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Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974.pdf Asma ! 1 🍁 Asma ! Definição Doença inflamatória crônica das vias aéreas. Associada à hiperresponsividade das vias aéreas Obstrução ao fluxo aéreo intrapulmonar generalizada e variável → reversível espontaneamente ou com tratamento (broncodilatadores) Epidemiologia e impacto Acomete cerca de 300 milhões de pessoas 4ª causa de internações Impacto → gastos com asma grave: 25% da renda familiar dos pacientes da classe menos favorecida, mas a OMS recomenda que esse custo não exceda 5% Fisiopatogenia Estreitamento brônquico intermitente e reversível é causado por: contração do músculo liso brônquico edema da mucosa hipersecreção da mucosa Hiper-responsividade brônquica com resposta broncoconstritora exagerada ao estímulo (esse estímulo/antigeno é inócuo em pessoas normais - que não têm asma). Ciclo contínuo de agressão e reparo → alterações estruturais irreversíveis (se nada for feito): é o remodelamento das vias aéreas. História natural e índice preditivo de asma: Lactentes e crianças pré-escolares com sibilância recorrente (bebê chiador ou sibilante): Evoluções variadas - bronquiolite ou pneumonia viral com broncoespasmo Asma ! 2 Não é possível predizer o curso clínico da sibilância entre lactentes e pré-escolares Características para prever se a sibilância recorrente na criança irá persistir na vida adulta: Critérios de castro-rodrigues - índice preditivo de asma) 1 critério maior ou dois menores indica alta probabilidade asma. Diagnóstico de eczema nos 3 anos (critério maior) Diagnóstico de rinite nos 3 anos Pai ou mãe com asma (critério maior) Sibilância sem resfriado (fora de quadro gripal ou sem virose) Eosinofilia sanguínea 3% na ausência de parasitoses) - eosinofilia não necessariamente está presente em todos os casos Diagnóstico Sugerido por dispneia, tosse crônica, sibilância opressão ou desconforto torácico (como se estivessem apertando o peito) → sobretudo à noite ou nas primeiras horas da manhã As manifestações que sugerem fortemente: variabilidade dos sintomas desencadeamento por irritantes inespecíficos (fumaças, odores fortes, exercício) ou por aeroalérgenos (ácaros e fungos) piora dos sintomas à noite melhora espontânea ou com medicações Ausculta: Sibilos (som expiratório) = obstrução ao fluxo aéreo (pode não ocorrer em todos os pacientes) (estreitamento da via aérea inferior) Confirmação: feita por método objetivo Espirometria → não é feita de maneira adequada abaixo dos 6 anos por questões técnicas. Espirometria Asma ! 3 Ajuda no diagnóstico, avalia a gravidade da obstrução e monitora o curso da doença. Mas uma espirometria normal não exclui o diagnóstico de asma. Indicada para maiores de 6 anos para a confirmação do diagnóstico de asma. Duas medidas importantes para o diagnóstico de limitação ao fluxo de ar das vias aéreas: VEF1 volume expirado forçado no 1° segundo (boa reprodutibilidade → medida isolada mais acurada) CVF capacidade vital forçada Diagnóstico de limitação ao fluxo aéreo: redução da relação VEF1/CVF (a capacidade vital forçada é mantida, mas o quanto consegue eliminar em 1s é muito menor - demora eliminar todo o ar pq há obstrução). limitação ao fluxo de ar principalmente: reversibilidade (após a inalação de um broncodilatador de curta ação) Espirometria normal não exclui diagnóstico de asma A espirometria pode ser inteiramente normal, mas deve ser repetida após o broncodilatador e pode revelar uma resposta significativa VEF1 aumenta) - mostrando que havia obstrução ao fluxo. Medidas seriadas do PFE Pico de Fluxo Expiratório) Medidas da variação diurna exagerada do PFE forma mais simples, mas menos acurada. Mede a variabilidade de obstrução das vias aéras. Medidas matinais e vespertinas obtidas durante 2 semanas Variações diurnas 20% são positivas - um PFE com variabilidade de obstrução de vias aéreas maior que 20% indica diagnóstico de asma o pct sopra no peak flow 3x de manhã em sequência e 3x no fim do dia e os valores têm que ser próximos A diferença entre os sequenciais não pode ser maior que 10% se for maior, indica que não foi feito de maneira correta). Compara a média de manhã com a média do fim Asma ! 4 do dia, se houver diferença maior que 20% mostra grande variabilidade do fluxo aéreo e aí tem uma asma de fato. Desvantagens do PFE em relação à espirometria: avalia apenas as grandes vias aéreas esforço-dependente (quanto menor a criança pior) produz medidas de má qualidade valores variam entre os diversos aparelhos Teste de broncoprovocação → casos de dúvida Na dúvida diagnóstcia após espirometria ou PFE, podemos realizar o teste de broncoprovocação - é realizado pela exposição à baixas concentrações de substâncias broncoconstritoras (metacolina, carbacol). Uma piora de 20% da função pulmonar após a aplicação dessas substâncias, favorece o diagnóstico de asma. Confirma ou afasta a suspeita. Se resultado negativo, exclui o diagnóstico de asma. Verificação da hiper-responsividade das vias aéreas: Medida através da inalação de substâncias broncoconstritoras (metacolina, carbacol e histamina) Pelo teste de broncoprovocação por exercício (broncoespasmo induzido pelo exercício) Testes farmacológicos: Alta sensibilidade e elevado valor preditivo negativo Se o exame for normal, provavelmente não há asma) Importantes para a decisão diagnóstica, especialmente nos casos com espirometria normal Broncoprovocação com drogas: metacolina, histamina, carbacol → queda significativa no VEF1 (por convenção 20% Testes adicionais: Broncoprovocação por exercício demonstrando queda do VEF110% Asma ! 5 Medidas do estado alérgico Forte associação entre asma, rinite e outras alérgicas → até 80% dos pacientes asmáticos possuem rinite alérgica. Avaliação da atopia: anamnese cuidadosa confirmação da sensibilização alérgica por exames laboratoriais Diagnóstico da alergia Anamnese Identificação da exposição a alérgenos Confirmação da sensibilização alérgica Testes cutâneos ou determinação das concentrações séricas de IgE específica. Provas in vivo (testes cutâneos) Provas in vitro IgE específica) IgE sérica específica confirma os resultados dos testes cutâneos Aeroalérgenos mais frequentes ácaros, fungos e polens antígenos de cães e gatos baratas Sensibilização a antígenos inaláveis Testes cutâneos → mais frequentes: ácaros da poeira Dermatophagoides pteronyssinus Diagnóstico em crianças menores de 5 anos Baseado em aspectos clínicos. Dificuldade de se obter medidas objetivas. 50% das crianças apresentam pelo menos 1 episódio de sibilância nos primeiros anos de vida, mas a maioria não desenvolverá asma. As manifestações clínicas mais sugestivas de asma são: episódios frequentes de sibilância 1 vez/mês) Asma ! 6 tosse ou sibilos que ocorrem à noite ou cedo pela manhã - provocados por riso ou choro intensos ou exercício físico tosse sem relação evidente com viroses respiratórias presença de atopia (rinite alérgica ou dermatite atópica / eczema) história familiar de asma e atopia boa resposta clínica a B2-agonistas associados ou não aos corticoides Classificação de acordo com os níveis de controle da asma: Controle: Extensão com a qual as manifestações da asma estão suprimidas (espontaneamente ou pelo tratamento). Controle das limitações atuais deve ser avaliado em relação às últimas 4 semanas - como o pct se comporta em relação a sintomas diurnos, uso de medicação de alívio, sintomas noturnos, limitação de atividade. Normal/aceitável: sintomas diurnos (no máximo 2x por semana), pode usar medicação de alívio no máximo 2x por semana, não pode ter despertar noturno por causa da asma e nem limitação de atividade. Controle das limitações atuais inclui: sintomas necessidade de medicação de alívio limitação de atividades físicas intensidade da limitação ao fluxo aéreo (exame objetivo) Classificação de acordo com os níveis de controle da asma: asma controlada - quando todos os 4 parâmetros estão adequados asma parcialmente controlada 1 ou 2 parâmetros alterados asma não controlada 3 ou mais alterados Asma ! 7 Últimas 4 semanas, 4 perguntas: ABCD Atividades limitadas pela asma? Broncodilatador: teve que usar mais que 2 vezes por semana (resgate)? Calada da noite: teve algum sintoma/despertar noturno de asma? Diurno: teve sintomas durante o dia mais de 2 vezes na semana? Se zero respostas positivas, a asma está controlada. 1 ou 2 respostas positivas, parcialmente controlada. 3 ou 4 respostas positivas, asma não controlada. Uso de SABA 2x por semana no último mês configura asma parcialmente controlada - se apenas isso de alterado - necessitando de tto de controle ou step up. Gravidade e nível de controle da asma: Controle: o quanto estou conseguindo suprimir os sintomas nas últimas 4 semanas. É influenciado pela adesão ao tratamento ou pela exposição a fatores desencadeantes. Gravidade: refere-se à quantidade de medicação necessária para atingir o controle. Característica intrínseca da doença, definida pela intensidade do tratamento. Asma ! 8 O pct pode ter uma asma controlada e ser uma asma gravíssima - usa muita medicação para conseguir o controle. Gravidade da asma: Asma leve: necessita de baixa intensidade de tratamento → etapa 2 (medicação antiinflamatória diária) → tem indicação de tratamento profilático CI SABA em step1 Asma moderada: necessita de intensidade intermediária → etapa 3 Asma grave: alta intensidade de tratamento → etapa 4 e 5 Tratamento: A base do tratamento da asma deve ser sempre o corticoide inalatório associado ou não a beta 2 agonista e longa ação LABA Formoterol). Este deve ser o início do tratamento e devemos avaliar após 3 meses de uso regular e correto das medicações se este paciente vai manter, escalonar ou descalonar o tratamento. Beclometasona está indicado para pcts 5 anos de idade → beclometasona 100mcg (aerossol) com espaçador e máscara (o principal fator associado a falha de tratamento é administração incorreta da medicação. Em crianças, devemos optar sempre pelo espaçador e máscara bem vedados ao rosto por 10 segundos após administração do aerossol). Cápsula inalatória: a criança não consegue inalar corretamente pelo dispositivo. Dividido em 5 etapas: Asma ! 9 Etapa 1 asma intermitente → só precisa de medicação na crise. Medicação: broncodilatador de curta ação. Todo mundo, independente da etapa, precisa, quando em crise, de broncodilatador de curta ação. A partir da etapa 2 vão entrar opções de medicamentos anti-inflamatório diário profilático e não só o beta-2 de curta ação na crise. Etapa 2 asma leve, o pct fica bem/controlado usando uma dose de corticoide inalatório baixa diariamente. Na criança menor de 6 anos, a preferência é dar corticoide inalatório dose média/alta ao invés de fazer essa associação. Etapa 3 asma moderada: o pct precisa de uma associação de dose baixa de corticoide inalatório e beta-agonista de longa ação. Etapa 4 associa dose moderada/alta de corticoide inalatório e beta agonista de longa duração. Etapa 5 além dessa medicação, precisa de corticoide oral na dose baixa para manter o pct controlado. Em todos os estágios: questionar o controle ambiental, avaliar a técnica inalatória, exercício e rever controle. O tratamento deve ser mantido pelo menos 3 meses antes de considerar aumento para estágio subsequente. Corticoide O uso de corticoide oral não substitui o CI no manejo ambulatorial na asma moderada: o corticoide via oral está reservado para casos de asma grave STEP5 e exacerbações. Asma ! 10 Candidíase oral e disfonia estão entre os principais efeitos colaterais do corticoide inalatório - são efeitos tópicos que podem ser reduzidos com a higienização oral após a aplicação. Corticoide inalatório tem ação tópica nas vias aéreas, com pouquíssimo efeito sistêmico. Etapa 1 - asma intermitente (asma leve - sintomas menos de 2x/mês e sem fatores de risco para exacerbações) Medicação de resgate para o alívio dos sintomas Educação do asmático e controle ambiental Medicação de alívio para sintomas ocasionais 2x ou menos por semana). � CI de baixa dose LABA (formoterol) � Conforme necessidade: CI de baixa dose SABA � Conforme necessidade: SABA (salbumatol, fenoterol, formoterol) Etapa 2 - asma persistente leve (asma leve - sintomas 2x/mês ou mais e menos de 1x/dia). Medicação de alívio na crise + um único medicamento de controle (anti- inflamatório de uso diário) � Sob demanda: Corticoides inalatórios em doses baixas LABA (formoterol) � Medicações alternativas: antileucotrienos � Fixo: CI baixa dose. Sob demanda: CI SABA Tratamento de manutenção: corticosteroide inalatório (principal medicamento) → candidíase oral e disfonia podem ser observadas (reduzidas com higiene oral após o uso) Corticoide inalatório não tem efeito sistêmico pq é de primeira passagem → é muito bem absorvido no pulmão, mas tem metabolização assim que passa pelo fígado e aí passa a ser inativo e não tem efeito sistêmico. Etapa 3 - asma persistente moderada (asma moderada - sintomas na maioria dos dias ou sintomas noturnos 1x/semana ou mais) Asma ! 11 Medicação de alívio 1 ou 2 medicamentos de controle. � Associação de um corticoide inalatório em doses baixas com um B2- agonista inalatório de ação prolongada 1ª escolha) → crianças maiores de 6 anos. Fixo e sob demanda: CI baixa dose + formoterol) Crianças menores de 6 anos: corticoide inalatório em dose maior. Tratamento de manutenção: LABA B-agonista de ação prolongada) Usados em associação aos CI em pacientes 4 anos Não devem ser usados como monoterapia. Etapa 4 - asma persistente grave (asma moderada - sintomas na maioria dos dias ou despertar 1x/semana ou mais ou baixa função pulmonar) Medicação de alívio 2 ou mais medicamentos de controle. � Fixo: Combinação de corticoide inalatório em doses médias ou altas B2-agonista de ação prolongada (formoterol). Sob demanda: CI dose baixa + formoterol. � Fixo: CI dose média/alta LABA. Sob demanda: SABA CI. Etapa 5 - asma persistente grave refratária (asma grave - não resposta às medidas do estágio 4. Medicação de alívio + medicação de controle adicional. � Fixo: CI dose alta + formoterol LAMA (antagonista muscarínico de longa ação). Sob demanda: CI dose baixa + formoterol. � sob demanda: CI dose baixa SABA Adiciona-se corticoide oral às outras medicações de controle. Somente para pacientes com asma não controlada na etapa 4. E que tenham sido exaustivamente questionados sobre a ADESÃO ao tratamento. Avaliar terapias adicionais (anti-IgE, anti-IL 5/5R, anti-IL 4R Anti-IgE é uma alternativa na etapa 5 para pacientes atópicos (anticorpo monoclonal contra o IgE .omalizumabe) → pode melhorar o controle da asma e reduzir o risco de exacerbações. Asma ! 12 Omalizumabe: anticorpo monoclonal → inibe a ligação da IgE com o seu receptor. 6 anos com asma alérgica de difícil controle. UpDate: Em crianças: dar uma preferência na etapa 3 para corticoide inalatório em dose média/alta ao invés da associação de CILABA. Quando o pct tem a crise, naqueles que fazem como medicação de controle diária CILABA, na crise pode ao invés do SABA, optar por um LABACI na crise. Formoterol tem ação imediata e prolongada. Então na crise, para aqueles que já fazem como controle uso de CILABA, na crise faz LABACI de dose baixa, e o LABA vai ser o formoterol. Observação: Independentemente da etapa de tratamento, se tem sintomas agudos fazer medicação de resgate SABA Exercício físico Causa comum de sintomas. Diferenciar a broncoconstrição induzida por exercício do descontrole da doença (que leva a limitação física). Manejo: Broncoconstrição induzida por exercício B2-agonista de curta ação antes do exercício. Descontrole da doença → aumento da dose da medicação atual. Pacientes asmáticos não devem evitar exercícios. Atividades aeróbicas são benéficas - a própria atividade física diminui o broncoespasmo Asma ! 13 induzido pelo exercício físico com o tempo. Não há nenhuma evidência de superioridade de natação. Asma induzida por exercício: Resposta broncoespástica ao se exercitar Único precipitante natural da asma que induz taquifilaxia (quando quanto maior a exposição, menor é o efeito que aquela exposição exerce, ou seja, quanto mais exercício o asmático praticar, menos o exercício irá causar broncoespasmo neste paciente) Tratamento da broncoconstrição induzida pelo exercício BIE Profilaxia: tratamento regular da asma com corticoide inalatório costuma reduzir a magnitude da BIE em 50%. Aquecimento antes do exercício - o aquecimento diminui o broncoespasmo induzido por um exercício mais intenso Beta-2 agonista inalatórios de curta duração 1530 minutos antes do exercício) - para prevenir broncoespasmo Tratamento de manutenção Imunoterapia específica com alérgenos IT. Indicações: Asma alérgica (presença de anticorpos IgE para alérgenos do ambiente) Indivíduos com idade entre 5 e 60 anos. Tratamento da crise de asma Manejo das exacerbações Ocorrem de forma gradual Deterioração clínica progressiva em um período de 57 dias → criança começa a ficar mais cansada. Adotar oximetria de pulso Fator de risco Doença do Refluxo gastroesofágico Asma ! 14 Tratamento da crise Classificar a gravidade e instituir tratamento imediatamente. Causa mortis por asma Asfixia (quase totalidade) Tratamento excessivo é causa rara Classificação da intensidade das exacerbações em crianças e adultos Asma ! 15 Asma ! 16 Asma ! 17 Basta olhar para SpO2 para decidir se a crise é leve a moderada ou grave. Oxigenoterapia Gestantes e crianças: manter SpO2 9495% Tratamento medicamentoso da crise Beta-2 agonistas por via inalatória (cada 10 a 30 minutos) na 1ª hora. Na crise grave está indicado brometo de ipratrópio (anticolinérgico). Pacientes que não respondem ao 1° ciclo de Beta2 agonista de curta ação, administra-se corticoide oral ou EV (possuem a mesma eficácia) - já na primeira hora da exacerbação. Crise grave Ao exame: agitação, fala intercotada, FR30, desconforto respiratório e saturação menor que 90%. A meta para a saturação para crianças de 6 a 10 anos, segundo o GINA, é de 94 a 98%; O salbutamol, que é um Beta-2 agonista de ação curta, está indicado para reversão do broncoespasmo; O ipratrópio pode ser utilizado e tem a função de reduzir o risco de hospitalização; Asma ! 18 O corticoide, que reduz a inflamação e a produção de muco, pode ser utilizado na forma oral ou endovenoso. Broncodilatadores de curta ação - primeira medida A água destilada não deve ser veículo nas nebulizações → risco de agravamento. Em adultos: salbutamol EV recurso extremo para evitar a Ventilação mecânica. Em crianças: salbutamol EV ainda na sala de emergência para os que não respondem a via inalatória (não é recurso extremo). Beta 2 agonista inalatório (salbutamol): 3 ciclos de 20 em 20 minutos. Corticoides sistêmicos - medicação essencial na crise Essenciais no tratamento da exacerbação - se a criança não respondeu ao beta2 inicialmente, ainda na primeira hora tem que começar o corticoide (o que mata na asma é a inflamação → corticoide é um grande antiinflamatório). Devem ser usados precocemente. O uso por via oral ou intravenosa tem efeito clínico equivalente. Prednisona 4060mg VO Sulfato de magnésio EV Asma ! 19 Tratamento de escolha quando não se tem resposta apropriada ao tratamento inicial de uma crise asmática grave. Tratamento inicial: corticoide sistêmico, beta-2 agonista de curta e anticolinérgico (ipratropio). Aminofilina É proscrita para o manejo da crise asmática aguda. Avaliação da resposta ao tratamento, critérios de alta e de transferência para a unidade de internação 3060 minutos após o tratamento inicial → reclassificação da gravidade. Entre as medidas objetivas, a que melhor se correlaciona com a gravidade é a SpO2. Persistência de SpO2 92% após tratamento inicial → indicação de hospitalização. Pacientes com boa resposta ao tratamento (não apresentam sinais de gravidade; SpO2 95%; PFE ou VEF1 70% do valor previsto): liberados para o domicílio Se ficar entre 92 e 95 a SpO2 esperar mais 1h e reavaliar novamente. Equívocos mais comuns durante o tratamento nos serviços de urgência Ausência de mensurações da SpO2 por oximetria Ausência de verificações de medidas funcionais, especialmente do PFE Orientação inadequada do tratamento inalatório Aminofilina como tratamento inicial ou principal Retardo para iniciar o uso de corticoides Asma, crise é beta2 não recuperou > corticoide) Demora em iniciar a oxigenoterapia Não há benefício de agentes mucolíticos na asma (acetilcisteína) Conduta na alta dos serviços de urgência Bom momento para promover a educação do paciente - o que está usando de manutenção, de profilaxia, na crise? Asma ! 20 Equívocos no momento da alta Liberação precoce sem respeitar os critérios clínicos-funcionais Falta de orientação do tratamento de manutenção Falta de prescrição de prednisona - o que tirou da crise precisa ser mantido em média 5 dias Falta de orientação da técnica de uso dos dispositivos inalatórios Falta de orientação do plano de ação para exacerbação posterior Escolha dos dispositivos de acordo com a faixa etária 4 anos: IP espaçador com máscara facial 4 a 6 anos: IP espaçador com bocal 6 anos: IP espaçador com bocal ou IP Adultos: IP (pressurizado) ou IPo (inalador de pó) Indicações de transferência para UTI hipercapnia, acidose (pH 7,30 ou hipoxemia níveis elevados de lactato sérico hipotensão arterial ou arritmias cardíacas graves persistência dos sinais e sintomas de gravidade (sonolência, confusão mental, exaustão, cianose, silêncio respiratório, PFE 30% do valor previsto) a despeito do tratamento adequado. Intubação endotraqueal em emergência Sedação com quetamina: não compromete a hemodinâmica e não produz broncodilatação. A técnica deve ser complementada com a indução de bloqueio neuromuscular. Caso clínico - asma parcialmente controlada Asma ! 21 Menino, 5 anos de idade, faz acompanhamento por asma em uma UBS há 6 meses. Na última consulta, há 3 meses, foi prescrito beclometasona, 100 mcg/dia, spray oral para uso contínuo e salbutamol, 400 mcg/dose, spray oral, para os sintomas e agudizações. Neste retorno, a mãe refere que, nos últimos 30 dias, o filho apresentou um episódio de despertar noturno por tosse e um episódio semanal de chiado e tosse ao jogar bola. Durante a consulta, constatou-se boa adesão ao tratamento, uso adequado dos dispositivos inalatórios e ausência de outras morbidades no período interconsulta. A conduta a ser tomada para essa criança, em relação à medicação de manutenção, é prescrever a) beclometasona 200mcg/dia spray oral O paciente apresenta um quadro de asma parcialmente controlada, já que mantém despertares noturnos após três meses de tratamento. Como já foi checada boa adesão terapêutica e ausência de outras morbidades no período, é necessária a reavaliação do manejo: O paciente encontrava-se na etapa 2 de tratamento, de acordo com as orientações da GINA 2022 para crianças até 5 anos, já que estava em uso diário de corticoide inalatório em baixa dose (beclometasona 100 mcg/dia) associado ao uso de beta-agonista inalatório de curta duração quando necessário (salbutamol, 400 mcg/dose). Assim, o próximo passo no manejo desse paciente, de acordo com a GINA 2022, seria o aumento para o dobro da dose do CI (resposta trazida nessa alternativa), além de considerar encaminhamento para especialista, correspondendo à etapa 3 de tratamento. Caso clínico - asma não controlada Menino, 7 anos de idade, apresenta episódios recorrentes de tosse seca, chiado e falta de ar nos últimos 3 meses, com uso frequente de broncodilatador. Refere, ainda, falta de ar e chiado no peito ao correr ou subir escadas. Nega crises graves ou internação. Para o controle da asma deste paciente é indicado: a) uso diário de corticoide inalatório em dose baixa e broncodilatador de curta ação nas crises. sse paciente está com sintomatologia e necessitando de broncodilatador frequentemente, além de apresentar limitação nas suas atividades pelos Asma ! 22 sintomas, o que indica um quadro de asma não controlada. Assim, o próximo passo no tratamento desse paciente, de acordo com o GINA 2022, seria a adição do uso diário de corticoides inalatórios em baixa dose, além de manter o uso de b2-agonistas de curta duração nas crises. Caso clínico - asma não controlada Um escolar com 9 anos da idade comparece à consulta médica de rotina em Unidade Básica de Saúde. O paciente apresenta crises de broncoespasmo recorrentes desde 4 anos de idade, com sintomas diurnos 3 vezes por semana e despertar noturno sempre com necessidade de uso de β2agonista de curta duração por demanda. Ele não consegue realizar atividades comuns da infância, como correr com seus amigos. Refere controle ambiental adequado. Há 4 meses, faz uso contínuo de corticoide inalatório em dose baixa. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corado, hidratado e eupneico. Possui auscultas cardíaca e respiratória normais. Qual é a classificação da asma e a terapêutica recomendada, além do uso do β2agonista de curta duração por demanda? a) asma não controlada; uso contínuo de corticoide inalatório em dose média. Temos que fazer 4 perguntas para saber como está o controle dos sintomas, dentro das últimas 4 semanas: Tem sintomas mais de 2x por semana? Acorda alguma vez durante à noite pela asma? Tem que usar algum corticóide beta-agonista de curta duração mais de 2x por semana? Tem limitação física por causa da asma? Se a resposta for não para todas, está bem controlado; se for sim para 12 está parcialmente controlado e se for 2 não está controlado. O caso clínico mostra uma criança com sintomas 3x por semana, despertar noturno, uso constante de b2-agonista de curta duração e não consegue realizar atividades físicas, ou seja, pontua 4 vezes e está com uma asma não controlada. Sabemos que não está controlada, mas qual o tratamento agora, Doc? Asma ! 23 Seguindo as mudanças do GINA 2022, devemos otimizar a medicação e subir o Step, agora a criança está apenas com uso de SABA (b2-agonista de curta duração - famoso Salbutamol) Não se deve mais usar apenas SABA sem corticóide inalatório! Devemos iniciar desde o Step 1 corticóide inalatório e ir subindo de acordo com o não controle dos sintomas, no Step 1 faríamos corticóide inalatório (por exemplo beclometasona) SABA sob demanda; Step 2 corticóide inalatório diário em baixa dose; Step 3 corticóide inalatório diário em dose média ou baixa dose de corticóide inalatório com um b2-agonista de longa duração (formoterol por exemplo) 💡 Lembre-se: buscamos o total controle dos sintomas, ou seja, as 4 perguntas devem ter resposta negativa. A partir de 36 meses de controle com a medicação, pode-se tentar a diminuição do Step! Referências MEDCEL 2020 https://portal.wemeds.com.br/gina-2023-asma/ https://ensinoepesquisa.ghc.com.br/natsghc/Asma APS 2023.pdf http://telessaude.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2023/05/aula-asma- 2023-soraia-matos.pdf https://emojipedia.org/light-bulb/ https://portal.wemeds.com.br/gina-2023-asma/ https://ensinoepesquisa.ghc.com.br/natsghc/Asma%20APS%202023.pdf http://telessaude.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2023/05/aula-asma-2023-soraia-matos.pdf http://telessaude.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2023/05/aula-asma-2023-soraia-matos.pdf Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 1.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 2.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 3.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 4.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 5.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 6.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 7.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 8.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 9.png Asma ! 48aac40ec7b64f1fab07fa884aead974/Untitled 10.png