sua ideia de moral duas divisões entre os imperativos: categórico, que é a consciência de alguém sobre realizar determinado ato, e hipotético, que seria a vontade de realizar determinada ação para que este alguém se sinta mais satisfeito. O primeiro determina o que pertence ao âmbito moral. Este impede que ações sejam movidas pelo egoísmo, por meio da lei moral, que é moldada por uma legislação universal. Quando sua determinação é moldada pela lei moral, o homem toma consciência de sua liberdade. Por conseguinte, é essa mesma liberdade que possibilita ao homem a autodeterminação em frente a ação moral. No caso anteriormente, a paciente decide pelo termino de seu tratamento. Essa escolha, pelo ponto de vista kantiano, seria a sua autonomia. Kant fundamentava a autonomia como a liberdade do homem racional para legislar a si mesmo. Ela reivindica a partir desse desejo, exposto pela sua única forma de comunicação não afetada por sua condição médica, a dignidade da pessoa humana. Portanto, considerando, a partir dos pensamentos deste filósofo, que a paciente é racional, comunicou sua vontade, e não foi legalmente interditada, sua vontade deveria ser respeitada e considerada legitima. Ademais, concluo pontuando que concordo com o respeito à decisão desta, pois seu sofrimento não deve ser prolongado se não for seu desejo, refletindo a partir da ideia de que apenas ela tem consciência da dificuldade de continuar com seu tratamento, seus malefícios e seu benefícios, só cabe a ela essa decisão. QUESTÃO 2 CASO Em dezembro de 1998 o governo da Islândia autorizou a empresa de Code Genetics a unificar todas as bases de dados sobre saúde e características pessoais de toda a população do país. Estas bases de dados acumulam informações desde 1915. Em junho de 1999 teve início a constituição do banco de dados consolidando todos os demais. A previsão para o término desta etapa é para junho de 2001. Não foi pedido consentimento informado das pessoas pois as autoridades consideraram que era desnecessário pois a empresa não terá acesso ao arquivo com o nome de cada indivíduo. Desta forma, o banco foi considerado como sendo composto por dados não identificáveis, o que justificaria plenamente a dispensa de autorização individual. A questão que foi levantada por muitos cidadãos e eticistas é a de que não só o nome identifica uma pessoa, todas as demais características poderão servir para identificar cada um dos habitantes em particular. Junatansson H. Iceland's health sector database: a significant head start in the search for biological grail or an irreversible error ? Am J Law & Medicine 2000;26(1):31-67 Vamos ao caso 2. Elabore um texto tendo como referência a ética discursiva de Habermas. Imagine-se como membro de um comitê que precisa responder à sociedade acerca da polêmica acima. Como possível uma resposta a partir da teoria do autor? E como você se posiciona a respeito do caso? R: Habermas defende que há dois momentos principais na ética discursiva: apontar princípios que permitirão resolver o conflito, por meio da razão, e fundamentar esses princípios. Portanto, ao responder os cidadãos e os eticistas, será necessário defender que, apesar de serem dados individuais, a identificação não seria tão simples quanto pelo nome e só seria possível em situações específicas, com finalidade de auxiliar tanto o Estado, quanto a população. O consenso da sociedade deveria ser alcançado por meio da argumentação, que provocaria uma vontade racional, formada de maneira argumentativa. Quanto maior a quantidade de informações, explicadas de maneira clara e coesa, fundamentando-se na legislação, uma vontade universal poderá se formar. Deve-se garantir à população que esses dados terão acesso restrito e estarão seguros no banco de dados, mesmo quando for necessário utilizar-se das informações contidas nele. As características dos cidadãos não poderão ser acessadas sem autorização e sem finalidade justificada. E por fim, por meio da demonstração destes fatos, a confiança do governo em nossa empresa, e com a ajuda técnica de um especialista em sistemas de segurança tecnológicos, validaria minha fundamentação. Em conclusão, adiciono que não acho necessária a autorização individual. O banco de dadas não armazena nomes vinculados a documentos, números de telefone para entrar em contato ou, ao menos, nomes. Poderia ser usado para a segurança nacional, diminuindo listas de suspeitos e auxiliando na busca destes. Acredito, também, que será usado para estudos científicos, o que poderia afetar positivamente a saúde do país. Portanto, se a empresa estiver apta a manter esses dados em segurança e usá-los para fins morais, não discordaria da decisão das autoridades.