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Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Apendicite Aguda ● Principal causa de abdome agudo inflamatório! ● Inflamação do apêndice fecal Considerações anatômicas ● Estrutura tubular alongada de 2-20 cm (média de 9 cm), e diâmetro normal até 7mm ○ Camadas → mucosa, submucosa, muscular (longitudinal e circular) e a serosa ● Fixado ao ceco em sua porção posteromedial ○ Base do ceco, próximo à válvula ileocecal ● Localizado no encontro das 3 tênias do cólon ○ Fossa ilíaca direita→ ponto de McBurney ○ A localização mais comum é retrocecal, mas pode ter várias posições (subseroso, retroperitoneal, pélvico, postileal, subcecal, pré-ileal) ● Vascularizado pela artéria apendicular ○ Artéria ileocólica → derivada da mesentérica superior A presença de células linfóides B e T na mucosa e submucosa da lâmina própria torna o apêndice histologicamente distinto do ceco → formação de uma polpa linfóide, sistema linfoide associado ao intestino ● Hiperplasia linfóide pode causar obstrução do apêndice e apendicite! Epidemiologia ● 8% da população ocidental terá apendicite algum dia ● Pico de incidência entre 10-30 anos ○ Menor prevalência em < 9 anos ● Predominância ligeiramente masculina ● Incidência de 100 a cada 100.000 pessoas/ano ● Principal causa de ABD agudo em crianças, adultos de ambos os sexos e na gestante ● A incidência de apendicite perfurada é 29 por 100.000 pessoas→ também é mais comum em homens Fisiopatologia ● Obstrução da luz apendicular → fecalito (principal), hiperplasia linfóide, neoplasia, ascaris, cálculos, tumores, infecções, sementes… ○ Ped → principal é a hiperplasia (algumas referências apenas) ○ Idosos→ fecalito, fobrose e neoplasia ● Distensão e hiperproliferação bacteriana + acúmulo de secreção ○ Aumento da pressão intraluminal → início da dor visceral→ inespecífica, periumbilical 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● A obstrução compromete o retorno venoso e linfático, causando isquemia e posterior necrose. Peritônio parietal, dor somática e localizada ○ Aumento do muco e distensão, aumento da pressão luminal e intramural, causando trombose e oclusão de pequenos vasos na parede do apêndice associada a estase do fluxo linfático ● Apêndice ingurgitado → fibras nervosas aferentes viscerais que entram em T8 a T10 geram a dor ABD ou periumbilical → a dor localizada ocorre tardiamente quando o exsudato neutrofílico atinge o peritônio parietal adjacente ● No início da apendicite há predomínio de aeróbios; na apendicite perfurada ou gangrenosa há predomínio de E. coli (gram -), Peptostreptococcus, Bacteroides fragilis (anaerobia) e pseudomonas ● 12 horas depois→ diminuição do suprimento arterial→ necrose da parede do apêndice ● 48 horas depois→ perfuração (decorrente da necrose) e peritonite difusa ○ Abscesso → bloqueio da proliferação → formação de abscesso periapendicular ○ Peritonite difusa Quais as bactérias mais relacionadas? ● B. fragiles –. anaeróbia ● E. coli→ aeróbia gram - Clínica ● Quadro inicial → dor periumbilical + febre moderada + anorexia ● Dor mal localizada (visceral - mesogástrica), que evolui/migra para fossa ilíaca direita (parietal) ○ Depende muito da localização da ponta do apêndice e da intensidade e progressão do quadro ● Pacientes com um apêndice retroperitoneal podem se apresentar de uma forma mais subaguda, com dor no flanco ou lombar, enquanto pacientes com a ponta do apêndice na pelve têm dor suprapúbica sugestiva de infecção do trato urinário 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Sabiston → ausência de anorexia não descarta, o primeiro sintoma é dor abdominal seguida de náusea e vômito ● Movem-se o menos possível, pernas fletidas ● Anorexia ● Náusea ● Vômito ● Febre baixa→ em geral é mais tardia ● Diarreia ● Indigestão ● Flatulência ● Pcte pode ter tudo🤡 🧒 Em crianças pode ocorrer após uma gastroenterocolite! E quando complica? ● Plastrão/abscesso → sintomas + brandos, formação de massa ● Perfuração livre → conteúdo para todo o peritônio → Peritonite difusa → descompressão dolorosa nos 4 quadrantes, abdômen em tábua, sinais sistêmicos, podendo chegar a sepse Quais são os sinais clássicos? ● Sinal de Blumberg → dor na descompressão brusca no ponto de Mcburney ● Sinal de Rovsing → dor na FID após compressão da FIE→ translocação de ar ● Sinal de Dunphy→ dor na FID que piora com a tosse ● Sinal do obturador → dor hipogástrica com a rotação interna da coxa direita flexionada → pensar em apendicite pélvica ● Sinal do psoas → dor à extensão da coxa direita com paciente em decúbito esquerdo→ apendicite retocecal ● Sinal de Lapinski → dor à compressão na fossa ilíaca direita quando pcte eleva o MMII esticado ● Sinal de Markle → na ponta do pé, chocar os calcanhares contra o chão → indica irritação peritoneal ● Percussão calcânea → dor na FID ao percurtir com a palma da mão o calcanhar direito do pcte ● Sinal de AAron → dor hipogástrica provocada pela flexão da coxa e rotação interna do quadril 🧓 Idosos → maior incidência de perfuração, apresentação tardia, não faz leucocitose e nem febre. Diagnóstico ● Clínico → história clássica em homem (entre 10 e 40 anos) ● Lab → sugerir perfuração se leuco > 20k + desvio à esquerda, PCR, EAS (pode ter hematúria e leucocitúria) ○ Agudo→ 14.500 ± 7.300 células/microL ○ Gangrenoso → 17.100 ± 3.900 células/microL ○ Perfurado→ 17.900 ± 2.100 células/microL ○ Elevação leve de bilirrubina sérica pode indicar perfuração ● Na dúvida → idoso criança, mulheres, obesos, gestantes… ○ Imagem → TC (padrão ouro) ou USG/RM (p/ crianças e gestantes) USG ● Sensibilidade e especificidade de 85-90% ● Diâmetro apendicular > 7mm, espessamento da parede, estrutura luminal ñ compressível, apendicolito, ausência de gás, fluido periapendicular, alteração da gordura periapendicular ou abscesso, aumento da vascularização 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA TC ● Padrão-ouro ● Diâmetro apendicular > 7mm e espessamento da parede (lesão em alvo), borramento da gordura periapendicular (encaixe), aprimoramento da parede, , fluido, líquido livre, abscesso apendicolito (melhor valor preditivo) 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Diagnóstico diferencial ● Diverticulite cecal ● Diverticulite de Meckel ● Ileíte aguda ○ Há diarreia proeminente ● Doença de Crohn ● DIP→ mulher em idade fertil ● Cisto ovariano rompido ● Abcesso tubo-ovariano ● Torção do ovário ● Endometriose ● Gravidez ectópica Tratamento ● Simples (<49h e sem complicação) → atb profilático + apendicectomia (aberta ou vídeo) imediata ○ Ñ continuo o ATB no pós ○ Ceftriaxona IV → pode associar com Metronidazol ○ Ciprofloxacino ou Levofloxacino VO + Metronidazol ○ Amoxi-Clavu com Metronidazol ou Cefdinir ● Suspeita de complicação (>48h ou massa palpável) → IMAGEM ○ Peritonite difusa → cirurgia de urgência + atb terapêutico ○ Sem complicação→ apendicite simples ○ Fleimão → complicação não puncionável → ATB + colono (após 4-6 sem) +/- cirurgia (após 6-8 semanas) ○ Abscesso → arb + drenagem percutânea + colono (após 4-6 sem) +/- cirurgia (após 6-8 semanas) ■ Ñ opero pq pode se tornar uma peritonite infectada ■ Dreno se > 4-6 cm ● Baixo risco: ○ Piperacilina-Tazobactam ○ Metronidazol 500 mg IV + Cefazolina 2g IV ou Ceftriaxona 2g IV ou Cipro 400 mg IV ou Levo 750 mg IV ● Alto risco: ○ Meropenem 1g IV a cada 8h 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Piperacilina-tazobactam 4,5 g IV a cada 6h ○ Metronidazol 500 IV a cada 8h + Cefepime 2g IV a cada 8h ou Ceftazidima 2g IV a cada 8h Contra-indicações relativas: ● Pacientes com apendicólito → maior chance de complicações, abcessos ● Pacientes idosos → maior risco de malignidade oculta do apêndice 🚨 Pacientes submetidos ao manejo não operatório podem ter risco de ter apendicite recorrente cerca de 1 ano depois ou mesmo não responder aos ATB, o que faz preferir a apendicectomia. Técnica cirúrgica ● Apendicectomia dentro de 24 horas após a apresentação em pacientes comapendicite não complicada que optam por cirurgia. ● Se o paciente estiver estável, pode realizar dentro de 24h ● Pode ser laparotomia ou laparoscopia ○ Incisão de Davis ou Mcburney → apendicite não complicada ○ Incisão infraumbilical→ apendicite complicada ● Laparoscopia → menos dor, menor tempo de internação, menor infecção de ferida, recuperação mais rápida, menor custo social ○ Contraindicações absolutas: instabilidade hemodinâmica, peritonite generalizada ● Aberta → menor custo operatório e hospitalar, curva de aprendizagem menor ● CI absoluta videolaparoscopia → instabilidade hemodinâmica, peritonite generalizada ● Aberta→O ceco é segurado pelas tênias e trazido até a ferida, permitindo a visualização da base do apêndice e da sua ponta. O mesoapêndice é seccionado, e o apêndice é esmagado logo acima da base, amarrado com um fio absorvível, e seccionado. O coto é depois cauterizado ou invertido com uma técnica em bolsa de tabaco ou em Z. Por fim, o abdome é minuciosamente lavado, e a ferida fechada em camadas. ● Laparoscópica → o paciente é colocado na posição supina. A bexiga é esvaziada com um cateter vesical ou pela micção imediatamente antes da cirurgia. O abdome é acessado na zona do umbigo, e o diagnóstico é confirmado pela inserção do laparoscópio. ○ Duas portas de trabalho adicionais são colocadas, normalmente no quadrante inferior esquerdo e na área suprapúbica ou linha média supraumbilical, com base na preferência do cirurgião. ○ São usadas pinças atraumáticas para levantar o apêndice, e o mesoapêndice é cuidadosamente seccionado usando a pinça bipolar ou com clipes metálicos. ○ A base é depois suturada com endoloops, e o apêndice, seccionado. Em alternativa, o apêndice pode ser seccionado com um grampeador endoscópico. ○ A recuperação do apêndice é conseguida mediante o uso de um saco de recuperação plástico. ○ A pelve é irrigada, os trocartes removidos e as feridas fechadas. 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Preparação pré-operatória ● Hidratação IV, ATB e analgesia ● Cefazolina (2g se <120 kg ou 3g se ≥120 kg IV) + Metronidazol 500 mg IV ● Clindamicina + Ciprofloxacina ou Levofloxacina Pacientes em terapia antiplaquetária ou antitrombótica: ● O uso de Aspirina ou Clopidogrel não deve atrasar a apendicectomia laparoscópica; ● Pacientes em uso de Dabigatrana ou Rivaroxabana devem esperar 24h para realizar a apendicectomia; ● Pacientes em uso de Varfarina devem receber vit K e realizar a apendicectomia assim que o INR estiver normal. Tratamento do abscesso→ identificação de massa em FID ● < 4 cm → ATB, colonoscopia com 4-6 sem, cirurgia após 6 sem ● Maior que 4-6 cm → ATB, drenagem percutânea, colono 4-6 cm, cirurgia 6-8 sem ● Se não houver melhora, cirurgia 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Doença Diverticular do Cólons Diverticulose é a presença do divertículo! O que é a doença diverticular? ● Afecção caracterizada pelo aparecimento de saliências saculares na parede intestinal ● Inclui sintomas inespecíficos, como dor abdominal ou alterações gastrointestinais (diarreia, constipação) ● Complicações → diverticulite e sangramento diverticular O que é a diverticulite aguda? ● Inflamação diverticular (diverticulite) na ausência de abscessos, fístulas ou perfurações. ● Se complicada → se caracteriza pela ocorrência de complicações, locais ou a distância. ○ O simples fato de existir um divertículo inflamado (diverticulite) implica que o paciente possui uma doença diverticular complicada. ● No quadro de diverticulite aguda em que não existem complicações secundárias ao processo inflamatório (como abscessos, fístulas e obstruções), o paciente é portador de diverticulite aguda não complicada, embora possua doença diverticular complicada. E a diverticulite crônica? ● Cronificação do processo inflamatório, após a resolução do quadro agudo. ● Também pode ser caracterizada como complicada (obstruções, fístulas) ou não. E em casos de sangramento? ● Ocorre lesão da artéria diverticular e, consequentemente, hematoquezia ou enterorragia. ● Em algumas populações, o sangramento diverticular é a principal causa de HDB. ● Geralmente, o sangramento diverticular ocorre na ausência de diverticulite (inflamação) e é indolor. Fisiopatologia ● O divertículo corresponde a uma protrusão da parede intestinal, com aspecto de saculação, resultado do aumento da pressão da luz intestinal → acomete mucosa e submucosa ○ DIVERTÍCULO FALSO → ñ é formado por todas as camadas do órgão!! ○ Geralmente ocorrem no ponto de penetração das artérias → locais de fragilidade da musculatura circular intestinal ○ Hipertrofia das camadas musculares e diminuição do diâmetro luminal direto ● Com a redução do consumo de fibras, aumenta a pressão no intestino, já que a pessoa precisa fazer cada vez mais força ○ Dieta rica em proteínas e carboidratos ○ Fibras exigem menor pressão contrátil para levar as fezes ao reto ○ A mucosa e submucosa extravasam pelo local onde entram os vasos retos pela camada muscular→ só existirá divert ● O sigmóide é a região colônica com menor diâmetro, e logo local de maior pressão 8 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Epidemiologia ● Acontece mais no sigmóide ● A maioria é assintomática ● Comum em países industrializados ● Apresenta alta prevalência e grande impacto nos sistemas de saúde, especialmente nos países ocidentais. ● A morbimortalidade considerável é reflexo da prevalência da doença, especialmente na população idosa. ● Aproximadamente 60% da população acima de 60 anos encontra-se acometida pela enfermidade. → aparece por volta dos 50 anos ● 4% dos pacientes com diverticulose desenvolverão diverticulite aguda ○ 20% tem até 50 anos ● Semelhante em mulheres e homens Diagnóstico ● Colonoscopia ● Clister opaco Complicações ● Inflamação→ diverticulite→ + comum ○ Cólon esquerdo→ sigmóide ○ Causa→ obstrução→ fecalito ○ Isquemia rápida → microperfuração → abscesso peridiverticular ● Sangramento ○ Cólon direito→ orifício tende a ser maior ○ Causa→ trauma da arteríola tracionada Diverticulite aguda Qual a causa? ● Inflamação pericolônica, causada pela perfuração de um ou mais divertícular ● Complicação mais frequente da doença diverticular ● Causa mecânica → fecalito impactado na origem do divertículo compromete a irrigação da parede → abrasão da mucosa e obstrução da drenagem local ● Processo inflamatório cria ulcerações que são expostas ao conteúdo luminal contaminado ○ A estase ou a obstrução em locais com divertículos ou pseudodivertículos leva ao supercrescimento bacteriano e à isquemia local. ○ Os agentes anaeróbios (incluindo Bacterioides, Peptostreptococcus, Clostridium e Fusobacterium) são os 9 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA microrganismos mais comumente isolados, Gram-negativos aeróbios, como a Escherichia coli, e alguns Gram-positivos também são encontrados. ● Dismotilidade intestinal tbm participa ● Outros fatores de risco → idade, genética, dieta podre em fibras e rica em gordura, consumo de carne vermelha, obesidade e uso de medicamentos com anti-inflamatórios e opióides ● Protetores → atividade física, uso de estatinas e níveis séricos elevados de vitamina D ● Infecção e o processo inflamatório → microperfurações e abscessos pericólicos e mesentéricos ● Microperfurações para espaços livres→ fístulas ● Drenagem p cavidade peritoneal → peritonite generalizada ● Inflamação repetida seguida de espessamento da parede, estreitamento da luz intestinal e obstrução Qual a clínica? ● Depende da extensão da doença ● 15-20% dos pctes com DA no PS têm <45 anos ● Dor localizada na FIE (acomete + o sigmoide) → insidiosa, constante e pode se localizar em sítios abdominais e extra-abdominais ○ Pode ter tbm hipersensibilidade abdominal ○ Pode ser subaguda → geralmente pode irradiar para o flanco, pelve ou dorso ● Diarreia/constipação → alterações do hábito intestinal em geral ● Febre e calafrios→ pode ñ ter● Anorexia, náuseas, ● Pode ter sintomas urinários → urgência, pneumatúria, fecalúria e piúria ou o relato de saída de fezes pela vagina sugerem a existência de uma fístula ● Sangramentos intestinais ● Perda ponderal ● Náuseas e vômitos podem ser indicativos de complicação Como avaliar esse paciente? ● Questionar início e duração do quadro, se já teve diverticulite antes, perguntar dos hábitos intestinais, comorbidades subjacentes, uso de medicamentos, alergias e cirurgias prévias ● EF → dor à palpação à esquerda, pode ser palpado massas, descompressão dolorosa localizada ou generalizada por conta da peritonite, pode ter quadro de obstrução intestinal causando distensão ○ Avaliar tbm região inguinal ○ Ausculta → sinais de luta ou ruídos sugestivos de obstrução ○ Avaliação de defesa abdominal, dor à descompressão brusca e a pesquisa de outros sinais de peritonite. ○ O toque retal deve ser realizado em busca de obstruções, fístulas ou sangue nas fezes. ○ Uma massa dolorosa pode também ser encontrada se existir um fleimão grande associado. ○ A peritonite difusa com dor à descompressão e defesa é indicativa de perfuração intra‑abdominal livre, com contaminação generalizada. Como faço o diagnóstico? ● Pode ser clínico, mas quando se tem dúvida ou para ver complicação, melhor fazer TC!!! ○ Clínico não tem precisão! → Radiologia ajuda muito! ● Lab ○ Hemograma → leuco indica caso inflamatório e ajuda na estratificação. Hb e ht sugerem cronicidade e complicações ○ PCR→Acima de 170 é preditor de gravidade e têm maior chance de precisae de cirurgia ou drenagem percutânea ■ Atraso de 6-8h para elevação desde o início da doença→ pico em 48h ○ Contagem de leucócitos, relação neutrófilos/linfócitos, creatinina sérica, glicemia, peritonite generalizada, sensibilidade 10 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA abdominal generalizada, sintomas urinários e PCR elevada foram relacionados à doença grave. ○ Urina ○ Função renal ○ Avaliação eletrolítica, hídrica, glicêmica e gasométrica principalmente s esinais de gravidade ○ Para os pacientes com suspeita de perfuração ou peritonite, recomenda-se a dosagem de aminotransferases, bilirrubinas, amilase, lipase, gama GT e fosfatase alcalina ● TC de abdome e pelve ○ Com contraste (endorretal ou venoso) aumenta mais a eficácia → não usar o contraste baritado! ○ Mostra a localização, extensão e gravidade da doença, bem como de alterações patológicas fora do cólon, como um abscesso ou fístula colovesical. ○ Achados → presença de divertículos, espessamento da parede colônica (>4mm),, abscesso peridiverticular, fístula e coleções líquidas intra-abdominais, densificação da gordura subjacente, existência de gás extraluminal e líquido livre ○ Pode auxiliar na terapêutica ao guiar a drenagem percutânea ○ Na indisponibilidade do exame ou na existência de contraindicações para a sua realização, pode-se solicitar uma ultrassonografia abdominal (US) ou uma ressonância magnética (RM). ● USG → inflamação peridiverticular hipoecogênica, presença de abscessos peridiverticulares, espessamento da parede intestinal (> 4 mm), presença de divertículos. ○ Limitações → dependência do operador, má avaliação em pacientes obesos e dificuldade na detecção de gás livre e abscessos profundamente localizados. ● Evitar colono e clister no momento da inflamação!!! → pode aumentar pressão e causar mais microperfurações ○ Colono após 4-6 semanas → devo excluir neoplasia!!!!!!!! 🤔 Sugerem ausência de complicação → ausência de defesa abdominal, hemograma normal e PCR normal!! Qual o principal dd? ● CA de retossigmoide ● Obstrução intestinal por câncer de cólon ● Nefrolitíase ● Doença de Crohn ● Pielonefrite ● Colite ulcerativa ● Hérnia inguinal ● Apendicite aguda ● Gravidez ectópica ● Colite isquêmica ● Doenças ovarianas ● Doença inflamatória pélvica Quais as complicações? ● Abscesso→ + comum ● Peritonite→ purulenta ou fecal→ + grave! ● Fístula→ geralmente colovesical ○ Hematúria, colofecalúria ○ Mais comum nos homens → colo em contato com a bexiga ● Obstrução→ + no delgado Classificação de Hinchey ● Estágio 0→ diverticulite ñ complicada ○ Só tem no modificado ● Estágio 1→ abscesso pericólico ○ Subclassificação do modificado: ■ IA → Inflamação pericólica confinada ou flegmão ■ IB→ abscesso pericólico confinado ● Estágio 2→ abscesso pélvico ou a distância ● Estágio 3→ peritonite purulenta generalizada ● Estágio 4→ peritonite fecal generalizada 11 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Tratamento Ambulatorial ● Pacientes jovens, imunocompetentes e que apresentam diverticulite aguda não complicada e sem sinais de inflamação sistêmica. → Hickey 0-1a, pacientes que possuem uma inflamação diverticular localizada, na ausência de abscessos, perfurações, obstruções ou fistulizações. ● Dieta líquida, sem resíduos ● Antibioticoterapia → cobrir gram - e anaeróbios → 7-10 dias ○ Ciprofloxacino 500 mg VO 12/12 h + metronidazol 500 mg VO 8/8 h ○ Levofloxacino 750 mg VO 1x ao dia + metronidazol 500 mg VO 8/8 h ○ Amoxicilina + clavulanato 875 mg + 125 mg VO 8/8 h ● Para os pacientes que apresentam melhora do quadro, não é necessária a repetição de exames de imagem. Deve ser instituído um acompanhamento ambulatorial para modificação de dieta, avaliação de colonoscopia e, eventualmente, realização de cirurgia eletiva. ● Se ñ melhorar→ fazer hospitalar Hospitalar ● Se dor importante, irritação peritoneal, febre, leucocitose com desvio à esquerda → dieta zero, internação, atb parenteral (cef + metro) ○ A antibioticoterapia pode ser realizada por via endovenosa, e, posteriormente, transicionada para a via oral (após 3-5 dias e melhora dos sintomas), ou pode ser realizada totalmente pela via oral ou parenteral. A duração da terapia recomendada é de 10-14 dias. ○ Ciprofloxacino 500 mg VO 12/12 h + metronidazol 500 mg VO 8/8 h ○ Levofloxacino 750 mg VO 1x ao dia + metronidazol 500 mg VO 8/8 h ○ Amoxicilina + clavulanato 875 mg + 125 mg VO 8/8 h ○ Ciprofloxacino 400 mg EV 12/12 h + metronidazol 500 mg EV 8/8 h ○ Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV 6/6 h ○ Meropenem 1 g EV 8/8 h ○ Ertapenem 1 g EV 1x ao dia ○ Imipenem 500 mg EV 6/6 h ○ Ceftazidima + avibactam 2,5 g EV 8/8 h + metronidazol 500 mg EV 8/8 h ○ Cefepime 2 g EV 8/8 h + metronidazol 500 mg EV 8/8 h ● Cirurgia eletiva se → imunodeprimido, fístula, incapaz de excluir CA ● 4-6 semanas depois faz colono ● Caso não haja melhora, repetir exames para avaliar complicações→ provável formação de abscesso ● Mudança na dieta após 1º episódio→ rica em fibras ● Em casos de 2/3/+ episódios (sem consenso)→ indicar cirurgia eletiva ressecando o segmento afetado, múltiplas recidivas aumentam a chance de complicações (fístulas, abscessos, perfurações) ● Dada a elevada morbidade associada com a colectomia de emergência por diverticulite perfurada, a lavagem laparoscópica surgiu como uma abordagem terapêutica alternativa atraente para pacientes com classificação de Hinchey de estágio III. Critérios para internação hospitalar ● Diverticulite aguda complicada ● Sepse ou sinais de disfunção orgânica ● Microperfurações (ar fora do cólon sem líquido livre) ou flegmão ● Pacientes imunossuprimidos ● Toxemia ou febre alta (≥ 39°C) ● Leucocitose importante ● Dor abdominal importante ou peritonite generalizada ● Idade > 60-70 anos ● Pacientes com comorbidades importantes ● Impossibilidade de ingesta oral de medicamentos ● Condição social ou impossibilidade de retorno para reavaliação ● Refratariedade ao tratamento ambulatorial Complicada → abscesso >/= 4cm, peritonite, obstrução refratária ● Abscesso → atb + drenagem percutânea (guiada por TC ou USG) + colono (4-6 semanas) + cirurgia eletiva (6-8 semanas) ○ < 2 cm→ igual ñ complicada ○ 3 a 5 cm → diretrizes recomendam apenas o tratamento de suporte, com jejum, hidratação e antibioticoterapia, desde que estáveis. → exame de imagem deve ser repetido parao controle do tratamento. ○ 3 a 5 cm → drenagem percutânea, guiada por imagem; também devem ser realizados antibioticoterapia e tratamento de suporte. 12 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Se ñ tem drenagem percutânea disponível ou piora clínica→ cirurgia de emergência ○ Em pacientes submetidos à drenagem e que apresentam melhora clínica adequada, o cateter de drenagem pode ser removido quando houver diminuição ou parada da saída de pus ● Peritonite/obstrução → atb + cirurgia de urgência (Hartmann) ○ Se Hinchey III → lavagem laparoscópica com colocação de drenos ○ Cirurgia de Hartmann, com ressecção e confecção de colostomia, e reconstrução do trânsito intestinal posteriormente → pacientes graves ou com muitas comorbidades ○ Obstrução → + comum de delgado, por aderência ao fleimão ou abscesso → sondagem NSG, ATB terapia e internamento. Cirurgia só em casos refratários ● Fístulas → sigmoidevesical é a + comum. Homens são + acometidos→ útero é barreira natural ○ Controle do quadro infeccioso através de ATB antes de terapia definitiva ○ O tratamento definitivo, nesses casos, na maioria das vezes, envolve a ressecção cirúrgica do segmento afetado, reconstrução, rafia vesical e colocação de patch de omento entre o cólon e a bexiga, para evitar novos episódios. ○ A ressecção eletiva do cólon envolvido e do trajeto da fístula deve então ser realizada com ○ anastomose primária subsequente. Se um defeito pequeno for encontrado na bexiga, pode não ser necessário sutura primária Cirurgia eletiva ● Ressecação do segmento afetado, anastomose primária terminoterminal do cólon esquerdo com o reto (colorretal) ● Pq a colono é importante? → Em caso de neoplasia, cirurgia + agressiva com necessidade de margem maior Cirurgia de urgência ● Hartmann → tiro o sigmóide, confecção de colostomia com o cólon descendente não inflamado, rafia o coto retal e deixo na pelve ○ Reconstruir o trânsito após 10 semanas ● Colostomia terminal e fechamento do coto retal ● A anastomose torna-se de maior risco de deiscência, por se tratar de um local contaminado com uma inflamação grande vigente, e tecnicamente mais difícil mesmo nos procedimentos eletivos ● Fístula mucosa ○ Em pctes muito debilitados que ñ toleram sigmoidectomia → lavagem da cavidade e estoma de proteção ○ Nos casos de Hinchey 3 ou menos, paciente com boas condições clínicas, pode ser tentado anastomose primária, realizar ostomia de proteção→ nunca fazer se Hinchey 4!!!!!! Alta ● Critérios ○ Sinais vitais normais. ○ Melhora da dor. ○ Melhora da leucocitose. ○ Boa aceitação da dieta. ● Após a alta hospitalar, os pacientes devem completar a antibioticoterapia em regime ambulatorial, totalizando-se de 10 a 14 dias. ● Após um episódio de diverticulite aguda, os pacientes devem ser acompanhados ambulatorialmente, objetivando-se a modificação da dieta, a avaliação de complicações e a possibilidade de cirurgia. ● Eventualmente, pode ser necessária a realização de uma colonoscopia após 4 a 6 semanas do processo, para descartar a presença de neoplasia. ● A realização de cirurgia eletiva (colectomia) encontra suas indicações cada vez mais relativas. → casos de complicações crônicas, como fístulas ou estenoses. ● Pacientes imunocomprometidos também podem necessitar de cirurgia eletiva. ● O procedimento também pode ser realizado em pacientes com episódios recorrentes da doença (independentemente do número de episódios agudos), visando, unicamente, a melhora da qualidade de vida. Preferencialmente, quando realizada em caráter eletivo, a abordagem cirúrgica deve ser realizada por via laparoscópica. 13