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Casos práticos de direito das sucessões
Prof. Gilberto Fachetti Silvestre
Descrição
Abordagem conceitual e prática dos institutos fundamentais do Direito
de Sucessão e seus impactos patrimoniais mais importantes nas
relações familiares no Brasil.
Propósito
Essa é uma das principais matérias das quais resultam demandas
discutidas em ações judiciais, sendo, portanto, um assunto de grande
viés prático e operabilidade para o exercício das profissões jurídicas que
você irá exercer no futuro.
Preparação
Antes de iniciar os estudos, tenha o Código Civil atualizado em mãos,
pois você precisará consultá-lo para compreender como é a disciplina
jurídica da matéria.
Objetivos
Módulo 1
Sucessão Legítima
Reconhecer os conceitos da sucessão legítima.
Módulo 2
Sucessão Testamentária
Identificar as disposições essenciais de um testamento.
Módulo 3
Inventário e Partilha
Analisar os principais elementos do inventário e partilha.
A aquisição da propriedade está na base do direito sucessório
sobre a herança e tem importância nas entidades familiares, célula
da sociedade.
Daí a importância de compreender em detalhes como se dá a
constituição do direito de herança e, também, quais suas
características, pois as consequências sociais e jurídicas que
podem advir dessas situações servem de campo fértil para o
desenvolvimento profissional do aluno que está sendo formado.
O regime jurídico da sucessão implica uma consequência prática e
em alguns conceitos próprios e peculiares que permitem melhor
compreender como funcionam as formas de aquisição do direito de
herança e como problemas deles decorrentes devem ser
resolvidos.
Com o objetivo de colaborar com o futuro exercício da profissão,
aqui se pretende apresentar conceitos e demonstrar como eles se
aplicam para a solução de problemas que resultam dos danos
decorrentes das relações hereditárias.
Para isso, primeiro será apresentado um panorama dos seus
elementos essenciais caracterizadores. Após, será abordada a
forma de identificar os direitos e suas consequências.
Por fim, será apresentado o regime jurídico dos elementos
essenciais das modalidades de sucessão e seus impactos nas
relações familiares, de modo a resumir e sistematizar as principais
regras sobre a matéria.
Introdução
1 - Sucessão Legítima
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os conceitos da sucessão legítima.
Sucessão legal
O regime da sucessão legítima
Entenda a seguir sobre as regras fundamentais da sucessão legítima.
Observações gerais
Conforme leciona o art. 1.786 do Código Civil, a sucessão hereditária
ocorre por força de lei ou por disposição de última vontade. A sucessão
legítima (também chamada de legal) é aquela que ocorre em
observância à ordem de sucessão hereditária prevista em lei, ao passo
que a sucessão por ato de última vontade denomina-se sucessão
testamentária.
A sucessão legal tem lugar quando se encontram presentes herdeiros
necessários (descendentes, os ascendentes e o cônjuge e
companheiro), limitando a capacidade de testar à metade da herança.
Além disso, não havendo sucessão testamentária, a sucessão legítima
possuirá caráter supletivo.
Para compreendermos melhor de que forma funciona a sucessão
legítima, é necessário que antes conheçamos a ordem de sucessão
hereditária prevista no art. 1.829 do Código Civil. Assim, é a ordem de
preferência que o dispositivo estabelece entre os herdeiros legítimos:

Algumas observações gerias devem ser feitas quanto ao rol
estabelecido por lei.
A primeira observação é a de que, havendo herdeiros de uma classe
(descendentes, ascendentes, cônjuge ou companheiro, colaterais até 4°
grau), não são chamados à sucessão os herdeiros de classes seguintes.
Assim, os herdeiros de classes seguintes só herdarão na falta de
herdeiros que componham a classe anterior.
A exceção para esta regra é a hipótese do cônjuge e do companheiro
que concorrem com descendentes a depender do regime de bens do
casamento (inciso I do art. 1.829 do CC) e que concorrem com os
ascendentes (inciso II do art. 1.829 do CC). Em maio de 2017, o
Supremo Tribunal Federal (STF) julgou os Recursos Extraordinários nº
646.721 e nº 878.694 e decidiu que:
“No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a
distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e
companheiros, devendo ser aplicado, em ambos os
casos, o regime estabelecido no art. 1.829 do
CC/2002”.
Antes desse julgamento, a sucessão do companheiro era diferenciada e
menos favorável que a sucessão do cônjuge. Era regida pelo art. 1.790 e
 Os descendentes, em concorrência com o cônjuge
ou companheiro sobrevivente (exceto se estes
fossem casados ou conviventes no regime da
comunhão universal, separação obrigatória ou
quando estes fossem casados no regime da
comunhão parcial, mas o de cujus não deixou bens
particulares excluídos da comunhão).
 Os ascendentes, em concorrência com o cônjuge
ou companheiro.
 O cônjuge ou o companheiro sobrevivente (também
chamado de cônjuge ou companheiro supérstite).
 Os colaterais.
o companheiro poderia receber frações diferentes, a depender da
existência de filhos comuns ou não.
Foi isso que o STF disse que é inconstitucional. A partir disso, a
sucessão do companheiro foi equiparada à do cônjuge e passou a ser
regida pelo art. 1.829. Assim, no art. 1.829, onde se lê apenas “cônjuge”,
deve-se ler, na realidade, “cônjuge ou companheiro”.
Além disso, deve-se ter em mente que, apesar de dentro de cada grau
existirem regras próprias de sucessão (que devem ser bem conhecidas
pelo aluno a partir da leitura atenciosa dos arts. 1.829-1.843 do Código
Civil), dentro de uma mesma classe, os herdeiros de grau mais próximo
preferem aos herdeiros de grau mais remoto.
Essa última regra passa por uma modificação na hipótese de direito de
representação. Apenas para recordar, o direito de representação trata-se
de uma hipótese legal de substituição do herdeiro pré-morto (ou indigno
ou deserdado) pelo seu sucessor imediato. Assim, a lei chama certos
parentes de um herdeiro pré-morto a suceder em todos os direitos que
possuiria sobre a herança de outra pessoa como se vivo fosse.
Importa ressaltar que o direito de representação somente existe na linha
reta descendente, não havendo direito de representação de ascendente.
Na linha colateral, apenas existe direito de representação em favor dos
filhos de irmãos do falecido, ou seja, sobrinhos. Porém, essa
representação tem lugar somente se o autor da herança deixar irmãos
como herdeiros.
Vejamos como isto ocorre a partir de um caso prático:
Exemplo
Suponha que João é pai solteiro de Ana e Fátima. Fátima, por sua vez, é
mãe de Pedro e Vitor, enquanto Ana é mãe de Patrícia e Júlia. Tendo Ana
falecido em 2018 e João em 2019, Patrícia e Júlia representariam Ana
(pré-morta) em relação à herança de João. Assim, Fátima teria 50% da
herança de João (por direito próprio) enquanto Flávia e Júlia teriam
direito, por representação, de 25% da herança para cada uma delas.
Feitas estas considerações gerais, passemos agora a algumas
observações acerca da sucessão em cada uma das classes.
A ordem sucessória
Diferenciação entre as classes sucessórias
Em primeiro lugar na ordem sucessória encontram-se os descendentes.
Apesar da linha sucessória dos descendentes ser infinita (não havendo
grau máximo para a fixação do parentesco), aplica-se aqui a regra geral
de que os graus mais próximos preferem aos mais remotos. Assim,
filhos preferem aos netos, que preferem aos bisnetos e assim por
diante. Além disso, deve-se sempre ter em mente a regra da plena
igualdade sucessória dos descendentes. Isto quer dizer que os filhos de
qualquer origem possuem os mesmos direitos sucessórios, não importa
se sejam biológicos, socioafetivos, matrimoniais e extrapatrimoniais
(art. 1.596 do CC).
Não havendo descendentes sucessíveis, os segundos da ordem de
vocação hereditária são os ascendentes. Da mesma forma como ocorre
com os descendentes, não hágrau máximo de parentesco na
ascendência. Todavia, também se aplica aqui a regra de preferência do
grau mais próximo. Nos termos do art. 1.836, §2°, do Código Civil,
havendo igualdade em grau e diversidade em linha (materna ou
paterna), os ascendentes da linha paterna herdam a metade, cabendo a
outra metade à linha materna.
No que se refere aos direitos sucessórios dos cônjuges, não existindo
descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por inteiro
àquele que for sobrevivente (inciso III do art. 1.829 CC). Todavia, diante
da existência destes, os cônjuges e companheiros com eles
concorrerão, nos termos dos incisos I e II do art. 1.829 do CC.
Acerca da concorrência de cônjuges/companheiros e descendentes, a
priori esta só ocorrerá nas hipóteses de comunhão parcial, na separação
total e na participação final dos aquestos. Isto porque o inciso I do
mencionado dispositivo coloca como exceções à concorrência o
casamento no regime da comunhão universal; no da separação
obrigatória de bens ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da
herança não houver deixado bens particulares.
Por sua vez, sobre a concorrência de cônjuges/companheiros e
ascendentes (inciso II do art. 1.829 do CC), devem ser observadas 3
regras (previstas nos arts. 1.836, §2° e 1.837 do CC):
 I
Concorrendo com ascendente em 1° grau do de
cujus, caberá ao cônjuge ou companheiro um terço
d h
Sobre a sucessão dos cônjuges e companheiros, cabe uma última
observação disposta no art. 1.830 do Código Civil:
Somente é reconhecido direito sucessório ao
cônjuge/companheiro sobrevivente se, ao tempo da
morte do outro, não estavam separados judicialmente,
nem separados de fato há mais de dois anos, salvo
prova, neste caso, de que essa convivência se tornara
impossível sem culpa do sobrevivente.
O último inciso do art. 1.829 aponta que os últimos da ordem
hereditária são os parentes colaterais. Deve-se recordar que,
diferentemente do que ocorre com ascendentes e descendentes, apenas
são chamados para suceder os parentes de até 4° grau. Também se
aplica aqui a regra de preferência do grau mais próximo. Consoante o
artigo 1.841 do Código Civil, concorrendo irmãos bilaterais (ou
germanos) com irmãos unilaterais, cada um destes herdará metade do
que cada um daqueles herdar.
Parte da literatura jurídica aponta a inconstitucionalidade do dispositivo,
com a afirmação de que a desigualdade de tratamento não possui
guarida na Constituição e é incompatível com a disposição do art. 227,
§6°, do texto constitucional. Todavia, parcela significativa dos autores
afirma que tal distinção de tratamento se justifica, não havendo que se
aplicar à sucessão dos colaterais o princípio da igualdade entre os filhos
(que se aplica à sucessão dos descendentes).
Ademais, nos termos do art. 1.844 do Código Civil, não sobrevivendo
cônjuge, ou companheiro, nem parente algum sucessível, ou tendo eles
renunciado a herança, esta se devolve ao Município ou ao Distrito
Federal, se localizada nas respectivas circunscrições, ou à União,
quando situada em território federal.
da herança.
 II
Havendo um só ascendente, caberá ao
cônjuge/companheiro metade da herança.
 III
Concorrendo com os ascendentes de 2° grau, o
cônjuge ou companheiro terá direito à metade da
herança e a outra metade deverá ser dividida entre
os ascendentes de 2° grau.
Feitas estas considerações teóricas, analise-se um caso prático em que
aplicaremos os conceitos de concorrência sucessória estudados até
aqui.
Exemplo
Imagine que João e Joana casaram-se em 2005 pelo regime de
comunhão parcial de bens, não possuindo bens particulares anteriores
ao casamento. São filhos do casal, nascidos em 2006, 2007, 2008,
Lucas, Rodrigo e Pedro, respectivamente. Joana falece em 2015,
deixando um patrimônio de R$600.000,00 (seiscentos mil reais), sem
deixar bens particulares posteriores ao casamento.
A sucessão de Joana se dará da seguinte forma:
I
João tem direito à meação (que, lembre-se, não se confunde com
herança) no valor de R$ R$300.000,00.
II
Lucas, Rodrigo e Pedro terão direito, como herança, a uma monta
equivalente a R$100.000,00 para cada um.
III
João não terá direito à herança, visto que não existem bens particulares
a serem partilhados.
Caso prático
Abordagem da Teoria à Prática
Para entendermos na prática os conceitos delineados neste módulo,
vamos analisar o case abaixo, adaptado do Recurso Especial n°.
992.749/MS, julgado pela Terceira Turma do Superior Tribunal de
Justiça (STJ):
 Paulo, de 55 anos, é casado no regime da
separação convencional de bens com Maria desde
2020 e tem filhos de casamentos anteriores.
 Com Amélia, Paulo teve João. Com Marta, Paulo
teve dois filhos: Ana e Luiz. Luiz, falecido em 2020,
deixou três filhos: Marcos, Lucas e Mateus.
 Paulo faleceu em 2022 sem deixar testamento.
 Na habilitação para o inventário e partilha judiciais,
Maria pede sua habilitação como viúva herdeira
necessária.
 Os filhos de Paulo, porém, manifestaram-se,
alegando que à viúva somente seria conferido o
status de herdeira necessária – e, assim, de
concorrente no processo de inventário – na
hipótese de casamento pelo regime de comunhão
parcial de bens.
 O pedido de habilitação da viúva foi julgado
procedente pelo juízo de primeiro grau: “provado
está que a requerente era casada com o de cujus
sob o regime de separação de bens convencional,
ou seja, foi feito um pacto antenupcial, não sendo o
caso de separação obrigatória de bens, em que o
cônjuge não seria considerado herdeiro necessário,
daí resultando que concorre com os requeridos em
partes iguais”.
 Os herdeiros descendentes agravaram para o
Tribunal de Justiça da decisão do juiz, sustentando
que a decisão do juiz viola o próprio regime de
separação convencional de bens, que rege o
patrimônio do casal não só durante a vigência do
casamento, mas também quando da sua
dissolução por separação, divórcio ou falecimento
de um dos cônjuges. Ou seja, entendem que se o
cônjuge sobrevivente for herdeiro necessário em
concorrência com os descendentes, haveria uma
d i t ã d i d ã i l
Após a leitura do case, perguntamo-nos:
Re�exão
As decisões do juízo de primeiro grau e do Tribunal de Justiça estão
corretas? Afinal, o cônjuge ou companheiro sobrevivente, casado ou
convivente no regime da separação convencional, é ou não herdeiro do
cônjuge ou companheiro de cujus?
Para resolver esta questão, é preciso verificar a situação do cônjuge ou
companheiro no art. 1.829, I do Código Civil. Segundo o inciso, são
herdeiros os descendentes, em concorrência com o cônjuge
sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da
comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640,
parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da
herança não houver deixado bens particulares.
Ou seja, observe que o cônjuge não será herdeiro (o “salvo se...” que
aparece na redação):
Situação A
Na comunhão universal.
Situação B
Na separação obrigatória ou legal.
Situação C
Na comunhão parcial sem deixar bens particulares.
Quanto à separação convencional, o inciso I é silente e aí reside a fonte
de controvérsias sobre o assunto.
É possível identificar quatro correntes sobre a interpretação do inciso I
do art. 1.829 para fins de contemplar o cônjuge ou companheiro da
separação convencional na herança do outro. Veja como foram
sistematizadas pelo REsp. n°. 992.749/MS:
desvirtuação do regime da separação convencional
de bens, em que se quer a incomunicabilidade
patrimonial absoluta, inclusive para depois da
morte.
 O Tribunal de Justiça manteve a decisão do
primeiro grau e não deu provimento ao recurso dos
descendentes.
Decorre do Enunciado nº 270 do Conselho da Justiça Federal: o
cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes do autor da
herança “quando casados no regime da separação convencional
de bens ou, se casados nos regimes da comunhão parcial ou
participação final nos aquestos, o falecidopossuísse bens
particulares, hipóteses em que a concorrência se restringe a tais
bens, devendo os bens comuns (meação) ser partilhados
exclusivamente entre os descendentes”.
Se o cônjuge pré-morto não tiver deixado bens particulares, o
sobrevivente não recebe herança; se tiver deixado bens
particulares, o cônjuge herda os bens particulares e todo o
acervo hereditário (nas proporções dos arts. 1.830, 1.832 e
1.837). Esta linha de pensamento é a majoritária.
“A sucessão do cônjuge fica excluída na hipótese de o falecido
ter deixado bens particulares”. Só há sucessão se o cônjuge não
deixou patrimônio individual, ou seja, bens particulares. Assim, o
cônjuge ou companheiro sobrevivente concorrerá com os
descendentes, a título de herança, quanto aos bens comuns.
A separação obrigatória que aparece no inciso I do art. 1.829 é
um gênero do qual são espécies: 1) a separação convencional; e
2) a separação legal. “Uma [separação de bens] decorre da lei e a
outra da vontade das partes, e ambas obrigam os cônjuges, uma
vez estipulado o regime de separação de bens, à sua
observância”. Logo, seja na separação legal, seja na separação
convencional, o cônjuge ou companheiro não será herdeiro
necessário do cônjuge ou companheiro pré-morto. Segundo a
Relatora, se assim não for, haveria antinomia entre o inciso I do
art. 1.829 e o art. 1.687, o que faria o regime de separação de
bens perder seu sentido principal, qual seja, que um cônjuge não
tenha acesso ao patrimônio do outro. “Por isso, entre uma
interpretação que torna ausente de significado o art. 1.687 do
CC/02, e outra que conjuga e torna complementares os citados
dispositivos, não é crível que seja conferida preferência à
primeira solução”.
1ª corrente 
2ª corrente 
3ª corrente 
4ª corrente 
No próprio Superior Tribunal de Justiça, foram firmados posicionamento
conflitantes acerca da matéria. A Terceira Turma, por meio do
julgamento do REsp 992.749, concluiu que o regime de separação
obrigatória prevista no art. 1.829, I do CC é gênero que congrega tanto a
separação legal quanto à separação convencional. Em decisão mais
recente, a Segunda Turma decidiu, a partir do REsp 1.382.170, que “no
regime de separação convencional de bens, o cônjuge sobrevivente
concorre com os descendentes do falecido. A lei afasta a concorrência
apenas quanto ao regime de separação legal prevista no art. 1.641 do
Código Civil”.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Pedro tem três filhos: José, João e Ana. José, por sua vez, tem
Maria, Antônio e Luiz como filhos. Ana, por sua vez, tem Carlos e
Glória como filhos. José falece em 2010, Ana em 2011 e Pedro
falece em 2022. Exercendo o direito de representação sobre a
herança de Pedro, Maria tem direito a uma quota igual a:
Parabéns! A alternativa C está correta.
Atenção: a questão pede o percentual sobre a herança de Pedro, e
não sobre a herança de José. Sobre a herança de Pedro, José teria
direito a uma quota de 33,3% (100% da herança de Pedro divididos
entre seus três filhos). A quota de José é dividida, por
representação, entre seus três filhos. Logo, serão os 33,3% de José
sobre a herança de Pedro divididos entre Maria, Antônio e Luiz, o
que corresponde a 16,7% para Maria, Antônio e Luiz sobre a herança
de Pedro.
Questão 2
É herdeiro legítimo:
A 33,3% da herança.
B 11% da herança.
C 16,7% da herança.
D 10% da herança.
E Nenhuma porcentagem da herança.
Parabéns! A alternativa B está correta.
O STF julgou nos Recursos Extraordinários nº 646.721 e nº 878.694
que a sucessão do companheiro é equiparada à do cônjuge e
passou a ser regida pelo art. 1.829.
2 - Sucessão Testamentária
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as disposições essenciais de um
testamento.
A sucessão por testamento
Sucessão testamentária
A
Ex-companheiro após realizada divisão de bens da
dissolução da união.
B Seu companheiro.
C
Ex-marido após realizada divisão de bens do
divórcio.
D Madrinha de consideração.
E O filho do primo.

Entenda a seguir o regime da sucessão testamentária.
Observações gerais
A sucessão testamentária é aquela que ocorre nos termos da
manifestação de vontade do testador presente nas disposições
testamentárias. Na prática cotidiana, observa-se que a sucessão
testamentária possui caráter secundário e residual, não sendo muito
utilizada pela população brasileira.
A sucessão testamentária parte, portanto, do testamento, que é o
negócio jurídico a partir do qual o autor da herança deixa para uma ou
mais pessoas quotas da sua herança, para depois da sua morte.
A liberdade de testar é limitada pela figura da legítima (art. 1857, §1° do
CC). Assim, havendo herdeiros necessários (ascendentes,
descendentes, cônjuge ou companheiro), pertence a estes, de pleno
direito, 50% dos bens da herança, podendo o testador dispor do restante
disponível. Não havendo herdeiros necessários, a liberdade de testar
será ampla.
Devemos ter em mente que a metade do patrimônio que corresponde à
legítima se refere à metade do patrimônio líquido deixada pelo autor da
herança.
Compreender isto é muito importante, pois é necessário saber fixar
corretamente o valor da parte indisponível para poder, a partir disto,
entender qual é a parte disponível da herança (nos termos do artigo
1.846 do Código Civil) que pode ser objeto de doações ou de
disposições testamentárias.
Além disso, para determinação da parte disponível não se pode deixar
de analisar as liberalidades feitas em vida pelo autor da herança
(assunto que veremos melhor mais adiante). Este, portanto, é o cálculo
que deve ser realizado para a apuração da legítima:
É exatamente isto que dispõe o artigo 1.847 do Código Civil: calcula-se
a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da sucessão,
abatidas as dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se, em
seguida, o valor dos bens sujeitos à colação.
Se no testamento o autor da herança tiver estipulado, como herança ou
legado, valores superiores àquilo que ele podia dispor (parte disponível),
o montante excedente incide em nulidade e, portanto, haverá o dever de
reduzir o excesso, evitando-se, assim, que a legítima seja
comprometida.
A legítima apenas pode ser objeto de testamento para que seja gravada
com cláusula de impenhorabilidade, inalienabilidade ou
incomunicabilidade e desde que mediante justa causa expressa no
testamento.
Atenção!
É importante ressaltar que o testamento não cumpre apenas a função
de distribuição patrimonial (art. 1857, §2° do CC). A partir do
testamento, pode o testador realizar declarações de caráter civil ou
familiar, como o reconhecimento voluntário de filiação, a instituição de
fundação de direito privado, a nomeação de tutores para filhos menores
etc.
Analisemos agora alguns aspectos essenciais do testamento. Veja:
Trata-se de negócio jurídico mortis causa.
Ato personalíssimo (só pode ser realizado pelo autor da
herança);
Ato revogável a qualquer momento e por tantas vezes
quanto ocorrer a modificação de vontade do testador (com
exceção às declarações civis e familiares, que podem ser
consideradas irrevogáveis);
Negócio jurídico unilateral e gratuito.
Forma solene (conforme art. 166, IV e V do CC).
O testamento deve (em regra) ser feito por escrito, podendo ser
realizado por escritura pública ou de forma particular.
 Legít ima = metade do pat rimônio líquido + liberalidades feitas em vida pelo de cujus (Que nã
Características do testamento 
Forma do testamento 
Podem testar: maiores de 16 anos (independentemente de
assistência), aqueles que não estejam interditados e
aqueles que têm o pleno discernimento no momento de
fazer o testamento.
Estão incapacitados de testar: os absolutamente
incapazes, os relativamente incapazes interditados e
aqueles que não têm o pleno discernimento na ocasião da
realização do testamento.
Obs: Importa notar que a incapacidade posterior do testador (em
relação à data dacelebração do testamento) não o invalida (art.
1.861 do CC).
Possuem legitimidade para adquirir por testamento:
I. as pessoas naturais;
II. os nascituros;
III. as pessoas jurídicas que forem designadas pelo
testamento;
IV. Entidades não personificadas se existentes e designadas
por testamento;
V. pessoas naturais não concebidas os prole eventual;
VI. Pessoas jurídicas futuras a serem constituídas via legado.
Testamentos ordinários:
Testamento público
Testamento particular
Testamento cerrado
Testamentos especiais:
Testamento marítimo
Testamento aeronáutico
Testamento militar
Testamento simplificado
Tipos de testamentos
Diferentes espécies de testamentos e suas características
Capacidade testamentária ativa 
Legitimidade testamentária passiva 
Espécies de testamento 
Mostra-se pertinente fazermos algumas considerações acerca das
espécies de testamento, apontando algumas de suas mais importantes
características:
 Testamento Público
O testamento público é lavrado em livro do Cartório
de Notas, onde o testador declarará de forma livre e
espontânea ao tabelião ou notário as suas últimas
vontades. Para ser válido, o testamento público
deve ser lido em voz alta pelo tabelião ao testador e
a duas testemunhas instrumentárias. Trata-se de
espécie de testamento dotada de ampla segurança,
na medida em que o ato notarial é dotado de fé
pública.
 Testamento particular
É elaborado e subscrito pelo próprio testador, que
deverá lê-lo na presença de (pelo menos) 3
testemunhas (que também o devem subscrever).
Não se exige forma determinada e nem mesmo o
reconhecimento de firma para que o testamento
particular tenha validade.
 Testamento cerrado
O testador elabora o testamento em documento
particular (cédula testamentária). Posteriormente,
para que seja o documento dotado de validade,
deverá o testador levar o documento ao tabelião do
Cartório de Notas para que possa ser aprovado na
presença de duas testemunhas. A cédula é
devidamente lacrada e entregue ao testador pelo
oficial, que deverá lançar no livro de notas o lugar,
dia, mês e ano em que o testamento foi aprovado
(art. 1.874 do Código Civil).
 Testamento marítimo e testamento
aeronáutico
São espécies testamentárias nas quais os
testadores se encontram em situações
excepcionais e que dificultam a realização de uma
espécie ordinária de testamento. No testamento
íti t t t é li d t
Para que o testamento seja rompido (ou seja, se torne totalmente
ineficaz), os seguintes requisitos devem ser cumulados:
I
O testador possui descendente sucessível que desconhece e que não é
contemplado pela disposição testamentária.
II
O descendente sobrevive ao testador.
O mesmo se aplica diante da ignorância de outros herdeiros
necessários.
marítimo, o testamento é realizado perante o
comandante na presença de duas testemunhas. Se
o testador optar por adotar neste testamento forma
semelhante ao testamento público, deverá o
comandante registrar o ato de última vontade no
diário de bordo. No caso do testamento
aeronáutico, as últimas vontades do testador serão
declaradas em face de pessoa designada pelo
comandante, que deverá subscrever o documento
juntamente com o testador e duas testemunhas.
 Testamento militar
Pode ser feito por militar ou por civis a serviço das
Forças Armadas. Para sua realização, o testador
deve comprovar a sua impossibilidade na
realização de uma espécie ordinária de testamento.
Pode ser feito em três modalidades: i) semelhante à
pública (art. 1.893 do CC); ii) semelhante ao
testamento cerrado (art. 1.894 do CC) e iii)
nuncupativo (art. 1.896 do CC).
 Testamento simpli�cado
Realizado em circunstâncias excepcionais (art.
1.979 do Código Civil), esta espécie de testamento
possui forma livre e dispensa a presença de
testemunhas. Deve ser escrito de próprio punho
pelo testador e por ele subscrito.
Casos práticos
Análise do caso concreto
Feitas essas considerações teóricas, é pertinente analisarmos um caso
prático e real sobre o tema da sucessão testamentária:
O humorista Chico Anysio, famoso por vários personagens cômicos,
faleceu em 23 de março de 2012, deixando os filhos Luiz Guilherme de
Souza Paula, Bruno Mazzeo de Oliveira Paula, Cícero Chaves de Oliveira
Paula, Francisco Anysio de Oliveira Paula Neto, Ricardo Rondelli de
Oliveira Paula, Rodrigo Cardoso de Mello de Oliveira Paula e Victória
Cardoso de Mello de Oliveira Paula, além da viúva Malgarete Dall Agnol
de Oliveira Paula.
Tornou-se público, posteriormente, que Chico Anysio realizou um
testamento em 18 de agosto de 2011, no qual inventariava seus bens e
os partilhava entre seus herdeiros e alguns legatários.
Ocorre que nesse testamento o testador fez constar que não deixava
bens para o herdeiro Luiz Guilherme de Souza Paula – cujo nome
artístico é Lug de Paula e ficou conhecido por interpretar o Seu Boneco
na Escolinha do Professor Raimundo –, “deserdando” seu filho.
Comentário
Em entrevista a Antonia Fontenelle, em um canal do YouTube, a viúva
Malgarete Dall Agnol de Oliveira Paula – conhecida como Malga di Paula
– alegou que Chico Anysio agiu daquela maneira no testamento porque
Lug de Paula e ele se tornaram desafetos, não se falando há anos. Disse
que o filho não prestou assistência e sequer visitou o pai no
agravamento da doença e nos momentos finais da vida do pai. Ante
essa falta de relação afetiva, Chico Anysio teria tomado essa medida
para beneficiar as pessoas e filhos que estiveram com ele durante sua
doença.
Na Justiça Estadual do Estado do Rio de Janeiro, Lug de Paula propôs
ação de nulidade do testamento do pai, a qual foi julgada procedente no
1º grau (Processo nº. 0001447-22.2013.8.19.0209).
É importante deixar claro que, para que se pudesse fazer qualquer
análise específica acerca do caso, seria necessário o acesso aos autos
do processo e do testamento em questão, informações que não temos.
Assim, considerando apenas o que foi aqui narrado, podemos realizar,
em abstrato, algumas considerações sobre o assunto:
 I
Não há idade máxima para que se possa fazer um
testamento. A restrição ao direito de testar recai
sobre os incapazes e os que não tiverem pleno
discernimento. Se o idoso, independentemente de
sua idade, não estiver interditado (incapaz) e tem
l f ld d t i ( l
suas plenas faculdades mentais (pleno
discernimento), não existe qualquer restrição para
que o idoso teste.
 II
Há situações em que um herdeiro pode ser excluído
de receber a herança, quais sejam, renúncia (art.
1.806), indignidade (art. 1.814) e deserdação (art.
1.961).
 III
Para que ocorra efetivamente a deserdação de um
herdeiro, é necessário que se observem os
seguintes requisitos: i) Declaração em testamento
da deserdação com a indicação expressa da justa
causa que lhe autoriza (art. 1.964 do Código Civil);
ii) a prova em juízo da veracidade da causa alegada
pelo testador (art. 1.965 do Código Civil).
 IV
Conquanto reservada a parte legítima dos herdeiros
necessários, conforme prescrito no art. 1.789 do
Código Civil, a outra parte do patrimônio do autor
da herança (parte disponível) pode ser livremente
testada para outros herdeiros.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Sobre as regras de disposição de bens em testamento, assinale a
alternativa correta.
A
O testamento que contempla descendentes como
herdeiros testamentários é nulo.
B
Tendo filhos, um testador somente pode dispor da
quantidade máxima de bens que poderia doar em
vida.
Parabéns! A alternativa B está correta.
É um jogo de interpretação sistemática com o art. 549 do Código
Civil: “Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder
à de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em
testamento”. Por sua vez, o § 1º do art. 1.857 do Código Civil
prescreve que toda pessoa pode dispor, por testamento, da
totalidade dos seus bens, ou de parte deles, para depois de sua
morte, mas a legítima dos herdeirosnecessários não poderá ser
incluída no testamento. O art. 1.789 do Código Civil prescreve que
havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da
metade da herança. Então, como filhos são herdeiros necessários, a
disposição testamentária não pode ir além daquilo que uma pessoa
pode doar enquanto viva, ou seja, 50% do seu patrimônio.
Questão 2
Maria tem 17 anos e escreveu de próprio punho, em folha de papel
almaço e com caneta esferográfica, um documento a que designou
“Testamento”. Nele deixava todos os seus bens para sua melhor
amiga, Ana. A família de Ana praticamente criou Maria, já que esta
não tem parentes vivos e nem é casada ou convive em união
estável. Maria confeccionou o documento às escondidas de Ana e
perante seus outros quatro melhores amigos como testemunhas. O
testamento confeccionado por Maria é
C
Como não há prazo específico na lei para impugnar
a validade do testamento, aplica-se o prazo geral 10
anos do art. 205 do Código Civil.
D
Quando o testamento beneficiar herdeiro
necessário, sua forma ordinária deverá ser a
pública.
E
Idosos com idade superior a 80 anos somente
poderão testar com a assistência de um
representante.
A
válido, desde que aprovado por um tabelião em até
60 dias após sua confecção.
B inválido, pois redigido a mão.
C
inválido, pois Maria tem menos de 18 anos e não é
emancipada.
Parabéns! A alternativa E está correta.
Trata-se de testamento particular, o qual pode ser escrito de próprio
punho. Se escrito de próprio punho, são requisitos essenciais à sua
validade que seja lido e assinado por quem o escreveu, na presença
de pelo menos três testemunhas, que o devem subscrever. Somente
o testamento cerrado deve ser aprovado pelo tabelião. Lembre-se
de que a capacidade testamentária se inicia aos 16 anos.
3 - Inventário e Partilha
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar os principais elementos do inventário e
partilha.
Procedimento de efetivação da
sucessão hereditária
Conceituação do inventário e partilha
O papel do inventário
D
inválido, pois é exigido o número mínimo de cinco
testemunhas.
E
válido, mesmo sem a participação do tabelião em
sua confecção.

Entenda a seguir o que é inventário, bem como sobre suas principais
regras.
O inventário é o procedimento de efetivação da sucessão hereditária. A
partir dele, são relacionados todos os ativos (bens e créditos) e os
passivos (dívidas) que o de cujus deixou, para que posteriormente seja
possível a realização da partilha ou adjudicação dos bens.
Para um adequado estudo da temática do inventário, o aluno deve ter
sempre em mãos o Código Civil e o Código de Processo Civil. Isso
porque o tema é regulado por normas heterotópicas e, portanto,
encontra-se disciplinado a partir dos dois diplomas legais.
Durante todo o procedimento do inventário e até a realização da partilha,
o direito dos coerdeiros será indivisível e será regulado pelas normas
relativas ao condomínio comum.
Nos termos do artigo 611 do Código de Processo Civil:
“O processo de inventário e de partilha deve ser
instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar da
abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 (doze)
meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar esses
prazos, de ofício ou a requerimento de parte”.
O artigo 617 do Código de Processo Civil elenca um rol de pessoas que
podem ser nomeadas pelo juiz como inventariantes. Assim é a ordem
estabelecida pelo dispostivos:
I
O cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse
convivendo com o outro ao tempo da morte deste.
II
O herdeiro que se achar na posse e na administração do
espólio, se não houver cônjuge ou companheiro sobrevivente
ou se estes não puderem ser nomeados.
III
Qualquer herdeiro, quando nenhum deles estiver na posse e na
administração do espólio.
IV
O herdeiro menor, por seu representante legal.
V
O testamenteiro, se lhe tiver sido confiada a administração do
espólio ou se toda a herança estiver distribuída em legados.
VI
O cessionário do herdeiro ou do legatário.
VII
O inventariante judicial, se houver.
VIII
Pessoa estranha idônea, quando não houver inventariante
judicial.
Um importante e controverso tema se refere à possibilidade de
relativização da ordem do rol presente no artigo em questão. Para
parcela da literatura, a ordem estabelecida no art. 617 do Código de
Processo Civil não é absoluta e pode ser relativizada pelo juízo a partir
de justificação idônea. A razão para esta flexibilização seria garantir que
o inventariante seja a pessoa mais adequada para o cumprimento das
obrigações personalíssimas descritas nos arts. 618 e 619 do CPC.
Todavia, há parcela dos autores que, em sentido contrário, sustenta a
taxatividade do rol.
Diferentes formas de inventário
Modalidades de inventário
São três as modalidades de inventário judicial: a) Inventário judicial pelo
rito tradicional (inventário comum); b) Inventário judicial pelo rito do
arrolamento sumário e c) Inventário judicial pelo rito do arrolamento
comum. Assim pode-se esquematizar suas utilizações:
Disciplinado pelos artigos 610 a 658 do Código de Processo
Civil, segue procedimento especial.
Em regra, é obrigatório quando houver herdeiros incapazes,
quando houver testamento ou quando o testamento tiver outras
finalidades distintas daquelas estritamente patrimoniais.
Cabível quando todos os interessados forem maiores e capazes,
em relação a bens de quaisquer valores.
Cabível quando o valor dos bens do espólio for igual ou inferior a
mil salários mínimos.
Na hipótese em que todos os herdeiros forem plenamente capazes e
estiverem de acordo quanto a todos os elementos do inventário, o
inventário pode ser feito extrajudicialmente, a partir de escritura pública.
Para que o tabelião lavre a escritura, deve-se observar os seguintes
requisitos:
Inventário judicial pelo rito tradicional 
Inventário judicial pelo rito do arrolamento sumário 
Inventário judicial pelo rito do arrolamento comum 
 I
Os impostos devem ter sido devidamente
recolhidos.
Por ocasião da abertura da sucessão, não se deve apurar apenas os
bens deixados pelo de cujus, mas também aqueles que, em vida, doou
aos descendentes, para fins de se igualizar as legítimas. É o que se
denomina de colação. Assim estipula o art. 2002 do Código Civil:
“Os descendentes que concorrerem à sucessão do
ascendente comum são obrigados, para igualar as
legítimas, a conferir o valor das doações que dele em
vida receberam, sob pena de sonegação”.
São dispensadas da colação as doações que o autor da herança
estipular como integrantes da parte disponível (art. 2.005 CC). Todavia,
os valores dos bens doados não podem exceder o valor da parte
disponível, que deve ser calculado levando em consideração o valor do
bem e a parte disponível na ocasião da doação.
Em adição, o art. 2.010 do Código Civil, preleciona que não virão à
colação os gastos ordinários do ascendente com o descendente,
enquanto menor, na sua educação, estudos, sustento, vestuário,
tratamento nas enfermidades, enxoval, assim como as despesas de
casamento, ou as feitas no interesse de sua defesa em processo-crime.
A partilha
Formas de partilha
 II
Todos os herdeiros e demais interessados devem
estar assistidos por advogado ou por defensor
público.
 III
Todos os herdeiros devem ser plenamente capazes.
 IV
Não subsistem divergências entre os herdeiros no
que diz respeito à inventariança e à partilha.
A partilha é a fase final do inventário, quando bens da massa hereditária
ou valores pecuniários são divididos e entregues de forma
individualizada para cada herdeiro. Para aprofundar seus estudos no
tema, você deve realizar uma leitura atenta dos artigos 2.013 a 2.022 do
Código Civil e 1.022 a 1.030 do Código de Processo Civil.
A pretensão à partilha é imprescritível, podendo ser requerida a qualquer
tempo e por qualquer herdeiro, cessionário ou credor do herdeiro. Ao
partilhar os bens, será observada a maior igualdade possível quanto ao
seu valor,à natureza e à qualidade.
A literatura jurídica aponta a existência de três formas de partilha:
Será amigável a partilha quando todos os herdeiros forem
capazes e concordes acerca dos termos da partilha.
A partilha deverá ser judicial nas hipóteses em que os herdeiros
divergem entre si quanto ao inventário e/ou quanto à partilha, ou
quando algum dos herdeiros for incapaz.
Trata-se da partilha realizada pelos ascendentes a descendentes,
por ato inter vivos ou de última vontade, envolvendo parcela ou
totalidade dos seus bens e desde que respeitada a reserva da
legítima.
Entre os filhos, não deve haver qualquer espécie de discriminação na
herança quanto à origem, se consanguíneo, adotivo ou socioafetivo. Em
relação ao cônjuge ou companheiro, por sua vez, a sucessão estará
atrelada ao regime de bens estabelecido entre as partes.
Vamos analisar um caso concreto?
Estudo de caso
Após analisarmos a função do inventário, bem como colação de bens no
inventário, pergunta-se: você sabe dizer como a colação interfere na
partilha de bens? Para entendermos este conceito na prática, vamos
analisar o case do Recurso Especial nº. 1.298.864/SP, julgado pela
Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Leia o seguinte
Partilha amigável (extrajudicial) 
Partilha judicial 
Partilha em vida 
caso real que aqui foi adaptado para destacar o que é a função da
colação de bens:
Os herdeiros alegam que o irmão não faz jus à colação porque as
doações ocorreram antes mesmo de sua concepção e nascimento.
Além disso, caso o juiz entenda que teria direito, a parte doada pela mãe
 Prólogo
Carlos era casado com Maria e tinha três filhos:
Ana, casada com Luiz; Marcos, casado com Joana;
e João, casado com Glória.
 Em 2003
Carlos e Maria doaram todo seu patrimônio para os
filhos, a filha, as noras e o genro, dando um
apartamento de R$1 milhão para cada.
 Em 2005
Carlos se envolveu em um relacionamento
extraconjugal (fora do casamento) e teve um filho,
Pedro, o qual foi reconhecido voluntariamente pelo
pai.
 Em 2020
Carlos falece. Como não possuía bens a inventariar
e partilhar, seus herdeiros e sua esposa, em comum
acordo, procederam extrajudicialmente ao
inventário negativo, o qual teve a escritura pública
lavrada 30 dias após o falecimento de Carlos.
 Em 2021
Pedro ingressa com ação de nulidade do inventário
negativo e petição de herança com pedido para que
os bens doados por Carlos e Maria aos filhos sejam
levados à colação, para sobrepartilha e, assim, ter
direito à herança de seu pai.
não deveria ser levada à colação, pois Pedro não é herdeiro de Maria e o
que Maria doou correspondia à meação do seu casamento com Carlos.
Logo, somente a parte de Carlos deveria ser levada à colação. Como na
colação é levado somente 50% do valor doado em vida, ao todo,
somente 25% do que os herdeiros receberam de doação deveria ser
sobrepartilhado (“repartilhado”).
A Justiça Estadual (1º e 2º graus) rejeitou as oposições dos herdeiros e
acolheu o pedido de Pedro, estipulando, assim, que Pedro possuía o
direito à colação de 50% dos bens.
Atividade discursiva
A partir dos seus conhecimentos, julgue quem tem razão no caso
analisado: Pedro ou os demais herdeiros, seus cônjuges e Maria. A
partir disto, estabeleça qual é a solução adequada para a lide.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Pedro possui direito à colação. A colação tem lugar quando o
autor da herança (futuro de cujus) realiza doações em vida a seus
herdeiros. Morto o doador, o donatário-herdeiro é obrigado a
colacionar o bem recebido em doação no inventário e partilha do
doador, ou seja, levar ao inventário a informação de que recebeu
bens como antecipação da herança, com a finalidade de equalizar
os montantes de todos os herdeiros necessários em relação ao
montante da legítima.
Assim, no caso em questão, Pedro possui interesse de agir no
pedido de colação dos bens anteriormente doados aos filhos
havidos no casamento, sendo irrelevante se o herdeiro nasceu
antes ou após a doação.
No que se refere ao montante a ser colacionado, a razão assiste
aos demais herdeiros, seus cônjuges e Maria. Conforme o
entendimento firmado pelo STJ no julgamento do REsp
1.298.864/SP, somente a parte que corresponderia a Carlos (50%)
deveria ser levada à colação. Destes 50%, a sobrepartilha deveria
ocorrer sobre 25% do patrimônio doado pelo de cujus.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
João é casado com Maria. Ambos têm dois filhos maiores de 21
anos: Ana e Marcos. Ana, recentemente, deu à luz seu primeiro filho,
Luiz, hoje com seis meses. Há 15 dias, João faleceu. Maria, Ana e
Marcos estão plenamente de acordo quanto à partilha de bens a ser
feita. Assinale a alternativa correta.
Parabéns! A alternativa E está correta.
Não existe restrição legal para o inventário extrajudicial em razão de
casamento ou união estável (se todos forem capazes e concordes,
o inventário e a partilha poderão ser feitos por escritura pública, a
qual constituirá documento hábil para qualquer ato de registro, bem
como para levantamento de importância depositada em instituições
financeiras).
Questão 2
Assinale a alternativa correta.
A
O inventário deverá, obrigatoriamente, ser realizado
na via judicial, pois Luiz é menor de idade e,
portanto, incapaz.
B
O inventário deverá, obrigatoriamente, ser realizado
na via judicial, pois existe cônjuge supérstite.
C
O inventário deverá, obrigatoriamente, ser realizado
na via extrajudicial, pois não há herdeiros incapazes
e todos estão de acordo quanto à partilha.
D
O inventário poderá ser realizado na via extrajudicial
se Ana renunciar ao direito de herança de seu filho
Luiz.
E
O inventário poderá ser realizado na via extrajudicial,
pois, apesar de Luiz ser menor de idade, não será
parte no inventário.
A Cabe ao inventariante requerer a partilha.
B
Um ano após a partilha, bens que sejam
descobertos não poderão ser partilhados.
Parabéns! A alternativa C está correta.
Art. 2.014. Pode o testador indicar os bens e valores que devem
compor os quinhões hereditários, deliberando ele próprio a partilha,
que prevalecerá, salvo se o valor dos bens não corresponder às
quotas estabelecidas.
Considerações �nais
Vimos quais são as principais regras do Direito de Sucessão, em
especial seu papel na vida patrimonial familiar e seu papel na aquisição
de propriedade. A partir daí, demonstrou-se como devem ser entendidas
tais tendências e quais suas consequências.
A abordagem realizada foi destinada a apresentar não somente
aspectos teóricos, mas, também e principalmente, os aspectos práticos.
Para isso, podemos abordar alguns importantes pontos relativos à
sucessão legítima, testamentária e o inventário e partilha,
demonstrando ao lado da análise teórica do tema questões polêmicas
do ponto de vista empírico.
É preciso ter em mente que os assuntos aqui abordados são matérias
frequentemente discutidas em ações judiciais. Logo, é um campo fértil
de atuação profissional.
Podcast
Para encerrar, ouça e entenda melhor sobre os aspectos relevantes
sobre a prática do direito sucessório.
C Pode o testador deliberar ele próprio a partilha.
D
Ao partilhar os bens, os herdeiros terão direito aos
bens mais valiosos.
E
Ficam sujeitos a sobrepartilha os bens que se
deteriorarem.

Explore +
Confira agora o que separamos especialmente para você!
Leia os seguintes artigos:
BUENO, E. F. O direito à sucessão dos filhos concebidos “post mortem”
no campo da reprodução artificial. In: IBDFam. 12 jul. 2021.
O artigo discute o direito sucessório no âmbito da reprodução artificial,
uma vez que, tendo em vista sua lacuna legislativa, impede o
aperfeiçoamento do Direito ao versar sobre conteúdo grandemente
oportuno às famílias brasileiras.
MADALENO, R. Testamento: expressão de última vontade. In: IBDFam.
04 jan. 2011.
O artigo analisa o direito hereditário como um complexo de princípios,
pelos quaisé realizada a transmissão do patrimônio de alguém que
deixa de existir, registrando a história dos povos, os mais acalentados
debates entre juristas e filósofos, que buscavam o sentido dessa
transmissão por causa da morte.
TARTUCE, F. Herança digital e sucessão legítima – Primeiras reflexões.
In: IBDFam. 27 set. 2018. O artigo analisa as novas tecnologias,
especialmente as incrementadas pelas redes sociais e pelas interações
digitais, e as repercussões para o Direito de Sucessão, surgindo intensos
debates sobre a transmissão da chamada herança digital.
UBILLUS, G. T.; SILVEIRA, M. INCISO XXX – DIREITO DE HERANÇA. “É
garantido o direito de herança”. In: Artigo Quinto. 03 dez. 2019.
O artigo analisa e discute a perspectiva da herança no Direito
Constitucional, que garante que os bens na posse de alguém que venha
a falecer sejam transmitidos a seus respectivos herdeiros legítimos ou
testamentários.
Referências
DIAS, M. B. Manual das sucessões. 7. ed. Salvador: Juspodivm, 2021.
DINIZ, M. H. Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 6 – Direito das
Sucessões. 34. Ed. São Paulo: Saraiva, 2020.
FARIAS, C. C. de; ROSENVALD, N. Curso de Direito Civil. Vol. 7 –
Sucessões. 8. ed. Salvador: Juspodivm, 2022.
GONÇALVES, C. R. Direito Civil Brasileiro. Vol. 6 – Direito das
Sucessões. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2021.
TEPEDINO, G.; NEVARES, A. L. M.; MEIRELES, R. M. V. Fundamentos do
Direito Civil - Direito das Sucessões. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2021.
TEIXEIRA, A. C. B.; RIBEIRO, G. P. L. (Coords.). Manual de Direito das
Famílias e das Sucessões. 3. ed. Rio de Janeiro: Processo, 2017.
VIEGAS, C. M. de A. R. A Colação de bens no direito sucessório.
Jusbrasil, 2019. Consultado na internet em: 30 mar. 2022.
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