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OAB EXAME DE ORDEM DIREITO PENAL Capítulo 07 1 CAPÍTULOS Capítulo 1– Noções gerais do direito penal. Funções do direito penal. Ciência do direito penal. Categorias do Direito Penal. Fontes do Direito Penal. Evolução histórica do Direito penal. Escolas penais. História do Direito Penal Brasileiro. Velocidades do Direito Penal. Princípios do direito penal. Lei penal. Capítulo 2 – Teoria geral do crime. Noções introdutórias. Fato típico. Teoria do tipo. Crime doloso. Crime culposo. Crime preterdoloso. Capítulo 3 – Erro de tipo. Iter criminis. Capítulo 4 – Ilicitude. Capítulo 5 – Culpabilidade. Concurso de pessoas. Capítulo 6– Das penas. Penas privativas de liberdade. Penas restritivas de direitos. Pena de multa. Aplicação da pena. Suspensão condicional da pena. Livramento condicional. Efeitos da condenação. Reabilitação criminal. Medidas de segurança. Capítulo 7 (você está aqui!) – Concurso de crimes. Capítulo 8 – Extinção da punibilidade Capítulo 9 – Homicídio. Infanticídio. Aborto. Lesão Corporal. Dos Crimes contra a Honra Capítulo 10 – Dos crimes contra a dignidade sexual Capítulo 11 – Furto. Roubo. Extorsão. Estelionato. Receptação. Disposições gerais dos crimes contra o patrimônio Capítulo 12 – Dos crimes contra a administração pública. Dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Dos crimes praticados por funcionário público contra a administração em geral. Dos crimes contra a administração da justiça 2 SOBRE ESTE CAPÍTULO Olá, Futuro Advogado! A apostila de número 07 do nosso curso de Direito Penal tratará sobre Concurso de Crimes, matéria que é extremamente cobrada no Exame de ordem! De acordo com a nossa equipe de inteligência, esse assunto esteve presente impressionante 9 VEZES nos últimos 3 anos! Não precisamos falar que o estudo desse conteúdo é primordial, não é? Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a resposta é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra seca da lei e entendimentos jurisprudenciais, e sempre em companhia de alguma doutrina à sua escolha. E o mais importante, responda questões! A resolução de questões é a chave para a aprovação! Vamos juntos! 3 SUMÁRIO DIREITO PENAL ........................................................................................................................................ 5 Capítulo 7 .................................................................................................................................................. 5 7. Concurso de Crimes ......................................................................................................................... 5 7.1 Conceito .................................................................................................................................................................... 5 7.2 Espécies ..................................................................................................................................................................... 5 7.3 Sistemas de aplicação da pena no concurso de crimes ...................................................................... 5 7.3.1 Sistema do cúmulo material ............................................................................................................................ 6 7.3.2 Sistema da exasperação ..................................................................................................................................... 6 7.3.3 Sistema da absorção............................................................................................................................................ 6 7.4 CONCURSO MATERIAL ....................................................................................................................................... 6 7.4.1 Conceito e dispositivo legal ............................................................................................................................. 6 7.4.2 Espécies ..................................................................................................................................................................... 7 7.4.3 Momento adequado para a soma das penas .......................................................................................... 8 7.4.4 Imposição cumulativa de penas de reclusão e detenção ................................................................... 8 7.4.5 Cumulação de pena privativa de liberdade com restritiva de direitos ......................................... 8 7.4.6 Cumprimento sucessivo ou simultâneo de penas restritivas de direitos ..................................... 9 7.4.7 Concurso material e suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/1995) .......... 9 7.5 CONCURSO FORMAL .......................................................................................................................................... 9 7.5.1 Conceito e dispositivo legal ............................................................................................................................. 9 7.5.2 Espécies .................................................................................................................................................................. 10 7.5.3 Teorias sobre o concurso formal ................................................................................................................ 12 7.5.4 Aplicação da pena no concurso formal ................................................................................................... 12 7.5.5 Concurso material benéfico ........................................................................................................................... 13 4 7.6 CRIME CONTINUADO ...................................................................................................................................... 13 7.6.1 Conceito e dispositivo legal .......................................................................................................................... 13 7.6.2 Natureza jurídica ................................................................................................................................................ 14 7.6.3 Requisitos do crime continuado.................................................................................................................. 15 7.6.4 Espécies de crime continuado e dosimetria da pena ........................................................................ 17 7.6.5 Concurso material benéfico ........................................................................................................................... 18 7.6.6 Crime continuado e conflito de leis no tempo .................................................................................... 18 7.6.7 Crime continuado e prescrição .................................................................................................................... 19 7.6.8 Crime continuado e suspensão condicional do processo ............................................................... 19 7.6.9 Crime continuado e crime habitual: diferenças .................................................................................... 20 7.6.10 Multa no concurso de crimes ....................................................................................................................... 20 7.6.11 Concurso de crimes e competência do juizado especial criminal ............................................... 20 QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 22 QUESTÕES COMENTADAS ...................................................................................................................26 GABARITO ............................................................................................................................................... 38 QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 39 GABARITO QUESTÃO DESAFIO ........................................................................................................... 40 LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 42 JURISPRUDÊNCIA ................................................................................................................................... 43 MAPA MENTAL ...................................................................................................................................... 44 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 45 5 DIREITO PENAL Capítulo 7 7. Concurso de Crimes 7.1 Conceito Concurso de crimes é o instituto pelo qual agente, mediante uma ou mais condutas, pratica dois ou mais crimes. Pode haver, portanto, unidade ou pluralidade de condutas. Sempre serão cometidas, contudo, duas ou mais infrações penais. 7.2 Espécies Há três espécies de concurso de crimes previstas no Código Penal, quais sejam: Concurso material – art. 69 (regra geral); Concurso formal – art. 70 (exceção legal); Crime continuado – art. 71 (exceção legal). 7.3 Sistemas de aplicação da pena no concurso de crimes No Brasil, destacam-se três sistemas de aplicação da pena no concurso de infrações penais: cúmulo material, exasperação e absorção. 6 7.3.1 Sistema do cúmulo material Opera-se a soma das penas de todos os crimes praticados pelo agente. Imagine que um sujeito praticou três crimes, sendo condenado a pena de 2 ano, 4 anos e 6 anos por cada crime. A pena total será de 12 anos. Esse sistema foi adotado em relação ao concurso material (art. 69), ao concurso formal imperfeito ou impróprio (art. 70, caput, 2.ª parte), e, pelo texto da lei, ao concurso das penas de multa (art. 72). Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. 7.3.2 Sistema da exasperação Aplica-se somente a pena da infração penal mais grave praticada pelo agente, aumentada de determinado percentual. É o sistema acolhido em relação ao concurso formal próprio ou perfeito (art. 70, caput, 1.ª parte) e ao crime continuado (art. 71). 7.3.3 Sistema da absorção É aquele em que o juiz aplica apenas a pena do crime mais grave que absorve todas as demais. Esse sistema foi já foi adotado pela jurisprudência em relação aos crimes falimentares praticados pelo falido, sob a égide do Decreto-lei 7.661/1945. Todavia, ainda não há jurisprudência sobre o tema. 7.4 CONCURSO MATERIAL 7.4.1 Conceito e dispositivo legal O concurso material (real) encontra-se previsto no art. 69 do CP, in verbis: 7 Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. § 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição de que trata o art. 44 deste Código. § 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. Há pluralidade de condutas e pluralidade de resultados. O agente, por meio de duas ou mais condutas, pratica dois ou mais crimes, pouco importando se os fatos ocorreram ou não no mesmo contexto fático. PLURALIDADE DE CONDUTAS + PLURALIDADE DE RESULTADOS = CONCURSO MATERIAL 7.4.2 Espécies O concurso material pode ser homogêneo ou heterogêneo. Homogêneo: Ocorre quando os crimes são idênticos, por exemplo, o agente pratica dois roubos. O Código Penal, aqui, adota o sistema do cumulo material. Heterogêneo: Os crimes são diversos. O Código Penal, aqui, adota o sistema do cumulo material. 8 7.4.3 Momento adequado para a soma das penas Havendo conexão entre as infrações penais, com unidade processual, a regra do concurso material é aplicada pelo juiz que profere a sentença condenatória. O Juiz, em respeito ao princípio constitucional da individualização da pena, aplica cada uma das penas separadamente, de acordo com o critério trifásico. Após, irá somar todas as penas. Tratando-se de crimes objetos de ações penais diversas, seja por falta de conexão ou por equivoco, a soma será feita pelo juízo da execução penal. Com o trânsito em julgado das sentenças, todas as condenações são reunidas na mesma execução, e aí se procederá à soma das penas. 7.4.4 Imposição cumulativa de penas de reclusão e detenção Havendo imposição cumulativa de pena de reclusão e detenção, conforme o disposto na parte final do caput, do art. 69 do CP, deverá ser executada primeiro a pena de reclusão e, após será a pena de detenção. Art. 69 (...) no caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. 7.4.5 Cumulação de pena privativa de liberdade com restritiva de direitos Conforme o § 1.º do art. 69 do Código Penal, é possível a cumulação na aplicação das penas de crimes em concurso material, uma pena privativa de liberdade, desde que tenha sido concedido sursis, com uma restritiva de direitos. Por exemplo, pena privativa de liberdade em regime fechado e prestação pecuniária; pena privativa de liberdade em regime aberto e prestação de serviço à comunidade. 9 7.4.6 Cumprimento sucessivo ou simultâneo de penas restritivas de direitos De acordo com o art. 69, § 2.º, do Código Penal, havendo compatibilidade, o condenado cumprirá simultaneamente as penas restritivas de direitos que forem compatíveis entre si, e sucessivamente as demais. Art. 69, § 2º - Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais. 7.4.7 Concurso material e suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/1995) É possível a suspensão condicional do processo no concurso material. Entretanto, é admissível quando a somatória das penas impostas ao acusado preencha os pressupostos do art. 89 da Lei 9.099/1995.2 O total das penas mínimas, portanto, deve ser igual ou inferior a 1 (um) ano. 7.5 CONCURSO FORMAL 7.5.1 Conceito e dispositivo legal Concurso formal (ideal) é aquele em que o agente, mediante uma única conduta, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Como dispõe o art. 70 do Código Penal: Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é 10 dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.1 Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código.2 São dois os requisitos do concurso formal: unidade de conduta e pluralidade de resultados. A unidade de conduta somente se concretiza quando os atos são realizados no mesmo contexto temporal e espacial. Não necessariamente será ato único, havendo condutas fracionáveis em diversos atos. Nesse sentido, para o STF: Roubo qualificado consistente na subtração de dois aparelhoscelulares, pertencentes a duas pessoas distintas, no mesmo instante. A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de configurar-se concurso formal a ação única que tenha como resultado a lesão ao patrimônio de vítimas diversas, e não crime único. UNIDADE DE CONDUTAS + PLURALIDADE DE CRIMES = CONCURSO FORMAL 7.5.2 Espécies O concurso formal, inicialmente, pode ser homogêneo ou heterogêneo. Homogêneo: caracterizado pela prática de crimes idênticos. Exemplo: três homicídios culposos praticados na direção de veículo automotor. 1 Questão 06 e 08 2 Questão 09 11 Heterogêneo: Os crimes praticados pelo agente são diversos. Por exemplo, o agente, dirigindo de forma imprudente, atropela, mata uma pessoa e fere outra. Divide-se, ainda, em concurso formal perfeito e concurso formal imperfeito. Perfeito (próprio): É a espécie de concurso formal em que o agente realiza a conduta típica, que produz dois ou mais resultados, sem agir com desígnios autônomos, ou seja, a pluralidade de crimes não emana da vontade do agente. Aqui, o concurso será entre um crime um doloso e os demais culposos ou, então, entre crimes todos culposos, já que não há desígnios autônomos. Adota-se o sistema da exasperação. O juiz irá aplicar apenas uma das penas, qualquer delas, se idênticas ou a mais grave, se diversas, aumentada de 1/6 até metade. Imperfeito (impróprio) Previsto na parte final do caput do art. 70. Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior. É a modalidade de concurso formal que se verifica quando a conduta dolosa do agente e os crimes concorrentes derivam de desígnios autônomos. Ou seja, existe dolo do agente na produção de todos os crimes. Envolve crimes dolosos, qualquer que seja sua espécie (dolo direto ou dolo eventual). 12 7.5.3 Teorias sobre o concurso formal Há na doutrina, duas teorias acerca do concurso formal de crimes: teoria subjetiva e teoria objetiva. Teoria subjetiva: o concurso formal depende da unidade de desígnio. Assim, o dolo será único do começo ao fim. Teoria Objetiva: bastam a unidade de conduta e a pluralidade de resultados para a caracterização do concurso formal. Pouco importa se o agente agiu ou não com unidade de desígnios. Foi acolhida pelo Código Penal, uma vez que o art. 70, caput, 2.ª parte, admite o concurso formal imperfeito, em que despontam os desígnios autônomos. 7.5.4 Aplicação da pena no concurso formal Em relação ao concurso formal perfeito ou próprio, o Código Pena acolheu o sistema da exasperação. Aplica-se a pena de qualquer dos crimes, se idênticos, ou então a mais grave, aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade. O aumento de 1/6 até metade utiliza, como único critério, o número de crimes praticados pelo agente. Este é o entendimento pacífico tanto no STJ quanto no STF. É possível, inclusive, montar uma tabela indicativa de aumento. Vejamos: NÚMERO DE CRIME AUMENTO DA PENA 2 1/6 3 1/5 4 1/4 5 1/3 6 ou mais 1/2 Ocorrendo 7 ou mais crimes, aplica-se montante máximo de aumento, qual seja, a metade, relativamente a seis crimes, ao passo que os demais devem ser considerados como 13 circunstâncias judiciais desfavoráveis para a dosimetria da pena-base, nos moldes do art. 59, caput, do Código Penal. Salienta-se que o concurso formal perfeito é causa de aumento de pena, portanto, o juiz irá utilizá-la na terceira fase da dosimetria da pena. Esse aumento não incide sobre a pena- base, mas sobre a pena acrescida por circunstância qualificadora ou causa especial de aumento. Por outro lado, no que diz respeito ao concurso formal impróprio ou imperfeito, o art. 70, caput, 2.ª parte, do Código Penal consagrou o sistema do cúmulo material. Tal como no concurso material, serão somadas as penas de todos os crimes produzidos pelo agente. Há desígnios autônomos, há dolo na conduta que produz a pluralidade de resultados, e o agente deve responder por todos os resultados a que deu causa, sem nenhum tratamento diferenciado. 7.5.5 Concurso material benéfico Previsto no parágrafo único, do art. 70 do CP. Art. 70, Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código. Possui aplicação no tocante ao concurso formal próprio ou perfeito e no crime continuado, que adotam o sistema da exasperação. Tanto o concurso formal perfeito quanto o crime continuado foram criados para favorecer o réu. Por isso, quando o sistema da exasperação prejudica o réu, o juiz deve aplicar o cumulo material. 7.6 CRIME CONTINUADO 7.6.1 Conceito e dispositivo legal Previsto no art. 71 do CP: Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como 14 continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. 3 Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código. É a modalidade de concurso de crimes, prevista no art. 71 do CP, que se verifica quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pela condição do lugar, tempo e maneira de execução, os demais são havidos como continuação do primeiro. PLURALIDADE DE CONDUTAS + PLURALIDADE DE CRIMES DA MESMA ESPÉCIE + REQUISITOS ESPECÍFICOS = CRIME CONTINUADO. 7.6.2 Natureza jurídica A teoria adotada pelo Código Penal foi a Teoria da Ficção Jurídica, desenvolvida por Francesco Carrara. De acordo com essa teoria, o crime continuado é formado por vários crimes parcelares que, para fins de aplicação da pena, deve ser considerado como um único crime. 3 Questão 02 e 05 15 É utilizada somente para fins de aplicação da pena. Para todas as demais finalidades, o direito reconhece os crimes parcelares, tanto que a prescrição, por exemplo, é analisada separadamente em relação a cada delito, como se extrai do art. 119 do Código Penal e da Súmula 497 do Supremo Tribunal Federal: “Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regulasse pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação”. 7.6.3 Requisitos do crime continuado O crime continuado depende da existência de alguns requisitos: Pluralidade de condutas O Código Penal exige agente pratique mais de uma ação ou de uma omissão. O reclama uma pluralidade de condutas, o que não se confunde com a mera pluralidade de atos, porém, nada impede seja uma conduta composta de diversos atos. Pluralidade de crimes da mesma espécie O agente deve praticar mais de um crime da mesma espécie. Há duas correntes que definem crimes de mesma espécie. 1ª Corrente: amplamente majoritária em sede jurisprudencial, considera que crimes da mesma espécie são aqueles tipificados pelo mesmo dispositivo legal, consumadosou tentados, seja na forma simples, privilegiada ou qualificada. Os crimes precisam possuir a mesma estrutura jurídica, ou seja, devem ser idênticos os bens jurídicos tutelados. Nesse sentido, roubo e latrocínio, embora previstos no art. 157 do Código Penal (são crimes do mesmo gênero), não são crimes da mesma espécie. 16 2ª Corrente: sustenta serem crimes da mesma espécie aqueles que tutelam o mesmo bem jurídico, pouco importando se estão ou não previstos no mesmo tipo penal. Entende, por exemplo, que furto mediante fraude e estelionato seriam crimes de mesma espécie. Conexão temporal É chamada pelo Código Penal de condições de tempo. Por esse critério objetivo, entre um crime parcelar e outro não pode transcorrer um hiato superior a 30 (trinta) dias. Excepcionalmente, na ação penal pela prática de crime contra a ordem tributária, admitiu a continuidade delitiva com intervalo temporal de até 3 (três) meses entre as condutas. Assim, imagine que agente pratique três crimes de roubo, com intervalo não superior a 30 dias. Após 60 dias do último roubo, o agente pratica o quarto crime de roubo. Nesse caso, os três primeiros roubos possuem continuidade delitiva (exasperação), os quais estarão em concurso material com o quarto roubo (cumulo material). Haverá concurso de concurso de crimes possuem continuidade delitiva (exasperação), os quais estarão em concurso material com o quarto roubo (cumulo material). Haverá concurso de concurso de crimes. Conexão espacial Trata-se de condições de local, não definidas pelo Código Penal. A jurisprudência, entretanto, definiu que os crimes devem ser praticados em semelhantes condições de lugar, isto é, os diversos delitos devem ser praticados na mesma cidade, ou no máximo em cidades limítrofes, ou ainda contíguas, isto é, próximas entre si. Conexão modal Refere-se ao modo/maneira de execução do crime. É necessário semelhança entre a maneira de execução pela qual os crimes são praticados, isto é, o agente deve seguir sempre um padrão análogo em suas diversas condutas. Por exemplo, toda sexta-feira um gerente de um banco retira determinada quantia do seu colega. Conexão ocasional 17 Não foi prevista em lei, mas é exigida por parcela da doutrina e da jurisprudência, em razão de admitir o art. 71, caput, do Código Penal, “outras condições semelhantes”. Na conexão ocasional o crime posterior foi praticado em função da facilidade do crime anterior. Crime continuado e unidade de desígnio Há duas teorias acerca do assunto: 1ª Teoria objetivo-subjetiva ou mista: Não basta a presença dos requisitos objetivos previstos no art. 71, caput, do Código Penal, sendo necessária a unidade de desígnio, isto é, os vários crimes resultam de plano previamente elaborado pelo agente. 2.ª Teoria objetiva pura ou puramente objetiva: Basta a presença dos requisitos objetivos elencados pelo art. 71, caput, do Código Penal. Esta Teoria permite diferenciar o crime continuada da habitualidade criminosa. É a Teoria adotada pelo STF. Conforme Cleber Masson, o CP não adota nenhuma teoria expressamente. Embora, há quem entenda que conforme o art. 59 da Exposição de Motivos da Parte Geral do CP, Código Penal tenha adotado como regra, Teoria objetivo pura. Todavia, a exposição de motivos não é lei, não vale como interpretação autentica da lei penal. É considerada uma interpretação doutrinária. Em sede de jurisprudência, o STF filiou-se à moderna doutrina de cunho objetivo- subjetiva, entendendo que, para a caracterização do crime continuado, torna-se necessário que os atos criminosos isolados apresentem-se “subjetivamente enlaçados”, os subsequentes ligados aos antecedentes, ou porque fazem parte do mesmo projeto criminoso, ou porque resultam de ensejo, ainda que fortuito, proporcionado ou facilitado pela execução desse projeto (aproveitamento da mesma oportunidade). 7.6.4 Espécies de crime continuado e dosimetria da pena O Código Penal apresenta três espécies de crime continuado: simples, qualificado e específico. Foi adotado, em todos os casos, o sistema da exasperação. 18 Simples: é aquele em que as penas dos delitos parcelares são idênticas. Exemplo: três furtos simples. Aplica-se a pena de um só dos crimes, aumentada de 1/6 a 2/3. Qualificado: as penas dos crimes são diferentes. Exemplo: um furto simples consumado e um furto simples na forma tentada. Aplica-se a pena do crime mais grave, exasperada de 1/6 a 2/3. O aumento de 1/6 até 2/3 utiliza, como único critério, o número de crimes praticados pelo agente. Este é o entendimento pacífico tanto no STJ quanto no STF. Específico: é o previsto no parágrafo único do art. 71 do Código Penal, o qual se verifica nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa. Aplica-se a pena de qualquer dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada até o triplo. 7.6.5 Concurso material benéfico O crime continuado adota o sistema da exasperação. Por isso, também pode incidir o chamado concurso material benéfico, sempre que a exasperação for prejudicial ao réu. 7.6.6 Crime continuado e conflito de leis no tempo A lei mais gravosa deve ser aplicada a toda a série delitiva, pois o agente que insistiu na empreitada criminosa, depois da entrada em vigor da nova lei, tinha a opção de seguir ou não seus mandamentos. Além disso, se o crime continuado é um único delito para fins de aplicação da pena, deve incidir a lei em vigor por ocasião da sua conclusão. Nesse sentido é o teor da Súmula 711 do Supremo Tribunal Federal: Súmula n.º 711, STF. A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. 19 7.6.7 Crime continuado e prescrição Em relação à extinção da punibilidade, destacando-se a prescrição como uma de suas formas, o art. 119 do Código Penal estatui: “No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente”. E, especificamente no tocante à prescrição do crime continuado, estabelece a Súmula 497 do Supremo Tribunal Federal: Súmula n.º 497, STF. Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação. 7.6.8 Crime continuado e suspensão condicional do processo A suspensão condicional do processo é prevista no art. 89 da Lei n. 9.099/95 e somente pode ser aplicada para os réus que estejam sendo acusados de crimes cuja pena mínima seja igual ou inferior a 1 (um) ano. Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a 1 (um) ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). Para se admitir a suspensão condicional do processo, portanto, é necessário respeitar o limite da pena mínima do crime, de 1 ano, aí já computado o aumento decorrente da continuação. É o que estabelece a Súmula 723 do Supremo Tribunal Federal: Súmula n.º 723, STF. Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de 1/6 (um sexto) for superior a 1 (um) ano. 20 7.6.9 Crime continuado e crime habitual: diferenças No crime continuado, vários delitos, por ficção jurídica, são legalmente considerados como um só, para fins de aplicação da pena. No crime habitual é aquele em que cada ato isolado representa um indiferente penal. O crime somente se aperfeiçoa quando a conduta é reiteradamente praticada pelo agente.CRIME CONTINUADO CRIME HABITUAL Vários delitos autônomos são considerados como um único delito, por ficção jurídica, exclusivamente, para fins de aplicação da pena. Depende da reiteração de atos indicativos do estilo de vida do agente. Cita-se, como exemplo, o exercício ilegal da medicina. 7.6.10 Multa no concurso de crimes Previsto no art. 72 do CP, in verbis: Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente. Houve a adoção, no tocante às penas de multa no concurso de crimes, do sistema do cúmulo material. Contudo, a jurisprudência salienta que o art. 72 do CP não se aplica ao crime continuado, já que como é uma ficção jurídica para pena privativa de liberdade também deve ser considerado para a pena de multa, aplicando-se o sistema da exasperação. Assim, o STJ aplica o referido artigo apenas para o concurso material e para o concurso formal. 7.6.11 Concurso de crimes e competência do juizado especial criminal O Juizado Especial Criminal possui competência para julgar as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos (art. 61 da Lei n. 9.099/95). 21 Na hipótese de concurso de crimes, a pena considerada para fins de fixação da competência do Juizado Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de concurso material ou de concurso formal impróprio (ou imperfeito), ou da exasperação, na hipótese de concurso formal próprio (ou perfeito) ou crime continuado, das penas máximas cominadas aos delitos. Com efeito, se desse somatório resultar um apenamento superior a dois anos, fica afastada a competência do Juizado Especial. 22 QUADRO SINÓTICO CONCURSO DE CRIMES CONCEITO É o instituto pelo qual agente, mediante uma ou mais condutas, pratica dois ou mais crimes. Pode haver, portanto, unidade ou pluralidade de condutas. Sempre serão cometidas, contudo, duas ou mais infrações penais. ESPÉCIES Concurso material – art. 69 (regra geral); Concurso formal – art. 70 (exceção legal); Crime continuado – art. 71 (exceção legal). SISTEMAS DE APLICAÇÃO Sistema do cúmulo material: Opera-se a soma das penas de todos os crimes praticados pelo agente. Sistema da exasperação: Aplica-se somente a pena da infração penal mais grave praticada pelo agente, aumentada de determinado percentual. Sistema da absorção: É aquele em que o juiz aplica apenas a pena do crime mais grave que absorve todas as demais. CONCURSO MATERIAL Conceito: Há pluralidade de condutas e pluralidade de resultados. O agente, por meio de duas ou mais condutas, pratica dois ou mais crimes, pouco importando se os fatos ocorreram ou não no mesmo contexto fático. Espécies: Homogêneo: Ocorre quando os crimes são idênticos, por exemplo, o agente pratica dois roubos. O Código Penal, aqui, adota o sistema do cumulo material. Heterogêneo: Os crimes são diversos. O Código Penal, aqui, adota o sistema do cumulo material. Momento para a soma das penas: Havendo conexão entre as infrações penais, com unidade processual, a regra do concurso material é aplicada pelo juiz que profere a sentença condenatória. Tratando-se de crimes objetos de ações penais diversas, seja por falta de conexão ou por equivoco, a soma será feita pelo juízo da execução penal. Havendo imposição cumulativa de penas de reclusão e detenção, deverá ser executada primeiro a pena de reclusão e, após será a pena de detenção. 23 É possível a cumulação na aplicação das penas de crimes em concurso material, uma pena privativa de liberdade, desde que tenha sido concedido sursis, com uma restritiva de direitos. Havendo compatibilidade, o condenado cumprirá simultaneamente as penas restritivas de direitos que forem compatíveis entre si, e sucessivamente as demais. É possível a suspensão condicional do processo no concurso material. CONCURSO FORMAL Conceito: é aquele em que o agente, mediante uma única conduta, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Espécies: Homogêneo: caracterizado pela prática de crimes idênticos. Exemplo: três homicídios culposos praticados na direção de veículo automotor. Heterogêneo: Os crimes praticados pelo agente são diversos. Por exemplo, o agente, dirigindo de forma imprudente, atropela, mata uma pessoa e fere outra. Perfeito (próprio): É a espécie de concurso formal em que o agente realiza a conduta típica, que produz dois ou mais resultados, sem agir com desígnios autônomos, ou seja, a pluralidade de crimes não emana da vontade do agente. Imperfeito (impróprio): É a modalidade de concurso formal que se verifica quando a conduta dolosa do agente e os crimes concorrentes derivam de desígnios autônomos. Teorias Teoria subjetiva: o concurso formal depende da unidade de desígnio. Assim, o dolo será único do começo ao fim. Teoria Objetiva: bastam a unidade de conduta e a pluralidade de resultados para a caracterização do concurso formal. Pouco importa se o agente agiu ou não com unidade de desígnios. Foi acolhida pelo Código Penal, uma vez que o art. 70, caput, 2.ª parte, admite o concurso formal imperfeito, em que despontam os desígnios autônomos. Aplicação da pena no concurso formal Em relação ao concurso formal perfeito ou próprio, o Código Pena acolheu o sistema da exasperação. Aplica-se a pena de qualquer dos crimes, se idênticos, ou então a mais grave, aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade. O 24 aumento de 1/6 até metade utiliza, como único critério, o número de crimes praticados pelo agente. CONCURSO MATERIAL BENÉFICO Possui aplicação no tocante ao concurso formal próprio ou perfeito e no crime continuado, que adotam o sistema da exasperação. Tanto o concurso formal perfeito quanto o crime continuado foram criados para favorecer o réu. Por isso, quando o sistema da exasperação prejudica o réu, o juiz deve aplicar o cumulo material. CRIME CONTINUADO Conceito: É a modalidade de concurso de crimes, prevista no art. 71 do CP, que se verifica quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pela condição do lugar, tempo e maneira de execução, os demais são havidos como continuação do primeiro. Natureza jurídica: A teoria adotada pelo Código Penal foi a Teoria da Ficção Jurídica, desenvolvida por Francesco Carrara. De acordo com essa teoria, o crime continuado é formado por vários crimes parcelares que, para fins de aplicação da pena, deve ser considerado como um único crime. Requisitos: Pluralidade de condutas Pluralidade de crimes da mesma espécie Conexão temporal Conexão espacial Conexão modal Conexão ocasional Unidade de desígnio Espécies Simples: é aquele em que as penas dos delitos parcelares são idênticas. Exemplo: três furtos simples. Aplica-se a pena de um só dos crimes, aumentada de 1/6 a 2/3. Qualificado: as penas dos crimes são diferentes. Exemplo: um furto simples consumado e um furto simples na forma tentada. Aplica-se a pena do crime mais grave, exasperada de 1/6 a 2/3. Específico: é o previsto no parágrafo único do art. 71 do Código Penal, o qual se verifica nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa. 25 A lei mais gravosa deve ser aplicada a toda a série delitiva, pois o agente que insistiu na empreitada criminosa, depois da entrada em vigor da nova lei, tinha a opção de seguir ou não seus mandamentos. Em relação à extinção da punibilidade, destacando-se a prescrição como uma de suas formas, o art. 119 do Código Penal estatui: “No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente”. Súmula n.º 723, STF. Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de1/6 (um sexto) for superior a 1 (um) ano. CRIME CONTINUADO Vários delitos autônomos são considerados como um único delito, por ficção jurídica, exclusivamente, para fins de aplicação da pena. CRIME HABITUAL Depende da reiteração de atos indicativos do estilo de vida do agente. Cita-se, como exemplo, o exercício ilegal da medicina. Houve a adoção, no tocante às penas de multa no concurso de crimes, do sistema do cúmulo material. Contudo, a jurisprudência salienta que o art. 72 do CP não se aplica ao crime continuado, já que como é uma ficção jurídica para pena privativa de liberdade também deve ser considerado para a pena de multa, aplicando-se o sistema da exasperação. Na hipótese de concurso de crimes, a pena considerada para fins de fixação da competência do Juizado Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de concurso material ou de concurso formal impróprio (ou imperfeito), ou da exasperação, na hipótese de concurso formal próprio (ou perfeito) ou crime continuado, das penas máximas cominadas aos delitos. 26 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 ((XXXI EXAME DE ORDEM – FGV - 2020) Maria, em uma loja de departamento, apresentou roupas no valor de R$ 1.200 (mil e duzentos reais) ao caixa, buscando efetuar o pagamento por meio de um cheque de terceira pessoa, inclusive assinando como se fosse a titular da conta. Na ocasião, não foi exigido qualquer documento de identidade. Todavia, o caixa da loja desconfiou do seu nervosismo no preenchimento do cheque, apesar da assinatura perfeita, e consultou o banco sacado, constatando que aquele documento constava como furtado. Assim, Maria foi presa em flagrante naquele momento e, posteriormente, denunciada pelos crimes de estelionato e falsificação de documento público, em concurso material. Confirmados os fatos, o advogado de Maria, no momento das alegações finais, sob o ponto de vista técnico, deverá buscar o reconhecimento A) do concurso formal entre os crimes de estelionato consumado e falsificação de documento público. B) do concurso formal entre os crimes de estelionato tentado e falsificação de documento particular. C) de crime único de estelionato, na forma consumada, afastando-se o concurso de crimes. D) de crime único de estelionato, na forma tentada, afastando-se o concurso de crimes. Comentário: Súmula 17 do STJ 27 Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. Tentativa: Art. 14 - Diz-se o crime: II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Questão 2 (XXX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Mário trabalhava como jardineiro na casa de uma família rica, sendo tratado por todos como um funcionário exemplar, com livre acesso a toda a residência, em razão da confiança estabelecida. Certo dia, enfrentando dificuldades financeiras, Mário resolveu utilizar o cartão bancário de seu patrão, Joaquim, e, tendo conhecimento da respectiva senha, promoveu o saque da quantia de R$ 1.000,00 (mil reais). Joaquim, ao ser comunicado pelo sistema eletrônico do banco sobre o saque feito em sua conta, efetuou o bloqueio do cartão e encerrou sua conta. Sem saber que o cartão se encontrava bloqueado e a conta encerrada, Mário tentou novo saque no dia seguinte, não obtendo êxito. De posse das filmagens das câmeras de segurança do banco, Mário foi identificado como o autor dos fatos, tendo admitido a prática delitiva. Preocupado com as consequências jurídicas de seus atos, Mário procurou você, como advogado(a), para esclarecimentos em relação à tipificação de sua conduta. Considerando as informações expostas, sob o ponto de vista técnico, você, como advogado(a) de Mário, deverá esclarecer que sua conduta configura 28 A) os crimes de furto simples consumado e de furto simples tentado, na forma continuada. B) os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado e de furto qualificado pelo abuso de confiança tentado, na forma continuada. C) um crime de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado, apenas. D) os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado e de furto qualificado pelo abuso de confiança tentado, em concurso material. Comentário: O art 71 do CP trás a seguinte redação: Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. Mesmo que a segunda conduta não tenha ocorrido por fato alheio a sua vontade, EU segui esse artigo para responder e acertar a questão. Questão 3 (XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Inconformado com o comportamento de seu vizinho, que insistia em importunar sua filha de 15 anos, Mário resolve dar-lhe uma “lição” e desfere dois socos no rosto do importunador, nesse momento com o escopo de nele causar diversas lesões. Durante o ato, entendendo que o vizinho ainda não havia sofrido na mesma intensidade do constrangimento de sua filha, decide matá-lo com uma barra de ferro, o que vem efetivamente a acontecer. 29 Descobertos os fatos, o Ministério Público oferece denúncia em face de Mário, imputando-lhe a prática dos crimes de lesão corporal dolosa e homicídio, em concurso material. Durante toda a instrução, Mário confirma os fatos descritos na denúncia. Considerando apenas as informações narradas e confirmada a veracidade dos fatos expostos, o(a) advogado(a) de Mário, sob o ponto de vista técnico, deverá buscar o reconhecimento de que Mário pode ser responsabilizado A) apenas pelo crime de homicídio, por força do princípio da consunção, tendo ocorrido a chamada progressão criminosa. B) apenas pelo crime de homicídio, por força do princípio da alternatividade, sendo aplicada a regra do crime progressivo. C) apenas pelo crime de homicídio, com base no princípio da especialidade. D) pelos crimes de lesão corporal e homicídio, em concurso formal. Comentário: Princípio da consunção: ocorre uma sucessão de condutas, cujo resultado mais grave (morte) absorverá o crime meio (lesão corporal leve), portanto responderá pelo crime fim mais grave. Progressão Criminosa: o agente deseja inicialmente produzir um resultado e, após atingi-lo, decide prosseguir e reiniciar sua agressão produzindo uma lesão mais grave. Questão 4 (XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Em 05/10/2018, Lúcio, com o intuito de obter dinheiro para adquirir uma moto em comemoração ao seu aniversário de 18 anos, que aconteceria em 09/10/2018, sequestra Danilo, com a ajuda de um amigo ainda não identificado. No mesmo dia, a dupla entra em contato com a família da vítima, exigindo o pagamento da quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) para sua liberação. Duas semanas após a restrição da liberdade da vítima, período durante o qual os autores permaneceram em constante contato com a família 30 da vítima exigindo o pagamento do resgate, a polícia encontrou o local do cativeiro e conseguiu libertar Danilo, encaminhando, de imediato, Lúcio à Delegacia. Em sede policial, Lúcio entra em contato com o advogado da família. Considerando os fatos narrados, o(a) advogado(a) de Lúcio, em entrevista pessoal e reservada, deverá esclarecer que sua conduta A) não permite que seja oferecida denúncia pelo Ministério Público, pois o Código Penal adota a Teoria da Ação para definição do tempo do crime, sendo Lúcio inimputável para fins penais. B) não permite que seja oferecida denúncia pelo órgão ministerial, pois o Código Penal adota a Teoria do Resultado para definir o tempo do crime, e, sendo este de natureza formal,sua consumação se deu em 05/10/2018. C) configura fato típico, ilícito e culpável, podendo Lúcio ser responsabilizado, na condição de imputável, pelo crime de extorsão mediante sequestro qualificado na forma consumada. D) configura fato típico, ilícito e culpável, podendo Lúcio ser responsabilizado, na condição de imputável, pelo crime de extorsão mediante sequestro qualificado na forma tentada, já que o crime não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade, pois não houve obtenção da vantagem indevida. Comentário: configura fato típico, ilícito e culpável, podendo Lúcio ser responsabilizado, na condição de imputável, pelo crime de extorsão mediante sequestro qualificado na forma consumada. Súmula 711-STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. A 5ª Turma do STJ, ao julgar o HC 169150 (Min. Marco Aurélio Bellizze), que tratava de tema semelhante a este narrado, chegou a esta mesma conclusão e decidiu que se o réu “atingiu a idade de 18 anos durante a consumação do crime, não há de se cogitar de inimputabilidade”. Questão 5 31 (XXVI EOU – FGV - 2018) Cadu, com o objetivo de matar toda uma família de inimigos, pratica, durante cinco dias consecutivos, crimes de homicídio doloso, cada dia causando a morte de cada um dos cinco integrantes da família, sempre com o mesmo modus operandi e no mesmo local. Os fatos, porém, foram descobertos, e o autor, denunciado pelos cinco crimes de homicídio, em concurso material. Com base nas informações expostas e nas previsões do Código Penal, provada a autoria delitiva em relação a todos os delitos, o advogado de Cadu A) não poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, tendo em vista que os crimes foram praticados com violência à pessoa, somente cabendo reconhecimento do concurso material. B) não poderá buscar o reconhecimento de continuidade delitiva, tendo em vista que os crimes foram praticados com violência à pessoa, podendo, porém, o advogado pleitear o reconhecimento do concurso formal de delitos. C) poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, mesmo sendo o delito praticado com violência contra a pessoa, cabendo, apenas, aplicação da regra de exasperação da pena de 1/6 a 2/3. D) poderá buscar o reconhecimento da continuidade delitiva, mas, diante da violência contra a pessoa e da diversidade de vítimas, a pena mais grave poderá ser aumentada em até o triplo. Comentário: CP - Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940 Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 32 Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Questão 6 (XXV EXAME DE ORDEM – FGV - 2018) Juarez, com a intenção de causar a morte de um casal de vizinhos, aproveita a situação em que o marido e a esposa estão juntos, conversando na rua, e joga um artefato explosivo nas vítimas, sendo a explosão deste material bélico a causa eficiente da morte do casal. Apesar de todos os fatos e a autoria restarem provados em inquérito encaminhado ao Ministério Público com relatório final de indiciamento de Juarez, o Promotor de Justiça se mantém inerte em razão de excesso de serviço, não apresentando denúncia no prazo legal. Depois de vários meses com omissão do Promotor de Justiça, o filho do casal falecido procura o advogado da família para adoção das medidas cabíveis. No momento da apresentação de queixa em ação penal privada subsidiária da pública, o advogado do filho do casal, sob o ponto de vista técnico, de acordo com o Código Penal, deverá imputar a Juarez a prática de dois crimes de homicídio em A) concurso material, requerendo a soma das penas impostas para cada um dos delitos. B) concurso formal, requerendo a exasperação da pena mais grave em razão do concurso de crimes. C) continuidade delitiva, requerendo a exasperação da pena mais grave em razão do concurso de crimes. D) concurso formal, requerendo a soma das penas impostas para cada um dos delitos. Comentário: 33 Segundo o final do art. 70, CP, o concurso será formal, mas com o sistema de aplicação da pena no CÚMULO MATERIAL, ou seja, soma das penas. Pois Juarez queria a morte das duas pessoas, usando de uma única conduta. 34 Questão 7 (XXIV EXAME DE ORDEM – FGV - 2017) Cláudio, na cidade de Campinas, transportava e portava, em um automóvel, três armas de fogo, sendo que duas estavam embaixo do banco do carona e uma, em sua cintura. Abordado por policiais, foram localizadas todas as armas. Diante disso, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de Cláudio pela prática de três crimes de porte de arma de fogo de uso permitido, em concurso material (Art. 14 da Lei nº 10.826/03, por três vezes, na forma do Art. 69 do Código Penal). Foi acostado nos autos laudo pericial confirmando o potencial lesivo do material, bem como que as armas eram de calibre .38, ou seja, de uso permitido, com numeração de série aparente. Considerando que todos os fatos narrados foram confirmados em juízo, é correto afirmar que o(a) advogado(a) de Cláudio deverá defender o reconhecimento A) de crime único de porte de arma de fogo. B) da continuidade delitiva entre os três delitos imputados. C) do concurso formal entre dois delitos, em continuidade delitiva com o terceiro. D) do concurso formal de crimes entre os três delitos imputados. Comentário: O artigo 14, do Estatuto do Desarmamento, dispõe que: Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Trata-se, portanto, de um tipo penal misto alternativo (ou crime de ação múltipla), isto é, a realização de mais de uma conduta, no mesmo contexto fático, em relação ao mesmo objeto material, dará ensejo a apenas um crime. 35 Questão 8 (XXIII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017) Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente registrada em seu nome, que mantinha no interior da residência sem adotar os cuidados necessários, inclusive o de desmuniciá-la, acaba, acidentalmente, por dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa deste, Maria. Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade permanente de membro. Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura para, na condição de advogado, orientá- lo acerca das consequências do seu comportamento. Na oportunidade, considerando a situação narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico, que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de A) homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de de arma de fogo, em concurso formal. B) homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso formal. C) homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concursomaterial. D) homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso formal. Comentário - Concurso Formal: Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior - Concurso Material: Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro aquela. 36 Questão 9 (XXII EOU – FGV - 2017) Gilson, 35 anos, juntamente com seu filho Rafael, de 15 anos, em dificuldades financeiras, iniciaram atos para a subtração de um veículo automotor. Gilson portava arma de fogo e, quando a vítima tentou empreender fuga, ele efetua disparos contra ela, a fim de conseguir subtrair o carro. O episódio levou o proprietário do automóvel a falecer. Apesar disso, os agentes não levaram o veículo, já que outras pessoas que estavam no local chamaram a Polícia. Descobertos os fatos, Gilson é denunciado pelo crime de latrocínio consumado e corrupção de menores em concurso formal, sendo ao final da instrução, após confessar os fatos, condenado à pena mínima de 20 anos pelo crime do Art. 157, § 3º, do Código Penal, e à pena mínima de 01 ano pelo delito de corrupção de menores, não havendo reconhecimento de quaisquer agravantes ou atenuantes. Reconhecido, porém, o concurso formal de crimes, ao invés de as penas serem somadas, a pena mais grave foi aumentada de 1/6, resultando em um total de 23 anos e 04 meses de reclusão. Considerando a situação narrada, o advogado de Gilson poderia pleitear, observando a jurisprudência dos Tribunais Superiores, em sede de recurso de apelação, A) a aplicação da regra do cúmulo material em detrimento da exasperação, pelo concurso formal de crimes. B) a aplicação da pena intermediária abaixo do mínimo legal, em razão do reconhecimento da atenuante da confissão espontânea. C) o reconhecimento da modalidade tentada do latrocínio, já que o veículo automotor não foi subtraído. D) o afastamento da condenação por corrupção de menor, pela natureza material do delito. Comentário: A defesa pode sustentar que a aplicação da pena deveria seguir o sistema do cúmulo material (somar as penas), e não o sistema da exasperação, pois o sistema da exasperação, aqui, se mostrou PREJUDICIAL ao acusado, devendo ser adotado o cúmulo material (chamado “cúmulo material benéfico), nos termos do art. 70, § único do CP. 37 Não há que se falar em latrocínio tentado, nos termos do entendimento do STF (súmula 610 do STF), pois apesar de não ter ocorrido a subtração, o resultado morte ocorreu. Logo, latrocínio consumado. 38 GABARITO Questão 1 - D Questão 2 - C Questão 3 - A Questão 4 - C Questão 5 - D Questão 6 - D Questão 7 - A Questão 8 - D Questão 9 – A 39 QUESTÃO DESAFIO Quais os requisitos para o concurso formal de crimes? Responda em até 5 linhas 40 GABARITO QUESTÃO DESAFIO O concurso formal ou ideal está previsto no artigo 70 do Código Penal. Age em concurso formal o sujeito que, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. São, portanto, requisitos do concurso formal de delitos: a unicidade da conduta e a pluralidade de crimes. Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: unicidade da conduta O concurso formal de crimes está previsto no artigo 70 do Código Penal brasileiro da seguinte forma: “Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior”. Sobre o aspecto da unicidade das condutas, o professor Rogério Sanches (2016) informa que “Embora se exija conduta única para a configuração dessa espécie de concurso, nada impede que esta mesma conduta seja fracionada em diversos atos, no que se denomina ação única desdobrada. Exemplo: JOÃO ingressa em ônibus coletivo e subtrai, mediante grave ameaça, os pertences pessoais dos passageiros. O crime permanece único, praticado mediante diversos atos, caracterizando o concurso formal de delitos.” pluralidade de crimes O segundo requisito do concurso formal de crimes é a pluralidade de crimes, que também está previsto no artigo 70 do Código Penal brasileiro ao exigir que para configuração do concurso formal o agente pratique “dois ou mais crimes, idênticos ou não”. O professor Rogério Sanches (2016) destaca que explica o jurista Rogério Greco: “"Fundada em razões de política criminal, a regra do concurso formal foi criada a fim de que fosse aplicada em benefício dos agentes que, com a prática de uma única conduta, viessem a produzir dois ou mais resultados também 41 previstos como crime. Segundo a definição de Maggiore, 'concurso formal (concursus formalis) é, tipicamente, o realizado pela hipótese de um fato único (ação ou omissão) que viola diversas disposições legais" 42 LEGISLAÇÃO COMPILADA Concurso material Código Penal: Art. 69 Concurso formal Código Penal: Art. 70 Crime continuado Código Penal: Art. 71 Súmula n.º 723, STF. Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de 1/6 (um sexto) for superior a 1 (um) ano. Súmula n.º 497, STF. Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação. Súmula n.º 711, STF. A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. Multas no concurso de crimes Código Penal: Art. 72 Concurso de infrações Código Penal: Art. 76 43 JURISPRUDÊNCIA (HC 114667, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 24/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-115 DIVULG 11-06-2018 PUBLIC 12-06-2018) A orientação dessa Corte é no sentido de que “os delitos de roubo e de extorsão praticados mediante condutas autônomas e subsequentes (a) não se qualificam como fato típico único; e (b) por se tratar de crimes de espécies distintas, é inviável o reconhecimento da continuidade delitiva (CP, art. 71).” (HC 113.900, Rel. Min. Teori Zavascki). (REsp 1718212/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 27/04/2018) Em se tratando de delito praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa, deve ser aplicada a regra do art. 71, caput do Código Penal, sendo que o critério para se determinar o quantum da majoração (entre 1/6 a 2/3) não é outro senão o da quantidade de delitos cometidos. Assim, quanto mais infrações, maior deve ser o aumento. Em se tratando de crimes dolosos, praticados com com violência ou grave ameaça à pessoa, aplica-se a regra prevista no artigo 71, parágrafo único, do Código Penal. 2. A jurisprudência dessa egrégia Corte de Justiça entende que a fração de aumento pela continuidade delitiva específica (art. 71, parágrafo único, do Código Penal), pressupõe a análise das circunstâncias judicias do artigo 59 do Código Penal, além da quantidade de crimespraticados. 3. Hipótese em que, em virtude da ausência de circunstâncias judiciais negativas, quanto à acusada J G DE S, deve ser aplicada a fração de aumento de 1/3, pela continuidade delitiva, no que se refere aos cinco crimes de tortura. Já quanto ao acusado V DE S M, deve ser aplicada a fração de aumento de 1/2, pela continuidade delitiva entre os cinco crimes de tortura, em virtude da presença da valoração negativa da culpabilidade. Comentário: a fração de aumento pela continuidade delitiva específica (art. 71, parágrafo único, do Código Penal), pressupõe a análise das circunstâncias judicias do artigo 59 do Código Penal, além da quantidade de crimes praticados. 44 MAPA MENTAL 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CUNHA, Rogério Sanches. Manual de direito penal: parte geral (arts. 1º ao 120). 3. ed. Salvador: JusPodivm, 2015. Estefam, André: Direito penal esquematizado: parte geral / André Estefam e Victor Eduardo Rios Gonçalves; coordenador Pedro Lenza. – 5. ed. – São Paulo: Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado). Masson, Cleber. Direito Penal: parte geral (arts. 1º a 120) – vol. 1 / Cleber Masson. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2019. DIREITO PENAL Capítulo 7 7. Concurso de Crimes 7.1 Conceito 7.2 Espécies 7.3 Sistemas de aplicação da pena no concurso de crimes 7.3.1 Sistema do cúmulo material 7.3.2 Sistema da exasperação 7.3.3 Sistema da absorção 7.4 CONCURSO MATERIAL 7.4.1 Conceito e dispositivo legal 7.4.2 Espécies 7.4.3 Momento adequado para a soma das penas 7.4.4 Imposição cumulativa de penas de reclusão e detenção 7.4.5 Cumulação de pena privativa de liberdade com restritiva de direitos 7.4.6 Cumprimento sucessivo ou simultâneo de penas restritivas de direitos 7.4.7 Concurso material e suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/1995) 7.5 CONCURSO FORMAL 7.5.1 Conceito e dispositivo legal 7.5.2 Espécies 7.5.3 Teorias sobre o concurso formal 7.5.4 Aplicação da pena no concurso formal 7.5.5 Concurso material benéfico 7.6 CRIME CONTINUADO 7.6.1 Conceito e dispositivo legal 7.6.2 Natureza jurídica 7.6.3 Requisitos do crime continuado 7.6.4 Espécies de crime continuado e dosimetria da pena 7.6.5 Concurso material benéfico 7.6.6 Crime continuado e conflito de leis no tempo 7.6.7 Crime continuado e prescrição 7.6.8 Crime continuado e suspensão condicional do processo 7.6.9 Crime continuado e crime habitual: diferenças 7.6.10 Multa no concurso de crimes 7.6.11 Concurso de crimes e competência do juizado especial criminal QUADRO SINÓTICO QUESTÕES COMENTADAS GABARITO QUESTÃO DESAFIO GABARITO QUESTÃO DESAFIO LEGISLAÇÃO COMPILADA JURISPRUDÊNCIA MAPA MENTAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS