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INTRODUÇÃO A ADMINISTRAÇÃO E-BOOK O que é a Administração APRESENTAÇÃO Olá! Nos tempos dos primórdios, quando o capitalismo começou a ganhar força em relação à produtividade, foram identificadas algumas práticas de gestão que se designaram a visualizar a administração como ciência. Nesta época em que as atividades eram voltadas para o sistema fabril, as formas de gestão eram baseadas no empirismo (erros/acertos) em prol do objetivo que era enfatizar os acertos. Posteriormente, com o avanço tecnológico e as conquistas alcançadas, a gestão foi adotando uma posição dentro das organizações. Contudo, até o início do século XX esse ritmo foi lento, considerando a predominância de pequenas organizações. É possível afirmar que após esse período, a história da administração se fez com as ideias de estudiosos com a Revolução Industrial, considerando o avanço tecnológico que fez a passagem da produção artesanal para a industrial. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai ver as principais Teorias da Administração que possibilitam entender a evolução e o cenário da administração na atualidade. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da história e do surgimento da administração.• Identificar a evolução das teorias administrativas até a atualidade.• Relacionar os conceitos de eficiência e efetividade dentro do universo empresarial.• DESAFIO A empresa XY Associadas, prestadora de serviços na área comercial, destaca-se pela forma única de atender seus clientes, sendo reconhecida no mercado em que atua há 20 anos. Com cerca de 50 funcionários, a empresa sempre foi reconhecida pelo método informal de tratar seus colaboradores e pelo clima amistoso no ambiente de trabalho. Nos últimos tempos, com a chegada da nova gestão, que adotou uma linha de trabalho diferente da antiga, a empresa passa a enfrentar dificuldades em relação ao clima de tensão no ambiente de trabalho e um número elevado de pessoas pedindo demissão. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Você, consultor na área de Gestão e Negócios, foi contratado para auxiliar a direção da empresa XY a identificar o que pode estar ocorrendo na empresa e fazendo com que seus colaboradores estejam pedindo demissão. Utilize os conhecimentos adquiridos durante a unidade para construir a sua resposta. INFOGRÁFICO No Infográfico a seguir você vai ver que a administração como é conhecida hoje, resulta de um longo processo que teve a contribuição de diversos estudiosos. As Teorias da Administração evoluíram mais intensamente a partir do século XX. Apesar da diversidade de escolas, elas procuram se completar pois desta maneira disponibilizam diferentes formas de compreensão sobre o processo gerencial dentro das organizações. Assim, atingem o objetivo de aperfeiçoar a empresa sob a ótica do desempenho e dos resultados. CONTEÚDO DO LIVRO No início, as formas de gestão eram baseadas nos acertos e, assim, desconsiderando os erros, em prol do objetivo que era enfatizar os acertos, uma vez que as atividades eram voltadas ao sistema fabril. Posteriormente, com o avanço tecnológico e as conquistas alcançadas, a gestão foi adotando posição dentro das organizações. No capítulo O que é Administração, da obra Teoria Geral da Administração I, você vai ver como a história da administração relaciona-se com as escolas de gestão e os resultados dentro das organizações. Boa leitura. TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO I Clarisse Dias O que é a administração Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da história e do surgimento da Administração. Identifi car a evolução das teorias administrativas até a atualidade. Relacionar os conceitos de efi ciência e efetividade dentro do universo empresarial. Introdução Neste capítulo, você observará que, nos tempos primórdios, quando o capitalismo começou a ganhar força, identificou-se, na produção, algu- mas práticas de gestão que se designavam a visualizar a Administração como ciência. No início, as formas de gestão eram baseadas nos acertos, desconsi- derando os erros, uma vez que as atividades eram voltadas ao sistema fabril. Posteriormente, ao longo do tempo, dos avanços e das conquistas alcançadas, a gestão foi sendo adotada dentro das organizações. Contudo, até o início do século XX, este ritmo foi lento, considerando a predomi- nância de pequenas organizações. Após este período, podemos afirmar que a história da administração se fez de estudiosos junto à revolução industrial, considerando, em suma, o avanço tecnológico que impulsionou a passagem da produção artesanal para a industrial. Evolução das Teorias administrativas Sempre existiu uma forma de administrar, mesmo sendo rudimentar, que contribuiu para o desenvolvimento da Teoria Administrativa de um modo geral, fomentando e alicerçando as conquistas ao longo dos tempos. Um dos primeiros trabalhos sobre a Teoria da Administração foi feito no despertar do século XX, quando os engenheiros desenvolveram trabalhos voltados à Administração. Assim, conhecemos um personagem que podemos denominar de um dos grandes precursores dos estudos da Administração: Frederick Winslow Taylor, que criou a Escola de Administração Científica (1856-1915), a qual propunha a divisão da produtividade, tornando as atividades repetitivas e superficiais. Com isso, obtinha-se um controle do que era reali- zado, premiando o trabalhador que produzisse mais, em menos tempo. Neste período, os trabalhadores eram substituídos a todo momento, pois o que se esperava era que ele produzisse em grande quantidade e em pouco tempo. Não se exigia que o trabalhador tivesse experiência, desconsiderando investimentos em formação e treinamentos, tornando o processo de demissão mais prático. Observamos que, em um primeiro momento, a Administração era tratada como trabalho racional. Posteriormente, foi estendida aos princípios da Ad- ministração, o que considerava a redução de custos, a ociosidade do traba- lhador, entre outros fatores. Neste momento, então, fez-se necessário cativar o trabalhador a colaborar com a organização, gerando lucro e beneficiando-o financeiramente. Neste momento, ainda, o trabalhador era associado ao pro- cesso de trabalhar somente pelo retorno financeiro. É neste momento que ocorre o primeiro passo da Teoria Administrativa, apesar das dificuldades encontradas no decorrer do processo. Assim, enquanto Taylor desenvolvia a sua Teoria, nos Estados Unidos, sobre a Administração Científica (1903), a Teoria Burocrática (1909) evidenciava a organização, adequando-se exclusivamente à racionalidade e à eficiência. Muitos dos as- pectos burocráticos podem ser reconhecidos nos modelos de Taylor e Fayol. Jules Henri Fayol, engenheiro francês, grande precursor da Administração Clássica e autor da Administração Industrial, divulgava o desenvolvimento, abordando a Administração como Gestão Administrativa. A Teoria Burocrática também defende que cada funcionário deve agir dentro da organização, sendo possível que suas emoções possam interferir no desempenho de suas funções. Um modelo de administração o qual admi- nistradores resistiram a adotar. Funcional versus hierarquia versus autoridade O que é a administração2 Enquanto isso, na França, crescia rapidamente a Teoria Clássica da Ad- ministração (1916), liderada por Fayol. Nesse momento, o que se destaca é a realização de tarefas, por parte da Administração Científica, em contrapartida à construção da organização para ser eficiente, por parte da Teoria Clássica. Identificada como um movimento contrário à Teoria Clássica, a Teoria das Relações Humanas (1932) foi criada pelas ideias de Elton Mayo, combatendo o formalismo na Administração. Já a Teoria Estruturalista (1947) chega objetivando a integração das escolasjá mencionadas até o momento, e adota um comportamento moderno às demais escolas quando reconhece que ocorrem conflitos dentro das organizações, e que é preciso rever para o desenvolvimento de ambos. A Teoria dos Sistemas (1951), como o próprio nome já diz, reconhece a organização como um sistema, assim como o meio que esta envolve. Objetiva produzir teorias e formulações que auxiliem na resolução dos problemas da organização. Esse foi o momento em que o trabalhador começou a se preo- cupar com a eficiência de seu trabalho, identificando, assim, o surgimento da Teoria Neoclássica (1954), considerando vantagens e desvantagens que a descentralização proporciona. Uma gestão de sucesso se concretiza quando gerida democraticamente com diretrizes específicas e identificando as particularidades do grupo. Grupo este estimulado por um líder que, além de estar engajado com os objetivos da gestão, também deve pertencer a este grupo. A Teoria Comportamental (1957) foca no comportamento e em soluções democráticas aos problemas organizacionais. Seguindo este ritmo, o Desen- volvimento Organizacional (1962) surge atuando no desenvolvimento das organizações, com pessoas diferentes trabalhando em prol de um mesmo objetivo. Na Teoria da Contingência (1972), apresenta-se que nada é definitivo, tudo é relativo. Nesta Teoria, também se olha de dentro para fora da organização. A Era Clássica (1900-1950) representava o início da Industrialização, momento de regularidades e certezas, onde não eram previstas mudanças, e sim o foco na industrialização. Já nas Novas Abordagens (1990), apresentam-se novas modalidades de Administração, cada uma com suas contribuições para o desenvolvimento e a evolução da própria Administração. 3O que é a administração Nos dias atuais, a Administração é questionada entre ser uma ciência ou uma arte, uma vez que se caracteriza por aspectos da ciência e da arte. Com o estudo detalhado das teorias administrativas ao longo deste capítulo, observaremos as relações dos autores com o perfil do trabalhador. Na administração e em seus processos, as proposições são primárias, mas se com- pletam. Assim, estes processos vão se adaptando, tornando-se vigentes para auxiliar nos dias atuais. Os processos crescem a todo momento, incluindo os níveis hierárquicos da organi- zação, criando um link entre produtividade e capacidade humana. As Teorias Administrativas até a Atualidade Teoria da Burocracia (1909) Quando pensamos em burocracia, automaticamente nos vem à mente um monte de papéis, não é verdade? E nada mais é do que isso mesmo, papéis e mais papéis. Muitas vezes, questionamo-nos por que nossas vidas são movidas a tanto papel. Isso é mesmo necessário? Mas será que não estamos olhando apenas para o lado negativo da burocracia? Para o sociólogo Max Weber, a burocracia trata da maneira ideal para se organizar as empresas. Com isso, através de seus estudos, trouxe um método analítico para entender a Administração, com o objetivo de analisar e des- crever suas características e auxiliar no andamento da organização. O autor defendia a Administração baseada na racionalidade, no trabalho designado, e na relação entre cargos. Weber sustentava, ainda, que existia uma relação entre cargos, e não uma relação entre pessoas, respeitando a hierarquia dentro das organizações. Todas as organizações obedecem a determinados processos, e estes se definem pelas rotinas realizadas dentro da organização, reconhecendo aspectos que definem o caráter legal, formal e racional (divisão de trabalho). Os setores públicos e burocráticos se encantaram por essa maneira de conduzir este tra- balho até os dias atuais, pois ele é feito dentro de processos pré-estabelecidos. O que é a administração4 Teoria Clássica (1916) Iniciada por Fayol, a Administração Clássica determina a gerência administra- tiva, nomeando a organização como estrutura formal de gestão, valorizando as tarefas da organização como processo de descobrimento de um novo propósito de gestão. Na Teoria Clássica, podemos citar princípios básicos, como: autoridade e responsabilidade; divisão do trabalho; norteamento, comando; direção; disciplina; interesses gerais; remuneração; hierarquia; centralização; ordem; equidade; estabilidade dos funcionários; iniciativa; espírito de equipe. Teoria Neoclássica (1954) A Teoria Neoclássica surge com os princípios da Administração Clássica, propondo um resgate e modernizando as ideias de seus autores. Porém, com enfoque em atender o cenário, destacando-se pela racionalidade. A Adminis- tração Neoclássica defende que as ações devem ser planejadas, controladas e direcionadas. A Teoria retoma alguns princípios do que já existia em adminis- tração para um novo processo de abordagem. Como principais características, podemos citar: Prática administrativa: aliar a prática à teoria, fazendo sentido. Postulados clássicos: Teoria Clássica versus Teoria Comportamental. Princípios gerais da Administração: buscar soluções mais práticas. Busca de objetivos e resultados: para que a empresa se torne eficiente. Objetivos Claros → Equilíbrio → Desempenho 5O que é a administração A Teoria Neoclássica aborda o processo administrativo sob dois aspectos principais: enfoque funcional e enfoque processual. Enfoque funcional: os processos são visualizados e estudados de maneira individual, considerando que cada parte deve ser tratada separadamente. Enfoque processual: os processos são visualizados como um todo. Podemos citar três principais características dentro do processo administrativo: continuidade (contínuo); dinamicidade (pode se alterar/ flexível); iteratividade (segue o itinerário). A Teoria Neoclássica mostra como a Administração pode se equilibrar, utilizando características das demais teorias e revelando-se, portanto, eclética. Teoria das Relações Humanas (1932) Ao contrário da Teoria Burocrática, a Teoria das Relações Humanas foca no desenvolvimento humano de seus funcionários, valorizando o trabalhador como indivíduo e analisando o que ele cultiva dentro do ambiente de trabalho. Nesta Teoria, as atitudes do trabalhador se tornam importantes para que a empresa seja bem-sucedida. No início do século XX, Elton Mayo identifica que somente retorno finan- ceiro não tornava o trabalhador mais motivado a desenvolver suas funções dentro da organização. O autor identifica, também, que a satisfação e a produção do trabalhador estavam voltadas a fatores sociais. Com experiências empíri- cas, os psicólogos identificaram que os trabalhadores, ao serem observados, produziam surpreendentemente mais do que o normal. O que é a administração6 Confira no vídeo a experiência de Hawthorne, que aplicou luz em diferentes intensidades a um grupo de trabalhadores. https://goo.gl/aL8NYg Teoria Comportamental (1937) O autor Abran Maslow, psicólogo humanista do início do século XX, acre- dita que todo indivíduo tenha potencial e capacidade para se desenvolver. Segundo ele, o ser humano nasce com determinadas necessidades, e estas vão se colocando em destaque ao longo de seu percurso. Maslow ainda nos traz as motivações de um funcionário em uma organização em relação as suas necessidades primárias: estima; relacionamento; segurança; fisiologia. 7O que é a administração Figura 1. Pirâmide das necessidades. Realização pessoal: realização consigo mesmo. Estima: estágio da confiança, do respeito e da autoestima; respeito mútuo. Necessidade de relacionamento/social: ser aceito em grupo social, fa- mília unida, emprego, relações de amizade; inspirar pes- soas. Necessidade de segurança: necessidade quanto a um grupo. Necessidades fisiológicas: necessidades para sobreviver. Autorrealização Estima Social Segurança Fisiológica O objetivo da Administração em estudar as necessidades se dá na impor- tância de estudar gestão de pessoas. Com isso, os estudiosos se baseiam na Teoria de Maslow,que oferece subsídios para interpretar o que é importante para as pessoas. Em uma organização, o trabalhador busca, em primeiro lugar, satisfazer suas necessidades fisiológicas e assim sucessivamente, como determina a Pirâmide. O ponto crucial para um gestor é descobrir em que estágio da Pirâmide o trabalhador se encontra para que ele adote técnicas a fim de que possam suprir essas necessidades e fazer com que o funcionário se sinta motivado para o trabalho desenvolvido. Maslow aborda, também, que estas necessidades são sequenciais, ou seja, o indivíduo somente vai suprir uma determinada necessidade se a anterior estiver sanada. O que acontece, muitas vezes, é que o trabalhador ainda está em um estágio não suprido, e pode se frustrar se a empresa não conseguir identificar isso. Enquanto gestora, cabe à empresa adotar técnicas gerenciais que possam identificar em que estágio o colaborador se encontra para que as necessidades da pirâmide sejam todas supridas. O que é a administração8 A Pirâmide de Maslow foi criada para as pessoas de forma geral, e não para as organizações. Entretanto, as organizações a utilizam como uma ferramenta colaborativa de gestão para auxiliar no desenvolvimento de seus colaboradores. Teoria da Contingência (1972) Podemos denominar contingência como algo incerto. São elementos que ocor- rem no ambiente em relação aos quais, muitas vezes, não estamos preparados. O ambiente interfere na estrutura das organizações, embora cada orga- nização tenha uma estrutura particular de ação. A Teoria da Contingência afirma que tudo é relativo e que a organização deve estar apta e/ou ter um plano para agir quando estas interferências vierem à tona. Uma das premissas das organizações diz que não há um único jeito de organizar, pois este se dá pelas condições ditadas fora (ambiente externo). As contingências podem ser consideradas como oportunidades de mudanças ou ameaças que venham a influenciar o ambiente interno da organização. A Teoria Contingencial surgiu a partir da necessidade de as organizações se adaptarem às situações externas, influenciando o ambiente interno. Existem quatro tipos de ambientes: Homogêneo: apresenta adesão, entre outros elementos. Heterogêneo: constitui-se de elementos variados. Estável: invariável, firme, seguro. Instável: não tem estabilidade; varia, muda. Sendo as organizações de natureza sistêmica, elas estão todas ligadas ao ambiente externo, assim se dando a importância da Teoria Contingencial. Foi no início do século XX que o autor Abran Maslow, a partir de seus estudos, identificou que os trabalhadores tinham objetivos e necessidades que os faziam agregar valor à organização. Contudo, nos dias atuais, acompanhamos diversas organizações com dificuldade de encontrar as verdadeiras necessidades e objetivos na relação profissional vs. pessoal. Cabe a nós, administradores, interferirmos, auxiliando e guiando na busca do alcance destas realizações. 9O que é a administração Eficiência e efetividade Efi ciência e efetividade são consideradas palavras sinônimas por muitas pes- soas, porém existem diferenças sutis entre elas. Enquanto a efi ciência defi ne a obtenção de resultados através das circunstâncias do meio, a efetividade é perceptível através da percepção do cliente ao meio. Antonio Cesar Amaru Maximiano é professor e pesquisador do Depar- tamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, e autor de grandes obras sobre a Administração, tais como: Introdução a Administração e Teoria Geral da Administração. Ele nos diz que eficiência é a qualidade do trabalho executado com metas planejadas, uma característica positiva no comportamento humano, principalmente de gestores, pois estes desempenham papéis de liderança e estão suscetíveis a todo momento a desenvolver atividades de eficiência (MAXIMIANO, 2017). Ressaltamos, porém, que há outras qualidades para que um profissional seja eficaz, tais como: proatividade, produtividade, liderança, entre outras, mas todas estão atreladas à eficiência. Para Maximiano (2017), a efetividade se caracteriza pelo que é real, estado efetivo, legítimo. Podemos dizer, também, que é aquilo que podemos verificar, que existe e não há como desconsiderarmos. A efetividade na administração está atrelada àquilo que a organização é capaz de atingir através de seus planos e de suas metas, concretizando seus objetivos. No processo administrativo, a efetividade está acentuada no que cada uma das partes envolvidas entrega e na finalidade do que estas deveriam entregar, o valor desta entrega. Quando falamos em uma pessoa, máquina ou qualquer elemento obtendo certo resultado de uma determinada ação, estamos falando de efetividade, um processo de aperfeiçoamento na busca dos melhores resultados a serem atingidos. Como estamos dentro de um meio organizacional, é a busca constante por qualidade no desenvolvimento das ações que esta resulta. A eficiência se acentua normalmente nas áreas onde as ações necessitam dar resultados específicos e controlados, como, por exemplo, no caso áreas empresariais. Com isso, a efetividade da ação busca primeiramente ter acesso aos recursos e procedimentos apropriados que tragam os melhores resultados para a atividade desenvolvida. Nestas áreas, concretizar resultados é crucial, pois isto garante o seu sucesso no negócio. O que é a administração10 Segundo Maximiano (2017), para que um trabalhador desenvolva, com motivação, seu trabalho, independentemente do grau hierárquico que este ocupe dentro da organização, é necessário considerarmos os três “e’s”: eficiência, efetividade e eficácia. Em um primeiro momento, podemos pensar que já sabemos o significado destas três palavras, porém muitos misturam os conceitos e podem interpretar a eficiência, a eficácia e a efetividade em um mesmo bloco de significados. Por exemplo, ao falarmos de indicadores de eficiência, estamos nos referindo ao modo, à forma que utilizamos mínimos recursos para atingirmos os objeti- vos, fazendo as coisas certas. Ao concluirmos que atingimos estes objetivos, dizemos que tivemos eficiência na realização desta atividade. Ao falarmos de eficácia, não nos referimos à utilização de recursos, e sim ao fato de atingir o resultado que havia se proposto, independente da qualidade. Quanto mais eficaz, melhor o resultado, denotando a questão de tempo, qualidade e avaliação desta atividade. O que importa, na eficácia, é realizar a tarefa com o melhor esforço possível. Na efetividade, o conceito é macro, pois nele é descrito se, de alguma forma, o seu objetivo interferiu positivamente, mudando o meio, e qual o seu impacto. Tem a ver com qualidade e satisfação. Está ligado ao que aconteceu depois do processo e em como podemos medir e analisar este processo no ambiente externo. É possível ter eficiência sem ter eficácia? Um exemplo: a construção de um hospital no tempo previsto com a verba destinada, mas este nunca foi inaugurado. A atividade foi realizada com eficiência, mas não teve efetividade. 11O que é a administração Eficiência: está relacionada à atividade meio. Refere-se ao caminho, à metodologia, o como fazer a atividade. Está voltada aos métodos da Teoria Clássica. Eficácia: está relacionada à atividade fim. Totalmente voltada ao produto, ao re- sultado. Executar uma atividade independente da qualidade e no menor tempo possível. Ao atingir o objetivo, estamos sendo eficazes. Evidencia o cumprimento da tarefa designada. Efetividade: está relacionada ao valor agregado. Percorre do alcance da eficiência e da eficácia simultaneamente, trata-se da maneira generalizada a qual a atividade impactou o meio, de que forma transformou o ambiente externo. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017. Leituras recomendadas BASTOS, M. Administração geral: conceito e função. [S.l.]: Portal Administração, 2014.Disponível em: <http://www.portal-administracao.com/2013/10/administracao-geral- -especial.html>. Acesso em: 28 nov. 2017. CARLES, G. H. A diferença entre eficiência, eficácia e efetividade. [S.l.]: Admin. Tron In- formática, 2010. Disponível em: <http://www.tron.com.br/blog/a-diferenca-entre- -eficiencia-eficacia-e-efetividade/>. Acesso em: 28 nov. 2017. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 7. ed. Rio de janeiro: Cam- pus, 2004. Referência O que é a administração12 DICA DO PROFESSOR Quais são as necessidades dos trabalhadores e como motivá-los? Como a motivação influencia no sucesso de uma organização? Entende-se que a motivação procura unir forças direcionadas para que as pessoas tomem iniciativas, direcionando seus esforços para o cumprimento de metas. Na Dica do Professor, você vai ver como as instituições são desafiadas a motivar as pessoas e como pessoas motivadas podem produzir mais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Qual a definição correta para a Administração? Assinale a alternativa correta. A) Trabalhar na busca de seus objetivos. B) Trabalhar em equipe, sem se preocupar com os objetivos da organização. C) Trabalhar em prol da realização dos objetivos profissionais e pessoais, em conjunto com a organização, na busca do desenvolvimento de todos. D) Trabalhar em busca de objetivos pessoais. E) Trabalhar em busca da concretização dos objetivos organizacionais. 2) Qual o objetivo da Teoria Geral da Administração? Assinale a alternativa correta. A) Propor ações e valores que visam à vida das organizações em conjunto com a sociedade. B) Sugerir práticas que regem os níveis das organizações privadas e particulares. C) Auxiliar no desenvolvimento das ações organizacionais. D) Sugerir fatores simbólicos que ocorrem desde o seculo XVIII. E) Propor um conjunto integrado, de administração da organização, baseando-se em teorias e métodos. 3) Na Teoria Burocrática, o indivíduo era induzido a focar na racionalidade e o trabalho se desenvolvia na relação entre cargos. Nessa teoria, era importante apenas realizar suas atividades, não considerando a satisfação dos colaboradores. Nos dias atuais, encontramos essa forma de trabalho em que momento? A) Nas organizações de ordem pública, realizam-se as atividades, respeitando um determinado processo desenhado, já estruturado, não sofrendo alterações do ambiente externo. B) Em organizações privadas que adotam o processo burocrático de forma situacional, considerando o ambiente externo e interno. C) Independente da organização, pública ou privada, respeitando a individualidade e o desempenho das pessoas, além de promover ações de desenvolvimento profissional. D) Nas organizações públicas, respeitando a individualidade e o desempenho de cada pessoa. E) Em diferentes momentos da organização, pois a cada mudança de gestão é adotado um processo simplificado de organizar os processos. 4) Como são definidos os processos administrativos na Teoria Clássica? Assinale a alternativa correta. A) A predominância da gerência administrativa, nomeando a organização como uma estrutura formal de gestão. B) Por ações que devem ser planejadas, controladas e direcionadas. A teoria retoma alguns princípios do que já existia para um novo processo de abordagem. C) Pelo foco no desenvolvimento humano de seus funcionários, valorizando o trabalhador como indivíduo, analisando o que cultiva e cativa o trabalhador dentro do ambiente de trabalho. D) Pelo fato de o ser humano nascer com determinadas necessidades e estas irem se colocando em destaque ao longo de seu percurso. E) Pelo trabalhador buscar, em primeiro lugar, dentro da organização, satisfazer suas necessidades fisiológicas e, assim, sucessivamente. 5) O campo da administração, ao longo do tempo, tem sido aperfeiçoado por meio da evolução das teorias administrativas. Por exemplo, em 1954, surge os princípios da Administração Clássica, com foco na modernização dos ideais de F. Taylor e H. Fayol. Desse modo, nas alternativas a seguir, identifique uma característica da Teoria Neoclássica: A) A prática administrativa. B) A estabilidade dos funcionários C) O caráter legal, formal e racional das organizações. D) O desenvolvimento humano do colaborador. E) As organizações devem se adaptar às situações externas. NA PRÁTICA Atualmente, acompanhamos diversos processos gerenciais, uns com sucesso ao longo de seu desenvolvimento, outros não. Enquanto observadores, estudantes ou gestores, precisamos identificar o modelo que se encaixa melhor dentro de nossa organização, de modo que atenda nossas expectativas e necessidades. Na Prática você vai ver o caso da empresa Corporate Ltda., líder no setor hoteleiro, contratou uma empresa no ramo de consultoria com perfil jovem, Esta decisão tomada foi baseada na perspectiva de prospecção do público jovem para a Corporate Ltda. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Com a experiência, a empresa observou que nem sempre uma organização está preparada para mudar seu processo e para fazer mudanças. É preciso primeiro avaliar todo o seu ambiente interno e externo, suas fraquezas, forças, necessidades e expectativas dos clientes, colaboradores e da empresa. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Qual a diferença entre eficiência e eficácia? Você sabe qual a diferença entre eficiência e eficácia? No vídeo a seguir, você verá a diferenciação desses conceitos no âmbito empresarial. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Eficiencia Eficácia e Efetividade Na dica a seguir, você poderá assistir um vídeo sobre eficiência, eficácia e efetividade que estão associadas à administração. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Teoria Sistêmica ao Conceito de Redes Interorganizacionais: Um Estudo Exploratório da Teoria das Organizações O objetivo deste artigo é de correlacionar a Teoria Sistêmica com as Redes Inter organizacionais dentro da Teoria da Administração. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Funções Gerenciais APRESENTAÇÃO Você sabe qual a função de um gerente e como as funções gerenciais podem influenciar o alcance das metas de uma organização? Diante do cenário em que as empresas vivem hoje, com a alta competitividade, empresas encerrando suas atividades devido a um plano de negócio não estruturado, pessoas sem capacitação para liderar, entre outros fatores, as funções dos gestores tornam-se cada vez mais importantes para o alcance dos objetivos organizacionais. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá como a administração, a partir dos processos gerenciais, pode auxiliar na execução nas atividades de uma instituição, estabelecendo que cada colaborador, independente de seu nível hierárquico, desempenhe suas atividades na busca da realização dos objetivos. Você identificará que o processo gerencial também influencia o comportamento humano, alinhando processos e metas na busca do alcance dos objetivos da organização. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar quais são as funções gerenciais e como elas podem ser percebidas nas empresas. • Relacionar as funções gerenciais com a possibilidade de alcance dos objetivos empresariais. • Analisar como as funções gerenciais se relacionam entre si, de forma interativa.• DESAFIO A empresa familiar SENSATO Ltda., líder no mercado de maquinários agrícolas, atua com cerca de 10.000 funcionários distribuídos por todo o país. Com clientes fidelizados, a empresa atua dentro dos parâmetros tradicionais, titulados pelos administradores da empresa (filhos e netos dos fundadores). Nos últimos cinco anos, a equipe de frente (carro chefe) que atua na venda e prospecção de novos clientes, liderou o ranking de vendas domercado. Entretanto, nos últimos dois anos a equipe de gestores viu suas vendas caírem significativamente. Junto com essa queda, receberam muitas ouvidorias relatando falta de trato e falta de conhecimento do mercado por parte de seus vendedores. Você, gestor de RH, é solicitado para auxiliar na identificação desse problema e sugerir uma possibilidade de mudança. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Considerando seus estudos sobre as funções gerenciais, estabeleça um plano de ação para identificar as causas desse problema e, em segundo momento, um plano para tentar reverter a situação. INFOGRÁFICO Com as constantes mudanças do mercado, hoje, as organizações precisam ser resilientes e estar preparadas para as mudanças. As empresas que adotam essa experiência, acreditam que a troca de informações e as informações geradas pelas pessoas são extremamente valiosas. São experiências próprias da organização, pois a cultura da organização deve enfatizar a gestão de conhecimento, tornando a relação do capital humano e organização em uma constante evolução. No Infográfico a seguir, você verá a importância da gestão do conhecimento nas empresas. Acompanhe! CONTEÚDO DO LIVRO Diante de um cenário competitivo para as organizações, as funções dos gestores tornam-se cada vez mais importantes, uma vez que possibilitam melhorar o planejamento, a execução e o controle das ações de uma organização. Acompanhe a leitura do capítulo Funções gerenciais, da obra Teoria Geral da Administração I, para saber mais sobre a importância do processo gerencial para o sucesso das empresas. Boa leitura! TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO I Clarisse Dias Funções gerenciais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar quais são as funções gerenciais e como elas podem ser percebidas nas empresas. � Relacionar as funções gerenciais com a possibilidade de alcance dos objetivos empresariais. � Analisar como as funções gerenciais se relacionam entre si, de forma interativa. Introdução Neste capítulo, você vai perceber que, diante do cenário em que as em- presas vivem hoje – com alta competitividade ou fechando suas portas devido a um plano de negócio mal estruturado, com pessoas incapazes de liderar –, as funções dos gestores se tornam cada vez mais importantes para a conclusão dos objetivos organizacionais. Com isso, a Administração, em seu conceito de processos gerenciais, visa a auxiliar na execução dessas atividades, estabelecendo que cada colaborador, independentemente de seu nível hierárquico, desempenhe suas atividades na busca da realização dos objetivos. Podemos afirmar que o processo gerencial influencia o comportamento humano, alinhando as metas no cumprimento dos objetivos da organização. Funções gerenciais dentro das organizações O conceito de Administração é amplo, pois são diversas as características que compõem as nuances das funções administrativas. Utilizando os conceitos de Fayol, as funções gerenciais são definidas como os papéis de um gerente, embora elas ocorram nos diversos níveis e setores da organização. Pois se estes processos não se realizam em conjunto, seria impossível imaginar que se concluam com êxito. As funções gerenciais determinam primeiramente: � planejar, organizar, dirigir e controlar; � gerir com eficiência e eficácia; � estabelecer os processos organizacionais em prol de seus objetivos; � compor outras funções em conjunto com as coordenações de produção, financeiro e segurança. Segundo Amorim e Fischer (2013), no artigo A aprendizagem orga- nizacional e suas bases econômicas, podemos apresentar as seguintes definições: Planejamento: caracteriza-se pela forma com a qual as pessoas e as em- presas se relacionam com o futuro. Defendido por alguns autores como uma tomada de decisão precavida, é utilizado para planejar o que se espera do futuro. Para as organizações, o planejamento é fundamental, pois estabelece uma relação que pode acontecer, fazendo com que a empresa faça uma simu- lação de seu futuro. O planejamento consiste em três etapas que se subdividem em outras: 1. Estabelecer os objetivos: é neste momento em que os objetivos devem mostram os pontos desejados a alcançar. 2. Tomar decisões, que podemos subdividir em quatro processos: a) experiências anteriores: estudar o passado e construir o futuro; b) experimentação: estudar alternativas; c) árvore de decisões: serve para tomar decisões e definir qual vai contribuir com mais resultados e menos possibilidades de erro; d) pesquisa operacional: utiliza a matemática, auxiliando na relação das escolhas organizacionais. 3. Elaborar planos: o plano resulta do planejamento e possui correlação entre o processo e a implementação, e subdivide-se em: a) programas (programação); b) procedimentos (métodos); c) orçamento (recursos financeiros); d) regras (mudança de comportamentos). Aplica-se ao planejamento: � definição dos objetivos; � flexibilidade do planejamento (correlação). Funções gerenciais2 Para Drucker (1981), é possível montar o plano teórico com a primeira função, assim completando o planejamento, e iniciando a próxima etapa, que é a organização, conforme apresentamos: 1. Organização: podemos definir como os requisitos externos. Podemos citar como exemplo quando uma organização compra equipamen- tos, aumenta sua estrutura ou contrata pessoas, preparando-se e se planejando. Observamos que as empresas possuem duas funções determinantes: in- corporar recursos (trazer recursos externos) e distribui-los, como recursos materiais, financeiros e tecnológicos. Concluímos, assim, que a organização tem a responsabilidade de montar sua estrutura organizacional. 2. Controle: é a função que determina que os demais recursos e valores funcionem dentro de limites estabelecidos. Esta função também é ava- liada, comparada e medida por seu desempenho, visto se tratar de ações de correção. Podemos definir como funções básicas do controle: a) a legitimidade do negócio (ética); b) controle: centralizado (aprovação de decisões não rotineiras por gesto- res) e descentralizado (aprovação de decisões não rotineiras por níveis hierárquicos médios e baixos). 3. Direção: a função da direção é ativar as pessoas através de procedi- mentos, tais como ordem, comunicação, motivação, coordenação e liderança. Dinamizar o processo é ativar as pessoas ao processo de desenvolvimento, satisfazendo o colaborador e a organização em busca da realização de seus objetivos. O Quadro 1 resume as atribuições em cada etapa. Planejar Organizar Dirigir Controlar Objetivos Recursos Liderança Definir Planos Responsabilidades Fluxos Corrigir Atividades Direção Realizar 3Funções gerenciais Entretanto, para o gerenciamento destes processos, é necessário ser criado um alinhamento organizacional, onde se prevejam que as metas pessoais dos colaboradores estejam em conjunto com as da organização. Assim, estabelecemos a relação de eficiência e eficácia nos processos. Entendemos que uma empresa bem organizada é aquela em que cada colaborador desempenha seu papel com suas atribuições em busca de atender os objetivos propostos. Embora saibamos que não existe uma receita pronta para realizarmos um plano, o objetivo é a busca constante pelo alinhamento destes processos. O cuidado que deve ser adotado dentro das organizações serve ao gestor como uma forma de não se transformar em um “resolvedor” de problemas, e sim o gestor que prevê e cria processos na resolução e na busca do sucesso da organização. Dentro deste alinhamento organizacional, evidenciamos fatores e forças que influenciam nesses processos. Iniciamos relatando duas forças principais citadas na obra de Amorim e Fischer (2013): fatores externos e fatores internos. Fatores externos Podemos denominar como “normas” que a sociedade exige, ou regras, fatores. Estes fatores variam de acordo com cada região.Na maioria das vezes, quando uma empresa se estabelece em uma cidade, faz um estudo para verificar em que nível se encontram estes fatores, como clima, número de habitantes, idade, entre outros. Fatores internos Denominamos como “cultura da empresa”. São suas crenças, seus propósitos e sua missão propriamente dita. A cultura de uma empresa define quem ela é, diferenciando-a das demais. Embora apresentem as mesmas condições físicas, a cultura é algo que se constrói individualmente dentro de cada organização, com a ajuda das pessoas que a compõem. Algumas práticas tornam-se rituais, mantendo a cultura de uma empresa intacta por anos, a ponto de serem executadas automaticamente. Sabemos também que a cultura das empresas é influenciada pelo nível hierárquico de gestores mais antigos. Havendo sindicalização, a cultura cria mais força ainda, fazendo com que as tratativas de alteração se confrontem na busca de mudanças. Funções gerenciais4 Para aprofundar seus conhecimentos, leia o artigo “Competências e funções gerenciais” (UCHÔA, 2012). Administração por objetivos Em qualquer área de nossa vida, seja no trabalho, na família, ou em um grupo social, estamos vinculados a metas e planos para concretizá-los. Referindo-se ao mundo empresarial, existem ferramentas que auxiliam gestores e organi- zações na luta pela concretização destes objetivos, através de ferramentas, indicadores de desempenho, dentre outros. Em um primeiro momento, pode parecer redundante falar da importância de objetivos em uma organização. Entretanto, ressaltamos que, na grande maioria das organizações, a questão referente aos objetivos não é clara, gerando impactos gigantescos no momento da tomada de decisão. Ao falarmos do alcance de objetivos nas funções gerenciais, não podemos deixar de citar Drucker (1981), autor que nos apresenta as primeiras ideias sobre administração por objetivos. Drucker (1981) afirma que o gestor pode ter o controle de suas próprias atividades, realizando um trabalho em conjunto com o seu superior, atrelado ao conhecimento que ele possui no trabalho direto com a equipe. A ideia é fazer com que o gestor se torne mais independente, não sendo necessário requisitar seu superior a cada realização de atividade. Entretanto, o objetivo geral nesta situação não é tirar o poder do superior, mas fazer com que seja um trabalho mais independente, tornando-o superior, um ponto chave dentro da organização, e não o resolvedor de problemas simples do dia a dia. Os gerentes podem ser melhor desenvolvidos ao perceberem que são avaliados de acordo com as atribuições de seu cargo. O crucial é focarmos nos objetivos como algo primordial para o sucesso da organização. Devemos ter o cuidado para que os objetivos pessoais do profissional não ultrapassem a linha tênue dos objetivos da organização. Nos dias de hoje, cada vez mais os funcionários questionam a finalidade e o sentido de seu trabalho. Cabe aos administradores e gestores dizerem que é possível sim trabalhar em conjunto na realização deste objetivo, garantindo o sucesso da organização e o sucesso profissional do trabalhador. 5Funções gerenciais Toda mudança enfrenta algum tipo de resistência, ainda mais dentro de uma organiza- ção onde transitam várias pessoas, cada uma com sua personalidade, identificando e vivenciando o que poderia ser melhor diante da situação apresentada. Podemos definir dois tipos clássicos de pessoas: as que não aderem a mudanças por entenderem que é algo simples que não gera retorno imediato, e as que não as aceitam, pois gostam de trabalhar com o improviso e vão tomando decisões na medida em que as coisas vão acontecendo. O desempenho dos gerentes apresenta características que se mostram além de suas vontades, tais como (CHIAVENATO, 2000): � economia do país; � legislação; � matérias-primas, como produtos importados, safras; � financiamento bancário; � poder aquisitivo. Lembramos que estes fatores também resultam em regras fixas para a organização: quanto mais um gerente estiver preparado, conhecendo as pes- quisas de mercado que influenciaram em sua organização, melhor será seu desempenho. Não há como sermos específicos ao falarmos das funções do gerente. Quanto mais baixo for seu nível de atividade dentro da organização, mais quantificado será o seu trabalho. Um trabalhador operacional terá seus rendi- mentos medidos pelo nível de produção, já o funcionário com cargo elevado terá seu desempenho medido por diferentes fatores, como a tomada de decisão e a visão sistêmica. A realidade dos acontecimentos dos objetivos se dá no momento em que são idealizados e no momento em que ocorrem, devendo apresentar uma crucial importância. Quando se estabelecem níveis de desempenho, pode-se correr o risco de que estes sejam inatingíveis, ou cômodos. Cabe ao gerente definir um nível “intermediário” a ser adotado para se conquistar determinado objetivo, não desanimando a equipe, mas tampouco deixando-os acomodados. É fundamental que os objetivos estejam em comunhão com a proposta da organização. Funções gerenciais6 Quando todo trabalho está alinhado para atingir determinadas condições quanto à qualidade e quantidade, podemos dizer que está de acordo com o princípio da Administração por Objetivos, alinhado ao plano de negócios. O esforço do gestor em dirigir, estipular e estimular ideias inovadoras deve ser medido por sua eficiência e eficácia nas ações. Segundo Drucker (1981), autor precursor da Administração de Objetivos, a ideia central é ser a união entre uma administração visionária com a cultura da organização. Uma das principais vantagens de se administrar com foco nos objetivos é possuir o controle de sua própria empresa. O controle é focado nos objeti- vos a atingir e baseado no desempenho do gestor conforme os objetivos da organização. A administração por objetivos e controle pode e deve ser considerada um estudo da administração, pois a mesma defende o bom desempenho do administrador na ânsia dos objetivos e necessidades pessoais. Isto é liberdade aliada à legalidade da administração. Remetendo este processo aos dias atuais, esta visão de administração por objetivos carrega uma nova esperança aos gestores, resultando no processo determinante do que realmente é importante para alcançar os objetivos da organização. Nos últimos anos, as organizações vêm centralizando informações para agir de uma forma clara nesta relação de objetivos versus organização versus tarefas. Para isso, é necessária a implementação de alguns documentos. Em um primeiro momento, é importante que os gestores desenhem a descrição de funções de acordo com os objetivos, as normas e a cultura da organização (Quadro 2). Esta descrição pode e deve ser atualizada e renovada a qualquer momento, desde que haja uma comunicação da organização. Tarefa Objetivos esperados Prazo Controle Quadro 2. Exemplo de quadro para organização das tarefas conforme objetivos, normas e cultura da empresa. 7Funções gerenciais Alves, Brennand e Soares (2016), no artigo Conectando inteligências múltiplas através de aplicações interativas na formação de gestores nos apontam que podemos definir alguns requisitos básicos que devem constar na elaboração dos objetivos organizacionais, ressaltando que, hoje, uma das maiores preocupações dentro da organização é para que este objetivo não seja vago. Os requisitos básicos podem ser os seguintes: � estipular metas para as áreas que abrange (respeitando as particularida- des de cada área e objetivos individuais em conjunto com a organização/ plano anual); � ser pertinente ao que se pretende atingir (difícil, não impossível); � ser específico (na questão de quanto, quando e como); � mensurar os resultados esperados (uma ideia clara do que se espera). Infelizmente, evidenciamos casos em que há uma divergência de propó- sitos dentro de uma mesma organização, como a de pessoal e legal. Cabe aos gestores alinharem esses processos juntoa todas as áreas para que a visão desses gestores possa precaver situações antes do acontecimento. Fixação de objetivos Para Silva et al. (2016), a política de objetivos é classificada em três níveis básicos, descritos a seguir. Política geral: é determinada com o intuito de estabelecer um processo de alinhamento de todos os objetivos da organização. Compreende-se que cada área tenha objetivos especificamente particulares, entretanto, ressalta-se a importância de estes estarem alinhados em prol da realização e da concretização dos mesmos, visando a atender às expectativas da organização. Política em nível de divisão: nesse nível, os objetivos são verificados após a aprovação dos gestores e dos diretores definidos para cada equipe, determinando o que se refere a cada divisão de área, alocando-os no calendário anual da organização, e avaliando o desempenho de cada divisão. Política em nível de departamento: nesse momento, cada gerente trabalha junto a sua equipe. O gerente pode utilizar recursos de planejamento interno para sua área (relacionados com os objetivos da organização). Considerando os objetivos individuais em quantitativo e qualitativo, estes devem conter uma linguagem simples, porém específica, para que atenda à compreensão de todas as áreas da organização. Funções gerenciais8 Cada modelo de objetivos, plano anual e demais definições de processos gerenciais de uma organização podem ser utilizados por gerentes, gestores e demais colaboradores. Assim que estes forem alterados, todos os envolvidos devem ser sinalizados. Entretanto, mesmo respeitando a possibilidade de alteração, deve-se considerar o envolvimento de todas as partes. Gerenciamento versus concretização de objetivos Conforme Amorim e Fischer (2013), em todas as atividades humanas é im- prescindível citarmos o capital humano. É ele que move todas as ações sociais e organizacionais. Os ativos envolventes, como tecnologia da informação e conhecimento, são determinantes do ambiente externo. Tratam-se de ferra- mentas que necessitam do bem mais precioso de uma organização, o capital humano. Uma organização que possui um alinhamento entre profissionais e tecnologia, terá sucesso certo em seu desenvolvimento. Nos dias atuais, ainda vemos empresas que optam por seguir uma linha de mão única: conhecimento ou tecnologia. É comum identificarmos casos de empresas que detêm o conhecimento apenas em uma pessoa, e quando esta não faz mais parte da equipe, a empresa se vê no prejuízo, tanto para ela quanto para seus clientes. O foco, então, deve ser um trabalho em conjunto de pessoas que buscam atingir um determinado fim. Na construção, na qualificação e no desenvolvimento das competências do profissional dentro das organizações, utilizam-se tecnologias educacio- nais para auxiliar na interpretação do processo educativo corporativo. Tais tecnologias podem ser: � Instrução: estruturação dos processos de aprendizagem de forma simples. Compõem, nesta etapa, objetos e processos que definirão o andamento do curso/atividade, podendo até serem autoinstrucionais. � Treinamento: são eventos que atendem às necessidades organizacionais em um momento determinado, talvez específico. Um programa que também pode englobar, na prática, a vivência de determinada situação, capacitando o colaborador e tornando-o multiplicador do conhecimento adquirido. Para a realização de um treinamento é necessária uma pro- gramação efetiva, evidenciando os pontos a serem trabalhados. � Desenvolvimento: trata-se do grau de aprendizado colaborador/aluno que, através dos processos de aprendizagem, irá nivelar o grau de conhe- 9Funções gerenciais cimento adquirido por parte das atividades realizadas do multiplicador e de seus colegas. � Educação: programas de ação continuada de longa ou curta duração que visam atender um objetivo estabelecido pela organização, disseminar o conhecimento em diversos níveis, profissionalizante, técnico, graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. O foco dentro das organizações são as mudanças, e as pessoas entrelaçam elos com a organização. Isso ocorre no momento em que o indivíduo se iden- tifica com a cultura da organização, referindo-se aqui aos valores, caráter, o que popularmente podemos dizer do “cara que veste a camiseta”. Essas particularidades remetem aos colaboradores a motivação, dedi- cação, segurança e a autorrealização, itens que compõem a pirâmide das necessidades, segundo Maslow. Considerando a complexidade deste processo, citamos que a visão estratégica que um gestor deve ter compõe o processo de tomadas de decisões em ação conjunta para que essas particularidades se concretizem. A competitividade dos dias atuais exige das organizações uma pre- paração além do presente. O uso da tecnologia e de ferramentas técnicas possuem, hoje em dia, inúmeros recursos para satisfazer essa necessidade na organização. A eficiência de um equipamento já não traz tantos resultados a uma organização, senão em comum parceria de profissionais capacitados. Tam- bém ressaltamos que o fácil acesso e as opções ilimitadas a alternativas alinham-se a vantagens e desvantagens. As empresas devem investir na sua capacidade de inovação para liderar o mercado onde atuam, visto que a concorrência é cada vez mais acirrada. Porém, isso deve ser responsabilidade de todos dentro da organização. Este processo pode ocorrer em um trabalho em conjunto com todas as áreas, através de estratégias, evidenciando as mudanças organizacionais. Em cada organização, as formas de comando variam, tornando-se bem- -sucedidas ou não. Com isso, definimos que os estilos pessoais interferem no comando, na cultura e no andamento das atividades da empresa. Tanto as organizações quanto as economias nacionais enfrentam dificul- dades no momento da mensuração dos ativos tangíveis e intangíveis. Com isso, fazem uso de ferramentas ligadas às tecnologias da informação (TICs) (Figura 1). Com estes parâmetros de mensuração, é possível verificarmos se os indicadores estão ocorrendo com eficiência e eficácia junto aos objetivos da organização. Funções gerenciais10 Figura 1. As TICs colaboram sobremaneira no controle dos indicadores da organização. Fonte: Black Jack/Shutterstock.com A inovação impulsiona os processos da organização para com a concor- rência. O conhecimento, ou seja, o capital humano da organização, aliado às novas tecnologias, são ferramentas básicas para o desenvolvimento da empresa. A inovação dentro das organizações voltada à política deve estar relacio- nada ao conhecimento das pessoas. O objetivo deve ser o foco geral em todos os lugares para as funções, processos e desenvolvimento da organização. O aprendizado e a mudança são faces de uma mesma moeda. A sobrevivência de uma organização está aliada ao controle de reter o conhecimento e desenvolver competências, em uma contínua melhoria nos processos. As perspectivas da aprendizagem organizacional estão atreladas aos es- tudos e às pesquisas realizadas no assunto, caracterizando a aproximação destes. Os fatores aqui citados são apresentados por Silva et al. (2016) como determinantes do aprendizado organizacional: � aquisição de conhecimento; � distribuição de conhecimento; � interpretação da informação; � memória organizacional. 11Funções gerenciais Entretanto, há autores que defendem a aprendizagem organizacional com outros fatores, tais como: � experiência institucional; � fenômeno de adaptação; � processo de mudança de pressupostos compartilhados; � processo de relações resultantes de ações e conhecimentos desenvolvidos. Com isso, dizemos que existe um enorme número de estudos voltados à pesquisa do tema aprendizagem organizacional. Apesar disto, identificamos carência de compreensão do mesmo nas organizações. No entanto, em meio a diversos paradigmas sobre o assunto, neste trabalho, a aprendizagem orga- nizacional é tratada com base em três conceitos. Desta forma, concluímos que aprendizagemorganizacional envolve manipu- lação e combinação de conhecimentos, sendo que quando não há engajamento por parte dos membros, torna-se trabalhosa a aprendizagem. Ressaltamos também a importância do ambiente externo no processo das mudanças dentro das organizações, tendo em vista que o mercado se baseia nas adaptações que surgem do ambiente externo. A criatividade para a organização dos processos deve ser liderada, em alguns momentos, de forma paralela (em conjunto) e, em outros, individualmente (entre as áreas). ALVES, R.; BRENNAND, E.; SOARES, I. Conectando inteligências múltiplas através de aplicações interativas na formação de gestores. Gestão & Aprendizagem, João Pessoa, v. 4, n. 2, p. 11-33, 2015. Disponível em: <http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ mpgoa/article/view/30076/15912>. Acesso em: 28 nov. 2017. AMORIM, W. A. C.; FISCHER, A. L. A aprendizagem organizacional e suas bases econômicas. Nova Economia, Belo Horizonte, v. 23, n. 2, p. 329-366, maio/ago. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi d=S0103-63512013000200004>. Acesso em: 28 nov. 2017. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. Rio de Janeiro: Cam- pus, 2000. DRUCKER, P. F. Fator humano e desempenho. São Paulo: Pioneira, 1981. Funções gerenciais12 SILVA, M. D. L. et al. Gestão da produção: estudo sobre a gestão da manutenção na geração de energia e vapor utilizando caldeiras de uma indústria. In: ENCONTRO PARAENSE DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 7., 2016, Belém. Anais... Belém: [s.n.], 2016. UCHÔA, M. Competências e funções gerenciais. Administradores, 17 maio 2012. Dis- ponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/competencias- -e-funcoes-gerenciais/63553/>. Acesso em: 28 nov. 2017. Leituras recomendadas ANTHONY, R. N.; GOVINDARAJAN, V. Sistemas de controle gerencial. 12. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2008. BETIM, L. M.; RESENDE, L. M. M. Aprendizado interativo influenciando no processo de geração da inovação: estudo em um aglomerado produtivo de empresas. Revista Gestão Industrial, Ponta Grossa, v. 6, n. 3, p. 188-202, 2010. Disponível em: <https:// periodicos.utfpr.edu.br/revistagi/article/view/694/539>. Acesso em: 28 nov. 2017. ENDEAVOR BRASIL. PDCA: a prática levando sua gestão à perfeição. [S.l.]: Endeavor Brasil, 2015. Disponível em: <https://endeavor.org.br/pdca/>. Acesso em: 04 nov. 2016. JACOBS, F. R.; CHASE, R. B. Administração da produção e de operações: o essencial. Porto Alegre: Bookman, 2009. PEQUENO, C. N.; CARVALHO, M. G. F.; FONTES, V. M. Redução do consumo de produto químico utilizado em uma linha de produção de uma indústria de pneus. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia de Produção) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. REY, B. Como fazer um brainstorming eficiente. Exame Carreira, 26 jul. 2013. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/carreira/como-fazer-um-brainstorming-eficiente/>. Acesso em: 04 nov. 2016. RODRIGUES, S. Crise: perigo, oportunidade e… papo furado. Sobre palavras. Veja. com, 18 set. 2013. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/ lendo-a-lenda/crise-perigo-oportunidade-e-papo-furado/>. Acesso em: 04 nov. 2016. 13Funções gerenciais Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Qual o papel do gerente em uma organização? As funções gerenciais surgem para desenvolver, tanto a organização, quanto os colaboradores. No vídeo a seguir, você saberá mais sobre as funções gerenciais para o sucesso da organização. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O papel do gerente dentro das organizações, pode ser visto de várias formas por meio de suas funções, papéis e níveis hierárquicos. Assinale a alternativa que define as funções gerenciais segundo Fayol. A) O gerente deve planejar e exercer suas funções, organizar e controlar recursos, bem como dar o direcionamento em acordo com a estratégia. B) Cabe ao gerente exercer as funções de supervisor e os papéis de planejar e controlar, negociar as situações, valorizando as habilidades cognitivas e de relações, envolvendo comunicação e liderança. C) O gerente deve exercer funções de comando e controle: monitor, portador da voz e administrador de conflitos e negociados. D) Exerce funções de planejamento, comunicação e liderança. E) Exerce funções de organização e liderança. Dentro dos aspectos abordados pela Administração por Objetivos, os gerentes têm a preocupação de definir requisitos básicos quando elaboram os objetivos 2) organizacionais. A maior das apreensões é que o objetivo seja vago ou impreciso. Conhecendo esta ansiedade dos gerentes, de que forma se apresentam os requisitos básicos para a elaboração de objetivos? A) Haver uma divergência de propósitos; serem específicos; capazes de mensurar os resultado esperados, e estarem relacionados ao que se pretende atingir; B) Atingir metas da área de recursos humanos; capazes de mensurar os resultado esperados; estarem relacionados ao que se pretende atingir e serem específicos; C) Serem específicos; capazes de mensurar os resultado esperados; estarem relacionados ao que se pretende atingir e atingir metas da área legal; D) Serem específicos; capazes de mensurar os resultado esperados, e estarem relacionados ao que se pretende atingir; E) Estimar metas para as áreas abrangidas; serem específicos; capazes de mensurar os resultado esperados, e estarem relacionados ao que se pretende atingir; 3) Quanto às funções administrativas, considere as afirmativas a seguir: I. A primeira função da administração é a de agir como uma base para as demais funções. Trata-se de um modelo para determinar o futuro das ações. II. A departamentalização pode ser definida por um agrupamento de atividades que visa estruturar as lógicas da organização. III. A função administrativa de controle é composta por tarefas, órgãos, pessoas e relações. IV. Para que os objetivos estejam de acordo com o que esperamos da organização, determinamos que eles estejam ligados pela função controle, a qual assegura que estejam o mais próximos possível. Qual é a afirmativa correta? A) Apenas a alternativa II está correta. B) Apenas as alternativas I e IV estão corretas. C) Apenas as alternativas II e IV estão corretas. D) Apenas as alternativas III e IV estão corretas. E) Apenas as alternativas I, II e IV estão corretas. 4) As responsabilidades existentes em uma empresa definem a estrutura organizacional. Nos padrões de estrutura se estabelecem as atividades realizadas e as estratégias executadas. Com o objetivo de subsidiar e inovar as decisões a serem tomadas, podemos identificar, com base no texto, uma ligação entre: A) Inovação, mercado e mudanças organizacionais. B) Estratégia, estrutura e sucesso. C) Responsabilidade, execução e variações. D) Pessoas, atividades e risco. E) Objetivos, estrutura e responsabilização. 5) Consideramos que a administração é uma ciência relativamente nova, pois foi reconhecida em 1965. Ela exerce papel fundamental dentro das organizações, porém ainda há inúmeras dúvidas quanto ao seu papel, na busca constante da eficiência e eficácia. Podemos dizer que o papel do administrador, resume-se em: A) ser orientador, auxiliando nas decisões e ações da empresa, sem se envolver na rotina da administração. B) acompanhar as atividades realizadas para verificar se foram realizadas conforme o planejado. C) acompanhar todos os processos da organização, verificando-os para definir quais os mais produtivos. D) acompanhar os processos administrativos, revisando todos os processos internos. E) trabalhar para atingir, com excelência, os objetivos da organização, fazendo uso dos recursos disponíveis e considerando o envolvimento do ambiente interno e externo. NA PRÁTICA Entendendo que investir em treinamento dos colaboradores pode ser a melhor forma de melhorar a qualidadedos serviços, uma empresa do ramo de fast food implementou sua universidade corporativa. O objetivo é valorizar as competências de seus colaboradores e atender às necessidades da organização, promovendo o capital humano dentro de sua organização. Além de entender que a educação continuada pode transformar as interações de seus colaboradores, a empresa acredita que a iniciativa será uma maneira de difundir o modelo de gestão da rede. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Competências e Funções Gerenciais Na dica de leitura a seguir, você verá as competências necessárias ao gerente. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerenciamento de operações e de processos: princípios e práticas de impacto estratégico Conheça uma abordagem crítica sobre o gerenciamento de operações e processos, com a leitura da obra Gerenciamento de operações e de processos: princípios e práticas de impacto estratégico. Tipos de Gerente APRESENTAÇÃO Nos últimos anos, o ambiente organizacional sofreu inúmeras mudanças, refletindo nas organizações. Com isso, torna-se significativamente importante o papel do gerente dentro das organizações. Há muitas dúvidas e discussões quanto ao papel gerencial, pois é o perfil do gerente que norteará a organização em prol da concretização dos objetivos. Mas qual é o perfil do gerente que melhor se adapta à cultura da organização? Henry Mintzberg apresenta um modelo de gestão que compõe os perfis de gerentes, bem como as responsabilidades do trabalho do gestor. O perfil do gerente independe da hierarquia e do setor da organização, e está atrelado às atividades que ele desenvolve, o que irá diferenciar o papel e o nível de adequação na realização da tarefa. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá os tipos de gerentes, sua relação com as atividades gerenciais e com os níveis de autoridade e responsabilidade. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar os mais variados tipos de gerentes que atuam dentro das empresas e suas atividades diárias. • Relacionar as atividades gerenciais com os respectivos níveis de autoridade e de responsabilidade. • Explicar o que significa sensemaking e por que ele é importante para os gerentes na atualidade. • DESAFIO A empresa Século, do setor educacional, liderava o mercado nacional na venda de cursos, contando com cerca de dez mil alunos matriculados a cada semestre e uma equipe de vendas com 100 pessoas. Porém, nos últimos três anos evidenciou uma queda em 50% nas vendas de cursos e retenção de alunos, o que estava refletindo na equipe, que já não realizava as atividades com o mesmo entusiasmo e motivação. Com isso, o gestor de vendas, juntamente com a administração e recursos humanos, decidiu contratar a sua empresa de consultoria para identificar as dificuldades enfrentadas na situação que pudessem sanar o problema e fazer com que a equipe voltasse a trabalhar com o entusiasmo de sempre. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Você, enquanto consultor, qual postura adotaria junto à empresa para sanar tais evidências? Liste o passo a passo de suas ações. INFOGRÁFICO Diante da competitividade que as empresas enfrentam nos dias atuais é preciso desenvolver pessoas para a liderança. As organizações devem estar atentas ao perfil de seus líderes, que devem ter uma relação de empatia com o grupo, ao mesmo tempo em que trabalham na concretização de objetivos da organização. O líder também deve orientar e questionar o trajeto da realização das atividades. Veja, no Infográfico a seguir, as funções e a importância de um líder para a motivação da equipe e o sucesso da organização. CONTEÚDO DO LIVRO Na administração de empresas, existem inúmeros tipos de líderes, e os estilos de liderança denominam o comportamento do líder, independente de suas características pessoais. No capitulo Tipos de Gerente, da obra Teoria Geral da Administração I, você evidenciará a importância do relacionamento de seus gestores com seus funcionários e com a organização para o desenvolvimento de todos. Boa leitura. TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO I Clarisse Dias Tipos de gerente Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar os mais variados tipos de gerentes que atuam dentro das firmas e suas atividades diárias. � Relacionar as atividades gerenciais com os níveis de autoridade e de responsabilidade respectivos. � Explicar o que significa sensemaking e por que ele é importante para os gerentes na atualidade. Introdução Neste texto, iremos verificar que, nos últimos anos, o ambiente organiza- cional sofreu inúmeras mudanças que refletiram nas organizações. Com isso, tornam-se significativamente importantes os papéis dos gerentes dentro das organizações. Há muitas dúvidas e discussões quanto à natu- reza desta função, pois é o gerente que tem o papel norteador dentro da organização em prol da concretização dos objetivos organizacionais. A dúvida que nos remete é o real papel do gerente dentro da organização. Conforme Mintzberg et al. (2007) apresentam em seus estudos, essa é apenas uma das muitas dúvidas a respeito do papel do gerente. O autor nos apresenta um modelo de gestão que compõe os papéis de gerente, bem como as responsabilidades do trabalho de gestor. Ser gerente independe da hierarquia e do setor da organização, o que vai diferenciar o seu papel é o nível de adequação na realização da tarefa. Modelos de liderança e suas atividades Por meio de seus autores, a Administração nos apresenta diferentes tipos de líderes. São os estilos de liderança que denominam o comportamento do líder, independentemente de suas características pessoais. Ramos (2014) nos diz que o tipo de líder está ligado à personalidade, enquanto o estilo de liderança está associado ao que o líder faz. O Quadro 1 mostra os três principais tipos de líderes. Autocrático Democrático Liberal � Decide tudo sozinho sem a participação do grupo. � Define rigidamente os processos (das tarefas aos resultados). � Visualiza os colabora- dores como unidades de trabalho. � Decide em conjunto com o grupo todas as decisões. � O grupo define au- tonomamente todas as tarefas a serem realizadas e seus processos. � É o líder que alinha a li- berdade nas decisões individuais e grupais. Age como um orien- tador nas sugestões e ideias para o grupo. Quadro 1. Tipos de líderes. Considerando que a liderança é atrelada às competências de inteligência e ao clima de trabalho, podemos categorizar a liderança em ressonante e dissonante, conforme apresenta o Quadro 2. Ressonantes Dissonantes � Visionário: compartilha visões e so- nhos. É extremamente positivo em situações que exijam uma orientação clara. � Conselheiro: age como relacionador dos desejos do grupo em conjunto com os objetivos da empresa. � Democrático: valoriza que cada um do grupo tem algo a contribuir na ação conjunta de atingir os objetivos da empresa. � Dirigista: busca sempre fazer o seu melhor, mas é pouco comunicativo e apresenta baixa empatia. � Pressionador: é ágil no atingimento das metas com rapidez e qualidade. Porém tem um efeito muito negativo dentro do grupo. Quadro 2. Liderança ressonante e dissonante. Tipos de gerente2 Liderança diretiva: quando a tomada de decisão parte de um único líder. Normal- mente, esse modelo de liderança não prepara seu sucessor. Liderança participativa: é um líder provisório, um líder itinerário ou itinerante. Po- demos dizer que é diretivo, mas não definitivo. Liderança delegativa: é um líder que delega a função de liderança a outro representante. Liderança estilo coaching: é um líder treinador, que estimula o grupo a tomar decisões estratégicas em busca dos objetivosda organização. Os líderes devem ter uma posição impessoal e passiva quanto às metas da organização, pois apesar de estarem liderando pessoas em prol dos objetivos da empresa, também estão sendo avaliados pelo desempenho de suas funções. A partir das necessidades e dos sonhos da organização, nascem as metas ligadas à sua história e à sua cultura. O trabalho é considerado, pelos líderes, um processo rotineiro que permite a interação de pessoas e a tomada de decisões. Neste momento é que se pode negociar, barganhar, usar recompensas e demais formas de interação, de acordo com o papel que cada pessoa desempenha no processo. Os líderes também devem ter cuidado na relação estabelecida com o grupo, para que o emocional não afete significativamente o desempenho das tarefas. Não se considera negativo esse tipo de liderança, mas necessário. Atualmente, acompanhamos inúmeros modelos de liderança no mercado, com sucesso ou não. O papel do líder é conservar o principal valor da empresa em menor tempo e custo. Para Ramos (2014), a liderança é uma grande conquista para as organiza- ções. O administrador deve ser um líder nato para nortear os funcionários que o acompanham, como forma de influenciar pessoas em busca do objetivo esperado, auxiliando na modificação de seu comportamento e o meio no qual atuam na busca de atingir os objetivos de ambos. O gerente também deve ter em mente que as pessoas devem ser vistas como colaboradoras do processo, e não subordinadas, pois os funcionários atuam junto aos seus líderes na conquista de metas. Na liderança visionária, a preocupação central é o futuro e o fato de poder correr riscos. Os líderes que partem dos princípios visionários não dependem 3Tipos de gerente do recebimento dos processos detalhados que devem ser realizados. A liderança visionária garante viabilidade a longo prazo. Contudo, as empresas geridas por visionários correm mais riscos de fracassar no curto prazo, pois os líderes estão mais dispostos a correr riscos, considerando mais seus objetivos do que os reais valores da empresa. Sempre preocupados em utilizar a criatividade, a inovação e a tecnologia, não aceitam desculpas quanto a colocar a empresa em um novo formato, quando julgam ser considerável ao sucesso desta. Ao iniciar um trabalho neste modelo de liderança, a identidade empresarial parte do que se está sendo construído, pois o futuro não é garantido. A insta- bilidade é parceria certa neste modelo, pois não há como prever os percalços do caminho. Este modelo desagrada muitas pessoas por ser desconhecido e aventureiro. Porém, quando atinge os objetivos esperados, é líder no quesito sucesso. Nos dias atuais, o que vemos no comportamento das empresas são estas fazendo um link com este modelo de liderança visionário, em contrapartida com o modelo democrático, atendendo seus diferentes públicos. Entre- tanto, com um único objetivo: cativar, fidelizar e concretizar os objetivos organizacionais Comparando as lideranças Diferentemente dos gerenciais e dos visionários, os líderes estratégicos são sonhadores e lutam para concretizar seus objetivos. Um líder estratégico procura agregar mais valor no decorrer dos processos realizados. Quando a junção desses dois modelos de liderança acontece, é agregado valor tanto para o profissional quanto para a organização, ou seja, todos ganham nesse momento. O indivíduo que possua sinergia e qualidades visionárias e gerenciais potencializará um grau considerável de realização para a empresa. Conforme Salles e Villard (2017), o que destaca os líderes estratégicos dos demais é o comportamento ético, um modelo de gestão muito raro de ser encontrado dentro das organizações. Ainda para os autores (2017), é necessário que haja um bom relacionamento e envolvimento entre estes diferentes mode- los de liderança, pois é neste envolvimento que podem ocorrer a partilha de conhecimento e a troca de experiências em busca da realização dos objetivos em comum. O Quadro 3 nos mostra alguns tipos de liderança, conforme Ramos (2014). Tipos de gerente4 Liderança estratégica Liderança visionária Liderança gerencial � Decisões baseadas em valores. � Estratégias a longo prazo. � Apresentam características otimistas. � Consideram a estratégia o ponto principal. � Pensamento linear e não linear. � Apresentam proatividade. � Ocupam cargos de alto risco. � Têm um relacionamento empático com o grupo. � Influenciam as pessoas. � São multifuncionais e integradores. � Baseiam-se em valores. � Atentam-se ao conhecimento. � Pensamento não linear. � São conservadores. � São facilitadores. � Acreditam na importância dos processos conservadores. � Influenciam as pessoas. � Atuam em áreas funcionais. � Nem sempre tomam decisões baseadas em valores. � Têm pensamento linear. � Fazem escolhas baseadas nos ambientes interno e externo. Quadro 3. Tipos de liderança: estratégica, visionária e gerencial. Aprofunde seus conhecimentos lendo o texto “Competências do gestor/gerente/ administrador: seus diferentes tipos e seus papéis” (VIEIRA, 2013). Liderança nos tempos atuais As empresas precisam de líderes competentes para atuar e motivar o desenvol- vimento de pessoas. Como já vimos anteriormente, a liderança é um requisito básico para o sucesso de uma organização em qualquer momento. Quando há turbulência, a liderança é o diferencial para o fracasso ou o sucesso de uma empresa. Podemos definir liderança como a influência de alguém sobre 5Tipos de gerente o comportamento de um indivíduo ou grupo com qualquer finalidade, sendo exercida para objetivos de terceiros ou objetivos organizacionais. Com o atual momento organizacional, as empresas estão se desmembrando e reconstruindo a maneira como são dirigidas, formando novos grupos, con- duzidos por profissionais focados em determinados processos, propondo-se a atingir o que a empresa busca com inovação, tecnologia e formas diferenciadas de gerenciamento. A liderança deve aprimorar o trabalho de homens e de máquinas, melho- rando a produção; deve fazer com que as pessoas sintam orgulho na realização de seu trabalho; deve procurar sanar as dificuldades e realizar o melhor trabalho em menor tempo. Neste contexto, o papel do gerente entra como norteador do grupo na realização dos processos. As responsabilidades do líder vão além, atuando através de ferramentas, conhecimentos, visualizando o desempenho de seu grupo e identificando se estes estão correspondendo ao sistema de gestão da empresa, pois o líder deve ser o que visualiza a melhoria do grupo na atuação das tarefas. Assim, há redução de problemas para as pessoas e a empresa. Em algumas organizações, a liderança é até mesmo mais importante que o processo estratégico, pois é o líder quem irá conduzir as pessoas na realização dos demais processos. É neste momento que a empresa deve estar atenta ao perfil dos líderes de suas operações, pois partirá deste o sucesso ou o fracasso na realização das tarefas. No cenário atual, as empresas enfrentam uma luta árdua na busca de seus profissionais, e estes, muitas vezes, enfrentam a mesma luta em busca de aperfeiçoamento para responder às exigências determinadas pelos cargos. As pessoas e as organizações estão constantemente sujeitas a um grande número de situações, com o intuito de sanar suas dificuldades e manter o andamento natural, a necessidade de pertencer a um grupo social reflete nas pessoas o desejo de autorrealização. O principal motivo que faz com que as pessoas ajam de determinada maneira se dá pela origem de comportamentos sociais e físicos, pois as pessoas buscam o poder do status, julgando afetar o processo de sua autoestima. A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), apresentada por Gomes, Gomes e Magalhães (2016), distingue-se pelo respeito às pessoas. Assim, as organizações precisam de pessoas motivadas e felizes para alcançar os níveis desejados de qualidade e de produtividade, e aQVT garante o pleno sucesso da organização. As pessoas evoluem pelos costumes, necessidades e regras da sociedade ou de determinado cunho organizacional. Estas mudanças são substanciais, Tipos de gerente6 influenciando a sociedade na obtenção ou na manutenção de novos compor- tamentos. Quando estas mudanças são radicais, produzem comportamentos através de gerações. Os conceitos socioeconômicos, junto à tecnologia, são predominantes neste processo de mutação. A sociedade é composta de orga- nizações de pessoas que produzem serviços e produtos, e de pessoas que os consomem, compondo a constante mudança e adequação ao mercado. Assim, as diversas necessidades compõem as realizações pessoais, morais ou coletivas. Estas necessidades físicas, intelectuais ou morais desenham a evolução social e a aquisição de demais conhecimentos em prol das atualizações constantes. Ressaltamos ainda que, para dirigirem, liderarem ou administrarem as or- ganizações, as pessoas precisam ter e respeitar regras sociais, econômicas e jurídicas, para que possam resolver as diferentes situações que devem aparecer no decorrer do caminho, e cumprirem seus objetivos. Determinadas regras e teorias são aplicadas e desenvolvidas para mostrarem a realidade prática e objetivar, às organizações, na metodologia da conquista dos objetivos. Para Gomes, Gomes e Magalhães (2016), a forma que apresenta as mudan- ças positivas sociais que contribuem para a organização e envolvidos, exige atitude de ambas as partes. As mudanças só serão possíveis com postura e atitude no conceito organizacional disciplinar. Para alcançar os objetivos, as funções dos produtos são desenvolvidas, assim como as da sociedade e as dos fatores econômicos. É preciso estar preparado para as mudanças, pois a imprevisibilidade age em constante mutação. Identificar as ações que auxiliam o futuro é estar liderando a competitividade. Sabemos que, como qualquer organização, uma empresa tem uma missão, visão, uma razão para existir. O objetivo funciona como norteador compor- tamental canalizando todos os esforços, desde financeiros, tecnológicos, mercadológicos, chegando aos esforços humanos, que estão alinhados a um objetivo maior, porém possui como primeira tarefa controlar o foco de todas as áreas neste processo. Tal processo inicia-se no momento de contratar estes profissionais, onde procuram-se os mais preparados para corresponderem à missão da empresa, pois a organização visa buscar profissionais que completem seus objetivos e que ajudem a buscar novos. O trabalho da Administração, junto aos líderes organizacionais, é a gerência de todos os processos, cumprindo com desempenho e responsabilidade os processos organizacionais, para que todos trabalhem com satisfação. Man- tendo o equilíbrio entre todas as partes envolvidas, estes pontos podem ser abordados com o apoio dos Recursos Humanos, com projetos que satisfaçam os interesses de todos. 7Tipos de gerente Os Recursos Humanos auxiliam os processos de gerência, pois estão sempre visando ao desenvolvimento do capital humano da organização, evidenciando o maior nível de eficiência e eficácia, com isso lucrando e objetivando na realização das atividades, resumindo-se em auxiliar para que a organização atinja seu propósito, seja ele qualquer que possa ser. O capital humano nas organizações tem função primária, conforme apresen- tada por Gomes, Gomes e Magalhães (2016). Após isso, os gestores devem focar sua atenção nos demais processos. Com esta tendência no mundo corporativista, o objetivo é o de obter a valorização das pessoas como fator predominante dentro da empresa. Tal realidade chocaria na época da revolução industrial, já que o principal fator considerado era o tecnológico, e não o humano. Compreende-se, hoje, que a globalização é predominante na mudança da sociedade, o que impulsiona diretamente na capacidade de informações adquirida pelas pessoas. Com isso, definimos este ponto de partida da informação, com os Recursos Humanos realizando suas atividades, recrutando, estruturando e qualificando as pessoas. Os Recursos Humanos, junto aos demais setores, é primordial quando possui projetos planejados e estruturados, pois denomina toda a importância da organização para os colaboradores, gerando conhecimento formal e informal, além de os motivarem para o desenvolvimento de todos. Saiba mais quanto aos estilos de lideranças no meio organizacional lendo o texto “Liderança: o dia a dia e a evolução nas habilidades de liderança” (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2017) Tipos de gerente8 Sensemaking: um auxílio para as lideranças atuais As ferramentas de gestão organizacional objetivam satisfazer e sanar dúvidas e conhecimentos dos colaboradores dentro da organização. Também fomentam e potencializam a ação do ambiente interno e externo sem surpresas desagra- dáveis ao longo do caminho. As ferramentas organizacionais nada mais são do que precursores no desenvolvimento e informação ágil para a organização. Conforme nos apresenta Ramos (2014), o sensemaking é um termo que vem sendo estudado há cerca de trinta anos. Trata-se de “fazer sentido”, o que pode gerar significado para as pessoas e para a organização. É utilizado dentro das empresas como mais um método de aceleramento e habilidade na comunicação. O sensemaking ganhou espaço nas organizações por ser uma fonte de aprendizado, onde as pessoas compartilham conhecimento e ideias através de ferramentas interativas. Utilizado anteriormente como ferramenta de medicação, já percorre hoje os caminhos empresariais Apresentamos sete características para melhor definir o sensemaking: � construção de identidade; � retrospecção e experiência; � ambiente sensível; � sociedade; � continuidade; � pistas extraídas; � plausibilidade. Tais características defendem o pensamento de que não há uma sessão par- ticular onde ideias e conhecimento fiquem limitados à estrutura da empresa, e sim um nível elevado de compartilhamento que está cada vez mais dominando o mercado. O sensemaking também define que o indivíduo não faz somente parte da organização, da sociedade, e sim de mais grupos compartilhadores na resolução de qualquer situação. Com isso, a interação consolida a base social, justificando a importância da identidade do indivíduo. O mundo está em constante evolução, remodelando e modificando signi- ficados nas organizações, este impacto é gigantesco, o sensemaking, então, auxilia, sendo um processo contínuo. Nesta continuidade é que as pessoas aproveitam para verificar os sinais para a obtenção dos objetivos organizacio- nais. Ainda conforme Ramos (2014), dentro das organizações, o sensemaking é 9Tipos de gerente caracterizado como uma vantagem competitiva perante as demais, entendendo processos, compartilhando conhecimentos e informações. Enquanto a organização estabelece uma relação de generalização e ins- titucionalização com a sociedade, o sensemaking estabelece a relação de informação e transporte de informação. Nas empresas atuais, visualizamos o sensemaking atingindo o que seria inatingível através de meios tradicionais. Pois com o nível acelerado de transformações que o mundo vem sofrendo, as organizações devem utilizar de todos os meios possíveis para as atualizações. O que oportuniza o sensemaking dentro das organizações são as rupturas evidenciadas pelo ambiente interno e externo, caracterizadas também como experiências no cotidiano empresarial. Existe uma linha tênue que predispõe as insatisfações ou satisfações com as condições atuais. Sensemaking dentro das organizações: � Carga de informações: quantidade de informações. � Complexidade: nível de interpretação. � Turbulência: situações do ambiente. Conforme o nível de adequação aumenta, as pessoas procuram meios de gerenciar e sobreviver às situações através da segmentação de informações. Essas características atuam no ambiente organizacional como precursores no funcionamento contínuoque determina as ocasiões para utilização do sensemaking. Conheça mais sobre o universo do sensemaking no site: https://goo.gl/Y9e5o8 Tipos de gerente10 Sensemaking dentro das organizações As organizações são vistas como mediadoras para a construção de sentido, que nivela o fluxo de informações nas rotinas organizacionais. Ressaltamos também que, na rotina diária, as organizações estão em constante mudança, com o auxílio das pessoas, fazendo sentido as informações recebidas, ordenando-as, gerando significado ao fluxo compartilhado de informações. O sensemaking age dando espaço às histórias na construção de uma intera- ção cotidiana, gerando, compartilhando e agregando conhecimentos e valores às pessoas e às organizações. Para identificar, conhecer e vivenciar o contexto organizacional, faz-se necessário conhecer os sentidos compartilhados quanto ao contexto. Desta forma, o sensemaking auxilia o processo de gestão e de geração de conhecimento para as organizações. As organizações nos dias atuais têm a necessidade de estabelecer proces- sos de comunicação, tanto em seu ambiente externo quanto interno, autores defendem esta necessidade empresarial. O sensemaking, neste contexto, age como ferramenta transmitindo valor e contextualizando a interpretação das pessoas no modo de gerar o conhecimento necessário, definindo como uma atividade, ou uma definição de objetivo. O sensemaking se constrói diariamente dentro das organizações, resigni- ficando a rede estruturada, pois a mudança depende das pessoas envolvidas e dos valores compartilhados. Mudança organizacional e sensemaking A mudança dentro das organizações acontece tanto no curto quanto no logo prazo, e impacta os processos organizacionais da mesma forma, com transfor- mações que envolvem todos os agentes e aspectos estruturais, tecnológicos e comportamentais. Estas mudanças de qualquer natureza interferem de forma positiva ou negativa na sustentabilidade organizacional. Conforme Ramos (2014), o sensemaking e o sensegiving agem em parceria, evidenciando os níveis organizacionais em uma dinâmica relação no envol- vimento de todos os membros da organização. Esta relação destaca o caráter social dos membros da organização, ao mesmo tempo que sua integração nas dinâmicas de arranjos de decisões de ideias. Podemos dizer que a criação gera informação e os processos se adaptam, evidenciando critérios que se constroem com experiências atuais e passadas, 11Tipos de gerente assim como uma retenção de armazenamento, integrando informações aos processos relacionados através de alguns agentes que se caracterizam: � agentes que tomam decisões de mudança; � os que têm a visão de organização; � os que interpretam das mudanças. Há outros agentes que auxiliam nas mudanças organizacionais, também estes de cunho político e público. Considerando o processo de mudanças organizacionais, podemos dizer que a flexibilidade contribui como agente das mudanças, possibilitando que as mudanças ocorram para potencializar o sucesso da organização, deixando-a atualizada com o que ocorre no mercado externo e interno. Em relação às mudanças, ainda comentamos que a crise é um agente que responsabiliza determinada cobrança ao sensemaking, pois pode desafiá-lo a alterações que ameacem os objetivos da organização. Neste contexto é que ressaltamos que o sensemaking deve estar adequado às situações externas que venham a ocorrer. Por fim, as mudanças ocorrem para evidenciar o preparo das organizações e possibilitar seu desenvolvimento na rotina dos processos diários. GOMES, J. S.; GOMES, J. A. S.; MAGALHÃES, M. N. Estudo das características básicas dos sistemas de controle gerencial em empresas internacionalizadas no setor de serviços em T.I. Latin American Journal of Business Management, São Paulo, v. 7, n. 2, p. 50-72, jul./dez. 2016. Disponível em: <http://lajbm.net/index.php/journal/article/ view/352/175>. Acesso em: 28 nov. 2017. MINTZBERG, H. et al. O processo da estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2007. RAMOS, P. W. A influência do sensemaking organizacional na prática da comunica- ção interna. 2014. 77 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Relações Públicas) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014. Disponível em: <http:// www.acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/39501/A%20influencia%20do%20 sensemaking%20organizacional%20-%20Pamela%20Woinarovicz.pdf?sequence=1>. Acesso em: 28 nov. 2017. Tipos de gerente12 SALLES, M. A. S. D.; VILLARDI, B. Q. O desenvolvimento de competências gerenciais na prática dos gestores no contexto de uma Ifes centenária. Revista do Serviço Público, Brasília, v. 68, n. 2, p. 467-492, abr./jun. 2017. Disponível em: <https://revista.enap.gov. br/index.php/RSP/article/view/795/1067>. Acesso em: 28 nov. 2017. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Liderança: o dia a dia e a evolução nas habilidades de liderança. [S.l.]: SEBRAE, 2017. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-dia-a-dia-e-a-evolucao- -nas-habilidades-de-lideranca,cbeea5d3902e2410VgnVCM100000b272010aRCRD>. Acesso em: 28 nov. 2017. VIEIRA, C. A. B. Competências do gestor/gerente/administrador: seus diferentes tipos e seus papéis. [S.l.: s.n.], 2013. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/antoniobbezerra/ os-papeis-do-gerente-administrador-tipos-e-papeis-adm-fap-faculdade-paraiso-do- -cear>. Acesso em: 28 nov. 2017. Leituras recomendadas ALVES, W. R. et al. Controle gerencial em empresa multissetorial: discussões em uma unidade de negócios. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS, 23., 2016, Porto de Galinhas. Anais... Porto de Galinhas: [s.n.], 2016. Disponível em: <https://anaiscbc. emnuvens.com.br/anais/article/view/4171/4172>. Acesso em: 28 nov. 2017. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. São Paulo: Atlas, 1999. DIÓRIO, H. C. P. O papel e a importância dos líderes nas organizações. 2008. 67 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Gestão Estratégica de Recursos Huma- nos) – Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008. Disponível em: <http://www.der.mg.gov.br/images/TrabalhosAcademicos/ heloisa%20costa%20pacheco%20diorio%20monografia.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2017. ESPÍNDOLA, R. Tipos de liderança: quais os tipos e como funcionam? [S.l.]: Edools, 2017. Disponível em: <https://www.edools.com/tipos-de-lideranca/>. Acesso em: 28 nov. 2017. PAPEL dos gerentes. In: DA ESCOLA clássica ao modelo japonês. [S.l.: s.n., 1990?]. cap. 7, p. 133-154. Disponível em: <http://200.17.137.109:8081/novobsi/Members/angela/ Capitulo%207%20-%20papel%20dos%20gerentes.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2017. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Liderança: quatro pontos sobre liderança que todo empreendedor deveria saber. [S.l.]: SEBRAE, 2017. Disponível em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/quatro- -pontos-sobre-lideranca-que-todo-empreendedor-deveria-saber,ad3407e83acb65 10VgnVCM1000004c00210aRCRD>. Acesso em: 28 nov. 2017. 13Tipos de gerente DICA DO PROFESSOR Você sabe quais são as características de um bom líder? A função do líder é fundamental para cativar, motivar, desenvolver e liderar pessoas dentro da organização. No vídeo a seguir, você verá quais são os tipos de gerentes e as características de uma má liderança em uma empresa. Acompanhe. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Com o intuito de reforçar a liderança como uma maneira de incrementar tarefas, tais como aperfeiçoar a produção por meio do trabalho de homem e máquina; fazer com que as pessoas sintam orgulho na realização de suas tarefas; resolver suas dificuldades e realizar o melhor trabalho em menor tempo. Este contexto define que o papel do gerente é: A) Centralizador do grupo na realização dos processos. B) Orientador do grupo na realização dos processos. C) Moderador dos conflitos hierárquicos que ocorrem nos diferentesníveis organizacionais. D) Realizador das tarefas pertencentes aos processos. E) Demagogo em resolver conflitos de convivência. 2) O líder atual necessita compreender que as mudanças positivas sociais contribuem tanto para as organizações assim como para os indivíduos, entretanto esta compreensão exige atitude de ambas as partes. Dentro deste ambiente qual deve ser o papel do líder em ambientes mutáveis? A) Identificar ações passadas ocorridas em outras empresas. B) Enfrentar as mudanças de forma reativa; C) Estar preparado para as mudanças; D) Transferir a tomada de decisão para o grupo; E) Se preocupar com o "status quo" do seu cargo de liderança; 3) Dentro das organizações, os líderes são vistos como mediadores para a construção de processos, que nivela o fluxo de informações nas rotinas organizacionais. Ressaltamos também que na rotina diária, as organizações estão em constante mudança, com o auxilio das pessoas, fazendo sentido às informações recebidas, ordenando-as e gerando significado ao fluxo compartilhado de informações. Com isso, o sensemaking chega com o objetivo de: A) O sensemaking ganhou espaço dentro das organizações por atuar como uma ferramenta que auxilia o processo de compartilhamento de informações, conhecimentos e ideias das pessoas e da organização. B) Um instrumento utilizado para agregar valor às organizações. Uma empresa que não o utiliza, não tem sucesso. C) Uma ferramenta utilizada apenas por gerentes que tem cargos de liderança dentro da organização. D) Um mecanismo adotado em casos extremos, onde há possibilidade de crescimento. E) Utilizado em empresas de TI com o objetivo de reorganizar os processos de linguagens organizacionais. 4) Maria lidera uma equipe formada por 45 colaboradores na empresa “gerenciando futuros”. Ao ser questionada acerca do tipo de liderança que exerce na cotidianidade organizacional, Maria ficou em dúvida para responder corretamente. A partir disso, com vistas a ajudá-la nesta tarefa, o CEO desta empresa mostrou-lhe as seguintes possibilidades de resposta: liderança autocrática, liderança democrática, liderança liberal. Maria, no entanto, desconhece a descrição destes tipos de liderança. Ajude Maria nesta tarefa, escolhendo, abaixo, a alternativa que contempla a relação CORRETA entre o tipo de liderança e a descrição pertinente: A) Liderança democrática: oportuniza participação, as tomadas de decisão são realizadas em conjunto, com a participação do grupo. B) Liderança democrática: percebe os colaboradores como unidades de trabalho. C) Liderança liberal: define com rigidez os processos de trabalho, desde a delegação de tarefas até o atingimento dos resultados. D) Liderança liberal: toma as decisões sozinho, sem a participação do grupo, centralizador. E) Liderança autocrática: neste tipo de liderança, o líder atua como orientador, oportunizando certa liberdade para as decisões individuais e grupais. 5) Uma má liderança pode ser identificada por falta de credibilidade dos liderados perante seu líder, além de não existir uma relação de empatia entre ambos. Podemos citar como características de uma má liderança: A) não modificar a maneira de administrar, buscar a perfeição, focar em preço baixo e comprometer todo o dinheiro no início do negócio. B) escolher pessoas com determinado perfil e fazer um processo seletivo rápido. C) designar pessoas específicas para realizar determinados processos e solicitar sempre prazos extras antes de iniciar as tarefas. D) não observar os prazos antes de iniciar as tarefas. E) tratar a equipe como receptores de informações e apresentar os resultados das atividades individualmente. NA PRÁTICA A empresa brasileira de cosméticos O Boticário iniciou suas atividades como uma pequena farmácia de manipulação no centro da cidade de Curitiba. Se não fosse a visão do presidente e fundador, a empresa passaria despercebida. Hoje, são mais de 2.400 lojas no Brasil, com um faturamento estimado em 700 milhões. Na década de 70, as farmácias vendiam apenas medicamentos. No entanto, seu fundador, observando as necessidades potenciais de cada pessoa, já identificava outro nicho de mercado, a partir de produtos dermatológicos com fórmulas prescritas por médicos. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O que é ser gerente? Qual a função? Quais os papeis? O que um gerente faz? O que é ser gerente? Quais são os seus papéis? No vídeo a seguir você verá as funções do gerente e a sua importância para as organizações. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! TI, Habilidades e Papéis Gerenciais APRESENTAÇÃO Vivemos em um mundo altamente competitivo, de mudanças e incertezas. A informação e as ideias substituíram as máquinas; a globalização derrubou barreiras, ampliou os mercados e a concorrência; os clientes estão cada vez mais exigentes e a sociedade passou a exigir o comprometimento das organizações com a responsabilidade social e ética e novas tecnologias surgem a cada dia tornando-se obsoletas rapidamente. Essas mudanças geram novas necessidades, fazendo com que as organizações se tornem cada vez mais complexas e, dependam cada vez mais de uma administração de qualidade que garanta seu crescimento e seu sucesso no mercado. Nessa Unidade de Aprendizagem você vai ver o conceito de habilidades, papéis gerenciais e a diferença entre eles. Além disso, irá identificar as competências requeridas para uma gerência eficaz e a importância da Tecnologia da Informação no gerenciamento das empresas. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Diferenciar habilidades de papéis gerenciais.• Reconhecer a importância desses conceitos para a competência dos gestores. • Construir um perfil gerencial que esteja adequado à realização das funções que os gerentes irão exercer. • DESAFIO Maria foi convidada para assumir a administração da empresa de sua família, que nos últimos anos vem apresentando uma queda preocupante na produção. Os funcionários estão desmotivados e insatisfeitos, o que influencia negativamente no desempenho deles. Coincidentemente, essa queda iniciou quando houve a troca de gerente. Sabendo que você é conhecedor de papéis gerencias e competências, Maria está lhe convidando para prestar uma consultoria nessa área. O que você faria para modificar esse quadro? INFOGRÁFICO Você sabia que as habilidades gerenciais podem ser aprendidas e desenvolvidas? Veja no Infográfico a seguir, quais são as habilidade importantes e ao que elas se referem. CONTEÚDO DO LIVRO O mundo atual é marcado por mudanças e pela alta competitividade, exigindo maior capacidade de adaptação das empresas e dos profissionais. Nesse contexto, surge a necessidade de aprimoramento da gestão, pois as formas clássicas de gestão, rígidas e precisas, já não atendem às novas demandas, assim, torna-se necessário que os profissionais desenvolvam suas habilidades e busquem novos conhecimentos e aptidões que os tornem capazes de atuar em diversas áreas. Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema, faça a leitura do capítuloTI, habilidades e papéis gerenciais, da obra Teoria Geral da Administração I, que serve de base teórica para esta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO I Ligia Maria Fonseca Affonso TI, habilidades e papéis gerenciais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Diferenciar habilidades de papéis gerenciais. � Reconhecer a importância destes conceitos para a competência dos gestores. � Construir um perfil gerencial que esteja adequado à realização das funções que os gerentes irão exercer. Introdução Vivemos em um mundo de rápidas mudanças, de incertezas e altamente competitivo. A informação e as ideiassubstituíram as máquinas; a glo- balização derrubou barreiras, ampliou os mercados e a concorrência; os clientes estão cada vez mais exigentes e a sociedade passou a exigir o comprometimento das organizações com a responsabilidade social e ética; novas tecnologias surgem a cada dia e tornam-se obsoletas muito rapidamente. Essas mudanças geram novas necessidades, fazendo com que as organizações se tornem cada vez mais complexas e sem frontei- ras, e dependam de uma administração de qualidade que garanta seu crescimento e seu sucesso no mercado. Neste texto, você verá o conceito de habilidades e dos papéis ge- renciais, e a diferença entre eles; as competências requeridas para uma gerência eficaz e a importância da Tecnologia da Informação no geren- ciamento das empresas. Habilidades e papéis gerenciais No cenário atual, competitivo e dinâmico, onde as transformações acontecem rapidamente e aceleram o crescimento, o desenvolvimento e a complexidade das organizações modernas, torna-se imprescindível que estas aprendam a desenvolver habilidades que as permitam detectar precocemente tendências e padrões, criar novas oportunidades e adquirir ou melhorar sua capacidade de adaptação, bem como suas relações com o ambiente externo (MORGAN, 2010; CHIAVENATO 2014). As organizações buscam, cada vez mais, a maximização de seus resultados através da diferenciação com o intuito de manterem-se competitivas. Neste contexto, surge a necessidade de aprimoramento da gestão, pois as formas clássicas, rígidas e precisas já não atendem às novas demandas e, por isso, torna-se necessário que os profissionais desenvolvam suas habilidades, busquem novos conhecimentos e aptidões que os tornem capazes de atuar em diversas áreas. Hoje, aspectos como produtividade, iniciativa, criatividade, conhecimento e inovação são vistos como diferenciais competitivos, e o indivíduo é olhado como o vetor de criação de valor na organização. Sendo assim, as empresas voltaram o olhar para seu capital humano com foco nas competências (conhecimentos, habilidades e atitudes), tendo como desafio promover ações e instrumentos capazes de interferir e direcionar o compor- tamento humano no ambiente de trabalho. O trabalho de um gerente compreende desempenhar funções administra- tivas e alcançar objetivos e vantagens competitivas. No entanto, para que ele tenha sucesso em suas funções, é necessária uma série de habilidades, ou seja, conhecimentos específicos, informação, prática e aptidão (BATEMANN; SNELL, 1998). Veja a seguir as definições de habilidades de acordo com alguns autores. � Habilidades gerenciais sob o olhar de Katz (1955 apud MAXIMIANO, 2012). ■ Habilidade técnica: diz respeito à atividade específica do gerente. São os conhecimentos que ele possui para a realização das atividades organizacionais que estão sob sua competência. ■ Habilidade humana: está relacionada à capacidade de se relacionar com as pessoas, entendendo seus anseios e necessidades. É a capa- cidade de trabalhar com elas e liderá-las. ■ Habilidade conceitual: refere-se à capacidade de lidar com a com- plexidade da organização, usando a inteligência para a formulação de estratégias. Fatores como planejamento, raciocínio e criatividade são exemplos de habilidade conceitual. TI, habilidades e papéis gerenciais2 O autor afirma que quanto maior for a posição hierárquica, menor a neces- sidade da habilidade técnica e maior a necessidade da habilidade conceitual. Por exemplo, um supervisor de uma linha de montagem em uma fábrica de automóveis necessita muito mais de habilidades técnicas do que de habilidades conceituais. Ele precisa destes conhecimentos para aplicá-los na solução de problemas que ocorram na linha de montagem, impedindo que o trabalho seja interrompido por muito tempo. Nesta mesma empresa, um gerente necessita mais de habilidades humanas, uma vez que lida com pessoas, com a diversidade de ideias, pensamentos e comportamentos, e precisa fazer com que elas trabalhem em prol do alcance dos objetivos organizacionais. Ele tem que saber se comunicar e unir a equipe de trabalho, potencializando o melhor de cada funcionário. Já a diretoria precisa muito mais da habilidade conceitual do que das demais, uma vez que seu papel principal é o de formular estratégias capazes de alavancar os negócios e manter a empresa competitiva. � Habilidades gerenciais sob o olhar de Mintzberg (1973 apud MAXI- MIANO, 2012). ■ Habilidade de relacionamento com os colegas: é a capacidade de manter relações formais e informais, principalmente com os colegas do mesmo nível hierárquico. ■ Habilidade de liderança: capacidade de orientar, estimular, treinar sua equipe e exercer sua autoridade. ■ Habilidade de resolução de conflitos: capacidade de julgar e tomar decisões na resolução de conflitos. Nesse contexto, exige também a habilidade de tolerância a tensões. ■ Habilidade de processamento de informações: capacidade de comu- nicação, sabendo expressar suas ideias e representando oficialmente a empresa. ■ Habilidade de tomar decisões em condições de ambiguidade: capaci- dade de tomar inúmeras decisões frente ao inesperado, ao imprevisto. ■ Habilidade de alocação de recursos: capacidade de alocar os recursos limitados para a concretização de atividades, definindo prioridades. ■ Habilidade de empreendedor: capacidade de buscar oportunidades e implementar mudanças. ■ Habilidade de introspecção: capacidade de refletir e de autoanálise, de compreender sua atuação e o impacto de sua prática, na organização. 3TI, habilidades e papéis gerenciais Você sabia que as habilidades gerenciais podem ser aprendidas e desenvol- vidas? Isso é possível por meio de processos educacionais ou mesmo em seu dia a dia, enquanto exerce suas atividades, no enfrentamento dos problemas e das mudanças organizacionais. É importante ressaltar que o desenvolvimento de habilidades gerenciais deve ter o intuito de somar conhecimentos e habi- lidades já existentes, e nunca o de substituir qualquer tipo de conhecimento ou habilidade que o indivíduo já possua (MOTTA, 1999). Veja as quatro habilidades que Motta (1999) considera que os gerentes devem desenvolver: � habilidade cognitiva; � habilidade analítica; � habilidade comportamental; � habilidade de ação. Imagine que você é um gerente e vai desenvolver novas habilidades. No desenvolvimento da habilidade cognitiva, você aprenderá sobre administração, considerando os conhecimentos que já possui e sobre a definição de objetivos e formulação de políticas, conhecendo também a estrutura, os processos e comportamentos organizacionais. Ao desenvolver a habilidade analítica, como gerente, você aprenderá a identificar e a diagnosticar os problemas administrativos, decompondo-os e rearranjando-os para buscar novas soluções. Aprenderá também a relacionar os fatores organizacionais, sua importância e potencialidades das técnicas e instrumentos disponíveis para a solução dos problemas administrativos. No desenvolvimento das habilidades comportamentais, você adquire novas formas de se relacionar com outras pessoas, de se comunicar, interagir em pequenos grupos e exercer e lidar com a autoridade e o poder conferidos pelo cargo. Já no desenvolvimento das habilidades de ação, você será estimulado a interferir na realidade, transformando conhecimentos em ação. Essa habi- lidade lhe permite melhor conhecimento sobre si próprio, sobre seu papel e objetivos organizacionais, sobre o contexto em que atua, além de reforçar seu comprometimento com a missão socioeconômica da organização. TI, habilidades e papéis gerenciais4 Papéis gerenciais O trabalho gerencial e o papel do gerente têm sido temas de vários estudos ao longo do tempo e constituem-se como as principais fontes de informação e de conhecimento sobre a arte de administrar (MAXIMIANO, 2011). Muitos autores tentam definir o trabalho gerencial, no entanto, a com- plexidade do mundo empresarialcontemporâneo tem alterado as dimensões tradicionais de gestão, substituindo sua rigidez e precisão por formas de gestão mais flexíveis e ambíguas, o que dificulta a definição do trabalho gerencial. Essas mudanças acabam se dando pela evolução dos meios social, econômico e político em que as organizações se inserem (MOTTA, 1999). Na visão de Maximiano (2011, p. 15), “todas as pessoas que administram qualquer conjunto de recursos são administradores, gerentes ou gestores”. Nas organizações, especificamente, o trabalho gerencial consiste em tomar decisões e levar sua equipe a desempenhar seu papel, em busca da realização dos objetivos organizacionais. Para Chiavenato (2014, p. 325), “o termo gerência surgiu a partir das primeiras noções de administração como tentativa de ciência. Quase sempre o termo significa basicamente supervisionar pessoas dentro dos padrões tradicionais”. Para Drucker (2001), o trabalho gerencial consiste em fazer com que os outros trabalhem, utilizando todo o conhecimento necessário para alcançar eficiência e resultados. Na visão tradicional de gerência, a função do gerente é vista como racional e padronizada, e ele, visto como alguém que, além de planejar, organizar, dirigir e controlar, também decide, coordena e supervisiona as atividades organizacionais. No entanto, em uma visão mais moderna, além de todas as funções já citadas, os gerentes possuem outras responsabilidades. Mintzberg concluiu em seus estudos que: (1) Há três aspectos básicos no trabalho de qualquer gerente: decisões, relações interpessoais e processamento de informações. (2) O trabalho dos gerentes varia de acordo com o nível hierárquico, especialidade, tamanho da empresa, conjuntura econômica e outros fatores. A personalidade e os valores do gerente também influenciam a maneira como ele trabalha. (3) O trabalho do gerente não consiste apenas em planejar, organizar, dirigir e controlar. Essas funções do processo administrativo diluem-se e combinam- -se com o desempenho dos papéis, especialmente com os que envolvem a administração de recursos e tomada de decisões (Mintzberg, 1973 apud MAXIMIANO, 2012, p. 140). 5TI, habilidades e papéis gerenciais A Figura 1 mostra de forma mais ilustrativa os papéis desempenhados pelos gerentes, segundo Mintzberg. Figura 1. Exemplo de retornos não programados. Fonte: Bernardo (2015). Papéis gerenciais Papéis de decisão Negociador Empreendedor Administrador de recursos Controlador de distúrbios Monitor Disseminador Porta-voz Líder Ligação Figura de proa Papéis interpessoais Papéis de informação Os papéis interpessoais referem-se às relações dos gerentes com pessoas de dentro e de fora da organização, como funcionários, colegas, fornecedores, diretores etc. Os papéis desempenhados pelos gerentes são (MAXIMIANO, 2011): � Símbolo (imagem do chefe) ou figura de proa: o gerente representa a organização desempenhando atividades como falar em público, repre- sentar a empresa em eventos e solenidades e manter relacionamentos com autoridades. � Líder: o gerente desempenha tarefas de liderança que envolve motivação, negociação, influência e todas as demais atividades permeadas pelas relações humanas. � Ligação: o gerente desempenha atividades de intercâmbio de recursos e de informações que facilitam seu trabalho, e cria vínculos entre sua equipe com outras equipes. TI, habilidades e papéis gerenciais6 Os papéis de informação dizem respeito à obtenção e transmissão de informações que os gerentes necessitam para exercer atividades como tomada de decisão, análise e elaboração de relatórios, avaliação de desempenho e outras atividades administrativas. Ao trabalhar com a informação, o gerente desempenha os seguintes papéis (MAXIMIANO, 2011): � Monitor: o gerente busca informações sobre tudo o que acontece na organização e no ambiente externo, trabalha com ampla variedade de dados e busca saber mais em fontes técnicas e até mesmo na “rádio peão”. � Disseminador: o gerente é o responsável por disseminar informações internas, de um colaborador para outro, e de informações externas para o interior da organização. � Porta-voz: o papel do gerente aqui é o de levar informações internas para fora da organização. Nesta função, o gerente fala oficialmente em nome da organização. O papel de decisão diz respeito à tomada de decisão, essência do trabalho de administrar. Esses papéis são os seguintes: � Empreendedor: nesse papel, o gerente identifica e aproveita oportuni- dades e planeja e toma a iniciativa para implementar as mudanças que deseja, visando melhorias para a organização. � Controlador de distúrbios: nesse papel, o gerente necessita lidar com crises, conflitos e situações inesperadas. � Administrador de recursos: aqui, o gerente precisa administrar o próprio tempo, programar o trabalho de sua equipe e autorizar decisões tomadas por terceiros. A maioria das decisões tomadas pelo gerente envolve a alocação de recursos. � Negociador: nesse papel, o gerente representa a empresa em nego- ciações não rotineiras com sindicatos, clientes, outras organizações e funcionários. O trabalho gerencial possui não só uma dimensão objetiva, como também subjetiva. Na dimensão objetiva podemos considerar a gerência como algo científico e racional, marcada pela previsibilidade de ações planejadas e a racionalidade das decisões, essência do trabalho do administrador. No en- tanto, na prática, o trabalho gerencial é sempre carregado de muitas tarefas programadas e padronizadas, mas acompanhado da imprevisibilidade de problemas administrativos, conflitos na equipe, pressão, cobrança de prazos, 7TI, habilidades e papéis gerenciais reuniões, interrupções, o que acaba fragmentando as ações e interferindo em sua atuação. Na dimensão subjetiva, o trabalho gerencial é marcado pela imprevisibilidade das relações humanas, o que lhe confere um perfil mais ilógico e irracional, tornando o trabalho mais complexo e exigindo dos geren- tes maior intuição, espontaneidade e habilidade emocional (MOTTA, 2001). Dessa forma, é fundamental que os gerentes considerem a gestão nas duas dimensões. Diferenciando habilidade de papel gerencial, é possível afirmar que habilidade é o saber fazer, e o papel gerencial é a incumbência de fazer, conferida pelo cargo. Para saber um pouco mais sobre desenvolvimento gerencial, leia o texto “O apren- dizado da função gerencial: os gerentes como atores e autores do seu processo de desenvolvimento” (LEITE; GODOY; ANTONELLO, 2006). Competências requeridas para uma gerência eficaz Com certeza, você já ouviu falar em competências, termo com definições variadas, mas semelhantes em sua essência. Veja algumas definições: � “Competência é assumir responsabilidades frente a situações de trabalho complexas buscando lidar com eventos inéditos, surpreendentes, de natureza singular” (LE BOTERF, 1997, p. 267). � “Competência é um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor à organização e valor social ao indivíduo” (FLEURY; FLEURY, 2001, p. 188). � “Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes interdependentes e necessárias à consecução de determinado propósito” (DURAN, 1998, p. 3). � “Combinação de conhecimentos, de saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um contexto preciso. Ela é constatada quando de sua utilização em situação profissional a partir da qual é TI, habilidades e papéis gerenciais8 passível de avaliação. Compete, então, à empresa, identificá-la, avaliá-la, validá-la e fazê-la evoluir” (ZARIFIAN, 2001, p. 66). � “Conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências que creden- ciam um profissional a exercer determinada função” (MAGALHÃES; WANDERLEY; ROCHA, 1997, p. 14). De forma resumida e com base em diversos autores, vamos aqui definir competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudesnecessárias para o desenvolvimento das atribuições e responsabilidades do indivíduo em seu ambiente de trabalho. É importante lembrar que as com- petências também podem ser desenvolvidas por meio da educação formal e informal, da experiência profissional e até mesmo com as relações familiares e sociais. Vamos destacar aqui as competências mais importantes para o desempenho de um gerente, veja (MAXIMIANO, 2011): � Competências intelectuais: referem-se às formas de raciocínio, utilizado para a elaboração de relatórios, análises, planejamento, definição de estratégia e tomadas de decisão. Duas competências específicas aqui são a habilidade de pensar de forma racional e a habilidade conceitual, que é a capacidade de pensamento abstrato, ou seja, aquele que se manifesta intuitivamente, por meio da imaginação e criatividade e que não necessita de informações concretas sobre a realidade. � Competências interpessoais: são aquelas utilizadas pelo gerente para lidar com sua equipe, colegas de trabalho, superiores e demais pessoas envolvidas no universo organizacional. Muitas vezes, dependendo da posição ocupada pelo indivíduo, essa competência tem maior valor que a competência técnica. São competências interpessoais importantes a capacidade de lidar com a diversidade de singularidade das pessoas; capacidade de estimular a motivação nas pessoas, considerando as diferenças entre elas e a capacidade de comunicação. � Competências técnicas: referem-se aos conhecimentos específicos de cada profissão. O indivíduo precisa conhecer profundamente as técnicas relacionadas à sua profissão e ao seu ramo de negócio. Essa competência pode ser adquirida nas escolas, universidades e no exercício da profissão. � Competência intrapessoal: refere-se à capacidade de autoanálise, au- tomotivação, autocontrole, de organização e administração do tempo. As competências intrapessoais importantes são a capacidade de en- tendimento sobre o cargo exercido e o impacto dele na organização; capacidade de refletir sobre a própria prática, comportamento e emoções; 9TI, habilidades e papéis gerenciais capacidade de entender as emoções e comportamentos do próximo; capacidade de aprender com a própria experiência e a dos outros e capacidade de identificar, refletir e desenvolver as próprias potencia- lidades e reconhecer e superar as limitações. Você pode relacionar os conceitos aprendidos com os verbos saber, agir, mobilizar recursos, integrar múltiplos e complexos saberes, saber aprender, se engajar, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. As competências, além de agregarem valor social para o indivíduo, agregam também valor econômico para a organização, uma vez que estão diretamente ligadas à área estratégica da empresa, constituindo-se em um recurso importante para a gestão de pessoas e a organização, tendo como consequência uma atuação voltada para resultado e fornecendo suporte para o cumprimento dos objetivos e metas organizacionais (FLEURY; FLEURY, 2006; RUANO, 2003 apud Urbanavicius et al., 2007). É importante destacar que competências organizacionais dizem respeito ao conjunto de competências coletivas e atributos organizacionais capazes de criar vantagem competitiva, agregando valor para o negócio e seus stakeholders (LUSTRI, 2005). Perfil gerencial contemporâneo e a Tecnologia da Informação Você já percebeu que o ambiente empresarial se depara com diversos fatores que o influenciam diretamente: os ambientes de trabalho estão em plena evolução, e as pessoas conversam sobre o sentido de seu trabalho, desejando serem mais do que os cargos que ocupam e sentirem orgulho da empresa onde trabalham (CHILDRE; CRYER, 2000 apud CAVALCANTI et al., 2009). Neste cenário, algumas perguntas são inevitáveis: como preparar as em- presas para o enfrentamento dos problemas atuais e futuros? Como conseguir o equilíbrio dos objetivos organizacionais e pessoais e fazer com que todos na organização estejam envolvidos, motivados e comprometidos com os resultados organizacionais? Qual o papel do gerente nesse contexto? Que competências são necessárias a ele? A liderança faz a diferença? Há uma busca por nova inteligência capaz de preparar as empresas para as mudanças e crises com harmonia e equilíbrio. Assim, torna-se recomendável que os gerentes se dediquem ao aprendizado da liderança que, por se constituir essencialmente em uma interação pessoal, pode ser vista como uma função TI, habilidades e papéis gerenciais10 gerencial, embora não seja privativa dela. Portanto, se a liderança facilita a interação pessoal e grupal e contribui para o alcance de objetivos comuns, deve ser perseguida não somente pelos gerentes, como em todas as esferas da organização. É importante ressaltar que a liderança pode ser ensinada e aprendida por meio de ensinamentos e de experiências de vida a qualquer pessoa, independentemente da posição que ocupa (MOTTA, 2009; MAXIMIANO, 2012). Isso porque, muitas vezes, as pessoas possuem as habilidades, mas não a utilizam ou a utilizam pouco, ou seja, é preciso desenvolvê-las, e, portanto, qualquer um pode aprender (BENNIS, 1985 apud BATEMANN; SNELL, 1998). Você já viu que o gerente deve conhecer as dimensões formais da orga- nização na qual trabalha, o que inclui missão, visão, objetivos, formas de divisão e especialização do trabalho; também a distribuição da autoridade para melhor utilização dos recursos de poder; a captação, o processamento e a análise de informações externas e internas para a formulação de estratégias e solução de problemas; além da coordenação e do controle de comportamentos individuais e coletivos. Deve também saber adequar novas ideias e projetos à realidade da orga- nização; exercitar-se na busca de soluções para os problemas que surgirem; trabalhar na busca de novas oportunidades; articular, agregar e processar continuamente ideias e alternativas de ação; debater e divulgar problemas, alternativas e objetivos de forma compartilhada, adotando a gestão participa- tiva; possibilitar o desenvolvimento de sua equipe por meio de treinamentos, recompensas e incentivos; estimular a criatividade por meio de atividades desafiadoras; ter visão de futuro. Além dessas, outras habilidades necessárias aos gerentes nos dias atuais são a capacidade de inovar, ter flexibilidade, liderar pessoas e construir relações interpessoais, comunicar, ouvir, dar e receber feedback, trabalhar em equipe, estabelecer limites, negociar, planejar, organizar e analisar e ter controle nas decisões; compreensão de si e dos outros; comunicação eficaz; construção de equipes; uso do processo decisório participativo; adminis- tração de conflito; monitoramento do desempenho individual; análise de informações com pensamento crítico; gerenciamento de projetos; planeja- mento do trabalho; estabelecimento de metas e objetivos; planejamento e organização; construção de um ambiente agradável; gerenciamento do tempo e do estresse; pensamento criativo e gerenciamento da mudança (BOOG, 2002; QUINN et al., 2003). 11TI, habilidades e papéis gerenciais Muitos estudiosos diferenciam gerentes de líderes, destacando as principais características de cada um, conforme mostra o Quadro 1. Fonte: adaptado de Bennis (1996, p. 42). Gerente Líder Administra Inova Prioriza sistemas e estruturas Prioriza as pessoas Possui visão de curto prazo Tem perspectiva de futuro Pergunta como e quando Pergunta o quê e por quê Exerce o controle Inspira confiança Aceita e mantém o status quo Desafia o status quo É o clássico “bom soldado” É a sua própria pessoa Faz as coisas da forma certa (é eficiente) Faz a coisa certa (é eficaz) Quadro 1. Diferenças entre gerentes e líderes. Você pode estar se perguntando: então, qual é o melhor perfil de atuação nos dias atuais? Apenas gerente ou apenas líder? A resposta é que o ideal para os dias atuais é o gerente-líder contemporâneo, que deve ser um libertador da mente e da capacidade dos liderados. Essa liberdadefavorece comportamentos administrativos de empreendedorismo e iniciativa, de responsabilidade e comprometimento, de confiança e respeito. Tenha em mente que gerenciar uma empresa é gerenciar mudanças e, portanto, é necessária uma constante revisão de comportamento e atitudes gerenciais. O perfil do gerente nos dias atuais é aquele que deixa de lado a mentalidade tradicional da gestão, que os impede de se envolver com sua equipe, e assume a responsabilidade de gerar um clima de trabalho que envolva as pessoas e que estas possam levar às suas atividades não apenas sua mente, mas sua alma (KOUZES; POSNER, 1991). Ganhar o coração das pessoas é o maior desafio que se pode ter. Uma vez que se ganha, consegue-se tudo. Mas, o importante é saber como chegar até o coração delas... esse é o caminho árduo e sem fim, no exercício da liderança. TI, habilidades e papéis gerenciais12 Tecnologia da Informação A Tecnologia da Informação (TI) configura-se como um componente deci- sivo para a integração e a reestruturação das empresas, fundamental para as atividades de serviço, coordenação e organização. Há algum tempo, gerenciar a tecnologia era um desafio para as empresas e os técnicos e especialistas em informática dominavam a organização, com seu linguajar específico e praticamente inacessível para os leigos. Na última década, as empresas se viram obrigadas a se preocupar com o gerenciamento do uso da tecnologia, cada vez mais presente na vida das pessoas. Assim, a TI passou de um departamento específico das empresas e do mercado, para o centro das atenções nas organizações, uma vez que é crescente o número de pessoas que utilizam as ferramentas computacionais. A TI é, hoje, parte integrante das organizações e da linguagem dos negócios. As empresas a utilizam para potencializar o controle centralizado e para criar novos processos de informação capazes de apoiar tomadas de decisão mais eficazes. A tecnologia é cada vez mais poderosa e diversificada, e fortemente interligada com os processos críticos dos negócios das organizações, o que confere aos líderes gerenciais maior necessidade de adequação às demandas de seu cargo e maior responsabilidade sobre as decisões em relação ao processo tecnológico. Além disso, é importante que estes conheçam a terminologia da linguagem da informação, bem como a finalidade e aplicabilidade correta das novas ferramentas que surgem a cada instante, potencializando seu impacto na criação de vantagem competitiva para a organização. O grande desafio que se impõe é o acompanhamento das transformações da tecnologia, extremamente rápidas. Os gerentes necessitam cada vez mais de maior conhecimento, criativi- dade, competência, transparência e flexibilidade (ROSINI; PALMISANO, 2006). BATEMANN, T. S.; SNELL, S. A. Administração: construindo vantagem competitiva. São Paulo: Atlas, 1998. BENNIS, W. A formação do líder. São Paulo: Atlas, 1996. BERNARDO, R. 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Administração de sistemas de informação e a gestão do conhecimento. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. URBANAVICIUS JUNIOR, V. et al. Identificação do Conhecimento, Habilidade e Atitude (CHA) dos coordenadores de curso de uma Instituição de Ensino Superior. [S.l.]: SEGET, 2007. ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2001. Leitura recomendada HUNTER, J. C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. 15TI, habilidades e papéis gerenciais DICA DO PROFESSOR O profissional moderno deve estar sempre buscando aprimorar seus conhecimentos e competências. Na Dica do Professor, você verá considerações sobre os aspectos relevantes para o desenvolvimento de competências gerenciais. Acompanhe. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O trabalho de um gerente compreende desempenhar funções administrativas e alcançar objetivos e vantagem competitiva. No entanto, para que ele tenha sucesso em suas funções, é necessária uma série de habilidades. De acordo com Katz, a habilidade referente à capacidade de usar a inteligência para formulação de estratégias é: A) Habilidade conceitual. B) Habilidade técnica. C) Habilidade de liderança. D) Habilidade humana. E) Habilidade de introspecção. Você viu que as habilidades gerenciais podem ser aprendidas e desenvolvidas e que isso é possível por meio de processos educacionais ou mesmo no dia a dia, enquanto o 2) gerente exerce suas atividades e enfrenta problemas e mudanças organizacionais. Nesse aprendizado a aquisição de conhecimentos sobre administração, definição de objetivos e formulação de políticas diz respeito a qual habilidade gerencial? A) Habilidade analítica. B) Habilidade de ação. C) Habilidade cognitiva. D) Habilidade de resolução de conflitos. E) Habilidade comportamental. 3) Na visão tradicional de gerência, a função do gerente é vista como racional e padronizada, e ele, visto como alguém que, além de planejar, organizar, dirigir e controlar,também decide, coordena e supervisiona as atividades organizacionais. Mintzberg definiu dez papéis para os gerentes. Ao buscar informações sobre tudo o que acontece na organização e no ambiente externo, o gerente está exercendo qual papel? A) Papel de ligação. B) Papel de figura de proa. C) Papel de monitor. D) Papel de negociador. E) Papel de administrador de recursos. 4) Em seus estudos, Mintzberg concluiu que o trabalho dos gerentes varia de acordo com o nível hierárquico, especialidade, tamanho da empresa, conjuntura econômica e que, fatores como a personalidade e os valores do gerente também influenciam na forma como ele trabalha. No papel de empreendedor quais são as atividades requeridas para o gerente? A) Identificar e aproveitar oportunidades e planejar e tomar iniciativas para implementar as mudanças que deseja, visando melhorias para a organização. B) Levar informações internas para fora da organização. Nesse papel o gerente fala oficialmente em nome da organização. C) Desempenhar tarefas de liderança que envolvem motivação, negociação, influência e todas as demais atividades permeadas pelas relações humanas. D) Disseminar informações internas de um colaborador para outro e de informações externas para o interior da organização. E) Lidar com crises, conflitos e situações inesperadas. 5) As competências, além de agregar valor social para o indivíduo, agregam também valor econômico para a organização, visto que estão diretamente ligadas à área estratégica da empresa. Competência pode ser definida como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para o desenvolvimento das atribuições e responsabilidades do indivíduo em seu ambiente de trabalho. A capacidade de entender sobre o cargo exercido e o impacto dele na organização e de aprender com a própria experiência e a dos outros fazem parte de qual tipo de competência? A) Competência interpessoal. B) Competência técnica. C) Competência organizacional. D) Competência intelectual. E) Competência intrapessoal. NA PRÁTICA Você conhece o ideograma CHA? Ele tem sido muito utilizado pelas empresas e profissionais de gestão de pessoas para designar conhecimentos, habilidades e atitudes, que buscam definir o conceito de competências, muito mais amplo do que o conceito utilizado no passado, onde alguém que dominava um conhecimento era um profissional eficiente. Ana é responsável pela gestão de pessoas de uma multinacional da área de cosméticos e resolveu aplicar o ideograma CHA para selecionar profissionais para trabalhar com vendas. A partir disso, ela elaborou alguns instrumentos para avaliar os conhecimentos, habilidade e atitudes dos candidatos (CHA). Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Com a aplicação do ideograma CHA, Ana conseguiu selecionar cinco candidatos que, dentre os demais, apresentaram um bom nível de conhecimento sobre vendas. Foram muito bem na simulação prática, aplicando seus conhecimentos e abordando o público de forma clara, explicativa, persuasiva e com bom relacionamento interpessoal e, frente à situação-problema, foram os que melhor apresentaram soluções criativas para resolvê-la sem deixar que isso atrapalhasse seu rendimento. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A arte de liderar A arte de liderar vai além de dar ordens. Quer saber um pouco mais sobre liderança? No vídeo a seguir, você verá uma palestra com Mário Cortella sobre a arte de liderar. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Desempenho organizacional e suas relações com competências gerenciais, suporte organizacional e treinamento Quer saber quais são as relações do desempenho organizacional com as competências gerenciais, suporte organizacional e treinamento? Acompanhe a leitura do artigo a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Liderança Holística – Acompanhando o mundo em transição Acompanhe esse artigo sobre as novas transições mundiais e o impacto das lideranças no mercado. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Desafios da administração APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, discutiremos a evolução da Administração. O século XXI representa a era da informação, pois ele é considerado um período de grandes avanços tecnológicos. Os últimos vinte anos evoluíram muito mais do que os últimos sessenta ou setenta anos. Tudo isso amplia as funções gerenciais tradicionais e nos lança em novos desafios. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Contextualizar a evolução do papel gerencial no século XXI.• Identificar os novos paradigmas da gestão contemporânea.• Identificar a importância das novas tecnologias no pensamento gerencial.• INFOGRÁFICO Nesta unidade temos a oportunidade de conhecer melhor os temas mais atuais do universo administrativo, tais como: • Liderança; • Competitividade; • Inovação; • Gestão dos stakeholders. CONTEÚDO DO LIVRO Nos últimos anos, com o advento da globalização da economia, os gerentes enfrentaram uma transformação sem precedentes em suas habilidades, atitudes e procedimentos administrativos. O tempo de administrar níveis de abastecimento, preços, lucros, investimentos e padrões de evolução tecnológica está chegando ao fim, dando lugar a uma nova era onde o maior desafio será reinventar os negócios e tornar-se diferente. Para saber mais sobre o novo papel dos gerentes, leia um trecho do livro Administração Contemporânea, de Gareth R. Jones e Jennifer M. George. Boa leitura. Administração Contemporânea Tradução da Quarta Edição ISBN 978-85-86804-72-4 A reprodução total ou parcial deste volume por quaisquer formas ou meios, sem o consentimento, por escrito, da editora é ilegal e confi gura apropriação indevida dos direitos intelectuais e patrimoniais dos autores. Copyright © 2008 by McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda. Todos os direitos reservados. Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, 17.º andar São Paulo – SP – CEP 05426-100 Copyright © 2008 by McGraw-Hill Interamericana Editores, S.A. de C.V. Todos os direitos reservados. Prol. Paseo de la Reforma 1015 Torre A Piso 17, Col. Desarrollo Santa Fé, Delegación Alvaro Obregón México 01376, D.F., México Tradução da quarta edição em inglês de Contemporary Management Publicada pela McGraw-Hill Irwin, uma unidade de negócios da McGraw-Hill Companies, Inc. 1221 Avenue of the Americas, New York, NY 10020 Copyright © 2006, 2003, 2000, 1998 by The McGraw-Hill Companies Inc. ISBN: 0-07-286082-0 Editoras de Desenvolvimento: Marileide Gomes e Gisélia Costa Supervisora de Produção: Guacira Simonelli Preparação de Texto: Marise Goulart/Adriana Rinaldi Design de Capa: Asylum Studios Diagramação: Formato Comunicação Ltda. A McGraw-Hill tem forte compromisso com a qualidade e procura manter laços estreitos com seus leitores. Nosso principal objetivo é oferecer obras de qualidade a preços justos, e um dos caminhos para atingir essa meta é ouvir o que os leitores têm a dizer. Portanto, se você tem dúvidas, críticas ou sugestões, entre em contato conosco — preferencialmente por correio eletrô- nico (mh_brasil@mcgraw-hill.com) — e nos ajude a aprimorar nosso trabalho. Teremos prazer em conversar com você. Em Portugal use o endereço servico_clientes@mcgraw-hill.com. J77a Jones, Gareth R. Administração contemporânea [recurso eletrônico] / Gareth R. Jones, Jennifer M. George ; tradução: Maria Lúcia G. L. Rosa ; revisão técnica: Alexandre Faria. – 4. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2011. Editado também como livro impresso em 2008. ISBN 978-85-63308-86-3 1. Administração. I. George, Jennifer M. II. Título. CDU 005“19” Catalogação na publicação: Ana Paula Magnus – CRB 10/2052 1 CAPÍTULO Os Gerentes e a Administração Objetivos de Aprendizagem Depoisde estudar este capítulo, você será capaz de: •Descreveroqueéadministração, porqueelaéimportante,oqueos gerentesfazemecomoutilizam osrecursosorganizacionaisde maneiraeficienteeefetivapara atingirosobjetivos organizacionais. •Distinguirentreplanejar,organizar, liderarecontrolar(asquatro principaisfunçõesgerenciais)e explicarcomoacapacidadedos gerentesdelidarcomcadauma delaspodeafetarodesempenho organizacional. •Diferenciarentretrêsníveisde administraçãoeentenderas responsabilidadesdosgerentes emdiferentesníveisnahierarquia organizacional. •Identificarospapéis desempenhadospelosgerentes, ashabilidadesqueelesprecisam paracumpriressespapéis efetivamenteeomodocomoa novatecnologiadeinformação estáafetandoessespapéise habilidades. •Discutirosprincipaisdesafiosque osgerentesenfrentamnum ambienteglobalcadavezmais competitivo. O que é administração de alta performance? Em 1976, Steven P. Jobs vendeu sua perua Volkswagen e seu sócio Steven Wozniak vendeu suas duas calculadoras programá- veis. Eles investiram os rendimentos de $ 1.350 para construir uma placa de circuito de computador na garagem de Jobs. A placa, que foi desenvolvida no computador pessoal Apple II, ficou tão popular que em 1977 Jobs e Wozniak incorporaram seu novo negócio na Apple Computer. Em 1985 as vendas da Apple já eram de quase $ 2 bilhões; no entanto, no mesmo ano Jobs foi forçado a sair da empresa que ele fundou. A aborda- gem de Jobs à administração era uma grande parte da razão pela qual ele perdeu o con- trole da Apple.1 Depois de fundar a Apple, Steve Jobs achou que seu papel era conduzir os esfor- ços de desenvolvimento para criar PCs novos e aprimorados, e ele montou muitas equipes de projeto diferentes para desen- volver modelos novos e diferentes de PC. Embora esta fosse uma boa estratégia, o estilo gerencial de Job era freqüentemente arbitrário e arrogante e causava muitos pro- blemas. Ele mostrava sua predileção por vários funcionários e equipes, valorizando alguns (por exemplo, seu projeto pessoal, a equipe PC Lisa), em detrimento de outros (a equipe Macintosh). Suas ações geraram Assim como muitos outros gerentes eficazes, Steve Jobs aprendeu com seus erros. competições acirradas entre as equipes de projeto, muitos desentendimentos e muita desconfiança entre os membros das equi- pes concorrentes.2 O Desafio de um Gerente Steve Jobs Transforma a Apple Computer 4 Capítulo Um A história de altos e baixos de Steve Jobs, seja como fundador ou como gerente da Apple Computer, ilustra muitos dos desafios enfrentados pelos indivíduos que se tornam gerentes: administrar uma grande empresa é uma atividade complexa, e gerentes eficazes devem possuir muitos tipos de habilidades, conhecimentos e capacidades. A administração é um processo imprevisí- vel. Tomar a decisão certa é difícil; mesmo os gerentes eficazes muitas vezes cometem erros, mas os gerentes mais eficazes são aqueles que, como Jobs, aprendem com os erros Além disso, o estilo gerencial agressivo de Jobs colocou-o em conflito com outros gerentes, princi- palmente John Sculley, CEO da Apple. Os funcio- nários ficaram sem saber quem estava conduzindo a empresa, se Jobs (o chairman) ou Sculley (o CEO), e ambos ficavam tão ocupados competindo pelo controle da Apple que nenhum deles tinha tempo nem energia para assegurar que os recur- sos da Apple estavam sendo usados eficiente- mente. Por exemplo, pouca atenção era dada para avaliar o desempenho das equipes de projeto, e não havia nem mesmo um orçamento para restrin- gir os gastos das equipes com pesquisa e desen- volvimento. O resultado? Os custos da Apple começaram a disparar e seu desempenho e lucros caíram. O conselho de diretoria da Apple conven- ceu-se de que o estilo gerencial de Jobs era o ponto central do problema e pediu-lhe para sair. Depois de sair da Apple, Jobs passou por novos negócios de risco. Ele fundou a NEXT, que desenvolveu um novo e poderoso PC, e a Pixar, uma empresa de animação por computador que se tornou um grande sucesso depois de ter feito filmes como Toy Story e Procurando Nemo. Em ambas as empresas, Jobs desenvolveu uma visão clara para os gerentes seguirem e cons- truiu equipes gerenciais fortes. Neste meio- tempo, a Apple estava lutando para competir com os novos PCs de baixo custo de Michael Dell e com o software Windows da Microsoft. O desempenho da Apple estava decaindo rapidamente, e em 1996 Jobs convenceu a Apple a comprar a NEXT por $ 400 milhões e utilizar seu poderoso sistema operacional na próxima geração de PCs Apple. Em 1997, a Apple pediu a Jobs para assumir total controle da empresa e mais uma vez tornar-se seu CEO.3 Jobs concordou e começou rapidamente a empregar suas novas habilidades gerenciais que ele desenvolvera com o tempo. Entendendo, mais do que nunca, que uma empresa precisa de liderança clara e de uma missão norteadora para dar energia e motivar os funcionários, o carismático Jobs lutou para criar uma nova visão para a Apple. Jobs decidiu que, para sobreviver, a Apple tinha que introduzir PCs avançados e equipa- mento relacionado. Ele instituiu um processo de planejamento abrangente, estabeleceu objetivos claros para a empresa e criou uma estrutura de equipe que permitia aos programadores e enge- nheiros juntar suas habilidades para desenvol- ver novos PCs. Ele delegou autoridade conside- rável às equipes, mas também estabeleceu cronogramas estritos e metas desafiadoras para esses grupos atingirem, como levar novos pro- dutos para o mercado o mais rápido possível. Um dos resultados desses esforços foi a nova linha vistosa da Apple, de PCs iMac, rapida- mente seguida por uma ampla variedade de pro- dutos futuristas relacionados a PC. Para dar visi- bilidade às inovações da empresa, Jobs abriu uma cadeia de lojas Apple em todo o país. A tentativa mais recente de Jobs de revolucio- nar a Apple e melhorar seu desempenho veio em 2003, quando ele anunciou que a empresa estava começando um novo serviço chamado iTunes. Através do iTunes, uma loja de música on-line, as pessoas podiam fazer downloads legalmente de músicas pela Internet pagando um dólar por música. Ao mesmo tempo, a Apple apresentou seu iPod, que pode armazenar milhares de músicas, e o produto tornou-se rapi- damente um grande sucesso. Em 2004, a Apple anunciou seu novo mini iPod, que obteve tama- nho sucesso que os varejistas não conseguiam tê-lo em estoque. Até então, a Apple tinha 70% dos negócios de download de música on-line!4 Em 2004, parecia que uma nova Apple estava surgindo. Os analistas creditam o desempenho crescente da Apple às habilidades gerenciais que Jobs foi forçado a desenvolver depois de ter saído da empresa fundada por ele. Entretanto, com a Dell, a reconhecida fabricante de PC de baixo custo, a nova iniciativa da Apple no ramo da música seria suficiente para garantir seu sucesso futuro? Visão Geral Os Gerentes e a Administração 5 e lutam continuamente para encontrar maneiras de ajudar suas empresas a aumentar a vantagem competitiva e o desempenho. Neste capítulo, examinaremos o que os gerentes fazem e quais as habilidades e capa- cidades que eles devem desenvolver se quiserem administrar suas organizações com sucesso com o passar do tempo. Também identificaremos os diferentes tipos de geren- tes que as organizações precisam e as habilidades e capacidades que eles devem desen- volver para ter sucesso. Finalmente, identificaremos alguns desafios que os gerentes devem enfrentar para que suas organizações cresçam e prosperem. administração Planejamento, organização, liderança e controle de recursos humanos e outros recursos para atingir os objetivos organizacionais de maneira efetiva e eficiente. desempenho organizacional Uma medida do quanto um gerente usa os recursos de maneira eficiente e efetivapara satisfazer os clientes e atingir os objetivos organizacionais. eficiência Uma medida de como os recursos são bem utilizados ou empregados produtivamente para atingir um objetivo. Quando você pensa em um gerente, que tipo de pessoa você imagina? Você vê alguém que, como Steve Jobs, pode deter- minar a futura prosperidade de uma grande empresa que visa ao lucro? Você vê o gerente de uma organização sem fins lucrativos, como uma escola, biblioteca ou instituição de caridade, a pessoa encarregada do restaurante McDonald’s ou da loja Wal-Mart local ou aquela para quem você responde em um emprego de meio período? O que todos esses gerentes têm em comum? Primeiro, todos eles trabalham em organizações. As organiza- ções são agrupamentos de pessoas que trabalham juntas e coordenam suas ações para atingir uma ampla variedade de objetivos, ou resultados futuros desejados.5 Em segundo lugar, como gerentes, eles são os responsáveis pela supervisão do uso dos recursos humanos e outros recursos de uma organização para atingir seus objetivos. Portanto, a administração consiste em planejar, organizar, liderar e controlar os recursos humanos e outros recursos de modo a atingir os objetivos organizacionais de maneira efetiva e eficiente. Os recursos de uma organização incluem ativos, como pessoas e suas habilida- des, know-how e conhecimento, maquinário, matérias-primas, computadores e tecnolo- gia de informação e capital financeiro. Atingindo Alto Desempenho: O Objetivo de um Gerente Um dos objetivos mais importantes que as organizações e seus membros tentam atingir é fornecer algum tipo de bem ou serviço que os clientes desejam. O principal objetivo do CEO Steve Jobs é gerenciar a Apple para que seja criado um novo fluxo de bens e serviços — como PCs mais potentes, novos tipos de monitores de computador finos, Internet music players e a capacidade aprimorada de “baixar” música da Internet — que os clientes estejam dispostos a comprar. O principal objetivo de médicos, enfermei- ros e administradores hospitalares é aumentar a capacidade de seu hospital de recupe- rar os doentes. Da mesma forma, o principal objetivo de cada gerente de restaurante do McDonald’s é preparar sanduíches, batatas fritas e milk-shakes que as pessoas queiram comprar e comer. O desempenho organizacional é uma medida do quanto os gerentes usam os recur- sos de maneira eficiente e efetiva para satisfazer os clientes e atingir os objetivos organi- zacionais. O desempenho organizacional aumenta na proporção direta dos aumentos na eficiência e na efetividade (ver Figura 1.1). Eficiência é uma medida de como os recursos são bem utilizados ou empregados produtivamente para atingir um objetivo.6 As organizações são eficientes quando os gerentes minimizam a quantidade de recursos de insumo (como mão-de-obra, maté- rias-primas e peças componentes) ou a quantidade de tempo necessária para gerar uma dada produção de bens e serviços. Por exemplo, o McDonald’s desenvolveu uma máquina mais eficiente para fritar que não só reduz a quantidade de óleo usada (em 30%), como também acelera a fritura das batatas. Steve Jobs instruiu os engenheiros da Apple a desenvolver uma versão menor e mais compacta de seu iPod, O que é Administração? 6 Capítulo Um Figura 1.1 Eficiência, Efetividade e Desempenho em uma Organização que se tornou um enorme sucesso, e ele, sem dúvida, disse aos engenheiros para desenvolver novos tipos de tocadores de música. A responsabilidade do gerente é assegurar que uma organização e seus membros tenham o desempenho mais efi- ciente possível em todas as atividades necessárias para oferecer bens e serviços aos clientes. A efetividade é uma medida da adequação dos objetivos que os gerentes selecionam para a organização perseguir e do grau com que a organização atinge esses objetivos. As organizações são efetivas quando os gerentes selecio- nam objetivos adequados e então os atingem. Há alguns anos, por exemplo, os gerentes do McDonald’s decidiram quanto ao objetivo de fornecer serviço de café da manhã para atrair mais clientes. A seleção desse objetivo provou ser muito inteligente, pois as vendas de café da manhã agora respondem por mais de 30% das receitas do McDonald’s. O objetivo de Jobs é criar um fluxo cons- tante de PCs inovadores e produtos de entretenimento digital. Organizações de alto desempenho, como a Apple, McDonald’s, Wal-Mart, Intel, Home Depot, Accenture e March of Dimes são simultaneamente eficientes e efetivas, como mostra a Figura 1.1. Os gerentes efetivos são aqueles que escolhem os objetivos organizacionais certos a perseguir e têm as habilidades para utilizar os recursos eficientemente. Por que Estudar Administração? Hoje, mais do que nunca, estudantes estão competindo por vagas em cursos de administração; o número de pessoas que deseja fazer MBA — o passaporte de hoje para uma posição gerencial elevada — , seja no campus ou em universidades efetividade Medida da adequação dos objetivos que uma organização está perseguindo e do grau com que a organização atinge esses objetivos. Alta eficiência/ Baixa efetividade O gerente seleciona objetivos inadequados, mas utiliza bem os recursos para perseguir esses objetivos. Resultado: Um produto de alta qualidade que os clientes não querem. Alta eficiência/ Alta efetividade O gerente seleciona os objetivos certos a perseguir e utiliza bem os recursos para atingir esses objetivos. Resultado: Um produto que os clientes querem, com qualidade e preço que eles podem pagar. Baixa eficiência/ Baixa efetividade O gerente seleciona os objetivos errados a perseguir e utiliza mal os recursos. Resultado: Um produto de baixa qualidade que os clientes não querem. Baixa eficiência/ Alta efetividade O gerente escolhe os objetivos certos a perseguir, mas não usa bem os recursos para atingir esses objetivos. Resultado: Um produto que os clientes querem, mas que é caro demais para comprar. EFICIÊNCIA E F E T IV ID A D E BAIXA ALTA BAIXA ALTA As organizações com alto desempenho são efi cientes e efetivas. Os Gerentes e a Administração 7 on-line, nunca foi tão alto. Por que o estudo de administração atualmente é tão procurado?7 Primeiro, em qualquer sociedade ou cultura os recursos são valiosos e escassos, e quanto mais eficiente e efetivo for o uso que as organizações fizerem desses recursos, maior o bem-estar e a prosperidade das pessoas na sociedade. Uma vez que os gerentes são as pessoas que decidem como usar muitos dos recursos mais valiosos de uma sociedade — seus funcionários qualificados, matérias-primas, como petróleo e terrenos, computadores e sistemas de informação e ativos finan- ceiros — eles têm um impacto direto no bem-estar de uma sociedade e das pes- soas que vivem nela. Entender o que os gerentes fazem e como eles fazem isso é de importância central para entender como uma sociedade funciona e como ela cria riqueza. Em segundo lugar, embora as pessoas, em sua maioria, não sejam gerentes, e muitas não pretendem assumir postos gerenciais, quase todos nós conhecemos gerentes porque temos empregos e chefes. Além disso, muitas pessoas hoje estão trabalhando em grupos e equipes e têm de lidar com colegas de trabalho. O estudo de administração ajuda as pessoas a lidar com seus chefes e colegas de tra- balho. Esse estudo revela como entender outras pessoas no trabalho e tomar deci- sões e ações que conquistem a atenção e o apoio do chefe. A administração tam- bém ensina às pessoas que ainda não estão em posições de autoridade a lidar com os colegas de trabalho, a resolver conflitos entre eles e a aumentar o desempenho da equipe. Em terceiro lugar, em qualquer sociedade as pessoas estão competindo por um recurso muito importante — um emprego que pague bem e uma carreira interessante e satisfatória —, e entender a administração é um caminho impor- tante para chegar a tal posição. Em geral, os cargos tornam-se mais interessantesquanto maior a complexidade ou a responsabilidade que exigirem. Portanto, qualquer pessoa que deseje um cargo motivador que mude com o tempo faria bem em desenvolver habilidades gerenciais para poder ser promovido. Uma pessoa que trabalhou vários anos e então volta à escola para fazer um MBA geral- mente pode, depois de concluir o curso, encontrar um emprego mais interes- sante, gratificante e que pague significativamente mais que o anterior. Além disso, os salários aumentam rapidamente à medida que as pessoas ascendem na hierarquia organizacional, seja em um sistema acadêmico, em uma grande orga- nização com fins lucrativos ou em uma instituição filantrópica ou médica sem fins lucrativos. Realmente, os salários pagos aos altos gerentes são enormes. Por exemplo, os CEOs e outros altos executivos ou gerentes de empresas como Apple, Dell, Walt Disney, GE e McDonald’s recebem milhões em salário por ano. Entretanto, ainda mais espantoso é o fato de que a maioria dos altos executivos também recebe ações ou frações de ações da empresa que administram, bem como opções de compra de ações que lhes dão o direito de vendê-las em data futura.8 Se o valor das ações sobe, então os gerentes ganham a diferença entre o preço de aquisição das ações e o seu valor em data posterior. Michael Eisner, CEO da Walt Disney, por exemplo, recebeu opções de compra de ações no valor de $ 1 bilhão quando as ações da Disney dispararam na década de 1990. Quando Steve Jobs novamente se tornou CEO da Apple, ele decidiu que aceitaria um salário de apenas $ 1 por ano. Entretanto, Jobs também recebeu opções de compra de ações no valor de mais de $ 100 milhões em 2004 e que valerão o dobro ou o triplo se a Apple con- tinuar a ter um bom desempenho e o preço de suas ações subir (ele também recebeu um jato no valor de $ 90 milhões para usar como quiser).9 Essas quantias incríveis de dinheiro fornecem uma indicação tanto das responsabilidades quanto das recompensas obtidas quando se atinge altas posições gerenciais em importantes organizações. O que é que os gerentes fazem realmente para rece- ber essas recompensas?10 8 Capítulo Um Figura 1.2 Quatro Funções Gerenciais O trabalho de um gerente é ajudar uma organização a fazer o melhor uso de seus recursos para atingir seus objetivos. Como os gerentes fazem para atin- gir esse objetivo? Eles fazem isso desempenhando quatro funções gerenciais essenciais: planejar, organizar, liderar e controlar (ver Figura 1.2). As setas que ligam essas funções na Figura 1.2 sugerem a seqüência em que os gerentes costumam desempenhar essas funções. O administrador fran- cês Henri Fayol foi o primeiro a descrever a natureza dessas atividades gerenciais próximo à virada do século XX em General and Industrial Management, um livro que continua sendo a declaração clássica do que os gerentes devem fazer para criar uma organização com alto desempenho.11 Os gerentes de todos os níveis e de todos os departamentos — em pequenas ou grandes organizações, em organizações com ou sem fins lucrativos ou em organi- zações que operam em um só país ou no mundo — são responsáveis pelo desem- penho dessas quatro funções, que examinaremos a seguir. O modo como desem- penham essas funções determina a eficiência e a efetividade das orga nizações. Planejar Planejar é um processo que os gerentes usam para identificar e selecionar os obje- tivos e os cursos de ação adequados. Os três passos no processo de planejamento são: (1) decidir quais os objetivos a organização perseguirá, (2) decidir que cursos de ação adotar para atingir esses objetivos, e (3) decidir como alocar recursos organizacionais para atingir esses objetivos. O quão bem os gerentes planejam determina a efetividade e a eficiência de sua organização — seu nível de desem- penho.12 Como um exemplo do que é planejar, considere a situação enfrentada por Michael Dell, CEO da Dell Computer, a mais lucrativa fabricante de PCs e princi- pal concorrente da Apple.13 Em 1984, Michael Dell, com 19 anos, viu uma oportu- nidade para entrar no mercado de computadores pessoais, montando PCs e ven- dendo-os diretamente aos clientes. Dell começou a planejar como colocar sua idéia em prática. Primeiro, decidiu que seu objetivo era vender um computador pessoal barato, inferior aos preços de empresas como a Compaq e a Apple Com- puter. Em segundo lugar, ele teve que determinar um modo de ação para atingir Funções Gerenciais planejar Identificar e selecionar objetivos adequados; uma das quatro funções principais da administração. Planejar Selecionar objetivos organizacionais e modos de ação adequados para atingir melhor esses objetivos Organizar Estabelecer relações de tarefa e autoridade que permitam às pes- soas trabalhar juntas para atingir os obje- tivos da organi- zação Controlar Estabelecer siste- mas de medida e de monitoramento precisos para avaliar o quão bem a organização atingiu seus objetivos Liderar Motivar, coordenar e transmitir energia a indivíduos e grupos para trabalharem juntos de modo a atingir os objetivos organi- zacionais Os Gerentes e a Administração 9 esse objetivo. Ele decidiu vender diretamente aos clientes por telefone e passar para trás as lojas de computadores que vendiam PCs Compaq e Apple a altos pre- ços. Ele também teve que decidir como obter componentes de baixo custo e como divulgar aos clientes potenciais seus produtos. Terceiro, ele teve que decidir como distribuir seus recursos limitados (ele tinha apenas $ 5.000) para pagar mão-de- obra e outros recursos. Ele optou por contratar três funcionários e trabalhar com eles em volta de uma mesa para montar seus PCs. Assim, para colocar em prática sua visão de fabricar e vender computadores pessoais, Dell teve de planejar, e à medida que sua organização cresceu, os pla- nos dele mudaram e tornaram-se progressivamente mais complexos. Dell e seus gerentes planejam continuamente como ajudar a empresa a manter sua posição como a maior fabricante de PCs com o melhor desempenho. Em 2003, a Dell anunciou que iria começar a vender impressoras e assistentes pessoais digitais (PDAs); isso colocou-a em concorrência direta com a Hewlett-Packard (HP), a fabricante líder de impressoras, e com a Palm One, a fabricante do Palm Pilot. Em 2003, a Dell também lançou seu próprio music player da Internet, o Digital Jukebox, para competir com o iPod da Apple, e em 2004 reduziu o preço de seu player para competir efetivamente com a Apple. Em abril de 2004, o player da Dell estava sendo vendido por $ 50 menos que o da Apple, e os analistas que- riam saber qual seria o efeito que isso teria nas vendas de iPod e no desempe- nho futuro da Apple. Como a batalha entre a Dell e a Apple sugere, o resultado de planejar é uma estratégia, uma série de decisões a respeito de quais são os objetivos organiza- cionais a perseguir, que ações tomar e como usar os recursos para atingir os objetivos. As decisões que resultaram do planejamento de Michael Dell forma- ram uma estratégia de baixo custo. Uma estratégia de baixo custo é uma forma de obter clientes, tomando-se decisões que permitam que a organização produza seus bens e serviços de modo barato para que os preços possam ser mantidos baixos. A Dell tem refinado continuamente essa estratégia e explorado novas estratégias para reduzir custos. Ela tornou-se a fabricante de PC mais lucrativa como resultado de sua estratégia de baixo custo, e espera repetir seu sucesso no negócio de music player. Em contraste, a estratégia da Apple tem sido oferecer produtos digitais e para computador novos, interessantes e diferentes, como o iPod, a seus clientes, uma estratégia conhecida como diferenciação. O mini iPod foi desenvolvido para pessoas que estão em trânsito, por exemplo; ele é fino como um cartão de crédito, tem controles originais e fáceis de usar e vem numa variedade de cores vivas contemporâneas.14 Michael Dell sentado em dormitório na Universidade do Texas, Austin,onde abriu sua empresa de computadores pessoais no primeiro ano de faculdade. O quarto agora é ocupado pelos calouros Russell Smith (esquerda) e Jacob Frith, ambos de Plano, Texas. estratégia Um conjunto de decisões sobre quais objetivos perseguir, que ações tomar e como usar os recursos para atingir os objetivos. 10 Capítulo Um O Gerente como Pessoa Planejar é uma atividade difícil porque normalmente os objetivos que uma organização deve perseguir e o melhor modo de fazer isso — que estratégias ado- tar — não estão imediatamente claros. Os gerentes assumem riscos quando com- prometem recursos organizacionais para perseguir uma determinada estratégia. O sucesso ou o fracasso são um resultado possível do processo de planejamento. A Dell teve um sucesso espetacular, mas muitas outras fabricantes de PC abandona- ram o negócio (como a Packard Bell e a Digital) ou perderam imensas somas em dinheiro (como a IBM e a AT&T) ao tentar competir nesse setor. No Capítulo 8, focalizaremos o processo de planejamento e as estratégias que as organizações podem selecionar para responder às oportunidades e às ameaças em um setor. A história da ascensão de Patricia Russo ao poder na Lucent ilustra bem o quanto é importante planejar e formular estratégias para o sucesso na carreira de gerente. Novos CEOs Provocam Mudanças na Avon e na Lucent Duas empresas globais que têm exigido uma reformulação radical de suas estraté- gias nos últimos anos são a Avon, a conhecida vendedora de cosméticos porta a porta, e a Lucent Technologies, uma empresa de telecomunicações. Em 2000, depois de vários anos de queda nas vendas, a Avon reconheceu a necessidade de mudança e apontou Andrea Jung como sua CEO, a primeira mulher a ocupar esse cargo na história da companhia. Jung deparou-se com o desafio de tentar mudar essa empresa tradicional.15 Ela começou buscando uma nova visão para a empresa. O principal problema da Avon, segundo ela, era atingir um público além da mulher típica de 30 a 55 anos, que sempre foi sua principal consumidora. Ela decidiu estabelecer como alvo o importante segmento de 16 a 24 anos, bus- cando atrair e desenvolver a fidelidade à marca entre essas jovens clientes, que se tornarão a principal base de clientes do futuro. Em 2003, uma nova divisão da Avon chamada Mark começou a distribuir uma nova linha de cosméticos da moda, que visava a atender especificamente às necessidades desse segmento de mercado mais jovem. Para atender ao desafio de vendas da distribuição direta aos clientes através de uma abordagem de venda pessoal, Jung também decidiu recrutar uma nova geração de representantes de vendas de grupos mais jovens. Ela esperava que com pessoas da mesma idade para atender às necessidades delas, suas reuniões de vendas pudessem ser voltadas para as necessidades desse grupo mais jovem e os representantes de vendas pudessem ser treinados para reagir às suas necessidades específicas. O potencial desse mercado é enorme, pois os 17 milhões de mulheres nesse segmento têm um poder total de compra de quase $ 100 bilhões por ano, e gastam 20% de sua renda em produtos de beleza. Em 2001, Jung começou a comunicar com entusiasmo sua visão para os 13.000 representantes de vendas da Avon, que se reuniram em Las Vegas para o pré-lançamento das novas linhas de produto, para verem algumas programações e ouvirem a nova CEO. Jung informou aos representantes de vendas que o futuro sucesso da Avon dependia de seus esforços e que eles eram a parte mais importante da Avon. Hoje, a Avon tem quatro milhões de representantes localizados no mundo todo, e planeja aumentar o número de seus representantes de vendas nos EUA de 500.000 para 750.000 nos próximos anos.16 Em 2004, a empresa relatou lucros globais recor- des em vendas crescentes no mundo todo de sua variedade crescente de produtos de maquiagem, sabonetes, produtos para cabelos, bijuterias e outros produtos. À medida que o desempenho da Lucent continuava a despencar devido à redução nas vendas resultante da quebra das telecomunicações no início de 2000, ela decidiu trazer Patricia Russo (uma ex-executiva da Lucent que tinha saído Os Gerentes e a Administração 11 para tornar-se COO da Kodak) de volta como CEO. Russo enfrentou uma tarefa assustadora, visto que a Lucent havia per- dido mais de $ 16 bilhões em 2001.17 Como ela poderia posicionar melhor os diferentes negócios da Lucent para atender às necessi- dades de seus clientes globais enquanto continuava a encontrar maneiras de reduzir custos? A resposta de Russo foi refocalizar as atividades da empresa em três áreas prin- cipais de negócio: (1) aumentar os serviços de telecomunicações, envolvendo design de rede, administração e manutenção para tirar vantagem da experiência dos enge- nheiros altamente qualificados da Lucent; (2) desenvolver parcerias com outras empresas de alta tecnologia para comercia- lizar conjuntamente seus produtos; (3) esti- mular vínculos da Lucent com o governo federal e oferecer um serviço ágil a todas as áreas de governo, de impostos a defesa.18 Em 2004, o sucesso dos esforços de Russo foi visto quando a Lucent finalmente se equilibrou e voltou a ter lucros.19 Conseguir guinadas tão radicais nessas empresas também foi o resultado da forma com Jung e Russo mudaram o modo de organização de suas empresas. Para tirar vantagem rapidamente das oportunidades oferecidas pela Internet e pela tec- nologia da informação emergente, ambas as executivas criaram um novo plano organizacional que enfocava a necessidade de desenvolver e vender novos produtos. Primeiro, o exército de representantes de vendas da Avon viu a Internet como um modo de passá-lo para trás e afetar suas comissões. Entretanto, Jung trabalhou duro para mostrar aos representantes que eles eram importantes para a empresa e que os clientes que compravam pela Internet muito provavelmente provariam ser bons clientes potenciais para sua abordagem de venda pessoal depois de terem comprado e experimentado os produtos da Avon. As previsões de Jung provaram ser corretas, pois as vendas na Internet aumentaram em vez de diminuir suas comissões, e os representantes de vendas agora aproveitam ativamente as novas possibilidades que a Internet abriu para sua abordagem de venda pessoal. No caso da Lucent, utilizar a Internet significou agilizar serviços aos clientes, como grandes corporações e o governo federal. Dessa forma, a Lucent pôde monitorar continuamente o desempe- nho das redes de seus clientes para impedir falhas em suas operações. O impulso e o talento de Jung para aproveitar ao máximo os recursos da Avon é transmitido claramente aos representantes, em seu estilo de liderança. Isso teve como base o uso de sua personalidade e carisma para convencer os representantes de vendas que se eles continuassem a trabalhar para atingir a visão dela de tornar a Avon o lugar de compras número 1 para mulheres do mundo todo, as possibilidades para eles seriam infindáveis. Russo, por sua vez, observou que seu retorno para a Lucent ocorreu porque “Este foi o único lugar que me fez pensar em sair de onde eu trabalhava. Este é um setor que eu conheço, com clientes e pessoas que eu conheço.” Sua forma de liderar baseia- se em comunicar claramente aos gerentes que suas prioridades são aprimorar os relacionamentos com os clientes e com outras empresas para encontrarem novas formas de criar produtos e serviços que eles valorizarão. Para ambas as CEOs, planejar e organizar são funções vitais, e elas insistem que essas funções devem ser trabalhadas continuamente pelos gerentes em todos os níveis da empresa. O conhecimento que Patricia Russo tem do setor e sua visão ajudaram-na a estabelecer uma estratégia que colocou o Balanço Patrimonial da Lucent de volta no azul. 12 Capítulo Um Organizar Organizar é um processo que os gerentes usam para estabelecer uma estrutura de relações funcionais que permita aos membros da organização interagir e colaborarpara atingir os objetivos organizacionais. Organizar envolve agrupar pessoas em departamentos de acordo com os tipos de tarefas específicas de cargos que eles desempenham. Ao organizar, os gerentes também estabelecem as linhas de autori- dade e responsabilidade entre diferentes indivíduos e grupos, e decidem como melhor coordenar recursos organizacionais, particularmente os recursos humanos. O resultado de organizar é a criação de uma estrutura organizacional, um sis- tema formal de tarefas e relações de subordinação que coordena e motiva os membros de modo a trabalharem juntos para atingir os objetivos organizacionais. A estrutura organizacional determina como os recursos de uma organização podem ser usados do melhor modo para criar bens e serviços. À medida que a Dell Computer foi crescendo, por exemplo, Michael Dell enfrentou a questão de como estruturar a organização. Logo ele estaria contratando 100 funcionários novos por semana e definindo a hierarquia da organização para motivar e coorde- nar melhor as suas atividades. À medida que a organização cresceu, ele e seus gerentes criaram progressivamente tipos mais complexos de estrutura organiza- cional para ajudá-la a atingir seus objetivos. Examinaremos detalhadamente o processo de organizar nos Capítulos 9 a 11. Liderar Ao liderar, os gerentes não só articulam uma visão clara para os membros da organi- zação seguirem, mas também transmitem energia a eles e os capacitam para que entendam o papel que desempenham no alcance dos objetivos organizacionais. A liderança depende das habilidades de uso do poder, influência, visão, persua são e comunicação a fim de coordenar os comportamentos de indivíduos e grupos para que suas atividades e seus esforços estejam em harmonia e para encorajar os funcio- nários a ter um desempenho de alto nível. O resultado da liderança é um alto nível de motivação e compromisso entre os membros da organização. Os funcionários na Dell Computer, por exemplo, têm reagido bem ao estilo de liderança “na prática” de Michael Dell; esse estilo resultou em uma força de trabalho dedicada, compro- metida. Os gerentes na Apple agora apreciam o novo estilo de liderança de Steve Jobs, um estilo baseado em sua disposição para delegar autoridade e em sua capaci- dade de ajudar os gerentes a resolver diferenças que poderiam levar facilmente a disputas amargas ou a lutas de poder. Discutiremos as questões envolvidas na admi- nistração e liderança de indivíduos e grupos nos Capítulos 13 a 16. Controlar Ao controlar, os gerentes avaliam em que medida uma organização está atingindo seus objetivos e tomam medidas para manter ou aprimorar o desempenho. Por exemplo, os gerentes monitoram o desempenho de indivíduos, departamentos e da organização como um todo, a fim de ver se eles estão atendendo aos padrões desejados de desempenho. Michael Dell aprendeu cedo em sua carreira o quanto isso é importante; Steve Jobs levou mais tempo. Se os padrões não estão sendo atingidos, os gerentes tomam medidas para aprimorar o desempenho. O resultado do processo de controle é a capacidade de medir o desempenho com exatidão e regular a eficiência e a efetividade organizacional. Para exercer controle, os gerentes devem decidir quais objetivos irão medir — talvez objetivos pertinentes à produtividade, qualidade ou capacidade de responder aos clientes — e então devem projetar sistemas de informação e de controle que irão fornecer os dados de que organizar Estruturar relações funcionais de modo a permitir que os membros da organização trabalhem juntos para atingir os objetivos organizacionais; uma das quatro funções principais da administração. estrutura organizacional Um sistema formal de tarefas e relações de subordinação que coordena e motiva os membros da organização de modo que eles trabalhem juntos para atingir os objetivos organizacionais. liderar Articular uma visão clara, transmitir energia e capacitar os membros da organização de modo que eles entendam o papel que desempenham no alcance dos objetivos organizacionais; uma das quatro funções principais da administração. controlar Avaliar o quanto uma organização está atingindo seus objetivos e tomar medidas para manter ou aprimorar o desempenho; uma das quatro funções principais da administração. Os Gerentes e a Administração 13 precisam para avaliar o desempenho. A função de controlar também permite aos gerentes avaliar como eles estão desempenhando as outras três funções gerenciais — planejar, organizar e liderar — e tomar uma ação corretiva. Michael Dell teve dificuldade em estabelecer sistemas efetivos de controle por- que sua empresa estava crescendo rapidamente e ele não possuía gerentes expe- rientes. Em 1988, os custos da Dell dispararam porque não havia controle para monitorar o estoque, que tinha sido formado de modo rápido demais. Em 1993, surgiram problemas financeiros devido a transações insensatas com moeda estran- geira. Em 1994, a nova linha de computadores laptop da Dell afundou porque o fraco controle de qualidade resultou em produtos defeituosos, alguns dos quais pegaram fogo. A fim de resolver esses e outros problemas de controle, a Dell con- tratou gerentes experientes para implantar os sistemas certos de controle. Como resultado, em 1998 a Dell conseguiu fabricar computadores por cerca de 10% a menos que seus concorrentes, criando uma importante fonte de vantagem compe- titiva. Por volta de 2001, a Dell tinha se tornado tão eficiente que estava tirando seus concorrentes do mercado porque obteve uma vantagem de custo de 15 a 20% em relação a eles.20 Em 2003, ela era a maior fabricante de PC do mundo. Contro- lar, como as outras funções gerenciais, é um processo contínuo, fluido, que está sempre mudando e que exige constante atenção e ação. Trataremos dos aspectos mais importantes da função de controlar nos Capítulos 9, 11, 17, 18 e 19. As quatro funções gerenciais — planejar, organizar, liderar e controlar — são essenciais ao cargo de um gerente. Em todos os níveis de uma hierarquia geren- cial, e em todos os departamentos de uma organização, a administração efetiva significa tomar decisões e gerenciar essas quatro atividades com sucesso. Para ter um desempenho eficiente e efetivo, as organizações empregam três tipos de gerentes — gerentes de primeiro nível, gerentes de nível médio e diretoria — distribuídos em uma hierarquia (ver Figura 1.3). Geralmente, os gerentes de primeiro nível reportam-se os gerentes de nível médio, e estes reportam-se aos diretores. Os gerentes em cada nível têm responsabilidades diferentes, mas relacionadas ao uso dos recursos da organização para aumentar a eficiência e a efetividade. Esses três tipos de gerentes estão agrupados em departa- mentos (ou funções) de acordo com as responsabilidades específicas de seus car- gos. Um departamento como de produção, contabilidade ou engenharia é um grupo de pessoas que trabalham juntas e possuem habilidades similares, ou usam o mesmo tipo de conhecimento, ferramentas ou técnicas para desempenhar seus cargos. Dentro de cada departamento há todos os três níveis gerenciais. A seguir, examinaremos as razões para as organizações usarem uma hierarquia de gerentes e agruparem-nos em departamentos. Então, examinaremos algumas mudanças recentes que estão acontecendo nas hierarquias gerenciais. Níveis Gerenciais Como acabamos de discutir, as organizações normalmente têm três níveis geren- ciais: gerentes de primeiro nível, gerentes de nível médio e diretores. GERENTES DE PRIMEIRO NÍVEL Na base da hierarquia gerencial estão os gerentes de primeiro nível, freqüentemente chamados de supervisores. Eles são responsáveis pela supervisão diária dos funcionários em cargos não gerenciais, que executam muitas das atividades específicas necessárias para a produção de bens e serviços. Os gerentes de primeiro nível trabalham em todos os departa- mentos ou funções de uma organização. Tipos de Gerentesdepartamento Um grupo de pessoas que trabalham juntas e possuem habilidades similares ou usam o mesmo conhecimento, ferramentas ou técnicas para desempenhar seus cargos. gerente de primeiro nível Um gerente que é responsável pela supervisão diária de funcionários em cargos não gerenciais. 14 Capítulo Um Departamento de pesquisa e desenvolvimento CEO Gerentes de Primeiro Nível Diretores Gerentes de Nível Médio Departamento de marketing e vendas Departamento de produção Departamento de contabilidade Departamento de materiais gerenciais Figura 1.3 Tipos de Gerentes Exemplos de gerentes de primeiro nível incluem o supervisor de uma equipe de trabalho no departamento de produção de uma fábrica de automóveis, a enfermeira-chefe do departamento de obstetrícia de um hospital e o mecânico- chefe que supervisiona uma equipe de mecânicos no departamento de serviços de uma nova revendedora de carros. Na Dell Computer, os gerentes de pri- meiro nível incluem os supervisores responsáveis pelo controle de qualidade dos computadores da Dell ou pelo nível de atendimento aos clientes oferecido por telefone pelos vendedores da companhia. Quando Michael Dell começou sua empresa, ele controlava pessoalmente o processo de montagem de compu- tadores e, assim, desempenhou o papel de um gerente de primeiro nível ou de supervisor. GERENTES DE NÍVEL MÉDIO Supervisionando os gerentes de primeiro nível estão os gerentes de nível médio, responsáveis por encontrar a melhor forma de organizar os recursos humanos e outros de modo a atingir os objetivos organizacionais. Para aumentar a eficiência, os gerentes de nível médio encon- tram meios de ajudar os gerentes de primeiro nível e os funcionários em cargos não gerenciais a utilizar melhor os recursos de modo a reduzir os custos de pro- dução ou aprimorar o atendimento ao cliente. Para aumentar a efetividade, os gerentes de nível médio avaliam se os objetivos que a organização está perse- guindo são adequados e sugerem aos diretores como eles deveriam ser mudados. Muito freqüentemente, as sugestões que os gerentes de nível médio dão à direto- ria podem aumentar acentuadamente o desempenho organizacional. Uma parte importante do cargo do gerente de nível médio é desenvolver e refinar habilida- des e know-how, como experiência em produção ou em marketing, que permi- tam que a organização seja eficiente e efetiva. Os gerentes de nível médio tomam milhares de decisões específicas sobre a produção de bens e serviços: quais super- visores de primeiro nível deveriam ser escolhidos para um determinado projeto específico? Onde podemos encontrar os recursos de mais alta qualidade? Como os funcionários deveriam ser organizados para permitir que façam melhor uso dos recursos? Por trás de uma força de vendas de primeira classe, procure os gerentes de nível médio responsáveis por treinar, motivar e recompensar os vendedores. Por trás de um staff comprometido de professores de colégio, procure o dire- tor que lhes transmite energia para que encontrem meios de obter os recur- sos de que precisam a fim de fazerem um trabalho excelente e inovador em sala de aula. DIRETORES Em contraste com os gerentes de nível médio, os diretores são responsáveis pelo desempenho de todos os departamentos.21 Eles têm a responsabili- gerente de nível médio Um gerente que supervisiona gerentes de primeiro nível é responsável por encontrar a melhor forma de usar os recursos para atingir os objetivos organizacionais. Os Gerentes e a Administração 15 Planejar Organizar Liderar Controlar Diretores Gerentes de Nível Médio Gerentes de Primeiro Nível Figura 1.4 Quantidade relativa de tempo que os gerentes passam executando as quatro funções gerenciais dade interdepartamental. Os diretores estabelecem os objetivos orga nizacionais, como quais bens e serviços a empresa deve produzir; decidem como departamen- tos diferentes devem interagir e monitoram como os gerentes nível médio em cada departamento utilizam os recursos para atingir os objetivos.22 Diretores são, finalmente, responsáveis pelo sucesso ou pelo fracasso da organização, e seu desempenho (como aquele de Steve Jobs e Patricia Russo) é analisado continua- mente por pessoas de dentro e de fora da organização, como os outros funcioná- rios e investidores.23 O CEO (chief executive officer) é o gerente mais graduado e importante de uma empresa, aquele a quem todos os outros diretores se reportam. Hoje, o termo COO (chief operating officer) é usado freqüentemente para se referir ao diretor que está sendo preparado para assumir a direção quando o atual CEO se apo- sentar ou sair da empresa. Juntos, o CEO e o COO são responsáveis pelo desen- volvimento de boas relações de trabalho entre diretores de vários departamen- tos (produção e marketing, por exemplo); geralmente, os diretores têm o título de vice-presidente. Uma preocupação central do CEO é zelar pelo bom funcio- namento da equipe da diretoria, um grupo composto pelo CEO, pelo COO e pelos chefes dos departamentos mais responsáveis por ajudar a atingir os objeti- vos da organização.24 A importância relativa de planejar, organizar, liderar e controlar — as quatro funções gerenciais — para qualquer gerente em particular depende da posição do gerente na hierarquia gerencial.25 A quantidade de tempo que os gerentes pas- sam planejando e organizando recursos para manter e aprimorar o desempenho organizacional aumenta à medida que eles ascendem na hierarquia (ver Figura 1.4).26 Os diretores dedicam a maior parte de seu tempo a planejar e organizar, funções cruciais para determinar o desempenho de uma organização em longo prazo. Quanto mais baixa a posição gerencial na hierarquia, mais tempo os geren- tes passam liderando e controlando os gerentes de primeiro nível ou os funcioná- rios em funções não gerenciais. equipe da diretoria Um grupo composto pelo CEO, COO e pelos chefes dos departamentos mais importantes. Diretor Estabelece os objetivos organizacionais, decide como os departamentos devem interagir e monitora o desempenho dos gerentes de nível médio. 16 Capítulo Um Áreas dos Gerentes Uma vez que grande parte da responsabilidade de um gerente é adquirir e desenvol- ver recursos críticos, os gerentes são, geralmente, membros de um departamento específico.27 Os gerentes de um departamento possuem habilidades específicas do cargo e são conhecidos, por exemplo, como gerentes de marketing ou gerentes de produção. Como a Figura 1.3 indica, os gerentes de primeiro nível, os de nível médio e os diretores, que diferem uns dos outros pelas responsabilidades específicas do cargo, são encontrados em cada um dos principais departamentos da organização. Dentro de cada departamento, a hierarquia gerencial também emerge. Na Dell Computer, por exemplo, Michael Dell contratou especialistas para se encarregarem dos departamentos de marketing, vendas e produção e para desen- volverem procedimentos de trabalho a fim de ajudar os gerentes de primeiro nível a controlar o crescimento explosivo das vendas da empresa. O chefe da produção descobriu rapidamente que ele não tinha tempo para supervisionar a montagem de computadores, então recrutou gerentes de produção nível médio de outras empresas para assumirem essa responsabilidade. Mudanças Recentes nas Hierarquias Gerenciais As tarefas e responsabilidades dos gerentes em diferentes níveis têm mudado drama- ticamente nos últimos anos. Dois fatores importantes que têm levado a essas mudan- ças são a concorrência global, os avanços nas novas tecnologias da informação (TI) e o desenvolvimento do e-commerce. A concorrência acirrada por recursos das orga- nizações, tanto internamente quanto no exterior, aumentou a pressão sobre todos os gerentes para aprimorarem a eficiência, a efetividade e o desempenho organizacio- nal. Cada vez mais, os diretores estão encorajando os gerentes de nível mais baixo a olhar além dos objetivos de seus próprios departamentose a adotar uma visão inter- departamental para encontrar novas oportunidades de aprimorar o desempenho organizacional, como Michael Dell e Steve Jobs têm feito. Novas tecnologias de infor- mação dão aos gerentes de todos os níveis acesso a mais e a melhores informações e aprimoram sua capacidade de planejar, organizar, liderar e controlar; isso também tem revolucionado a maneira como a hierarquia gerencial funciona.28 REESTRUTURANDO E TERCEIRIZANDO Para tirar vantagem da TI e do e-commerce e de sua capacidade de reduzir os custos operacionais, os CEOs e as equipes da diretoria têm reestruturado as organizações e terceirizado ativida- des organizacionais específicas para diminuir o número de funcionários na folha de pagamento. Reestruturar envolve o uso da tecnologia da informação para reduzir os níveis de uma organização ou diminuir suas operações, eliminando os cargos de gran- des números de diretores, de gerentes de nível médio, de primeiro nível e de funcionários em funções não gerenciais. Por exemplo, a TI permite que menos funcionários desempenhem uma dada tarefa porque ela aumenta a capacidade que cada pessoa tem de processar informações e tomar decisões de maneira mais rápida e precisa. Empresas norte-americanas estão gastando mais de $ 50 bilhões por ano em TI avançada que aprimora a eficiência e a efetividade. Discutiremos muitos efeitos radicais da TI sobre a administração no Capítulo 18. Reestruturar, entretanto, pode produzir alguns resultados negativos. A TI pode afetar o moral dos funcionários remanescentes, que estão preocupados com a estabilidade de seu próprio emprego. E os diretores de muitas organizações que passaram pelo downsizing estão percebendo que foram longe demais nesse pro- cesso, porque os funcionários reclamam de estarem sobrecarregados e um número maior de clientes reclama da má qualidade dos serviços.29 reestruturação Downsizing de uma organização, eliminando-se os cargos de grande número de diretores, de gerentes de nível médio, de primeiro nível e de funcionários sem cargo gerencial. Os Gerentes e a Administração 17 Funcionários da 24/7 Customer em Bangalore fornecem apoio por telefone para clientes dos Estados Unidos e do Reino Unido e trabalham a noite toda. Estima-se que até 1,6 milhão de empregos nos Estados Unidos mude para o exterior em 2010; entretanto, o U. S. Bureau of Labor Statistics espera que 22 milhões de novos empregos sejam criados por outros setores. Terceirizar envolve contratar outra empresa, normalmente em um país de baixo custo, para que esta desempenhe uma atividade realizada anteriormente pela própria organização, como a produção ou marketing. Terceirizar promove a eficiência ao reduzir custos e ao permitir a uma organização a melhor utilização de seus recursos restantes. A necessidade de reagir à competição global pelo custo baixo tem acelerado acentuadamente a terceirização na década de 2000. Três milhões de empregos nos Estados Unidos, no setor de produção, foram perdidos desde 2000, à medida que as empresas mudaram suas operações para países como China, Taiwan e Malásia. Dezenas de milhares de empregos com alta remunera- ção em TI foram transferidos para países como Índia e Rússia, onde os programa- dores trabalham por um terço do salário pago nos Estados Unidos. Grandes organizações com fins lucrativos hoje costumam empregar 10 a 20% menos funcionários que dez anos atrás, devido à reestruturação e à terceirização. A General Motors, a IBM, a AT&T, a HP, a Dell e a Du Pont estão entre milhares de organizações que têm dinamizado suas operações para aumentar a eficiência e a efe- tividade. O argumento é que os gerentes e funcionários que perderam seus empre- gos encontrarão emprego em novas organizações norte-americanas em crescimento, onde suas habilidades e experiência serão mais bem utilizadas. Por exemplo, os milhões de empregos na produção que foram perdidos para o exterior logo serão substituídos por empregos com remuneração melhor nos Estados Unidos, no setor de serviços, e isso é possível devido ao crescimento do comércio global. DELEGAÇÃO DE PODER (EMPOWERMENT) E EQUIPES AUTOGE- RENCIADAS Outra mudança importante na administração aconteceu com os gerentes de primeiro nível, que costumam supervisionar os funcionários encar- regados da produção de bens e serviços. Ao tirarem vantagem da TI avançada, muitas organizações têm adotado duas medidas para reduzir os custos e aprimo- rar a qualidade. Uma delas é a delegação de poder à sua força de trabalho, usando novos programas de software para ampliar o conhecimento, as tarefas e as respon- sabilidades dos funcionários. A outra é a criação de equipes autogerenciadas — grupos de funcionários com a responsabilidade de supervisionar suas próprias atividades e monitorar a qualidade dos bens e serviços que oferecem.30 terceirizar Contratar outra empresa, geralmente no exterior, para que ela desempenhe uma atividade realizada anteriormente pela própria organização. delegar poder Ampliar as tarefas, responsabilidades e conhecimentos dos funcionários. equipe autogerenciada Um grupo de funcionários que supervisiona suas próprias atividades e monitora a qualidade dos bens e serviços que oferecem. 18 Capítulo Um Byte de Tecnologia da Informação Tais equipes inserem os resultados de suas atividades em computadores, e por meio da TI os gerentes de nível médio têm acesso imediato ao que está aconte- cendo. Como resultado da TI, os membros de equipes autogerenciadas assumem muitas das responsabilidades e deveres antes desempenhados pelos gerentes de primeiro nível.31 Qual é o papel do gerente de primeiro nível nesse novo contexto de trabalho com a TI? Eles agem como treinadores ou mentores cuja função não é dizer aos funcionários o que eles devem fazer, mas dar conselho e orientação e ajudar as equipes a encontrar novas maneiras de desempenhar suas tarefas de modo mais eficiente.32 O modo como a Empire usou a TI para mudar as tarefas e responsabilidades de sua força de vendas ilustra os vários modos importantes pelos quais a TI pode afe- tar o processo de administração. A Empire Insurance Usa CRM para Estimular Vendas Em 2001, a Empire, a maior provedora de seguro-saúde em Nova York, vendia suas apólices de seguro por intermédio de 1.800 agentes de vendas que eram responsáveis por coletar todas as informações específicas do cliente, necessá- rias para determinar o preço da política de seguro de cada cliente. Depois de obter as informações necessárias, os agentes telefonavam para o departamento de cotas da Empire, onde gerentes de primeiro nível preparavam e aprovavam cotas de preço. Essas cotas eram, então, repassadas aos agentes, que por sua vez repassavam-nas aos clientes, que então freqüentemente modificavam suas soli- citações para reduzir o custo de sua apólice de seguro. Para cada solicitação modificada, o agente tinha de telefonar ao supervisor na Empire novamente, para obter revisão da cota de preço. Isso acontecia com freqüência várias vezes, e o resultado era que muitas vezes demorava mais de 20 dias para se fechar uma venda e mais dez dias para que o cliente recebesse o cartão do seguro. Reconhecendo que essas demoras estavam causando perda de vendas para a empresa, os gerentes da Empire decidiram examinar como um novo tipo de software chamado gestão de relacionamento com o cliente (CRM) poderia ajudar a aprimorar o processo de vendas. O software CRM cria uma plataforma de TI baseada na Web que monitora e controla cada uma das atividades específicas envolvidas na venda e entrega de produtos aos clientes, como as atividades de venda de vendedores, a determinação de preços do produto e o serviço pós- venda. O software CRM funciona para integrar todas as atividades necessárias para que os vendedores em campo tomem decisões importantes com rapidez.33 Para ver se o CRM ajudaria a aprimorar o desempenho, os gerentes da Empire analisaram todasas atividades específicas envolvidas no processo de vendas da sua empresa. Depois de fazerem isso, eles deci- diram implementar um sistema CRM ba seado na Web que delegaria poder a cada agente para calcular a cota de seguro e oferecer ao cliente um contrato jurídico vinculado. Ao usar o novo software, os pró- prios agentes agora inserem os dados rele- vantes do cliente on-line, e o sistema CRM da Empire gera a cota em alguns segun- dos. Sentando-se face a face com um cliente, um agente pode modificar conti- nuamente uma apólice até que seu preço O software CRM melhora o desempenho das vendas, fornecendo à equipe a ferramenta de que ela precisa para otimizar a relação com o cliente. Os Gerentes e a Administração 19 seja adequado ao cliente. O processo de vendas, que antes levava mais de 20 dias, agora pode ser concluído em algumas horas com o uso do CRM, e os clientes recebem seus cartões de seguro em dois ou três dias. Ao promoverem o fluxo de informação dentro da função de vendas, os siste- mas CRM eliminam muitos problemas, como obtenção de aprovação para a cota de um cliente e oferecimento de um desconto. O papel do gerente de primeiro nível no novo sistema é observar como os agentes de vendas, que agora têm poder de decisão, fecham as vendas, a fim de detectar maneiras de ajudar todos os agentes a melhorar os fechamentos.34 Tendo acesso a todas as atividades do pessoal de vendas, os gerentes podem, por exemplo, detectar se uma certa abor- dagem funciona melhor que outra, determinar quanto desconto deve ser ofere- cido e identificar mudanças nas necessidades do cliente, de modo que eles pos- sam adequar melhor o produto para atender a essas necessidades. Em essência, o novo sistema CRM da Empire não só dá mais autoridade aos agentes de vendas, mas também ajuda a identificar maneiras específicas de aprimorar as melhores práticas de vendas que podem ser compartilhadas com toda a força de vendas. John Deere, a conhecida fabricante de tratores, também tomou medidas para dele- gar poder a seus funcionários, visando ao aumento do desempenho. Os gerentes da Deere perceberam que os funcionários que montam seus veículos, com seu conheci- mento detalhado sobre como os produtos Deere funcionam, poderiam ser vendedo- res persuasivos. Então, grupos desses funcionários agora recebem treinamento em técnicas de vendas e visitam clientes da Deere para explicar a eles como operar os novos produtos da organização. Enquanto falam com os clientes, esses “vendedores” que ganharam autoridade recentemente são capazes de coletar informações que aju- dam a Deere a desenvolver novos produtos de interesse dos clientes. As novas funções em vendas são temporárias. Os funcionários são encaminhados para assumir essa atri- buição, mas depois voltam para a linha de produção, onde usam seus novos conheci- mentos para encontrar maneiras de aprimorar a eficiência e a qualidade. A iniciativa da empresa para delegar poder aos funcionários tem tido tamanho sucesso que a Deere negociou um novo acordo com os operários para promover a delegação de poder. O acordo especifica que os aumentos no salário serão baseados na aprendizagem que os operários obtiverem em novas qualificações e na conclu- são de cursos de faculdade em áreas como programação de computador, que irão ajudar a empresa a aumentar a eficiência e a qualidade. E a satisfação que os traba- lhadores sentem ao usar suas novas qualificações e ao desenvolver novas capacida- des aumentará seu compromisso com a empresa e, assim, irá ajudá-la a ter sucesso. Como sugere o exemplo da Empire, a TI está provocando muitos efeitos importantes na maneira como os gerentes desempenham as quatro funções, no modo como os gerentes desempenham esses papéis e nas habilidades que eles desen- volvem para desempenhar esses papéis efetivamente. Um papel gerencial é um conjunto de tarefas específicas que um gerente deve desempenhar devido à posição que ele ou ela ocupa em uma organização. Um modelo conhecido de papéis gerenciais foi desenvolvido por Henry Mintzberg, que detalhou dez papéis específicos que os gerentes efetivos desempenham. Embora os papéis de Mintzberg sobrepo- nham-se ao modelo de Fayol, eles são úteis porque enfocam o que os gerentes fazem numa hora, num dia ou numa semana típicos em uma organização, à medida que exercem a função de gerenciar.35 A seguir, discutiremos esses papéis e as habilidades que os gerentes precisam desenvolver para terem um desempe- nho efetivo numa época em que a TI avançada e o e-commerce estão mudando a maneira como os gerentes se comportam. TI, Habilidades e Papéis Gerenciais papel gerencial As tarefas específicas que um gerente deve desempenhar devido à posição que ele ou ela ocupa numa organização. 20 Capítulo Um Papéis Gerenciais Identificados por Mintzberg Henry Mintzberg reduziu para dez papéis as milhares de tarefas específicas que os gerentes precisam desempenhar quando planejam, organizam, lideram e controlam os recursos organizacionais.36 Os gerentes assumem cada um desses papéis para influenciar o comportamento de indivíduos e grupos dentro e fora da organização. As pessoas que estão dentro da organização incluem outros gerentes e funcionários. As pessoas de fora da organização incluem acionistas, clientes, fornecedores e a comunidade local em que uma organização está loca- lizada e qualquer agência local ou governamental que tenha algum interesse na organização e no que ela faz.37 Mintzberg agrupou os dez papéis em três categorias amplas: decisional, informacional e interpessoal, que são descritas na Tabela 1.1. Os gerentes desempenham freqüentemente muitos desses papéis minuto a minuto enquanto estão incumbidos das funções mais gerais de pla- nejar, organizar, liderar ou controlar. A TI está mudando a maneira como eles fazem isso. PAPÉIS DECISIONAIS Os papéis decisionais estão intimamente associa- dos aos métodos que os gerentes usam para planejar a estratégia e utilizar os recursos. A TI ajuda um gerente no papel de empreendedor ao fornecer mais e melhores informações que serão usadas para decidir quais projetos ou progra- mas iniciar e na hora de investir recursos para melhorar o desempenho orga- nizacional. Como um solucionador de transtornos, um gerente pode obter infor- mações em tempo real por meio da TI para gerenciar um evento ou crise inesperados que ameaçam a organização e implementar soluções rapidamente. Como um distribuidor de recursos, o gerente que usa sistemas de software de recursos humanos de empresas como Oracle e SAP tem acesso fácil às infor- mações detalhadas necessárias para decidir a melhor maneira de usar as pes- soas e outros recursos para aumentar o desempenho organizacional. Enquanto estiver incumbido desse papel, o gerente deve ainda ser um negociador, bus- cando acordos com outros gerentes ou grupos que alegam ser os primeiros a ter direito aos recursos, ou com a organização e grupos externos, como forne- cedores ou clientes. O surgimento de mercados eletrônicos e redes empresa- empresa (B2B) que ligam as organizações a milhares de fornecedores é um dos diversos exemplos das várias formas como a TI ajuda os gerentes a desem- penhar o papel de negociador. PAPÉIS INFORMACIONAIS Os papéis informacionais estão intimamente associados às tarefas necessárias para obter e transmitir informação e, obviamente, por isso têm sofrido grande impacto da TI. Ao agir como disseminador, um gerente pode usar a TI para transmitir de modo rápido e efetivo informações aos funcio- nários a fim de influenciar suas atitudes e comportamento no trabalho. A Wal- Mart, por exemplo, tem feito videoconferências em toda a nação ligando direto- res a cada loja individual e usa a Internet para fornecer programas atualizados de treinamento a seus funcionários. A TI também fornece aos gerentes muito mais capacidade para agir como porta-vozes da organização e promovê-la, de modo que as pessoas de dentro e de fora reajam positivamente a ela. PAPÉISINTERPESSOAIS Os gerentes assumem papéis interpessoais para exercer a direção e a supervisão tanto para os funcionários quanto para a organiza- ção como um todo. A TI pode tornar os gerentes muito mais visíveis em toda a orga- nização. Como figurehead, a pessoa que simboliza uma organização ou departamen to, um CEO pode usar a Internet para informar aos funcionários e a outras partes in teressadas, como acionistas, qual é a missão da organização e o que ela está Os Gerentes e a Administração 21 Tabela 1.1 Papéis Gerenciais Identificados por Mintzberg Tipo de Papel Papel Específico Exemplos de Atividades do Papel DECISIONAL INTERPESSOAL INFORMACIONAL Empreendedor Solucionador de Transtornos Distribuidor de Recursos Negociador Figurehead Líder Formador de Alianças Monitor Disseminador Porta-voz Compromete recursos organizacionais para desenvolver bens e serviços inovadores; decide expandir a empresa internacionalmente para obter novos clientes para os produtos da organização. Age rapidamente para tomar uma ação corretiva e lidar com problemas inesperados que a organização enfrenta no ambiente externo, quando surge uma crise, como por exemplo um vazamento de óleo, ou no ambiente interno, como a produção de bens e serviços com problemas. Distribui recursos organizacionais entre diferentes funções e departamentos da organização; estabelece orçamentos e salários dos gerentes de nível médio e de primeiro nível. Trabalha com fornecedores, distribuidores e sindicatos trabalhistas para chegar a acordos quanto à qualidade e ao preço do insumo, dos recursos técnicos e humanos; trabalha com outras organizações para estabelecer acordos a fim de juntar recursos e trabalhar em projetos conjuntos. Apresenta os futuros objetivos organizacionais aos funcionários em reuniões da empresa; abre uma nova sede corporativa; anuncia as diretrizes éticas da organização e os princípios de comportamento que os funcionários devem seguir ao lidar com clientes e fornecedores. Fornece um exemplo para os funcionários seguirem; dá comandos e ordens diretos aos subordinados; toma decisões a respeito do uso de recursos humanos e técnicos; mobiliza o apoio ao funcionário para atingir objetivos organizacionais específicos. Coordena o trabalho de gerentes em diferentes departamentos; estabelece alianças entre diferentes organizações para partilhar recursos e produzir novos bens e serviços. Avalia o desempenho de gerentes em diferentes funções e toma ações corretivas para aprimorar esse desempenho; procura detectar mudanças ocorridas no ambiente externo e interno que possam afetar a organização no futuro. Informa os funcionários sobre as mudanças que estão acontecendo no ambiente externo e interno que irão afetar os próprios funcionários e a organização; comunica a eles a visão e o propósito da organização. Lança uma campanha publicitária nacional para promover novos bens e serviços; faz uma apresentação para informar a comunidade local sobre as futuras intenções da organização. procurando atingir. Em todos os níveis, os gerentes podem usar o e-mail e a Inter- net para agir como figureheads e modelos de papéis que estabelecem as maneiras adequadas de se comportar na organização. Por exemplo, qualquer pessoa na Microsoft tem permissão para enviar um e-mail direto para Bill Gates, se achar necessário. Por motivos similares, a TI permite que os gerentes tenham um desem- penho melhor como líderes porque eles têm mais informações e de melhor quali- dade disponíveis para que possam treinar, aconselhar e orientar os subordinados 22 Capítulo Um Ken Chenault, aqui retratado, é o Presidente e CEO da American Express Company. Promovido em 1997, ele fez sucesso desde a Travel Related Services Company graças a seu “temperamento comedido e determinação incansável”. Respeitado pelos colegas por sua personalidade, a maioria dirá que não se lembra de vê-lo se irritar ou levantar a voz. Sua política de portas abertas aos subordinados permite que ele oriente os gerentes da AmEx e encoraja todos a entrar para “falar o que pensam”. para ajudá-los a atingir seu pleno potencial. Finalmente, como formador de alian- ças, um gerente pode usar TI para aprimorar sua capacidade de unir e coordenar as atividades de pessoas e grupos, tanto dentro quanto fora da organização. Terri Patsos Stanley, gerente de um pequeno negócio de aluguel por curto prazo, tem usado a TI para ajudá-la a desempenhar melhor muitos de seus papéis. Patsos Stanley foi pioneira no conceito de oferecer aos viajantes a negócio aparta- mentos de alta qualidade como uma alternativa aos hotéis mais caros e freqüente- mente menos convenientes na área de Boston. Sua empresa, a Boston Short-Term Rentals, cresceu rapidamente devido à sua determinação para manter os custos baixos e os clientes satisfeitos. Para manter esses objetivos, Patsos Stanley teve de aprender todos os diferentes papéis gerenciais.38 Como presidente de uma empresa em rápido crescimento, Patsos Stanley pre- cisa tomar decisões continuamente. No papel de empreendedora, ela busca oportu- nidades para ampliar receitas, ao aumentar o número de apartamentos que gerencia. Uma solução adotada foi usar a Internet e desenvolver uma forte pre- sença na World Wide Web para atrair clientes. Como solucionadora de transtornos, ela lida com problemas inesperados, como falhas no encanamento no meio da noite; portanto, todos os membros do staff são ligados por pager eletrônico e aparelhos pessoais de envio de mensagens para acelerar a solução dos problemas dos clientes. Como distribuidora de recursos, ela decide quanto dinheiro deve gas- tar para reformar e fazer melhorias nos apartamentos, de modo a manter sua aparência luxuosa. Ela mantém contato direto com os donos de apartamento através da Internet — envia imagens digitais dos apartamentos pela Web, por exemplo. Como negociadora, ela contrata outras organizações, como de serviços de limpeza ou pintura, para obter os serviços mais econômicos que o negócio dela exige e, mais uma vez, as informações disponíveis na Internet tornam esse papel mais eficiente. Com mais de 200 apartamentos para supervisionar, a gestão de informações da Bos- ton Short-Term Rentals é uma atividade vital, e o papel de Patsos Stanley como moni- tora é importante. O complexo sistema de informática que ela desenvolveu permite avaliar o desempenho do negócio por taxas de ocupação, reclamações de clientes Os Gerentes e a Administração 23 e outros indicadores da qualidade de seus serviços. O sistema facilita sua capaci- dade de tomar medidas rápidas para resolver os problemas que surgem. Em seu papel permanente como disseminadora, ela usa a TI para dar a seu staff as últimas informações sobre mudanças em chegadas e saídas dos visitantes, e como porta-voz ela está sempre ao telefone para convencer os visitantes que podem estar um pouco hesitantes em se hospedar em um apartamento que não conhecem em vez de ficarem em uma rede de hotel que tem um nome reconhecido. De fato, Patsos Stanley aprendeu a importância de se envolver intensamente na administração de sua empresa. Ela e seus funcionários cumprimentam pes- soalmente os ocupantes que chegam e desempenham as atividades que os por- teiros, o carregador e o pessoal da recepção fazem num hotel. Em termos inter- pessoais, Patsos Stanley é a figurehead que dá o toque pessoal que seus hóspedes esperam; ela é a pessoa com quem eles podem entrar em contato, caso surjam problemas. Com sua pequena equipe de carpinteiros, eletricistas, decoradores de interior e pessoal de manutenção, ela age como líder, transmitindo-lhes ener- gia para oferecerem o serviço rápido que os hóspedes esperam. Ela também forma alianças capazes de conectar seus hóspedes a organizações que oferecem serviços dos quais eles podem precisar, como lavagem a seco, serviço de buffet ou cabeleireiro. Patsos Stanley adora a variedade de seu trabalho e tem prazer em conhecer altosexecutivos, atores e visitantes do exterior que ficam nos apartamentos.39 A proprietária/gerente de um pequeno negócio como a Boston Short-Term Rentals desempenha continuamente todos esses papéis gerenciais. Ser Gerente Nossa discussão sobre os papéis gerenciais pode sugerir que a tarefa de um gerente seja altamente orquestrada e que a administração seja um processo lógico, orde- nado, em que os gerentes calculam racionalmente a melhor forma de usar recur- sos para atingir os objetivos organizacionais. Na realidade, ser gerente envolve freqüentemente agir emocionalmente e contar com a intuição. Reagir de maneira rápida e imediata às situações em vez ponderar e refletir é um aspecto importante da ação gerencial.40 Freqüentemente, os gerentes são sobrecarregados de respon- sabilidades, não têm tempo a perder analisando cada nuance de uma situação e, por isso, podem tomar decisões em condições de incerteza, sem estarem seguros de quais serão os melhores resultados.41 Além disso, para os diretores em particu- lar, a atual situação está mudando constantemente, e uma decisão que parece ser acertada hoje pode provar ser errada amanhã. A gama de problemas que os gerentes enfrentam é enorme (alta variedade). Eles devem freqüentemente lidar com muitos problemas simultaneamente (frag- mentação), devem tomar decisões imediatamente (brevidade) e, muitas vezes, devem contar com a experiência adquirida durante toda a sua carreira para exe- cutar seu trabalho usando o máximo de sua capacidade.42 Não é de admirar que muitos gerentes afirmem que estão desempenhando bem seu trabalho quando acertam apenas a metade das vezes, e entende-se por que muitos gerentes expe- rientes aceitam o fracasso de seus subordinados como uma parte normal da expe- riência de aprendizagem. Os gerentes e seus subordinados aprendem tanto com seus sucessos quanto com seus fracassos. Habilidades Gerenciais Tanto a educação quanto a experiência permitem aos gerentes reconhecer e desen- volver as habilidades pessoais de que precisam para fazer o melhor uso possível dos recursos organizacionais. Michael Dell percebeu desde o início que não tinha expe- riência e conhecimento técnico suficientes em marketing, finanças e planejamento 24 Capítulo Um Habilidades Conceituais Gerentes de Nível Médio Gerentes de Primeiro Nível Diretores Habilidades Humanas Habilidades Técnicas Figura 1.5 Habilidades conceituais, humanas e técnicas necessárias nos três níveis gerenciais para conduzir sua empresa sozinho. Assim, ele recrutou gerentes experientes de outras empresas de tecnologia de informação, como a IBM e a Hewlett-Packard, para ajudá-lo a construir sua companhia. As pesquisas têm mostrado que a educa- ção e a experiência ajudam os gerentes a adquirir três tipos principais de habilida- des: conceituais, humanas e técnicas.43 Como você poderia esperar, o nível dessas habilidades que os gerentes precisam apresentar depende de seu nível na hierar- quia gerencial. Tipicamente, planejar e organizar exige níveis mais altos de habili- dades conceituais, enquanto liderar e controlar exige mais habilidades humanas e técnicas (ver Figura 1.5). HABILIDADES CONCEITUAIS As habilidades conceituais são demonstra- das com a capacidade de analisar e diagnosticar uma situação e distinguir entre causa e efeito. Os diretores precisam das melhores habilidades conceituais por- que suas responsabilidades básicas são planejar e organizar.44 De acordo com a opinião geral, Steve Jobs foi indicado novamente para assumir como CEO da Apple devido à sua capacidade de identificar novas oportunidades e mobilizar seus gerentes e outros recursos para tirar vantagem dessas oportunidades. A educação formal e o treinamento são muito importantes para auxiliar os gerentes a desenvolver habilidades conceituais. O treinamento em administração nos níveis de graduação e pós-graduação fornece muitas ferramentas conceituais (teorias e técnicas em marketing, finanças e outras áreas) de que os gerentes pre- cisam para desempenhar seus papéis eficientemente. O estudo da administração ajuda a desenvolver as habilidades que permitem aos gerentes entender o quadro geral que está sendo enfrentado por uma organização. A capacidade de focar no quadro geral permite que os gerentes vejam além da situação que têm imediata- mente em mãos e que considerem as opções enquanto mantêm em mente os objetivos de longo prazo da organização. Hoje, a educação e o treinamento contínuos em administração, incluindo o treina- mento em TI avançada, fazem parte integral do desenvolvimento de habilidades geren- ciais devido às novas teorias e técnicas que estão sendo desenvolvidas constantemente para aprimorar a efetividade organizacional, como as redes B2B. Uma folheada rápida habilidades conceituais A capacidade de analisar e diagnosticar uma situação e distinguir entre causa e efeito. Os Gerentes e a Administração 25 em uma revista como a Business Week ou a Fortune revela uma série de seminários sobre temas como marketing avançado, finanças, liderança e gestão de recursos humanos que são oferecidos aos gerentes de vários níveis da organização, desde os executivos mais experientes até os gerentes de nível médio. A Microsoft, a IBM, a Motorola e muitas outras organizações designam uma parte do orçamento pes- soal de cada gerente, que deve ser usada segundo o critério do gerente, para a participação em programas de desenvolvimento gerencial. Além disso, as organizações podem desejar desenvolver as capacidades de um determinado gerente em uma área de habilidade específica — talvez para apren- der um componente avançado de habilidades departamentais, como a negocia- ção internacional de bonds ou para aprender as habilidades necessárias para implementar um novo sistema de TI. A organização, assim, paga os gerentes para participarem de programas especializados que desenvolvam suas habilidades. De fato, um sinal de que um gerente está tendo um bom desempenho é a disposição da organização de investir no desenvolvimento das suas habilidades. Do mesmo modo, muitos funcionários que não ocupam cargos gerenciais e estão tendo alto desempenho (porque estudaram administração) são enviados freqüentemente a programas intensivos de treinamento gerencial para desenvolverem suas habilida- des gerenciais e se prepararem para a promoção a posições de nível gerencial. HABILIDADES HUMANAS As habilidades humanas incluem a capacidade de entender, alterar, liderar e controlar o comportamento dos outros indivíduos e grupos. A capacidade de comunicar, coordenar, motivar pessoas e moldar indiví- duos para formarem uma equipe coesa distingue os gerentes efetivos dos demais. Na opinião geral, Steve Jobs, Michael Dell, Patricia Russo e Terri Patsos Stanley possuem, todos eles, altos níveis dessas habilidades humanas. Assim como as habilidades conceituais, as habilidades humanas podem ser aprendidas através da educação e do treinamento, bem como desenvolvidas atra- vés da experiência.45 As organizações utilizam cada vez mais programas avançados em habilidades de liderança e liderança de equipe à medida que buscam capitali- zar a vantagem de equipes autogerenciadas.46 Para gerenciar efetivamente as inte- rações pessoais, cada pessoa em uma organização precisa aprender a ser compre- ensiva com os outros, entender seus pontos de vista e os problemas que enfrentam. Uma forma de ajudar os gerentes a entender suas forças e fraquezas pessoais é contar com o feedback de seus supervisores, colegas e subordinados sobre seu desempenho nos papéis identificados por Mintzberg. O feedback completo e direto permite aos gerentes desenvolver suas habilidades humanas. HABILIDADES TÉCNICAS As habilidades técnicas são o conhecimento específico do cargo e das técnicas exigidas para desempenhar um papel organiza- cional. Exemplos incluem as habilidades específicas de um gerente em produção, contabilidade, marketing e, cada vez mais, em TI. Os gerentes precisam de váriashabilidades técnicas para serem efetivos. O con- junto de habilidades técnicas que os gerentes precisam depende de suas posições nas organizações. O gerente de um restaurante, por exemplo, pode precisar ter habilida- des para cozinhar, de modo a preencher a função de um cozinheiro ausente; pode precisar de habilidades de contabilidade e registro de livros contábeis para acompa- nhar as receitas e custos e administrar a folha de pagamento, e de habilidades estéti- cas para manter o restaurante com uma aparência atraente aos clientes. Os gerentes efetivos precisam de todos os tipos de habilidades — conceitual, humana e técnica. A ausência de uma única habilidade gerencial pode levar ao fracasso. Um dos maiores problemas que as pessoas que abrem pequenos negócios enfrentam é sua falta de habilidades conceituais e humanas adequadas. Alguém que tem as habilidades técnicas para começar um negócio novo não sabe necessa- riamente como gerenciar o negócio com sucesso. Da mesma forma, um dos maio- res problemas que os cientistas ou engenheiros que mudam da carreira de pes- habilidades humanas A capacidade de entender, alterar, liderar e controlar o comportamento dos outros indivíduos e grupos. habilidades técnicas Conhecimento específico do cargo e das técnicas exigidas para desempenhar um papel organizacional. 26 Capítulo Um quisa para a de administração enfrentam é sua falta de habilidades humanas efetivas. As habilidades, os papéis e as funções em administração são intimamente relacionados, e os gerentes inteligentes ou prospectivos estão constantemente em busca das últimas contribuições educacionais para ajudá-los a desenvolver as habili- dades conceituais, humanas e técnicas de que precisam para atuar no ambiente global em constante mudança e cada vez mais competitivo de hoje. Atualmente, o termo competências é usado freqüentemente para se referir ao conjunto específico de qualificações, habilidades e experiências que dá a um gerente a habilidade de ter um desempenho em nível superior em relação a outro gerente em um determinado ambiente organizacional. Desenvolver tais competências através da educação e do treinamento tornou-se uma prioridade importante, tanto para aspirantes a gerentes quanto para as organizações em que trabalham. Como discutimos anteriormente, muitas pessoas estão se inscre- vendo em cursos avançados de administração, mas muitas empresas, como a General Electric (GE) e a IBM, têm estabelecido suas próprias faculdades para treinar e desenvolver seus funcionários e gerentes de todos os níveis. A cada ano, por exemplo, a GE coloca milhares de funcionários em programas de admi- nistração destinados a identificar os funcionários que a empresa acredita terem competências superiores, as quais podem ser desenvolvidas para que se tornem futuros dirigentes. Em muitas organizações, a promoção é intimamente vincu- lada à habilidade que um gerente tem de adquirir as competências que uma determinada empresa acredita que são importantes.47 Na 3M, por exemplo, a habilidade de liderar com sucesso uma nova equipe de desenvolvimento de pro- duto é vista como um requisito vital para promoção; na IBM, a capacidade de atrair e manter clientes é vista como uma competência vital que seus consultores devem possuir. Discutiremos tipos específicos de competências gerenciais na maioria dos capítulos deste livro. Uma vez que o mundo está mudando mais rapidamente do que nunca, os gerentes e outros funcionários em uma organização devem apresentar um desempenho em níveis cada vez mais altos.48 Nos últimos 20 anos, a concorrência entre as organizações que competem no âmbito doméstico (no mesmo país) e global (em outros países) tem aumentado acentuadamente. O apareci- mento de organizações globais, que operam e compe- tem em mais de um país, tem pressionado severamente muitas organizações a aprimorar seu desempenho e a identificar meios melhores de usar seus recursos. O sucesso das indústrias químicas alemãs, Schering e Hoescht, da fabricante italiana de móveis, Natuzzi, das empresas coreanas de eletrônicos, Samsung e LG, da fabricante brasileira de aeronaves, Embraer, e da Airbus Industries, da Europa, está pressionando organizações em outros países a elevar seu nível de desempenho para que possam competir com sucesso com essas empresas globais. Mesmo no setor sem fins lucrativos, a concorrência global está estimulando mudanças. Escolas, universidades, forças policiais e agências de governo estão ree- xaminando suas operações depois de ver como as coisas são feitas em outros paí- ses. Por exemplo, muitas mudanças de currículo e ensino nos Estados Unidos têm resultado do estudo de métodos usados por sistemas de ensino japoneses e euro- peus. Da mesma forma, os sistemas hospitalares europeus e asiáticos têm apren- dido muito com o sistema norte-americano — que pode ser o mais efetivo, embora não seja o mais eficiente do mundo. Hoje, os gerentes que não tentam aprender e se adaptar a mudanças no ambiente global estão reagindo em vez de inovar, e suas organizações freqüen - competências O conjunto específico de qualificações, habilidades e experiências que permite a um gerente ter um desempenho superior àquele de outro gerente em um determinado ambiente. Desafios para Administrar em um Ambiente Global organizações globais Organizações que operam e competem em mais de um país. Os Gerentes e a Administração 27 Inovação Capacidade de responder aos clientes Eficiência Qualidade Vantagem competitiva Figura 1.6 Vantagens competitivas temente deixam de ser competitivas e fracassam.49 Há quatro desafios principais para os gerentes no mundo de hoje: desenvolver vantagem competitiva, manter padrões éticos, gerenciar uma força de trabalho diversa e utilizar novos sistemas e tecnologia de informação. Desenvolvendo a Vantagem Competitiva Quais são as lições mais importantes para os gerentes e as organizações aprende- rem para que atinjam o topo do ambiente empresarial competitivo e permane- çam lá? A resposta está relacionada ao uso dos recursos organizacionais para desenvolver uma vantagem competitiva. A vantagem competitiva é a capacidade que uma organização tem de apresentar um desempenho melhor que outras organizações porque ela produz os bens e serviços desejados de maneira mais efetiva e eficiente que seus concorrentes. As quatro vantagens competitivas são eficiência-qualidade-rapidez, flexibilidade e inovação superiores e a capacidade de respon- der aos clientes (ver Figura 1.6). vantagem competitiva A capacidade que uma organização tem de apresentar um desempenho melhor que as outras porque produz bens ou serviços desejados de maneira mais eficiente e efetiva do que as demais. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR A ideia tradicional de gerência considera que as pessoas são impotentes, que elas não têm objetivos pessoais e são incapazes de acompanhar as mudanças ambientais. Esses problemas só podem ser resolvidos por um gerente e, por isso, seu papel é fundamental em um ambiente no qual os indivíduos são autônomos e estão aprendendo a aprender, além de terem um objetivo claro e bem definido. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) (MPOG - 2009 - Adaptada) A administração contemporânea se vale das novas tecnologias para imprimir maior competitividade às organizações. Reduzindo, cada vez mais, o lapso que vai da ficção à realidade, o avanço tecnológico impacta a todos. No campo das organizações, é CORRETO afirmar que: A) O desenvolvimento da robótica interessa mais às organizações industriais e menos às agropecuárias ou de serviços. B) Em um país como o Brasil, dada a rigidez da legislação, as relações de trabalho são pouco afetadas pela incorporação de novas tecnologias. C) O domínio do ferramentaltecnológico, por si só, é suficiente para garantir a empregabilidade de um indivíduo. D) As organizações virtuais se valem da tecnologia para unir pessoas, ideias e bens sem, todavia, ser necessário reuni-los em um mesmo espaço físico simultaneamente. A incorporação de uma nova tecnologia garante o alcance de melhores resultados em E) comparação aos que seriam obtidos caso a tecnologia anterior fosse mantida. 2) (TRE/RN - 2005- Adaptada) As empresas procuram se tornar cada vez mais produtivas, a fim de melhorar seus processos e a qualidade de seus produtos, além de produzir com mais qualidade e com custos menores. Na gestão de empresas, ter a maior produtividade entre todos os seus concorrentes é ser: A) globalizado. B) competitivo. C) organizado. D) ético. E) controlado. 3) (MPE/RN - 2012 - Adaptada) Constantemente, as organizações estão buscando atuar em mercados cada vez mais competitivos e globalizados. Sendo assim, o principal desafio da teoria da administração contemporânea é: A) focalizar as competências como base da competitividade. B) qualificar melhor os níveis operacionais para que cumpram suas tarefas com maior rapidez. C) transformar a tecnologia em base exclusiva para operações e comunicações. D) alcançar o envolvimento dos colaboradores através de incentivos monetários. E) integrar áreas e funções clássicas para as organizações em uma visão sistêmica. 4) (BNDES - 2013) Competitividade, inovação, empreendedorismo, interdependência, foco no cliente, sustentabilidade, responsabilidade social, governança corporativa, todos são pressupostos correntes das abordagens contemporâneas da Administração. Em muitas delas, entretanto, esses pressupostos são implementados por meio de práticas administrativas, fundamentadas em medidas prescritivas e em rotinas padronizadas. Essas medidas prescritivas e rotinas padronizadas estão originariamente estabelecidas em: A) critérios do benchmarking. B) princípios da administração científica. C) regras da reengenharia. D) medidas do Balanced Scorecard. E) características do sensemaking. 5) (EBSERH/HU-UFJF - 2015 - Adaptada) O gestor moderno está diante de um cenário de constantes mudanças, e novos paradigmas são colocados como desafios na adaptação das organizações. Um dos maiores desafios das grandes organizações para a sociedade no século XXI é: ter uma gestão de sistemas organizacionais com enfoque sistêmico, contribuindo para a A) humanização de empresas e supervalorizando a competitividade. B) reforçar os fundamentos do crescimento ilimitado diretamente vinculado à busca do máximo lucro. C) a busca do "bem comum", como sendo uma utopia, e a noção de sustentabilidade, como algo inatingível. D) a gestão do capital intelectual como único meio de alinhar a produção e a tecnologia. E) saber como e quando será substituído o modelo econômico vigente do lucro sem responsabilidade, que leva à acumulação de riquezas e ao desemprego e miséria, e como e quando seremos capazes de substituir o paradigma dominante no universo empresarial de crescimento ilimitado, que tem causado tantos impactos desastrosos ao meio ambiente. NA PRÁTICA O desempenho do gerente está relacionado a determinadas habilidades que precisam ser identificadas, desenvolvidas e ampliadas. Estas podem ser entendidas como competências para a execução de tarefas. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Como deve ser o líder do século XXI Com o advento da Globalização, as empresas tiveram que passar por grandes transformações. No entanto, a Liderança tem se transformado a passos lentos em algumas organizações. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O administrador do século XXI Nos dias de hoje a liderança é considerada como relação de pratica gerencial e educação gerencial. Apesar de existirem diversos mecanismos que apresentam técnicas de aprimoramento gerencial, não se pode deixar de analisar aspectos que evidenciam um novo período onde surgem conceitos e diferentes situações que exigem um novo perfil de liderança. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gestão empresarial contemporânea: veja dicas e inspirações Além de conhecer melhor os conceitos de gestão empresarial contemporânea, você refletirá sobre suas características, técnicas mais utilizadas e, também, sobre a influência da inovação tecnológica nas empresas. Acompanhe e boa leitura! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estruturas Organizacionais: Conceitos APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, trabalharemos aspectos macro que influenciam no comportamento humano: as estruturas organizacionais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Analisar a estrutura organizacional e seus possíveis impactos sobre o comportamento organizacional. • Identificar os processos fundamentais na estrutura organizacional (divisão do trabalho e coordenação). • Reconhecer os elementos da estrutura organizacional.• DESAFIO Algumas organizações buscam padronização e controle. Outras, preferem ser mais flexíveis, reduzir o controle e a hierarquia da empresa. Alguns autores, como Mintzberg, sugerem que cada estrutura é eficaz para um tipo de negócio. Pensando nisso, algumas organizações acabam resistindo a possíveis mudanças em suas estruturas organizacionais a fim de manter a ordem e o bem-estar não só da organização, como dos trabalhadores. Com base nisso, leia o texto abaixo e responda às questões seguintes. Uma empresa na área de distribuição de alimentos iniciou suas atividades com apenas uma unidade localizada no interior de Minas Gerais. Acompanhe na imagem a seguir a estrutura da empresa e seu crescimento ao longo de 15 anos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Para resolver esta situação, o presidente da empresa decidiu contratar você para auxiliá-lo em uma possível solução para a estrutura da empresa, desde que não perdesse a característica de ser plana, ou seja, poucos níveis hierárquicos. Qual solução você adotaria para o presidente ganhar a “liberdade” desejada? Quais os efeitos positivos e negativos que você considera que sua ação vai promover? INFOGRÁFICO Entenda mais sobre estrutura organizacional! Confira o infográfico! CONTEÚDO DO LIVRO O comportamento organizacional pode ser compreendido a partir de elementos macro que o determinam, como é o caso das estruturas organizacionais. Acompanhe a discussão nos trechos selecionados do livro Comportamento Organizacional, de McShane e Von Glinow. Boa leitura. Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 M175c McShane, Steven L. Comportamento organizacional : conhecimento emergente, realidade global [recurso eletrônico] / Steven L. McShane, Mary Ann Von Glinow ; tradução : Francisco Araújo da Costa. – 6. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2014. Editado também como livro impresso em 2014. ISBN 978-85-8055-404-5 1. Comportamento organizacional. I. Von Glinow, Mary Ann. II. Título. CDU 005.32 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais Três décadas atrás, Larry e Bobbie Mer- ritt compraram a The Cake Box, uma pe- quena empresa situada em uma lojinha de 42 m² em Tulsa, Oklahoma. Ninguém mais trabalhava nela além do casal. “Eu fazia os bolos e a Bobbie os decorava no final”, lembra Larry. As vendas eram fracas até que adicionaram bolinhos de canela e compraram uma loja de ros- quinhas na esquina um ano depois. O nome mudou para Merritt’s Bakery. Os dois contrataram alguns funcionários para ajudá-los com as vendas à medida que o negócio crescia. Depois de doze anos, a Merrit’s Bakery se mudou para uma área de 560 m² no outro lado da rua. As vendas não pararam de crescer, e os clientes faziam fila na calçada à espera dos produtos saídos diretos do forno.“Muita gente pensaria que isso era um sucesso, mas estávamos fracassando”, afirma Bobbie Merritt. O problema é que o casal não conseguia assar seus produtos com rapidez suficiente e não queria delegar a produção para os funcionários. Depois de trabalhar 20 horas seguidas muitas e muitas vezes, eles reconheceram que precisavam ser gerentes, não confeiteiros. Os dois criaram um plano para expandir a empresa e definiram uma estrutura organizacional que formalizava funções e responsabilidades. Quando uma segunda Merritt’s Bakery abriu no ou- tro lado da cidade, cada loja contratou um gerente, um responsável pela produção, um terceiro funcionário res- ponsável por decoração de bolos e confeitos e alguém para cuidar das vendas. Larry trabalhava na padroni- zação da qualidade, treinando a equipe de confeitaria em cada loja. “Como é tão difícil encontrar confeiteiros qualificados hoje em dia, quero passar mais tempo en- sinando e desenvolvendo nossos produtos”, ele afirmou na época. Christian Merritt, filho de Larry e Bobbie, entrou para a empresa após vários anos trabalhando com engenharia e hoje é diretor de operações da confeitaria. Uma terceira loja foi inaugurada e a produção foi transferida para um edifício em vez de funcionar em cada loja. Centralizar a produção ajudou a empresa a melhorar sua qualidade e eficiência. Enquanto isso, as lojas se tornaram restaurantes com cardápios que incluem café da ma- nhã quente e almoço. Hoje, a Merritt’s Bakery emprega mais de 80 funcionários e recentemen- te contratou um diretor de marketing. A empresa introduziu mais padronização, como fluxogramas que orientam os funcionários em diversos aspectos de seus deveres sem a necessidade de su- pervisão direta. Os programas de trei- namento desenvolvem os funcionários para cada função especializada na loja e na produção. “Estamos recém começando a esta- belecer as bases para tratar a Merritt’s Bakery como um negócio, com diver- sos setores que administramos de lon- ge”, conta Christian Merritt. “Estamos presentes, mas desligados. Colocamos a mão em muita coisa, mas é na administração das lojas, não na sua operação”.1 A Merritt’s Bakery avançou muito desde seu começo humilde, quando era apenas uma confeitaria pequena em Tulsa, Oklahoma. Nessa jornada, os proprietários Lar- ry e Bobbie Merritt descobriram que o crescimento bem- -sucedido de um negócio depende, em parte, de criar uma estrutura organizacional que apoie o processo e a estratégia de negócio. Estrutura organizacional se refere à divisão do trabalho e também aos padrões de coorde- nação, comunicação, fluxo de trabalho e poder formal que norteiam as atividades organizacionais. Ela também dita quais atividades recebem maior atenção e recursos financeiros, poder e informação. Por exemplo, a Merritt’s Bakery criou uma estrutura funcional e desenvolveu di- versos mecanismos de coordenação para garantir que todos trabalhem em uníssono em prol dos objetivos da organização. O tema da estrutura organizacional normalmente su- gere imagens de organogramas, mas esse diagrama é apenas parte do quebra-cabeça. A estrutura organizacio- nal inclui relações hierárquicas, mas também tem a ver com a concepção das tarefas, o fluxo de informações, as PARTE IV Estrutura da Merrit’s Bakery teve de crescer. 342 PARTE IV Processos Organizacionais DIVISÃO DO TRABALHO E COORDENAÇÃO Todas as estruturas organizacionais incluem dois requisitos fundamentais: a divisão do tra- balho em tarefas distintas e a coordenação do trabalho para que os funcionários atinjam ob- jetivos comuns.3 As organizações são definidas como grupos de pessoas que trabalham de modo interdependente com algum propósito. Para atingir seus objetivos de maneira eficiente, esses grupos costumam dividir o trabalho em blocos gerenciáveis, particularmente quando há muitas tarefas a realizar, e introduzir diversos mecanismos de coordenação para assegurar que todos trabalhem de maneira eficaz com os mesmos objetivos. Divisão do trabalho Divisão do trabalho se refere à subdivisão do trabalho em tarefas distintas atribuídas a pes- soas diferentes. O trabalho subdividido leva à especialização do trabalho, pois cada função inclui um conjunto restrito de tarefas necessárias para concluir o produto ou serviço. A Merritt’s Bakery organiza os funcionários em cerca de uma dúzia de trabalhos específicos para atender os clientes, produzir os bolos e confeitos e administrar os restaurantes. À me- dida que as empresas vão ficando maiores, essa divisão horizontal do trabalho geralmente é acompanhada de sua divisão vertical: algumas pessoas são designadas para a tarefa de supervisionar os funcionários, outras são responsáveis por gerir esses supervisores, e assim por diante. Por que as empresas dividem em diversas funções o trabalho necessário para operar uma confeitaria? Como descrevemos em um capítulo anterior, a especialização do tra- balho aumenta sua eficiência.4 Os funcionários com experiência em uma função podem dominar suas tarefas mais rapidamente, pois os ciclos de trabalho são mais curtos. Menos tempo é desperdiçado trocando de uma tarefa para a outra. Os custos de treinamento são reduzidos, pois os funcionários precisam de menos habilidades físicas e mentais para completar o trabalho designado a eles. Finalmente, a especialização facilita o processo de encontrar pessoas com aptidões ou habilidades específicas e alocá-las às funções mais apropriadas. Apesar de uma pessoa sozinha conseguir preparar, servir e vender produtos alimentícios em cada loja da Merritt’s Bakery, isso demoraria muito mais do que se algu- OA1 normas e regras de trabalho, a dinâmica de equipe e as relações de poder. Assim, a estrutura da organização é um instrumento importante no conjunto de ferramentas do executivo para a mudança organizacional, pois estabelece novos padrões de comunicação e alinha o comportamen- to do funcionário com a visão da empresa.2 Por exemplo, a Merritt’s Bakery reorganizou as re- lações de reporte e padrões de comunicação quando transferiu a equipe de confeitaria para uma instalação de produção centralizada. Com essa mudança na estrutura organizacional, a empresa conseguiu especializar as fun- ções de produção; por exemplo, agora os funcionários são treinados em diferentes níveis de decoração de bolos. A empresa também conseguiu aumentar sua eficiência com mais trabalho padronizado e melhorar o controle su- pervisório, pois os confeiteiros têm conjuntos de habilida- des comuns. Este capítulo começará introduzindo dois processos fundamentais na estrutura organizacional: divisão do trabalho e coordenação. A seguir, realizaremos uma in- vestigação detalhada dos quatro elementos principais da estrutura organizacional: amplitude de controle, centrali- zação, formalização e departamentalização. A última parte deste capítulo examinará as contingências do projeto or- ganizacional, incluindo o ambiente externo, o tamanho da organização, a tecnologia e a estratégia. Objetivos de aprendizagem Após ler este capítulo, você deve ser capaz de: OA1 Descrever três tipos de coordenação nas estrutu- ras organizacionais. OA2 Discutir a função e os efeitos da amplitude de controle, centralização e formalização e relacionar esses elementos às estruturas organizacionais or- gânicas e mecanicistas. OA3 Identificar e avaliar seis tipos de departamentali- zação. OA4 Explicar como o ambiente externo, o tamanho da organização, a tecnologia e a estratégia são relevantes quando se projeta uma estrutura orga- nizacional. estrutura organizacional Divisão do trabalho e padrões de coordenação, comunica- ção, fluxo de trabalho e poder formal que norteiam as ativi- dades organizacionais. CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 343 mas pessoas preparassem a comida, outras a servissem para os clientes e um terceiro grupo cuidasse do marketing, compras, contabilidade e outras funções. Alguns funcionários são ótimos no atendimento dosclientes, enquanto outros sabem muito mais sobre como de- corar um bolo de casamento. Coordenação das atividades de trabalho Quando as pessoas dividem o trabalho, elas necessitam de mecanismos de coordenação para garantir que todas trabalhem de maneira articulada. A coordenação está tão intimamente ligada à divisão do trabalho que o nível ideal de especialização é limitado pela viabilidade de coordenar o trabalho. Em outras palavras, a capacidade de uma organização de dividir o tra- balho entre as pessoas depende de quanto estas conseguem se coordenar umas com as outras. Sem isso, o esforço individual é desperdiçado em virtude do desalinhamento, da duplicação e das tarefas realizadas na hora errada. A coordenação também tende a se tornar mais cara e difícil à medida que a divisão do trabalho aumenta, logo, as empresas especializam as funções apenas até o ponto em que não seja caro demais ou tão desafiador coordenar as pessoas em suas funções.5 Toda organização, desde a loja de conveniência da esquina com dois funcionários até a maior entidade empresarial, usa um ou mais dos seguintes mecanismos de coordenação:6 comunicação informal, hierarquia formal e padronização (ver Figura 13.1). Essas formas de coordenação alinham o trabalho dos funcionários em um mesmo departamento e também entre as unidades de trabalho. Esses mecanismos de coordenação também são fundamentais quando várias organizações trabalham juntas, como nos empreendimentos conjuntos e pro- gramas de ajuda humanitária.7 Coordenação por meio da comunicação informal Todas as organizações dependem da comunicação informal como mecanismo de coordenação. O processo inclui compartilhar informações sobre tarefas mútuas e formar modelos mentais comuns para que os funcioná- rios sincronizem as atividades de trabalho utilizando o mesmo mapa mental.8 A comunicação informal é um processo vital nas situações não rotineiras e ambíguas, pois os funcionários podem trocar um grande volume de informações mediante a comunicação presencial e ou- tros canais de mídia rica. A coordenação por meio da comunicação informal é mais fácil nas empresas pequenas, embora as tecnologias da informação tenham alavancado mais esse mecanismo também nas organizações maiores.9 As empresas que empregam milhares de pessoas também apoiam a comunicação informal ao manterem pequeno cada local de produção. A Magna Interna- tional, fabricante mundial de autopeças, mantém suas fábricas em um tamanho máximo de 200 funcionários, pois seus líderes acreditam que os membros da equipe têm dificuldade de lembrar os nomes uns dos outros nas instalações maiores, uma situação que torna a comuni- cação informal mais difícil como um mecanismo de coordenação.10 FORMA DE COORDENAÇÃO DESCRIÇÃO SUBTIPOS/ESTRATÉGIAS Comunicação informal Compartilhamento de informações em tarefas mútuas; formação de modelos mentais comuns para sincronizar atividades de trabalho • Comunicação direta • Funções de ligação • Funções integradoras • Equipes temporárias Hierarquia formal Designar poder legítimo a indivíduos, que então o utilizam para dirigir processos de trabalho e alocar recursos • Supervisão direta • Canais de comunicação formais Padronização Criação de padrões de comportamento ou de resultado • Habilidades padronizadas • Processos padronizados • Resultados padronizados FIGURA 13.1 Mecanismos de coordenação nas organizações. Fontes: Baseado em informações de J. Galbraith, Designing Complex Organizations (Reading, MA: Addison-Wesley, 1973), pp. 8–19; H. Mintzberg, The Structuring of Organizations (Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall, 1979), Ch. 1; D.A. Nadler and M.L. Tushman, Competing by Design: The Power of Organizational Architecture (New York: Oxford University Press, 1997), Ch. 6. 344 PARTE IV Processos Organizacionais As organizações maiores também incentivam a coordenação pela comunicação informal ao atribuir papéis de colaboração aos funcionários, dos quais se espera que comuniquem e compartilhem informações com os colegas em outras unidades de trabalho. Nos lugares em que a coordenação se faz necessária entre as várias unidades de trabalho, as empresas criam funções integradoras. As pessoas que as desempenham são responsáveis por coordenar um processo de trabalho que incentive os funcionários em cada unidade de trabalho a comparti- lhar informações e coordenar informalmente as atividades de trabalho. Os integradores não têm autoridade sobre as pessoas envolvidas nesse processo, então têm de contar com a per- suasão e o comprometimento. Os gestores de marca na Procter & Gamble possuem funções integradoras porque coordenam o trabalho entre os grupos de marketing, produção e design.11 Outra maneira das grandes organizações incentivarem a coordenação por meio da comu- nicação informal é pela organização dos funcionários de vários departamentos em equipes temporárias. A engenharia simultânea aplica essa estratégia de coordenação no desenvolvi- mento de produtos ou serviços. A engenharia simultânea consiste geralmente em uma equipe de projeto multifuncional com pessoas de vários departamentos funcionais, como engenharia de projeto, produção, marketing e compras. Ao serem alocados a uma equipe, em vez de tra- balharem em seus departamentos especializados habituais, esses funcionários têm mais auto- ridade e oportunidade para se coordenar entre si usando a comunicação informal. Quando o engenheiro de projeto começa a formular as especificações do produto, os representantes da produção, engenharia, marketing, compras e outros departamentos podem opinar e também começar a contribuir para o processo. Com a coordenação por meio da comunicação infor- mal rica em informações, as equipes de engenharia simultânea tendem a gerar produtos de qualidade mais elevada com muito menos tempo de desenvolvimento em comparação com as situações nas quais os funcionários trabalham em seus próprios departamentos e coordenam suas tarefas por outros meios.12 Coordenação por meio da hierarquia formal A comunicação informal é o modo mais flexível de coordenação, mas pode se tornar caótica com o aumento do número de funcioná- rios. Por consequência, à medida que crescem, as organizações dependem cada vez mais de um segundo mecanismo de coordenação: a hierarquia formal.13 A hierarquia concede poder legítimo aos indivíduos, que por sua vez o utilizam para direcionar processos de trabalho e alocar recursos. Em outras palavras, o trabalho é coordenado por meio da supervisão direta, a cadeia de comando. Por exemplo, cada loja da Merritt’s Bakery possui um gerente e, em geral, um gerente-assistente responsáveis por garantir que os funcionários realizem suas respectivas tarefas e coordenem corretamen- te suas atividades uns com os outros em cada turno de trabalho. Um século atrás, os estudiosos da admi- nistração aplaudiam a hierarquia formal como o melhor mecanismo de coordenação para as grandes organizações. Eles argumentavam que as organizações são mais eficazes quando os gestores exercem sua autoridade e os funcio- nários recebem ordens apenas de um supervi- sor. A cadeia de comando, na qual as informa- ções fluem entre unidades de trabalho apenas através de supervisores e gerentes, era conside- rada a espinha dorsal da força organizacional. Apesar de ainda ser importante, a hie- rarquia formal é muito menos popular hoje em dia. Uma preocupação é que ela não tem agilidade na coordenação das situações com- plexas e novas. A comunicação pela cadeia de comando raramente é tão rápida ou precisa quanto a comunicação direta entre os funcio- nários. Por exemplo, o desenvolvimento de Coordenação por Meio de Microgestão14 de 524 funcionários americanos entrevistados afirmaram que ocasional ou frequentemente se sentem microgeridos por seus chefes. 37% de 150 executivos sênior nas 1.000 maiores empresas do país identificaram a microgestão como tendo o impacto mais negativo no moral dos funcionários (terceiro maior fator após falta de comunicação ereconhecimento). 17% de 434 gerentes de recursos humanos afirmaram que os funcionários mais jovens reclamam da microgestão por parte dos gerentes mais velhos. 44% de 434 gerentes de recursos humanos afirmaram que os gerentes mais velhos reclamam que os funcionários mais jovens não respeitam a hierarquia organizacional. 35% de 500 funcionários americanos disseram que trabalham para um “microgestor”. 25% de 11.045 funcionários americanos entrevistados identificaram a microgestão como a barreira mais significativa à sua produtividade. 9% CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 345 produtos, em geral uma atividade nova e complexa, tende a ocorrer mais rapidamente e a produzir resultados de maior qualidade quando as pessoas coordenam suas atividades princi- palmente por meio da comunicação informal em vez da hierarquia formal. Outra preocupação com a hierarquia formal é que os gestores podem supervisionar mais de perto apenas uma quantidade limitada de funcionários. À medida que o negócio cresce, o número de superviso- res e camadas de gestão tem de aumentar, resultando em uma burocracia cara. Finalmente, os funcionários contemporâneos exigem mais autonomia sobre suas atividades e mais envolvi- mento com as decisões da empresa. Os processos de coordenação da hierarquia formal tendem a entrar em conflito com a autonomia e envolvimento dos funcionários. Coordenação por meio da padronização A padronização, o terceiro meio de coordenação, envolve a criação de padrões de comportamento ou de resultado, e assume três formas distintas: • Processos padronizados. A qualidade e a consistência de um bem ou serviço muitas vezes podem ser aprimoradas pela padronização das atividades de trabalho median- te procedimentos e descrições de função.15 A Merritt’s Bakery usa organogramas para padronizar os processos de trabalho para muitas de suas atividades. Esse mecanismo de coordenação é viável quando o trabalho é rotineiro (por exemplo, na produção em massa) ou simples (por exemplo, fazer cupcakes), mas é menos eficaz no trabalho não rotineiro e complexo, como o design de produtos. • Resultados padronizados. Essa forma de padronização envolve garantir que os indiví- duos e as unidades de trabalho tenham objetivos e medidas de resultados claramente definidos (ex.: satisfação do cliente ou eficiência da produção). Por exemplo, para coor- denar o trabalho dos vendedores, as empresas atribuem metas de vendas em vez de comportamentos específicos. • Habilidades padronizadas. Quando as atividades de trabalho são complexas demais para serem padronizadas mediante processos ou objetivos, as empresas costumam coordenar o esforço de trabalho treinando intensamente os funcionários ou contratan- do quem tenha aprendido os comportamentos exatos da função em programas educa- cionais. A Merritt’s Bakery também utiliza esse mecanismo de coordenação, treinando a equipe de produção para que os bolos e confeitos sejam produzidos com altíssima qualidade. Ela também treina a equipe da loja para que as interações com os clientes sejam consistentes e profissionais. O treinamento é especialmente crítico enquanto me- canismo de coordenação nas salas de cirurgia. Os cirurgiões, os profissionais de enfer- magem e outros coordenam seu trabalho mais pelo treinamento do que pelos objetivos ou pelas regras da empresa. A divisão do trabalho e a coordenação do trabalho representam os dois ingredientes funda- mentais para o funcionamento de todas as organizações. Mas, como o trabalho é dividido, quais mecanismos de coordenação são enfatizados, quem toma as decisões e outras questões estão relacionadas aos quatro elementos da estrutura organizacional. ELEMENTOS DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A estrutura organizacional possui quatro elementos que se aplicam a todas as organizações. Esta seção apresentará três deles: amplitude de controle, centralização e formalização. O quarto elemento, a departamentalização, será abordado na próxima seção. Amplitude de controle A amplitude de controle (também chamada de amplitude de gestão) se refere ao número de pessoas que se reportam diretamente ao próximo nível na hierarquia. Uma ampli- tude de controle estreita existe quando um número muito pequeno de pessoas se reporta diretamente a um gestor, enquanto uma amplitude grande existe quando um gestor tem muitas pessoas se reportando a ele.16 Um século atrás, o engenheiro francês e estudioso da administração Henri OA2 engenharia simultânea Organização dos funcionários provenientes de vários de- partamentos em uma equipe temporária com o propósito de desenvolver um produto ou serviço. amplitude de controle O número de pessoas que se re- portam diretamente ao próximo nível na hierarquia. 346 PARTE IV Processos Organizacionais Fayol recomendou veementemente uma amplitude de controle relativamente estreita, com não mais do que 20 funcionários por supervisor e seis supervisores por gestor. Fayol defen- dia a hierarquia formal como mecanismo de coordenação primário, então acreditava que os supervisores deveriam monitorar e treinar os funcionários de perto. Suas opiniões eram semelhantes às de Napoleão, segundo o qual cinco oficiais subordinados seria a amplitude de controle máxima para os líderes mais graduados. Essas recomendações se baseavam na ideia de que os gestores simplesmente não conseguiam monitorar e controlar nenhum subordina- do a mais com proximidade satisfatória.17 Hoje em dia, sabemos que não é bem assim. As fábricas com melhor desempenho da atua- lidade têm uma média de 38 funcionários de produção por supervisor (ver Figura 13.2).18 Qual é o segredo? Será que Fayol, Napoleão e outros calcularam mal a amplitude de controle ideal? A resposta é que os simpatizantes do controle hierárquico acreditavam que os funcionários de- viam realizar as tarefas físicas, enquanto os supervisores e outros funcionários administrativos deviam tomar as decisões e monitorar os demais funcionários para garantir que realizassem as tarefas. Contudo, as operações de produção com melhor desempenho atualmente se baseiam em equipes autodirigidas, de modo que a supervisão direta (hierarquia formal) é suplementada com outros mecanismos de coordenação. As equipes autodirigidas se coordenam principal- mente por meio da comunicação informal e de diversas formas de padronização (ou seja, trei- namento e processos), com a hierarquia formal desempenhando uma função mais secundária. Muitas empresas que empregam médicos, advogados e outros profissionais têm uma am- plitude de controle maior porque esses membros da equipe coordenam seu trabalho princi- palmente pelas habilidades padronizadas. Por exemplo, mais de duas dezenas de pessoas se reportam diretamente a Cindy Zollinger, cofundadora e presidente da empresa de consultoria em processos judiciais Cornerstone Research, sediada em Boston, Estados Unidos. Zollinger afirma que esse grande número de pessoas que se reportam a ela é possível porque lidera pro- fissionais que não requerem supervisão estreita. “Eles praticamente se autodirigem”, explica Zollinger. “Eu os ajudo a lidar com os obstáculos que enfrentam ou no aproveitamento da maioria das oportunidades que encontram”19 Um segundo fator que influencia a melhor amplitude de controle é se os funcionários exe- cutam tarefas rotineiras. Uma amplitude de controle maior é possível quando os funcionários Napoleão (Ger. máx.: 1815) Oregon (Real: 2011) Fayol (Ger. máx.: 1916) Urwick (Ger. máx.: 1937) Seattle (Real: 2005) Saratoga Institute (Levantamento: 2001) Condado de Multnomah (Real: 2009) Estado do Texas (Lei: 2003) Estado de Iowa (Real: 2007) Estado de Iowa (Meta: 2007) Governo dos EUA (Meta: 1999) Fayol (Não ger. máx.: 1916) Fedex (Real: 2008) Tom Peters (Min.: 1988) Melhores fábricas dos EUA (Levantamento: 2000) 5 5,7 6 6 6,8 7,02 8,2 11 11 12 15 20 25 25 38 0 2010 30 40 FIGURA 13.2 Amplitudes de controle recomendadas, reais e aplicadas20. Os números representam aquantidade média de relações de subordinação direta por gestor. Os valores “Máx” representam a amplitude de controle máxima recomendada por Napoleão Bonaparte, Henri Fayol e Lindall Urwick. Os valores “Mín” represen- tam a amplitude de controle mínima recomendada por Tom Peters. Os valores “Meta” representam as metas de amplitude de controle que o governo dos Estados Unidos e o estado de Iowa tentaram alcançar. O valor do estado do Texas representa a ampli- tude de controle obrigatória por lei. O valor do Saratoga Institute é a amplitude média de controle entre as empresas americanas pesquisadas. O valor das melhores fábricas dos EUA é a amplitude média de controle nas fábricas americanas identificadas pela revista Industry Week como as mais eficazes. Os valores “Real” são as amplitudes de controle na cidade de Seattle, no estado do Oregon, no condado de Multnomah (incluindo Portland, Oregon), no estado de Iowa e na FedEx Corporation nos anos indicados. CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 347 realizam trabalhos rotineiros, pois os conselhos e orientações dos supervisores são necessá- rios com menos frequência. Uma amplitude de controle mais estreita é necessária quando os funcionários executam tarefas novas ou complexas, pois eles tendem a necessitar de mais decisões e treinamento por parte da supervisão. Esse princípio é ilustrado em uma pesquisa das seguradoras americanas de propriedades e para acidentes. A amplitude de controle média nos departamentos de processamento de apólices comerciais está em torno de 15 funcioná- rios por supervisor, enquanto a amplitude de controle é de 6,1 no serviço de reclamações e 5,5 na subscrição comercial. Os funcionários nos dois últimos departamentos realizam um trabalho mais técnico, então têm tarefas novas e mais complexas, que exigem mais envolvi- mento dos supervisores. O processamento de apólices comerciais se assemelha ao trabalho de produção. As tarefas são rotineiras e têm poucas exceções, então os gerentes precisam dedicar menos tempo à coordenação de cada funcionário.21 Uma terceira influência sobre a amplitude do controle é o grau de interdependência dos funcionários em um departamento ou equipe.22 Em geral, uma amplitude de controle estreita é necessária quando os funcionários realizam um trabalho com altos níveis de interdepen- dência com terceiros. Mais supervisão é necessária para as funções altamente interdepen- dentes porque os funcionários tendem a vivenciar mais conflitos entre si, o que exige mais do tempo de um gestor para solucioná-los. Além disso, os funcionários têm menos clareza quanto ao seu desempenho pessoal de trabalho nas tarefas altamente interdependentes, de modo que os supervisores gastam mais tempo oferecendo treinamento e feedback. Estruturas altas versus planas A amplitude de controle está ligada ao tamanho da or- ganização (número de funcionários) e ao número de camadas na hierarquia organizacional. Considere duas empresas com o mesmo número de funcionários. Se a empresa A tiver uma amplitude de controle maior (mais subordinados diretos por gestor) do que a empresa B, então a empresa A necessariamente deve ter menos camadas de gestão (uma estrutura mais plana) do que a B. A razão para essa relação é que uma empresa com uma amplitude de con- trole maior tem mais funcionários por supervisor, mais supervisores para cada gestor médio, e assim por diante. Esse número maior de subordinados diretos, em comparação com uma amplitude de controle mais estreita, só é possível com a remoção de camadas gerenciais. A interconexão da amplitude de controle, do tamanho da organização (número de fun- cionários) e da quantidade de camadas de gestão tem consequências importantes para as em- presas. Conforme as organizações empregam mais pessoas, elas têm de aumentar a amplitude de controle, criar uma hierarquia mais alta, ou ambos. A maioria das empresas acaba criando estruturas mais altas porque até certo ponto se baseiam na supervisão direta e existem limites para quantas pessoas cada gestor consegue coordenar. Infelizmente, construir uma hierarquia mais alta (com mais camadas gerenciais) cria problemas. Uma preocupação é que as estruturas altas implicam altos custos fixos, pois têm mais gestores por funcionário. Isso significa que há mais gente administrando a empresa e menos fabricando o produto ou prestando o serviço. Um segundo problema é que os gerentes mais graduados em estruturas altas tendem a receber infor- mações de pior qualidade e atrasadas. As pessoas tendem a fil- trar, distorcer e simplificar as informações antes de repassá-las para os níveis hierárquicos superiores, pois são motivadas a enquadrá-las de maneira positiva ou resumi-las de forma mais eficiente. Nas hierarquias planas, por outro lado, as informa- ções recebem menos manipulação e muitas vezes fluem com muito mais rapidez do que nas altas. Uma terceira questão com as hierarquias altas é que elas tendem a prejudicar a auto- capacitação e o envolvimento dos funcionários. As hierarquias são estruturas de poder, então mais níveis hierárquicos ten- dem a reduzir o poder distribuído para os indivíduos na base da pirâmide. Na verdade, o tamanho da hierarquia em si tende a concentrar os poderes nos gerentes, não nos funcionários.23 A KenGen, a maior empresa de geração de energia elétrica do Quênia, tinha mais de 15 camadas hierárquicas alguns anos atrás. Hoje, os 1.500 funcionários da empresa estão organizados em uma hierarquia com apenas seis camadas: executivo chefe, diretores executivos, gerência sênior, diretores, gerentes da linha de frente e equipe não-administrati- va. “Essa estrutura mais plana reduziu a burocracia e também melhorou o trabalho em equipe”, explica Simon Ngure, executivo da KenGen.24 348 PARTE IV Processos Organizacionais Esses problemas levaram os líderes a “cortar camadas”, ou seja, remover um ou mais níveis da hierarquia organizacional.28 Por exemplo, Sergio Marchionne, CEO da Chrysler, avisou recente- mente que a montadora precisava adotar uma estrutura corporativa mais plana para incentivar a inovação, a sensibilidade e o atendimento ao cliente. “Precisamos ser capazes de responder rapidamente, seja às reclamações dos clientes ou às necessidades dos consumidores. Qualquer nova ideia condenada a remar contra a maré, tentando ascender múltiplos níveis de uma gerên- cia rigidamente hierárquica e avessa a riscos, é uma ideia que não ganhará seu lugar ao sol até o crepúsculo, quando já for tarde demais”. A fábrica europeia da BASF, em Seal Sands, chegou à mesma conclusão alguns anos atrás; a unidade se reestruturou drasticamente em torno de equi- pes autodirigidas, diminuindo as camadas hierárquicas da gerência de sete para apenas duas.29 Centralização e descentralização Por muitos anos, a Barrick Gold Corporation concentrou a tomada de decisão em sua sede mundial, embora estivesse se tornando a maior produtora de ouro do mundo em operações dis- tantes. “A Barrick sempre fora administrada com um modelo de comando e controle, uma abor- dagem centrista na qual todas as decisões eram tomadas em Toronto”, afirmou Greg Wilkins, o DEBATE As organizações devem cortar a gerência média? Os líderes empresariais enfrentam o desafio contínuo de im- pedir que suas organizações fiquem inchadas e se transfor- mem em burocracias obesas, cheias de camadas de gestores médios. Na verdade, muitos CEOs recém-contratados gostam de proclamar seu desejo de “cortar camadas” ou “achatar” a hierarquia corporativa, geralmente como parte de uma missão maior de “dar autonomia” aos trabalhadores. Como descrevemos neste capítulo, existem muitos argu- mentos válidos em prol da minimização da hierarquia corpo- rativa, especialmente no que se trata de cortar a gerência média. À medida que as empresas empregam mais gerentes, elas aumentam seus custos fixos e diminuem a proporção de indivíduos que geram receita de fato, fabricando produtos ou prestando serviços. Uma hierarquia mais alta tambémpreju- dica a comunicação entre a linha de frente (que recebe co- nhecimentos valiosos sobre o ambiente externo) e os altos executivos. A gerência média tende a distorcer, simplificar e filtrar as informações à medida que elas são repassadas às autoridades mais graduadas dentro da empresa. Um terceiro motivo para eliminar a gerência média é que os gerentes ab- sorvem poder organizacional. À medida que adicionam mais camadas, as empresas removem mais poder que estaria di- retamente nas mãos da equipe de linha de frente. Em outras palavras, as hierarquias altas têm o potencial de prejudicar a autocapacitação dos funcionários. Essas preocupações parecem lógicas, mas reduzir a hie- rarquia pode ter diversas consequências inesperadas que su- peram quaisquer benefícios possíveis. Na verdade, cada vez mais especialistas em administração avisam sobre as con- sequências negativas, a longo prazo, do corte excessivo de gestores médios.25 Os críticos do corte de camadas lembram que todas as empresas precisam de gerentes para transformar a estraté- gia corporativa em operações diárias coerentes. “Os gesto- res médios são o elo entre a missão e a execução”, aconse- lha um executivo hospitalar sênior. “Eles transformam nossa estratégia em ações e fazem com que todo mundo fique em sintonia”.26 Além disso, os gerentes são necessários para to- mar decisões rápidas, ensinar funcionários e ajudar a resolver conflitos. Essas funções valiosas ficam prejudicadas quando a amplitude de controle se alarga demais. O corte de camadas hierárquicas aumenta o número de subordinações diretas por gestor e, desse modo, aumenta significativamente a carga de trabalho da gestão e os níveis correspondentes de estresse. Em parte, os gestores reduzem a carga de trabalho aprendendo a conceder mais autonomia aos subordinados, em vez de praticarem uma microgestão. No entanto, esse ajuste de função é estressante por si mesmo (mesma responsabilidade, porém menos autoridade ou con- trole) e muitas empresas aumentam a amplitude de controle além do ponto em que muitos gestores são capazes de orien- tar ou liderar seus subordinados diretos. Uma terceira preocupação é que o corte de camadas resul- ta em menos cargos de gestão, então as empresas têm menos espaço de manobra para desenvolver habilidades gerenciais. As promoções também são mais arriscadas, pois envolvem um salto maior na responsabilidade nas hierarquias mais planas, em comparação com as mais verticalizadas. Além disso, ter menos oportunidades de promoção significa que os gestores vivenciam maior estabilização da carreira, o que reduz sua motivação e fidelidade. Cortar bruscamente as estruturas de carreira gerenciais também dá a ideia de que os gestores não são mais valorizados. “O corte de camadas hierárquicas tem surtido um efeito adverso sobre o moral, a produtividade e o desempenho”, argumenta um alto executivo do governo. “De- sautorizar a gerência média cria percepções negativas e um comprometimento mais baixo com a organização, com a con- sequente relutância em aceitar responsabilidades”.27 CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 349 falecido CEO da Barrick. “Isso funcionou enquanto a empresa era pequena e operava apenas na América do Norte. De repente, no entanto, estamos em quatro continentes e sete países e fica bem claro que isso não é mais possível”. A solução que Wilkins e sua equipe de liderança sênior implementaram foi uma estrutura mais decentralizada, na qual as quatro unidades de negócios regionais da Barrick se tornaram responsáveis por suas próprias operações e pelo crescimento do negócio. A sede desempenha uma função de orientação estratégica e supervisão.31 A história da Barrick Gold mostra que uma decisão fundamental na criação de organi- zações é aquela sobre em que medida centralizar ou descentralizar o poder de tomada de decisão. Centralização significa que a autoridade de decisão formal é detida por um pequeno grupo de pessoas, geralmente as que estão no topo da hierarquia organizacional. A maioria das organizações começa com estruturas centralizadas, pois o fundador toma a maioria das decisões e tenta orientar o negócio de acordo com sua visão. À medida que as organizações crescem, porém, elas se diversificam e seus ambientes se tornam mais complexos. Os altos executivos não são capazes de processar todas as decisões que influenciam significativamente o negócio. Por consequência, as organizações maiores costumam descentralizar, isto é, disper- sar a autoridade decisória e o poder por toda a organização. O nível ideal de descentralização ou de centralização depende de várias contingências que examinaremos neste capítulo. No entanto, também precisamos nos lembrar de que podem ocorrer diferentes graus de descentralização, de modo simultâneo, em diferentes partes de uma organização. A empresa de alimentos suíça Nestlé descentralizou as decisões de marketing para se manter atenta aos mercados locais, mas centralizou as atividades de produção, logística e cadeia de suprimento para melhorar as eficiências de custos e evitar o excesso de complexidade na organização. “Se a empresa for descentralizada demais, a gestão pode se tornar complicada. Há muita complexidade no sistema de produção”, explica um executivo da Nestlé.32 Em uma escala muito menor, a Merritt’s Bakery de Tulsa, Oklahoma (ver a cena de abertura do capítulo) centralizou a produção da padaria, mas tem operações de restaurante mais decentralizadas. Do mesmo modo, a 7-Eleven se baseia tanto na centralização quanto na descentralização em diferentes partes da organização. A cadeia de lojas de conveniência aproveita a eficiência e o poder de compra centralizando as decisões pertinentes à tecnologia de informação e às compras de fornecedores. Ao mesmo tempo, a rede descentraliza as decisões de estoque lo- cais para os gerentes de loja, permitindo que eles se adaptem rapidamente às circunstâncias A Samsonite, uma fabricante de malas com sede no estado de Massachusetts, abandonou recentemente sua estrutura orga- nizacional centralizada, delegando mais poder aos gerentes nacionais. O motivo? “Descobrimos que todos os nossos clientes são mais dife- rentes do que parecidos”, explica Kyle Gendreau, diretor financeiro da Samsonite. Em vez de seguir as práticas de distribuição e marke- ting global ditadas pelo escritório central, agora os gerentes nacio- nais têm autonomia para aplicar as práticas que melhor se adaptam a seus mercados locais. “Deixar as pessoas serem empreendedoras na linha de frente promove o cres- cimento”, afirma Gendreau. “Está dando muito certo para nós”.30 centralização Em que medida a autoridade de decisão formal é detida por um pequeno grupo de pessoas, geralmente as que estão no topo da hierarquia organizacional. 350 PARTE IV Processos Organizacionais mutáveis no nível local. Além de receberem treinamento permanente sobre os produtos e orientações dos consultores regionais, os gerentes de loja têm as melhores informações sobre seus clientes e podem reagir rapidamente às necessidades do mercado local. “Jamais pode- ríamos prever um ônibus cheio de jogadores de futebol em uma noite de sexta-feira, mas o gerente da loja pode”, explica um executivo da 7-Eleven.33 Formalização Formalização é a medida em que as organizações padronizam o comportamento por meio de regras, procedimentos, treinamento formal e mecanismos correlatos.34 Em outras palavras, as empresas se tornam mais formalizadas quando contam cada vez mais com várias formas de padronização para coordenar o trabalho. A história que abre este capítulo descreve como Christian Merritt introduziu alguma formalização na empresa de seus pais por meio de or- ganogramas que orientam os funcionários nas etapas das diversas atividades de trabalho. Os restaurantes da rede McDonald’s e a maioria das demais redes de fast food eficientes costu- mam ter um alto grau de formalização, pois se baseiam na padronização dos processosde trabalho como um mecanismo de coordenação. Os funcionários têm funções precisamente definidas, até mesmo com relação à quantidade de mostarda que deve ser fornecida, quantos condimentos devem ser aplicados e por quanto tempo um hambúrguer deve ser fritado. As empresas mais antigas tendem a se tornar mais formalizadas porque as atividades de tra- balho se tornam mais rotineiras, o que facilita a sua documentação nas práticas padronizadas. As empresas maiores também tendem a ter mais formalização porque a supervisão direta e a comu- nicação informal entre os funcionários não funcionam com tanta facilidade quando está envol- vida uma grande quantidade de pessoas. As influências externas, como a legislação de segurança patrimonial e do trabalho e as regras contábeis rigorosas, também estimulam a formalização. A formalização pode aumentar a eficiência e a obediência, mas também pode criar pro- blemas.35 As regras e procedimentos diminuem a flexibilidade da organização, então os fun- cionários seguem comportamentos prescritos mesmo quando a situação claramente exige uma resposta customizada. Os altos níveis de formalização tendem a minar a aprendizagem e a criatividade organizacionais. Algumas regras de trabalho se tornam tão complicadas que a eficiência organizacional diminui se forem realmente seguidas conforme a prescrição. A formalização também é uma fonte de insatisfação no emprego e estresse no trabalho. Final- mente, sabe-se que as regras e procedimentos são capazes de ganhar vida própria em algumas organizações. Elas passam a ser o foco das atenções, roubando o lugar dos objetivos finais da organização de criar um produto ou serviço e beneficiar as partes interessadas dominantes. Estruturas mecanicistas versus orgânicas Discutimos a amplitude do controle, a centralização e a formalização juntas porque os con- ceitos se agrupam em torno de duas formas organizacionais mais amplas: as estruturas meca- nicistas e orgânicas (ver Figura 13.3).36 Uma estrutura mecanicista é caracterizada por uma amplitude de controle estreita e um alto nível de formalização e centralização. As estruturas mecanicistas têm muitas regras e procedimentos, tomada de decisão limitada nos níveis in- feriores, hierarquias verticalizadas de pessoas em funções especializadas e fluxos de comuni- cação verticais em vez de horizontais. As tarefas são definidas rigidamente, sendo alteradas apenas quando sancionadas pelas autoridades superiores. ESTRUTURA MECANICISTA ESTRUTURA ORGÂNICA Amplitude de controle estreita Alta centralização Alta formalização Amplitude de controle ampla Alta descentralização Baixa formalização FIGURA 13.3 Contraste entre as estruturas organizacionais mecanicistas e orgânicas. CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 351 As empresas com estruturas orgânicas possuem características opostas, pois operam com uma grande amplitude de controle, tomada de decisão descentralizada e pouca formali- zação. As tarefas são fluidas, ajustando-se às novas situações e necessidades da organização. O texto Conexões 13.1 ilustra como a TAXI, uma renomada agência de criação, utiliza a estrutura orgânica para preservar sua agilidade. Como regra geral, as estruturas mecanicistas funcionam melhor nos ambientes estáveis por- que se baseiam na eficiência e em comportamentos rotineiros, enquanto as estruturas orgânicas funcionam melhor nos ambientes que mudam rapidamente (dinâmicos) porque são mais fle- xíveis e responsivas às mudanças. As estruturas orgânicas também são mais compatíveis com a aprendizagem organizacional, os locais de trabalho de alto desempenho e a gestão da qualidade, pois enfatizam o compartilhamento de informações e uma força de trabalho autocapacitada em vez da hierarquia e do status.38 Entretanto, as estruturas orgânicas tendem a se sair melhor do que as mecanicistas em ambien- tes dinâmicos apenas quando os funcionários desenvolvem fun- ções e conhecimentos bem esta- belecidos.39 Sem essas condições, os funcionários não conseguem se coordenar, o que resulta em er- ros e ineficiências grosseiras. formalização A medida em que as organiza- ções padronizam o comporta- mento por meio de regras, pro- cedimentos, treinamento formal e mecanismos correlatos. estrutura mecanicista Estrutura organizacional com pouca amplitude de controle e alto grau de formalização e centralização. estrutura orgânica Estrutura organizacional com grande amplitude de controle, pouca formalização e tomada de decisão descentralizada. Cultivando uma empresa orgânica Com mais de 1.200 prêmios, incluindo a honraria recente de ser escolhida agência criativa da década no Canadá, a TAXI é uma empresa sem igual. A agência inventou os bichinhos dos anúncios da Telus e o homem que vai sorridente e saltitante para o trabalho no famoso anúncio de Viagra da Pfizer. Com o tempo, outras agências criativas se esgotam ou se tornam hierarquias rígidas. A TAXI, por outro lado, nas últimas déca- das continua a impressionar o mundo com seus dotes criati- vos ao mesmo tempo que se expande. Hoje, a empresa conta com 350 funcionários em diversos escritórios no Canadá, Es- tados Unidos e Holanda. Como a TAXI manteve essa energia? A liderança e o talen- to são fatores cruciais, mas talvez igualmente importante seja o fanatismo da empresa pelo uso de uma estrutura organiza- cional orgânica. Essa estrutura orgânica designa cada cliente ou projeto a “uma equipe ágil e autônoma que é ao mesmo tempo autocapacitada e responsável pelos resultados”, afir- ma o site da agência. A empresa afirma que o nome TAXI re- flete esse espírito de usar pequenas equipes: “Acreditamos que uma pequena equipe de especialistas deve determinar cada parte do negócio. Não mais do que cabe em um táxi”. A estrutura orgânica da TAXI também permite crescimento. Com o crescimento da empresa, a TAXI evitou intencionalmente criar centros de trabalho com mais de 150 membros de equipe. “As tribos nomádicas da antiguidade observavam que uma po- pulação com mais de 150 pessoas tendia a formar facções, pre- judicar a harmonia coletiva e tornar o grupo disfuncional”, diz a TAXI. Por consequência, à medida que a empresa se duplica em diversas cidades, cada escritório preserva uma estrutura orgânica e colabora ativamente com os outros. Quando o es- critório de Toronto cresceu além desse tamanho ideal, a TAXI abriu um segundo local, chamado de TAXI 2, na mesma cidade. A estrutura organizacional orgânica da TAXI está em contraste com a departamentalização rígida de muitas ou- tras agências criativas. “[As outras agências de publicidade] operavam com um modelo do século XIX, com muitos depar- tamentos seculares tentando integrar tudo ad hoc. A maioria das culturas era tão cheia de camadas que uma boa ideia era esmagada facilmente”, explica Paul Lavoie (direita na foto), cofundador da TAXI. “Precisávamos de uma infraestrutura flexível, capaz de acompanhar o ritmo das mudanças. A TAXI começou ágil e flexível, e é assim que continua a ser”.37 C O N E X Õ E S 1 3 . 1 A TAXI, agência da década do Canadá, utiliza uma estrutura orgânica de equipes flexíveis e também centros de trabalho de tamanho limitado. 352 PARTE IV Processos Organizacionais As empresas iniciantes se deparam muitas vezes com esse problema, conhecido como risco da novidade. A novidade torna essas empresas mais orgânicas; elas tendem a ser organizações menores com poucas regras e delegação de autoridade considerável. No entanto, os funcioná- rios nas organizações novas muitas vezes não possuem experiência no setor e suas equipes não se desenvolveram o suficiente para maximizar seu desempenho. Em consequência, as estru- turas orgânicas das empresas novas não conseguem compensar a coordenação ruim e a baixa eficiência provocadas pela falta de estrutura da experiência pregressa e dos modelos mentais da equipe. Felizmente, as empresas podem minimizar o risco da novidade lançando negócios com equipes já formadas ou com veteranos do setor orientandoos novatos. FORMAS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO Amplitude de controle, centralização e formalização são elementos importantes da estrutura organizacional, mas a maioria das pessoas somente pensa em organogramas quando surge uma discussão sobre estrutura organizacional. O organograma representa o quarto elemen- to na estruturação das organizações, chamado departamentalização. A departamentalização especifica como os funcionários e suas atividades são agrupados. Trata-se de uma estratégia fundamental para coordenar as atividades da organização, pois a departamentalização in- fluencia o comportamento organizacional das seguintes maneiras:40 • A departamentalização estabelece a cadeia de comando, o sistema de supervisão co- mum entre as posições e unidades dentro da organização. Ela enquadra a composição das equipes de trabalho formais e determina quais cargos e unidades devem compar- tilhar recursos. Desse modo, a departamentalização estabelece as interdependências entre os funcionários e as subunidades. • A departamentalização concentra as pessoas em torno de modelos mentais comuns ou maneiras de pensar semelhantes, como o modo correto de atender aos clientes, desen- volver produtos ou dar suporte a um conjunto de habilidades específicas. Esse foco está ancorado em torno de orçamentos comuns e medidas de desempenho atribuídas aos funcionários dentro de cada unidade departamental. • A departamentalização incentiva determinadas pessoas e unidades de trabalho a co- ordenarem suas atividades por meio da comunicação informal. Com supervisão e recursos comuns, os membros dentro de cada configuração trabalham próximos uns dos outros, de modo que podem utilizar interação frequente e informal para realizar o trabalho. Existem quase tantos organogramas quanto existem negócios, mas os seis tipos puros de departamentalização mais comuns são: simples, funcional, divisional, baseada em equipes, matricial e em rede. Estrutura simples A maioria das empresas, incluindo a Merritt’s Bakery, começa com uma estrutura simples.41 Elas empregam um número pequeno de indivíduos e geralmente oferecem apenas um produto ou serviço distinto. A hierarquia é mínima, em geral apenas funcionários que respondem aos proprietários. A equipe desempenha funções amplas, pois as economias de escala não são su- ficientes para que cada um tenha cargos especializados. A estrutura simples é bastante flexível e minimiza as paredes que se formam entre os funcionários em outras estruturas. Contudo, a estrutura simples geralmente depende da supervisão direta do proprietário para coordenar as atividades de trabalho, então ela é muito difícil de operar à medida que a empresa cresce e se torna mais complexa. Estrutura funcional As organizações em crescimento geralmente introduzem uma estrutura funcional em algum nível da hierarquia ou em algum momento da sua história. Uma estrutura funcio- nal organiza os funcionários em torno de conhecimentos OA3 estrutura funcional Estrutura organizacional na qual os funcionários são organizados em torno de co- nhecimentos específicos ou de outros recursos. estrutura divisional Estrutura organizacional na qual os funcionários são organizados em torno de áreas geográficas, resultados (produtos ou servi- ços) ou clientes. CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 353 específicos ou de outros recursos (ver Figura 13.4). Os funcionários com especialização em marketing são agrupados em uma unidade de marketing, os que têm habilidades de produção são localizados na produção, os engenheiros se encontram no desenvolvimento de produtos, e assim por diante. As organizações com estruturas funcionais são tradicionalmente centrali- zadas para coordenar suas atividades de maneira eficaz. Avaliação da estrutura funcional A estrutura funcional cria grupos especializados em certas áreas do conhecimento que normalmente atendem a todos na organização. Isso pro- porciona mais economia de escala do que é possível se os especialistas funcionais forem es- palhados por partes diferentes da organização. Além disso, a identificação do funcionário aumenta com a especialização ou profissão. A supervisão direta é mais fácil nas estruturas funcionais porque os gerentes supervisionam indivíduos com problemas e conhecimento es- pecializado em comum.42 A estrutura funcional também tem limitações.43 Agrupar os funcionários de acordo com suas habilidades tende a concentrar a atenção nessas habilidades e em necessidades profis- sionais correlatas, não no produto ou serviço da empresa ou nas necessidades dos clientes. A menos que as pessoas sejam transferidas de uma função para a outra, elas podem não desenvolver um entendimento mais amplo do negócio. Em com- paração com outras estruturas, a funcional geralmente produz mais conflito disfuncional e coordenação pior no atendimento de clientes ou desenvolvimento de produtos. Os problemas ocorrem porque os funcionários precisam trabalhar com colegas de outros departamentos para completar tarefas organizacionais, mas têm submetas e modelos mentais diferentes de trabalho ideal. Em seu conjunto, esses problemas acabam exigindo controles formais e coordenação significativos. Estrutura divisional A estrutura divisional (às vezes chamada de estrutura multidi- visional ou em forma de M) agrupa os funcionários em torno de áreas geográficas, resultados (produtos/serviços) ou clientes. A Figura 13.5 ilustra essas três variações da estrutura divisional. A estrutura divisional geográfica organiza os funcionários em tor- no de regiões distintas do país ou do mundo. A Figura 13.5(a) ilustra uma estrutura divisional geográfica adotada recentemen- te pela Barrick Gold Corporation, a maior mineradora de ouro do mundo. A estrutura divisional por produto/serviço organiza os funcionários em torno de resultados distintos. A Figura 13.5(b) ilustra uma versão simplificada desse tipo de estrutura na Philips. A empresa de eletrônicos holandesa divide sua força de trabalho principalmente em três categorias: produtos de cuidados com a saúde, produtos de iluminação e produtos de consumo (a Philips também possui um quarto grupo organizacional composto das funções de pesquisa e design). A estrutura divisional por cliente or- ganiza os funcionários em torno de grupos específicos de clientes. Diretor executivo Produção Design Administração Marketing FIGURA 13.4 Estrutura organizacional funcional. A Toyota Motor Company recebeu críticas ferrenhas pela maneira como lidou com o problema dos aceleradores que prendiam no chão do carro. Um painel especial de especialistas independentes reunidos pela montadora concluiu que a estrutura organizacional funcional centralizada foi parcialmente responsável. A Toyota es- tava organizada principalmente em torno de unidades funcionais (vendas, engenharia, fabricação) que respondiam diretamente à sede no Japão. O painel concluiu que essa estrutura prejudicava o compartilhamento de informações, aumentava os problemas de comunicação e “atrasou o tempo de resposta a questões de se- gurança e qualidade”. Akio Toyoda, CEO da empresa, concordou que essa estrutura funcional deveria ser substituída por estrutura geográfica em divisões. “Lidar com nossas operações estrangei- ras de modo regional e não funcional permitirá que consigamos conduzir a tomada de decisão de uma forma mais abrangente”, ele afirmou.45 354 PARTE IV Processos Organizacionais A Figura 16.5(c) ilustra uma estrutura divisional focalizada no cliente similar à adotada pelo Internal Revenue Service dos EUA (equivalente à Receita Federal brasileira).44 Qual forma de estrutura divisional as grandes organizações deveriam adotar? A resposta depende principalmente da fonte central de diversidade ou incerteza ambiental.46 Imagine que uma organização venda um tipo de produto para as pessoas em todo o país. Se os clientes tiverem necessidades diferentes em cada região ou se os governos estaduais impuserem re- gulamentações diferentes sobreo produto, então uma estrutura geográfica seria melhor para acompanhar essa diversidade. Porém, se a empresa vende vários tipos de produtos em todo o país e as preferências dos clientes e as regulamentações governamentais forem similares em toda parte, então uma estrutura de produto provavelmente funcionaria melhor. A Coca-Cola, a Nestlé e muitas outras empresas de alimentos e bebidas são organiza- das principalmente em torno de regiões geográficas porque os gostos do consumidor e as estratégias de marketing preferidas variam consideravelmente em todo o mundo. Embora o McDonald’s faça o mesmo Big Mac em todos os países, a empresa possui mais produtos à base de peixe em Hong Kong e mais produtos vegetarianos na Índia, alinhada com os hábitos ali- mentares tradicionais em ambos. A Philips, contudo, está organizada em torno de produtos, pois as preferências do consumidor em todo o mundo são similares dentro de cada grupo de produtos. Os hospitais de Genebra (Suíça) a Santiago (Chile) compram equipamentos médi- cos similares da Philips, enquanto a produção e o marketing desses produtos são bem dife- rentes das suas contrapartes no negócio de produtos eletrônicos de consumo da organização. Muitas empresas estão abandonando as estruturas que organizam as pessoas em torno de agrupamentos geográficos.47 Um dos motivos para isso é que os clientes podem comprar produtos via Internet e se comunicar com empresas de quase qualquer parte do mundo, de Comissário (executivo chefe) Salário & investimento (contribuintes individuais) Pequenos negócios & autônomos Empresas de grande e médio porte Entidades sem fins lucrativos & governamentais CEO Saúde Produtos de iluminação Estilo de vida do consumidor (a) Estrutura divisional geográfica (b) Estrutura divisional por produto (c) Estrutura divisional por cliente CEO América do Norte América do Sul Austrália/ Pacífico África FIGURA 13.5 Três tipos de estrutura divisional. Observação: O diagrama (a) mostra uma estrutura divisional geográfica global semelhante à da Barrick Gold Corp.; o diagra- ma (b) é parecido com as divisões de produtos da Philips; e o diagrama (c) é parecido com a estrutura centrada no cliente do Internal Revenue Service dos EUA (equivalente à Receita Federal brasileira). CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 355 modo que a representação local está se tornando menos essencial. A menor variação geográ- fica é outro motivo para se afastar das estruturas geográficas; o aumento do livre comércio diminuiu a intervenção governamental e as preferências do consumidor por muitos produtos e serviços estão ficando mais parecidas (convergindo) em todo o mundo. O terceiro motivo é que grandes empresas têm cada vez mais clientes globais que exigem um ponto global de compra e não um ponto em cada país ou região. A empresa globalmente integrada Esse afastamento das estruturas divisionais geográ- ficas rumo às estruturas baseadas em produtos ou clientes reflete a tendência rumo a empre- sas globalmente integradas. 48 Como o nome sugere, uma empresa globalmente integrada conecta os processos de trabalho em todo o mundo em vez de reproduzi-los dentro de cada país ou região. Esse tipo de empresa organiza as pessoas em torno de divisões de produtos ou clientes. Mesmo as unidades funcionais (produção, marketing, design, recursos humanos etc.) atendem a empresa em todo o mundo, não apenas em áreas geográficas específicas. Essas funções levam em conta as diferenças culturais e mercadológicas e têm uma representação local para apoiar essa sensibilidade, mas os representantes locais são colaboradores de uma função global e não parte de uma subsidiária local copiada em várias regiões. Na realidade, uma empresa globalmente integrada é marcada por um aumento radical no trabalho de equi- pe virtual, pois os funcionários são designados a projetos globais e responsabilidades perma- nentes por unidades de trabalho que transcendem as fronteiras geográficas. Uma empresa globalmente integrada não coordena mais os seus negócios a partir de uma sede única em um país “natal”. Em vez disso, suas operações divisionais e funcionais são li- deradas a partir do local em que o trabalho está concentrado, sendo que essa concentração depende da economia (custos com mão de obra, infraestrutura, etc.), da especialização e da abertura (comércio, fluxo de capital, compartilhamento de conhecimento, etc.). Por exemplo, a IBM mudou para uma estrutura de empresa globalmente integrada, localizando seus data centers globais nos Estados Unidos, a gestão de sites na Irlanda, o back-office financeiro no Brasil, o software na Índia e as aquisições na China. O vice-presidente de engenharia mundial da IBM, responsável pelas aquisições, mudou-se de Armonk, Nova Iorque, para a China, onde está localizado o centro de aquisições. “Essas pessoas não lideram equipes concentradas na China, na Índia, no Brasil ou na Irlanda... ou em Colorado ou Vermont”, afirma Sam Pal- misano, CEO da IBM. “Elas lideram operações globais integradas”.49 Avaliação da estrutura divisional A estrutura organizacional em divisões é uma es- trutura modular; ela acomoda o crescimento com relativa facilidade e concentra a atenção do funcionário nos produtos ou clientes, não nas tarefas. Produtos, serviços ou clientes di- ferentes podem ser acomodados com o surgimento de novas divisões. Essas vantagens são compensadas por uma série de limitações. Primeiro, a estrutura divisional tende a duplicar recursos, como os equipamentos de produção e a engenharia ou a especialização em tecno- logia da informação. Além disso, a menos que a divisão seja bem grande, os recursos não são utilizados com a mesma eficiência das estruturas funcionais, segundo as quais os recursos são partilhados por toda a organização. A estrutura divisional também cria ilhas de conheci- mento: a especialização é disseminada em várias unidades de negócio autônomas e isso reduz a capacidade e, talvez, a motivação das pessoas de uma divisão para compartilharem seu conhecimento com as contrapartes em outras divisões. Uma estrutura funcional, por outro lado, agrupa os especialistas, apoiando, assim, o compartilhamento do conhecimento. Finalmente, a estrutura divisional preferida depende da fonte primária de diversidade ambiental ou incerteza da empresa. Esse princípio parece ser aplicado com facilidade sufi- ciente na Coca-Cola, McDonald’s e Philips, mas muitas organizações globais vivenciam a diversidade e a incerteza em termos de geografia, produtos e clientes. Por consequência, algu- mas organizações avançam e retrocedem em suas estruturas ou criam estruturas complexas na tentativa de dar o mesmo status às três dimensões. Esses devaneios e complexidades geram mais complicações porque as decisões sobre a estrutura organizacional deslocam o poder e o status entre os executivos. Se a empresa muda de uma estrutura geográfica para outra ba- seada em produtos, o pessoal que lidera aquelas regiões repentinamente é rebaixado, ficando subordinado aos executivos de produto. Em suma, os líderes das organizações globais lutam empresa globalmente integrada Estrutura organizacional na qual os processos de trabalho e as funções executivas são distribuídos em todo o mundo por meio de centros globais, em vez de serem desenvol- vidos no país de origem e replicados nos países ou nas regiões-satélite. 356 PARTE IV Processos Organizacionais para encontrar a melhor estrutura divisional, o que resulta muitas vezes na saída de alguns executivos e na frustração dos que permanecem. Estrutura baseada em equipes Uma estrutura baseada em equipes é criada em torno de equipes autodirigidas que reali- zam um trabalho completo, como fabricar um produto ou desenvolver um jogo eletrônico. Esse tipo de estrutura geralmente é orgânica. Há uma grande amplitude de controle porque as equipes atuam com supervisão mínima. Em situações extremas, não há um líder formal, apenas alguém escolhido pelos outros membrosda equipe para ajudar a coordenar o trabalho e se responsabilizar perante a alta gerência. As estruturas de equipe são altamente descentra- lizadas porque quase todas as decisões do dia a dia são tomadas pelos membros da equipe e não por alguém mais acima na hierarquia organizacional. Enfim, muitas estruturas baseadas em equipes têm pouca formalização porque recebem relativamente poucas regras gerais sobre como organizar o seu trabalho. Em vez disso, os executivos atribuem a cada equipe metas qualitativas e quantitativas, frequentemente no que se refere à melhoria da produtividade. Então, as equipes são incentivadas a utilizar os recursos disponíveis e sua iniciativa para al- cançar essas metas. As estruturas baseadas em equipe geralmente são encontradas nas operações de produção ou serviços das estruturas divisionais maiores. Por exemplo, várias fábricas da GE Aircraft Engines estão organizadas em estruturas baseadas em equipes, mas essas fábricas operam dentro de uma estrutura divisional maior da GE. No entanto, uma pequena quantidade de empresas aplica a estrutura baseada em equipes de cima para baixo, incluindo a W.L. Gore & Associates e a Semco S.A., nas quais quase todos os colaboradores trabalham em equipes. Avaliação da estrutura baseada em equipes A estrutura baseada em equipes tem con- quistado popularidade porque tende a ser flexível e a funcionar nos ambientes turbulentos.50 Ela também tende a reduzir os custos, pois as equipes dependem menos da hierarquia for- mal (supervisão direta). Uma estrutura de equipes multifuncionais melhora a comunicação e a cooperação por meio das fronteiras tradicionais. Com maior autonomia, essa estrutura também permite uma tomada de decisão mais rápida e informada.52 Por essa razão, alguns A W. L. Gore & Associates empre- ga 7.000 funcionários, mas nenhum gerente. O motivo é que a empresa, com sede em Newark, Delawa- re, uma fabricante de tecidos (Gore-Tex®), eletrônicos e produtos médicos e industriais, adotou uma estrutura organizacional na qual a maioria dos funcionários (chamados de “colaboradores”) se organizam em equipes auto- dirigidas. As decisões cotidianas são decentralizadas e tomadas por essas equipes, que são formadas em torno de defensores de ideias e com muita liderança compartilha- da. “Sua equipe é seu chefe, pois você não quer decepcionar seus colegas”, explica Diane Davidson, que trabalha no grupo de produtos de moda da Gore. “Todos são seu chefe e ninguém é seu chefe”.51 CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 357 hospitais estão trocando os departamentos funcionais pelas equipes multifuncionais. Equipes compostas de profissionais de enfermagem, radiologistas, anestesistas, farmacêuticos, e pos- sivelmente assistentes sociais e fisioterapeutas, além de outros especialistas, comunicam-se e se coordenam com mais eficiência, reduzindo, assim, atrasos e erros.53 Em contraposição a esses benefícios, a estrutura baseada em equipes pode ser cara de- vido à necessidade de treinamento contínuo em habilidades interpessoais. A coordenação do trabalho pode ser mais demorada durante as primeiras fases da formação da equipe. Os funcionários podem sofrer mais estresse devido à maior ambiguidade de suas funções. Os líderes de equipes também sofrem mais estresse devido ao conflito crescente, perda de poder funcional e falta de clareza dos planos de progressão de carreira. Além disso, as estruturas de equipes são prejudicadas pela duplicação de recursos e possível concorrência (e falta de compartilhamento de recursos) entre as equipes.54 Estrutura matricial Quando os médicos Ray Muzyka e Greg Zeschuk e um terceiro parceiro (que mais tarde retomou a prática da medicina) fundaram a empresa de jogos eletrônicos BioWare ULC, eles inicialmente organizaram os funcionários em uma estrutura simples na qual todos tra- balharam juntos em Shattered Steel, seu primeiro jogo. Logo depois, Muzyka e Zeschuk decidiram criar um segundo jogo (Baldur’s Gate), mas não tinham certeza a respeito de qual estrutura organizacional seria melhor. Simplesmente criar uma segunda equipe po- deria duplicar recursos, minar o compartilhamento de informações entre as equipes e en- fraquecer a lealdade dos funcionários à empresa. Por outro lado, poderiam adotar uma estrutura funcional atribuindo funcionários a departamentos especializados, como arte, programação, áudio, garantia de qualidade e design. Uma estrutura funcional estimularia os funcionários em cada especialização a compartilhar informações, mas poderia minar a dinâmica da equipe nos projetos de jogos e diminuir o comprometimento com o produto que desenvolviam.55 Após ponderar cuidadosamente as diversas opções de estrutura organizacional, Muzyka e Zeschuk adotaram uma estrutura matricial para obter os benefícios da estrutura funcional e da estrutura baseada em projetos (equipes). A estrutura matricial da BioWare, que é se- melhante ao diagrama da Figura 13.6, é organizada em torno tanto das funções (arte, áudio, programação, etc.) quanto dos projetos de desenvolvimento de jogos baseados em equipes. Os funcionários são designados para equipes interfuncionais responsáveis por um projeto de jogo específico, mas também pertencem a uma unidade funcional permanente que os realoca quando seu trabalho é concluído em um determinado projeto.56 Muzyka e Zeschuk dizem que a estrutura matricial concentra os funcionários no pro- duto final e ainda os mantém organizados em função da sua especialização para estimular o compartilhamento do conhecimento. “A estrutura matricial também dá suporte à cultural global da empresa, na qual a BioWare é a equipe e todo mundo está sempre disposto a ajudar o outro, esteja no mesmo projeto ou não”, acrescentam. A estrutura matricial da BioWare foi uma boa escolha, particularmente porque a empresa (que pouco tempo atrás se tornou uma divisão independente da Electronic Arts) cresceu para quase 800 funcionários trabalhando em diversos projetos de jogos em quatro centros nos EUA e no Canadá. A estrutura da BioWare, na qual as equipes de projeto se sobrepõem aos departamentos funcionais, é apenas uma forma de estrutura matricial. Outra variação, utilizada principal- mente em grandes multinacionais, coloca as divisões geográficas em um eixo e as divisões de produtos/serviços ou clientes no outro. A Nestlé, a Procter & Gamble, a Shell e muitas outras organizações globais usam variações de uma estru- tura matricial que tenta equilibrar geografia com produtos e serviços. Por exemplo, a Nestlé Waters, uma divisão de produtos da Nestlé S.A., vende diversas marcas de água mineral em mais de 35 países. As marcas variam entre os países; por exemplo, a Poland Springs é exclusiva dos EUA (originária do estado do Maine) e a Santa Maria é exclusiva do Méxi- co. O gerente responsável pelas marcas de água mineral no estrutura organizacional baseada em equipes Estrutura organizacional criada em torno de equipes autodiri- gidas que realizam um trabalho completo. estrutura matricial Estrutura organizacional que controla duas estruturas (por exemplo, uma estrutura divisio- nal geográfica e uma estrutura funcional) a fim de aproveitar os benefícios de ambas. 358 PARTE IV Processos Organizacionais México, por exemplo, trabalha sob o gerente de país local da Nestlé e o executivo da Nestlé Waters na sede da empresa na Suíça. Da mesma forma, o gerente responsável por comida de bebê em Singapura trabalha sob o gerente de país e também sob o executivo responsável por esse grupo de produtos na sede.57 Um erro comum é acreditar que todos os membros de uma estrutura organizacional ma- tricial têm dois chefes. Essa situação de dois chefes afeta a maioria dos funcionários em es- truturas matriciais baseadas em projetos, como na BioWare, mas não em estrutura matriciais globais como a da Nestlé. Em multinacionais com estruturas matriciais, apenas os funcioná- rios de um nível da organização (em geral, gerentes de marca de país)têm dois chefes. Por exemplo, o gerente responsável pelas marcas de água mineral da Nestlé no México teria dois chefes: o gerente de país mexicano e o executivo da sede responsável pela Nestlé Waters. Os funcionários de marketing e vendas em níveis inferiores da hierarquia, por outro lado, res- ponderiam apenas ao gerente mexicano. Avaliação da estrutura matricial A estrutura matricial costuma fazer bom uso dos recursos e da especialização, tornando-se ideal para as organizações baseadas em projetos com cargas de trabalho variáveis. Quando adequadamente gerida, ela melhora a eficiência da comunicação, a flexibilidade dos projetos e a inovação, em comparação com as opções puramente funcionais ou divisionais. Além disso, estrutura matricial concentra os funcio- nários em atender os clientes ou em criar produtos, mas mantém as pessoas organizadas em torno de suas especializações para que o compartilhamento de informações melhore e os recursos sejam utilizados de maneira mais eficiente. A estrutura matricial também é uma opção lógica quando, como é o caso da Nestlé, duas dimensões diferentes (regiões e produtos) são igualmente importantes. As estruturas determinam o poder executivo Líder do departamento de arte Líder do departamento de áudio Líder do departamento de programação Líder de garantia de qualidade Funcionários CEO Líder de projeto do jogo 1 Líder de projeto do jogo 2 Líder de projeto do jogo 3 FIGURA 13.6 Estrutura matricial baseada em projetos (similar à estrutura da BioWare). CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 359 e o que é importante; a estrutura matricial funciona quando duas dimensões diferentes merecem a mesma atenção. Apesar dessas vantagens, a estrutura matricial apresenta alguns problemas conhecidos.59 Um deles é que ela aumenta o conflito entre os gestores que partilham igualmente o po- der. Os funcionários que trabalham no nível da matriz têm dois chefes e, consequentemente, dois conjuntos de prioridades que não estão sempre alinhados um com o outro. Os líderes de projeto podem bater boca com os líderes funcionais quanto à alocação de determinados funcionários nos projetos e também em relação à competência técnica dos funcionários. Por exemplo, a Citigroup, Inc., adotou recentemente uma estrutura matricial geográfica-produto e parece estar sofrendo com o conflito disfuncional entre executivos regionais e de grupos de produtos.60 Consciente desses conflitos em potencial, a BioWare realiza várias “reuniões de sincronização” a cada ano, que envolvem todos os diretores de departamento (arte, design, áu- dio, etc.), os produtores (ou seja, líderes de projeto de jogo) e o gestor de recursos humanos. As reuniões resolvem as diferenças e asseguram que os membros das equipes sejam adequa- damente alocados a cada projeto de jogo. Outro desafio em relação a essa estrutura é que a existência de dois chefes pode diluir a responsabilização. O problema, descrito no texto Conexões 13.2, ocorreu recentemente na Receita Interna e Alfândega/Imposto sobre Vendas da Grã-Bretanha. Em uma estrutura fun- cional ou divisional, um gestor é responsável por tudo, até mesmo pelas questões mais ines- peradas. Mas, em uma estrutura matricial, os problemas incomuns podem não ser resolvidos porque nenhum gestor se apropria deles.61 Logo depois de se tornar CEO da Hewlett-Packard, Mark Hurd eliminou a estrutura ma- tricial da empresa de tecnologia devido a preocupações com responsabilidade. “Quanto mais responsável eu puder torná-lo, mais fácil será para você mostrar que tem bom desempenho”, declarou Hurd, que hoje trabalha na Oracle, Inc. “Quanto mais utilizar uma estrutura ma- tricial, mais facilito para que a culpa recaia sobre outra pessoa”.62 A combinação de conflito disfuncional e responsabilização ambígua nas estruturas matriciais também explica por que alguns funcionários sofrem mais estresse e alguns gestores ficam menos satisfeitos com seus arranjos de trabalho. Perda de dados na estrutura matricial Logo depois que os departamentos britânicos de Receita In- terna e Alfândega/Imposto sobre Vendas se fundiram para formar a Receita & Alfândega de Sua Majestade (HMRC, Her Majesty’s Revenue & Customs), o departamento resultante sofreu com uma série de erros que violaram os direitos indivi- duais à privacidade. O mais grave desses incidentes ocorreu quando a equipe da HMRC perdeu de alguma maneira dois discos de computador que continham detalhes confidenciais de 25 milhões de reclamantes de assistência social infantil. A investigação do governo britânico sobre a falha de segurança concluiu que, além de ser resultado de procedi- mentos de segurança mal concebidos, o erro se deveu par- cialmente às “confusas atribuições de responsabilidades” criadas pela estrutura organizacional matricial, sob a qual o novo departamento funcionava. O resumo inicial dos inves- tigadores afirmou que a estrutura matricial e os inúmeros departamentos “tornaram difícil associar os papéis e as res- ponsabilidades entre a alta gestão”. Na verdade, a responsa- bilidade pela segurança dos dados foi atribuída a não menos do que cinco departamentos, cada um deles se reportando a diretores gerais diferentes. O relatório final concluiu que a “[HMRC] não é adequada para a chamada organização matricial de ‘conflito construti- vo’ que estava implantada no momento da perda dos dados”. Desde então, a HMRC adotou uma estrutura organizacional mais tradicional de comando único.58 C O N E X Õ E S 1 3 . 2 A Receita Interna e Alfândega/Imposto sobre Vendas da Grã- -Bretanha sofreu de “confusão de responsabilidades” devido à sua estrutura organizacional matricial. 360 PARTE IV Processos Organizacionais Estrutura em rede A BMW AG e a Daimler AG não estão ansiosas para que você saiba, mas alguns dos seus veículos projetados e construídos com precisão alemã não são projetados nem construídos por elas ou na Alemanha. Grande parte do BMW X3, por exemplo, foi projetada pela Magna Steyr na Áustria, que também fabricou o veículo no país até a BMW transferir esse trabalho para a sua fábrica nos Estados Unidos. O fabricante contratado também constrói a Mercedes Classe G off-road da Daimler. Tanto a BMW quanto a Daimler Benz são organizações centrais que detêm e comercializam suas respectivas marcas, enquanto a Magna e outros fornecedores são raios em torno do centro que fornecem produção, engenharia e outros serviços que levam os produtos de luxo das montadoras para os clientes.63 A BMW, a Daimler e muitas outras organizações adotam uma estrutura em rede à medi- da que projetam e constroem um produto ou atendem a um cliente por meio de uma aliança de várias organizações.64 Como mostra a Figura 13.7, essa estrutura colaborativa é composta de diversas organizações-satélite em torno de uma empresa central, a qual coordena os pro- cessos da rede e fornece uma ou duas competências centrais, como marketing ou desenvol- vimento de produtos. No nosso exemplo, a BMW ou a Mercedes é a empresa central que oferece o marketing e a gestão, enquanto as outras empresas executam muitas outras funções. A empresa central poderia ser o contato principal com os clientes, mas a maioria dos pro- dutos, serviços resultantes e atividades de apoio são terceirizados para organizações-satélite localizadas em qualquer parte do mundo. As extranets (redes de parceiros baseadas na web) e outras tecnologias garantem que a informação flua de maneira fácil e aberta entre a empresa central e o seu conjunto de empresas-satélite.65 Uma das principais forças que levam a uma estrutura em rede é o reconhecimento de que uma organização tem apenas algumas competências centrais (core competencies). Uma competência central é uma base de conhecimento que reside na organização como um todo e que proporciona uma vantagem estratégica. À medida que as empresas descobrem suas competências centrais, elas “desmembram” as tarefas que não são fundamentais, deixando- -as para outras organizaçõesque tenham competência central para executá-las. Por exemplo, a BMW decidiu há muito tempo que gestão de instalações não é uma de suas competências Parceiro de marketing (EUA) EMPRESA CENTRAL Parceiro de montagem (México) Parceiro de call center (Índia) Parceiro de contabilidade (EUA) Parceiro de desenvolvimento de produtos (França) Parceiro de design de embalagem (Grã-Bretanha) FIGURA 13.7 Estrutura organizacional em rede. CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 361 centrais e terceirizou essa função em sua fábrica de motores britânica para a Dalkia, empresa especializada em manutenção de instalações e gestão de energia.66 As empresas também são mais propensas a formar estruturas em rede quando a tecno- logia muda rapidamente e os processos de produção são complexos ou variados.67 Muitas empresas não conseguem acompanhar as mudanças ultrarrápidas na tecnologia da infor- mação, então terceirizam seus departamentos de sistemas de informação para a IBM, HP Enterprise Business e outras empresas peritas em serviços de sistemas de informação. Do mesmo modo, muitas empresas de alta tecnologia formam redes com a Flextronics, a Ce- lestica e outros fabricantes de equipamentos eletrônicos especializados em processos de produção diversos. Avaliação da estrutura em rede Por vários anos, os teóricos do comportamento orga- nizacional argumentaram que os líderes organizacionais devem desenvolver uma metáfora das organizações como organismos similares ao plasma, em vez de máquinas rígidas.68 As estruturas em rede se aproximam da metáfora do organismo porque oferecem a flexibilidade para realinhar sua estrutura com a oscilação das exigências ambientais. Se os clientes exigem um novo produto ou serviço, a empresa central forma novas alianças com outras empresas que ofereçam os recursos adequados. Por exemplo, ao trabalhar com a Magna International, a BMW provavelmente foi capaz de desenvolver e lançar o veículo X3 muito mais cedo do que teria sido possível se tivesse executado as tarefas por conta própria. Quando a BMW precisa de um tipo de fabricação diferente, ela não fica sobrecarregada com instalações e recursos não essenciais. As estruturas em rede também possuem outras eficiências, pois a empresa central se torna globalmente competitiva à medida que subcontrata empresas no mundo inteiro com os melhores funcionários e a melhor tecnologia pelo melhor preço. Na realidade, as pressões da concorrência global tornaram as estruturas em rede mais vitais, possíveis apenas graças à tecnologia da informação baseada em computadores.69 Uma desvantagem em potencial das estruturas em rede é que elas expõem a empresa cen- tral às forças do mercado. Outras empresas podem aumentar o preço para as subcontratadas, enquanto o custo no curto prazo poderia ser mais baixo se a empresa contratasse seus pró- prios funcionários para realizar a mesma função. Outro problema é que, embora a tecnologia da informação torne a comunicação no nível mundial muito mais fácil, ela nunca substituirá o grau de controle que as organizações têm quando a produção, o marketing e outras funções fazem parte da própria empresa. A empresa central pode utilizar incentivos normais de con- corrência e disposições contratuais para manter a qualidade da terceirizada, mas essas ações são relativamente fracas em comparação com manter a qualidade do trabalho realizado pelos funcionários internos. CONTINGÊNCIAS DO PROJETO ORGANIZACIONAL A maioria das teorias e conceitos de comportamento organizacional possui contingências, ou seja, ideias que funcionam bem em uma situação, mas que podem não funcionar em outra. Essa abordagem contingencial certamente é relevante quando se escolhe a estrutura organi- zacional mais adequada.70 Nesta seção, introduziremos quatro contingências do projeto orga- nizacional: ambiente externo, tamanho, tecnologia e estratégia. Ambiente externo A melhor estrutura para uma organização depende do seu ambiente externo. Este abrange qualquer coisa fora da organização, incluindo a maioria das partes interessadas (por exemplo, clientes, fornecedores e governo), recursos (matérias-primas, recursos humanos, informa- ções, finanças, etc.) e concorrentes. Quatro características dos ambientes externos influen- ciam o tipo de estrutura organizacional mais adequado para uma determinada situação: di- namismo, complexidade, diversidade e hostilidade.71 Ambientes dinâmicos versus estáveis Os ambientes dinâmicos têm uma alta taxa de mudança, o que leva a situações novas e à ausência de padrões identificáveis. As estruturas orgânicas são mais adequadas a esse tipo de ambiente, de modo que as organizações podem estrutura em rede Aliança de várias organiza- ções com o propósito de criar um produto ou atender a um cliente. 362 PARTE IV Processos Organizacionais se adaptar mais rapidamente às mudanças, mas somente se os funcionários forem experientes e se coordenarem bem quando trabalham em equipe.72 Os ambientes estáveis, por outro lado, são caracterizados por ciclos regulares de atividade e mudanças estáveis na oferta e demanda de insumos e resultados. Os eventos são mais previsíveis, o que permite à empresa aplicar regras e procedimentos. As estruturas mecanicistas são mais eficientes quando o ambiente é previsível, então tendem a funcionar melhor do que as estruturas orgânicas. Ambientes simples versus complexos Os ambientes complexos possuem muitos ele- mentos, enquanto os simples têm poucas coisas para monitorar. A título de exemplo, uma grande biblioteca universitária opera em um ambiente mais complexo do que uma biblioteca pública de uma cidade pequena. Os clientes da biblioteca universitária necessitam de vários tipos de serviços, como pegar livros emprestados, bancos de dados on-line com os textos na íntegra, centros de pesquisa, coleções didáticas (livros reservados para os cursos) e assim por diante. A biblioteca pública de uma cidade pequena tem menos demandas dessa natureza. Quanto mais complexo o ambiente, mais descentralizada a organização deve se tornar. A des- centralização é uma opção lógica em ambientes complexos porque as decisões são delegadas para pessoas e subunidades com as informações necessárias para fazer escolhas conscientes. Ambientes diversos versus integrados As organizações localizadas em ambientes di- versos têm uma variedade maior de produtos e serviços, clientes e regiões. Porém, um am- biente integrado tem apenas um cliente, um produto e uma área geográfica. Quanto mais diversificado o ambiente, mais a empresa precisa usar uma estrutura divisional alinhada com essa diversidade. Se ela vende um único produto no mundo inteiro, uma estrutura divisional geográfica se alinharia melhor com a diversidade geográfica da empresa, por exemplo. Ambientes hostis versus liberais As empresas localizadas em um ambiente hostil enfrentam escassez de recursos e mais concorrência no mercado. Os ambientes hostis normalmente são dinâmicos, pois reduzem a previsibilidade do acesso aos recursos e da demanda por resultados. As es- truturas orgânicas tendem a ser melhores nos ambientes hostis. No entanto, quando o ambiente é extremamente hostil, como em uma escassez grave de suprimentos ou menor participação de mercado, as organizações tendem a se centralizar temporariamente para que as decisões possam ser tomadas mais rapidamente e os executivos se sintam mais confortáveis no contro- le.73 Ironicamente, a centralização pode resultar em decisões de qualidade inferior durante as crises organizacionais porque a alta gerência tem menos informações, particularmente quando o ambiente é complexo. Tamanho da organização As organizações maiores devem ter estruturas diferentes das menores.75 À medida que a quantidade de funcionários aumenta, a especialização tam- bém aumenta em virtude da maior divisão do trabalho, a qual requer meca- nismos de coordenação mais complexos. Assim, as empresas maiores utili- zam mais a padronização (particularmente dosprocessos de trabalho e dos resultados) para coordenar as atividades de trabalho. Esses mecanismos de coordenação criam uma hierarquia administrativa e maior formalização. Historicamente, as organizações maiores têm utilizado menos a comunica- ção informal como mecanismo de coordenação. No entanto, as tecnologias da informação emergentes e a maior ênfase na autonomia dos funcionários fizeram a comunicação informal reconquistar sua importância nas grandes empresas.76 As organizações maiores tendem a ser mais descentralizadas. Os exe- cutivos não têm tempo e nem experiência suficientes para processar todas as decisões que influenciam significativamente o negócio à medida que ele cresce. Portanto, a autoridade de tomada de decisão é empurrada para os níveis inferiores, nos quais os gestores podem lidar com uma gama mais estreita de questões sob seu controle. Por mais de quatro décadas, a Nucor Corporation se orgulhou de manter uma estrutura organizacional plana e enxuta, com apenas quatro camadas de gestores: supervisores, gerentes funcionais, gerentes de fábrica e CEO. O CEO podia gerenciar diretamente mais de 25 gerentes de fábrica porque estas operavam como negó- cios independentes. Hoje, a Nucor é a maior siderúrgica dos EUA, empregando mais de 20.000 pessoas em cerca de 50 instalações ao redor do mundo. Gerenciar tantos colaboradores diretos seria demais para praticamente qualquer executivo, então Dan DiMicco, CEO da Nucor, criou relutantemente cinco cargos de vice-presidente executivo em mais uma camada de gestão. “Precisava ficar livre para tomar decisões nas batalhas comer- ciais”, DiMicco se desculpa.74 CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 363 Tecnologia A tecnologia é outro fator a considerar quando se projeta a melhor estrutura organizacional para a situação.77 Tecnologia se refere aos mecanismos ou processos pelos quais uma orga- nização gera seus produtos ou serviços. Uma contingência tecnológica é a variabilidade, a quantidade de exceções ao procedimento padrão que tende a ocorrer. Nos processos de tra- balho com baixa variabilidade, as funções são rotineiras e seguem procedimentos operacio- nais padrão. Outra contingência é a analisabilidade, ou seja, a previsibilidade ou dificuldade do trabalho necessário. Quanto menos analisável for o trabalho, mais ele exige especialistas com conhecimento e espaço de manobra suficientes para abordar os desafios decorrentes. Uma estrutura orgânica, em vez de mecanicista, deve ser introduzida quando os funcionários executam tarefas com alta variabilidade e baixa analisabilidade, como em um contexto de pesquisa. A razão para isso é que os funcionários nessa estrutura enfrentam situações únicas com poucas oportunidades de repetição. Por outro lado, uma estrutura mecanicista é melhor quando a tecnologia possui baixa variabilidade e alta analisabilidade, como em uma linha de montagem. Nela, o trabalho é rotineiro e altamente previsível, uma situação ideal para uma estrutura mecanicista operar de maneira eficiente. Estratégia organizacional Estratégia organizacional se refere à maneira como a organização se posiciona no seu contexto em relação às partes interessadas, dados os recursos, as capacitações e a missão da organização.78 Em outras palavras, a estratégia representa as decisões e ações aplicadas para alcançar os objetivos organizacionais. Embora o tamanho, a tecnologia e o ambiente influenciem a estrutura organizacional ideal, essas contingências não determinam neces- sariamente a estrutura. Em vez disso, os líderes empresariais formulam e implementam estratégias que moldam as características dessas contingências e também a estrutura orga- nizacional resultante. O conceito se resume em uma única frase: “A estrutura é consequência da estratégia”.79 Os líderes organizacionais decidem até que ponto crescer e quais tecnologias utilizar e também adotam medidas para definir e manipular seus ambientes em vez de deixarem o destino da organização ser inteiramente determinado pelas influências externas. Além disso, as estrutu- ras organizacionais não evoluem como uma resposta natural às condições ambientais, antes resultam de decisões humanas conscientes. Desse modo, a estratégia organizacional influen- cia as contingências da estrutura e a própria estrutura. Se a estratégia de uma empresa ocorrer por meio da inovação, uma estrutura mais orgâ- nica seria preferível, pois é mais fácil para os funcionários compartilharem o conhecimento e serem criativos. Se a empresa optar por uma estratégia de baixo custo, uma estrutura me- canicista é preferida porque maximiza a eficiência da produção e dos serviços.80 Em geral, é evidente que a estrutura organizacional é influenciada pelo tamanho, tecnologia e ambiente, mas a estratégia organizacional pode remodelar esses elementos e diminuir a sua conexão com a estrutura organizacional. estratégia organizacional Modo como a organização se posiciona em seu contexto em relação às partes interes- sadas, dados os recursos, as capacitações e a missão da organização. RESUMO DO CAPÍTULO OA1 Descrever três tipos de coordenação nas estruturas orga- nizacionais. A estrutura organizacional é a divisão do trabalho e também os padrões de coordenação, comunicação, fluxo de trabalho e poder formal que norteiam as atividades organizacionais. Todas as es- truturas organizacionais dividem o trabalho em tarefas distintas e coordenam o trabalho para que os funcionários atinjam objetivos comuns. Os principais meios de coordenação são a comunicação informal, a hierarquia formal e a padronização. OA2 Discutir a função e os efeitos da amplitude de controle, centralização e formalização e relacionar esses elementos às estruturas organizacionais orgânicas e mecanicistas. Os quatro elementos básicos da estrutura organizacional são am- plitude de controle, centralização, formalização e departamenta- lização. A amplitude de controle ideal (o número de pessoas que responde diretamente ao próximo nível da hierarquia) depende de quais mecanismos de coordenação estão presentes além da hierar- quia formal, se os funcionários realizam tarefas rotineiras e quanta interdependência há entre os funcionários do departamento. 364 PARTE IV Processos Organizacionais A centralização ocorre quando a autoridade de decisão for- mal está nas mãos de um pequeno grupo de indivíduos, geral- mente os altos executivos da empresa. Muitas empresas se decen- tralizam à medida que se tornam maiores e mais complexas, mas algumas seções delas podem se manter centralizadas enquanto outras se decentralizam. A formalização é quanto as organizações padronizam comportamentos por meio de regras, procedimen- tos, treinamento formal e mecanismos relacionados. As empresas se tornam mais formalizadas à medida que se expandem e enve- lhecem. A formalização tende a reduzir flexibilidade organiza- cional, aprendizagem organizacional, criatividade e satisfação no emprego. Amplitude de controle, centralização e formalização se aglo- meram para formar estruturas mecanicistas e orgânicas. As es- truturas mecanicistas se caracterizam por pouca amplitude de controle e alto grau de formalização e centralização. As empresas com estruturas orgânicas têm as características contrárias. OA3 Identificar e avaliar seis tipos de departamentalização. A departamentalização especifica como os funcionários e suas atividades são agrupados. Ela estabelece uma cadeia de coman- do, concentra as pessoas em torno de modelos mentais comuns e encoraja a comunicação informal entre pessoas e subunidades. Uma estrutura simples emprega poucas pessoas, tem pouca hie- rarquia e normalmente oferece apenas um produto ou serviço distinto. Uma estrutura funcional organiza os funcionários em torno de conhecimentos específicos ou outros recursos. Essa es- trutura promove a especialização e melhora a supervisão dire- ta, mas enfraquece o foco em atender os clientes ou desenvolver produtos. Uma estrutura divisional agrupaos funcionários em função de áreas geográficas, clientes ou resultados. Essa estrutura acomoda o crescimento e foca a atenção dos funcionários em produtos ou clientes, não nas tarefas. Entretanto, a estrutura também duplica recursos e cria silos de conhecimento. As estruturas baseadas em equipes são bastante planas, com pouca formalização, e organi- zam equipes autodirigidas em torno de processos de trabalho e não em especialidades funcionais. A estrutura matricial com- bina duas estruturas para alavancar os benefícios de ambos os tipos. Contudo, a abordagem exige mais coordenação do que as estruturas funcionais ou as puramente divisionais, pode diluir a responsabilidade e aumenta o conflito. Uma estrutura em rede é uma aliança de várias organizações com o objetivo de criar um produto ou atender um cliente. OA4 Explicar como o ambiente externo, o tamanho da orga- nização, a tecnologia e a estratégia são relevantes quan- do se projeta uma estrutura organizacional. A melhor estrutura organizacional depende do ambiente externo, tamanho, tecnologia e estratégia da empresa. A estrutura ideal de- pende do ambiente ser dinâmico ou estável, complexo ou simples, diverso ou integrado e hostil ou liberal. À medida que aumentam de tamanho, as organizações se tornam mais decentralizadas e formalizadas. A tecnologia da unidade de trabalho, incluindo a variabilidade do trabalho e a analisabilidade dos problemas, in- fluencia se devemos adotar uma estrutura orgânica ou mecanicis- ta. Essas contingências influenciam, não determinam necessaria- mente a estrutura. Em vez disso, os líderes empresariais formulam e implementam estratégias que moldam as características dessas contingências e também a estrutura organizacional resultante. PRINCIPAIS TERMOS centralização, p. 349 engenharia simultânea, p. 344 estrutura divisional, p. 353 formalização, p. 350 estrutura funcional, p. 352 empresa globalmente integrada, p. 355 estrutura matricial, p. 357 estrutura mecanicista, p. 350 estrutura em rede, p. 360 estrutura orgânica, p. 351 estratégia organizacional, p. 363 estrutura organizacional, p. 342 amplitude de controle, p. 345 estrutura organizacional baseada em equipes, p. 356 PERGUNTAS PARA DESENVOLVER O PENSAMENTO CRÍTICO 1. A estrutura organizacional da Merritt’s Bakery é descrita no início deste capítulo. Qual mecanismo de coordenação pro- vavelmente é o mais comum nessa organização? Descreva quanto e de que forma os outros dois tipos de coordenação poderiam ser evidentes na empresa. 2. Pense sobre a escola de administração ou outra unidade or- ganizacional na qual você estuda atualmente. Qual o meca- nismo de coordenação dominante utilizado para orientar ou controlar o professor? Por que esse mecanismo de coordena- ção é o mais utilizado nessa instituição? 3. Os teóricos da administração concluíram muitas décadas atrás que as organizações mais eficazes possuem uma ampli- tude de controle limitada. Entretanto, as indústrias de melhor desempenho no mercado têm grandes amplitudes de contro- le. Por que isso é possível? Sob quais circunstâncias as indús- trias devem ter amplitudes de controle restritas (se isso for possível)? 4. Os líderes de grandes organizações lutam para identificar o melhor nível e os tipos de centralização e decentralização. O que as empresas deveriam considerar quando determinam o nível de decentralização? 5. A Diversified Technologies, Inc. (DTI), fabrica quatro tipos de produtos, cada um dos quais é vendido para um tipo di- ferente de cliente. Por exemplo, um produto é vendido ex- clusivamente para oficinas de automóveis, enquanto outro é usado principalmente em hospitais. As expectativas de cada grupo de clientes são surpreendentemente parecidas em todo o mundo. A empresa possui instalações independentes de marketing, design de produto e fabricação na Ásia, América do Norte, Europa e América do Sul, pois, até pouco tempo atrás, cada jurisdição possuía regulamentações especiais que governavam a produção e venda dos produtos. Contudo, vá- rios governos começaram o processo de desregulamentar os produtos projetados e fabricados pela DTI, enquanto acordos comerciais abriram diversos mercados para produtos estran- geiros. Qual forma de departamentalização melhor se adap- tará à DTI caso a desregulamentação e os acordos comerciais se materializem? CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 365 6. A IBM está se tornando uma empresa globalmente integrada. Como é essa organização em termos de sua departamentali- zação? Quais desafios são enfrentados pelas organizações que adotam o modelo de empresa globalmente integrada? 7. Da perspectiva do funcionário, quais as vantagens e desvan- tagens de se trabalhar em uma estrutura matricial? 8. Imagine que você foi contratado como consultor para diag- nosticar as características ambientais de sua faculdade ou universidade. Como você descreveria o ambiente externo da escola? A estrutura existente na escola é apropriada para esse ambiente? 9. Imagine que você mora em uma cidade com alta densidade populacional, como Hong Kong, Beijing ou até mesmo Nova Iorque. Sua empresa está indo muito bem e você precisa con- tratar mais gente, mas não tem onde colocá-las. O que você faz? Você consideraria um plano de terceirização? Construir um arranha-céu? Deixá-las trabalhar de casa ou algum outro local externo? O que você sabe sobre essas diversas soluções estruturais para resolver a necessidade de adicionar mais pes- soal? Se, por outro lado, você precisasse fazer downsizing, o que poderia fazer com o espaço estrutural? ESTUDO DE CASO 13.1 A EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA NOKIA A Nokia Corporation passou por mudanças consideráveis nas últimas três décadas, e sua estrutura organizacional mudou de forma igualmente significativa. No início da década de 1990, a empresa finlandesa possuía uma estrutura organizacional cen- trada em suas operações diversificadas: produtos eletrônicos (televisões e equipamentos de áudio), cabos para construção e transmissão de energia e borracha industrial (pneus e calçados), além de um recém-adquirido negócio de telecomunicações que logo se transformaria em telefones celulares. A Nokia se tornou líder de mercado em telefonia celular em 1998 (ultrapassando a Motorola), então vendeu a maioria das ou- tras divisões e projetou uma nova estrutura organizacional em torno dos seus negócios de telefonia celular e produtos eletrôni- cos de consumo, bem como de vários grupos funcionais (finan- ças, recursos humanos, etc.). O negócio de produtos eletrônicos de consumo não era suficientemente lucrativo, então foi vendido e a Nokia desenhou um novo organograma em 1999 em torno dos telefones celulares, do negócio emergente das redes móveis, dos empreendimentos de risco (tecnologia emergente da Internet móvel) e dos produtos de comunicação (terminais digitais). Em 2003, o mercado de telefones celulares convergia para a fotografia, jogos, música e outros conteúdos multimídia, então a Nokia adicionou uma nova divisão “multimídia” para manter a empresa na vanguarda dessas mudanças. Em 2006, a divisão de rede da empresa estava em franca ascensão e foi transformada em um empreendimento conjunto com um grupo de produtos semelhante da Siemens. As estruturas organizacionais anteriores da Nokia deram certa prioridade à Internet e às tecnologias de multimídia, o suficiente para que a empresa acompanhasse o ritmo do merca- do explosivo de smartphones. Mas a Nokia foi pega de surpre- sa pelo desenvolvimento rápido desses aparelhos, inicialmente Estrutura organizacional da Nokia Telefonia móvel Experiência de desenvolvedores & serviços Design Escritório do CTO Dispositivos inteligentes MercadosDesenvolvimento corporativo NAVTEQ CEO Nokia Siemens Networks Escritório do CFO Recursos humanos Jurídico & propriedade intelectual Relações corporativas e responsabilidade Qualidade & desenvolvimento de capacidades Recursos do local de trabalho366 PARTE IV Processos Organizacionais pela Research in Motion (que produz o BlackBerry) e mais re- centemente pela Apple (iPhone) e Google (sistema operacional Android). Frente à queda nas vendas, a Nokia anunciou recente- mente uma nova estrutura organizacional que enfocaria os smar- tphones e os celulares tradicionais. “A Nokia está em um momento crítico. Em nossa jornada, mudanças significativas serão necessárias e inevitáveis”, afir- mou Stephen Elop, CEO e presidente da empresa, quando a nova estrutura foi anunciada. “Hoje, estamos acelerando essa mudança por um novo caminho, com o objetivo de reconquis- tar nossa liderança no mercado de smartphones, reforçar nossa plataforma de dispositivos móveis e realizar nossos investimen- tos no futuro”. O novo organograma (mostrado neste estudo de caso) en- fatiza duas divisões de produtos centrais: Dispositivos Inteli- gentes e Telefonia Móvel. A divisão de smartphones concorre com o iPhone da Apple e produtos semelhantes. A divisão de telefonia móvel abrange produtos de telefones celulares tradi- cionais, com ênfase especial em expandir o negócio em merca- dos emergentes. O organograma também inclui uma divisão “Mercados”, que é um grupo funcional responsável por vendas globais e operações de cadeia de suprimento. O gráfico tam- bém inclui diversos outros grupos funcionais. A NAVTEC e a Nokia Siemens Networks são organizações independentes das quais a Nokia é sócia. A nova estrutura da Nokia também impõe três outras uni- dades (experiência do desenvolvedor e serviços, design e escri- tório do diretor de tecnologia [CTO]) entre as duas divisões de produtos e o grupo “Mercados”. Essas funções representam uma espécie de estrutura matricial para garantir que a empresa ofereça experiências consistentes para o usuário e divida seus recursos de design e pesquisa entre os produtos. Perguntas para discussão 1. Quais formas de departamentalização a Nokia utilizou du- rante a maior parte das últimas três décadas? Por que essas formas de departamentalização foram adotadas? 2. Avalie a nova estrutura organizacional da Nokia, comparan- do-a com as características mutantes do ambiente externo durante o período. A estrutura contribuiu para o sucesso da Nokia ou foi um obstáculo? 3. Apesar de não explicitamente descrito no caso, na sua opi- nião, em quais partes da Nokia há uma estrutura organiza- cional mais orgânica, especialmente a baixa formalização e a alta decentralização? Quais partes da Nokia seriam as mais mecanicistas? Fontes: “Nokia in Major Reorganization Plan,” Warren’s Consumer Electronics Daily, September 29, 2003; K.J. O’Brien, “Head of Nokia’s Mobile Phone Unit Is Leaving,” The New York Times, May 12, 2010, p. 5; “Nokia Outlines New Strategy, Introduces New Leadership, Operational Structure,” news release, February 11, 2011. ESTUDO DE CASO 13.2 UM LAR PARA O DIGITAL EM UMA EMPRESA CRIATIVA Alguns anos atrás, a TBWA Worldwide contratou Colleen De- Courcy para preencher o novo cargo de diretora digital. Logo em seguida, ela revelou uma nova unidade organizacional, a TBWA\ Digital Arts. A novidade foi anunciada por DeCourcy de um jeito absolutamente moderno: via Twitter. Com essa unidade, a TBWA utilizaria seu grupo de gênios da tecnologia como centro de ex- celência, lançando o talento criativo tradicional da organização na era digital. Nas palavras de DeCourcy, seria “propaganda na velocidade da cultura”. O que DeCourcy e os diretores digitais de outras mega-agên- cias não anteciparam foi a quantidade de obstáculos. O grupo Digital Arts de DeCourcy nunca se integrou bem com a TBWA, que sofreu brigas internas burocráticas típicas das agências de publicidade e disputas por território e descobriu de que injetar o mundo digital em organizações gigantes é mais do que uma simples questão de contratar os astros do momento. De acordo com uma fonte, “acho que ninguém na empresa tinha uma ideia clara de como a coisa iria funcionar”. Até o CEO da TBWA Worldwide, Tom Carroll, admitiu que a Digital Arts teve seus tropeços: “Experimentamos com algumas coisas, jogamos com outras. Algumas funcionaram, outras não”, ele observou. “Melhoramos todos os dias. Aprendemos mais to- dos os dias”. Mas talvez a lição mais importante que Carroll e outros di- retores corporativos aprenderam é que os diretores digitais não se encaixam facilmente nas gigantes criativas tradicionais. De- Courcy saiu da TBWA recentemente, assim como suas contra- partes nas agências criativas Ogilvy & Mather e Young & Rubi- cam. Nenhuma dessas empresas preencheu os cargos com novos funcionários. Os gênios da tecnologia restantes foram transferi- dos de volta aos departamentos de mídia existentes. Na prática, o experimento de criar uma estrutura organizacional com uma equipe digital de elite chegou ao fim. Talvez o principal problema do diretor digital e da equipe de gênios digitais é que a unidade formada por eles nunca corres- ponderá a uma estrutura organizacional enorme. O grupo Digi- tal Arts de DeCourcy operava em nível mundial, como parte da unidade Media Arts. Assim, surgiam questões financeiras quan- do ele se ligava a agências locais, como se os salários altos dos artistas digitais sairia do orçamento do escritório local ou não. As unidades digitais com sede em Nova Iorque também enfrenta- vam resistência dos escritórios locais, que temiam perder a recei- ta dos clientes para a matriz da empresa. Os gênios da tecnologia pareciam “cair de paraquedas” nos projetos e roubavam crédito pelo seu sucesso. Outro problema foi que os líderes digitais acabavam sujeitos a forças vindas de todos os lados. Não seria realista esperar que um único líder digital assumisse responsabilidade pelo sucesso ou fracasso do setor digital de toda uma agência. “É só uma pes- soa”, afirmou John Seifert, CEO da Ogilvy North America. “Acho que a falha foi um excesso de pressupostos ou expectativas para uma única pessoa nessa função”, o que significava que os direto- tes digitais eram “puxados para um milhão de lados”. Finalmente, o elemento digital nunca foi uma peça funda- mental da estratégia competitiva das agências tradicionais. Ape- sar de desejarem mais know-how digital, essas empresas mais abrangentes costumam promover sua carteira completa de ser- viços, não sua alta capacidade no setor digital. “A realidade é que há um certo nível em que essas agências acham que precisam ser digitais”, disse uma fonte. “E se lembrarmos que, no fundo, elas são agências de publicidade, então provavelmente há apenas um certo nível [de conhecimento digital] que elas precisam ter en- quanto empresas de serviços criativos”. CAPÍTULO 13 Elaboração de Estruturas Organizacionais 367 A realidade parece estar se impondo. Os diretores executi- vos afirmam que suas agências não precisam mais de diretores digitais e que o digital “não é tudo ou nada”, nas palavras de Tom Carroll, da TBWA. “Nosso pessoal está cada vez mais próximo de fazer o que [as agências digitais fazem]. Todo dia chegamos mais perto, e isso basta”. Em resposta, John Seifert, da Ogilvy, defende uma maior integração digital, não uma estrutura corporativa distinta para especialistas digitais, pois a equipe básica “precisa ser parte dessa revolução digital”. Os diretores digitais que saíram de suas agên- cias concordam: “O digital precisa ser uma parte tão essencial da organização que ele não se distingue por um grupo específico ou líderes individuais”. Na prática, as agências criativas tradicionais estão adotando uma abordagem de baixo para cima, não de cima para baixo, em sua transformação digital. Perguntas para discussão 1. Liste os principais motivos para as estruturas organizacionais com diretores digitais não funcionarem bem na TBWA e em outras grandes agências criativas. 2. Qual forma de departamentalização melhor representa o grupo Digital Arts na TBWA e outras equipes de gênios digi- tais similares? 3. Imagine que você é o diretor de uma grande agência de pu-blicidade tradicional. Depois de ler esse estudo de caso, qual estrutura organizacional você utilizaria para encorajar mais ênfase nas mídias digitais em toda a organização? Fontes: B. Morrissey and A. McMains, “The Twisting Path to New Agency Models,” AdWeek, May 10, 2010; A. McMains, “New Strategies Replace Solo Acts,” AdWeek, June 28, 2010. EXERCÍCIO EM EQUIPE 13.3 O EXERCÍCIO DO CLUB ED Cheryl Harvey e Kim Morouney, Wilfred Laurier University OBJETIVO O exercício foi formulado para ajudá-lo a entender as questões a serem consideradas no trabalho de desenhar orga- nogramas para organizações em diversas fases de crescimento. MATERIAIS Cada aluno deve ter transparências ou cartazes su- ficientes para apresentar diversos organogramas. INSTRUÇÕES Cada equipe conversa sobre o cenário apresen- tado. O professor facilitará a discussão e avisará as equipes sobre quando começar o próximo passo. O exercício e o briefing exi- gem cerca de 90 minutos, mas alguns cenários podem reduzir o tempo necessário. Passo 1: Os alunos são divididos em equipes (em geral, de quatro ou cinco pessoas). Passo 2: Após ler o Cenário 1, cada equipe desenhará o organo- grama (departamentalização) considerado mais adequado para a situação. Os alunos devem ser capazes de descrever o tipo de estru- tura desenhada e explicar por que ela é adequada. A estrutura deve ser desenhada em uma transparência ou cartaz para que os outros possam vê-la durante o debate subsequente. O professor determi- nará um tempo fixo (ex.: 15 minutos) para completar a tarefa. Cenário 1. Determinado a nunca mais escavar a neve do quin- tal, você está criando um resort em uma pequena ilha do Ca- ribe. O resort está em construção, com a inauguração marcada para um ano no futuro. Você decide que chegou a hora de criar um organograma para o novo empreendimento, batizado de Club Ed. Passo 3: Ao final do tempo permitido, o professor apresentará o Cenário 2 e cada equipe será solicitada a desenhar outro orga- nograma apropriado para a situação. Mais uma vez, os alunos devem ser capazes de descrever o tipo de estrutura desenhada e explicar por que ela é adequada. Passo 4: Ao final do tempo permitido, o professor apresentará o Cenário 3 e cada equipe será solicitada a desenhar outro organo- grama apropriado para a situação. Passo 5: Dependendo do tempo disponível, o professor pode apresentar um quarto cenário. A turma se reunirá para apresen- tar seus desenhos para cada cenário. Durante cada apresentação, as equipes devem descrever o tipo de estrutura desenhada e ex- plicar por que ela é adequada. Fonte: Adaptado de C. Harvey and K. Morouney, Journal of Management Education 22 (June 1998), pp. 425–29. Usado com permissão dos autores. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir nos ajudará a compreender melhor os conceitos discutidos nesta unidade. Acompanhe! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A divisão do trabalho se refere à subdivisão do trabalho em tarefas distintas atribuídas a pessoas diferentes. O trabalho subdividido leva à especialização deste, porque cada função inclui um conjunto restrito de tarefas necessárias para se concluir o produto ou serviço. Entretanto, há contribuições positivas e negativas quando se pensa nessa divisão, e pode-se dizer que as consequências a curto prazo referem-se à(ao): A) maior produtividade e melhor rendimento do pessoal envolvido. B) aumento dos custos de produção e maior eficiência da organização. C) menor produtividade e maior eficiência da organização. D) redução dos custos de produção e menor produtividade. E) melhor rendimento do pessoal envolvido e aumento dos custos de produção. Diversas redes de fast‐food eficientes costumam ter um alto grau de formalização, pois se baseiam na padronização dos processos de trabalho como um mecanismo de coordenação. Os funcionários têm funções precisamente definidas, e tarefas altamente padronizadas. A gestão de processos vincula-se ao trabalho de desenvolvimento e 2) implantação de procedimentos de padronização como forma de aumentar a competitividade organizacional. Veja algumas afirmativas a respeito do desdobramento da padronização: I) Estabilização dos processos. II) Facilitação do controle. III) Qualidade na produção e nos serviços. IV) Garantia de aumento nos lucros da empresa. V) Ampliação de conhecimento. A respeito do desdobramento deste processo é CORRETO o que consta nas afirmativas : A) I, II e IV apenas. B) II, IV e V apenas. C) I, III e V apenas. D) I, II, III e IV apenas. E) I, II, III e V apenas. 3) Platão, um dos principais filósofos da antiguidade, foi bastante criticado quando, em umas das suas afirmações, disse que todas as coisas seriam fabricadas em quantidade e qualidade superiores e com mais destreza se cada indivíduo trabalhasse em uma única função, em conformidade com seus dons naturais e no momento certo, sem se intrometer em mais nada. Taylor, considerado o pai da Administração Científica, também considerava que o trabalhador deveria executar tarefas simples e padronizadas, a fim de gerar melhores resultados. Posto isso, pode-se afirmar que: A) atualmente, não há mais espaço para a utilização da teoria proposta por Platão e por Taylor, em nenhum de seus aspectos. B) de acordo com essa perspectiva, o trabalho de cada operário não deve ser planejado pela direção, mas pelos próprios trabalhadores que realizarão a atividade. C) o objetivo central dos estudos organizacionais é a busca da felicidade do trabalhador. D) apesar das duras críticas à estrutura mecanizada, é possível encontrar processo, resultados e habilidades padronizadas nesses cenários que, talvez, possam levar ao sucesso organizacional. E) auxiliar o colega a desenvolver sua atividade pode favorecer o trabalho como um todo. 4) As estruturas orgânicas são consideradas o outro extremo das mecanicistas. Por isso, pode-se afirmar que uma organização orgânica tem como características: A) A estrutura organizacional é flexível e adaptável a mudanças e inovações. B) As decisões são centralizadas, geralmente tomadas pelas cúpulas. C) Há um sistema de controle, em que cada gestor tem um número determinado de subordinados. D) Em sentido vertical, a comunicação é mais descendente. E) A hierarquia de autoridade é rígida, com pouca permeabilidade entre os níveis hierárquicos. Maria é arquiteta e presta serviços personalizados aos seus diversos clientes. Um 5) solicitou o desenho de uma casa mais moderna, enquanto o outro, uma mais clássica. Um terceiro cliente diz que sempre sonhou em morar em uma casa que parecesse um castelo e que a arquiteta poderia ajudá-lo a realizar esse sonho agora que herdou uma fortuna da família. Diante do exposto, pode-se afirmar que o trabalho de Maria deve ser: A) pouco padronizado, já que os clientes podem ter alguns interesses diferentes. B) altamente padronizado a fim de apresentar a mesma qualidade de serviço arquitetônico. C) personalizado e centralizado, já que é a arquiteta quem detém os conhecimentos arquitetônicos. D) capaz de atender às necessidades de mudança, entregando o mesmo resultado aos clientes. E) personalizado, o que prediz flexibilidade de ação dos desenhos. NA PRÁTICA O McDonald's pode ser citado como exemplo clássico de uma organização mecanicista. Veja: A Teoria Clássica Da Administração Como Modelo De Estratégia Empresarial Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Clima Organizacional O Clima Organizacional constitui o meio Interno de uma Organização, a atmosfera psicológica e característica que existe em cada organização; é o ambiente humano dentro do quais as pessoasde uma organização executam seu trabalho. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! As empresas reformam suas bases para ser mais eficientes Para ganhar competitividade em um mercado volátil, as empresas vêm redesenhando suas estruturas organizacionais Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estrutura organizacional do serviço de enfermagem: reflexões sobre a influência do poder e da cultura organizacional Este estudo discute a cultura e o poder influenciando a estrutura organizacional do serviço de enfermagem em um hospital de ensino. A partir da necessidade de padronizar os procedimentos de enfermagem por parte da administração geral do hospital, foi desenhada a estrutura organizacional (organograma) do Serviço de Enfermagem. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Tipos de Estruturas Organizacionais APRESENTAÇÃO Como você vem percebendo ao longo dos estudos na área de administração, muitas são as mudanças (ou demandas por elas) com as quais os gestores têm se deparado. A estrutura organizacional não fica fora desse cenário. O segredo da permanência e do sucesso de muitas empresas no mercado pode estar justamente na sua capacidade de rever a maneira como se organiza, em um mundo onde o compartilhamento e a colaboração são cada vez mais essenciais. Certamente, não é tarefa simples, pois muitas estruturas são as mesmas há décadas. Nesta Unidade de Aprendizagem você vai conhecer os principais conceitos ligados à estrutura organizacional e como estão organizados os trabalhos e as responsabilidades dos envolvidos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar os diferentes elementos ligados às estruturas vertical e horizontal das organizações. • Reconhecer a função de um organograma e o que ele representa.• Diferenciar as características das organizações dos tipos funcional, divisional, matricial e em rede. • DESAFIO Em uma grande empresa do setor de personal care e home care, Adilson e Maira mal se conheciam até poucos meses atrás. Ele era vendedor; ela, assistente de logística. Um era para o outro apenas uma voz na outra ponta da linha telefônica. O assunto quase sempre era algum problema na entrega de determinado produto. Para vender, Adilson oferecia os prazos de entrega que o cliente pedisse. Maira entregava, mas dentro dos limites de custos e das possibilidades da fábrica. Era comum que a encomenda, definida sem a participação do pessoal de logística, esbarrasse em algumas dessas limitações. Adilson só sabia que o pedido não havia sido entregue dentro do prazo combinado quando o próprio cliente lhe telefonava para reclamar. Embora trabalhassem na mesma, os dois colegas cumpriam suas tarefas de forma isolada e só se comunicavam se algo "enroscasse". Quando isso acontecia, o cliente esperava até que os dois encontrassem uma solução. Esse episódio é apenas parte do tortuoso caminho de um pedido de compra em uma organização tradicional, compartimentada por funções, até chegar ao cliente final. Agora, assuma o papel de gestor e explique quais são os seus principais desafios para integrar áreas antes rigidamente separadas. Você pode utilizar exemplos, criar uma situação ou indicar tópicos que representem as dificuldades encontradas no processo de integração. Não esqueça de utilizar os conceitos estudados nesta unidade. INFOGRÁFICO Um organograma tradicional reflete organizações mecânicas, mais rígidas e dapartamentalizadas. Uma estrutura orgânica, por outro lado, é aquela que enfatiza a flexibilidade. São organizações mais modernas e que apresentam algumas características, como você pode conferir no infográfico. CONTEÚDO DO LIVRO Para entender melhor o conteúdo teórico e ver exemplos sobre o conteúdo desta unidade, leia a obra "Administração". Inicie seus estudos no item Organização e siga lendo até As organizações em rede baseiam-se em colaboração. Boa leitura. SAIBA A VERDADE! O dia a dia, as dificuldades e as soluções encontradas pelos gestores de empresas consagradas A ética, a onda verde e a responsabilidade social: como lidar com as preocupações da atualidade O desafio de gerir pessoas: unindo as individualidades em favor do todo e nos diferentes níveis hierárquicos 2a Edição B328a Bateman, Thomas S. Administração [recurso eletrônico] / Thomas S. Bateman, Scott A. Snell ; tradução: Allan Vidigal Hastings ; revisão técnica: Gilmar Masiero. – 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-8055-082-5 1. Administração. I. Snell, Scott A. II. Título. CDU 658 Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus – CRB 10/2052 Coordene como Sheryl e Alicia, observando como os gestores organizam suas empresas e delegam autoridade. Por décadas, a marca Whirlpool foi sinônimo de alta qualidade e alto desempenho em eletrodomésticos, como refrigeradores e máquinas de lavar. Ao fim da década de 1990, contudo, as vendas da empresa pararam de crescer e seus lucros caíram. Cortar custos foi apenas uma maneira de interromper a hemorragia, não uma re- ceita para a saúde no longo prazo. Por isso, o presidente -executivo David R. Whitwam reviu a maneira como a empresa se organizava. Em vez de isolar a gera- ção de ideias nos grupos de engenharia e marketing da divisão de produtos, fez dela responsabilidade de todos e nomeou Nancy R. Snyder Diretora de Inovação da Whirlpool. Ela estabeleceu programas de treinamento em inovação para todos os assalariados e criou um processo para conduzir as melhores ideias à etapa de desenvolvimento. Com o novo sistema, começaram a entrar as receitas vindas dos novos produtos.1 Whitwam percebeu que o sucesso de uma empresa, muitas vezes, depende da maneira como estão organizados o trabalho e as responsabilidades. O ideal é que os gestores tomem decisões que alinhem a estrutura da empresa com sua estraté- gia, de tal modo que os funcionários tenham a autoridade, as habilidades e a motivação para concentrar -se nas atividades com as quais mais podem contri- buir para o sucesso da empresa. Acho que o planejamento formal é necessário para projetos de longo prazo. Precisamos ficar na rota para chegar ao resultado final desejado. Não é uma boa ideia planejar formalmente questões que não sejam tão prementes, porque perdemos o foco sobre o que realmente importa. Além disso, não é bom gastar muito tempo fazendo algo que não vai nos ajudar a chegar aonde queremos estar. Alicia Catalano, Líder de Equipe de Vendas Ter aprendido mais sobre delegação na faculdade teria resultado na compreensão das vantagens de deixar que os outros deem apoio em tarefas e ajudem a gerenciar a carga de trabalho. Sheryl Freeman, Gestora de Programas seiscapítulo Organização 128 Administração creveremos as diversas formas de estrutura horizontal, inclusive a funcional, a divisional e a matricial. Daremos exemplos das maneiras como as empresas podem integrar suas estruturas: atingindo a coordenação por meio de padro- nização, planejamento e ajustes mútuos. Finalmente, iremos tratar da importância da flexibilidade e sensibilidade organi- zacionais – ou seja, da capacidade da empresa para mudar de forma e se adaptar a novas estratégias, inovações tecnológi- cas, mudanças do ambiente e outros desafios. OA6.1 Definir as características da estrutura organizacional: orgânicas ou mecânicas, de diferenciação e de integração. FUNDAMENTOS DA EMPRESA Muitas vezes, começamos a descrever a estrutura de uma empresa por meio de seu organograma. O organograma representa os cargos da empresa e a maneira como são organizados. Oferece uma visão da estrutura de subordina- ção (quem se reporta a quem) e das diversas atividades rea- lizadas por diferentes pessoas. A maioria das empresas cria organogramas oficiais para transmitir essas informações.A Figura 6.1 mostra um organograma tradicional. Veja- mos como diversas informações são transmitidas de maneira simples: • Ascaixasrepresentamdiferentestarefas. • Ostítulosdascaixasmostramotrabalhoquecadaunidaderealiza. • As relações de subordinação e autoridade são indicadas pelas linhas contínuasquemostramligaçõesentresuperioresubordinado. • Osníveisdegestãosãoindicadospelonúmerodecamadashorizontais dodiagrama.Todososfuncionáriosdeumamesmahierarquiaqueres- pondemaumamesmapessoaencontram‑senomesmonível. O organograma da Figura 6.l lembra a estrutura das empresas que o sociólogo alemão Max Weber abordou ao tratar do conceito de burocracia, no começo do século XX. Muitos anos depois, dois estudiosos ingleses de gestão (Burns e Stalker) descreveram esse tipo de estrutura como organizações mecânicas, uma estrutura formal que • Os ocupantes de cada cargo têm responsabilidades mais amplas que mudamdeacordocomasnecessidades. • Acomunicaçãosedápormeiodeaconselhamentoeinformação,emvez deordenseinstruções. • Atomadadedecisõeseainfluênciasãomaisdescentralizadaseinformais. • Aperíciaémuitovalorizada. • Osocupantesdecadacargofiam‑semaisnacapacidadedejulgamento doqueemregras. • A obediência à autoridade é menos importante do que o compromisso comasmetasorganizacionais. • Osfuncionáriosconfiammuitomaisunsnosoutroserelacionam‑sede maneiramaisinformalepessoal. As empresas orgânicas são muito dependentes de uma estrutura informal de redes de funcionários. Os bons gesto- res conhecem muito bem essas interações e incentivam os funcionários a trabalhar mais como companheiros de equipe do que como subordinados que aceitam ordens de seus che- fes.3 Como veremos mais adiante neste capítulo, quanto mais orgânica uma empresa, mais sensível será à mudança das exi- gências competitivas e às realidades do mercado. Além de diferir quanto à dependência de redes informais e organogramas formais, as estruturas das empresas podem variar em termos de sua diferenciação e integração. • Diferenciaçãosignificaqueaempresasecompõedeunidadesdiversas quesededicamatiposdiferentesdetarefas,usandohabilidadeseméto- dosdetrabalhodistintos. • Integração significa que as unidades diversas são reunidas de tal maneiraqueotrabalhoécoordenadodeformaatornarglobalumdeter- minadoproduto.4 A diferenciação cria cargos especializados Em uma estrutura organizacional, a diferenciação se cria por meio da divisão do trabalho e da especialização de car- gos. Divisão do trabalho significa que o trabalho da empresa se subdivide em tarefas menores a serem realiza- das por pessoas e unidades de toda a organização. Espe- cialização significa que diferentes pessoas ou grupos realizam partes específicas de uma tarefa maior. Os dois conceitos estão, é claro, intimamente associados. Secretá- rios executivos e contabilistas se especializam em realizar Podem levar meus ativos, mas deixem minha organização e, em cinco anos, terei recuperado tudo. Alfred P. Sloan Jr. Este capítulo dedica -se às dimensões vertical e horizontal da estrutura organizacional. Começaremos pelos princípios básicos de diferenciação e integração. Em seguida, iremos discutir a estrutura vertical, que inclui as questões de autori- dade, hierarquia, delegação e descentralização. Depois, des- tem por objetivo promover a eficiência interna.2 Mas foram além disso, sugerindo que existe uma outra opção para as empresas modernas: a estrutura orgânica, que é muito menos rígida e, na verdade, enfatiza a flexibilidade. A estru- tura orgânica pode ser descrita da seguinte maneira: CAPÍTULO 6 | Organização 129 tarefas diferentes; no mesmo sentido, as tarefas de marke- ting, finanças e recursos humanos dividem -se entre seus departamentos respectivos. Especialização e divisão do tra- balho são necessárias por causa das muitas tarefas que são realizadas em uma empresa. O trabalho dela como um todo seria complexo demais para uma só pessoa.5 A diferenciação é elevada quando uma empresa tem muitas subunidades e muitos especialistas que pensam de maneiras diferentes. Os professores de Harvard, Lawrence e Lorsch, levantaram que as empresas, em ambientes comple- xos e dinâmicos, desenvolviam elevado grau de diferencia- ção para lidar com os desafios enfrentados. As empresas em ambientes simples e estáveis tinham baixos níveis de dife- renciação. As empresas em ambientes intermediários ti- nham diferenciação intermediária.6 A integração coordena os esforços dos funcionários Enquanto as empresas diferenciam suas estruturas, os ges- tores devem, ao mesmo tempo, considerar aspectos de inte- gração. As tarefas especializadas de uma empresa não podem ser completamente independentes; exigem certo grau de comunicação e cooperação. A integração e o con- ceito a ela relacionado de coordenação se referem aos procedimentos que ligam as diversas partes da empresa para realizar sua missão geral. A integração se obtém por meio de mecanismos estrutu- rais que aumentam a colaboração e a coordenação. Qualquer atividade que ligue uni dades de trabalho realiza uma fun- ção integradora. Quanto mais diferenciada uma empresa, maior a necessidade de inte- gração entre suas unidades. Lawrence e Lorsch observa- ram que empresas altamen- te diferenciadas eram bem- -sucedidas quando também apresentavam altos níveis de integração, e tinham maior chance de fracassar quando estavam em ambientes com- plexos, mas deixavam de in- tegrar adequadamente suas atividades.7 Entretanto, o foco na integração pode retardar a inovação, pelo menos por al- gum tempo. Em um estudo que acompanhou resultados em empresas de tecnologia da informação que adquiriam ou- tras empresas, aquelas com maior integração estrutural ti- nham menor chance de introduzir novos produtos pouco depois da aquisição, mas a integração teve menor impacto sobre lançamentos de produtos envolvendo empresas ad- quiridas mais experientes.8 Estes conceitos permearão todo o restante do capítulo. Primeiro, trataremos da diferenciação vertical dentro da estrutura organizacional – a autoridade em uma empresa, o conselho de administração, o presidente -executivo e os níveis hierárquicos, além de questões ligadas à delegação e à ORGANOGRAMA A estrutura de subordinação e divisão do trabalho em uma empresa. ORGANIZAÇÃO MECÂNICA Uma forma de organização que procura maximizar a eficiência interna. ESTRUTURA ORGÂNICA Uma forma organizacional que enfatiza a flexibilidade. DIFERENCIAÇÃO Um aspecto do ambiente interno da empresa criado pela especialização de cargos e pela divisão do trabalho. INTEGRAÇÃO O nível no qual unidades diferenciadas trabalham juntas e coordenam seus esforços. DIVISÃO DO TRABALHO A atribuição de diversas tarefas para diferentes pessoas ou grupos. ESPECIALIZAÇÃO Um processo pelo qual diferentes pessoas e unidades realizam diferentes tarefas. COORDENAÇÃO Os procedimentos que ligam as diversas partes de uma empresa para realizar sua missão geral. Um organograma convencionalF I G U R A 6.1 Financeiro P&D Marketing Pessoal Divisão de produtos químicos Pessoal Financeiro Produção Vendas Divisão de produtos metálicos Pessoal Financeiro Produção Vendas Presidente 130 Administração descentralização. Em seguida, iremos nos voltar para a dife- renciação horizontal na estrutura organizacional, explo- rando as questões de departamentalização que criam empresas funcionais, divisionais e matriciais. Em seguida, abordaremos aspectos ligados à integração estrutural, inclusive coordenação, papéis organizacionais, interdepen- dência e cruzamento de fronteiras. Finalmente, iremos ver como essas questões se aplicam a empresas que buscam maior agilidade. OA6.2 Resumir a forma de operação da autoridadee quem cos- tuma deter a autoridade máxima em uma empresa. A ESTRUTURA VERTICAL A dimensão vertical da estrutura das empresas molda os relacionamentos de subordinação, de autoridade, de res- ponsabilidade e accountability. A autoridade é concedida formal e informalmente No mais básico dos níveis, o funcionamento de qualquer empresa depende do uso da autoridade, o direito legítimo de tomar decisões e dizer aos outros o que fazer. Por exem- plo, um chefe tem autoridade para dar uma ordem a um subordinado. Tradicionalmente, a autoridade reside mais nos cargos do que nas pessoas. O papel do vice -presidente de uma divisão qualquer tem autoridade sobre a divisão em questão, independentemente de quantas pessoas passem pelo cargo e de quem o detenha em um dado momento. Em empresas de capital fechado, os proprietários têm a autoridade máxima. Na maioria das empresas de pequeno porte e estrutura simples, o proprietário também age como gestor. Às vezes, o proprietário contrata outra pessoa para gerir a empresa e os funcionários. O proprietário confere a esse gestor alguma autoridade para supervisionar as opera- ções, mas o gestor responde ao proprietário, que retém a autoridade máxima. Em empresas maiores, o princípio é o mesmo, mas a estrutura da alta administração tem diversos componentes: • Conselhodeadministração–Nassociedadesporações,osproprietários sãoosacionistas.Comohámuitosacionistaseelesnãocostumamdis‑ pordeinformaçõesoportunas,poucosseenvolvemdiretamentenagestão da empresa. Os acionistas elegem um conselho de administração para supervisioná‑la. O conselho, liderado por seu presidente, toma decisões geraissobreela,sujeitoàscondiçõesdosestatutossociais.Osconselhos deadministraçãoselecionam,avaliam, recompensame,àsvezes, subs‑ tituem o presidente‑executivo; determinam a orientação estratégica da empresaeavaliamseudesempenhofinanceiroegarantemumaconduta ética,socialmenteresponsávelelegal.9Entreosmembrosdoconselhode administraçãocostumahaveralgunsaltosexecutivos–chamadosdedire- tores internos.Osdiretoresexternosdoconselhocostumamserexecutivos de outras empresas. Os conselhos bem‑sucedidos tendem a participar ativaecriticamentedadeterminaçãodasestratégiasdasempresas. • Presidente‑executivo–Aautoridadeoficialmenteincorporadanoconse‑ lhodeadministraçãoéatribuídaaumpresidente‑executivo (CEO)que ocupaotopodapirâmideorganizacional.Eleépessoalmenteresponsá‑ vel perante o conselho e osproprietáriosa respeitododesempenhoda empresa.Emalgumassociedadesporações,umasópessoareúneoscar‑ gosdepresidente‑executivoepresidentedaempresa.10Emalgunscasos, ocargodepresidentedoconselhodeadministraçãopodeserhonorárioe envolverpoucoalémdacoordenaçãodeassembleias.Seopresidenteda empresatambémforoCEO,opresidenteéosegundonocomando. ? VOCÊ SABIA? Nas grandes sociedades por ações, a maioria dos conselhos de administração tem entre 9 e 13 membros. Os conselhos têm empregado mais diretores externos, inclusive presidentes -executivos e vice- -presidentes financeiros aposentados.11 0 50% 23% 44% 6% 18% 82% 78% 100% Porcentagem de membros independentes Porcentagem de conselhos nos quais o presidente- -executivo é o único membro interno Porcentagem de novos membros com formação em finanças 1998 2008 CAPÍTULO 6 | Organização 131 • Altaadministração–Ospresidentes‑executivospodemcompartilharsua autoridadecomoutrosmembrosdaaltaadministração,quecostumaser compostadopresidente‑executivo,dovice‑presidentedeoperações,do vice‑presidente financeiro e outros.Emvezde tomardecisõescríticas por conta própria, os presidentes‑executivos de empresas como Shell, Honeywell e Merck reúnem‑se regularmente com suas equipes de alta administraçãoparatomardecisõesconjuntas.12 A autoridade formal dos cargos costuma ser o principal meio pelo qual se toca uma empresa. As ordens dadas por um chefe a um subordinado normalmente são cumpridas. À medida que isso acontece em toda a empresa, dia após dia, esta avança e realiza suas metas.13 Entre- tanto, a autoridade nem sempre depende dos car- gos. Pessoas com experiência, perícia, ou qualidades pessoais específicas podem ter uma considerável autoridade informal – como os cientistas em empre- sas de pesquisa, por exemplo, ou funcionários que entendem de computadores. A hierarquia define os níveis de autoridade No Capítulo 1, discutimos os três níveis gerais da pi- râmide organizacional, frequentemente chamada de hierarquia. O presidente -executivo ocupa o topo da pirâmide, na qualidade de membro mais graduado da alta administração. O nível administrativo supe- rior também abrange os vice -presidentes – os gesto- res estratégicos encarregados da empresa toda. O segundo nível da organização é o da administração intermediária. Nele, os gestores estão encarregados veis hierárquicos. A General Electric tinha 29 deles; hoje, tem apenas alguns poucos e sua estrutura hierárquica é praticamente chata. A maio- ria dos executivos de hoje acredita que um menor número de níveis hierárquicos leva a uma empresa mais eficiente, rápida e eficaz em custos. Isso também se aplica às subunidades das grandes socieda- des por ações. Um estudo com 234 agências de uma insti- AUTORIDADE O direito legítimo de tomar decisões e dizer a outras pessoas o que fazer. Dois respeitados executivos, Bill Gates (esq.), da Microsoft, e Brad Anderson (dir.), da Best Buy, debatem a popularidade do Xbox 360 na cerimônia de inauguração de uma loja em Bellevue, Washington. de unidades ou departamentos. O nível inferior, composto da administração de linha e dos funcionários, abrange ge- rentes de filiais ou agências, gerentes de vendas, superviso- res e outros gestores da linha de frente, além dos funcioná- rios que se reportam diretamente a eles. Este nível também é chamado de nível operacional da empresa. A estrutura de autoridade é a cola que une esses três níveis. Em geral, mas nem sempre, as pessoas dos níveis mais elevados têm a autoridade para tomar decisões e dizer aos ocupantes dos níveis inferiores o que fazer. Por exem- plo, os gestores intermediários podem dar ordens aos supervisores da linha de frente; estes, por sua vez, coorde- nam os trabalhadores do nível de operações. Uma forte tendência das empresas norte -americanas nas últimas décadas tem sido a redução do número de ní- tuição financeira revelou que as agências com menos níveis ten- diam a apresentar maior eficiên- cia operacional do que as que ti- nham mais.14 Esta tendência, aliada a pes- quisas, poderia parecer sugerir que a hierarquia fosse algo ruim, mas o empreendedor Joel Spolsky aprendeu que uma estrutura completamente chata não é necessariamente o ideal. Quando ele e Michael Pryor fun- daram a Fog Creek Software, decidiram que dariam poder aos funcionários, fazendo com que todos se reportassem aos dois proprietários. O sistema funcionou bem por alguns anos, até que a Fog Creek atingiu 17 funcionários em tempo integral. Com esse porte, a empresa não era mais uma pequena família feliz: os funcionários tinham preocupações e sentiam dificuldade para abordar os sócios e reunir -se com eles. Assim, Spolsky e Pryor nomea- ram dois dos funcionários líderes das equipes de progra- mação. Os funcionários tinham mais facilidade para conversar com os líderes de suas equipes e Spolsky con- cluiu que esse nível de “gestores intermediários” ajudou a empresa a funcionar melhor.15 Autoridade sem sabedoria é como um machado sem uma ponta firme, serve mais para bater do que para cortar. Anne Bradstreet CAPÍTULO 6 | Organização 135 OA6.6 Definir os tipos básicos de estrutura organizacional e resumir seus pontos fortes. A ESTRUTURA HORIZONTAL À medida que aumenta a complexidadedas suas tarefas, a empresa inevitavelmente se divide – ou seja, se departa- mentaliza. Os departamentos de linha são os responsá- veis pelas atividades -objeto da empresa. Essas unidades lidam diretamente com os bens ou serviços primários desta; produzem, vendem, ou atendem clientes. Na General Motors, os departamentos de linha abrangem projeto de produto, fabricação, montagem, distribuição e similares. Os gestores de linha costumam ter muita autoridade e muito poder, e são responsáveis pela tomada das principais deci- sões operacionais. Também são responsáveis pelo resultado que suas decisões trazem para o bottom -line. Departamentos de apoio são aqueles que fornecem habilidades especializadas em respaldo dos departamentos de linha. Entre eles estão os departamentos de pesquisa, jurídico, contábil, de relações públicas e de recursos huma- nos. Em grandes empresas, cada uma dessas unidades pode ter seu próprio vice -presidente e alguns podem ter muita autoridade, como ocorre quando os grupos de con- tabilidade ou finanças aprovam e monitoram atividades orçamentárias. Em empresas de estrutura tradicional, são comuns os conflitos entre os departamentos de linha e os de apoio. Um motivo para isso é o fato de que as carreiras e o sucesso em muitas funções de apoio dependem da perícia na área de atenção específica, enquanto o sucesso nas funções de linha depende mais do conhecimento do setor no qual a em- presa opera. Assim, enquanto os gestores de linha podem buscar novos produtos e clientes, os de apoio podem pare- cer sufocar essas iniciativas por meio de seu foco em exi- gências e procedimentos. Os gestores de linha podem parecer mais dispostos a assumir riscos em nome do cres- cimento, enquanto os de apoio parecem mais focados em proteger as empresas do risco. Nas empresas de hoje, con- tudo, as unidades de apoio tendem a ser menos focadas em A organização funcionalF I G U R A 6. Compras Produção Marketing Presidente- -executivo Financeiro Tecnologia da informação Recursos Humanos monitoramento e controle do desempenho e mais interes- sadas na prestação de apoio estratégico e assessoria es- pecializada.26 Por exemplo, os gestores de recursos hu- manos ampliaram seu foco, saindo da mera criação de procedimentos que atendam às exigências legais, para ajudar as empresas a plane- jar, recrutar, desenvolver e manter os tipos de funcio- nários que lhes irão conferir uma vantagem competitiva de longo prazo. Esse tipo de pensamento estratégico não só torna os gestores de apoio mais valiosos para suas em- presas como também reduz os conflitos entre os depar- tamentos de linha e de apoio. À medida que as empre- sas dividem o trabalho entre diferentes unidades, pode- mos detectar padrões na maneira como os departa- mentos se agrupam e se or- ganizam. As três abordagens básicas à departamenta- lização são a funcional, a divisional e a matricial. Organizações funcionais geram especialistas eficientes Em uma organização funcional, os cargos (e departa- mentos) são especializados e agrupam -se de acordo com funções de negócio e as habilidades que exigem: produção, ORGANIZAÇÃO CENTRALIZADA Uma empresa na qual os executivos de alto nível tomam a maioria das decisões e confiam sua implementação aos níveis inferiores. ORGANIZAÇÃO DESCENTRALIZADA Uma empresa na qual os gestores de mais baixo nível tomam decisões importantes. DEPARTAMENTOS DE LINHA As unidades que lidam diretamente com os bens e serviços primários da empresa. DEPARTAMENTOS DE APOIO As unidades que apoiam os departamentos de linha. DEPARTAMENTALIZAÇÃO A subdivisão de uma empresa em unidades menores. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL A departamentalização em torno de atividades especializadas, como produção, marketing e recursos humanos. 136 Administração marketing, recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento, finanças, contabilidade e assim por diante. A Figura 6.3 apresenta um organograma funcional básico. A tradicional abordagem funcional à departamentaliza‑ ção traz diversas vantagens em potencial:27 1. Podemserrealizadaseconomiasdeescala.Quandoseagrupampessoas comhabilidades semelhantes, a empresapode comprar equipamentos maiseficienteseobterdescontospelograndevolumedecompras. 2. Omonitoramentodoambientetorna‑semaiseficaz.Cadagrupofuncio‑ nalmostra‑semaisalinhadoaosacontecimentosnoprópriocampoe,por isso,podeadaptar‑semaisprontamente. 3. Ospadrõesdedesempenhosãomaisbemmantidos.Pessoascomtrei‑ namento e interesses parecidos podem desenvolver uma preocupação comumcomodesempenhoemseuscargos. 4. As pessoas têm mais oportunidades de treinamento especializado e desenvolvimentoaprofundadodehabilidades. 5. Osespecialistasemfunçõestécnicasficamrelativamentelivresdotra‑ balhoadministrativo. 6. A tomadadedecisãoeas linhasde comunicaçãosãosimples e facil‑ mentecompreendidas. Mas a forma funcional também tem desvantagens. As pessoas podem preocupar ‑se mais com sua função do que com a empresa como um todo, e a atenção que dedicam às tarefas funcionais pode desviar o foco da qualidade geral do produto e da satisfação do cliente. Os gestores desenvolvem perícia funcional, mas carecem de conhecimento sobre outras áreas do negócio; tornam ‑se especialistas, e não generalistas. Surgem conflitos entre funções e a comunica‑ ção e a coordenação são prejudicadas. Em suma, essa estru‑ tura pode promover a diferenciação funcional, mas não a integração funcional. Com isso, a estrutura funcional pode ser mais apro‑ priada em ambientes simples e estáveis. Se a organização tornar ‑se fragmentada (ou desintegrada), pode ter dificul‑ dade para desenvolver novos produtos e levá ‑los ao mer‑ cado, assim como para reagir rapidamente a mudanças de exigências dos clientes e outras. Principalmente quando as empresas estão crescendo e o ambiente empresarial está em mutação, elas precisam integrar suas áreas de trabalho com mais eficácia para obter flexibilidade e sensibilidade. Outras formas de departamentalização podem ser mais flexíveis e sensíveis do que a estrutura funcional. Demandas por qualidade total, atendimento ao cliente, inovação e velocidade evidenciaram as limitações da forma funcional. Organizações funcionais, com sua alta diferen‑ ciação, criam barreiras à coordenação entre funções. Ainda assim, a organização funcional não irá desaparecer, em parte porque sempre haverá necessidade de especialistas funcionais, mas os gestores funcionais tomarão menos decisões. As principais unidades serão equipes interfuncio‑ nais com responsabilidades integradoras por produtos, pro‑ cessos, ou clientes.28 As organizações divisionais desenvolvem um foco sobre o cliente À medida que as empresas crescem e se diversificam, seus departamentos funcionais enfrentam dificuldades para A organização divisionalF I G U R A 6. Divisão A Presidente- -executivo Operacional FinanceiroMarketing Operacional FinanceiroMarketing Operacional FinanceiroMarketing Divisão B Divisão C Operacional FinanceiroMarketing Divisão D CAPÍTULO 6 | Organização 137 As organizações podem criar estruturas divisionais de diversas maneiras: • Divisõesdeproduto–Todasasfunçõesquecontribuemparaumdado produtoseorganizamsobumgestordesseproduto.AJohnson&John‑ sonéumexemplodessaforma.Temmaisde250divisõesindependen‑ tes,muitasdasquaisresponsáveisporlinhasdeprodutoespecíficas. Suasubsidiária,aCordisCorporation, temdivisõesquedesenvolvem evendemprodutosparatratamentodedoençasvasculares,enquanto os produtos da McNeil‑PPC abrangem os produtos de higiene bucal ListerineePlax. Aabordagemàdepartamentalizaçãoporprodutostemvantagens e desvantagens.30 As necessidades informacionais são mais facil‑ mentegeridasporqueaspessoasdedicam‑seaumsóproduto.Estãocomprometidasem tempo integralaumasó linhae,por isso, estão cientes de como seus cargos se encaixam no quadro geral. As res‑ ponsabilidades são claras e os gestores são mais independentes e têm maior responsabilidade. Além disso, os gestores recebem trei‑ namento mais amplo. Como a estrutura por produto é mais flexível doqueafuncional,émaisadequadaaambientes instáveis,quando a capacidade de adaptação rápida é importante. Por outro lado, a coordenaçãoentrelinhasdeprodutoedivisõesédifícil.E,emboraos gestoresaprendamasergeneralistas,podemdeixardeadquirirapro‑ fundidadedeconhecimentoquesedesenvolvenaestruturafuncional. Asfunçõesnãosãocentralizadasnasedeeaduplicaçãodeesforços édispendiosa.Comoatomadadedecisõesédescentralizada,aalta administraçãopodeperderocontrolesobreasdecisõestomadasnas divisões.Umaboagestãodetodasasquestõesligadasàdescentrali‑ zaçãoeàdelegação,comovimosanteriormente,éessencialparaque essaestruturasejaeficaz.31 • Divisõesporcliente–Asdivisões seconstroememtornodeclien‑ tes.APfizerrecentementesubs‑ tituiusuasdivisõesporlocalida‑ depor trêsoutrasbaseadasem gruposdeclientes:cuidadospri‑ mários,cuidadosespecializados e mercados emergentes. A com‑ panhiafarmacêuticaespera,com isso,tornar‑semaissensívelàsne‑ cessidadesdosmédicosemcadagrupo de seus pacientes.32 No mesmo sentido,umhospitalpodeorganizarseusserviçosemtornodecasospe‑ diátricos, adultos, psiquiátricos e emergenciais. Os departamentos de crédito dos bancos costumam ter grupos diferentes encarregados das necessidadesdepessoasfísicasejurídicas. • Divisõesgeográficas–Asdivisõessãoestruturadasemtornoderegiões geográficas.Asdistinçõespodemserpordistrito,território,regiãoepaís.O Macy’sGroup,antigamentechamadoFederatedDepartmentStores,tem divisõesgeográficasparasuasoperaçõesqueatendemEstadosoure‑ giõesdosEstadosUnidos:Macy’sEast,Macy’sFlorida,Macy’sMidwest, Macy’sNorth,Macy’sNorthwest,Macy’sSoutheMacy’sWest,alémda Macys.com,queatendecompradorespelainternet.OsexecutivosdaFord MotorCompanyincluemopresidente‑executivodaForddaEuropa,oda ForddoMéxicoeopresidentedaFordMotor(China)Ltda. A principal vantagem da departamentalização por pro‑ duto, por cliente e regional é a capacidade de concentrar o foco sobre as necessidades dos clientes e fornecer um aten‑ dimento melhor e mais rápido. Mas, novamente, a duplica‑ ção de atividades entre muitos grupos de clientes e regiões geográficas é dispendiosa. Oestabelecimentodedivisõesporclientesmelhorouasdecisões estratégicasdaDetNorskeVeritas(DNV),umaempresanorue‑ guesa que presta serviços ligados à gestão de riscos. Inicial‑ mente, a empresa presumiu que qualquer colaboração entre divisões iria aumentarasvendaseoslucros,masoprimeiroesforçonessesentidofra‑ cassou.Aadministraçãotentoucombinarosesforçosdeduasunidadesde negócios: seu grupo de consultoria e uma unidade que inspecionava as cadeiasdeproduçãodeempresasdealimentos.Aideiaerapermitirqueos gruposcombinadosajudassemasempresasdosetoralimentícioareduzir os riscos emsuas cadeiasde suprimentos. Entretanto, osmembrosdos grupos foram lentos no compartilhamento de informações sobre clientes, pensavamqueotempogastonoprojetoconjuntominavaosesforçosdapró‑ priadivisão(pelosquaisseudesempenhoeramedido)ecriaramconflitos quelevaramaatrasoseestourosdeorçamento. Decepcionadoscomessesprimeirosresultados,osexecutivosdaDNV avaliaramadecisãotomadaeperceberamqueestavamcriandoumpro‑ jeto de colaboração sem antes priorizar as oportunidades de mercado, identificar o impacto sobre os lucros de cada divisão e recompensar os funcionários pela colaboração. Para melhorar decisões futuras, reestru‑ turaramaempresasobaformadeunidadesdenegócioqueatendiama mercadosespecíficos.Combasenoconhecimentoquetinhamdomercado, cadaunidade investigavaondeacolaboraçãofariasentidoparaatender as necessidades da clientela. Como a unidade toda se beneficiaria, era mais fácil atrelar as recompensas à colaboração. Um caso de sucesso ocorreunaunidadequeserviaosetormarítimo.Osgestoresdeterminaram queosespecialistasemTIdaunidadecolaborariamcomogrupodegestão deriscoparaajudarasempresastransportadorasagerenciar oriscodefalhadeseussistemasdecomputação.Destavez,a reaçãodosclientesedosfuncionáriosfoientusiástica.33 ORGANIZAÇÃO DIVISIONAL Um tipo de departamentalização que agrupa as unidades em torno de produtos, clientes, ou regiões geográficas. Organização funcional Um departamento central de compras Departamentos separados de marketing, produção e engenharia para toda a empresa Um departamento munici- pal central de saúde Departamentos de inspeção, manutenção e suprimentos para toda a fábrica Organização divisional Uma unidade de compras para cada divisão Especialistas em marke- ting, design, produção e engenharia no grupo de cada produto Unidades de saúde separadas para escola e para prisão Inspeção, manutenção e suprimentos realizados por cada equipe de produção gerenciar uma ampla gama de produtos, clientes e regiões geográficas. Nesse caso, as empresas podem se reestruturar e criar uma organização divisional, que agrupa todas as funções em uma só divisão e duplica funções em todas as divisões. No organograma divisional da Figura 6.4, cada di‑ visão tem seus próprios departamentos operacionais, de marketing e financeiro. Cada divisão pode agir quase como se fosse uma empresa ou um centro de lucros em separado e trabalhar com autonomia para realizar as metas da empresa como um todo. Eis alguns exemplos de como as mesmas tarefas seriam organizadas sob estruturas funcionais e divisionais:29 138 Administração As organizações matriciais querem o melhor aspecto de dois mundos Uma organização matricial é uma forma híbrida em que se sobrepõem as formas funcional e divisional. Os ges- tores e funcionários reportam -se a dois chefes – um gestor funcional e um gestor divisional –, criando uma dupla linha de comando. Na Figura 6.5, por exemplo, cada gestor de projeto reúne funcionários de cada área funcional para for- mar um grupo de projeto. Os profissionais dedicados a esses projetos reportam -se tanto ao gestor do projeto em que estão quanto ao gestor de sua área funcional. Um bom exemplo de estrutura matricial pode ser encon- trado na Time Inc., a principal editora de revistas dos Esta- dos Unidos e da Grã -Bretanha. Nos principais títulos da editora, como a Time, a Sports Illustrated e a People, os ges- tores de produção responsáveis pela criação das revistas reportam -se tanto aos editores específicos quanto a um exe- cutivo graduado encarregado da produção. No nível corpo- rativo, a Time Inc. realiza enormes economias de escala ao comprar papel e tinta em grandes lotes e coor- denar as atividades de produção da empresa como um todo. Ao mesmo tempo, os gestores de produção dedi- cados a cada título podem garantir atendimento às diferentes necessi- dades e agendas de suas respectivas revistas. Esquemas matriciais seme- lhantes aplicam -se a outros gestores, como os de circulação e financeiro. Com isso, a empresa procura beneficiar -se das estruturas organizacionais, tanto divisional quanto funcional. Como as demais estruturas organizacionais, a matricial tem pontos fortes e pontos fracos:34 Vantagens • A tomada de decisões é descentralizada a um ponto que permite o corretoprocessamentodasinformaçõeseaaplicaçãodoconhecimento relevante. • Háamplasredesdecomunicaçãoparaajudaraprocessargrandesvolu‑